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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vista grossa no Aleixo - A foto é antiga. Aqueles edifícios castanhos que se vêem na imagem, tirada a partir de Gaia, mostram o que era, antigamente, o Bairro do Aleixo

Vista grossa no Aleixo

A foto é antiga. Aqueles edifícios castanhos que se vêem na imagem, tirada a partir de Gaia, mostram o que era, antigamente, o Bairro do Aleixo. Bairro de má fama, mais ou menos como o comum mortal vê a Comporta é hoje para os ricos, estão a ver mais ou menos a dimensão da coisa? Hoje restam três torres, se não me falha a memória do fim-de-semana.

Que havia problemas no Aleixo é inegável. A começar pela forma guetizada como foi concebido, como foram a maioria dos bairros sociais e como são ainda hoje alguns bem recentes. Mas o problema do Aleixo nunca foi só o tráfico de droga. Isso combate-se, quando e onde se quiser, desde que haja articulação entre apoios sociais. As demolições do Aleixo tiveram uma causa simples: uma vista daquelas sobre o Douro e sobre as caves do lado de Gaia não é para gente pobre. É uma vista toda grossa, cheia das curvas do rio e a transbordar da beleza das pontes.
Os condomínios fechados que começaram a cercar o bairro ajudam a provar isso mesmo. Seguranças à porta e tudo trancado a sete chaves, separados do ambiente que os rodeia, numa espécie de brasileirização social. Pobres de um lado do muro, ricos do outro.
Um pobre não pode ter uma vista bonita a partir da janela de casa.Isso paga-se. Paga-se com favores, claro está, porque quando acabarmos nós de pagar esta onda de choque nos bancos – e a manter-se a actual crença de que o problema é da supervisão e não do sistema – eles voltarão com toda a força. É cíclico.
Vem aí mais dinheiro da UE e o país do betão baterá outra vez à porta, agora com menos alcatrão, que já há pouco espaço no litoral para mais autoestradas. Daqui a dez anos estaremos a lamentar a forma como foram utilizados os fundos, os coveiros lamentarão as quotas de pesca e da agricultura, as derrapagens nos orçamentos e tudo o que já vimos.
O Aleixo foi demolido porque um pobre só pode ter outras janelas na frente das suas, ou paredes de armazéns, ou vistas para autoestradas. Um pobre tem de ter as vistas curtas, em todos os sentidos. Por isso nos roubam a educação, a saúde, a segurança social. Para estarmos todos com as vistas curtas, demasiado ocupados a sobreviver para nos preocuparmos com outras coisas. É a puta da necessidade que é maior do que a moral.
Um pobre tem de olhar para a reportagem da TVI sobre o caos nos hospitais e acreditar que é inevitável. Ouvir um filho da puta de um secretário de Estado dizer que estava tudo normal, com imagens que lembram a Síria, e fechar os olhos àquelas palavras, porque amanhã tem mais um dia para sobreviver.
Evidentemente que a demolição do Aleixo teve nada a ver com o tráfico de droga. Até porque não o resolve; deslocaliza-o para outros bairros e para outras zonas. Toda a gente sabe isso. Pode é querer ou não dizê-lo. O Aleixo teve o azar de ter uma vista linda, de dar algum alento aos pobres, num país melhor onde as pessoas estão pior, seja isto o que for.
Via: Manifesto 74 http://ift.tt/1CNJdQu

Elementos da nova sexualidade - "A identidade masculina se caracterizou por padrões patriarcais e estruturais em todas as manifestações da sociedade por milhares de anos, na competitividade e no poder. Traços como o medo, o pranto, a dor e outras manifestações do sentimento não cabem no estereótipo do homem.

Elementos da nova sexualidade

Elementos da nova sexualidade
por Rubín Morro, Delegação de Paz das FARC-EP

"A identidade masculina se caracterizou por padrões patriarcais e estruturais em todas as manifestações da sociedade por milhares de anos, na competitividade e no poder. Traços como o medo, o pranto, a dor e outras manifestações do sentimento não cabem no estereótipo do homem. No longo processo da socialização do menino influem, normas e valores próprios de uma sociedade basicamente machista, que castram a verdadeira masculinidade. Impõem-se aos homens exclusivos conceitos como atividade, força, dureza, virilidade, abrigo, incentivo, proteção, invulnerabilidade, racionalidade, castigo, poder, respeito, provimento, coragem, resistência, ira, exterioridade, reflexão e ordenação. Logicamente, todo o contrário para a mulher: submissão, inferioridade, passividade, compreensão, espera, complacência, intuição, paciência, vulnerabilidade, debilidade, resistência, pranto, etc."

Elementos da nova masculinidade

“O homem e a mulher não nascem, se fazem; são resultado do desenvolvimento político, social, econômico e cultural da sociedade. A partir do nascimento, o bebê de sexo masculino já começa a se dar conta do que se espera dele por ter as características de seus órgãos genitais. No entanto, não basta nascer com um pênis para se transformar em homem. Existe um caminho a ser percorrido até chegar a sê-lo. Os primeiros anos de vida são fundamentais e responsáveis pelas características do homem que vai surgir”.(Revista Cubana de Saúde Pública).

A nova masculinidade não quer dizer que se renuncie a sua condição de identidade de homem como tal. Não se trata disso. Trata-se da mudança que o homem em sua condição assume responsabilidade e papeis até agora pré-determinados exclusivamente para a mulher, produto do machismo. A nova masculinidade faz do homem mais humano, um novo conceito teórico e prático em sua relação diária com a mulher em termos de sentimentos, trabalho, igualdade e equidade de gênero.

O homem no novo conceito da masculinidade moderna já não esconde seus sentimentos, seus afetos, seu amor. Encontra-se a si mesmo no conceito de sua masculinidade baseado em seu encanto, ternura e segurança como guia de seu comportamento na sociedade.

A identidade masculina se caracterizou por padrões patriarcais e estruturais em todas as manifestações da sociedade por milhares de anos, na competitividade e no poder. Traços como o medo, o pranto, a dor e outras manifestações do sentimento não cabem no estereótipo do homem. No longo processo da socialização do menino influem, normas e valores próprios de uma sociedade basicamente machista, que castram a verdadeira masculinidade. Impõem-se aos homens exclusivos conceitos como atividade, força, dureza, virilidade, abrigo, incentivo, proteção, invulnerabilidade, racionalidade, castigo, poder, respeito, provimento, coragem, resistência, ira, exterioridade, reflexão e ordenação. Logicamente, todo o contrário para a mulher: submissão, inferioridade, passividade, compreensão, espera, complacência, intuição, paciência, vulnerabilidade, debilidade, resistência, pranto, etc.

Estas realidades, através dos anos e da luta pelo reconhecimento social e político, foram rompidas como a afirmação do papel protagonista de homens e mulheres na história: a luta por uma sociedade mais justa e equitativa nos tirou deste labirinto de papeis imposto pelas tradições e a má educação. Tanto a mulher como o homem vem se posicionando fortemente frente a suas responsabilidades e o debate permitiu uma discussão universal em todas as manifestações da vida, por resgatar nossa verdadeira identidade como seres humanos, em uma construção social cuja essência se possa expressar livremente sem ser violentados ou estigmatizados.

O desenvolvimento da identidade se forja mediante a interação das pessoas com seu entorno social e cultural. Sem dúvida, existem marcadas diferenças físicas e psicológicas entre mulheres e homens, algo que se manifesta na relação com outras pessoas no viver diário; ou seja, não somos iguais. No entanto, apesar dessas diferenças físicas e psicológicas, ambos são seres humanos; de onde se depreende que, apesar das diferenças existentes, se impõe a equidade, motor do desenvolvimento social. Fazer o justo, dar o justo, todo um complemento humano entre mulher e o homem.

Ante estas normas e desafios sociais impostos, somos obrigados a alcançar uma identidade masculina que permita aos homens serem pessoas no mais amplo sentido da palavra, baseando-se em conceitos como: aceitar a própria vulnerabilidade masculina; aprender a expressar emoções e sentimentos; a buscar ajuda e apoio; assimilar métodos cordiais para resolver conflitos e aceitar atitudes e comportamentos considerados femininos (atenção e cuidado com seus filhos e filhas, cozinhar, varrer, lavar, expressar afetos, etc.), o que ao final nos deve levar a um desenvolvimento humano mais completo.

Frente aos padrões tradicionais que limitam o verdadeiro conceito do homem, vai surgindo uma nova masculinidade que rompe com os estereótipos, até conseguir uma identidade que permita ser uma pessoa, acima de ser homem. Uma construção social que deve iniciar-se na tenra idade, para ir criando no menino valores humanos de identidade própria, sem papeis pré-determinados. Nos adultos, trata-se não apenas de participar do debate, mas em fazer esforços para chegar a uma práxis diária que implica uma nova conduta e comportamentos, que vão situando em uma condição mais humana, do novo homem.

Estas realidades, hoje mais do que nunca, estão na agenda diária em todas as latitudes e todos os setores sociais. Ao lado de outros temas necessários de serem abordados, como são a compreensão, reconhecimento e respeito à comunidade LGBT e toda sua diversidade sexual, que cada vez vão conseguindo fazer-se mais visível e ir posicionando a afirmação social e política de seus direitos como seres humanos.

Necessitamos ter a mente aberta ao abordar esses temas, já que são realidade, independente de gostarmos, estarmos ou não de acordo.






Fonte/Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)



AVISO AOS FILHOS DA PUTA QUE NOS GOVERNAM . É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI. À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.

Aviso aos filhosdaputa que nos governam

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É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI.  À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.
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Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência. Ora não há privados que cubram as urgências de um país, pelo simples facto que este lado do negócio apenas dá lucro em Lisboa e Porto e mesmo assim não cobre todas as necessidades. E depois os serviços de emergência médica não vos vão diferenciar se vos estampardes numa estrada, se tiverdes um ticoteco na rua, uma emergência, portanto.  Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre…
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abrildenovomagazine.wordpress.com

APROVADA A INSOLVÊNCIA DA TECNOFORMA (VÍDEO)

A Tecnoforma deve cerca de 400 mil euros ao Novo Banco. A empresa por onde passou Passos Coelho, como consultor e administrador, viu ontem aprovado o plano de insolvência.


video

EUA - FOI PRESO E LEVOU MULTA POR ARMAZENAR ÁGUA DA CHUVA

30 dias de prisão e 1400€ de multa por armazenar água da chuva

Um homem residente em Oregon, nos Estados Unidos, foi condenado a 30 dias de prisão por armazenar água da chuva na sua casa, conta a ABC.

Gary Harrington tinha três grandes recipientes na sua residência para armazenar água, o que de acordo com o Estado norte-americano é ilegal.
Sendo que, a água é propriedade pública, quem quiser armazená-la terá de pedir uma autorização.
Além de ter sido sentenciado a 30 dias de prisão, Gary terá ainda de pagar cerca de 1.400 euros de multa.


Loucura e coragem - Estes islandeses estão definitivamente loucos, dirão as nossas elites do poder:

Loucura e coragem

Estes islandeses estão definitivamente loucos, dirão as nossas elites do poder: depois de terem saído da crise e apostado no emprego na base do enfrentamento com os credores, da punição dos banqueiros, da instituição de controlos de capitais, da desvalorização cambial, da rejeição da UE, feita para impedir tais loucuras, agora ousam pensar numa alteração radical do sistema monetário e financeiro, passando o controlo do crédito, do essencial da criação monetária, da banca privada para as mãos de um banco central sob tutela democrática. Como disse a este propósito o Nuno Teles ontem ao Negócios, “o mercado não é eficiente na alocação de crédito”. Podendo ter várias configurações, as alternativas radicais, ou seja, sensatas, pressupõem soberania democrática, ou seja, instrumentos de política que permitam passar do debate à acção consequente.

Por falar nisto, mero pretexto, não podia deixar de assinalar esta corajosa e expressiva acção simbólica no coração da pós-democracia europeia... 



ladroesdebicicletas.blogspot.pt

Quase 8500 crianças e jovens em instituições em 2014 - Um total de 8470 crianças e jovens estavam, em 2014, em instituições de acolhimento, segundo um relatório do Instituto de Segurança Social.

Quase 8500 crianças e jovens
 em instituições em 2014

Um total de 8470 crianças e jovens estavam, em 2014, em instituições de acolhimento, segundo um relatório do Instituto de Segurança Social.

O relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento de Crianças e Jovens CASA 2014 foi entregue no parlamento, esta quarta-feira, num encontro entre o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social e a presidente da Assembleia da República.

Em 2013 estavam em situação de acolhimento 8445 crianças e jovens.

De acordo com documento síntese do relatório, 2143 crianças e jovens entraram no sistema de acolhimento em 2014 e outras 2433 que se encontravam no sistema regressaram às suas famílias, autonomizaram-se ou foram adotadas.
.
Nos jovens com mais de 18 anos que deixam as instituições a grande maioria continua com a medida de proteção/acompanhamento no seu projeto de vida.

Dos 2433 menores que deixaram de estar no sistema de acolhimento (lares de infância e juventude), um terço permaneceu menos de um ano.

O Instituto de Segurança Social destaca ainda como indicador importante o facto da permanência em acolhimento ter sido reduzida para as crianças entre os 0 e os 3 anos (183 casos, sendo que a maioria tem como projeto de vida a adoção).

Por outro lado, o mesmo documento destaca um aumento de 10% na identificação de jovens com características particulares designadamente: problemas de comportamento (2164 casos), deficiência mental ou debilidade mental.

Em 2014, um total de 3922 menores em acolhimento foram acompanhados em pedopsiquiatria ou psicoterapia.

Há ainda registo de um decréscimo em 6% do insucesso escolar na faixa etária dos 10-11 anos e 17% entre os 12 e os 14 anos.

O documento síntese revela ainda que relativamente à situação de perigo que levou ao acolhimento de crianças e jovens a que mais se destaca é a falta de supervisão e de acompanhamento familiar, mantendo a tendência de anos anteriores.

Na entrega do relatório CASA, o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social anunciou que a monitorização da situação dos menores em acolhimento em Portugal deve evoluir para um sistema de informação integrado que informe, a todo o tempo, da evolução do seu projeto de vida.

Este sistema integrado deverá interagir, segundo o ministro, com o sistema das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens e da Assessoria Técnica aos Tribunais.

Neste âmbito, adiantou, passará a ser obrigatório o registo das frequências destes menores acolhidos, quer nas respostas sociais do sistema de segurança social, quer nos colégios de ensino especial e comunidades terapêuticas, permitindo assim o registo de informação mais qualitativa.

* Uma tristeza.



apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

CARTOON - GREVE NA CP


Bandarra o Profeta Sapateiro - Profeta, poeta e sapateiro, de seu nome Gonçalo Anes e de alcunha Bandarra, perpetuou em trovas o futuro de Portugal. Para os que se interessam pelo porvir, confiram nas suas trovas sibilinas o destino que nos espera. Do passado, vos trago os respingos da sua odisseia com o Santo Ofício











































BANDARRA




















Bandarra, o Profeta Sapateiro, de nome Gonçalo Anes

Quem foi Gonçalo Anes, a quem os seus contemporâneos alcunharam de Bandarra) Sapateiro de correia - eufemismo com o significado de fabricante de calçado - com loja aberta em Trancoso, terra da sua naturalidade, deu em versejar umas "esquisitices" de bom agrado para os cristãos-novos e de mau agoiro para a Inquisição. Mais tarde, foram aproveitadas as profecias para servirem o mito nebuloso do regresso de D. Sebastião, o "Encoberto", a causa dos revoltosos e restauradores de 1640, a derrota de Napoleão em terras lusas e o mito do Quinto Império, incendiado pelo Padre António Vieira e por Fernando Pessoa.
Sabe-se que nasceu no início do século XVI, viveu meia centena de anos e livrou-se, por um triz, de arder na fogueira da Inquisição. Da figura deste "Nostradamus português" possuímos a gravura do séc. XVII, de autor desconhecido, para satisfazer o rosto da obra de D. João de Castro, o primeiro editor das trovas do profeta. Salvou-se o grafismo da sua assinatura nos autos do Santo Ofício; por esta santa instituição ficamos a conhecer os passos e as alvíssaras do acusado, entre 1538 e 1541. Resta-nos a maternidade do túmulo na Igreja de São Pedro, em Trancoso, em granito lavrado, que regista o ano da morte no ano de Nosso Senhor de mil quinhentos e quarenta e cinco.
Bandarra - bandurra - tunante
Com a sua veia profética, Bandarra não ganhou, para além dos dissabores, um ceitil. Morreu pobre, em ignoto casebre no Vale do Nogueirão, cerca de Trancoso, sustentado por duas filhas (uma delas casou no mesmo dia em que a outra entrava para o Convento de Santa Clara de Trancoso) e, possivelmente, por alguma companheira, da qual não reza a História.
Deve ter nascido em berço de ouro, mas fazendo jus à alcunha (bandarra-bandurra-tunante) deve ter desbaratado a fortuna em boa-vai-ela até à penúria. Daí que, ainda cedo, "para acudir à sua pobreza, tomou o oficio de sapateiro de correia". Nos interins do calçado, instruía-se em leituras avulsas, designadamente a da Bíblia em linguagem vulgar (por não a saber ler em Latim) e da qual lhe ficaram "as principais partes na cabeça".
Deu em versejar e em vaticinar coisas e loisas, algumas de extremo agrado para os judeus, então a braços com a perseguição na Península Ibérica, que viam nestes escritos a vinda do Messias e a finalização do seu calvário. Dai que, em 1531, era o sapateiro convidado para se hospedar em Lisboa, na casa do livreiro judeu João de Bilbis e na de João Cansado, ourives lavrante da Rainha D. Catarina, sob o pretexto de lá ir para "negociar algumas cousas". Repetiu a visita em 1538, ouvido com atenção por cristãos-novos como João Lopes Caixeiro, Francisco Mendes, Levi Travassos e Abraão Vermelho, todos eles interessados em espalhar "a boa nova". Primeiro, entre o restrito grupo lisboeta, às escondidas; depois, aos quatro ventos, alto e bom som. Com a oralidade dos poemas seguia a alcunha do autor, e caso desse para o torto, como deu, não sendo ele cristão-novo ou "gente de nação", tinha costas largas para as apanhar.
Abrenúncio!
Tropearam as trovas por todo o lado, de modo que chegaram ao sul. Um tal Afonso de Medina, que andava por terras alentejanas em correição e pregação, deu por elas em forma de manuscrito. Ora, aquele não gostou do que leu. Segundo era fama, tratava-se de um manifesto profético, panfletário e uma espécie de roteiro revolucionário para a judiaria. Com desembaraço, como se impunha, Medina alertou os superiores.
No Palácio dos Estaus, em Lisboa, onde o Santo Oficio exercia o mester, a nova caiu como uma bomba: um sapateiro, possivelmente de letras gordas, das Beiras − onde, conforme escreveu, mais tarde, D. João de Castro "comummente a gente não é muito polida nem atentada no escrever.", passe a aleivosia − trazia alvoroçados os judeus de Portugal. Abrenúncio!
O despacho carecia de celeridade. Daí, ter saído a ordem: prenda-se o dito sapateiro versejador e traga-se acorrentado; que venha à viva força, bem amolgado de costelas, até à enxovia do Santo Oficio, onde será mantido a pão e água como conduto e a açoites como sobremesa, para a seu tempo ser julgado por tão alta traição.
Estaria redigida destarte a ordem que fez trazer à força o Bandarra até às sobreditas prisões inquisitoriais (onde, sabemo-lo hoje, os hospedeiros não se davam a mimos e pamplinas) e a ser julgado algum tempo depois. A encabeçar a façanhuda tríade de juízes estava D. João de Melo e Castro, desembargador de Évora e na qualidade de substituto do inquisidor-geral. Algemado e carregado de grilhões, custodiado por beleguins e outras varas da justiça, compareceu Bandarra na sala do despacho. Ia avisado do que podia suceder-lhe, muito pior do que o tratamento de tortura no potro e na polé. Todos os presos temiam a fogueira do Santo Oficio, dita da purificação dos corpos e almas (por ser santa, não deixava de ser fogueira), mas que reduzia a torresmos os condenados. Mais coisa menos coisa, negou o sapateiro ser judeu, o que deve ter sido conferido pela Inquisição. Obrigaram-no a renegar heresias e apostasias, leu-lhe a sentença o inquisidor-mor, Jesus Christi Nomine invocato, onde se condenava o réu a um humilhante passeio pelos Paços da Ribeira. Experiência maligna, porém leve, de que aliás nem é suposto as profecias tratarem.
Era um homem de sorte! Outros que tais, porventura com menos matéria de facto, tinham sido submetidos à fogueira purificadora. Soubessem os zelosos e doutos inquisidores o alvoroço que as trovas do sapateiro continuariam a dar anos adiante, mesmo após a morte do autor, e a sentença teria sido bem mais severa. A propósito, não é estulto o homem que, depois de cair das malhas da Inquisição com a acusação que levava às costas, conseguiu sair do aljube com uma leve condenação a proibir-lhe bíblicas, e a um passeio com um ridículo traje de sambenito, uma Cruz de Santo André e um cirio amarelo nas mãos. Mais se afigura que Bandarra deixou transparecer ao juiz do processo a imagem da galinha que cacareja mas não põe ovo.
Barba branca, sorumbático
e compenetrado
Então não era volvida uma centena. de anos, as profecias continuavam a trazer dor de cabeça ao Santo Oficio? Era preso o Padre António Vieira no cárcere da custódia de Coimbra, com a acusação de defender as profecias do Bandarra e outras falsas interpretações da Sagrada Escritura. D. João de Melo, na sepultura, devia ter dado dois esticões e apenas por ter utilizado no julgamento uma mão tão leve.
A odisseia proibitiva não era conclusa. Por edital de 1665, lido em todas as igrejas do Reino, o profeta (cujos ossos quedavam há mais de cem anos sepultos) era tratado por "idiota" e "amigo de novidades", sendo excomungado todo aquele que se dedicasse à leitura dos seus escritos supostamente idiotas. Mais tarde, em 1768, com a entrada clandestina de livros impressos com as coplas proféticas, novo edital proibia a posse e a leitura dos mesmos. Se Bandarra fosse vivo, de certo ia malhar na fogueira. Como não era, foi cevada a raiva sobre o epitáfio mandado lavrar no túmulo, picando-se este à ordem do inquisidor-geral D. Veríssimo de Lencastre. Felizmente, o encarregado do "serviço" não o executou à letra da ordem, deixando para nós ainda formas de leitura, vá lá saber-se se avassalado por respeito pelo morto se por menos zelo na arte de bem picar toda a pedra.
É um Bandarra de barba branca, sorumbático e compenetrado, que se nos afigura na gravura "oficializada". Esta gravura, da edição de 1603 (a primeira impressão das profecias) teria sido encomendada por D. João de Castro a um anónimo gravador de Paris, o qual não viu mais gordo o profeta de Trancoso. Não se sabe se circulavam algumas gravuras com o rosto do sapateiro, donde uma destas ter provavelmente servido de fonte para o gravador parisiense. Pelo sim, pelo não, tem-se como reprodução coeva, com a figura do vate devidamente identificada junto a um balcão do oficio, aperaltado para o retrato com uma espécie de chapéu tirolês na cabeça e a talhar, sem molde, quiçá um par de chapins.
Desta figura, Fernando Pessoa chegou a afiançar: "O verdadeiro patrono do nosso País é esse sapateiro Bandarra. Abandonemos Fátima por Trancoso (...). O Futuro de Portugal − que não calculo mas sei − está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra (...). O Bandarra, símbolo eterno do que o povo pensa de Portugal".
De tão evidente, o seguinte verso do Bandarra poderá ter sido um dos seus derradeiros auspícios, cumprido e perpetuado que se encontra:
Em dois sítios me achareis,
Por desgraça ou por ventura:
Os ossos na sepultura,
A alma nestes papéis.
Melhor do que eu, que nem a taluda sei profetizar, Bandarra sabia o que predizia. Grande profeta ou não, em uma das suas coplas parece confirmar a continuidade do pretérito português:
Sou sapateiro, mas nobre
Com bem pouco cabedal:
E tu, triste Portugal,
Quanto mais rico, mais pobre.
De profeta, nada tenho. Quanto a saber do destino da muito querida Pátria, basta-me o aforismo: mais vale um bom desengano, que toda a vida andar enganado. ■
Bandarra e o conserto das botas
Na terra da naturalidade do profeta, onde tudo parece assumir, como topónimo, apelido, identidade comercial, cultural ou institucional, a sua alcunha, corre esta lenda, assacada com foros de veracidade para determinar o poder sibilino do mui lembrado conterrâneo.
Deu-se o caso de ter parado em Trancoso um almocreve ou recoveiro, que jornadeava de passagem no cumprimento de um frete. Trazia nas mãos um par de botas para o conserto e meia dúzia de grossas bolhas nos pés, o pobre do homem! Sabendo da existência de um despachado e competente sapateiro-remendão, entregou-lhe o serviço. Feito este, prontificou-se o almocreve a pagar o justo valor pela prestação do trabalho, de qualidade e asseado, como se o par de botas acabasse de deixar a matriz. Porém, Bandarra, em vez de lhe cobrar sequer um ceitil, profetizou, nesta copla, o saldo da sua dívida:
Irás e virás / Na praça me acharás / Meio dentro e meio fora / E então me pagarás.
Foi-se o arrieiro satisfeito por ter poupado alguns cobres e a julgar desaparafusado do juízo aquele sapateiro. Só que, anos volvidos, passando novamente por Trancoso, o mesmo almocreve viu na igreja, situada na praça, meio dentro e meio fora da porta do templo, o esquife que lhe disseram ser de Bandarra. Lembrou-se dos versos do vate, puxou da bolsa e pagou as despesas do funeral.
SABE-SE QUE NASCEU NO INÍCIO DO SÉCULO XVI, VIVEU MEIA CENTENA DE ANOS E LIVROU-SE, POR UM TRIZ, DE ARDER NA FOGUEIRA DA INQUISIÇÃO.

As filhas do Bandarra
Conta-se por tradição ter Bandarra deixado duas filhas. Chamavam-se as cachopas Isabel e Maria. Seriam moças de lavoura, rijas e maninhas, pelo que viveriam no casebre deixado como bem de raiz pelo progenitor.
Foi o caso de Maria ter sido presa devido ao facto de ter colaborado na representação de um auto, naturalmente proibido pelos representantes do sagrado. Para cumprirem ordem do tribunal, dois soldados foram destacados para trazerem a rapariga detida, debaixo de armas, sem glória nem sobressaltos.
Já entre a custódia dos dois soldados, Maria sossegou a irmã e tratou de vaticinar, tal como seu pai, desta guisa:
Mais uma e outra vez
Ou será antes ou depois;
Daqui saímos três,
À chegada seremos dois.
Desde o sítio onde viviam até Trancoso era tudo a subir, mas a bom subir, por carreiras abertos com os pés dos passantes entre pinheiros, fetos e urzes. Assim, andaram um bom bocado, a detida entre os dois militares e estes receosos que ela fizesse por cumprir a profecia anunciada e fugisse.
Chegados ao cimo da ladeira, sem que se dessem ao cuidado de uma leve pausa na marcha e na vigilância, um dos soldados caiu ao chão. Parecia que um raio o tinha fulminado. Ainda lhe acudiu o companheiro, mas o coitado logo ali morreu.
"Ó mulher, agora entendo as tuas palavras", proferiu o soldado sobrevivente. Saímos três pessoas e chegamos duas.
E podendo ela escapar das mãos do guarda que restava, não o fez. Veio, segundo se cronica, a ser libertada da enxovia graças a peitas e influências. Posta em liberdade, procurou então a clausura, desta vez voluntária, no Convento de Santa Clara de Trancoso, tendo ali entrado em 1540, no mesmo dia e hora em que sua irmã Isabel contraía casamento.


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CAMINHOS DE FERRO - A LINHA DO VALLE DO VOUGA
























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VEJA-SE A CARA DE MEDO DE DRAGHI E CONSTÂNCIO MESMO ESTANDO A SALA SEMPRE COM SEGURANÇAS

Mario Draghi Atacado Durante Conferência de Imprensa








Presidente do Banco Central EUROPEU foi interrompido Por uma mulher Que saltou para à mesa de Draghi e LHE atirou "confeti", enquanto gritava contra a "Ditadura" da Instituição. Veja o vídeo.


A Conferência de Imprensa do presidente do Banco Central EUROPEU, em Frankfurt, foi ESTA quarta-feira interrompida POR Que uma mulher saltou para à mesa de Mario Draghi, enquanto este discursava, atirando-LHE  confeti s. Draghi lia, altura nessa, o comunicado DEPOIS da Reunião de Política Monetária do conselho de governadores do BCE.



Draghi limitou-se a afastar-se, Levantando como Mãos, e deixou a Segurança Intervir. A mulher, Que foi prontamente travada, envergava Uma t-shirt preta com a frase "Fim à Ditadura do BCE". E essas were como Palavras de Ordem that gritou Durante o "ataque" ao presidente da Instituição.
Um Jovem, com cerca de 20 anos e estava sentada Que nsa Lugares reservados para à Imprensa, foi detida Pelos guarda-Costas e Outros Membros de Pessoal de Segurança de Mario Draghi e fazer BCE.

VÍDEO