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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Apreendidas mais de 12 toneladas de mel chinês em Seia

Apreendidas mais de 12 toneladas de mel chinês em Seia


A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica anunciou esta sexta-feira a apreensão, em Seia, de cerca de 12.600 quilogramas de mel, proveniente de Espanha e originário da China, "por falta de registo de operador/recetor para trocas intracomunitárias".
 





O valor total da apreensão ronda os 34 mil euros

Em comunicado, a ASAE adianta que o mel foi apreendido durante uma operação desencadeada na terça-feira pela Unidade Regional do Centro, no âmbito da segurança alimentar, a um armazém ilegal no concelho de Seia, distrito da Guarda.
A intervenção da ASAE, que incidiu sobre um local de armazenamento e distribuição, permitiu "evitar a entrada no mercado de produto que se apresentava com falta de requisitos", adianta a nota.
Na mesma ação foram também apreendidos 454 quilogramas de medicamento de uso veterinário para tratamento de varroa (parasita que infeta as abelhas).
O valor total da apreensão ronda os 34 mil euros e a ASAE instaurou um processo de contraordenação
.

O TESTEMUNHO DE UM EX-PSD - Durou apenas cinco meses à frente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Este professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, de 48 anos, dá um testemunho sobre o que foi resistir às pressões partidárias. "Ninguém quer que você pense em nada", denuncia.



Durou apenas cinco meses à frente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Este professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, de 48 anos,  dá um testemunho sobre o que foi resistir às pressões partidárias. "Ninguém quer que você pense em nada", denuncia. Foi do PSD. É vereador da oposição na câmara de Condeixa. Depois de tudo o que viu, desfiliou-se. Eis o depoimento de Norberto Pires na íntegra. Na primeira pessoa:

"O primeiro choque que tive ao chegar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro (CCDR) foi quando percebi que ninguém quer que você pense nada, nem que organize equipas. Querem apenas alguém que mantenha o status quo e que distribua o dinheiro.
Antes de assumir as funções de presidente da CCDR, no início de 2012, eu era presidente do conselho de administração do Iparque de Coimbra, um parque de ciência e tecnologia que tem como objectivo instalar empresas e atrair investimento estrangeiro e nacional. No fundo, é um acelerador de empresas. Sou professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.
O convite para a CCDR apareceu de forma difusa. Houve uma intervenção do primeiro-ministro, pois eu conhecia vagamente Pedro Passos Coelho antes chegar ao Governo, como apoiante das suas candidaturas. Sondaram-me na sequência do meu trabalho no Iparque e quem me nomeou foi a ministra Assunção Cristas. Durou apenas cinco meses, de Fevereiro a Julho de 2012. Nunca tinha tido cargos políticos, apesar de ter feito parte da comissão política distrital do PSD em Coimbra, com as minhas opiniões muito próprias. Filiei-me no PSD um dia depois de José Sócrates ganhar as eleições em 2005. Saí do partido em Dezembro de 2014.
Sempre recusei recrutar pessoas por causa da filiação partidária na CCDR, apesar de o partido o exigir. Queriam que eu demitisse Ana Abrunhosa, uma socialista que era vogal do Mais Centro, a entidade responsável pelo QREN [fundos europeus], que também dependia de mim. Quando entrei devem ter pensado: aquele tipo nomeado pelo PSD é um boy e faz o que o partido manda. Não foi assim.
Não conhecia isto na sua verdadeira extensão. Não é a corrupção. É uma certa influência que Lisboa tem sobre as pessoas e os cargos. O próprio Almeida Henriques, então secretário de Estado da Economia [seria depois eleito presidente da câmara de Viseu], exigia a demissão dela. Havia nomes sugeridos, soprados por terceiras figuras. Fui encontrá-la num gabinete asséptico. Já tinha arrumado tudo. Conversámos. Antes disso falei com o primeiro-ministro por SMS. Disse que não concordava com a demissão da senhora. Era absurdo. Ela era a responsável pelo QREN desde 2008, era a gestora principal do programa quadro. Se matássemos tudo o que lá estava, ficávamos sem histórico. O primeiro-ministro achou sensato. Mas a relação não correu bem. Ela acabou por me trair.
As pessoas têm de ser competentes, mas há uma regra: têm de ser leais. Das duas primeiras pessoas que nomeei, uma tinha estado ligada à Juventude Comunista e a outra era casada com um dos dirigentes do Bloco de Esquerda na região centro, o José Reis, que chegou a ser secretário de Estado do PS. Ela era a pessoa que mais trabalhava e que tinha ideias. Pu-la a coordenar o grupo de investimento do centro. Considerava aquilo fundamental. Foi um choque frontal com o status quo do partido. Quando entra um tipo conotado com uma área política, estão à espera que substitua toda a gente. Quando isso não acontece é anormal e as pessoas ficam desconfiadas. Nas instituições públicas os funcionários estão à espera da alternância nos lugares conforme o partido que está no poder.
As CCDR são encaradas como prateleiras. Encontrei pessoas com enormíssima competência ao nível estatístico ou na gestão do território, tudo emprateleirado. O que os partidos querem é tirar todas as direcções de serviços e meter novas, da sua cor. Não organizei nenhum concurso para as direcções de serviços e mantive as pessoas que já lá estavam. Ainda não havia lei-quadro [que define a estrutura das CCDR]. Quando a lei-quadro entrasse em vigor, caíam as direcções todas, mas, entretanto, enquanto estavam em funções, eu podia avaliá-las. No partido, achavam que era o momento de se fazerem as substituições porque depois quando fosse o concurso essas pessoas já tinham experiência para serem nomeadas. É uma forma de viciar os concursos. Diziam-me: "Só os outros é que são bons? Nos nossos não há ninguém que seja bom? É preciso substituir a tralha socialista..."
Havia lá os socialistas que foram nomeados politicamente e que saíram com as equipas de topo. Os que são funcionários das estruturas têm medo. Tive traições de pessoas que passavam informação. Quando desconfiava de alguém, passava-lhe informação e depois via quem era o responsável pela fuga. Mandei embora uma pessoa por causa disso. Passei a estar na mira da sede nacional do partido. Afinal quem é este gajo que não faz o que lhe mandam? Não aprovei certos projectos que cheiravam a esturro. Quando me pareciam estranhos, não os metia na agenda e empalhava. Chocou com enormes interesses, até de ministros…
A certa altura, quando o Governo estava a reduzir o número de Centros de Saúde e a refazer o mapa judiciário, o ministro-adjunto Miguel Relvas pediu um mapa das infraestruturas do Estado. A ideia de racionalização era boa, para haver uma partilha entre os concelhos. Eu decidi sugerir também a localização dos parques de ciência e tecnologia e dos parques industriais abandonados. Fomos apresentar o projecto no Conselho Regional do Centro [onde estão representadas as autarquias, empresas, universidades, etc.], que na época era presidido pelo Álvaro Amaro, então presidente da câmara de Gouveia.
Cinco minutos antes de começar, já eu estava sentado na mesa, recebo um telefonema do chefe de gabinete do secretário de Estado Afonso Paulo [do Ambiente] a dizer que estou proibido de apresentar o projecto Invest Centro. Mas porquê? Porque estas coisas tinham de ser coordenadas com o secretário de Estado. Eu digo que estou a cinco minutos da apresentação. E o chefe de gabinete diz: isto é uma ordem directa. O Almeida Henriques estava ao meu lado. Disse-lhe. E ele também mostrou desconforto.
Desobedeci. Achei que isto se enquadrava nas estritas competências das CCDR. Só não assinei os protocolos previstos com o AICEP porque tinha recebido uma ordem directa, mas apresentei o projecto. Não conhecia o poder dos chefes de gabinete. É um poder à parte. Comunicam todos uns com os outros.

Certa vez apareceu-me um presidente de câmara acompanhado por um empresário brasileiro que tencionava construir um hotel numa zona de reserva, o que implicava um estudo de impacto ambiental, com um campo de golfe com mais buracos do que o permitido. Foram pressionar-me para dar andamento ao processo, porque era um investimento que se ia perder. Eu disse que havia leis e regras a cumprir. O brasileiro explicou que precisava de um compromisso e eu respondi que não reduzia a qualidade nem a assertividade da avaliação. Reduzia os prazos ao mínimo legal de 60 dias, garantindo a assertividade máxima. O presidente da câmara contorcia-se. Não abriu a boca durante a conversa e estava constrangido. Aquilo era essencial para ele, um investimento que podia decidir eleições. Fez um papel um bocado triste. Para contornar o excesso de buracos no campo de golfe, o brasileiro argumentava: "Dividimos aquilo em quatro ou cinco campinhos e depois junta-se tudo". Eu disse-lhe: "O senhor é um artista". E ele respondeu: "Isto não tem nada de ilegal." Não queria acreditar: "Então o senhor não vê nada de ilegal nisto?" O projecto acabou por ter um estudo de impacto ambiental negativo.

Nessa época, outro artista chamado Rogério Gomes, que tinha criado o Instituto do Território [e agora é presidente do Gabinete de Estudos do PSD] que é uma coisa privada, não é um instituto, andou a dar entrevistas a dizer que as CCDR eram um buraco negro, um bando de incompetentes. Uns dias depois, Pedro Santana Lopes daria uma entrevista mais ou menos a dizer o mesmo. Então, escrevi um artigo noPúblico a responder. Recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra [Assunção Cristas] a dizer que posso escrever artigos, mas antes precisam de validação superior. Quando dei outra entrevista ao Jornal de Notícias a falar dos objectivos para a região centro, também recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra a dizer a mesma coisa. As minhas entrevistas causavam desconforto e tinham de ser coordenadas. Tinha de pedir autorização para dar as entrevistas. Penso que a reacção nem era da ministra, mas de outros secretários de Estado incomodados com o meu protagonismo.

Entretanto, apareço no Prós-e-Contras e não comuniquei que ia. Fui de forma pessoal, para falar da experiência do Inovparq e de inovação. Não ia em funções de CCDR nem aparecia o cargo no ecrã. Deu um brado enorme e recebi vários avisos a dizer que tinha intervenções que desagradavam aos membros do Governo.
Entretanto, houve uma cerimónia de assinatura pública, em Évora, do primeiro contrato assinado com o Jessica Holding Fund, que financia projectos de reabilitação urbana e de actividades económicas em cidades. Quando ia no carro, ligou-me o chefe de gabinete do secretário de estado Almeida Henriques a perguntar se eu podia enviar ao secretário de Estado as notas do que ia dizer, para não lhe tirar os soundbites. Então mandei as notas que ainda estava a preparar por SMS. Mas ele voltou a telefonar e a dizer que o secretário de Estado falava primeiro e depois eu. Até me ofereci para não falar, não havia problema. Quem fecha os eventos são os membros do Governo. Ele disse-me aquilo que o secretário de Estado ia dizer. Tudo bem. Acordo total. Mas houve um percalço e eu e o meu motorista enganámo-nos no local. Atrasámo-nos uns 15 minutos. Quando chegámos, o secretário de Estado já estava a falar.
Acho que ele decidiu falar primeiro para dizer as coisas todas antes. Houve mais telefonemas sobre protocolo, se ele se sentava à direita ou à esquerda... Fico onde vocês quiserem, disse eu.
Só que quando entro na sala ele já está a falar. Olho para a mesa e não vejo nenhum cartão com o meu nome. Faço-me de idiota. Vou para a mesa e sento-me no lugar onde dizia "Almeida Henriques". O homem ficou a olhar para mim. Deram de imediato a cerimónia por encerrada, porque ele não tinha sítio onde se sentar…
O Governo tinha nessa época a troika e o emprego em queda livre. Criaram então um programa para o emprego jovem e não havia dinheiro. Onde havia verbas era no QREN e já estavam em grande parte comprometidas. Era necessário fazer uma operação de limpeza de projectos que não tinham viabilidade para libertar os fundos. Ganhei um conjunto de inimigos ao tirar projectos a docentes universitários que não me perdoam. Analisei os contratos todos. Os presidentes das câmaras começaram a ver as coisas mal paradas para as eleições. Alguém tinha de assumir isto politicamente. Então, o secretário de Estado Almeida Henriques veio reunir-se com os 101 presidentes de câmara da região centro. Os autarcas mostravam algum desconforto por estarem a perder projectos.
A decisão política tinha de ser apresentada aos presidentes de câmara por Almeida Henriques. O que que fiz foi acertar com o secretário de Estado, antes da reunião, o que ia ser dito, para não haver surpresas e para nos coordenarmos. Chegou muito atrasado. Mais de uma hora. Por sugestão do chefe de gabinete, começou-se antes.
Quando Almeida Henriques chegou, como já estávamos a trabalhar, pedi ao vice-presidente da CCDR para o ir buscar à porta. O homem ficou pior do que estragado e fez saber a toda a gente que eu não o tinha ido receber. Também havia de sair nos jornais que eu tinha desrespeitado um secretário de Estado em termos protocolares.
Todos os presidentes de câmara estavam a fazer críticas. Até que o Álvaro Amaro, de Gouveia, se vira para nós e diz: "Tudo bem, acredito que as coisas estão a ser feitas desta forma. Mas livrem-se, livrem-se de me estar a enganar, que eu dou-vos um tiro, a si e ao secretário de Estado". Foi em tom jocoso, não era a sério.
Depois de o secretário de Estado intervir, eu digo que gostava de falar. O chefe de gabinete tem pressa. Abro o computador e projecto uma imagem de um quadro com as contas, para mostrar quais eram as consequências para a região e para determinados projectos, com um pequeno resumo. As pessoas tinham de ter consciência das consequências. O discurso do secretário de Estado era que tudo seria muito pacífico e que eu ia depois fazer com eles o trabalho de filigrana. Eu disse que fazia o trabalho de filigrana, mas as consequências seriam aquelas. Elencava os projectos que caiam. O secretário de Estado tentou abreviar aquilo, foi uma atrapalhação para eu não mostrar. Saiu mais uma vez irritado comigo. A reunião terminou sem mais discussão.
Enviei esse relatório a muita gente, ao primeiro-ministro, ao ministro da Economia, ao ministro da Ciência, a uma série de secretários de Estado de várias áreas. É de alguma maneira uma forma de ultrapassar o superior hierárquico.
Cerca de uma semana depois, a ministra Assunção Cristas chama-me para uma reunião. Quando vou a caminho de Lisboa, tento falar com o primeiro-ministro. Envio então uma mensagem a dizer que que vai acontecer a demissão. Telefona-me o chefe de gabinete do primeiro-ministro a dizer que que ele quer falar comigo, mas está na reunião com o Presidente da República. Ia ligar-me mais tarde, mas não ligou.
Passei duas horas à espera na antecâmara do gabinete da ministra. Não fiz mais nenhum contacto. Quando ela me recebeu, teve um lapsus liguae: tinha falado com o ministro-adjunto [Miguel Relvas], aliás, com o primeiro-ministro. Disse que as coisas são como são e que chegaram à conclusão de que eu não era a pessoa certa e que esta relação tinha chegado ao fim. Respondi que naquele dia não havia nada que me aborrecesse. Só tinha recebido dois telefonemas: um do chefe de gabinete do PM e outro da minha mulher a dizer que estava grávida…
Combinei que enviaria o pedido de demissão mal chegasse a Coimbra. Foi o que fiz. Entretanto seria nomeado para presidente da CCDR Centro o Pedro Saraiva [que será o deputado relator da comissão de inquérito do BES], que se demitiu quando foi decidido que estes lugares iam ser avaliados pela CRESAP e ele era contra. Achava que devia ser por nomeação e voltou ao Parlamento. Eu decidi concorrer ao lugar, porque queria demonstrar que era assim que se deviam nomear as pessoas. Os três seleccionados foram Ana Abrunhosa, António Queiroz… e eu. Mas foi nomeada a Ana Abrunhosa, que acabou por ser defendida pelas mesmas pessoas que antes exigiam a demissão dela.
Um ex-presidente de uma CCDR perguntou-me porque é que concorri e disse que entre os três era fácil escolher. "Tu saíste em choque. O outro [António Queiroz] tinha um problema [com a insolvência de empresas]. A única hipótese era ela". Ainda me disse que eu, ao concorrer, tinha tirado a possibilidade de um boy do PSD estar entre os três finalistas e ser escolhido. Uma das pessoas que eles queriam colocar terá ficado em quarto ou quinto lugar.
Hoje não recomendo a ninguém ser militante de um partido. São sítios de maus costumes. O que se aprende é que tendem a gerir as coisas de forma condenável. Nada tem a ver com ética nem a nada se pode aplicar a palavra ética."

www.sabado.pt

Portugal. PRIVAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE

Portugal. PRIVAÇÃO DO DIREITO À SAÚDE



Paula Santos – Expresso, opinião

Nos últimos dias temos assistido a anúncios deste Governo, em particular na área da saúde. Vejamos estes dois exemplos, o anúncio para o concurso público para o aproveitamento do plasma, quando nos últimos quatro anos nada fez para evitar o desperdício do plasma obtido pela dádiva voluntária de milhares de portugueses. E o plano de intervenção em cirurgia publicado ontem em Diário da República, com o objetivo de reduzir as listas de espera para determinadas cirurgias, constitui mais uma medida reativa, quando o que deveria ter sido feito era reforçar antecipadamente o Serviço Nacional de Saúde para evitar o agravamento das listas de espera em cirurgias.

Este Governo está em funções há quatro anos e só agora decidiu tomar algumas medidas que exigiam que tivessem sido tomadas o quanto antes. Como não há coincidências e como estamos perante velhos problemas, a conclusão a que se pode chegar é que as eleições estão aí, e está na altura da caça ao voto.

Apesar de o Governo procurar pintar um quadro cor-de-rosa, o balanço é muito negativo. As opções políticas deste Governo na saúde só agravaram o acesso dos portugueses aos cuidados de saúde.

O Relatório da Primavera 2015 apresentado esta semana levanta exatamente o risco de os portugueses estarem privados de aceder à saúde decorrente das políticas deste Governo. Refere que as taxas moderadoras constituem um obstáculo no acesso à saúde, afirma que devido à redução do poder de compra muitos utentes têm dificuldades em aceder aos medicamentos, identifica sobretudo a falta de enfermeiros, a redução do número de camas no Serviço Nacional de Saúde ao mesmo tempo que abre no privado, a insuficiente capacidade de resposta da rede de cuidados continuados integrados e o desinvestimento na saúde mental.

Recentemente tinha sido tornado público o aumento dos encargos com a saúde para as famílias portuguesas, a par da redução do investimento público na saúde. Ou ainda o inquérito aos médicos internos, em que a sua esmagadora maioria expressou a vontade de emigrar devido à falta de condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde.

Por mais que o procurem fazer, o Governo não consegue esconder as consequências desastrosas da sua política na saúde. Os profissionais de saúde estão exaustos, desmotivados e acabam por se aposentar antecipadamente ou emigram; os utentes têm cada vez mais dificuldades em aceder à saúde devido às elevadíssimas taxas moderadoras ou aos custos dos transportes de doentes não urgentes; e os centros de saúde e hospitais têm menos capacidade para responder às necessidades da população na sequência dos encerramentos, concentrações e fusões de serviços e valências.

A política prosseguida pelo atual governo, mas também por anteriores insere-se numa estratégia de descredibilização do Serviço Nacional de Saúde, para justificar a sua progressiva privatização.

Esta é a realidade do Serviço Nacional de Saúde.

Mas é justo que se reconheça, que o Serviço Nacional de Saúde só não está ainda pior, porque os profissionais de saúde, mesmo perante a retirada de direitos, desempenham as suas funções com empenho e dedicação em benefício da saúde dos utentes. Aliás é justo referir que foram os profissionais de saúde que ao longo de décadas construíram o Serviço Nacional de Saúde e o tornaram num dos melhores do mundo.

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Conspirações

Conspirações

Conspirações
por Jorge Cadima

"A aliança EUA-Israel-Arábia Saudita une os principais padrinhos do terrorismo e da guerra no plano regional e mundial, todos mestres na mentira e na dissimulação sem princípios. E torna mais do que legítima a pergunta: o que se passou realmente em Nova Iorque, no dia 11 de Setembro de 2001?"

Não se trata de 'teoria da conspiração', mas de conspiração confirmada e documentada. O grupo norte-americano Judicial Watch publicou em Maio documentos oficiais dos ministérios dos Estrangeiros e Defesa dos EUA, obtidos após processo judicial. 

O jornalista Seumas Milne (Guardian, 3.6.15) refere «um relatório secreto dos serviços de informações dos EUA, escrito em Agosto de 2012, que estranhamente prevê – e na prática saúda – a possibilidade dum 'principado Salafita' no Leste da Síria e dum Estado Islâmico controlado pela al-Qaeda na Síria e Iraque. Em flagrante contraste com as alegações ocidentais de então, o documento da Defense Intelligence Agency identifica a al-Qaeda no Iraque (que se viria a tornar no ISIS) e os seus correligionários Salafitas como 'as principais forças que dinamizam a insurreição na Síria' e declara que 'os países ocidentais, os estados do Golfo e a Turquia' apoiam os esforços da oposição para controlar o Leste da Síria». 

Diz o relatório: «a possibilidade de estabelecimento dum principado Salafita declarado ou não» é «precisamente aquilo que as potências que apoiam a oposição desejam, de forma a isolar o regime sírio».

A confissão de que o súbito aparecimento e surpreendentes êxitos do 'Estado Islâmico' são «precisamente aquilo que as potências que apoiam a oposição [síria] desejam» não surpreende. Pelo contrário, ajuda a explicar muita coisa. O ISIS serve de pretexto para o regresso de tropas dos EUA ao Iraque (NYTimes, 11.6.15). 'Justifica' bombardeamentos e acções de tropas especiais dos EUA em território sírio (NYTimes 16.5.15), à revelia do seu governo. 

A confissão ajuda a explicar também a recente notícia da agência iraniana FARS de que aviões dos EUA, a pretexto de atacarem forças do ISIL, bombardearam sim um batalhão do exército iraquiano «matando 6 soldados e ferindo outros 8» (6.6.15). Explica ainda os repetidos apoios confessos de Israel aos extremistas islâmicos sírios, como no siteynetnews.com (versão Internet em inglês do jornal mais lido de Israel, o Yedioth Ahronoth), que titula: «Vídeo raro mostra soldados das IDF [forças armadas de Israel] a salvar a vida a rebelde sírio nos Montes Golã», e adianta: «muitos dos feridos sírios recém-chegados a Israel em busca de cuidados médicos pertencem a grupos islâmicos extremistas» (12.5.15). 

A Bloomberg noticiou (4.6.15) que «desde o início de 2014, representantes de Israel e da Arábia Saudita realizaram cinco encontros secretos para discutir um inimigo comum, o Irão. Na 5ª-feira, os dois países saíram do armário para anunciar esta diplomacia encoberta no Council of Foreign Relations, em Washington». O anúncio oficial do noivado israelo-saudita, apadrinhado por um dos principais think tanks da política externa dos EUA, contou com a presença do general saudita Eshki, conselheiro do ex-embaixador nos EUA príncipe Bandar bin Sultan, mais conhecido por 'Bandar Bush' pelas suas ligações a essa 'família real' dos EUA. Eshki defendeu uma «mudança de regime no Irão» e «um Curdistão independente, a ser constituido por território hoje pertencente ao Iraque, Turquia e Irão». 

Pelo lado sionista, esteve Dore Gold, ex-embaixador de Israel na ONU, que em 2003 escreveu o livro «'O Reino do Ódio', sobre o papel da Arábia Saudita no financiamento do terrorismo e extremismo islâmico». O ódio transformou-se em amor porque, explica Gold, o livro foi escrito «no auge da segunda Intifada, quando a Arábia Saudita financiava e angariava fundos para o assassinato de israelitas» e hoje «é sobretudo o Irão que trabalha com os grupos palestinos que continuam ligados ao terrorismo». Leia-se: à resistência.

A aliança EUA-Israel-Arábia Saudita une os principais padrinhos do terrorismo e da guerra no plano regional e mundial, todos mestres na mentira e na dissimulação sem princípios. E torna mais do que legítima a pergunta: o que se passou realmente em Nova Iorque, no dia 11 de Setembro de 2001?


Fonte: Avante


NOTAS - O ZOO XUXIALISTA DO RATO






A PINTURA SENSUAL DE STEVE HANKS

Steve Hanks nasceu em numa família de 

militares, em San Diego em 1949. Seu pai 

era 

um aviador da Segunda Guerra Mundial 


altamente condecorado da Marinha. Cresceu 

jogando tênis e surf nas praias do sul da 

Califórnia.




Sem Limites 





Dueto






Filha de um Grande Romance 





Para Sempre um Mistério 






Seu Lado






Como um Anjo






Brisa do Oceano





Chuva de Verão





Os Pensadores





Um Tempo Parada






Dançando entre o Mar e o Céu 






Vento Através da Janela





Toque Delicado





Nu Reclinado





Criança Pintando




O Amor Pelo Inatingível 





Com a Camisa Dele



www.pinturasdoauwe.com.br