AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sábado, 15 de agosto de 2015

OS ÚLTIMOS MINUTOS DE HITLER, O BUNKER, OS SÓSIAS, A MORTE

HITLER E GOEBELS COM HEINZ LINGE AO FUNDO


Viu o céu pela última vez a 20 de Abril. Dias depois decidia: “Prefiro meter uma bala na cabeça a abandonar Berlim.” E assim foi. “Esperem pelo homem que há-de vir”, disse na despedida.


Cerca de meia hora antes de disparar o tiro com que acabou com a sua vida, há 70 anos, Adolf Hitler recusou pela quinta vez em poucos dias abandonar Berlim. “Não”, disse a Goebbels, “a minha decisão é irreversível.” Depois despediu--se do seu ministro da Propaganda. Este poria fim à vida um dia depois do Führer. Goebbels, um dos mentores da Solução Final, foi o único do núcleo duro nazi que acompanhou o líder até à última hora: Himmler, Goering ou Ribbentrop, por exemplo, já há muito se tinham feito à vida. Eles e milhares de berlinenses que começaram a fugir assim que souberam que os soviéticos se aproximavam da capital alemã. A fuga intensificou-se a partir de 21 de Abril: “Milhares de pessoas deixaram a cidade em direcção a ocidente, de autocarro, de carro, de carroça, bicicleta ou a empurrar carrinhos de bebé. Uma massa humana teve de se deslocar a pé. Filas infinitas arrastavam-se para fora da cidade.” Entre estes milhares de fugitivos também se encontravam funcionários estatais e militares que, “munidos de documentos falsos, viravam costas a Berlim sem autorização.”

A descrição é baseada em relatos e anotações de dois homens que acompanharam de perto os últimos dias de Hitler, Heinz Linge e Otto Günsche. O primeiro pertenceu à guarda pessoal de Hitler desde 1935 e chegou a 1945 como chefe do serviço do pessoal do Führer. Já Günsche era desde 1943 o responsável pela agenda político-militar de Hitler. Foi a estes dois colaboradores que Hitler pediu que cremassem o seu corpo. Capturados pelos soviéticos a 3 de Maio, foram separados e interrogados separadamente de 1946 a 1949 pelos serviços secretos soviéticos (NKVD) no âmbito da Operação Mito, missão para reconstruir os últimos dias de vida de Hitler. Os seus testemunhos, lado a lado com a documentação recolhida pelo NKVD e com informações obtidas em vários interrogatórios a outros prisioneiros alemães próximos de Hitler levaram à elaboração do “Livro de Hitler”, o relatório final da Operação Mito, entregue a Estaline no final de 1949. Este relatório só recentemente ficou acessível, tendo Henrik Eberle e Mathias Uhl, historiadores alemães, editado uma edição traduzida e anotada do mesmo, cuja versão portuguesa chegou a Portugal pela mão da Alêtheia Editores. É esse livro, que abrange o período 1933-1945, que serve de base a esta síntese.
O último céu A 30 de Abril de 1945, Hitler já não via o céu há dez dias. E morreria sem voltas a vê-lo. A última vez que pôs os pés fora do bunker foi no seu 56.o aniversário, a 20 de Abril, e quase obrigado. Já muito debilitado, esmagado pela derrota iminente e por problemas de saúde que já se arrastavam há muito tempo, às 15h do dia do aniversário o líder do III Reich foi ao jardim por cima do seu refúgio receber felicitações de várias delegações. “Depois, cansado, Hitler levantou a mão direita e regressou ao bunker. Naquele dia Hitler viu o céu pela última vez.”.


 O BUNKER DE HITLER







A pressão russa sobre Berlim crescia a cada minuto que passava. “Os russos já estão assim tão perto?”, questionava o ditador um dia depois do seu aniversário. Os rumores de que Hitler estava prestes a sair da capital também iam crescendo, para alívio dos seus colaboradores mais próximos, desejosos de escapar da pinça soviética que se fechava sobre Berlim. Mas enganavam-se: o Führer foi rápido a desmentir os rumores da fuga iminente de Berlim mas permitiu que os elementos não essenciais abandonassem a cidade: “É evidente que todas as pessoas dispensáveis devem deixar Berlim. As minhas coisas pessoais e o arquivo militar devem ser levados para Obersalzberg [o ‘Ninho de Águia’, retiro de Hitler]. Comigo fica apenas o círculo mais restrito do meu estado-maior.” Este círculo só teria ordem para fugir a 30 de Abril, quando Hitler, já decidido a pôr fim à vida, redige as suas últimas ordens. Eram 8 horas. O seu estado-maior devia fugir do bunker em pequenas unidades e tentar juntar-se às poucas tropas alemãs que ainda combatiam, mas só depois de incinerarem os corpos de Adolf e Eva.
A ideia do suicídio Apesar de Hitler sempre se ter recusado a sair de Berlim, os colaboradores que se encontravam com ele na cidade alemã mantinham a esperança de que o líder acabasse por ceder.

As tropas nazis tinham em carteira um plano de assentar nos Alpes bávaros o último bastião defensivo do regime, mas o ditador nem quis ouvir falar dessa opção. Confrontado com o aumento das brechas na frente alemã e tendo já sido obrigado a trocar os mapas das frentes oriental e ocidental por mapas de Berlim e arredores nas reuniões com o seu estado-maior, Hitler aborda o tema do suicídio pela primeira vez num ataque de fúria contra os seus líderes militares – o enésimo de milhares. “Não posso continuar a comandar nestas condições”, gritou quando foi informado dos recuos sucessivos das unidades alemãs, empurradas pelos soviéticos. “A guerra está perdida! Mas, meus senhores, se acham que vou abandonar Berlim, estão muito enganados! Prefiro meter uma bala na cabeça!” Segundo os redactores do relatório para Estaline, mal foi proferida esta frase “gerou-se um caos indescritível! Muitos apressaram-se a beber uns goles de conhaque”. Hitler de seguida telefona a Goebbels e pede-lhe que se mude com mulher e os filhos para o bunker, pois estava tudo acabado. O suicídio passava à fase de planeamento.
enforcamentos e casamentos A 23 de Abril, dia em que a família Goebbels se muda para o bunker, Eva Braun, aproveitando o abrandamento dos bombardeamentos, pede a Heinz Linge que a acompanhe numa volta ao jardim por cima do bunker. Neste passeio, a companheira de Hitler admite a hipótese de suicídio, comentando com o futuro prisioneiro de Estaline “o desejo de morrer como esposa legítima de Hitler”. O desejo seria realizado numa cerimónia cinco dias depois. Mas enquanto a sua namorada pensava em casar, Hitler pensava na forca.

Os relatos sobre o crescente número de berlinenses a pôr bandeiras brancas e vermelhas às janelas para serem vistas pelas tropas soviéticas assim que entrassem em Berlim, assim como sobre a multiplicação de deserções e de militares escondidos – refugiaram-se em casa, escondendo tudo o que os associasse aos nazis – levou a que Hitler enviasse uma divisão das SS para os perseguir. “Dei ordens para que os culpados sejam mortos a tiro ou enforcados em lugares visíveis”, comunicou Goebbels. A divisão das SS acabou por prender um grupo de oficiais e soldados: foram enforcados na estação de Friedrichstrasse. “Ao peito foi-lhes pendurado um letreiro que dizia: ‘Estou aqui pendurado porque não cumpri as ordens do Führer!’”

O cerco soviético a Berlim fecha-se de 24 para 25 de Abril, noite em que o derrotado, deprimido e débil Adolf dá ordens para que se queime toda a documentação sensível que ainda está em Berlim. O tema do suicídio volta à mesa das reuniões de Hitler. O general que defendia o Sul da cidade dá um tiro na cabeça quando percebe que não travou o avanço soviético. “Por fim , um general com coragem”, saúda Hitler.

O plano de suicídio Nesta altura já o líder nazi tinha delineado a sua morte. Nos seus serões, que se arrastavam madrugada dentro, não falava de outra coisa. Um tiro? Veneno? Cortar as veias? Qual a melhor forma? Uma decisão difícil, portanto. “Na companhia de Fräulein Braun, vou matar-me diante do acesso ao bunker, no jardim da chancelaria do Reich. Não há outra saída. Traga gasolina para regar os nossos corpos e queimá-los. Em caso algum deverá deixar o meu cadáver cair nas mãos dos russos. Enviar-me-iam com prazer para Moscovo, onde me exporiam como no circo.” O pedido foi feito a Linge, que o respeitaria escrupulosamente. Martin Bormann, secretário pessoal de Hitler, pede--lhe nesta altura que entre em contacto com as forças norte-americanas para tentar um entendimento com os Aliados, que avançavam vindos de Ocidente. “Já não tenho autoridade para isso. Isso vai ter de ser feito por outro, no meu lugar. Esta é inevitavelmente a conclusão a que tenho de chegar”, rematou o líder do partido nazi, agora um homem “completamente transtornado” e que mal se aguentava de pé sem se apoiar com as mãos.

Os combates já estavam entretanto nas ruas de Berlim, com os soviéticos a penetrar em cidade adentro graças aos túneis de metro, onde se encontrava grande parte da população berlinense refugiada. “Hitler perguntou se podia ser usado gás fulminante nos corredores de metro”, tal como foi feito aquando do levantamento de Varsóvia – no Verão de 1944 e que durou 63 dias –, tendo também equacionado mandar inundar estes túneis, apesar do número de civis que lá se encontravam. As ideias encontraram muita resistência dos oficiais alemães reunidos com Hitler e acabaram por não ser postas em prática: a primeira porque os oficiais responderam não ter gás fulminante, a segunda provavelmente por desobediência.

Com as tropas russas já a avançar por Berlim, a capitulação tornou-se uma certeza quando a 27 de Abril foi sabido que uma ofensiva alemã para tentar quebrar o cerco tinha sido neutralizada. Neste dia já os soviéticos dominavam os subúr-bios e a periferia de Berlim, cidade reduzida a dois dias de mantimentos.

Já a uma distância relativamente curta do núcleo governativo de Berlim, os militares russos começaram a martelar o mesmo com os lança-mísseis Katyusha. A tomada do bunker estava iminente. A 28 de Abril foi comunicado a Hitler que os russos se encontravam perto da Wilhelmstrasse, a 1200/1300 metros da chancelaria do Reich, por baixo do qual se encontrava o refúgio. Estava na hora de cumprir e escrever os desejos finais.

Ainda a 28 de Abril, Adolf e Eva casam. “Saíram dos seus quartos de mão dada.” Hitler prendeu no casaco a insígnia de ouro do partido, a Cruz de Ferro de primeira classe e a condecoração por ferimentos em combate na Grande Guerra. Eva Braun estava com um vestido azul--escuro de seda e uma capa cinzenta. A cerimónia não durou 10 minutos e a noite de núpcias foi passada com Hitler a ditar o testamento a uma das secretárias. A 29 de Abril, com disparos a caírem ininterruptamente no bunker, Hitler decide que vai morrer com um tiro na cabeça. Já Eva Braun tomará cianeto. Para evitar surpresas, ensaia-se o cianeto na cadela de Hitler, Blondi: na noite de 29 para 30 de Abril, “a cadela foi envenenada na casa de banho”.
O último dia Sem conseguir dormir há   dias, dadas as explosões incessantes, às 8h da manhã de 30 de Abril, Hitler redige então a ordem para que todos os que ainda estavam no bunker fujam depois de o incinerarem. Relembrou que em caso algum o seu corpo devia cair em mãos soviéticas. “Os olhos de Hitler, que outrora irradiavam fogo, estavam extintos.”
Reuniu-se pela última vez com os colaboradores, “esboçou um gesto de despedida com o braço direito e deu meia volta”. Só ao início da tarde é que foram entregues no bunker dez latas com gasolina. Às 15h10 foi a vez de Eva Braun se despedir dos companheiros de refúgio. Magda Goebbels pediu-lhe para falar com o Führer uma última vez. Às 15h40, o casal Goebbels defende que ainda é possível tentar fugir de Berlim. “É irreversível!” No regresso aos aposentos, Hitler cruza-se com Linge. “Tenta avançar para ocidente, com um pequeno grupo”, recomenda-lhe. “Mas por quem havemos de avançar?”, questiona Linge. “Pelo homem que há-de vir!”, profetiza Hitler.

O casal Hitler fecha-se então na sala de trabalho do bunker. Passavam poucos minutos das 16h quando Linge, à porta da sala, declara: “Acho que acabou.” Entrou na sala e viu o seguinte quadro: “À esquerda, no sofá, estava Hitler, sentado. Estava morto. A seu lado, Eva Braun, também morta. Na têmpora esquerda de Hitler era visível uma pequena ferida de bala, do tamanho de uma pequena moeda. Duas gotas de sangue escorriam-lhe pela face.” Linge pegou em cobertores, embrulhou os corpos e estes foram incinerados à porta do bunker.

No dia seguinte foi a vez da família Goebbels. Primeiro Hilde, Holde, Helke, Heike e Heiner foram “suicidados” às 16h, com café envenenado. Só às 22h do mesmo dia é que Joseph e Magda tomariam o mesmo caminho. A 2 de Maio, Berlim rendia-se.

(i)

A morte de Adolf Hitler versão I


Gustav Weler, era assim que se chamava o sósia de Adolf Hitler, que morreu com um tiro na testa e que confundiu os Russos, fazendo-os pensar que era do Fuher que se tratava.
O cadáver do “sósia” foi enviado a Moscovo para análise e descobriram que o corpo era de um político alemão chamado Gustav Weler, executado com um tiro na testa, não se sabe a mando de quem. Acredita-se que tenha sido executado no dia 30 de abril com o objetivo de confundir o paradeiro de Hitler. 
 Hitler  possuía três sósias que a cerca de 8 metros de distancia eram muito parecidos com ele. O corpo que acreditavam ser de Hitler tinha um furo de bala na testa e meias costuradas [ninguém acreditava que Hitler usaria meias costuradas] além de ser cinco centímetros mais baixo que o Fuhrer.


Em abril de 1945 o horror e a ambição nazista davam os seus últimos suspiros. Berlim, cidade programada por Hitler para ser a capital de um império de mil anos, via-se cercada, do oeste vinham os exércitos dos aliados ocidentais, do leste os exércitos soviéticos. O festim final seria feito por quem chegasse primeiro.
No dia 2 de maio, os últimos alemães defensores de Berlim capitulavam diante dos soviéticos.Quando os soviéticos entraram no Bunker viram um cadáver de um homem com bigode o que  fez os soldados acreditarem por um momento que era de Hitler. Numa observação detalhada, concluíram que era um sósia do chefe nazista. Surgiu a suspeita de que Hitler teria fugido, eliminando o seu sósia.


As dúvidas sobre a morte de Hitler perdurariam por décadas

Dois corpos carbonizados e enterrados em uma cratera a três metros da porta do bunker são encontrados. Autópsias secretas são feitas, sem jamais serem reveladas ao mundo. Aqueles corpos eram de Adolf Hitler e da sua companheira Eva Braun, que se haviam suicidado momentos depois de se casarem.

As operações obscuras dos soviéticos, a omissão dos fatos, criaram lendas e dúvidas em torno da morte de Hitler. Por mais de uma década o FBI (Federal Bureau of Investigation), serviço de inteligência norte-americano, empreendeu uma caçada ao redor do mundo, perseguindo falsas informações que diziam que Hitler estaria a viver com um novo rosto nos Estados Unidos, no Japão, no Brasil, na Colômbia e, a hipótese mais investigada, na Argentina. Sem saber das autópsias, o próprio Stálin acreditava que o líder nazi estivesse vivo. 

As conclusões finais só viriam com o fim da União Soviética, em 1991, quando documentos secretos foram apresentados ao mundo. Em 2000, a parte superior de um crânio, atribuída a Hitler, foi a atração de uma exposição realizada em Moscou para comemorar os 55 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Alguns historiadores duvidaram da autenticidade do crânio, que segundo eles, só poderia ser confirmada mediante a análise do DNA. A dentição seria confirmada pelo legista alemão Mark Benecke, em 2003, em um documentário para o canal da National Geographic.



















Os Ultimos Dias

Os supostos últimos momentos de Hitler foram marcados pela tensão. No dia 29 de Abril recebeu a notícia de que o aliado e ditador fascista, Benito Mussolini, juntamente com a sua amante, Clara Petacci, tinham sido fuzilados e pendurados em praça pública, tendo os corpos mutilados.


Mussolini Morto
Mussolini Morto

















Hitler começou a executar o plano final da sua vida. Após testar o cianeto na sua pastor almão Blondi, chamou as secretárias, entregando-lhes cápsulas do veneno, caso quisessem usar quando chegassem as tropas russas.
Por volta das três da manhã do dia 29 de abril, Hitler casou-se formalmente com Eva Braun. Para realizar a cerimonia  Goebbels mandou vir um juiz municipal, Walther Wagner, que estava lutando em uma unidade da Volkssturm, a alguns quarteirões do bunker. A noiva começou a assinar a certidão de casamento como Eva Braun, mas deteve-se, riscou o B e escreveu Eva Hitler, nascida Braun. Bormann e Goebbels assinaram como testemunhas. 
Eva Braun






















Eva Braun foi amante de Hitler por mais de doze anos. Tornar-se esposa era um velho sonho de Eva, que o führer nunca lhe concedeu, pois tinha a convicção que um casamento iria atrapalhar a sua vida política e de líder do Reich. Já sem saída, à beira do fim, acedeu ao último desejo de Eva Braun. 

O sonho da jovem esposa duraria apenas trinta e seis horas.


A festa de casamento trazia uma atmosfera sombria, tendo como fundo musical às bombas sobre Berlim. Um cheiro a fumo provinha do exterior e deixava o ar do bunker quase que irrespirável. Alguns convidados deixaram às comemorações furtivamente. 

O próprio Hitler retirou-se da festa, convocando a sua secretária particular Traudl Junge, para que redigisse um documento, que chamou de testamento pessoal, ordenando que ela fizesse mais três cópias.


Morte e incineração dos Corpos


Por volta das 14h30, o motorista do führer, Erich Kempka, recebeu ordem de levar duzentos litros de gasolina para o jardim da chancelaria. Kempka teve dificuldades em conseguir tanto combustível, conseguindo juntar cento e oitenta litros, levando-os para a saída de emergência do bunker. Hitler não queria que lhe sucedesse o mesmo fim de Mussolini. Para que o seu corpo não fosse exposto em praça pública como troféu de vitória dos inimigos, pediu a seu guarda costas Otto Gunsche, que destruísse os seus restos mortais.
Às 15h00, o führer fez a sua última refeição, sem o acompanhamento de Eva Braun. Ao seu lado estavam as secretárias Traudl Junge e Gerda Christian, e a sua cozinheira Constanze Manzialy. Após a refeição, foi buscar a mulher no quarto. Reuniu no corredor em frente aos seus aposentos todos aqueles colaboradores mais íntimos, que lhe acompanharam até o último momento, entre eles Goebbels, Bugdorf, Artur Axmann, Heinz Linge, Hans Krebs, as secretárias e a cozinheira. Um a um Hitler apertou as mãos, em agradecimento. Terminada a despedida, retirou-se com a mulher para os seus aposentos. Hitler ordenou aos seus colaboradores que esperassem dez minutos, depois entrassem.Cerca de dez minutos depois, às 15h30, Heinz Linge abriu a pesada porta, deparando-se com o último horror de Hitler. Bormann, Goebbels, Gunsche e Axmann também entraram. Mais tarde, descreveriam a cena macabra:
Hitler estava no sofá, ao lado de Eva Braun, ambos mortos. No chão havia duas pistolas, mas só Hitler usara a sua, desferindo um tiro na boca. A bala vazara-lhe a têmpora do lado direito. No tapete ao lado do sofá, formava-se uma poça de sangue. Na parede e no próprio sofá, estavam respingos de sangue. Dois filetes de sangue escorriam da sua face. A julgar pelo pouco sangue que vertia do führer, os seus colaboradores chegaram à conclusão de que ele havia ingerido primeiro uma cápsula de cianeto, em seguida desferira o tiro. Eva Braun fizera uso apenas o cianeto.

















Do lado de fora do bunker, granadas russas explodiam ensurdecedoramente no jardim da chancelaria. Entre intervalos dos bombardeios, Heinz Linge providenciou a retirada dos corpos do bunker. Otto Gunsche e Linge envolveram o corpo de Hitler em um cobertor, que lhe cobriu o rosto desfigurado, transportando-o para o jardim.Os bombardeios dificultavam a queima dos cadáveres. Numa cratera feita por uma bomba a dois metros da saída do bunker, os corpos dos suicidas foram postos lado a lado. Martin Bormann descobriu o rosto de Hitler, olhou-o uma última vez, depois o cobriu novamente. Os cento e oitenta litros de gasolina trazidos por Kempka foram jogados sobre os corpos. Heinz Linge lançou um pedaço de tecido em chamas, provocando uma grande chama. Enquanto os corpos ardiam, Goebbels, Gunsche, Bormann, Axmann, linge, Hewel, Rattenhuber e Schaedler, ergueram a mão direita na saudação nazista de despedida, voltando ao bunker. Era o fim de Adolf Hitler.

O Bunker

Soldado Soiético no Bunker 




























No dia 2 de maio de 1945, os soldados do Exército Vermelho soviético capitularam Berlim. Tropas do III Exército entraram no bunker, último reduto de resistência do que restara do III Reich. Tinham como missão capturar Hitler, vivo ou morto.
O ambiente encontrado pelos soldados era de completo horror. Os primeiros corpos encontrados foram dos generais Krebs e Bugdorf, que seguindo o exemplo de Hitler, mataram-se com cianeto. No jardim da chancelaria encontraram os corpos calcinados de Joseph Goebbels, da sua mulher Magda e no bunker, os dos seus seis filhos.
Filhos de Goebbels



















No dia anterior, 1 de maio, após a morte de Hitler e Eva Braun, Goebbels reuniu-se com a mulher e os seis filhos: Helga, de 12 anos; Hilda, 11; Helmut, 9; Holde, 7; Hedda, 5; e, Heide, 3. Magda, fingindo dar remédio aos filhos, matou com doses de cianeto todos os seis. Em seguida, saiu com o marido do bunker. Magda Goebbels ingeriu uma cápsula de cianeto, enquanto o marido desferia-lhe um tiro na nuca. Joseph Goebbels prosseguiu o ritual macabro, inserindo cianeto seguido de um tiro. 

Autópsias Mistérios e duvidas

Mais tarde, após a confirmação de que o corpo encontrado na fonte era mesmo de um sósia de Hitler, as buscas recomeçaram. Interrogados, chefes nazistas declararam que Hitler e Eva Braun foram queimados. No dia 5 de maio, Klimenko voltou ao jardim da chancelaria, ordenando a dois soldados que cavassem a cratera desprezada algumas horas antes.
Local onde o cadáver de Hitler foi encontrado




















Os corpos foram retirados para que fossem exumados. O corpo de Hitler apesar de quase completamente carbonizado, segundo relatos de um soldado soviético, trazia a cabeça intacta, apesar da parte de trás estar estraçalhada. Os restos mortais foram postos em caixas de munições, e levados em sigilo pelos homens do Smersh, para uma clínica de Buch, nos subúrbios de Berlim, para serem autopsiados. No dia 8 de maio de 1945, considerado o dia da vitória, cinco legistas do Exército Vermelho examinaram em segredo, os corpos carbonizados. Chegaram à conclusão de que tanto o homem quanto à mulher tinham sido envenenados. Para a realização de um exame dentário, o Smersh convocou Kathe Heusermann, assistente do dentista de Hitler. Interrogada, ela esboçou um esquema da dentição do führer que correspondia ao maxilar do cadáver.

Para encerrar a missão, os agentes soviéticos, enterraram à noite, durante uma parada militar, os dois cadáveres em um bosque. Quando a unidade do Smersh de Berlim foi mudada para uma nova instalação em Magdeburgo, os seus agentes levaram os corpos de Adolf Hitler e Eva Braun, enterrando-os no seu quartel general, mantendo o local em segredo.
A descoberta e o transporte do corpo de Hitler não foram divulgados ao ocidente. Dizem que por causa de uma disputa interna entre Beria, vice-primeiro ministro de Stálin, e Abakumov, chefe do Smersh, a exumação feita foi omitida. Beria desconfiava de que o relato de Abakumov poderia ser uma farsa, e Hitler estaria vivo, escondido em alguma parte do planeta.

Em 1946, ele instaurou aOperação Mito, investigação secreta para esclarecer a morte de Hitler. Interrogou os sobreviventes do bunker, Otto Gunsche, Heinz Linge, Hans Baur e Rochus Misch. Sob pesadas torturas, eles revelaram que Hitler decidiu ser queimado após a sua morte, para que o corpo não fosse exposto em praça pública. Na tarde de 30 de abril de 1945, o casal trancou-se em seus aposentos e juntos cometeram suicídio, usando ele uma pistola e cianureto, e ela somente o veneno. 

Em junho de 1946, os prisioneiros foram levados a Berlim, indicando o local onde o führer e a mulher foram queimados e enterrados. O local correspondia minuciosamente à exumação feita pelo Smersh. O resultado do interrogatório de Beria só foi tornado público na década de 1990, quando o império soviético findou. 

A omissão das informações levou o próprio Stálin a acreditar que Hitler não havia morrido. Também os líderes dos países ocidentais tinham as suas dúvidas.
Mancha de sangue no sofá onde Hitler supostamente suicidou


O FBI norte-americano, sob a direção de John Edgard Hoover, promoveu uma caçada ao redor do mundo, em busca de pistas que sustentavam que Hitler estaria vivo, a viver em algum país da América do Sul, em particular a Argentina. Numa das versões, ele teria fugido em um submarino, rumo à América Latina. No seu refúgio na Argentina, aguardava tranqüilamente um conflito bélico entre a União Soviética e os Estados Unidos, para apresentar-se no final como um grande líder do novo mundo. Por mais fantasiosas que fossem as pistas, as dúvidas sobre a morte do líder nazista nunca deixaram de existir, e os rumores de onde pudesse estar, jamais foram ignorados.

Em 1956, os agentes norte-americanos e magistrados alemães, após três anos de intensas investigações, declarariam que Adolf Hitler teria morrido oficialmente em 30 de abril de 1945, no führerbunker da 
chancelaria, em Berlim.


Em 1970, o Smersh estava sob o controle da KGB, e suas instalações em Magdeburgo deveriam ser entregues a Alemanha.Oriental. Yuri Andropov, na época diretor da KGB, temeu que o local onde Hitler estava enterrado pudesse vir a ser transformado em um santuário neonazista, ordenou que uma operação para a destruição do corpo fosse feita. Executada em 4 de abril de 1970, a operação exumou secretamente os corpos. Supostamente, queimando-os por completo e atirando as cinzas ao rio Elba.

Com o fim da União Soviética, em 1991, todos os documentos que envolviam a morte de Adolf Hitler vieram à tona, sendo apresentados ao mundo. Eles eliminavam de vez a teoria de que o führer conseguira escapar com vida ao cerco dos aliados. Em 2000, uma exposição exibiu em Moscovo, um fragmento de crânio que seria de Hitler, o que desmentia a versão de que os seus restos mortais tinham sido totalmente destruídos e atirados às águas do Elba. Em 2003, a dentição foi identificada pelo legista alemão Mark Benecke, sendo apresentada no canal da National Geographic.
letrasdespidas.blogspot.pt

"Não me repugna fazer uma aliança com o PSD"

O Partido Democrático Republicano (PDR) pode vir a associar-se a outros partidos para as próximas eleições. Quem o garante é o próprio líder, Marinho e Pinto, que assume fazer alianças até "com o diabo", se "isso for útil para o país".

DR
POLÍTICA MARINHO E PINTO19/06/15


Coligações podem ser um cenário possível para o PDR. Quem garante é o próprio líder do partido, Marinho e Pinto, em declarações ao jornal i.
"Seria antecipatório fechar a porta a coligações. Isso é o que tem feito o PCP", disse o líder partidário.


Como ou com quem, tudo está em aberto. A decisão será feita tendo em conta os interesses do país. "Farei alianças até com o diabo se isso for útil ao país", garantiu Marinho e Pinto, numa entrevista à Antena 1. O líder deixa claro não ter "complexos" com qualquer partido e acrescenta: "Não me repugna fazer uma aliança com o PSD". No entanto, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados garante que "não será muleta de ninguém".
Amanhã, o PDR reúne-se para eleger o seu Conselho Nacional, decisão que ficou adiada por razões de 'guerrilha interna'. As divergências dentro do PDR levaram à criação de listas separadas, atitude que já recebeu duras críticas de Marinho e Pinto.
"O PDR não foi criado para arranjar empregos, sobretudo para quem não gosta de trabalhar", garante o líder partidário, que acusa os seus adversários de pretenderem apenas "mais lugares no Conselho Nacional para os seus fiéis e amigos".

HERANÇA INCA - AINDA HOJE SE CONSTROEM PONTES DE PALHA SELVAGEM NO PERU


Bacalhau o novo Ilhéu ou o novo Camaleão?


 


O novo Ilhéu!
Será que foi aos Hangares, esclarecer os outros ilhéus, do grande negócio, que o governo prepara para fazer na Ilha da Culatra?
Será que foi dizer o que se vai construir lá, e quantas Marinas vão ser construídas entre o Farol e a Culatra?
Será que foi divulgar o nome do grande grupo estrangeiro, que anda a afilar o dente a esse grande negócio?
Ou será que foi aos Hangares  já em campanha eleitoral?



Foto retirada da página do f.b. do SOS RIA FORMOSA!

 olhaolivre.blogspot.pt

NÃO BATAM MAIS NO CEGUINHO !Sócrates vende casa para começar a pagar dívida ao amigo Santos Silva

Sócrates vende casa para começar a pagar dívida ao amigo Santos Silva

O advogado do ex-primeiro-ministro diz ao Expresso que uma parte do produto da venda da casa no Heron Castilho irá servir para o cliente liquidar dívidas contraídas ao amigo Carlos Santos Silva
Carlos Manuel Martins/Global Imagens
Autor
    Uma parte do produto da venda da casa de José Sócrates no edifício Heron Castilho, em Lisboa, será usada para liquidar dívidas contraídas ao empresário Carlos Santos Silva. A informação é avançada pelo semanário Expresso que cita o advogado João Araújo.
    A defesa de José Sócrates tem justificado as transferências de dinheiro de Santos Silva para o ex-primeiro ministro como empréstimos de um amigo. Santos Silva está indiciado na Operação Marquês por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, tal como José Sócrates. O Ministério Público suspeita que os movimentos realizados ao longo de três anos de Carlos Santos Silva para José Sócrates, no valor de 1,5 milhões de euros, tenham sido entregues como contrapartida de favores feitos pelo antigo primeiro-ministro, indiciando corrupção. Os argumentos da defesa referem ajuda financeira entre amigos para justificar as transferências.
    O advogado não revela que parte dos 675 mil euros que resultaram da venda do imóvel será usada para acertar contas, mas o Expresso recorda que uma fatia desse encaixe deverá ser usado para pagar o empréstimo de 250 mil euros contraído junto da Caixa Geral de Depósitos para comprar a casa na Rua Brancaamp. O advogado de Sócrates, João Araújo, fala num acerto de contas entre o ex-primeiro-ministro e Carlos Santos Silva, e admite que o seu cliente ficou sem rendimentos desde que foi detido em novembro do ano passado.
    O apartamento T3 da Heron Castilho foi vendido a um antigo procurador-geral do Paquistão que em declarações aoExpresso admite que se sentiu defraudado quando percebeu que a casa tinha sido esvaziada do seu recheio. Makhdoom Ali Khan garante ter feito um acordo de cavalheiros com o advogado de Sócrates, que lhe mostrou o imóvel, de que o preço de venda incluiria móveis. E agora diz que foram levados vários móveis, entre sofás e mesas.
    José Sócrates já indicou entretanto outra morada em Lisboa ao Ministério Público, numa zona mais discreta da cidade, para o qual irá, se a medida de coação máxima, prisão preventiva, for entretanto revista.

    NAZIS DE TURBANTE E OUTRAS HISTÓRIAS

    A 15 de Agosto de 1945, com a rendição do Japão, terminava a II Guerra Mundial. Apesar de o conflito ter sido narrado em incontáveis filmes e livros, continua a ter episódios obscuros.
    Embora o imperador Hirohito tenha anunciado a rendição do seu país, através da rádio, a 15 de Agosto, o acto formal de rendição do Japão, que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, só seria assinado pelo ministro japonês dos Negócios Estrangeiros na manhã de 2 de Setembro de 1945, a bordo do couraçado Missouri.
    Uma vez que a guerra começara na madrugada de 1 de setembro de 1939, quando os Panzer alemães cruzaram a fronteira da Polónia, acabou por perfazer seis anos e um dia. Esteve longe de ser a guerra mais longa da história, mas foi a que envolveu mais pessoas e a que se estendeu a mais pontos do globo. Os principais beligerantes consagraram a ela uma fração nunca vista dos seus recursos humanos, materiais e financeiros – por isso, foi também a mais devastadora e mortífera de sempre.
    Por envolver tanta gente de tão variadas proveniências e decorrer em lugares tão diversos, há sempre recantos que ficam pouco iluminados quando se conta a história deste conflito. Eis alguns deles.

     Nazis de turbante

    A imagem clássica dos soldados das SS associa-lhes um perfil irrepreensivelmente ariano, com olhos azuis e cabelo louro, mas essa conceção é frontalmente desmentida pela Indische Legion (Legião Indiana, também conhecida por Legião Tigre), uma unidade das SS formada apenas por indianos, reunindo estudantes que se encontravam em território alemão quando da eclosão da guerra e soldados que lutavam nas forças da Commonwealth no Norte de África e foram capturados pelo Afrika Korps.
    Scherl: Generalfeldmarschall Rommel an der Biscaya Auf seinen Besichtigungsfahrten überprüft Feldmarschall Rommel nicht nur unsere Verteidigungsanlagen an der Küste, sondern überzeugt sich auch vom Stand der Ausbildung der Truppen. UBz: Generalfeldmarschall Rommel bei der Besichtigung einer Einheit "Freies Indien", die sich aus indischen Freiwilligen zusammensetzt. PK-Jesse Zentralbild: II. Weltkrieg 1939-45. Im besezten Frankreich, Februar 1944. Generalfeldmarschall Erwin Rommel besichtigt eine Einheit der "Indischen Legion". (Die indische Legion wurde aus in Europa lebenden Indern gebildet)
    O Marechal Rommel passa em revista soldados da Legião Indiana destacados para a defesa da Muralha do Atlântico
    Por trás da Indische Legion está a improvável figura de Subhas Chandra Bose (1897-1945), um líder independentista indiano, que foi presidente do Congresso Nacional Indiano e viu nas convulsões da II Guerra Mundial uma oportunidade para a Índia se libertar do jugo britânico. Em 1940, as atividades pró-independência de Bose tinham levado a que os britânicos o tivessem colocado em prisão domiciliária (não era a primeira vez), mas ele evadiu-se e conseguiu chegar a Moscovo no início de 1940. Não tendo conseguido aliciar os soviéticos para a causa da independência indiana, Bose dirigiu-se a Berlim, onde alimentou o sonho de constituir um exército que, investindo pelo Norte de África, na companhia do Afrika Korps, atravessaria o Próximo e Médio Oriente e iria libertar a Índia.
    Subhas Chandra Bose bei Heinrich Himmler
    Subhas Chandra Bose em reunião com Heinrich Himmler, 1941
    Porém, os efetivos da Legião Indiana nunca ultrapassaram os 2600 elementos e Bose, desiludido com o escasso apoio alemão, tomou um submarino até Singapura, onde procurou aliciar os japoneses para o seu projeto. Teve mais sucesso do que na Europa, pois conseguiu reunir um exército de 85.000 soldados entre os prisioneiros de guerra indianos capturados pelos japoneses.
    Entretanto, na Europa, a Legião Indiana, que estivera estacionada na costa sudoeste de França, perto de Bordéus, foi integrada nas SS após o desembarque da Normandia e lutou em França e na Itália.

     Balões pouco festivos

    O ataque ao World Trade Center em 2001 deixou os EUA em estado de choque não só devido ao caráter brutal, espetacular e inesperado do atentado como ao facto de, apesar de o país ter estado envolvido em incontáveis conflitos, o território continental dos EUA nunca ter sido atacado. O mais perto que esteve de sofrer ataques foi durante a II Guerra Mundial, mas nem alemães nem japoneses o lograram.
    O Japão tentou-o a partir do final de 1944, através de um método low-cost: soltar balões de hidrogénio munidos de bombas incendiárias que, impelidos pelos ventos de oeste dominantes sobre o Pacífico (jet stream), acabariam por cair algures em território americano.
    Japanese_fire_balloon_Moffett
    Balão incendiário japonês, 1945
    A estratégia era sintomática do desespero que tomava então conta dos japoneses e revelou-se muito pouco eficaz: dos mais de 9000 balões soltados, apenas 300 foram registados como tendo atingido o território dos EUA (alguns chegaram tão longe quanto o Nebraska, o Kansas ou o Iowa, bem no centro dos EUA) e os estragos por eles causados foram mínimos. As únicas vítimas a lamentar ocorreram a 5 de Maio de 1945, numa floresta do Oregon: uma professora de catequese e cinco alunos, que se encontravam a fazer um piquenique.
    Todos os outros ataques japoneses a solo continental americano, lançados a partir de submarinos (e, num caso, de um hidroavião transportado por um submarino) produziram danos irrisórios e nenhuma vítima.

     Bombas sobre Manhattan

    Pelo lado alemão, o ataque ao território americano alimentou vários planos fantasiosos mas não produziu nenhum resultado prático. Hitler ainda pensou em usar os Açores como base para bombardeiros de longo curso visando os EUA, o que requereria que Salazar o autorizasse ou que os Açores fossem ocupados (algo completamente improvável, dada a disparidade de forças entre as marinhas alemã e britânica).
    No âmbito do projeto Amerika-Bomber, vários fabricantes aeronáuticos tentaram desenvolver, a partir de 1943, um bombardeiro de longo curso capaz de atingir os EUA, mas o Focke-Wulf Ta-400, o Heinkel He-277, o Junkers Ju-390 e o Messerschmitt Me-264 nunca passaram da fase de protótipo (ou nem saíram da mesa de desenho) e não conheceram uso operacional.
    Me 264 V 1, Fernbomber, Aufklärer. Werkfoto Messerschmitt (MBB) 6/264
    Do Messserscmitt Me-264 foram construídos três protótipos, mas nenhum atravessou o Atlântico
    O projecto Huckepak (cavalitas) era mais artificioso, embora tivesse a vantagem de recorrer a aviões já existentes: previa que um bombardeiro pesado Heinkel He-177 carregasse sobre o dorso um bombardeiro médio Dornier Do-17. Chegado ao limite do raio de ação, o Heinkel largaria o Dornier e este voaria até aos EUA, numa viagem sem regresso: após largar as bombas o avião amararia e os tripulantes seriam recolhidos por um submarino. O projeto foi abandonado em 1942.
    Mistel-4s
    Uma das várias e infrutíferas experiências da Luftwaffe com um avião às cavalitas de outro

     Jogando às charadas

    A decifração das mensagens secretas alemãs recorrendo às máquinas de rotores Enigma teve um papel decisivo no curso da guerra e a informação que daí resultou – a que os britânicos deram o nome de Ultra – permitiu aos britânicos assestar rudes golpes no poderio alemão, nomeadamente na Batalha do Atlântico.
    A decifração é geralmente apresentada como sendo um triunfo britânico, e em particular dos geniais criptógrafos de Bletchley Park. O recente filme The Imitation Game (O Jogo da Imitação), de 2014, realizado por Morten Tyldum e com Benedict Cumberbatch no papel de Alan Turing, o principal cérebro da equipa de Bletchley Park, veio reforçar essa imagem pública.
    É verdade que Turing e o restante pessoal da GC&CS (Government Code and Cypher School) tiveram um papel fulcral, mas quem primeiro quebrou o código das máquinas Enigma, em 1939, foram três criptógrafos dos serviços de informações polacos: Marian Rejewski, Jerzy Rózycki e Henryk Zygalski. As descobertas deste trio foram comunicadas aos serviços de informações britânicos e franceses em 1939 e serviram de base ao trabalho dos criptógrafos de Bletchley Park.
    Os alemães foram sofisticando a máquina, através da adição de rotores, e mudaram várias vezes os códigos, o que quer dizer que Turing e o GC&CS não se limitaram a aplicar a descoberta pioneira dos polacos e tiveram que dar muito trato às meninges para quebrar os códigos.
    Bundesarchiv_Bild_183-2007-0705-502,_Chiffriermaschine_-Enigma-
    Uma máquina de cifra Enigma, 1943
    Os polacos também foram pioneiros na divulgação através do cinema do contributo de Rejewski, Rózycki e Zygalski (Sekret Enigmy, 1979), mas é claro que, para o imaginário de massas, a narrativa contada em The Imitation Game é que prevalecerá.
    BenedictCumberbatchThe-ImitationGame
    Alan Turing (Benedict Cumberbatch) em “O Jogo da Imitação”: os filmes nem sempre contam toda a história

     Informação privilegiada

    Quase tão importante como a Ultra, ainda que bem menos conhecido, foi o projeto norte-americano Magic, que conseguiu a decifração do Purple, o nome dado pelos americanos ao código diplomático japonês, que recorria a uma variante das máquinas Enigma alemãs, e de vários códigos militares japoneses, sobretudo o JN-25, um código de alta segurança usado na maioria das comunicações da Armada Imperial. A informação proveniente do JN-25 alertou os americanos para o ataque japonês a Midway, em junho de 1942, e foi crucial para a vitória americana nesta batalha que marcou a mudança de rumo na guerra.
    Em abril de 1943, outra interceção de informação revelou os detalhes (locais, horários e aviões usados) de uma visita às bases japonesas nas ilhas Salomão pelo Almirante Isoroku Yamamoto. Yamamoto era não só o comandante da principal frota japonesa como tinha sido o estratega do ataque a Pearl Harbor – daí o nome “Vengeance” atribuído à operação montada para o eliminar.
    Yamamoto_h63430
    Almirante Isoroku Yamamoto
    A 18 de abril, partiu de Guadalcanal uma esquadrilha de caças de longo raio de acção P-38 Lightning, que fez parte do percurso a rasar o mar, para evitar a deteção pelo radar. Os caças, operando no limite das reservas de combustível, encontraram os dois aviões de transporte e a escolta de seis caças Zero sobre a ilha de Bougainville, na rota e hora previstas, e fizeram o avião de Yamamoto despenhar-se na selva. Para que os japoneses não suspeitassem de que os seus códigos tinham sido quebrados, os americanos difundiram a versão de que Yamamoto fora reconhecido por informadores nas ilhas Salomão, que teriam alertado as forças americanas.
    Após a morte de Yamamoto, as forças navais japonesas não voltaram a averbar uma vitória nos embates com os Aliados.
    P-38_2
    Caça Lockheed P-38 Lightning
     A guerra nos trópicos
    O Estado-Maior japonês não terá, provavelmente, dado grande importância ao facto de a Costa Rica ter declarado guerra ao Japão a 8 de dezembro de 1941. E Hitler talvez não tenha ficado muito incomodado com a declaração de guerra do Brasil, a 22 de Setembro de 1942, até porque por essa altura tinha os olhos fixados num ponto muito longe do Rio de Janeiro: em Stalingrado. Mas estas declarações de guerra mostram que a II Guerra Mundial foi mais “mundial” do que habitualmente se pensa.
    Os brasileiros desempenharam papel mais activo do que a Costa Rica, participando na luta contra os submarinos alemães no Atlântico e enviando uma força expedicionária de 25.000 homens para Itália.
    Massarosaw
    Soldados da Força Expedicionária Brasileira saudados pela população de Massarosa, Itália, Setembro de 1944
    Em 1943, a Colômbia e a Bolívia seguiram os passos do Brasil, mas o resto do continente sul-americano foi mais calculista: as declarações de guerra à Alemanha só surgiram quando os tanques soviéticos estavam às portas de Berlim. A declaração de guerra da Argentina, a 27 de março de 1945, deve mesmo ser vista com muitas reservas, já que o país se tornou, no pós-guerra, num refúgio para muitos figurões nazis com a cabeça a prémio.

     Uma quinta na Ucrânia

    Nos seus sonhos megalómanos, Hitler traçou planos para todos os países e povos do mundo – com exceção da Ásia a leste do Rio Yenisei e da Oceânia, que seriam para os aliados japoneses.
    Uma das regiões que lhe mereceu maior atenção foi o território que hoje corresponde à Ucrânia, Bielorrússia e estados bálticos, que veria a sua população dizimada pela fome (um processo mais económico do que os fuzilamentos) ou deportada para a Sibéria. Deixar-se-ia apenas um número suficiente de eslavos para servirem de escravos aos soldados-camponeses (Wehrbauer) das SS.
    Nesta Utopia bucólica de inspiração pseudo-medieval, após 12 anos de serviço militar, incluindo dois anos de formação na área da agricultura, cada soldado receberia uma quinta de cerca de 120 hectares. Estes colonos teriam, de acordo com Himmler, “a nobre e crucial missão de proteger o mundo ocidental contra as hordas asiáticas”. Os planos envolviam a remoção de 30 milhões de eslavos deste território e a instalação de 10 milhões de alemães.
    Considerando a vastidão do território, Hitler admitiu que nalguns casos poderia recorrer-se a sangue alemão importado: por exemplo para a Crimeia, que seria convertida numa Riviera alemã, os “indígenas” seriam deportados para o Brasil e, em troca, a península receberia germano-descendentes vindos do estado brasileiro de Santa Catarina. A ideia é descabelada mas tem um fundo histórico: em 1763, Catarina I da Rússia convidara emigrantes alemães a instalarem-se no país, mas em 1871 o czar Alexandre II revogou-lhes os privilégios, o que levou muitos a emigrarem para os estados de Santa Catarina (que já tinha migração alemã desde 1828) e do Rio Grande do Sul.
    SS_Bauerntum_5
    Quintas-modelo, rapazes louros, proles numerosas: a Nova Arcádia de Leste, segundo Hitler e Himmler

     O programa nuclear nazi

    Se Hitler tivesse a bomba atómica não teria tido quaisquer escrúpulos em usá-la e o curso da História teria sido outro. Acontece que na década de 1930, a Alemanha era líder na investigação nuclear e foi o próprio nazismo que desbaratou esse capital, ao perseguir os cientistas de origem judaica e ao criar um ambiente repressivo da criatividade e fortemente politizado no meio académico.
    Muitos cientistas de primeira linha, entre os quais 14 prémios Nobel da Física e da Química, procuraram refúgio nos EUA e na Grã-Bretanha mal Hitler subiu ao poder, em 1933. Com o estalar da guerra, em 1939, muitos foram chamados a prestar serviço militar pelo que a investigação na área da física ficou seriamente comprometida.
    O programa nuclear alemão conseguiu obter urânio enriquecido numa unidade em Oranienburg, mas as tentativas de criar um reator nuclear, em Leipzig, foram abandonadas em 1942, após uma explosão acidental. A outra componente crucial do programa era o fabrico de água pesada (destinada a servir de moderador das reações de fissão nuclear), que estava sedeado na Noruega.
    A fábrica Norsk Hydro, em Vemork, começara a produzir água pesada em 1934 e ficara sob controlo alemão aquando da invasão da Noruega em 1940. Os Aliados recorreram a vários meios – bombardeamentos pela RAF, sabotagens pela guerrilha norueguesa e comandos ingleses – para interromper a produção. Os estragos levaram os alemães a desativar a fábrica e a tentar transferir a água pesada para a Alemanha, mas também essa operação foi eficazmente contrariada pela resistência norueguesa.
    DF_Hydro_at_Mæl
    O ferry SF Hydro foi metido ao fundo pela resistência norueguesa em Fevereiro de 1944, quando transportava um carregamento de água pesada através do lago Tinnsjo
    Porém, investigações posteriores acabaram por revelar que a água pesada produzida pela Norsk Hydro estava muito longe da quantidade necessária para permitir a operação de um reator.

     O crescente e a suástica

    Haj-Amin al-Husseini, o Grande Mufti de Jerusalém, opunha-se quer ao crescimento do número de judeus na Palestina quer ao jugo britânico sobre 220 milhões de muçulmanos, pelo que não é de estranhar que se tenha convertido num aliado da Alemanha nazi. A instigação, por al-Husseini, de tumultos contra sionistas e britânicos começara antes da guerra e o seu envolvimento, em 1937, na revolta árabe na Palestina, obrigou-o a fugir de Jerusalém, então sob mandato britânico.
    Após uma série de peripécias, com passagem pelo Líbano, acabou, por encontrar refúgio em Bagdad, onde emitiu, em Maio de 1941, uma fatwa, apelando a uma guerra santa dos muçulmanos de todo o mundo contra os britânicos. A revolta no Iraque foi rapidamente debelada pelos britânicos, o que forçou al-Husseini a fugir para a Pérsia – foi um refúgio efémero, pois o governo de Reza Pahlevi cortou relações com o Eixo, e só graças a uma operação dos serviços secretos italianos conseguiu escapar.
    Na Europa teve encontros com Mussolini, Hitler e outras altas figuras da hierarquia fascista e nazi, com as quais tentou negociar a criação de um grande estado árabe independente no Próximo Oriente e opor-se a que mais judeus se instalassem na Palestina. Em 1943 manifestaria a sua aprovação perante a “solução final” encontrada pela Alemanha para acabar com “a praga que os judeus representam para o mundo”.
    Der Grossmufti von Palästina vom Führer empfangen. Der Führer empfing in Gegenwart des Reichsministers des Auswärtigen von Ribbentrop den Grossmufti von Palästina, Sayid Amin al Husseini, zu einer herzlichen und für die Zukunft der arabischen Länder bedeutungsvollen Unterredung. 9.12.41  Presse Hoffmann
    O Grande Mufti de Jerusalém com Hitler, 28 de Novembro de 1941
    A partir do exílio na Alemanha, al-Husseini continuou a suajihad, instigando revoltas através de emissões radiofónicas, apelando a que os alemães bombardeassem Tel-Aviv e instruindo um comando enviado para a Palestina com a missão de envenenar a água de abastecimento de Tel-Aviv.
    Großmufti Amin al Husseini, Heinrich Himmler
    O Grande Mufti de Jerusalém com Himmler, um dos principais mentores da Solução Final, 1943
    Uma das suas ações mais decisivas foi o auxílio à criação de três divisões SS formadas por voluntários muçulmanos, recrutados entre bósnios e albaneses, tendo feito uma tournée pelos Balcãs, incitando os muçulmanos a alistarem-se.
    A abertura das SS a bósnios, albaneses, indianos e muitas outras etnias torna-se particularmente irónica quando se considera que, na génese deste corpo, a admissão estava restrita a quem pudesse comprovar uma ascendência ariana pura – no caso dos oficiais, a prova de pureza racial tinha de remontar até 1750.
    Der Großmufti von Jerusalem [Amin al Husseini] bei den bosnischen Freiwilligen der Waffen-SS. Der Großmufti ist auf dem Truppenübungsplatz ein[getroffen] und schreitet die Front der angetretenen Freiwilligen mit erhobenem Arm ab.
    O Grande Mufti de Jerusalém faz a saudação nazi a voluntários bósnios muçulmanos das SS, Novembro de 1943

    observador.pt