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sexta-feira, 10 de julho de 2015

VIAJANDO PELO SIRILANKA - VÍDEO

VIAJANDO PELO SIRILANKA













VÍDEO








NUS CONTRA O MURO DA FAVELA DA MARÉ - BRASIL


Açaõ contra o Muro da Favela da Maré (texto explicativo em português) from Pallasos en Rebeldía on Vimeo.

Sentença de 'Palito' adiada - Defesa avança com novos testemunhos.



Sentença de 'Palito' adiada 

Defesa avança com novos testemunhos. 

A leitura da sentença de Manuel Pinto Baltazar, conhecido por 'Palito', foi esta sexta-feira adiada pelo tribunal de Viseu. O julgamento prossegue na próxima terça-feira, dia 14, já que a Defesa vai apresentar novos testemunhos. 'Palito' é acusado por ter assassinado duas mulheres e ter provocado ferimentos a outras duas em S. João da Pesqueira. Disparou contra a filha e a ex-mulher - Sónia Baltazar e Maria Angelina Baltazar, que ficaram feridas - e duas familiares desta - a tia e a mãe, Elisa Barros e Maria Lina Silva, que morreram. Além dos quatro crimes de homicídio qualificado (dois dos quais na forma tentada), o arguido é acusado de um crime de detenção de arma proibida e outro de violação de proibições ou interdições.  A procuradora do Ministério Público já considerou que, atendendo ao número de vítimas e à personalidade do arguido, a pena única a aplicar-lhe "não poderá ficar abaixo dos 25 anos de prisão".

http://www.cmjornal.xl.p

Morreu o ator Omar Sharif, a lenda árabe de Hollywood

Morreu o ator Omar Sharif, a lenda árabe de Hollywood


O egípcio mais universal e o eterno Doutor Jivago faleceu esta sexta-feira. Omar Sharif tinha 83 anos.
David Cairns/Daily Express/Hulton Archive/Getty Images
É o adeus definitivo ao Doutor Jivago. O ator Omar Sharif morreu esta sexta-feira, 10 de julho, aos 83 anos. Sharif sofreu um ataque cardíaco esta tarde, num hospital no Cairo, segundo confirmou o seu agente à imprensa internacional. A notícia da sua morte surge mesesdepois de se saber que o ator sofria de Alzheimer, quando o filho, Tarek Sharif, quebrou o silêncio e falou sobre a falta de memória que há algum tempo vinha a afetar um dos eternos galãs de Hollywood. 
Nasceu Michel Dimitri Shalhoub no Egito em 1932, mas dificilmente seria este o nome a ficar para a posteridade. Omar conheceu a fama internacional com o épico de 1962, “Lawrence da Arábia”, o primeiro filme onde falou em inglês — a participação na longa-metragem, na pele da personagem Sherif Ali, valeu-lhe uma nomeação aos Óscares. Seguiu-se o “Doutor Jivago”, película que protagonizou ao lado de Julie Christie e pela qual ganhou um Globo de Ouro.
A Vanity Fair escreve que foi graças ao sotaque continental e à boa aparência do ator que Omar nunca foi etnicamente estereotipado, daí que tenha interpretado o espanhol Francisco em Chegou a Hora da Vingança (1964), um russo em Doutor Jiavago (1965) e até o jogador judaico de Nova Iorque que cai de amores pela personagem de Barbra Streisand, no filme Funny Girl: Uma rapariga endiabrada(1968).
Nos anos 1970, Sharif continuou ocupado, ainda que com projetos considerados menos notáveis. Ainda assim, é nesta década que dá o seu contributo no thriller de Blake Edwards,A Semente de Tamarindo, ao lado de Julie Andrews. Anos mais tarde, assiste-se ao regresso esporádico de Omar ao universo que o viu nascer, isto é, a indústria de cinema do Egito.
Segundo o IMBD, os últimos trabalhos do ator datam de 2013, além de uma curta-metragem de animação em pós-produção.

O eterno galã de Hollywood e da vida real

Em maio, quando se soube que Omar sofria de Alzheimer, o jornal Daily Mail publicou um artigo onde fazia um retrato menos feliz da vida do ator, este que terá perdido a fortuna que o cinema um dia lhe deu em muitas mesas de jogo. Omar é ainda descrito como um galã que, ao longo da vida, seduziu inúmeras mulheres, mas que acabaria por perder o seu verdadeiro amor, a atriz e mãe do seu único filho reconhecido — a atriz Faten Hamama — com quem esteve casado durante 13 anos e de quem acabou por se divorciar.
Entre as potenciais paixões que protagonizou na vida real contam-se nomes como Catherine Deneuve, Tuesday Weld, Diane McBain e Ingrid Bergman. Mas também Barbra Streisand, um romance que durou apenas quatro meses, o tempo que demorou a filmar a longa-metragem em que trabalharam juntos, Funny Girl: Uma rapariga endiabrada. A propósito disso, Streisand chegou a dizer: “É difícil deixar de amar alguém quando o realizador grita ‘corta’. Factos e ficção misturam-se e penso que ambos perdemos a cabeça durante um tempo.” Foi também ela que o descreveu assim: “He was one hell of a guy”.
Dizia o espanhol El Mundo, não há tanto tempo quanto isso, que Omar era o egípcio mais universal, o eterno galã, a lenda árabe de Hollywood que se tornou imortal assim que deu a cara e o sotaque nas longas-metragens Lawrence da Árabia (1962) e Doutor Jivago (1965).

“Mercedes Benz”, a história da canção icónica de Janis Joplin: foi tudo um acidente

JANIS JOPLIN

“Mercedes Benz”, a história da canção icónica de Janis Joplin: foi tudo um acidente

"Mercedez Benz", canção intemporal de Janis Joplin, foi um acaso. Nasceu durante um serão nova-iorquino, cheio de álcool e rimas improvisadas. O Observador conta a história.
"
Mercedes Benz" é a terceira faixa do lado B de "Pearl"
Getty Images
Autor
  • Observador

    Oh lord, won’t you buy me…“, já sabemos o que vem de seguida, o tal do Mercedes Benz tão desejado na América. Apesar de ter morrido aos 27 anos, Janis Joplin tornou-se numa artista intemporal com uma carreira fértil, a solo e com os psicadélicos Big Brother and the Holding Company. E esta é uma das suas canções mais icónicas.
    Considerado por muitos como a magnus opus da sua carreira, o disco “Pearl”, de 1971, lançado três meses após a sua morte, contém esta canção, a mais conhecida de Janis Joplin. “Mercedes Benz”, a terceira faixa do lado B de “Pearl”, é um momento intrigante do disco: Janis, apenas acompanhada pelo barulho das suas pulseiras e pelos batuques do pé no chão com que marca o ritmo, canta uma oração irónica, com todos o ar dos pulmões, pedindo uma “televisão a cores”, “uma noite na cidade” e um “Mercedes Benz”.

    VÍDEO

    Mas, e se este momento alto do disco fosse, nada mais nada menos, que um acidente?
    “Mercedez Benz”, canção intemporal de Janis Joplin, foi, de facto, um acaso. Nasceu durante um serão nova-iorquino, cheio de álcool e rimas improvisadas. Joplin não parou de a cantar nos meses seguintes e, por aborrecimento, cantou-a também  à capella entre as gravações de Pearl, sem pretensão de a incluir no disco.
    Joplin morreu de overdose três dias depois de terminar a gravação. Aquele pequeno pedaço de brincadeira de estúdio foi aproveitado, tornando-se no tema mais conhecido da artista norte-americana.

    Uma canção anotada num guardanapo de bar

    A história situa-se no verão de 1970. Janis estava em digressão com os Full Tilt Boogie Band e tinha dois concertos marcados em Nova Iorque. O primeiro a 8 de agosto, no Capitol Theatre, em Port Chester, e o outro a 12 de agosto, no Estádio de Harvard. Durante a sua estadia nova-iorquina, Joplin aproveitou para rever Bob Neuwirth, cantautor e seu amigo de longa data.
    Janis queria-se divertir umas horas antes do concerto no Capitol. Bob Neuwirth conhecia a atriz Geraldine Page, da qual Joplin era fã. Pelas 16h, Neuwirth surpreendeu Janis Joplin ao apresentá-la a Page e ao seu marido. Antes do concerto foram beber uns copos ao El Quijote, um restaurante espanhol do hotel onde Joplin estava hospedada. Pelas 19h, a banda estava a fazer o soundcheck e Janis estava com o grupo de amigos a fazer tempo com passeios pela cidade. Joplin, Neuwirth, Page e o marido foram para um bar chamado Vahsen e todos estavam muito divertidos.
    “Janis e Geraldine criaram uma ligação forte, e estávamos a dar-nos todos bem. Chegou a um ponto da noite em que Janis cantava ‘Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz‘”, lê-se em declarações de Bob Neuwirth, ao Wall Street Journal.
    “Geraldine e o seu marido acompanharam a música batendo com as suas canecas de cerveja na mesa. Parecíamos uns marinheiros. A Janis inventou as primeiras palavras do primeiro verso. Eu fiquei com a responsabilidade de anotar a letra num guardanapo do bar. Janis também criou o segundo verso sobre a ‘televisão a cores'”, acrescentou.
    Aparentemente, Joplin estava viciada na frase “Oh Lord won’t you buy me a Mercedes Benz” há algum tempo. A cantora tinha ouvido o tema pela voz do seu amigo Michael McClure, conhecido poeta, cantor e ícone da geração Beat. O vicío pela conhecida frase que abre a canção foi notado por vários artistas que conviviam com a artista norte-americana. Um deles foi Bobby Womack, que o recorda no seu livro “Midnight Mover”, quando deu boleia a Janis no seu Mercedes Benz: “Ela prontamente começou a cantar [a famosa frase]”. Por várias ocasiões, Janis cantou-a ao vivo, avisando sempre que “aquilo nem sequer era uma canção”, segundo recorda Neuwirth.

    Tudo gravado por aborrecimento

    No dia 1 de outubro, os Full Tilt e Janis estavam a gravar o “Pearl” no estúdio Sunset Sound em Los Angeles. Durante as gravações, uma falha técnica forçou a banda a parar de gravar. Janis, aborrecida e ansiosa, estava na cabine de gravação à espera que o problema resolvesse. A solução para o seu aborrecimento foi cantar essa mesma linha que tanto ela repetia.
    “Eu conseguia vê-la na cabine de gravação de gravação. A Janis começou a bater o pé no chão, com as suas sandálias. As pulseiras voavam de um lado para o outro, fazendo barulhinhos que criavam o som rítmico que se ouve no disco. Os olhos dela estavam semicerrados, como se ela estivesse longe. Quando ela terminou a cantoria, disse apenas “pronto, é isto”, soltando a sua famosa gargalhada. Ela surpreendia-se constantemente”, relembrou Brad Campbell, baixista dos Full Tilt, banda que acompanhava a voz de Joplin.
    O problema técnico foi resolvido, conseguindo preservar a gravação que hoje conhecemos de “Mercedes Benz”. Foi a última canção que Joplin gravou. Três dias depois, dia 4 de outubro, foi encontrada morta, vítima de uma overdose de heroína. O produtor Paul A. Rothchild não resistiu e usou “Mercedes Benz”, imortalizando a terceira faixa do lado B do lendário “Pearl”.

    Corpos do massacre de Sebrenica sepultados num memorial











    Mário Soares visitou José Sócrates esta sexta feira (vídeo)

    Mário Soares visitou José Sócrates esta sexta feira (vídeo) 



    Mário Soares visita José Sócrates             Antigo Presidente da República em Évora. O antigo Presidente da República Mário Soares visitou esta sexta-feira, pela quinta vez, o ex-primeiro-ministro José Sócrates no Estabelecimento Prisional de Évora.   A visita durou cerca de uma hora e meia. Mário Soares já defendeu no passado que continua a "defender um homem" de quem gosta e de quem é amigo. "Não o querem ouvir, não o querem julgar, porque é que o têm preso?", questionou.



    CM





    ALGARVE - PADERNE - MATA MÃE A TIRO DE CAÇADEIRA

    Mata mãe a tiro de caçadeira 



    Homem disparou dentro de casa em Paderne, no Algarve. 


    Um homem, de cerca de 40 anos, matou a própria mãe a tiro de caçadeira dentro de casa, na madrugada desta sexta-feira, em Paderne, no Algarve. O homicida já foi detido pela GNR e Polícia Judiciária. A vítima, que tinha cerca de 70 anos, vivia com o filho. O autor do disparo, segundo declarações de alguns familiares à CMTV, sofre de esquizofrenia. No entanto, ainda não são conhecidos os contornos do crime. As autoridades já tinham tirado duas armas ao homicida devido a denúncias de episódios de violência. Mata mãe a tiro de caçadeira 


    PARA VER O VÍDEO CLIQUE NO LINK ABAIXO


    Mata mãe a tiro de caçadeira - Portugal - Correio da Manhã



    PCP quer salário mínimo de 600 euros no começo de 2016


    PCP quer salário mínimo de 600 euros no começo de 2016

    Os comunistas pedem esse aumento para o começo do próximo ano e a sua "evolução progressiva anual para responder às necessidades básicas dos trabalhadores e das suas famílias". O PCP, liderado por Jerónimo de Sousa, apresentou esta tarde, em Lisboa, o seu programa eleitoral para as legislativas deste ano.
    O salário mínimo nacional equivale, neste momento, a 505 euros mensais, depois de ter sido aumentado em 20 euros em Outubro de 2014.
    No texto, ainda a nível salarial, é pedido o fim dos cortes salariais e a reposição integral dos salários, subsídios e pensões retirados na administração pública, assim como o descongelamento das progressões salariais e profissionais.

    Os comunistas querem ainda a eliminação da sobretaxa de IRS e a criação de dez escalões de tributação do rendimento, a nível do IRS, "reduzindo de forma significativa a tributação dos baixos e médios rendimentos e a redução das taxas contributivas".

    A redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais é também reclamada pelo PCP, que quer ainda "assegurar o direito à estabilidade e segurança no emprego" e combater a precariedade laboral.
    PCP quer fim das taxas moderadoras
    Os comunistas propõem ainda reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), garantindo o acesso de todos aos cuidados de saúde e enfrentando a "estratégia privatizadora" do sector. Os comunistas criticam o "progressivo desinvestimento público" na saúde da responsabilidade de governos passados de PS e PSD/CDS-PP, e querem, por isso, que haja uma "gestão pública dos estabelecimentos do SNS". O partido rejeita "qualquer entrega da sua gestão a entidades privadas", pondo termo "à promiscuidade entre público e privado".

    A revogação das taxas moderadoras e a garantia de um médico de família para todos os utentes, "assim como a implementação do enfermeiro de família em todo o território nacional", são outras propostas que integram o programa eleitoral do PCP.
    Os comunistas querem também implementar um programa de luta contra a pobreza assente em três vectores: medidas de combate à pobreza dos trabalhadores, com o aumento dos salários; medidas de apoio à família por via, por exemplo, da redução da carga fiscal; e medidas de reforço do sistema de segurança social com o aumento das pensões de reforma, entre outros elementos.
    Os comunistas vão concorrer às legislativas deste ano com "Os Verdes" e Intervenção Democrática, juntos na Coligação Democrática Unitária (CDU).

    A IDA AO POVO - AS CAMPANHAS DE DINAMIZAÇÃO CULTURAL (1974-75)

    AS CAMPANHAS DE DINAMIZAÇÃO CULTURAL (1974-75)

    Cláudia Lobo
    Revista Visão História 01-07-2010
    Coisas boas em jornais
    «ALDEIA DE MÓS, CASTRO DAIRE, MAIO DE 1975 - A Operação Beira-Alta seria a mais longa e mais completa de todas as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA. Em Mós os militares procederiam à vacinação de bovinos com a ajuda de uma equipa de veterinários dirigida pelo tenente-coronel Ribeiro (ao centro) e pelo capitão-veterinário Sá Dantas.» 1975. Guy Le Querrec. Foto copiada da revista Visão História.
    Quando, a 30 de maio de 1975, foi finalmente publicado o decreto-lei que criava o Serviço Cívico Estudantil, Fernando Negreira estava a acabar o 7º ano no Liceu Gil Vicente, em Lisboa. Queria entrar em Engenharia, mas os caminhos da Revolução levá-lo-iam à «universidade da vida»: quem quisesse ingressar na faculdade devia prestar voluntariamente, durante um curto período de tempo, aquilo a que hoje se chamaria serviço à comunidade.
    A ideia do Serviço Cívico Estudantil germinara em outubro de 1974, mês em que o capitão Ramiro Correia e o diretor-geral de Cultura e Espetáculos apresentaram em conferência de imprensa as linhas de orientação das Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do MFA, tuteladas pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE) da 5ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas. O espírito que presidia às duas iniciativas — tal como o que norteou outros projetos, nomeadamente o SAAL — era semelhante. «Pretendia-se não só conhecer a ‘verdadeira vida do povo’, diagnosticando a sua situação, como também agir e contribuir para a sua ação na construção de uma nova sociedade que vencesse a questão da desigualdade social», escreve a socióloga e professora do ISCTE Luísa Tiago de Oliveira, na tese de doutoramento Estudantes e o Povo na Revolução — O Serviço Cívico Estudantil (Celta Editores). É sua a expressão ‘ida ao povo’.
    «SERVIÇO CÍVICO - No Cachão, ensinando adultos a aprenderem a ler, em agosto.» 1975.
    Foto Fernando Negreira copiada da revista Visão História.
    SEDE DE APRENDER
    Visão História
    Cabia ao Ministério da Educação e Cultura a responsabilidade do Serviço Cívico, no qual se inscreveriam em 1975, na contabilidade de Luísa Tiago de Oliveira, 11 814 alunos. Os estudantes seriam colocados segundo a sua lista de preferências — e Fernando foi parar à sua segunda opção, a campanha de alfabetização. «A minha primeira escolha tinham sido as Brigadas Giacometti.»
    Com um passe da CP fornecido pelo Serviço Cívico, parte para Trás-os-Montes. Durante agosto, dormindo no chão da sala da Junta de Freguesia, dá aulas a adultos na escola primária do Cachão, aldeia do concelho de Mirandela onde se situava um importante Complexo Agro-Industrial. Consigo estavam mais nove ‘professores’, chegados de Coimbra e do Porto, e um orientador, esse já universitário. Os filhos dos transmontanos a quem Fernando dava aulas haviam emigrado; restavam avós e netos. «As pessoas queriam muito aprender», recorda. «Dávamos aulas duas vezes por dia, ao final da tarde e ao princípio da noite — a partir das 10 horas faltava muitas vezes a luz.» 
    Era troca por troca — letras por pão. «As pessoas traziam-nos tachos, e era dali que comíamos.» A fome de aprender era grande — Portugal tinha mais de 30% de analfabetos quando a Revolução chegou.
    «MICHEL GIACOMETTI - O pai do Plano de Trabalho e Cultura, que funcionou nesse verão.» 1975.
    Foto Arquivo A Capital copiada da revista Visão História.
    Visão História
    O SONHO DE TRÁS-OS-MONTES
    Enquanto esteve em Trás-os-Montes, o nosso jovem futuro engenheiro que nunca chegaria a sê-lo não se cruzou com militares. Mas os homens das brigadas do MFA andavam por terras quentes: decorria a campanha Maio-Nordeste, sob o lema «Trabalhar com o Povo — Construir a Revolução»
    «Trás-os-Montes, o país real, é uma ferida aberta no País», escrevia o jornalista Mário Contumélias no Diário de Notícias de 3 de junho. O repórter estava em Faílde, uma aldeia sem água canalizada, posto médico ou Casa do Povo. «Começamos a perder o entusiasmo e as ilusões: vai demorar ainda muito tempo antes que as coisas melhorem tanto quanto queremos e é necessário.»
    «POVO MFA - João Abel Manta desenhou os autocolantes das campanhas de dinamização.» intura (cartazes); “MFA-Povo-MFA” e “Sentinela do Povo”. Dinamização Cultural, Lisboa 1974. Foto de arte-factoheregesperversoes.blogspot.pt
    Duas semanas mais tarde, as brigadas do MFA chegariam a Paio-Torto, concelho de Mirandela, onde na escola só não se tiritiva de frio graças ao calor dos animais, colocados no andar de baixo do edifício, a chamada «loja». Aulas com cheiro a bosta, casa de banho ao lado das manjedouras das vacas. A população elegera uma Comissão de Aldeia sob a orientação do MFA, que reunira já 130 contos para resolver o problema da escola.
    «O povo não é facilmente mobilizado por ideologias, mas sim por objetivos concretos, mostrando as populações grande interesse e preocupação em ver alguns dos seus problemas resolvidos», lê-se num documento do MFA de balanço da Maio-Nordeste, citado em Camponeses, Cultura e Revolução, tese de doutoramento da antropóloga Sónia Vespeira de Almeida, sobre as Campanhas de Dinamização Cultural do MFA (Edições Colibri). 
    «É verdadeiramente através da solução de problemas concretos que o MFA se transforma em imaginário social de libertação, no centro de um universo simbólico de luta contra a miséria e a injustiça», defende o sociólogo Boaventura Sousa Santos na comunicação Crise do Estado e a Aliança Povo/MFA em 1974-1975, escrita dez anos depois do 25 de Abril.
    Campanha de ação cultural e cívica, realizada por uma equipa veterinária do Movimento das Forças Armadas (MFA). Visita a um agricultor. Beira Alta, Concelho de Castro Daire. Aldeia de Parada de Ester. Maio 1975. Guy Le Querrec.
    ALIANÇA POVO-MFA
    Nesta altura, as campanhas de Dinamização Cultural já tinham efetuado centenas de sessões de esclarecimento, ajudado a traçar estradas e a rasgar caminhos, levando eletricidade e água potável a aldeias, transportado médicos e veterinários a lugarejos escondidos. As brigadas centraram-se sobretudo no Minho, Trás-os-Montes, Beira Alta e Beira Baixa, segundo Sónia Vespeira de Almeida.
    Para trás ficara uma primeira fase, terminada em março, centrada na ideia da revolução cultural e que agregou à volta dos militares centenas de artistas. Para citar apenas alguns exemplos: no teatro, a Cornucópia e a Comuna; nas Artes Plásticas, João Abel Manta e Vespeira ; na música, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Carlos Paredes; cinema, bailado e circo também estavam presentes.
    O Documento Guia da Aliança Povo-MFA, de julho de 1975, conhecido como «Documento do Copcon», marca uma nova etapa no rumo do Verão Quente, institucionalizando «os órgãos do poder popular ancorados em organismos de base como as comissões de moradores, as comissões de trabalhadores, os conselhos de aldeia». A segunda diretiva do CODICE, que estipula a colaboração com o Copcon, é clara: um dos objetivos fundamentais passa a ser «incrementar a reunião de Assembleias Populares». Daí a Comissão de Aldeia em Paio-Torto.
    Campanha de ação cultural e cívica, realizada por uma equipa veterinária do Movimento das Forças Armadas (MFA). Vacinação de suínos. Beira Alta, Concelho de Castro Daire. Aldeia de Parada de Ester. Maio 1975. Guy Le Querrec.
    ESPÓLIO DO VERÃO QUENTE
    Constantim, Cicouro e S. Martinho da Angueira, concelho de Miranda do Douro, talvez não tivessem comissões de aldeia — mas a Revolução também lá se fez sentir. Pelas três passou Luísa Tiago de Oliveira cumprindo o Serviço Cívico, com uma das brigadas de Giacometti, as tais onde Fernando Negreira não foi colocado.
    O nome correto destes grupos era, na verdade, brigadas do Plano de Trabalho e Cultura. Mas ficariam conhecidas pelo nome do homem da ideia, 
    Michel Giacometti, etnólogo corso apaixonado pelo nosso folclore que percorrera Portugal durante os 17 anos anteriores. Integrado no Serviço Cívico, e com o apoio do INATEL e da Gulbenkian, o Plano de Trabalho e Cultura foi organizado em três meses. Antes de partirem para o terreno, os 124 jovens escolhidos frequentaram um curso de formação em áreas tão diferentes como higiene pública, cooperativismo ou literatura popular. Gravador e máquina fotográfica viajavam na bagagem das 32 equipas que em julho, agosto e setembro percorreram os caminhos traçados por Giacometti. 
    A herança desse Verão Quente é impressionante: recolha de 1 200 instrumentos de trabalho agrícola, registo sonoro de 3 mil trechos de literatura oral (contos, lendas, provérbios, rezas, etc.), compilação de fórmulas medicinais populares. 
    Luísa Tiago de Oliveira viria a fazer do Serviço Cívico Estudantil o tema do seu doutoramento em Sociologia. Quanto a Fernando Negreira, que se tornou fotógrafo, decidiu nesse verão partir para outra aldeia, Arcozelo, com uma equipa de filmagens que rodava uma película sobre as campanhas de alfabetização. A liberdade estava mesmo a passar por ali.
    Cláudia Lobo, Revista Visão História 01-07-2010
    Campanha de ação cultural e cívica, realizada por uma equipa veterinária do Movimento das Forças Armadas (MFA). Vacinação de animais. Beira Alta, Concelho de Castro Daire. Vila de Laboncinho. Maio 1975. Guy Le Querrec.
    Campanha de ação cultural e cívica, realizada por uma equipa veterinária do Movimento das Forças Armadas (MFA). Vacinação de Animais. Beira Alta, Concelho de Castro Daire. Aldeia de Mós e Termas do Carvalhal. Maio 1975. Guy Le Querrec.
    Campanha de ação cultural e cívica, realizada por uma equipa veterinária do Movimento das Forças Armadas (MFA). Bebendo um copo oferecido por um habitante depois da vacinação de animais. Beira Alta, Concelho de Castro Daire. Aldeia de Parada de Ester. Maio 1975. Guy Le Querrec.
    (Fotos de Guy Le Querrec/Magnum Photos
    GUY LE QUERREC - Nascido em Paris em 1941 em uma família modesta da Bretanha, Guy Le Querrec fez as suas primeiras imagens com músicos de jazz de Londres na década de 1950, fazendo a sua estréia profissional em 1967. Dois anos mais tarde, ele foi contratado pela revista Afrique Jeune como editor de imagem e fotógrafo, e fez as suas primeiras histórias na África francófona, incluindo o Chade, Camarões e Níger. Em 1971, ele confiou os seus arquivos à Vu, recentemente fundada por Peter Fenoyl, e em 1972 co-fundou a cooperativa agência Viva, que deixou três anos depois. Guy Le Querrec juntou-se à Magnum em 1976. No final de 1970, ele co-dirigiu dois filmes, e em 1974 e 1975 esteve em Portugal e fotografou a "revolução", principalmente as campanhas de dinamização cultural, cujas fotos podem ser vistas no site da Magnum. Em 1979 publicou um livro: Portugal 1974-1975 : Regards sur une tentative de pouvoir populaire.
    João Abel Manta, “Muito prazer em conhecer vocelências”. 1975?
    citizengrave.blogspot.pt