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domingo, 30 de agosto de 2015

A impunidade da EMEL



Eu, Constantino Piçarra, ontem, dia 28/8/2015, vi o meu automóvel bloqueado e multado pela EMEL (96,00€), em Lisboa, por falta de pagamento de estacionamento quando dentro do veículo, de forma bem visível, se encontrava o talão do parquímetro mostrando que o estacionamento estava pago. Chamada por mim a PSP ao local, a fim de pôr fim a este arbítrio da EMEL, os agentes da força policial referem que nada podem fazer. A EMEL pode fazer tudo. Confrontado, no mesmo dia, um jurista de apoio à administração da EMEL com esta situação e com o talão do pagamento do estacionamento, ainda me acusa de desonesto, insinuando que o dito talão deveria ter sido tirado por outra pessoa, reportando-se, assim a outro automóvel.
A EMEL é impune? Pode abusar do poder e as forças policiais têm que ficar de braços cruzados assistindo à ilegalidade? Que se passa para que isto aconteça? A explicação está nos objectivos que a empresa tem de alcançar traduzidos numa determinada quantidade de dinheiro que mensalmente têm de entrar nos seus cofres? Quem zela pelos direitos dos cidadãos?

Constantino
(recebido por email)

www.cincotons.com

VEJA AQUI EM VÍDEO UMA REPORTAGEM SOBRE AS ÚLTIMAS HORAS DE JANIS JOPLIN

As últimas horas de Janis Joplin

janis-joplin-bio
Um documentário surpreendente sobre as últimas 24 horas de Janis Joplin. Narrado por Pitty, revela todos os segredos e acontecimentos que antecederam a morte da cantora.
Vale o play:
www.somvinil.com.br

COM A DEVIDA VÉNIA E UMA PARTICULAR (E CONFESSADA) SATISFAÇÃO


Ora aqui está um “post” a que não resisto, neste dia em que estou pouco resistente (e ainda bem… por aquilo a que não estou a ser capaz de resistir). Assim, abuso da (e muito agradeço a) autorização de Fernando Campos e regalo-me ao divulgar este retrato (e a excelente prosa acompanhante – com que nem em tudo concordo, ou até discordo com a “autoridade” dos meus quase-80), retrato-não-para-rir de figurinha por que tenho particular “predilecção”, talvez por ver o meu nome próprio em tão imprópria e “fascistóide” aplicação.
«quinta-feira, 27 de agosto de 2015

RETRATO DA PRESUNÇÃO, SEM ÁGUA BENTA

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Joseph Conrad escreveu, não sei bem em que contexto, que a caricatura é “pôr o rosto de uma piada no corpo de uma verdade”. 
Como Conrad não foi propriamente um espírito conhecido pela nonchalance, deduzo que a sua referência tenha sido crítica. Na sua austera severidade (ele não usava de rodriguinhos nem paninhos quentes, escarafunchava a chaga sempre até à carne viva), a caricatura sugeria-lhe um expediente artificioso – uma espécie de máscara – com que se tentaria disfarçar a face sempre inquietante desse corpo hediondo que é averdade; ou seja, um divertimento mundano, irresponsável e escapista, apenas destinado a amenizar a dura realidade dos factos da vida.
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Penso que não é esse o caso das minhas caricaturas. Detesto o engraçadismo tanto como Conrad. O que busco nos meus desenhos (que não são “bonecos” apalhaçados pra fazer rir) não é a fácil adesão ou oentretenimento pelo riso alarve. O que neles é exagero ou parece deformação é apenas o que me parece conveniente realçar pelo desenho em vista de uma melhor apreensão da pura e dura realidade dos factos da vida.
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Ontém fiz 53 anos. Cinquenta e três. Já não tenho grande futuro. O país em que habito também não. Isto é um facto da vida. A dura realidade. A verdade.
Tenho vindo a dedicar-me à árdua e bastante desconsiderada arte da caricatura, desenhando, entre outros, os rostos de uma classe dirigente que reduziu velhacamente a esperança de um povo imbecil a este grau zero e lhe transformou a vida nesta comédia negra triste e bufa pontuada alegremente – de Maio a Outubro em Fátima e de Agosto a Junho no canal Benfica – por estranhos fervores colectivos e álacres festividades populares.  E, entre a época dos fogos, a balnear e a da sardinha, por outras delirantes e pícaras bizarrias, como a caça aos indecisos, os inumeráveis e repetitivos festivais de música ao ar livre e as privatizações a mata-cavalos.
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O rosto que escolhi retratar e editar hoje aqui é o de Sérgio Monteiro, o secretário de estado das infraestruturas, transportes e comunicações. Na prática trata-se do comissário plenipotenciário dos donos-disto-tudo para as privatizações. O senhor suápe. É dele o rosto da privataria – essa curiosa transacção de bens públicos para bolsos privados a preços módicos convencionados pelo mediador em troca de equívocas percentagens ou futuras participações.
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Os traços, a pose e a retórica são as de quem encara essa sale besogne como uma missão. Algo realmente importante. Patriótico. O mediador acha-se um decisor.
É disso que trata o desenho. De presunção. O retrato – tanto quanto possível fiel, ainda que resumido ou sintético – de um alarve entupido de auto-convencimento.

A caricatura, como a entendo, não ambiciona fazer rir. Embora, por vias travessas, talvez até o faça.
A verdade é que, como Camilo a respeito do romance, também “estou mais que muito desconfiado de quenão morigera nem desmoraliza”.
Apenas procura, modestamente, aquela inquietação que só proporciona o verdadeiro entendimento dos factos da vida.


 abrildenovomagazine.wordpress.com

De onde vem quem chega à Europa por mar?




Vale a pena olhar para este mapa (note-se que nem chega a reflectir totalmente os oito primeiros meses deste ano) para se entrever a dimensão da tragédia que nos é contada todos os dias, em episódios de terror, de uma novela sem fim à vista.

Pelo menos 6 em cada 10 pessoas que chegaram à Europa pelo Mediterrâneo, desde o início de 2015, vêm de países onde são constantes as violações de direitos humanos. Este drama não é só delas, é nosso também. Não há fuga possível.

Mais detalhes aqui.



entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt

Os 10 carros mais incomuns que nunca chegaram ao mercado

Os 10 carros mais incomuns que nunca chegaram ao mercado (6)

VEJA ESTE VÍDEO E VEJA A TRAFULHA QUE HÁ NO BOXE





Uma luta de boxe disputada no último sábado(08) em Montevidéu, válida pelo cinturão latino da categoria pesos-superpenas, acabou com um nocaute extremamente BIZARRO.
O lutador dominicano Braulio Rodríguez nocauteou o adversário argentino Marcos Martínez, sem ao menos encostar no sujeito. O “teatro” aconteceu no segundo round, logo após uma sequência falha do dominicano. Veja só:
.uhull.virgula.uol.com.br

range, rangel!

Do alto da altaneira estatura de deputado do Parlamento Europeu - que, como toda a gente sabe, tanto jeito dá a Portugal e à maior parte dos países do continente enfermo -, Rangel rangeu a esplendorosa cremalheira para nos dizer que nunca, num governo PS, estaria um antigo primeiro-ministro sob investigação ou o maior banqueiro do país em prisão domiciliária.


Então e a separação de poderes, Rangel? São os governos que decidem quem é preso e quem é investigado? Ou, descaindo-se, terá vindo Rangel confirmar que alguns dos processos em curso foram levados a cabo sob batuta, inspiração ou decisão governamental?

Muitos já suspeitavam. Eu tinha quase a certeza e agora não tenho dúvidas, a exemplo do Presidente residente em Belém. Tal como sei que, sob os governos PS, as gentes do PSD ligadas ao BPN, algumas bem gradas, escaparam incólumes. E que outros processos, muitos, envolvendo figuras do antigo PPD e do CDS actual PP, nunca passaram de águas de bacalhau. Continuam aliás a cheirar mal, a peixe podre, a caneiro, a cloaca.


ou anjinhos de todo


Que, à primeira, as gentes conservadoras tenham votado no Coelho até consigo compreender. O homem apresentava-se com uma aura de integridade de fazer inveja ao Santo Padre, era um ser remediado com tenda humilde montada em Massamá, era um dos nossos, muitos acreditaram que iria limpar o país de maus costumes, combater o clientelismo, erradicar o despesismo, derreter para sempre as gorduras do Estado, as fundações, as PPP, as frotas de luxo, os fretes aos empresários amigos.

Ao invés, nada disso aconteceu. As gorduras cresceram - é preciso engordar amigos e apaniguados -, e enquanto o emprego desceu colossalmente, os jobs para os boysaumentaram exponencialmente, As promessas viraram mentiras, as gorduras que disse ir combater transformaram-se na venda dos últimos anéis, os salários foram cortados, as pensões reduzidas, os impostos aumentados, o Estado Social destruído.

Assim sendo, palavra de honra que não entendo como as mesmas almas conservadoras, se gente de bem, possam sequer considerar a renovação do voto em tão má rês.

A não ser que sejam masoquistas. Ou tão imorais como o santinho da sua devoção. Ou anjinhos de todo.


ouropel.blogspot.pt

SEMANADA (blog O Jumento)

Semanada

Não sei porquê, sempre que vejo essa personagem estranha que é o Rangel sinto uma estranha sensação de rejeição. Além disso é um político eu me irrita por causa da sua mania de que é um ser superiormente inteligente, o que o leva a que de vez em quando apareça na política com ideias nova. Foi o que sucedeu quando interveio em auxílio do governo sugerindo a criação de uma agência estatal para facilitar a saída dos jovens. Agora reapareceu para exibir a cabeça de Sócrates com um grande sucesso de um MP dirigido por Passos Coelho. Quer num caso, quer no outro este Rangel deixou a boca fugir para a verdade.
  
A ministra incompetente da Administração Interna foi ao parlamento dizer que não existia qualquer estatuto da PSP ou da GNR, o que irritou polícias, GNR e Passos Coelho. Recebeu ordens para negociar rapidamente um estatuto, reunindo com alguns sindicatos aos quais só não prometeu uma praia na Messejana porque o pessoal da PSP ambicionava outras praias para dar as suas banhocas. E conseguiram-no, a ministra deu-lhes o que exigiram e o que não lhes passou pela cabeça exigir. Agora e com receio de manifestações aprovaram o estatuto à pressa e de um dia para o outro a PSP é uma espécie de pequena burguesia do Estado.
  
Só Deus saberá o que pretende Durão Barroso ao dar o dito por não dito a parecer em Castelo de Vide a explicar a crise do euro explicando-a com a crise do Lehman Brothers. Será um sinal de que pretende namorar a esquerda denunciando uma possível candidatura presidencial, estaria com os copos ou veio a público concordar com a tese do seu patrão Ricardo Salgado?
  
Quem também passou por Castelo de Vide para dizer baboseiras aos pirralhos do PSD foi a Maria Luís, o país ficou a saber que esta senhora a quem não se conseguem ouvir grandes intervenções que denunciem conhecimento, decidiu opinar sobre o programa do PS sem o ter lido.


jumento.blogspot.pt

LE MOT JUSTE - Uma coisa é saber uma coisa, outra coisa é saber o nome dessa coisa.

LE MOT JUSTE

(Ana Cristina Leonardo, in Expresso, 29/08/2015)
Ana Cristina Leonardo
                Ana Cristina Leonardo
Uma coisa é saber uma coisa, outra coisa é saber o nome dessa coisa. A frase, no original, “I learned very early the difference between knowing the name of something and knowing something” é do Nobel da Física Richard Feynman, uma das personagens mais estimáveis do século XX. De facto — e o exemplo continua a ser do próprio —, podemos saber o nome de um determinado pássaro em todas as línguas do mundo e, ainda assim, não sabermos nada sobre ele. No contexto, Feynman referia-se a processos de aprendizagem. Em “1984”, de George Orwell, o contexto é político e a língua, ou a novilíngua em construção, atira-se aos significados, subvertendo-os, e ao léxico, reduzindo-o. O objetivo é moldar o pensamento (e a realidade) a uma grelha de sentido unívoco, libertando-o de escolhas polissémicas. Já muitos se referiram ao modo como hoje em dia o empobrecimento vocabular, a literalidade interpretativa ou os modismos redutores sugerem uma espécie de novilíngua insidiosa, e contagiosa, que vai tentando adequar o real a um modelo único e conformista. O desaparecimento de palavras como ‘patrão’ ou ‘trabalhador’, o novo significado, por exemplo, de ‘trabalho não remunerado’, que passou a ‘oportunidade’, o termo ‘mercados’, que é dito e escrito à exaustão sem que ninguém saiba com rigor o que significa, os ‘doentes’, que passaram a ‘utentes’, quando não a ‘clientes’, o ‘empobrecimento’, que passou a ‘ajustamento’… E, se quisermos continuar com Orwell e avançar até ao doublethink, que melhores vocábulos do que ‘parcerias público-privadas’, em que os riscos ficam por conta do público e os lucros são privados, ou ‘dívida soberana’, uma contradição óbvia nos termos? Estamos muito longe do mundo real a que se referia Feynman, antes atolados no delírio humano puro e duro. Um exemplo esclarecedor de manipulação da linguagem está a acontecer agora, neste preciso momento, na Europa, 2015. Pois eis senão quando aos que atravessam o Mediterrâneo para o lado de cá (aquele de onde escrevo) se deixou de chamar ‘refugiados’ e se passou a chamar ‘migrantes’.
Refugiado é uma palavra com conotação dramática evidente, por vezes trágica, que em migrante se dilui quase por completo. Refugiado lembra a responsabilidade ocidental no caos, migrante quase só parece da família de ‘piegas’. E de repente ocorre-me “A Trégua”, de Primo Levi, e pergunto-me: trégua é o intervalo entre guerras?


 A Estátua de Sal
rcag1991.wordpress.com

Com seca mais grave em um século, Cuba vai usar método artificial para fazer chover



‘Semeadura de nuvens’ será iniciada em setembro e se prolongará ao longo de dois meses; método é considerado controverso por especialistas
Cuba vive a pior seca desde 1901. Para aliviar os efeitos da escassez de água na ilha caribenha, o governo realizará uma “plantação de nuvens” para fazer chover.
De acordo com Argelio Fernández, especialista do INRH (Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos) de Cuba, a ‘semeadura de nuvens’, como também é conhecida esta técnica aplicada em outras ocasiões no país para provocar o aumento das precipitações, será realizada de forma aérea.
Wikicommons
Ilustração mostra como é realizado o processo que pode ser administrado do solo ou por avião
O processo em Cuba terá início em 15 de setembro e será realizado sobre a bacia do rio Cauto, o maior do país, ao longo de dois meses.
A técnica consiste em localizar nuvens específicas e bombardeá-las com iodeto de prata a partir de um avião, para que a água cristalize e aumente de volume até atingir o peso necessário para se precipitar em forma de chuva.
Fernández explicou que de janeiro até hoje Cuba tem registrado o período mais seco desde 1901. As áreas mais afetadas são Santiago de Cuba, Guantánamo, Artemisa e Havana.
Flickr/CC/Abraham Wallin

Tempestade se aproxima de Havana, capital cubana
Há 11 dias, a Defesa Civil iniciou um chamado para que as pessoas e repartições estatais economizassem água e estivessem alertas quanto à seca, além de reforçar ações de vigilância e controle para frear ilegalidades na infraestrutura hidráulica.
Impactos
A técnica é criticada por alguns ambientalistas e cientistas, que questionam a eficácia da metodologia na real produção de chuva. Além disso, a exposição intensa ou contínua ao iodeto de prata pode causar danos residuais em humanos e outros mamíferos, mas não sequelas crônicas.
Por não ser considerada parte da geoengenharia — conceito que define esforços humanos em grande escala para adaptar os sistemas planetários à mudança climática — a prática não é proibida pela ONU, que, em 2010, determinou que esse tipo de experimento, por seu potencial perigo para a biodiversidade, deveria ser suspenso.
Em entrevista concedida à agência IPS em 2012, a acadêmica Graciela Binimelis, do Centro de Ciências da Atmosfera da UNAM (Universidade Autônoma do México), que estuda a física das nuvens há mais de duas décadas, afirmou que as pesquisas realizadas sobre a semeadura de nuvens não analisaram no solo os efeitos da chuva produzida dessa maneira.
Os experimentos devem durar pelo menos cinco anos para apresentar resultados válidos, segundo os especialistas. “Não são conhecidos impactos positivos ou negativos sobre o meio ambiente. O que se viu ao longo de décadas é que existe uma mudança em como chove, para chuvas mais intensas e mais curtas, mas a quantidade de chuva que cai não mudou tanto”, segundo Graciela.

operamundi.uol.com.br

Desempatar sem autogolo

Desempatar sem autogolo
30.08.2015
CARVALHO DA SILVA


Nas últimas semanas, ficou mais claro o cenário em que decorrem as eleições legislativas do próximo dia 4 de outubro: o país e os portugueses estão bloqueados num complexo atoleiro político, que tende a aprofundar-se com as propostas e movimentações dos partidos que nos têm governado nas últimas décadas, e se amplia com as "ajudas" que nos chegam da União Europeia (UE). No espaço europeu, e noutras regiões, a desintegração da democracia é, com nuances, um processo em aceleração, enquanto a liberdade de circulação do dinheiro cresce à medida que as pessoas vão ficando mais prisioneiras.
Portugal, para sair do caminho de retrocesso social e político e de negação da soberania que vem trilhando, precisa de políticas e de um programa de Governo que articulem, de forma sólida, medidas de conjuntura - dirigidas à revitalização da democracia, ao combate à pobreza, às desigualdades e à emigração forçada, à promoção do valor do trabalho e do emprego, ao incremento de atividades produtivas e de serviços indispensáveis a uma sociedade moderna -, com uma estratégia de longo alcance que equacione as opções que o país terá de tomar, dentro ou fora do euro, por forma a ser um espaço onde as novas gerações possam organizar as suas vidas e trabalhar com dignidade, dando futuro ao país. Este desafio vital não surge na agenda das duas forças políticas que as sondagens nos apresentam como possíveis vencedores das eleições, em "empate técnico".
A coligação de direita (PSD/CDS) montou, com múltiplas ajudas, um quadro ficcionado sobre as condições de vida e de trabalho, sobre a situação económica do país, as contas públicas e a dívida, para iludir os portugueses. Joga forte com as contradições e os medos gerados, quer pelos fatores que apresentam como causas da austeridade, quer pelos efeitos brutais dessa mesma austeridade, preparando-se (se lhe permitirmos) para prosseguir num quadro de submissão e apoio às desastrosas políticas da UE. Nesta campanha eleitoral, o discurso da direita sobre a Europa vai resumir-se a "malhar" na Grécia (com eleições a 20 de setembro), que classificarão hipocritamente de "mau exemplo", escondendo as dimensões do lamaçal em que se encontra a UE e os reais desafios que Portugal vai ter de enfrentar.
O Partido Socialista, em cujo seio se desenvolvem manobrismos fratricidas, surge com algumas orientações e perspetivas interessantes em algumas áreas do designado Estado social, mas são desastrosas as suas ideias de manutenção do desequilíbrio das relações entre capital e trabalho e de secundarização de direitos coletivos, ou a superficialidade de certas propostas económicas que acabarão por sacrificar o fator trabalho. Por outro lado, ignora fundamentais condicionalismos decorrentes da nossa condição de país do euro, como se Portugal e os portugueses não tivessem de se preparar e mobilizar para negociações e decisões delicadas nos próximos quatro anos. O PS e a sua liderança não sacodem as inevitabilidades do neoliberalismo e alguns mostram clara simpatia por opções e posturas políticas de direita.
Neste contexto, importa relevar dois fatores: i) nenhuma daquelas duas forças vai ter uma maioria que lhe permita formar governo sozinha; ii) o PS estará sempre no centro do processo de constituição do futuro governo, ou porque ganha as eleições e tem de fazer alianças, ou porque viabiliza um governo de direita.
O desempate que permite encetar caminhos de rotura com a austeridade, um novo rumo de negociação e posicionamento digno na UE, exige que se consolide e reforce a representação eleitoral das forças à esquerda do PS. Elas têm um grande peso político e social, embora diferenciado, na sociedade portuguesa, e as suas propostas e intervenção são indispensáveis como contributo para um programa de governação que tire o país do atoleiro em que se encontra. O quadro de fragmentação em que hoje se apresentam não tem de ser definitivo.
À esquerda vivemos, há décadas, com um elefante no meio da sala carregado de incomunicabilidade e bastante sectarismo, mas se houver determinação ele há de ser retirado e será possível construir convergência programática e de ação.
*INVESTIGADOR E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

OS MIGRANTES E A TRAGÉDIA DO SÉCULO


Na Alemanha prossegue o novo 'esporte' neo-nazista: queimar abrigos destinados aos refugiados.
Flavio Aguiar, de Berlim – Carta Maior
A crise financeira que se espraiou a partir da China e de sua economia que revelou suas fraquezas.

O assassinato ao vivo de dois jornalistas nos EUA, reacendendo debate sobre posse de armas naquele pais.

A recuperação, ainda que parcial, dos preços do petróleo no mercado internacional e a decorrente valorização das ações da Petrobras (que está longe de ser a massa alquebrada que nossa velha mídia quer que ela seja).

Correu mundo e manchetes a denúncia feita pelo doleiro Alberto Yousseff na CPI, em Brasilia, sobre ter o senador Aecio Neves recebido propina de Furnas. A noticia só foi escondida pela velha mídia brasileira. Além da denúncia em si, que deve ser averiguada e provada, o ocorrido expôs a parcialidade da nossa velha mídia e a fragilidade dos vazamentos da Operação Lava Jato.

Mas as manchetes principais foram para a terrível tragédia dos migrantes na Europa. Mais de 70 corpos em decomposição foram encontrados dentro de um caminhão abandonado numa auto-estrada austríaca. Inicialmente a policia estimou os corpos em 20, depois em 50 e finalmente em “mais de 70”. A imprecisão das cifras deveu-se ao adiantado estado de decomposição dos corpos. O caminhão pertencera a uma empresa transportadora de galináceos da Eslováquia, que afirmou tê-lo vendido em 2014. Estava em nome de um cidadão romeno e tinha placa da Hungria. Na manhã da sexta-feira a policia húngara afirmou ter detido o motorista suspeito, além de alguns possíveis cúmplices.

Na quarta-feira foram encontrados 50 corpos no porão de um navio no Mediterrâneo, que tinha 450 pessoas a bordo.

na quinta-feira mais um naufrágio neste mar, desta vez ainda perto da costa da Líbia, provocou a morte de pelo menos 200 pessoas. Outras 200 conseguiram se salvar, socorridas por navios ou conseguindo chegar à terra firme.

Uma vaga de milhares de migrantes, vindos sobretudo da Síria e do Iraque, conseguiu “furar” o bloqueio do Exército da Macedônia junto à fronteira grega. A Macedônia acabou pondo trens á sua disposição, para que eles atravessassem em direção à Sérvia. Deste país eles pretendem passar à Hungria e dali para a Europa Ocidental. A Hungria está construindo um muro na fronteira com a Sérvia, mas até o momento os migrantes têm conseguido atravessar.

Houve uma mudança de rota no caso de muitas destas correntes migratórias. A Líbia continua sendo a rota preferida pelos que vêm da Nigéria, da Eritreia e da Somália e tentam ingressar na Europa pela costa italiana. Mas no momento a maior massa de migrantes vêm da Síria e do Iraque, preferindo estes o caminho da Turquia ou da Grécia.

O fluxo de imigrantes provém de países desorganizados por guerras civis, em alguns casos com ajuda decisiva de potências ocidentais, como no caso da própria Líbia, do Iraque e da Síria. A emergência do Exército Islâmico na Síria e no Iraque só piorou a situação.

A chanceler Angela Merkel e o presidente François Hollande se reuniram durante a semana para concertar uma ação conjunta diante da questão. O maior problema está no convencimento de outros dirigentes em aceitar quotas de imigrantes refugiados.

Há forte resistência por parte de muitos europeus em assumir a responsabilidade diante do fenômeno. Nesta semana ouvi a entrevista de uma deputada polonesa, do campo conservador, junto ao Parlamento Europeu, dizendo que a Polônia não receberá estes imigrantes, porque são indesejáveis, na maioria só querem se beneficiar das vantagens europeias, muitos são terroristas, etc. Acrescentou ela que, caso recebesse imigrantes, o país só aceitaria “aqueles que fossem cristãos”. A deputada teve sorte de não ser eu o entrevistador, porque eu perguntaria a seguir, na lata, se esta afirmação implicava também a exclusão de judeus.

Na Alemanha prossegue o novo “esporte” neo-nazista: queimar abrigos presentes e futuros destinados aos refugiados. O incidente mais grave aconteceu na cidade de Heidenau, perto de Dresden, no estado da Saxônia, onde houve um confronto entre policiais e manifestantes que tentavam incediar um destes abrigos. Os manifestantes mais exaltados gritavam “Heil Hitler” e outros slogans nazistas. Também cantavam “Wir sind das Volk”, “Nós somos o povo”, slogan das manifestações que antecederam a queda do muro de Berlim em 1989, e que agora está sendo apropriado pela extrema-direita. O vice-chanceler Sigmar Gabriel, do SPD, e a chanceler Angela Merkel estiveram em Heidenau, condenando as manifestações. Depois disto a sede do SPD em Berlim recebeu uma ameaça telefônica dizendo que havia uma bomba no prédio, que foi evacuado. Além da ameaça a pessoa que telefonou também proferiu slogans racistas. Nenhuma bomba, no entanto, foi encontrada.

No fim de semana estava prevista uma festa para receber os refugiados em Heidenau. Diante da ameaça, por parte de elementos da extrema-direita, de atacar a festa, o governo do estado e a prefeitura proibiram qualquer manifestação ou festa até a segunda-feira. Os partidos de oposição no plano federal (Verdes e Linke) protestaram, alegando o direito constitucional à livre manifestação. O deputado verde Cem Özdemir declarou no rádio que iria a Heidenau no fim de semana e conclamou todos os que quisessem a segui-lo.

Do outro lado do Atlântico, o pré-candidato republicano Donald Trump afirmou que, se eleito, deportará dos EUA todos os imigrantes ilegais. Um jornalista perguntou como ele faria isto, uma vez que o número de “ilegais” chega a 11 milhões. Ele respondeu que tem muitas qualidades como “manager”, e que o processo de deportação seria “tranquilo” e “humanitário”. O último grande processo de deportação massiva nos EUA ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando 110 mil japoneses e descendentes foram confinados em casos de concentração dentro do pais, num processo que provocou traumas ainda vivos.

paginaglobal.blogspot.pt

É ASSIM QUE ESTES CRÁPULAS QUEREM QUE O PAÍS CRESÇA ! - Um milhão de euros de pescado apreendido em 20 meses


A GNR apreendeu 180 toneladas de pescado ilegal nos últimos 20 meses na Região Centro. Se tivesse sido vendido, teria rendido um milhão de euros aos infratores.
 
DR
Bivalves dominam apreensões
Números que representam dezenas de operações efetuadas pelos militares do Destacamento de Controlo Costeiro da Figueira da Foz, responsável pela fiscalização de 200 quilómetros de costa, nos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria. "São dados impressionantes", afirma o capitão José Ferreira Simões, comandante do Destacamento.