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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Há quem ganhe dinheiro com políticos em jogos de sorte e azar - Num país onde o futebol é rei, a política também seduz, nem que seja para apostar

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MELISSA LOPES13/05/2015 
Num país onde o futebol é rei, a política também seduz, nem que seja para apostar

Jogos de futebol das ligas mais famosas. Eventos como o recente “combate do século” entre Mayweather e Pacquiao. Corridas de cavalos. Corridas de cães galgos. A entrega da Bola de Ouro ao melhor jogador do mundo. São exemplos de apostas que fazem qualquer visitante de casas online investir dinheiro com regularidade. E há até quem viva exclusivamente disso, como é o caso de Paulo Rebelo, apostador profissional que é também fundador da Associação Nacional de Apostadores Online. Até ao momento, o negócio das apostas tem funcionado sem qualquer legislação (sem tributação de impostos), mas o governo já deu luz verde ao diploma que irá regulamentar a actividade e deverá entrar em vigor ainda este ano.

No universo complexo da sorte e do azar, dominado pelas competições desportivas (99%), há apostas que fogem à norma e que acabam por ser notícia de tão insólitas que são. Conhecidas como não desportivas, têm uma relação directa com a actualidade do país. Não cativam os apostadores habituais, até porque “não existe nenhum método científico para aplicar a esse tipo de assuntos”, explica Paulo Rebelo, salientando que “normalmente, estas apostas são estratégias para as casas de apostas se darem a conhecer na comunicação social”. E conseguem-no.

Nos EUA e no Brasil aposta-se nos resultados eleitorais. Em Portugal chegou a apostar-se, em 2005, em quem iria vencer as presidenciais. Depois de muitas críticas da Comissão Nacional de Eleições sobre a ilegalidade da situação, a empresa Betandwin retirou a aposta do site. No Reino Unido, onde a “cultura das apostas está mais enraizada”, qualquer coisa pode ser alvo de apostas e até é possível fazê-lo de forma personalizada. O mediatismo, contudo, recai sobre questões relacionadas com a família real. E ninguém poderá esquecer que se apostou também na data da morte da cantora Amy Winehouse.

E em Portugal? Qual é o momento preferido dos portugueses para apostar? Quando nuvens negras e densas sobrevoam o governo. As apostas envolvem quase sempre uma hipotética demissão de ministros e as estatísticas dizem que não vale a pena arriscar na sua queda, por mais provável que a saída pareça iminente. Em regra, continuam de pedra e cal na sua função. Quem disse que os portugueses não estão atentos à política? Se for para ganhar uns trocos...
António Costa
Visita ao recluso 44


No final do mês de Novembro de 2014, aquando da prisão preventiva de José Sócrates, o site Unibet lançou uma aposta sobre a visita de António Costa ao Estabelecimento Prisional de Évora. Quem apostasse que o actual secretário-geral do Partido Socialista fosse visitar o antigo primeiro-ministro até ao dia 31 de Dezembro poderia ganhar 1,50 € por cada euro apostado. Quem, pelo contrário, apostasse que Costa não se deslocaria a Évora antes do fim do ano poderia ganhar 2,40 € por cada euro apostado. A probabilidade de Costa visitar o amigo, segundo o valor das apostas, era maior para a hipótese da visita.

António Costa manteve-se afastado de comentários durante algum tempo, mas acabaria por fazer render algum dinheiro a quem investiu tudo na primeira opção: o líder socialista visitaria o “amigo pessoal” no último dia de 2014. Valeu a pena apostar no “coração mole” do secretário-geral do PS.

Nuno Crato
Início escolar atribulado
Os erros no concurso dos professores no início do ano lectivo 2014/15, e o consequente atraso das aulas, obrigaram o ministro da Educação a pedir desculpa aos prejudicados – professores, pais e alunos. Mas isso não foi suficiente para evitar que os portugueses colocassem em causa a sua continuação como ministro: “Irá Nuno Crato permanecer no governo até ao final do ano?” foi a questão lançada pela casa de apostas. Quem apostasse que sim, que o ministro continuaria, poderia lucrar 1,20 € por cada euro apostado. Quem tivesse fé na sua saída – situação menos provável – ganharia 4 € por cada euro apostado. Nuno Crato acabaria por resistir ao mau momento político. A demissão veio, no entanto, de onde menos se esperava: do secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho (na sequência de uma acusação de plágio).

Rui Machete
O incidente diplomático


Setembro de 2013. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, protagonizou um incidente diplomático que acabara por lhe trazer problemas políticos. No centro da polémica estiveram declarações, que o próprio viria mais tarde a classificar de “infelizes”, sobre processos judiciais a altos dirigentes angolanos que decorriam em Portugal. O ministro, em declarações a uma rádio de Angola, pediu desculpa àquele país pelas investigações, tendo mesmo afirmado que “era tudo uma questão burocrática”.

Portugal e Angola viram a sua relação diplomática passar por um mau bocado. Em Outubro, a empresa Unibet levou os portugueses a apostar na permanência ou na saída de Rui Machete do cargo até ao dia 1 de Novembro. Por cada euro apostado na demissão do ministro, ganhava-se quase cinco. O risco seria menor se os apostadores não acreditassem na queda de Machete. Por cada euro apostado nessa opção, o lucro seria de 15 cêntimos. A probabilidade de o ministro sair de funções no período estabelecido era remota e assim veio a confirmar-se.
Maria Luís Albuquerque
a polémica dos swaps


Maria Luís Albuquerque também esteve na mira dos apostadores. As apostas surgiram quando se viu confrontada com contradições e omissões relativamente aos contratos swap que assinou enquanto secretária de Estado do Tesouro, antes de assumir a pasta das Finanças. Em Agosto de 2013, depois da demissão do secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, o site Unibet colocou a questão aos portugueses: “Será que os swaps levarão à saída da ministra das Finanças?” Quem considerasse que Maria Luís Albuquerque sairia antes do dia 31 de Outubro ganharia 2,10 € por cada euro apostado. Os que, por outro lado, pensassem que tal não pudesse acontecer ganhavam 1,65 € por cada euro investido. Nunca ninguém se lembrou ainda de apostar na saída de secretários de Estado. Nestes casos, as probabilidades de ganhar seriam bem maiores.

Paulo Portas
a demissão “irrevogável”


A crise política que se instalou, no Verão de 2013, no executivo de Pedro Passos Coelho, com a “irrevogável” demissão de Paulo Portas (então ministro dos Negócios Estrangeiros), abriu caminho a mais uma aposta na internet: “Irá o governo português sobreviver a esta crise?”, perguntava o site aos seus visitantes. Quem respondesse “não” poderia ganhar até 1,80 € por cada euro apostado. Quem apostasse na resolução da crise e na continuação da maioria parlamentar podia ganhar 1,90 € por cada euro apostado.

Paulo Portas deu a volta à demissão “irrevogável” e acabaria por sair da crise, em Junho desse ano, com a sua posição reforçada no governo. Tornara-se então vice-primeiro-ministro do executivo, que continuaria de pé.

Miguel Relvas
A licenciatura (ou a falta dela)


Em 2012, a polémica sobre a licenciatura de Miguel Relvas, antigo ministro Adjunto e dos Negócios Parlamentares do executivo de Passos Coelho, levou a Unibet a apostar sobre a permanência ou a saída do ministro até 31 de Julho. A casa de apostas atribuiu maior probabilidade à queda do ministro, ou seja, quem arriscasse na continuação de Relvas no governo teria um lucro superior ao dos que acreditassem que sairia de cena. Os apostadores que considerassem que o então ministro se iria demitir do cargo poderiam ganhar 1,72 € por cada euro apostado. Se acreditassem que tal não iria acontecer, ganhariam 2 € por cada euro apostado. Foi uma questão de tempo: Miguel Relvas acabaria por se demitir mas muito mais tarde, em Abril de 2013.

SEGURANÇA - 200 MILITARES DA GNR E 45 PROFISSIONAIS DO INEM - Esta operação servirá de teste à visita do Papa Francisco a Fátima, prevista para 2017.





Esta operação servirá de teste à visita do Papa Francisco a Fátima, prevista para 2017.


O dispositivo de segurança está montado a contar com o pior cenário, mas todos esperam que não se passe “nada”. Estão no terreno perto de 200 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e 45 profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), todos a postos para receber os milhares de peregrinos esperados em Fátima.
Desde a visita do Papa Bento XVI, em 2010, que não se via tamanho aparato, numa operação que pretende ser também, de acordo com a protecção civil, um teste para a visita a Fátima do Papa Francisco, prevista e confirmada para 2017.

Só a GNR destacou para o santuário e zona envolvente “cerca de 200 militares das diversas valências”, disse ao jornal i o major Pinto Reis, relações públicas da operação “Peregrinação Segura”.





O INEM terá em permanência 45 profissionais e “está apto a garantir a coordenação de todas as actividades de saúde”. A operação integra um hospital de campanha e um posto médico avançado, com duas viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER), além de quatro motociclos de emergência médica, informou o instituto.

“A operacionalidade deste dispositivo obriga à intervenção média diária de 11 médicos, 12 enfermeiros, nove técnicos de emergência, três técnicos operadores de telecomunicações de emergência, dois psicólogos, dois radiologistas, cinco elementos do gabinete de logística e operações, técnicos de informática e o coordenador”, segundo o comunicado emitido pelo INEM.

Desde segunda-feira, o instituto de emergência médica “está apto a garantir a coordenação de todas as actividades de saúde, em ambiente pré-hospitalar, triagem, evacuações primárias e secundárias e a referenciação e transporte para as unidades de saúde mais adequadas em qualquer situação de emergência médica que possa ocorrer durante a peregrinação ao santuário de Fátima”, garante o INEM.

Este é o maior dispositivo de sempre organizado pelo instituto desde a visita do Papa Bento XVI, há cinco anos. “Foi um evento excepcional”, em que o INEM envolveu 380 profissionais e 83 viaturas, o que não acontece “em anos comuns”, que incluem esta peregrinação internacional de Maio, assegurou fonte da instituição.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil revelou que está a testar, ontem e hoje, os meios e procedimentos para a futura visita papal. “No dispositivo que está em Fátima vamos testar algumas valências e procedimentos com vista a uma eventual visita do Papa em 2017”, explicou o comandante distrital de operações de socorro de Santarém, Mário Silvestre. O Papa Francisco confirmou este sábado, em Roma, em audiência privada com o bispo de Leiria-Fátima, António Marto, que tenciona deslocar-se a Fátima em 2017, quando se assinala o centenário das aparições na Cova da Iria, “se Deus [me] der vida e saúde”.

Revolta na Internet. Programa de TV engana menina que queria reencontrar a mãe


 
YoutubeJORNAL I13/05/2015 
Uma menina de 13 anos acreditou que ia estar com a mãe.


Um programa de televisão no Camboja decidiu fazer uma brincadeira que se transformou numa onde de indignação nas redes sociais.
Uma menina de 13 anos acreditou que ia estar com a mãe, que desapareceu quando a criança tinha apenas seis anos. Mas o que poderia ser o reencontro de uma vida não passava de uma partida de mau gosto.
A menina participou na emissão do programa no Dia da Mãe e não conseguiu esconder a emoção quando percebeu que iria reencontrar a sua mãe. Mas, no final, não é mãe que aparece. Aparece um humorista vestido de mulher.
O momento espalhou-se pelas redes sociais e o canal televisivo foi obrigado a pedir desculpa.
Veja aqui o vídeo:




Professor racista diz estar a ser silenciado pela faculdade

Professor racista diz estar a ser silenciado pela faculdade

PEDRO RAINHO13/05/2015 
Comissão de Ética da Universidade do Porto ainda está a analisar as declarações de Pedro Cosme Vieira

O professor Pedro Cosme Vieira admite ao i estar a ser “silenciado” pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. No centro desta desconfiança estão as opiniões partilhadas no seu blogue pessoal, que ainda estão a ser analisadas pela Comissão de Ética. O caso já foi considerado sensível e esta semana teve novos desenvolvimentos.
O perfil de Pedro Cosme Vieira na página da instituição ficou subitamente inacessível.  Na semana passada era possível consultar o CV do docente, os contactos e outros dados relacionados com a actividade.

OLHÃO - CULATRA - Feitos de Areia e Sal

 Olhão - CULATRA - Feitos de Areia e Sal

Em tempos de extrema pobreza, I Guerra Mundial, Guerra Civil Espanhola, Estado Novo e Peste Bubónica, II Guerra Mundial, tudo isto no espaço de um fôlego de tempos conturbados, da magra escassez de tudo e de muitos medos, foi necessário encontrar novas oportunidades para trabalhar e alimentar famílias inteiras. 
Pensa-se que se tenham refugiado nas areias daquela ilha barreira alguns homens que por lá trabalhavam nas armações de pesca de Sardinha à Valenciana, na arte da xávega (redinha), e nas almadravas. Cada armação destas no mar correspondia a um arraial em terra, ou seja um conjunto de cabanas, que se via nessa altura por toda a costa algarvia, construídas para que pescadores e suas famílias tivessem um tecto. Barracas de garrão - ali passaram a viver, o chão era de areia e ali fixaram residência, quando as artes que professavam foram substituídas por outros modos de vida, como as sacadas, com embarcações à vela ou a remos, para apanhar o famoso chicharro.
Assim se formou esta pequena comunidade piscatória, que foi crescendo de acordo com a natalidade da época e é neste núcleo, o da Culatra, que está a minha gente. 
As areias da Culatra não pertencem às pessoas… mas nós pertencemos indefinidamente àquelas areias. Somos feitos da areia que nos queimou os pés descalços e a tantos nossos parentes antes de nós. Comemos e respirámos mais areia que qualquer outro ser humano e a nossa pele cheira a salitre e a sueste. 
Antes de haver electricidade, antes de haver água canalizada, antes de haver esta mentalidade, as nossas vidas iluminavam-se a candeeiro a petróleo, que fazia os narizes ficarem pretos, tomávamos banho em selhas de água aquecida pelo sol, ou a balde, directamente dos poços e cisternas. Ser da ilha não era moda. Ser da ilha era apenas uma coisa assim normal e simples e olhada de soslaio e ninguém nos achava ricos, pelo contrário. Achavam-nos sujos e queimados do sol. Fora da ilha, éramos e somos estrangeiros. De fora.
E somos diferentes. Desde sempre. Não é o mesmo que ser de outro lado qualquer.
Depois, por sermos unidos como os grãos da areia, lutou-se pela electricidade, pela água, pelo porto de abrigo, pelo heliporto, as casas melhoraram, a sociedade mudou e consta que vivemos num Parque Natural. Subitamente, toda a gente quer regular a quantidade de salitre, vento, sol e areia de que somos feitos, porque ao que parece a nossa escassez já é demais. De repente, precisamos de estatuto jurídico-administrativo e de autorização para simplesmente ser. E queremos colaborar e continuar juntos. Dizem-nos que não pertencemos e quase já nem podemos viver das nossas mãos como sempre vivemos. Fomos feitos em cima daquela areia, somos nostálgicos e simples como o poente a descer por cima da Ria e somos alegres como os gritos das gaivotas. Somos suaves como o cheiro da marcela quando bate a brisa de sueste. Somos aguerridos e fortes como a barra que devia ser dragada e não é. A nossa pele tem camadas de lodo e de sal. As chaves do paraíso estão enterradas na areia, tal qual as nossas raízes.
Somos o que vivemos e somos aquele lugar. É mais do que estar. E ficamos zangados quando nos tentam arrancar as raízes. E lutaremos.
Selma Nunes

sos-ria-formosa.tumblr.com

Blue Moon Valley, um destino épico na China (INCLÚI VÍDEO)

Blue Moon Valley, um destino épico na China

Blue Moon Valley está localizada perto de Lijiang, na província de Yunnan China. Blue Moon Valley recebe a água da neve derretida que desce das montanhas, formando quatro lagos e algumas cachoeiras.
O topo do vale é um dos principais locais turísticos e tem terraços naturais de água branca. a água muitas vezes se parecem como uma incrível azul-turquesa.
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Área Blue Moon Valley, também é chamada de área Shika Snow Mountain está localizado no sudoeste da Shangri-La é cerca de 7 km de distância do Shangril-La, cerca de 15 minutos de condução.
Com 4190 metros de comprimento, este cabo é a mais longa na província de Yunnan. As pessoas podem chegar ao pico (4.000 metros acima do nível do mar) a partir da base da montanha (3270 metros acima do nível do mar).
No topo da montanha as pessoas podem ter uma visão de Meili Snow Mountain, Jade Dragon Snow Mountain, bem como montanhas de neve em Daocheng, Sichuan.
Shika é uma palavra tibetana (dialeto Shangri-la), que significa uma montanha abundante em veados.
Diz-se que quando Sakyamuni começou a pregar o budismo no Parque dos cervos, dois cervos o ouviram com atenção na postura de joelhos para baixo. Portanto, os cervos representam as pessoas comuns e são considerados como mascotes no budismo tibetano.
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VÍDEO


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momentocurioso.com.br

Modificações Corporais Bizarras

Soldados israelenses denunciam abusos durante operação militar em Gaza


Soldados israelenses denunciam abusos durante operação militar em Gaza

Por Ana Garralda, do El Diário, publicado no Opera Mundi

Entrar em uma suposta "zona de guerra" da qual, segundo os comandos militares, a população civil já havia sido evacuada. Disparar. E depois ver idosos, jovens e pessoas com deficiência no território. Ou atacar com tanques qualquer alvo, aleatoriamente, como vingança pela morte de um companheiro. Essas são algumas das denúncias reunidas em um informe da organização israelense Breaking the Silence [Rompendo o Silêncio, em português], por meio da qual 70 oficiais e soldados de Israel reportam os abusos cometidos por seu Exército na última grande ofensiva militar sobre Gaza, em meados do ano passado.

A operação Margem Protetora, realizada pelo Exército israelense na Faixa de Gaza durante os meses de julho e agosto de 2014, acabou sendo mais devastadora do que as duas operações anteriores combinadas. Segundo estatísticas compiladas pela delegação do Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária (OCHA) da ONU em Jerusalém, o número de mortos do lado palestino superou 2.100, dos quais cerca de 500 eram menores de idade. Dos cerca de 11 mil feridos, mais de 3.000 são crianças e adolescentes.

"Ao longo dos últimos dez anos recolhemos centenas de testemunhos, mas desta vez houve algo diferente. Nas últimas duas guerras (operações Chumbo Fundido, entre 2008 e 2009, e Pilar Defensivo, em 2012) éramos nós quem buscávamos os depoimentos. Dessa vez, foram os soldados que nos procuraram", conta Avner Gvaryahu, diretor da organização Breaking the Silence.

A organização apresentou nessa semana um informe que reúne quase 70 testemunhos pessoais de oficiais e soldados israelenses que combateram em diferentes unidades e lugares durante o último confronto. As 136 páginas trazem confissões e reflexões sobre as práticas de um Estado que se jacta de ser a única democracia do Oriente Médio e de um Exército que acredita ser o mais moralizado do mundo. "Eu me considero um patriota e amo Israel, mas há condutas que me parecem injustificáveis", prossegue Gvaryahu, na sede da associação, em Tel Aviv.

"Durante a operação, disseram para nós: 'Algo suspeito? Então pode atirar. Algo que pareça suspeito? Um edifício alto ou uma cabeça que aparece em uma janela? (...) Se aquela pessoa não devia estar ali, então ela não é inocente", (Soldado Q).

O porta-voz da Breaking the Silence conta que "um dos soldados nos contou como, em certas ocasiões, não era que as regras de enfrentamento (rules of engagement ou ROEs, no jargão militar) fossem flexíveis, mas inexistentes". "Um companheiro acabava de falecer no marco de uma incursão terrestre e o comandante da unidade lhes ordenou que alinhassem os tanques e começassem a atirar projéteis contra qualquer alvo, aleatoriamente", relata.

"Em outra ocasião, conduzindo (um tanque), avistei uma casa, decidi que me irritava porque era de cor púrpura e perguntei: 'Posso atirar?' 'Claro, vá em frente', disseram. E bum! Não houve supervisão, ninguém se importou e isso é tudo. Estas foram nossas regras de enfrentamento durante a operação Margem Protetora", conta o Soldado Z em testemunho presente no relatório.

Segundo explica Avner Gvaryahu, em certas ocasiões as ordens militares diziam aos soldados que estavam entrando em zona de guerra, da qual os civis já haviam sido evacuados. "Apesar disso, temos muitos testemunhos de soldados que entraram nessas zonas e avistaram civis, às vezes idosos, deficientes, jovens, gente que voltava para buscar seus pertences", assegura. "Um dos testemunhos mais impressionantes nos conta como antes de entrar em cada construção, a primeira coisa que faziam era lançar granadas para eliminar tudo que estivesse lá dentro, sem saber de antemão se eram combatentes ou civis", complementa.

Ainda que a densidade da população na Faixa de Gaza seja altíssima, a porcentagem de civis mortos e feridos durante a última guerra não tem precedentes, segundo a organização Breaking the Silence. Se durante as operações prévias o número de mortos e feridos palestinos foi de quase 50% do total, no caso da Margem Protetora, ele se aproximou de 75%. "O principal motivo é que, desde a cúpula, deram-se ordens para que se disparasse contra tudo o que se movesse", complementa o porta-voz da organização.

"Se tenho que elaborar uma conclusão para o informe que apresentamos agora, ela será a de que o Exército israelense, do qual gostaria de me sentir orgulhoso, a principal instituição de meu país, jogou pela janela todos os valores que pensávamos ter", elabora Gvaryahu.

"Como elemento de comparação, eu observaria que durante a operação Chumbo Fundido o Exército israelense disparou cerca de 3.000 projéteis de artilharia e de tanque, enquanto na Margem Protetora foram mais de 19 mil disparos". Segundo pontua Gvaryahu, esses projéteis são pouco precisos – e sua trajetória não pode ser corrigida, como ocorre com os mísseis guiados por laser disparados por caças e drones –, causando a morte de qualquer pessoa em um raio de 50 metros e ferindo todos os que estejam em um raio de 150 metros.

A sequência de testemunhos vem rebater a explicação oficial de que a campanha do ano passado foi uma guerra de precisão em que os militares israelenses utilizaram todo tipo de medidas preventivas e novas tecnologias para minimizar as baixas civis. "Houve, de fato, casos em que se avisou previamente que os civis deveriam ser evacuados, e também se chegou a utilizar armas inteligentes para minimizar baixas colaterais, mas essa não foi a regra", assegura Gvaryahu.


Indagado sobre se combatentes palestinos utilizaram ou não civis como escudo humano para dificultar o trabalho do Exército israelense, ele afirma não ter casos concretos dentre os 70 testemunhos, o que não quer dizer que isso não ocorreu. "Mas, se ocorreu, aí está a diferença: no fato de que estas são consideradas organizações terroristas, enquanto nós representamos o Exército, que, teoricamente, enaltece os mais altos valores do código militar e, portanto, não pode utilizar este tipo de tática", conclui.

Os relatos foram obtidos anonimamente, com vídeos em que só aparecem o nome da unidade ou o cenário do combate, sem expor dados pessoais dos soldados para evitar qualquer medida de sanção.

Pouco antes do lançamento do informe, o Exército de Israel denunciava em um comunicado a suposta falta de boa-vontade da associação israelense para cooperar e compartilhar o material recolhido para a elaboração de seu último informe. "Hoje, assim como em outras ocasiões do passado, solicitamos à organização Breaking the Silence que nos proporcionasse todo tipo de evidência ou testemunho relativo às ações do Exército antes da publicação, para assim colocamos em curso as investigações formais adequadas".

A organização israelense nega a falta de cooperação em outro comunicado. "Breaking the Silence mandou ao Chefe do Estado Maior do Exército uma carta, há um mês e meio, solicitando um encontro", respondem.

Um dos problemas das guerras de Gaza é que o Exército não permite a entrada de jornalistas israelenses, temendo que sejam sequestrados e utilizados como moeda de troca. Ante a ausência dos meios de comunicação no território, a única fonte de informação para a opinião pública israelense é o próprio Exército.

O máximo que permitiram foi que entrasse algum correspondente acompanhando as tropas, segundo afirma a organização Breaking the Silence. Para demonstrá-lo, mostraram uma fotografia tirada em julho do ano passado em que se pode ver um repórter de um canal israelense munido de capacete antifragmentos e colete à prova de balas, com um soldado como operador de câmera.

Desta forma, o fluxo informativo é completamente controlado pelo Escritório do Porta-Voz do Exército e sujeito à censura militar. São minimizados os números de civis mortos e feridos e aumentados os de combatentes, que são apresentados como terroristas sanguinários que querem matar civis israelenses (das 73 baixas israelenses, apenas 7 foram civis; os outros 66 foram soldados).

"Como cidadão israelense durante a última operação, eu estava escutando o que diziam nossas emissoras de rádio, vendo o que nos mostravam as redes de TV e lendo o que nos diziam os jornais", comenta Gvaryahu. "Todos repetiam que estávamos fazendo o que podíamos para proteger os civis, mas a triste realidade é que depois de falar com alguns soldados, de escutar os testemunhos de outras pessoas a título de evidência, posso dizer que isso era mentira", denuncia.

A alta porcentagem de civis e, sobretudo, de menores de idade entre os mais de 2.100 palestinos que perderam a vida em consequência da operação Margem Protetora fez com que até mesmo o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, solicitasse publicamente o estabelecimento de uma comissão independente que elucidasse se ocorreram crimes de guerra, após o Exército israelense atacar sete escolas da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) e as milícias palestinas as terem utilizado em pelo menos três ocasiões para acobertar ou armazenar explosivos. Na opinião do advogado israelense Michael Sfard, "o que vimos durante a operação foi uma violação sistemática das leis de guerra reunidas no direito internacional humanitário".

"As acusações de supostos crimes de guerra são muito mais difíceis de provar, pois neste caso se tratam de violações individuais, que abrangem responsabilidade criminal e que devem ser investigadas individualmente", complementa o jurista especializado em Direitos Humanos. "O que vimos foi um padrão geral em que as ordens militares pervertem as regras de enfrentamento e ordenam aos soldados que qualquer um que não seja israelense se converta em alvo legítimo, o que rompe com o princípio de distinção entre combatentes e civis", argumenta.

Segundo Sfard, seria necessário que o governo criasse uma comissão nacional de investigação (modalidade jurídica de comitê presidido por um magistrado do Tribunal Supremo, que já foi empregado em situações anteriores como a guerra do Líbano e o assassinato do premiê Yitzhak Rabin) "que cumpra com os padrões internacionais de independência, eficácia e transparência".

Mas, uma vez que para criar uma comissão com estas características é necessária a vontade política correspondente e o Executivo israelense não aparenta tê-la, a organização Breaking the Silence insiste que seja necessária uma investigação externa, que leve a cabo um trabalho similar àquele feito pela Comissão Goldstone para a apuração das responsabilidades durante a operação Chumbo Fundido.



Tradução: Henrique Mendes

Matéria original publicada no site do jornal espanhol El Diario.

soletrandoaliberdade.blogspot.pt

NOTAS - SILÊNCIO E OCULTAÇÃO



O Vaticano reconhece oficialmente o Estado da Palestina

O Vaticano reconhece oficialmente o Estado da Palestina

O Vaticano reconheceu o Estado da Palestina, segundo um novo documento oficial.
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O Vaticano acaba de formalizar um tratado com o Estado da Palestina, informa o Catholic News na sua conta do Twitter. O acordo é "único" porque regula a vida da Igreja na terra que viu nascer o cristianismo, destaca o jornal, fazendo referência ao sub-secretário do Estado do Vaticano.

Professores - A Humilhação de Toda uma Classe - No final da passada semana a generalidade dos órgãos de comunicação social brindavam-nos com títulos sugestivos como “Mais de 60% dos Professores chumbaram a Português”

Professores - A Humilhação de Toda uma Classe


(Imagem da Internet)

No final da passada semana a generalidade dos órgãos de comunicação social brindavam-nos com títulos sugestivos como “Mais de 60% dos Professores chumbaram a Português”; ”Professores chumbam nas provas de Português e Física”, etc..
Isto dito e escrito desta forma, além de falacioso e incorreto humilha toda uma classe profissional que, com todas as insuficiências de um país periférico, conseguiu, em duas décadas, colocar Portugal no top five da literacia e do conhecimento na Europa.

Referiam-se os senhores articulistas de tais dislates aos resultados das provas específicas inventadas pelo sinistro ministro Crato do famigerado Governo de Passo & Portas, provas que abrangeram os Professores contratados com menos de cinco anos de docência, num total de pouco mais de 1.300. Ora partir daqui para a generalização, visa tão só e apenas a humilhação, aos olhos da opinião pública e dos alunos, de toda uma classe de milhares de professores.

O que me levou a abordar aqui este assunto foi o facto de, além de não ter ouvido ninguém (posso andar distraído) refutar a falácia e os objetivos obscuros destas notícias, revoltou-me o silêncio cúmplice do Dr. Mário Nogueira e da sua FENPROF, tão lestos em reações turbulentas e truculentas quando outros governantes, anteriores a estes salteadores de agora, pugnavam pela dignidade da classe, acautelavam os seus empregos e lhe mantinham os salários.

Diz-nos o Sr. Dr. Crato, com aquele ar de padroeiro da pantominice, que “… não são exames de seleção para atirar para o desemprego mais umas centenas de professores, são sim provas de avaliação de desempenho como existem nas empresas privadas…”. Mentira Sr. Ministro, nas empresas privadas há de facto avaliações anuais de desempenho, mas o que há também é uma grande diferença no método e no processo, e sobretudo no objetivo, para as efetuar: -  Além de não serem avaliações exclusivas, as empresas têm processos de formação contínua, formam primeiro e avaliam depois, com o objetivo de valorizar e premiar os seus colaboradores de acordo com o seu desempenho em cada ano. No MEC não se forma, nem se avalia, apenas se exclui.

pralixados.blogspot.pt

Pensões mínimas aumentaram mas idosos mais pobres recebem menos

Pensões mínimas aumentaram mas idosos mais pobres recebem menos

O Governo tem atualizado o valor das pensões mínimas, sociais e rurais, mas ao fazê-lo prejudica os idosos mais pobres, que tiveram um corte via Complemento Solidário para Idosos.

LUIS FORRA/LUSA
Parece contraditório, mas acontece a milhares de idosos mais pobres que recebem complemento à pensão para atingirem o mínimo social de 409,078 euros por mês. O Governo decidiu aumentar nos últimos anos as pensões a 1 milhão e cem mil pensionistas com pensões sociais, rurais e mínimas para quem teve carreiras inferiores a 15 anos de descontos , mas este aumento não se traduziu em mais dinheiro no final do mês para todos os idosos. Os 171 mil que recebem Complemento Solidário para Idosos (CSI) acabaram por ver reduzido o valor total da pensão (pensão mais CSI). E 56 mil perderam mesmo de vez essa prestação.
Os idosos que recebem CSI são pensionistas que têm pensões baixas, inferiores ao mínimo estabelecido pelo Governo de 409,08 euros por mês. E foram estes idosos que viram o seu rendimento baixar em cerca de 113 euros por ano pela junção de dois fatores: o aumento das pensões sociais, rurais e mínimas, mas também pela redução do patamar social mínimo para ser concedido o CSI, que antes era de 418,50 euros.
Ou seja, se o Executivo tivesse apenas decidido por este aumento das pensões não prejudicaria, mas também não beneficiaria, os idosos que recebem Complemento Solidário para Idosos – esta prestação é variável e faz o diferencial entre o montante que se recebe da pensão e o valor de referência. Ao baixar o valor de referência, o Governo deixou de fora milhares de idosos, por um lado, e reduziu a pensão total (pensão + CSI) por outro.
Ao Observador, foi relatado o caso de uma idosa da zona de Mértola que tinha rendimento anual (apenas respeitante à pensão que recebe) de 4.921 euros. Pelos valores de 2011, esta pensionista tinha direito a um CSI de 101 euros anuais. Era o valor que a ajudava a chegar ao mínimo social de 5.022 euros/ano ou os tais 418,50 por mês. Com as novas regras, esta idosa deixou de ter direito ao CSI, uma vez que recebe mensalmente 410 euros, mais um euro do que o novo tecto de referência decidido pelo Governo.
As contas percebem-se melhor com um caso-tipo:
CSI-idosos
Ora as mexidas quer no aumento do valor da pensões mínimas (desde janeiro de 2013), quer no valor mínimo social levou a que quase 57 mil idosos mais pobres tenham perdido o direito à prestação, mais de metade deste valor (38.508) desde janeiro do ano passado. Atualmente 171.378 idosos recebem o Complemento Solidário para Idosos, o que significa que as pensões são tão baixas que não chegam ao valor mínimo.
O Ministério do Emprego e Segurança Social respondeu ao Observador acusando o anterior Governo de não ter aumentado as pensões mínimas: “Foi o PS que  congelou todas as pensões sem excepção. Incluindo pensões que na altura eram de 189€, 227€ e 246€. Este governo descongelou as pensões mínimas, sociais e rurais para, respectivamente para 201€, 241€ e 262€ de acordo com esta evolução”.
Sobre o facto de esta alteração prejudicar os pensionistas com menos rendimentos – os que recebem CSI – o gabinete de Mota Soares admite que houve uma redução do valor mínimo social: “A única alteração no CSI feita foi a redução de 2,25% (passou de 5022€ anuais para 4909€) na prestação que é em si um complemento para cerca de 170 mil pessoas (Dez2014). As pensões mínimas, sociais e rurais foram aumentadas em 6.2pp e chegam a um milhão e cem mil pensionistas”, contrapõe. Além disso, o Ministério diz que este complemento é “na sua esmagadora maioria um complemento a uma pensão que foi nestes 3 últimos anos aumentada em 221€, ou seja, 6,2pp em média”.
O Observador enviou ao Ministério o caso tipo acima referido e questionou “como justifica o Governo esta perda de rendimentos dos pensionistas mais pobres?”, mas a esta pergunta não obteve resposta, bem como ao pedido de dados desagregados e a uma questão sobre o “impacto da atualização destas pensões nos beneficiários de CSI?”.