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sábado, 25 de julho de 2015

AO ABRIGO DAS LEIS ANTI TERRORISTAS OS TURCOS BOMBARDEARAM INSTALAÇÕES DO PARTIDO COMUNISTA CURDO (PKK) - Turquia ataca posições do Estado Islâmico e do PKK. Pelo menos 590 pessoas foram detidas

Turquia ataca posições do Estado Islâmico e do PKK. Pelo menos 590 pessoas foram detidas

Forças turcas acataram posições do Estado Islâmico no Iraque e do Partido dos Trabalhadores Curdo (PKK) na Síria. Pelo menos 590 pessoas foram detidas em vários pontos da Turquia.
Os ataques começaram na sexta-feira e prolongaram-se durante a manhã de sábado
AFP/Getty Images
A Turquia realizou uma segunda onda de bombardeamentos contra as posições do Estado Islâmico na Síria, adianta a France-Press. A operação, que teve início durante a tarde de sexta-feira, teve ainda como alvo o centro de comandos do Partido dos Trabalhadores Curdo (PKK), junto às montanhas Qandil, no norte do Iraque. Este é o primeiro ataque realizado contra o PKK desde que um acordo de paz foi anunciado em 2013.
Os ataques tiveram como alvo várias posições do PKK no norte do Iraque, incluindo armazéns, “pontos logísticos”, quartéis e abrigos. Ao todo, foram bombardeadas cinco áreas, incluindo as montanhas Qantil, onde fica localizado o centro de comandos dos curdos. Zagros Hiwa, porta-voz do PKK, confirmou à Associated Press que tinham sido bombardeadas várias aldeias em Qantil, mas que a sede curda não tinha sido atingida. Hiwa disse que os danos ainda estavam a ser avaliados e que, aparentemente, ninguém tinha morrido.
Os bombardeamentos acontecem poucos dias depois de um bombista-suicida, com ligações ao Estado Islâmico, ter causado a morte de 32 pessoas, incluindo curdos, na cidade turca de Suruc, junto à fronteira com a Síria. O ataque provocou uma onda de violência na zona curda da Turquia, com muitos a acusarem as autoridades de colaborarem com os jihadistas. Pelo menos dois polícias morreram às mãos do PKK, como retaliação pelo ataque bombista.
A relação entre os curdos e a Turquia é frágil. Há várias décadas que o PKK combate as forças turcas pela independência do povo curdo. Depois de mais de 30 anos de luta, foi firmado um acordo de paz em 2013, que agora pode vir a ser destabilizado. Num comunicado divulgado este sábado, o PKK refere que a Turquia terminou “unilateralmente com o acordo de paz”. “Tendo em conta este bombardeamento intenso, as tréguas já não fazem qualquer sentido”, acrescenta a nota publicada no site oficial do partido curdo.
Uma operação realizada em vários pontos da Turquia levou ainda à detenção de 590 indivíduos, suspeitos de pertencerem ao Estado Islâmico ou ao PKK. As detenções, realizadas em 22 províncias turcas, tiveram início durante a tarde de sexta-feira, e prolongaram-se durante a manhã de sábado.
Os suspeitos, atualmente detidos, estão acusados de estarem ligados a grupos terroristas e de representarem uma ameaça para país, refere a France-Press.

Novos ataques anunciados

Entretanto, foi anunciada uma terceira onda de ataques contra o Estado Islâmico e contra os membros do PKK no norte do Iraque. De acordo com Ahmet Davutoglu, foram dadas “instruções para uma terceira série de ataques na Síria e no Iraque”. As operações estão a decorrer no ar e no solo.
“Ninguém deve duvidar da nossa determinação”, acrescentou ainda o primeiro-ministro. “Não iremos permitir que a Turquia se transforme num país sem lei”.

Paulo Portas, as viagens do papa-milhas à volta do mundo







Onde andou Paulo Portas? É uma pergunta recorrente nos últimos dois anos da vida política portuguesa. Descubra aqui as principais rotas do vice-primeiro-ministro a vender Portugal.
O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, é um autêntico papa-milhas. Responsável pela diplomacia económica, foi visto mais vezes no estrangeiro do que em Portugal nestes últimos dois anos.
O mapa a seguir é interativo e vai guiá-lo pelos 20 principais destinos por onde Paulo Portas passou desde que foi nomeado vice-primeiro-ministro – são 196 mil quilómetros. Para navegar pela infografia, clique no botão “Descubra aqui” ou utilize as setas localizadas nos cantos laterais. Também é possível clicar diretamente nos pontos assinalados no mapa e saltar para um destino específico.
AQUI TEM O MAPA ! VÁ CLIKANDO NOS LUGARES ASSINALOS E LENDO OS RESULTADOS
Ilustração: Milton Cappelletti



Pereira Cristóvão queima cheques - Desapareceram 65 mil dos 145 mil euros em notas roubadas.

Pereira Cristóvão queima cheques

Foto Luís Manuel Neves
Pereira Cristóvão está acusado de dois roubos com sequestro
Pereira Cristóvão queima cheques
Desapareceram 65 mil dos 145 mil euros em notas roubadas.
Paulo Pereira Cristóvão queimou, no lavatório da garagem da sua moradia, cheques no valor de meio milhão de euros roubados a um empresário, que os escondia em dois cofres no seu apartamento de luxo em Cascais. Foram destruídos porque não podiam ser levantados sem deixar pistas que levassem aos autores do roubo.

De acordo com a acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, a que o CM teve acesso, o ex-inspetor da PJ e antigo dirigente do Sporting destruiu os cheques na presença de Mustafá, chefe da claque Juve Leo e parceiro na liderança do grupo de assaltantes.

A queima incluiu outros documentos. Entre eles, segundo a vítima, declarações de dívidas milionárias. E foi poucas horas após o roubo, numa altura em que Cristóvão, Mustafá e ‘Babá’ (meio-irmão do líder da ‘Juve’ e o homem que fazia a ligação dos dois líderes aos operacionais) dividiam os valores roubados. Estavam na garagem da moradia de Cristóvão.

É aqui que tem início um mistério. A vítima refere que lhe foram retirados, naquela noite de 27 de fevereiro de 2014, 145 mil euros em notas. Mas Cristóvão apenas anunciou o saque de 80 mil: ficou com 20 mil; entregou outros 18 mil ao arguido ‘Cota’; e deu 42 mil a Mustafá, que ficou com 10 mil, deu 10 mil a ‘Babá’, 7000 a outros três (dois deles os agentes da PSP Conceição e Fachada) e 1000 ao último operacional. O Ministério Público não conseguiu apurar quem ficou com os 65 mil euros em falta.

O roubo foi armado. O empresário, a mulher e a filha adolescente estiveram 30 minutos sequestrados
.

quem foi o pintor !?


Italianos desenvolvem torre que coleta água potável a partir do ar

Italianos desenvolvem torre que coleta água potável a partir do ar

O projeto WarkaWater foi desenvolvido pelo arquiteto italiano Arturo Vittori para ajudar comunidades rurais africanas que sofrem com a falta de chuva

Com pouco mais de 10 metros de altura, um projeto desenvolvido na Itália promete ajudar a reduzir um problema que afeta mais de dois bilIões de pessoas em todo o mundo: a escassez de água. A torre, criada pelo arquiteto e designer Arturo Vittori, tem a capacidade de coletar água potável a partir do ar, ampliando o acesso de comunidades que sofrem com a falta de chuvas.
Batizada de WarkaWater, a estrutura tem o objetivo de auxiliar áreas rurais da Etiópia, na África, que não têm água limpa disponível. Por dia, é possível coletar cerca de 100 litros, por meio de um tecido especial que fica em seu interior. Cada unidade custa aproximadamente US$ 500.
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O processo de coleta é feito a partir da transformação da umidade do ar em água. (Imagem: Divulgação/Architecture and Vision)
projeto pesa pouco mais de 90 kg e é composto por cinco módulos constituídos de bambu e plástico. A montagem pode ser feita em qualquer lugar, sem precisar de equipamentos elétricos, andaimes ou pessoas especializadas. Todos os materiais utilizados na construção são recicláveis e biodegradáveis.
O formato de cone, além de aumentar a estabilidade, facilita o transporte e o armazenamento da torre. Em seu topo, há também uma espécie de “coroa”, desenvolvida para espantar pássaros e manter a água coletada sempre protegida.
A notícia dá esperança para as mais de 2 bilhões pessoas que sofrem com a escassez de água tratada em todo o mundo, segundo dados do relatório da Unicef e da World Health Organization. Só no Brasil, segundo pesquisa da Funasa e do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento Básico, mais de 40 milhões de pessoas não têm acesso à água adequada para beber.

divando.pop.com.br

AS MIL FACES DE UMA ESTAÇÃO - Há quem esteja sempre só de passagem e quem faça dela uma segunda casa. Há quem vá lá quase diariamente sem nunca ter apanhado um comboio e quem chegue de terras bem distantes. Santa Apolónia é a mais antiga estação de Lisboa (VÍDEO)













Há quem esteja sempre só de passagem e quem faça dela uma segunda casa. Há quem vá lá quase diariamente sem nunca ter apanhado um comboio e quem chegue de terras bem distantes. Santa Apolónia é a mais antiga estação de Lisboa: este ano completa um século e meio de existência. O Expresso passou 24 horas em Santa Apolónia e foi conhecer as vidas que habitam uma das estações mais históricas do país. E o que pensam eles se a estação um dia fosse encerrada e transformada num grande jardim, como propôs um vereador lisboeta?








VÍDEO

A PLANTA CARNÍVORA MAIS ALUCINANTE DO MUNDO - VEJA AQUI EM VÍDEO

A planta carnívora mais alucinante do mundo

A planta carnívora mais alucinante do mundo
Não há nada mais assustador na ordem natural que uma planta que devora um pedaço de carne. As plantas carnívoras são por excelência o glitch  da cadeia trófica, uma sorte de elegantíssima e sexy besta mitológica que vira a cara e devora seu predador. Neste video vemos a mais alucinante de todas as aproximadamente 630 espécies que se conhecem até agora.

Nepenthes hemsleyana  são encontradas no paraíso das plantas carnívoras, o sudeste da Ásia. O grande Sir David Attenborough mostra-nos um time-lapse em que a belíssima planta vai se desenvolvendo espetacularmente em frente a nossos olhos.

Uma destas plantas pode conter até 2 litros de água em seu "bojo", que está cheia de néctar para atrair animais e é escorregadia como a melhor das armadilhas. Mas o mais arrepiante é que já nem sequer se conforma com pegar insetos, senão também roedores e morcegos.

- "Se alguma vez exixitiu um canibal entre as plantas, esta é uma", diz Attenborough.

Pois se não fosse o bastante, a Nepenthes hemsleyana  desenvolveu uma maneira única de comunicar-se com morcegos, ainda que não necessariamente para comê-los; ela precisa deles voando ao seu redor para que suas fezes fertilizem a terra e ela possa crescer em esplendor. O que conseguiu com a evolução foi que algumas de suas estruturas reverberem os chamados ultrassônicos dos morcegos, para que estes possam encontrá-las facilmente.

VÍDEO

http://www.ndig.com.b

VEJA A REABILITAÇÃO DESTE BAIRRO POLÉMICO E DEGRADADO NO MÉXICO - Tripulação Germen cria um pedaço gigante em Pachuca, México

Tripulação Germen cria um pedaço gigante em Pachuca, México

Em um esforço sem precedentes, Germen Crew e o governo do México juntaram forças para reabilitar e embelezar um distrito inteiro de Pachuca no México.

Em um esforço sem precedentes, Germen grupo e o governo do México juntaram forças para reabilitar e embelezar o bairro de Palmitas em Pachuca, no México. 
Este projecto engloba 20 mil metros quadrados de superfícies pintadas mais de 209 casas que beneficiarão diretamente 452 famílias e 1.808 pessoas! 
No topo de embelezar o bairro, o projeto tem sido uma ferramenta de transformação social como durante o processo, a violência entre as pessoas mais jovens foi totalmente erradicada e vários postos de trabalho criados. 
Bata no salto para um monte de tiros extra nesta linda peça de trabalho e, em seguida, deixe-nos saber seus pensamentos na seção de comentários. 









www.streetartnews.net

SÓ MORTOS SE DEIXAM GOVERNAR POR MORTOS



Confissão de ex-militar revela como funcionava pacto de silêncio em caso de jovens queimados vivos no Chile


Fernando Guzmán confessou a juiz que militares que participaram da ação contra fotógrafo e estudante foram treinados para dar versão falsa à Justiça Militar
Foram 29 anos de silêncio, ameaças de morte contra ele e sua família, sentimento de culpa e depressão, até que, na noite desta terça-feira (21/7), o ex-soldado Fernando Guzmán resolvesse contar tudo o que sabia sobre o caso “Queimados”, um dos mais emblemáticos casos de violação dos direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
Fernando Guzmán confessou a juiz como funcionava pacto de silêncio entre militares
Fernando Guzmán confessou a juiz como funcionava pacto de silêncio entre militares
A confissão aconteceu no escritório do juiz Mario Carroza, da Corte de Apelações de Santiago – o mesmo que investigou os acontecimentos durante o Golpe de Estado de 1973 e morte do ex-presidente Salvador Allende (1970-1973), e que ainda trabalha no caso da morte do poeta Pablo Neruda.
Em entrevista ao canal estatal TVN, Guzmán contou como seus colegas, liderados pelos tenentes Julio Castañer e Pedro Fernández Dittus, queimaram vivos o fotógrafo Rodrigo de Negri e a estudante Carmen Gloria Quintana – a segunda conseguiu sobreviver às queimaduras, o que permitiu que o caso fosse conhecido pela opinião pública.
Guzmán também revelou como funcionou o pacto de silêncio que manteve a impunidade sobre o caso durante quase três décadas. “Eu não participei da ação. Sou muito católico, e, quando me pediram para queimar uma pessoa viva, aquilo foi contra os meus princípios. Levei uma reprimenda no ato, e me afastei. Eu vi o tenente Castañer ateando o fogo sobre os dois jovens, mas depois não consegui mais olhar. Os gritos da moça eram assustadores”, contou.
Caso Queimados
No dia 2 de julho de 1986, um grupo de estudantes da Universidade de Santiago realizava um protesto com barricadas na Avenida General Velásquez, no centro da capital chilena, quando foi interceptado por uma patrulha militar. Guzmán era o operador dessa patrulha, que conseguiu capturar apenas uma das manifestantes, a estudante Carmen Gloria Quintana. O fotógrafo Rodrigo de Negri, que registrava o evento, tentou ajudá-la a escapar e também foi detido pelos soldados.
“A patrulha era feita por dois veículos que traziam uns dez homens em total”, contou Guzmán na confissão. “Eu estava no que chegou depois, junto com o tenente Castañer. Quando desço do carro, eu vejo os dois: o homem estava deitado de barriga para o chão, a moça estava de pé contra a parede com um soldado segurando o seu braço.”

Estudante Carmen Gloria Quintana sobreviveu às queimaduras e contou sua história, o que permitiu que os fatos viessem à tona
Guzmán afirmou que a ordem para queimar os prisioneiros partiu do tenente Julio Castañer. “A patrulha que chegou primeiro também apreendeu um galão de querosene com os manifestantes, provavelmente usado pra fazer a barricada. Castañer ordenou que se jogasse combustível sobre os dois.” O relato conta que os demais soldados banharam Carmen Gloria Quintana com querosene da cabeça aos pés. Já Rodrigo de Negri, somente pelas costas. Finalmente, o mesmo Castañer teria iniciado o fogo com um isqueiro.
“O tenente Castañer foi quem disse que era preciso matá-los e desaparecer com os corpos. O tenente Fernández Dittus se opôs, porque ele também é católico, mas depois aceitou a determinação, quando Castañer disse que haveria consequências se eles seguissem com vida”, contou Guzmán ao juiz Carroza.
Depois de queimar os prisioneiros, os militares levaram os dois, carbonizados a uma área rural a 20 quilômetros do perímetro urbano de Santiago, sem perceber que ambos ainda estavam vivos. “Quando despertei, senti uma dor imensa, não conseguia gritar, não conseguia me mover bem, por sorte apareceu um sujeito que nos acudiu e nos levou a um hospital próximo. O Rodrigo também me ajudou a levantar, ele parecia estar menos afetado que eu”, lembrou ela, hoje professora de psicologia, em entrevista para o documentário “Chile: As Imagens Proibidas”, do canal Chilevisión. Na verdade, Rodrigo de Negri, então com 19 anos, teve o tórax comprometido de forma irrecuperável, e uma infecção pulmonar acabaria levando-o à morte, quatro dias depois.
Horas depois do resgate dos dois jovens, o Exército chileno emitiu um comunicado dizendo que as queimaduras haviam sido provocadas pela explosão de um coquetel molotov que eles mesmos teriam carregado antes da captura, e que o pessoal militar havia salvado suas vidas contendo o fogo com cobertores. Ainda assim, foi aberta uma sindicância interna da Justiça Militar, que determinou a prisão do tenente Dittus pelo crime de negligência. No entanto, ele foi solto após cumprir 600 dias de presídio, após sua defesa comprovar perante a corte marcial que ele sofre de “psicopatia orgânica”, o que também lhe valeu uma pensão estatal por invalidez.
Pacto
Quando os corpos foram resgatados, Guzmán e todos os militares envolvidos no caso foram escondidos no Forte Arteaga, uma base do Exército localizada na cidade de Colina, na região metropolitana da capital. Lá, eles passaram duas semanas recebendo instruções sobre o que deveriam falar à Justiça Militar. “Foi como iniciou o pacto de silêncio. Era proibido falar sobre o que aconteceu. Era proibido dizer qualquer coisa diferente da versão divulgada oficialmente. Quem abrisse o bico arriscava represálias contra si ou contra sua família”.
Reprodução
Quintana (esq.) e De Negri foram queimados vivos por soldados durante ditadura; somente ela sobreviveu
O ex-soldado revelou também contou que se retirou poucos meses depois, e que passou vários anos sofrendo de depressão profunda devido ao episódio. “Eu ainda tenho vivo na minha memória os gritos daquela moça, era como ver alguém narrar a própria morte. Aquilo acabou com a minha vida, nunca consegui me recuperar”. Guzmán afirmou, em entrevista para a TVN, que havia pensado em confessar tudo outras vezes, mas que havia desistido devido a ameaças de ex-superiores.
O testemunho de Guzmán levou o juiz Mario Carroza a determinar a prisão de sete ex-oficiais, entre eles os tenentes Castañer e Fernández Dittus. “Fizemos todos os interrogatórios nesta quarta-feira (22/7) e decidimos manter a prisão de cinco dos sete réus”, explicou Carroza, em entrevista coletiva para a imprensa local.
O Palácio de La Moneda também falou sobre o caso. Marcelo Díaz, porta-voz do governo, afirmou que “a confissão de Fernando Guzmán é um grande passo para busca pela verdade, mas ainda falta que outras pessoas também tenham a coragem de romper o silêncio e colaborar com a Justiça.”


Victor Farinelli | Santiago - 23/07/2015 
operamundi.uol.com.br

Reino Unido obriga professores a vigiar alunos e delatar 'radicalização' para combater terrorismo

Reino Unido obriga professores a vigiar alunos e delatar 'radicalização' para combater terrorismo


Dez anos após atentados ao metrô de Londres, esforço antiterror, criticado por incentivar islamofobia, poderá autorizar também intervenção em universidades
Desde o primeiro dia do mês de julho, professores e demais profissionais da educação britânicos ganharam uma nova função dentre as tantas que já exercem dentro das instituições de ensino: agora, também é dever deles identificar alunos expostos à chamada “radicalização”.
A medida entrou em vigor dias após o atentado na Tunísia — em que morreram 30 britânicos — e uma semana antes do dia 7 de julho, data na qual, dez anos atrás, quatro homens-bomba agindo em nome da Al Qaeda causaram a morte de 52 pessoas no centro de Londres. O atentado no coração da capital foi um marco no endurecimento das chamadas “medidas antiterror” no Reino Unido. O premiê David Cameron, em cerimônia em homenagem às vítimas, afirmou que ameaça do terrorismo hoje continua "tão real e letal" quanto há uma década.

Hallow School Tercentenary/Flickr/CC
Instituições de ensino britânicas, desde a escola primária até universidades, foram afetadas pela lei que entrou em vigor no dia 1
Um dos desdobramentos do atentado foi a criação em 2007 de uma norma para examinar se candidatos de fora da União Europeia podem ou não ingressar em cursos superiores ofertados pelas universidades britânicas nos quais são ensinadas técnicas que possam ser usadas para a criação de armas de destruição em massa. Neste ano, um estudo mostrou que mais de 700 estudantes tiveram sua candidatura negada com base no ato de 2007.
Agora, dez anos depois dos atentados de 2005, os líderes britânicos parecem ter decidido intensificar a 'guerra contra o terror' dentro do campo educacional. Desde a última semana, com a entrada em vigor da chamada “prevent duty”, parte da Counter-Terrorism and Security Act de 2015, escolas — desde a educação infantil ao ensino superior — são obrigadas a observar e relatar ao governo os casos em que haja suspeita de "radicalização" dos estudantes, além de reforçar o controle sobre o uso da internet em suas dependências. No texto da nova lei, entretanto, o governo britânico não detalha quais seriam esses "sinais de radicalização".
A norma cria ainda novos poderes para o Ministério do Interior, que poderá agir dentro das instituições de ensino sem a necessidade de pedir a anuência do corpo diretivo da instituição. “O extremismo não tem lugar dentro das nossas escolas”, foi a mensagem da secretária de Educação, Nicky Morgan, durante um pronunciamento no dia seguinte à entrada em vigor da nova norma.
A medida vem a reboque de uma ideia que vem ganhando cada vez mais força dentro do governo de David Cameron: de que o sistema de educação, em especial as universidades, tem servido de campo de recrutamento para extremistas. E a previsão é de que, antes do início do próximo ano letivo (em setembro), seja ainda aprovada uma norma complementar, obrigando as universidades a criar sistemas para a aprovação de todas as palestras que ocorram .
Repercussão negativa
A nova investida do governo, porém, tem encontrado resistência entre as lideranças da área da educação. Em entrevista à BBC, a líder do sindicato nacional dos professores deixou clara a sua insatisfação. “Professores não podem ser transformados em espiões dentro da sala de aula”, argumentou. Mesma opinião tem o Sindicato das Universidades e Escolas Preparatórias, feroz crítico da medida.
Desde a votação da medida, em fevereiro deste ano, as manifestações de descontentamento por parte dos profissionais da educação tem sido fortes. À época, 500 educadores e cientistas destacados no país assinaram uma carta aberta em repúdio à medida, publicada pelo jornal The Guardian.
Porém se àquela época os descontentes receberam alguma simpatia por parte do então vice-premiê Nick Clegg agora, dentro do governo puro-sangue dos conservadores, o espaço para concessões foi abolido. Em fevereiro, foi Clegg e seu partido Liberal Democrata, então parte da aliança governista, que barraram a aprovação da parte do texto que impunha às universidades o dever de vetar determinados tipos de palestra consideradas radicais ou extremistas.
Com a maioria no Legislativo adquirida nas eleições de maio, o Ministério do Interior já confirmou a intenção de votar novamente a medida. “Essa repressão severa sobre os direitos dos acadêmicos e dos estudantes pretendida pelo governo não vai alcançar os fins que eles ambicionam”, defende a secretária-geral do Sindicato das Universidades e Escolas Preparatórias, Sally Hunt.
Agência Efe (arquivo/jun.2012)
Premiê David Cameron foi reeleito após eleições em que Partido Conservador aumentou maioria no governo
O grande receio é que, em nome da segurança, o Reino Unido sacrifique a liberdade de expressão. Afinal, como lembra Hunt, o ambiente académico nem sempre é um lugar para consensos, porém é um espaço fundamental para o debate de pontos de vista discordantes e controversos.
Na mira dos terroristas?
O temor do uso das instituições de educação como centros de recrutamento por terroristas cresce embalado por histórias amplamente divulgadas na imprensa local. Jihadi John, o assassino que se tornou famoso por protagonizar cenas de decapitação de reféns enquanto proferia seus discursos de ódio em um bem cuidado inglês britânico, frequentou as cadeiras da prestigiosa Universidade de Westminster antes de integrar as fileiras do Estado Islâmico. A notícia veio à tona em fevereiro deste ano, por meio de documentos vazados à imprensa.
No mesmo mês, ganhou repercussão o caso de três garotas entre 15 e 16 anos, estudantes de uma mesma escola no leste de Londres, que fugiram de casa e viajaram sozinhas para a Turquia, de onde cruzaram a  fronteira com a Síria para se reunir a militantes do mesmo Estado Islâmico.
Outro caso emblemático é o de Michael Adebolajo, um dos condenados pelo assassinado do soldado Lee Rigby em Londres, em 2013. Posteriormente, soube-se que Adebolajo fora aluno da tradicional Universidade de Greenwich.
Todas essas histórias escondem um fato. “Jovens entre 18 e 24 anos, são os principais sujeitos dos processos de radicalização”, diz o antropólogo Scott Atran, que realiza estudos de campo entre grupos radicais envolvidos em conflitos. Somente no Reino Unido, de acordo com estimativas do Ministério das Relações Exteriores, mais de 500 jovens deixaram o país para lutar em grupos de radicais na Síria e no Iraque. O grande desafio, porém, é definir a conexão entre todas essas histórias e como elas podem evitar que outras mais aconteçam.
Nem tão simples
Um artigo recém publicado pelo especialista em islamofobia Chris Allen, pesquisador da Universidade de Birgminham, evidencia essas questões. No texto, Allen põe em xeque a principal ideia por trás da política atual, problematizando se é possível identificar, com facilidade, mudanças de comportamento que indicam a ligação do aluno a grupos terroristas.
“A noção de mudanças facilmente identificáveis no comportamento existe há algum tempo. Foi proposta há uma década pelo então ministro do Interior John Reid”, diz Allen. “Se voltarmos no tempo, Reid estava falando aos pais muçulmanos sobre a necessidade de estar vigilantes aos sinais do extremismo em suas crianças”.
Thlbaut Démare/Flickr/CC
Críticos da nova lei argumentam que alvo da empreitada é juventude muçulmana, o que poderá aumentar a islamofobia e a segregação
Para Allen, a nova medida do governo é apenas a repetição dessa mesma ideia. No texto divulgado pelo Ministério do Interior, embora se repita mais de uma vez que os professores precisam estar atentos aos “sinais da radicalização” não há, em nenhum momento, uma orientação clara sobre o que seriam esses sinais.
“Isso não surpreende, uma vez que essencialmente as 'mudanças' ou os 'sinais' aos quais eles se referem são uma espécie de código para definir tornar-se 'mais muçulmano'. Seja no visual (deixando crescer uma barba ou usando o niqab, vestimenta islâmica), seja na expressão (praticando a religião de maneira mais aberta ou demonstrando visões políticas sobre a política de relações internacionais britânica ou sobre a Palestina, por exemplo)”, define Allen.
Diante dessa imediata associação entre comportamentos muçulmanos, radicalização e terrorismo, o grande risco é aumentar ainda mais a segregação dos jovens de origem muçulmana, deixando-os mais isolados, apontam os especialistas.
“Essa nova norma pode acabar gerando um risco ainda maior de que as pessoas se refugiem em grupos isolados e fora do radar, nos quais o risco de radicalização é ainda maior”, considera Sally Hunt, do Sindicato das Universidades e Escolas Preparatórias. Como resume Aran: “Essas orientações muito rígidas [sobre radicalização] podem acabar gerando o efeito oposto e o tiro pode sair pela culatra”.


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