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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tarzan (Johnny Weissmuller) e Jane (Maureen O’Sullivan)…química perfeita… (inclúi vídeos em inglês, francês, espanhol e um em português)

Tarzan (Johnny Weissmuller) e Jane (Maureen O’Sullivan)…química perfeita…


Chita, o macaco mais famoso do cinema…

Chita, já bem velhinho…
Johnny Weismuller e Maureen O’Sullivan foram os mais famosos Tarzan e Jane do cinema e também considerados os mais perfeitos. Mas fora a dupla romântica havia um protagonista que roubava a cena: Chita, o macaco. Infelizmente o famoso macaco (sim, era macho) faleceu no dia 24 de dezembro de 20011 aos 81 anos de idade em consequência de problemas renais no refúgio de animais The Suncoast Primate Sanctuary de Palm Harbor, no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Chita constava desde 2001 no livro Guiness dos Recordes como o macaco mais velho do mundo.
Nascido na Libéria, se chamava Jiggs, no cinema foi rebatizado de Cheeta, no mundo latino devido a grafia tornou-se Chita. Em 2008 o macaco mais famoso do cinema teve uma biografia em forma de ficção lançada pelo escritor inglês James Lever intitulada “Eu, Chita” (“Me, Cheeta”), inédita no Brasil, em que o chimpazé traçava comentários sobre a era de ouro de Hollywood, nos anos 1930. Por três vezes tentaram imortalizar suas patas na Calçada da Fama, mas não conseguiram. Apenas os cachorros Rin Tin Tin e Lassie obtiveram tamanha conquista…
O livro foi um dos finalistas do Man Booker, o mais prestigiado prêmio literário britânico.
Nestas cenas  hilárias e nostálgicas, lembranças da Chita em vários momentos…

Johnny Weissmiller – o inesquecível Tarzan.

“Se você acredita na velha frase de que, no Brasil, é preciso matar um leão por dia, ponha-se no lugar do Tarzan.” – Ruy Castro
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Os diversos seriados antigos estão em DVD nas prateleiras das locadoras. Um dos destaques foi Tarzan, interpretado pelo campeão olímpico (de 1924 1 1928) Johnny Weissmiller, considerado o melhor Tarzan do cinema.
 Nos filmes, o Homem-Macaco tinha a companhia da Jane, papel que ficou com a bela atriz Maureen O’Sullivan (mãe da atriz Mia Farrow), a macaca Chita, e o filho Boy, interpretado pelo ator Johnny Sheffield.
E o grito do Tarzan? Na verdade, o famoso grito foi produzido em estúdio: um mix de vozes e ruídos, entre os quais uma soprano de ópera e sirenes, conta Ruy Castro no Livro “Um filme é para sempre” (Companhia das Letras, 2006). Impossível um ser-humano reproduzir todos àqueles sons através apenas da voz.
 965p
O criador do personagem foi o escritor americano Edgar Rice Burroughs que escreveu ao todo 23 romances sobre o Homem das Selvas.  – todos em toque de caixa: em média um a cada dois meses.
Quando Weissmiller engordou e deixou de interpretar o Tarzan ressurgiu em um novo papel, baseado nas histórias em quadrinhos de Alex Raymond sobre um caçador branco na África: Jim das Selvas. Na verdade, como disse um crítico de cinema, era um “Tarzan com roupas”. A agilidade não era a mesma, mas o carisma do ator-nadador continuou na nova série.
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“Afumalakatchumba!” –  Tarzan “chamando os elefantes”, segundo o escritor Ruy Castro.
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VÍDEOS 

em português




RECOLHIDOS DO YOUTUBE POR ANTÓNIO GARROCHINHO

EM INGLÊS

em inglês

FILME COMPLETO EM ESPANHOL
em francês



E esta foi análise específica sobre ambiente, que fizemos hoje no debate do Estado da Nação.

O ESTADO DA NAÇÃO - O país recuou mais de uma década. O poder de compra dos portugueses regrediu a níveis comparáveis com o dos anos 90. Os direitos laborais degradaram-se e mais de um milhão e duzentos mil portugueses estão no desemprego, mesmo após o êxodo forçado de cerca de meio milhão, principalmente de jovens qualificados.

O ESTADO DA NAÇÃO

QUARTA-FEIRA, 8 DE JULHO DE 2015


O país recuou mais de uma década. O poder de compra dos portugueses regrediu a níveis comparáveis com o dos anos 90. Os direitos laborais degradaram-se e mais de um milhão e duzentos mil portugueses estão no desemprego, mesmo após o êxodo forçado de cerca de meio milhão, principalmente de jovens qualificados.

A produção cultural contraiu-se num fechado núcleo de estruturas que tiveram condições para fazer frente à asfixia financeira ou que ainda conseguem obter uma das migalhas que sai do bolso da DGArtes. O apoio do Estado à produção cultural nunca foi tão baixo em democracia.

A cultura cada vez mais se resume ao papel de adorno social e estético de uma pequena-burguesia que, apesar de tudo, está em decadência. 

O emprego nunca foi tão precário. Ou melhor, precário sempre foi, mas nunca houve tão pouca compensação pela precariedade do vínculo.

Os salários representam a menor fatia do rendimento nacional de que há memória, sendo apenas comparável a sua proporção ao que se viveu nos tempos do fascismo.

A Ciência e a Tecnologia venderam-se ao mercado das publicações ao quilo, e os laboratórios do estado foram substituídos por unidades que disputam projectos atrás de projectos como se de projectos e financiamento concorrencial vivesse o progresso.

A Universidade e o Ensino, em poucos anos, abandonaram a formação da cultura integral dos indivíduos e passaram a ser espaços de treino onde se formam as peças da engrenagem capitalista, dotadas de aguçadas competências e rombos conhecimentos.

O aparelho produtivo converteu-se num nichozinho de exportações, onde não há lugar para a agricultura familiar, as pescas e a produção industrial.

As empresas públicas foram entregues para posterior desmantelamento, empacotamento e remessa para o estrangeiro.

Milhares de portugueses alinham nas filas para as sopas e a lata de conserva pagas por outros portugueses no supermercado com sede no paraíso fiscal.

Os corredores dos hospitais têm número de cama atribuído nos sistemas de gestão hospitalar e os velhos encostam a solidão nas paredes das alas de urgências, paga a devida taxa moderadora.

O ambiente e as nossas riquezas naturais são lavrados gananciosamente por quem tenha dinheiro para seduzir o governo, seja chinês ou canadiano. De resto, os aerogeradores inflam a factura da electricidade que paga IVA à taxa normal e decoram a paisagem abandonada das reservas e parques naturais.

Os pobres não pagam. Não pagam mas também não andam. Com a agravante de ser o Governo dos ricos a ditar quem é pobre, fixando o limiar da miséria cada vez mais abaixo da linha da sobrevivência.

Os trabalhadores portugueses, já sem horários e pagamentos extraordinários, empobrecem a trabalhar ao invés de poupar.

Os tribunais despacham em catadupa os processos dos ricos enquanto fecham as portas a quem não qualifica como isento na taxa de justiça.

As forças policiais caem lestas sobre os trabalhadores em greve, mas não os protegem nos seus bairros nem nas suas ruas.

Os portugueses suportam cerca de 8 mil milhões anuais com gastos do serviço da dívida e mais 20 mil milhões de amortizações de capital. O Governo corre a substituir esses pagamentos por nova dívida e apresenta-se contente por ter conseguido comprar mais produtos financeiros no mercado dos abutres.

A pátria dos governantes resume-se à bandeira nacional que usam na lapela como marca registada do produto que vendem aos seus donos.

Independentemente da retórica que hoje faça sorrir os títeres parlamentares do capitalismo, independentemente da troca de palavras e ideias e de quem "ganhe" o debate e convença mais portugueses da sua bondade, a prática é o critério da verdade. E este é o estado da nação.

É o Estado construído à imagem dos caprichos da agiotagem e da usura, um Estado repressivo e opressor, que usa a força e a lei para desviar a riqueza dos portugueses para os manipuladores de marionetas que riem de bandeiras nacionais à lapela e do folclore das democracias. É esse Estado que Abril proibiu e eles reconstroem que nos põe, a 8 de Julho de 2015, no estado a que isto chegou.

manifesto74.blogspot.pt

Wyatt Earp, Jesse James e Billy The Kid – Heróis do faroeste desmistificados.

Wyatt Earp, Jesse James e Billy The Kid – Heróis do faroeste desmistificados.

O escritor e cinéfilo J. Pereira, no livro “Câmera, Ação” (Edimax), nos conta que alguns heróis dos filmes do faroeste não eram nada parecidos com os que são retratados no cinema e nos seriados. 


“Alguns pesquisadores norte-americanos andaram estudando longamente a ‘vida real’ dos antigos heróis do Oeste. E obtiveram alguns fatos pertubadores”, disse o escritor.
O real Wyatt Earp e o “bigode guiador de bicicleta”.
kevin Costner – Wyatt Earp no cinema com bigode aparado.
O caso clássico é de Wyatt Earp, o chamado “domador de Dodge City”. Na verdade, não tinha a menor semelhança com os atores que o interpretaram em filmes e seriados de TV.Tinha os olhos pequenos e próximos e usava uns bigodes de pareciam um “guiador de bicicleta”. Mas essa aparência nada romântica de Wyatt Earp é a última das desilusões a respeito desse herói do Oeste. Alguns esclarecimentos:
Wyatt Earp era um grande jogador profissional? Que nada! Foi descrito por um contemporâneo como “um dos mais desonestos parceiros que jamais ocupou uma mesa de jogo”.
Era um rápido homem no gatilho? Balela! É sem dúvida verdadeiro que ele e seus ajudantes mataram três membros da quadrilha de Clanton. Mas de acordo com testemunhas visuais, os três já estavam com os braços erguidos, quando foram mortos.
Era um galanteador? A lenda de “conduta honrosa perante as mulheres” cai por terra, também, quando se considera o que aconteceu com a “esposa” de Earp, Mattie Blayloc – provavelmente ele nunca se casou com ela. “Nosso herói” simplesmente a deixou um dia no meio da estrada, dizendo-lhe apenas um “até logo, meu bem” – ou talvez nem isso. Alguns anos mais tarde ela se suicidou, depois de ter vivido como prostituta num campo de minas no Arizona.
O verdadeiro Jesse James
Brad Pitt – Um “Jesse James” no cinema.
O famoso Jesse James, chamado o “Robin Hood” dos “fora da lei”, jamais deu um só centavo a alguém. Assaltou 11 bancos, alguns trens e matou dezasseis pessoas, duas das quais eram funcionários bancários desarmados.
No seu enterro (ele foi morto pelas costas por um companheiro quadrilha). Sua mãe cantou: “Que amigo temos em Jesus” e viveu depois do produto da venda de lembrancinhas de seu filho bandido a turistas.
Billy the Kid – Um delinquente juvenil.
Emilio Estevez – O “Billy the Kid” das telas.
Já Billy the Kid era um jovem de ombros estreitos, psicopata, de dentes arruinados, que matou cerca de 20 pessoas durante sua breve carreira. Mas não matava suas vítimas em desafios no meio da rua, frente à frente, numa competição de quem puxa mais rápido o gatilho. A maioria morreu vítima de suas ciladas e tocaias.
Billy morreu quando o implacável xerife Pat Garret perseguiu o delinquente juvenil através de vários estados, matando-o numa noite de luar no Fort Summer, Nôvo México.
A deformação é tão grande que Billy the Kid tem 

aparecido em filmes de cinema e de televisão na 

qualidade de xerife!


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CHARLES CHAPLIN, PALHAÇO POR VOCAÇÃO - MUITOS VÍDEOS E UM POUCO DE HISTÓRIA

Charles Chaplin, palhaço por vocação.

“Falam por mim os abandonados de justiça, os simples de coração, os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos. E falam as flores que tanto amas quando posadas.” Carlos Drummond de Andrade.
Dizem os escritores que Charles Chaplin não era nada santo. E não era. Mas contrariando os biógrafos e críticos de plantão, parto em defesa do homem Charles Chaplin para reconhecer que todos somos falíveis; recorro ainda a Shakeaspeare que dizia se cada um de nós recebesse o que merecia, ninguém escaparia do açoite.
Na época do cinema mudo Chaplin foi um mestre e defendeu essa bandeira durante um longo tempo, resistindo o quanto pôde ao som. Ora, quanto se pode dizer sem palavra alguma? Carlitos é filho dessa ausência. Porém, 36 anos depois, foram elas – as palavras -, que o condenaram. Mudo, ele fez grandes discursos, e só mostrou sua voz, pela primeira e última vez, no seu último clássico “O Grande Ditador”.
Carlitos nasceu em 1914. Um vagabundo, trapaceiro e por vezes antipático. A partir de “O Garoto” (1921), ele se tornou a figura romântica e humana que caiu no gosto popular. Era um pobretão de maneiras refinadas – um mímico por excelência, um palhaço por vocação.

O inesquecível Charles Chaplin.

“Falam por mim os abandonados de justiça, os simples de coração, os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos. E falam as flores que tanto amas quando posadas.” Carlos Drummond de Andrade.
Dizem nas biografias que Charles Chaplin não era nada santo. Contrariando os biógrafos e críticos de plantão, parto em defesa do homem Charles Chaplin para reconhecer que todos somos falíveis e recorro a Shakeaspeare que dizia se cada um de nós recebesse o que merece ninguém iria escapar do açoite.
Na época do cinema mudo Chaplin foi um mestre e defendeu essa bandeira durante um longo tempo, resistindo o quanto pode ao som. Ora, quanto se pode dizer sem palavra alguma? Carlitos é filho dessa ausência. Porém, 36 anos depois, foram elas – as palavras -, que o condenaram. Mudo, ele fez grandes discursos, e só mostrou sua voz, pela primeira e última vez no seu último clássico “O Grande Ditador”.
Carlitos nasceu em em 1914. Um vagabundo, trapaceiro e por vezes antipático. A partir de “O Garoto” (1921), ele se tornou a figura romântica e humana que caiu no gosto popular. Era um pobretão de maneiras refinadas – um mímico por excelência, um palhaço por vocação.

Charles Chaplin – “Desculpem, mas eu não quero ser um imperador, esse não é o meu ofício…”

O discurso na conclusão de “O Grande Ditador” – Uma das cenas antológicas do cinema.
O herói lendário, o vagabundo de todas as estradas do mundo. Chaplin estará condenado a não ser um dia mais que uma visão trágica e condenada a mergulhar no esquecimento? Espero estar enganado…
Neste vídeo, uma sensível homenagem de filha e neta do gênio do cinema.

Chaplin ganhou um museu.

Não, Chaplin não ganhou um museu nos Estados Unidos. A merecida homenagem veio da Suiça.
 
Após a perseguição que sofreu na época do macarthismo, Chaplin se mandou para a Europa em busca de paz. A última casa onde viveu, em Vervey, na Suiça, será transformada em museu dedicado à obra do ator e diretor londrino. A casa vai abrigar objetos pessoais e farão uma retrospectiva desde a infância até o estrelato em Hollywood.
Porém, a homenagem não foi conquistada tão facilmente, segundo informações, os vizinhos se opuseram aos planos do empreendimento e tentaram impedir o projeto durante anos, mas a família conseguiu a aprovação das autoridades após conseguir o apoio da multinacional Nestlê, que tem sua sede instalada nas proximidades.
Eu me pergunto: Por que a tardia, mas merecida homenagem não foi nos Estados Unidos? Será que a família do genial ator e diretor londrino tentou levar para a América e foi impedida por alguma barreira burocrática ou financeira? Acho que nos Estados Unidos, mais especificamente em Hollywood, os familiares tornariam mais fácil a visitação do local por fãs e curiosos do mundo inteiro. Na Suiça tudo é muito caro, muito distante e sem atrativos para os fãs de cinema e especialmente a garotada que só conhece Charles Chaplin dos filmes.
 Mesmo com os chocolates da Nestlê (que inteligentemente apoiou o projeto e ganhará com a presença de mais turistas por lá), acho pouco provável um movimento igual ao que a família de Chaplin conseguiria alcançar na meca do cinema. Criança não vive só de chocolate.

As palavras de Charles Chaplin a Albert Einstein.

No encontro dos dois gênios, em 1933, quando Charles Chaplin o recepcionou e o acompanhou em carro aberto pelas ruas de Nova York, apinhadas de gente. Chaplin vira-se para Einstein e diz:
 
Veja só, eles me aplaudem porque todos entendem a minha obra. E a você aplaudem porque ninguém entende a sua.

Charles Chaplin – “Aquilo que chamamos de vida é, no fundo, a organização de uma infância”- Pierre Leprohon

Nesses dias longínquos, lutava contra a fome e o medo do amanhã. Nenhuma prosperidade me poderá libertar desse medo. Sou como um homem que estivesse habitado por um espírito: o espírito da pobreza, o espírito da privação. – Charles Chaplin.
 
 Uma biografia pertence ao seu assunto, e não ao seu autor. Partindo desta premissa, considero o livro “Charles Chaplin” do escritor francês Pierre Leprohon a mais emocionante biografia sobre uma das figuras imortais do cinema. O livro é cheio de ricos detalhes sobre a fase mais desconhecida de Chaplin: a sua infância. A partir daí, podemos entender o homem e o personagem.
 Pelo que observamos nos livros sobre a infância de Charles Chaplin percebemos que houve no homem uma mistura de grandiosidade e de fraqueza, de piedade e de ingratidão, onde os mais próximos eram felizardos ou vítimas. Há testemunhos dos que o conheceram que relatam situações que não são transparentes – na verdade, incompletas.
 
Os primeiros cinco anos da vida foram felizes: “Nesse tempo era maravilhoso”, contou Chaplin, “comíamos quase todos os dias”.
 O pai de Chaplin era um cômico excêntrico e dotado de uma bela voz de barítono. Quando a carreira declinou e os contratos sumiram, passava horas do dia nas tabernas – o palco deixara de existir em sua vida. Morreu alcoólatra. Quando o querido pai faleceu, foi uma das noites mais terríveis para Chaplin – ele nunca a esqueceu:
 Um ataque exigiu a sua transferência para o Hospital de Saint-Thomas, em Chelsea, onde morreu. Essa noite em que a luz numa janela do hospital se apagou, revelando a morte de seu pai, tornou-se numa das suas mais tristes recordações. (Pierre Leprohon)
  A mãe de Chaplin é daquelas que, apesar de retratada nos filmes como uma mulher com sérios problemas mentais, fez o que só uma mãe é capaz – o livro conta passagens emocionantes:
 Enquanto lúcida, a Sra. Hannah Chaplin (Hannah foi o nome que Chaplin deu à pequena judia de O Ditador) trabalhava nos music-halls ingleses com o nome de Lilt Harley. Quando adoeceu bruscamente, a miséria se instalou no ar. Mesmo com sérios distúrbios mentais a mãe Hannah ensinou-os a trabalhar, a cantar e a dançar. Num esforço sobrenatural, ainda tinha forças para não esquecer dos queridos filhos:
 Vivíamos num quarto miserável. Na maioria das vezes não tínhamos nada que comer. Charlie e eu não tínhamos sapatos. Ainda me lembro de como nossa mãe descalçava os seus para dar a um de nós. Ia então buscar uma sopa dos pobres e trazia assim a nossa última refeição do dia. – Sidney Chaplin (irmão de Charles Chaplin)
 O irmão Sidney conta ainda que ganhavam a vida indo aos mercados públicos onde apanhavam frutas estragadas, que constituía no único alimento.
 Passei muitas vezes a noite lá dentro, quando éramos expulsos da nossa casa. Mas eu preferia, apesar de tudo, dormir nos bancos de jardim. – Charles Chaplin, anos depois, quando avistou o terreno baldio onde se deitava no lixo.
 
Quando a saúde da Sra. Hannah declinou totalmente, os filhos foram visitá-la, mas simplesmente ela não os reconheceu. A infância de Chaplin foi fundamental para a cosntrução do genial Carlitos. Certa vez, numa entrevista que concedeu a jornalistas que alegavam que os seus fabulosos filmes eram ofensivos, o genial Charles Chaplin respondeu:
 Se consegui ofender, sou feliz. Faço filmes dramáticos de propósito. O drama e a vida são assuntos de controvérsia, não é verdade?
Nesta antológica cena, Charles Chaplin está distante de qualquer tristeza – só há alegria.

“Olhe para o alto Hannah! Olhe para o alto!” – Pediu Charles Chaplin para a atriz Paulette Goddard no clássico “O Grande Ditador” – não precisava pedir…

Ela olhou para o alto, não apenas no clássico “O Grande Ditador”, mas também na vida real – Paulette Goddard, nascida Marion Levy, possuía uma beleza impressionante, bom humor, inteligência e muita ambição.
 
Quando retornou a Hollywood, após um período de afastamento, a atriz já estava separada de um milionário e havia saído do divórcio com cem mil dólares na conta e dirigindo um sesa Duesembeg de dezoito mil dólares.
 Aos 21 anos Marion Levy (nome de nascimento) já havia feito pontas nos filmes de Laurel e Hardy, de Hal Roach, já tinha se casado e divorciado quando conheceu Chaplin a bordo de um iate. O maior gênio da comédia ficou encantado pelo “conjunto” da atriz, mas estava ressabiado com a má-fama de conquistador de garotinhas. (era a mais pura verdade)
Ao conhecê-la comprou o contrato dela e a contratou para atuar no filme “Tempos Modernos” (1936) e depois, apesar de já estarem separados, Chaplin a convidou para o clássico “O Grande Ditador” (1940), no qual a atriz viveu o papel da judia Hannah.
 No livro “Cidade das Redes” (1986), o escritor Otto Friedrich revela que Paulette era tão ambiciosa que deixou o total controle da carreira artística nas mãos do comediante. Mas o que ocasionou o rompimento do casal foi quando Paulette se apresentou a Selznick para o papel de Scarlett O’Hara – Chaplin ficou chateado e ela ficou sentida por ele ter ficado chateado.
A atriz Paulette Goddard, além de um rosto belíssimo, inteligência e humor, possuía um corpo escultural.

 Apesar da ambição da bela atriz, quando houve a separação, Chaplin se deu conta, pela primeira vez, de que perdera uma pessoa de valor. Segundo consta nos livros os dois eram extremamente parecidos: belos, engraçados, inteligentes e, talvez a razão da separação, ambiciosos demais. Paulette atuou na década de 40 nos estúdios da Paramount, mas foi despedida, aparentemente, sem justa causa. Teve diversos casos amorosos com astros de Hollywood e faleceu em 1990 aos 79 anos. Deixou uma coleção de jóias avaliada em 10 milhões de dólares pela Sotheby’s, entre as peças havia um diamante valiosíssimo, presente de Charles Chaplin.
Paulette Goddard foi musa inspiradora e atriz principal de Chaplin em dois dos seus grandes clássicos – o que não é pouco.


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OH MEU RICO SANTANTÓNIO

MARATONA - EM DOIS MESES SEIS EMPRESAS ENTREGUES A PRIVADOS






TAP, Carris, Metro, Oceanário, CP, Emef. A entrega a privados da gestão e do capital destas empresas é decidida entre junho e julho. Concretização aguarda reguladores e Tribunal de Contas.
Não terá sido o governo que realizou mais operações nos últimos 30 anos, mas a atual maioria entra para a história das privatizações como o Executivo que entregou aos privados o controlo, da gestão ou do capital, de mais empresas públicas e sociedades onde o Estado ainda era o principal acionista.
Desde 2011, o Governo lançou 15 processos de venda de participações de controlo ou concessão a privados de empresas e serviços prestados por operadores públicos. Seis destas operações foram ou estão em vias a ser decididas nos últimos dois meses da legislatura, apesar de não serem as que representam os maiores encaixes. Na verdade até quase não fazem a diferença na receita do Estado, que quando existe ficará nas empresas, como é o caso TAP. Mas estão em causa serviços públicos de transportes e a companhia aérea de bandeira.
Os processos desenrolaram-se nos últimos meses, debaixo da pressão de forte contestação laboral e greves, que chegaram a ser quase semanais no Metro de Lisboa, e várias providências cautelares que tentaram sem sucesso travar em tribunal as operações. As decisões concentram-se nas últimas semanas antes das férias do verão e das eleições legislativas, mas para a sua materialização ainda faltam as decisões dos reguladores e o visto do Tribunal de Contas.
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Entre junho e o final de julho, o Governo escolheu o futuro dono da TAP, quem vai gerir as operações da Carris e do Metro durante oito anos e explorar o Oceanário por 30 anos. Antes de agosto ainda quer decidir quem vai comprar a CP Carga e a Emef. A maioria destas operações está concentrada no Ministério da Economia, com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, a assumir o papel de protagonista. A exceção foi o Oceanário, um processo decidido por Jorge Moreira da Silva, ministro do Ambiente.
O secretário de Estado dos Transportes liderou os processos de venda da ANA – Aeroportos de Portugal, ainda ao lado da então secretária de Estado Maria Luís Albuquerque, da TAP (duas), das concessões de transportes do Porto (Metro do Porto e STCP) e de Lisboa (Carris e Metro), tendo ainda a tutela da CP, empresa que tem marcha a alienação de duas participadas.
Sérgio Monteiro foi a principal voz do Governo a defender as privatizações no debate que se realizou na semana passada no Parlamento por iniciativa do Partido Comunista, poucos dias depois de ter sido divulgada a primeira auditoria do Tribunal de Contas às operações realizadas na era da troika. A avaliação à venda da EDP e da REN, realizadas entre 2011 e 2012, concluiu que o interesse, estratégico e nacional, não tinha sido acautelado.
Para contrariar a tese de que as privatizações foram lesivas, o secretário de Estado apresentou contas que dão um saldo positivo de 10.100 milhões durante os próximos 20 anos. Partindo de uma receita bruta de 9,3 mil milhões de euros com as privatizações, cujo principal destino foi o abate da dívida pública, Monteiro conclui que a poupança com os juros vai atingir os 7,1 mil milhões de euros ao longo de duas décadas. Mesmo excluindo os dividendos que o Estado receberia ao longo deste período, o balanço financeiro continua ser positivo, chegando aos tais 10100 milhões de euros.
O Tribunal de Contas chegou a uma conclusão diferente, a partir apenas dos casos da EDP e da REN onde alertou para um custo de oportunidade do Estado que foi forçado a vender numa conjuntura de mercado desfavorável e sob a pressão do tempo.
O tema das privatizações vai voltar ao Parlamento, pela mão do Partido Socialista que chamou o ministro da Economia, Pires de Lima, à comissão de Economia e Obras Públicas. A TAP volta a ser o tema forte desta audição que chegou a estar marcada esta quarta-feira e foi entretanto cancelada. As privatizações também devem ser abordadas no debate do Estado da Nação, o último da legislatura, que se realiza esta tarde.

A terceira privatização da TAP

O último lote de concessões/privatizações arrancou logo no início do ano com o processo mais delicado e controverso, a terceira tentativa de venda da transportadora aérea, que já tinha fracassado em 2000 e 2012.
A venda de 66% (61% mais 5% para os colaboradores) arrancou no início deste ano, apoiada num acordo entre governo e nove sindicatos da TAP e um caderno de encargos que prometia acautelar os compromissos assumidos perante as estruturas representativas dos trabalhadores. A paz social não foi contudo duradoura. Em abril, o sindicato mais poderoso da companhia, o SPAC que representa os pilotos, sai da plataforma e ameaça com o regresso à greve (que tinha sido suspensa em parte no final de dezembro).
As posições extremam-se e em maio é convocada uma greve de dez dias que é a maior paralisação de sempre (no tempo) da TAP. A greve acabou por ter um efeito contraproducente do ponto de vista de quem a convocou, acabando por pesar numa relativa viragem da opinião pública. As sondagens começaram a mostrar maior abertura à privatização da TAP, contra a qual quase todos eram contra.
O protesto dos pilotos terminou quase em cima do prazo para a entrega de propostas vinculativas para a compra da companhia e foi um dos argumentos invocados por um dos concorrentes (Miguel Pais do Amaral) para não entregar uma oferta vinculativa, o que levou à sua exclusão do processo.
Humberto Pedrosa e David Neeleman do consórcio Gateway que ganhou a privatização da TAP
Três era melhor, mas dois são melhores que um. E a apresentação de propostas por parte de Germán Efromovich e David Neeleman já permite ao governo afastar o fantasma da anterior tentativa falhada de privatização de 2012 e vender a tese de um processo competitivo. O processo passa para uma fase de negociação, por decisão do Conselho de Ministros de 21 de maio. No início de junho, o Supremo Tribunal Administrativo ainda aceita uma providência cautelar contra a privatização, interposta por uma associação ligada ao movimento “Não TAP os olhos”, que é rapidamente ultrapassada pela invocação do interesse público.
Nem foi preciso uma semana, o prazo conferido pela lei, para o Governo escolher o vencedor da privatização da TAP. As propostas finais foram entregues a 5 de junho, a decisão revelada no dia 11. A contrarrelógio, o contrato promessa de compra e venda é assinado no dia 24 de junho.
A bola passa agora para os reguladores e as forças de oposição ao negócio jogam em Bruxelas, onde o contrato de partilha de capital e poderes entre David Neeleman e o sócio português Humberto Pedrosa, deverá levantar dúvidas. O americano dono de uma companhia brasileira é minoritário, como mandam as regras europeias, mas Neeleman é o estratega e o principal financiador do negócio, o que parece desafiar a legislação europeia. O concorrente preterido, Germán Efromovich ameaçou apresentar queixa na Comissão Europeia, tal como a eurodeputada socialista Ana Gomes.

Concessões nos transportes ainda sem visto do Tribunal de Contas

Na lista de operações polémicas segue-se a concessão dos transportes de Lisboa. Na verdade, a concurso foram duas subconcessões, uma para a Metro e outra para a Carris, lançadas pela Transportes de Lisboa, que passou a integrar estas duas empresas públicas, bem como a Transtejo/Soflusa. O concurso internacional foi lançado em março, ao fim de muitos meses de um braço-de-ferro entre o Governo e a Câmara de Lisboa de António Costa que reivindicava o direito a intervir na exploração dos transportes públicos.
O executivo apoiou-se num parecer da Procuradoria-Geral da República que confere a concessão ao Estado (leia-se governo) por via das nacionalizações. A autarquia ainda conseguiu dar um tiro em maio, mas sem atingir o porta-aviões, ao travar o concurso por via de uma providência cautelar, que mais uma vez foi rapidamente contornada pela contestação do governo, via Transportes de Lisboa. O processo de entrega de propostas ainda sofreu um atraso, mas foi mais devido às mil e uma perguntas colocadas pelos candidatos à concessão.
A 15 de junho são entregues cinco propostas às duas subconcessões: três conjuntas para a Carris e Metro e duas separadas, uma para a Carris e outra para Metro. Apenas quatro dias depois é anunciado o vencedor. O grupo espanhol Avanza, operador de transporte de passageiros, controlado por um grupo mexicano, foi o que pediu menos dinheiro ao Estado, o critério mais importante nesta decisão. A Avanza é forte nos autocarros, mas não tem experiência de metro. Vai receber 134 milhões de euros por ano durante oito anos. A Carris Metro assegura 1075 milhões em receitas tarifárias.
O relatório final já confirmou a proposta vencedora e aguarda-se a adjudicação. Mas para ficar operacional ainda é necessário o visto do Tribunal de Contas (TdC). E o órgão liderado por Oliveira Martins ainda não deu luz verde à concessão da Metro do Porto, tendo inclusive enviados várias perguntas ao grupo vencedor, o consórcio catalão Transport Ciutat. Este foi o único dos quatro contratos de concessão que já chegou ao TdC e está ainda a ser analisado, adianta fonte oficial do Tribunal.
A adjudicação da concessão dos STCP foi atrasada devido à falta da publicação da legislação necessária, que entretanto foi publicada. No entanto, a ANTROP (Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros) tenciona contestar em tribunal a subconcessão a privados de carreiras fora da cidade do Porto, que não estava prevista na concessão dada à empresa pública.
O PS avançou ainda com várias iniciativas para tentar travar nos tribunais as concessões de transportes de Lisboa e do Porto.
No dia 15 de maio é publicado o decreto-lei de concessão a privados do Oceanário de Lisboa. O procedimento insere-se no processo de liquidação da empresa pública Parque Expo que era a dona deste equipamento. Classificado de serviço público, a concessão por 30 anos da exploração do Oceanário prevê uma contrapartida financeira para o Estado imediata, seguida de pagamentos anuais. O concessionário tem de apresentar um plano estratégico.
No dia 12 de junho, cinco candidatos entregam propostas; duas entidades espanholas, duas portuguesas e uma francesa. No dia 23 do mesmo mês é conhecida a vitória da Fundação Francisco Manuel dos Santos, do dono da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos. A adjudicação é confirmada no Conselho de Ministros a 2 de julho.
A contrapartida imediata de 34 milhões de euros acabou por ficar aquém do valor inscrito no Orçamento do Estado de 2015 para a concessão. No total, e segundo números avançados pelo ministro Jorge Moreira da Silva, o Estado poderá receber até 114 milhões de euros ao longo da concessão e a Fundação compromete-se a investir 110 milhões de euros no Oceanário. Este contrato já está a ser analisado pelo Tribunal de Contas.

Privatização da Emef em risco

O Tribunal de Contas poderá ser um obstáculo difícil de ultrapassar na privatização da Emef, uma das últimas operações lançadas pelo governo. A recusa em dar visto prévio a dez contratos de manutenção e renovação entre a CP e a sua participada, no valor de 354 milhões, fechados em cima do processo de venda, é um duro golpe no plano de negócios da Emef para os próximos dez anos e que serviu para atrair investidores.
A venda da empresa de manutenção ferroviária da CP não estava no memorando original da troika, ao contrário da CP Carga, um processo foi sucessivamente adiado desde 2011, com o argumento de que era necessário destacar os terminais de mercadorias e transferi-los para a Refer, antes de avançar com a venda. No entanto, o governo decidiu avançar com a alienação a empresa de manutenção da CP ainda no ano passado.
As duas operações foram aprovadas em Conselho de Ministros no final de março, sendo vigiadas pela Comissão Europeia para acautelar eventuais ajudas de Estado. CP Carga e Emef foram sempre deficitárias, até 2014, ano anterior à sua venda, em que apresentaram lucros. No caso da CP Carga, a viragem é contudo explicada pelo ganho extraordinário que resultou da alienação dos terminais à Refer.
O processo de venda entra em marcha com a publicação, no início de maio, do caderno de encargos. No final do prazo para a entrega de propostas, a 30 de junho, a CP recebeu quatro ofertas para a CP Carga, incluindo duas de grupos que são clientes, e duas para a Emef. Mas no caso da empresa de manutenção de comboios, há nuvens negras a ensombrar o negócio.
Para além da recusa de visto, que a CP vai contestar, aos contratos que iam assegurar um nível de atividade atrativo nos próximos anos, há uma queixa em Bruxelas contra ajudas ilegais da CP à sua participada. O processo foi suscitado pela Bombardier que é uma das maiores concorrentes da francesa Alstom, o candidato mais credível à compra da Emef, e poderá, segundo o jornal Público, levar o governo a deixar cair a privatização da empresa de manutenção ferroviária. Se isso acontecer, os obstáculos levantados pelo Tribunal de Contas aos contratos entre a CP e a Emef, e que invocavam a concessão de vantagens aos futuros donos privados da empresa, caem por terra.

E o Novo Banco?

Não se trata de uma privatização e o decisor não é o governo, pelo menos forma direta, mas o calendário para a venda do Novo Banco coincide com o prazo final para despachar as privatizações. O desfecho deste negócio será  a principal medida do sucesso ou do fracasso da solução encontrada para o colapso do BES e poderá por isso, vir a ser um tema importante na campanha para as legislativas.
“Se vendermos bem, tudo estabiliza, se não vendermos bem, o resto do sistema financeiro tem de comparticipar. Sendo isso tão prioritário para que Portugal tenha crescimento, estabilidade, e criação de emprego, acho que não se muda o vendedor a meio da venda”
Paulo Portas, vice-primeiro ministro, a propósito da recondução de Carlos Costa
A venda do Novo Banco foi aliás uma das razões invocadas pelo governo para justificar a recondução de Carlos Costa na liderança do Banco de Portugal, porque não se muda o vendedor a meio do negócio, argumentou Paulo Portas. Também para o governador, que deu a cara quase sozinho pela resolução do BES, este processo será um prémio ou um castigo.
A operação está a ser planeada desde o momento em foi aplicada a medida de resolução do Banco Espírito Santo, em agosto de 2014. O adviser financeiro para a venda do Novo Banco, o BNP Paribas, foi até contratado dias antes da resolução do BES. A pressa manifestada pelas autoridades em vender o banco bom foi a principal razão que levou a equipa de Vítor Bento a bater a porta, apenas dois meses dois de ter iniciado funções ainda no antigo BES.
O ímpeto vendedor acalmou perante a evidente complexidade do divórcio litigioso entre o banco mau e o banco bom. O Banco de Portugal procurou consolidar a situação patrimonial do Novo Banco e a restaurar a normalidade comercial. Entre as decisões do regulador e do Governo que beneficiaram a instituição, estão o travão controverso aos reembolsos do papel comercial, os impostos sobre ativos diferidos e outros benefícios fiscais, e a transferência do empréstimo concedido pela Oak Finance, um veículo criado pela Goldman Sachs, para o BES.
Ainda assim, há muitas dúvidas sobre o êxito financeiro do Novo Banco. O plano de negócios apresentado pela administração de Stock da Cunha mereceu mesmo uma reserva do auditor, que o qualificou de otimista, na avaliação às contas de 2014, para além de alertar para o risco dos conflitos jurídicos.
O processo de venda propriamente arrancou no final do ano passado com a recolha de manifestações de interesse. Chegaram 17, foram validadas 15. Em março, nove grupos confirmaram o interesse no dossiê e sete apresentaram propostas não vinculativas, mas só cinco ficaram na corrida. No último mês de junho, chegaram três ofertas vinculativas – os chineses Fosun e Anbang e o fundo americano Apollo – para a compra do Novo Banco. O fundo americano Cerberus e, a maior surpresa, o Santander, desistiram. O Banco de Portugal ambiciona escolher o novo dono do antigo BES até final de julho, precisamente um ano depois da implosão do Banco Espírito Santo.
Atualizado às 10.56 de quarta-feira com indicação do cancelamento da audição do ministro da Economia