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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A propósito do fim das quotas leiteiras - Nota da Comissão Nacional de Agricultura junto do Comité Central do PCP

A propósito do fim das quotas leiteiras

Nota da Comissão Nacional de Agricultura junto do 



Comité Central do PCP




A propósito do fim das quotas leiteiras



A propósito do fim das quotas leiteiras, que se verifica a partir de hoje, a Comissão de Agricultura junto do Comité Central do PCP para as questões da agricultura considera necessário assinalar o seguinte:
O fim das quotas leiteiras a partir de hoje, 1 de Abril, que pode significar a liquidação da produção leiteira no continente e nos açores, pondo em causa o auto-abastecimento do país em lacticínios, é da responsabilidade do PS, PSD e CDS!
1 - O sistema de quotas leiteiras, estabelecendo tectos máximos de produção por País e de por produtor e penalizações para quem os ultrapassasse, significou, durante cerca de três décadas, um sistema de regulação do mercado na União Europeia que, embora imperfeito, garantia a estabilidade dos preços pagos à produção, assegurando, deste modo, com regularidade, o fornecimento dos mercados.
2 - O sistema, ainda que injusto, uma vez que na sua distribuição inicial não teve em conta as potencialidades dos países mais pequenos favorecendo claramente os grandes produtores do centro e do norte da Europa, deu provas de funcionar, sendo hoje consensual a sua importância.
3 - No quadro da chamada Agenda 2000 – uma mini-reforma da PAC, os Governos da União Europeia, onde estava o Governo Português PS/Guterres, com o Ministro da Agricultura Capoulas Santos decidiram, em 1999, o fim das quotas leiteiras em 2008. Posteriormente a UE, estava agora em funções um Governo Português, PSD/CDS, com o Ministro da Agricultura Sevinate Pinto, em 2003 confirmou a decisão mas adiaram-na para 2015. No Conselho de Ministros Europeu da Agricultura de Novembro de 2008, Governo PS/Sócrates e Ministro da Agricultura Jaime Silva, consolidaram o fim do regime de quotas leiteiras no dia 31 de Março de 2015. Para atenuar problemas que já sabiam ir verificar-se, os Governos decidiram um processo de eliminação gradual das quotas, a que chamaram de “aterragem suave” – um aumento por País da quota em 1% ao ano. Nem as posições dos Governos PS tiveram alguma oposição do PSD e CDS, nem as dos Governos PSD/CDS tiveram a crítica e o não do PS!
4 - Durante o processo de “aterragem suave”, a produção de leite aumentou em valores acima dos 3% ao ano, o que significou, apenas na época de 2013/14, um aumento de 4036322 (de acordo com o Milk Market Observatory, de 19/11/2014), que corresponde a mais do dobro de toda a produção portuguesa, cuja quota era de de 2080101Kg.
5 - Assinale-se que, enquanto em Portugal o Governo afirmava querer lutar pela defesa das quotas leiteiras, em Dezembro de 2013, PS, PSD e CDS votaram contra uma proposta de resolução alternativa proposta pelo PCP, no Parlamento Europeu, cujo conteúdo se revestia de grande importância para o futuro da produção leiteira nacional, pois, ao contrário do relatório original (que aceitava o fim das quotas leiteiras), defendia a necessidade de manutenção do regime de quotas de produção leiteira para além de 2015, preconizando um ajustamento das mesmas "às necessidades de cada Estado-Membro e ao seu nível relativo de capacidade de produção instalada", nem no plano Nacional, tendo sucessivamente votado contra as iniciativas legislativas que defendiam a manutenção das quotas leiteiras.
6 - Com o fim das quotas leiteiras está aberta a possibilidade de novos aumentos de produção na Europa, particularmente nos países com condições edafo-climáticas mais favoráveis, com preços dos factores de produção mais competitivos e com mais apoios públicos o que significará, inevitavelmente, nova pressão nos preços pagos à produção.
7 - Tal situação criará situações dramáticas para a esmagadora maioria dos produtores portugueses, que não tem condições para competir com explorações leiteiras com factores de produção a preços mais baixos, e fundamentalmente, graças ao clima, com pastos naturais todo o ano.
8 - Recorde-se que o sector leiteiro perdeu, nas últimas duas décadas mais de 90% dos produtores, passando de mais de 70mil, para pouco mais de 6mil. Tal situação, provocando por um lado o abandono de vastas áreas do território, por parte de quem antes tinha trabalho e sustento para os seus, coloca novos problemas ambientais face à concentração das explorações.
9 - Acresce ainda que, num quadro de uma Reforma da PAC que foi negativa para Portugal, pois prossegue a desregulação e a liberalização dos mercados agrícolas, as opções do Governo na margem de decisão nacional, foi ainda mais penalizadora, tendo o Governo decidido, por exemplo, apoios por vaca leiteira de 82€, o que corresponde a cerca de 0,01€ por kg, enquanto a Suíça, tem apoios na ordem dos 0,12€ por kg, ou as opções de introdução das medidas de apoio ao desempenho ambiental, o chamado greening, cujo mecanismo de controlo pode retirar ao sector cerca de 14 milhões de euros.
10 - O PCP, recordando a sua posição de sempre de defesa das quotas leiteiras, não desiste da luta pela regulação dos mercados agrícolas, e designadamente o mercado do leite, tendo entregue na Assembleia da República um projecto de Resolução que recomenda ao Governo a promoção de medidas de defesa da produção leiteira nacional.
Aí se defende que o Governo desenvolva esforços junto das instituições europeias para a manutenção de um quadro de regulação do mercado no plano europeu, que dê resposta aos problemas do sector leiteiro, propondo medidas de defesa dos produtores nacionais, designadamente a garantia de preço justo à produção, a garantia de protecção do mercado nacional face à entrada de leite estrangeiro, a regulamentação efectiva e a fiscalização da actividade especulativa das cadeias de distribuição alimentar, impondo limites ao uso das marcas brancas, bem como estabelecendo "quotas" de vendas da produção nacional.

www.pcp.pt

Alemanha e França compreenderam que os EUA enlouqueceram

Alemanha e França compreenderam que os EUA enlouqueceram

 http://americanfreepress.net

Esta é uma das mais importantes palestras em muito tempo porque condensa de forma excepcional  toda a política externa norteamericana desde o final da Segunda Guerra Mundial focando particlarmente na ascensão ao poder dos neoconservadores com as políticas neolibrais. Feita por quem tem um vasto e apurado conhecimento das entranhas do poder em Washington e do aparato político internacional, encontro nas suas palavras uma enorme sintonia com o que eu venho pensando e deduzindo dos acontecimentos. A minha tradução segue abaixo para quem não tem tanta fluência no ingles e merece estar ao par do mais atual na política mundial.

Rebello
.

D.C. o Inimigo da Paz Mundial

21 de março de 2015  -   Exclusivo da AFP

Em 25 e 26 de fevereiro e 2015, Paul Craig Roberts discursou no 70º aniversário da Conferência de Yalta, organizado pela Academia de Ciências da Rússia e pelo Instituto Estatal de Moscou de Relações Internacionais. O que se segue é o seu discurso no evento que durou dois dias.

Por Paul Craig Roberts*

Recentemente, fui convidado para palestrar em uma importante conferência na Academia de Ciências da Rússia, em Moscou. Estudiosos da Rússia e de todo o mundo, funcionários do governo russo e o povo russo buscam uma resposta para o por quê Washington, durante o ano passado, destruiu  as relações amistosas entre os EUA e a Rússia, que os presidentes Ronald Reagan e  Mikhail Gorbachev conseguiram estabelecer. Todos na Rússia estão angustiados sobre o por que de Washington, sozinho, ter destruido a confiança entre as duas maiores potências nucleares que tinham sido criadas durante a era Reagan-Gorbachev, a confiança que havia retirado a ameaça do Armagedon nuclear.

Russos em todos os níveis estão espantados com a propaganda virulenta e mentiras que estão constantemente saindo de Washington e dos meios de comunicação ocidentais. Demonização gratuita de Washington do presidente russo Vladimir Putin tem mobilizado o povo russo dando-lhe suporte. Putin tem o maior índice de aprovação jamais alcançado por qualquer líder em minha vida.

A destruição imprudente e irresponsável de Washington da confiança alcançada por Reagan e Gorbachev ressuscitou, da sepultura em que Reagan e Gorbachev enterraram, a possibilidade de uma guerra nuclear. Mais uma vez, como durante a Guerra Fria, o espectro de um Armagedon nuclear brota da terra.

Por que Washington revive a ameaça de aniquilação do mundo? Por que esta ameaça à toda a humanidade tem o apoio da maioria do Congresso, da totalidade dos meios de comunicação, da imprensa prostituta e de acadêmicos e think-tanks dos EUA?

Foi minha tarefa responder esta pergunta para a conferência. Leia o meu discurso abaixo.

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O perigoso "Excepcionalismo Norte-americano"

O que eu proponho a vocês é que as dificuldades atuais na ordem internacional não estão relacionadas com Yalta e suas conseqüências, mas têm a sua origem no surgimento da ideologia neoconservadora na era pós-soviética e sua influência sobre a política externa de Washington.

O colapso da União Soviética retirou a única restrição do poder de Washington de agir unilateralmente no exterior. Naquele tempo foi estimado que a ascensão da China levaria meio século. De repente, os Estados Unidos encontraram-se como sendo a força única, a "única superpotência do mundo." Os neoconservadores proclamaram o "fim da história".

Por "fim da história" os neoconservadores querem dizer que a concorrência entre os sistemas sócio-econômico-políticos chegaram ao fim. A história escolheu o "capitalismo democrático Americano." É responsabilidade de Washington exercer hegemonia sobre o mundo, dado à Washington pela história, para alinhar o mundo de acordo com a escolha da história pelo capitalismo democrático Americano.

Em outras palavras, Marx foi provado errado. O futuro não pertence ao proletariado, mas à Washington.

Excepcionalismo Norteamericano

A ideologia neoconservadora eleva os Estados Unidos ao original status de ser "o país excepcional", e o povo norteamericano adquire o exaltado status de "pessoas indispensáveis."

Se um país é "o país excepcional", isso significa que todos os outros países são ordinários. Se um povo é de "indispensáveis", isso significa que os outros povos são dispensáveis. Vimos essa atitude no trabalho de Washington em 14 anos de guerras de agressão no Médio Oriente. Estas guerras deixaram países destruídos e milhões de mortos, feridos e deslocados. No entanto, Washington continua a falar de seu compromisso de proteger países menores da agressão de países maiores. A explicação para essa hipocrisia é que Washington não considera a agressão de Washington como agressão, mas como propósito da história.

Vimos também a manifestação desta atitude no desdém de Washington para com os interesses nacionais da Rússia e na resposta propagandística de Washington para a diplomacia russa.

A doutrina neoconservadora dos EUA de supremacia mundial é mais clara e concisamente afirmada por Paul Wolfowitz, um líder neoconservador que já ocupou vários altos cargos: vice-secretário assistente de Defesa dos EUA, diretor de planejamento de políticas do Departamento de Estado dos EUA, secretário-assistente de Estado, embaixador na Indonésia, subsecretário de Defesa para a política, vice-secretário de Defesa e presidente do Banco Mundial.

Em 1992, Wolfowitz lançou a doutrina neoconservadora de supremacia mundial norte-americana:

"Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética ou em outro lugar, que represente uma ameaça à ordem que anteriormente imposta pela União Soviética. Esta é uma consideração dominante subjacente à nova estratégia de defesa regional e exige que nós nos esforcemos para evitar que qualquer potência hostil domine uma região cujos recursos, sob controle consolidado, seja suficiente para gerar poder global. "

Para esclarecimento, um "poder hostil" é um país com uma política independente (Rússia, China, Irã e anteriormente Saddam Hussein, Kadafi, Assad).

Esta ousada declaração repercutiu no tradicional estabelecimento norteamericano de política externa como uma declaração do imperialismo norte-americano. O documento foi reescrito de forma a suavizar e disfarçar a afirmação de flagrante supremacia sem mudar a intenção. Estes documentos estão disponíveis on-line, e você pode examiná-los à sua conveniência.

O Domínio da Política Externa Neocon

A suavização da linguagem permitiu que os neoconservadores alcançassem o domínio da política externa. Os neoconservadores são responsáveis ​​pelos ataques do regime Clinton à Yugoslávia e à Sérvia. Os neoconservadores, especialmente Wolfowitz, são responsáveis ​​pela invasão do regime George W. Bush no Iraque. Os neoconservadores são responsáveis ​​pela derrubada e assassinato de Khadafi na Líbia, pelo ataque à Síria, pela propaganda contra o Irã, pelos ataques de drones no Paquistão e Iêmen, pelas revoluções coloridas em ex-repúblicas soviéticas, pela tentativa da "Revolução Verde" no Irã, pelo golpe de Estado na Ucrânia e pela demonização de Putin.

Um número de perspicazes americanos suspeitam que os neoconservadores são os responsáveis ​​pelo 9-11, em como aquele evento forneceu aos neoconservadores o "novo Pearl Harbor" que, nas suas posições de teoria política, dizem ser necessário para lançar suas guerras de hegemonia no Oriente Médio. 9-11 levou direta e imediatamente à invasão do Afeganistão, onde Washington tem lutado desde 2001. Os neoconservadores controlavam todos os cargos governamentais importantes necessários para um ataque de "falsa bandeira".

A Subsecretária neoconservadora de Estado Victoria Nuland, que é casada com outro neoconservador, Robert Kagan, implementou e supervisionou o golpe de Washington na Ucrânia e escolheu o novo governo.

Os neoconservadores são altamente organizados e em rede, bem financiados, apoiados pela mídia impressa e TV, pelo complexo militar de segurança dos EUA e pelo lobby israelense. Não há poder mitigante à sua influência na política externa dos EUA.

A doutrina neoconservadora vai além da doutrina Zbigniew Brzezinski, que discordou da détente e provocativamente apoiou dissidentes dentro do império soviético. Apesar de seu caráter provocativo, a doutrina Brzezinski permaneceu uma doutrina de política de poder e de contenção. Não é uma doutrina de hegemonia mundial dos EUA.

Enquanto os neoconservadores durante uma década estavam preocupados com suas guerras no Oriente Médio, criando um Comando África dos EUA, organizando revoluções coloridas, saindo de tratados de desarmamento, cercando a Rússia com bases militares e fazendo um "giro à Ásia" para cercar a China com novas bases aéreas e navais, Putin levou a Rússia de volta à competência econômica e militar e afirmou com sucesso uma política externa russa independente.

Quando a diplomacia russa bloqueou a planejada invasão de Washington à Síria e o bombardeio de Washington no Irã, os neoconservadores perceberam que haviam falhado no "primeiro objetivo" da doutrina Wolfowitz e permitiram "o ressurgimento de um novo rival . . . no território da antiga União Soviética ", com o poder de bloquear a ação unilateral de Washington.

Ataque à Rússia começa

Começou o ataque contra a Rússia. Washington gastou US $ 5 bilhões durante uma década criando organizações não-governamentais (ONGs) na Ucrânia e cultivando políticos ucranianos. As ONGs foram chamadas para as ruas. Nacionalistas extremos foram usados ​​para introduzir a violência, e o governo democrático eleito foi derrubado. A conversa telefônica interceptada entre Victoria Nuland e o embaixador dos EUA em Kiev, na qual os dois agentes de Washington escolhem os membros do novo governo da Ucrânia, é bem conhecida.

Se a informação que a mim chegou recentemente da Armênia e Quirguistão está correta, Washington tem financiado ONGs e está cultivando políticos na Armênia e nas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.

Se as informações estiverem corretas, a Rússia pode esperar mais revoluções coloridas ou golpes de Estado em outros ex-territórios da União Soviética. Talvez a China enfrente uma ameaça similar em Uyghurstan.

O conflito na Ucrânia é muitas vezes chamado de "guerra civil". Isso é incorreto. Uma guerra civil é quando dois lados lutam pelo controle do governo. As repúblicas separatistas na Ucrânia oriental e meridional estão lutando uma guerra de secessão.

Washington estaria feliz em ter usado seu golpe de Estado na Ucrânia para expulsar a Rússia de sua base naval do Mar Negro, já que esta teria sido uma conquista militar estratégica. No entanto, Washington sente prazer em que a "crise na Ucrânia" orquestrada por Washington, resultou na demonização de Putin, permitindo assim sanções econômicas que puseram em perigo as relações econômicas e políticas da Rússia com a Europa. As sanções têm mantido a Europa na órbita de Washington.

Sem interesse na paz

Washington não tem interesse em resolver a situação ucraniana. A situação pode ser resolvida diplomaticamente somente se a Europa puder alcançar soberania suficiente sobre a sua política externa para agir em interesse da Europa, em vez do interesse de Washington.

A doutrina neoconservadora de hegemonia mundial dos EUA é uma ameaça à soberania de cada país.

A doutrina requer subserviência à liderança de Washington e para os propósitos de Washington. Governos independentes são alvo de desestabilização. O regime Obama derrubou o governo reformista em Honduras e, atualmente, está trabalhando na desestabilização da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, e, provavelmente, também da Armênia e das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.

Seria um erro estratégico descartar a ideologia neoconservadora como irreal. A doutrina não é realista, mas é a força condutora da política externa dos EUA e pode produzir uma guerra mundial.
Em seus conflitos com a hegemonia de Washington, Rússia e China estão em desvantagem. O sucesso da propaganda americana durante a Guerra Fria, as grandes diferenças entre os padrões de vida nos EUA e aqueles em terras comunistas, a manifesta opressão política comunista, às vezes brutal, e o colapso da União Soviética criaram na mente de muitas pessoas virtudes inexistentes para os EUA. Como o inglês é a língua mundial e a mídia ocidental é cooperativa, Washington é capaz de controlar explicações, independente dos fatos. A capacidade de Washington para ser o agressor e culpar a vítima incentiva a marcha de Washington para mais agressão.

9-11 e o Estado Policial dos EUA

Assim como o 9-11 serviu para lançar as guerras de hegemonia de Washington no Oriente Médio, o 9-11 serviu para criar o estado policial americano. A Constituição e as liberdades civis que ela protege rapidamente caíram pela acumulação de poder no Executivo que uma situação de guerra permite.

Novas leis, algumas claramente pré-preparadas como o Patriot Act, ordens executivas, diretrizes presidenciais e memorandos do Departamento de Justiça criaram uma autoridade executiva inexplicável à Constituição, e à lei nacional e internacional.

De repente, os americanos poderiam ser detidos indefinidamente sem justa causa apresentada à um tribunal. O Habeas Corpus, a proteção constitucional que proíbe qualquer tipo de detenção, foi colocado de lado.

De repente, as pessoas poderiam ser torturadas para confissões, em violação do direito contra a auto-incriminação e em violação das leis nacionais e internacionais contra a tortura.

De repente, americanos e aliados mais próximos de Washington poderiam ser espionados indiscriminadamente, sem a necessidade de mandados demonstrando causa.

O regime Obama acrescentou às transgressões do regime de Bush a afirmação do direito do Poder Executivo para assassinar cidadãos americanos sem o devido processo legal.

O estado policial foi organizado sob um enorme novo Departamento de Segurança Interna. Quase que imediatamente, proteções aos que fazem denúncia, a liberdade de imprensa e de expressão e direito à protestos foram atacados e reduzidos.

Não demorou muito antes que a Segurança Interna declarasse que o foco do departamento mudou, de terroristas muçulmanos à "extremistas domésticos", uma categoria indefinida. Qualquer um pode ser varrido para esta categoria. Casas de manifestantes de guerra foram invadidas e júris foram convocados para investigar os manifestantes. Americanos de origem árabe que doaram para instituições de caridade - mesmo instituições de caridade da lista  aprovada pelo Departamento de Estado - que auxiliaram crianças palestinas foram presos e condenados à prisão por "fornecer apoio material ao terrorismo".

Tudo isso e muito mais, incluindo a brutalidade policial, teve um efeito inibidor sobre os protestos contra as guerras e a perda de liberdade civil. Os crescentes protestos da população norte-americana, e mesmo de soldados que eventualmente forçaram Washington a acabar com a Guerra do Vietnã, têm sido impedidos no século 21 pela erosão dos direitos, intimidação, perda de mobilidade (no-fly list), perda do emprego e outras pesadas ações inconsistentes com um governo responsável perante a lei e para o povo.

Em um sentido importante, os EUA emergiram a partir da "guerra ao terror" como uma ditadura do Poder Executivo sem restrições pelos meios de comunicação e pouco, senão em nada, constrangido pelo Congresso e tribunais federais. A ilegalidade do Poder Executivo se espalhou para os governos dos estados vassalos de Washington e para o Federal Reserve, para o Fundo Monetário Internacional e para o Banco Central Europeu, os quais violam os seus charters e operam fora de suas competências legais.

Empregos deslocados para operações offshore destruiram os sindicatos industriais e de manufaturados norte-americanos. Suas extinções e o ataque atual sobre os sindicatos públicos de empregados deixou o Partido Democrata financeiramente dependente dos mesmos grupos organizados por interesses privados, assim como os republicanos. Ambos partidos políticos agora respondem  aos mesmos grupos de interesse. Wall Street, o complexo militar de segurança, o lobby israelense, o agronegócio e as indústrias extrativistas (petróleo, mineração, madeira) controlam o governo, independente do partido no poder. Estes interesses poderosos, todos têm uma participação na hegemonia norteamericana.

A mensagem é que a constelação de forças se opõe à mudança política interna.

O Calcanhar de Aquiles da América do Norte

Calcanhar de Aquiles da hegemonia é a economia dos EUA. O conto de fadas de recuperação da economia americana apoia a imagem da América como o porto seguro, uma imagem que mantém o valor do dólar para cima, o mercado de ações para cima e taxas de juros para baixo. No entanto, não há nenhuma informação economica que dê suporte a esse conto de fadas.

A renda familiar média real não cresceu durante anos e está abaixo dos níveis do início da década de 1970. Não houve crescimento nas vendas reais do comércio varejista por seis anos. A força de trabalho está encolhendo. A taxa de participação na força de trabalho diminuiu desde 2007, assim como a relação emprego civil - população. A taxa de desemprego de 5,7% reportado é alcançado por não contar trabalhadores desencorajados como parte da força de trabalho. Um trabalhador desencorajado é uma pessoa que não consegue encontrar um emprego e desiste de procurar.

A segunda taxa de desemprego oficial, que conta a curto prazo (menos de um ano) trabalhadores desencorajados e raramente é relatado, situa-se em 11,2%. O governo dos Estados Unidos parou de incluir trabalhadores desencorajados a longo prazo (desanimado por mais de um ano) em 1994. Se a longo prazo desanimados são contados, a atual taxa de desemprego nos EUA é de 23,2%.

O offshoring de empregos na indústria e de serviços profissionais americanos, tais como engenharia de software e tecnologia da informação, tem devastado a classe média. A classe média não encontra emprego com rendimentos comparáveis ​​aos movidos para o exterior. As economias de custo, feitas pelo trabalho offshore na Ásia, fez aumentar os lucros das empresas, os bônuses dos executivos e os ganhos dos acionistas. Assim, todos os ganhos de renda e riqueza estão concentrados em poucas mãos no topo da distribuição da renda. O número de bilionários cresce à medida que a miséria atinge, a partir da classe econômica mais baixa, a classe média. Graduados de universidades americanas são incapazes de encontrar emprego e voltam para seus quartos da infância em casa dos pais e trabalham como garçonetes e bartenders em empregos part-time que não lhes dão sustento.

Nenhum dos problemas que criaram a recessão de 2008, e que foram criados pela recessão de 2008, foram abordados. Em vez disso, os políticos têm usado uma expansão da dívida e dinheiro para 'empapelar' os problemas. Dinheiro e dívida têm crescido muito mais do que o PIB dos EUA, o que levanta questões sobre o valor do dólar dos Estados Unidos e da qualidade de crédito do governo dos EUA.

Isso levanta a questão: Por que o rating de crédito da Rússia, um país com uma baixíssima proporção da dívida em relação ao PIB, é rebaixado e não o dos EUA? A resposta é que o rebaixamento da qualidade de crédito da Rússia foi um ato político dirigido contra a Rússia, em nome da hegemonia norte-americana.

Quanto tempo pode durar este Castelo de Cartas?

Quanto tempo pode contos de fadas e atos políticos manter o Castelo de Cartas norte-americana de pé? Um mercado de ações fraudado. Uma taxa de juros fraudada. Um valor de câmbio do dólar fraudado, um preço de ouro fraudado e suprimido.

O atual sistema financeiro ocidental baseia-se no apoio mundial ao dólar norte-americano e nada mais. O problema com a economia neoliberal, que permeia todos os países, inclusive a Rússia e a China, é que a economia neoliberal é uma ferramenta do imperialismo econômico dos Estados Unidos, como é o globalismo. Enquanto os países alvo de Washington para  desestabilização se apegarem às doutrinas norte-americanas que permitem a desestabilização, os alvos são indefensáveis.

Se a Rússia, a China e o banco do BRICS estiverem dispostos a financiar a Grécia, Itália e   Espanha, talvez esses países pudessem ser separados da UE e da OTAN. Começaria o desenlace do império de Washington.

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*Dr. Paul Craig Roberts foi secretário assistente do Tesouro dos EUA sob o presidente Ronald Reagan, foi editor associado e colunista do The Wall Street Journal. Ele tem sido um professor de economia em seis universidades, e é o autor de numerosos livros e contribuições acadêmicas. Ele testemunhou perante o Congresso em 30 ocasiões.

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O vale de San Quintín - Uma zona isolada no norte do México. Uma população de proletários rurais, brutalmente explorados e oprimidos, socialmente marginalizados. Mas há um vento de agitação que percorre o país, e os explorados levantam-se. Nada têm a perder senão as próprias cadeias.

O vale de San Quintín

Guillermo Villalobos*
03.Abr.15
Uma zona isolada no norte do México. Uma população de proletários rurais, brutalmente explorados e oprimidos, socialmente marginalizados. Mas há um vento de agitação que percorre o país, e os explorados levantam-se. Nada têm a perder senão as próprias cadeias.


Localizado a uns 300 quilómetros da fronteira norte, na Baixa Califórnia. Afastado de tudo, em que a sede do município, o porto de Ensenada, se situa a 170 quilómetros. O INEGI estima que tem uma população de 50 mil pessoas, das quais pelo menos 80% são jornaleiros originários do sul do México e 15% falam alguma língua indígena: mixteca, zapoteca ou náhuatl. Ali estão “A nova San Juan Copala”, “A Nova Juchitepec” e “Nova Juchitlan”, as colonias em que assentaram nesses lugares e que chamam como os lugares de onde são originários.
Abandonam a montanha em busca da terra prometida: San Quintín. Conta-se que desde a década de 80 do século passado corria o rumor de que lá no norte grandes companhias estado-unidenses pagavam salários como os dos Estados Unidos. A realidade é que nesta zona têm as suas sedes não mais de cinco empresas com capital nacional e parceiros comerciais estado-unidenses, principalmente da Califórnia, e pelo menos 20 campos agrícolas onde os jornaleiros que se atrevem a protestar são fichados e acabam vagueando pelas ruas.
Em todos estes campos a situação é similar: exploração laboral, assédio laboral, vexames e violações sexuais por parte dos capatazes do patronato. Situação encoberta por todos os níveis de governo: Local, Estatal e Federal. O angariador chamava-lhe “A Terra Prometida”: “Neste oásis no meio do deserto nada lhes faltaria, teriam salários como nos EUA” e acabam sendo um número nas estatísticas: as políticas de saúde pública são tão deploráveis como as laborais. Segundo o Plano de Desenvolvimento Regional 56.92% da população carece de cuidados médicos e grande parte dos jornaleiros não tem segurança social nem contratos de trabalho. Concluíam o seu sonho conformando-se apenas com alcançar a sua liberdade e escapar.
Esta é uma força laboral praticamente expulsa da sociedade e ultrajada, da qual já ninguém se recordava, onde as novas gerações nascem com malformações devido aos pesticidas. Aqui os trabalhadores podem ser roubados e as mulheres violadas sem que ninguém faça nada. Ninguém confia nem na comissão de Direitos Humanos, pois conhecem a cumplicidade que existe entre os empresários, deputados e governo. Aqui é onde se gera a rebelião de classe dos oprimidos contra os exploradores.
Hoje estes trabalhadores do campo foram contagiados pela situação agitada que se vive no México, aprenderam que nada alcançaram com lamentos e, de um momento para o outro, tomando todos de surpresa, levantam-se para se fazerem ouvir, recordando-nos a precarização laboral em que vivem milhões de assalariados do povo de México. Nada mais oportuno, pois arrancaram as grandes campanhas de demagogos peritos no engano e na mentira e ninguém quer comprometer-se com os exploradores, evidentemente, quando se trata da caça ao voto.
Aos trabalhadores agrícolas apenas lhes resta o caminho da organização, porque de outra forma os pesticidas acabarão com a sua saúde e ver-se-ão pedindo esmola pelas ruas como tantos outros, ou como prisioneiros do patronato, pois as lojas de fronteira mantêm-nos como verdadeiros reféns das dívidas contraídas. As mulheres acabariam como as demais, cobrindo o rosto, envergonhadas e humilhadas, caminhando com medo onde os seus homens nada podem fazer perante a ameaça do despedimento. Por isso é que, nada tendo a perder, arriscam hoje o tudo por tudo.
Publicado em El Comunista, órgão do Comité Central do Partido Comunista de México
* Membro do Comité Central do Partido Comunista do México


www.odiario.info

NOTAS - PALMAS AOS DEFUNTOS

NESTE MUNDO, NESTE PAÍS NÃO MUDA NADA !


OS ESPECTROS DO ANTIGO ESTÃO SEMPRE PRESENTES.


TALVEZ ESTE POVO SUPERSTICIOSO QUE POUCO LUTA, TENHA QUE DEIXAR DE BATER PALMAS AOS DEFUNTOS .


O QUE NÃO PRESTA ESTÁ CÁ TUDO E AINDA POR CIMA REENCARNAM, REPRODUZEM-SE .
António Garrochinho

Fim das quotas leiteiras poderá ser desastroso para os produtores transmontanos

Fim das quotas leiteiras poderá ser desastroso para os produtores transmontanos





Ofim das quotas leiteiras poderá ter consequências desastrosas para os produtores transmontanos vendo-se, alguns deles, obrigados a encerrar as pequenas explorações e a abandonar a actividade. As propostas legislativas para o futuro da Política Agrícola Comum (PAC) foram apresentadas esta quarta-feira.   Arlindo Cunha, que negociou uma reforma da PAC em 1992 no Governo de Cavaco Silva, alertou para alguns riscos . "Acho que o fim das quotas leiteiras vai ter consequências desastrosas", afirmou à Lusa Arlindo Cunha.

Os produtores transmontanos também já se encontram muito apreensivos e sobretudo cépticos com o futuro das suas explorações que agora terão que competir com níveis de exploração do tipo industrial, já implantadas nos países do norte. Com o fim do sistema de quotas prevê-se que não haja casos de sucesso entre os agricultores que , por exemplo, sejam proprietários de 50, 200 ou mesmo de 500 vacas.

Com o previsível desaparecimento dos pequenos agricultores sobreviverão apenas as explorações de tipo industrial, que juntem mil, duas mil ou cinco mil vacas, com mais capacidade de competir nos mercados europeus de forma a colocarem a mesma quantidade de leite no mercado e a preços menos elevados.

Perante o quadro que se aproxima, os produtores de leite de Trás-os-Montes não sabem como vai ser o futuro, por isso manifestam algum receio e muitas incertezas. 

O regime de quotas leiteiras na Europa esteve em vigor durante trinta anos, mas oficialmente terminam hoje, dia 1 de abril, o que vai permitir que países como a Alemanha, França, Holanda e Espanha produzam a quantidade de leite que quiserem e sem quaisquer restrições.

No caso do Nordeste Transmontano a actividade já se encontra em crise desde alguns anos, podendo esta medida contribuir para o aniquilamento total da actividade. Nesta região chegaram a existir mais de 300 produtores que colocavam nos mercados cerca de 180 mil litros de leite. Neste momento, apenas existem 70 produtores com uma produção estimada em 40 mil litros por dia.

António Figueiredo "Agora há que arrebanhar por todo o lado"

António Figueiredo "Agora há que arrebanhar por todo o lado"

Escutas a antigo presidente do Instituto dos Registos e Notariado foram reveladas pelo jornal i. António Figueiredo foi gravado a falar de vários pagamentos ilegais em troca de vistos gold.
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Agora há que arrebanhar por todo o lado
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frases como “agora há que arrebanhar por todo o lado” e até António Figueiredo a dar garantias de que faria “um bocadinho de pressão” sobre o diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para resolver situações a pedido de um empresário chinês.
O envolvimento do líder do SEF torna-se mais claro quando o ex-presidente do IRN fala em “dar-lhe um bocadinho” dos pagamentos recebidos para “ele também ficar contente”.
As gravações acabam pouco depois da divulgação do escândalo de atribuição de vistos gold, não sem antes António Figueiredo ser gravado a declarar que “isto está podre é da parte dos espiões”.

“Anticomunismo é a base ideológica comum para o espectro fascista no Brasil”, afirma historiador

“Anticomunismo é a base ideológica comum para o espectro fascista no Brasil”, afirma historiador


“Anticomunismo é a base ideológica comum para o espectro fascista no Brasil”, afirma historiador

O professor de história na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Lucas Patschiki, pesquisa a continuidade e transformações do fascismo do começo do século 20 até agora.
No Brasil, ele estuda o portal de extrema-direita Mídia Sem Máscara, dirigido pelo filósofo Olavo de Carvalho, e o Instituto Millenium, que reúne diretores, colunistas, comentaristas e blogueiros vinculados aos grandes meios de comunicação.
Segundo ele, a onda conservadora que avança no Brasil é um fenômeno mundial, ligado ao enfraquecimento da democracia burguesa, à crise do capitalismo a partir de 2008 e às dificuldades do modelo neoliberal de encontrar uma saída para o seu projeto econômico.
Essa onda conservadora se manifestou nas eleições de 2014, com a votação expressiva de ícones da direita para o Congresso Nacional, e explodiu nas ruas com os protestos do dia 15 de março, quando segmentos extremistas catalisaram o sentimento de indignação de milhares de brasileiros.
No caso brasileiro, afirma Patschiki, a ascensão de atores conservadores pegou carona na doutrina do “anticomunismo preventivo”, que norteou a atuação da mídia hegemônica nos últimos 12 anos, como forma de pressão para que o PT cumprisse os acordos com a classe dominante e o imperialismo.
“O anticomunismo serviu como base ideológica comum para o espectro fascista da sociedade, um movimento organizador visando o acirramento da luta de classes, tendo como expectativa a crise aberta. O fascismo, como fenômeno surgido com o imperialismo, tem como função política e social primária reorganizar o bloco no poder de maneira brutal durante a crise aberta, para a manutenção e reprodução da sociedade de classes, o que denota seu caráter de organização visando a luta contra a classe trabalhadora e, de maneira geral, de luta contra qualquer avanço democratizante”, afirma.

Incapacidade do Estado
Vivemos historicamente uma ofensiva violenta do capital contra o trabalho sob a égide do neoliberalismo, e isto tem consequências que atingem a totalidade da sociedade. Para o que nos interessa discutir aqui, temos de sublinhar o deslocamento dos centros de decisão política. Há um esvaziamento da capacidade de universalização de direitos pela via parlamentar-eleitoral burguesa, que acaba por ser inundada pela pequena política (a política que é incapaz de mudar os rumos do Estado). Mas este esvaziamento não se traduz em uma crise de direção política, pois a capacidade de decisão é deslocada para esferas corporativas na ossatura material do Estado, no caso brasileiro notadamente para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), lugar de construção de consensos sociais em favor do capital, assim como o Banco Central.
Crise política
A Dilma tentou reavivar esse pacto social, abalado pela estagnação econômica. Primeiro, em contato direto com o empresariado na própria eleição e depois do pleito pela distribuição de cargos e ministérios (Joaquim Levy, Kátia Abreu, etc.). Não foi o suficiente, enfraquecendo as articulações políticas com os partidos na Câmara e no Senado. Isso, somado à ida para ruas, que em 2013 quebrou a política de apaziguamento das organizações das classes subalternas, via CUT e PT após a eleição de Lula. Agora, em 2015, se radicalizam, com parte dos atores políticos intitulados de direita passando a inclusive defender inclusive a ruptura institucional dessa democracia que temos. Abre-se um precedente preocupante para o futuro. Estamos, sem dúvida, vivendo uma crise política no âmbito da representatividade. Isso atinge todos os partidos, e os desdobramentos dessa crise ainda são nebulosos.
Onda conservadora
Com a crise de 2008, crise estrutural do capital, há uma ascensão de projetos, pautas e movimentos de cunho chauvinista, xenófobo e mesmo fascista. Eles são financiados abertamente pelo grande capital e servem tanto para se colocarem como possibilidade em caso de crise de direção política quanto para constituírem uma base social de sustentação e apoio ativo ao incremento da violência estatal, diante do esvaziamento das formas de resolução política formal da democracia burguesa. O caso mais claro é o do Tea Pparty estadunidense. Ou seja, há uma correlação fundamental entre a ascensão fascista, o aumento (qualitativo e quantitativo) da violência e autoritarismo estatal e o programa neoliberal.
Anticomunismo preventivo
No caso brasileiro, a ascensão desses atores foi motivada pela justificativa do “anticomunismo preventivo”, mote para a atuação raivosa da mídia hegemônica nos últimos 12 anos: elemento de pressão para que o Partido dos Trabalhadores em suas gestões federais cumprisse os acordos acertados com a classe dominante e o imperialismo. O anticomunismo serviu como base ideológica comum para o espectro fascista da sociedade, um movimento organizador visando o acirramento da luta de classes, tendo como expectativa a crise aberta. O fascismo, como fenômeno surgido com o imperialismo, tem como função política e social primária reorganizar o bloco no poder de maneira brutal durante a crise aberta, para a manutenção e reprodução da sociedade de classes, o que denota seu caráter de organização visando a luta contra a classe trabalhadora e, de maneira geral, de luta contra qualquer avanço democratizante.
Intelectuais do conservadorismo
Intelectuais, colunistas e blogueiros conservadores disseminaram suas pautas por todo o campo político. Mas a atuação destes tem objetivos políticos mais profundos que o eleitoral, eles buscam a conformação cultural e ética de todo um modo de ser, visando prioritariamente a pequena e nova pequena burguesia. Existe uma série de marcos ideológicos que “pegaram”, tornaram-se referência para esses diferentes atores: a suposta existência de um movimento revolucionário de cunho gramsciano, corporificado no PT; que existiria a possibilidade da transformação automática de uma gestão presidencial sob a democracia burguesa em um regime de esquerda, o que remetem ao bolivarianismo; que as universidades e o conhecimento teria um filtro ideológico inevitável e que no caso brasileiro seria o de esquerda; que os diferentes movimentos de contestação ou de reconhecimento (caso das lutas pelo casamento LGBTs, por exemplo) possuem o mesmo sentido político comunista (conscientemente ou não). São variações sobre uma matriz anticomunista, que nem mesmo é original, já que é reprodução de discursos semelhantes estadunidenses ou europeus.
Sem resistência
O PT não cumpriu nenhum combate a esse tipo de discurso, inclusive, a partir de determinado momento, passou até a se apropriar dele de maneira pragmática, como elemento ideológico de distinção entre o seu programa e os demais, o que foi explorado amplamente na eleição. E por fim, a partir das Jornadas de 2013, há uma nova compreensão sobre as possibilidades da atuação do PT como gestor federal e mesmo sob os limites da democracia burguesa, o que se manifestou tanto na organização da esquerda quanto nos votos nulos e abstenções, abrindo espaços para a reação.
PT no governo
O PT das gestões federais é um partido que reivindica simbolicamente seu passado histórico como esquerda, bem longe de ter uma pauta ou um programa de esquerda. PT e CUT migraram para um projeto de ‘reforma dentro da ordem’ que evoluiu posteriormente para a ‘reprodução da ordem’ nos marcos do padrão de acumulação neoliberal e da autocracia burguesa reformada”. A “composição do blocão” tem a ver como o modo pelo qual o PT se conformou como gestor autorizado do Estado capitalista, ou seja, suas mudanças deram-se exatamente por sua institucionalização, seja nos marcos da democracia parlamentar-eleitoral ou pelo sindicalismo de Estado. Essa nova correlação de forças levou a ofensiva neoliberal a um novo padrão hegemônico, os limites que antes a esquerda balizava passaram a serem violentamente esgarçados. Mas é preciso deixar claro, somente a ascensão petista não explica a conformação desta “nova direita” fascista, sua emergência ocorre exatamente por ser o projeto histórico e social neoliberal incapaz de solucionar as suas crises.
Superdimensionamento
A questão da participação das igrejas neopentecostais na onda conservadora parece ter tido uma divulgação mais ampla que as demais, o que me parece que interessante, porque sua atuação é em relação às camadas mais empobrecidas da população brasileira (o subproletariado que falava Paul Singer já nos anos 80) em disputa direta com os mecanismos de transferência de renda federais, notadamente o Bolsa Família. Mas mesmo essas igrejas não atuam como bloco, pois a Igreja Universal colocou-se ao lado do PT em todo o processo eleitoral, o próprio Silas Malafaia participou ativamente das gestões de Lula com um discurso que até denunciava a Teologia da Prosperidade, que hoje reivindica (como já pode ser visualizado pela pesquisa em andamento de Jonas Koren).
Combustível neoliberal
O neoliberalismo serve como terreno que alimenta o fascismo. Se estes atores fascistas ainda não apresentam-se plenamente no Brasil é porque a conjuntura ainda não os fez “necessários”. Mas não podemos nos dar ao luxo de esperarmos, visto que a violência contra os que “não consentem” já está posta como prática política – e de maneira crítica, pois acumpliciada por um partido que se reivindica como “dos trabalhadores”. Não é preciso ir muito longe para visualizar o quadro terrível que já vivemos: no campo, a violência aberta contra indígenas, posseiros, movimentos sem-terra, militantes dos direitos humanos, etc.; nas cidades, a brutalidade do aparelho repressivo do Estado nas periferias, favelas, ocupações, remoções, manifestações, etc. Que os exemplos da Grécia, da Ucrânia e agora também do México sirvam como alerta.
Antecedentes da onda
Trabalho com a continuidade e transformações do fascismo durante os séculos XX e XXI, analisando este fenômeno como característico da fase imperialista do capitalismo, e que portanto, possui plena possibilidade de ressurgir. Eu entendo estes partidos e movimentos através de suas três “ondas” históricas, formulação de Jean-Yves Camus. A primeira onda histórica seria a do fascismo clássico. A segunda onda corresponde aos fascismos do Pós-Guerra, ou seja, o movimento de transformação exigido aos partidos e regimes (Portugal e Espanha) para sua manutenção, assinalando duas de suas maiores mudanças ideológicas: o abandono do corporativismo, típico da primeira onda, e a justificativa maior de sua existência marcada pelo anticomunismo preventivo, ou seja, a defesa de um modelo democrático altamente formal e restritivo, dentro da conjuntura geopolítica da Guerra Fria (o Tea Party remete sua origem a esta onda, cujo expoente naquele país foi o movimento macarthista).
Atualidade
A terceira onda ocorre durante e após os anos oitenta, quando os partidos fascistas passam a assumir o projeto econômico ultraliberal, assumindo uma postura de defesa “cultural” de cunho xenófobo. Embora estas peculiaridades assumam um formato “geracional”, na prática, isto não ocorre, pois, grupos com distintas características (assinaladas simplificadamente através das ondas) afloram no espectro fascista dentro de uma mesma temporalidade histórica. Em especial na contemporaneidade, cabendo a cada um destes grupos a atuação em uma frente específica, no “espectro” fascista da sociedade. Portanto, sua ascensão é de escala global e acompanha a crise estrutural do capital, onde o capital não oferece mais soluções para as questões estruturais globais, uma crise civilizacional.