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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

À primeira qualquer cai. À segunda cai quem quer



"O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, admitiu hoje, na Guarda, que existem condições para aplicar uma "discriminação positiva" nas portagens das auto-estradas do interior e do Algarve, para o tráfego ligeiro e de mercadorias." (fonte)
Com eleições à vista, era mais do que certo que o Passos Coelho das mentiras e falsas promessas de 2011 estaria de volta e aí está ele.
Ainda haveria por aí alguém disposto, depois de tantas mentiras, a dar algum crédito ao Passos Coelho que dizia "que se lixem as eleições"? Se havia, é porque há muita gente a querer cair na esparrela à segunda.


terradosespantos.blogspot.pt

Grandes cidades castigam coligação


((Bernardo Ferrão e Filipe Santos Costa, in Expresso Diário, 18/09/2015)
PS ganha em votos, mas não em mandatos. Olhamos à lupa o que pode acontecer círculo a círculo. E explicamos como este resultado pode fazer cair o país num verdadeiro pântano. Um partido ganha em votos, o outro em número de mandatos.

(Estes resultados da última sondagem da Euroexpansão, pela primeira vez com a amostra estratificada por distrito, deve levar os eleitores a refletir. Há distritos em que o voto útil, daqueles que são anti-PAF é quase obrigatório sob pena de ser perdido pois não contribui para eleger nenhum deputado que ajude a derrubar a coligação anti patriótica que não nos tem governado mas que apenas se tem governado.  Ver o gráfico, abaixo. Estátua de Sal).

A mesma sondagem que dá a coligação a perder nos votos mas a ganhar nos mandatos mostra também que, apesar de conseguir mais lugares no Parlamento, o Portugal à Frente (PàF) é fortemente penalizado nas grandes cidades. Na comparação com os resultados das legislativas de 2011, a coligação perde um quarto dos deputados (atualmente são 132, podem ficar apenas pelos cem), mas essa penalização é maior em grandes distritos urbanos, como Lisboa, Porto, Setúbal ou Coimbra.
Nos dois maiores círculos eleitorais — Lisboa e Porto — pode estar em causa a perda de cerca de um terço dos deputados eleitos há quatro anos: foram 25 na capital, agora podem ser apenas 17 ou 18; no Porto, foram 21, dos quais seis podem estar perdidos, passando para quinze.
Nos centros urbanos o voto é tradicionalmente menos estável do que nos círculos rurais, o que pode explicar esta erosão dos partidos do Governo. O facto de a maior penalização acontecer nos maiores círculos pode ser um dos fatores determinantes para o resultado final das eleições.
A queda só não tem maiores consequências porque o PS não cresce à medida das perdas da maioria. Embora o PS suba em todos os distritos, há vários onde vê mandatos fugirem para os partidos à sua esquerda. Veja-se o caso de Lisboa: CDU, Livre e PDR podem ganhar um deputado, o que explica que o crescimento do PS represente apenas mais quatro ou cinco lugares em São Bento. Exemplo dois: Porto — a CDU ganha um deputado e o PDR pode eleger também um representante; daí que o PS ganhe apenas quatro dos seis deputados perdidos pelo PàF.
sondagem
É este jogo de perdas, ganhos e “fugas” que faz com num distrito tão determinante como Lisboa os dois principais blocos possam acabar empatados. Apesar de toda a erosão sofrida pela coligação, e do crescimento dos socialistas, o estudo de opinião indica a possibilidade de um empate com 18 deputados. E, mesmo no Porto, a diferença pode ficar pelos três lugares (com o PS à frente), o que não chega a impressionar — basta ter em conta, por exemplo, que num distrito muito mais pequeno, como Setúbal, a diferença pode ficar em dois mandatos.
Relevante é o previsível crescimento da CDU, que pode ultrapassar os vinte deputados, e a queda ‘contida’ do Bloco de Esquerda — que, no intervalo mais otimista, pode até ganhar um lugar, recuperando o deputado por Braga.
Nos novos partidos, note-se a provável eleição solitária de Rui Tavares, do Livre, pelo círculo de Lisboa. Já o líder do PDR, Marinho e Pinto, não parece ter a mesma sorte: tudo indica que está longe da eleição por Coimbra, mas em Lisboa e no Porto o seu partido conseguirá eleger os cabeças de lista. O que obrigará Marinho a manter-se no Parlamento Europeu, por muito que maldiga esse lugar.
Rui Oliveira e Costa, responsável da Eurosondagem, explica que este estudo “não é uma soma de sondagens distritais. É uma sondagem nacional e a distribuição de mandatos por distrito é feita mediante o resultado nacional.”
Esta sondagem foi realizada depois do debate da semana passada na TV entre Passos e Costa, mas já não apanha o frente a frente radiofónico desta quinta-feira. E o que se percebe é que a boa prestação televisiva do líder socialista não se refletiu no resultado do partido. O PS desce cinco décimas em relação ao último barómetro. Já a coligação PSD/CDS, na mesma comparação, caiu um ponto percentual, de 35% para 34%. Ou seja, a diferença entre os dois blocos está agora em 1,5 pontos, sendo que no último barómetro se situava em um ponto
PS ganha em votos mas perde em mandatos
Alarga-se a diferença entre PS e PàF, a duas semanas das eleições e quando entramos no período oficial de campanha. Os socialistas estão agora 1,5 pontos à frente da coligação. Mas de acordo com o exercício feito neste inquérito, podem eleger menos deputados que a coligação. E agora?
No artigo 187 da Constituição está escrito que o “primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”. Mas o problema é mesmo esse. Quais resultados? Se a 4 de outubro acontecer o que se prevê nesta sondagem, a vida de Cavaco Silva complica-se.
No estudo da Eurosondagem feito para o Expresso e para a SIC, o Partido Socialista consegue 35,5% das intenções de voto, elegendo entre 95 a 101 deputados. Já a coligação arrecada 34%, conseguindo 99 a 102 lugares no Parlamento. Ou seja, se os resultados das legislativas fossem estes, os dois blocos podiam facilmente reclamar vitória.
Na distribuição de mandatos, que será analisada no Expresso Diário desta sexta-feira às 18h, a CDU pode garantir entre 20 a 22 deputados – o que há mais 30 anos não acontece -, o BE pode eleger entre seis a nove – agora tem oito. O PDR de Marinho e Pinto pode meter os cabeças de lista de Lisboa e Porto e o Livre consegue eleger apenas um, Rui Tavares por Lisboa. Ou seja, se fosse o PS a ganhar as eleições, a maioria absoluta só seria possível com uma coligação com os comunistas: 95/101 + 20/22 = 115/123
Esta sondagem foi realizada depois do debate da TV entre Passos e Costa na semana passada, mas já não apanha o frente a frente radiofónico realizado esta quinta-feira. E o que se percebe é que a boa prestação televisiva do líder socialista não se refletiu no resultado do partido. O PS desce cinco décimas em relação ao último barómetro (embora esta seja uma sondagem e que por isso tem outro método). Já a coligação PSD/CDS, na mesma comparação, caiu um ponto percentual, de 35% para 34%. Ou seja, a diferença entre os dois blocos está agora em 1,5 pontos, sendo que no último barómetro se situava em 1.
Constitucionalistas: partido que elege mais deputados deve formar Governo
Sondagem Expresso / SIC revela que o PS ganha em votos mas perde em deputados. Constitucionalistas reagem e explicam
O partido mais votado nas eleições de 4 de outubro pode não ficar com o maior número de deputados, mas constitucionalistas contactados pela Lusa defendem que quem tiver mais parlamentares é que deve formar Governo.
“O que interessa é o número de mandatos”, diz à Agência Lusa o constitucionalista Jorge Miranda, defendendo que se o partido que eleger mais deputados não for o mais votado, o que deve ser valorizado é o número de parlamentares.
Em Portugal, o método matemático utilizado para converter votos em mandatos é o método de Hondt. Contudo, como se segue o sistema de representação proporcional, existem sempre votos nos círculos eleitorais que não chegam para eleger deputados. Desta forma, quanto mais votos sobrarem, maior é a possibilidade de um partido ter mais votos, mas menos deputados.
A Constituição da República não fala nem em número de votos nem em número de mandatos, estabelecendo apenas no artigo 187.º que “o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”.
Apesar de em Portugal não se ter colocado o problema do partido mais votado não ser o que tem mais deputados, teoricamente tal é possível – a sondagem divulgada esta sexta-feira pelo Expresso e pela SIC aponta precisamente para esse cenário nas legislativas deste ano.
“Seria pouco aceitável que o partido que tivesse mais deputados – ainda que sem maioria absoluta – não fosse governo”, diz à Lusa o constitucionalista Tiago Duarte. Ressalvando que quem tem de fazer a interpretação dos resultados eleitorais é o Presidente da República, Tiago Duarte defende que do seu ponto de vista o critério que deve guiar o chefe de Estado é “o da governabilidade e estabilidade do governo perante o parlamento”, ou seja, deve nomear o primeiro-ministro que apresente “uma solução governativa que tenha mais hipóteses de durar e cumprir a legislatura”.
“Em caso de soluções igualmente instáveis – governo minoritário da coligação ou do PS, por exemplo – deve privilegiar o partido ou coligação que tenha eleito mais deputados, mesmo se não teve mais votos”, refere Tiago Duarte, sustentando que nas votações parlamentares, como a aprovação de orçamentos ou moções de censura, “o que conta são os deputados eleitos e não os votos”.
Tiago Duarte vai mais longe na análise, argumentando que, em seu entender, o Presidente da República apenas não deve nomear primeiro-ministro o líder do partido ou coligação que tenha eleito mais deputados no caso de o líder do partido que não ganhou as eleições assegurar “em coligação pós-eleitoral uma solução governativa de maioria absoluta e que seja credível, no sentido de sustentada num efetivo governo de coligação”.
“Seria pouco aceitável que o partido que tivesse mais deputados, ainda que sem maioria absoluta, não fosse governo e que fosse governo o partido que não ganhou as eleições com a promessa vaga de outros partidos de que apoiariam o governo nas questões essenciais, por exemplo”, sublinha o constitucionalista, considerando que os chamados “acordos de incidência parlamentar” apenas devem ser aceites pelo chefe de Estado se o governo for do partido que ganhou as eleições, ou seja, que elegeu mais deputados.
O constitucionalista Paulo Otero defende igualmente que o que deve ser tido em conta é o número de deputados eleitos, pois é o número de parlamentares na Assembleia da República que “determina a viabilidade ou a inviabilidade de um Governo”, em momentos determinantes como a aprovação do Orçamento do Estado. “No momento da verdade, o número de deputados é fundamental para aferir da viabilidade de um executivo.” Por isso, acrescentou, os partidos têm vantagem em ir coligados.


rcag1991.wordpress.com

Roubos Legalizados



(Imagem parcial de uma fatura real - clique para ampliar)

Já escrevi uns "posts" atrás sobre o assalto fiscal de que fomos alvo em 2013, e sobre o escandaloso aumento do IMI em 2014. Hoje escrevo sobre o "gamanço encapotado" que o meu Município me está a fazer na fatura da água.

Este mês achei exagerado o valor que me foi debitado na conta referente ao consumo de água e resolvi ir ver a fatura.

Fiquei esclarecido. A fatura é de um total de 31,16€, conforme imagem acima. Destes 31,16€, apenas 12,21€ são referentes à água que consumi. Os restantes 18,95€ são de Taxas Taxinhas e Imposto. Se isto não é um roubo legalizado, não sei o que chamar-lhe.
A diferença entre um Imposto e uma Taxa é que o Imposto é uma contribuição para o Estado sujeito a uma redistribuição coletiva no Orçamento do Estado (9.000 milhões/ano esfumam-se só para os juros da dívida) e a Taxa tem a prestação de um serviço associado como contrapartida, serviço que no meu Município não melhorou nos últimos 5 anos, pelo contrário.

Só num país de parolos como o nosso (eu parolo me confesso) é que o povo é escandalosamente roubado, come e cala estes assaltos. Não é preciso ir muito longe para vermos comportamento assertivos e mais enérgicos; Por exemplo aqui na nossa vizinha Espanha esta questão do escandaloso agravamento dos  Impostos, das Taxas e das Taxinhas, já tinha, há muito, levado uns milhões de pessoas às ruas a exigir um mínimo de decoro por parte de quem nos governa com respeito pelos assaltados de sempre. Por cá tudo mansinho.


pralixados.blogspot.pt

O genocídio indonésio de 1965


O genocídio indonésio de 1965
por JORGE CADIMA
"A extensão do envolvimento directo das potências imperialistas no genocídio indonésio foi revelada em 1990 no (já referido) artigo de Kathy Kaldane com o título: «Ex-agentes dizem que a CIA compilou listas da morte para os indonésios – Após 25 anos, americanos falam do seu papel no extermínio do Partido Comunista». As fontes da jornalista incluíam o ex-Director da CIA William Colby e Robert J. Martins, que trabalhava na altura na Embaixada dos EUA na Indonésia. Martins, que ajudou a elaborar as listas, afirmou: «Talvez tenham morto muita gente, e devo ter muito sangue nas mãos, mas isso não é tão mau assim. Há alturas em que é preciso golpear com dureza num momento decisivo». As listas entregues pela CIA aos carrascos indonésios incluíam «os nomes de membros dos comités provinciais, de cidade e de outras organizações do PKI, bem como dirigentes das 'organizações de massas'». O ex-Embaixador dos EUA, Marshall Green gabou-se: «'Sei que tínhamos muito mais informação' sobre o PKI 'do que os próprios indonésios'». Ainda segundo o artigo de K. Kaldane, «funcionários da Embaixada [dos EUA] registaram cuidadosamente a destruição subsequente da organização do PKI. Usando a lista de Martins como guião, assinalavam os nomes dos dirigentes do PKI capturados ou assassinados, e acompanhavam o gradual desmantelamento do aparelho do Partido». Nas explícitas palavras de outro funcionário-torcionário da 'maior democracia do mundo': «Ninguém se preocupava se estavam a ser trucidados, desde que fossem comunistas». E mesmo que não o fossem..."
Há meio século consumou-se uma das grandes chacinas da História. A partir de Outubro de 1965, os militares indonésios, com o apoio activo e directo do imperialismo norte-americano, massacraram cerca de um milhão de comunistas, sindicalistas e membros dos poderosos movimentos de massas indonésios. 
O genocídio indonésio é um dos mais sangrentos episódios da grande guerra de classes mundial com que o imperialismo procurou conter e derrotar o ascenso do poderoso movimento de libertação nacional e social da segunda metade do Século XX, sob o impacto da derrota do nazi-fascismo e do prestígio imenso da União Soviética e do movimento comunista internacional. O genocídio indonésio é exemplo gritante de como a barbárie imperialista dos nossos dias não é um fenômeno novo, mas sim uma característica intrínseca e permanente da dominação imperialista. Como afirmou em 1967 o ex-Presidente dos EUA Richard Nixon, «com o seu patrimônio de recursos naturais, o mais rico da região, a Indonésia é o maior tesouro no Sudeste asiático». Para se assenhorear deste 'tesouro', o imperialismo afogou em sangue o povo indonésio. Dez anos mais tarde, os militares 'pró-ocidentais' indonésios desencadeavam novo genocídio contra o povo de Timor-Leste, mais uma vez em coordenação estreita com o imperialismo norte-americano.
Do colonialismo à independência
A Indonésia é hoje o quarto país mais populoso do mundo, com 250 milhões de habitantes. Um vasto arquipélago com mais de três mil ilhas, que foi durante cerca de três séculos e meio colônia da Holanda com a designação Índias Orientais Holandesas. Os enormes recursos naturais da Indonésia enriqueciam a classe dominante holandesa, mas não o povo indonésio. O saldo dessa dominação colonial é ilustrado em duas passagens do livro «Indonésia 1965, The second greatest crime of the Century», de Deidre Griswold : «Em 1945 [...] 93% da população era ainda analfabeta. Após 350 anos de dominação colonial, havia apenas cem médicos indonésios, menos de cem engenheiros indonésios, e numa nação dependente da eficiência da produtividade das suas terras, só dez especialistas agronômicos indonésios»; «em 1940, só 240 estudantes indonésios completaram o ensino secundário e apenas 37 saíram das Universidades».
A II Guerra Mundial alterou a situação. Com a potência colonial ocupada pelas tropas nazis em Maio de 1940, o Japão imperial e militarista aproveita para ocupar a Indonésia (e a colônia portuguesa de Timor-Leste). Em Março de 1942, os comandantes locais holandeses rendem-se e o controlo japonês estende-se a todo o arquipélago indonésio. A derrota do Japão, em 1945, criou uma situação favorável à afirmação do movimento de libertação nacional indonésio. 
Em Agosto desse ano é proclamada a independência e o dirigente independentista Sukarno, que havia estado preso durante uma década pelos colonialistas holandeses, ascende à Presidência da nova República. As velhas potências coloniais não se conformam. A Holanda, recém-libertada da ocupação nazi, não está ainda em condições de intervir e solicita ao Império Britânico (então com o governo trabalhista de Attlee) que intervenha em seu nome. Esta colaboração assentava em interesses comuns, nomeadamente no campo petrolífero: em 1907, a Royal Dutch Petroleum, que explorava o petróleo indonésio, fundira-se com a inglesa Shell, numa tentativa de se proteger da concorrência das petrolíferas norte-americanas, que começavam a penetrar na região. No final do Verão de 1945, a capital indonésia Jacarta foi ocupada por tropas inglesas que recorreram mesmo a soldados japoneses ainda presentes em território indonésio para ocupar importantes cidades como Bandung e Semarang. Como relata um historiador britânico 3, «Em Semarang [as tropas japonesas] encontraram uma resistência feroz. Só ao cabo de seis dias de pesados combates e com a utilização de tanques e artilharia, conseguiram tomar a cidade, à custa de 2000 indonésios mortos. Quando os britânicos chegaram, a 20 de Outubro, encontraram uma cidade silenciosa, deserta e devastada. 
Os britânicos elogiaram profusamente as tropas japonesas», chegando mesmo a propor que o comandante japonês fosse agraciado com uma condecoração do Império Britânico. Os adversários da véspera estavam agora unidos no esmagamento da vontade de independência do povo indonésio. Na segunda maior cidade indonésia, Surabaia, os confrontos foram ainda mais intensos e opuseram directamente as tropas inglesas aos patriotas indonésios. Apesar de ter assinado, em Novembro de 1946, um acordo reconhecendo a República Indonésia, o governo holandês continuou a reforçar a sua presença militar no território e em Maio de 1947, já com 110 mil soldados holandeses no país, desencadeia um ataque generalizado contra as forças indonésias . A sangrenta guerra colonial haveria de durar até 1949, quando a Holanda foi forçada pela resistência patriótica a abandonar as suas pretensões de domínio colonial directo.
A Indonésia anti-imperialista
A dura luta pela independência acentuou o anti-imperialismo dos patriotas indonésios. No seio do movimento de libertação nacional, os comunistas desempenhavam um papel crucial. Num artigo publicado em 1990 em vários jornais norte-americanos , a jornalista Kathy Kadane afirma: «O PKI [Partido Comunista da Indonésia] era o terceiro maior Partido Comunista no mundo, com um número de membros estimado em 3 milhões. Através de organizações sindicais e juvenis afiliadas, podia contar com o apoio de mais 17 milhões». A força dos comunistas indonésios resultava do seu papel na luta pela independência, mas também na luta de trabalhadores e camponeses em defesa dos seus interesses de classe. Apoiantes do Presidente Sukarno, os comunistas indonésios procuravam acentuar a natureza anti-imperialista da política externa e o controlo nacional sobre os seus imensos recursos naturais.
O prestígio da Indonésia levou a que, em 1955, a cidade de Bandung acolhesse a Conferência Afro-Asiática que reuniu 29 países – muitos recém-chegados à independência – em que vivia a maioria da população mundial. A Conferência lançou as sementes do Movimento dos Não-Alinhados que seria fundado seis anos mais tarde, na então Jugoslávia.
O curso independente da República Indonésia era, naturalmente, inaceitável para o imperialismo. As ingerências deram lugar a uma primeira tentativa de golpe organizado pela CIA, em 1958. «No seu conceituado livro sobre a CIA, intitulado Invisible Government, os correspondentes em Washington Thomas Ross e David Wise relatam como os EUA abasteceram uma força rebelde de direita na Indonésia com armas e uma pequena força aérea de bombardeiros B-26, numa tentativa para derrubar Sukarno. A tentativa falhou, mas não sem que um dos pilotos americanos, Allen Lawrence Pope, fosse capturado pelas forças lealistas» .
Um memorando da CIA de 1962 indica que o Primeiro-ministro inglês Harold Macmillan e o Presidente dos EUA John Kennedy já tinham acordado «'liquidar o Presidente Sukarno, conforme a situação e as oportunidades que surgissem'», tendo o agente da CIA que escreveu o referido memorando acrescentado: «não é para mim claro se a palavra liquidar significa assassinato ou derrube» .
Entrevistado pelo jornalista australiano John Pilger , o oficial da Força Aérea indonésia Heru Atmojo, leal a Sukarno e que esteve detido durante 15 anos após o golpe de 1965, afirma: «No início dos anos 60 era intensa a pressão para que a Indonésia fizesse aquilo que os americanos queriam. Sukarno queria ter boas relações com eles, mas não queria o seu sistema econômico. Com a América, isso nunca é possível. E por isso tornou-se um inimigo. Todos nós que desejávamos um país independente, livre de cometer os seus próprios erros, fomos transformados em inimigos. Na altura não lhe chamavam globalização, mas era a mesma coisa. Se a aceitasses, eras um amigo da América. Se escolhesses outro caminho, recebias advertências e se não obedecesses, o inferno abatia-se sobre ti».
A carnificina de 1965-66
O inferno abateu-se sobre a Indonésia em Outubro de 1965, e haveria de durar longos meses. Um grupo de oficiais golpistas, cortejados e treinados durante muitos anos pelos serviços imperialistas, desencadeou aquilo que, mesmo a CIA, num seu relatório de 1968, classificou como «uma das piores chacinas em massa do Século XX» . O jornal inglês The Guardian escreveu, alguns meses mais tarde (7.4.66): «Um funcionário consular em Surabaia considera plausível que o número [de mortos na ilha de] Bali seja 200 mil, numa população de dois milhões. Estimativas do número de mortos [na ilha de] Sumatra também rondam os 200 mil, e uma estimativa análoga para [a ilha de] Java é considerada uma estimativa por defeito. Quando se acrescenta o balanço de mortos noutras ilhas, tais como Borneo ou Sulawasi, o total pode bem exceder 600 mil. [...] Os rios em muitas partes do país estiveram entupidos durante semanas com cadáveres». É bem possível que a fonte do jornal fosse a mesma que relatou ao correspondente da BBC, Roland Challis, que «houve cadáveres que deram à costa nos relvados do consulado britânico em Surabaia». Mas da parte do governo inglês não houve apenas silêncio conivente: «Barcos de guerra britânicos escoltaram um navio repleto de tropas indonésias através do Estreito de Malaca, para que pudessem tomar parte neste terrível holocausto». A revista norte-americana Time relatava que «A campanha de assassinatos tornou-se de tal forma descarada que em partes de Java oriental bandos islâmicos espetavam as cabeças das vítimas em estacas, que eram depois passeadas pelas aldeias. As matanças têm sido numa escala tal que o enterro dos cadáveres tornou-se num grave problema sanitário em Java oriental e na Sumatra do norte» (17.12.65).
A extensão do envolvimento directo das potências imperialistas no genocídio indonésio foi revelada em 1990 no (já referido) artigo de Kathy Kaldane com o título: «Ex-agentes dizem que a CIA compilou listas da morte para os indonésios – Após 25 anos, americanos falam do seu papel no extermínio do Partido Comunista». As fontes da jornalista incluíam o ex-Director da CIA William Colby e Robert J. Martins, que trabalhava na altura na Embaixada dos EUA na Indonésia. Martins, que ajudou a elaborar as listas, afirmou: «Talvez tenham morto muita gente, e devo ter muito sangue nas mãos, mas isso não é tão mau assim. Há alturas em que é preciso golpear com dureza num momento decisivo». As listas entregues pela CIA aos carrascos indonésios incluíam «os nomes de membros dos comités provinciais, de cidade e de outras organizações do PKI, bem como dirigentes das 'organizações de massas'». O ex-Embaixador dos EUA, Marshall Green gabou-se: «'Sei que tínhamos muito mais informação' sobre o PKI 'do que os próprios indonésios'». Ainda segundo o artigo de K. Kaldane, «funcionários da Embaixada [dos EUA] registaram cuidadosamente a destruição subsequente da organização do PKI. Usando a lista de Martins como guião, assinalavam os nomes dos dirigentes do PKI capturados ou assassinados, e acompanhavam o gradual desmantelamento do aparelho do Partido». Nas explícitas palavras de outro funcionário-torcionário da 'maior democracia do mundo': «Ninguém se preocupava se estavam a ser trucidados, desde que fossem comunistas». E mesmo que não o fossem...
O genocídio cometido pelos militares golpistas chefiados pelo General Suharto – que se viria a tornar Presidente da Indonésia em 1967, cargo que ocupou até 1998 – é normalmente 'justificado' com a tese duma tentativa de golpe que teria sido levada a cabo em 30 de Setembro pelo PKI, com a morte de 6 altas patentes militares. O jornalista australiano John Pilger escreveu em 2002: «desde a queda de Suharto, tem sido recolhido um grande volume de informação que [...] sugere fortemente que Suharto, então comandante militar [da capital] Jacarta, tirou partido duma luta intestina para tomar o poder. Ao certo, pode dizer-se que se se tratou dum 'golpe comunista', tinha uma característica única: nenhum dos oficiais acusados da conspiração era comunista». Certo é que, enquanto os golpistas levaram a cabo um massacre em grande escala, durante meses a fio, o forte Partido Comunista Indonésio foi esmagado sem que houvesse uma reacção organizada, sinal de que não havia nem estruturas, nem preparação prévia para uma situação de confronto como a que uma tentativa de golpe ou insurreição exigiria. Em Março de 1967, o New York Times (1.3.67) relatava a defesa dum Brigadeiro-General do Exército indonésio, Supardjo, num julgamento que acabaria por o condenar à morte: «De acordo com o réu [...] a história política indonésia desde 30 de Setembro de 1965 tem sido totalmente subvertida. A tentativa de golpe nessa noite, afirma, não foi uma conspiração comunista e seguramente não visava derrubar o governo. Em lugar disso, afirmou repetidamente aos seus cinco juízes em uniforme que o 'Movimento 30 de Setembro' foi criado para impedir um golpe pelo 'Conselho de Generais' [...] O Sr. Supardjo assinalou com ironia que na sequência do golpe 'o Conselho de Generais alcançou o que visava'. Na realidade, acrescentou, 'os ministros do Governo legal estão hoje nas prisões' – e três deles, incluindo o ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros Subandrio, já foram condenados à morte – apenas resta o Sr. Sukarno»
O genocídio indonésio foi saudado efusivamente nas 'democracias ocidentais'. Um artigo da revista Time(12.3.66) brandia o título: «Responsáveis dos EUA eufóricos encaram novo auxílio à economia de Jacarta» e escrevia: «para o Governo [do Presidente] Johnson é hoje difícil esconder a satisfação com as notícias que chegam da Indonésia, dando conta do ocaso político do Presidente Sukarno e dos comunistas. Após um longo período de diplomacia paciente, visando ajudar o exército a triunfar sobre os comunistas, estes responsáveis estão eufóricos ao ver as suas expectativas concretizarem-se». Três meses mais tarde, o New York Times publicava uma coluna com o título «Um feixe de luz na Ásia», onde refere os «desenvolvimentos políticos mais esperançosos» naquele continente, citando como «o mais importante de entre eles» a viragem na Indonésia «duma política pró-chinesa sob Sukarno para uma política abertamente anti-comunista sob o General Suharto». Os elogios mantiveram-se ao longo das três décadas de presidência Suharto, a quem Margaret Thatcher chamou «um dos nossos melhores e mais valiosos amigos».
A rapina imperialista
O genocídio indonésio e os apoios e elogios imperialistas não tinham, naturalmente, apenas objectivos políticos. Como escreve John Pilger , «Em Novembro de 1967, após a captura do 'maior prêmio', dividiu-se o tesouro. A Time-Life Corporation patrocinou uma Conferência extraordinária em Genebra que, durante três dias, planeou a tomada de controlo da Indonésia pelas grandes empresas. Os participantes incluíram os mais poderosos capitalistas do planeta, tais como David Rockefeller. Todas as empresas gigantes do Ocidente estavam representadas: as grandes empresas petrolíferas e bancos, a General Motors, Imperial Chemical Industries, British Leyland, British-American Tobacco, American Express, Siemens, Goodyear, a International Paper Corporation, US Steel. Do outro lado da mesa estavam os homens de Suharto [...] No segundo dia, a economia Indonésia foi dividida, sector a sector [...]. Sob Sukarno, a Indonésia tinha poucas dívidas; ele tinha expulso o Banco Mundial, limitado o poder das empresas petrolíferas e publicamente mandado os americanos 'para o Inferno' com as suas dívidas. Agora chegavam os grandes empréstimos, na sua maioria do Banco Mundial, que tinham por objectivo dar lições ao 'aluno modelo' em nome dos padrinhos do IGGI [Grupo Intergovernamental para a Indonésia, cujos membros principais eram os EUA, Canadá, Europa e Austrália e, sobretudo, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial]. 'A Indonésia', afirmou um funcionário do Banco [Mundial], 'é a melhor coisa que aconteceu ao Tio Sam desde a Segunda Guerra Mundial'».
O terror provocado pela chacina de 1965-66 perdura meio século depois, como fica bem patente nos dois recentes filmes do realizador norte-americano Joshua Oppenheimer («O Acto de Matar» e «O Olhar do Silêncio»). Mas a História não pára. O General Suharto foi derrubado em 1998 por grandes protestos populares associados à 'crise asiática', uma das primeiras expressões do agravamento da crise do capitalismo mundial. É impossível apagar a História. Mais cedo ou mais tarde, o movimento comunista e operário indonésio reerguer-se-á e, com base nas lições do passado, retomará a senda da libertação nacional e social do seu povo.
Notas
(1) Citado no livro de John Pilger «The new rulers of the world», Verso 2002, p. 15.
(2) Disponível na Internet, http://www.workers.org/indonesia/index.html. A fonte original da primeira destas citações é do livro «Indonesia Troubled Paradise», de Reba Lewis, mulher dum médico que trabalhou no país para a Organização Mundial de Saúde; a fonte da segunda é o livro «Western Enterprise in Indonesia and Malaya», de G. C. Allan e A. Donnithorne, reimpresso em 2003 pela Routledge.
(3) «The blood never dried – A people's History of the British Empire», John Newsinger, Bookmarks Publications, 2013 (2.ª ed.), p. 212.
(4) Deirdre Griswold, obra citada.
(5) Por exemplo, San Francisco Examiner, 20 de Maio, 1990.
(6) Deirdre Griswold, obra citada.
(7) Citado em J. Pilger «The new rulers of the world», p. 28.
(8) J. Pilger, «The new rulers of the world», p. 36.
(9) Artigo já citado de Kathy Kaldane.
(10) Citado em J. Pilger «The new rulers of the world», p. 32.
(11) J. Pilger, obra citada, p. 33.
(12) Citado na obra referida de Deirdre Griswold.
(13) Citado em J. Pilger «The new rulers of the world», p. 20.
(14) J. Pilger «The new rulers of the world», pp. 37, 39 e 40.

PEDRITÓRIO DE PORTUGAL


Sandro Mendonça – Expresso, opinião
Com as primeiras chuvas começa já muita água a correr aceleradamente debaixo da ponte. Por isso talvez seja interessante analisar alguns temas com um olhar fresco, uma perspectiva de espanto. O país continua com a capacidade de se surpreender a si próprio, esta é a pergunta.
Pedritório, ... essa nova palavra. O actual representante do partido que vendeu ao país o mito do “capitalismo popular” não consegue lidar com os despojados da tanga disto tudo. Vingança do destino esse mito ter explodido justamente no seu mandato! Por isso, só pode ser com espanto e surpresa que se vê o ainda Primeiro-Ministro a falar de uma subscrição pública para o povo em geral indemnizar os lesionados do engodo financista. Portanto, Pedro pede ... pede caridade. E o “vice” insistiu na ideia.
A verdade é que este logro foi sistémico. O BES era o cavalo de tróia de um plano maior e é preciso ter respeito pelas vítimas. Se Pedro e Paulo querem montar uma ONG para acudir voluntariamente aos enganados do sistema tudo muito bem: mas façam-no fora do governo. Por isso é de exigir que honrem essa promessa mesmo quando merecidamente percam as eleições. Ficamos à espera.
O que é verdade é que o caso BES pesa ao país. E pesará! Apenas o prejuízo da venda (€3000 milhões) é mais custoso do que todo o investimento nacional em investigação e desenvolvimento: €2268m. Felizmente esta gente da porta-giratória entre a política e finança é bastante inovadora: porém, e como ficamos conscientes através de mais esta arrepiante notícia em vesperas de eleições, é pena que seja apenas para benefício próprio!
Assim, a boa notícia é que pelo menos já não dá para fazer ilusionismo, fazer desaparecer o Titanic com um estalar de dedos. Pelo meu lado, há pouco mais de um ano atrás em declarações à Lusa já me tinha pronunciado sobre a cadeia de riscos que se estaria a accionar com o holograma que foi criado para soprar o problema BES para a frente. Pouco depois, e por seu lado, Ricardo Arroja via espaço para que outro cenário de resolução tivesse sido ensaiado.
Vale muito a pena, por tudo isto, ler com atenção o que esta semana disse o Embaixador Seixas da Costa. E disse-o de modo claro, contundente e oportuno naquela que foi por sinal a sua última crónica no Diário Económico. Seixas da Costa chama-lhe o “Novo Buraco” e isso é o mais simpático que lá está escrito. Afinal, é dito o que muita gente pensa: que “a supervisão bancária falhou em Portugal”, que há uma teia de cumplicidades entre o sistema financeiro e a supervisão, que dá náuseas a “cobardia política demonstrada pelo governo neste caso”.
E era o que faltava culpar o suspeito do costume por tudo isto. Não o Estado não estava aos comandos daquele camião financeiro desgovernado chamado BES. E nisso o novo livro lançado por André Barata e Renato Carmo (sim, mais um excelente livro nesta rentrée!) é tão útil. Nesta obra chamada “O Futuro nas Mãos: De Regresso à Política do Bem Comum” os autores argumentam que o Estado existe para uma missão: defender as liberdades comuns dos cidadãos. O Estado neo-liberalizado, leofilizado e mercadorizado resulta em predações e extorções, desigualdades e desiquilíbrios, ultra-favorecimentos e hiper-oligarquização. Como dizem os autores: “É essencial defender um espaço público plural e democrático contrário ao dogmatismo e às falsas certezas sobre o que terá de ser o futuro humano.”
Há assim que perceber as “Encruzilhadas do Desenvolvimento”. Este é o título de um assinalável evento organizado pelo Professor Manuel Branco da Universidade de Évora que hoje começa nessa cidade. Trata-se de um curso internacional que durante três dias e irá garantir várias conferências de grande qualidade e debates abertos ao público. Entre alguns temas destaquem-se estes: “Os Desafios da Alimentação no Mundo” (Helder Muteia, Representante da FAO em Portugal e junto da CPLP), “A Política de Cooperação para o Desenvolvimento da União Europeia” (Fernando Frutuoso de Melo, Diretor Geral da Cooperação Internacional e do Desenvolvimento da Comissão Europeia), “Política Externa e Cooperação Portuguesa” (Luís Moita, Professor Catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa), “Global Goals and Human Rights and Capabilities: the power of numbers to shape agendas” (Sakiko Fukuda-Parr, Professora na The New School, Nova Iorque). Mais informação aqui.
A resposta a estas encruzilhas é o que estão a fazer muitos cidadãos pelas suas próprias mãos. Chamou, portanto, a atenção um novo movimento de cidadãos pela salubridade do ambiente urbano e pelo acesso aos serviços do ecosistema. Refiro-me à recém-criada Vamos Salvar o Jamor. Nesse antigamente-visto-como-município-modelo chamado Oeiras surge uma voz organizada que denuncia subversões do PDM, questiona o modelo de desenvolvimento baseado em jogadas de interesse imobiliário e a operação de grupos económicos com ligações ao poder. O manifesto singuraliza-se pela acutilância e pelo rigor da postura: por exemplo, “Não se promova nem autorize a construção numa zona sujeita a elevadíssimos riscos naturais e em violação da legislação aplicável.” Mais um sinal de que a vida política portuguesa está a alterar-se a partir das bases?
Democracia será talvez isto mesmo: inteligência em movimento. Recusa de quem nos puxa para trás. Por isso dia 4 de Outubro será importante. O voto é o mais nobre dos investimentos sociais.

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Avaliar um governo


Escolher um novo governo implica avaliar o seu programa e as suas propostas, mas se esse programa e essas propostas correspondem no essencial às mesmas propostas e ao mesmo programa do governo anterior isso pressupõe que o debate deve começar pelo desempenho do governo anterior. Se o candidato a primeiro-ministro é o primeiro-ministro em exercício é igualmente inevitável avaliar o seu desempenho e o seu carácter.
  
Por aquilo que temos visto á quem queira pular de 2011 para 2016 com o argumento de que este governo terá executado um programa que não era o seu. Em parte é verdade que o governo saído das últimas legislativas estava condicionado por um memorando que não só adoptava medidas restritivas no plano orçamental como impunha um conjunto de reformas. 
  
Quando Passos Coelho se candidatou a primeiro-ministro sabia quais os compromissos que Portugal tinha assumido e o seu partido esteve envolvido na sua negociação. Isso significa que não foi apanhado de surpresa, o seu programa contemplava as medidas do programa e foi público não só o seu apoio adesão a essas medidas como a intenção de as estender, ainda que tal intenção tivesse sido escondida dos eleitores. 
  
Assim, o que está em causa não é saber quem assinou o memorando com  a troika ou quem teve culpas na crise das dívidas soe ranas europeias, mal ou bem isso foi avaliado nas últimas legislativas. O que está em causa é avaliação do desempenho do governo e a qualidade das medidas que vinham na linha do memorando e que o levaram a níveis que não foram assumidos aquando da sua assinatura. 
  
O governo falhou em três vertentes distintas, na execução do memorando de entendimento, na competência com que governou e nas medidas com que pretendeu dar mais amplitude ás medidas previstas no memorando.
  
O governo ficou aquém em muitos domínios previstos no memorando. Uma das grandes chagas da sociedade e da economia é a morosidade da nossa justiça, morosidade que afasta muitos investidores. Neste capítulo o governo foi um desastre, não resolveu um único problema, promoveu reformas assente no Guia Michelin e o espectáculo do Citius foi o que se viu. O mesmo sucedeu com a reestruturação do Estado onde tudo ficou na mesma, apenas a administração fiscal foi mexida, mal e de forma incompleta pois foram ignoradas as metas do memorando em relação à eliminação de serviços de necessidade questionável.
  
O governo foi incompetente e tê-lo-ia sido mesmo sem memorando, é isso que explica a total ausência dos ministros nesta campanha eleitoral. Dizem que criaram emprego mas o Mota Soares anda escondido, que o SNS melhorou mas o Paulo Macedo não se deixa ver, a ministra da Justiça deu uma imagem de louca, do Miguel Macedo não é tempo para falar e a sua sucessora chega a ser ridícula, o Aguiar-Branco só deu barracas, como a do famoso drone do Alfeite, o Rui Machete só disse baboseiras, o Crato foi um desastre. Como estamos avaliando o desempenho dos governantes convém recordar ainda Vítor Gaspar, Miguel Relvas e Álvaros Santos Pereira, três desastres escondidos no armário.
  
Quanto aos resultados das políticas adoptadas por Passos Coelho e inspiradas em personagens como o anedótico sôr Álvaro, o netinho da Dona Prazeres que fugiu espavorido para um tacho no FMI e o falecido António Borges, foi o que se viu, um falhanço. A maior prova desse falhanço está no facto de Passos Coelho tentar atribuir o desastre ao memorando com a troika.

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VÍDEO - O REFUGIADO QUE TRANSPORTAVA O FILHO AO COLO E QUE FOI RASTEIRADO PELA FOTO JORNALISTA HÚNGARA JÁ TEM EMPREGO COMO TREINADOR DE FUTEBOL EM ESPANHA


A FOTO JORNALISTA DE EXTREMA DIREITA ENQUANTO FOTOGRAFA AGREDIU VÁRIAS PESSOAS A PONTAPÉ E RASTEIROU UM HOMEM COM UMA CRIANÇA AO COLO, DEPOIS DE DESPEDIDA DESCULPOU-SE QUE TINHA ENTRADO EM PÂNICO.

AQUI UM PEQUENO EXTRACTO DO ACONTECIMENTO.


VÍDEO


video


CMTV


GNR rouba moedas durante nove meses



GNR rouba moedas durante nove meses 

Câmara captou militar de 54 anos a desviar dinheiro. 


Os furtos de moedas da caixa registadora da messe dos sargentos da GNR de Portalegre começaram em setembro de 2014. 

Só em junho deste ano, nove meses depois, segundo o ‘JN’, é que uma câmara de filmar colocada pelos dois funcionários da messe, com autorização do comando, identificou o autor dos crimes: um sargento-mor, de 54 anos, que recebe um salário mensal bruto de três mil euros. O militar meteu baixa depois de ter sido descoberto. 

O suspeito é casado e reside numa aldeia de Portalegre. É pai de uma enfermeira e de um militar da GNR. Os furtos do qual é o principal suspeito começaram por ser irrisórios, apenas algumas moedas retiradas com intervalos de vários dias, e que chegaram a uma média mensal de 100 euros. 

Os primeiros suspeitos foram os que detetaram a infração: os dois militares que trabalham na messe dos sargentos. Ambos foram forçados pelos comandantes diretos a repor o dinheiro furtado. A ideia para apanhar o ladrão partiu dos próprios. 

Assim, e após autorização do comando, foi montada uma câmara de filmar na messe. A 26 de junho, o dispositivo gravou o suspeito a abrir a caixa registadora, de onde retirou diversas moedas que escondeu no bolso das calças. Os autores das filmagens mostraram as provas ao comandante da GNR de Portalegre. 

O militar em causa foi confrontado pela hierarquia, que comunicou o caso ao Ministério Público de Portalegre. Foi o próprio sargento-mor a pedir ajuda psiquiátrica à GNR. Esteve cerca de 15 dias internado num centro clínico e desde julho que se encontra de baixa. Neste momento, o militar está a ter vigilância especial para evitar o suicídio.

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