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terça-feira, 6 de outubro de 2015

“O PS só não forma governo porque não quer”


O secretário-geral do PCP voltou a afirmar que não viabilizará governo PSD/CDS-PP.
O secretário-geral do PCP reiterou hoje a promessa de apresentar uma moção de rejeição ao eventual programa de Governo da maioria PSD/CDS-PP, em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa.
Durante uma reunião do comité central comunista, que começou pelas 11:00 e se prevê que continue pela noite, Jerónimo de Sousa apresentou as principais conclusões, incluindo novas acusações ao PS, no sentido de que "um novo Governo" liderado por Passos Coelho e Paulo Portas "só se materializará" (…) se o PS optar por convergir com PSD/CDS, defraudando o sentido de voto de milhares de portugueses".
"Neste novo quadro político, o PS só não forma Governo porque não quer. Nada o impediria de se apresentar disponível", continuou, salvaguardando ser necessário, por parte dos socialistas, uma "vontade de rutura com a política de direita".
DN

Vera Jardim afasta diálogo PS com Bloco e PCP para a formação de Governo




Por Lusa 

O antigo ministro socialista Vera Jardim recusou hoje o diálogo com o PCP e o Bloco de Esquerda para uma eventual formação do Governo, defendendo antes a viabilização de um executivo PSD/CDS com base num "compromisso". 

Vera Jardim falava à entrada para a Comissão Política Nacional do PS, contrariando com esta sua posição uma das teses internas, segundo a qual os socialistas devem dialogar com o Bloco de Esquerda e com o PCP para equacionar uma eventual solução de Governo. "Vejo o diálogo com a coligação PSD/CDS. Com a esquerda não vejo capacidade nenhuma de diálogo", declarou o antigo ministro da Justiça.


http://www.cmjornal.xl.pt

HISTÓRIA - EFACEC

Os pioneiros na primeira metade do século XX | 1900 - 1950
A história centenária do projecto Efacec inicia-se em 1905 com a inauguração de «A Moderna, Sociedade de Serração Mecânica de Madeiras». Portugal é então uma monarquia e a sua economia periférica permanece quase na sua totalidade por industrializar. A primeira viagem de comboio no país tinha acontecido há menos de 50 anos.
Em plena Primeira Guerra Mundial e num contexto de fortes convulsões sociais e políticas, no ano em que cai o czar da longínqua Rússia que mudaria para sempre a história do século, a Efacec produz em 1917 os primeiros motores eléctricos fabricados em Portugal.
É fundada em 1921 a Electro-Moderna, Lda., «Fábrica de Motores e Geradores de c.a. e c.c. de Transformadores e de Acessórios Eléctricos» (EML), constituindo a base de arranque da Empresa Fabril de Máquinas Eléctricas.
Em 1948 é fundada a sociedade Empresa Fabril de Máquinas Eléctricas, S.A.R.L., com o capital distribuído entre  a  Electro-Moderna,  os ACEC,  a  CUF e outros accionistas, tendo como objectivo o «exercício da indústria, comércio, instalação e reparação de material eléctrico e mecânico e de todas as actividades correlativas». Este pequeno fabricante de motores, impulsionado pelo visionário António Ricca Gonçalves, vai  inaugurar verdadeiramente a Efacec moderna.

Ao longo destes 50 anos de crescimento e desenvolvimento, a Efacec nasceu em monarquia, viu a instauração da República, já tinha atingido a maioridade quando Salazar assume o poder em Portugal e sobreviveu a duas Grandes Guerras Mundiais. Em contextos tão difíceis, a Efacec foi sempre capaz de resistir às adversidades e prosseguir com o seu percurso de afirmação como uma das maiores empresas industriais do país.


A era da grande expansão mundial | 1950-2000
Na altura em que a Guerra Fria dita a nova ordem mundial, a Efacec inaugura as instalações fabris da Arroteia, ainda hoje o seu pólo de Energia. Em 1957 arranca a produção dos modernos Transformadores de Potência, aumentando a capacidade tecnológica e industrial da Efacec.
A empresa, até então denominada EFME (1948) e EFA (1949), assume a designação oficial de Efacec a partir de 1962. Entre 1966 e 1973, a Efacec vê crescer 2,5 vezes a sua área fabril e 6 vezes o seu volume de encomendas.
Em 1969, ano em que milhões celebram a contra-cultura de Woodstock e em que Neil Armstrong e Edwin Aldrin são os primeiros homens a pisar a Lua, as acções da Efacec são admitidas na Bolsa de Lisboa.
A Efacec aquire em 1973 uma posição maioritária na JORRO, empresa produtora de bombas hidráulicas.Num país que caminhava rapidamente para uma revolução que restituiria as liberdades cívicas e políticas,a Efacec é uma empresa conceituada e solidamente implantada no mercado nacional. É uma das estrelas da Bolsa, crescem as vendas e amplia as instalações fabris para aumentar a capacidade industrial.
Na segunda metade da década de 1970 a Efacec adapta-se às muitas mudanças propiciadas pela reinstauração da democracia, mas também às dificuldades resultantes das convulsões revolucionárias, das nacionalizações, da queda abrupta da economia, da descolonização e da instabilidade política e militar. No exterior, o mundo tenta resistir aos choques petrolíferos, o terrorismo urbano afecta países como a Itália e a Alemanha Federal, e a Europa ocidental do Sul assiste a uma vaga de democratização. Em sentido inverso, por quase toda a América Latina são instaurados regimes repressivos.
Em 1976 a Efacec arranca com a sua actividade na área dos Sistemas de Tracção e entrega o primeiro transformador trifásico de 420 kV, 315 MVA, com 450 toneladas de peso, a maior unidade trifásica construída em Portugal. 
Na década de 1980 são dados os primeiros passos para uma estratégia de internacionalização com a aquisição da quase totalidade das acções da RABOR, providenciando-se a constituição de uma unidade de produção de motores eléctricos à escala europeia. A Efacec antecipa com visionarismo a opção de Portugal pela integração na então Comunidade Económica Europeia (CEE, actual União Europeia), o que veio a acontecer em 1986, e no ano seguinte os ACEC saem do capital da empresa. Sem o condicionamento do então sócio maioritário, que impedia a concorrência da Efacec nos mercados internacionais, inicia-se um período de forte crescimento em todo o mundo.
Na última década do século XX assistimos à queda do Muro de Berlim e ao advento de um mundo unipolar. Alguns autores falaram prematuramente em fim da história, mas a Efacec não desiste de escrever novos capítulos. Aposta nos mercados externos e expande as suas actividades em todo o mundo, incluindo países então fora das organizações internacionais de comércio e fortemente fechados à actividade empresarial, como era o caso da China da época. A internacionalização da Efacec nesta fase leva os seus produtos e soluções a mais de 65 países.
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Efacec no século XXI, uma história de desafios com uma ambição renovada | 2000-2014
Depois de um período de grande expansão internacional, de abertura dos mercados e de crescimento contínuo das actividades da Efacec, acompanhando um tempo de grande bonança nas relações políticas e económicas mundiais, os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos EUA demonstraram que a história regressa por onde menos se espera. Nesse momento fechou-se um ciclo de maior prosperidade mundial que impôs mudanças acentuadas nas nossas sociedades. O mundo envolveu-se em duas grandes guerras no Afeganistão e no Iraque, as matérias-primas dispararam para preços inimagináveis pouco tempo antes, as economias iniciaram um processo de maior degradação até ao epílogo da crise das dívidas soberanas, o sistema financeiro global ficou mais frágil e emergiram novos actores na ordem mundial, como a China e a Rússia. Em Portugal, em termos económicos, iríamos perder a primeira década do novo século.
Sempre com capacidade de inovação e adaptabilidade, a Efacec inicia em 2002 uma recuperação financeira centrada no mercado interno, com uma proposta de desenvolvimento estratégico da Companhia assente na aposta em negócios com potencial de crescimento e na circunscrição geográfica.
Em 2006, no dia 21 de Fevereiro, a Efacec retirou da Bolsa todas as suas acções na sequência da concretização da Oferta Pública de Aquisição (OPA) por parte dos seus accionistas de referência Grupo José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves. Fechando temporariamente um ciclo de décadas no mercado de capitais, a Efacec ficou mais livre para operar as mudanças desejadas.
Após essa viragem, a Efacec acelera de forma muito significativa a sua expansão internacional, transformando-se numa das principais multinacionais portuguesas. Entre 2007 e 2010 o seu volume de negócios ultrapassa os mil milhões de euros, compra várias empresas em todo o mundo e arranca vários projectos de raiz, como a construção de uma nova fábrica de transformadores nos EUA, crescendo em todos os indicadores e oferecendo soluções tecnologicamente avançadas em todo o mundo.
Na dobra da primeira metade do século XXI, Portugal, a Europa e o mundo mergulham numa profunda crise económica e financeira que atinge quase todos os países e empresas. Resistindo a muitas e inesperadas adversidades desde os primeiros passos em 1905, a Efacec pôs em marcha um ciclo de forte consolidação estrutural e processual. A agenda de reforma atravessa toda a Companhia e permitiu, já em 2014, o redimensionamento da sua estrutura internacional e a simplificação do seu portfolio, bem diversas alterações societárias e de gestão transversais a toda a Efacec, incluindo o Conselho de Administração, a Comissão Executiva e todas as Unidades de Negócio e Direcções Corporativas.

www.efacec.pt

A HERDADE DO ESPORÃO










História

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Desde a sua fundação em 1267, os limites geográficos da Herdade do Esporão têm-se mantido praticamente inalterados, apesar de este ter sido um lugar de sangrentas batalhas e de feitos heróicos ao longo de quase nove séculos de existência. Soeiro Rodrigues, juiz da cidade de Évora, terá sido o primeiro dos muitos proprietários, entre os quais se incluem o mestre de Santiago Rodrigues de Vasconcelos, o Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos que terá erigido a Torre do Esporão e dos condes de Alcáçovas, que mantiveram a propriedade na família até 1973, ano em que venderam a Herdade do Esporão a José Roquette e Joaquim Bandeira.
No centro da Herdade do Esporão erguem os três monumentos históricos da propriedade: a Torre do Esporão, o Arco do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, esta última ligada a um intenso e devoto culto popular na região que leva as gentes da terra em procissão sempre que a chuva tarda em chegar. A Torre do Esporão, símbolo de afirmação na sociedade e exibição de poder militar, é uma das torres mais importantes na ilustração da transição da idade medieval para a idade moderna em Portugal.
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Mas se na Herdade do Esporão uma viagem ao passado conduz-nos à Idade Média, na Herdade dos Perdigões, a escassos cinco quilómetros de distância, a mesma viagem conduz-nos à memória do Neolítico e do Calcolítico, remetendo-nos para os anos 4.500 até 2.000 antes de Cristo, quando a região abrigava um complexo habitacional e cerimonial que ocupa cerca de dezasseis hectares. A qualidade dos achados e da investigação aí produzida transformou o complexo arqueológico num sítio de referência para a investigação da pré-história europeia recente.

Centro Histórico

A Torre do Esporão - raízes históricas

A Torre do Esporão, uma das mais importantes torres construídas na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, terá sido edificada pelo Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos, entre os anos 1457 e 1490, datas que correspondem, respectivamente, ao momento da posse do morgado e ao seu falecimento. Esta atribuição é do historiador José Pires Gonçalves, que teve em conta o projecto arquitectónico de implantação da Torre.
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Álvaro Mendes de Vasconcelos vinha de uma família nobre em ascensão ligada à poderosa Casa de Bragança – era cavaleiro da casa do Duque de Bragança e regedor da cidade de Évora. Entende-se, assim, a construção da Torre do Esporão como um sinal visível de erupção da pretensão aristocrática. Esta era uma necessidade de afirmação da nova linhagem que, entre outros sinais, tinha por hábito erguer uma torre ou casa forte como verdadeiros símbolos da sua afirmação na sociedade. A função primeira deste tipo de torres era a de habitação, mas nos finais do século XV as torres que existiam em Portugal dificilmente serviriam de morada permanente, uma vez que as suas dimensões eram muito reduzidas. Podiam também ter sido refúgios seguros para pessoas e bens, em caso de extrema necessidade. Mas, antes de tudo, eram um símbolo de senhorio e poder militar.
A importância que as torres medievais voltaram a adquirir no final da Idade Média verifica-se essencialmente na existência da referida Ermida de Nossa Senhora dos Remédios: a sua presença indica não só que os seus possuidores tinham começado a fazer mais uso das torres espaçosas, mas também que existia uma certa sacralização do espaço em que se erguiam.
Desenhando um quadrilátero de 14,40m por 10,9m, a planta da Torre do Esporão apresenta dimensões pouco usuais – é relativamente mais larga, quando comparada com construções antecedentes ou mesmo contemporâneas. No entanto, mais tarde, acabou por servir de modelo a outras torres, o que demonstra bem a influência que teve em posteriores construções de torres no Alentejo.

Reabilitação da Torre

Devido ao passar do tempo, a Torre do Esporão perdeu o seu esplendor. Tratando-se, este, dum monumento marcante do património português, o Esporão tomou a iniciativa de lhe restituir a dignidade perdida. A autorização do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) para a sua reabilitação foi obtida e o Esporão – por sua conta – iniciou o processo de reabilitação deste monumento nacional, em 2003.

A Torre do Esporão, hoje

Hoje, a Torre do Esporão é o símbolo dos vinhos da Herdade do Esporão, tendo recuperado a sua antiga grandeza e importância. É o edifício mais importante e representativo de todo o conjunto que compõe a Herdade do Esporão. No rés-do-chão da Torre pode visitar-se um Museu Arqueológico, onde estão expostos diversos achados do Esporão e peças do Povoado dos Perdigões.

O Arco e a Ermida

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O Arco integra uma curiosa Porta Fortificada com uma escada em caracol de acesso ao terraço defensivo. A Ermida da Nossa Senhora dos Remédios foi edificada no início do século XVI e dedicada a Nossa Senhora dos Remédios. Desde a sua edificação, a capela tornou-se objecto de um intenso culto popular na região. Apresenta uma arquitectura religiosa medieval recentemente restaurada pelo Esporão, incluindo os magníficos frescos da capela-mor. Está classificada como imóvel de interesse público.

Complexo Arqueológico dos Perdigões

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Quando decidimos em 1996 fazer uma lavra profunda para plantar uma vinha nova na Herdade dos Perdigões, nas imediações de Reguengos de Monsaraz, deparámo-nos com a descoberta involuntária de um complexo arqueológico que mais tarde descobrimos ter sido erigido entre os anos 3.500 a 2.000 antes de Cristo. Constituído por fossos concêntricos escavados na rocha que culminam num centro geométrico que ocupam uma área total de dezasseis hectares, o Complexo Arqueológico dos Perdigões revelou uma necrópole e um recinto cerimonial megalítico.
Este importante sítio suscitou o interesse da comunidade científica internacional, tendo-se convertido numa referência para a investigação da pré-história europeia. A classificação do Complexo Arqueológico dos Perdigões como monumento nacional encontra-se em fase de apreciação. O Esporão assumiu desde o primeiro instante a vontade e a responsabilidade pelo estudo e preservação deste conjunto patrimonial, assumindo o custo de não plantar vinha na área do sítio arqueológico e participando financeiramente na sua investigação científica, em curso desde 1997.

http://esporao.com/

A CADEIA DE CAMILO - A CADEIA DA RELAÇÃO NO PORTO

“Murmúrios do Tempo”


Murmúrios do Tempo” – Dezembro 1997/Fevereiro 1998
Com fotografias de arquivo da Cadeia da Relação do Porto

novaziodaonda.wordpress.com

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Uma prisão à moda antiga
A Cadeia da Relação do Porto abriu as suas portas no final do século XVIII, para funcionar de acordo com os conceitos da época. Alojou Camilo Castelo Branco, entre outras figuras ilustres, e chegou a escandalizar um rei.
Da sua janela, via as torres da Igreja do Bonfim, os telhados num suave declive e, delineado contra o horizonte, o Convento de S. Bento de Avé-Maria, a atual gare ferroviária de São Bento, no centro do Porto. Essa vista está hoje iluminada pelo sol e a cidade cresceu a olhos vistos em redor
da janela. Na altura, nomeadamente nos meses invernosos, o cenário que o olhar de Camilo Castelo Branco abarcava era seguramente mais sombrio, e o frio devia tolher-lhe as mãos pousadas no peitoril, junto das grades.
No entanto, Camilo sabia – e admitia – que habitava a melhor cela individual da Cadeia da Relação, orientada para o exterior, com vista sobre o burgo. Mesmo outras celas do terceiro piso do edifício, denominadas “quartos de malta”, ocupadas  pelos reclusos mais abastados ou mais ilustres, não beneficiavam das mesmas vantagens, já que se encontravam viradas para o interior da cadeia, e o olhar encontrava apenas as paredes de pedra que subiam, nuas, do saguão principal, posteriormente transformado em pátio para os presos.
Aqui, na zona “privilegiada”, os reclusos ficavam nos seus quartos (apenas fechados por grossas portas de madeira à noite, quando os carcereiros corriam os grandes ferrolhos de ferro) ou, sempre que o desejassem, podiam passear pelo amplo corredor, onde os criados lhes levavam comida e roupa lavada, conversando com outros detidos. Foi o caso de Camilo e de Zé do Telhado, com quem o escritor travou amizade por “conveniência”, como explica Sónia Silva, responsável pela Extensão Cultural e Educativa do Centro Português de Fotografia, alojado no imenso edifício que foi tribunal até 1937 e cadeia até 1974. De facto, Camilo estava convencido de que o marido de Ana Plácido, o abastado comerciante Manuel Pinheiro Alves, teria subornado alguém para o agredir quando estavam ambos detidos, acusados de adultério, pelo que fez de Zé do Telhado (também recluso no terceiro piso, apesar de ser um salteador de estrada, por ter dinheiro e ser um líder nato) “uma espécie de guarda-costas”.
A amizade perdurou ao ponto de lhe ter recomendado o seu advogado, mas nem este conseguiu salvá-lo do degredo em África.
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Sem quarto para a senhora
Outra sorte teve o escritor. Era a segunda vez que aqui se encontrava. A primeira detenção, em 1846, ocorreu quando decidiu fugir com Patrícia Emília de Barros (de quem teria uma filha, Bernardina Amélia). O pai desta, não achando muita graça ao caso, concebeu uma artimanha: para travar os amantes, acusou Camilo de lhe ter roubado uma soma de dinheiro. O escritor esteve preso onze dias, mas a sua reclusão não causou, nem de longe, o alarido social que a segunda detenção provocaria.
Foi uma “escandaleira”, diz Sónia Silva com um sorriso, enquanto recorda que Camilo e Ana Plácido foram ambos pronunciados por adultério em 1860. Ana seria presa em junho, mas ele fugiu e, durante algum tempo, vagueou entre o Douro e o Minho. Quer por remorsos, por ter esgotado o dinheiro ou por puro cansaço, entregou-se no dia 1 de outubro desse ano, e foram ambos julgados um ano e quinze dias depois, tendo sido “miraculosamente declarados inocentes”, apesar de da sua relação ter nascido um filho, Manuel Plácido, em 1859.
Durante a detenção, Ana Plácido não beneficiou das condições de Camilo: como não havia qualquer quarto de malta para senhoras da sociedade no terceiro piso, ficou no mesmo andar mas numa cela improvisada pelo fecho de um corredor gélido, junto das enfermarias, com janelas que davam para o interior do edifício. Não se sabe como o filho, que a acompanhava e ali celebrou o terceiro aniversário, sobreviveu ao frio e à humidade, apesar dos cuidados da mãe e da ama que os acompanhava.
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Condições que indignaram o rei
Deixemos agora o terceiro piso e desçamos um pouco na escala social. No segundo, ficavam as celas destinadas aos homens com algumas posses (comerciantes ou escrivães, por exemplo) e às senhoras de condição. Pagavam a carceragem para usufruir de algumas vantagens: apesar de serem espaços coletivos, havia nestes “salões”, como eram designados, um número menor de reclusos do que no piso inferior; o chão era de madeira e as espessas paredes de pedra rebocadas a partir de certa altura. Havia mesmo nichos onde se preparavam brasas que iam alimentar os braseiros.
A lotação prevista para um “salão” masculino ( havia três) era de 80 presos, enquanto a “saleta” das mulheres alojava seis reclusas. Dormiam também em beliches, ao contrário da multidão de detidos que ocupavam as enxovias do primeiro piso, os quais tinham de se contentar com os “bailiques”, uma espécie de tábuas de madeira presas à parede por uma dobradiça e que só eram descidas à noite, para poupar espaço, explica Sónia Silva.
Nesse rés do chão, no último degrau da hierarquia social que vigorava na cadeia, cada enxovia (de Santa Ana, de Santa Rita, de Santa Teresa, de Santo António, de São Vítor e do Senhor de Matosinhos e) tinha uma lotação que podia atingir os cem reclusos. Imagine-se como viviam naqueles espaços, originalmente lajeados de granito, com paredes nuas que davam para um saguão e não tinham porta, só janelas de grades. O único acesso eram os alçapões situados no segundo piso. As condições nas enxovias, húmidas e frigidíssimas, eram tão terríveis que não havia necessidade de masmorras, as quais nunca existiram, esclarece a especialista. As janelas davam apenas para o saguão ou, então, para o exterior: eram as celas preferidas, pois os reclusos podiam estender as mãos pelas grades e mendigar comida aos transeuntes.
As deploráveis condições escandalizaram o rei D. Pedro V quando visitou a cadeia, em 1860. Esteve nos três pisos e, depois de ver as enxovias, ficou tão horrorizado que exclamou: “Isto precisa de ser completamente arrasado!”, como relata Camilo Castelo Branco, com quem esteve, nas suas Memórias do Cárcere. Não foi, claro, pois não havia verbas para isso nem para construir um novo estabelecimento prisional, o que só viria a acontecer mais de um século depois, mas ocorreram algumas reformas.
Foram feitas obras para alterar, por exemplo, o acesso às enxovias, com o encerramento dos alçapões e a decisão de rasgar algumas janelas gradeadas até ao chão, para se transformarem em portas; o saguão passou a ser um pátio para os reclusos, e foi até criada uma escola primária. Nada disso aliviou, porém, o frio e a humidade que flagelavam os presos ou a falta de higiene, assim como a exiguidade do espaço e a sobrelotação da cadeia. Amontoados nas enxovias, os detidos aqueciam-se como podiam, com pequenas fogueiras. Como as latrinas ficavam dentro destas celas coletivas, o cheiro era tão forte e pestilento que se colou ao próprio edifício: anos depois do fecho da cadeia, quando se iniciaram obras de recuperação, nos anos 80, os habitantes da zona continuavam a queixar-se de que sentiam o fedor, conta Sónia Silva.
www.superinteressante.pt






DISCURSO DIRECTO - CAVACO ROEU A CORDA

CAVACO ROEU A CORDA POIS CHEGOU A DIZER QUE NÃO DARIA POSSE A UM GOVERNO MINORITÁRIO.
PCP E BE SABEM PERFEITAMENTE QUE O PS VIABILIZARÁ O ORÇAMENTO PARA QUE O GOVERNO CONTINUE.
NÃO HÁ RAZÕES PARA ESPECULAR MAIS SOBRE UMA POSSÍVEL UNIDADE COM OS "SOCIALISTAS" E AS MOÇÕES DE CENSURA QUE VÃO SER APRESENTADAS TODOS NÓS SABEMOS JÁ QUE NÃO TERÃO O APOIO DOS XUXAS.
A LUTA TERÁ QUE SE AGUDIZAR E TOMAR OUTRAS FORMAS OU ENTÃO CONTINUAREMOS NA MESMA E PODEREMOS ESPERAR ANOS E MAIS ANOS PARA QUE A DIREITA SEJA APEADA DO PODER.

    •  A luta deve ser geral, imediata, e incisiva dando 

    • prioridade ao que mais nos atinge e preocupa que é o 

    • desemprego e a saúde e a perda de direitos.


AG

O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS E A GUERRA COLONIAL


O PCP e a questão colonial

por J. M. Costa Feijão [*]


 « (...) essa ( guerra ) não é a de todos.
Cá uns irão por desejo de honra,
outros com esperança de ganho
e os mais, que são peões e gente meúda
(...) irão arrenegando, forçados de vosso medo,
sem a limpeza e liberdade das vontades» 

(palavras do Infante D. João ao rei D. Duarte
quanto à projectada passagem à África, na
década de 30 do sec. XV) 
Desde a sua fundação, o Partido Comunista Português assumiu uma atitude clara no debate nacional da «questão colonial» , reivindicando um posicionamento de solidariedade fraterna e militante para com as massas trabalhadoras colonizadas. E, nas suas bases orgânicas aprovadas em 1921 consta, entre outras alíneas:

e) preparação e promoção da emancipação completa dos povos indígenas das colónias. 
(Base 2.ª, Capítulo I - Partido Comunista Português - Seus fundamentos e fins)

Fazendo desta linha um autêntico pau-de-fileira em matéria de política colonial, a primeira Junta Nacional do PCP reuniu em 6 de Abril de 1921, e analisando a situação em São Tomé e Príncipe, lavrou «um veemente protesto contra a repressão de que estavam a ser vítimas os trabalhadores da colónia» .

Este apontamento não regista um acto isolado, mas testemunha o início duma praxis internacionalista de 80 anos. É, a memorização de um facto, o primeiro, que liga de forma indelével, os comunistas portugueses às vitimas da exploração colonialista.

Passado um ano, em 31 de Maio 1922, o PCP difundiu na comunicação, social a seguinte nota oficiosa: 
«O Comité Executivo do PCP tomou conhecimento, na sua reunião de ontem, de que um movimento de emancipação indígena alastra na província de Angola, em virtude da opressão e exploração violentas ali exercidas pela ditadura imperialista de Norton de Matos tendo-lhe constado que, sob reserva, o governo português se dispõe à repressão, preparando uma expedição militar àquela colónia.
Nestes termos, o Partido Comunista, afirmando os altos princípios de igualdade emancipação das raças e a sua consequente oposição à escravatura negra, ainda hoje praticada pela civilização burguesa, lança o seu mais veemente protesto contra os negregados projectos ministeriais — e atendendo à gravidade do assunto, resolve reunir amanhã, em sessão extraordinária, à qual vão ser convidados a assistir representantes do Partido Nacional Africano ». 

E, dando continuidade à defesa dos seus princípios, em Novembro de 1923, no Programa de Acção apresentado ao I Congresso afirmava-se: «O PCP dará todo o apoio às ligas, associações, partidos, etc., que tenham por fim a defesa da população das colónias portuguesas contra todas as extorsões capitalistas e estatistas. Defenderá as reivindicações de ordem política ou económica das colónias, combatendo as formas ainda existentes de escravidão mascarada.» 

A denúncia do trabalho escravo em África, estava na ordem do dia. E, enquanto na Sociedade das Nações servia de pretexto a renovadas manobras de partilha do continente africano pelo imperialismo, e a burguesia nacional apelava à «mobilização patriótica» , em defesa dos seus interesses de classe e do património ameaçado, o diário sindicalista “A Batalha” de 27 de Novembro de 1925, publicava : «(...) pegar em armas para defender umas colónias que nunca nos pertenceram não é, nem pode, nem deve ser connosco». 
Volvidos cinco séculos, a advertência do infante D. João, quanto à «gente meúda», arregimentada para o assalto à África, emergia, em letra de forma, na imprensa operária portuguesa.
* * *
Na primeira fase de ascenso e afirmação do regime fascista português, Salazar fez aprovar legislação, onde se admitia expressamente o «trabalho obrigatório» dos negros, integrado no seu projecto político alicerçado na Carta Orgânica do Império Colonial Português, e logo contestada pela Federação das Juventudes Comunistas, em Novembro de 1933: «A juventude explorada dos campos e das oficinas opõe ao ideal colonial o ideal anticolonial, oferecendo aos seus irmãos, que a burguesia imperialista explora e esmaga, a sua fraternal aliança como meio da sua libertação da metrópole e da burguesia local (...). Por ideal colonial, portanto, a juventude das fábricas só pode aceitar o que preconiza, e (...) faz parte do seu programa: Total autodeterminação dos povos coloniais e a sua inteira libertação do jugo da metrópole». 
Tendo mergulhado na mais dura clandestinidade desde 1927, o PCP continuava a perseverar, contra tudo e contra todos, na luta pela fraternidade entre os povos, baseado no respeito pelas liberdades de cada um. E, a reafirmação dessa atitude seria mais uma vez proclamada na intervenção de Bento Gonçalves no VII Congresso da Internacional Comunista, em 1935, quando no elenco de tarefas dos comunistas portugueses inscreveu a: «luta pela defesa dos interesses dos povos coloniais oprimidos pelo imperialismo português, de ajudá-los a travar a luta até à sua completa libertação».

 
* * *
No informe político ao III Congresso do PCP, reunido em Novembro de 1943, a aliança com os povos coloniais voltaria a constituir tema de reflexão e debate dos delegados, tendo-se aí colocado, de forma inequívoca, a convergência de interesses das massas trabalhadoras portuguesas e das colónias na derrota do regime fascista : «A frente de luta anti-imperialista do povo português e dos povos das colónias, é somente possível se o proletariado português apoiar efectivamente os movimentos nacionais e de resistência contra a exploração e violência das colónias portuguesas, contra a burguesia imperialista portuguesa. O movimento emancipador dos povos coloniais está ligado à aliança fraternal do povo oprimido de Portugal com os povos escravizados das colónias, a aliança fraternal do proletariado português com as massas camponesas indígenas». 
Prosseguindo o combate à mitologia gerada e nutrida com a sistemática ocultação da realidade colonial portuguesa pela classe dominante, o PCP denunciou a «missão civilizadora» do regime fascista e inventariou a perversidade dos processos repressivos e de exploração, no informe político presente ao IV Congresso, em Junho de 1946: «não é mantendo os povos coloniais em regime de escravatura benéfica a negreiros, não é mantendo as levas de escravos de colónia para colónia, condenando-os à morte pela natureza do trabalho, do clima e dos tratos que lhes são impostos, não é saqueando os pequenos agricultores indígenas, não é dando largas aos castigos corporais e desrespeito pela vida dos negros, não é hostilizando costumes e religiões, não é fomentando ideias de ódio racial – não é com uma tal política que se promove o desenvolvimento das colónias». 
O início da derrocada dos impérios coloniais pós 1945, veio corroborar a linha e acção política do PCP. E, no espaço colonial português, cedo se manifestaram sinais de mudança, na falsa quietude da «paz salazarista»que o regime fascista procurava inculcar na consciência colectiva. Tornando-se o caso da Índia, uma questão central do colonialismo português na década de 50, desde a violenta rusga ao bairro dos pescadores de Mormugão na noite de Natal de 1950, até à invasão e integração dos territórios de Goa, Damão e Diu na República da Índia, em 18 de Dezembro de 1961.

Em vão, os comunistas portugueses fizeram sucessivos apelos para que o caso de Goa fosse resolvido, pacificamente, por meio da negociação e, cônscios de que a luta armada de libertação nacional dos povos africanos submetidos ao colonialismo português se prefigurava no horizonte, em Setembro de 1957, aprovaram a declaração seguinte:
«O V Congresso do PCP considera que estão hoje criadas as condições necessárias para que os povos das colónias de África dominados por Portugal conquistem a sua liberdade e independência, independentemente das modificações que se possam operar na situação política de Portugal.
O Congresso considera que a ajuda que o Partido e o povo português prestarem ao movimento libertador dos povos coloniais traduzir-se-á objectivamente numa ajuda à luta da classe operária e ao povo de Portugal pela sua própria libertação.» 

Mas, o regime mantinha-se indiferente às profundas transformações que se operavam no Mundo. Apenas, numa mera operação de cosmética (1951), introduziu uma emenda à Constituição de 1933, onde a denominação «províncias ultramarinas» substituiu a de «colónias», e prosseguiu: silenciando com a chibata e valas comuns os protestos da população de São Tomé e Princípe (1953); ignorando o significado da Conferência de Bandung (1955); persistindo na repressão colonial, prendendo e deportando 49 timorenses para Angola; massacrando a tiro 26 estivadores grevistas do porto do Pidjiguiti, em Bissau; encarcerando 50 patriotas angolanos (1959); e metralhando o protesto das massas populares do Icolo e Bengo, em Angola, ou de Mueda, em Moçambique (1960).

Contra este quadro de bestialidade repressiva do colonialismo, o PCP foi a única voz que se fez ouvir, num comunicado da Comissão Política, em Novembro de 1960, que salientava a inevitabilidade histórica da abolição a curto prazo do regime colonial, e denunciava a tragédia iminente: «O Partido Comunista Português alerta o povo português contra os perigos duma guerra colonial, que o governo de Salazar prepara febrilmente, no único interesse dos grandes colonialistas e chama o povo português, em especial a juventude e as forças democráticas à luta contra a mobilização encapotada, pelo regresso das tropas que se encontram nas colónias e contra todos os preparativos de guerras coloniais» .

Quando, em 1961, a guerra de libertação nacional eclodiu, foi de novo a «gente meúda» arrebanhada pela mobilização militar que, em sucessivas vagas expedicionárias rumou à África, para defender os interesses do imperialismo monopolista, e sufocar pelas armas o grito de independência dos povos colonizados.

Nos anos que se seguiram, o PCP liderou de forma inquestionável, o protesto do movimento popular de massas contra a guerra colonial. A sua imprensa clandestina denunciou as atrocidades de que eram alvo os povos de Angola, da Guiné e Moçambique; contrariou as campanhas de desinformação e a manipulação das consciências orquestradas pelo regime fascista; assegurou a fuga da cadeia e o regresso à África de Agostinho Neto; possibilitou aos dirigentes dos movimentos de libertação a difusão de mensagens ao povo português, em entrevistas realizadas e transmitidas pela Rádio Portugal Livre e, já nos anos 70, as sabotagens da ARA desferiram rudes golpes na logística e no equipamento militar.



A solidariedade internacionalista do PCP objectivava-se na prática, e o Programa para a «revolução democrática e nacional» , aprovado no VI Congresso (1965), já integrara entre os oito objectivos fundamentais: «Reconhecer e assegurar aos povos das colónias portuguesas o direito à imediataindependência». 

Quando a descolonização foi anunciada como um dos objectivos do Programa do MFA, no 25 de Abril de 1974, Portugal assumiu a lógica da História. A derrocada do regime fascista consumara-se e com ele extinguia-se o colonialismo português.

Não foi o acaso que determinou a presença oficial do PCP como única formação política portuguesa presente em todas as cerimónias de reconhecimento ou proclamação da independência e soberania dos novos Estados africanos.

Contudo, o ciclo do colonialismo português não fora encerrado. A trama imperialista iria retardar durante longos anos a libertação do povo de Timor-Leste e, enquanto algumas destacadas figuras políticas nacionais afirmavam em 1974: “Timor é uma ilha indonésia que tem muito pouco a ver com Portugal” ou “a independência total é de um irrealismo atroz” , em 11 de Dezembro de 1975 o “Avante!” denunciava a agressão e ingerência da Indonésia: «O nosso Partido, a classe operária e todos os trabalhadores portugueses exigem que sejam respeitados os princípios de autodeterminação e independência que devem presidir à descolonização» .

Passaram-se vinte e quatro anos de apoio activo e solidário dos comunistas portugueses à luta de resistência do povo timorense, até este ser ouvido na escolha do seu caminho, a Independência! 

Firme nos princípios e coerente nas acções, o PCP cumpriu o objectivo enunciado há 81 anos:

«emancipação completa dos povos indígenas das colónias»


[*] Historiador. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info


A ABSURDA FALTA DE HIGIENE NA IDADE MÉDIA














Nos filmes com temática medieval de Hollywood vemos nobres abastados e belas damas maquiadas, penteadas e cheias de jóias, vestindo túnicas pulcras e branquinhas. 



Tudo fachada, pois como já lemos no artigo "O passado, em verdade, foi uma época que nenhum de nós gostaria de viver", em um período entre a queda do Império Romano até a descoberta da América a higiene pessoal não era considerada uma prioridade.













A absurda falta de higiene da Idade Média
Grandes Banhistas de Pierre-Auguste Renoir







Os médicos achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades e que, se penetrasse através dos poros, podia transmitir todo tipo de doenças. Inclusive começou a estender a ideia de que uma camada de sujeira protegia contra as doenças e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado "a seco", só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.

Os médicos recomendavam que as crianças limpassem o rosto e os olhos com um trapo branco para limpar o sebo, mas não muito para não retirar a cor "natural" (encardida) da tez. Na verdade, os galenos consideravam que a água era prejudicial à vista, que podia provocar dor de dentes e catarros, empalidecia o rosto e deixava o corpo mais sensível ao frio no inverno e a pele ressecada no verão. Ademais, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso.
A absurda falta de higiene da Idade Média
Acteão surpreende Diana em seu banho, de Ticiano


A falta de higiene não era um costume de pobres, a rejeição pela água chegava aos estratos mais altos da sociedade. As damas mais entusiastas do asseio tomavam banho, quando muito, duas vezes ao ano, e o próprio rei só o fazia por prescrição médica e com as devidas precauções.

Os banhos, quando aconteciam, eram tomados em uma tina enorme cheia de água quente. O pai da família era o primeiro em tomá-lo, logo os outros homens da casa por ordem de idade e depois as mulheres, também por ordem de idade. Enfim chegava a vez das crianças e bebês que podiam se perder dentro daquela água suja. Não é à toa que as crianças tinham grande desgosto em tomar banho.
A absurda falta de higiene da Idade Média
Diana saindo do banho, de François Boucher


Tudo era reciclado. Tinha gente dedicada a recolher os excrementos das fossas para vendê-los como esterco. Os tintureiros guardavam urina em grandes tinas, que depois usavam para lavar peles e branquear telas. Os ossos eram triturados para fazer adubo. O que não se reciclava ficava jogado na rua, porque os serviços públicos de limpeza urbana e saneamento não existiam ou eram insuficientes. As pessoas jogavam seu lixo e dejetos em baldes pelas portas de suas casas ou dos castelos. Imagine a cena: o sujeito acordava pela manhã, pegava o pinico e jogava ali na sua própria janela.

O mau cheiro que as pessoas exalavam por debaixo das roupas era dissipado pelo leque. Mas só os nobres tinham lacaios que faziam este trabalho. Além de dissipar o ar também servia para espantar insetos que se acumulavam ao seu redor. O príncipe dos contos de fadas fedia mais do que seu cavalo.

Na Idade Média a maioria dos casamentos era celebrado no mês de junho, bem no começo do verão boreal. A razão era simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. De qualquer forma, como algumas pessoas fediam mais do que as outras ou se recusavam a tomar banho, as noivas levavam ramos de flores, ao lado de seu corpo nas carruagens para disfarçar o mau cheiro. Tornou-se, então, costume celebrar os casamentos em maio, depois do primeiro banho. Não é ao acaso que hoje maio é considerado o mês das noivas e dali nasceu a tradição do buquê de flores das noivas.

Nos palácios e casas de família a existência dos banheiros era praticamente nula, nem "casinha" existia. Quando a necessidade imperava, o fundo do quintal ou uma moita eram escolhidos segundo a preferência de cada um. Não era incomum também ver alguém cagando nas ruas. Os sistemas de esgoto ainda não existiam; portanto as cidades medievais eram verdadeiros depósitos de lixo e excremento. Grandes metrópoles como Londres ou Paris podiam ser consideradas naquele tempo como alguns dos lugares mais sujos do mundo.
A absurda falta de higiene da Idade Média
Os banhistas, de Albert Gleizes


Os mais ricos tinham pratos de estanho. Certos alimentos oxidavam o material levando muita gente a morrer envenenada, sem saber o porquê. Alguns alimentos muito ácidos, que provocavam este efeito, passaram a ser considerados tóxicos durante muito tempo. Com os copos ocorria a mesma coisa: o contato com uísque ou cerveja fazia com que as pessoas entrassem em um estado de narcolepsia produzido tanto pela bebida quanto pelo estanho. Alguém que passasse pela rua e visse alguém neste estado podia pensar que estava morto e logo preparavam o enterro. O corpo era colocado sobre a mesa da cozinha durante alguns dias, enquanto a família comia e bebia esperando que o "morto" voltasse à vida ou não. Foi daí que surgiu o costume de beber o morto e mais tarde o velório feito hoje junto ao cadáver.

O Rei Henrique VIII, famoso por romper com a Igreja Romana e por ter se casado seis vezes, tinha mais de 200 empregados que lhe serviam como cozinheiros, carregadores, abanadores, etc. Mas os serventes com a pior das sortes eram aqueles que deviam cuidar das "necessidades" do rei: tinham que despiolhá-lo uma vez ao dia, limpar sua bunda depois que fizesse suas necessidades e lavar suas partes íntimas enquanto o rei permanecia sentado e inclusive, quando a rainha estava grávida e o monarca sentia certas necessidades, um dos serviçais -homem ou mulher- devia "bater uma" para o rei. Isto, por suposto, era feito na frente de várias pessoas, que depois do "ato" trocavam suas roupas.
A absurda falta de higiene da Idade Média
No entanto, mesmo diante desta porquice toda, quando um nobre viajante ou qualquer membro da nobreza se apresentava ante o rei ou a rainha, devia inclinar em sinal de veneração, e se por acaso esta pessoa nesse exato momento tivesse a má sorte de deixar escapar um "peidinho" em frente do monarca, a pena era o desterro. Ele era enviado para longe e sem poder regressar por 7 anos, isso se o rei decidisse que podia voltar. Isto muito provavelmente originou a vergonha e desaprovação de peidar na frente dos outros, pese que seja um ato natural comum a todos os mamíferos.


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