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terça-feira, 19 de maio de 2015

VÊEM AÍ AS ELEIÇÕES !!!! - Governo promete contratar este ano 400 médicos de família Publicado hoje às 22:13 A contratação anunciada pelo Ministério da Saúde visa suprimir a carência de médicos de família. Os profissionais contratados estão, neste momento, aposentados.


COSTA DIZ:


! OIRÁRTNOC OA ÓS ! SATSED SAICÍTON

FOI ISTO QUE OS PALHAÇOS ESTIVERAM A FESTEJAR EM GUIMARÃES - FMI pede nova ronda de cortes salariais e no emprego público


FMI pede nova ronda de cortes salariais e no emprego público

Subir Lall, chefe de missão do FMI
D.R.

A despesa pública portuguesa tem de ser reduzida de forma permanente e, tendo em conta que os salários e pensões são o equivalente a mais de metade da despesa primária (sem juros), os novos cortes têm de incidir sobre esses rendimentos, diz o Fundo Monetário Internacional no relatório anual do Artigo IV, hoje divulgado. A reforma do Estado continua por fazer, lamenta.
Apesar de reconhecer o "esforço" do Governo na redução do défice e que as reformas estruturais levam tempo a surtir efeitos concretos, o FMI, ao mais alto nível, e a missão liderada por Subir Lall, que esteve no País entre 5 e 17 de março, propõem uma nova ronda de redução da despesa. E pedem metas mais rígidas e plurianuais para a despesa pública.
A recomendação sobre salários e pensões, que aparece sempre nas avaliações que faz a Portugal, vem agora acompanhada de números concretos. Relativamente aos salários dos funcionários públicos, a missão diz que esta despesa foi "contida através de medidas temporárias" pelo que "medidas estruturais devem ser orientadas para limitar aumentos salariais automáticos e as progressões na carreira de modo a gerar poupanças permanentes de cerca de 0,1% do PIB por ano". Cerca de 180 milhões de euros a menos, por ano, basicamente, tendo em conta as previsões para o PIB nominal que também vêm neste novo estudo.
"Os cortes salariais do sector público falharam em reduzir a diferença entre remunerações públicas e privadas", observa a equipa de técnicos. O mesmo que dizer que, para a missão a Portugal, os empregados públicos continuam a ganhar demais quando comparado com a situação vivida no sector privado.
Portanto, como o Tribunal Constitucional chumbou cortes nominais nos salários, "a prioridade deve ser reduzir o número de empregados". Aqui, o Fundo repara que "os esquemas para aumentar a eficiência e reduzir custos no serviço público -- bolsa da requalificação especial e rescisões voluntárias -- tiveram um desempenho reduzido".
A missão concede que durante o programa de ajustamento o número de funcionários "foi reduzido de forma significativa", mas não chega. E lembra mesmo o seu estudo com propostas para a reforma do Estado (janeiro de 2013) e diz que "estima-se que uma redução adicional de 10% na força de trabalho gere poupanças de cerca de 0,5% do PIB".
Assim, é preciso dar "prioridade a reduções adicionais do número de empregados através de atrição natural [redução do número de pessoas por via da saída para a reforma ou por rescisões de mútuo acordo] e cortes direcionados em áreas com demasiados empregados".
Dito isto, o FMI enfatiza que atuar apenas sobre os salários e o emprego é insuficiente em termos de reforma do Estado. É preciso olhar também para as pensões, designadamente para a Caixa Geral de Aposentações (CGA). "Espera-se um aumento na despesa" pelo que "são necessárias medidas adicionais para aliviar as pressões" nestas áreas.
O conselho executivo dirigido por Christine Lagarde refere que seria boa ideia "estabelecer metas plurianuais para a despesa de modo a ancorar o ajustamento orçamental estrutural, tendo em conta o grande fardo fiscal."
"A este respeito, será também importante racionalizar mais a despesa pública através de uma reforma abrangente dos salários e pensões, e reformas orçamentais mais amplas para melhorar a administração pública e mitigar os riscos das entidades detidas pelo Estado".
O FMI, que mantém as linhas gerais do cenário macroeconómico (igual ao World Economic Outlook), reitera que o défice deste ano fica em 3,2% (o Governo diz 2,7%) e que em 2016 baixa para 2,8%.

Arábia Saudita quer contratar carrascos para responder ao aumento das execuções - As autoridades da Arábia Saudita estão à procura de carrascos que terão a responsabilidade de executar, por decapitação, os condenados à morte naquele país, onde já foram executadas este ano 85 pessoas.

Arábia Saudita quer contratar 
carrascos para responder ao 
aumento das execuções 

As autoridades da Arábia Saudita estão à procura de carrascos que terão a responsabilidade de executar, por decapitação, os condenados à morte naquele país, onde já foram executadas este ano 85 pessoas.

As autoridades da Arábia Saudita estão à procura de carrascos que terão a responsabilidade de executar por decapitação, os condenados à morte naquele país, onde já foram executadas este ano 85 pessoas. 
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A oferta de trabalho, hoje divulgada no ‘site’ do Ministério do Serviço Público saudita, propõe oito vagas e não requer qualificações específicas ou experiência, podendo qualquer interessado candidatar-se ao cargo que terá como função “executar condenados à morte”. Os futuros contratados terão também de fazer “amputações” a pessoas condenadas por roubo.

Este processo de recrutamento coincide com um aumento do número de execuções no reino saudita, onde os crimes de homicídio, tráfico de droga, violação, homossexualidade, bruxaria, apostasia e assalto à mão armada são puníveis com a pena de morte. A Arábia Saudita, país ultraconservador, aplica uma versão rígida da ‘sharia’ (lei islâmica).

Desde o início deste ano, 85 pessoas foram executadas na Arábia Saudita, contra um total de 87 execuções em todo o ano de 2014. A última decapitação foi hoje consumada e envolveu um cidadão saudita acusado de sequestro e violação de menores.

Num relatório da Amnistia Internacional, datado de 2014, o reino saudita figurava entre os países do mundo que mais executam pessoas, ao lado da China, Irão e Iraque. 

* Em Portugal não são precisos carrascos, chega o governo.
** É este país que os crânios democratas do ocidente nunca criticam e têm honra em manter relações diplomáticas.


apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

EUA - Patologia da família branca rica - A patologia da família branca rica é das mais perigosas nos EUA. A família branca rica é amaldiçoada com excesso de dinheiro e privilégios. Não conhece nenhuma empatia, resultado de gerações e gerações de privilegiados.

EUA - Patologia da família branca rica

Negros linchados  nos EUA
EUA - Patologia da família branca rica 
[*] Chris Hedges, Truthdig 
The Pathology of the Rich White Family


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

"Famílias brancas ricas são também os matadores mais eficientes que há no planeta. É verdade há já 500 anos, começando na conquista da América e no genocídio contra os povos nativos norte-americanos, e continuando hoje, nas guerras dos EUA no Oriente Médio. As famílias brancas ricas não matam com as próprias mãos. Não precisam arriscar o próprio pescoço nas ruas das cidades nos EUA ou no Iraque. Mas contratam gente, quase sempre pobres, para matar por elas. Famílias brancas ricas queriam o petróleo do Iraque, ergueram bandeiras e entoaram slogans patrióticos, e assim arregimentaram legiões de crianças pobres para guerrear em nome delas e passar a mão nos poços de petróleo do Iraque. "

A patologia da família branca rica é das mais perigosas nos EUA. A família branca rica é amaldiçoada com excesso de dinheiro e privilégios. Não conhece nenhuma empatia, resultado de gerações e gerações de privilegiados. Tem mínimo senso de lealdade, e é incapaz de autossacrifício. A definição de amizade na família branca rica está reduzida a “O que você pode fazer por mim?” A família branca rica é possuída por insaciável ambição de aumentar sempre a própria fortuna e o próprio poder. Acredita que riqueza e privilégio conferem a ela inteligência e virtude superiores. É presa dos mais impenetráveis hedonismo e narcisismo. 

E, por tudo isso, a família branca rica interpreta a realidade através de lentes de autoadulação e cobiça que reduzem a realidade a alguma espécie de fantasia distante. A família branca rica é uma perigosa ameaça que vive dentro dos EUA. As doenças dos pobres, se comparadas às doenças dos norte-americanos brancos ricos, são pequena vela ao lado do sol. 

Não faltam propagandistas e elogiadores às famílias norte-americanas brancas ricas. Dominam as ondas de rádio e TV em todo o país. Culpam a patologia das famílias negras pobres pela miséria, pela falência da sociedade, pela violência urbana, pelo consumo de drogas, pela violência doméstica – como se não conhecessem algum desses itens. Dizem que as famílias negras pobres estão em desintegração por causa de algum defeito inerente – o que implica dizer que veem os brancos como melhores que os negros – defeito que essas famílias pobres devem tratar de consertar. 

Colete e regurgite todo esse lixo simplista racista, e você estará qualificado para assinar coluna no The New York Times. Bajular famílias brancas ricas sempre é bem negócio nos EUA. 

Se você é negro, e papagueia as mesmas pirações racistas dos brancos ricos, os brancos ricos enlouquecem de alegria. São capazes de cometer o desatino de oferecer-lhe palanques. Você pode até vir a ser presidente ou juiz da Suprema Corte. Dão-lhe programa de entrevistas na televisão, ou emprego bem remunerado numa universidade. Você receberá dinheiro para a sua fundação. Você pode publicar livros de autoajuda. Aparecerá dinheiro para fazer seus filmes. Pode acontecer até de você ser contratado para presidir uma empresa. 


Negro contratado para presidir uma "grande empresa"...

As famílias brancas, dizem os seus elogiadores profissionais, muito tentaram ajudar. As famílias brancas ricas deram incontáveis recursos aos pobres, muitos programas governamentais para erguê-los acima da pobreza. Muita, muita caridade, a mais generosa. Mas os negros, dizem eles, assim como outros pobres de cor, deixam-se derrotar pelas próprias atitudes e pelo próprio comportamento autodestrutivo. Programas governamentais são, pois, desperdiçados, com essa gente irresponsável. 

As famílias pobres, dizem os bajuladores de brancos ricos, nunca serão redimidas, se não se autorredimirem. Nós queremos ajudar, dizem os brancos ricos, mas os negros pobres têm vestir as calças, ficar na escola, dar jeito de se educarem, encontrar um emprego, dizer “Não às drogas” e respeitar a autoridade constituída. Se não fazem isso... merecem o que têm. E o que a família negra média consegue em termos econômicos é um níquel para cada dólar embolsado pela família branca média. 

Desde os dez anos, bolsista de uma escola de elite em New England, tive de aprender a conhecer a patologia das famílias brancas ricas. Não é experiência que eu recomende a alguém. Anos depois, por decisão pessoal, mudei-me para Rosbury, Boston, quando estava no seminário. Vivi do outro lado da rua de um dos projetos de moradia mais pobres da cidade, e era responsável por uma pequena igreja no centro do projeto, por quase três anos. Eu já tinha um sentimento de profundo desprezo contra famílias brancas ricas, e ele só aumentou depois de ver o que eles faziam contra os mais pobres. Gente branca rica, concluí depois da minha infância e dos meus anos em Roxbury, são sociopatas. 

A miséria e o colapso da família e da comunidade em Roxbury não eram causados por alguma patologia inerente das famílias negras. Os ricos que tratavam os pobres como refugo humano eram a causa de todos os problemas. Camadas superpostas de racismo institucionalizado – os tribunais, as escolas, a polícia, os oficiais de condicional, os bancos, o acesso fácil às drogas, o desemprego endêmico e o subemprego, as estruturas em colapso e o sistema prisional – tudo efetivamente sempre conspirou para assegurar que os pobres permanecessem pobres. Drogas, crime, famílias em desintegração são resultado da pobreza, não da cor da pele. Vê-se o mesmo quadro também entre brancos pobres. Tire todas as oportunidades, encha a vida dos pobres de desespero e desesperança, e o resultado é o mesmo, entre brancos ou entre negros. Mas aí está exatamente o que famílias brancas ricas não querem que ninguém saiba. Se se soubesse de tudo isso, os ricos teriam de ser responsabilizados. 


Divisão da riqueza nos EUA

Michael Kraus, Paul Piff e Dacher Keltner, cientistas sociais da Universidade da California, completaram uma pesquisa que os levou a concluir que os pobres têm mais empatia que os ricos. Os pobres, dizem eles, não conseguem dominar o ambiente em que vivem. Têm de construir relacionamentos com outros, para sobreviver. É coisa que só é possível se os pobres aprenderem a ler as emoções à sua volta e responder adequadamente a elas. Para isso, é indispensável que os pobres se olhem, uns os outros. Com isso se tornam mais sensíveis ao próximo. Os ricos, que podem dominar o ambiente em que vivem, não têm de se incomodar com o que outros sintam ou pensem. Estão no comando. Conseguem o que querem. O que querem que seja feito é feito. E quanto mais vivem no centro do próprio universo estanque, mais duros, mais insensíveis e mais cruéis se tornam. 

A família branca rica tem excepcional aptidão para o crime. Membros de famílias brancas ricas comandam corporações falidas (pensem nos Irmãos Lehman), fraudam acionistas e investidores, vendem hipotecas podres como se fossem investimentos dourados a fundos de pensão, comunidades e escolas e quando a coisa toda explode, ainda saqueiam o Tesouro dos EUA. Roubam centenas de milhões de dólares em Wall Street mediante fraude e assaltos, pagam poucos impostos ou nenhum, praticamente jamais vão para a cadeia, escrevem as leis e regulações que legalizam seus próprios crimes e, depois, são convidados a participar da direção das universidades de elite, ou tomam assento nos boards das grandes empresas privadas. Inventam fundações e são admirados como filantropos. E se acabam por meter-se em coisa realmente grave, têm os advogados mais caros e todos os seus “contatos” nas elites políticas, para se safarem. 

Isso é preciso reconhecer nas famílias brancas ricas: roubam com muito mais finesse que qualquer outra família. Se você é adolescente negro pobre e salta de uma caminhonete com alguns vidros de shampoo que acabou de roubar, o mais provável é que seja assassinado a tiros, pelas costas, ali mesmo na calçada ou, então, é condenado a anos de cadeia. Se houvesse Olímpiadas de crime, as famílias brancas ricas levariam todas as medalhas; as famílias negras pobres teriam sorte se ficassem menos de cem metros atrás do último classificado. Nem sei por que há negros que tentam competir com os brancos, no setor “crime”. Comparados aos criminosos brancos, os criminosos negros são lastimáveis fracassos. Os monarcas do crime são gente branca, que chafurdam na própria riqueza, enquanto vão trancafiando nas prisões porcentagem enorme de homens pobres negros. 

Famílias brancas ricas são também os matadores mais eficientes que há no planeta. É verdade há já 500 anos, começando na conquista da América e no genocídio contra os povos nativos norte-americanos, e continuando hoje, nas guerras dos EUA no Oriente Médio. As famílias brancas ricas não matam com as próprias mãos. Não precisam arriscar o próprio pescoço nas ruas das cidades nos EUA ou no Iraque. Mas contratam gente, quase sempre pobres, para matar por elas. Famílias brancas ricas queriam o petróleo do Iraque, ergueram bandeiras e entoaram slogans patrióticos, e assim arregimentaram legiões de crianças pobres para guerrear em nome delas e passar a mão nos poços de petróleo do Iraque. 

Casal branco rico típico

Famílias brancas ricas queriam guerra sem fim para benefício da indústria de armas. Foi só convocar para uma guerra ao terror, que conseguiram o que queriam. Famílias brancas ricas queriam que a polícia usasse impunemente força letal contra os pobres e que os prendessem aos milhares, inchando ainda mais as prisões dos EUA com 25% da população prisional do planeta. Foi só criar uma rede de leis antidrogas e militarizar os departamentos de Polícia, que conseguiram o que queriam. 

A beleza de fazer outros matarem por você é que você consegue se fazer passar por “razoável” e “bom”. Assim, você logo pode pôr-se a matar pobres muçulmanos por serem fanáticos furiosos. Você consegue divulgar a mensagem da tolerância num sorriso de querubim – o que implica continuar a tolerar os crimes e a violência cometidos por norte-americanos brancos ricos. 

Compare os tiros partidos de um carro em movimento em Watts e o bombardeio de saturação no Vietnam. Compare as guerras de gangues em Chicago e o ataque da polícia militarizada contra pelo menos um homem negro por dia, praticamente todos os dias. Ninguém produz mais rapidamente maior número de cadáveres que os ricos brancos. Só no Iraque, produziram um milhão de cadáveres, só até agora. E os ricos e poderosos que matam números espantosos de pessoas nunca vão para a prisão. Podem aposentar-se e ir viver num rancho em Crawford, Texas, e pintar retratos ridículos de líderes mundiais copiados de Google Image Search. 

Não há decadência como a decadência dos brancos ricos. Conheço um bilionário que, aposentado, passa o dia num iate fumando maconha e tratado por uma resma de prostitutas caras. Os filhos das famílias brancas ricas – cercados de empregados e cevados em escolas privadas, nunca voam em aviões de carreira nem se servem do transporte público – desenvolvem o ócio e a preguiça como meio de vida, quase sempre embalado em drogas, que com frequência os levam a desperdiçar completamente a própria vida, como parasitas sociais. As mães não precisam ser mães. Os pais não precisam ser pais. Babás e porteiros fazem o serviço. Os ricos vivem encastelados em reinos privados, protegidos por sua própria guarda privada, nos quais o mundo real não se intromete. São filisteus culturais ocupados com acumular mais riqueza e mais propriedades. O “sucesso material”, como escreveu C. Wright Mills, “é a única e verdadeira base da autoridade”. Misturam-se ao mundo das celebridades. E jornais e televisões comerciais de massa – que famílias brancas e ricas controlam – convertem-nos em ídolos a serem reverenciados só porque são ricos. Profissionais de “relações públicas” [mas que só sabem de relações privadas! :-D)))))] constroem as personas desses ricos, para o mundo exterior. Legiões de advogados atormentam e silenciam quem critique os ricos e brancos. Profissionais da bajulação promovem a sagacidade deles. Em pouco tempo, os brancos ricos estão convencidos da veracidade da mentira que criaram. 

Manifestação de negros pobres

Daniel Patrick Moynihan escreveu em 1965 o que se conhece como “Relatório Moynihan”, ou “The Negro Family: The Case for National Action” [A Família Negra: proposta de ação nacional]. O relatório concluiu que “no coração da deterioração do tecido da sociedade dos negros nos EUA está a deterioração da família dos negros”. Os oprimidos passavam a ser culpados pela própria opressão. Nenhum programa social poderia, sozinho, salvar os pobres. O relatório é exemplo clássico do modelo da economia neoliberal, ali re-embalado como uma ideologia. 

As patologias dos ricos logo nos levarão para uma ladeira econômica e ecológica. E quando mais nos afundarmos, mais os ricos, sem qualquer empatia e incapazes de compreender, determinados a manter a riqueza e os privilégios deles, mais usarão a guarda pretoriana deles, os veículos deles da comunicação de massas deles, os fantoches políticos deles, e o aparelho de vigilância e segurança deles para nos manter submissos. 

“O segredo de um grande sucesso sem causa aparente é sempre um crime jamais descoberto porque foi bem executado”, escreveu Honoré de Balzac em seu romance Le Père Goriot. 

Os ricos executaram um golpe de estado que transformou os três braços do governo dos EUA e praticamente todas as instituições, inclusive as empresas-mídia e todos os veículos comerciais de comunicação de massa em subsidiárias da empresa-estado. 

Esse golpe dá aos ricos autorização e poder para acumular riqueza inimaginável, sempre à nossa custa. O golpe permite que os ricos imponham pobreza cada vez mais incapacitante a círculos sempre crescentes da população. A pobreza passou a ser o pior dos crimes – como George Bernard Shaw escreveu, “todos os demais crimes passam a ser virtudes, se comparados à pobreza”. 


Martin Luther King e Malcolm X assassinados por serem incômodos à elite branca e rica

E a habilidade de uma elite rapace, para deixar crianças morrerem de fome; para fazer homens e mulheres sofrerem a perda da própria dignidade humana e a autoestima, porque não encontram trabalho; a ter de abandonar as próprias casas e cidades; para jogar às ruas os doentes mentais e os velhos sem teto; para cortar sempre mais os magros serviços que ainda dão algum socorro e alguma esperança aos que sofrem, para meter centenas de milhares de pobres em celas de prisões por anos e anos; para fazer guerras sem fim; para fazer curvar os mais moços, sob o peso de dívidas estudantis sem fim; para lançar o estado de terror; e para pôr fim a qualquer esperança entre os menos afortunados, tudo isso demonstra e comprova que os oligarcas brancos e ricos norte-americanos são a força mais destrutiva e mais perigosa ativa hoje nos EUA.




[
*] Chris Hedges, repórter laureado com Prêmio Pulitzer, mantém coluna regular em Truthdig às 2as-feiras. Formou-se na Harvard Divinity School e foi durante quase duas décadas correspondente no exterior do The New York Times. Hedges é autor de 12 livros, entre os quais War Is A Force That Gives Us Meaning, What Every Person Should Know About War, e American Fascists: The Christian Right and the War on America o best-seller (New York Times), Days of Destruction, Days of Revolt (2012), do qual é coautor, com o cartunista Joe Sacco. Seu livro mais recente é Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle.








Turquia - Baleada na cabeça por participar em 'Operação Triunfo' A jovem de 19 anos encontra-se no hospital em estado crítico após ter sido baleada na cabeça na madrugada desta segunda-feira. Família não concordava com a sua participação no concurso de talentos. (inclúi vídeo)

Turquia Baleada na cabeça por participar em 'Operação Triunfo'



A jovem de 19 anos encontra-se no hospital em estado crítico após ter sido baleada na cabeça na madrugada desta segunda-feira. Família não concordava com a sua participação no concurso de talentos.
Mutlu Kaya, uma jovem de 19 anos, está em estado crítico num hospital de Diyarbakir, a maior cidade curda da Turquia, porque participou num programa de talentos muito similar à 'Operação Triunfo'.
A aspirante a cantora foi baleada na cabeça na madrugada desta segunda-feira, por um indivíduo desconhecido.
Reporta do El Mundo que após a primeira participação da jovem no programa, a 17 de abril (que pode ver no vídeo acima), os jornais locais começaram a noticiar que Mutlu estava a receber ameaças de morte da parte do clã do seu pai.
“Quando souberam que ia ao concurso, disseram que me iam matar. Tenho medo”, terá dito a jovem ao jornal Posta.
O El Mundo recorda que o sudoeste turco assiste a muitos crimes deste género – crimes de honra familiar – que muitas vezes são disfarçados de suicídio pelos agressores.
A plataforma ‘Stop Feminicidios’ indicou à mesma publicação que, só em 2014, 294 mulheres foram assassinadas, sendo que 47% morreram por se tentarem tornar mais independentes. Este ano, até à data, já morreram 91 mulheres.

video

PEOPLE ARE AWESOME (Kids Edition) - COMEÇAM ASSIM

D.LEONOR DE ALMEIDA LORENA E LENCASTRE - A MARQUESA DE ALORNA

Alorna (D. Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, condessa de Oeynhausen, 7.ª condessa de Assumar e 4.ª marquesa de).

n.      31 de outubro de 1750.
f.       11 de outubro de 1839.





Notável poetisa. Nasceu em Lisboa a 31 de outubro de 1750, faleceu em Benfica a 11 de outubro de 1839. Era filha primogénita do 2.º marquês de AIorna e 4.º conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, e de sua mulher, D. Leonor de Lorena e Távora. (V. 2.º marquês de Alorna). Era irmã do 3.º marquês de Alorna e 5.º conde de Assumar, D. Pedro de Almeida de Portugal, e de D. Maria de Almeida, que casou com D. Luís António da Câmara, 6.º conde da Ribeira Grande.
D. Leonor de Almeida teve uma infância muito atribulada, pois logo na idade de oito anos foi encerrada como prisioneira em companhia de sua mãe e sua irmã no convento de Chelas, enquanto que seu pai fora preso e encarcerado na torre de Belém, passando depois para o forte da Junqueira, como suspeito de ter tido conhecimento do célebre crime dos Távoras. O marquês de Pombal ordenara aquela prisão, em vista dos laços de parentesco que ligava a família dos marqueses de Alorna com a dos marqueses de Távora. Este grande infortúnio durou dezoito anos, findos os quais, por morte do rei D. José, D. Maria I, subindo ao trono, mandou pôr em liberdade todos os prisioneiros do Estado; alguns, porém, não quiseram usar da liberdade sem que primeiro fosse proclamada a sua inocência. O marquês, seu pai, entrou neste número.
Na sua reclusão do convento de Chelas, passou a primeira quadra da vida, em companhia de sua mãe e de sua irmã, entregando-se a profundos estudos, à composição de melodiosas poesias, que alcançaram grande fama e que figuraram depois nas suas obras completas com o titulo de Poesias de Chelas. Estavam então em moda os chamados outeiros pela corte, e principalmente pelos conventos, e além dos sócios da Arcádia, havia bons poetas, entre os quais se distinguia Francisco Manuel do Nascimento, com o nome Flinto Elísio. Este poeta, com alguns amigos, começou a ir ao convento de Chelas, recitando versos, pedindo motes às freiras, esperando nessas ocasiões encontrar D. Leonor de Almeida e ouvi-la na grade. Com efeito a jovem poetisa apareceu, brilhou e confundiu os admiradores do seu talento. Data destes encontros o nome de Alcipe, com que eles a celebraram, assim como o deDaphne, que deram a sua irmã, D. Maria de Almeida, futura condessa da Ribeira Grande.

Era permitido e tolerado em todos os conventos, nessa época, quando alguma senhora, freira ou secular, se via gravemente enferma, e algum parente insuspeito a queria visitar, como pai, irmão ou filho, tomar este o lugar dum dos criados do convento, e conduzir à cela da enferma qualquer coisa que por outra pessoa não conviesse que fosse levada. Achava-se a marquesa muito doente, e vinha para lhe falar seu filho D. Pedro, depois 3.º marquês de Alorna; D. Leonor, vendo o irmão chegar à portaria, e estando ali o aguadeiro com o barril, fez com que D. Pedro pusesse o barril às costas, e assim fosse encontrar-se com sua mãe. Havia, porém, a circunstância desta senhora ser presa do Estado, o que causou grande impressão, havendo denuncia para o arcebispo de Lacedemónia. O prelado obrigou D. Leonor a não sair da cela, determinando-lhe que cortasse os cabelos e se vestisse de cor honesta. D. Leonor no fez caso desta ordem, e quando o arcebispo voltou, ameaçou-a com o marquês de Pombal, ao que a distinta poetiza respondeu com altivez que não era professa. O arcebispo conteve-se, e desistiu de a apoquentar.


Seu pai enviava-lhes com dificuldade cartas escritas com o seu próprio sangue, a que a jovem poetisa começou a responder, desde que completou onze anos de idade, em consequência da enfermidade de sua mãe. Houve um momento em que mostrou desejos de professar, pelo desgosto inaudito que sofreu, vendo que tinha perdido uma das cartas de seu pai; chegou a fazer os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola, que em lugar de dez dias, segundo a prática, foram de vinte. Dissuadiu-a desse propósito frei Alexandre da Silva, tio de Almeida Garrett (V. este nome), e que depois foi bispo de Malaca. Apesar dos seus trabalhos artísticos e literários, porque D. Leonor entregava-se também à pintura, dispunha ainda dalgumas horas para se dedicar ao serviço de enfermeira, de refeitoreira e de organista do convento. Conhecia a fundo varias línguas, tinha uma vasta instrução científica, desenhava e pintava admiravelmente, sem desdenhar ao mesmo tempo as prendas próprias do seu sexo. Era de carácter afável, sabia amenizar com a sua meiguice e candura filial as amarguras de sua pobre mãe, tornara-se muito querida pela sua amabilidade de todas as religiosas do convento.


Quando o marquês saiu da prisão, dirigiu-se ao convento, onde na grade o esperavam sua mulher e filhas, acompanhadas de parentes e mais pessoas para o cumprimentarem. O marquês e sua família foram viver para a quinta de Vale de Nabais, que possuiam nas proximidades de Almeirim. Mais tarde voltaram para Lisboa. O marquês reunia então nas suas salas a mais brilhante e aristocrática sociedade, tanto de portugueses como de estrangeiros. D. Leonor de Almeida era o encanto e o enlevo daquela brilhante e distinta sociedade, seu talento elevado, espírito finíssimo, o prestígio do infortúnio que sofrera, a audácia de ter afrontado as iras do marquês de Pombal, a tornavam digna da maior consideração e respeito. Enamorou-se então dum fidalgo alemão, o conde Carlos Augusto de Oeynhausen, que viera a Portugal com seu primo, o conde de Schaumbourg-Lippe, o qual fora contratado em 1762 pelo marquês de Pombal para organizar e comandar o nosso exército. O conde de Oeynhausen, para desposar D. Leonor de Almeida, não duvidou converter-se à religião católica. O casamento realizou-se em 15 de fevereiro de 1779, sendo madrinha a rainha D. Maria I e padrinho o rei seu marido, D. Pedro III. O conde foi armado cavaleiro da Ordem militar de Cristo, cerimónia a que assistiu toda a corte. A rainha deu-lhe o abraço ou acolade, o rei pôs-lhe o cinturão e tocou-lhe com a espada nua, os príncipes D. José e D. João ajudaram os reis seus pais na investidura. Tendo o comando do 1.º Regimento de Infantaria do Porto, o conde de Oeynhausen foi residir com sua esposa para aquela cidade; mais tarde teve a nomeação de ministro plenipotenciário de Portugal em Áustria; partiram então para Viena, por terra, ficando uma filhinha, que já havia nascido daquele matrimónio, em poder da marquesa de Alorna, sua avó. Na viagem, demoraram-se nas cortes de Espanha e de França, sendo a condessa recebida o mais lisonjeiramente pelos monarcas daqueles dois países, Carlos III e Luís XVI. Chegando a Viena de Áustria, ganhou logo as simpatias da imperatriz Maria Teresa e do seu sucessor, D. José II. Quando o pontífice Pio VI foi visitar este imperador, também teve a honra de ser recebida pelo papa, assistindo a todas as festas e cerimónias que então se fizeram em homenagem àquela visita. A condessa tornou-se bem depressa notável em Viena como poetisa, e pelos seus trabalhos de pintura. Mandou para Lisboa, a seu pai, o quadro da Soledade; o quadro Amor conjugal foi oferecido à princesa D. Maria Benedita, irmã de D. Maria I. Este quadro ardeu no incêndio do paço de Ajuda. Pintou outros quadros, entre os quais figurava o seu retrato e uma cópia da Sibila, de Guido Reni. A maior parte destes trabalhos ficaram perdidos. A sua saúde não se dava bem com o clima da Áustria; essa razão e os negócios de sua casa que reclamavam a sua presença, obrigaram o conde de Oeynhausen a voltar para Lisboa. Foi então nomeado inspector-geral de infantaria com o posto de tenente-general. Estava também nomeado governador do Algarve, quando faleceu a 3 de março de 1793, tendo apenas cinquenta e quatro anos de idade. D. Leonor de Almeida sentiu muito a morte de seu marido, e retirou-se com seus filhos para as suas propriedades de Almeirim, onde esteve algum tempo, e depois para outras que também possuía em Almada. Entregou-se à educação dos filhos, tornando-se muito estimada por todos, pelos grandes benefícios que dispensava constantemente aos pobres; quando estava em Almeirim, pagava a uma mestra para ensinar as raparigas, tanto daquela vila como das povoações vizinhas, a ler, escrever, coser, e outras prendas próprias do seu sexo.


Sendo muito considerada e respeitada pela família real, não tardou a ser nomeada dama de honor da rainha D. Carlota Joaquina; foi encarregada de elaborar os desenhos para a decoração interna do paço da Ajuda, o que não chegou a executar. Por morte de seu pai, em 1802, partiu para Madrid e de lá para Inglaterra, onde se demorou mais tempo do que tencionava, por ter tido notícia da entrada dos franceses em Portugal e da fuga da família real para o Brasil. Frequentava muito as principais casas inglesas e a do embaixador português, D. Domingos de Sousa Coutinho, conde do Funchal. Voltou contudo, a Lisboa, em 1809; a sua situação tornava-se um tanto crítica: seu irmão, o marquês D. Pedro, partira para França comandando a Legião Portuguesa, e apesar de ter mandado seu filho para o Rio de Janeiro, os governadores do reino a intimaram com instância para sair da capital. Partiu novamente para Inglaterra, onde se demorou até 1813, ano em que faleceu D. Pedro; obtendo então licença para regressar a Portugal, veio residir para Benfica, na casa de seu neto, o marquês de Fronteira, D. José Trasimundo de Mascarenhas Barreto. A condessa empreendeu alcançar a reabilitação da memória de seu irmão, que fora condenado como traidor à pátria; só no fim de dez anos, depois de muita luta, é que o conseguiu, e foi somente nessa época que passou a usar do título de 4.ª marquesa de Alorna, e 6.ª condessa de Assumar, como herdeira de seu irmão. D. Pedro de Almeida foi o ultimo marquês da casa de Alorna.


A filha mais velha de D. Leonor de Almeida, chamada D. Leonor Benedita, casou com o 6.º marquês de Fronteira, D. João José de Mascarenhas Barreto. Por decreto de 22 de outubro de 1839, e carta de julho de 1844, ficou sendo 5.º marquês de Alorna e 7.º marquês de Fronteira, D. José Trasimundo de Mascarenhas Barreto. O título de conde de Assumar não foi renovado, e desde então o título de Alorna ficou ligado ao título de Fronteira. Depois da morte de seu filho, o conde de Oeynhausen Dom Carlos Ulrico, sucedida em 14 de agosto de 1822, a condessa ficou vivendo em grande tristeza, e poucas vezes saía do seu retiro. O título de Oeynhausen fora herdado por morte de seu pai; era o de um condado alemão. A marquesa de Alorna só compareceu na abertura real das Cortes em 1826, servindo de camareira-mor, e em 1828, como dama de honor da infanta D. Isabel Maria, na sessão em que a infanta entregou o governo do reino a seu irmão, o infante D. Miguel. Assistiu ao Te Deum, que se cantou na Sé, quando D. Pedro e D. Maria II entraram em Lisboa; às exéquias de D. Pedro IV, ao casamento de D. Maria II com o príncipe D. Augusto de Leuchtenberg. Ao segundo casamento de D. Maria II com D. Fernando não pode assistir, por causa da sua avançada idade, mas os soberanos não se esqueceram de ir visitá-la a Benfica. No dia 24 de julho de 1833, o duque da Terceira e o marquês de Fronteira foram também visitá-la, apenas entraram em Lisboa. A rainha D. Maria II concedeu-lhe a banda da Ordem de Santa Isabel. A marquesa de Alorna também era dama da Ordem da Cruz Estrelada, da Alemanha. Faleceu com oitenta e nove anos de idade. Os títulos de 6.ª condessa de Assumar e 4.ª marquesa de Alorna foram renovados por decreto de 26 de outubro de 1833. A marquesa foi sempre súbdita multo respeitosa e obediente aos soberanos. Sendo pouco afeiçoada à medicina, e tendo por inúteis os remédios na sua idade, sua filha D. Henriqueta lembrou-se de lhe falar em nome da rainha, para que tomasse os remédios, que os médicos receitassem. Só assim consentiu em os tomar.


Das filhas da marquesa de Alorna, contam-se também: D. Juliana, que casou com o segundo conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha Albuquerque Coutinho Matos e Noronha; enviuvando, passou a segundas núpcias com o conde de Strogonoff, na Rússia, Gregório Alexandre Ironwisch; D. Henriqueta, que foi dama da rainha D. Maria II; D. Luísa, que casou com Heliodoro Jacinto Carneiro de Araújo, fidalgo cavaleiro da Casa Real, do conselho de D. João VI.


As obras da marquesa de Alorna foram publicadas depois da sua morte, e são as seguintes: Obras poéticas de D. Leonor de Almeida, etc., conhecida entre os poetas portugueses pelo nome de "Alcipe", Lisboa, 1844, com o retrato da autora. São seis volumes. Tomo I: Notícia biográfica da marquesa, seguida de outra notícia histórica de seu esposo o conde de Oeynhausen; Poesias compostas no mosteiro de Chelas; Poesias escritas depois da saída do mosteiro de Chelas. - Tomo II: Continuação das poesias líricas, escritas depois da saída do mosteiro de Chelas.- Tomo III: A primavera,tradução livre do poema das Estações de Thompson; os primeiros seis cantos doOberon, poema de Wieland, traduzidos do alemão; Darthula, poema traduzido de Ossian; tradução de uma parte do livro I da Ilíada em oitava rima -Tomo IV: Recreações botânicas, poema original em seis cantos; O Cemitério da aldeia, elegia, imitada de Gray; O Eremita, balada imitada de Goldsmith; Ode, imitada de Fulvio Testi; Ode de Lamartine a Flinto Elísio, traduzida; Epistola a lord Byron, imitação da 2ª meditação de Lamartine; imitação da 28ª meditação do mesmo poeta, intitulada: Deus - Tomo V: Poética de Horácio, traduzida com o texto; Ensaio sobre a critica, de Pope com o texto;O rapto de Proserpina, poema de Claudiano em quatro livros com o texto - Tomo VI: Paráfrase dos cento e cinquenta salmos que compõem o Saltério, em várias espécies de ritmo seguida da paráfrase do vários cânticos bíblicos e hinos da igreja. Parece que a paráfrase dos salmos não fora feita sobre a vulgata, mas sim sobre a versão italiana de Xavier Matthei. Uma parte do Saltério já fora publicada em vida da autora, num volume de 4.º, impresso em Lisboa, em 1833. A outra parte saíra também anteriormente com o título: Paráfrase e vários salmos, Lisboa, 1817; também haviam sido impressas em Londres em 8.º gr. as traduções da Poética de Horácio, e do Ensaio sobre a crítica,de Pope. Também foi publicada ainda em vida da autora: De Buonaparte e dos Bourbons; e da necessidade de nos unirmos aos nossos legítimos príncipes, para felicidade da França e da Europa: por F. A. de Chateaubriand. Traduzido em linguagem por uma senhora portuguesa, Londres, 1814; Ensaio sobre a indiferença em matéria de religião: tradução. de Lamennais, Lisboa, 1820, 2 tomos; Estudo biográfico-crítico, a respeito da literatura portuguesa, de Romero Ortiz, de págs. 61 a 96, que saíra também na Revista de España, tomo IX; Elegia à morte de S. A. R. o príncipe do Brasil o Sr.. D. José, Lisboa, 1788.

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SÓZINHA NO BOSQUE - POESIA DA MARQUESA DE ALORNA






Sozinha no bosque


Com meus pensamentos,
Calei as saudades.
Fiz trégua a tormentos.

Olhei para a Lua,
Que as sombras rasgava,
Nas trémulas águas
Seus raios soltava.

Naquela torrente
Que vai despedida.
Encontro assustada
A imagem da vida.

Do peito, em que as dores
Já iam cessar,
Revoa a tristeza
E torno a pensar.

Marquesa de Alorna


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 AUTO RETRATO



História de Olhão - Os achados arqueológicos comprovam a presença humana na área do Concelho de Olhão desde o Neolítico. - As fortalezas da Ria Formosa

História de Olhão
Os achados arqueológicos comprovam a presença humana na área do Concelho de Olhão desde o Neolítico.
A ocupação romana deixou vestígios importantes em Olhão (tanques de salga de peixe descobertos em 1950, durante a construção do Porto de Pesca) e em Marim, junto à Ria, onde existia uma importante villa agrícola e pesqueira no séc. II ao IV. Aqui os romanos construíram salinas e implementaram a indústria de pesca e salga de peixe, cujos produtos eram depois exportados para todo o Império (alguns antigos tanques de salga de peixe estão actualmente expostos no Parque Natural da Reserva da Ria Formosa).
Com a queda do Império Romano e a chegada dos Visigodos, Marim continuou a ser um local importante, no qual foi encontrado uma lápide cristã datada do séc. VI.
A ocupação árabe iniciou-se no séc. VIII e apenas terminou no séc. XIII, tendo deixado memórias e um legado importantíssimo em todo o Algarve mas, no caso específico de Olhão, embora seja considerada uma terra de características acentuadamente mouriscas, não se conhece qualquer construção importante deixada pelos árabes! Esta é uma das singularidades históricas de Olhão: é a única terra com características mouriscas construída por europeus, sem qualquer herança histórica mourisca! As razões que explicam uma tal singularidade são expostas no final deste documento. 
Após a expulsão dos árabes do Algarve no séc. XIII, Marim continua a ser o povoamento mais importante da região que, aliás, poderá estar associada à origem de Olhão, tanto por ter sido o primeiro ponto de fixação humana na região, como por ter um grande olho de água doce e que poderia ter dado origem ao topónimo de Olhão (no entanto, segundo a maioria dos historiadores, o grande olho de água que deu origem ao topónimo não se encontrava em Marim, mas sim perto do actual Jardim João Serra - o "Poço Velho"). Efectivamente, no reinado de D. Diniz, em 1282, iniciou-se a construção da Torre de Marim, cujos restos ainda existem na actual Quinta de Marim, para vigiar a Barra Velha (na época a única entrada do mar para a Ria Formosa na região entre a Fuseta e Faro) e proteger os habitantes dos ataques dos piratas mouros. Esta Quinta foi desde logo uma rica empresa agrícola, atendendo à fartura de água da sua nascente, o que aliás está relacionado com a bonita Lenda da Moura de Marim.
Em data incerta (provavelmente séc. XVI e até 1840) instalou-se aqui uma armação do atum que atraía algumas dezenas de pescadores de Faro, acompanhados pelas famílias, nos meses de Março, Abril e Maio. 

Certamente alguns destes pescadores, ao verificarem a abundância de peixe da Ria Formosa, decidiram permanecer nas humildes cabanas construídas de madeira, canas e palha, onde hoje se ergue a zona antiga da cidade.
O primeiro documento que se refere a um "logo que chamam olham" é datado de 1378 e, em 1614, os registos da Paróquia de Quelfes já se referiam aos moradores da Praia de Olhão, que na época integravam esta paróquia.

A população foi crescendo e, em 1652, a sua importância justificava a construção daFortaleza de São Lourenço, primeiro para defesa contra os espanhóis, e depois, para defesa contra os ataques dos piratas argelinos.


Fotografia editada na década de 1940 e tirada provavelmente na Culatra, onde se vêem cabanas muito semelhantes às utilizadas pelos primeiros olhanenses (Fonte: Passos, José Manuel Silva - O Bilhete Postal Ilustrado e a História Urbana do Algarve - Caminho, 1995)
Só em 1695 o Lugar de Olhão se constitui como nova freguesia autónoma de Quelfes. O primeiro edifício de pedra foi a Igreja da Nossa Senhora da Soledade, construída em data incerta, e o segundo edifício de pedra foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, começada em 1698 e terminada em 1715.
Também só neste ano de 1715 é autorizada a primeira habitação em alvenaria, dada expressamente pela Rainha ao mareante João Pereira. Efectivamente, o poder político em Faro sempre recusou construções de alvenaria em Olhão até esta data.
Curiosamente, o Marquês de Pombal, em inquérito efectuado no então Reino do Algarve perguntava pela identificação dos notáveis de cada localidade. Olhão não tinha quaisquer notáveis! Era uma pequena localidade sem aristocracia, apenas constituída por homens do mar, a quem recusavam tanto a autonomia administrativa como o direito à construção de uma simples casa de alvenaria!
No entanto, Olhão foi-se construindo de uma forma igualitária, livre, e frequentemente à revelia e em rebelião com o Poder político instituído, representado sobretudo pelas duas importantes cidades vizinhas - Faro e Tavira.
Em 1765, e sempre com a firme oposição de Faro, El-Rei D. José concede finalmente aos mareantes do Lugar de Olhão (então com 850 fogos) a autorização de se separarem da Confraria do Corpo Santo de Faro, constituindo eles  mesmos uma confraria sua, que suportariam às suas custas - o Compromisso Marítimo. A construção do edifício do Compromisso Marítimo, onde actualmente se situa o Museu da Cidade, finalizou em 1771.
Foi durante o cerco de Gibraltar, de 1779 a 1783 (imposto pelas armadas francesa e espanhola), e mais tarde o de Cadiz, que os marítimos deste Lugar de Olhão tiveram oportunidade de progredir economicamente, comercializando com grandes lucros os produtos da terra - peixes e derivados - quer com sitiantes quer com sitiados.

Mas foram as invasões francesas que deram a oportunidade a Olhão de se afirmar politicamente.
Provavelmente devido ao seu espírito igualitário, sem compromissos com quaisquer poderes instituídos, os olhanenses protagonizaram no séc. XIX a primeira sublevação bem sucedida contra a ocupação francesa (em 16 de Junho de 1808, actualmente o dia da Cidade), que se tornou um rastilho decisivo para a expulsão dos franceses do Algarve.

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Este momento histórico foi determinante para a emancipação de Olhão, porque o rei D. João VI (1767-1826), então refugiado no Brasil, recebeu a boa nova da expulsão dos franceses através de um punhado de olhanenses que se meteram ao mar a bordo do   caíque "Bom Sucesso" no dia 6 de Julho de 1808, numa viagem heróica, apenas orientados pelas estrelas, as correntes marítimas e um mapa rudimentar! O rei, reconhecido pela iniciativa da sublevação e pelo heroísmo da viagem marítima, elevou o pequeno e desconhecido Lugar de Olhão a vila, em 1808, com o epíteto de Vila da Restauração (ver alvará régio).
De 1826 a 1834 os olhanenses lutam encarniçadamente por D. Pedro contra D. Miguel, transformando-se a vila num dos  mais fortes baluartes do Liberalismo no sul do País, resistindo a apertados cercos e violentos ataques dos Miguelistas.


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éplica do Caíque Bom Sucesso (embarcação com 18 metros e tripulada por cerca de 15 homens) lançada à água em 2002.
Em 1842 é criada na vila uma Alfândega que, em cerca de 20 anos, se torna o mais importante posto aduaneiro do Algarve devido à pesca e outros produtos algarvios. Por esta razão em 1864 é criada uma Capitania do Porto e, em 1875, o Tribunal Judicial de Olhão.
Na última metade do séc. XIX, a actividade comercial desenvolvida pelos marítimos olhanenses, cresceu imenso, estendendo-se até ao Mediterrâneo Oriental. São conhecidos nesta época contactos com o Mar Negro (em 1871, um caíque capitaneado por António da Silva Guerreiro, foi até Odessa, na Rússia, para comprar cereais) e outras paragens como Oram, Nemours, Philippoville, Sardenha. Nesta época, os olhanenses têm também um enorme impacto na colonização do litoral desértico do sul de Angola (saiba mais aqui).
São os contactos comerciais e a emigração para Marrocos que leva muitos olhanenses a construir as suas habitações de modo semelhante, cúbicas e caiadas de branco, o que valeu a Olhão a alcunha de "vila cubista". Isto explica porque Olhão é o único exemplo de povoamento moderno e ocidental (nunca foi um povoamento árabe) com características vincadamente mouriscas.
Na primeira metade do séc. XX, a instalação da indústria de conservas de peixe, fez de Olhão uma vila rica e extremamente produtiva. A primeira fábrica de conservas surgiu em 1881, fundada pela empresa francesa Delory, e em 1919 já existiam cerca de 80 fábricas. Talvez expressão desse desenvolvimento foi o facto de o Sporting Clube Olhanense ter-se consagrado Campeão Nacional de Futebol em 1924.
Infelizmente, na última metade do séc. XX, a decadência da indústria conserveira e da própria pesca empobreceu a vila que, no entanto, foi elevada a cidade em 1985.
Actualmente, Olhão renasce com o mesmo espírito igualitário e de liberdade que a define. Continua a ter na pesca um dos esteios da sua economia, mas começa a lançar-se de forma decidida no turismo de qualidade, com a recente construção do porto de recreio.
Em 16 de Junho de 2002, a autarquia lançou à água uma réplica do caíque "Bom Sucesso", que actualmente promove visitas e passeios guiados ao longo da Ria Formosa. Esta embarcação está ancorada entre os Mercados Municipais.

Viva Olhão! Cidade cubista, da liberdade, igualdade e fraternidade!


Fortalezas
Foram construídas várias Fortalezas para defesa da Ria Formosa. No concelho de Olhão as mais importantes foram as duas Fortalezas para a defesa da antiga Barra de Olhão, actual Barra Velha, entre a ilha da Culatra-Farol e ilha da Armona:

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A Fortaleza de S. Lourenço foi projectada em 1644, ainda em plena Guerra Peninsular entre portugueses e espanhóis, sobre ruínas de outra fortaleza do tempo de El-Rei D. João III. A sua construção foi iniciada logo em 1652 e um ano depois já estava apta a defender a Barra contra eventuais incursões marítimas quer dos espanhóis quer dos piratas muçulmanos. No entanto, parece ter sido concluída apenas em 1679. A sua guarnição inicial foi 1 oficial subalterno, 1 sargento, 1 cabo e 10 soldados. Esta fortaleza foi muito destruída pelo terramoto de 1755, pelo que o seu comandante a partir de 1758 já residia habitualmente em Olhão. Em 1772 o mar arruinou-a quase por completo, obrigando a que a sua reduzida guarnição fosse rendida de oito em oito dias.

Foto orientada de SE-NW: vê-se Olhão à esquerda e a ilha da Armona à direita; a barra velha fica no extremo direito (dia 11-10-2006)

Em 1798 foi mandada restaurar e em 1808, quando os olhanenses se revoltaram contra o exército francês, a guarnição desta Fortaleza recusou qualquer ajuda aos marítimos que para lá rumaram procurando armas. Em 1821 já não haveria guarnição alguma e em 1840 só existiam fragmentos da muralha e ermida. O nome da Fortaleza veio do facto de ter sido o Conde de S. Lourenço, a exercer o cargo de Governador do Algarve entre 1642 e 1646, a decidir-se pela sua construção.
A planta desta Fortaleza foi elaborada pelo Eng. Pedro de Sta. Comba, era quadrilátera com 4 baluartes e ainda uma plataforma para peças de artilharia.

Foto orientada de W-E: vemos um canhão (apontado para nós) e à frente uma lage de pedra redonda. No horizonte está a ilha da Culatra (dia 11-10-2006)

 Para o embasamento da estrutura foram utilizadas 2000 traves de pinho! Tinha ainda uma ermida. Situava-se numa zona actualmente submersa na maré alta, perto da actual ponta sueste da ilha do Coco (ou ilha de S. Lourenço). Ainda hoje se pode ver no local, com a maré vazia, três canhões de ferro submersos e uma grande pedra redonda, cujo significado desconheço. No princípio da década de 1980 ainda existiam muitas pedras nas imediações que foram sendo aproveitadas pelos viveiristas ao longo dos anos.

Foto orientada de N-S: dois canhões apontando para a Barra velha, limitada à esquerda pela ilha da Armona e à direita pela ilha da Culatra (dia 11-10-2006)
Desde 2006, esta Fortaleza tem sido alvo de investigação arqueológica pelo Centro de Estudos do Património da Universidade do Algarve (Dr. Mário Rodrigues Ferreira). Neste âmbito, maquete seguinte foi construída pelos arqueólogos Hugo Oliveira e Magda Gonzaga:

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A Fortaleza da Armona foi edificada em 1747, na ponta oriental da Barra, mas com o terramoto de 1755 e a deslocação da barra para levante, devido às correntes costeiras predominantes, rapidamente ficou inactiva. Em 1808, durante a sublevação dos olhanenses contra os franceses, alguns marítimos olhanenses vieram aqui roubar armas para o levantamento. Ao que parece existiria ainda uma segunda fortaleza na Armona no enfiamento do actual Restaurante dos Belgas, que teria sido construído na Guerra da Restauração  (1640-1668) e cujas ruínas ainda eram perceptíveis na década de 1960.

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Além destas fortalezas na Barra Velha de Olhão, foram ainda construídas fortalezas na Barreta, Barra Nova e a Fortaleza da Barra da Fuzeta. Esta última, segundo testemunho do padre de Moncarapacho, datado de 1758,  ficava defronte à barra e tinha um canhão e uma guarnição de um artilheiro e quatro soldados vindos de Tavira. Desconhecemos quando foi construída e abandonada. Parece ter havida uma outra fortaleza na praia da Fuzeta, construída na Guerra da Restauração  (1640-1668), cujas ruínas ainda podiam ser vistas em 1945, de acordo com um relatório do General João de Almeida.
António Paula Brito


Bibliografia:
bulletD’Athaide Oliveira, Francisco Xavier - Monografia do Concelho de Olhão da Restauração - 1906
bulletGomes, João Honrado - As Fortificações do Concelho de Olhão - Jornal "O Olhanense", 1-9-2006
bulletNobre, Antero - História Breve da Vila de Olhão da Restauração, Olhão, Ed. O Sporting Olhanense, 1984
bulletPassos, José Manuel Silva - O Bilhete Postal Ilustrado e a História Urbana do Algarve - Caminho, 1995
bulletTeodomiro Neto - Quem "descobriu" a Fortaleza  de S. Lourenço? -  Jornal "O Olhanense", 1-5-2006



Torres de Vigia ou Atalaias em Olhão
Estas torres são uma linha de estruturas modestas (a maior parte desaparecida, ou em vias de desaparecer), cuja maior concentração se encontra, actualmente, no território de Olhão. Algumas poderão ter tido origem islâmica, a maioria terá sido construída após a reconquista cristã para vigiarem a costa contra os ataques de piratas provavelmente até ao séc. XVIII. No século XIX, em 1841, João Baptista Silva Lopes refere na sua "Corografia ou memória económica, estatística e topográfica do Reino do Algarve" que todas estas torres encontravam-se já em ruínas.
Confrontadas as regiões ribeirinhas com os constantes ataques muçulmanos, a necessidade de se efectivar a segurança das populações determinou a erecção destas estruturas, cujo carácter essencialmente de vigia está bem espelhado na relativa modéstia dos seus programas construtivos.
Em todo o caso, o recurso a este modelo foi uma solução de certo sucesso, pois são ainda visíveis, um pouco por toda a costa meridional, de Tavira a Lagos, torres circulares e quadrangulares, de sistema construtivo e aspecto geral muito parecidos.


Torre de Marim



Pormenor da lápide fundacional e das armas régias
 

Torre de Marim
Após a expulsão dos árabes do Algarve, no séc. XIII, Marim era o povoamento mais importante da região que, aliás, poderá estar associada à origem de Olhão, tanto por ter sido o primeiro ponto de fixação humana na região, como por ter um grande olho de água doce e que poderia ter dado origem ao topónimo de Olhão.
Aqui apareceu uma quinta que foi morgadio desde o reinado de D. Diniz, tendo-se iniciado a construção duma torre em 1282. Sabe-se que a quinta e a torre nela incluída pertenceram à família Arrais de Mendonça, entroncada mais tarde com a família dos Côrte-Reais. Actualmente pertence aos herdeiros do Dr. João Lúcio Pousão Pereira. Foi desde sempre uma rica empresa agrícola, atendendo à fartura de água da sua nascente, o que aliás está relacionado com a bonitaLenda da Moura de Marim.
A Torre foi muito danificada pelo terramoto de 1755 e, por isso, foi mandada demolir e reconstruída menos elevada pelo então administrador.
Presentemente é difícil identificar os restos da torre, porque esta foi posteriormente rodeada por outros edifícios (na fachada Sul e Oeste). Esta torre é actualmente a única que serve de habitação particular, pelo que tem de se pedir autorização para ser visitada.
O imóvel tem planta quadrangular com 10 metros de lado e de altura, apresenta dois pisos e um terraço, sendo o térreo maciço. É uma construção de alvenaria cujas paredes têm uma espessura de 1,2 metros, com grossos silhares de pedra nos cunhais. No alçado orientado a nascente, lápide fundacional regista “Era de 1320” (1282), anexa uma segunda lápide com as armas régias. Estas armas régias são das mais antigas do Algarve e tem grande valor arqueológico «quer pela sua raridade, quer muito especialmente por ser o único brasão das armas portuguesas (...) que nos apresenta os escudetes com um número de besantes quase igual ao do sinal de D. Afonso Henriques» (transcrito de Antero Nobre).

Há ainda um fuste romano incrustado.


Torre de Bias I37º2'58.99''N
7º45'37.19''O


Torre de Bias I
É a única torre que no concelho está em vias de classificação patrimonial. Parece ter surgido num momento já tardio. Uma inscrição identificada no local, mas infelizmente desaparecida, (a que se associava uma representação das armas reais) continha a data de 1549 e uma alusão ao rei "JOANNES III", indicação clara quanto à existência de uma campanha de obras nesta altura, responsável pela edificação (ou substancial transformação) da torre. A torre possuía a entrada principal a Norte. Infelizmente, o estado de grande degradação a que chegou, impossibilita a correcta identificação de pisos. Embora existam ainda linhas de cornijamento pelas paredes, a verdade é que é impossível perceber a organização vertical da estrutura, bem como a configuração dos pavimentos e, logicamente, a forma da cobertura. A parte Sul é a melhor conservada, com uma secção de parede que se eleva a mais de 7 metros de altura, mas o interior, por exemplo, encontra-se totalmente entulhado, a uma altura de praticamente 5 metros. Os últimos dois séculos foram particularmente gravosos para esta torre. Sem qualquer plano de intervenção ao longo dos anos, chegou até hoje em estado de quase ruína. Todavia, permanece como um dos mais importantes testemunhos de vigia-defesa da costa. Está também associada à lenda da moura de Bias.


Torre de Bias II
37º2'56.14''N
7º46'13.62''O

Torre de Bias II
Completamente arruinada e bastante escondida entre os arbustos, destaca-se por se encontrar num local alto de grande beleza paisagística, sobranceira ao Canal da Regueira dos Barcos.
Encontra-se a cerca de 1 Km para Ocidente da Torre de Bias I, e a sua construção pode mesmo recuar à época islâmica, uma vez que a prospecção aqui efectuada identificou algum material deste período.





Torre de Quatrim
37º03'01´´N
07º47'55''O

 


Torre de Quatrim
Planta quadrangular simples, com três pisos e um terraço.
Fachada principal a Sul, parte superior destacada por um friso com duas gárgulas, várias seteiras e dois pequenos orifícios. O nível da cobertura é marcado por um friso que envolve todo o edifício. Sobre o mesmo existe um murete que seria ameado. São visíveis quatro goteiras e quatro seteiras.
Fachada Norte em ruína apresentando apenas pequeno muro junto ao solo.
Fachada Este com friso e vestígios do paramento que a constituía.
Fachada Oeste cega com pequeno friso superior.
No interior são visíveis pequenos orifícios correspondentes aos apoios da estrutura dos pavimentos correspondentes a pelo menos três pisos, embasamento saliente.
O imóvel terá, possivelmente, desempenhado funções de habitação de um dos primeiros senhores cristãos encarregues do senhorio e povoamento da zona (segunda metade do século XIII, inícios do século XIV)
1328 é a data provável da construção, por D. Dinis, segundo lápide outrora existente na face Sul, referida por José Almeida (1947).

É uma torre de alvenaria com reboco, distinta das outras pela sua planta quadrada e por isso também merecia obras de conservação, apesar de ser presentemente propriedade particular.


Torre da Amoreira37º 03' 07,00" N
7º 46' 56,42" O



Torre da Amoreira
Torre de vigia, muito perto de Belo Romão, pertencente a um grupo maior que faria toda a vigia da costa a sul. De planta rectílinea, composta por muro único com espessura de 0,60 m. Serve actualmente de muro separador entre uma propriedade e um caminho.




 

Torre de Aires
 



Torre de Aires
Já no Concelho de Tavira, embora ainda perto do Concelho de Olhão, é uma construção redonda, em alvenaria, talvez de origem medieval, de 5 metros de altura por 3 metros de diâmetro. Foi objecto de restauro mas não lhe terão dado a altura que antigamente tinha.
Vemos à esquerda a forma como os vigilantes subiriam para cima (através de um cabo ou escada que depois recolhiam). À direita temos um aspecto do interior da torre com o cabo enlaçado.
Trata-se de um bom exemplo de valorização do património efectuado em 1996 pelo Ministério do Ambiente e o ICN/Parque Natural da Ria Formosa. Em Julho de 2000 foi também alvo de arranjo paisagístico da zona envolvente.

O acesso é fácil porque está sinalizado  por uma placa na EN 125, entre a Fuseta e Tavira, à direita, na Ria Formosa.
Outras torres como a de Alfanxia, Quelfes, e Cumeada, todas elas no actual concelho de Olhão, não as conseguimos ainda identificar.
Bibliografia:

bulletJosé da Marta - Da Torre de Marim a Olhão – Olhão, 2004.
bulletPalestra de José da Marta (Expomar – 2007)
bulletValdemar Coutinho - Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve - Faro, 1997
bullethttp://www.e-patrimonio.com
bullethttp://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=339880
bullet http://www.olhao.web.pt

www.olhao.web.pt