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domingo, 3 de maio de 2015

MARCHA NACIONAL 6 DE JUNHO -A FORÇA DO POVO







MARCHA NACIONAL 6 DE JUNHO -A 
FORÇA DO POVO


“Juntem-se a nós na marcha nacional do 
dia 6 de Junho, pela libertação e 
dignidade 
nacionais por uma política patriótica e de 
esquerda”
Jerónimo de Sousa









Há 40 anos a revolução tomou o caminho do socialismo - As nacionalizações foram uma das grandes realizações da Revolução portuguesa.

Há 40 anos a revolução tomou o caminho do socialismo

Há 40 anos a revolução tomou o caminho do socialismo

As nacionalizações foram uma das grandes realizações da Revolução portuguesa.
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A sua concretização correspondeu a uma dupla necessidade: o desenvolvimento da economia, que a concentração monopolista travava, e a defesa e consolidação da própria Liberdade. A liquidação dos monopólios, que associados ao imperialismo e com os latifundiários constituíam a base de sustentação do fascismo, assim o exigia.
Entretanto a nacionalização da Banca e dos sectores-chave da economia não faziam parte do programa do MFA, nem do programa dos primeiros Governos Provisórios. A iniciativa da sua realização não podia portanto partir dos órgãos do poder político. E o PCP, que inscrevera no seu Programa da Revolução Democrática e Nacional as nacionalizações como um dos objectivos fundamentais, não podia nem queria adiantar-se na sua reclamação como tarefa imediata sem que estivessem amadurecidas as necessárias condições objectivas e subjectivas, como é próprio de uma força que é realmente de vanguarda, que caminha à frente mas sem nunca se separar das massas trabalhadoras. Essa a razão porque em Outubro de 1974, quando realizou o seu VII Congresso (Extraordinário) exigido pela radical alteração da situação portuguesa com o 25 de Abril, o Partido não incluiu as nacionalizações na Plataforma de Emergência então adoptada entre os objectivos e tarefas imediatas para a defesa e consolidação das liberdades conquistadas e a instauração de um regime democrático.
As forças do capital, da direita e da social-democracia, que há 38 anos conduzem o processo contra-revolucionário, não se cansam de acusar as nacionalizações de serem o resultados de uma opção meramente «ideológica» e «voluntarista».
A verdade, porém, é que as nacionalizações tal como a Reforma Agrária, o controlo operário e outras conquistas da Revolução corresponderam de tal modo a necessidades objectivas da etapa antifascista, nacional e democrática da revolução portuguesa, e iam (e vão) de tal modo ao encontro da satisfação das necessidades e aspirações dos trabalhadores e do povo português, que foram produto da iniciativa e da luta das próprias massas organizadas, na ausência de um governo revolucionário e mesmo contra ele.
A dinâmica revolucionária criou situações de facto que só posteriormente foram reconhecidas e legalizadas pelos órgãos do poder. O caso das nacionalizações é a todos os títulos exemplar. Para impedir a fuga de capitais e a sabotagem os trabalhadores da Banca não só colocaram na ordem do dia a exigência da nacionalização como tomaram medidas nessa direcção controlando a situação. A extraordinária assembleia de 3 de Janeiro de 1975, realizada no Pavilhão do Atlético Clube de Portugal (Tapadinha) passou à história como um elevado testemunho de unidade, de organização e de determinação combativa.
Tudo isto no contexto da agudíssima luta de classes que atravessava o processo revolucionário, com o combate de vida ou de morte entre as forças democráticas e revolucionárias e as forças da reacção e da conspiração golpista e terrorista. Aconteceu no processo da Revolução portuguesa algo que é característico dos processos de transformação social: a cada tentativa contra-revolucionária derrotada correspondeu um salto no processo revolucionário. Foi assim com a derrota dos golpes Palma Carlos (Julho de 1974), 28 de Setembro (1974) e 11 de Março (1975). Aqui os conspiradores enveredaram pelo golpe militar, colocaram objectivos ambiciosos, jogaram muito forte e perderam, derrotados pela intervenção corajosa dos militares de Abril e das massas populares. Spínola é obrigado a fugir e a refugiar-se em Espanha. É criado o Conselho da Revolução. No dia 14 de Março é promulgado o Decreto-Lei n.º 132-A-75 que consagrava a nacionalização da Banca e no dia seguinte o Decreto-Lei n.º 135-A-75 consagrava a nacionalização dos Seguros.
O salto no processo revolucionário na sequência do 11 de Março é um acontecimento particularmente marcante do processo da Revolução portuguesa que abriu a Portugal a perspectiva do socialismo.
No quadro da aliança Povo-MFA, que foi a força motora da revolução, é justo destacar o decisivo papel da intervenção decidida da classe operária e das massas. Se a acção dos militares progressistas, como se verificou desde logo na noite de 25 de Abril com o derrube do governo fascista, abriu espaço, deu confiança e encorajou a dinâmica popular, a verdade é que, numa relação dialéctica, a dinâmica popular deu força à Esquerda militar e aos militares sinceramente identificados com as mais fundas aspirações do povo português, empurrou para diante o MFA, o braço armado da situação democrática em movimento.
Esta é uma realidade da Revolução portuguesa que encerra uma lição de capital importância que se projecta para a actualidade: são os trabalhadores, são as massas populares com a sua organização, a sua iniciativa, o seu entusiasmo e a sua luta a mola impulsionadora da alternativa política, patriótica e de esquerda, que o PCP propõe para o nosso país, é aí que reside a força capaz de vencer todas as dificuldades e derrotar aquilo que hoje nos apresentam como incontornáveis fatalidades.
Março de 1975 foi um ponto alto do período de afluxo revolucionário da Revolução portuguesa.
Quarenta anos depois vivemos uma situação completamente diferente, uma situação fundamentalmente de resistência, em que as conquistas fundamentais da Revolução, como as nacionalizações, foram destruídas e em que o grande capital, de braço dado com o imperialismo, continua na ofensiva procurando destruir até aos alicerces tudo o que o povo português conquistou com Abril. O que se passa com o criminoso esbulho do património público e a privatização do que resta do sector nacionalizado – como no escândalo da TAP e tudo o que respeita ao sector de transportes – aí está a apontar o dedo acusador aos partidos que ao longo de 38 anos, o PS, PSD e CDS, têm (des)governado o país.
Mas a nacionalização há quarenta anos da Banca e dos Seguros e sectores básicos da economia nacional não é para nós apenas um marco histórico, é uma fonte de experiências e ensinamentos na luta do povo português para recuperar o que já foi seu e lhe foi roubado, com consequências tão graves para o desenvolvimento económico e o bem-estar dos portugueses.
Essa é uma componente fundamental da alternativa por que lutamos, alternativa patriótica e de esquerda, que vemos inserida na luta pela realização do nosso Programa «Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal», por sua vez parte integrante e inseparável da luta por uma sociedade socialista e comunista no nosso país.
Revista «O Militante»

3 de Maio será sempre Paris – de 1968, obviamente



3 de Maio será sempre Paris – de 1968, obviamente





Foi numa 6ª feira da primeira semana de Maio que o mítico movimento estudantil francês, que arrancara em 22 de Março com a ocupação da Universidade de Nanterre e chegara ao Quartier Latin na véspera, 2 de Maio, tomou maiores proporções. Depois de reuniões várias e de confrontos entre grupos de estudantes rivais, o reitor da Sorbonne ordenou a evacuação desta pela polícia e seguiram-se horas de verdadeira batalha campal, com barricadas, cocktails Molotov, pedradas, matracas e gases lacrimogéneos. Tudo resultou em dezenas de feridos e mais de 500 prisões e os distúrbios continuaram nos dias que se seguiram.

Depois, o movimento extravasou para o mundo do trabalho, a nível de operários, de camponeses e do sector terciário, reuniu-se numa gigantesca manifestação em 13 de Maio e esteve na origem de uma longa greve geral incontrolada.

Foram-se acalmando as hostes, foi dissolvida a Assembleia Nacional em 30 de Maio e realizaram-se eleições legislativas (que os gaulistas ganharam por larga maioria) no mês de Junho. Mas nada ficaria na mesma e não só em França.

A recordar:

A célebre intervenção de Daniel Cohn-Bendit no pátio da Sorbonne e a evacuação pela polícia:


video



Duas canções da época, pela emblemática Dominique Grange:






entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt

A Islândia pondera tirar aos bancos o poder de criarem dinheiro do nada

A Islândia pondera tirar aos bancos o poder de criarem dinheiro do nada


Não sou especialista em finanças e de MOEDA sei apenas o que tenho lido por aí. E o que tenho lido é que...(ver aqui em baixo, a seguir aos extratos do artigo sobre a Islândia)

Islândia pondera tirar aos bancos o poder de criarem dinheiro.


 
« A Islândia foi um dos países que mais sofreu com o facto de ter deixado o seu sector bancário crescer descontroladamente. Por isso, não surpreende que agora seja nesta ilha de 300 mil habitantes conhecida por não ter medo de inovar que se esteja a ponderar a reforma mais radical do sistema financeiro. Uma reforma que foi apresentada por uma comissão parlamentar a pedido do primeiro-ministro islandês e que retiraria aos bancos o poder de criar dinheiro, fazendo-os recuar para um tipo de funcionamento que já não conhecem desde o século XIX.
A primeira coisa que é preciso perceber para compreender o alcance daquilo que está a ser ponderado na Islândia é que os bancos comerciais, e não somente os bancos centrais, têm desde o final do século XIX o poder de criar mais ou menos dinheiro. É verdade que são os bancos centrais que emitem as notas e as moedas. Mas, os bancos comerciais, quando decidem fazer um empréstimo a uma empresa para esta investir ou quando financiam alguém a comprar uma casa, fazem na prática com que mais dinheiro entre em circulação na economia.
....
« Já nos anos 30 do século passado, depois da Grande Depressão, um grupo de economistas norte-americanos liderado por Irving Fisher tinha feito a mesma proposta de passar para o Estado todo o poder de criar dinheiro.
No ano passado, o colunista do Financial Times, Martin Wolff tinha defendido o mesmo tipo de estratégia, acrescentando que tal daria ainda aos Estados uma enorme fonte de receitas, que lhes daria espaço de manobra para reduzir a carga fiscal.
...
« O debate teórico em relação a esta matéria promete ser cada vez mais animado depois do aparecimento desta proposta. Mas como em muitos outros casos, dificilmente conduzirá a uma conclusão definitiva. Será que a Islândia e os seus 300 mil habitantes estão dispostos a passar esta ideia à prática e servir de experiência viva para os outros países? »
________________________________
 
NOTA: Sobre o funcionamento dos bancos e como é criada a moeda nem a escola nem a comunicação social diz uma palavra e assim é porque não convém que o ZÉ PAGA TUDO saiba afinal aquilo que só deve ser conhecido por que tem dinheiro suficiente para criar um banco e pelos seus empregados de luxo, nossos concidadãos de muito alimento e cujos bons serviços são pagos acima dos 100 mil euros mensais entre remuneração fixa (não cai bem designar por salário o que é ganho por estes senhores )  prémios, prebendas, cartões, férias...
 
Os bancos estão autorizados, de acordo com certas regras, variáveis de país para país, a emprestar dinheiro que criam, registando-o nas suas contas, no momento do empréstimo. Com esse dinheiro criado do nada ganham milhões em juros que são pagos indiretamente por toda a população. 
Os bancos estão autorizados a emprestar até 9 vezes (ou 20 ou 30 conforme os países, a época ou falta de regulamentação e controlo) o dinheiro que possuem, o seu capital social, depositado no Banco Central. 
Por outro lado os bancos estão autorizados a emprestar, aqui e agora, 90% do dinheiro que cada cliente lá deposita, ganhando com o dinheiro alheio, um jurozinho igual à diferença entre o juro que cobra a quem empresta e o juro que paga ao Zé depositante pelo dinheiro que lá depositou, sem lhe pedir autorização para tal.

Imaginemos um caso simples: o banco XPTO possui 10 mil milhões de euros. Está autorizado, a emprestar até 90 mil milhões. Autorizado por leis feitas a seu mando ao longo da história do capitalismo, pois são eles que efetivamente condicionam, isto é, mandam, nos governos que elegemos, Imaginemos que emprestam esse dinheiro por dez anos, a uma taxa de 5% ao ano.
O banco, isto é, os capitalistas donos dos bancos, passam a ganhar por ano, em juros, de dinheiro que não possuem, de dinheiro que tiraram da cartola com um truque de magia, 4.500 milhões de euros, dos quais, digamos, 10% ou seja 450 milhões são para pagar aos funcionários, a renda das instalações, despesas de funcionamento e ainda, digamos, uns 50 milhões, 1%, no nosso exemplo, para remunerar  principescamente os membros do conselho de administração, os seus empregados de luxo e cúmplices nestas artes mágicas do capitalismo financeiro.
 
Quando ao fim de 10 anos os 90 mil milhões forem pagos ao banco este, tal como os criou do nada, devolve-os ao nada, anula no balanço o registo que os tinha criado. Anula-os como? queima as notas? Não, risca o valor no sistema informático, no folha excel. As voltas que os 90 milhões deram não necessitaram de notas em papel nem moedas em cobre a não ser numa quantidade mínima. É tudo registo informático, cheques, pagamentos por multibanco, etc. Entretanto os 40 mil milhões de juros obtidos em 10 anos que sobram após o pagamento do funcionamento do banco vão para o bolso dos seus donos, a nobreza embuçada dos nossos dias. Nobreza nem mais nem menos reles que a outra a nobreza de sangue, a diferença é que a antiga exibia a riqueza e poder para assustar e assim se defender e dominar e esta esconde tudo porque a plebe foi organizando revoluções e ganhando força neste meio tempo.
Que remédio para este roubo institucionalizado permitido aos multimilionários donos de um banco? Talvez aquilo que a Islândia vai fazer. Ou com a nacionalização dos bancos. E com governos que não governem às ordens dos antigos donos dos bancos nacionalizados.

Conclusão: é necessária muita luta e muita determinação para se ir desfazendo a ordem rapace tricotada ao longo de séculos pelas elites do dinheiro. E será possível? A História diz-nos que sim. Há 500 anos Portugal era o país mais escravocrata da Europa e em Lisboa e noutras cidades 10% da população era escrava e foi possível acabar com a escravatura.

puxapalavra.blogspot.pt

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BIG BANG - Bruno Bozzetto -

Político russo diz que disco dos U2 é "propaganda gay" - Deputado de extrema-direita pediu uma investigação à Apple devido à capa de Songs of Innocence .

Político russo diz que disco dos U2 
é "propaganda gay"

Deputado de extrema-direita pediu uma investigação à Apple devido à capa de Songs of Innocence .

Alexander Starovoitov, deputado pelo Partido Liberal Democrata da Rússia, de extrema-direita, pediu ao procurador-geral desse país que investigue a Apple por distribuir "propaganda gay" a menores. Em causa está o disco que os U2 lançaram gratuitamente no iTunes, a loja digital da empresa, Songs Of Innocence .
 .

De acordo com o deputado, a capa do álbum - que mostra o baterista Larry Muller Jr. abraçando o seu filho Elvis, estando ambos seminus - promove o sexo entre homens. Um advogado russo, Evgeny Tonky, já comentou igualmente que pretende processar a Apple por "danos morais".

Recorde-se que a Rússia se tornou, nos últimos anos, um país com leis pouco permissivas em matéria de direitos LGBT. Caso a Apple seja condenada, poderá ser forçada a cessar operações na Rússia durante 90 dias ou a pagar uma multa de um milhão de rublos, cerca de 18 mil euros. 

 O álbum foi inicialmente editado digitalmente com uma capa diferente; a que está a causar polémica na Rússia foi a utilizada para as edições físicas de Songs Of Innocence . 

HISTÓRIAS DO 25 DE ABRIL - Os oficiais que não se conheciam

Os oficiais que não se conheciam




Escutas telefónicas num tempo em que não havia fax, nem sequer fotocopiadora
O ponteiro do relógio ainda não chegou às nove da noite do dia 24 de Abril quando um automóvel pára à porta de armas do Regimento de Engenharia 1 e o (então) major do Estado-Maior do Exército Sanches Osório toca à campainha. Entra fardado no quartel da Pontinha, dirige-se ao gabinete do oficial de dia e explica ao alferes Dionísio que está em curso um golpe de Estado. Não lhe deixa grandes opções: ou adere ou é preso imediatamente.
Na hora seguinte, vão chegando ali os outros elementos que irão comandar as operações, mas ninguém sabe que foi este companheiro de estágio de Vítor Alves no Estado-Maior, em Santa Apolónia, o escolhido para ir levar o comunicado do MFA, escrito por Mariz Fernandes. Sem perder tempo, Sanches Osório, o oficial de serviço e o sargento de dia começam a tirar cópias do stencil, que as fotocópias, como lembra Garcia dos Santos, «aparecem muito posteriormente».







Otelo, que passara pelo Bairro Alto para informar um capitão pára-quedista que devia avisar Spínola das senhas na rádio (E depois do Adeus e Grândola, Vila Morena), chegou à Pontinha antes das dez. Quando sobe para o primeiro andar, onde se vai fardar, cruza-se na escada com Sanches Osório, que lhe diz: «Olha! Trago aqui os comunicados que o Vítor Alves me disse para te trazer.» Toma assim conhecimento de que é aquele o oficial que Vítor Alves lhe enviaria.

O autor do plano sabe que vão estar naquela unidade os seus camaradas da Academia Militar, Lopes Pires e o seu parente Garcia dos Santos (os únicos a quem deu conhecimento da ordem de operações), além de Hugo dos Santos, que só chegará à uma da manhã, sem farda, pois é segundo- comandante de um batalhão mobilizado para a Guiné, em instrução em Tomar. Entretanto, por volta das dez e um quarto, aparece Lopes Pires, que tinha proposto aquele regimento, logo secundado pelo capitão Luís Macedo, que garantira o apoio da unidade ao MFA e tinha montado o posto de comando no prefabricado que era a biblioteca dos praças - tapando as janelas com cobertores militares e instalando ali mesas para telefones e aparelhos de rádio -, além das tendas exteriores para os operadores de rádio, sem esquecer sequer a camarata para os presos que viessem a ser feitos no decorrer da operação.
Garcia dos Santos, o autor do anexo de transmissões, que será um factor fundamental para o êxito da operação, passara a tarde a instalar a bateria de telefones e a montar as antenas de rádio, foi jantar e voltou por volta das dez da noite.








Falta o sexto elemento, em representação da Marinha. O chefe da comissão militar do MFA da Armada, Vítor Crespo, de farda branca, aparece pelas dez e meia, e apenas reconhece Otelo. Habituado a frequentar centros de operações da NATO, com imensas cartas militares e inúmeros meios, onde nunca havia menos de 50 pessoas, depara-se com outros quatro oficiais (Hugo dos Santos ainda não chegara), um dispositivo mínimo e... um mapa do Automóvel Clube de Portugal afixado numa prancheta.

Comunicações. Garcia dos Santos montou o sistema de transmissões e escutas, numa época em que não havia fax nem telemóvel. «Na parte rádio, tínhamos emissores-receptores iguais àqueles que eram utilizados nas unidades cá e em África, que era o que nós tínhamos de mais moderno nas transmissões militares de campanha», os RACAL DR 28. Relativamente pequenos, «eram utilizados nas ligações entre as unidades, quer destacadas, quer em movimento, quer estacionadas.»
«Por via telefónica, era a rede normal militar. Portanto, uma central automática à civil, no Batalhão de Telegrafistas [onde se controlavam as linhas do Governo e as dos militares], e com telefones normais automáticos ou manuais.» Mas era «necessário, também, ter um apoio muito grande de todo o pessoal que estava de serviço no Batalhão de Telegrafistas, particularmente de serviço à Central Telefónica Automática, porque aí nós tínhamos possibilidade de entrar e fazer - o que hoje tanto se fala - as escutas telefónicas.
E que se fizeram.» Embora tivessem também linhas que permitiam chamadas civis, nunca entraram nessa rede? «Não.»
Vítor Crespo tinha uma linha directa para o Centro de Comunicações da Armada, cujo chefe era Almada Contreiras, também do MFA. Aquele centro de comunicações «ligava (em rádio, em telex, em fonia e em telefone, nos sítios fixos) para todas as unidades de serviço da Armada, incluindo navios a navegar e todas as unidades no Ultramar».
A sorte favorece os audazes. A partir do momento em que se decidiu onde seria o PC, como Garcia dos Santos sabia que estava a ser aumentada a capacidade do cabo telefónico que ia para o Colégio Militar, «claro que me ocorreu logo a ideia» de prolongar esse cabo. «Em dois ou três dias» foi «pendurado por todos os lados possíveis e imaginários» até chegar à Pontinha.
Perguntas&Respostas
Ninguém imaginava o Posto de Comando numa unidade de Engenharia
Porquê a Pontinha? Lopes Pires sugeriu o regimento, de que tinha sido segundo-comandante até Fevereiro, por vários motivos. «Estava fora de Lisboa e isso, do ponto de vista operacional, pareceu-me extremamente conveniente, porque era uma zona onde havia liberdade de movimentos», sem congestionamentos, «nem possíveis cercos à unidade». Mas, sobretudo, como, entre os militares, os de engenharia são considerados uns «paisanões», «não passaria pela cabeça de ninguém que fosse, precisamente, numa unidade de Engenharia que estivesse instalado o posto de comando».
Operações de noite? Otelo sabia que a Força Aérea «era gente com quem não podíamos contar ou, se contássemos, era como adversários ou inimigos». E dá a explicação para a pergunta que a maioria das pessoas lhe foi fazendo, ao longo dos anos: mas porquê tomar os objectivos às três da manhã? «Exactamente por isso. Porque às três da manhã não é possível fazer bombardeamentos, na cidade de Lisboa, de qualquer avião. Não há aviões. Aquilo que foi o ataque ao Ralis, no 11 de Março de 75, isso aí já é possível, porque é dia. Agora, à noite?!...»
Partidos sabiam? Vítor Crespo já tornou público que entrara «em contacto com partidos políticos, nomeadamente o Partido Socialista e o Partido Comunista, no sentido de lhes dizer que se preparava um golpe de Estado e qual era o sentido político», pelo que «creio que o Sousa Tavares sabia, perfeitamente, o que é que estava a fazer no Carmo», quando falou à multidão de megafone. Otelo acrescenta: «O Vítor contacta, de facto, com elementos do PS e do PC. Agora, nem seria necessário, porque eles já sabiam.
O António Reis, fundador do PS, foi alferes da coluna de Administração Militar que tomou a televisão, no Lumiar. O Luís Pessoa, que era militante avançado do Partido Comunista, comandou as companhias que vieram de Santa Maria e ocupou a Casa da Moeda ou coisa do género.»




Um regime cercado
Um golpe resolvido nas ruas e no Largo do Carmo
Após um primeiro compasso de tensão junto ao Terreiro do Paço, logo pela manhã, entre forças fiéis ao regime e do MFA, a acção do golpe passa para o Quartel do Carmo, onde estava refugiado Marcelo Caetano. A rendição só ocorreu à tarde, após horas de cerco e de nervosismo. Milhares de pessoas não arredaram pé do Carmo. Até ao fim do regime.


por FERNANDO MADAÍL24 abril 2004

Esculturas no jardim - A arte que dá ainda mais cor ao Jardim Botânico de Lisboa!








Esculturas no jardim










































A arte que dá ainda mais cor ao Jardim Botânico de Lisboa!


http://omundodahortense.blogspot.pt/

DIAS LOUREIRO, "O INSPIRADOR"

DIAS LOUREIRO, "O INSPIRADOR"

Passos dá Dias Loureiro como exemplo: "se queremos vencer na vida, temos de ser exigentes e metódicos
O Povo, que é sábio, costuma afirmar, "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és".
É evidente, que é perfeitamente legítimo Passos Coelho admirar Dias Loureiro e o seu percurso, devo dizer que nem sequer estranho, afinal, cada um com as suas "tecnoformices". É uma questão de escala e objectivos mas é tudo farinha do mesmo saco.
No entanto, talvez seja um pouco mais despudorado e sem sentido ético que nos apresente a todos, publicamente, a sinistra figura de Dias Loureiro, como um bom exemplo.
A pequenez desta gente já não é propriamente uma surpresa.


atentainquietude.blogspot.pt

O CONFLITO DA RIA FORMOSA - Num país que criou em 5 anos um milhão de pobres; onde o desemprego atinge 800.000 mil pessoas; onde famílias inteiras foram despojadas das suas casas por uma coalizão de bancos e políticos, mancomunados nesse objectivo de criar um parque imobiliário para a banca; onde a corrupção entre quem manda e os seus amigos e arrimados vai de vento em popa

O CONFLITO DA RIA FORMOSA

Added by LP on 01/05/2015.
Saved under OPINIÃO

Fernando Cabrita int 04 2015O conflito da Ria Formosa

Num país que criou em 5 anos um milhão de pobres; onde o desemprego atinge 800.000 mil pessoas; onde famílias inteiras foram despojadas das suas casas por uma coalizão de bancos e políticos, mancomunados nesse objectivo de criar um parque imobiliário para a banca; onde a corrupção entre quem manda e os seus amigos e arrimados vai de vento em popa; onde os bancos são esvaziados de dinheiro e assaltados a partir de dentro, sem que nenhum governo, nenhum presidente, nenhum supervisor dê por isso; em que milhões e milhões de euros que faltam à economia andam pelos bolsos de tratantes e off shores; em que licenciados são forçados a trabalhar miseravelmente por 600 euros ao mês, enquanto licenciados a galope, em um ano ou menos e com equivalências folclóricas singram e medram; em que as universidades que conferem tais licenciaturas passam por sérias e ninguém as chama a capítulo; em que se destrói a língua para a substituir por uma aljamia de analfabetos que se presumem modernos; um país em que há gente que não tem que comer; em que há gente que morre de tristeza; em que nos hospitais se desce verdadeiramente ao nono círculo do Inferno, esse que Dante viu, quando se vai a uma sala de espera; em que crianças passam fome nas escolas; empresas caem falidas; velhos estiolam na solidão de 5º andares recuados, porque lhes mingua a reforma, cortada por estes tartufos; onde ninguém pergunta quem enriqueceu com os swaps, com os BPN, com as PPP, com os submarinos, com as zonas húmidas entregues à construção desenfreada, com todas as escroquerias públicas e as menos públicas que se vão sabendo; num país que manda os seus melhores jovens para a emigração – porque não fica bem mandá-los para a puta que os pariu ou bardamerda, que é afinal o que os nossos próceres fazem aos nossos estudantes e recém licenciados; onde se sucedem freeports, tecnoformas, sucateiros, vistos gold, imunidades escabrosas; onde a palavra irrevogável é a primeira coisa que se revoga – portanto palavra de gente sem carácter e sem palavra de honra; num país onde ninguém levanta a voz para denunciar que foi por causa destes políticos que temos e tivemos (Durão Barroso nos Açores a ser anfitrião de uma tríade de mentirosos e delinquentes que destruiu um país, onde hoje se campeia o Estado Islâmico, e estes mais recentes a apoiar silenciosamente a destruição da Líbia e a apelar à destruição da Síria, de onde hoje fogem aos milhares os pobres que enchem o Mediterrâneo de cadáveres); num país que tudo cala e tudo sofre; num país que proclama ter os cofres cheios e deixa os cidadãos esmifrados a gemer; num país assim, alguém percebe esta ânsia, esta pressa, esta aceleração quase celerada de, quatro meses antes de umas eleições, se querer demolir, e demolir e demolir, já, já, já, como se as casas das ilhas fossem o mais grave problema nacional?
E num país assim como não louvar que, pela primeira vez em muitos anos, alguém, no sul, neste Algarve que sempre foi liberal contra todos os miguelismos e todos os Tronos e Altares; neste Olhão que foi a primeira voz contra a dominação do imperialismo francês e dos seus manajeiros por cá; com o não louvor que alguém de peito aberto, defenda a sua causa?
A causa é certa ou errada? Ver-se-á. Discuta-se. Oiçam-se os envolvidos. Pare-se para pensar (ainda por cima quando quem assim decide está de saída – espera-se e promova-se! – já para o final do verão, quando houver eleições. Querem deixar o campo minado para quem venha atrás?).
Saudemos pois uma população que se move, já não pelo futebol, já não pelo compadrio político, já não por merdinhas e coisicas – MAS SIM PARA DEFENDER O QUE JULGA CORRECTO!
Quem se levanta contra políticas injustas, estranhamente apressadas, mal explicadas, iníquas porque atacando sempre os mais pobres, os que não têm amigos poderosos, os que não mamam na teta do erário, quem assim se levanta só pode ter o apoio dos demais.
Quem não entende isso? Quem vai deixar passar em branco a coragem desta gente?
Fernando Cabrita