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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ÚLTIMA HORA - TIROTEIO EM LOUISIANA

Pelo menos três pessoas, incluindo um policial de Louisiana foram baleados. Foram disparados tiros perto de uma loja de conveniência na cidade de Sunset, onde um impasse está em curso, informou a imprensa local.
O atirador  alegadamente barricou-se dentro da loja de conveniência, de acordo com WAFB News.
Dentro do mini-mart são oito pessoas que estão sendo mantidos como reféns  disse: porta-voz da polícia do estado de Louisiana Sgt. James Anderson disse ao The Advocate.



BAPTISTA BASTOS - OPINIÃO: O "DUETTINO"


A democracia está envolvida em papel pardo e não me parece que possa endireitar-se.
Passos Coelho afirma não ir aos debates na televisão, para as legislativas, se Paulo Portas não for convidado. Estamos em pleno reino do absurdo ou, pior, na insustentabilidade de uma birra que fere a legalidade do acto.
O ‘duettino’ mantém-se neste equilíbrio instável, porque assim o deseja o presidente do PSD, com a natural aquiescência do chefe do CDS. No caso de o capricho ter a aquiescência indesejada pela lógica e pela norma, a Direita obterá o parceiro de coligação como o segundo defensor das propostas conhecidas, e a Oposição terá outro adversário pela frente. Um escândalo e uma vergonha.
Passos é grande apreciador da conflitualidade inútil, e a quezília política costuma embrulhá-la em omissões e enganos, deixando atrás de si um rasto de pequenas indignidades. Não é só ele que fica amolgado na incredibilidade; a democracia está envolvida em papel pardo e não me parece que possa endireitar-se nos anos mais próximos. Esta nova arrochada, creio, apesar de tudo, que não pode passar na Comissão Nacional de Eleições. A admitir o ludíbrio, o PCP e os Verdes teriam de ser aceitos com a legitimidade de outra coligação, aliás mais antiga.
Há algo de psicanalítico nestas avançadas do inquietante ‘duettino’ que tem tripudiado sobre a democracia com a desfaçatez de quem goza de total impunidade. A crítica é esvaziada de sentido, ou está ausente dos jornais; os recalcitrantes são afastados; os comentadores de televisão não causam dano moral nem reflexão: são os relatores do óbvio, ao serviço do poder e do estipêndio. Nem no tempo do fascismo a subserviência atingiu tal grau de indignidade. E a Resistência tocava, transversal, a sociedade portuguesa.
Parece que o País está manietado com medo e com espanto. Os intelectuais recolheram-se à concha das suas vaidades e, ainda há pouco, um deles, antigo comunista, recebeu, sem pudor e sem integridade, trémulo de emoção, das mãos do dr. Cavaco um penduricalho que uma pessoa de bem recusaria com repulsa.
As coisas chegaram a tal nível que tudo parece admissível. A manobra enleada pelo ‘duettino’ desta aceitação quase total da pouca vergonha tornou-se banal. Mas ainda há quem não desista de combater esta teia reticular de infâmias. E aqui estão, para o que der e vier.


'Somos todas democratas, não é o véu que faz a diferença': conheça a vida das mulheres na Tunísia pós-revolução





Diferenças de condição entre as tunisianas refletem um país dividido no plano político e marcado pela oposição entre norte laico e moderno e sul tradicional e religioso: 'batalha foi ganha nos textos, não nas mentalidades', diz ativista
"Tunisianas: revolução sim, retrocesso não": protesto de mulheres em agosto de 2012
Elas tinham a imagem de mulheres emancipadas, beneficiando-se desde a presidência de Habib Bourguiba (que governou entre 1957 e 1987) de um estatuto único na região. O Código do Estatuto Pessoal (CSP), adotado em 1956, tinha feito delas uma exceção no mundo muçulmano: direito ao divórcio e proibição da poligamia, do desquite unilateral e dos casamentos forçados. Elas votam desde 1959, podem abortar desde 1973 e várias se tornaram ministras. Zine al-Abidine Ben Ali vendia por toda parte essa imagem da mulher tunisiana.
Nos dias que se seguiram à queda de Ben Ali, em janeiro de 2011, foi necessário admitir que havia um abismo entre os textos e seus usos. A alguns quilômetros de Túnis e de suas brilhantes médicas, advogadas e empresárias, lutam para sobreviver mulheres analfabetas, cujo destino tem por nome pobreza, precariedade e violência. No contexto de uma economia vacilante, de conflitos sociais persistentes e de episódios sanguinários regulares, os tunisianos tomaram a medida do conservadorismo de sua sociedade. Em Túnis, nos meios liberais, não era possível avaliar até então a amplitude do fenômeno.
Poucas coisas mudaram nesses quatro anos, mas ao menos o direito de fazer política e de se expressar foi conquistado. Fala-se, respira-se, e isso é grandioso. Todos o dizem, ainda mais as mulheres: “Enfim, vemos a Tunísia como ela é. Identificamos os verdadeiros problemas. Essa liberdade tem facetas perversas, porque ela coloca em questão algumas de nossas conquistas, mas ao menos sabemos o que nos ameaça”, explica a socióloga Khadija Cherif, em referência à libertação de um discurso machista e frequentemente obscurantista.
Ninguém esqueceu que por um momento a questão tratava de inscrever na Constituição (adotada em janeiro de 2014) a “complementaridade” das mulheres com os homens, em vez da “igualdade”. Nem os propósitos retrógrados sustentados na televisão por um deputado do Ennahda, Habib Ellouze – atualmente afastado do partido islamita –, que falou da mutilação genital feminina como sendo uma “operação estética”.
Imersa na leitura em Monastir. Foto: Dennis Jarvis / Flickr CC
Imersa na leitura em Monastir. Foto: Dennis Jarvis / Flickr CC
“Fala-se das mulheres sem conhecê-las”
Esse discurso descomplexado é acompanhado da legalização dos partidos islamitas e do crescimento dos extremistas. A maioria das mulheres resistiu ao que considerava um perigo. Na eleição presidencial de dezembro de 2014, elas votaram maciçamente em favor de Béji Caïd Essebsi, tido como melhor protetor contra a insegurança e a ameaça jihadista que seu rival, Moncef Marzouki. Caïd Essebsi foi escolhido por 56% dos votantes, mas por 75% das eleitoras, segundo o instituto de sondagem tunisiano Sigma.
“As mulheres são mais do que nunca uma questão delicada na Tunísia. A batalha não está ganha. Ela foi ganha nos textos, não nas mentalidades”, observa Souhayr Belhassen, jornalista e presidente de honra da Federação Internacional dos Direitos Humanos no país. Assim que saímos das grandes cidades, descobrimos regiões que “nunca conheceram a modernização”, ressalta Emna Mnif. Para essa professora de Medicina envolvida no desenvolvimento de zonas carentes, a elite se recusa, desde a época do então presidente Bourguiba, “a ver que há outra cultura na Tunísia, mais conservadora que religiosa, e que seria preciso enfrentá-la”.
Mesma constatação de Amira Yahiaoui, diretora da associação Al Bawsala, que acompanha de perto o trabalho dos deputados. Há quatro anos, ela nota que “entre uma elite supostamente modernista e o resto”, em vez do diálogo, praticou-se “a exclusão e o desprezo, o que agravou o abismo entre as mulheres”. Com o trauma de seus 22 mortos, o atentado no Museu Nacional de Bardo, na capital tunisiana, em 18 de março desse ano, deu a impressão de ter atenuado a bipolarização da sociedade – a favor ou contra o Ennahda. Virada ou efeito conjuntural?
Não se trata de um retorno do patriarcado, mas de um enfrentamento surdo, algumas vezes declarado, entre dois modelos de sociedade: um, laico, que predomina principalmente em Túnis e em sua periferia norte; o outro, tradicional e religioso, que tem uma espécie de desejo de revanche com relação aos anos Bourguiba e Ben Ali.
Separadas por apenas 110 quilômetros, Béja encontra-se a anos-luz da capital Túnis. Além de incontáveis cegonhas, essa região agrícola do noroeste tem uma reputação: “São as mulheres que trabalham duro. Os homens estão desempregados, no café ou em casa”, repete-se. Para Hosni Abdel Karim, presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Béja, as “grandes esquecidas” da Tunísia são as mulheres das zonas rurais. E 34% da população vive no campo. “Em Túnis, fala-se das mulheres sem conhecê-las. Ninguém imagina as condições de vida das mulheres rurais, que carregam água e lenha”, dispara.
Aya_Chebbi_Photography / Flickr CC
Protesto em Túnis, capital do país, em janeiro de 2012, em defesa da revolução que tirou Ben Ali do poder 
Elas são cinco, curvadas, cavando um campo de ervilhas, a alguns quilômetros dali. Monia tem 30 anos, um irmão desempregado e uma velha mãe sob sua responsabilidade, e confessa que sua vida é dura. “Mas o que mais posso fazer, já que não sei ler nem escrever?”, pergunta em árabe, resignada. Alguns dias por mês, ela trabalha para um agricultor. Seu salário: 10 dinares (R$ 16) por dia. De pé todas as manhãs às 6 horas, ela se deita às 20 horas. “Algumas semanas, meu patrão me emprega; outras, não. Ele diz que até ele tem dificuldades.” Sua vida se parece com a das outras mulheres da região, ressalta Ichrak Gharbi, professora de Educação Física em uma escola de Béja, voluntária para dar assistência às mulheres rurais. “Por alguns dinares, elas fazem de tudo: o trabalho na lavoura, a ordenha, cuidar dos animais, o pão... Sem contar os trajetos, como o do gado, atrás de caminhões, sem proteção. Alguns homens se recusam a trabalhar por um salário tão baixo. Muitas mulheres, por sua vez, não têm escolha, mas, principalmente, elas valorizam seu emprego, pois isso lhes dá certa autonomia.”
Enquanto no sul cada vez mais meninos abandonam a escola, no norte são as meninas que são retiradas do sistema escolar para serem enviadas à lavoura. “Vejo pais venderem suas filhas de 13 anos como empregadas domésticas em Túnis”, diz Gharbi.
Mais ao sul, na região de Monastir, feudo das empresas têxteis – que representam 19% do PIB –, as mulheres também não têm sorte. As fábricas estão fechando, uma atrás da outra. Nas cidades de Ksar Hellal e Ksibet, cerca de 7.500 pessoas ficaram desempregadas nos últimos anos; em 86% dos casos, mulheres.
Depois de dez ou vinte anos, o empregador – frequentemente o grupo têxtil belga Jacques Bruynooghe Global, fornecedor principalmente da H&M e da Zara – demitiu suas operárias do dia para a noite. Muito pouco qualificadas para encontrar outro emprego, as mulheres tentam sobreviver, esperando a hora de uma aposentadoria miserável. “Tenho 42 anos, dois filhos e uma doença laboral. Dizem-me que na minha idade não sou rentável. Não tenho a menor cobertura social”, suspira uma delas. “Encontrei um novo trabalho, mas não é registrado. Eu só era paga por um mês a cada três. Como reclamei, meu patrão respondeu: ‘Você bem que aceitava ser explorada por um belga. E por mim, que sou tunisiano, você se recusa?’”, relata por sua vez uma mãe de quatro filhos. Segundo as estatísticas oficiais, as mulheres só ocupam um quarto dos empregos. Em 2014, o desemprego no país atingia 12,7% dos homens e 22,5% das mulheres. A taxa de desemprego chegava a 21,2% dos diplomados masculinos de ensino superior e a 40% das diplomadas.
Em Ksibet, localidade de 25 mil habitantes, o sentimento geral é de que “tudo regrediu depois da revolução”. Aqui também se evocam as mulheres de Túnis com ressentimento. “As burguesas de La Marsa [estação balneária chique ao norte de Túnis] nos irritam com seus belos discursos”, solta Ibtihene, 28 anos, contadora. “Elas só representam a si mesmas”, acrescenta sua amiga Nejoua, professora de francês.
Roberto Faccenda / Flickr CC
Mulheres trabalham em tecelagem em Djerba, cidade no sudoeste da Tunísia
Uma usando véu, a outra, não, as duas jovens mulheres se unem, no entanto, às “burguesas de La Marsa” para reclamar a igualdade em matéria de herança. “Não é justo que os meninos herdem duas partes, e as meninas, uma só”, estimam. Mas como o Corão é explícito sobre esse ponto, o poder nunca pode legislar sobre essa questão. Voluntária em um centro de acolhida para mulheres, Nejoua se preocupa, por sua vez, com o aumento da violência contra mulheres. “Uma em cada duas sofre violência física, segundo nossas pesquisas.”
Ainda que o sul não seja rico, as mulheres estão convencidas de que ali vivem melhor. “Aqui, os homens são trabalhadores”, dizem sorrindo. Em Zarzis, cidade costeira no sudeste do país, como em Medenine ou Djerba, na mesma região, os véus e os vestidos longos são a norma. Todas comemoram o fato de poderem usar livremente o véu islâmico, sem que ele seja arrancado à força pela polícia, como na época de Ben Ali. “Um sofrimento”, recordam-se, antes de lembrar o assédio sofrido pelas famílias de islamitas e os controles na delegacia, até oito vezes por dia. Nas eleições legislativas, a região se manifestou. Enquanto a Tunísia em sua maioria repudiava o Ennahda, o sul conservador votava maciçamente no partido islamita.
Presidente de dezembro de 2011 a dezembro de 2014, Marzouki, cujo simples nome suscita em Túnis o rancor e a raiva por causa de sua suposta frouxidão em relação aos islamitas, é adulado no sul. “É um doutor, um homem honesto. Sentimos sua falta”, afirma Nafissa, cerca de 40 anos, de jeans, véu roxo nos cabelos. Essa professora de Medenine, divorciada, é feliz, a despeito de um ambiente difícil: clima rude, sol desértico, ausência de transportes... “Eu me sinto bem aqui, tenho o apoio de meu pai. A solidariedade familiar compensa o resto”, diz.
Em Djerba, não muito longe do vilarejo de El May, é dia de festa na casa de Nour el-Houda. Sua prima está se casando. As mulheres e meninas vestiram suas roupas tradicionais. Todas estão de véu. “Antes da revolução, nada me interessava. Agora, trabalho no ateliê de tecelagem do meu marido e logo vou me tornar a chefe!”, clama Ferdaous, 30 anos, gargalhando. Até 2011, os maridos temiam a mínima iniciativa de suas esposas, por medo de atrair represálias do poder. Usar o véu ou militar em uma associação eram audácias proibidas. Ferdaous insiste: “Agora tenho carta branca, e tenho orgulho disso!”. El-Houda, cerca de 40 anos, também se impôs a seu marido, envolvendo-se com paixão no meio associativo. Ela se iniciou na internet e agora propõe às mulheres formações “para aproximá-las de seus filhos”. Aqui, como em todo o país, as mães temem a tentação jihadista para seus filhos. Cada localidade forneceu seu contingente ao Estado Islâmico. Ferdaous conhece pessoalmente quatro jovens que partiram para a Síria. Um deles morreu. “Não entendemos. Eram pessoas ‘normais’, não extremistas.”
Durante os 24 anos em que Ben Ali esteve no poder, Besma Jebali recusou-se a votar. Hoje, ela é deputada pelo Ennahda de Djerba. Se alguma coisa irrita essa mulher dinâmica, diplomada em Gestão de Recursos Humanos, são as etiquetas distribuídas em Túnis: de um lado, as mulheres “ditas democratas, que não usam véu”; do outro, as de véu, acusadas de defender um “projeto de sociedade atrasada”. “Somos todas democratas, e não é o véu que faz a diferença”, indigna-se. “O véu? É um hábito religioso que se tornou legal, não uma obrigação.”
Para ela, está fora de cogitação deixar às mulheres de Túnis o monopólio da identidade tunisiana. “Se uma mulher levanta sua taça de champanhe e declara: ‘Represento a mulher tunisiana’, eu respondo: ‘Não, você faz parte de uma minoria. Você tem o direito de beber álcool e de viver em concubinagem, mas não imponha seu modelo!’.”
Essa linguagem preocupa em Túnis, onde o Ennahda é frequentemente relacionado – de boa ou má-fé – aos extremistas salafistas. Poucos imaginam que o partido islamita possa ter evoluído. “São mentirosos. Eles têm um duplo discurso”, acusam.
Qual é o remédio contra o obscurantismo? Em Túnis, todos salientam a urgência de reformar a educação, setor abandonado depois dos anos Ben Ali. “Minha prioridade? A infância! Noventa por cento dos jardins de infância hoje são do setor privado, mais frequentemente associações ou escolas corânicas, sem inspeção nem controle”, declara Samira Maari, ministra da Mulher e da Família.
Ainda há um trabalho considerável por fazer, em todos os níveis do ensino escolar e universitário. “A força do país, nos anos 1970, se devia a seu nível de educação. Hoje, o patamar de degradação de nossas universidades constitui minha principal angústia”, confessa o ex-presidente Marzouki.
Nesse contexto, muitos temem que o modelo de sociedade tradicional persista. “As mulheres desenvolveram um modo de vida que se acomodou às exigências islamitas. Não vejo isso como um modo ou como algo que oculta a miséria, mas como algo de profundo, que não vai desaparecer com o tempo”, preocupa-se Neila Chaabane Hamouda, antiga secretária de Estado da Família. É preciso combater esse modelo de frente, em função do risco de recaída no sistema salafista? Em Túnis, a resposta é sim. Em outros lugares, considera-se essa abordagem contraprodutiva, em razão das crispações que ela provoca.
Por enquanto, as tunisianas concordam em um ponto: “Somos lutadoras e não deixaremos nos impor o que quer que seja”, afirmam de norte a sul.
Matéria original publicada na revista Le Monde Diplomatique.

operamundi.uol.com.br

O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra Leia mais em: O poço petrificante de Knaresborough que transforma objectos em pedra -












Localizado nas margens do rio Nidd, próximo a Knaresborough, em North Yorkshire, existe um místico poço que converte objetos em pedra. Qualquer objeto tocado pelas águas do gotejamento do poço, folhas, paus, aves mortas, e mais, naturalmente viram pedras dentro de alguns meses! Por muitos séculos, os moradores acreditavam que o Poço Petrificante era amaldiçoado pelo demônio, um mito alimentado pelo fato de que uma lateral do poço parece com o crânio de um gigante. As pessoas tinham medo de tocar a água e se transformarem em pedra também.


































O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
Alguns aventureiros deixaram objetos do cotidiano perto da cachoeira, apenas para testemunhar a transformação ocorrer ao longo das semanas. Algumas destas relíquias podem ser vistas ainda hoje, como uma cartola vitoriana e uma touca de uma senhora de 1800, ambos convertidos em pedra sólida. Mais recentemente, as pessoas começaram a deixar ursos de pelúcia, chaleiras, e até mesmo uma bicicleta, com resultados semelhantes.
O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
Mas a história mostra que o poço nem sempre foi conhecido por suas qualidades petrificantes. A mais antiga referência conhecida vem de John Leyland, antiquário de Henry VIII. Em 1538, ele escreveu que as pessoas acreditavam que o poço tinha propriedades curativas milagrosas. Muitos se banhavam sob suas águas buscando a cura de várias doenças.
O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
No início dos anos 1600, um médico examinou amostras de água e concluiu que ela propiciava uma cura milagrosa para "qualquer fluxo corporal". Mas como os moradores começaram a observar que os objetos lentamente se transformavam em pedra, a reputação do lugar degringolou.
O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
Outra razão para o descrédito crescente do poço foi que Mother Shipton, a filha de uma prostituta local, nasceu em uma caverna perto do local. A história conta que esta mulher parecia o cão chupando manga. Enquanto a mãe era lindíssima, a filha criou o horror desde o nascimento, tanto que as pessoas acreditavam que o pai dela era o próprio capeta. Quando ela cresceu, a estranha mulher supostamente passou a exibir poderes psíquicos e teria mesmo profetizado com clareza o Grande Incêndio de Londres em 1666, a derrota da Armada Espanhola em 1588, e até mesmo a invenção dos telefones celulares.
O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
Em 1630, a área de concessão da Royal Forest, que continha o poço, foi vendido pelo rei Charles I para um cavalheiro local chamado Sir Charles Slingsby. O poço ficou ridiculamente popular, então, assim que Slingsby começou a cobrar os visitantes por visitas guiadas, sem querer criando a primeira atração turística da Inglaterra.
O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
Eventualmente, os cientistas modernos analisaram amostras da água do Poço Petrificante, desbancando a lenda que o rodeava desde os primórdios: a água contém um elevado teor de mineral que forma um revestimento em torno dos objetos. Com a exposição prolongada, o revestimento criaria um casca mineral dura, muito parecida com as estalactites e estalagmites, mas a um ritmo muito mais rápido. Na verdade, os níveis de calcita na água são tão elevados que os visitantes são proibidos de bebê-la.
O poço petrificante de Knaresborough que transforma objetos em pedra
Turistas que visitam o poço na atualidade são tratados com a visão de vários objetos amarrados ao lado dele, lentamente sendo petrificado sob suas águas em cascata. Pequenos ursos de pelúcia são regularmente abandonados sob a água, e uma vez solidificados, são vendidos em lojas de souvenires nas proximidades.

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- "Quando eu vi as ursos de pelúcia petrificados pendurados sob a cachoeira, juntamente com roupas, chapéus, sapatos e até mesmo um guarda-chuva, eu percebi que estava observando um espetáculo geológico incrível", conta Monty White, um turista, em seu blog- "Os bichinhos de pelúcia demoram entre três e cinco meses. Os artigos maiores porosos podem levar de seis a doze meses. Os itens não-porosas, como uma cartola ou capacete de bombeiro podem demorar até 18 meses para serem envoltos em pedra".


 http://www.mdig.com.br

Marinho e Pinto continua no Parlamento Europeu se falhar eleição para deputado



O ex-bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto, é o principal candidato às eleições legislativas do Partido Democrático Republicano (PDR), pelo círculo de Coimbra. É o círculo da cidade onde reside, mas provavelmente um dos mais arriscados para ser eleito. Se isso vier a acontecer, e apesar de ter várias críticas a apontar ao funcionamento da eurocâmara, Marinho e Pinto não vai deixar Bruxelas e Estrasburgo.
O líder do PDR diz ao jornal i que o Parlamento Europeu “não é um verdadeiro parlamento”, mas não vai abandonar o mandato de eurodeputado caso não consiga ser eleito nas eleições de 4 de Outubro.

"Não tenho razões para sair, apesar de ter sido uma desilusão", assume. "Deve ser o único parlamento do mundo onde os deputados não podem fazer propostas. Não é um verdadeiro parlamento", critica, em declarações ao jornal i.

Marinho e Pinto já se tinha insurgido contra o vencimento que é atribuído aos eurodeputados, que "pode chegar aos 17 mil euros", caracterizando-o de "vergonhoso". Na altura, apesar das críticas, o ex-bastonário também se recusou a abdicar desse salário: "Eu sou pobre, preciso do dinheiro, tenho uma filha no estrangeiro".

A campanha do PDR será "semelhante à que a oposição democrática fez antes do 25 de Abril", antecipa, porque "os métodos que as maiorias utilizam são semelhantes aos métodos que a ditadura fascista utilizava para segregar aqueles que ameaçavam a sua sobrevivência".

Quanto ao risco de se candidatar em Coimbra, Marinho e Pinto assume-o, mas diz que "toda a vida" correu riscos. "Vivo e trabalho em Coimbra há 45 anos. Se for eleito deixarei o Parlamento Europeu com todas as mordomias e assumirei o lugar de deputado na Assembleia da República", promete.

VÍDEOS E IMAGENS - Dois jornalistas mortos em direto nos EUA - O AUTOR FEZ VÍDEO DO CRIME E JÁ SE TERÁ SUICIDADO
























Repórter e operador de câmara foram baleados enquanto faziam um direto para um noticiário televisivo de uma estação de TV local, em Virgínia. Autor dos disparos está a monte


Dois jornalistas foram mortos a tiro esta manhã, em Moneta, no estado norte-americano de Virgínia, enquanto faziam um direto para um noticiário televisivo. Alison Parker, 24 anos, e o operador de câmara Adam Ward, de 27, foram atingidos por um homem que fugiu e continua a monte. Uma terceira pessoa ficou ferida.
A polícia não tem, por enquanto, qualquer explicação para o crime, que está sob investigação. Sabe-se apenas o que a própria filmagem mostra, quando, cerca das 6h45 locais (11h45 em Lisboa) um homem se aproximou da Praça Bridgewater, disparando vários tiros, no momento em que a equipa da WDBJ7, uma estação local, gravava o direto. Começam por ouvir-se gritos, depois a câmara cai, descreve o “The Guardian”, passando a emissão para o estúdio, onde os colegas foram incapazes de conter a aflição e o estado de choque.
A repórter acabara de iniciar uma entrevista sobre turismo, num centro comercial. As imagens captadas ainda mostram fugazmente o atacante, vestido com calças pretas e uma camisola azul. Quanto à mulher que dava a entrevista, embora atingida, sem que se saiba a extensão dos ferimentos, sobreviveu.

Segundo adianta o diretor-executivo da estação, Jeff Marks, citando a informação dada pela polícia, “alguém armado, que se pensa ser um homem, infiltrou-se onde os jornalistas filmavam e disparou seis ou sete tiros”, fugindo em seguida. “Foi-nos descrito um cenário de caos”, acrescentou.
Licenciada em 2012 pela Universidade de Madison, Alison Parker tinha celebrado o seu aniversário há pouco tempo e namorava um colega, Chris Hurst, que através do Tweeter partilhou o que até aqui tinham mantido mais ou menos em segredo: estavam juntos há nove meses, felizes e a viverem juntos atualmente.






Já Adam Ward, cujo empenho e profissionalismo os colegas destacam, estaria de saída da estação, para acompanhar a namorada, ex-produtora da WDBJ7, que se mudara recentemente, depois de ter aceite um novo emprego.

De acordo com o governador da Virginia, Terry McAuliffe, citado pela “BBC Nws”, o autor dos disparos pode ter sido um funcionário descontente, estando afastada a hipótese de se tratar de um ataque terrorista.

VÍDEOS

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VÍDEO cmtv
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Mão de obra escrava nos cárceres dos Estados Unidos


Mão de obra escrava nos cárceres dos Estados Unidos
por Anahi Rubin/Resumen Latinoamericano/Telesur
"A esta altura da nota, o leitor se perguntará como estas corporações obtém tanto dinheiro. Como qualquer outro negócio, necessitam “clientes” que povoem as prisões. 50% provêm dos consumidores e vendedores de entorpecentes e outra grande porcentagem é formada por imigrantes sem documentação – 400.000 são detidos por ano. O Congresso formulou uma cota que requer que o Departamento de Segurança Interna assegure 34.000 pessoas por dia nos centros de detenções por violações migratórias.
Além de pessoas que ocupem os cárceres, precisam de políticos que aprovem leis para promover todos estes encarceramentos. Como retribuição, os ditos políticos recebem milhões de dólares. Por outra parte, os estados se comprometem para que as prisões privadas tenham entre 95 e 100% de ocupação; se a meta não é cumprida, o estado tem que pagar."
Os Estados Unidos possuem 2.300.000 pessoas privadas de liberdade, a população carcerária mais extensa do mundo. Com apenas 5% da população mundial, este país tem 25% dos presos do mundo.
Centro do capitalismo mundial, sabe muito bem como usufruir e aumentar a mais valia a seu nível máximo. Trabalhos com baixos salários, profissionais que trabalham sem benefícios, pessoas sem documentos submetidas a todo tipo de explorações formam parte do dia a dia.
O que muita gente não sabe e os grandes meios ocultam é a nova forma de exploração, que é exercida sobre pessoas reclusas nas prisões deste país.
Com a mudança das leis nos anos 80, a punição e a reclusão por uso e venda de drogas foram recrudescidas, fazendo com que o número de prisioneiros encarcerados por estas causas aumentasse em 11%. Assim, as prisões federais viram cheias a sua capacidade, dando desculpas para o surgimento da abertura de prisões privadas e, com isto, a explosão de um dos negócios mais rentáveis dos últimos anos.
Durante os governos de Ronald Reagan e George Bush, a abertura destas prisões foi iniciada. Com Bill Clinton, o negócio foi afiançado. Atualmente, existem 100 prisões privadas distribuídas em todo o território americano. As duas Corporações que se destacam neste grupo são: Corporations of América (possui 66 cárceres, com 91.000 prisioneiros e lucros anuais de 1.700 milhões de dólares) e Geo (65 prisões, 65.700 detidos e 1.600 milhões em lucros). Estes dois grupos aumentaram em 46% seus lucros, entre os anos de 2007 e 2014.
A esta altura da nota, o leitor se perguntará como estas corporações obtém tanto dinheiro. Como qualquer outro negócio, necessitam “clientes” que povoem as prisões. 50% provêm dos consumidores e vendedores de entorpecentes e outra grande porcentagem é formada por imigrantes sem documentação – 400.000 são detidos por ano. O Congresso formulou uma cota que requer que o Departamento de Segurança Interna assegure 34.000 pessoas por dia nos centros de detenções por violações migratórias.
Além de pessoas que ocupem os cárceres, precisam de políticos que aprovem leis para promover todos estes encarceramentos. Como retribuição, os ditos políticos recebem milhões de dólares. Por outra parte, os estados se comprometem para que as prisões privadas tenham entre 95 e 100% de ocupação; se a meta não é cumprida, o estado tem que pagar.
Entre as tarefas realizadas pelos presidiários está a de trabalhar. Não seria ruim caso fosse parte de um programa de reabilitação e beneficiaria a pessoa. Porém, na realidade, os que mais se beneficiam são as grandes empresas que possuem milhares de pessoas que realizam trabalho escravo, sem sindicatos, e benefícios de nenhum tipo.
Antes de 1970, era proibido que empresas privadas utilizassem reclusos para trabalhar. No entanto, em 1979, o Departamento de Justiça e o Congresso Norte-americano suspenderam a restrição. Nos últimos anos, existem 37 estados que permitem que os prisioneiros trabalhem.
Segundo o site Alternet.org, os presos federais recebem um salário um pouco maior, oscilando entre $0.23 a $ 1.23 por hora. São empregados pela Unicor, uma corporação do Governo, cujo principal cliente é o Departamento de Defesa. Mais de 20.000 reclusos trabalham nestes programas, fazendo coletes à prova de balas, capacetes, cabos para atirar mísseis (incluindo os que são utilizados nos mísseis Patriot durante a Guerra do Golfo).
Porém, nos últimos anos outras grandes corporações se incorporaram ao mercado penitenciário; como IBM, Motorola, Microsoft, Telecom, Target, Pierre Cardin, Macys. Entre 1980 e 1994, os lucros destas empresas aumentaram de $392 milhões a 1310 milhões de dólares.
Aproximadamente um milhão de internos trabalha em tempo integral nas prisões norte-americanas. Não têm muitas opções: no caso de não aceitarem, têm seus privilégios de uso de cantinas retirados ou são mandados às celas de castigo.
Porém, não apenas os reclusos são obrigados a trabalhar no interior das prisões. Algumas empresas ou indivíduos utilizam esta mão de obra para outras tarefas fora dos cárceres. Por exemplo, a companhia petroleira inglesa BP, tristemente célebre pelo desastre ambiental que provocou em 2011, quando ocorreu a explosão no Golfo do México, contratou presidiários do estado da Louisiana para tarefas de limpeza. Este estado possui a taxa de encarceramento mais alta da nação, sendo 70% constituída por afro-americanos.
As corporações descobriram quão vantajoso é contratar reclusos, não apenas pelos baixíssimos salários, mas porque se evitam problemas com os sindicatos. Em Wisconsin, os reclusos ocupam postos de trabalho que, anteriormente, eram desempenhados por trabalhadores que estavam sindicalizados. Talvez muitas empresas privadas já não necessitem ir aos países do terceiro mundo para estabelecer suas indústrias e contratar empregados a baixo custo, se neste país têm milhões de presidiários que ganham centavos. Segundo um informe da revista Perpective, em 1990, a Escod Indústrias preferiu Carolina do Sul ao invés do México, porque os trabalhadores exigiam mais dinheiro.
Sem mudança nas leis que criminalizam a imigração e penalizam os pobres, afro-americanos e latinos, estes negócios das grandes corporações continuarão crescendo em detrimento da justiça social e da liberdade.
Tradução e fonte : Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Ressuscita-me - A hedionda imagem expõe uma aberração absolutamente impublicável e um ódio sem medida que só pode brotar de uma alma necrosada, apodrecida.


Ressuscita-me
ESCRITO POR JUSTINO DE SOUSA JUNIOR 
"A hedionda imagem expõe uma aberração absolutamente impublicável e um ódio sem medida que só pode brotar de uma alma necrosada, apodrecida. Só a insanidade e/ou a mais completa ignorância podem justificar tamanha falta de senso. Não terão sido suficientes as lições deixadas por terríveis experiências de violências, de tortura, escravidão e extermínio, de campos de concentração e dizimação de povos e comunidades inteiros que deixaram na história caudalosos rastros de sangue?
Pois bem, o que poderia justificar a manifestação do cartaz? Ora, os governos petistas não fizeram nada demais, jamais ameaçaram os ricos, jamais questionaram a origem de suas riquezas e de seu poder, jamais indagaram sobre seus métodos de governar, ao contrário, procuraram se associar de maneira subalterna a eles, prestimosamente se ofereceram para colaborar com eles, trabalhar para eles, gerenciar seus negócios através de zelosa administração do Estado brasileiro.
Os governos petistas passaram longe de poderem ser caracterizados como governos populares, não fizeram nem ameaçaram fazer reformas sociais; cooptaram, desmobilizaram e enfraqueceram politicamente os setores mais organizados; desarmaram política e ideologicamente os trabalhadores."
Houve um tempo, não muito distante, em que cabelos brancos indicavam amadurecimento, razoável capacidade de discernimento, responsabilidade, respeito. A frase da canção de Nelson Gonçalves: "respeite ao menos meus cabelos brancos", ilustra bem essa relação. De maneira que não é menos do que aterrorizador ver essa imagem, que traz um cartaz no qual se lamenta que a atual presidente do Brasil não tenha sido “enforcada” (como foi o destino de Herzog e de outros muitos) pelo regime militar e por sobre o qual sobressaem os cabelinhos brancos de um vovô ou de uma vovó, como dizia Marx, em “odor de santidade”.
A hedionda imagem expõe uma aberração absolutamente impublicável e um ódio sem medida que só pode brotar de uma alma necrosada, apodrecida. Só a insanidade e/ou a mais completa ignorância podem justificar tamanha falta de senso. Não terão sido suficientes as lições deixadas por terríveis experiências de violências, de tortura, escravidão e extermínio, de campos de concentração e dizimação de povos e comunidades inteiros que deixaram na história caudalosos rastros de sangue?
Pois bem, o que poderia justificar a manifestação do cartaz? Ora, os governos petistas não fizeram nada demais, jamais ameaçaram os ricos, jamais questionaram a origem de suas riquezas e de seu poder, jamais indagaram sobre seus métodos de governar, ao contrário, procuraram se associar de maneira subalterna a eles, prestimosamente se ofereceram para colaborar com eles, trabalhar para eles, gerenciar seus negócios através de zelosa administração do Estado brasileiro.
Os governos petistas passaram longe de poderem ser caracterizados como governos populares, não fizeram nem ameaçaram fazer reformas sociais; cooptaram, desmobilizaram e enfraqueceram politicamente os setores mais organizados; desarmaram política e ideologicamente os trabalhadores.
Totalmente ao contrário do que alguns fazem crer, os governos petistas trabalharam para os banqueiros, para o agronegócio, garantiram altos lucros para as grandes corporações econômicas e financeiras. O que fizeram para o povo foi oferecer políticas de elevação do salário mínimo e de transferência de renda que eram tão necessárias quanto possíveis dentro da conjuntura econômica. Necessárias do ponto de vista das camadas mais pauperizadas, obviamente, mas, por outro lado, também muito úteis, pois ajudavam a dinamizar o mercado interno e a justificar o projeto estratégico em curso, que consistia essencialmente na promoção de generosos afagos ao capital.
Aquelas políticas ao lado de outras políticas focalizadas como a das cotas raciais emprestavam aos governos petistas, graças à diminuição real dos índices de miséria e pobreza e melhora da inclusão social, o emblema de bons governos. Noutras palavras, essas políticas eram necessárias, em última instância, para a governança capitalista, pois aquietavam os ânimos e as aspirações dos "de baixo" e seguiam na paralela de outras medidas que asseguravam altíssimas vantagens econômicas às corporações capitalistas.
Outro ponto muito destacado por manifestantes contrários ao governo Dilma é o da corrupção. Esse é um problema de fato do governo atual e dos governos petistas em geral, na medida em que é um aspecto endêmico da administração capitalista em todas as épocas e continentes. A corrupção é uma marca das administrações petistas como é uma marca da administração de todos os demais partidos da ordem e como será de qualquer partido de direita ou de esquerda que pretenda jogar plenamente o jogo da democracia burguesa e da administração capitalista.
O envolvimento de membros do governo ou do Partido dos Trabalhadores em casos de corrupção é apenas um grão de areia na vastidão da desonra nacional. O PT é apenas um estagiário, um aprendiz aplicado das lições dos mestres que controlam o cenário da política nacional desde tempos imemoriais. Desse modo, considerando que a prática da corrupção não é desvio ou exceção à regra, assim como é suja e promíscua a relação entre políticos, autoridades de diferentes setores do Estado e grandes empresas capitalistas, então que todos esses, aprendiz e mestres sintam, indistintamente, o peso da lei e da pressão popular.
O erro dos governos petistas não foi terem sido comunistas, terem sido de esquerda, ou pretendido imitar Cuba e Venezuela, coisas que definitivamente não fazem parte do seu horizonte. Seu erro foi justamente o de não terem sido aquilo que a história exigia que eles fossem: capazes de não apenas diminuir os índices da miséria econômica, mas de erradicar de uma vez por todas a miséria econômica, social, cultural, política e ideológica.
Depois de mais de uma década de administração federal petista o Brasil ainda apresenta índices de desigualdades assustadores. Não somos mais campeões mundiais de desigualdade social, título que possuíamos nos anos 1990, década dos governos de Collor, Itamar e FHC, mas continuamos figurando entre os países mais desiguais do mundo. Aqui ainda se mantém uma situação em que a parcela constituída pelos 10% da população do topo da pirâmide social é 42 vezes mais rica que a parcela da população constituída dos 10% mais pobres. Entre os 12 países mais desiguais do mundo, nossa situação só não é pior do que a da África do Sul - em que aquela proporção é de 49 vezes - e do que a de Honduras - em que aquela proporção é de 57 vezes (1).
O erro dos governos petistas foi exatamente não ter tratado a direita como direita, as elites como elites e terem tentado apagar os antagonismos de classes; foi não terem apontado exatamente onde estavam os malfeitos e os malfeitores; foi não terem apontado os responsáveis pela exploração secular das classes trabalhadoras e terem se aliado a eles e praticado seu jogo. Estava claro que tudo iria se voltar, cedo ou tarde, contra o próprio PT.
A pressão popular deve se acender, mas não para defender o indefensável, como a volta da ditadura, a intervenção ianque, ou qualquer tipo de violência ou retrocesso, mas para que avancem as políticas sociais a partir da redefinição das prioridades nacionais e do redirecionamento do fundo público para atender às reais e urgentes necessidades das maiorias sociais.
Que ressuscite a atividade popular para que “ninguém mais tenha de sacrificar-se por uma casa, um buraco (2)” e o Brasil possa curar suas chagas profundas e seculares para o bem de todo o povo.
Notas:
1) Ver artigo do professor Otaviano Helene “Concentração de renda no Brasil: Educação e desigualdade”, publicado no Le Monde Brasil, em 20/02/2015.
2) Frase extraída do poema O amor de Maiakovski, adaptado e musicado por Caetano Veloso.
Justino de Sousa Junior é professor do Programa de Pós-graduação em Educação da UFC.