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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Bienal de Artes Plásticas e Street Art na Festa do Avante!

Bienal de Artes Plásticas e Street Art na Festa do Avante!

Arte é factor de emancipação
e libertação
Como sempre sucede, em ano de Bienal há, por parte de muitos dos visitantes da Festa do Avante!, um renovado interesse pela visita ao espaço das Artes Plásticas, onde é possível conhecer o que de melhor fazem os artistas portugueses, novos e consagrados, nos campos da pintura, da escultura, da gravura, do desenho e da fotografia. Este ano, a arte de rua marcará também uma forte presença neste espaço, que reconhece assim esta forma de expressão artística que não tem parado de crescer e de se afirmar nos últimos anos. A visita ao espaço das Artes Plásticas é simplesmente obrigatória.
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Dar oportunidade aos artistas portugueses de mostrarem a sua obra e, ao mesmo tempo, permitir aos milhares de pessoas que visitam a Festa do Avante! um conhecimento mais próximo do que de melhor se faz em Portugal ao nível da pintura, da escultura, da gravura e de outras disciplinas artísticas são inquestionavelmente duas das mais notáveis virtudes da Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante!, cuja 19.ª edição se realiza este ano. Como é apanágio dos comunistas portugueses, o apoio à criação e o estímulo à fruição da arte e da cultura andam sempre a par. E não é por acaso.
No seu Programa Uma Democracia Avançada – os Valores de Abril no Futuro de Portugal, o PCP propõe uma política cultural assente no «efectivo exercício dos direitos culturais, na criação de condições para o desenvolvimento integral do indivíduo e dos valores culturais da sociedade». A democracia cultural por que o PCP se bate, lê-se ainda no Programa, é indissociável das vertentes política, económica e social da democracia, e implica, para ser concretizada, da realização de um conjunto de condições: entre elas inclui-se a «generalização da fruição dos bens culturais e das actividades culturais» e a «criação das condições materiais e espirituais indispensáveis ao desenvolvimento da criação, produção, difusão e fruição culturais».
Esta componente da democracia constitui, para o Partido, «um dos factores de transformação da realidade». O exercício dos direitos culturais e a luta pela sua generalização e aprofundamento são, mesmo, «factores da democracia globalmente considerada». Assim, estas propostas de fundo não são meras declarações programáticas para o futuro. Elas constituem, sobretudo, um guia para a acção transformadora quotidiana do PCP.
No que respeita à cultura e à arte, o exemplo das autarquias em que os comunistas e os seus aliados têm responsabilidades executivas revela bem esta realidade. A Festa do Avante!, e em particular o espaço das Artes Plásticas, também.
Uma imensa galeria
Em declarações ao Avante!, António Rodrigues (membro do Comité Central e responsável pelo espaço das Artes Plásticas) e Francisco Palma (artista plástico e membro da comissão organizadora deste espaço) valorizaram a participação de perto de 100 artistas e 200 obras no concurso da Bienal, que terminou em Junho. Entretanto, o júri já seleccionou as cerca de 60 obras que estarão patentes na Bienal da Festa do Avante!, realizadas por meia centena de artistas.
Francisco Palma adiantou que, das obras escolhidas pelo júri, 15 são esculturas e instalações e 47 são fotografias, pinturas, gravuras, desenhos e técnicas mistas. Os artistas que participam nesta edição da Bienal vêm de todo o País (para além de dois da Galiza e um de São Paulo, no Brasil); alguns são já nomes consagrados no panorama artístico nacional enquanto que outros procuram ainda a sua afirmação. A selecção dos trabalhos a expor, garante Francisco Palma, tem como factor decisivo a sua qualidade.
António Rodrigues destacou ainda outro motivo de interesse desta edição da Bienal, o rol de artistas convidados que aceitaram expor os seus trabalhos: Acácio Carvalho, Agostinho Santos, Avelina Oliveira, Cabral Pinto, Henrique Silva, Henrique do Vale, Jaime Silva, João Vasco Paiva, José Rosinhas, Manuela Bronze e Margarida Leão. Outros podem ainda juntar-se, sublinhou o membro do Comité Central.
Com as suas limitações mas também com todas as suas múltiplas potencialidades, a Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante! constitui um importante contributo para a democratização da arte e da cultura – não só pela quantidade de pessoas que, apenas pagando a sua EP, podem tomar contacto com largas dezenas de obras de arte de diferentes autores e disciplinas, como pelo que significa de estímulo à própria produção e criação artística, pela oportunidade que dá aos criadores de mostrarem o seu trabalho a um público muito vasto. Haverá, no País, outra «galeria» desta dimensão?
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Arte de rua na Festa
Dizia o maestro, compositor e militante comunista Fernando Lopes-Graça que «a arte não é adorno da boa sociedade, mas expressão fremente da vida». Se isto é verdade para qualquer expressão artística (da música clássica à escultura, passando pela pintura e fotografia), por mais erudita que seja a forma como é apresentada, sê-lo-á porventura ainda mais para aquela arte que nasceu nas ruas, a chamada Street Art(arte de rua)– de que o grafiti é a mais famosa expressão, mas não a única. O britânico Bansky e o português Vihls são alguns dos seus mais famosos protagonistas. Mas todos os dias surgem novos artistas, com diferentes formas de expressão, técnicas e suportes.
Este ano, o espaço das Artes Plásticas da Festa do Avante! tem uma parte dedicada precisamente à Street Art, mostrando trabalhos de muitos dos mais conhecidos protagonistas nacionais destas lides: André «Trafic» Silva, David Jae, Gordo Letters, Ricardo Romero, Sen Silva e Majojojo. A mostra permitirá aos visitantes da Festa conhecerem o talento destes artistas, as suas diferentes expressões e as causas que abraçam com a sua arte.
Para além das obras expostas, haverá duas intervenções de arte urbana no espaço das Artes Plásticas: uma no interior e outra no exterior, a ser realizada durante a própria Festa.
Surgida nas ruas, assumindo desde o início um carácter transgressor, a Street Art(nunca perdendo por completo esta sua natureza) tem vindo a transpor barreiras e a afirmar-se como disciplina artística de corpo inteiro. Hoje, muitos dos artistas de rua têm agentes e expõem os seus trabalhos em galerias de arte.
Em muitos locais do País, são as próprias autarquias a aproveitar e potenciar o talento dos street artists para requalificar bairros e elevar a qualidade de vida das suas populações. Exemplo mais notável é o do Bairro da Quinta do Mocho, em Loures, transformado numa autêntica galeria de arte ao ar livre: em muitos edifícios de habitação, as empenas estão transformadas de verdadeiras obras de arte. Muitas delas, para além da sua qualidade estética, afirmam identidades, valores, sonhos, ideais.

O QUE NUNCA NOS CONTAM…

O QUE NUNCA NOS CONTAM…

… e os muitos que que
respondem «nenhum deles»
Entretanto, esta sondagem de hoje (que dá 11% à CDU) , ocupa-se, dentro do vício antigo de favorecer a bipolarização com a falsa ideia de que se trata de eleger o primeiro-ministro de inquirir a amostra sobre diversas qualidades ou características de A. Costa e P. Coelho. Ora, de certa maneira, é caso para dizer que o tiro saiu pela culatra, uma vez que,para temas tão importantes como o ser«capaz de ter um discurso de verdade», de oferecer «confiança», de ser«honesto» e de ser «sério», quem fica à frente em percentagem são os inquiridos que dizem «nenhum deles». O que há-de querer dizer alguma coisa.
  

cinzento os resultados da
resposta dos«nenhum deles»

CURIOSIDADES PORTUGUESAS

Lenda do galo de Barcelos
Segundo ela, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.
Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.
Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou: - É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz. Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a São Tiago. Esta é a origem do Galo ser associado ao símbolo de Portugal.
Arquitetura portuguesa
A arquitetura portuguesa possui o seu toque pessoal nos azulejos brilhantes com cores vivas que enfeitam as fachadas dos inúmeros edifícios. A palavra azulejo deriva do árabe – al zuleij – que significa pedrinha polida. A tradição da cerâmica remonta à época da presença dos Mouros na Idade Média. O Museu Nacional do Azulejo, localizado nos claustros da magnífica igreja Madre de Deus em Lisboa, possui uma bela coleção de painéis imitando tapeçarias e pinturas ou ilustrando histórias. Contém um precioso painel mural azul e branco, representando uma vista panorâmica de Lisboa antes do terramoto de 1755.
A reconstrução da capital gerou uma procura urgente de Azulejos, o que conduziu à utilização de estilos mais simples, com cores pálidas sobre um fundo branco. Inúmeros edifícios possuem azulejos muitos decorativos: igrejas, palácios, bares, casas, restaurantes, estações de comboio e o metro de Lisboa. Sem esquecer, os grandes painéis murais representando a vida dos santos, emoldurados por uma talha dourada do período barroco.
Os azulejos evoluíram ao longo dos tempos e inserem as marcas de cada estilo, do Mauelino a “Art Nouveau”, até às novas escolas do século XX. Em certos ateliês, grandes mestres desta arte tipicamente portuguesa criaram azulejos pintados à mão, apesar da existência das novas técnicas industriais. Obtêm assim peças artísticas de grande qualidade que fazem o orgulho do património cultural português.
Pastéis de Belém
Em 1837, em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerónimos, numa tentativa de subsistência, os clérigos do mosteiro puseram à venda numa loja precisamente uns pastéis de nata. Nessa época, a zona de Belém ficava longe da cidade de Lisboa e o seu acesso era assegurado por barcos a vapor. A presença do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém atraíam inúmeros turistas que depressa se habituaram aos pastéis de Belém.
Na sequência da revolução liberal de 1820, em 1834 o mosteiro fechou. O pasteleiro do convento decidiu vender a receita ao empresário português vindo do Brasil Domingos Rafael Alves, continuando até hoje na posse dos seus descendentes.
No início os pastéis foram postos à venda numa refinaria de açúcar situada próximo do Mosteiro dos Jerónimos. Em 1837 foram inauguradas as instalações num anexo, então transformado em pastelaria, a “A antiga confeitaria de Belém”. Desde então, aqui se vem trabalhando ininterruptamente, confeccionando cerca de 15.000 pastéis por dia. A receita, transmitida e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente na Oficina do Segredo, mantém-se igual até aos dias de hoje. Tanto a receita original como o nome “Pastéis de Belém” estão patenteados.
Atualmente, na maioria dos cafés de Portugal é possível comprar pastéis de nata, provenientes da indústria de pastelaria, mas os originais continuam a ser os da pastelaria de Belém (apenas estes podem ser denominados Pastéis de Belém), em Lisboa, que preservam na sua secular existência o segredo e o saber da sua confecção.
Vinho do Porto
A “descoberta” do Vinho do Porto é polémica. Uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. Mas o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Já na época dos Descobrimentos o vinho era armazenado desta forma para se conservar um máximo de tempo durante as viagens. A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas. A empresa Croft foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.
O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o fato de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool) e mais forte do que os restantes vinhos (entre 18 e 22º de álcool). Fundamentalmente consideram-se três tipos de vinhos do Porto: Branco, Ruby e Tawny.

www.vilaportuguesa.com.br

Para que serve um socialista na Europa? - Sim, dirijo-me a si, caro presidente Hollande, eleito com a promessa de trazer uma visão alternativa à austeridade opressora

Para que serve um socialista na Europa?

por ANTÓNIO MARUJO, Jornalista do religionline.blogspot.pt

Sim, dirijo-me a si, caro presidente Hollande, eleito com a promessa de trazer uma visão alternativa à austeridade opressora; mas também a si, Sr. Jeroen Dijsselblöem, que imaginava, enquanto trabalhista holandês, que poderia levar ao Eurogrupo a que preside uma visão solidária; ou ainda a si, Sr. Matteo Renzi que, enquanto primeiro-ministro italiano, poderia liderar uma perspectiva alternativa no seio da União Europeia; mas também aos socialistas britânicos, espanhóis ou dinamarqueses, que perderam eleições recentes...A pergunta é: para que serve um socialista na Europa? Ou: porque continuam a afirmar-se socialistas se há anos vêm traindo a tradição socialista, social-democrata ou trabalhista de onde vieram - e, por via disso, são continuamente penalizados pelos eleitorados, que não vos vêem como alternativa? Porque persistem em ser uma cópia deslavada desta direita que desgoverna a nossa Europa e está a destruir, em poucos anos, um projecto único na história da humanidade, que demorou décadas a edificar? Pois: não me iludo já com essa direita, que rejeitou a herança dos gigantes que a recriaram no pós-guerra: Adenauer, De Gasperi, Schuman, Monnet... Uma direita cujo património democrata-cristão e humanista foi deitado fora por um conjunto de pessoas sem cultura histórica, sensibilidade social ou perspectiva de futuro. Mas também perdi as ilusões convosco, líderes socialistas da Europa que sinto como minha pátria, e cuja voz eu pensava que seria uma alternativa ao pensamento único que nos oprime. Para que serve, afinal, um socialista na (des)União Europeia? Para humilhar todo um povo e, com isso, criar condições sociais e políticas em tudo semelhantes às que levaram à I Guerra Mundial? Para exacerbar nacionalismos, antagonismos artificiais e um discurso social violento? Sim, fosse o governo grego liderado pelo Nova Democracia ou pelo implodido PASOK (precisamente os que levaram a Grécia à situação que o país vive) e as exigências não seriam tantas nem tão rigorosas... Não venham, sequer, com o discurso da responsabilidade. Responsabilidade seria os líderes políticos europeus ditarem regras aos mercados financeiros. Foi isso que socialistas e democratas-cristãos nos prometeram em 2008, quando o crime de alguns (financeiros...) fez estalar esta maldita "crise" (que só é para os cidadãos e os trabalhadores, não para os donos dos "mercados" nem para os políticos). Era isso que esperávamos: que nos fosse devolvida a democracia, roubada pela finança que dita regras sem que para isso tenha sido eleita. Era isso que desejávamos, para que o nosso voto tenha sentido. Ou será que o lamento sobre os elevados níveis de abstenção serve apenas para noites eleitorais e não vos leva a perguntar sobre as razões e a mudar práticas? Para que serve, afinal, um socialista na Europa? Para não ser alternativa? Para manifestar uma arrogância imprópria da democracia, como o faz tantas vezes o presidente do Eurogrupo, desde a vitória do Syriza na Grécia? Para dizer que a democracia é importante desde que o povo faça o que os "mercados" ditem? A história ensina que, quando os povos são ultrajados, acabam por tomar o destino em suas mãos - infelizmente, por vezes, com violência. O filósofo Jürgen Habermas escrevia (El País, 28 de Junho) que a crise que os "mercados" levaram à Grécia mostra que "são os cidadãos, não os banqueiros, quem tem de dizer a última palavra sobre as questões que afectam o destino europeu". E nesta quarta-feira, dia 1 de Julho, o Papa Francisco acrescentava que a dignidade da pessoa humana deveria estar no centro dos debates políticos e técnicos". Sim, percebo: falo de história, de pensamento, democracia e dignidade. E isso são coisas que os senhores já não sabem o que é.

BREVE HISTÓRIA DO EURO EM PORTUGAL - Era uma vez uma moeda nova que entrou num país para substituir uma moeda velha. Esta última tinha cumprido honradamente a sua missão. Tratando-se de um meio geral de troca ao serviço de uma população pobre, lá tinha conseguido animar modestamente uma agricultura de subsistência, um comércio de bairro e uma indústria protegida.

BREVE HISTÓRIA DO EURO EM PORTUGAL

 Era uma vez uma moeda nova que entrou num país para substituir uma moeda velha. Esta última tinha cumprido honradamente a sua missão. Tratando-se de um meio geral de troca ao serviço de uma população pobre, lá tinha conseguido animar modestamente uma agricultura de subsistência, um comércio de bairro e uma indústria protegida. Não é que todos vivessem bem, longe disso. Mas os que contavam os tostões ainda não tinham perdido de todo a esperança. Quando a este País chegou a tal moeda nova, ainda por cima a substituir a saia preta até aos pés pela minissaia da "estranja", muita gente se pôs de cócoras. Que sim senhor, que até que enfim se tinha uma moeda forte, que já era tempo de sermos europeus e etecétera. Mas a moeda nova trazia as suas exigências. Uma delas era que , no tal país secular, se acabasse com a agricultura. Nem interessava que a dimensão rural da existência comunitária estivesse plasmada nos Pereira, nos Macieira, nos Pinheiro, nos Carvalho, nos Cerejo da nomenclatura pessoal. E vai daí, viram-se agricultores de sempre serem pagos para arrancarem plantios muito antigos de vinha ou sementeiras recentes de cereais. A seguir, a moeda nova, toda dengosa, apresentou outra reclamação. Era necessário abater a frota pesqueira. Ela pagava, pagava tudo. E viram-se tisnados e experientes bacalhoeiros a desfazerem metodicamente os barcos que até então lhes davam de comer. Claro que houve quem perguntasse como é que este tal Povo iria sobreviver. E a moeda nova, muito serigaita, declarou que iríamos viver do Turismo, do sol e mar das praias e dos velhinhos com bicos de papagaios e espinhelas caídas que a Europa do Norte, friorenta e plúmbea, iria mandar até nós. Assim se fez. Mas para que esta moeda, universal à Europa, ficasse satisfeita e se impusesse, os tipos de Bruxelas deram uma ordem fatal : -Gastem, gastem à tripa forra. Tudo a comprar casa nova e a mudar de automóvel. E disseram mais. Viraram-se para a politicagem e ponderaram - Vocês deixem-se de ser parvos. Tratem de enriquecer a bem ou a mal. Metam a mão no pote da compota , que nós cá estamos. É também assim que se faz no resto da Europa. E foi um " vê se te avias ". Quando cá chegaram os milhões prometidos, fizeram-se todas as tropelias. Até se viram funcionários públicos, que não sabiam distinguir uma teta de vaca das mamas da mulher legítima a construírem hipóteses de vacarias ... Meninos, foi um fartote. E a moeda antiga, já suprimida, ficou como memória distante. Agora rebentou a bronca. A moeda nova deu em puta. Mas só ofereceu serviços aos tais velhinhos do norte e à sacanagem de Bruxelas. E agora ? Agricultura ? Já era. Pescas ? Não há. Florestas ? Ardem como tochas, no verão. Por falar em Verão, houve no meios disto tudo um gajo que aprendeu com a moeda nova e se foi safando. Safou-se com as tais velhinhas de espinhela caída e de bicos de papagaio. Era e é algarvio. Não sei se já se reformou. Dá pelo nome de Zé Camarinha. Desconfio que a Europa recomenda a "profissão" a todos nós. A moeda velha é que se está a rir a bandeiras despregadas.



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HISTÓRIA DE UM FERTILIZANTE DE MARCA " LÁPARO "

HISTÓRIA DE UM FERTILIZANTE DE MARCA " LÁPARO "

 Uma vez era um país, que tinha ervas com formigas. E as formigas comiam as ervas. Tal país também tinha pássaros. Os gatos devoravam as aves. Lá existiam também peixes. Os pescadores apanhavam os peixes e davam os restos de presente aos gatos. E um dia apareceu um láparo. Grosso e inútil. Ignaro e baboso. Vesgo de alma e verboso. Como já não havia agricultura, deixaram de crescer ervas comestíveis. E morreram as formigas. Como já não se trocavam sementes, os pássaros tornaram-se raros. E os gatos que devoravam aves, morreram na sua maior parte. Como os restos de peixe foram abandonados pelos pescadores nos cais, surgiram febres malsãs que colocaram os pescadores em urnas. Ficou só o láparo e os amigos, contando com a pitança e as raízes que lhes haveriam de chegar de uma lesma gorda e alemã. Mas quando a lesma se apercebeu de que o país já era apenas um cemitério fétido, disse ela para o secretário : país sem formigas ? nem gatos? nem aves? nem pescadores? só com láparos roedores ? Está na hora de caçar os láparos todos. Vamos fazer com eles fertilizantes industriais. Era esse o projecto do Adolfo. E foi assim. Era uma vez um país. Nem os láparos escaparam !


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JOAQUIN RODRIGO & JOHN WILLIAMS - CONCERTO


VÍDEO - ASTOR PIAZZOLLA - ADIOS NONINO


A OPERAÇÃO EM CURSO – NOME DE CÓDIGO: GRÉCIA - “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”,

A OPERAÇÃO EM CURSO – NOME DE CÓDIGO: GRÉCIA

por Daniel Vaz de Carvalho
“Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, 

Mateus 6.12, da mais importante oração cristã, de que a Europa se reivindica.

O Pai Nosso na Igreja Primitiva.
Referendo de 5 de Julho.

– No passado domingo a agressão sofreu uma derrota
O domínio da alta finança através da hegemonia alemã, depara com crescente resistência dos povos que não se conformam com a subserviência de governos colaboracionistas e falsos tratados que põem em causa a soberania e a democracia. 
A expressiva vitória do NÃO no referendo grego, só pode servir para prosseguir e reforçar a luta, contudo não vai fazer parar a agressão. 
Passada a primeira a surpresa e ao contrário do que a propaganda e a chantagem fariam prever, a ditadura financeira mascarada de “europeísmo” recompõe-se e prossegue a ofensiva.
A direita perdeu por momentos a sua farronca, insistindo na “intransigência” grega”, nas culpas dos “gregos”, quando afinal a situação do país se deve precisamente ao fracasso das políticas que a direita defende e quer que continuem. 

Seria fastidioso desmontar a sua argumentação de tal forma se se refugia na mentira, no obscurantismo, no intelectualmente reles perante as evidências. 
Os partidos “socialistas” que antes se remetiam a uma ambiguidade cúmplice, colocando no mesmo nível agressores e agredidos, apelam agora à benevolência das “instituições”. 

Como se o capitalista – nesta condição – não colocasse o capital no lugar do coração (Marx).
A comparação do que se passa na UE com o fascismo, o neofascismo, não é despicienda. Já foi referido que a troika estava a fazer na Grécia o que a ditadura dos coronéis não tinha conseguido. 
Em Portugal e em Espanha o totalitarismo da UE reverte a favor do grande capital condições que as ditaduras fascistas no seu final tinham já sido obrigadas a ceder.
A via do retrocesso é afinal o programa da UE sob o lema de que “as reformas têm de prosseguir”. 

A resistência que se levanta é ainda ideologicamente pouco consistente. A negação do “não” não é ainda a dialética “negação da negação” com vistas a superar as contradições do sistema.
2 – A operação em curso
Clamava Catão no Senado de Roma: “Cartaginem esse delendam”, Cartago deve ser destruída. Grito idêntico perpassa nos areópagos europeus, apesar do fraseado elíptico dos propagandistas: “
A Grécia deve ser destruída”. Mas tal como em Roma não se tratava apenas de destruir Cartago, sim de dominar todo o Mediterrâneo e a Península Ibérica, aqui trata-se do domínio da Alta Finança sobre a UE sob a hegemonia da Alemanha.
O que está em curso na Grécia, é a retaliação sobre um povo na convicção que medidas de represália vão abafar e destruir os focos de contestação que se crescem pela UE, reforçados pelas lutas do povo grego, apesar da titubeante atitude do governo Syriza.
Não há desta vez um Mein Kempf nazi-fascista, mas não se anda tão longe como isso. Os objetivos foram claramente expressos por J-C Trichet em junho de 2011, sabendo de antemão o que iria acontecer na Grécia, em Portugal, na Espanha. 

Ao receber o prémio Carlos Magno em Aachen, afirmou que governos e oposição se deviam unir para implementar “programas de ajustamento” na “defesa da zona euro como um todo”. Trichet acrescentou então a seguinte ameaça: “
Mas se um país mesmo assim não ficar a salvo, uma segunda fase deve ser diferente (…) dando às autoridades da zona euro uma muito maior autoridade na formação das políticas económicas se estas continuarem fora do caminho correto. (?!) 
Uma direta influência bem acima da vigilância reforçada que está atualmente considerada”.
Estas medidas tornar-se-iam compulsivas se os governos não as aceitassem ou não as cumprissem, “tomando as autoridades europeias as decisões aplicáveis à economia em causa”. 
Designadamente, sobre “as principais despesas do governo e elementos essenciais á competitividade do país”. São declarações que não representam senão um golpe de estado financeiro. [1] A questão é: onde ficam afinal a democracia e os interesses de cada povo?
Em 2012, o número dois do governo alemão defendeu que se os gregos não cumprissem os objetivos, teria de ser imposta de fora uma liderança, a partir da UE. Philipp Roesler assumiu a paternidade da ideia segundo a qual a troco de um segundo programa da troika, um comissário europeu do orçamento seria investido de funções governativas em Atenas, retirando ao governo legítimo funções essenciais. 
Numa entrevista ao jornalBild, o número dois de Merkel afirmou: “Precisamos de maior liderança e monitorização relativamente à implantação das reformas. 
Se os gregos não estão a ser capazes de conseguir isto, então terá de haver uma liderança mais forte da UE”. [2]
É esta operação que está em marcha, confirmada aliás pelas subsequentes atitudes e declarações de outros membros do governo alemão, como Schauble, e colaboracionistas como os do governo português, que querem mais, sempre mais subordinação a Berlim. São assim impostos “programas de ajustamento” cujos objetivos enunciados são impossíveis de cumprir sem o país se auto destruir, preparando o caminho para o que Trichet enunciava e deveria ter sido desde logo entendido como uma declaração de guerra aos povos com vista à total perda da sua soberania e a subordinação aos absurdos do euro.
3 – 0,47%…
A Grécia necessitava em 30 de junho de 1,7 mil milhões de euros para entregar aos credores, não para o seu povo. 
Esta verba representa 0,47% do que o BCE forneceu aos bancos privados em seis meses, sem contrapartidas e a uma taxa negativa! Até ao fim do ano a Grécia necessitaria, para reciclagem de dívida, cerca de 10 mil milhões de euros: 1,4% do que o BCE se propõe entregar aos bancos privados!
Eis a realidade da “solidariedade” europeia. Durante seis meses sujeitou o povo grego ao sadismo de falsas negociações, à chantagem do BCE deixar de fornecer liquidez aos bancos gregos durante as negociações (!) contra as regras do próprio BCE. Isto para destruir qualquer veleidade do governo social-democrata grego querer apenas aligeirar a austeridade. 
Mas o cúmulo foi não se permitir que a Grécia reduzisse as despesas militares ou aumentasse os impostos sobre lucros acima dos 500 mil euros! Eis a boa “governança” europeia…
Ao contrário do que se disse não houve negociações dignas desse nome. 
O Syriza entrou como derrotado à partida, defendendo o euro e apelando à benevolência da finança, na crença duma UE solidária e de uma Alemanha benfeitora e não apresentando qualquer alternativa anti sistémica ao povo grego. [3]
A crise da UE não começou em 2009 (então sempre negada) mas em 2000 com a adoção do euro. O euro foi e é uma arma contra os povos, ao primeiro abanão internacional os países já fragilizados por esta moeda desmoronaram-se económica, financeira e socialmente. 
Mas tudo foi preparado para isso, com base nos tratados europeus, documentos de rendição incondicional dos povos, anulando a soberania e democracia, para depois permitir a intervenção através dos “Procedimentos de Défice Excessivo”.
4 – Idolatria europeísta ou lobotomia?
Quando se ouvem os comentadores “independentes” fica-se na dúvida se sofreram alguma ablação cerebral [4] ou se se converteram a uma espécie de idolatria europeísta. Talvez apenas se tenham posto em leilão no mercado neoliberal. 
Falam de quê? 
Dizem que a Grécia não fez reformas e que não cumpriu os acordos. 
Porém, nunca se ouve dizer que reformas e que acordos não cumpriram e que diferenças fariam. 
Os propagandistas servem-se da mentira e falam por código: é o caso das “reformas”, quando mesmo em termos sociais-democratas, se trata de contra-reformas.
O debate sobre assuntos os europeus está inquinado à partida. Não se pode discutir logicamente e racionalmente o que é ilógico e incongruente.[5] 
As “regras da UE” tornaram-se a dogmática do europeísmo. Tudo o que com toda a evidência seria vantajoso para o país e o seu povo, não pode ser pois: “temos de cumprir as regras da UE”. 
Assim se justificam comentadores e gente do PS, PSD, CDS face a tudo o que de perto ou de longe belisque as oligarquias e a hegemonia alemã.
Então para que servem e a quem servem essas regras? Esta questão nunca é colocada. 
Quando a “nova direita” – como Remy Herrera acha que se deviam chamar os “partidos socialistas” – diz querer menos austeridade não entende ou finge não entender que a austeridade não é o problema: 
É a solução! 
A solução para um capitalismo decadente que se reduziu á sua versão rentista. 
O problema é o capitalismo! O capitalismo não sobrevive, pelo menos em paz, sem expansão e domínio de novos mercados externos. Trata-se de dominar toda a Europa – do Atlântico aos Urais – de forma neocolonial. Por isso está também em curso a operação Ucrânia.
A seita europeísta não está preocupada com a pobreza crescente, a estagnação, a perda de democracia na UE. O que os preocupa, é que os “eurocéticos” podem ganhar apoios com esta situação. Isto é, que camadas populares e intelectuais críticas tenham voz!
A falta de razão é total. Perante o avolumar de problemas que se faziam sentir pelo menos desde o euro, os comentadores avençados propalavam que era preciso “a Europa falar a uma só voz” e acabou-se com a unanimidade na quase totalidade das questões. 
Os problemas aumentaram. Tivemos então a propaganda do Tratado Orçamental, “a regra de ouro”, peso de chumbo para submergir os povos. Os “europeístas” esperam à maneira dos alquimistas que o chumbo se transforme em ouro…
Depois foi a triste cena da Constituição Europeia e o remendo do Tratado de Lisboa, o mesmo chorrilho de mentiras, de fraude relativamente a compromissos eleitorais e a chantagem sobre os povos que disseram não. 
A propaganda europeísta atingiu aqui inusitados níveis de cinismo político num sistema democrático.
Agora os panglossianos do federalismo, mesmo perante as catástrofes em curso, acham que tudo vai pelo melhor dos mundos e dedicam-se a anestesiar a opinião pública com a união bancária e a união económica. Quais as consequências? Na realidade, são tão credíveis agora como o foram antes com o euro e o tratado orçamental.
São os mesmos que dizem que “os alemães” não têm de pagar para gregos, portugueses, espanhóis ou italianos. 
Mas então que federalistas são estes?! 
Claro que não pagam, “os alemães” só recebem! 
Mas quais? A população em risco de pobreza ou exclusão social na Alemanha em 2013, era de 20,3%. (dados Eurostat) Entre 2005 e 2014, a Alemanha acumulou como diferença entre RN e PIB 574,8 mil milhões de euros: a Grécia perdeu 40,1 mil milhões, Portugal 50,7 mil milhões. [6]
Contrariamente às ilusões europeístas o sistema é incapaz de resolver os problemas provocados pela financeirização da economia a favor do rentismo e da usura. 
A UE que concebem e idealizaram não existe, é na realidade uma quimera, uma monstruosidade. São os monopólios e a finança que ditam a lei, fixam taxas de juro, criam moeda e se necessário nacionalizam prejuízos.
Compete às forças progressistas a luta persistente pelo esclarecimento e unidade das massas populares, para derrotar de vez a atual de degeneração social.
[1] Europe’s New Road to Serfdom , Michael Hudson June 3 / 5, 2011
[2] Governo alemão confirma: Berlim quer ocupar Atenas e talvez Lisboa , 30-01-2012, 2 –
[3] Acerca de negociações: lições do caso Syriza , Daniel Vaz de Carvalho,
[4] O autor tratou este tema na novela “Ritual de Passagem”, em “O Triunfo de Diana e outros contos”, Chiado Editora, 2013.
]5] Como cabalmente demonstra, por exemplo, Remy Herrera no seu livro “La maladie degenerative de l’economie”, que será abordado proximamente neste site.
]6] Eugénio Rosa, A UE e o Euro serviram para enriquecer a Alemanha , e Grécia: um país e um povo em luta pela sua dignidade e pelo seu futuro
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Liberalizar para... Enganar.

Liberalizar para... Enganar.


(Imagem da Internet)

Ouvi hoje o Ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva (que até nem é dos piores ministros deste Governo de salteadores) apregoar na Assembleia da República, no debate sobre o Estado da Nação, que “…o grande objetivo deste Governo com a liberalização do mercado da eletricidade foi proteger os consumidores…. blá blá blá”.

Como senti na carteira o enorme aumento da eletricidade - e já não incluo neste aumento o IVA sobre o valor da fatura que passou de 13% para 23% - dei-me ao trabalho de comparar a evolução dos preços de apenas um ano. Comparei 2014 com 2015, e os resultados desmentem categoricamente o senhor ministro, senão vejamos:

- Potencia contratada 13,8 KVA (Baixa Tensão);
- Tarifa Normal (monohorária);
- O custo fixo dia aumentou 5,75% (passou de 0,6821€ para 0,7213€);
- O custo do KW aumentou 3,17% (passou de 0,1543€ para 0,1592€).

Se isto de permitir às elétricas aumentarem o preço da eletricidade cinco vezes mais que o aumento da inflação é proteger os consumidores, prefiro não ser protegido, e voltar ao regime regulado.

E assim se vai enganando o pagode que não faz contas e acredita na bondade das aldrabices que o Governo vai contando.

pralixados.blogspot.pt

que nomes daria a um primeiro-ministro assim?

que nomes daria a um primeiro-ministro assim?

Que nome daria a um primeiro-ministro que fosse ao parlamento, para o debate do Estado da Nação, desmentir a mais óbvia realidade, negando todos os factos, um por um? SeguraMENTE enganoso, diria se for contido nas palavras, possivelMENTE aldrabão se a língua lhe for solta e livre.

Que nome daria a um primeiro-ministro que afirmasse estar farto de greves? VisivelMENTE anti-democrata, se prima pelas boas maneiras, provavelMENTE fascista se gosta de chamar os bois pelos nomes.

Que nome daria a um primeiro-ministro que insinuasse nunca ter aumentado impostos, nem reduzido salários e pensões? Sacana é a palavra que certaMENTE lhe ocorreria num acesso de cortesia, indubitavelMENTE bandalho é o termo que mais se ajusta aos seus maus fígados.

Que nome daria a um primeiro-ministro que dissesse ter reduzido a dívida pública, o desemprego, as desigualdades entre portugueses muito ricos e uma multidão imensa de carenciados? ClaraMENTE, por mais polido que seja, chamar-lhe-ia estupor. Ou, evidenteMENTE, pulha se for aficionado do português escorreito e sem mestre.

Que nome daria a um primeiro-ministro que jurasse ter diminuído a pobreza e assegurado serviços mais eficientes do que nunca na Saúde e na Justiça? ObviaMENTE, diria que é um burlão. ManifestaMENTE, que é um ser sem moral, sem ponta de humanidade, sem qualquer laivo de honestidade, hombridade, credibilidade.

Felizmente, não temos um primeiro-ministro de tal calibre. Privilegiando a verdade, só a verdade e nada mais do que a verdade, como é o caso do que nos calhou em sorte, não precisamos de lhe dizer que é seguraMENTE enganoso, possivelMENTE aldrabão, visivelMENTE anti-democrata, provavelMENTE fascista, certaMENTE sacana, indubitavelMENTE bandalho, claraMENTE estupor, evidenteMENTE pulha, obviaMENTE burlão, manifestaMENTE, um ser sem moral, humanidade, honestidade, hombridade e credibilidade.

FelizMENTE, temos o primeiro-ministro que temos. Um santo homem.
São Pedro, óleo de Rubens (foto: Museu do Prado /wikimedia)ouropel.blogspot.pt

exortação ao meu amigo pedrocas - Pedrocas, não te preocupes com as sondagens, o PS pode andar no alterne mas não é alternativa. Não te amofines Pedrocas, não empalideças, não esmoreças, ainda tens uns trunfos na manga.

exortação ao meu amigo pedrocas

Pedrocas, não te preocupes com as sondagens, o PS pode andar no alterne mas não é alternativa. Não te amofines Pedrocas, não empalideças, não esmoreças, ainda tens uns trunfos na manga. A prisão de Sócrates. Um maná caído dos céus aos trambolhões. A situação na Grécia. É preciso fazer cair o Syriza, enterrá-lo, dar uma lição aos europeus, que ainda os há, com manias de liberdade, igualdade e fraternidade, soltam as mesmas palavrotas, gastas, desde os idos de 1789. E que dizer do caos, da bancarrota, do tsunami, do apocalipse a que o PS conduziria de novo o País, agora que meteste as contas e os portugueses na ordem? Força Pedrocas, segue em frente, não pares nem no Samouco para meter água. A Alzira está contigo, tem um retrato teu em cima da peniqueira e outro no psiché junto do bidé para as lavagens de ocasião. O padre Bonifácio apoia-te, reza por ti, está com a fé de que vais ganhar, louva-te na missa, na procissão, na sacristia, ao sacrista, ao massagista, ao calista. O Pancrácio do quinto esquerdo aposta em ti, torce por ti, vai a todos os comícios por ti, arruadas por ti, arruaças por ti. A Anália do segundo direito tem velas por todos os cantos da casa em teu louvor, louvado seja Deus no Céu e o deus da Terra, reza a São Judas Tadeu, Santo Eucarário, Santo Atanásio, São Bento da Porta Aberta para que te dêem saúde e nova vitória, ó glória, ó hosana nas alturas. O meu patrão, o Dr. Anastácio, que não é doutor mas é como se fosse e que não nos paga o salário há mais de seis meses, vai dar para cima de cem mil euros ao teu partido e outro tanto ao do amigo que te ajudou a abrir as Portas do poder à Paulada, não quer é que se saiba, acho que vai indicar um pseudónimo, um nom de plumme que o tipo é fino, Jacinto Leite, é-te familiar o nome? Capelo Rego não te diz nada? Pergunta ao Paulinho, ele sabe. O dono da taberna da minha rua, o Ambrósio, já ensinou o papagaio a papaguear, em vez de palavrões, "Pedrocas! Paulinho! Aníbal!". A dona da peixaria, a Quitéria, apregoa o teu nome em vez da chaputa ou do rodovalho fresquinhos, venha ver freguesa, é uma moira de trabalho a Quitéria e uma grande admiradora tua, em vez do falecido marido tem o teu retrato num medalhão, entre as palpitantes mamocas ávidas de apalpanço. A menina Diana Vanessa, filha da D. Diana Helena, não sei se conheces, são do mais chique que há por cá pelo bairro, com casa de férias em Massamá e tudo, acha-te um galã, ainda que um tanto acabado e, pela primeira vez que vota, vai votar em ti. O alferes Galopim, antigo membro da Legião, pendurou uma bandeira do teu partido na varanda, onde antes colocava a da União Nacional, é um bom homem o Galopim, foi ele que me deu as botas cardadas que trago hoje calçadas, nunca se sabe, diz ele, quando vais precisar de dar uns pontapés no cu do reviralho.  Com tantos admiradores, Pedro, que receias? Vai em frente, coragem, muita força, diz as verdades ao povo, esbraceja contra o PS, esconjura os comunistas, difama os bloquistas e denigre os gregos, essas sanguessugas do nosso rico dinheirinho que tanto nos custa a ganhar. 

Ah! E o Sócrates. Não te esqueças do Sócrates.

Arquivo Municipal de Lisboa
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