AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


terça-feira, 7 de julho de 2015

10 armas bizarras e mortais do mundo na antiguidade

10 armas bizarras e mortais do mundo na antiguidade



Há séculos que os homens criam instrumentos para machucar, torturar e matar os seus inimigos, muitos antes das pistolas modernas que acabam com as pessoas com alguns tiros. Antigamente existiam armas que possuíam métodos mais lentos e dolorosos que certamente nenhum de nós quer passar. Veja quais são alguns desses modelos sinistros (se você conhecer mais armas estranhas e cruéis, compartilhe com a gente nos comentários):


1 – Zhua


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
Caracterizada por ser uma mão de ferro, o Zhua (que em tradução literal quer dizer garra) foi utilizado na China nos tempos imperiais. Esse utensílio insano era usado para arrancar a pele e determinadas partes dos corpos das pessoas, podendo ser extremamente lento e doloroso ou mais rápido. Quando empunhado por soldados habilidosos, pessoas podiam ser derrubadas de cavalos ao ficar presa nas garras (ou nos dedos) do Zhua.

2 – Katar


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
O Katar tem origem indiana e é composto por um tipo de bracelete ligado com lâminas afiadas (normalmente três), como se formasse uma extensão do braço. Bastante utilizado por mercenários na antiguidade, com o Katar era possível executar as vítimas rapidamente em silêncio e com precisão. Eles também eram desenhados para perfurar armaduras e permitiam ataques mais rápidos. 

3 – Urumi


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
Em alguns locais conhecido como Aara, esse utensílio mortal também possui origem indiana. Trata-se de uma espada longa (que em alguns casos pode chegar até impressionates três metros de comprimento), porém que é bastante flexível. Como o aço utilizado aqui é bastante maleável, os ataques desferidos com ela são semelhantes aos ocasionados por um chicote, porém muito mais graves.

4 – Ninho de Abelhas


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
O Ninho de Abelhas é um tipo de armamento chinês no formato de um tubo hexagonal com um total de 32 flechas. Aparentemente inofensivo, as 32 flechas podem ser disparadas simultaneamente no alvo ao serem acionadas com fogo, como se fossem pequenos foguetes. Com 32 flechas voando em sua direção, é bastante improvável que você consiga escapar vivo se for atacado.

5 – Chukonu


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
Outra criação dos chineses, o Chukonu é praticamente um ancestral do rifle automático. O suporte de madeira superior permite que dez flechas sejam alocadas, automaticamente entrando em posição quando as outras são disparadas. Em média, as dez flechas podiam ser disparadas em só 10 segundos, ocasionando um estrago bastante grande e poupando tempo de ataque (os arqueiros demoravam muito mais). Para piorar, as flechas carregavam doses de veneno.

6 – Chakram


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
O Chakram é originário da Índia e pode ser extremamente fatal. Essa arma circular é bastante afiada nas pontas e quando é arremessada pode cortar membros de suas vítimas com certa facilidade. Contudo, para manuseá-la corretamente é preciso possuir bastante habilidade. Esse círculo mortal de aço possui normalmente 30 centímetros de diâmetro e sempre é arremessado na vertical.

7 – Tesouras Gladiadoras


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
Não pense nas tesouras que temos em nossas casas ou nos estojos. As tesouras utilizadas pelos gladiadores em Roma, durante os tempos do Império Romano, eram fatais e muito dolorosas. O compartimento de metal era acoplado junto aos braços dos guerreiros (de modo semelhante ao Katar), permitido bloquear ataques e atacar. Feitas de metal pesado, elas mediam aproximadamente 50 centímetros.

8 – Macuahuitl


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
Não deixe que os seus olhos enganem você, pois o Macuahuitl é uma arma muito dolorosa, apesar de ser incapaz de perfurar pessoas. Trata-se basicamente de um largo pedaço de madeira, em formato de espada, com pequenos pedaços de vidro vulcânico de ambos os lados. De origem mexicana, era comumente utilizado pelos astecas como um porrete e nos típicos rituais de sacrifício.

9 – Kpinga


Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
As tribos de Azande, na África, utilizavam essa variação de faca como um armamento fatal. Alguns modelos possuíam mais de 60 centímetros e quase todos tinham três lâminas que eram constantemente afiadas. Quando os guerreiros portadores das armas se casavam, davam suas Kpingas aos familiares da mulher.

10 – Espadas-gancho

Fonte da imagem: Reprodução/Deadliest Warrior
As espadas-gancho chinesas eram carregadas pelos monges Shaolin como armas de defesa. São caracterizadas por ser levemente curvadas e por possuírem um formato de anzol em uma das extremidades, podendo ser conectadas com outras espadas. Talvez não sejam tão cruéis como as outras armas que figuram nessa lista, porém poderiam ser mortais se bem manuseadas.

 vocenaosabiaquett.blogspot.pt

A DÍVIDA GREGA É UM MEGA ESQUEMA DE CORRUPÇÃO


DEFINIÇÃO DE DÍVIDAS ILEGÍTIMAS, ILEGAIS, ODIOSAS E INSUSTENTÁVEIS

DEFINIÇÃO DE DÍVIDAS ILEGÍTIMAS, ILEGAIS, ODIOSAS E INSUSTENTÁVEIS

A Comissão para a verdade sobre a dívida grega da CADTM (Comissão para a Anulação da Dívida ao Terceiro Mundo), publicou um relatório preliminar que pode ser encontrado no seu site. Inseriu também as definições sobre a natureza das dívidas, que tem sido internacionalmente aceite em várias circunstâncias. Lembremos que a renegociação da dívida alemã do pós-guerra teve em conta critérios deste tipo.
Dívida que o devedor não pode ser forçado a pagar porque o empréstimo, os títulos financeiros, a garantia ou os termos e condições associadas são contrárias ao direito (tanto nacional como internacional) ou ao interesse geral, ou porque estes termos e condições são claramente injustos, excessivos, abusivos ou de qualquer forma  inaceitáveis. Ou ainda porque as condições do empréstimo, contêm medidas políticas que violam  leis nacionais ou normas de direitos humanos; ou porque o empréstimo ou a garantia não foram usados em benefício da população; ou a dívida é produto de uma transformação da dívida privada (ou comercial) numa dívida pública sob a pressão dos credores.
Dívida para a qual não foram respeitados procedimentos legais em vigor (incluindo os que dizem respeito a autoridade para ratificar os empréstimos ou aprovar empréstimos ou garantias pelos organismos ou representantes do governo do Estado devedor). Dívida que envolve má conduta grave por parte do credor (por exemplo com recurso à corrupção, ameaça ou abuso de influência). Pode ser também uma dívida contraída em violação do direito nacional ou internacional, contendo condições contrárias a essas leis internacional ou ao interesse geral.
Dívida odiosa
Dívida que foi contraída por violação dos princípios democráticos (o que inclui o consentimento, participação, transparência e responsabilidade) e foi usada contra os mais elevados interesses da população do Estado devedor. Dívida que é excessiva e tem por consequência negar direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais da população; o que era conhecido pelo credor ou este estava em condições de o conhecer.
Dívida insustentável
Dívida que não pode ser honrada sem comprometer seriamente a capacidade do Estado devedor garantir as suas obrigações em matéria de direitos humanos fundamentais, tais como no campo da educação, saúde, água, habitação condigna, ou para investir em infraestruturas públicas e em programas necessários ao desenvolvimento económico e social, ou ainda dívida cujo reembolso terá consequências negativas para a população do Estado devedor (incluindo uma deterioração da sua qualidade de vida). Uma tal dívida é reembolsável, mas o seu pagamento deve ser suspenso para permitir que o Estado assuma as suas responsabilidades em matéria de direitos humanos.
Via: FOICEBOOK

EM BERLIM E ESPANHA ACTIVISTAS USAM O CORPO COMO PROTESTO









ADOLESCENTE DE GUIMARÃES CONTINUA DESAPARECIDA



UMA COMPILAÇÃO ENGRAÇADA COM GAIVOTAS E A SUA JÁ CONHECIDA FAMA DE "ROUBAREM" OS ALIMENTOS QUASE NA BOCA DOS QUE CONFIAM DEMASIADO NELAS.

Apresentação do Programa Eleitoral do PCP às Eleições Legislativas 2015



INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, 



SECRETÁRIO-GERAL DO PCP, LISBOA





Apresentação do Programa Eleitoral do PCP às Eleições Legislativas 2015



O PCP apresenta hoje o seu Programa Eleitoral. Um Programa que confirma e demonstra que há solução para os problemas nacionais, que há uma outra política, patriótica e de esquerda, capaz de assegurar o desenvolvimento do País, o progresso social, a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo, a afirmação de Portugal enquanto nação soberana e independente.
Um Programa de ruptura com as receitas e caminhos que afundaram o País. Um Programa para inverter o rumo de regressão e abrir um horizonte de progresso e desenvolvimento. Um Programa com uma visão e objectivos opostos aos que conduziram Portugal, pela mão de PS, PSD e CDS, ao declínio e empobrecimento.
Um Programa para uma política patriótica e de esquerda que parte da real situação do País e da identificação das reais causas que estão na origem da grave crise económica e social que o atingiu.
Um Programa que, perante a dramática situação social para o que o País foi arrastado, dá resposta a uma emigração massiva de meio milhão de portugueses que compromete o nosso futuro, um desemprego insustentável de mais de um milhão e duzentos mil desempregados com os colossais custos económicos e sociais, dos quase três milhões de portugueses lançados na pobreza pela actual política.
Um Programa decidido a combater uma crise que, sendo anterior, se manifesta com particular agudeza com a entrada em circulação da moeda única, se ampliou com o agravamento da crise do sistema capitalista e se tornou ainda mais devastadora nos últimos cinco anos com a concretização dos PEC e do Pacto de Agressão.
Um Programa para superar as vulnerabilidades do País resultantes do processo de restauração monopolista e do seu inseparável programa de privatizações, de destruição dos sectores estratégicos e liquidação dos sectores produtivos, de crescente financeirização da economia, da drástica redução dos rendimentos do trabalho e dos direitos dos trabalhadores.
Um Programa de afirmação da dignidade e soberania nacionais perante os constrangimentos do processo de integração capitalista da União Europeia e os seus instrumentos de dominação que, do euro ao Tratado Orçamental, têm amarrado Portugal à dependência. Programa que assume o caminho da resistência e da luta que se exige para enfrentar os ditames e imposições da União Europeia e do FMI, pois é no caminho da resistência e da afirmação de soberania, e não no da vassalagem aos centros do capital transnacional, que se defendem os interesses e direitos do povo português e do País.
Se há lição a tirar de todo o processo da Grécia (com as suas contradições a ambiguidades) é que ele sublinha a justeza da posição do PCP. O estudo e a preparação do País para a libertação da submissão ao euro e a colocação dessa questão evidenciam-se como uma necessidade real. É uma irresponsabilidade não a considerar. Assumimos essa necessidade e importância de Portugal dispor de soberania orçamental, cambial e monetária. Não podemos ter um País acorrentado às atitudes discricionárias de Bruxelas e Berlim, um povo refém das chantagens do BCE ou do Eurogrupo.
Um Programa que, com coragem e verdade, identifica as causas e avança soluções. Um Programa que recusa procurar refúgio nas omissões, em falsos cenários que transformarão promessas em mais dramáticas desilusões, em ilusórias saídas na base das mesmas políticas que conduziram o País à situação actual. Um Programa que, com clareza, afirma o que os portugueses já perceberam: não é com quem meteu Portugal no fundo nem com as suas orientações que o País sairá do abismo para onde foi atirado.
Duas grandes opções estão colocadas ao povo português: romper com as políticas de desastre que tantas privações lhe trouxeram e condenar os que são responsáveis por quase quatro décadas de política de direita ou, pelo contrário, dar espaço a que, por muitos anos, a única perspectiva seja a da exploração, do empobrecimento, da submissão do País. Apoiar e dar força à política patriótica e de esquerda que o PCP e a CDU propõem tomar ou deixar mãos livres a PS, PSD e CDS para prolongarem e intensificarem a sua política.
O perigo de destas eleições resultar o prosseguimento dessa mesma política de assalto aos rendimentos do povo e de entrega de recursos nacionais não é uma mera conjectura. É, olhando para os programas da coligação PSD /CDS e do PS, uma real possibilidade.
Por mais bondosas promessas em que se desdobrem, valendo o mesmo que valeram todas as outras que repetidamente fizeram, todas elas se desfazem perante o verdadeiro programa que apresentam. Programas para manter Portugal amarrado a uma dívida insustentável que lhe bloqueia o crescimento económico e consome os recursos disponíveis. Programas de cega obediência às imposições e instrumentos da União Europeia que só significarão mais destruição de direitos, mais sacrifícios em vão, mais assalto aos rendimentos dos trabalhadores e do povo. Programas de subordinação e entrega ao capital monopolista de sectores e empresas estratégicas que só conduzirão a mais saída de dividendos, a mais dependência económica.
Não, nem o País “está melhor”, nem os “sacrifícios valeram a pena” como apregoam. Só quem mede o País pelos ganhos do capital monopolista ou pelos elogios da senhora Merkel pode achar que um país com uma geração desfeita pela emigração forçada ou pela mancha em crescimento de uma pobreza imparável, - onde mais de um milhão e duzentos mil portugueses estão privados do direito ao trabalho e onde a saúde ou a educação são já um luxo – pode afirmar sem ponta de vergonha que o País que agora deixam na hora de serem afastados pela vontade popular está melhor!
O País cá está, mais vulnerável do que antes, tão sujeito à especulação dos mercados quanto eles assim o decidam, mais frágil economicamente, com menos recursos e instrumentos para responder soberanamente ao necessário desenvolvimento soberano e independente.
Mas o País cá está também com o seu potencial humano, a capacidade e conhecimentos dos seus trabalhadores, a vontade dos que mantêm as suas micro, pequenas e médias empresas a laborar, os seus recursos e riquezas naturais , as suas potencialidades produtivas por explorar.
Factores e condições suficientes para com uma política patriótica e de esquerda responder aos desafios do seu presente e futuro colectivos, tendo como eixo essencial o de elevar as condições de vida dos trabalhadores e do povo, efectivar os seus direitos constitucionais, afirmar Portugal como nação soberana numa Europa e num mundo de paz e cooperação.
É essa política que o PCP se propõe concretizar, disponível para assumir todas as responsabilidades que o povo lhe queira atribuir. Uma política não só indispensável como inadiável, tão necessária quanto possível e realizável.
Realizável com a força e a luta dos trabalhadores e do povo português, com a mobilização dos recursos nacionais, com o crescimento económico, com a afirmação determinada e firme do direito do País a um desenvolvimento soberano, assente na ruptura com as políticas e orientações do União Económica e Monetária, do euro e dos seus constrangimentos, do Tratado Orçamental, da Governação Económica da União Europeia.
Realizável pela mobilização de recursos que a renegociação da dívida com a redução dos seus montantes e os custos do seu serviço permitem libertar.
Realizável com os recursos que a política fiscal que propomos assegurará, por via da devida tributação sobre os dividendos, a especulação financeira, o património mobiliário e as grandes fortunas, permitindo a indispensável redução dos impostos sobre os trabalhadores e o povo.
Realizável com a recuperação de importantes montantes hoje enterrados nos negócios das PPP e nos contratos swap.
Perguntam-nos: como suportam o aumento de direitos e protecção social que defendem, onde vão buscar dinheiro para assegurar o direito à saúde e ou à educação, onde estão os meios para retomar o investimento público.
Respondemos: nos muitos milhares de milhões de euros, acima dos 15 mil milhões de euros/ano, que o nosso Programa claramente explicita nas dimensões que, em parte, acabámos de identificar (da redução do serviço da dívida à tributação do capital monopolista e dos seus lucros), recursos que se ampliarão com o crescimento da economia e do emprego, que uma política dirigida à valorização dos sectores produtivos pode e deve assegurar.
Um Programa que faz a demonstração de que há recursos e meios para suportar uma política de elevação das condições de vida e dos rendimentos dos trabalhadores e do povo, que há recursos e meios para ampliar a protecção social e assegurar os direitos à saúde e à educação, que há recursos e meios para relançar o investimento.
Um Programa possível e realizável porque capaz de responder a cinco questões base para o futuro do País – a sustentabilidade demográfica e económica do País criando condições para inverter a emigração e trazer de volta milhares de portugueses; o desemprego massivo e a precariedade generalizada assegurando o aumento da produção e a criação de emprego; a degradação das infraestruturas e equipamento produtivo inscrevendo como objectivo o investimento público e a qualificação do investimento privado; a fragilização quantitativa e qualitativa do tecido empresarial, assegurando uma efectiva política de apoio às pequenas e médias empresas para a qual o papel de uma banca sob controlo público é essencial; a grave situação do aparelho do Estado, com o desmantelamento de infraestruturas científicas e tecnológicas e o depauperamento de recursos humanos e materiais de serviços públicos essenciais garantindo uma política que aposte na investigação, na qualificação do ensino e inverta a degradação da Administração Pública e das funções essenciais, que lhe cabe responder.
O Programa que apresentamos assume o crescimento económico e o emprego como objectivos centrais da sua política. Só um crescimento sustentado e vigoroso, acima dos 3% do PIB, porá fim ao longo período de estagnação do País, assegurará uma efectiva criação de emprego, travará o processo de empobrecimento das populações e garantirá condições de vida dignas. Uma política que ponha Portugal a produzir, que tem no desenvolvimento da produção nacional o motor da dinamização económica e o pleno aproveitamento dos recursos nacionais, a resposta para a dinamização do mercado interno e o incremento das exportações de maior valor acrescentado. Um Programa orientado para a valorização da agricultura para assegurar a soberania alimentar, apoiando a agricultura familiar, intervindo em defesa das nossas produções dominantes, incluindo a defesa de um sistema de quotas leiteiras e de direitos de plantação da vinha, uma política para tirar partido dos imensos recursos do nosso mar, nomeadamente das pescas, com vista a renovar e modernizar a frota pesqueira, garantir aos pescadores a protecção quando impedidos de exercer a sua actividade, uma política de reindustrialização do País que rompa com uma estratégia de mera produção e de extracção de matérias primas deixando a transformação e a incorporação de valor acrescentado na produção e nos produtos para outros interesses que não os nacionais.
Entre as muitas políticas que propomos sublinho, pela sua importância, três: A renegociação da dívida; a recuperação pelo Estado do comando político da economia; uma nova e mais justa política fiscal.
Uma renegociação da dívida que é em si condição de desenvolvimento. Perante uma dívida insustentável que consome os rendimentos do País e dos portugueses a opção é clara: ou permitimos que ela arraste Portugal ainda mais para o fundo como propõem os partidos da troika nacional, ou inscrevemos, como sem hesitações faz o PCP, o objectivo da sua redução para pelo menos 50% do seu valor nominal, e da redução em pelo menos 75% dos encargos anuais com o seu serviço. Uma renegociação articulada com o estudo e a preparação do País para se libertar da submissão ao euro e do que ele significa de condenação à estagnação, ao empobrecimento e ao subdesenvolvimento.
A recuperação pelo Estado, no quadro de uma economia mista que defendemos, do comando político sobre a economia, com a retoma, por via da nacionalização, negociação adequada ou outros instrumentos, de empresas e sectores estratégicos, a começar pela banca, cuja privatização retirou ao Estado instrumentos de comando económico, de decisão estratégica e de direcção operacional necessários a uma política económica e financeira. Empresas e sectores que, em qualquer caso, podem e devem ser fortemente regulamentados e sujeitos a fiscalização. Aos que rendidos aos interesses dos grupos financeiros contestam tal possibilidade, aí temos os casos do BPN ou, como ainda agora se passou a conhecer do BES, em que os milhares de milhões enterrados na banca podiam e deviam ter sido utilizados para assegurar uma mais ampla presença do Estado neste sector estratégico.
Um Estado com reais e efectivas funções económicas e sociais em defesa dos interesses nacionais em contraponto a um Estado dito regulador submetido aos critérios e interesses dos grupos económicos.
Uma política fiscal justa que inverta a transferência de rendimento do trabalho para o capital e desagrave as desigualdades. Não há impostos a mais em abstracto. Há impostos a mais e insuportáveis sobre os trabalhadores, o povo, os pequenos e médios empresários. Impostos a menos, e bem a menos, sobre o grande capital, os seus lucros e dividendos. Uma política fiscal visando desagravar o IRS, alargando os escalões e tornando-o mais progressivo, reduzir a taxa normal de IVA e a taxa intermédia para bens de primeira necessidade e para a energia assim como para a restauração, reduzir a taxa máxima de IMI, por um lado; tributar os rendimentos do capital e do património, repor a taxa normal de IRC nos 25 %, tributar obrigatoriamente todos os rendimentos gerados no território e as transacções financeiras, por outro.
O Programa que apresentamos assume a valorização do trabalho e dos trabalhadores como eixo essencial de uma política alternativa. O PCP assume sem rodeios o objectivo de valorizar os salários, a começar pelo salário mínimo nacional fixando-o em 600 euros no início de 2016.
Uma posição que contrasta com aqueles que olham para os salários como o único factor de ajustamento perante os interesses dos chamados credores, dos constrangimentos do euro ou das imposições do Tratado Orçamental. O que o País revela pelo empobrecimento dos trabalhadores é que as teorias de que o aumento dos salários gera dificuldades para as empresas é uma falsidade. Olhe-se para o assalto aos rendimentos do trabalho nos últimos cinco anos e para o meio milhão de empregos destruídos e essa tese fica desmontada. Sim, apostamos na elevação dos salários, porque para nós os trabalhadores estão primeiro, mas também porque pela valorização dos seus rendimentos é dinamizada a economia e viabilizada a vida de milhares de pequenas e médias empresas. Sim, inscrevemos a valorização dos salários como objectivo porque é por esta via, e não pela subsidiação a baixos salários, que se asseguram os rendimentos dos trabalhadores hoje e as suas reformas amanhã.
Mas também um Programa que assume o decidido combate à desregulação dos horários de trabalho e a defesa e efectivação do direito à negociação colectiva. Que inscreve como objectivo um programa nacional de combate à precariedade e ao trabalho ilegal fazendo cumprir o direito constitucional ao trabalho e à segurança no emprego e assegurando em particular às novas gerações as condições para permanecer no País, constituir família, realizarem plenamente as suas vidas e sonhos.
Um Programa orientado para dar concretização ao bem-estar e à qualidade de vida.
Desde logo pela garantia do direito à saúde, objectivo inseparável do reforço do SNS e da ruptura com o subfinanciamento e a sua privatização. Uma política de valorização do Serviço Nacional de Saúde e dos seus profissionais, com uma rede hospitalar e de cuidados primários que assegure o acesso de todos os portugueses à saúde, garantindo médico de família a todos os utentes, eliminando as taxas moderadoras, adoptando uma política de medicamento (designadamente com o crescimento da venda de genéricos em valor e a criação do laboratório nacional) que se traduza em ganhos para os utentes e também para o Estado.
Um Programa que defenda e valorize o Sistema de Segurança Social – público e universal – capaz de assumir o seu papel, elevando a protecção social dos trabalhadores, o direito à reforma e a uma pensão digna, a protecção na maternidade e paternidade. O que o PCP propõe e realizará é, ao contrário dos que a querem descapitalizar para justificar a redução de direitos, a concretização do duplo objectivo de assegurar a solidez financeira da Segurança Social e a elevação as suas prestações. Objectivos que permitirão repor a universalidade do abono de família, alargar os critérios de subsídio de desemprego para o garantir a todos quanto estão nessa situação, repor as reformas e pensões roubadas e assegurar o seu aumento real.
Um Programa de efectivo combate à pobreza intervindo nas causas que lhe estão na origem. Não há combate à pobreza assente em critérios assistencialistas e caritativos que ignorem três vectores essenciais: medidas de combate à pobreza dos trabalhadores; medidas de apoio à família por via da redução da carga fiscal, designadamente quanto à protecção do direito à habitação; medidas de reforço do sistema de protecção social e o reforço da rede de equipamentos e serviços sociais dirigidos a crianças, idosos e população mais carenciada.
Por outras palavras, uma política orientada para a independência económica e social das famílias, condição para o bem-estar dos pais e para o crescimento feliz e saudável das crianças.
Um Programa que assume na educação esse objectivo maior de formação integral das crianças e jovens com a afirmação de uma Escola Pública, gratuita, de qualidade e inclusiva onde seja assegurado a todos, o direito ao conhecimento e à igualdade de oportunidades. Uma política que concretize a gratuitidade de todo o ensino público como prioridade estratégica, objectivo a atingir de forma progressiva, num prazo máximo de seis anos, com a distribuição gratuita dos manuais escolares no ensino obrigatório; que garanta a todas as crianças a partir dos 3 anos resposta na rede pública do ensino pré-escolar; que reforce a acção social e estabeleça um plano estratégico que conduza, articuladamente com o reforço do financiamento às instituições do ensino superior público, à supressão das propinas.
Um Programa que garanta as funções culturais do Estado libertando o enorme potencial de democratização cultural aberto pela Revolução de Abril, o que implica uma política de investimento na cultura e de estruturação de um verdadeiro Serviço Público de Cultura, e a garantia, no imediato, de 1% do Orçamento do Estado para a cultura. Um programa que valorize o papel fulcral das estruturas profissionais de criação e produção cultural e artística, dos trabalhadores e criadores da cultura.
Um Programa que assume o conhecimento científico e técnico como força produtiva directa, indispensável ao desenvolvimento económico sustentado na recuperação e revitalização dos centros de investigação e laboratórios do Estado, o recrutamento e formação de técnicos e auxiliares de apoio à investigação e a valorização do estatuto dos bolseiros de investigação com a sua contratação efectiva. Estancar a saída de milhares de jovens qualificados em quem o País investiu e assegurar-lhes as condições para utilizarem os seus conhecimentos a favor de Portugal e do seu desenvolvimento, é um objectivo que exige a ruptura com a política de direita.
A política patriótica e de esquerda que o PCP propõe inscreve nos seus objectivos a afirmação da democracia e o cumprimento da Constituição da República. Uma política que garanta os direitos dos cidadãos, assegure uma justiça acessível a todos em condições de igualdade, combata decididamente a corrupção e a promiscuidade entre poder político e económico, garanta a segurança e tranquilidade dos cidadãos, afirme uma política de Defesa Nacional centrada nos princípios constitucionais.
A política patriótica e de esquerda que o PCP propõe coloca na ordem do dia a ruptura com o processo de reconfiguração do Estado ao serviço do grande capital, com o esvaziamento de funções económicas, sociais e políticas, e a sua transferência para o capital monopolista e para os órgãos da União Europeia. Esvaziamento e transferências que golpeiam o regime democrático consagrado na Constituição da República Portuguesa.
O Portugal soberano, independente e desenvolvido exige um Estado democrático, representativo, baseado na participação popular, moderno e eficiente, do qual são componentes essenciais o regime político, as funções de soberania e as incumbências económicas e sociais definidas na Constituição.
Uma política patriótica e de esquerda que enfrenta os constrangimentos e condicionamentos externos e assume a afirmação de um Portugal livre e soberano num mundo e numa Europa de paz e cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos. Uma política que recusa a submissão de Portugal a ditames e políticas atentatórias dos direitos e interesses do povo português e da democracia, que confia na força e capacidades do povo para recuperar para Portugal os instrumentos de soberania necessários ao progresso e desenvolvimento do País.
Assumem-se, neste quadro, como prioridades, a reconsideração do enquadramento institucional da União Europeia, nomeadamente por via dos esforços concertados com outros Estados para a convocação de uma cimeira intergovernamental para revisão dos Tratados, que tenha como objectivos, entre outros, a imediata revogação do Tratado Orçamental e a revogação do Tratado de Lisboa. Assim como se impõe, igualmente, um plano de emergência de apoio dos países intervencionados pela troika, que preveja recursos financeiros e as necessárias derrogações ao funcionamento do mercado único e às políticas comuns.
Neste momento que apresentamos o Programa Eleitoral do PCP – “Política Patriótica e de Esquerda – Soluções para um Portugal com Futuro” – é altura de, mais uma vez, reafirmarmos que as eleições para a Assembleia da República não são apenas o momento para o julgamento de quatro anos de política de exploração e empobrecimento consensualizadas entre PS, PSD e CDS-PP e troika estrangeira. São igualmente o momento e a oportunidade para travar e inverter o inquietante rumo de quase quatro décadas de política que enfraqueceu, fragilizou e conduziu ao empobrecimento e declínio do País, para derrotar os projectos que se anunciam do seu prosseguimento e agravamento, mas sobretudo o momento para dar força ao PCP e à CDU, para dar força à construção de uma política alternativa patriótica e de esquerda. O momento para inscrever no futuro próximo da vida do País uma perspectiva de desenvolvimento e progresso que desminta os que, com as sua políticas, o querem condenar à dependência e subdesenvolvimento. Não aceitamos que o futuro de Portugal tenha de ser num País pobre com um povo empobrecido. O momento para dar solução aos problemas nacionais e garantir condições de vida dignas aos trabalhadores e ao povo.
Pela sua intervenção e pelo seu património de luta, o PCP apresenta-se como a grande força indispensável ao governo do País, com soluções para os problemas nacionais e um projecto distinto e em ruptura com a política que, ao longo de quase quatro décadas, PSD, CDS e PS concretizaram.
Um Partido que se apresenta perante o povo português como a grande força da defesa da soberania e da independência nacionais, que sobejamente previu, preveniu e apresentou alternativas, sobre as consequências para o País das opções e orientações da política de direita consubstanciadas nos processo de privatização e liberalização, de reconstituição do domínio do capital monopolista, de integração capitalista europeia, de adesão à CEE, ao euro, ao Tratado Orçamental. O Partido da unidade e convergência democráticas, da verdade e da seriedade políticas, que assume e apresenta um percurso de reconhecido respeito pela palavra dada; a grande força do combate à política de direita, que apresenta uma reconhecida intervenção na luta em defesa dos trabalhadores e do povo; a grande força da política alternativa identificada com as aspirações dos trabalhadores e do povo português; a grande força que dá garantias que o apoio e votos que lhe forem confiados não serão postos ao serviço de acordos com o PSD e o CDS-PP ou para prosseguir a política de direita.
Portador de um património ímpar na sociedade portuguesa, de empenhamento na convergência e unidade de todos os democratas e patriotas que aspiram a transformações progressistas na sociedade portuguesa, o PCP assumirá as suas responsabilidades na procura de espaços e caminhos que agreguem vontades, libertem energias e potenciem a acção de todos aqueles, homens, mulheres e jovens, empenhados na concretização de uma política patriótica e de esquerda.
É no PCP, é na CDU que está a mais firme e sólida garantia da derrota da política de direita e não apenas do governo que hoje a concretiza. Mas, sobretudo, a mais sólida garantia de construção de um caminho alternativo, patriótico e de esquerda, capaz de dar solução aos problemas do País, dos trabalhadores e do povo.


www.pcp.pt

DA TELESUR ÀS RUAS: A REVOLUÇÃO SERÁ TRANSMITIDA? - No passado mês de Fevereiro, o governo bolivariano da Venezuela denunciou um plano golpista. Na denuncia, o mandatário, Nicolás Maduro, revelou à imprensa os detalhes desta estratégia

DA TELESUR ÀS RUAS: A REVOLUÇÃO SERÁ TRANSMITIDA?

TERÇA-FEIRA, 7 DE JULHO DE 2015


Caracas, Bairro 23 de Enero, bastião da revolução bolivariana
No passado mês de Fevereiro, o governo bolivariano da Venezuela denunciou um plano golpista. Na denuncia, o mandatário, Nicolás Maduro, revelou à imprensa os detalhes desta estratégia elaborada pelos “sectores mais fascistas da oposição, vinculados ao imperialismo norte-americano”. O presidente afirmou que queriam bombardear o palácio presidencial de Miraflores, o Ministério da Defesa e a Telesur.

Davide Angelilli
Bruno Carvalho


Informar para transformar.

A Telesur é uma ferramenta mediática que se define como “um canal multimédia de comunicação latino-americana de vocação social orientada para a liderança e a promoção dos processos de união dos povos do SUL. Um espaço e uma voz para a construção de uma nova ordem comunicativa que procure dar um espaço aos que não são ouvidos pelas grandes cadeiras de noticias”.

Somente um antes da criação da Telesur é que o governo da Venezuela e da República de Cuba haviam formalizado a criação da Aliança Bolivariana para os povos da Nossa América: a ALBA, que hoje em dia reúne doze países membros na região latino-americana e caribenha e a três países observadores. Os governos da ALBA – especialmente, a Bolívia, o Equador e a Nicarágua, para além dos que a fundaram – partilham a vontade de alcançar a soberania através da integração regional na América Latina.

No primeiro encontro, na Cimeira de Havana, os governos ratificaram a necessidade de defender “a cultura latino-americana e caribenha e (…) a identidade dos povos da região, com particular respeito e fomento das culturas autóctones e indígenas”.Dentro do mesmo ponto, anunciaram a “criação da Televisão do Sul (Telesur) como instrumento alternativo ao serviço da difusão das nossas realidades”.

Mas qual a necessidade de vincular o processo de integração regional à criação de um meio alternativo de comunicação? Diferentes estudos definem o sector latino-americano da comunicação como um “latifúndio mediático” enfatizando a forte concentração dos meios de informação nuns poucos conglomerados empresariais. O grupo mexicano Televisa, o grupo Cisneros da Venezuela, a Globo, no Brasil e, para dar mais um exemplo, o grupo Clarín, na Argentina, são os principais donos da industria da comunicação latino-americana.

Em consequência dos processos económicos e políticos vinculados à globalização do modelo neoliberal, estes grupos – da mesma forma que as principais corporações mediáticas a nível mundial – estão caracterizados pela primazia da lógica comercial sobre a ética e a política. Por outro lado, estes grupos mediáticos latino-americanos são dependentes, como outros sectores económicos do continente, de poderosos agentes económicos de origem estrangeira. Como escreve Ramírez em “América Latina, o grande latifúndio mediático”: “a concentração e a dependência, como outras tantas vezes na história do continente, encontram-se aqui também para desenhar outra faceta da globalização”. Noutros termos, estes grupos dependem de latifúndios maiores, de monopólios estrangeiros, principalmente, localizados na América do Norte. Por exemplo, 18% das acções do grupo Clarin, da Argentina, são propriedade do banco norte-americano Goldman Sachs.

É por isso que o projecto bolivariano de romper com a dependência regional através da integração entre os países latino-americanos choca de frente com os interesses das grandes corporações mediáticas, vinculadas aos poderosos protagonistas económicos multinacionais com origem e dependência fora da região. Mas não se trata apenas de geopolítica já que em destaque está a oposição das oligarquias à emancipação dos povos.

A democratização dos meios de comunicação na Venezuela

“Este é um dos maiores problemas da revolução: não comunicamos, não sabemos comunicar”, foi desta forma que o comandante Hugo Chávez se expressou poucas semanas antes do Golpe de Estado, em 2002. Saber fazê-lo é fundamental, dizia, para neutralizar a campanha dos meios de comunicação privados contra a revolução. Nessa altura, o monopólio mediático era esmagador. Dar voz ao povo e democratizar a comunicação social foi uma das conquistas do processo bolivariano. E se é verdade que parte da campanha mediática dos meios internacionais se concentra em fazer passar a ideia de que o governo bolivariano monopoliza e censura a comunicação, os dados contradizem essa falsa realidade.

Pelo contrário, é verdade que a direita tratou de fechar os meios de comunicação estatais durante o Golpe para impor ao povo venezuelano uma só versão dos acontecimentos. Também é verdade que o tratamento mediático dos meios privados foi de tal forma escandaloso que levou à saída de Andrés Izarra, um dos principais responsáveis da estação de televisão RCTV. E outra dura verdade é que apesar da radicalização do processo como resposta institucional e popular à tentativa de derrubar o legítimo presidente da Venezuela, o retrato actual dos meios continua a ser favorável ao sector privado. A maioria dos venezuelanos tem televisão por cabo e acede a centenas de canais privados. Para além disso, a audiência indica que os canais privados são os mais vistos ainda que ao longo dos anos os canais públicos tenham vindo a ganhar cada vez mais telespectadores.

Na imprensa escrita e na rádio, não há dúvidas. Os meios nacionais mais lidos e as emissoras mais ouvidas estão nas mãos de grupos privados. No ámbito televisivo, em sinal aberto, o Estado tem cinco canais: TVes, Telesur, VTV, ANTV e Avila TV. Por outro lado, os canais privados são seis, entre os quais se destacam a Globovisión, a Televen e a Venevisión, que representam outro “latifúndio mediático” dentro do mercado venezuelano de comunicação. Por exemplo, a empresa de comunicação Venevisión faz parte do já referido Grupo Cisneros, com uma importante participação, além do sector cultural, na área da tecnologia, dos bens e serviços. Como lembrou Geraldina Colotti num artigo para o jornal italiano “Il Manifesto”, Gustavo Cisneros está entre os quinhentos multimilionários do mundo e muitos consideram-no o principal protagonista por trás da tentativa de Golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002.

Estes grandes meios privados de comunicação estão preocupados com a consolidação do horizonte socialista do chavismo. Para fazer frente à oposição destas oligarquias, a estratégia do governo bolivariano tratou de construir uma hegemonia mediática. O governo trabalhou em duas linhas principais: a “reorientação” dos meios de propriedade pública e a criação de um sistema de informação comunitário e alternativo, com o consenso popular.

É dentro desta estratégia anti-oligarca e emancipadora que se situa a Telesur cujo conteúdo se caracteriza por ir mais além do noticiário. Para além da informação, transmite-se e publica-se conteúdo formativo: opiniões, análises políticas e sociais, videos e material audiovisual, em geral, produzido por artistas, realizadores de cinema e jornalistas latino-americanos. Tudo segundo uma visão de integração entre os povos do sul. Sul que a página oficial define como um “conceito geopolítico que promove a luta dos povos pela paz, autodeterminação, respeito pelos direitos humanos e pela justiça social”.

Nos termos gramscianos, a Telesur seria uma ferramenta para construir o consenso em torno do projecto bolivariano de integração entre os países da região e em torno do processo de transformação estatal. Segundo o pensamento de Gramsci, nas sociedades modernas, é fulcral a questão da hegemonia cultural. O pensador italiano partilhava com Marx a primazia das relações económicas e sublinhava o papel estratégico da comunicação para a manutenção ou alteração das relações sociais que derivam de um determinado modo de produção. Baseando-se na dominação de um bloco social sobre outro, já não somente a coerção mas também a “construção do consentimento” popular. Nesse sentido, há que deixar claro que a Telesur é apenas mais um tijolo na estratégia mediática do governo bolivariano, especialmente a nível nacional.

Os meios comunitários e alternativos de Caracas

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais frequente a aposta pela criação e consolidação de uma rede de meios alternativos e comunitários, muitos deles apoiados pelo Estado, que procuram criar um sistema de informação auto-gestionado pelos movimentos sociais. É fundamental destacar que o processo de democratização da informação na Venezuela é caracterizado pela redistribuição do peso mediático a favor das comunidades e que se vai desenrolando a par da consolidação do poder político popular.

No ano 2000, a Lei Orgânica de Telecomunicações foi alterada, o que representou um primeiro passo para a implementação de uma rede de meios alternativos e comunitários. Desde então, multiplicaram-se estas experiências e deram-se importantes avanços a pesar da forte oposição da oligarquia. O que preocupa à direita venezuelana e internacional não é só que o Estado assuma nas suas mãos ferramentas para comunicar. Preocupa-lhe que, cada vez mais, o povo ganhe poder de forma comunicativa. Quando já está em cima da mesa um projecto-lei para abrir caminho aos meios alternativos, populares e comunitários, a oposição reclama.

Por que protestam os representantes dos grandes grupos económicos e financeiros perante a vontade do governo de dar ao povo ferramentas mediáticas que lhe permita fazer ouvir a sua voz? É compreensível se pensarmos que foi longo o silêncio embrutecedor em que viviam os pobres nos bairros e nas localidades esquecidas do interior da Venezuela.

Hoje, ao mesmo tempo que se organizam, constroem projectos comunicativos de televisão, rádio, imprensa escrita e digital. Uma realidade tão distante daquela em que vivem europeus e norte-americanos – cujo modelo económico e político é seguido pela oposição venezuelana – deveria fazer-nos pensar sobre quem é que vive de verdade numa democracia mediática e sobre quem é que vive numa ditadura na qual não mais imprensa que aquela que transmite os interesses de uma minoria privilegiada.

A emisora Al Son del 23, localizada no bairro caraquenho 23 de Enero, é um dos exemplos de empoderamento de um sector popular historicamente comprometido com as ideias da revolução. Com todo o simbolismo que isso representa, a rádio foi construída num antigo quartel desde o qual a policía disparava contra os blocos de edifícios do bairro. Ali, onde centenas de activistas foram detidos e torturados, é transmitida a programação que dá voz aos que antes eram marginalizados. Informação, política, desporto e a cultura dominam a frequência hertziana que ocupam. O produto final faria inveja a muitas das principais emissoras europeias, preocupadas mais com os lucros do que com os conteúdos que emitem. Por exemplo, Aló 23 – que é um programa dirigido por Gustavo Rodriguez, um velho combatente guerrilheiro e prestigiado vizinho do bairro – é um importante espaço de análise política. Assim, as classes populares aproximam-se dos temas da actualidade política com uma orientação alternativa e desde as bases. O irmão de Victor Jara, a filha de Luís Carlos Prestes, entre outras e outros testemunhos históricos da rebeldia latino-americana, passaram por este importante meio auto-gestionado. Mas também reitores universitários e directores de institutos públicos passam pelo Aló 23. Assim, o conhecimento teórico dos intelectuais sai das academias para que seja socializado nos bairros populares.

Às vezes, a vontade de armar-se com ferramentas que lhes permita comunicar faz com que os povos utilizem a sua imaginação e criatividade. É o caso da rádio Favela. Inspirados pelo filme brasileiro com o mesmo nome, um colectivo do bairro El Valle decidiu montar colunas por todas as ruas. Rompendo com a necessidade de um emissor, os jovens construíram uma emissora artesanal cuja programação não se escuta nas casas com equipamentos de rádio mas, sim, nas ruas.

Mas para lá das emissoras de rádio e televisão, diferentes colectivos diversificam as formas de combate ao que chamam a guerra mediática. Para contrastar o que dizem os meios da direita, criam alternativas audiovisuais através da internet como El Arañero. O enchem as paredes e os muros do país de cartazes e murais. Por exemplo, o Comando Creativo é um colectivo de artistas que se expandiu por toda a Venezuela. A sua filosofia é levar as mensagens do processo bolivariano às paredes das cidades venezuelanas. Neste momento, há muitas instituições públicas que pedem o apoio deste grupo de artistas revolucionários para difundir os valores socialistas nos bairros urbanos. Assim, por exemplo, na cidade onde nasceu Ali Primera apareceu um enorme mural que recorda ao povo a história do cantor revolucionário venezuelano. Noutra ocasião, precisamente um dia depois da ratificação das sanções norte-americanas contra a Venezuela apareceram desenhos com Obama em várias paredes. Numa delas, o presidente dos Estados Unidos foi retratado com uma mala cheia de misseis sob a legenda “a diplomacia do império”. Marco Pérez, do Comando Creativo, contava que um dia organizaram uma oficina em Caracas e que visitantes de distintas cidades. Semanas depois, um dos participantes ligou-lhe a contar que havia conversado com os seus camaradas da fábrica onde trabalhava e que haviam decidido criar um núcleo do Comando Creativo. Todas as semanas, depois do trabalho, percorriam as ruas da cidade para dar-lhes voz. Neste momento, a fábrica em que trabalham tem um espaço para apoiar as actividades deste núcleo.

Noutros casos, é o apoio institucional que põe em marcha a comunicação popular. Um conhecido rapper, Truko, é um dos responsáveis pelo estúdio público de gravação que o Instituto Municipal de Juventude de Caracas oferece a todos aqueles que não têm um sítio para gravar. No mesmo edifício, há oficinas de serigrafia e promovem-se actividades para incorporar a juventude na participação democrática. Ou seja, que possam exercer uma cidadania que vá mais além de votar a cada quatro anos e que implique a transformação social e política da Venezuela através da construção de bases para uma nova forma de organização. Truko é parte de uma nova geração de rappers emergentes que entram dentro da nova estratégia comunicativa no país caribenho. As suas letras cantam o que os meios privados de comunicação historicamente silenciaram ocultando a maioria social. O hip hop, como toda a cultura underground das novas gerações venezuelanas comprometidas com a revolução, recorda as correntes do neo-realismo europeu. Através das expressão artística, transmite-se ao povo uma visão real da sociedade assim como dos valores para a transformar.


Contar objectivamente – e não de forma neutral – a complexidade da realidade e dos processos por que passa a Venezuela requer uma perspectiva que vá além dos âmbitos governamentais. Requer a participação em que os movimentos e as organizações sociais sejam protagonistas, tanto nas comunidades urbanas como nas rurais. E é esse um dos reptos que enfrenta a revolução bolivariana.


manifesto74.blogspot.pt

Um quadradinho que diz muito


Há uma tese em curso após a vitória de Tsipras no referendo que defende estar agora tudo mais difícil para se chegar a uma solução de curto prazo para a Grécia. Discordo. Se há efeito que a vitória do não provoca é a necessidade extrema de chegar rapidamente a um compromisso. Primeiro, porque a liquidez da banca grega (e o contágio a outra por esta Europa fora) ficou ainda mais em risco, o que obriga Mário Draghi a cumprir um papel histórico: ser o salvador ou o coveiro da Grécia (e da Europa). Deste ponto de vista, a exigência do momento favorece um entendimento.

PAPÉIS, PAPÉIS, PAPÉIS ! A GRANDE FRAUDE DO FMI NA GRÉCIA E NA AMÉRICA LATINA - VEJA VÍDEO COM A EXPLICAÇÃO DESTA ESPECIALISTA BRASILEIRA EM DÍVIDA PÚBLICA QUE PARTICIPOU NUMA AUDITORIA À DÍVIDA DA GRÉCIA







VÍDEO

video

NOTAS - FAREJANDO O OSSO


erro: dos donos