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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

As legislativas é que contam mas as presidenciais é que mexem


, in Expresso Diário, 28/08/2015)

Decididamente, o mundo político está de pernas para o ar. Nas televisões vai-se vendo um esforçado António Costa a calcorrear o país para dar a conhecer a sua mensagem, mas a maioria está a fazer-se de morta. Como resultado, o que está mesmo a entusiasmar comentadores, analistas e comunicação social são mesmo as voltas e reviravoltas das candidaturas presidenciais.
Como resultado da estratégia da maioria, que quer falar muito pouco do passado e pronunciar-se apenas sobre alguns dos resultados económicos atuais e sobre o facto de nos ter salvo de sermos uma nova Grécia, a campanha tem sido morna, tirando algum picante decorrente de erros dos socialistas, martelados até à exaustão pela quinta coluna das redes sociais e que depois chega inevitavelmente aos media tradicionais. E tem sido tão morna que o próprio Presidente da República veio constatar esse facto, considerando que nos estamos a aproximar dos padrões europeus nesta matéria.
Sobra, portanto, o picante das presidenciais, que ainda vêm longe e que serão inevitavelmente condicionadas pelo resultado das legislativas. Mas o certo é que não há dia em que não apareça ou um novo candidato, ou a declaração de um candidato ou dos seus apoiantes, e análises sobre análises sobre o que é melhor para o candidato Y ou Z e sobre as intrigas que dentro dos partidos se vão desenvolvendo à roda deste apaixonante tema.
E assim apesar de pensar que isso era o melhor para si, Rui Rio não avança em setembro, porque Passos Coelho só quer falar das presidenciais depois de 4 de outubro. Marcelo Rebelo de Sousa, que sabe que por vontade de Passos não será apoiado pelo PSD, já terá a sua máquina preparada para o levar ao colo até Belém. Pedro Santana Lopes pôs-se a fazer contas à vida e antes um pássaro na mão (a Santa Casa da Misericórdia) do que um muto fugidio (a conquista do palácio cor-de-rosa). Sampaio da Nóvoa anda a pedalar pelo país, ansiando por um sinal definitivo de António Costa. Maria de Belém vai tecendo a sua teia por forma a Costa ter mesmo de a apoiar. O PCP admite não apoiar um candidato próprio. E depois há mais candidatos, de todas as cores e paladares, que permitirão seguramente uma ampla escolha para aquele que os portugueses entendam ser o melhor Presidente da República para os próximos quatro anos.
Ana Sá Lopes escrevia no i que António Costa ganha as legislativas e Marcelo Rebelo de Sousa as presidenciais. Há quem prefira o contrário: ganhar as legislativas, embora perdendo as presidenciais. E há quem aposte na dobradinha: São Bento e Belém. Sempre avisado e alinhado com as sondagens, Cavaco Silva já vai falando em acordos parlamentares que garantam uma governação estável nos próximos quatro anos. A chave está nos indecisos, que todos procuram captar. A maioria joga com a recuperação que se vai notando (mais nos indicadores que na vida das pessoas), esconde coisas que vai fazer (o corte de 600 milhões nas pensões) e diz que o PS nos levará para os caminhos gregos. O PS tenta explicar uma proposta económica interessante mas de difícil compreensão, enreda-se em cartazes polémicos e numa campanha bastante amadora e aposta agora tudo no único valor seguro que tem: António Costa.
Os debates que aí vêm serão importantes. E tudo o que se disser e fizer em setembro inclinará a balança para um lado ou para outro.
A maioria acredita no efeito Cameron. O PS acredita que a escolha «ou eles ou nós» o vai beneficiar. Aguardemos serenamente – com a certeza que não é indiferente a escolha mas que muito do nosso futuro não está nas nossas mãos.

A"santa ignorância" de um comentador económico




A"santa ignorância" de um comentador económico

António Costa é jornalista, ex-director do Diário Económico e comentador de assuntos económicos nas rádios e na televisão.

Nesta condição e perante um tema da máxima actualidade política e económica como é o nível insuportável atingido pela nossa dívida pública e a defesa que cada vez mais portugueses de vários quadrantes políticos (já não são só os comunistas) fazem da necessidade da sua renegociação, espera-se que um jornalista que trata assuntos económicos, conheça não só a dimensão da nossa dívida pública, como a sua distribuição por tipo de dívida (empréstimos e títulos de dívida) e por detentores (residentes, não residentes, particulares, empresas, sector financeiro e troika).

Surpreendentemente assistimos ontem na TVI24 ao lamentável espectáculo de vermos este jornalista questionar o Secretário-Geral do PCP sobre a forma como iria o PCP implementar uma das principais propostas do seu programa eleitoral – a renegociação da dívida pública – já que dizia ele, 60% da nossa dívida pública são aplicações de pequenas poupanças das famílias portuguesas.

O Secretário-Geral do PCP surpreendido com a afirmação, repetida mais do que uma vez, respondeu, vamos ver, vamos ver e avançou na discussão explicando que a dívida pública atingiu um nível insuportável e que é do interesse dos próprios credores proceder a essa renegociação para que o país possa crescer e a partir daí libertar recursos para pagamento da dívida pública.

Ora o jornalista António Costa com aquela sua afirmação deu mostras de uma ignorância na matéria que não é aceitável e que é bem demonstrativa da forma ligeira e mentirosa como ele faz comentário económico.

Basta-lhe a consulta do capítulo K do Boletim Estatístico do Banco de Portugal do presente mês de Agosto, para verificar a dimensão do disparate que disse.

A dívida pública detida por particulares no passado mês de Junho (última informação disponível), dívida constituída por certificados de aforro e do tesouro na posse das famílias, empresários em nome individual e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias representava 7,1% do total da dívida da Administração Pública consolidada, montante que está a anos luz dos 60% de que fala este jornalista.

Mas os dados do Banco de Portugal dizem-nos mais, dizem-nos por exemplo que a divida pública na posse de nacionais representa 32,4% do total e que a dívida pública na posse do estrangeiro representa 67,6% do total. Ou seja exactamente o contrário daquilo que insinuou o senhor jornalista.


Se fossemos ingénuos diríamos, santa ignorância, mas como não somos dizemos, quando faltam os argumentos avança a mentira. E como as eleições se aproximam a todo o gás cada vez mais vamos ser confrontados com estratégias deste tipo.


 foicebook.blogspot.pt

O mundo paralelo da falta de água


A torneira secou quando mais precisávamos dela: depois do jantar. Foi mesmo na hora de lavar a loiça, que se acumulava em pilhas caóticas no balcão da cozinha. “Não há água”, anunciou uma filha, de lá regressando.

Instalou-se na família a frustração hídrica, um dos piores pesadelos do ser urbano. Vive-se sem luz ou sem gás. Mas da água é impossível prescindir. Imediatamente cancelaram-se os planos mais imediatos. Quem queria tomar um duche teve de adiar. Quem pretendia escovar os dentes teve de improvisar. Quem tinha urgências mais prementes teve de se conter.

Não sei porquê, mas na minha zona tal circunstância é recorrente. Várias vezes por ano, a água é cortada por alguma razão. A mais corriqueira é a tradicional rotura, sinal de alguma esclerose no sistema circulatório do abastecimento local.

Para triste consolo, a situação já foi muito pior. Há pouco mais de 20 anos, a construção de uma auto-estrada infligiu severas penitências à higiene colectiva no meu bairro. Cada vez que se cavava um buraco, rebentava um cano. E cada vez que rebentava um cano, abria-se um novo buraco, num ciclo virtuoso para as empreiteiras. Um engenheiro com vocação médica teria receitado uma angiografia à rede, para saber pelo menos por onde passava a tubulação. Porém não havia tempo nem dinheiro, apenas o desejo de progresso.

Este carrocel desenvolvimentista apanhou-me num momento crítico, de paternidade recente. A água falhou até no dia em que trouxe a nossa primogénita, recém-nascida, da maternidade para casa. Abri a torneira, e nem uma pinga. Saí disparado em busca de uma solução, que encontrei em dois grandes garrafões de 20 litros na drogaria do bairro. Fui aos bombeiros, enchi-os com a água de apagar fogos e só então vi o quanto aquilo pesava. A primeira tentativa de levantar os 40 litros resultou em imediato colapso músculo-esquelético.

Mais de duas décadas volvidas, continuo a utilizar os garrafões, para desespero da ossatura lombar. E eis que, a meio de Agosto, mais uma vez estávamos sem água.

Segundo as estatísticas oficiais, em cada 100 quilómetros de rede do sistema de abastecimento do meu concelho há 42 roturas por ano. Dito de outra forma – e é sempre bom ter duas medidas para confundir o consumidor –, há 2,1 cortes de água por cada 1000 ligações à rede.

Estes números não têm significado, comparados com o desespero instantâneo que é abrir a torneira e não sair nada. Estamos tão acostumados com o milagre da água sempre disponível, que não vislumbramos o que é ter de ir atrás dela, como naquela noite.

Quando fui escovar os dentes, alguém já tinha deixado na casa de banho um copo com água. Estava a meio. Fui à ganância, molhei a pasta, bochechei duas vezes, lavei a escova e quando dei por mim, tinha dado cabo daquela preciosa reserva.

Com um pedregulho instalado na consciência, tratei de repor o conteúdo do copo, utilizando uma garrafa de litro e meio de água que estava na cozinha há meses. Com ela na mão, naquele momento, senti o que é ser rico. Uma das poucas regras em que se pode acreditar nas teorias económicas é a de que um produto vale muito mais quando é escasso.

Dormi mal e só sosseguei quando, ao meio da noite, ouvi a água de novo a encher o reservatório do autoclismo, onde cabem dez litros de fortuna líquida.

No dia seguinte ainda fiz um teste e concluí que um copo de água dá para seis bochechadas – isto é, para a família toda mais um convidado. Ou seja, para poupar água, o melhor é eliminar as torneiras.

RICARDO GARCIA

IN "PÚBLICO"

O que os cientistas descobriram no oceano parece coisa de ficção científica



Depois de 1200 anos, pesquisadores encontram a cidade egípcia de Heracleion que desapareceu misteriosamente!


Foi há 1200 anos que a cidade egípcia de Heracleion desapareceu, engolida pelas águas do Mar Mediterrâneo. Conhecida pelos gregos como Thonis, ela acabou sendo quase esquecida pela própria história – agora uma equipe de arqueólogos está escavando e desvendando seus mistérios.
O arqueólogo subaquático Franck Goddio e o Instituo Europeu de Arqueologia Marítima redescobriram a cidade em 2000 e, durante estes 14 anos, têm achado verdadeiras relíquias incrivelmente bem preservadas. Afinal o mito de Thonis-Heracleion era real, só estava ‘adormecido’ à 30 pés abaixo da superfície do Mediterrâneo, em Abu Qir Bay, no Egito.

Segundo Goddio, Thonis–Heracleion provavelmente foi fundada no século 8 a.C. — antes mesmo de Alexandria — e era o porto de entrada ao Egito para todas as embarcações provenientes da Grécia. Além disso, a cidade também tinha importância religiosa, graças à presença de um grande Templo de Amon e Khonsou. Mas, por volta do século 8 d.C., devido a uma série de catástrofes submarinas, Thonis –Heracleion acabou afundando completamente.

Durante todos esses séculos, embora se soubesse da existência da cidade devido a registros históricos e algumas inscrições encontradas por arqueólogos, nunca alguém havia encontrado qualquer vestígio do porto. No entanto, após 14 anos de trabalhos, a equipe liderada por Goddio conseguiu resgatar inúmeros artefatos, assim como descobrir mais sobre a história dessa importante localidade.

Além de joias, moedas, objetos ritualísticos, peças de cerâmica e majestosas estátuas, os arqueólogos também encontraram mais de 700 âncoras e aproximadamente 60 embarcações naufragadas. Você pode conferir alguns dos incríveis artefatos descobertos nas imagens e vídeos a seguir:

VÍDEOS


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Que espetacular não?? ficamos fascinados com o trabalho dos arqueólogos, eles dedicam boa parte de suas vidas para que nós possamos conhecer mais sobre o nosso passado.


creativeartbr.blogspot.pt

ELA DÁ VIDA E COR A ESPAÇOS URBANOS

Pinturas que parecem ter vida própria


A artista Mona Caro, de São Francisco, leva mais vida e cor a espaços urbanos ao reproduzir elementos da natureza por meio de pinturas. Com o trabalho, que recebeu o nome de "Weeds", ela cobre muros e paredes com ervas e flores. E para deixar ainda mais clara a vivacidade de sua produção, ela fez o vídeo abaixo:




As intervenções fazem sucesso no mundo inteiro. Além dos Estados Unidos, Mona já reproduziu seus murais em cidades da Índia e da Suíça. Segundo ela, trata-se de uma homenagem à resiliência de todos os seres que, mesmo que ninguém abra espaço para eles, conseguem sobreviver em meio à selva de pedra.

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CINCO CIENTISTAS ESTRANHOS



Alguns deles são bem estranhos como os cientistas que vamos falar logo abaixo. 
Se você gosta desse mundo da ciência, de estar sempre informado sobre as criações de cientistas e gosta de saber um pouco mais sobre eles, separamos uma lista com os cinco cientistas mais estranhos e bizarros. Confira:

Cientistas estranhos e bizarros

1- Alfred Nobel (1833-1897)

Alfred Nobel
Nobel era um engenheiro sueco e também químico. Sua especialidade era inovar e inventar armas. Ele foi o responsável pela criação da dinamite e de outros explosivos. Sua criação começou a ser usada para ocasionar assassinato em massa e até mesmo o seu irmão foi vítima de um desses assassinatos por conta da sua invenção explosiva.

2- Dr. Jack Kevorkian (1928-2011)

Dr. Jack Kevorkian
Quem se lembra do Dr. Morte? Isso mesmo, esse é o Dr. Jack Kevorkian que foi responsável pela criação da eutanásia, conhecida como “máquina do suicídio” ou Thanatron. Dr. Jack dizia que a sua especialidade era a morte e ele sentia prazer ao ajudar os doentes terminais a morrem de forma não dolorosa.
O título de Dr. Morte veio após cerca de 130 pacientes morrerem por meio de sua invenção, que foi considerada uma forma de suicídio. Dr. Jack discordou do termo e antes de morrer disse que “morrer não é um crime”.

3- Joseph Mengele (1911-1979)

Joseph Mengele
Já que estamos falando em Dr. Morte, temos um outro cientista que também poderia merecer esse título, já que Joseph Mengele foi o responsável pela morte de 40 mil prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz apenas para experimentos. Ele examinava as pessoas do campo de concentração e logo depois aplicava-lhes uma injeção letal para mata-las e por meio disso, analisa-las e tentar conseguir descobrir algo interessante no pós-morte.

4- Shiro Ishii (1822-1959)

Shiro Ishii
Shiro Ishii era um microbiologista e também tenente-coronel em uma unidade de guerra pertencente ao Exército Imperial Japonês. Shiro realizou diversos crimes biológicos, entre eles a vivissecção em mulheres, onde ele congelava partes do corpo das mesmas para depois descongelar e estudar sobre a gangrena não tratada.
Além desse experimento, Shiro também aplicava vacinas nos prisioneiros para poder estudar o efeito causado. Algumas pessoas também foram usadas por Shiro para testes de granadas e lança-chamas.

5- Paracelso (1493-1541)

Paracelso
Enfim um cientista que não usou de seu experimento para matar e sim para curar. Paracelso ficou conhecido como o médico da saúde e tinha uma certa habilidade para estipular doses de medicamentos de forma precisa para obter a cura das doenças. Ele acreditava que todas as substâncias poderiam ser veneno, mas que se usadas na medida correta, seriam remédios.
Um dos estudos de Paracelso foi sobre a cura da sífilis, onde ele usou mercúrio para esse experimento e obteve resultado. Nessa época, houve um alto índice de pessoas com sífilis e Paracelso com o seu experimento, contribuiu para a cura e ficou conhecido por todos, tendo fama de ser o responsável por descobrir a cura da doença.
mundopocket.com.br

PARA OS MEDIA NA POLÍTICA SÓ EXISTE O PS, O CDS E O PSD ! AQUI FALA-SE DE INDECISOS MAS NAS ENTREVISTAS TUDO GIRA SEMPRE À VOLTA DO PS E DO PSD PRECISAMENTE OS CULPADOS DO DESCONTENTAMENTO DO POVO - VOTAR ? EM QUEM ? AS RAZÕES DOS INDECISOS E O QUE PODE AJUDÁ-LOS A DECIDIR





São os protagonistas destas eleições legislativas. Queixam-se de falta de alternativas credíveis e promessas não cumpridas. Mas ainda admitem ser convertidos.
“Descrença total”, receio de dar dinheiro aos partidos mediante o voto depositado na urna e a desconfiança generalizada nos partidos e nos perfis são alguns dos motivos que fazem com que muitos eleitores ainda não saibam em quem vão votar. São os chamados indecisos e, segundo algumas sondagens, representam cerca de 20% da população portuguesa. Serão os verdadeiros protagonistas das eleições legislativas de 4 de outubro e é neles que tanto a coligação Portugal à Frente como o PS estão centrados.
Mas porque é que não sabem se vale a pena ir votar? E porque têm dúvidas em sobre qual é o partido que os representará melhor? E o que os ajudaria a tomar uma posição?

As razões dos indecisos

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Muitas pessoas alegam que a proximidade entre os dois partidos e a dificuldade de uma clara maioria – e possível necessidade de coligações pós-eleitorais -, as deixa divididas entre o voto útil, ou seja, contribuírem para uma força política do arco da governação ou votarem num pequeno partido que pode eleger poucos ou nenhuns deputados. “Ainda não consegui decidir se vou optar pelo chamado voto útil, ou escolher um partido que se aproxime mais daquilo que acredito que o país precisa, mesmo sabendo que não terá possibilidade de chegar ao Governo”, disse ao Observador um dos 20 indecisos inquiridos. A falta de alternativa à esquerda, assim como a pouca distância ideológica entre o PS e a coligação, são também causadoras do sentimento de falta de alternativa nos indecisos.
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Após 39 anos de eleições legislativas, as promessas dos partidos convencem cada vez menos os eleitores. “As promessas que seduzem o voto nunca são cumpridas”, acusa um dos indecisos que falou com o Observador – falámos com pessoas dos dois sexos e em diferentes faixas etárias. O discurso dos partidos, segundo os inquiridos, parece estar afastado da sua prática e essa lembrança torna-se mais clara em momentos de campanha eleitoral, em que as promessas servem de bandeira.“Há uma elevada probabilidade de não correspondência entre as medidas propostas nos programas eleitorais e as medidas efectivamente concretizadas aquando da governação”, afirma outra inquirida. “Precisaria de alguém coerente que apresentasse propostas tal e qual como elas são independentemente dos interesses eleitorais. “Precisaria de alguém que transmitisse uma verdadeira vontade de mudança e evolução sem promessas vazias, mesmo que isso implicasse medidas menos positivas“, afirma outro dos indecisos.
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Mais do que os próprios partidos, parece que um dos fatores que mais contribui para a indecisão no eleitorado português, são as figuras que dão a cara pelas forças políticas. Desconfiança, falta de credibilidade, “fraqueza” na afirmação das suas ideias e dúvidas sobre a competência para exercer o cargo de primeiro-ministro são alguns dos pontos levantados pelos inquiridos pelo Observador. Há ainda a questão da coragem. “Acho que ninguém tem ideias novas ou coragem para dizer que vai fazer o que de facto vai fazer quando lá chegar”,disse outro dos inquiridos. Uma das pessoas que relatou as suas dúvidas ao Observador disse mesmo: “Nenhum líder partidário me inspira confiança enquanto potencial PM, até pelas escolhas paupérrimas de quem os acompanha na liderança“.
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Esta será a raiz de todos os problemas falados acima. A crescente desconfiança no sistema político, é “uma característica geral”, alega o politólogo António Costa Pinto. “É esta grande desconfiança que faz com que pontos como a conjuntura no mês que antecede as eleições ou a personalidade do líder, se tornem tão importantes”, alega o investigador do ICS. Um dos indecisos que falou com o Observador disse mesmo que ainda não sabia se votaria ou não porque o seu voto significa maior financiamento para os partidos, já que estes recebem dinheiro para a campanha mediante o número de votos recebidos nas urnas.“Ainda nem sei se vou votar até não quero alimentar estruturas partidárias que pouco ou nada me representam com o dinheiro que o meu voto vai dar [em termos de subvenções] aos partidos”, afirmou. Segundo os resultados do último Eurobarómetro – que data de julho de 2015 -, 76% dos portugueses não confiam no Governo e 72% não confiam no Parlamento, números acima da média europeia.

Os desbloqueadores da decisão

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A polémica sobre os debates, com avanços e recuos por parte dos partidos, não afasta a vontade de ouvir melhor o que os partidos e os seus candidatos têm a dizer. Para vários inquiridos pelo Observador, os vários confrontos diretos entre os candidatos serão momentos que podem influenciar a sua decisão final. Para um dos inquiridos que afirma ser de centro-direita, “a profundidade e seriedade com que os políticos discutirem os problemas do país” pode desbloquear a decisão até dia 4 de outubro. Uma outra opinião recolhida pelo Observador de uma eleitora que é militante do PSD mas não concorda com a coligação pré-eleitoral com o CDS e com o programa, diz que os debates podem esclarecer.“Vamos ver o que debates trazem, gosto de política e estou atenta ao que se passa”, diz a inquirida.
António Costa Pinto considera mesmo que há uma correlação entre os debates e o destaque dado às campanhas nos meios de comunicação e a participação eleitoral. “É aqui que a personalidade do líderes e personalização dos candidatos a primeiro-ministro têm sido mais importantes”, confirma o investigador.
No Reino Unido, o projeto de investigação Qualitative Election Study of Britain analisou nas eleições de maio deste ano as reações de grupos de pessoas que viram os debates e de grupos de pessoas que viram apenas a cobertura mediática dos debates. As investigadoras Kristi Winters e Edzia Carvalho concluíramatravés desta experiência que quem viu os debates disse ter “aprendido”, descrevendo um estado de “satisfação”, enquanto que quem apenas viu a cobertura mediática manteve uma “postura negativa e cínica” face aos debates. Entre os pontos negativos referidos pelos dois grupos e que as investigadoras recomendam que sejam melhorados, estão as trocas de ataques pessoais entre os candidatos, a repetição das ideias em debates diferentes, os debates com muitos candidatos não são esclarecedores e alguns líderes parecem ter ensaiado as frases que vão dizer. Já em termos de resultados positivos, as duas investigadoras referem que “quem não consultou os programas dos partidos ficou a conhecer as propostas” e foi “uma forma de envolver as pessoas”. A maior parte das pessoas que participaram neste estudo afirmou que os debates são importantes e se devem manter.
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A insistência dos partidos em temas de Economia e Finanças não parece estar a ajudar os indecisos. Uma das pessoas inquiridas pela Observador disse que seria importante falar sobre questões como cultura ou educação. “Sinto a necessidade de assistir a um discurso mais completo e alargado a outros tópicos e sobre outras políticas, além das financeiras e económicas, por exemplo sobre a cultura, educação, saúde e investimentos específicos”, alega o indeciso, referindo que há medidas que um Governo poder tomar “que estão menos dependentes das questões financeiras”. O emprego é também um tema que interessa aos indecisos, especialmente um plano de emprego a longo prazo. Uma indecisa diz mesmo que “uma política de emprego a longo prazo e sustentável” vai ser essencial na altura de escolher em quem vai votar, identificando-se como pertencendo ao centro-esquerda. Também uma maior discussão sobre temas como euro ou Europa é um pedido dos indecisos já que a crise da imigração e o futuro político da União Europeia fazem manchetes em todo o mundo.
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O medo de uma vitória da coligação ensombra a escolha de muitos indecisos, mas ao mesmo tempo, muitos estão à espera para ver o que o PS vai fazer durante o período de campanha –“Indefinição no PS é o factor chave”, indicou um eleitor que ainda não sabe em quem vai votar. Apesar de António Costa ter decidido enviar missivas diárias aos indecisos, muitos inquiridos pelo Observador que dizem situar-se no centro-esquerda querem ver o secretário-geral do PS tem a oferecer, especialmente num cenário que não lhe dê maioria absoluta. “PS é verdadeira alternativa? Há incerteza quanto à solução governo se não tiver maioria absoluta. Se coliga à esquerda ou direita”, afirmou um dos inquiridos. E há pontos que o PS pode aproveitar: “Dar mais confiança na gestão da dívida e na vontade de fazer verdadeiras reformas poderia inclinar-me para votar PS”.
Segundo António Costa Pinto, apesar de os indecisos não terem uma relevância maior nesta eleição do que em outras, o facto de a coligação estar a recuperar face ao PS, faz com que António Costa olhe para os indecisos com maior atenção, reforçando a necessidade de os cativar. Os eleitores parecem corresponder mostrando-se intrigados pelos próximos passos do socialista.
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Para os eleitores mais jovens com quem o Observador falou, uma das principais reivindicações é que não conhecem as propostas concretas dos partidos para o futuro, nomeadamente no que diz respeito a uma política direcionada aos mais jovens. Embora o fosso entre a política e os jovens seja conhecido em Portugal, nomeadamente na participação da vida política e abstenção, estes jovens também admitiram que um dos seus principais motivos de indecisão se prendia com o facto de não terem lido os programas eleitorais. “Não li convenientemente, ainda, os programas de cada partido”, admite uma das jovens eleitoras com quem o Observador falou. Apesar do desconhecimento, todos os jovens eleitores indecisos afirmam ter votado nas últimas europeias e situam-se politicamente entre o centro e a esquerda. Caso também considere que não conhece as propostas dos partidos, consulte o guia eleitoral do Observador, com as principais medidas das forças políticas, e tenha acesso aos programas dos partidos.

Quem são os indecisos?

Para António Costa Pinto, os indecisos são em muito menor número do que aqueles que dizem não saber em quem votar. “Na realidade, a maior parte dos indecisos já tem ideia em quem vai votar. São normalmente pessoas que já votaram no PS ou no PSD e raramente se abstêm”, descreve o politólogo – a maior parte das pessoas que falou com o Observador disse ter votado nas eleições europeias em maio de 2014, embora alguns tenham referido que votam em branco. Embora a percentagem de indecisos varie consoante as sondagens, tanto em 2011 como em 2015 – até agora – os números situam-se à volta dos 20%:
grafico-indecisos
Este indicador faz com que Costa Pinto não considere que houve um agravamento no número de indecisos após os últimos quatro anos, considerando que o maior dilema para os indecisos é votarem num partido do centrão (PS ou coligação) ou optarem por não votar de todo, já que os eleitores que vão dar o seu voto aos partidos mais pequenos, já terão decidido.
Pedro Magalhães, investigador do ICS, analisou no seu blogalguns indicadores depois de Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar do PSD, dizer em entrevista ao Expresso que “a coligação tinha mais potencial de crescimento entre aqueles que ainda não decidiram em quem votar”. Olhando para vários estudos de intenção de voto pós-eleitorais, o politólogo concluiu “que as diferenças entre os ‘early deciders‘ e os ‘late deciders‘ nunca foram dramáticas, e nem sequer em 2002 serviram para mudar o desfecho principal. Em suma, está por provar que os tais ‘indecisos’ sejam tão decisivos como muita gente parece pensar”.










Comovente. As noivas adolescentes do Bangladesh - ATENÇÃO OS COMENTÁRIOS ÀS IMAGENS E O CABEÇAHO DESTA FOTOGALERIA É DA RESPONSABILIDADE DO EDITOR (ALGUNS DOS COMENTÁRIOS NA MINHA OPINIÃO SÃO DEMASIADO TENDENCIOSOS)



Cerca de um terço das mulheres são obrigadas a casar até aos 15 anos. Com imagens intensas, a fotógrafa Allison Joyce conta a história de três meninas que enfrentam esta dura realidade.

Nasoin Akhter casou-se aos 15 anos com um homem de 32. Mousammat Akhi Akhter queria esperar, mas a pressão social obrigou a que se casasse aos 13 com um homem de 27. Shima Akhter tinha também 13 anos quando deu o nó com um homem de 18. Se a tristeza tivesse um rosto, seria o de uma destas três jovens da região de Manikganj, no Bangladesh, que foram forçadas a casarem-se cedo demais.
E não são as únicas. O Bangladesh é um dos países com uma das maiores taxas de casamento infantil do mundo, que destroi e coloca em risco a vida de milhares de jovens. A fotógrafa norte-americana Allison Joyce conta a história de Nasoin, Mousammat e Shima, através das imagens intensas e rostos desolados que fazem transparecer a dura realidade do casamento infantil no Bangladesh.


De acordo com um relatório da Human Rights Watch divulgado em junho, 29% das jovens no Bangladesh casam-se antes dos 15 anos, e 65% antes de completarem 18. A maioria desiste da escola, e ao engravidarem entre os 15 e os 20 anos sujeitam-se a um perigo de vida duas vezes superior ao das mulheres com idade superior a 20 anos. As meninas que engravidam com menos de 15 anos correm um perigo de vida cinco vezes maior.

Por outro lado, a diferença de idades muitas vezes abismal entre as jovens e os seus maridos, coloca-as em risco de sofrerem abusos físicos e sexuais. Ainda assim, os pais das jovens acreditam que o casamento prematuro as “protege” do assédio sexual por parte de outros homens. Economicamente, os salários das mulheres são insignificantes quando comparados com os dos homens no Bangladesh.
* Texto editado por Helena Pereira

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observador.pt