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domingo, 19 de julho de 2015

D.E.S.P.E.-T.E. (Dicionário Estratégico de Sodomização Pujante mas Enternecedora dos Trabalhadores Europeus)


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D.E.S.P.E.-T.E. 
(Dicionário Estratégico de Sodomização Pujante mas Enternecedora dos Trabalhadores Europeus)

A
Angela Merkel: pechisbeque muito utilizado na casa do senhor Wolfgang Schäuble em Friburgo.

António Costa: paradigma do político carismático e mobilizador de massas.

António Lobo Xavier: indivíduo bem trajado, originário do Norte, de inteligência inversamente proporcional à percepção da realidade.

E
Euro: moeda única de valor geograficamente diverso.

J
Jeroen Dijsselbloem: roedor oriundo dos Países Baixos, demonstra faro apurado para capturar presas indefesas.

Mario Draghi: romano com ar de vendedor de gelados que adopta sorrisos largos enquanto fecha a torneira a povos sem cheta.

P
Passos Coelho: tenor com alopécia, responsável – por acaso – pela invenção do fogo, da agricultura, do sextante, da espingarda de canos serrados, do Ford T, do hula-hoop e da ida do homem à Lua.

R
Resgate: vocábulo pós-moderno de insondável etimologia que serve para designar uma modalidade gentil de escravatura a prestações.

V
Vítor Constâncio: regulador de talentos invulgares, a sua especialidade é não fazer patavina em postos de grande destaque público (ao contrário do que indica o senso comum, trata-se de uma das suas maiores virtudes; quanto entra em acção, acontecem BPN's).

W 
Wofgang Schäuble: marionetista profissional, o seu sonho é comprar a Torre de Belém, o Trinity College, a Plaza Mayor e o Partenon a preços de saldo.

Yanis Varoufakis: motard proprietário de uma loja de casacos de cabedal que detesta sentar-se em cadeiras mas aprecia jantares ao ar livre; experimentou a política durante cinco meses, mas não inalou.

IN "SÁBADO"
18/07/15

PEDRO MARTA SANTOS


 

Segurança privada vai formosa e não segura - O último ano foi de adequação do setor a novos requisitos, o que ditou um menor número de operadores. Com 82,6% dos intervenientes entre as micro e pequenas empresas, manteve-se a tendência de concentração nos dez maiores players, que empregam 72% do pessoal de vigilância activo.



Segurança privada vai formosa e não segura


O último ano foi de adequação do setor a novos requisitos, o que ditou um menor número de operadores. Com 82,6% dos intervenientes entre as micro e pequenas empresas, manteve-se a tendência de concentração nos dez maiores players, que empregam 72% do pessoal de vigilância ativo.

A 31 de dezembro último existiam 91 entidades prestadoras de serviços de segurança privada no mercado português, titulares de 134 alvarás, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Privada relativo a 2014, aprovado no início deste mês (a 3 de julho) pelo Conselho de Segurança Privada no Ministério da Administração Interna.
O documento refere que foram criadas, durante o ano passado, três empresas de segurança privada, tendo sido autorizados cinco novos alvarás. No entanto, cessaram atividade sete, na sequência do término da validade dos títulos habilitantes e da não instrução dos respetivos processos de renovação ou por outros motivos, com o cancelamento de nove alvarás.
Tendo em conta o número de trabalhadores vinculados às empresas habilitadas a prestar serviços de segurança privada titulares de alvará ou licença no país, verifica-se que 82,6% são micro e pequenas empresas. A maioria das entidades licenciadas tem a sede nos distritos do litoral e capitais de distrito, não obstante a existência cumulativa de outras instalações operacionais ou secundárias.
Tal como nos exercícios transatos, denota-se a tendência de concentração nas dez maiores empresas, às quais se encontram vinculados 72,14% dos trabalhadores de vigilância ativos (que ascendem a 36.871). A média de idade do pessoal no setor é 39,6 anos, sendo que 51,7% têm entre 36 e 55 anos (com preponderância do sexo masculino, que atinge os 91%).
Quanto à empregabilidade do setor, 61% dos titulares de cartão válido (36.871) detêm vínculo laboral. Encontram-se ainda registados 23.969 (39%) seguranças privados inativos (não vinculados a entidade prestadora de serviços de segurança privada), mas cujos cartões profissionais estão dentro do período de validade.
Apesar da volatilidade do mercado de trabalho na segurança privada, decorrente da contratação de pessoal de vigilância com especialidades para eventos específicos, o relatório adianta que há uma percentagem significativa de vigilantes vinculada em exclusivo a uma entidade patronal. Do total de pessoal ativo só 3,9% estão vinculados a duas empresas de segurança privada, e 0,7% a mais do que duas entidades.
Entre as nove especialidades atualmente previstas no quadro legal da segurança privada, prepondera a de vigilante (com 27.754), seguindo-se a de segurança porteiro (6125), assistente de recinto desportivo (3767), proteção e acompanhamento pessoal (228), segurança aeroportuário (214) e transporte de valores (70). Ainda são inexistentes os profissionais com algumas das novas especialidades, como a de operador de central de alarmes. Em termos da formação profissional, a quase totalidade do pessoal de vigilância com cartão profissional válido é detentora de cartão para o exercício de apenas uma especialidade. A proporção de vigilantes detentores de mais do que uma especialidade é similar no pessoal com e sem vínculo laboral.
O ano de 2014 “ditou a adequação das entidades às novas obrigações e requisitos, iniciando uma tendência decrescente de operadores do setor, mais vincada nas licenças de autoproteção”. O documento prossegue referindo que, “no que concerne às entidades formadoras, urge realçar a tardia adaptação do mercado às novas previsões legais, o que levou à insuficiência de oferta formativa no último trimestre” do exercício passado. E adianta que “a conjugação da criação de novas especialidades para o desempenho de funções na segurança privada com a ausência de entidades formadoras criou dificuldades de resposta às necessidades do mercado, tendo sido necessário o recurso a medidas de caráter transitório, de forma a não bloquear o setor, de que constitui exemplo a previsão de um processo de equivalências com base na experiência profissional”.
E conclui que, “apesar do esforço empreendido pelas entidades com competência inspetiva para combater o incumprimento da lei, verifica-se a possível existência de alguns fenómenos anómalos que importa analisar, particularmente no que respeita aos fenómenos criminais e contraordenacionais associados à segurança privada, designadamente ao trabalho não declarado”.
Infrações sobem 50%. Dumping mina o setor
As infrações associadas à segurança privada cresceram 50% face a 2013. A Polícia de Segurança Pública (PSP), no âmbito das suas competências de fiscalização de segurança privada, detetou 2092 fenómenos criminais e contraordenacionais, mais 706 que no ano anterior. Das 2092 infrações, 1973 são contraordenações e 119 de natureza criminal, refere o relatório. A maioria dos ilícitos criminais está relacionada com o exercício da atividade sem ser titular de cartão profissional (39), falta de licença de autoproteção (26), de alvará (15) e de autorização (15), além da utilização de serviços ilícitos de segurança privada (14).
As contraordenações mais frequentes no que toca ao pessoal de vigilância é a colocação do cartão profissional de forma visível (488). E em relação às empresas de segurança privada é a não comunicação no prazo legal das admissões e demissões do pessoal de vigilância (346).
No âmbito dos sistemas de videovigilância, o documento refere que se constatou que a ausência de autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) constitui o ilícito mais frequente, sendo a ausência de aviso relativo à existência do sistema o ilícito mais frequente no âmbito dos sistemas de segurança obrigatórios para os estabelecimentos de restauração e bebidas com espaço de dança ou onde habitualmente se dance.
O relatório adianta que as fiscalizações a entidades de segurança privada diminuíram 11% em 2014, com a PSP a realizar 6630 ações de fiscalização, menos 857 que em 2013.
No início da semana passada, a Associação de Empresas de Segurança (AES) – que representa 55% do setor da segurança privada em Portugal – afirmou que o documento “passa praticamente ao lado dos grandes problemas” do setor, como o trabalho não declarado e o exercício ilegal da profissão. O presidente da AES, Rogério Alves, aponta o trabalho não declarado como um dos grandes problemas, já que, “além de constituir uma flagrante violação da lei, destrói os fundamentos da sã concorrência”. Outro está relacionado com o “exercício ilegal da atividade, no qual medram e se manifestam fenómenos de criminalidade”. O responsável salienta que a associação luta por uma atividade de fiscalização integrada, que envolva nas mesmas ações de inspeção a Autoridade para as Condições do Trabalho, a Autoridade Tributária e a Segurança Social. E acrescenta que o Relatório Anual de Segurança Privada não deve ser um mero repositório estatístico, mas um instrumento capaz de permitir entender o estado do setor da segurança privada em Portugal, pelo que lamenta que o documento tenha ignorado os contributos enviados pela associação após a primeira versão do texto. Para Rogério Alves, o diagnóstico dos problemas está feito, o combate às suas causas é que é “altamente deficitário”, exceto no caso da PSP, que tem cumprido a missão na sua área de competências.
Já em março deste ano, o presidente da AES declarava que a prática de dumping (venda de bens ou serviços abaixo do valor justo), com “preços escandalosamente baixos”, está a minar o setor. Mais: o mau exemplo vem do Estado, “mais sensível ao custo imediato que ao prejuízo reportado” pelas empresas cumpridoras. E questionava como é que “o mesmo Estado que obriga a pagar 10 contrata por 9. É viável que alguém produza por 9 algo que custa 10?”. Rogério Alves considera “estranho que, de uma forma generalizada, haja empresas de segurança privada a apresentar preços abaixo do valor que a Autoridade das Condições de Trabalho diz que é o custo do serviço (em que sejam cumpridas as vinculações legais de índole laboral, fiscal, etc.), ou seja, custos calculados pelo próprio Estado”.
OJE

Elefantes no Rio Lima dividem opiniões - Um grupo de elefantes do circo Victor Hugo Cardinali tem ido, por estes dias, a banhos no rio Lima, em Ponte de Lima, e as opiniões dividem-se. Veja as imagens e vídeo.

Elefantes no Rio Lima dividem opiniões

Um grupo de elefantes do circo Victor Hugo Cardinali tem ido, por estes dias, a banhos no rio Lima, em Ponte de Lima, e as opiniões dividem-se. Veja as imagens e vídeo abaixo

De um lado, estão os que consideram o cenário digno de outros continentes. Do outro, estão aqueles que criticam o aproveitamento dos animais para a atividade circense.
Os limianos foram surpreendidos na tarde de sexta-feira, mas o episódio repetiu-se já este sábado. As imagens "caíram" nas redes sociais, onde a partilha de opiniões tem sido intensa. O certo é que ninguém ficou indiferente à presença daqueles gigantes nas águas tranquilas do rio Lima.
"As fotos são de facto fantásticas, mas seria muito melhor ver estes animais inseridos no seu habitat natural", comentou uma utilizadora da rede social Facebook.
Houve também quem questionasse se "as necessidades" dos elefantes não serão "prejudiciais para os banhistas". Para outras pessoas, este banho no rio Lima foi entendido como um raro momento de liberdade para os mamíferos.
No entanto, choveram igualmente opiniões favoráveis. "Animais magníficos num cenário de rara beleza", lê-se num comentário, em jeito de legenda a uma das fotografias. A situação proporcionou também leituras jocosas, com recurso a trocadilhos, e muitos limianos já sugerem safaris no rio Lima.






 vídeo

video

CANDIDATOS CDU - PORTO


Lista de Candidatos da CDU pelo Distrito do Porto



Jorge Machado 


39 anos 
Deputado do PCP na Assembleia da República, jurista, membro da Comissão Concelhia da Póvoa de Varzim e DORP do PCP.
2. Diana Ferreira


34 anos
Deputada do PCP na Assembleia da República, licenciada em psicologia, Membro da comissão concelhia Gaia e da DORP do PCP, Eleita Assembleia Municipal de Gaia e Assembleia da União de Freguesias de Valadares e Gulpilhares.

3. Ana Virgínia Pereira 


54 anos
Professora, membro da Comissão Concelhia Maia e da DORP do PCP, Vereadora na Câmara Municipal da Maia, Delegada Sindical.


4. José António Gomes
59 anos
Docente do ensino superior, escritor. Membro da Direcção do Sector Intelectual do Porto do PCP. Dirigente Associação Portuguesa de Escritores.

5. Joana Costa


32 anos
Licenciada em Marketing. Membro da Direcção da Organização da Cidade do Porto do PCP

6. Alfredo Maia
53 anos
Jornalista, independente.

7. Júlio Sá


39 anos
Membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes»

8. Lurdes Ribeiro
47 anos
Auxiliar de Acção Educativa, membro da comissão concelhia de Amarante, da DORP e do Comité Central do PCP. Dirigente Sindical.

9. João Torres


61 anos
Empregado Escritório, membro da DORP e do Comité Central, membro da Comissão Executiva da CGTP e Coordenador da União de Sindicatos do Porto.

10. Jaime Toga


36 anos
Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP e responsável pela organização regional do Porto

DOIS PINTORES DOIS ESTILOS - ANTÓNIO SGARBOSSA (MISTERIOSA MULHER) e ROBERT McGINNIS (PIN UP) PINTOR, ILUSTRADOR DE LIVROS E CARTAZES PARA FILMES

Mulher Misteriosa - pintor Antonio Sgarbossa


Antonio Sgarbossa é um pintor italiano, conhecido por trabalhar no estilo figurativo. 
Sgarbossa nasceu em Fontanaviva, Itália, a 18 de julho de 1945. Ele começou a usar cores de óleo quando
  era muito jovem e pouco tempo depois, seus pais decidiram enviá-lo para estudar  numa oficina
 a técnica de pintura em  pratos e potes. Em 1971, por causa de seu trabalho, ele foi obrigado a se mudar
 para Neuchatel (Suíça), onde  entrou em contato com a cena artística  deste lugar
 e começou a estudar a  figura nua. Seu primeiro contato com as wzs públicas foi em 1976, quando ele organizou 
a sua primeira exposição individual em " Il fiore "Art Gallery em Bassano Del Grappa. Em 1977, em
 Fontanaviva ele abriu um laboratório próprio de pinturas em  potes para melhorar suas habilidades em modelagem e escultura. 
 Durante a década de 90 sua carreira artística se tornou mais poderosa e bem conhecida na verdade. 








 Pin Up - Artista Robert McGinnis


Robert McGinnis (nascido em 1926) é um artista e ilustrador americano. McGinnis é conhecido por suas ilustrações de mais de 1200 capas de livros de bolso, e mais de 40 cartazes de filmes, incluindo pequeno-almoço em Tiffanys (sua primeira missão no cartaz do filme), Barbarella, e vários filmes de James Bond e Matt Helm

 Robert Edward McGinnis nasceu  em Cincinnati,
McGinnis se tornou um aprendiz no estúdio de Walt Disney, em seguida, estudou artes plásticas na Universidade Estadual de Ohio. Após o serviço de tempo de guerra na Marinha Mercante ele entrou na publicidade e num encontro com Mitchell Hooks, em 1958, levou-o a ser apresentado a Dell Publishing começou aí uma carreira desenhando uma variedade de paperback capas para livros escritos por autores como Donald Westlake (escrita como Richard Stark ), Edward S. Aarons, Erle Stanley Gardner, Richard S. Prather, ea série Michael Shayne e Carter Brown.


McGinnis depois fez trabalhos de arte para Ladies 'Home Journal , Feminina Home Companion , Good Housekeeping , TEMPO , Argosy ,Guideposts , e The Saturday Evening Post .
Ele era designer do título principal para o Hallelujah Trail (1965)
A atenção de McGinnis aos detalhes foi tal que, quando ele foi designado para fazer a obra de arte para Arabesque pediu  um tigre real para capturas as listras para desenhar um  vestido de  Sophia Loren 

Em 1985 McGinnis foi agraciado com o título de "Artista romântico do Ano" pela Romantic 
Desde 2004, McGinnis criou ilustrações de capa para a série paperback Hard Case Crime.


 Ele é membro da Society of Illustrators Hall of Fame.McGinnis  e é o tema de um documentário, Robert McGinnis: Pintando a última Rosa do verão , por Paul Jilbert





Êxodos dantescos e guerras imperialistas: Crimes do capitalismo

Êxodos dantescos e guerras imperialistas: Crimes do capitalismo

Êxodos dantescos e guerras imperialistas: Crimes do capitalismo
Por Cecilia Zamudio / Resumen Latinoamericano

"Tenta-se esconder que o saqueio e as denominadas “guerras humanitárias” perpetradas pela UE e os Estados Unidos contra a África, têm como lógica consequência o êxodo massivo. Os grandes capitalistas impõem midiaticamente uns bodes expiatórios para ocultar as verdadeiras causas do êxodo. Responsabilizam pela contínua tragédia do Mediterrâneo e do Atlântico as supostas “máfias” de transporte de pessoas, quando se sabe que em muitas ocasiões o suposto “mafioso” não é outra coisa que um pescador que já não pode sobreviver da pesca em um mar saqueado pela ação das grandes transnacionais; um pescador reconvertido em condutor de embarcações que, clandestinamente, tentam passar pelas fronteiras da Europa-Fortaleza. Inclusive, ainda que muitos transportadores destas viagens clandestinas se aproveitem das pessoas em situação de êxodo, não podem ser tidos como os responsáveis por esta tragédia, por estes crimes de lesa humanidade, a menos que se queira encobrir os verdadeiros responsáveis. Na ONU apresentaram como “solução” outro plano militar. O fascismo avança como ferramenta para a manutenção do capitalismo."

Continua o crime de lesa humanidade que o capitalismo e a UE estão perpetrando contra dezenas de milhares de pessoas forçadas a migrar, gerando uma terrível catástrofe, ante a qual não podemos ficar calados, e ante a qual não podemos cometer a obscenidade de adotar por certas as teorias falaciosas que tentam culpar supostas “máfias” pelo drama.

Culpar as supostas “máfias de migrantes” é tentar encobrir os verdadeiros responsáveis. O capitalismo é o responsável por esta tragédia: os que lucram com o suor alheio e com o saqueio do planeta. As transnacionais ampliam suas fortunas na base da tortura dos povos: viabilizam o saqueio mediante guerras imperialistas e o paramilitarismo. 85 multimilionários possuem uma riqueza igual à riqueza compartilhada pela metade da população do planeta (1); 3.570 milhões de pessoas que sobrevivem exploradas em buracos, tendo que comer os lixos, tendo que vender seus órgãos ou seu sangue, tendo que prostituir-se desde a infância, ou tendo que empenhar-se em êxodos terríveis, cujo resultado não será outro que a morte por afogamento em vida, tendo que padecer com a exploração extrema na Europa-Fortaleza, em caso de sobreviver à viagem.

1. Uma catástrofe descomunal: uma crise de refugiados do saqueio capitalista e das guerras imperialistas

Milhares de pessoas perderam a vida no Mediterrâneo só no ano de 2015 na tentativa de chegar à Europa: concretamente, trinta vezes mais em comparação com o mesmo período do ano passado. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima em 137.000 o número de migrantes que chegaram durante os seis primeiros meses de 2015 às costas europeias, após cruzar o Mediterrâneo. Em 2014, a Itália resgatou não menos que 170.000 pessoas; um aumento de 277% a respeito de 2013 (2). “A grande maioria das milhares de pessoas que fez a perigosa viagem por mar nos seis primeiros meses de 2015, fugia da guerra, do conflito ou da perseguição. Isso converte a crise no Mediterrâneo em uma crise dos refugiados”, expressou a ACNUR em seu último informe (3). “Os óbitos aumentam significativamente no segundo semestre do ano, durante os meses do verão; se espera que continuem aumentando” (Ibid.). Aproximadamente 90 mil pessoas cruzaram a Europa entre 1° de julho e 30 de setembro de 2014 e, ao menos, 2.200 perderam a vida.

As vítimas “registradas” são somadas às desaparecidas, aquelas cujos cadáveres não são encontrados. E as vítimas do êxodo por saqueio que falecem no Mediterrâneo precisam ser somadas às milhares de vítimas no deserto. A elas somam-se as vítimas assassinadas nas cercas de Ceuta e Melilla e nos centros de “internamento”.

Existe um aumento no êxodo, com tragédias como a das mil mortes em uma semana, no mês de abril de 2015 (4). São pessoas fugindo da miséria na qual o saqueio é perpetrado pelo grande capital, que submete a África. Seguem a rota que previamente seguiram as imensas riquezas extraídas de seus países. O continente africano padece novas perdas com esta tragédia: perde juventude com tudo que isso implica para a sociedade. Os familiares das vítimas nunca saberão o que ocorreu com seus entes queridos, pois nem todos os cadáveres são recuperados, e os que são recuperados são enterrados como indigentes na maior parte das vezes.

2. A desculpa das “máfias”: cai como uma luva para encobrir os saqueadores

Tenta-se esconder que o saqueio e as denominadas “guerras humanitárias” perpetradas pela UE e os Estados Unidos contra a África, têm como lógica consequência o êxodo massivo. Os grandes capitalistas impõem midiaticamente uns bodes expiatórios para ocultar as verdadeiras causas do êxodo. Responsabilizam pela contínua tragédia do Mediterrâneo e do Atlântico as supostas “máfias” de transporte de pessoas, quando se sabe que em muitas ocasiões o suposto “mafioso” não é outra coisa que um pescador que já não pode sobreviver da pesca em um mar saqueado pela ação das grandes transnacionais; um pescador reconvertido em condutor de embarcações que, clandestinamente, tentam passar pelas fronteiras da Europa-Fortaleza. Inclusive, ainda que muitos transportadores destas viagens clandestinas se aproveitem das pessoas em situação de êxodo, não podem ser tidos como os responsáveis por esta tragédia, por estes crimes de lesa humanidade, a menos que se queira encobrir os verdadeiros responsáveis. Na ONU apresentaram como “solução” outro plano militar. O fascismo avança como ferramenta para a manutenção do capitalismo.

3. Nova operação militar europeia contra a Líbia, com um pretexto banal

A operação militar europeia leva o nome EUNAVFOR MED e atua pela OTAN (5). Possui um orçamento de 11,82 milhões de euros para os dois primeiros meses e, a princípio, se manterá durante um ano (6). Cinco navios de guerra, dois submarinos, seis aviões e helicópteros, dois Drones e aproximadamente 1.000 militares europeus começam a avançar pelas águas internacionais próximas à Líbia (Ibid.).

Trata-se da primeira missão militar que a UE coloca em marcha sob o pretexto de “desmantelar as máfias que traficam com migrantes”. Os ministros europeus aprovaram o projeto militar em junho. No momento, esta nova agressão europeia contra a Líbia não conta com uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que permita entrar no território líbio, graças ao fato da Rússia ter se mantido firme em sua oposição a uma nova intervenção na Líbia e à destruição militar de barcos. A Rússia exige obter a solicitação prévia de um Governo de unidade líbia. O enviado especial das Nações Unidas para a Líbia, Bernardino León, há meses tenta, porém os líbios resistem em dar um aval para uma nova invasão. “Fontes da diplomacia europeia confiam na possibilidade de darem o aval à operação na Líbia com o Governo de Tobruk” (Ibid.), internacionalmente reconhecido para que sirva a estes fins belicistas. Uma dezena de Estados europeus participará da operação contra a Líbia, entre eles: Espanha, Reino Unido, Alemanha, França e Itália. Os militares estão preparados para passar da “coleta de informações” à etapa de apreensão de barcos em águas internacionais e na zona territorial líbia. Em uma terceira fase, “inutilizariam” barcos sob o pretexto de ser de supostos “traficantes”. Tudo isso permitiria uma nova presença militar em território líbio.

Várias vozes se elevam contra esta operação militar, como a de vários sindicatos: “Não estamos de acordo com medidas de tipo militar como o bombardeio das embarcações. Além de colocar em risco a vida dos migrantes, cerceia o direito de escapar de uma situação dramática e solicitar o status de refugiado” (7). Reclamam: “Voltar a implantar o programa humanitário e de resgate Mare Nostrum 1 (*), desta vez com o apoio logístico e econômico dos países da UE. (…) É preciso criar corredores humanitários para os migrantes que fogem de situações de violência, perseguição e guerra, priorizando a atenção às pessoas que solicitam o status de refugiado” (Ibid.).

4. O Atlântico: a maior dificuldade imposta nas rotas migratórias, maior quantidade de desaparecidos

Esta iniciativa militar contra a Líbia é alheia a Frontex, que agora conta com um orçamento triplicado para os dois programas do Mediterrâneo (Tritão e Poseidon): estes programas têm um enfoque repressivo, de “defesa” das fronteiras europeias, que torna mais difícil as rotas de migração, aumentando assim a periculosidade das mesmas.

Por causa da repressão, nas rotas do océano Atlântico as saídas de embarcações se fazem cada vez mais ao sul; saindo agora do Senegal, quando antes saíam do Marrocos ou Mauritânia, o que aumenta os dias de viagem em alto mar e submete as pessoas migrantes a um perigo ainda maior de ser arrastadas pelas correntes marítimas. O oceano Atlântico é outro imenso cemitério de mulheres e homens falecidos tentando buscar uma saída para sobreviver às condições de miséria causadas pelo saqueio capitalista: ali os desaparecimentos são dantescos, dado que as pessoas são arrastadas à metade do Atlântico, falecendo de sede e fome, nas condições de tortura a que são obrigadas pelas novas rotas migratórias que impõe a Europa-Fortaleza (8). A Ditadura do Capital obriga as pessoas a empreender êxodos terríveis, em condições de perigo extremas.

5. A agressão contra a Líbia em 2011: a serviço do Grande Capital Transnacional

A tragédia do falecimento de milhares de pessoas oriundas da Líbia é também uma das consequências da invasão contra a Líbia, perpetrada pela OTAN em 2011. A invasão da Líbia foi uma intervenção a serviço do Grande Capital Transnacional, empreendida com a ajuda de mercenários paramilitares infiltrados na Líbia a partir dos serviços secretos europeus e estadunidenses. Esta invasão se articulou com a total cumplicidade do aparato midiático do capitalismo transnacional, que chamavam os paramilitares mercenários de “rebeldes” com a finalidade de justificar a invasão e genocídio contra o povo líbio e seu governo de então. Durante o governo de Kadaffi, a Líbia era o país com o maior nível de vida da áfrica; razão pela qual na Líbia se estabeleceram muitíssimos africanos de outras regiões. Estes africanos hoje se somam aos que tentam chegar à Europa-Fortaleza: a essa UE que saqueia as riquezas da África, porém depois não quer as pessoas.

A Líbia foi o alvo da cobiça capitalista por várias razões: tem em sem solo um petróleo dos mais leves do mundo e um potencial produtivo estimado em mais de 3 milhões de barris diários. Desde 2009, Kadaffi adiantava um plano para nacionalizar o petróleo líbio. O plano de nacionalização foi impedido por opositores no próprio seio do governo. Muitos destes opositores à nacionalização assumiram o papel de “chefes rebeldes” a serviço dos interesses transnacionais.

Além de a Líbia possuir uma imensa reserva hídrica subterrânea estimada em 35.000 quilômetros cúbicos de água, que constitui o Sistema Aquífero Núbio de Arenito (NSAS, sigla em inglês), a maior reserva fóssil de água do mundo. Nos anos oitenta, a Líbia iniciou um projeto de grande escala de abastecimento de água: o Grande Rio Artificial da Líbia, considerado um dos maiores projetos de engenharia, que provinha água a partir dos aquíferos fósseis. O sistema uma vez finalizado cobriria a Líbia, Egito, Sudão e Chade, potencializando a segurança alimentar de uma região afetada pela escassez de água para cultivos. Isso evitaria que esses países recorressem aos fundos do FMI: algo que se oporia à aspiração do monopólio global dos recursos hídricos e alimentares por parte do Ocidente.

Por outro lado, a Líbia possuía 200 bilhões de dólares de reservas internacionais que foram confiscados por seus agressores.

Depois da agressão imperialista, a Líbia ficou destruída, sem infraestrutura aquífera nem rodoviária, nem escolas, nem hospitais, já que até estes foram bombardeados. Antes da invasão imperialista, na Líbia as mulheres viviam com muito mais liberdade que em outros países da região; após a invasão, uma das primeiras medidas do governo de mercenários enaltecido pela OTAN, foi decretar a lei da Sharia, atrozmente cruel com as mulheres, tudo sob os aplausos da UE e dos EUA. Outra das consequências da invasão à Líbia é o surgimento de grupos de terrorismo paramilitar em diferentes países da região: os mercenários empregados pelos serviços secretos europeus e estadunidenses se reciclam em outras operações do terror. Destas operações surge o Estado Islâmico.

A Líbia foi torturada pelo que a falsa mídia teve o cinismo de chamar de “bombardeios humanitários”. Uma absurda operação do imperialismo com vistas à apropriação dos recursos líbios.

6. As 10 pessoas mais ricas da Europa, a capitalização da riqueza e a fábula das “ajudas

A riqueza das 10 pessoas mais ricas da Europa equivale a 217 bilhões de euros e supera a “ajuda” total que a Europa diz dar aos países empobrecidos (8). Países empobrecidos precisamente pela ação de multinacionais que saqueiam e exploram sob a proteção de regimes mantidos mediante a repressão e o extermínio dos opositores políticos, quando não de golpes e genocídios impulsionados diretamente dos serviços secretos e militares dos Estados Unidos e da UE. Multinacionais cujos maiores acionistas não são outros que os detentores dessas grandes fortunas da Europa e do mundo. Resta dizer que muitas dessas grandes fortunas se consolidaram graças à deportação e escravização de africanos, graças ao saqueio colonial e graças ao atual saqueio imperialista.

E quanto à suposta “ajuda”, falta dizer que essa “ajuda” provavelmente é ineficiente: posto que as somas são dirigidas a investimentos decididos pelos que as outorgam, destinando-as, na maioria das vezes, a quebrar o campesinato local, a fortalecer mecanismos de submissão econômica e de dependência, a financiar grandes contratos que reinvertem as somas no capitalismo metropolitano (mediante a aquisição de maquinário cujas peças criam vínculos de dependência, mediante a aquisição de sementes transgênicas, mediante a introdução de costumes alimentares que contribuam para quebrar toda soberania alimentar, mediante a imposição de modelos produtivos, etc). A suposta “ajuda” também é destinada a fortalecer projetos cívicos articulados para amparar projetos militares, projetos funcionais de cooptação política, a fortalecer ONGs em detrimento da luta popular, e a fortalecer especificamente certas ONGs em detrimento de outras, sendo sempre um condicionante para que estas se dobrem a adoção das linhas impostas pelos think tanks funcionais à manutenção do sistema capitalista. Isso para não mencionar os interesses de grande parte da “ajuda”.

7. Dramáticos êxodos populacionais: consequências do sistema capitalista

Os êxodos populacionais, tanto da África e da Ásia para Europa, como da América Latina para os Estados Unidos (essencialmente), continuarão aumentando enquanto permanecer o saqueio capitalista. Milhões de seres humanos se veem obrigados a migrar para que suas famílias possam sobreviver. E a este drama da desintegração familiar e da remoção forçada, se somam as perigosíssimas condições do êxodo, produto das políticas migratórias dos países para os quais se dirigem as populações em êxodo que, não por acaso, são os mesmos países destinatários das riquezas saqueadas dos países de origem dos migrantes. As pessoas não vão para o “sonho” europeu ou estadunidense, fogem do pesadelo no qual as transnacionais se converteram em todo o planeta: continuam a rota que previamente seguiram as imensas riquezas extraídas de seus países. Porém, os países da metrópole capitalista querem as riquezas, mas não as pessoas.

Este sistema funciona na base do saqueio e da exploração, e produz incessantes guerras imperialistas e regimes a serviço do grande capital que não vacilam em agredir as populações das zonas cobiçadas, mediante seus exércitos oficiais, ou a implantação do paramilitarismo (ferramenta do Terrorismo de Estado). E são as lógicas inerentes ao capitalismo as que produzem leis migratórias cínicas e desumanas, e que produzem também grupos que se aproveitam das pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. Já abordamos o exagerado tema das “máfias”, assinalando que muitos transportadores não são outra coisa que pescadores sedentos por redes de arrasto, que também colocam suas vidas em perigo. Apontamos que, inclusive considerando os transportadores que exploram os migrantes nessas rotas do êxodo, se deve incluir o fenômeno no contexto que o gera e não usá-lo como bode expiatório para isentar os verdadeiros responsáveis por este drama. O fenômeno de exploração dos migrantes é inerente ao próprio sistema. Existem grupos criminosos que sequestram migrantes na rota que passa pela América Central para os Estados Unidos, para pedir recompensas a suas famílias, para escravizá-los sexualmente ou extrair órgãos para o tráfico de órgãos. A cumplicidade da polícia não é casualidade: o “negócio” é o que prima no sistema capitalista. Da mesma forma abundam os exploradores dos imigrantes uma vez na Europa: aproveitando-se de sua condição de “ilegais” para cobrar aluguéis inflacionados, explorando-os com salários mais miseráveis ainda que o dos “legais”, ou em troca de comida pelo modo de escravidão, explorando-os sexualmente, etc. Toda essa barbárie é inerente ao capitalismo.

É importante lutar contra um sistema que produz barbárie. E é um imperativo ético combater o uso de bodes expiatórios para viabilizar mais guerras imperialistas e ocultar os verdadeiros responsáveis pelo colapso humanitário: os grandes capitalistas. É hora de compreender onde estão as causas e onde estão as consequências, e deixar de aceitar a obscenidade que consiste em tentar inverter virtualmente as causas e as consequências. Milhares de olhos de mulheres, homens e crianças estão nos olhando da espuma do mar: vítimas do sistema capitalista, de uma barbárie que se tenta cobrir e perpetuar com cinismo.



Cecilia Zamudio


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Referências:

(1) Informe OXFAM: 85 multimilionários possuem uma riqueza igual à riqueza compartilhada pela metade da população do planeta, 3.570 milhões de pessoas.

http://myslide.es/news-politics/informe-oxfam-85-personas-poseen-como-3570-millones-de-personasgobernar-para-las-elites-secuestro-democratico-y-desigualdad-economica.html

(2) http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article86153.

(3).http://www.cuatro.com/noticias/sociedad/ACNUR-inmigrantes-Europa_0_2012325079.html

(4).http://cecilia-zamudio.blogspot.com/2015/05/crimen-de-lesa-humanidad-la-ue-quiere-las-riquezas-de-africa-pero-a-las-personas-no.html

(5) http://internacional.elpais.com/internacional/2015/05/18/actualidad/1431939481_084438.html

(6)“A UE aprova sua primeira missão militar contra as máfias de migrantes”

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/06/22/actualidad/1434973413_386631.html

(7) A via militar na prática: bombardear embarcações. Uma falsa solução

http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article86153

(*) O programa humanitário Mare Nostrum, iniciado em 2013 pela Itália, previa patrulhas no Mediterrâneo fora das águas territoriais da União Europeia, para ajudar milhares de pessoas que tentavam chegar ao país. Foi recomeçado pela operação Tritão, que é financiada pela UE e que possui um enfoque de “defesa” das fronteiras.

(8) Documentário “O muro invisível: o saqueio causa êxodo” em https://www.youtube.com/watch?v=Akpgpa3M3aI

(9) http://myslide.es/news-politics/informe-oxfam-85-personas-poseen-como-3570-millones-de-personasgobernar-para-las-elites-secuestro-democratico-y-desigualdad-economica.html

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/07/10/exodos-dantescos-y-guerras-imperialistas-crimenes-del-capitalismo/




Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)