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quarta-feira, 22 de abril de 2015

SÓ COM O BALDE D´ÁGUA


Secretário-geral da CGTP nas lutas dos trabalhadores dos transportes e dos trabalhadores da administração local

Secretário-geral da CGTP nas lutas dos trabalhadores dos transportes e dos trabalhadores da administração local

admpublicaO secretário-geral da CGTP-IN esteve esta manhã, por volta das 10h00, na Marcha contra a privatização da Carris, Metro de Lisboa, Soflusa e Transtejo.   Esta iniciativa organizada pela FECTRANS, Federação dos sindicatos de Transportes e Comunicações juntou os trabalhadores no Cais do Sodré seguindo em Marcha lenta pela Rua do Alecrim até ao Largo do Camões onde os dirigentes sindicais intervieram. Seguidamente, associou-se-se à manifestação dos trabalhadores da administração local, que por volta das 11h30, estiveram junto ao Ministério das Finanças. Estes trabalhadores que, exigem a redução dos impostos e o aumento dos salários, bem como a aplicação das 35 horas em todo o sector e a publicação dos mesmos acordos, partiram do Rossio às 10h30 e desfilaram em protesto até ao Ministério.
Via: Entrada – CGTP-IN http://ift.tt/1OGITtG

NOTAS - PARA O PS OS TRABALHADORES TÊM SARNA

JÁ ALGUÉM VIU ALGUM DIRIGENTE DO PS EM APOIO DE QUALQUER LUTA QUE ENVOLVA A CLASSE TRABALHADORA ?

ONDE ANDAM OS TAXISTAS XUXAS QUANDO O POVO SE MANIFESTA NAS RUAS ?

JÁ ALGUÉM OS VIU NA RUA LADO A LADO COM O POVO PROTESTANDO CONTRA A FALTA DE SERVIÇOS DE SAÚDE CONTRA O DESEMPREGO, A FOME ?

PARA SABER DELES É OUVIR A TV E LER OS JORNAIS, ANDAM TODOS A ELABORAR PROGRAMAS DE GOVERNO, A ÚNICA COISA QUE OS FAZ MEXER O CU NOS GABINETES E NA ASSEMBLEIA DA REPUBLICA ONDE O RECICLADO FERRO RODRIGUES MAIS PARECE UM RINOCERONTE DOENTE DO QUE UM LÍDER DA OPOSIÇÃO PS.

ONDE ANDA ESSA GENTE FALSA SEM QUALQUER AMOR AO SEU POVO QUE SÓ TEM EM VISTA OS GRANDES TACHOS, OS LUGARES DE GOVERNAÇÃO E VIDA DE LUXO.

BASTA OLHAR PARA ELES, HOMENS E MULHERES QUE NEM CONSEGUEM DISFARÇAR O SEU REPÚDIO PELA GENTE QUE TRABALHA.

APARECEM EM VÉSPERAS DE ELEIÇÕES PARA DAR A FACADA NO ZÉ POVINHO E CONTINUAREM A OBRA DO ALDRABÃO MÁRIO SOARES QUE FEZ FORTUNA COM A TRAIÇÃO E A MENTIRA E ESTABELECEU A DÚVIDA, E A CONFUSÃO NO SEIO DOS PORTUGUESES.

QUE ANTRO !

António Garrochinho

MANIFESTAÇÃO DOS TRABALHADORES DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL - HOJE - FOTOGALERIA

MANIFESTAÇÃO DOS TRABALHADORES DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL - HOJE


Os trabalhadores da Administração Local manifestaram-se em Lisboa, no próximo dia 22, para exigir a redução dos impostos e o aumento dos salários. A aplicação das 35 horas em todo o sector e a publicação dos acordos que consagram este horário máximo é outra reivindicação central. A jornada irá ainda condenar a ingerência do Governo nas competências das autarquias e reclamar o respeito pela autonomia do Poder Local, consagrada na Constituição, e serviços públicos de qualidade.
Fim da sobretaxa extraordinária do IRS
Esmagados por consecutivos aumentos de impostos, os trabalhadores exigem o fim da «sobretaxa extraordinária», que todos os meses lhes ceifa uma percentagem significativa dos seus magros salários.
Nada pode justificar impostos «extraordinários», sobretudo num momento em que a ministra das Finanças se gaba de ter «os cofres cheios».
Salário mínimo de 540 euros
O valor actual do salário mínimo não permite fazer face ao custo de vida e grande parte dos trabalhadores que o auferem vivem com as suas famílias abaixo do limiar da pobreza. O salário mínimo deve garantir uma subsistência digna. Por isso é urgente o seu aumento progressivo.
Aumento geral dos salários
Os trabalhadores da Administração Local, e de toda a Administração Pública em geral, não têm actualizações salariais desde 2009. A isso soma-se o congelamento das suas carreiras, os cortes salariais «provisórios», mas que perduram, e a subida abrupta dos impostos sobre rendimentos e sobre o consumo. Em consequência o poder de compra dos nossos salários caiu mais de 25 por cento nos últimos anos. O aumento geral dos salários é pois uma reivindicação justa e legítima a satisfazer no imediato.
35 horas para todos e publicação dos ACEP
A luta determinada dos trabalhadores impediu a imposição do aumento do horário de trabalho máximo, para as 40 horas semanais, na maioria das autarquias e outras entidades do poder local.
Vendo gorados os seus intentos, o Governo bloqueou, sem nenhuma base legal, a publicação de mais de meio milhar de acordos colectivos (ACEP), negociados pelo STAL, que consagram as 35 horas.
Não contente, recorrendo a vários estratagemas, tem multiplicado as pressões, as ameaças e a chantagens para que as autarquias denunciem os acordos colectivos que livre e legitimamente celebraram.
Trata-se de um verdadeiro escândalo, intolerável num Estado que se diz de direito!
O próprio Congresso da Associação Nacional de Municípios, realizado no final de Março, na sua resolução, exige: «O respeito pela autonomia do Poder Local e o direito constitucional na celebração dos Acordos Colectivos de Empregador Público».
Autonomia do Poder Local, serviços públicos de qualidade
Em vésperas das comemorações do 41.º aniversário do 25 de Abril, os trabalhadores da Administração Local erguem a sua voz em defesa de uma das principais conquistas da Revolução dos Cravos – o Poder Local Democrático.
Apesar da permanente asfixia financeira a que têm sido sujeitos por sucessivos governos, os municípios, as freguesias e outras entidades autárquicas, têm prestado nas últimas quatro décadas serviços inestimáveis às populações e ao País, afirmando-se como um pilar essencial do regime democrático, assente nos valores de Abril, e elemento determinante no desenvolvimento social, cultural e económico das diferentes regiões.
Hoje, mais que nunca, importa defender a autonomia do Poder Local, face aos violentos ataques movidos pelo Governo PSD/CDS-PP. É imperioso que eleitos, trabalhadores e populações se levantem em prol dos seus interesses e direitos; se envolvam crescentemente no combate às privatizações e exijam serviços públicos de qualidade, dotados dos meios humanos e materiais capazes de satisfazer necessidades vitais das comunidades locais.
O horário máximo das 35 horas é uma conquista histórica dos trabalhadores. Vamos continuar a bater-nos pela sua aplicação a todos, exigindo a negociação de novos acordos e a publicação dos já celebrados.
Na nossa jornada de luta em Lisboa vamos também defender a autonomia constitucional do Poder Local Democrático, nascido com Abril pela mão das populações.


FOTOGALERIA

fotos: José Paulo Robalk
































O que Chaplin e Hitler têm em comum (além do bigode)? - O chapéu coco, a bengala e o andar torto com sapatos gigantes são algumas características que imediatamente nos fazem lembrar de Charles Chaplin. Mas elas têm sentido apenas juntas. O bigode escovinha, porém, já basta para que possamos reconhecer a figura do cineasta. A questão é que esse mesmo bigode, usado pelo cara que fez (e talvez ainda faça) muita gente rir, é também a principal característica física de Adolf Hitler, líder do partido nazista alemão e considerado por muitos o símbolo da crueldade e do fanatismo.

O que Chaplin e Hitler têm em comum (além do bigode)?

O chapéu coco, a bengala e o andar torto com sapatos gigantes são algumas características que imediatamente nos fazem lembrar de Charles Chaplin. Mas elas têm sentido apenas juntas. O bigode escovinha, porém, já basta para que possamos reconhecer a figura do cineasta. A questão é que esse mesmo bigode, usado pelo cara que fez (e talvez ainda faça) muita gente rir, é também a principal característica física de Adolf Hitler,  líder do partido nazista alemão e considerado por muitos o símbolo da crueldade e do fanatismoApesar de causarem reações tão diversas, há também muitas semelhanças entre os dois, mais do que um simples bigodinho..

Data de nascimento
Quatro dias separaram os dois. O cineasta nasceu no dia 16 de abril de 1889, em Londres, há exatos 126 anos. Pouco depois nascia Hitler, no dia 20 de abril do mesmo ano, em Branau am Inn, na Áustria.
Little Adolf
Adolf Hitler nos primeiros anos de vida

Queriam ser artistas desde pequenos
Foi completamente sem querer que Chaplin entrou pro mundo artístico, assim como foi sem querer que ele criou o personagem mais famoso dele, o Carlitos (mais conhecido como Vagabundo). Mas tudo começou com um erro. Não dele, mas de sua mãe, Hannah, uma cantora e atriz dos conhecidos teatros de variedades. O pequeno Chaplin, na época com cinco anos, viu a voz de Hannah falhar completamente em uma apresentação. Sem saber direito o que fazer, ele foi para o meio do palco e começou a cantar. Em seu livro autobiográfico, Minha Vida, Chaplin descreve o momento em que se descobriu ator:
E repetindo o estribilho em toda a minha inocência, eu imitei a voz de mamãe a falhar – e fiquei surpreso com o efeito que isso causou na plateia. Risadas e aclamações, nova chuva de moedas; e quando mamãe reapareceu no palco para levar-me, sua presença desencadeou tremendos aplausos. Essa noite marcou a minha primeira aparição em cena e a última de mamãe.
Já Hitler demorou um pouco mais pra descobrir que profissão queria seguir. Ao contrário de Chaplin, que seguiu os passos de Hannah, o ditador desafiou o desejo da família. O pai, Alois Hitler, queria muito que o filho fosse funcionário público, assim como ele, e insistiu nisso até o último momento. Aos 13 anos, Hitler viu claramente que queria ser artista. No livro que escreveu na prisão em 1925, Mein Kampf, ele deixa isso claro, assim como a reação (nada simpática) de Alois:
Quando eu, pela primeira vez, depois de renovada oposição ao pensamento favorito de meu pai, fui interrogado sobre que profissão desejava então escolher e quase de repente deixei escapar a firme resolução que havia adotado de ser pintor, ele quase perdeu a palavra. (…) “Pintor, não! Enquanto eu viver, nunca!” terminou meu pai.
O fato de Alois morrer no mesmo ano em que esse episódio aconteceu abriu espaço para que Hitler tentasse entrar na Academia. Com uma pastinha embaixo do braço cheia de desenhos, ele foi fazer os exames achando que seria aprovado facilmente. Mas o diretor não achou Hitler tão brilhante assim e o rejeitou  o que fez o rapaz se sentir arrasado. Algum tempo depois, aos 24 anos, Hitler conseguiu chegar perto desse sonho quando se tornou um pintor de retratos de turistas em Munique.
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Uma das pinturas de Hitler, feita em 1914

Não se davam bem com o pai
O casamento de Hannah e do músico Charles Spencer Chaplin acabou no terceiro ano de vida do menino. Além de estar quase sempre bêbado, o pai casou outra vez após a separação e passou a ignorar o pequeno Chaplin. A bebedeira levou ele à morte em 1901, quando Chaplin tinha apenas 12 anos.
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À esquerda, o pai de Chaplin e, à direita, Alois Hitler, pai do ditador
Apesar dos pais de Hitler não terem se separado, a situação foi bem parecida com a de Chaplin. Alois Hitler também faleceu cedo, apenas um ano após a morte do pai do Chaplin. Mas não foi de cirrose. O que matou Alois foi um ataque apoplético. Antes disso, Hitler enfrentou sérias discussões com o pai, por causa do seu futuro. Não existem informações no livro Mein Kampf sobre as agressões físicas, mas outros livros afirmam que Hitler apanhava muito dele.

Os dois perderam a mãe cedo
Não foram apenas os pais que morreram quando Chaplin e de Hitler eram pequenos. Em 1907, cinco anos depois do falecimento de Alois, Hitler viu a mãe, Klara Hitler, falecer por causa de câncer. A perda dos dois deixou Hitler órfão aos 18 anos, e pobre. Esse era o começo de um longo período de privações. Nessa mesma época, Chaplin já passava por uma situação bem crítica. Hannah só foi falecer em 1928, mas a loucura tomou conta dela nos primeiros anos de vida do Chaplin.

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Na primeira foto aparecem Chaplin, a mãe Hannah e o irmão mais velho Sydney. Na segunda foto, Klara Hitler

Infância e/ou adolescência pobres
Ainda quando a mãe de Chaplin estava viva, a situação financeira não era das melhores. No momento em que as crises de loucura começaram a aparecer, Hannah passou a ser internada diversas vezes. Com isso, Chaplin e o irmão mais velho, Sydney, se viam jogados de um lado para outro. A Escola para Crianças Pobres do Centro de Londres foi o principal lar dos dois nesta época, e representava rigidez e sofrimento. A cena do filme O Garoto, em que a lei leva o menino para o internato, é uma representação desse momento da infância do cineasta.
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A péssima situação econômica não melhorou quando Sydney começou a viajar por causa do trabalho. O problema é que, nessa época, Chaplin ainda era muito pequeno para ficar muitos meses sozinho. Mesmo não tendo idade para trabalhar, o menino tentou alguns trabalhos, como entregar jornais, mas nada rendia muito dinheiro. Então, aos 14 anos, decidiu que tentaria fazer aquilo que aprendeu nos primeiros anos de vida: atuar. Ele procurou um dos mais importantes agentes teatrais de Londres da época e logo foi chamado para participar de uma peça. Dali em diante, Chaplin ficaria cada vez mais famoso.
A coisa foi mais ou menos assim para Hitler, tirando o fato de que ele era um pouco mais velho. Após a morte da mãe e com pouco dinheiro, o adolescente de 18 anos passou a perambular em Linz, na Áustria, e depois na capital Viena. Em Mein Kampf essa fase é descrita:
Ainda hoje, essa capital só desperta em mim pensamentos sombrios. Cinco anos de miséria e de sofrimentos, eis o que significa a minha estadia nessa cidade de prazeres. Cinco anos em que, primeiro como ajudante de operário, depois como aprendiz de pintor, vi-me forçado a trabalhar pelo pão quotidiano, mesquinho pão que nunca bastava para saciar a minha fome habitual. A fome era então minha companheira fiel que nunca me deixava sozinho e que de tudo igualmente participava.
Nessa época Hitler começou a ler muito. E ele mesmo afirma que isso foi fundamental para o “modo de agir” que ele escolheu a partir de então.
Young Hitler
Adolf Hilter jovem tinha outro estilo de bigode antes da Segunda Guerra

Bigode
Nada une mais Chaplin e Hitler do que o bigode que eles escolheram usar. Na verdade, a característica aparece primeiro em Chaplin, quando ele cria o Vagabundo, ou Carlitos. A estreia do personagem é em um filme de 1914, Kid Auto Races At Venice. Quase trintas anos depois, já com o Carlitos fazendo um sucesso absurdo, a foto de Hitler chega até Chaplin. Ele descreve sua impressão no livro Minha Vida:
Vanderbilt enviou-me uma série de cartões-postais com flagrantes fotográficos de Hitler a fazer discursos. A fisionomia do homem era obscenamente cômica – um mau arremedo da minha cara, com o bigodinho ridículo, os cabelos escorridos e despenteados, um quê de repelente na boca miúda de lábios finos. Eu não podia tomar Hitler a sério.
Após receber esses cartões-postais, Chaplin construiu, mentalmente, a ideia do filme O Grande Ditador, que completa 40 anos em outubro: faria o barbeiro (Vagabundo) e satirizaria Hitler com o personagem Adenoid Hynkel, ditador da Tomânia, país da trama. Interpretar os dois personagens só foi possível por causa do bigode. Para imitar perfeitamente a maneira como Hitler gesticulava, o cineasta foi várias vezes ao cinema para ver o noticiário. Enquanto o cineasta escrevia o Último Discurso, famoso inclusive por ser o primeiro a criticar publicamente Hitler, o ditador conquistava Paris.
Foram 559 dias de um trabalho que terminou em 15 de outubro de 1940. A estreia do filme coincidiu com o momento em que a Segunda Guerra Mundial estourou. Não se sabe exatamente a opinião do ditador sobre o longa, mas o fotógrafo Budd Schulberg afirma que Hitler encomendouO Grande Ditador para assistir.

Solidão
Outro ponto que liga Chaplin e Hitler é a dificuldade que eles tinham para fazer amizades. O cineasta considerava o trabalho mais importante que qualquer coisa, e por isso ficava sozinho com frequência. Isso também afetou seus relacionamentos amorosos. O fato é que a entrada de Chaplin no mundo das celebridades o entristeceu. Ele se viu cercado de pessoas que aparentavam ser o que não eram. O comediante as via se aproximando por interesse e ficava entristecido com isso. Outro trecho do livro Minha Vida mostra esse sentimento:
A solidão é repelente. Tem uma aura de tristeza, uma inadequação para atrair ou interessar, a tal ponto que nos sentimos ligeiramente envergonhados quando ela nos rodeia. Mas, num grau maior ou menor, atinge a todos.
Assim como Chaplin, Hitler não conseguia cultivar amizades, mas os motivos são um pouco diferentes. O ditador confessou à cineasta nazista Leni Riefenstahl que era incapaz de discutir intelectualmente. Ele também se definiu como um “solitário”. O mordomo de Hitler de 1934 a 1939, Karl Wilhem Krause, confirma que ele gostava de passar grandes períodos do dia sozinho no quarto.

Paixão pelo cinema
Talvez a solidão possa ter a ver com o fato de ambos gostarem do cinema. Chaplin passou 57 anos criando, atuando e dirigindo com frequência, o que tomava boa parte do seu tempo. Já Hitler gostava de assistir a filmes, mas também arriscou interpretar. Antes do cinema sonoro e da guerra, o ditador e os companheiros políticos gravaram cenas mudas que eram acompanhadas por descrições do que ele estava falando. Essas cenas mostravam um discurso. Como não havia som, os vídeos tiveram efeito contrário: ficaram cômicos. Hitler também mantinha um diário em que anotava as suas impressões sobre os longas. Tarzan, por exemplo, é classificado como schlecht, que significa ruim.
Candid Camera
Chaplin dirigindo um filme logo nos primeiros anos que assinou contrato com o cinema

Estatura
Além de todos os aspectos psicológicos e do bigode aparado da mesma forma, Hitler e Chaplin eram aproximadamente do mesmo tamanho. Não se sabe precisar a altura do ditador, mas ela era considerada “mediana”, baixa em comparação aos alemães da época. Já Chaplin media exatamente 1,65. Mesmo que as fotografias e os filmes preto e branco não mostrem, os olhos dois dois eram…quem diria, azuis.

Fontes: Minha Vida, de Charles Chaplin (2005), A vida de Carlitos (1952), de Georges Sadoul, A carisma de Adolf Hitler: o homem que conduziu milhões ao abismo (2013), de Laurence Rees, Mein Kampf, de Adolf Hitler, documentário da BBC O Vagabundo e o Ditador (2002) e filme O Grande Ditador (1940).
super.abril.com.br

Ambientalismo Radical Exibe Fundo Religioso e Endossa Aparências Cristãs

Ambientalismo Radical Exibe Fundo Religioso e Endossa Aparências Cristãs


Rajendra Pachauri, vinha ocupando a presidência do polêmico IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change). Esse órgão das Nações Unidas foi autor de inúmeros exageros e deturpações científicas, hoje demostradas sobre o clima.

Pachauri pôs fim a 13 anos turbulentos no cargo, após sair a público uma denúncia contra ele por assédio sexual na Índia, informou a agência “Reuters”.

O mérito desse caso, que ainda aguarda julgamento na Índia, excede os limites deste blog.

Pachauri exercia essa função desde 2002. Juntamente com o senador e arauto ambientalista radical americano Al Gore, ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2007, por suas contestadíssimas teorias sobre o meio ambiente.

O IPCC escolheu o vice-presidente Ismail El Gizouli para ocupar provisoriamente o cargo.

Na carta de renúncia endereçada a Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, Pachauri registra preto sobre branco este fato que vimos há tempos denunciando neste blog: por trás do ambientalismo radical há uma religião que usa a preocupação pela natureza como camuflagem.

Para mim, a proteção do Planeta Terra, a sobrevivência e a sustentabilidade de nossos ecossistemas é mais do que uma missão. É minha religião e meu ‘darma’”.

O “darma” “pode ser considerado como o ‘Caminho para a Verdade Superior’, é a base das filosofias, crenças e práticas que se originaram na Índia”, diz a Wikipedia, verbete Darma.

O jornalista Donna Laframboise, crítico do IPCC, explica:

Sim, o IPCC! – que era levado a sério porque é uma entidade que devia produzir relatórios de base científica. Agora ficamos sabendo que de fato foi liderado por um ambientalista que cumpria uma ‘missão’. Por alguém que acha que proteger o planeta é uma vocação religiosa”, noticiou o site Climate Depot.

Para Marc Morano, diretor de Climate Depot, Pachauri se caracterizou pela falta de idoneidade moral:
“Se Pachauri tivesse alguma decência, deveria ter renunciado durante o escândalo do Climategate que estourou em 2009. Houve muitíssimas oportunidades para corrigir o rumo e apagar o passado. Afinal, coube à Justiça da Índia, num processo de assédio sexual, pôr um fim a Pachauri. As coisas poderão melhorar no IPCC agora que saiu seu câncer político e ético”.

Muitos ativistas da “mudança climática” reconheceram em diversas ocasiões professar uma convicção religiosa “verde”. Vários e autorizados praticantes dessa religião acenaram de modo claro para o fundo panteísta neopagão, Nova Era, e neocomunista.

Porém, nunca esclareceram suficientemente o seu conteúdo. Talvez agora, quando o Vaticano prepara uma encíclica sobre o ambientalismo, aproveitem a ocasião para desvendar esse fundo pagão, visceralmente anticristão e anti-humano.

O ativista da “mudança climática” e ator Harrison Ford justificou a “Religião Verde” dizendo:
“Eu preciso algo de fora de mim mesmo para acreditar nela e eu achei na natureza uma espécie de Deus”.

A deificação da matéria é um elemento essencial do ambientalismo escatológico. As alegações contra quiméricos fantasmas como o “aquecimento global” e as “mudanças climáticas” são as roupagens tapeadoras para tentar justificar o extremismo anticivilizatório.

Isso explica por que o próprio Harrison Ford, embora denunciado repetidas vezes por condutas anti-ecológicas, pouco se importa com a natureza que desrespeita, continuando a ser um coqueluche da mídia ambientalista.

E o ator é apenas um exemplo.

Outro caso confesso é do falecido escritor e produtor de filmes e programas de ficção científica John Michael Crichton (1942 — 2008), cuja obra mais conhecida, Parque dos Dinossauros, foi adaptada para o cinema por Steven Spielberg com o título Jurassic Park.

Crichton disse: “Uma das religiões mais poderosas do mundo ocidental é o ambientalismo. O ambientalismo parece ser a religião preferida pelos ateus urbanos”.

Explicando essa religião ateia, ele parodiou a Bíblia:

Houve um Éden inicial, um Paraíso, um estado de graça e de unidade com a natureza, depois uma queda para um estado de poluição, como resultado de comer da árvore do conhecimento.

Como resultado de nossas ações, há de vir para todos nós o dia do Juízo Final. Somos todos pecadores consumidores de energia, condenados a morrer, excetuados aqueles que buscam a salvação, agora denominada sustentabilidade. 

Sustentabilidade é a salvação na igreja do meio ambiente. O alimento orgânico é a sua Comunhão, um wafer sem pesticidas, que as pessoas certas com as crenças certas podem assimilar”, escreveu o cineasta. Climate Depot.

Não espanta, pois, que essa religião panteísta – que chega a usar o cristianismo como disfarce – apareça encravada em correntes católicas “progressistas”.

Ela é escancarada na pregação do ex-frei Leonardo Boff. O veterano defensor da Teologia da Libertação de fundo marxista, excogitou uma fôrmula aggiornata para o velho erro.

Ele até se gaba de ter influenciado os esquemas da próxima encíclica pontifícia sobre meio ambiente.
Consciente desse perigo religioso, o influente Cardeal George Pell, arcebispo de Sydney, constatou: “No passado, os pagãos sacrificavam animais e até humanos, na vã tentativa de aplacar deuses cruéis e arbitrários. Hoje eles pedem o sacrifício de reduzir as emissões de CO2”.

O analista Charles Krauthammer, da Fox News, também declarou recentemente que a “mudança climática não é uma questão política, mas uma religião”.

A militante ambientalista e escritora Rebecca Thistlethwaite também endossou os paramentos profético-sacerdotais verdes, para exigir de nós “arrependimento” por causa de nossos pecados, que teriam provocado o Tufão Haiyan, no Pacífico. Mais especificamente, exigiu que renunciemos ao “mal moral que há em negar a mudança climática” .
E ainda que pareça risível, o teorizador de esquerda e Prêmio Nobel de Economia 2008, Paul Krugman, desde o fundo de seu economicismo, invocou a maldição divina contra aqueles que negam a existência do “aquecimento global” e lhes desejou a condenação eterna:

Que vocês sejam punidos na pós-vida por fazerem isso”. E acrescentou que o “negacionismo” é “quase um pecado inconcebível”.

Nos ambientes alarmistas e apocalípticos verdes, sempre proliferaram as alusões ao sagrado para denunciar o mundo atual e profetizar um desastre de proporções bíblicas ou apocalípticas stricto sensu.

O químico Richard J. Trzupek, especialista em questões ambientais ligadas às indústrias de grande porte em que trabalhou, também constatou o absurdo de uma religião disfarçada de cristianismo.

Com ironia, ele escreveu:

A Primeira Igreja da Mudança Climática precisa ser reformada. Segundo seus líderes, para compreendermos as subtis nuances da ciência climática, nós, os simples humanos, não estamos mais capacitados do que estavam os servos na Europa medieval para entender os misteriosos movimentos dos céus. Então, pedem-nos para depositar nossa fé na versão atualizada do papa astrônomo, e jamais questionar a elite educada. Pois fazê-lo seria uma heresia, um pecado com as mais hediondas consequências”.

Enquanto não desaparecermos num dilúvio universal provocado pelo “egoísmo capitalista” (carro, ar condicionado e progresso em geral), este tipo de alegações “religiosas” enganadoras continuará proliferando.

Os seus pregadores não deixarão de praticar o que condenam nos outros.

E as normas ambientalistas continuarão caindo sobre os cidadãos de bem que lutam pela sua família e pela sua pátria, tidos como escravos ignaros pelos “papas” da nova religião.


 http://www.anovaordemmundial.com

O Império vulnerável - "Se a China defende um concerto internacional onde os grandes países sejam co-responsáveis no planeta e a Rússia prossegue a sua laboriosa reconstrução e aspira consolidar a sua posição de grande potência, os Estados Unidos só perseguem a dominação cega, a hegemonia sobre um mundo angustiado que assiste ao agravamento de todo

O Império vulnerável

O Império vulnerável
por Higino Polo*

"Se a China defende um concerto internacional onde os grandes países sejam co-responsáveis no planeta e a Rússia prossegue a sua laboriosa reconstrução e aspira consolidar a sua posição de grande potência, os Estados Unidos só perseguem a dominação cega, a hegemonia sobre um mundo angustiado que assiste ao agravamento de todos os perigos, à ameaça do apocalipse ecológico e de um capitalismo esclavagista que cobre de miséria, imundice, pó e exploração boa parte dos habitantes do planeta. As mais relevantes decisões estratégicas de Washington vão nos últimos anos nessa direcção e têm Pequim e Moscovo entre os seus objectivos: o desenvolvimento dos escudos antimísseis na Europa e na Ásia, as tentativas de sabotagem do projecto de Putin da «União Euro-Ásia», a exclusão da Rússia do G-8, bem como o «regresso à Ásia» para conter a pujança chinesa, como o apoio a golpes de Estado (nos últimos dois anos na Tailândia, Egipto e Ucrânia) e a ajuda militar e diplomática a rebeliões contra governos incômodos (Líbia, Síria, etc.); tudo isto sem esquecer o patrocínio de uma guerra civil ucraniana na fronteira sul da Rússia, o projecto de incorporação da Ucrânia e da Geórgia na OTAN, e a utilização de redes terroristas para os seus objectivos."

Para Washington, os dias felizes da última década do século XX, quando o poder norte-americano era inegável e desmedido em todo o planeta, não voltarão. O erro estratégico de Bush, a invasão do Iraque, lançada pelo neoconservadorismo estadunidense para iluminar o século XXI sob o seu domínio, paradoxalmente, deu lugar às primeiras fissuras francesas e alemãs e a extenuantes guerras no Médio Oriente, a que se acrescentaram a nova política de Putin que apagou assim os anos de Yeltsin com uma Rússia ajoelhada, e o cauteloso e progressivo fortalecimento chinês. 

A conjunção de umas guerras pantanosas e sujas com a revelação ao mundo que Washington espia, sequestra, tortura, prende e mata sem controlo; de uma economia capitalista de casino onde os velhos bandidos continuam a roubar às mãos cheias, e da progressiva certeza que os Estados Unidos se bem que possam iniciar guerras e incendiar regiões inteiras não podem já impor a sua vontade, fizeram o resto.

A passagem dos dias felizes ao novo mundo revelou que o império norte-americano, sempre dominante e orgulhoso, se tinha tornado vulnerável.

A confusão perante o mundo que bate à porta, sem cerimónia mas irremediavelmente, e a certeza de que os anos de glória se esvaem, difundida pelos inimigos e também por personagens como Bill Clinton ou Henry Kissinger, não mitiga nos núcleos dirigentes de Washington o afã de tentar deter a decadência, nem evita a perigosa convicção, arreigada no pensamento estratégico norte-americano, que os Estados Unidos são uma «nação providencial», criada para confirmar o sonho divino, segura da sua bendição (In God we trust), nascida para dirigir o mundo. Todo o establishment norte-americano está convencido da «excepcionalidade» dos Estados Unidos da América. Essa ideia companheira da aventura imperial tem as suas longínquas origens na política externa de William Henry Seward (secretário de Estado de Abraham Lincoln e de Andrew Johnson) e, mais tarde, na presidência de Teddy Roosevelt. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, nos anos de Truman, os Estados Unidos iniciaram os seus programas de operações militares encobertas para apoiar grupos guerrilheiros em território soviético e chinês ou na Europa, como fizeram na Albânia, e operações que continuaram com praticamente todos os presidentes que, além de protagonizarem guerras de extermínio como no Vietnam, autorizaram planos para derrubar governos, da Guatemala ao Irão, passando por Cuba, Chile, a velha Indochina, Congo, Angola, Afeganistão, Nicarágua e, nos últimos vinte anos lançaram novas operações (directamente ou através de grupos terroristas dirigidos pela CIA) na periferia russa, na Ásia Central, Iraque, Irão, Paquistão, Iêmen, Síria e Líbia.

Hoje, a pretensão de manter um mundo unipolar, o predomínio norte-americano no planeta tem dois sérios adversários: Pequim e Moscovo.

A China não procura substituir os Estados Unidos como grande potência, apesar de ter os recursos necessários para o fazer, mas rejeita o hegemonismo belicista e brutal que define a Casa Branca; a Rússia, cujo poder econômico é notoriamente menor que o dos Estados Unidos e da China, quer a consolidação de um mundo multipolar, ao mesmo tempo que procura pacientemente reconstruir os velhos laços com as antigas repúblicas soviéticas, pois sabe que nada de bom pode esperar de um mundo dirigido por Washington.

Por isso, no desenho da política externa norte-americana, Pequim e Moscovo são alvos a abater, e Washington não hesitaria um segundo a dar uma hipotética contribuição à partilha da Rússia e da China, tal como impulsionou o desmembramento da União Soviética. Não é apenas uma questão ideológica, pois se a China mantém um perfil comunista (apesar das mudanças havidas e da opção para o desenvolvimento econômico) que justifica a desconfiança de Washington, a nova Rússia capitalista não pode ser considerada um adversário pelo seu modelo social.

Mas os dois países são sombras ameaçadoras pela sua envergadura para o declinante sol norte-americano. Se a China defende um concerto internacional onde os grandes países sejam co-responsáveis no planeta e a Rússia prossegue a sua laboriosa reconstrução e aspira consolidar a sua posição de grande potência, os Estados Unidos só perseguem a dominação cega, a hegemonia sobre um mundo angustiado que assiste ao agravamento de todos os perigos, à ameaça do apocalipse ecológico e de um capitalismo esclavagista que cobre de miséria, imundice, pó e exploração boa parte dos habitantes do planeta. As mais relevantes decisões estratégicas de Washington vão nos últimos anos nessa direcção e têm Pequim e Moscovo entre os seus objectivos: o desenvolvimento dos escudos antimísseis na Europa e na Ásia, as tentativas de sabotagem do projecto de Putin da «União Euro-Ásia», a exclusão da Rússia do G-8, bem como o «regresso à Ásia» para conter a pujança chinesa, como o apoio a golpes de Estado (nos últimos dois anos na Tailândia, Egipto e Ucrânia) e a ajuda militar e diplomática a rebeliões contra governos incômodos (Líbia, Síria, etc.); tudo isto sem esquecer o patrocínio de uma guerra civil ucraniana na fronteira sul da Rússia, o projecto de incorporação da Ucrânia e da Geórgia na OTAN, e a utilização de redes terroristas para os seus objectivos. Essas decisões, que à luz da obrigatória cooperação internacional para enfrentar a crise mundial não eram nem necessárias nem inevitáveis, revelam a ambição norte-americana. E também a sua cegueira.

Agora mesmo, as três zonas mais perigosas do planeta são o Médio Oriente, a Europa Oriental e as costas que banham a China (Mar da China Oriental e Mar da China Meridional). Nas três se confrontam os interesses de Washington, Pequim, e Moscovo. Com excepção das costas chinesas as guerras foram impostas, com diferentes intensidades, e aqui, na Ásia, a nova orientação belicista do governo de Shinzo Abe não permite optimismos nem poderia ocorrer sem o aval prévio do governo norte-americano. A renúncia ao pacifismo consagrado pela velha Constituição nipónica (princípio pacificador imposto pelos Estados Unidos no pós-guerra) ilustra bem a nova tentação de Washington, e anuncia uma viragem estratégica na política do Japão que responde mais aos anseios dos Estados Unidos que aos seus próprios, visto que a China, para além da defesa dos seus interesses e da reivindicação de algumas ilhotas da sua frente marítima, não mostrou o menor sinal de agressividade para com o Japão nem mobilizou o seu exército, ainda que tenha manifestado a sua preferência pelos partidos políticos japoneses e os sectores empresariais que se opõem a Abe. 

As últimas iniciativas chinesas no seio dos BRICS, como a criação do Asian Infrastructure Investment Bank, (AIIB na sua sigla inglesa) que terá a sua sede em Pequim e pode tornar-se uma alternativa ao Banco Mundial e ao FMI, foram sabotadas por Washington, que forçou o Japão, a Coreia do Sul e a Indonésia a não se juntarem ao projecto. A visita de Xi Jinping a Seul (onde os sucessivos governos e os partidos mantêm uma grande desconfiança histórica em relação ao Japão) foi interpretada por Washington como uma tentativa chinesa de debilitar o tridente que agrupa os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul, e constitui o eixo central das alianças norte-americanas na região Ásia-Pacífico.

No Médio Oriente, os Estados Unidos continuam a apoiar-se na Arábia Saudita e no Egipto, confrontam-se com o poder regional do Irão e transigem com uma Turquia que, se bem que aliada formal da OTAN tem os seus próprios interesses e exerce um papel cada vez mais autónomo na região. O desastre estratégico das guerras lançadas por George W Bush criou um caos regional (Iraque, Afeganistão, Paquistão, Síria), que se estendeu ao Iémen, enquanto o governo de Obama, que foi incapaz de introduzir na discussão sobre o futuro da região a sangrenta ferida palestina, tem ainda de lidar com a agressividade de Israel. Quase três lustros depois da intervenção militar estadunidense no Médio Oriente foram destruídas sociedades onde imperava o laicismo e se tinha iniciado o desenvolvimento, e foi criado uma realidade de guerras de controlo, de morte e destruição, de desenvolvimento do fanatismo religioso e explosão do terrorismo.

Para a Ucrânia, Washington seguiu um minucioso guião para o qual arrastou a União Europeia: primeiro organizaram a ajuda a Maidan e a provocação dos franco-atiradores de Kiev; depois incentivaram o golpe de estado contra Yanukovitch; por último, lançaram a operação de castigo contra os opositores do golpe de estado, que degenerou numa guerra civil no Este deste país, com episódios de provocação como o suspeito derrube do avião da Malásia Airlines, MH17, que Washington já não tem interesse em esclarecer. Os Estados Unidos suspiram pela dependente política externa de Moscovo dos anos de Yeltsin e Kozirev e, perante a nova orientação estratégica de Putin (que resiste à intromissão norte-americana mas quer manter boas relações com Bruxelas), conseguiram impor à União Europeia a sua política de acosso a Moscovo. Washington e Bruxelas impuseram até agora sete vagas de sanções contra a Rússia com especial enfase nos interesses desta no negócio do petróleo e do gás, na indústria de armamento e nas instituições financeiras russas. As apressadas exigências norte-americanas chegam ao ponto de, torpemente, apresentarem novas sanções: assim, a ruptura da trégua por Kiev foi seguida da adopção de novas represálias a Moscovo, «por causa da escalada de violência na Ucrânia», ainda que tivesse a pedra grega no sapato. Se até Janeiro de 2015 a União Europeia estudava um relaxamento das sanções à Rússia, a ofensiva de Poroshenko (com o total aval de norte-americano) mudou por completo a situação. Washington quer prejudicar as trocas comerciais entre a União Europeia e a Rússia, dificultar a expansão «da nova rota da seda» entre a China e a Europa e, na medida do possível, torpedear a relação entre Moscovo e Pequim.

A ruptura da «trégua de Minsk» e o reinício da guerra civil ucraniana por parte de Poroshenko não seria possível sem o acordo de Obama e abre duas hipóteses que agradam a Washington: a primeira indica que se Poroshenko conseguisse aplacar a resistência no Leste do país abrir-se-ia o caminho à incorporação da Ucrânia na NATO, e ter-se-ia dado um duro golpe no desenvolvimento da «União Euro-Ásia», o projecto estratégico de Putin; a segunda é mais inquietante: que Moscovo reaja e intervenha na guerra civil ucraniana, o que abriria a perigosa possibilidade de uma guerra generalizada na Europa. Não é uma hipótese disparatada: os Estados Unidos já incendiaram todo o Médio Oriente, e uma guerra global é uma das vias para a saída da crise geral do capitalismo mundial. 

A Ucrânia, parceiro menor neste grande jogo, ameaça com o apoio norte-americano e chantageia: exige à Rússia preços do gás mais baratos que os do mercado mundial, nega-se a pagar dívidas pendentes, e ameaça com o desvio de parte do gás que corre pelos gasodutos ucranianos com destino à União Europeia. Perante as posições de Putin que pede atenção e respeito pelos interesses de cada parte, o governo de Obama responde com uma retórica agressiva e uma campanha de propaganda visando o isolamento internacional da Rússia e a sua estigmatização como «país agressor» na crise ucraniana, como se os EUA não tivessem apoiado o golpe de estado na Ucrânia nem fosse uma evidência flagrante as últimas guerras de agressão lançadas pelos Estados Unidos. A pressão sobre a França para que suspenda a entrega dos porta-helicópteros Mistral a Moscovo é uma prova mais da atitude de Washington e da tentativa de isolar a Rússia, acompanhadas da criação de novos centros militares da OTAN no Báltico e na Polónia, de novas missões de vigilância na Estónia, Letónia e Lituânia, e do reforço da presença da marinha de guerra norte-americana em águas próximas do Mar Negro e no Golfo da Finlândia. Complementarmente, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou que a aliança deve preparar-se para «utilizar a força» se for necessário.

A União Europeia desempenha o papel de simples comparsa, afundando-se numa grave crise e ameaçada por uma política que não só não consegue superar a recessão económica como ainda agrava a sua falta de autonomia e decadência como actor político global, além de que uma hipotética quebra da zona euro danificaria irremediavelmente a Alemanha, que entretanto se converteu no eixo da Europa. A Grã-Bretanha continua a ser o fiel escudeiro de Washington. Os governos britânicos, conservadores ou trabalhistas, consideram que manter o estatuto de potência internacional só pode ter lugar à sombra do amigo americano. A França aspira a continuar a ser parte do eixo central da União Europeia e a preservar o seu papel de potência regional nos países saharianos e no Sahel africano. Por seu lado, a Alemanha está consciente que se a guerra civil ucraniana favorece a presença e o papel estratégico da NATO e dos interesses norte-americanos, a extensão do dispositivo militar da NATO até à fronteira russa é uma provocação desnecessária a Moscovo e não augura nada de bom para Berlim e a União Europeia. Isso explica as suas reticências à incorporação da Ucrânia e da Geórgia na aliança militar ocidental, ainda que o partido da guerra também tenha partidários em Berlim e as velhas hipotecas da sua subordinação aos Estados Unidos não se romperem no curto prazo. A instabilidade da zona euro, a que se juntam as nuvens que pairam sobre o futuro da União Europeia, não aconselha de modo algum o envolvimento na aventura ucraniana. E Berlim sabe-o. Mas nenhuma das potências europeias vai resistir às imposições de Washington.

O Mar da China oriental converteu-se numa «zona quente»: a aposta do governo nipónico de rever a Constituição para abrir a porta a intervenções militares no exterior tem claramente um destinatário: a China. No entanto, Pequim ainda que não deixe de marcar as suas próprias linhas vermelhas não está disposto a deixar-se arrastar para um conflito aberto. O próprio Exército Popular afirmava recentemente num jornal a sua deficiente preparação militar, o que dificultaria a vitória numa hipotética guerra no Oriente. No Outono passado, Pequim anunciou o seu novo míssil balístico intercontinental, GF-31B, capaz de atingir o território estadunidense, mas a sua força militar continua claramente menor que a norte-americana. O governo de Pequim está consciente que o Pentágono tem planos concretos para um eventual ataque massivo à China, rápido e contundente, que inclui o «escudo antimísseis», hipocritamente apresentado à opinião pública como um mecanismo de defesa em relação a uma pequena potência como a Coreia do Norte, sem qualquer possibilidade real de alcançar o território norte-americano. Não será por acaso que o general Valeri Gerásimov, chefe do Estado-Maior russo, advertia em Janeiro de 2015 que o escudo antimísseis norte-americano estava a adquirir um carácter global, e que estava a desenvolver-se na região do Pacífico, apesar de a sua instalação violar os tratados de desmantelamento de mísseis de curto e médio alcance subscritos por Washington e Moscovo.

Nenhum império aceitou de bom grado o seu desaparecimento, e os Estados Unidos estão a travar uma guerra para tentar manter a sua hegemonia no mundo: guerra aberta no Médio Oriente, por actores interpostos na Europa de Este, subterrânea na Ásia e nas instituições internacionais, empresariais, comerciais e ambientes diplomáticos. Os Estados Unidos vão ter dificuldades financeiras e políticas para manter a sua presença no Médio Oriente, para aumentar o desenvolvimento militar na Europa de Leste sem confrontar os seus aliados europeus, e também para promover o seu «regresso à Ásia», que não podem fazer sem aumentar a despesa militar: no princípio de 2015, a comissão de orçamento do Congresso norte-americano considerava que os Estados Unidos terão de gastar 350.000 milhões de dólares na próxima década, só na manutenção e modernização do seu arsenal nuclear. O aumento dos investimentos militares ameaça a economia norte-americana.

Um dos riscos do futuro imediato é que perante a hipótese de um mundo multipolar, articulado à volta de cinco ou seis países, os Estados Unidos preferem o caos e a guerra à perda da sua hegemonia global. Uma análise realista dos custos que implicaria esse caminho, a resignação à desoladora mas inevitável evidência de já não poderem dominar sozinhos o planeta, deveria levar Washington a aceitar um cenário internacional diferente, a actuar com outras potências num plano de igualdade, mas a convicção da sua providencialidade, enraizada na sua história e nas suas aventuras imperiais podem fazer com que se incline para um mundo caótico, como mostram alguns exemplos inquietantes, pois o código penal que deve aplicar-se aos seus inimigos é sempre a destruição ou a vassalagem. O Pentágono anunciou em Outubro de 2014 a sua nova estratégia (Army operating concept) para uma guerra generalizada, onde não há lugar para qualquer dúvida sobre a disposição de eliminar qualquer possível competidor que possa dificultar o domínio norte-americano sobre o mundo e os seus recursos, recorrendo a um ataque inicial demolidor se o inimigo for uma potência nuclear: China ou Rússia. Os militares norte-americanos tornaram pública a sua preocupação com o «crescente poder militar chinês» e acusaram Moscovo de querer manter a sua influência militar na Europa e na Ásia, como se essa aspiração fosse absurda para o país mais extenso da terra, assente naqueles dois continentes. O Pentágono tem uma enorme influência, mas não é a única nos círculos do poder estadunidenses, e se alguns alarmes periódicos têm como função assegurar incrementos orçamentais militares, também indiciam a preocupação que os movem, os inimigos para que apontam e a direcção dos disparos. Os Estados Unidos continuam a ser uma formidável máquina de guerra, e contam com um poder determinante, mas tornou-se receoso, imprevisível, sombrio, ao mesmo tempo que continua a devorar as vidas e os dias dos outros, numa frenética corrida para a destruição e o caos, como se pudesse ignorar que se tornaram num império vulnerável.



* Publicista e historiador.

Este texto foi publicado em El Viejo Topo, de Março de 2015


Fonte: O Diário



De onde vem o conservadorismo?

De onde vem o conservadorismo?

De onde vem o conservadorismo?

"A primeira incompreensão grave é que a hegemonia de uma classe social não se define, pelo menos como Gramsci pensava a questão, pela mera disputa das consciências sociais e da legitimidade, mas tem suas raízes nas relações sociais de produção e de propriedade determinantes numa certa época histórica. A hegemonia nasce da fábrica, dizia o comunista italiano. Querer reverter a direção moral de uma sociedade mantendo as relações sociais de produção e formas de propriedade inalterada é uma tarefa impossível."

"A iniciativa política e o trabalho ideológico da direita é facilitado por um mecanismo que Althusser identificava como “reconhecimento”, isto é, a ideologia só pode ser efetiva se o valor ideológico encontrar na consciência imediata algo que produza um reconhecimento e a sujeite a pessoa a determinadas práticas. Neste ponto, o funcionamento da ideologia é preciso. As relações sociais interiorizadas na forma de valores que constituem uma determinada visão de mundo são apresentadas à estes valores agora na forma do discurso ideológico."
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“Atrás da aparente beleza, estão os assassinos em massa, a abolição da dignidade, os campos de trabalho forçado, a rejeição de toda a noção de liberdade e fraternidade. (…) [O comunista] é aparentemente inofensivo, será o seu mais querido amigo, o mais sincero, o mais leal… até o dia em que ele o assassinará pelas costas.”
(O GORILA, folheto anticomunista distribuído no interior das Forças Armadas como preparação para o Golpe de 1964)
Há um certo espanto com as recentes manifestações de direita no Brasil, como se fossem algo fora do lugar e do tempo, resquícios de um tempo obscuro que se esperava superado. Por outro lado, espantam-se os que crêem que tal fenômeno é absolutamente novo – daí os epítetos tais como “nova direita”, “onda conservadora” e outros. Acreditamos que o conservadorismo que se apresenta na ação política de direita não é algo do passado que se apresenta anacronicamente no cenário de uma democracia, nem algo novo que brota do nada.

O conservadorismo sempre esteve por aqui, forte e persistente. O fato é que não foi enfrentado como deveria e nos cabe perguntar: por que?

CONSERVADORISMO E LUTA DE CLASSES

O conservadorismo não pode ser entendido em si mesmo, ele é expressão de algo mais profundo que o determina. Estamos convencidos que ele é uma expressão da luta de classes, isto é, que manifesta em sua aparência a dinâmica de luta entre interesses antagônicos que formam a sociabilidade burguesa. Nesta direção é importante que comecemos por delinear o cenário no qual o conservadorismo se apresenta.

O impacto da ação política de direita espanta aqueles que julgavam que as classes sociais não eram mais categorias que poderiam explicar a sociedade contemporânea. De certa forma, prevaleceu uma estratégia política que orientou de forma determinante a ação política dos trabalhadores que esperava amenizar ou contornar a luta de classes para que fosse possível um conjunto de reformas de baixa intensidade no longo prazo.

Esta estratégia, denominada de Democrática e Popular, se fundamenta na convicção que a crise da autocracia burguesa permitiria superar uma característica histórica de nossa formação social, isto é, seu caráter “prussiano”. O Brasil era uma sociedade com um Estado forte e uma sociedade civil fraca, assim o fortalecimento da “sociedade civil” geraria um cenário no qual a disputa de hegemonia favoreceria às classes trabalhadoras, diminuindo o espaço próprio da direta e favorecendo a política de esquerda.

Não foi o que ocorreu. A estratégia burguesa de transição pelo alto, controlada e segura, venceu. Não porque não se tenha fortalecido a sociedade civil burguesa e o Brasil não tenha se “ocidentalizado” nos termos gramscianos, mas justamente pelo fato do fortalecimento da sociedade civil burguesa ter acabado por criar um quadro no qual a hegemonia burguesa se consolidou, diminuindo e não ampliando o espaço para a política de esquerda.

Há aqui duas incompreensões graves no que diz respeito ao conceito de hegemonia e, por conseguinte, da compreensão do caráter do Estado. Prevaleceu uma visão mecânica que associou a autocracia ao uso da força e a democracia ao consenso. Desta forma dicotômica, ao optar pela disputa de hegemonia supostamente favorecida pelo fortalecimento da sociedade civil burguesa, retira-se da paleta de opções políticas o uso da força – seja da esquerda, abandonando a perspectiva de ruptura revolucionária, seja pela direita, com sua tradicional tendência golpista que interrompe os processos institucionais.

A maneira de contornar a luta de classes e tornar possível as reformas de longo prazo seria o pacto social. Isto é, deixar a burguesia ganhar seus lucros e criar as condições favoráveis para seus negócios enquanto, pouco a pouco, gotejam melhorias pontuais para os mais pobres. Assim a burguesia não teria razão para interromper o processo político e a disputa seria desviada para o terreno que interessaria aos trabalhadores: a disputa eleitoral e o reformismo de baixa intensidade gradualista que seria aceito pelas classes dominantes uma vez que não se trata de nenhuma mudança socialista, mas de buscar uma maior justiça social.

Neste cenário ideal a direita e suas manifestações mais gritantes se isolariam, o conservadorismo iria cedendo espaço para uma consciência social cada vez mais progressista e viveríamos felizes para sempre.

A primeira incompreensão grave é que a hegemonia de uma classe social não se define, pelo menos como Gramsci pensava a questão, pela mera disputa das consciências sociais e da legitimidade, mas tem suas raízes nas relações sociais de produção e de propriedade determinantes numa certa época histórica. A hegemonia nasce da fábrica, dizia o comunista italiano. Querer reverter a direção moral de uma sociedade mantendo as relações sociais de produção e formas de propriedade inalterada é uma tarefa impossível.

Da mesma forma é impossível separar os dois elementos constitutivos do Estado, isto é, a coerção e a busca do consenso. Dizia Gramsci:

“O exercício “normal” da hegemonia, no terreno tornado clássico do regime parlamentar, caracteriza-se pela combinação da força e do consenso, que se equilibram de modo variado, sem que a força suplante muito o consenso, mas ao contrário, tentando fazer com que a força pareça apoiada no consenso da maioria” (Antonio Gramsci, Cadernos do Cárcere, v. III, 2007, p. 95)

Vejam que combinados os elementos do par dialético força/consentimento, o Estado burguês precisa apresentar sua dominação de classe como expressão de um interesse geral, e não de seus egoístas interesses particulares.

Esta é a função da ideologia, mas como isso é possível?

Como já diziam Marx e Engels na Ideologia alemã, as ideias dominantes em uma soctiedade são as ideias das classes dominantes, mas estas só são dominantes porque expressam no campo das ideias as relações que fazem de uma classe a classe dominante. Tal aproximação teórica é essencial à compreensão do nosso tema.

O conservadorismo não é um desvio cognitivo ou moral, não é fruto de uma educação mal feita ou de preconceitos vazios de significado. O conservadorismo é uma das expressões da consciência reificada, nos termos de Lukács, ou do chamado senso comum, nas palavras de Gramsci, isto é, é uma expresso da consciência imediata que prevalece em uma certa sociedade e que manifesta, ainda que de forma desordenada e bizarra, os valores determinantes que tem por fundamento as relações sociais determinantes.

Neste sentido, o conservadorismo não veio de lugar nenhum, sempre esteve ali nas relações que constituem o cotidiano e na consciência imediata. As características desta consciência imediata já foram delineadas por Lukács e se centram nos seguintes aspectos:

a) imediaticidade, o que significa que é uma consciência que se forma nas relações imediatas do ser social com as coisas e pessoas próximas, nos contextos presenciais e que tem por horizonte de ação o tempo presente;

b) heterogeneidade, o que implica que as diferentes esferas de ação da pessoa no trabalho, na vida afetiva, nos vínculos com o sagrado (o que inclui o futebol, além da religião), na adesão à valores morais, ganham autonomia e coexistem lado a lado sem a exigência de coerência entre os elementos que conformam um determinado modo de vida e uma correspondente concepção ideal de mundo;

c) superficialidade extensiva, ou ultrageneralização, mecanismo pelo qual a experiência imediata é estendida e universalizada de contextos particulares para generalizações carentes de mediações, o que leva ao preconceito como forma imediata do pensamento no cotidiano.

Esta consciência imediata forma uma senso comum, bizarro e ocasional, isto é, formado por elementos dispares e heterogêneos relativos aos diferentes grupos ou segmentos sociais que o indivíduo entra em contato em sua vida, na família, nos diversos grupos, no trabalho, na vida pública e outras esferas.

Ainda que todo senso comum expresse as relações sociais determinantes e portanto valores da ordem burguesa, nem todo senso comum é conservador. Faz parte do senso comum, até pela característica da imediaticidade, a reação a uma situação vivida como injusta ou intolerável, a necessidade da solidariedade entre os que vivem as mesmas situações, o que constitui um núcleo saudável do senso comum ou o bom senso. Entretanto, tais características também são cruzadas pela luta de classes, isto é, podem ser elementos basilares da constituição de uma consciência de classe dos trabalhadores ou de formação de uma ação política conservadora.

Neste ponto as duas dimensões da análise se encontram. A estratégia gradualista e o governo de pacto social que dela deriva, desarmam a consciência de classe forjada nas décadas anteriores e criam uma situação na qual a consciência dos trabalhadores reverte-se novamente em alienação, em serialidade, fortalecendo o senso comum. A consciência de classe dos trabalhadores pressupõe uma clara definição do inimigo, como dizia Marx, para que os trabalhadores se vejam como uma classe que pode representar uma alternativa universal para o sociedade, outra classe tem que se expressar como um empecilho universal, um entrave que precisa ser superado; ou como dizia Freud, só é possível manter alguns em união quando se dirige o ódio para outros.

O pacto social e a política da pequena burguesia procura diluir as diferenciações de classe, em outras coisas, com a enganosa ideia de nação. Ocorre que a consciência de classe não é uma naturalidade sociológica, de forma que cada classe tem a consciência que lhe corresponde, mas ela se forma na ação política desta classe e, em grande medida, pala forma política que assume sua vanguarda. Uma ação política classista gera um forte sentimento de pertencimento e identidade de classe, uma política diluída de cidadãos, consumidores, parceiros, e outras gera indiferenciação, permitindo que se imponha a inércia da visão de mundo própria da sociedade dos indivíduos em livre concorrência.

Desarmada a classe trabalhadora de sua consciência de classe, a luta de classes que se esperava contornar e que é impossível de evitar, se manifesta. É fácil identificar os setores de direita que operam no jogo político, mas não é tão simples entender por que meios logram a adesão de segmentos sociais diversos.

A iniciativa política e o trabalho ideológico da direita é facilitado por um mecanismo que Althusser identificava como “reconhecimento”, isto é, a ideologia só pode ser efetiva se o valor ideológico encontrar na consciência imediata algo que produza um reconhecimento e a sujeite a pessoa a determinadas práticas. Neste ponto, o funcionamento da ideologia é preciso. As relações sociais interiorizadas na forma de valores que constituem uma determinada visão de mundo são apresentadas à estes valores agora na forma do discurso ideológico.

Ocorre que o discurso não é uma mera reapresentação do conteúdo mais substantivo das relações sociais internalizadas, ele o conforma de uma determinada maneira e com certa intencionalidade, produzindo um efeito político extremamente útil à dominação. Certas palavras chaves, “significantes mestres” nos termos de Lacan, ordenam a serie de palavras que são veículos de valores dando consistência a uma determinada visão de mundo orientada ideologicamente.

Isto significa, em última instância, algo muito simples. A disputa de hegemonia, que implica também, mas não somente, na disputa das consciências, é uma luta de classes e não um debate sobre valores. Só se afirma uma visão de mundo, numa sociedade de classes, contra outra visão de mundo. Neste sentido a meta do consenso nos quadros do Estado burguês é ela mesma ideológica.

No inevitável acirramento da luta de classes, os governistas do pacto social ficam à deriva porque não esperavam ter que enfrentar a direita neste cenário na qual ela, ao contrario dos gradualistas, consegue dialogar com a consciência imediata das massas. E o fazem operando eficientemente os elementos do conservadorismo deixado inalterado.

CONSERVADORISMO E FASCISMO

Há um certo exagero conceitual na tentativa de identificar este conservadorismo como fascista. Mas, nos seria útil identificar nesta ideologia elementos que correspondem ao discurso conservador no intuito de compreender sob que significantes o conservadorismo abre o dialogo com a consciência imediata.

Leandro Konder em seu livro Introdução ao fascismo (São Paulo, Expressão Popular, 2009) nos dá um bom caminho nesta direção. Primeiro ressaltemos que o fascismo, tal como Togliatti e outros definiram, é uma expressão política da pequena burguesia que serve aos interesses do grande capital monopolista/financeiro e que logra uma apoio de massas nas classes trabalhadoras. Ideologicamente ele opera necessariamente apagando suas pegadas relativas ao seu pertencimento de classe, e para tanto é essencial a ideia de Nação, de onde deriva a primeira característica do pensamento conservador: ele é extremadamente nacionalista.

A esquerda sempre flertou com a ideia de nação, mas ela é uma patrimônio da direita e uma propriedade intelectual da pequena burguesia, que por ser uma classe de transição (não é trabalhadora nem burguesa) se crê acima dos interesses de classe, sendo a legitima detentora do interesse nacional. Não cabe aqui avançar na discussão se este valor pode ou não servir a propósitos de esquerda – já serviram. Sempre achei temerário e as consequências não costumam ser boas. O que nos interessa diretamente aqui nesta reflexão é que a direita, de novo, manipula com eficiência esta ideia vaga que a nação precisa ser defendida contra seus adversários e sai às ruas com as cores da CBF.

Outro aspecto importante a ser destacado na ideologia fascista, que aqui nos serve apenas de parâmetro de análise, é opragmatismo imediatista. Derivado de um quadro de referencia imediato, de problemas ou contradições que lhe afetam de forma direta, o fascista assim como todo conservador quer uma solução. Não há história, assim como inexistem determinações fora do campo do visível. Desta forma o pensamento conservador não se preocupa se antes falava uma coisa e agora fala outra, pois não conexão entre estas dimensões, só existe o agora, o presentismo exacerbado. Dane-se o passado e não me interessa as consequências disso para o futuro, me interessa o gozo presente, o êxtase.

Tal característica remete a outras duas próprias do pensamento conservador: a preponderância das paixões e o irracionalismo. Como não existem determinações mais profundas além da aparência dos fenômenos, assim como não existe história que articule formas passadas às presentes, tudo se resume a reação instintiva e animal, as paixões. Daí que o conservador é por natureza violento e irracional.

Um fato ilustra bem isso. Um fotógrafo mineiro foi agredido na manifestação da direita porque se parecia com Lula. Vejam, um ser racional não agrediria alguém por querer participar de ato público, mas um ser irracional não se permite perguntar algo ainda mais elementar: o que estaria fazendo o ex-presidente da República disfarçado de repórter num ato da direita?

Tentar buscar algum tipo de racionalidade na direita conservadora (uma redundância, não é?) é tarefa inútil. Assim como aGlobo tentando derivar dos atos uma pauta, quando se via claramente um exercício sistemático de ódio; ou ainda a presidente Dilma e seus perdidos ministros reafirmando questão abertas ao dialogo com a malta que pede sua cabeça.

Há um aspecto que deriva, tanto do nacionalismo, como do imediatismo e do irracionalismo apaixonado: o preconceito. Todo fascista e a maioria dos conservadores tem que desembocar, mais cedo ou mais tarde, em algum tipo de supremacia que justifique sua ação. Aqui ganha uma densidade visível a operação do princípio freudiano segundo o qual o que permite a solidificação da identidade grupal é a transferência do ódio para algo ou alguém fora do grupo. É preciso criar um estigma, um preconceito, para que a paixão violenta se expresse.

Não basta a oposição a um governo, um debate sobre alternativas de sociedade. Isto tudo é racional demais. É preciso colar algo mais atávico, afetivo, que mobilize paixões irracionais. Daí a funcionalidade dos estigmas, e entre eles do anticomunismo, ainda que o alvo da raiva não seja, nem de longe, algo parecido com um alternativa comunista. Desta maneira eu posso atacar, pedir o impedimento, xingar, desejar matar e acusar sem entender o porquê. Simplesmente porque é comunista (ou judeu, ou negro, ou homossexual, etc…).

Em função da grande carga afetiva mobilizada na opção conservadora, ela exige e pressupõe a repressão da sexualidade, como já analisou brilhantemente Willian Reich. Por isso o fascista e o conservador é um moralista. O moralismo e suas manifestações associadas, como a intransigente defesa da família, por exemplo, são um elemento constante no discurso conservador, mas aqui também é necessário a alteridade, um outro que ameace a ordem e a harmonia do padrão moral, daí que não nos espanta que o discurso conservador associe o nacionalismo, a irracionalidade, o moralismo com a homofobia.

Por fim, o fascismo sempre foi um crítico da democracia e do regime parlamentar e defendeu a solução autoritária. O conservadorismo é sempre elitista. A noção de supremacia, seja racial ou outra qualquer, age aqui como a convicção que o governo deve ser entregue a uma elite capaz, forte e moralmente firme, para conduzir a sociedade na direção correta. No fundo o autoritarismo é uma consequência de tudo o que foi dito, pois aquele que clama contra o desvio moral, o risco da corrupção, na verdade está clamando por controle, inclusive contra seus próprios impulsos. Todo conservador é um sádico.

O que nos salta aos olhos é que estes elementos do discurso ideológico conservador produz a função do reconhecimento com os elementos da consciência imediata reificada, com o senso comum. Por ouro lado, a consciência de classe se constitui num tortuoso processo de rompimento com o senso comum, ainda que sempre partindo dele.

A única maneira de enfrentar o discurso e a prática política da direita é revelando sua particularidade e a natureza de seus interesses de classe. No entanto esta não é uma mera operação racional, em grande medida a luta de classes exige que a transição da alienação para a consciência de classe também opere com mecanismos subjetivos, de identidade de classe, de formação de uma nova subjetividade, de transformação cultural. O fascismo só tem espaço para crescer na derrota da esquerda.

Contra esta ofensiva da direita, que era inevitável, seria necessário agora uma classe trabalhadora que constituída enquanto classe e portadora de valores e uma visão de mundo revolucionária, que visse na ameaça fascista a necessidade de sua maior unidade. Na ausência desta consciência de classe, na desarticulação da visão de mundo de esquerda que poderia ordenar o senso comum numa direção diferente, os membros das classes trabalhadoras são devolvidos à serialidade e viram presas do discurso conservador.

Enganam-se os que querem restringir o pensamento conservador a uma categoria de eleitores, ou apenas aos segmentos médios. O grande risco é que a base de massas para alternativas conservadoras (não creio que no momento possam ser identificadas como fascistas) não pode ser somente as chamadas “classes médias”, ainda que sejam estas a caixa de ressonância por natureza da proposta conservadora. O alvo é outro. São os trabalhadores. Por isso o abandono das demandas próprias de nossa classe pelo governo de pacto social é o caminho mais rápido para dotar a alternativa de direita da base social que ela precisa.


Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.