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terça-feira, 2 de junho de 2015

Os jiadistas ao serviço do imperialismo - Os governos ocidentais já não fazem segredo sobre a utilização dos jiadistas. Foi assim que a Otan derrubou Mouamar el-Kadhafi utilizando, para tal, a al-Qaida como única infantaria no terreno ; Israel afastou a Força das Nações Unidas no Golã e substituiu-a pela al-Nusra ; a Coligação internacional anti-Daesh deixou cair Palmira para prejudicar a Síria

Os jiadistas ao serviço do imperialismo
Thierry Meyssan

Os governos ocidentais já não fazem segredo sobre a utilização dos jiadistas. Foi assim que a Otan derrubou Mouamar el-Kadhafi utilizando, para tal, a al-Qaida como única infantaria no terreno ; Israel afastou a Força das Nações Unidas no Golã e substituiu-a pela al-Nusra ; a Coligação internacional anti-Daesh deixou cair Palmira para prejudicar a Síria. Mas, embora se compreenda os objectivos dos ocidentais, não se consegue perceber porquê e como os jiadistas podem servir o Tio Sam em nome do Corão.
Rede Voltaire | Damasco (Síria) | 1 de Junho de 2015
O Xeque Youssouf al-Qaradawi, pregador vedeta dos Irmãos muçulmanos e tele-coranista na al-Jazeera. Ele abençoa os jiadistas na Síria e no Iraque e afirma, sem pestanejar, que se Maomé fosse vivo actualmente, ele se aliaria à Otan.
Muita vezes, podemos interrogar-nos como é que o Pentágono e a CIA fazem para manipular milhões de muçulmanos e enviá-los a baterem-se pelos interesses do Tio Sam.
Certo, determinados líderes são agentes pagos, mas, de modo geral, os jiadistas acreditam bater-se e morrer para ir para o Paraíso. A resposta é pueril: partindo da retórica da Irmandade Muçulmana é possível a evasão da realidade humana, e enviá-los para matar, seja quem fôr, desde que se agite um “lenço vermelho” diante dos seus olhos.
Oficialmente, o Emirado Islâmico não reconhece, mais, a autoridade de Ayman al-Zawahiri e separou-se, portanto, da al-Qaida. Contudo em muitos lugares, como em Qalamoun, continua a ser impossível de os distinguir, com os mesmos jiadistas reivindicando as duas etiquetas ao mesmo tempo.
Claro, pode-se objectar que esta discussão não passa de uma diferença entre personalidades ; Abu Bakr al-Baghdadi querendo apenas ser chefe no lugar de comando.
No entanto, se as duas organizações têm exactamente as mesmas práticas, desenvolvem discursos muito diferentes.
O seu ponto comum, são os slogans da Irmandade Muçulmana: «O Alcorão é a nossa Constituição», «O Islão é a solução». A via piedosa é pois muito simples. Pouco importa que o Criador nos tenha feito inteligentes, deve-se em qualquer circunstância aplicar a Palavra de Deus como uma máquina. E quando a situação não é abordada no Livro, basta simplesmente quebrar tudo. O resultado é, obviamente, catastrófico e em nenhum lado estas organizações têm sido capazes de estabelecer o princípio das premissas da sociedade perfeita, que eles proclamam como seus desejos.
A sua história torna-os diferentes. De 1979 a 1995, isto é, desde a operação da CIA no Afeganistão até à Conferência árabe popular e islâmica de Cartum, os mercenários de Osama Ben Laden lutaram contra a União Soviética com a ajuda declarada dos Estados Unidos. De 1995 a 2011, quer dizer, da Conferência de Cartum até à «Operação Tridente de Neptuno», a al-Qaida tinha um discurso contra «os judeus e os cruzados», ao mesmo tempo que prosseguia a sua luta contra a Rússia na Jugoslávia e na Chechénia. E, após 2011, ou seja, desde a «Primavera Árabe», apoia a Otan na Líbia e Israel na fronteira do Golã. De um modo geral, a opinião pública ocidental não acompanhou esta evolução. Ela está convencida do perigo de um mítico expansionismo russo, persiste em atribuir os atentados do 11-de-Setembro aos jiadistas, não percebeu o que se passou na Líbia e na fronteira israelita, e, de relance, mantém a ideia errada que a Al-Qaida seria uma organização terrorista anti-imperialista. Os árabes, por sua vez, não se baseiam em factos, antes escolhem, segundo o caso, a realidade ou a propaganda ocidental, de maneira a inventarem para si mesmos uma narrativa romântica.
Por seu lado, o Emirado Islâmico afasta-se do Corão e aproxima-se dos neo-conservadores.
Ele garante que os inimigos prioritários são outros muçulmanos : os xiitas e seus aliados.
Ele esquece, pois, o episódio bósnio durante o qual a Legião Árabe de Ben Laden era apoiada, à vez, pelos Estados Unidos, pela Arábia Saudita e pelo Irão. Mas, quem são então os aliados dos xiitas? a República Árabe Síria (laica) e a Jiad Islâmica palestiniana (sunita).
Por outras palavras, o Emirado Islâmico luta, prioritariamente, contra o Eixo da Resistência ao imperialismo. De facto, ele assume ser um aliado objectivo dos Estados Unidos e de Israel no «Médio-Oriente Alargado», mesmo quando teoricamente declara ser seu inimigo.
A maleabilidade das duas organizações reside na ideologia de base, ou seja a da Irmandade Muçulmana. É, portanto, lógico que a quase totalidade dos chefes jiadistas tenha sido membro, num momento ou outro, de uma filial ou outra da Irmandade. Do mesmo modo é lógico que a CIA não só tenha apoiado a Irmandade Muçulmana egípcia, desde a sua recepção na Casa Branca pelo presidente Eisenhower em 1955, como todas as suas agências no exterior e todos os seus grupos dissidentes. Em última análise, o califado com o qual sonhava Hassan el-Bana, e que Ayman al-Zawahiri e Abu Bakr al-Baghdadi pretendem concretizar, não é a reprodução da Idade de Ouro do Islão, mas, sim, o reinado do obscurantismo.
O que Laurent Fabius confirmava em 2012, quer dizer antes da divisão entre a Al-Qaida e Daesh, declarando a propósito : «No terreno, eles fazem um trabalho óptimo!»
Thierry Meyssan
Tradução
Alva

MILITARES SOBREVIVEM COM SANGUE DE COBRA NA SELVA TAILANDESA

Lembro-me de ter comido algumas coisas estranhas em exercícios militares de sobrevivência no Serviço Militar Obrigatório, como comer coró -o de coco é uma delícia-, mas jamais algo parecido conforme mostrado nestas fotografias do Cobra Gold 2013 exercícios militares onde participam militares dos EUA, Tailândia, Cingapura, Indonésia, Japão, Coréia do Sul e Malásia, e que estão sendo realizados em Sattahip, na província de Chonburi, Tailândia.

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Cobra Gold 2013 - Militares sobrevivem com sangue de cobra na selva tailandesa 01
Dizem que o objetivo deste treinamento anual de sobrevivência, iniciado no último 14 de fevereiro de 2013, é melhorar as relações entre nações que compartilham fins comuns e compromissos de segurança na região Ásia-Pacífico. O exercício  conta com 13 mil efetivos militares dos sete países.

O "Cobra de Ouro" treina soldados a "mergulhar" na floresta e ensina os cuidados  básicos que devem ter com plantas e animais venenosos, acampamento improvisado e como conseguir comida rapidamente. O último teste é especialmente chocante: lidar com cobras venenosas, insetos, pássaros, e não utilizar o fogo para não chamar a atenção. Há uma crença local de que sangue fresco de cobra é um dos melhores alimentos para o corpo.

Em geral, o show não é para os fracos de coração e certamente nem para vegetarianos ou simpatizantes, de forma que se for sensível abstenha-se de ver estas fotografias.
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O Califado desejado pelos Estados Unidos

O Califado desejado pelos Estados Unidos






Enquanto o Estado Islâmico ocupa Ramadi, a segunda cidade do Iraque, e no dia seguinte Palmira, na região central da Síria, assassinando milhares de civis e obrigando dezenas de milhares à fuga, a Casa Branca declara: “Não podemos arrancar os cabelos toda vez que surge uma dificuldade na campanha contra o Isis” (New York Times, de 20 de maio).


A campanha militar “Inherent Resolve” foi lançada no Iraque e na Síria há nove meses, em 8 de agosto de 2014, pelos EUA e seus aliados: França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e outros. Se tivessem usado os seus caças-bombardeiros como fizeram contra a Líbia, em 2011, as forças do Isis, movendo-se em espaços abertos, seriam alvo fácil. No entanto, elas foram capazes de atacar Ramadi com colunas de carros blindados cheios de homens e explosivos.


Os Estados Unidos se tornaram militarmente impotentes? Não. Se o Isis está avançando no Iraque e na Síria, é porque é exatamente isto o que querem em Washington. Confirma isto um documento oficial da Agência de Inteligência do Pentágono, datado de 12 de agosto de 2012, desarquivado em 18 de maio de 2015 por iniciativa do grupo conservador “Judicial Watch” em meio à corrida presidencial. O documento informa que “os países ocidentais, os Estados do Golfo e a Turquia apoiam na Síria as forças de oposição que tentam controlar as áreas orientais, adjacentes às províncias iraquianas ocidentais”, ajudando-as a “criar refúgios seguros sob proteção internacional”.


Existe a “possibilidade de estabelecer um principado salafita na Síria oriental, e isto é exatamente o que desejam as potências que apoiam a oposição, para isolar o regime sírio, retaguarda estratégica da expansão xiita (Iraque e Irã)”. O documento de 2012 confirma que o Isis, cujos primeiros núcleos vêm da guerra na Líbia, foi formado na Síria, recrutando sobretudo militantes salafitas e sunitas que, financiados pela Arábia Saudita e outras monarquias, foram armados através de uma rede da CIA (documentada, além de pelo New York Times, por um informe de “Conflict Armament Research”). Isto explica o encontro em maio de 2013 (documentado fotograficamente) entre o senador estadunidense John McCain, em missão na Síria por conta da Casa Branca, e Ibrahim al-Badri, o “califa” chefe do Isis.


Explica também por que o Isis desencadeou a ofensiva no Iraque no momento em que o governo do xiita Al-Maliki tomava distância de Washington, aproximando-se de Pequim e Moscou. Washington, descarregando a responsabilidade pela queda de Ramadi sobre o exército iraquiano, anuncia agora que quer acelerar no Iraque o adestramento e o armamento das “tribos sunitas”.


O Iraque está caminhando no mesmo rumo que a Iugoslávia, para a desagregação, comenta o ex-secretário da Defesa, Robert Gates. O mesmo ocorre na Síria, onde os EUA e seus aliados continuam a adestrar e armar milicianos para derrubar o governo de Damasco. Com a política de “dividir para dominar”, Washington continua assim a alimentar a guerra que, em 25 anos, provocou tragédia, êxodo, pobreza, tanto que muitos jovens transformaram as armas em sua profissão.


Um terreno social onde as potências ocidentais fazem sua presa as monarquias a elas aliadas, os “califas”, que instrumentalizam o Islã e a divisão entre sunitas e xiitas. Uma frente da guerra, em cujo interior existem divergências táticas (por exemplo, sobre quando e como atacar o Irã), mas não divergências estratégicas. Frente de guerra armada pelos EUA, que anunciam a venda (por 4 bilhões de dólares) à Arábia Saudita de outros 19 helicópteros para a guerra no Iêmen, e a Israel de mais 7.400 mísseis e bombas, entre os quais os anti-bunker para atacar o Irão.


Manlio Dinucci
Jornalista italiano
Traduzido do italiano por José Reinaldo Carvalho.

NUD ART - A PINTURTA DE IGOR BELOVSKY

DWC Belas Nude Art - pintor Igor Belkovsky


Igor Vladimirovich Belkovsky é um dos grandes criativos da Rússia e da Confederação Internacional de Pintores. Ele nasceu em 1962 na cidade de Chelyabinsk 

Em 1981 graduou-se Chelyabinsk Escola Superior de Artes e depois  ele lecionou  numa escola de arte durante três anos. Em 1985 Igor entrou no Moscow State Institute Surikov de Artes onde estudou com o Professor VN Zabelin. Após a formatura de sucesso do Instituto, em 1991, o pintor  colaborou com ARKA Moscou picture-galeria que ajudou o jovem pintor para chegar à frente e dedicar-se ao trabalho criativo.





O artista criou  25 retratos VIP como I. Kobson, V. Vinokur, L. Leshchenko, L. Yakubovich, I. Krutoi, A. Shirvindt etc.




Actualmente I. Belkovsky com o apoio do Governo de Moscovo trabalha no Projeto pitoresco "moscovitas - o orgulho da Rússia",


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ERÓTICA - A PINTURA DE JOHN PARLATO

DWC Erótica - pintor Giovanni Parlato


John Parlato nasceu em Vico Equense na península de Sorrento em 1957/02/22 . Ele estudou no Instituto de Arte de Sorrento e se aperfeiçoana  na Academia de Belas Artes de Nápoles . Sua arte se afasta da vanguarda artística relacionada com a a esfera da abstração.







  


  
 Até 2009 o artista trabalhou exclusivamente com a galeria de arte Engema correctamente inserida na província de Salerno, na pessoa que organizou a galeria Enzo Marchitiello o artista apresentou exposições individuais e feiras em diferentes locais

Hoje suas obras enfeitam as casas de pessoas importantes  e colecionadores de todo o mundo . suas pinturas também são encontradas em lugares de culto na Itália e no exterior. Em Nápoles, uma de suas pinturas na igreja de s. Maria dos Anjos , em Vico Equensena igreja de St. João Batista em Massaquano com três pinturas de tamanho considerável que adornam o teto .


A cidade de Beirute, no Líbano já recebeu várias de suas iniciativas 










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Karl Marx tinha razão - Karl Marx expôs a dinâmica peculiar do capitalismo, ou aquilo que chamou “o modo de produção burguês”. Ele previu que o capitalismo havia plantado dentro de si as sementes de sua destruição.

Karl Marx tinha razão

Karl Marx tinha razão
por [*] Chris Hedges – truthdig
Karl Marx Was Right
Traduzido por Emerx


“O velho está morrendo, o novo luta para nascer, e neste ínterim há sintomas mórbidos,” escreveu Antonio Gramsci.
"Enquanto isso, a oligarquia capitalista entesoura escondido vastas somas de riqueza – US$ 18 trilhões estão armazenados em paraísos fiscais – uma extorsão em forma de tributo sobre aqueles que essa oligarquia domina, endivida e empobrece. Em sua fase final, disse Marx, o capitalismo se transformaria no chamado livre mercado, e com ele os valores e as tradições que ele diz defender. Nessa fase última, o capitalismo pilharia os sistemas e as estruturas que o tornaram possível. Em resposta ao sofrimento geral que isso causaria, haveria um recrudescimento da repressão. Numa última cartada desesperada para manter sua taxa de lucro, o capitalismo passaria ao saqueio e à pilhagem do Estado, contradizendo sua pretensa natureza."
Karl Marx expôs a dinâmica peculiar do capitalismo, ou aquilo que chamou “o modo de produção burguês”. Ele previu que o capitalismo havia plantado dentro de si as sementes de sua destruição. Ele sabia que as ideologias predominantes – pense no neoliberalismo- foram criadas para servir aos interesses das elites e particularmente das elites econômicas, visto que

(...) a classe que tem à disposição os meios de produção material tem ao mesmo tempo o controle dos meios de produção espiritual e (...) as ideias dominantes não são nada mais que a expressão ideal das relações materiais dominantes (...) relações que fazem de uma classe a classe dominante.

Ele viu que chegaria o dia em que o capitalismo esgotaria seu potencial e entraria em colapso, só não sabia quando.

Marx, como escreveu Meghnad Desai, era “um astrônomo da história, não um astrólogo”. Marx era agudamente consciente da capacidade de inovação e adaptação do capitalismo. Mas também era consciente de que a expansão capitalista não era eternamente sustentável. No momento em que testemunhamos o desenlace do capitalismo e do globalismo, Karl Marx é justamente reconhecido como o mais presciente e importante crítico deste modo de produção.

Num prefácio à “Contribuição para a Crítica da Economia Política” Marx escreveu:

Nenhuma ordem social jamais desapareceu antes de que todas as forças produtivas existentes em seu seio estivessem desenvolvidas; e novas e mais elevadas relações de produção nunca aparecem antes do amadurecimento das condições materiais de sua existência no seio da própria velha sociedade.

Portanto, a humanidade sempre se coloca apenas as tarefas que pode resolver; a examinar atentamente, encontramos sempre que a tarefa em si surge apenas quando já existem as condições materiais necessárias para a sua solução, ou estão pelo menos no processo de formação.

Em outras palavras, o socialismo não seria possível antes de o capitalismo exaurir seu potencial de continuidade, ainda que fosse temerário predizer quando. Somos convocados a estudar Marx para dar conta disso.

Os estágios finais do capitalismo, escreveu Marx, seriam marcados por desenvolvimentos que são intimamente familiares para muitos de nós. Incapaz de se expandir e gerar lucro nos mesmos níveis do passado, o sistema capitalista começaria a consumir suas próprias estruturas de sustentação. Ele começaria a predar, em nome da austeridade, a classe trabalhadora e os mais pobres, fazendo-os mergulhar ainda mais na dívida e na pobreza e diminuindo a capacidade do Estado em atender às necessidades dos cidadãos comuns.

Como diria Marx: O Sistema Burguês


O capitalismo deslocaria cada vez mais empregos – é o que ele está fazendo- inclusive manufaturas e quadros profissionais, em países com reserva de mão de obra barata. As indústrias mecanizariam suas unidades de produção. Isso desencadearia golpes econômicos não apenas sobre a classe trabalhadora, mas também sobre a classe média – um baluarte do sistema capitalista – sob a imposição maciça de dívidas concomitante à estagnação ou redução de renda.

Nos últimos estágios do capitalismo, a política seria subordinada à economia, o que levaria a partidos completamente esvaziados de qualquer conteúdo realmente político e desprezivelmente subservientes às imposições da finança e do capitalismo global.

Mas como advertiu Marx, há um limite a uma economia construída sobre a expansão da dívida. Chega o momento, sabia Marx, em que não há mercados disponíveis e o endividamento das pessoas atinge seu limite. Isso foi o que aconteceu com a chamada crise das hipotecas subprime. Uma vez que os bancos não podem mais conseguir novos tomadores de empréstimos subprime, o esquema desmorona e o sistema vem abaixo.

Enquanto isso, a oligarquia capitalista entesoura escondido vastas somas de riqueza – US$ 18 trilhões estão armazenados em paraísos fiscais – uma extorsão em forma de tributo sobre aqueles que essa oligarquia domina, endivida e empobrece. Em sua fase final, disse Marx, o capitalismo se transformaria no chamado livre mercado, e com ele os valores e as tradições que ele diz defender. Nessa fase última, o capitalismo pilharia os sistemas e as estruturas que o tornaram possível. Em resposta ao sofrimento geral que isso causaria, haveria um recrudescimento da repressão. Numa última cartada desesperada para manter sua taxa de lucro, o capitalismo passaria ao saqueio e à pilhagem do Estado, contradizendo sua pretensa natureza.

Marx advertiu que nos últimos estágios do capitalismo imensas corporações exerceriam o monopólio dos mercados globais.

A constante necessidade de expansão dos mercados para seus produtos lança a burguesia sobre toda a superfície do globo. Ela se aninha em toda parte, se instala em toda parte e estabelece conexões em todo lugar, escreveu Marx.

Essas corporações, seja no setor bancário, agrícola ou da indústria alimentícia, no armamento ou nas comunicações, usaria seu poder assumindo o controle dos mecanismos do Estado para impedir quem quer que seja de desafiar o seu monopólio.


Elas fixariam preços para alcançar o lucro máximo. Através de tratados comerciais como o TPP e o CAFTA, as corporações fariam pressões – como de fato é o que estão fazendo- para debilitar a capacidade do Estado em impedir a exploração ao impor regulamentações ambientais ou trabalhistas. E finalmente essas corporações suprimiriam a livre competição de mercado.

Num editorial de 22/5/2015, The New York Times nos dá uma vista sobre aquilo que, segundo Marx, caracterizaria os últimos estágios do capitalismo:

A partir deste fim de semana, Citicorp, JPMorgan Chase, Barclays e Royal Bank of Scotland podem ser considerados criminosos, pois declararam-se culpados na quarta-feira de crimes de conspiração para fraudar o valor das moedas do mundo. Segundo o Departamento de Justiça, a longa e lucrativa conspiração permitiu aos bancos elevar seus lucros sem considerações para com a equidade, a lei e o bem comum.

E The Times continua:

Os bancos vão pagar multas que totalizam cerca de US$ 9 bilhões, valores estimados pelo Departamento de Justiça e por reguladores federais, estrangeiros e dos Estados. Parece um bom negócio para uma fraude que durou pelo menos 5 anos, do final de 2007 ao começo de 2013, período durante o qual a renda dos bancos com o câmbio internacional foi de algo como US$ 85 bilhões.

Nos últimos estágios daquilo que chamamos capitalismo, como Marx bem entendeu, já não há mais capitalismo algum. As corporações devoram os recursos do governo, basicamente oriundas do contribuinte, como porcos ávidos num cocho.

A indústria armamentista, com seus US$ 612 bilhões de dólares legalmente outorgados para a defesa, sem contar várias outras despesas militares embutidas em outros orçamentos, aumenta nossa despesa com segurança nacional em mais de US$ 1 trilhão por ano. Essa indústria conseguiu este ano que o governo se comprometesse a gastar US$ 348 bilhões ao longo da próxima década para modernizar nossas armas nucleares e construir 12 novos submarinos padrão Ohio, estimados em US$ 8 bilhões cada um.

Como esses dois novos programas armamentistas vão resolver o que nos dizem ser a maior ameaça de nossos tempos – a guerra ao terrorismo- é algo que permanece um mistério. Afinal, que o saibamos, ISIS não possui sequer um bote a remo. Gastamos cerca de US$ 100 bilhões por ano com inteligência – leia-se vigilância- e 70% desse dinheiro vai para empresas privadas como Booz Allen Hamilton, cujos 99% de renda vêm do governo. E ainda por cima, somos os maiores exportadores de armas do mundo.

A indústria de combustíveis fósseis engole US$ 5.3 trilhões por ano em todo o mundo em custos encobertos para continuar queimando esses combustíveis, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse dinheiro, nota o FMI, acrescenta-se aos US$ 492 bilhões de subsídios diretos oferecidos pelos governos em todo o mundo através de isenções fiscais, reduções de taxas e brechas na legislação fundiária. Num mundo sadio, esses subsídios seriam investidos em esforços para nos livrar dos efeitos letais das emissões de carbono causadas pelos combustíveis fósseis, mas nós não vivemos num mundo sadio.


O capitalista e o trabalhador


No artigo “Why Should Taxpayers Give Big Banks US$ 83 Billion a Year?” (Por que os contribuintes dão US$ 83 bilhões por ano aos grandes bancos?), relatório publicado em 2013 por Bloomberg News, ficamos sabendo que economistas calcularam que os subsídios do governo reduzem os custos de empréstimo dos grandes bancos em 0.8%. 

Multiplicado pelo passivo total dos 10 maiores bancos estadunidenses por ativos, isso chega a US$ 83 bilhões por ano de subsídios financiados pelo contribuinte, diz o relatório.

Os cinco maiores bancos - JPMorgan, Bank of America Corp., Citigroup Inc., Wells Fargo & Co. e Goldman Sachs Group Inc. representam um total de US$ 64 bilhões em subsídios, uma soma insolentemente igual a um lucro anual típico dessas empresas. Em outras palavras, os bancos que ocupam postos de decisão na indústria financeira dos Estados Unidos – com quase US$ 9 trilhões em ativos, mais da metade da economia estadunidense –simplesmente quebrariam na ausência do Estado de bem-estar corporativo. Seus lucros são, mormente, transferências de recursos dos contribuintes para os acionistas dessas empresas - continua o relatório.

As despesas do governo contam por 41% do PIB. O objetivo dos capitalistas corporativos é açambarcar esse dinheiro. Daí a privatização de setores completos das Forças Armadas, a pressão pela privatização da Seguridade Social, a contratação de corporações para cuidar de 70% de nossas 16 agências de inteligência, bem como da privatização das prisões, escolas e do desastroso e comercial serviço de saúde. Nenhum desses açambarcamentos de serviços básicos os torna mais eficientes nem reduz seus custos. Essa não é a questão. O que estão fazendo é roer as carcaças do Estado. E isso é a garantia da desintegração das estruturas que sustentam o próprio capitalismo. Marx anteviu tudo isso.

Marx realçou essas contradições inerentes ao capitalismo. Ele entendeu que a ideia de capitalismo – livre comércio, mercados livres, individualismo, inovação, autodesenvolvimento – só funciona no espírito utopista de verdadeiro crente como Alan Greenspan, mas nunca no mundo real. A acumulação de riqueza por uma minúscula elite capitalista, Marx anteviu, significaria que as massas já não mais poderiam comprar os produtos que fizeram avançar o capitalismo. A riqueza torna-se concentrada nas mãos de uma minúscula elite – o 1% dos mais ricos possuirá mais da metade da riqueza mundial no ano que vem.

As investidas contra a classe trabalhadora vêm acontecendo já há várias décadas. Os salários têm-se mantido estagnados ou têm sido reduzidos desde os anos 70. As manufaturas foram terceirizadas em países como a China ou Bangladesh, em que os trabalhadores ganham salários baixíssimos como 22 centavos de dólar por hora.

Trabalhadoras miserabilizadas em Bangladesh

Trabalhadores pauperizados, forçados a competir com outros que mal superam a condição servil, têm proliferado em todo o território dos Estados Unidos; eles lutam para manter um nível mínimo de subsistência. Indústrias como a construção civil, antigo celeiro de empregos bem remunerados e sindicalizados, são agora o feudo de trabalhadores não sindicalizados e amiúde não documentados. As corporações importam engenheiros e programadores que recebem um terço dos salários normais graças aos vistos H-1B, L-1 e outros semelhantes. Todos esses trabalhadores não gozam dos direitos dos outros cidadãos.

Os capitalistas respondem ao colapso de suas economias domésticas, por eles mesmos urdido, tornando-se credores tubarões globais e especuladores. Eles emprestam dinheiro a taxas de juros exorbitantes aos trabalhadores e aos pobres, mesmo sabendo que esse dinheiro pode nunca ser devolvido, e depois vendem essas dívidas em bloco, contratos derivativos de risco, títulos e ações a fundos de pensão, municipalidades, firmas de investimento e instituições. Essa forma recente de capitalismo é construída sobre aquilo que Marx chamou “capital fictício”. E isso leva, como sabia Marx, à vaporização do dinheiro. 

Uma vez que os devedores de hipotecas subprime deixaram de pagar, o que esses grandes bancos e firmas de investimento sabiam ser inevitável, a grande crise mundial de 2008 se instalou. O governo socorreu os bancos, sobretudo imprimindo dinheiro, mas deixou os pobres e a classe trabalhadora – sem falar nos estudantes recém-formados – com dívidas pessoais esmagadoras. A política de austeridade se impôs. As vítimas da fraude financeira teriam sido feitas para pagar por essa fraude. E o que nos salvou de uma depressão ainda mais devastadora foi a intervenção maciça do Estado na economia, inclusive com a nacionalização de imensas corporações como AIG e General Motors.

O que vimos em 2008 foi a oficialização do Estado de bem-estar social para os ricos, um tipo de socialismo estatista para as elites financeiras previsto por Marx. Mas com isso instaura-se um crescente e volátil ciclo de altos e baixos, levando o sistema à beira da desintegração e do colapso. Sofremos duas crises de grande monta no mercado de ações e a implosão dos valores imobiliários só na primeira década do século XXI.

As corporações que possuem a mídia têm trabalhado dobrado para vender a um público aturdido, a ficção de que estamos vivendo uma recuperação. Os números do desemprego, obtidos através de uma variedade de truques, inclusive da eliminação dos desempregados por mais de um ano das listas oficiais, são uma mentira, como de resto também o são quase todos os indicadores divulgados para o consumo público. O que estamos antes vivendo são os estágios crepusculares do capitalismo global, o qual pode ser surpreendentemente mais resiliente que o esperado, mas nem por isso deixa de ser moribundo.


Capitalismo de Livre Mercado
Povo sem casa Casa sem povo

Marx sabia que uma vez que o mecanismo de mercado se tornou o único fator determinante do destino do Estado-nação, bem como do mundo natural, ambos seriam demolidos. Ninguém sabe quando isso vai acontecer, mas que isso vai acontecer, talvez no horizonte de nossas vidas, isso vai.

“O velho está morrendo, o novo luta para nascer, e neste ínterim há sintomas mórbidos,” escreveu Antonio Gramsci.

O porvir depende de nós.




[*] Chris Hedgesrepórter laureado com Prêmio Pulitzer, mantém coluna regular em Truthdig às 2as-feiras. Formou-se na Harvard Divinity School e foi durante quase duas décadas correspondente no exterior do The New York Times. Hedges é autor de 12 livros, entre os quais War Is A Force That Gives Us Meaning, What Every Person Should Know About War, American Fascists: The Christian Right and the War on America o best-seller (New York Times), Days of Destruction, Days of Revolt (2012), do qual é coautor, com o cartunista Joe Sacco. Seu livro mais recente é Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle.