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domingo, 12 de julho de 2015

O Paladino da Poesia Algarvia – Joaquim Magalhães - No Algarve dos meados do século a vida cultural era incipiente, escassa e quase episódica. O regime vigente também não permitia grandes veleidades, pois encarava os intelectuais como subversivos e potenciais adversários.


O Paladino da Poesia Algarvia – Joaquim Magalhães 


José Carlos Vilhena Mesquita - AGOSTO 2009

Procurando estabelecer um paralelismo comparativo entre a erudição e a generosidade intelectual, a bondade espiritual e a lisura de carácter, cheguei à triste conclusão que são atributos que muito raramente ornam a figura humana. Como raro é também caminharem juntos o percurso da vida numa só pessoa. Dei-me ao trabalho de procurar nos meus arquivos da cultura algarvia as personalidades que melhor preenchessem essas qualidades e virtudes. Confesso que entre os que possuíram essas virtudes e mais se assemelham entre si foram João de Deus e Joaquim Magalhães. A principal diferença entre ambos reside na distância cronológica e na confinação geográfica das suas acções cívicas. Um viveu e desenvolveu os seus principais projectos culturais em Lisboa e o outro quedou-se pela província, curiosamente a de que era originário o “poeta das crianças”.

Existindo, como creio, uma geopolítica da cultura, protegida pelo poder político, favoritista e centralizador, não admira pois que João de Deus se tenha alcandorado ao areópago das figuras nacionais, apontado como elemento definidor duma cultura e educador de gerações. As suas qualidades foram reconhecidas e o seu génio imortalizado. O Dr. Joaquim Magalhães embora mais humilde e menos ambicioso que o autor da Cartilha, nunca poderia guindar-se a altos voos porque destas terras de lendas e feitiços nunca se apartou. Em todo o caso viveram duas realidades político-culturais absolutamente diferenciadas, em dimensões cronológicas muito distantes, pelo que qualquer comparação entre ambos é sempre passível de incongruências e anacronismos. 
No Algarve dos meados do século a vida cultural era incipiente, escassa e quase episódica. O regime vigente também não permitia grandes veleidades, pois encarava os intelectuais como subversivos e potenciais adversários. E quantas vezes o Dr. Joaquim Magalhães não sentiu a impossibilidade de ir mais longe, vendo-se coagido a silenciar as suas opiniões sobre a situação sociocultural em que o país vivia. Por vezes a mais elementar crítica de âmbito literário, quando dita em público, podia ser entendida como perniciosa e desafecta ao regime. Talvez para evitar mais sacrifícios e perseguições - até porque como professor estava sob a alçada do Estado - decidiu refrear as opiniões políticas, evitando confrontar-se com os esbirros do salazarismo. Provavelmente por isso, chegou mesmo a dar a impressão que pactuava com o regime, mas toda a gente sabia que o Dr. Magalhães era um indefectível democrata, cuja bondade de carácter não era capaz de estabelecer diferenças nem distinções entre bons e maus concidadãos.
Pela admiração que me merecia esse generoso amigo, senti um indescritível desgosto no passado dia 16 de Outubro de 1999 quando recebi a triste notícia do seu falecimento. Eram cinco horas da tarde quando um telefonema frio e repentino anunciava: Morreu o Dr. Magalhães. Senti um calafrio, um aperto sufocante no coração que me paralisou a voz. O meu ilustre conterrâneo, indefectível amigo e companheiro nas lides culturais algarvias, partia para sempre. Não sofreu, foi de repente, faleceu serenamente - confidenciou um seu familiar. Virou-se para o outro lado da vida, diria certamente o nosso comum amigo Pinheiro e Rosa, que tinha para a morte uma explicação de transitoriedade, uma espécie de mutação material para um estado de graça absolutamente espiritual, que pessoalmente prefiro qualificar como a prova da nossa impermanência existencial. A sua provecta idade, noventa anos acabados de concluir em Maio, não parecia ter-lhe diminuído a ânsia e viver. Bem pelo contrário, mostrava-se esperançado em romper o século e penetrar no novo milénio. Esta meta cronológica, carregada de fortes implicações psicológicas, sentia-a como uma barreira que desejava vencer. Todavia, uma recente intervenção cirúrgica ao esófago precarizara-lhe a saúde, agravada naturalmente pelo peso da idade. Vi-o definhar neste último verão. Notei-lhe uma grande quebra física, perdendo peso de uma forma irreversível, que o impossibilitou de andar e até de falar com o vigor a que nos havia acostumado. Senti-lhe o fim. Mas apesar de se temer o pior, mas nunca se está preparado para receber e aceitar a morte de um amigo.
Em boa verdade pode dizer-se que o Dr. Joaquim Magalhães foi uma personalidade ímpar e uma figura tutelar da cultura algarvia. Creio mesmo que terá sido o último de uma plêiade de intelectuais que marcaram profundamente a vivência cultural no Algarve. Alguns deles tive a honra de conhecer, como foi o caso do Dr. Mário Lyster Franco, o museólogo José António Pinheiro e Rosa, os publicistas Maurício Serafim Monteiro, Antero Nobre, Abílio Gouveia e Aníbal Guerreiro, os historiadores Alberto Iria, Garcia Domingues e Mariana Santos, os jurisconsultos Rita da Palma, Júlio Carrapato e Neves Anacleto, os poetas João Bráz e Leonel Neves, o escritor Vicente Campinas e o artista Manuel dos Santos Cabanas, além de outros que a memória atraiçoa.
Guardo do meu querido amigo Dr. Joaquim Magalhães as mais gratas recordações, nomeadamente os seus conselhos e ensinamentos, que nunca recusava a quem quer que fosse. Aliás, a sua principal característica era a generosidade. A sua grandeza humana definia-se em duas palavras: bondade e benevolência. É nesse sentido que se tornam mais entendíveis as palavras da escritora Lídia Jorge, quando na homenagem realizada na Livraria Odisseia afirmou: «O Dr. Joaquim Magalhães criou no Algarve uma autêntica família cultural e espiritual... era um homem bom de grande capacidade de envolvimento humano». Como teve a honra de aos catorze anos de idade ter sido sua aluna, recorda-se que «O Dr. Joaquim Magalhães ensinou-nos a saber ler que o silêncio das palavras é uma coisa muito importante... Aprendi com ele o fundamental para a minha vida».
É raríssimo ver-se hoje alguém da sua estirpe, mostrando-se desprendido e desinteressado nas coisas de que poderia beneficiar. E como poderia ter ido longe este homem se fosse um pouco mais ambicioso e não vivesse quase em exclusivo para os outros. Não era esse o seu feitio. Recusou sempre o exercício do poder, apenas aceitando o cargo de Reitor do Liceu de Faro, por ser essa a vontade dos seus colegas. Por isso costumava dizer com alguma ironia que «quem não vive para servir, não serve para viver», sendo inclusivamente esse o seu lema de vida. Esta máxima identifica claramente um homem desprendido de quaisquer vaidades, sem pretensões para ser mais do que um educador e um provocador de ideias e um descobridor de talentos. Mas não só. A sua afabilidade granjeava-lhe amizades tanto à esquerda como à direita, suscitando através da cultura uma convivência pluridimensionada, geradora de consensos e de tolerâncias. A lisura de carácter, que tanto o caracterizava, é uma das razões que me leva a considerá-lo como um paradigma do intelectualismo moderno, inspirado nos sublimes valores do classicismo florentino.
Acresce dizer também que, não obstante ser muito conhecida a sua máxima de vida (quem não vive para servir, não serve para viver), muitas vezes apregoou em público que se considerava um “algarvio nascido no Porto”, razão pela qual adoptou do seu conterrâneo Infante D. Henrique a divisa “talante de bem fazer” (talant de bien faire) para caracterizar a sua conduta sociocultural. Foi sobretudo essa vontade de fazer bem aos outros, usando largamente da paciência e da tolerância, para não ofender a ignorância nem a incompetência dos muitos que dele se cercavam, que obteve a aura de homem singular. Andarilho das ruas de Faro, visitava quase diariamente as sedes dos jornais, as livrarias e os escritórios de alguns amigos. Fazia-o como um ritual, em breves passagens à laia de “visita de médico”. Era só para dar de vaia, comentava em jeito de graça, e partia depois dos cumprimentos habituais. No seu passeio matinal era geralmente abordado por imensas pessoas. Escutava pacientemente quem o interpelava e nunca ouvi dizer que tivesse uma palavra, um comentário reprovador ou depreciativo para quem quer que fosse. Também não gostava de dar opiniões, porque receava que isso pudesse vir a causar dissabores ou a indispô-lo com alguém. Preferia agir como um autêntico diplomata - nem sim, nem não. Contudo, para que a conversa não azedasse tinha logo uma laracha para comparar à situação ou uma anedota para amenizar o clima de crispação. Ouvindo maus dizeres contra tanta gente, nunca foi capaz de “trazer e levar” as intriguinhas que adornam e fertilizam a nossa mesquinha sociedade. Posso afirmar, com pleno conhecimento de causa, que levei algum tempo até aceitar do Dr. Magalhães este silêncio, qual voto de confessionário, que o impedia de revelar as maledicências que lhe confidenciavam aqui e ali. Tinha uma “calma freudiana” que lhe refreava o ânimo e impedia de exteriorizar as emoções ofensivas. Foi então que me disse uma quadra de António Aleixo que nunca esquecerei:

Que importa perder a vida

Em luta contra a traição,
Se a Razão mesmo vencida
Não deixa de ser Razão.

A benemerência que espalhou foi de carácter espiritual, já que de ordem material não lhe era possível. Aliás, uma das queixas que lhe ouvi várias vezes prendia-se com a sua escassa reforma, nada consentânea com a sua especialização profissional, que noutros tempos era exigentíssima. Apesar disso, a Dr.ª Maria Aliete Galhoz afirmou, na homenagem acima referida, que o Dr. Magalhães após ter sido seu professor soube que as dificuldades económicas colocavam em causa a continuidade dos seus estudos na Universidade, pelo que de uma forma mecenática se ofereceu para lhe pagar as propinas, o que não chegou a ser necessário. Este gesto identifica bem o homem que ele era, as salutares preocupações que tinha com o sucesso dos seus alunos. Mesmo sabendo-se das suas dificuldades económicas, já que um professor ganhava pouco para as funções sociais que desempenhava. Por outro lado, o Dr. Joaquim Magalhães não prescindia das despesas inerentes a um intelectual, ou seja, comprava diariamente jornais e adquiria de livros, por mais dispendiosos que fossem.

Tínhamos em comum algo que nos unia profundamente: nascêramos ambos na mesma rua, a trinta passos de distância, como ele costumava dizer. Distanciavam-nos, porém, 46 anos de diferença. Joaquim da Rocha Peixoto Magalhães, de seu nome completo, nasceu na freguesia da Sé, na cidade do Porto a 3 de Maio de 1909, razão pela qual se intitulava como um “irmão mais velho da República”. Aprendeu as primeiras letras na escola primária de Massarelos, na cidade Invicta, transferindo-se pouco depois para São Martinho de Sande, no Marco de Canaveses, terra de origem dos seus ascendentes. Estudou depois no Colégio Francês e no Liceu Rodrigues de Freitas, ambos no Porto, em cuja Faculdade de Letras se licenciaria em Filologia Românica, com dezasseis valores, no ano de 1930. No ano seguinte iniciou o estágio pedagógico no Liceu Normal de Coimbra, relativo ao 2.º grupo nas disciplinas de Português e Francês. Foram dois anos extenuantes e de certo modo injustos, pois que durante o estágio não se recebia salário. Por isso, foi trabalhar na Escola Comercial Oliveira Martins, no Porto, no Colégio de S. Luís, em Espinho e no Internato de Sernache do Bom Jardim.
Em 1933 foi aprovado com dezassete valores no Exame de Estado no Liceu Normal Pedro Nunes em Lisboa. Ainda antes de ser colocado, no ano lectivo de 1933-34, no Liceu de Faro como professor agregado, O primeiro contacto com Faro durou apenas um ano, já que em 1934-35 concorreu para professor efectivo sendo colocado no Liceu Jaime Moniz, no Funchal. No ano seguinte tomava posse no Liceu de Faro como professor efectivo de Português e Francês, tendo até exercido funções de Director de Classe, Director de Ciclo, Vice-Reitor e Reitor entre 1968 e 1974, com a particularidade de não ter sido saneado com o «25 de Abril». Pelo contrário, merecendo a confiança dos colegas e das novas instituições teve a honra de ser o primeiro Presidente do Conselho de Gestão Democrática do Liceu de Faro. Durante esses quase quarenta anos de docência foi por diversas vezes requisitado para elaborar os pontos nacionais de exame da disciplina de Francês, assim era solicitado para aprovar os livros escolares da mesma língua e de Português.
Ao longo desses quarenta anos de docência deixou fortes marcas no espírito dos seus jovens alunos, que na sua maioria guardam dele as mais gratas recordações. Nesse aspecto parecem-me, mais uma vez, dignas de memória as palavras, aliás, bastante elucidativas, da escritora Lídia Jorge quando a esse respeito afirmou: «Para além do pensamento aberto ao mundo, ele [Dr. Joaquim Magalhães] faz parte de uma espécie de tendência de escola libertária, os únicos textos pedagógicos, didácticos de que eu me lembro e a que ele se referia nas aulas eram os textos de Rousseau. Dizia-nos que cada homem tem um saber dentro de si, tem é de o descobrir, foi a essa perspectiva que o Prof. Joaquim Magalhães foi capaz de se associar com um temperamento que estava perfeitamente coadunado para esse tipo de escola libertária. Por isso nós acabamos por ser tocados por ele.»[1]
Também o seu ex-aluno e reputado poeta, Gastão Cruz, corrobora as influências deixadas pelo antigo mestre, salientando que o Dr. Joaquim Magalhães foi «uma pessoa que soube estimular os alunos no sentido de um aperfeiçoamento cultural. Era um homem que demonstrava aos seus alunos e não só, uma claridade, uma abertura de espírito e um grande estímulo para todos os que conviviam com ele.»[2]
A sua acção pedagógica foi notável, sendo ainda hoje lembrado como um professor que não preparava as lições como a maioria dos seus colegas, pois fazia da aula um acto de criação. Mas não foi só na sala de aula que o seu talento se evidenciava, pois que durante dezoito anos preparou as récitas de teatro dos finalistas do Liceu, cabendo-lhe a encenação de obras de autores consagrados como Garrett, Gil Vicente, Camilo, António José da Silva (O Judeu), Ramada Curto, Júlio Dinis e Moliére. Alguns dos seus antigos alunos ficavam bastante surpreendidos com a forma como o Dr. Magalhães se dedicava ao teatro, explicando as cenas e imaginando as emoções do autor quando as escreveu. Ainda recentemente, na sua última homenagem pública realizada na Livraria Odisseia no dia 9 de Outubro, a Prof. Doutora Teresa Rita Lopes e a Prof. Aliete Galhoz, recordavam com saudade alguns desses momentos em que a criatividade e a sensibilidade artística do Dr. Magalhães conseguiam fazer dos ensaios verdadeiras homenagens à arte de Talma.
Como agente promotor da cultura a sua acção na sociedade farense foi a todos os títulos exemplar. Merece especial menção a sua participação na fundação da Alliance Française, de que foi o último presidente. Pertenceu com Lionel de Roulet e o Dr. Fernandes Lopes, ao grupo fundador do Círculo Cultural Camões, que durante a guerra se haveria de transformar no Círculo Cultural do Algarve, ao qual presidiu desde 1943 até 1970. Importa acrescentar que o Círculo foi uma espécie de bolsa de resistência intelectual ao fascismo, ali se realizando várias exposições, conferências, colóquios e até cursos intensivos sobre assuntos que não agradavam à situação política. Inclusivamente alguns dos conferencistas e prelectores eram claramente desafectos ao regime salazarista, o que originava constantes visitas dos agentes da PIDE. Além de desagradável a situação chegava por vezes a ser atemorizante, pois podia ocasionar a detenção do palestrante e o encerramento do Círculo.
Apesar da sua honorabilidade o próprio Dr. Joaquim Magalhães chegou a temer pela sua segurança, quando numa das suas acostumadas palestras literárias encarou na assistência com um agente da polícia secreta. O caso não passou de um susto, com uma certa graça, que o Dr. Magalhães descreveu nos seguintes termos: «Fui passar férias e encontrei na casa do meu avô, em Marco de Canavezes, um livro de poemas de Olindo Cabral, abade de Jazende. Achei interessante para apresentar uma conferência. Quando já estava quase no fim vi na sala um PIDE que já conhecia por ter lá ido fazer apreensões de livros. Fiquei perturbado a pensar o que é que ele quereria. No fim da conferência ele aproximou-se de mim e disse que estava curioso em saber quem tinha sido o abade de Jazende porque ele era natural daquela freguesia. Foi uma grande surpresa saber que um agente da repressão podia também ter curiosidade literária.».[3]
Fundou igualmente o Cine Clube de Faro e o Conservatório Regional do Algarve, a cujo Conselho Administrativo presidiu durante catorze anos. Estas foram as instituições a que mais se dedicou. Porém, outras houve que igualmente beneficiaram do seu esforço como a Misericórdia de Faro, de que foi Vice-Provedor e Provedor, a Mutualidade Popular de que foi Presidente, a Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes Mentais em Faro, e a Câmara Corporativa a que foi Procurador entre 1973-74 em representação das Associações de Socorros Mútuos ao Sul do Tejo. Pertenceu a certos organismos autárquicos de carácter consultivo, como foi o caso do Conselho Municipal de Faro, da Comissão Municipal de Turismo e da Comissão de Arte e Arqueologia de Faro. Julgo também que terá sido um dos primeiros membros do Rotary Clube de Faro, da Cruz Vermelha e de tantas outras associações locais e regionais.
Importa referir que não obstante a sua reconhecida independência política, o certo é que o Dr. Joaquim Magalhães aceitou tomar parte nas comissões distritais eleitorais das candidaturas de Norton de Matos e do general Humberto Delgado. Recentemente foi mandatário regional da segunda candidatura do Dr. Mário Soares à presidência da república, para a qual, como se sabe seria eleito por esmagadora maioria.
Em reconhecimento da sua dedicação à cidade de Faro, às instituições culturais e ao associativismo filantrópico, foi agraciado pela autarquia com as medalhas de Grau Ouro da Câmara Municipal de Faro e Grau Prata da Câmara Municipal de Tavira, culminando em 1995 com a atribuição da Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Porém a mais digna e a mais sentida homenagem pública que se lhe prestou em vida ocorreu em 16 de Setembro de 1991, quando foi atribuído o seu nome à Escola C+S n.º 2 de Faro, que hoje ostenta orgulhosamente a designação de Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Joaquim Magalhães. Essa foi justamente a mais coerente e perpectualizante homenagem da sua longa e nobre existência.
Estreou-se na imprensa algarvia nos meados da década de trinta tornando-se logo num assíduo e respeitável colaborador, a ponto de lhe ter pertencido durante trinta anos a secção «Sete Dias da Semana» no semanário farense O Algarve, do qual viria mesmo a ser Director entre 1981 e 1983. Colaborou também na Voz de Loulé, no Correio do Sul (Faro), no Povo Algarvio (Tavira), noJornal do Algarve (V. R. St.º António), nos órgãos estudantis do Liceu de Faro, etc, etc.
Pronunciou largas dezenas de conferências no Algarve, Funchal, Setúbal, Lisboa e Porto, concitando sempre numerosas audiências. A forma como teatralizava a palavra, aliada a uma dicção cristalina, ao estilo coimbrão, proporcionou-lhe a justa fama de orador. Onde quer que fosse palestrar era certo e sabido que tinha a sala cheia. A sua coroa de glória, fruto do seu bom coração, surgiu nos anos quarenta quando deu atenção a um simples cauteleiro que nas ruas de Faro apregoava a “sorte grande”, bonificando os seus clientes com quadras populares a que só um espírito superior como o do Dr. Magalhães sabia dar valor. Esse simples cauteleiro era o poeta António Aleixo, figura popular e de parcas posses, a que a sociedade burguesa dava pouca importância. Era quase analfabeto, porém o Dr. Magalhães soube ver nele um verdadeiro filósofo, que escutou e apoiou, fazendo-se orgulhosamente seu “secretário”.

Não há nenhum milionário

Que seja feliz como eu:
Tenho como secretário
Um professor do Liceu.
O tal Aleixo, o poeta,
Que dizem ser de Loulé,
É uma figura incompleta
Sem o Magalhães ao pé.
Essa prova de humildade chegou mesmo a ser criticada no tempo, visto ser indício de um certo bolchevismo, perigoso e desafecto ao regime vigente. Mas o Dr. Joaquim Magalhães não ligou importância e prosseguiu o seu trabalho de compilar, e certamente corrigir (senão mesmo melhorar), as quadras do Aleixo que deu à estampa num pequeno livro intituladoQuando Começo a Cantar, editado em 1943 pelo Círculo Cultural do Algarve. E foi logo um sucesso, já que o autor com a venda do mesmo apurou cerca de vinte e cinco contos, que o ajudaram a combater a tuberculose que infelizmente o haveria de vitimar. Apesar de Tóssan haver incentivado o poeta Aleixo, no Sanatório dos Covões, em Coimbra, a escrever e publicar os Autos da Vida e da Morte e do Curandeiro, divulgando assim o seu talento junto da academia coimbrã, o que certo é que pertenceu ao Dr. Magalhães a humildade e a generosidade de resgatar o simples cauteleiro do anonimato a que estava condenado, fazendo dele um poeta de renome e prestígio nacional. A bem dizer quem “fez” o poeta Aleixo foi o Dr. Joaquim Magalhães, a quem aliás dedicou o seu primeiro livro, intituladoRomance do Poeta Aleixo, editado em 1959.
Para além de tudo isto, merece especial destaque o facto de haver pertencido ao grupo de intelectuais que liderou o movimento literário da «Presença», ao lado de Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões, José Régio, Miguel Torga e Adolfo Casais Monteiro. Os “presencistas” foram os grandes difusores do Modernismo em Portugal, contra o academismo e o jornalismo ronceiro, favoráveis a uma literatura viva, sendo por isso os herdeiros naturais do movimento do Orpheu. O Dr. Joaquim Magalhães colaborou com o grupo, carteou-se com a maioria dos seus impulsionadores, e quando no início da década passada se fez em Faro uma exposição sobre o movimento da Presença, o Dr. David Mourão Ferreira teve a hombridade de apontar, destacar e enaltecer a figura do Dr. Joaquim Magalhães como um dos últimos resistentes do movimento da Presença.
Por fim, importa salientar a sua faceta de “pai dos poetas”, como ficou conhecido após ter lançado António Aleixo. Neste rincão de poesia e viveiro de poetas, que é o Algarve, poucos foram os que não se acercaram do Dr. Magalhães pedindo-lhe que apadrinhasse a sua estreia literária com um prefácio ou umas simples palavras de abertura, que pudessem dar a entender que as suas obras tinham préstimo e os seus autores sobejo talento. Nunca negou essa paterna bênção, como também nunca soube dizer não a ninguém. Nem mesmo quando sabia que dificilmente conseguiria gerir os seus compromissos. Escreveu prefácios, apresentou livros e fez palestras sobre poesia popular em todo o Algarve, tornando-se no intelectual mais conhecido da região. Fez parte de júris em Jogos Florais e concursos literários, dando com a sua presença muita da credibilidade e do prestígio que faltava à maioria desses certames. 
No âmbito da crítica literária escreveu dezenas de apreciações não só relativas às obras que acabavam de ver a luz da estampa como também sobre autores da moderna literatura portuguesa. Acima de tudo importa acrescentar que foi talvez o único intelectual que neste país teve a ousadia de descrer e, diria mesmo, desacreditar a poesia de António Ramos Rosa. Nada tinha a objectar contra o abstraccionismo poético, que não raras vezes até lhe agradava, mas incomodava-se com o pseudo-intelectualismo daqueles que, fazendo versos que ninguém entendia, passavam por ser mais inteligentes do que os outros poetas. Da poesia de Ramos Rosa dizia mesmo que se tratava de prosa às escadinhas ou texto retalhado no açougue dos cenáculos lisboetas.
A sua obra poderia ter sido vastíssima se em vida se tivesse preocupado em reunir em livro o melhor e a maior parte do que escrevia. Por isso, acaba por ser considerada escassa. Em boa verdade serviu a cultura sem dela se servir. Não obstante publicou os seguintes trabalhos:

O Romance do Poeta Aleixo, 1959.

Perfil literário de Teixeira Gomes, 1960.
Aventura Poética de Emiliano da Costa, 1962.
Ao Encontro de António Aleixo, 1977.
João de Deus, esse desconhecido, 1995.
Pretérito Imperfeito - Quadras e Lírica, 1996.
Cartas Sem Código Postal, 1999.

Não é uma numerosa e farta lista de obras, como certamente sugere e pressupõe o seu grande prestígio intelectual. Mas as suas preocupações científicas foram quase sempre ultrapassadas pela inimitável missão pedagógica a que votou toda a sua vida. Não gozou da disponibilidade necessária para se dedicar à investigação por inteiro, deixando-se absorver pela divulgação, quer através de centenas de artigos nos jornais, quer através das inúmeras conferências pronunciadas em quase todo o país. Nunca foi capaz de se furtar ou simplesmente recusar as solicitações que lhe eram dirigidas, sobejando-lhe pouco tempo livre para se ocupar na investigação literária. Tinha disso consciência pois numa quadra, ao jeito aleixiano, retratou assim a situação:


Cada um é como é,

e, por isso, eu sou assim,
dei todo o meu tempo aos outros,
fiquei sem tempo para mim.

Para encerrar esta já longa notícia biográfica, não posso deixar passar em claro a nossa convivência particular e a amizade cimentada ao longo de vinte anos. Lembro-me que estivemos juntos em várias iniciativas e que convivíamos diariamente na delegação do «Diário de Notícias», em Faro, onde fui colaborador regional desde 1981 a 1989. Era um regalo ouvi-lo recordar certos autores consagrados com quem privara, e, sobretudo, ouvi-lo comentar as obras que acabavam de surgir nos escaparates, às quais dava sempre grande atenção. Era aliás um inveterado cliente da Livraria do Diário de Notícias, situada na Rua Vasco da Gama, nos baixos da Secretaria de Estado da Cultura. Recordo-me que o Prof. Tomás Ribas quase sempre descia à Livraria pelas onze da manhã, hora da visita do Dr. Magalhães, sendo deliciosas de humor e de chiste político as análises que ambos faziam sobre as mais diversas situações. O Tomás Ribas tinha um humor sardónico, a que nada nem ninguém escapava, e com isso se divertia imenso o pobre do Dr. Magalhães, que sempre foi muito comedido nas suas apreciações, sobretudo quando relativas ao talento e capacidades das pessoas. Eram duas personalidades ímpares na sociedade farense da década de oitenta e tanto a Livraria como a Redacção do Diário de Notícias eram um ponto de passagem e de reunião diária da intelectualidade local e até mesmo do Algarve inteiro. Chegou a ser um ponto de referência para a convivência cultural, que hoje se perdeu e se desactivou completamente. Por ali passavam regularmente o Prof. Pinheiro e Rosa, o Antero Nobre, o Prof. Doutor Gomes Guerreiro, que era o Reitor da Universidade do Algarve, a Dr.ª Mariana Machado Santos, o Dr. Fernandes Mascarenhas, o Dr. Elviro da Rocha Gomes, e esporadicamente o Tóssan, Casimiro de Brito, Carlos Albino e sua esposa Lídia Jorge, o bibliófilo Tavares Simões, o Dr. Tello Queirós, etc.

Pertencemos juntos à Direcção da Associação da Imprensa Regional do Algarve (AIRA), fundada pelo não menos saudoso amigo Antero Nobre. Estive, igualmente, com ambos na fundação da ADEIPA – Associação para a Defesa do Património de Faro, infelizmente já extinta. Participei, ao seu lado, na criação da Universidade para a Terceira Idade, onde leccionei gratuitamente nos dois primeiros anos de existência. Estivemos juntos em júris de Jogos Florais e em várias homenagens onde pronunciamos conferências lado a lado. Recordo-me de um caso exemplar; aconteceu a 15-6-1996, nas Comemorações do 3.º Centenário da Freguesia de Olhão, no âmbito das quais se homenageou nessa data a obra científica do Dr. Alberto Iria, um dos mais ilustres historiadores deste século e certamente uma das mais gradas figuras nascidas naquela vila piscatória. Quem abriu a cerimónia foi o Antero Nobre que nos apresentou como palestrantes, tocando ao Dr. Magalhães o elogio do Autor e a mim o elogio da Obra. Encontrava-se ao nosso lado um enorme retrato do Dr. Alberto Iria, e lembro-me da forma magistral como o Dr. Magalhães se lhe dirigiu, numa espécie de diálogo vivo, por vezes quente e arrebatador, que nos fez rir e chorar, numa mesclagem de sentimentos e emoções como só ele era capaz de suscitar. A numerosa assistência, representativa das principais autoridades políticas e culturais da região, ficou profundamente extasiada com o seu talento de orador, que ao teatralizar um monólogo como homenageado recentemente desaparecido, parecia dar a entender que ele estava ali entre nós. Nunca vi nada parecido e só um homem de grande talento como o Dr. Magalhães é que era capaz de encenar um diálogo tão realista e emocionante.
Ainda recentemente, durante a apresentação na do seu último livro editado pela Câmara de Tavira, fizemos projectos para o futuro, nomeadamente o encerramento das comemorações centenárias de António Aleixo por intermédio da AJEA, o que infelizmente já não realizaremos em respeito pela sua memória. Em todo o caso não quero terminar esta sentida evocação de homenagem pela perda de um grande amigo, sem afirmar que o Dr. Joaquim Magalhães deixa na memória de todos quantos com ele privaram a mais profunda saudade. Sinto, tal como o Algarve, uma impagável dívida de gratidão.
No cemitério de Loulé repousa no sono eterno, e quase ao lado de António Aleixo, aquele que foi considerado como o “pai dos poetas” do Algarve.
Perdemos um homem bom, que se algum erro cometeu na vida esse foi certamente o de ser generoso numa terra de ingratos.

Algarve - História e Cultura

UM ALGARVIO, UM ESCRITOR, UM LUTADOR - ANTÓNIO SIMÕES JÚNIOR – O HOMEM E O ESCRITOR



ANTÓNIO SIMÕES JÚNIOR – O HOMEM E O ESCRITOR
1. INTRODUÇÃO


Quem pretender elaborar um mero resumo biográfico sobre António Simões - nome por que foi registado e ao qual acrescentaram o apelido “Júnior”, para não se confundir com o do pai, depara ainda hoje com a falta e, o que é mais grave, com inexactidões, de elementos indispensáveis à verdadeira narração e compreensão da vida deste olhanense, que foi militante político, operário, escritor e que toda a vida estudou e pesquisou.

Mas a vocação e a ambição que nele se sentia, o que verdadeiramente o deleitava era escrever, fazendo dele um escritor compulsivo. Foi feliz como escritor, pesquisador e estudioso, mas foi profundamente infeliz na sua vida matrimonial. Infeliz, ainda, por ter vivido cerca de dois terços da sua vida fora da Pátria, concretamente, na Argentina.

2. NASCIMENTO, INFÂNCIA, JUVENTUDE

São dados certos que nasceu a 22-09-1922, no sítio de Poço Longo, freguesia de Quelfes, concelho de Olhão. Filho de António Simões, natural de Faro e de Angelina Ignacio, nascida em Quelfes, Olhão. Com o filho em gestação ou pouco depois dele ter nascido, o pai Simões emigra para a Argentina. Júlio Fradinho (1), que conviveu com Simões Júnior, em Buenos Aires, assevera que este só conheceu o pai na Argentina.

Diz-se que completou a instrução primária – e o seu desenvolvimento intelectual parece confirmar a afirmação –, mas não se sabe que escola frequentou: se a escola do “Lopinhos” (2), se da Paróquia (ou do Padre) ou se teve a sorte de ter ingressado na Oficial, mercê de algum pedido forte, pois a capacidade de admissão desta última escola era ínfima em relação à população em idade escolar, carência que se manteve durante muitos anos.

Simões Júnior e Manuel Madeira conheceram-se, quando jovens, movidos pela mesma apetência pelos livros nos quais esperavam encontrar respostas para todas as interrogações que os assaltavam. E o local de encontro foi naturalmente a Livraria Farracha, na Rua do Comércio, em Olhão, que na época, à falta de estruturas institucionais próprias, funcionava como um “centro cultural”, agindo o seu proprietário, conhecido como opositor ao Regime - como o “animador” e o “conselheiro”! Se juntarmos a estes o Lopes de Brito e o Raul Martins Veríssimo (o último dos quais haveria de protagonizar uma das mais rocambolescas fugas às garras da Pide), temos aqui um núcleo que esteve na origem da grande movimentação política que implantou e desenvolveu em Olhão o MUD Juvenil, impulsionador das lutas reivindicativas da juventude e, pelo seu dinamismo, das camadas adultas.

O fim da II Guerra Mundial foi uma alegria para o Mundo, e, inclusive, para Portugal. O povo de Olhão, mesmo receando o aparelho policial do Estado Novo, não se conteve e saiu à rua, desfilando pela Avenida, gritando”Viva a Paz!”. O Nazi-Fascismo fora derrotado e vitoriosos saíram os Aliados, dos quais os povos esperavam liberdade, emprego e justiça social.

Olhão, em 1945, estava no auge do seu desenvolvimento económico em consequência do pleno labor das suas fábricas de conservas, da sua frota pesqueira e do bom momento da economia associada. A população cresceu que bastasse, recebendo gente que vinha atraída pelo “el dorado” olhanense. Haja em vista o fenómeno das “quarteireiras”. As ideias socialistas e comunistas encontram um campo propício à sua implantação, mau grado a existência da Pide. Simões Júnior, que lera bastante sobre os fundamentos do Comunismo e seguia atentamente a evolução da URSS, constituída após a célebre Revolução de Outubro de 1917, adere à célula do PCP de Olhão.


A sua residência era vizinha dum pólo de grande concentração industrial (zona da E.N. 125, no troço da Av. Almirante Reis – Quatro Estradas, delimitada a sul pelo Caminho de Ferro), oferecendo excelentes condições de contacto com o respectivo operariado.

Simões Júnior, nas horas de trabalho, envergava o tradicional fato-macaco, mas, acabado o serviço diário, vestia-se bem. Contraditoriamente, ou por desejar agradar às raparigas, até chapéu “à diplomata” chegou a usar. À noite, frequentava o Café Avenida, no qual situou o seu poemeto “Excitação – Café Avenida – às 23 horas”, onde se encontrava com os amigos e cujo ambiente lhe serviria de argumento em mais de um dos seus livros. E é com o amigo Madeira que, nas folgas, dava grandes passeios pela Avenida da República e junto ao mar. Porque o mar assemelhava-se a “alguém” que interpelasse e transmitisse mensagens que precisavam de ser descodificadas…

3 A JORNADA DE BELA MANDIL E O CASAMENTO 

Em 23 de Março de 1947 dá-se a Jornada de Bela Mandil (Olhão), um encontro de confraternização da juventude algarvia, que se queria fosse um Festival, para a organização do qual o Simões trabalhara clandestinamente. Ao fim de algumas horas, “os jovens foram surpreendidos por uma brigada da P.S.P. que os intimou, por ordem do Comandante da Polícia de Faro, a retirarem-se imediatamente da mata”(6).

Mas à P.S.P. juntou-se a G.N.R., dispondo esta de metralhadoras posicionadas nos pontos altos do percurso, que era um caminho que conduzia à E.N. 125, e desta a Olhão. A dispersão, porém, só se consumou quando a G.N.R., entre o Cemitério e a Ponte da C.P., carregou sobre a multidão, disparando tiros para o ar. Assim, …”no resto desse dia e noite e durante mais dois ou três dias, foi Olhão patrulhada pela G.N.R., a cavalo (7). O ambiente era, a um tempo, opressivo e apreensivo. Temia-se que fossem feitas prisões. Simões admitia estar incluído no rol. Mas não é isso que o impede de, no dia seguinte ao Encontro, em 24-03.1947,casar com Silvina dos Santos Pereira, natural de Tavira. Haviam-se conhecido em Olhão, pois ela vivia ou teria familiares a residir na Rua Almirante Reis (8), habitualmente, frequentada por Simões, por ser ponto de passagem para a sua residência.

4. A PUBLICAÇÃO DO 1º. LIVRO E A “FUGA”PARA MARROCOS

Entretanto, tem o livrinho “Poemas Juvenis” a imprimir na tipografia “O Algarve”, em Faro, mas como só irá ficar pronto em 22-11-1947, encarrega o seu amigo Raul Veríssimo de o receber e distribuir, posto que tem um novo e importante projecto pessoal a cumprir e não pode esperar até àquela data.

Na verdade, uma vez casado, receando ser preso a todo o momento e sendo certo que o trabalho começava a escassear na vila, resolve “fugir” para Marrocos, - o que terá acontecido no fim do verão de 1947. Junta-se assim à saga de muitos e muitos olhanenses e naturais de outras terras do Algarve, fugidos ao desemprego. Parte com a sua noiva numa lancha, saveiro ou “enviada” no que seria uma espécie de “viagem de núpcias”arriscada, que poderia ter-se convertido numa “viagem para a morte”, sem que ambos tenham provado o mel e o fel dos anos vindouros

5. ARGENTINA – O SONHO, A OBRA, O DRAMA

Marrocos foi para ele um trampolim para um “salto”maior, embora tenha gostado do que viu e viveu nesta parte do Magreb. Para quem só viajara de Faro a Vila Real de Santo António e de Olhão a Lisboa, Marrocos, tão perto e tão diferente na fala, no vestuário, na paisagem e nos usos e costume, encantou-o. Sobre esse país, então um protectorado francês, escreveu um livro, Marruecos Hoi e nele situou a acção de outros, nomeadamente, La Aventura de Casablanca. Deu-lhe até a oportunidade de escrever vários artigos para a “Voz do Sul”, de Silves.

Mas o objectivo, o sonho, é alcançar a Argentina, onde vive e trabalha o pai, que não conhece. Chega, na companhia da mulher, em 22-03-1949, e fixa residência na província de Buenos Aires.


É Presidente da Argentina Juan Domingos Péron, cuja política tinha algo de comum com a do Estado Novo, à qual escapara.

Fugira do regime férreo português, mas não só teve de conviver com o peronismo como, entre os anos 1976 e 1983, que “tratar” com as ditaduras militares, que utilizaram os meios mais sujos para liquidar os adversários. Mas assistiu ainda ao movimento das Mães da Praça de Maio, que reclamou o castigo dos assassinos!

Talvez por isso, ao publicar, em 1953, o seu primeiro livro em língua castelhana, La Realidad Portuguesa y La Politica Dictatorial, substitui o seu nome pelo pseudónimo de S. Linofre e manda imprimi-lo em Montevideu (Uruguai).

Encontra o pai, que possui uma pequena fábrica, com o que ganha a vida. Trabalha – e a mulher, Silvina, também - para sustentar a casa. Lê e escreve nas horas vagas, que são sempre poucas. Ao mesmo tempo, vai procurando – e consegue – inserir-se nos meios literários e progressistas não só de Buenos Aires como do Brasil e Angola, além de manter os laços que o ligavam à revista “Vértice”, de Coimbra, desde os tempos da sua juventude, em Portugal. Colabora em cerca de 50 jornais e revistas de várias origens, nomeadamente: “Subúrbio”, “Princípios” e “Veladas”, da Argentina -sendo, desta última, secretário de redacção - revista SUL (Brasil), no “Diário Ressurge, Goa” e em “Cultura Angolana”. Além do mais, tem que estudar para dominar o castelhano, língua que passa a adoptar, por indispensável, quer para uso corrente quer porque escreve sobretudo para os argentinos ou latino-americanos.

De acordo com Júlio Fradinho, “O Simões tinha casado com a Literatura”. Na verdade, ele estava cheio de projectos para escrever livros e outros trabalhos literários para jornais e revistas. A sua biblioteca era constituída por 30.000 volumes. A Silvina, sua mulher, alegre, vivendo no “romântico”país do tango e do mítico Gardel, tinha outras motivações… Trabalhando como assalariada, sentia-se livre e decidiu abandonar o lar. Mais tarde, pede para voltar. Simões acede em recebê-la em sua casa, mas com “vidas separadas”. Ao fim de algum tempo, a situação torna-se insustentável. Ela fecha-se num quarto, recusando todo o auxílio que o Simões estava disposto a prestar-lhe. Para lhe dar os alimentos, teve de fazer um buraco na porta por onde os introduzisse. Configurando um estado de demência mental, ela acaba por ser internada, falecendo em 16-04-1980!

Habituado a escrever desde a juventude, é só na Argentina que publica os seus livros de prosa: novelas, romances, ensaio e uma peça de teatro.

Quantos livros escreveu ele na totalidade? Uma inventariação completa não está feita ainda. O autor, em 1987, confidencia ter escrito 20 livros. É certo que ainda publicou algumas obras mais antes da sua morte, mas também é sabido que um deles, pelo menos, foi reescrito. Mas uma coisa é ter escrito, outra é ter publicado.

Por exemplo, sabe-se - ele o disse -, que o manuscrito do DOM JUAN desapareceu por completo quando do assalto à Editorial Futuro, onde o livro se encontrava para impressão, no tempo do governo de José Maria Guido. Perda que foi um trauma para o autor, posto que considerava ser a melhor obra que até então escrevera. Por outro lado, andou hesitante quanto ao título dar a alguns dos seus livros. Por exemplo: La Aventura de Casablanca esteve para se chamar La Ficción y la Realidad de Pedro Mascareñas, nome da personagem principal, “um filho de Olhão”.
Pela minha parte, respondo por 16 livros publicados: Poemas Juvenis, editado em Portugal, 1947; La Realidad Portuguesa y La Política Dictatorial, editado em Montevideu, 1953;Vieja Crónica de Olhão, editado em Montevideu, 1956;Pequeños Burgueses, 1957, editado na Argentina, como aliás todos os que se seguem; La Mariposa y el Cuervo, 1959; Marruecos, Ayer – Hoy, 1961; El Cuervo, 1973;La Piscina, 1973;Judas y Minos, 1977; Los Gatos, 1980; La Maquina de los Sueños, 1982;La Novela Imposible, 1986; Discurso sobre Velásquez, 1987; El Milagro, 1987; Cesário Verde de Memoria, 1989 e La Aventura de Casablanca, 1992. Não afirmo que esta inventariação esteja completa, mas esta é a minha contribuição para se atingir esse objectivo. Sabe-se que projectava escrever sobre Robespierre, a queda do Salazarismo e o 25 de Abril de 1974, e, muito particularmente sobre Olhão! Olhão, que de uma maneira ou de outra está presente em vários dos seus livros!

Vieja Cronica de Olhão e Pequeños Burgueses fazem parte da lista dos livros proibidos pela Censura do Estado Novo. Estes dois primeiros livros de prosa inserem-se no movimento neo-realista português, que o escritor viveu antes de emigrar. Era o tempo de Alves Redol, de Soeiro Pereira Gomes, Faure da Rosa e dos algarvios Manuel do Nascimento, Leão Penedo, A. Vicente Campinas, etc. Mas o mundo não pára, é feito de mudança. A URSS, a “pátria do comunismo real”, dissolveu-se. Ele próprio, como ser vivo, mudou. O país que adoptou para viver é outro, outros os problemas que se põem a essa sociedade. Os novos livros reflectem o amadurecimento do escritor como homem físico, psicológico e social. A experiência obtida na terra natal, em Marrocos e na Argentina, com uns saltos a Montevideu, as leituras aturadas, a sua vida do dia-a-dia, em suma, são as fontes que formam o “estado onírico” que o leva a escrever cada novo livro. Para trás ficaram as escolas, os movimentos, as tendências literárias…

Depois de ter escrito cerca de 20 livros e o mais que já foi dito, está doente. Desde a juventude que fuma. Ele pertencia àquele tipo de intelectual que acredita que o tabaco e o café dão inspiração…Só quando entra em crise é que se lembra que tem um “sopro” no coração. Possivelmente morreu em consequência de um dos males ou dos dois simultaneamente. Provavelmente no ano em que em Portugal se publicava a tradução de Vieja Crónica de Olhão (9).


Cumprira-se assim a sentença do Pe. António Vieira: “Portugal para nascer, o mundo para morrer”.O exemplar do livro que lhe foi enviado para a última morada conhecida, veio devolvido. Se o tivesse recebido, poderia ter repudiado a afirmação “Portugal não gosta de mim”. Os amigos que cá deixou “acordaram” tarde, mas, como diz o nosso povo: “mais vale tarde que nunca!”. O novo passo a dar agora é a tradução e publicação dos restantes livros publicados em língua espanhola. Há que trazer este nosso escritor ao pleno conhecimento dos algarvios em particular e dos portugueses em geral. Se não é maldito, então tem de ser arrancado ao esquecimento!

(1) Do grupo fundador de “O Jovem”, Olhão, 1947.Emigrou para a Argentina em 1951.
(2) “Escola” citada in Visto e Ouvido…em Olhão…Reflexões “, de José Barbosa.
(3) Autor do ensaio “Breve Retrato Psico-Cultural de António Simões Júnior”, in SOL XXI, nº.23, de 12/199.
(4) Actualmente R. António Henrique Cabrita.
(5) In Los Gatos, de A.S.J.
(6) In “Juvenil”, órgão do Mud Juvenil, publicado a seguir à Jornada de 23-03-1947.
(7) In Pequena Monografia de Pechão, de Francisco Guerreiro.
(8) Segundo o depoimento de Jorge Temudo, também do grupo de “O Jovem”, Olhão, 1947.
(9) Livro que na tradução portuguesa - Gráfica do Algarve, 1996 – recebeu o título Antiga Crónica de Olhão.


Publicação de

João Brito Sousa
bracosaoalto.blogspot.pt

Portugal : UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS - "Poder-se-ia dizer também que Portugal é dos países da União Europeia com menos Estado e pior Estado, dos que menos gasta em saúde e educação no caminho para arrasar de vez com o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública, hábitos que sobram do tempo escasso em que os cidadãos tiveram algum poder, mas dediquemos algumas linhas apenas aos estudos mais recentes.

Portugal : UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS

UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS


"Poder-se-ia dizer também que Portugal é dos países da União Europeia com menos Estado e pior Estado, dos que menos gasta em saúde e educação no caminho para arrasar de vez com o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública, hábitos que sobram do tempo escasso em que os cidadãos tiveram algum poder, mas dediquemos algumas linhas apenas aos estudos mais recentes.

Cinco milhões de cidadãos portugueses ou de origem lusa em diáspora é meio país fora de casa, em boa verdade corrido pela ameaça de fome, de miséria, de desemprego, aconselhado a fazê-lo implícita e até explicitamente pelos dirigentes. Portugueses fora é a promessa de reservas de dinheiro em casa para redistribuir pelos poucos e mesmos de sempre, habituados como estão a medrar com a desgraça da maioria. Sendo a maior taxa de emigração da União, significa que Portugal tem mais elevada percentagem da população fora de portas que alguns países caricaturados como os patinhos feios, como a Roménia, a Bulgária, a Lituânia, a Grécia, isso mesmo, a pobre Grécia."
Há um país que odeia os seus cidadãos. Outros haverá, mas fixemo-nos neste que dá pelo nome de Portugal, se gaba de ser muito antigo, muito cheio de história, saudoso de tempos imperiais e que, em cima destas glórias, maltrata os seus cidadãos.

Quando se escreve país não se faz alusão a uma entidade abstracta, mítica, mas sim aos seus dirigentes que, através de gerações e sob diferentes rótulos políticos, têm como traço de união o ódio aos seus concidadãos.

A acusação é grave, mas os comportamentos em causa são-no ainda mais. Tal ódio ressalta de estudos sociológicos apresentados tempos atrás de tempos e que, merecendo as reservas que exige a inexactidão inerente às ciências humanas, têm a credibilidade de corresponder ao que cada cidadão, se tiver os sentidos despertos para a realidade envolvente, vai captando dia após dia.

Dizem as investigações mais recentes, cujos resultados foram divulgados apenas há meia dúzia de horas, que Portugal é o país com maior taxa de emigração entre os 28 da União Europeia, o país que demonstra menos apetência por livros e outras coisas da cultura, o país onde 20 por cento da sua força de trabalho tem um vínculo precário – isto é, um estado paredes meias com o trabalho escravo.

Este é o Portugal do século XXI, com 30 anos de integração europeia e cujos dirigentes fizeram transferir-se do “orgulhosamente só” para o muito mal acompanhado com um ligeiro e prometedor interregno que os dirigentes, sempre eles, renegaram proibindo o país de ter a alforria de decidir por si. Um Portugal, é bom que se diga, que não consultou os cidadãos sobre a entrada na União Europeia, a adesão ao euro, as visitas rapinantes na troika e o amontoar de uma dívida que cresce enquanto se esvaziam os bolsos dos cidadãos.

Poder-se-ia dizer também que Portugal é dos países da União Europeia com menos Estado e pior Estado, dos que menos gasta em saúde e educação no caminho para arrasar de vez com o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública, hábitos que sobram do tempo escasso em que os cidadãos tiveram algum poder, mas dediquemos algumas linhas apenas aos estudos mais recentes.

Cinco milhões de cidadãos portugueses ou de origem lusa em diáspora é meio país fora de casa, em boa verdade corrido pela ameaça de fome, de miséria, de desemprego, aconselhado a fazê-lo implícita e até explicitamente pelos dirigentes. Portugueses fora é a promessa de reservas de dinheiro em casa para redistribuir pelos poucos e mesmos de sempre, habituados como estão a medrar com a desgraça da maioria. Sendo a maior taxa de emigração da União, significa que Portugal tem mais elevada percentagem da população fora de portas que alguns países caricaturados como os patinhos feios, como a Roménia, a Bulgária, a Lituânia, a Grécia, isso mesmo, a pobre Grécia.


Vinte por cento de trabalho precário devem ser olhados em conjunto com mais de 20 por cento de desemprego real – esqueçamos as estatísticas oficiais, mais marteladas ainda que as sondagens eleitorais – com a percentagem desconhecida dos que já nem procuram trabalho e também levando em conta o meio país que fugiu para o estrangeiro para não ter de ficar nestas situações.

Num cenário assim, a cultura poderia ser uma fuga, uma via de luta pela dignidade, mas as anestesias são outras e disso cuida o bem comportado aparelho de propaganda, que puxa logo de talkshows idiotas, novelas imbecis, séries terroristas, noticiários de faz de conta quando lhe falam em serviço público, cuidando para que seja este o único serviço disponível tal como única é a mentalidade governante.

Assim ambos se irmanando no desprezo pelos cidadãos, que mais não é do que uma sinistra forma de ódio.


Fonte: Mundo Cão 


Muro da Vergonha em Olhão! Promessas e mais promessas, mas os cidadãos continuam em perigo!

Muro da Vergonha em Olhão! Promessas e mais promessas, mas os cidadãos continuam em perigo!



Hoje viemos mais uma vez denunciar no Olhão Livre,  a falta de respeito pelos cidadão de Olhão, no caso do murro da vergonha que a REFER quer fazer em Olhão,  por parte de um moço mentiroso, que governa e mal  os destinos dos filhos de Olhão, colocando a sua segurança em perigo não por causa de serem trucidados pelos dos comboios,coisa que NUMCA aconteceu nessa passagem de nível, mas sim a falta de segurança e risco de queda de queda dos cidadãos, que tudo fazem  para não atravessarem a  malfadada e mal construída passagem desnivelada de Olhão.
 


Afirmava no dia de Olhão, essa amostra de gente, que há muito fez da boca cu,  tal a quantidade de bosta que lhe sai da boca, o texto seguinte é estrato de uma noticia do Jornal do Algarve, onde se pode provar, uma vez mais, de como são enganados os cidadãos de Olhão que ainda confiaram voto a tal figura cada vez mais destrambelhada.
"No dia de todos os olhanenses, o presidente da câmara municipal, António Miguel Pina, destacou, na sessão solene das comemorações desta efeméride, as principais obras desenvolvidas no último ano ou em projeto para o futuro. E anunciou que “com diálogo, perseverança e tenacidade, foi estabelecido um protocolo de entendimento com a Refer que resulta numa autorização para que os olhanenses possam continuar a atravessar a linha férrea, como sempre o fizeram, até que a Refer conclua a obra necessária”.
Passados quase 1 mês a triste realidade dessa passagem de nível é estas como se pode ver nas fotos de  JoãoValentim do qual deixamos aqui o seguinte texto, que fomos roubar à sua página do F.B.

olhaolivre.blogspot.pt

    Feed de notícias

    João Valentim adicionou 6 fotos novas ao álbum O CALVÁRIO DA PASSAGEM DE NÍVEL.
    1 h · 
    "O CALVÁRIO DA PASSAGEM DE NÍVEL.
    Neste momento, da maneira como está, é um calvário atravessar o linha do combóio. E perigoso. Na forma como estava antes de ter começado todo este imbróglio, embora não fosse o ideal, estava muito bem e servia toda a gente. Agora como está só a malta nova é que consegue lá passar. O velhos, os deficientes, os carros de bebés ou de compras são os que mais precisavam, não podem lá passar. Por isso, a injustiça é ainda maior.
    Bem sei que foi pomposamente anunciado, no Dia da Cidade que a Autarquia tinha chegado a um acordo com a Refer e desde esse dia a Refer deixou de fechar a passagem que era quebrada todos os dias.
    Eu pergunto: que acordo foi esse? Quais as condições? E muito especialmente: o que se vai fazer de seguida, e quando?
    Já que chegaram a acordo, porque razão não endireitam o caminho para que todos possam passar? Nem que seja provisório (em Portugal a palavra provisório é sinónimo de definitivo) mas era melhor que nada. Se o acordo levar anos, ou pior, se nunca avançar, vai ficar assim para sempre?"


     Nota do Olhão Livre sobre este textode João Valentim,  que expressa bem a revolta que vai na alma dos cidadãos de Olhão.e que acreditaram que para esse moço pequeno em 1º Lugar Estavam as Pessoas como prometia na campanha eleitoral..
    O que se vê  no dia  a dia, é e que em Olhão em primeiro lugar estão as negociatas, para os amigos de sempre,e as festas e festarolas para animar as clientelas do costume.
    A oposição por sua vez está remetida ao silêncio, e são  cada vez mais as pessoas que se revoltam!

A PINTURA DE NATHALIE PICOULET (MULHER)

Mulher - artista Nathalie Picoulet

 
 O lugar que ela tem 
obtido como  artista  ela sabe que ganhou através do trabalho, trabalho 
e mais trabalho. "Sete dias por semana vem para o estúdio como monge tibetano 
em oração! Autodidata, Nathalie Picoulet progrediu para
se tornar uma mestre pastellist da Sociedade Pastel francês. Sua primeira 
exposição foi em  Somme e Seine Maritime e anunciava o surgimento
 de um imenso talento. Ela ganhou vários prémios 1995-2002 e 
suas obras instantaneamente reconhecíveis agora são vendidas em ambos os lados da 
Atlântico.

 

Em 2003, Nathalie Picoulet trabalhou no  seu estúdio em Roscoff, na Bretanha. Depois ela se mudou
 para Muzillac e passou algum tempo a bordo de um iate ancorado no Vilaine perto  La Roche-Bernard. Em 2013
 Nathalie mudou-se para Saint-Dolay no departamento de Morbihan 
de  Brittany.

 

 






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