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terça-feira, 14 de abril de 2015

GRACIOSA - Raul Brandão chamou-lhe 'A Ilha Branca'. Como viajante digo que tem um verde diferente das outras oito que com ela formam o arquipélago dos Açores. É tenra, mansa, repousante e simultaneamente desafiante. Esconde segredos como a lenda da Maria Encantada e um vulcão florestado a meio do século passado que nos transporta para uma dimensão sulfurosa e mágica.


Todas as ilhas têm a sua nuvem




Raul Brandão chamou-lhe 'A Ilha Branca'. Como viajante digo que tem um verde diferente das outras oito que com ela formam o arquipélago dos Açores. É tenra, mansa, repousante e simultaneamente desafiante. Esconde segredos como a lenda da Maria Encantada e um vulcão florestado a meio do século passado que nos transporta para uma dimensão sulfurosa e mágica. Obrigatória para projetos de férias de natureza.



GRACIOSA Deve o nome aos colonizadores que assim a batizaram por ser bela e harmoniosa 

A nuvem da Graciosa é pequena. Os habitantes dizem que é a mais seca de todas as ilhas açorianas porque o relevo não abunda. A água doce passa-lhe por cima mas vai cair noutras paragens emprestando um tom esmorecido e "tenro"ao verde da paisagem. As imagens do "verde tenro" e da "nuvem" são da autoria de Raul Brandão, nome maior da literatura portuguesa, que por ali passou há 90 anos a bordo do São Miguel, numa viagem de Lisboa ao Corvo.
As notas dessa viagem estão publicadas em "As Ilhas Desconhecidas". Contam-nos que "todas as ilhas têm uma nuvem sua, uma nuvem própria, independente das outras nuvens e do céu, e com uma vida à parte no universo."
SANTA CRUZ


É aqui que aterra o avião que vem da Terceira ou de São Miguel. A Graciosa é a segunda mais pequena das nove ilhas que formam o arquipélago dos Açores e por isso, porque o tráfego talvez não justifique, não tem ligações diretas ao continente.
Santa Cruz com os seus monumentais reservatórios de água conta a história da secura nos magníficos jardins da praça principal desta vila recheada de casas senhoriais. A praça é tranquila. Assemelha-se a uma pequena vila alentejana no silêncio; quebrado pelo ruído do mar!
Em Santa Cruz, verdadeira capital administrativa da ilha, é obrigatório ver o Museu e a Igreja Matriz. Na verdade, vale a pena entrar em todas as igrejas e quem tiver boas pernas deve subir ao Monte de Ajuda.
A TERRA DOS MOINHOS E DAS QUEIJADAS


Existem em algumas outras ilhas dos Açores mas estes moinhos de cúpula vermelha são uma imagem da Graciosa. Lindos, cuidados, a lembrar o tempo passado em que tudo o que se comia tinha de ser produzido na ilha. Agora a história é outra e Vila da Praia, a terra onde acosta o barco que faz a ligação inter-ilhas, tem uma avenida de moinhos prontos para receberem pessoas (uns para visita, outros para alojamento). E tem também um café "O Ilhéu" onde se provam as magníficas queijadas da Graciosa e outras guloseimas produzidas na fábrica que fica numa rua mais recuada da mesma vila.
Nos tempos que correm as queijadas talvez sejam o produto mais exportado da Graciosa. Mas o ícone mais famoso será sempre o Ilhéu da Praia, defronte da vila, expoente máximo do título de Reserva da Biosfera da Unesco que a ilha (juntamente com o Corvo) conquistou em 2007. Este ilhéu é um paraíso para observadores de aves que terão de tentar contactar os responsáveis locais pelo ambiente ou as agências de viagem locais para lá chegar. Não é fácil, os graciosenses ainda não se aprimoraram na arte de organizar estes passeios para visitantes.
A CAMINHO DA FURNA DA MARIA ENCANTADA


A lenda da Maria Encantada é um bom pretexto para uma vista panorâmica na parte sul da ilha e para aguçar a vontade de conhecer uma lenda local. A furna desta mulher que terá sido das poucas sobreviventes de uma explosão vulcânica é acessível por uma estrada que contorna a parte superior da Caldeira. Quem entrar na furna e a atravessar encontra a deslumbrante imagem de um vulcão gigantesco (cratera com 4,4 km de diâmetro) completamente arborizado. Um cenário mágico para contemplar e desfrutar a caldeira vulcânica de maiores dimensões da Europa.
O plano de arborização foi feito em meados do século passado para contrariar a erosão e a secura. Até aí o interior da caldeira era inóspito. Nada a ver com o ambiente que quase transporta a imaginação do visitante para um bosque dos Alpes Suiço, inundado por espécies exóticas como a Camellia japonica ou a Cryptomeria japonica que tão bem se adaptaram aos Açores.
O interior da caldeira é acessível de carro pela base do vulcão. Atravessa-se o túnel e entra-se noutra dimensão.
A segunda maravilha deste parque natural é a furna do enxofre, uma cavidade em abóbada com 40 metros de altura. São precisas boas pernas e bons sapatos para lá chegar. O acesso é feito pelos 183 degraus de uma torre construída em 1939. No seu interior encontra-se um lago de água fria e uma fumarola com lama, responsável pela libertação de gases, recordando a sua origem vulcânica.
"O chão da Furna do Enxofre, parcialmente coberto por blocos caídos do teto, é inclinado para sudeste e termina num lago de água fria que ocupa a parte mais funda da estrutura", indica a informação do parque.
"As características peculiares da Furna do Enxofre tornam-na num dos pontos turísticos de maior interesse não só da ilha Graciosa, mas de todo o arquipélago dos Açores". Longe vão os tempos em que o príncipe Alberto do Mónaco (que visitou várias ilhas dos Açores no século XIX) foi obrigado a descer por cordas para conhecer a furna e "entrar na conduta principal, ou chaminé, de um vulcão activo" como se lê na informação do parque.
A BANHOS NO CARAPACHO


Há um veio da água sulfurosa da furna que quer caminhar para o mar e desemboca nas piscinas até há pouco naturais do Carapacho, hoje um pouco acimentadas pelo homem. Na Graciosa quase que não existem praias de areia e as piscinas completamente naturais ou um pouco artificializadas são a melhor maneira de ir a banhos.
No Carapacho há uma piscina onde a água do mar se mistura com a água que vem da furna; os locais acreditam nas propriedades terapêuticas da sua água tépida. Imediatamente atrás, num velho balneário termal restaurado, funcionam as termas/spa do Carapacho onde se pode descer aos aquíferos subterrâneos que outrora abasteciam as termas, obrigando um conjunto de trabalhadores a trabalho braçal para o transporte.
As termas do Carapacho funcionam todo o ano e são um local aprazível para hidromassagens e duches vichy. A cheirar a enxofre mas o enxofre cura maleitas de várias espécies.

NOTAS - SOBRE CUBA

SOBRE CUBA


CLARO QUE ME REGOZIJO POR CUBA FICAR DE FORA (TUDO INDICA QUE SIM) DA LISTA NEGRA CRIADA PELOS MAIORES TERRORISTAS DO MUNDO, OS MAIORES TANTO A NÍVEL INTERNO COMO EXTERNO.


A FAMIGERADA LISTA É ACTUALIZADA TODOS OS ANOS E OBAMA "GARANTIU" AO CONGRESSO QUE CUBA HÁ 6 MESES QUE NÃO APOIA O TERRORISMO NO MUNDO (VEJAM SÓ) E OUTRO MEN QUE AGORA NÃO ME LEMBRO O NOME, DISSE QUE CUBA DESDE 1982 NÃO APOIA A INSURREIÇÃO ARMADA NA AMÉRICA LATINA (ISTO É QUE É PREOCUPANTE) ESTANDO PORTANTO REUNIDAS AS CONDIÇÕES PARA NO FUTURO NÃO SE CRIAREM EMBARGOS.


NÃO SEI QUE PREÇO IRÁ PAGAR CUBA COM ESTAS NEGOCIAÇÕES E SE AS MESMAS NO FUTURO SERÃO BENÉFICAS PARA O SEU POVO OU SE CUBA IRÁ SER INVADIDA PELO LIXO AMERICANO TAL COMO ACONTECEU NO PASSADO.


DESEJO SINCERAMENTE O FIM DO EMBARGO (QUE SEMPRE FOI INJUSTO E FOI SEMPRE UMA ARMA PARA DERRUBAR O SISTEMA CUBANO) E QUE RELAÇÕES NORMAIS SEJAM UMA REALIDADE.


TERMINO DIZENDO QUE FIDEL LHE DEVE CUSTAR A ENGOLIR TODA ESTA FANTOCHADA POR PARTE DE QUEM O QUIS ASSASSINAR DEZENAS DE VEZES, ISTO PARA NÃO FALAR DE CHE GUEVARA, CAMILO CIEMFUEGOS, POMBO E OUTROS REVOLUCIONÁRIOS, ESSES SIM QUE RETIRARAM CUBA DAS MÃOS DE FULGÊNCIO BATISTA E DEVOLVERAM A DIGNIDADE AQUELE PAÍS CONHECIDO COMO A CASA DE BANHO E BORDEL DOS IMPERIALISTAS AMERICANOS


António Garrochinho

Banqueiro francês acusado de corrupção foi detido na Grécia

Banqueiro francês acusado de corrupção foi detido na Grécia 


Jean-Claude Oswald era alvo de um mandado internacional de captura, foi acusado de branqueamento de dinheiro. Por Lusa Um banqueiro francês suspeito de ser intermediário, na Grécia, em vários escândalos de corrupção do Estado relacionados com compras de armas foi detido esta quarta-feira pelas autoridades gregas. Jean-Claude Oswald, antigo quadro do banco BNP Paribas e do Dresdner Bank, que trabalhou sobretudo na Suíça e era alvo de um mandado internacional de captura, foi acusado de branqueamento de dinheiro. O banqueiro foi interpelado no sábado em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, e levado para a Grécia, onde foi ouvido por juízes de instrução criminal sobre vários processos, um deles relativo à compra de armas pelo Ministério da Defesa à empresa alemã Wegmann. 

 http://www.cmjornal.xl.pt/

O homem que pinta corações - Não é preciso procurar nos lugares mais escondidos, ainda que também os encontremos neles. Aliás, não é preciso sequer saber que existem para reparar neles enquanto se viaja pela ilha de São Miguel, 65 quilómetros de comprimento para 15 de largura.

O homem que pinta corações

Não é preciso procurar nos lugares mais escondidos, ainda que também os encontremos neles. Aliás, não é preciso sequer saber que existem para reparar neles enquanto se viaja pela ilha de São Miguel, 65 quilómetros de comprimento para 15 de largura. Em algum momento repararão naqueles corações estilizados como em BD ou quadro de Pop Art, envolvidos por flores, plantas, animais. Alguns surpreendem-nos numa esquina em Ponta Delgada, outras descobrem-se à entrada de um café. Aparecem perante nós quando andamos por Lagoa ou na fachada de uma casa abandonada enquanto conduzimos pelas vias rápidas.

Há 278 pinturas destes corações espalhadas por São Miguel. Quanto tudo tiver terminado, serão 365, sem repetições. “Um para cada dia do ano.” É o autor que o diz. Chama-se Yves Decoster e deve ser o belga mais açoriano que existe. É o que intuímos quando fazemos as contas aos anos que vive em São Miguel desde que chegou, nos anos 1980. É o que temos por certo depois de passar algum tempo a ouvi-lo no seu português, o de um belga com sotaque micaelense perfeito.
Na ilha, todos conhecem os corações de Yves. E, desde que desenhou o primeiro, na Lagoa, em 2011, muitos de fora também os conheceram. Intrigados, foram em busca do seu autor e acabaram por levar para casa um coração belga-açoriano como recordação. Mas porquê passar os dias a cobrir São Miguel de corações? Foi para o descobrir que procurámos Yves. Como suspeitávamos, é uma questão de amor.
Passado o portão que nos é aberto por Yves Decoster, montado entre as paredes coloridas que protegem o interior do terreno da vista de quem passa por aquela rua na localidade do Livramento, descobre-se um refúgio dentro desse outro refúgio que é, para quem a visita, a ilha de São Miguel. Uma pequena elevação conduz à casa que acolheu durante mais de duas décadas o Pavilon Villa, restaurante onde a culinária portuguesa se cruzava com a belga e que, dizem-nos, era espaço muito considerado pelo seu requintado recato. À direita, o olhar segue o curto declive e demora-se um pouco na imponente araucária que se ergue, destacada ao centro, acima das restantes árvores. Demorar-se-á mais ainda a ver o burro e o cavalo que caminham lentamente sobre a relva num invejável dolce far niente.
O cavalo foi salvo de uma vida de maus tratos, explica Yves. Resgatado e de novo saudável, passeia pachorrento pelos seus novos domínios — vida abençoada e sem preocupações, esta que leva agora. Para ele, o refúgio é este pequeno terreno. Para Yves Decoster, belga nascido há quase seis décadas em Colónia, Alemanha, onde o pai militar estava estacionado, o refúgio é toda a ilha. Na verdade, refúgio já nem é a palavra certa.
Todo o mundo e solidão
Yves e Roland, o seu companheiro, aterraram pela primeira vez nos Açores em 1982. Voltaram todos os anos até 1988. Em 1989 já não precisaram de voltar. “Depois de seis anos a vir aqui de férias decidimos que tínhamos que mudar a nossa vida. Se estás sempre a pensar nos Açores, e era isso que acontecia, queres viver cá.” Tanto queriam viver nos Açores que, desde que chegaram, deixando para trás a empresa de publicidade e decoração que lhes ocupara o tempo durante dez anos, não mais saíram. “Era qualquer coisa que nos chamava”, diz Yves, conversa directa e sorriso traquina pronto a espreitar a cada momento, apesar da serenidade ímplicita naquilo que diz. “Aqui tens que ter paz de alma, tens que estar bem contigo mesmo. Esta ilha tem dinamismo, mas é de outro tipo. É o do tempo, o da luz. Vivemos aqui há 26 anos e, até hoje, nada foi aborrecido. Se eu quiser, apanho um avião amanhã. Mas não há necessidade.” Nunca houve.
Sentamo-nos com ele numa das divisões da casa que foi outrora restaurante. “Ainda nos telefonam para marcar refeições, mas está completamente fechado”, comenta. “Foram 23 anos e era muito cansativo. Tínhamos que parar.” Agora, Yves, que estudou pintura na Academia das Artes de Antuérpia, pode por exemplo dedicar mais tempo aos seus quadros. Vemos muitos deles pendurados nas paredes ou encostados no chão à espera de arranjar algures um espaço para si na casa ou numa próxima exposição. Montou a primeira no ano em que chegou a São Miguel e continuou a fazê-las regularmente na ilha. Na propriedade, além da casa que era restaurante, tem a sua residência e o atelier, o “pequeno casulo” onde passa as noites quando chega a inspiração. Sempre a noite. “Não pinto durante o dia. A noite é sagrada.” Põe a tocar música, a “melancólica” (“os Nocturnos de Chopin, Mahler, Lou Reed”), e entrega-se à tela e aos pincéis.
Em 2011, passou a pintar também fora do atelier. Fora visitar um amigo a Lagoa e uma casa no terreno chamou-lhe a atenção. “Tinha uma janela com basalto à volta e estava acimentada.” Aos olhos de Yves, estava ali uma moldura. Perguntou se podia pintá-la e fê-lo numa das tardes seguintes. Enquanto olhava a parede em branco pensou no que poderia desenhar ali. “Gosto desta ilha, da sua natureza e das suas pessoas. Pensei no coração e em flores. Mensagem: o meu amor pela natureza e o amor pelas pessoas.”
De regresso a casa, terminada a pintura, recebe um telefonema. Era a mulher do amigo. Assistente social, regressara do trabalho cansada e deprimida depois de um dia particularmente difícil. Mas estava feliz ao telefone. O seu espírito animara-se ao deparar com a pintura que Yves deixara e ligou para agradecer o sorriso que lhe devolvera. “Se fazes as pessoas felizes com um pequeno desenho, tens que continuar”, disse-lhe depois Roland. Yves assim fez. Até hoje, não mais parou.
Depois dessa primeira pintura, regressou a Lagoa em busca de mais paredes que pudesse pintar. Começou também a escrever o seu endereço electrónico junto à assinatura. “Boom! Foi uma bola de neve.” Não mais parou de encher São Miguel de flores e corações. No dia anterior à nossa visita, pintara o número 278. “Fi-lo na Caloura. São duas girafas que se beijam”, conta. Faltam apenas 87 para cumprir o objectivo: um coração por cada dia do ano. “Depois acabo. Não posso continuar nisto para sempre”, confessa com uma gargalhada.
Não faltarão coisas para fazer ao belga mais açoriano que existe. Ou açoriano mais belga, que no caso, já vai dar ao mesmo. “Os açorianos são como os belgas. São pessoas afáveis, mas que não te dizem que a porta está aberta. Isso leva tempo e a amizade constrói-se demoradamente. Com tempo, serás ou não aceite. O mesmo acontece com os açorianos.”
Claro que a realidade não é homogénea. As diferenças de temperamento e de traços culturais que marcam cada uma das ilhas do arquipélago manifestam-se também no interior de São Miguel. “Há sítios em que as pessoas sussurram e são mais coscuvilheiras, há outros, como Rabo de Peixe, de que gosto muito porque te dizem as coisas na cara. Prefiro assim.” O melhor, diz, é que a condição insular obriga à convivência. “Ricos, pobres, todos estão misturados. Acho que isso é das coisas mais bonitas desta ilha. As pessoas aceitam-se porque sabem que têm que viver juntas.”  
Yves Decoster trocou a Bélgica pelos Açores porque no país onde crescera a vida se estava a tornar “muito materialista e muito egoísta”. E porque, ano após ano, sentia os Açores chamarem-no novamente. Aqui consegue ter todo o mundo que deseja e, ao mesmo tempo, aceder a “uma certa solidão” de que necessita no seu quotidiano. “Este é o sítio onde vou ficar. É aqui que vou morrer.”
Está em São Miguel há 26 anos e a ilha ainda tem segredos para revelar. “Ah, isto não acaba”, suspira. E depois conta-nos de um pasto em Salga, no Nordeste, por trás de uma igreja, por trás do cemitério. O mar, as falésias, uma pequena casa. Ao deparar-se com aquele cenário, disse para si mesmo: “Quero ficar aqui para o resto da minha vida.” Talvez pinte ali um coração.

















fugas.publico.pt

Reportagem TVI sobre o caos nas urgências. " Uma hora trinta e cinco minutos": Leal da Costa( secretário de estado) diz que os médicos que falaram eram militantes do PCP......

Reportagem TVI sobre o caos nas urgências. " Uma hora trinta e cinco minutos": Leal da Costa( secretário de estado) diz que os médicos que falaram eram militantes do PCP......

 
Leal da Costa respondeu à TVI,e sua reportagem e disse que o SNS nas urgências respondia bem , mais ainda disse que quem falou eram militantes do PCP e era tudo jogo político...Caro Leal da Costa, até se pode ser apoiante do PSD ou do CDS ...e aceitar o grau de caos a que chegaram os hospitais ( e não apenas as urgências). Meu amigo ; quem falou era simpatizante ou militante do PCP? Então tudo bem, fizeram o seu papel: denunciaram um caos que prejudica o povo português e como tal cumpriram o seu papel! E já agora: estamos mesmos a ficar gregos, apesar da ladainha de que " Portugal não é a Grécia"...



tripalio.blogspot.pt

10 lendas animais que foram desvendadas

10 lendas animais que foram desvendadas

1. Elefantes não têm medo de ratos
Um rato, para os elefantes, é como uma formiga para nós. 

2. As avestruzes não enfiam a cabeça na terra
Se fizessem isso, morreriam sufocadas. Suas pernas são suficientemente grandes para essas aves se defenderem de quem as ataca - ou para fugirem correndo. Elas, na verdade, encostam o ouvido no chão para perceber a vibração do solo e a aproximação de eventuais predadores. Nessa posição, o animal também consegue se misturar com a vegetação e afastar qualquer perigo de ataque. 

3. Os camelos não armazenam água em suas corcovasA corcova é um grande depósito de gordura. O corpo do camelo vai usando a gordura das corcovas aos poucos como alimento. Por isso eles podem viajar longos períodos pelo deserto sem comer, o que faz as corcovas diminuírem de tamanho nessas ocasiões. 

4. O elefante não bebe água com a tromba
A tromba é o nariz do elefante e funciona como um canudo. Ele puxa a água e a esguicha na boca ou nas costas. Ele é capaz de armazenar 10 litros de água na tromba. 

5. Papagaios não falam

Os papagaios apenas imitam os sons que ouvem. Os formatos recurvados do bico, do palato (céu da boca) e da língua, associados à parte respiratória, facilitam a reprodução de sons mais graves, parecidos com a voz do homem. O mainá, pássaro nativo da Índia, imita a fala humana com mais fidelidade que o papagaio. 

6. O pônei não é um cavalo bebé
O pônei é, na verdade, uma espécie de cavalo anão. Mesmo adulto, jamais chegará ao tamanho de um cavalo.
7. A centopeia não tem 100 pernas
De acordo com a espécie, a centopeia pode ter de 28 a 354 patinhas. Ainda assim, é o animal com mais pernas do mundo.
8.  pássaros não rejeitam filhotes tocados por humanos
A lenda deve ter surgido de uma tentativa de inibir pessoas que, com a maior boa vontade, devolvem filhotes de pássaros "perdidos" ao seu ninho. Isso porque esses filhotes geralmente não estão perdidos, mas aprendendo a voar. Mas fique tranquilo: se você atrapalhar as aulas do bebê e devolvê-lo ao ninho, a mãe dele não vai nem perceber. O olfato da maioria dos pássaros é pouco desenvolvido e não permite tamanha perspicácia.
9. Tocar um sapo não dá verruga
Alguns sapos têm caroços na pele que parecem verrugas, e muita gente pensa que são contagiosos. A verruga, na verdade, é causada por um vírus específico dos humanos. Mas cuidado: tocar a parte posterior das orelhas de sapos pode ser bastante perigoso. Essas glândulas parótidas contêm veneno que causa irritação na pele humana.
10. A fêmea do louva-a-deus não devora o macho depois do ato sexual
Segundo a lenda, a primeira vez do louva-a-deus macho é sempre sua última: antes do final do ato sexual, a fêmea arrancaria e devoriaria sua cabeça. Mas o comportamento está longe de ser uma regra. Observando a cópula de louva-a-deuses, cientistas constataram que a decapitação do macho acontece em apenas 1 em 69 casos.


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ESCÂNDO WATERGATE LEMBRAM-SE !?

Escândalo de Watergate

Watergate foi um dos maiores escândalos políticos da história norte-americana
Watergate foi um dos maiores escândalos políticos da história norte-americana


Conhecido como um dos mais importantes escândalos de toda história política dos Estados Unidos, o Caso Watergate estabeleceu um marco nas relações entre o Estado e a mídia. Na época, o presidente Richard Nixon foi o mais polêmico alvo de uma série de investigações que escrutinaram as operações ilegais de seu governo e as negociações escusas ocorridas nos bastidores políticos da época.
Tudo começou na madrugada do dia 17 de junho de 1972. Nessa ocasião, um grupo de cinco homens arrombou o Comitê Nacional do Partido Democrata localizado no edifício Watergate, em Washington. Os autores foram identificados como apoiadores do Partido Republicano que pretendiam instalar escutas eletrônicas no local para obterem informações importantes de seus adversários. Em ano de eleição presidencial, esta manobra poderia influir no resultado do pleito.
No começo do ano seguinte, com a prisão e o julgamento dos envolvidos, tudo parecia estar resolvido. Entretanto, quando um dos acusados reportou ao juiz John Sirica que o governo conduzia uma grande operação para abafar o escândalo, as coisas tomaram uma proporção ainda maior. O Congresso abriu um processo de impeachment contra o presidente e exigiu uma cópia de todas as conversas gravadas do presidente que tinham relação com o caso.
Por meio da análise das conversas privadas de Nixon, a Comissão de Justiça da Câmara de Representantes concluiu que o presidente sabia do plano das escutas eletrônicas e que havia tentado usar de sua influência para barrar as investigações sobre Watergate. Com isso, as autoridades acusaram Richard Nixon de tentar obstruir a Justiça, abusar do poder e desacatar ordens judiciais. Enquanto isso, a opinião pública e os meios de comunicação deixavam a situação do presidente ainda pior.
No dia 9 de agosto de 1974, Richard Nixon foi o primeiro governante estadunidense que anunciou a sua renúncia ao cargo de presidente da nação. Buscando findar as agitações do momento, o novo presidente Gerald Ford concedeu o perdão oficial para que o julgamento de Nixon fosse interrompido. Por fim, somente os assessores do ex-presidente – John Mitchell, HR Haldeman e John Ehrlichman – foram condenados pelo envolvimento em Watergate.
A partir desse episódio, a opinião pública norte-americana abandonou o antigo olhar de reverência e distinção reservado ao presidente. Os deslizes dessa importante figura pública não poderiam se colocar acima das leis que organizavam a vida política dos Estados Unidos. Nos anos seguintes de sua vida, Nixon evitou qualquer especulação relacionada ao seu patrimônio financeiro. Sempre que convidado a fazer algum discurso ou palestra recusava o pagamento de cachê.
Richard Nixon passou seus últimos dias vivendo em Nova York, onde vivia uma rotina discreta alternada por caminhadas noturnas, frequentes visitas às bibliotecas e a produção de textos. Em abril de 1994, Nixon não suportou os efeitos de um derrame cerebral que determinaram seu falecimento aos oitenta e um anos de idade.

www.brasilescola.com




Grandes conspirações da história - O escândalo Watergate



Nenhum livro que aborde conspirações, encobrimentos e crimes de Estado estaria completo sem a presença de Richard Nixon, Tricky Dick (Dick, o Mentiroso), como era conhecido pelos seus concidadãos. O caso Watergate é, quase com toda a certeza, a conspiração mais célebre de todos os tempos. Hoje em dia, o escândalo Watergate converteu-se no exemplo típico que vem à memória de todos quando se trata de falar dos jogos sujos políticos, de corrupção, extorsão, escutas ilegais, conspiração, obstrução da justiça, destruição de provas, fraude fiscal, uso ilegal dos serviços secretos e das forças de segurança, financiamento ilegal de partidos e apropriação indevida de fundos públicos, todos eles, assuntos dos quais temos alguma experiência.
Estas actividades ilegais, mais próprias do crime organizado do que da equipa de um presidente dos Estados Unidos, desenvolveram-se durante toda a Administração Nixon. São muitos os historiadores e estudiosos que se questionaram acerca do motivo subjacente que, segundo as palavras do próprio Nixon, fez com que tudo se corrompesse tão depressa. Ter-se-á de procurar possivelmente a resposta numa peculiaridade psicológica de Nixon que fazia com que se identificasse tão intimamente com a sua função como presidente dos Estados Unidos que interpretava qualquer ataque à sua pessoa como uma ameaça contra a nação. De personalidade essencialmente messiânica, Nixon acreditava ser um homem do destino, um salvador enviado para resgatar o país não interessando os meios que utilizava para o fazer. Confundiu a aversão que muitos cidadãos sentiam em relação a ele e à sua política com a deslealdade à nação.
Quando foi eleito presidente em 1968, Nixon prometeu tirar os Estados Unidos da guerra do Vietname. Essa foi uma promessa que ficou por cumprir. De facto, há quem pense que Nixon tinha prometido mais do que estava nas suas mãos cumprir. Sectores poderosos vinculados à indústria do armamento mantinham uma pressão constante em círculos políticos para que a guerra continuasse.
Assim, os primeiros anos da Administração Nixon, longe de terminarem com a guerra, provocaram uma extensão do conflito bem como um notável aumento do número de baixas. Isto causou em muitos norte-americanos um sentimento de amargura e profunda decepção em relação a Nixon, que naquela época começou a ser chamado de Tricky Dick. Grande parte do país, muito em especial aqueles que tinham votado nele em virtude da sua promessa de acabar com a guerra, sentiam-se defraudados. Nixon começou a sentir uma tremenda pressão envolvente à qual não eram alheios elementos do seu próprio partido, que faziam eco do descontentamento popular e clamavam por uma mudança na política internacional do presidente. A natureza paranóica deste levou-o a presumir que existia uma conspiração, não já contra ele, mas sim contra a presidência dos Estados Unidos. Numa entrevista com o jornalista David Frost, Nixon sustentava que, durante a sua presidência, os EUA se encontravam num estado de quase guerra civil. Esta sensação de pressão fez com que Nixon e os seus ajudantes preparassem uma lista de inimigos que incluiria os presumíveis conspiradores, que deviam ser aplacados, não pelo bem de Richard Nixon, mas pelo bem da América do Norte.
Os pormenores deste caso são sobejamente conhecidos de grande parte do público. Tudo começou com a invasão e interferência nas linhas telefónicas do quartel- -general da campanha eleitoral do partido democrata. Partindo deste princípio, o presidente Richard Nixon e grande parte dos seus colaboradores foram posteriormente acusados de terem executado uma série de actos ilegais que encheram de consternação a opinião pública dos Estados Unidos. O escândalo culminou com a primeira demissão de um presidente na história dos Estados Unidos.
A invasão foi cometida a 17 de Junho de 1972 por uma equipa de cinco homens que foram surpreendidos in fraganti nos escritórios do partido democrata, no edifício Watergate de Washington. A sua detenção revelou um plano de escutas ilegais e espionagem contra opositores políticos apoiado pela Casa Branca, e nele estavam implicados altos funcionários do país, como o ex- -inspector-geral John Mitchell, o conselheiro presidencial John Dean, o chefe de pessoal da Casa Branca H. R. Haldeman, o assessor para os Assuntos Nacionais John Ehrlichman e, à cabeça de todos eles, o presidente Nixon.
Em Maio de 1973, a Comissão de Actividades Presidenciais do Senado norte-americano ouviu uma série de assombrosas revelações que davam ao escândalo uma dimensão maior do que aquela que já tinha. John Dean testemunhou que o presidente estava ao corrente da operação e que tinha autorizado o pagamento dos assaltantes para que guardassem silêncio, algo que foi veementemente negado pela Administração Nixon.
A 16 de Julho de 1973, Butterfield, outro assessor da Casa Branca, revelou que Nixon tinha ordenado a instalação na Casa Branca de um sistema para gravar automaticamente todas as conversas que se efectuassem em determinadas salas do edifício, incluindo a sala oval. Estas fitas viriam a constituir a melhor prova para confirmar se o presidente estava a mentir ou não, pelo que o inspector especial designado para investigar o caso, Archibald Cox, exigiu à Casa Branca a entrega imediata de oito gravações. Após uma série de peripécias e negativas, que incluiriam a demissão do próprio Archibald Cox, Nixon acabou por entregá-las, mas os especialistas verificaram que as fitas tinham sido manipuladas e apagadas em parte.
A partir desse momento os escândalos sucederam-se com uma inusitada rapidez e praticamente todos os dias começaram a surgir indicações de novas actuações ilegais por parte da equipa de Nixon. Por fim, e para evitar o quase certo impeachment, Nixon demitiu-se a 9 de Agosto de 1974. Um mês depois, o seu sucessor, Gerald Ford, exonerava-o de todos os delitos que pudesse ter cometido durante o seu mandato, ficando a salvo de qualquer acusação.
Os "encanadores"
Até aqui falámos daquilo que se pode encontrar em qualquer enciclopédia, todavia, hoje chama-nos a atenção que apesar de ter sido um dos grandes acontecimentos do século XX e um facto que foi submetido ao minucioso escrutínio de políticos, jornalistas e historiadores, ainda restam múltiplas questões obscuras no que se refere à compreensão global deste assunto e, muito em especial, do facto central que fez detonar a bomba que acabou com a carreira política de Richard Nixon. Por exemplo, se bem que na época tivesse ficado claro que Nixon estava ao corrente dos factos, nunca ficou esclarecido quem foi a pessoa que ordenou a entrada ilegal no edifício Watergate e, sobretudo, o que é que se pretendia com aquela acção.
Talvez devido ao empenho das instituições norte-americanas para pôr uma pedra sobre este assunto o mais rapidamente possível, correndo o risco de lhe dar um fim falso, restaram brechas suficientes para que surgissem versões revisionistas do escândalo Watergate que - por mais surpreendente que possa parecer - pretendem nem mais nem menos que reabilitar o bom-nome do presidente mais polémico da história dos Estados Unidos. Também ainda existem aqueles que investigam o lodo de Watergate tentando encontrar o fio que os conduza à descoberta de novos segredos inconfessáveis que se cozinharam nos bastidores do poder norte-americano.
Para compreender as implicações reais do escândalo deveríamos regressar à sua origem. Como já tínhamos mencionado, em plena campanha presidencial norte-americana de 1972, a 17 de Junho, cinco homens irromperam num escritório do edifício Watergate de Washington. O objectivo era obter toda a informação possível do quartel-general democrata. No entanto, foram detectados pela segurança do edifício e surpreendidos pela polícia, que prendeu Eugenio Martínez, Virgilio González, Frank Sturgis, Bernard Barker e James McCord. A equipa operava sob a direcção de Everette Howard Hunt e George Gordon Liddy, que também foram presos.
Nenhum deles era desconhecido dos serviços secretos norte-americanos. Martínez e González eram figuras importantes dentro do activismo anticastrista de Miami. Sturgis e Hunt tinham sido relacionados por diversos autores com assuntos tão sórdidos como o assassinato do presidente Kennedy e o "acidente" de viação que acabou com as ambições presidenciais do seu irmão Ted. Por outro lado, Hunt, Liddy e McCord tinham sido membros da CIA. Do profissionalismo dos intrusos fala-nos o facto de que transportavam consigo equipamento de espionagem extremamente sofisticado para a época, o qual incluía câmaras em miniatura, gazuas, dispositivos de gás lacrimogéneo portáteis, toda a espécie de microfones oc ultos e transmissores com os quais se comunicavam com Hunt e Liddy, que se encontravam num quarto de um hotel vizinho.
Porquê?
A teoria vulgarmente aceite indica que a equipa tinha como objectivo a instalação, reparação ou remoção de dispositivos de vigilância electrónica do quartel-general democrata. No entanto, esta é apenas uma hipótese acerca da natureza da missão que levou aqueles homens ao edifício Watergate naquela noite. Os próprios acusados contradisseram-se em diversas ocasiões quanto à natureza da sua missão. Liddy disse que se encontravam ali para recuperar certos docu- mentos comprometedores para Nixon, enquanto Hunt e os cubanos insistiram que se tratava de recolher dados gerais sobre a campanha democrata. De qualquer maneira, existe uma enorme desproporção entre o risco corrido e os possíveis benefícios, uma desproporção que levou as mentes mais desconfiadas a pensar que por detrás daquele assalto existia uma razão ainda não revelada.

VIKINGS - Fatos e lendas sobre os Berserkers - Tradições poderosas de povos guerreiros

Fatos e lendas sobre os Berserkers


Os Vikings foram os mais famosos guerreiros da Idade Média. Famosos por suas empreitadas pelo mar, seja atacando vilas e mosteiros pela Europa ou navegando para fins pacíficos de comércio ou colonização em outras partes do mundo. No tocante à guerra, além de seu conhecido navio (popularmente chamado de drakkar, dragão), uma arma tecnológica que lhes concedeu vantagem sobre os outros povos, os especialistas acreditam que eles tiveram outro importante elemento que explicaria seu imenso sucesso nas batalhas. Trata-se dos guerreiros de elite conhecidos pela designação de berserker.
Existem duas explicação atuais para este nome. A mais coerente diz que seria “camisa de urso” (do nórdico bear), e a outra “sem camisa” (do nórdico bare). Seja como for, talvez as duas possam ter coerência mútua. A ligação com o urso provém do simbolismo e da importância deste animal para as tribos de origem germânica, desde a antiguidade. E a segunda explicação, sem camisa, refere-se ao fato dos berserkers não usarem nenhuma proteção nas batalhas, como veremos a seguir.
A principal característica dos berserkers seria sua fúria incontrolável e assassina. Muito antes dos Vikings, um cronista latino chamado Tácito já se referia a guerreiros entre os germanos que possuíam estas características, que aliás, eram muito louvadas por sociedades que dependiam totalmente da guerra para sobreviver.
Desde o século 18 os estudiosos tentam explicar esse comportamento frenético dos berserkers (chamado de berserkergang). Uma das mais populares, principalmente após os anos 1960, era a de que utilizavam alucinógenos (o cogumelo Fly acaris, por exemplo, comum entre os xamãs da Lapônia) ou bebidas alcoólicas. Testes químicos e experimentos com voluntários reproduzindo situações de batalha concluíram que os efeitos colaterais derivados da ingestão destes produtos (náuseas, vômitos, tonturas), em vez de ajudar, acabaram prejudicando as ações humanas. Atualmente, portanto, são teorias descartadas.
Mas afinal, o que ocasionava o furor destes soldados medievais? As respostas vieram principalmente de duas explicações, relacionadas entre si. A primeira é relacionada ao culto do antigo deus Odin (ver Box). Segundo o cronista islandês Snorri Sturluson, os berserkers eram devotados fiéis à esta divindade. Seria, portanto, a sua fé em um deus xamânico, que privilegia a magia, o êxtase e a metamorfose humana em animais, que explicaria esse comportamento: “os homens de Odin avançam para as frentes sem armaduras, onde tão loucos como cachorros ou lobos, mordem seus escudos, e são tão fortes quanto ursos ou bois selvagens e matam pessoas com um golpe, mas nem o ferro nem o fogo os detém”, na famosa descrição de Snorri da Saga dos Ynglingos (escrita no século 13 d.C.). Escolhendo como totem pessoal o urso ou lobo (no caso dos guerreiros chamados de Úlfhedinn), estes guerreiros cultuariam a Odin através de danças e rituais portando máscaras animais e armamentos. Várias placas-amuletos encontradas na Escandinávia mostram cenas de homens vestindo peles (inclusive cabeças de lobo) e dançando numa espécie de êxtase. Outra fonte, escrita pelo imperador bizantino Constantino II (Livro das cerimônias), descreve uma “dança gótica” de soldados com peles e máscaras animais, realizada por membros da guarda varangiana. Esta tropa consistia de mercenários suecos que prestavam serviço em Constantinopla (Bizâncio).
A teoria da possessão espiritual também encontra eco em outras fontes literárias da Escandinávia. Na Saga dos Volsungos, de caráter lendário, o pai do famoso herói Sigurd (o Siegfried alemão), Sigmund e seu outro filho Sinflioti, em dado momento da narrativa agem como lobos, habitando uma floresta e até assassinando pessoas. Isso parece coincidir com o comportamento do guerreiro Bovdar Bjarki (descrito na Saga de Hrolf), que trabalhava para o rei Kraki da Dinamarca. Quando ele saia para o campo de batalha, transformava-se em um imenso urso, enquanto sua forma humana ficava em casa e parecia dormir. Isso está relacionado ao hamr (alma, forma) e a fylgja (forma espiritual que acompanha cada humano). Na religiosidade Viking, a hamr de um ser humano poderia se transformar em um animal e também estava relacionada à crença nos lobisomens (hamrammr, homens que viram lobos).
A segunda explicação para o frenesi dos berserkers e em consequência, no seu sucesso perante as batalhas, advém de causas puramente psicológicas. O pesquisador Peter Woodward, no programa Conquista da BBC, testou essa teoria. Em primeiro lugar, o tipo de equipamento mais usado por estes guerreiros era o machado, uma arma somente de ataque e sem defesa operacional, como a espada. Um soldado na frente de batalha, sem nenhum tipo de proteção (armadura ou escudo), gritando, urrando, dançando e atirando o próprio corpo contra os inimigos sem nenhum medo, causa um efeito psicológico devastador: é a agressão em estado puro, terrivelmente assustadora. Esse estilo suicida extremista fez os berserkers entrarem para a história da guerra.
Até agora só examinamos estes guerreiros no campo de batalha. Mas e na sociedade Viking? Qual o seu papel? Por um lado, eles eram admirados e muito requisitados. Faziam parte da guarda real de muitos reinos da Escandinávia e até de tropas de elite no exterior, como foi o caso de Bizâncio, como já comentamos ou na atual Rússia. Todas as expedições de pirataria ou em exércitos com formações maiores, contavam com grupos de berserkers, prontos para a ação. Para o referencial da elite aristocrática, eles eram muito valorosos e necessários, atingindo um status privilegiado na sociedade. Mas para o camponês, o pequeno proprietário ou fazendeiro do tempo da Escandinávia Viking, eles representavam coisas muito ruins. Loucos, agressivos, perigosos, com excessos sexuais, enfim, vários elementos presentes nas Sagas mostram esse outro lado que encontravam na sociedade. Por serem psicologicamente instáveis, muitas vezes eram de poucas amizades, em outras ocasiões eram banidos das pequenas comunidades (especialmente depois de assassinatos). Um caso exemplar é o relatado na Saga de Egil Skallagrímsson (ver Box, Vikings famosos). Vindo de uma família de berserkers (o pai: Skallagrím, careca feia, e o avô, Kveldi-Úlf, lobo do entardecer), Egil acabou tendo uma vida muito violenta. Em certa ocasião, já em sua casa e sem nenhum motivo aparente, foi tomado por um frenesi descontrolado, matando a criada após atacar o filho. Percebemos, então, que os berserkers ficavam possessos não somente em batalhas, sendo temidos também pelos próprios Vikings.
Estes intrépidos guerreiros deixaram seu legado para a história, sendo hoje um nome associado ao furor no inglês moderno (berserk) e integrante de romances, jogos de vídeo game, quadrinhos e desenhos japoneses, além de várias produções cinematográficas. Alguns destes filmes são a comédia Erik, o Viking, onde o ator Tim McInnemy interpreta o humorado e alucinado Sven, ou a produção Berserker, ainda inédita no Brasil. Os Vikings certamente ainda irão proporcionar muitos momentos de inspiração para a arte e o imaginário.




O culto a Odin

Odin foi a principal divindade dos guerreiros e aristocratas, sendo um deus da poesia, da morte, das batalhas e da magia. Perdeu um dos olhos para obter mais conhecimento mágico. Andava sempre com dois lobos e dois corvos ao seu lado, além de sua lança Gungnir. Um dos rituais para Odin envolvia periodicamente a imolação de prisioneiros de guerra, geralmente enforcados (em referência a seu auto-sacrifício na árvore Yggdrasill) ou espetados com lanças. O principal local de seu culto parece ter sido a ilha de Gotland, no báltico sueco, com centenas de estelas funerárias representando símbolos e imagens relacionados ao Valhala, além de esculturas reproduzindo Odin em seu cavalo Sleipnir. O seu nome também estava associado ao furor no nórdico (Ódr) quanto no germânico antigo (Wodan) e somado ao fato da crença de que os melhores que morressem em batalha iriam servir a Odin em seu palácio (Valhalla), explica tanto a devoção quanto o frenesi nas guerras.

Técnicas de guerra entre os Vikings

As táticas militares utilizadas normalmente em unidades pequenas (a exemplo do “partindo como um Viking”, os ataques surpresas pelo mar), previam o uso da oportunidade e detalhado conhecimento sobre o inimigo. Uma empreitada bem sucedida requeria boa inteligência, segurança e coragem. A estratégia da guerrilha, desta maneira, foi utilizada com eficiência pelos Vikings em situações que envolviam poucas pessoas. Segundo o historiador Paddy Griffith, as chaves do sucesso para operações nórdicas teriam sido: operações com escassos feridos no ataque, mobilidade e rapidez na sua execução e armamento.

Vikings famosos

Um dos mais famosos foi Egil Skallagrímsson, que encarnou todos os protótipos e contradições de um nórdico: poeta, pirata, fazendeiro, mercador, guerreiro e mercenário. Com a idade de 6 anos matou um garoto vizinho com o machado de seu pai, seu primeiro assassinato de uma longa série. Tornou-se um famoso aventureiro e pirata a serviço do rei Athelstan da Inglaterra. Para o rei Erik de York, compôs o poema Hofuðslaun. Envelhecendo, tornou-se fazendeiro na Islândia. Outro nórdico muito famoso foi Harald Hardrada (1015-1066), considerado por muitos o último grande chefe Viking. Após fracassar em tentar a sucessão ao trono da Noruega, serviu como mercenário de sucesso em Bizâncio. Adquirindo grande reputação como guerreiro e acumulando muitas riquezas, voltou para a Suécia e depois para a Noruega, adquirindo poder político e autoridade. Em 1066 tentou invadir a Inglaterra, morrendo na célebre batalha da ponte de Stamford. 


Bibliografia

BOYER, Régis. Berserkr. In: Héros et dieux du Nord. Paris: Flammarion, 1997.
GRIFFITH , Paddy. Berserks. In: The viking art of war. London: Greenhill Books, 1995.
HAYWOOD, John. Berserker. In: Encyclopaedia of the Viking Age. London: Thames and Hudson, 2000.
LANGER, Johnni. Religião e magia entre os Vikings. Brathair 5 (2), 2005. http://www.brathair.com/Revista/N10/magia_viking.pdf 
LIEBERMAN, Anatoly. Bersekir: a double legend. Brathair 4 (2), 2004. http://www.brathair.com/Revista/N8/beserkir.pdf 
WARD, Christie. Berserkergang. http://www.vikinganswerlady.com/berserke.shtml 

Johnni Langer é pós-doutorando em História Medieval pela USP, bolsista da FAPESP

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Tradições poderosas de povos guerreiros




Oráculos, leituras de relinchos de cavalos e valorização do caráter divino das mulheres: essas eram algumas das características que eram próprias da magia de povos como os germanos e outros a eles associados




Os povos germânicos, que compreendem tanto os germanos das épocas de César e Tácito quanto os vikings escandinavos, tinham a magia como uma forte aliada em seu modus vivendi. No entanto, a magia estava diretamente ligada à religião e esta tinha como uma de suas ferramentas mais eficazes o oráculo. Os primeiros relatos sobre os germanos vêm de Júlio César (100-44 a.C.), em sua Guerra das Gálias. De acordo com o grande general romano, esses povos eram muito dependentes de oráculos. Ao perguntar a prisioneiros por que razão o chefe dos suevos Ariovisto (101-cerca de 54 a.C.) não estava disposto a travar uma batalha geral, ouviu deles que as mulheres consultaram os oráculos e viram que esse não era o momento certo para lutar, pois "os germanos não poderiam ser vencedores se travassem combate antes da lua nova" (CÉSAR, 1989).
Logo mais adiante, César relata que, após resgatar um de seus melhores homens das mãos dos germanos, Caio Valério Procilo, este ouviu de seus captores que por três vezes tiraram a sorte para ver se o queimavam logo ou o reservavam para uma outra ocasião. Procilo acrescentou que só estava vivo por conta da sorte. Outro que observou os costumes das tribos germânicas foi Públio Cornelius Tácito, cônsul e historiador romano (54-120 d.C.). Em sua Germânia, ele nos conta que, mais do que qualquer outro povo, os germanos acreditavam nos auspícios e na adivinhação. Segue uma descrição do primeiro lançamento de runas de que se tem notícia:

“A sua maneira habitual de consultar a sorte é muito simples: cortam duma árvore com fruto uma haste que separam em vários pedaços; depois de os terem marcado com certos sinais, lançam-nos ao acaso sobre um pano branco; em seguida, o sacerdote da tribo, se o caso é de interesse público, ou o pai de família, se trata dum assunto de ordem privada, invoca os deuses, contempla o céu, ergue três vezes cada pedaço, um após outro, e, segundo a marca precedentemente traçada, tira o horóscopo. Se os fragmentos da haste se pronunciaram no sentido duma proibição, não se pode tornar a consultar a sorte nesse dia sobre o mesmo assunto; se, pelo contrário, é no sentido duma autorização, exige-se que a resposta seja confirmada ainda pelos auspícios” (TÁCITO, sem ano).

Relinchos de cavalos

Os germanos utilizavam-se ainda de outros oráculos. Além de desenvolverem a arte de interrogar o canto dos pássaros, interpretavam o voo deles. Consultavam também os relinchos e o resfolegar de cavalos brancos. Tais animais, que nunca eram usados para trabalhos profanos, eram alimentados à custa da nação em florestas e bosques. Atrelados ao carro sagrado, os cavalos brancos eram acompanhados pelo sacerdote, juntamente com o rei ou o chefe da tribo. Seus relinchos e resfolegares eram observados cuidadosamente. Esse oráculo era da mais alta confiança. Desde os homens mais simples até as grandes autoridades, todos confiavam plenamente nele, pois os sacerdotes acreditavam que esses cavalos brancos eram os confidentes dos deuses, enquanto eles eram apenas os ministros. No caso do desenlace de uma guerra, Os auspícios eram interpretados de uma forma peculiar. Um prisioneiro da nação que estava em guerra com os germanos e que havia sido capturado surpreendentemente, era escolhido para lutar com um de seus compatriotas. Cada um teria que lutar com a arma característica de seu país. O vencedor do duelo designava a nação vitoriosa. Tal prognóstico era tido como infalível. Quando os germanos iam tratar de alguma questão importante referente às suas tribos, reuniam-se em assembleias em determinados dias, que correspondiam aos períodos da lua nova ou da lua cheia: "Segundo eles, não há auspícios mais favoráveis para se começar a tratar duma questão" (TÁCITO, sem ano).




Predições Femininas

As mulheres possuíam uma posição de grande respeito entre os germanos. Eles acreditavam que havia algo de divino e profético nelas. Por esta razão, sempre ouviam seus conselhos e acreditavam piamente em suas predições. Duas delas se tornaram tão famosas que foram cultuadas quase como se fossem divindades: Aurínia e Veleda. Quanto a esta última, vivia entre os Bructeri, reclusa em uma torre. Lá, ela atendia as pessoas, sendo intermediada por um parente. Este interpretava suas respostas, tal como o sacerdote do Oráculo de Delfos, que, após ouvir a pitonisa, "arrumava" suas palavras e as passava ao consulente. Segundo Patrick Louth, em seu livro A Civilização dos Germanos e dos Vikings, há uma descrição de Veleda, conhecida como "aquela que vê", que consta do nono livro de uma obra denominada Mártires, de autoria de Chateaubriand: "Sua estatura era elevada; uma túnica negra, curta e sem mangas servia apenas para velar sua nudez. Carregava uma foice de ouro presa num cinto de bronze, e estava coroada com um ramo de carvalho.
A brancura de seus braços e da sua tez, seus olhos azuis, seus lábios rosados, seus longos cabelos louros que esvoaçavam soltos caracterizavam uma jovem gaulesa, e a suavidade do conjunto contrastava com seu porte altivo e selvagem". Apesar de Chateaubriand descrevê-la como uma gaulesa, e do seu nome ser de origem céltica, Veleda era uma vidente germânica. Ela só predizia aos germanos e exaltava os grandes chefes, tais como Civilis, líder da rebelião dos batavos contra os romanos em 69 d.C..

Quando a frota desse líder germânico se apoderou de uma frota romana, ele ofereceu a galera pretoriana a Veleda. Enviada a Roma como embaixatriz para negociar a paz, Veleda, poeno entanto, sete anos depois, incitou os germanos para um novo levante contra os romanos. Mais tarde, foi aprisionada e deportada. Segundo o historiador Johnny Langer, em seu artigo intitulado Religião e Magia entre os Vikings:
Uma Sistematização Historiográfica, a religião escandinava durante a Era Viking (séculos VIII a XI) não era organizada, não possuindo templos, dogmas, sacerdotes especializados ou orações. Limitava-se a cultos nos quais a magia era o ponto central. No entanto, era muito objetiva, baseando-se na expressão "dou para que me dês". Geralmente, o escandinavo escolhia um fulltruí (protetor), que chamava de amigo, portando, inclusive, um amuleto com sua imagem. Invocava o seu deus sob a forma de petição e não de oração: "Ofereço-te isso e me darás aquilo em troca". Como não havia uma ordem sacerdotal constituída, cabia aos reis e chefes o ministério da fé nos deuses. Na Islândia, eles eram conhecidos como goðar (singular goði). O blót era um sacrifício semidivinatório e semipropiciatório, considerado como o grande ritual da magia germano-escandinava. Sua finalidade era reforçar os poderes da divindade, para que esta pudesse realizar aquilo que era desejado pelo fiel. Assim como as germanas, as escandinavas estavam diretamente ligadas à religião.

Suevos

Os suevos constituíam uma poderosa confederação de tribos germânicas que habitavam a região situada ao norte do rio Reno. Aparecem em A Germânia, de Tácito, como um dos povos que se originaram do deus Manos, que por sua vez era filho de Tuísto, nascido da Terra. Ele diz ainda que essas tribos cultuavam a deusa Ísis, cujo símbolo era um pequeno navio, o que atesta a sua origem estrangeira.
Os suevos usavam os cabelos para trás, presos por um nó, que os diferenciavam tanto dos demais germanos quanto dos escravos. Tinham por hábito também levantar os cabelos, dando um nó no alto da cabeça. Os chefes faziam isso com uma arte toda especial.

Não se tratava de vaidade, mas de uma maneira de parecerem mais altos e mais terríveis aos olhos do inimigo, quando avançavam para o combate. Dentre os suevos, destacavam- se os Sémnones, pois eram os mais antigos e nobres. Tal fato é confirmado por um remoto culto religioso praticado por eles.
Numa época determinada, grupos de deputados de cada uma das tribos que compunham a nação dos Sémnones reuniam-se em um bosque sagrado e consagrado pelas cerimônias realizadas ali por seus antepassados. Um homem, então, era decepado em nome de todo o povo, dando início aos horríveis mistérios desse culto bárbaro.
O respeito por esse bosque era tão grande que aqueles que penetravam nele o faziam com os pés amarrados, para reconhecer a sua inferioridade perante o deus que governa todas as coisas. Se por um acaso, um indivíduo caía, não lhe era permitido levantar-se: ele tinha que ir se arrastando pelo solo até a saída da floresta.

Odin

Usavam vários instrumentos de magia, inclusive as runas, para trabalhos de controle dos elementos da natureza, proteção, cura e adivinhação. No entanto, apareciam mais nos ritos domésticos e familiares do que nos ritos públicos. Os membros da elite nórdica cultuavam Odin (correspondente ao Wotan germânico) e acreditavam que iriam para o Valhalla, o paraíso nórdico, após a morte. Já os camponeses e fazendeiros preferiam o deus Thor (o Donner germânico) e os deuses Vanir (deuses relacionados com as questões de fertilidade, fecundidade, paz, prazeres, etc.). Eles acreditavam que quando morressem seriam recebidos pelo deus do trovão em seu grandioso palácio, chamado Bilskirnir, o maior de todos, pois, segundo Snorri Sturlusson, em sua Edda em prosa, "naquela fortaleza há seiscentos e quarenta aposentos e ela é a maior morada conhecida pelos homens".

Óðinn, o deus supremo do panteão escandinavo, pertencente à principal estirpe dos deuses, os Æsir, estava diretamente ligado à magia. A criação mítica das runas é atribuída a ele. Diz o mito que, após dar o seu olho esquerdo em troca de um gole da fonte da sabedoria, guardada pelo sábio Mímir, feriu-se com a própria lança e se dependurou nos galhos de Yggdrasil, a árvore-sustentáculo do cosmos. Ficou balançando por nove dias e nove noites sem nada comer e sem nada beber. Ao final desse período, vislumbrou as runas, símbolos da tão almejada sabedoria. Tal episódio é descrito no Hávamál, poema constante da Edda maior ou Edda poética, que, juntamente com a Edda menor ou Edda em prosa, ou ainda Snorra edda, do líder islandês Snorri Sturlusson, constituem os épicos escandinavos. Óðinn, suspenso pelos pés, teria dito o seguinte, de acordo com o Hávamál (os ditos de Har, ou Odin):

"Sei que pendi nove noites inteiras da árvore que balança ao vento; ferido de lança e a Odin oferecido - eu mesmo oferecido a mim mesmo - pendi da árvore que ninguém sabe as origens de suas raízes. Nem pão me estenderam nem copa alguma Fixo no fundo olhei; As runas alcei, as ganhei entre gritos; Caí por terra de novo."

A perda do olho esquerdo, na verdade, não foi suficiente para que Odin adquirisse a sabedoria. Era necessário algo mais. Como foi dito acima, o rei dos deuses nórdicos "depois de se ferir com a própria lança, precisou se dependurar nos galhos de Yggdrasil, o freixo que, segundo os escandinavos, era o sustentáculo do mundo, ali ficando por nove dias e nove noites. Ao final da última noite, surgiu então a sabedoria, o conhecimento por meio das runas" (MONIZ, Luiz Claudio, 2007).
O episódio do sacrifício de Odin trata-se de um antigo rito de mutilação "praticado por xamãs de várias tribos indo-europeias no intuito de adquirir tanto saber quanto poder. Odhinn-Wotan é um deus sacerdote, sendo colocado por Dumézil na primeira função a da soberania" (MONIZ, Luiz Claudio, 2007).

Hilda Davidson, em seu livro Deuses e Mitos do Norte da Europa, reconhece nas práticas sacrificiais de pendurar homens em árvores, práticas essas associadas tanto ao Wotan germânico quanto ao Óðinn escandinavo, atributos xamanísticos. Ela acrescenta que "há uma boa dose de evidências em várias partes do mundo a respeito do treinamento de homens e mulheres jovens para se tornarem xamãs".
Nos relatos de cerimônias de iniciação vividas pelos noviços, há semelhanças com essa imagem do deus em sofrimento. Tido como o criador mítico das runas, Óðinn é tanto o detentor de sua magia quanto da técnica de sua utilização como oráculo. As runas, na verdade, não são símbolos mágicos, são letras que compõem um alfabeto.

Eram utilizadas, no entanto, para fins objetivos tais como a escrita, mas podiam ser manuseadas para a prática de magia e como oráculo. Cada letra possuía um efeito especial de feitiço que o Rúna-meistari, o especialista em runas, conhecia muito bem. Segundo Langer, a prática da gravação de runas era um privilégio da aristocracia, inclusive existiam escolas especializadas no assunto. As runas eram gravadas em objetos no intuito de serem usados como uma espécie de talismã, cujo objetivo era a proteção. Armas foram marcadas com a runa conhecida como Týr, atribuída ao deus de mesmo nome, o deus da guerra, dos juramentos e tratados. Týr, juntamente com Óðinn, como já foi visto anteriormente, foi colocado por Georges Dumézil na primeira função de sua teoria trifuncional. A utilização mágica das runas, conhecida como valgalldr, era indicada para várias situações. Além de proteger objetos, tais feitiços podiam, segundo Langer,"extinguir fogos e tempestades, curar, cicatrizar feridas, obter amor de uma mulher e discorrer sobre o futuro". Langer diz ainda que havia runas da vitória (sigrrúnar), gravadas nas espadas; runas da cerveja (ölrúnar), gravadas nos cornos de beber; runas de proteção (bjargrúnar), que eram inscritas sobre a cabeça do indivíduo que fazia os partos; runas de ondas (brimrúnar), gravadas em navios, no intuito de protegê-los; runas de ramos (limrúnar), gravadas na madeira para favorecer as curas; runas da fala (málrúnar), cujo objetivo era dar eloquência aos oradores nas assembleias e as runas de sentido (hugrúnar), que facilitavam o entendimento das coisas. Havia também runas tidas como secretas e que eram de dois tipos: as "runas suspensas" e as "runas de ligadura", que eram utilizadas "como escritas secretas, ações militares, manuscritos e procedimentos mágicos" (LANGER, Johnny, 2005).

Segundo as Eddas, Óðinn, além do domínio de alguns tipos de magia, como a rúnica, aprendeu com a deusa Freia, a magia seiðr. De acordo com Snorri, Freia, além de seus atributos conhecidos por todos, tais como a beleza, o amor e, como líder das valquírias, a condução das almas dos mortos, era também uma sacerdotisa Vanir. Ela teria ensinado o seiðr aos deuses Æsir, especificamente a Óðinn. Segundo as fontes, usava-se para a prática desse tipo de magia uma plataforma elevada sobre a qual a volva (ou um indivíduo do sexo masculino) se sentava, entoava encantamentos e entrava em um estado de êxtase. Às vezes, o ritual era acompanhado de outras pessoas que formavam um coro, além de tocar música, algo parecido com as tragédias gregas. Quando a cerimônia terminava, a volva respondia às perguntas a ela dirigidas, geralmente envolvendo a estação vindoura, a esperança nas boas colheitas e os futuros relacionamentos entre os homens e as mulheres da aldeia. O seiðr, algumas vezes, era mencionado como um tipo de magia prejudicial.

De fato, Georges Dumézil em Do Mito ao Romance, fala da diferença entre as magias dos Æsir e dos Vanir, dizendo que a desses últimos seria inferior, baixa, repugnante e censurável, enquanto a dos primeiros seria nobre. No entanto, o seiðr aparece, na maioria dos relatos, como uma magia de adivinhação. Hilda Davidson diz que as volvas praticantes do seiðr "costumavam viajar pela região para visitar as fazendas e estar presentes às festas, e que costumavam dar respostas àqueles que lhes faziam perguntas".

Runas

As runas são letras germano-escandinavas que formavam um alfabeto chamado Futhark. Além da utilização em poemas, epitáfios, pedras comemorativas e registros de transações comerciais, as runas foram e são largamente usadas também em sua forma mágica e sagrada, ou seja, como oráculo e como fonte de encantamentos. O epigrafista Raymond Page diz que o Futhark Antigo, composto por 24 runas, desapareceu a partir do séc.
As runas são letras germano-escandinavas que formavam um alfabeto chamado Futhark. Além da utilização em poemas, epitáfios, pedras comemorativas e registros de transações comerciais, as runas foram e são largamente usadas também em sua forma mágica e sagrada, ou seja, como oráculo e como fonte de encantamentos. O epigrafista Raymond Page diz que o Futhark Antigo, composto por 24 runas, desapareceu a partir do séc.
Os vikings utilizaram-se das runas para práticas mágicas e oraculares, no entanto, os métodos para a leitura são desconhecidos, assim como as letras que eram empregadas. Segundo o dr. Johnni Langer, "somente as 16 runas do sistema novo (ramas longa e curta) continuaram a ser utilizadas para operações mágicas entre os vikings, mas não sobreviveram vestígios físicos para comprovar isto, a não ser espadas e lanças com a runa Tiwaz".

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