AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Perfeitamente invulgar - Faz quatro anos que Passos recebeu, em biografia, o cognome de Um Homem Invulgar. Assinada por Felícia Cabrita, a obra dá-nos a saber o que o atual PM queria que dele soubéssemos à beira das legislativas

FERNANDA CÂNCIO

Perfeitamente invulgar

por FERNANDA CÂNCIO

Faz quatro anos que Passos recebeu, em biografia, o cognome de Um Homem Invulgar. Assinada por Felícia Cabrita, a obra dá-nos a saber o que o atual PM queria que dele soubéssemos à beira das legislativas.
Por exemplo que quando saiu do parlamento, em 1999, "tinha direito à subvenção vitalícia, mas abdicou". Um deputado só podia pedir a subvenção vitalícia a partir dos 55; Passos tinha 35. O que pediu - e recebeu - foi o subsídio de reintegração, de 60 mil euros. Factos sobre os quais a biografia é omissa, citando antes o encómio de Marques Mendes - "Ficou sem rendimentos e foi trabalhar e estudar. É extremamente sério" - e acrescentando: "Sem ficar refém de quaisquer interesses, passa a viver como qualquer estudante-trabalhador com família." Esforçado como é, porém, na página seguinte (152) já tem emprego. "Trabalha agora na Tecnoforma, empresa de recursos humanos vocacionada para a formação na área dos petróleos, onde começara do nada até chegar a consultor."
Curioso Passos ter "começado do nada" na empresa de Fernando Madeira, o mesmo que em 1996 o convidara para presidir a uma organização denominada Centro Português para a Cooperação. O CPPC, do qual Marques Mendes também fazia parte, tinha, explicou Madeira numa entrevista à Sábado em maio de 2014, o objetivo de "explorar as facilidades de financiamentos da UE para projetos nos PALOP". Sabe-se que o atual PM se esqueceu de colocar esta invulgar ONG - que teria a Tecnoforma como principal "mecenas" e visaria canalizar dinheiros europeus para projetos em que a empresa participasse - no seu registo de interesses como deputado; recentemente, afetou até não recordar se auferira alguma coisa pelos seus serviços. Natural pois não a ter mencionado à biógrafa, que no mesmo capítulo exalta a epopeia da candidatura autárquica, em 1997, na Amadora: "É uma batalha impossível, mas ele parte sempre do princípio contrário. (...) Paulo de Carvalho (...) é o mandatário. Com ele voa para Cabo Verde. (...) O cantor recorda essas andanças: "Ele acreditava no que defendia, e andou numa roda-viva. Até falou com o Presidente da República e outros políticos para ver se eles também podiam ajudar na melhoria de vida dos seus conterrâneos [os habitantes do bairro da Cova da Moura, subentende-se]."" Madeira, do qual o livro não reza, tem outra versão da viagem: ocorreu no âmbito do CPPC. E do cantor diz: "Apareceu no aeroporto de Lisboa. Acho que foi também para desbloquear, mas dá-me a impressão de que havia uma segunda agenda entre eles. Em Cabo Verde, depois das reuniões, eles foram para outro lado." Como, atesta Madeira, "as despesas que envolviam os custos do CPPC eram todas pagas pela Tecnoforma" e Marcelo, então líder do PSD, garante na biografia que "o partido estava completamente falido, o homem teve de fazer uma campanha sem recursos", teme-se que o PM tenha de vir a acrescentar às confessas imperfeições campanhas eleitorais acima das suas possibilidades.

Incríveis factos sobre a Yakuza - A Yakuza é uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo, com capacidade de influenciar diversos governos orientais. Ela é tão grande e conhecida que possui escritórios e prédios, onde atende como uma empresa normal.

Incríveis factos sobre a Yakuza, a máfia japonesa

.
A Yakuza é uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo, com capacidade de influenciar diversos governos orientais. Ela é tão grande e conhecida que possui escritórios e prédios, onde atende como uma empresa normal.
Por isso vamos conhecer um pouco mais dessa estranha organização:

Yubitsume

AAFH001078
Em um país onde a vergonha é realmente levada a sério, os membros da Yakuza carregam no corpo seus erros, para que todos saibam que eles já fizeram algo indevido.
?
Quando um membro dessa gangue faz algo errado, existe a tradição de que ele precisa pagar por seu feito e também carregar para sempre a vergonha. Por isso, toda vez que alguém transgrede alguma regra, um pedaço do seu dedo da mão é cortado. Essa pena, além de ser um castigo físico, também inflige uma pena psicológica e moral.
Quanto maior o delito, maior é o dano feito, para que a pessoa jamais se esqueça. Essa tradição macabra criou um mercado de dedos sintéticos, buscado, principalmente, por pessoas que deixam a gangue e querem esconder sua vergonha. Existe, no Japão, um famoso médico inglês que é especialista em pele. Ele ganhou fama por criar pedaços de dedo perfeitos para seus clientes. O apelido dele por lá é “Senhor Mãos”.

Iniciação

Masahisa Takenaka
Para entrar na Yakuza, uma pessoa precisa, antes de tudo, passar por um teste de iniciação. O primeiro passo consiste em fazer o kobun, algo que pode ser traduzido como “o papel de criança”. Nesse processo, o novo membro tem que servir, como um empregado, o membro mais velho, fazendo tudo que ele mandar, sem questionar.
Após essa fase, existe o ritual chamado sakazukigoto, onde quem fazia o “papel de pai”, na iniciação, está junto. Nesse rito, os outros membros da gangue preparam bebidas para os dois. O iniciado ganha um copo quase vazio, enquanto seu “pai” ganha um copo cheio até a borda, mostrando a diferença de status existentes entre eles. Depois do primeiro gole, eles trocam os copos, criando um vínculo, como pai e filho.
No Japão, beber sake tem um significado todo especial, pois eles acreditam que essa bebida liga o homem aos deuses. Assim, em grandes eventos, as pessoas bebem sake numa espécie de benção, que ocorre em casamentos, santuários e também na Yakuza.

Irezumi

tumblr_ln1693kmm31qi5ncj
Uma das características mais marcantes da Yakuza são as tatuagens incríveis que seus membros ostentam. Contudo, elas são bem diferentes das que estamos acostumados no mundo ocidental, e não é só por causa dos desenhos. Eles usam uma técnica chamada irezumi, onde a tinta é inserida sob a pele de uma maneira muito dolorosa, por isso, além de ser uma bela arte, essa forma de tatuagem mostra que a pessoa pode suportar uma grande dor.
2216555236_5b2f7824401
yakuza-irezumi-tattoo-2
Mesmo com os tempos modernos tornando as tatuagens mais aceitas pela sociedade, no Japão ainda existe um grande preconceito, por culpa da Yakuza. A coisa é tanta que algumas pessoas acabam perdendo seus empregos em instituições governamentais pelo simples fato de terem o corpo pintado.

minilua.com

As noites longas de Manuel Ribeiro de Pavia - As noites longas de Manuel Ribeiro de Pavia

As noites longas de Manuel Ribeiro de Pavia

Alentejo não tem sombra, Eduardo Teófilo, Portugália Editora, 1954

As noites longas de Manuel Ribeiro de Pavia

, sentava-se ao estirador a encher papéis de sonhos e ilusões. Que desenhava o artista nas folhas que acabavam invariavelmente nas vastas gavetas da cómoda, algumas delas laboriosamente retocadas para ilustrar capas de livros de poetas e prosadores amigos? A dura faina das gentes do mar e do seu Alentejo natal, ceifeiros e ceifeiras orgulhosos e expectantes à sombra de nodosas azinheiras. E mulheres! As mulheres que Manuel Ribeiro de Pavia (Pavia, 1907-Lisboa, 1957) nunca teve, mães e companheiras, a esconder fome e sede de amores que a infância sofrida e a vagabundagem pela cidade lhe negaram. Desenhou-as às centenas, a lápis, carvão ou aguarela, sempre sobre papel. Corpos redondos e maciços, lábios carnudos, pés e mãos de gigante, olhos líquidos presos no leitor, a povoar a solidão do quarto e da vida. São neorrealistas, sim, pelo seu momento histórico, mas de um Neorrealismo lírico, sem sombra de pecado, povoando a literatura de uma geração inteira que partilhava com o artista o sonho dos amanhãs que cantam.
Alentejo não tem sombra, Eduardo Teófilo, Portugália Editora, 1954
O pecado invisível, Patrícia Joyce, Editora Sociedade de Expansão Cultural, 1955
Agonia, Manuel do Nascimento, Editora Sociedade de Expansão Cultural, 1954
Dádiva, Luís Amaro, Portugália Editora, 1949
Revista Ecos, Instituto Pasteur, 1957
Ilha Deserta, António de Sousa, Editorial Inquérito, 1954
Alvorada, Manuel Mendes, Editora Sociedade de Expansão Cultural, 1956
Neblina, César dos Santos, Editora Sociedade de Expansão Cultural, 1956
Revista Ver e Crer 48, abril 1949
As ilustrações foram restauradas digitalmente
Fontes
Pavia, Câmara Municipal de Mora, 2007
Revista Vértice n.º 164, maio 1957
Ilustração & Literatura Neo-Realista, catálogo, Museu do Neo-Realismo, 2008

almanaquesilva.wordpress.com

Venezuela bolivariana resiste a tentativas de golpe de Estado - Milhares de pessoas manifestaram-se, sábado, 28, em Caracas, contra nova tentativa de golpe de Estado, protagonizada pela direita venezuelana com o patrocínio dos EUA.

Venezuela bolivariana resiste a tentativas de golpe de Estado

Venezuela bolivariana resiste a tentativas de golpe de Estado
Um povo decidido a ser livre

Milhares de pessoas manifestaram-se, sábado, 28, em Caracas, contra nova tentativa de golpe de Estado, protagonizada pela direita venezuelana com o patrocínio dos EUA. No acto, também convocado para assinalar o 26.º aniversário do «Caracazo», o presidente da Venezuela apelou à unidade popular em defesa da paz e da pátria e para derrotar a guerra económica e mediática em curso, revelando não descurar que o imperialismo continuará a promover as condições e os meios da ofensiva antibolivariana.

A derrota da chamada «Operação Jericó»  e o cenário de uma imensa multidão nas ruas da capital não parecem ter contagiado de triunfalismo Nicolás Maduro. Em pronunciamento público no dia em que foi lembrado o levantamento popular de 27 e 28 de Fevereiro de 1989, e enquanto milhares e milhares de pessoas, segundo relatos fidedignos de órgãos de comunicação locais, manifestavam apoio incondicional ao processo bolivariano e às suas forças políticas dirigentes, o presidente da Venezuela respondeu, com serenidade, à comprovada e reiterada ingerência norte-americana.

Maduro lembrou que a actual campanha não é menos intensa do que a desencadeada há um ano, com as chamadas «guarimbas». Prova disso mesmo é o facto de, durante o ano de 2014, o governo dos EUA ter assumido um total de 103 comunicados e tomadas de posição públicas sobre a Venezuela, e, nos dois primeiros meses deste ano, ir já em 65 pronunciamentos dedicados à pátria de Símon Bolívar e Hugo Chávez, lembrou.

Recorde-se que num desses pronunciamentos, noticiado pelo Avante! na edição de 12 de Fevereiro, o director dos serviços de informação do departamento de Estado, general Vincent Stewart, antecipou «que as organizações estudantis e a oposição política organizem protestos nos meses anteriores às eleições legislativas». O sufrágio para a Assembleia Nacional venezuelana deverá realizar-se em Setembro, restando, por isso, pouco mais de seis meses. Não foi ao acaso a declaração de Stewart, como o não foi o facto de, no passado sábado, 28, na já referida iniciativa, o presidente da Venezuela ter apelado ao povo para que mantenha o caminho da luta revolucionária visando consolidar o triunfo da pátria, desde logo nas próximas eleições legislativas. 

Respeito mútuo 

Face aos vínculos dos golpistas com os EUA e considerando que um dos vectores da pressão imperialista em curso tem sido a imposição de sanções contra funcionários e dirigentes políticos venezuelanos, Nicolás Maduro anunciou uma série de medidas destinadas a proteger o país. De entre estas destaca-se a adequação do número de funcionários diplomáticos dos EUA em território venezuelano – «os Estados Unidos têm 100 funcionários [em Caracas], nós temos 17 [em Washington]. Estabeleça-se a igualdade entre os estados», precisou, segundo a Lusa; a obrigatoriedade destes pedirem autorização ao governo de Caracas para realizarem reuniões, bem como respeitarem integralmente a legislação nacional em vigor, conforme determina a Convenção de Viena e outras normas do Direito Internacional sobre a matéria; e a imposição de um sistema de visto obrigatório para cidadãos norte-americanos que pretendam entrar na Venezuela. 

Ainda a aposta golpista 

A obrigatoriedade de visto foi justificada pela detenção, nos últimos dias, no Oeste do território venezuelano, de um piloto norte-americano de origem latino-americana. O facto prova que o imperialismo segue apostado numa intentona mesmo após o desmantelamento parcial da «Operação Jericó». Terá, porém, que enfrentar «um povo inteiro que está decidido a ser livre e a não se deixar derrotar pelo império. Esta é a verdade», acrescentou o chefe de Estado, citado pela Prensa Latina.

Dias antes da já referida acção de massas em Caracas, Nicolás Maduro, em comícios realizados nos estados de Manáguas e Bolívar, quinta-feira, 26 e quarta-feira, 25, respectivamente, insistiu no apelo para que os venezuelanos «construam o socialismo e derrotem o golpe de Estado com a Constituição na mão», e confirmou ter dado ordens aos seus ministros da Defesa e do Interior para que coloquem as forças policiais e militares em alerta.

O estado de prontidão tem cabimento não apenas porque, apesar de ter sido derrotada uma fase do golpe, outra se vislumbra, mas também porque a táctica privilegiada parece ser agora a da infiltração de «grupos armados treinados pelos paramilitares da Colômbia, obedecendo às ordens do Norte [Estados Unidos]», revelou o chefe de Estado bolivariano.

As investidas foram identificadas nas regiões de Apure, Zulia e Táchira. Em Zulia, um grupo de encapuzados sequestrou mesmo um camião carregado de medicamentos que seriam distribuídos em Maracaibo, e outros tantos tentaram queimar um veículo repleto de garrafas de gás. «Eles querem gerar uma onda de ansiedade, angústia e violência», advertiu Nicolás Maduro, líder de um governo que enfrenta há mais de um ano uma ofensiva económica só semelhante à iniciada para derrubar o governo do presidente Salvador Allende, no Chile.

Antes de partir em périplo por vários estados da Venezuela, Maduro já tinha advertido para as conexões entre os sectores mais reaccionários venezuelanos e os seus pares colombianos, bem como para o papel que está a ser desempenhado pela comunicação social colombiana, títere dos interesses monopolistas «criolos» e estrangeiros. «Vaticinam o pior para a Venezuela», afirmou, domingo, dia 22, pedindo por isso aos povos venezuelano e colombiano que enfrentem a campanha de ódio e mentiras contra Caracas.

Mas «se fossem verdadeiras as suas desgastadas profecias, porque é que a Revolução teria ganho 18 de 19 eleições em 15 anos consecutivos?»; «porque é que vêm milhares de colombianos à Venezuela, se as mentiras das suas campanhas sujas fossem verdadeiras?», perguntou, antes de apresentar números concretos: na Venezuela vivem e trabalham mais de cinco milhões de colombianos, quase um quinto dos quais emigraram nos últimos nove anos, procurando no «paraíso» venezuelano a fuga ao seu quotidiano de «inferno», aludiu. 

Mais detalhes sobre a «Operação Jericó» 

A divulgação por parte das autoridades venezuelanas de mais informações sobre a tentativa de golpe de Estado confirma não apenas o envolvimento de praticamente todos os sectores e figuras mais violentamente antibolivarianas, mas as ligações destes com o imperialismo.

Em artigo publicado a 26 de Fevereiro no Avante!, o colaborador do Órgão Central do PCP, Pedro Campos, avançava com o fundamental do figurino, das personagens, dos objectivos e instrumentos até então conhecidos – a intentona iniciar-se-ia a 11/12 de Fevereiro últimos para coincidir com o primeiro aniversário do início das «guarimbas» de 2014, bem como com a publicação do Acordo Nacional para a Transição, subscrito por Maria Corina Machado, Leopoldo López (preso por conspiração para derrubar o governo venezuelano durante a gesta violenta iniciada em Fevereiro de 2014) e António Ledezma (entretanto detido por conspiração); um Super Tucano sobrevoaria Caracas, com a chancela das forças armadas bolivarianas, e bombardearia vários alvos tendo como objectivo assassinar Nicolás Maduro e deixar em escombros importantes estruturas políticas, militares e de comunicação, anulando dessa forma a capacidade operacional de resposta ao golpe.

Os alvos foram determinados por Júlio Borges, do Partido Primeiro Justiça, que com vários militares, entretanto presos, integrava o centro nevrálgico da operação.

Os militares do comando criminoso gravaram um vídeo que seria transmitido para justificar uma intervenção norte-americana no «caos venezuelano»; EUA e Canadá desempenhavam um papel central no apoio político e logístico.

Sabe-se, hoje, depois do interrogatório efectuado ao primeiro-tenente da aviação Luis Lugo (que à data da redacção do artigo de Pedro Campos ainda se encontrava fugido), que para a «Operação Jericó» os golpistas planeavam atacar igualmente bases militares nos estados de Sucre, Maracay e Aragua, e que o corrente plano era uma actualização do guião de golpe de Estado tentado em Fevereiro de 2014.

Sabe-se, também, que Lugo recebeu da parte da representação diplomática da Grã-Bretanha na Venezuela uma sugestão de pedido de asilo, o que demonstra que o derrube do poder bolivariano é almejado não apenas pelo imperialismo norte-americano, mas pelo seu fiel aliado transatlântico.

Sabe-se que o partido democrata-cristão Copei, para além de se ter pronunciado publicamente ao lado do Acordo Nacional de Transição encabeçado por Maria Corina Machado, Leopoldo López e Antonio Ledezma, continua a discutir a táctica a seguir face aos revezes sofridos no quadro da «Operação Jericó», e isso mesmo fica claro numa conversa entre dois altos dirigentes daquela formação política, que a 21 de Fevereiro discutiam se deveriam apostar no golpe ou refugiar-se no terreno eleitoral. Numa das suas instalações políticas foram apreendidos dezenas de artefactos pirotécnicos e panfletos de apoio a Antonio Ledezma, detido pelas autoridades venezuelanas a 19 de Fevereiro.

Por falar em Antonio Ledezma e em terreno eleitoral, é evidente que a oposição venezuelana permanece dividida no que à liderança diz respeito. O recentemente detido presidente da Área Metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, terá, o ano passado, tido como propósito liquidar o candidato presidencial Herique Capriles, derrotado por Nicolás Maduro em 2013. A morte de Capriles seria atribuída ao governo bolivariano. Ledezma assumiria a dianteira da iniciativa legal da oposição.

Parecendo, este não é um cenário de ficção. Basta recordar que durante a campanha eleitoral para as presidenciais coube aos organismos de segurança do Estado venezuelano redobrar o zelo sobre a integridade física de Capriles, o candidato da oposição. Meses mais tarde, o mesmo sucedeu com Leopoldo López, testa-de-ferro da violência fascista de 2014 que, conforme alertou a sua esposa, esteve para ser executado com o mesmo fim político que Capriles: culpar Nicolás Maduro.

Note-se, por fim, que no actual golpe de Estado Henrique Capriles não surge, ao contrário do sucedido nos primeiros tempos da intentona do ano passado. Do que se depreende que constitui a reserva do imperialismo para ulterior ofensiva, eventualmente na chamada às urnas que se avizinha.



NOTAS - PORTUGAL ESTÁ DOENTE



NOTAS - A CORDA


CIVILIZAÇÕES AFRICANAS (XIII) - Império Zulu - Os zulus são um povo do sul da África, vivendo em territórios atualmente correspondentes à África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Zimbábue e Moçambique. Embora hoje tenham expansão e poder político restritos, os zulus foram, no passado, uma nação guerreira que resistiu à invasão imperialista britânica e bôere no século XIX.

Império Zulu



Os zulus são um povo do sul da África, vivendo em territórios atualmente correspondentes à África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Zimbábue e Moçambique. Embora hoje tenham expansão e poder político restritos, os zulus foram, no passado, uma nação guerreira que resistiu à invasão imperialista britânica e bôere no século XIX.




História

Os zulus eram originalmente um grande clã onde hoje é o norte do kwaZulu-Natal. Foi fundada por Zulu kaNtombhela. Em 1816, os zulus formaram um poderoso estado sob liderança de Shaka.



Shaka.


Tchaka, fundador do reino Zulu

Foi em 1740 que Dingiswayo tomou conta do poder da tribo Mthethwa. Iniciou uma política de expansão, começando a submeter várias tribos vizinhas à sua autoridade. Foi então que começou a organizar o exército sob o regime de grupos por idades. A medida que ia submetendo as tribos vizinhas permitia que os chefes dessas tribos continuassem no seu posto, sendo apenas obrigados a pagar-lhe um tributo em gado. Começou assim a criar as funções dum grande reino Ngoni.
Dingiswayo começou a expandir-se para o norte, o que obrigou Zwide, o chefe dos Ndwandwe, a fugir para o norte. Ao atravessar o rio Pongola empurrou os Ngwane que tiveram que ir para a região onde hoje é a Swazilândia. Ficaram desta forma duas grandes tribos frente a frente, a dos Mthethwa e a dos Ndwandwa.
Por volta de 1790 nasceu na tribo Zulu um rapaz a quem deram o nome de Tchaka. A história do nome Tchaka está relacionada com as circunstâncias do seu nascimento e por isso a vamos contar. O pai de Tchaka era herdeiro do trono Zulu. Entre os Zulus era proibido aos homens terem relações sexuais antes de terem sido circuncidados. O pai de Tchaka, porém, engravidou Nandi, a mãe de Tchaka, antes de ter sido circuncidado. Começou-se então a dizer-se que Nandi não estava grávida, que a razão para o crescimento da barriga era devida a uma doença dos intestinos a que chamavam «i-tshaka».
Quando o rapaz nasceu passaram a chamar-lhe Tchaka. Mais tarde o pai reconheceu o filho como sendo seu e tomou Nandi como uma das suas mulheres. Tchaka cresceu no entanto afastado do seu pai, vivendo muito ligado à sua mãe e mais tarde veremos as consequências que isso lhe trouxe no futuro.
Durante a sua adolescência Tchaka foi incorporado num dos grupos por idades do exército de Dingiswayo onde logo demonstrou a sua grande bravura e a sua força atlética. Em breve se tornou um herói favorito de Dingiswayo e passou a comandar um regimento do exército.
Em 1816 o pai de Tchaka morreu e Tchaka decidiu tomar à força o trono Zulu. Embora a sua mãe nunca tivesse sido considerada uma das grandes mulheres do pai de Tchaka, e este não tivesse possibilidades de subir ao trono, a sua posição no exército de Dingiswayo e a sua qualidade de favorito fizeram com que Dingiswayo ajudasse Tchaka a tomar o trono pela força.
Em 1818 houve uma grande batalha entre Dingiswayo e Zwide na qual o chefe Mthethwa foi morto. Tchaka imediatamente tomou conta do poder e iniciou uma série de reformas militares que o tornaram quase invencível.

A organização do exército de Tchaka

Dingiswayo não tinha conseguido submeter as tribos Ndwandwe à sua autoridade. Os Ndwandwe eram comandados por Zwide. Na luta pelo espaço Tchaka precisava expandir para o norte. Para isso reformou todos os métodos de táctica e organização do seu exército. Tchaka formou um estado tribal militar.




Tchaka tinha verificado durante a sua estadia no exército de Dingiswayo que as armas empregadas já não correspondiam às novas tácticas de guerra. Dantes eram pequenos grupos que combatiam mas com a formação do exército por idade novas armas eram necessárias. Quando eram pequenos grupos de homens que lutavam usavam lanças que atiravam de longe. À medida que mais homens entravam na luta, continuando a usar lanças, a maior parte dos homens ficava desarmada. Assim, a primeira modificação que Tchaka introduziu foi a de substituir a lança que se atirava por uma lança mais curta de que o guerreiro se servia como uma espada e que nunca o abandonava. Era punido de morte o guerreiro que perdesse a sua lança-espada. Ao mesmo tempo Tchaka introduziu o uso do escudo que protegia o corpo inteiro.
Tchaka transformou a organização tribal numa organização militar unida, fazendo participar todos os membros da sociedade na guerra, dividindo com precisão as funções e introduzindo uma disciplina severa e cruel. Todos os homens de 16 a 60 anos serviam no exército. Era proibido aos jovens guerreiros casar-se e o casamento só era autorizado como pagamento de serviços militares. Os guerreiros só comiam carne. As mulheres e as crianças serviam também no exército, seguindo o exército com gado, cozinhando e carregando comida. Os homens de outras tribos que eram feitos prisioneiros tornavam-se escravos e se eram novos e fortes faziam parte do exército. As mulheres, as crianças e o gado das tribos derrotadas eram incorporadas na tribo. No período entre guerras toda a tribo vivia em grandes conjuntos militares (ekanda).
O chefe supremo era o chefe militar. Era ditador e proprietário de todas as terras da tribo e tinha o direito de vida e de morte sobre os membros da tribo. Era também o juiz supremo em casos de assassínio e traição, crimes que eram punidos com a pena da morte. Todavia, o poder ditador de Tchaka tinha os seus limites. Era controlado por conselheiros (indunas) com os quais se devia reunir para tomar decisões importantes.
Foi graças a esta organização militar perfeita que os zulus conseguiram conquistar e derrotar numerosas outras tribos.

A batalha de Gokoli

Tchaka tornara-se senhor absoluto nas terras entre o rio Pongola e o rio Tugela. Começou a desafiar o poder de Zwide, conseguindo fazer com que várias tribos Ndwandwe começassem a prestar-lhe vassalagem. Zwide não podia ficar parado perante um inimigo que se preparava para conquistar-lhe as suas terras e por isso resolveu tomar a iniciativa de atacar Tchaka.
Os dois exércitos encontraram-se perto da colina Gokoli. Nesta batalha os novos métodos de guerra instituidos por Tchaka foram postos à prova pela primeira vez. Os Ndwandwe eram numericamente superiores mas a disciplina do exército zulu conseguiu-lhe outra superioridade. Os Ndwandwe não conseguiram penetrar nas linhas cerradas dos zulus, apezar de terem atacado inúmeras vezes. Tiveram de recuar deixando no campo de batalha cinco dos filhos de Zwide, entre os quais o herdeiro.
Zwide não desistiu de atacar. Sabia que travava com Tchaka um combate decisivo. Ou ele vencia e podia continuar a reinar ou era vencido por Tchaka e o seu povo ficaria sob o domínio zulu.
Assim em 1819 enviou contra Tchaka um exército poderosíssimo. Face a um exército tão numeroso Tchaka teve que adaptar novas tácticas.
Tchaka enviou o seu povo e o seu gado para fechar a passagem ao inimigo ao mesmo tempo que ia atacando o exército Ndwandwe com pequenos destacamentos de guerreiros, numa táctica de guerrilhas. Uma noite uma grande quantidade de guerreiros zulus conseguiu penetrar no acampamento dos Ndwandwe, enquanto estes dormiam, e mataram centenas de guerreiros. Antes dos Ndwandwe poderem reagir os guerreiros zulus fugiram.
Ao mesmo tempo, Tchaka ia deixando o exército inimigo penetrar no seu território quase até ao rio Tugela, continuando a fazer pequenos ataques de guerrilhas, indo assim desmoralizando o exército inimigo. A fome começou a lavrar no exército de Zwide e todos os homens estavam muito cansados. Zwide então decidiu recuar e voltar para o seu país.
Quando iam atravessar o rio Mhlatuze o exército de Tchaka caiu sobre eles. Foram completamente derrotados. Tchaka enviou os seus exércitos que entraram no país Ndwandwe e massacraram a maior parte da população civil. O que restou do exército de Zwide dividiu-se em três grupos. Zwide conseguiu chegar com alguns dos seus até ao Alto Incomate onde se instalou. Dois outros grupos dirigidos por Soshangane e Zwangedaba foram instalar-se em Moçambique ao sul do Limpopo.
A batalha de Gokoli marca uma etapa decisiva na carreira de Tchaka e foi o ponto de partida do que se chamou o Mfecane, ou sejam as migrações para o norte de muitas tribos Ngoni.
Tchaka passou desta forma a dominar em todo o território que ia desde a Delagoa Bay (Lourenço Marques) até ao rio Tugela.

O império Zulu


Estátua em homenagem a Shaka.

Depois da sua vitoriosa campanha contra os seus vizinhos do norte, Tchaka resolveu atacar o sul. Várias expedições foram enviadas para combater os Pondos. Conseguiu assim chegar até ao rio Fish.
Tendo conseguido formar um Império tão vasto Tchaka começou a reforçar a sua organização de Estado. Era difícil manter a lealdade sob um conjunto de povos diferentes. Assim, os chefes das tribos conquistadas se se declarassem fiéis a Tchaka, continuavam nos seus postos. Muitas vezes, porém, era-lhes tirado o poder e Tchaka nomeava para o seu lugar pessoas da sua confiança. A base do poder residia no exército. Tchaka criou uma série de guarnições militares à frente das quais se encontrava sempre um induna. Essas guarnições estendiam-se por todo o território e dessa maneira Tchaka estava pronto contra qualquer rebelião dos povos conquistados. Essas guarnições eram verdadeiros quartéis onde se encontravam todos os militares que viviam na sanzala e que passavam todo o tempo em exercícios militares.
Tchaka tornou-se um chefe cruel. Muitos dos seus generais (indunas) não estavam satisfeitos com a disciplina de ferro que Tchaka impunha no exército, sobretudo no que diz respeito ao casamento.
Vários indunas se revoltaram contra Tchaka. Um dos mais importantes foi Mzilikazi que com os homens que formavam a sua sanzala desertou da organização do estado de Tchaka e foi instalar-se para o noroeste onde é hoje a Rodésia, perto de Bulawayo.
Tchaka continuou a fazer campanhas militares sucessivas. Lembremo-nos de que Zwide tinha sido derrotado em Gokoli e se refugiara no Alto Incomate. Os Ndwandwe tinham conseguido reconstruir a sua tribo e esta começava a ser muito forte sob o comando de Sikuniana, filho de Zwide. Em 1826 Zwide morreu e um outro seu filho Somapunga disputa o trono a Sikuniana.

Não o tendo conseguido vai ter com os zulus e anuncia-lhes que Sikuniana faz planos de atacar Tchaka. Este imediatamente manda um grande exército que apanha os Ndwandwe quase desprevenidos. Um grande massacre tem lugar e cerca de 40.000 Ndwandwe são mortos. A tribo Ndwandwe ficou quase totalmente dizimada e deixou de existir como tribo independente. Os poucos que restaram foram acolher-se junto de Mzilikazi e Soshangane.
Tchaka continua a fazer ataques sucessivos contra os povos vizinhos. Todos são obrigados a pagar-lhe anualmente tributos sob a forma de cabeças de gado. As exigências de Tchaka são cada vez maiores e muitas tribos não conseguem às vezes reunir o número de cabeças de gado para satisfazer Tchaka.
As expedições punitivas aumentam e todo o Império zulu vive mergulhado no terror. Várias tentativas de assassinato são feitas contra Tchaka.

A morte de Tchaka

Em 1827 Tchaka decide ir atacar Soshangane que nessa altura se encontrava perto de Delagoa Bay (Lourenço Marques). Quando ia quase a chegar a Lourenço Marques chegou-lhe a notícia de que sua mãe Nandi morrera.Tchaka imediatamente mandou parar a expedição e voltou.
Tchaka sentiu muito profundamente a morte de sua mãe, com quem vivera e a quem tinha uma afeição sem medida. Em sinal de luto pela morte de Nandi Tchaka ordenou uma série de sacrifícios. Durante um ano não se faria agricultura, não se beberia leite nem comeria carne e todos se deviam abster de relações sexuais. Toda a mulher que engravidasse nesse período era morta, juntamente com o marido.
Tchaka nunca casara, porque um herdeiro fazia-lhe pensar na sua própria morte. Toda a mulher que se engravidasse dele era morta.
O luto pela morte de Nandi provocou um grande descontentamento em todo o povo. Toda a gente achava aqueles sacrifícios arbitrários e desumanos.
Em 1828, aproveitando-se do descontentamento geral em todo o Império, dois irmãos de Tchaka de nome Dingane e Mhlangane ajudados por um induna Mbhope resolveram assassinar Tchaka. No momento em que Tchaka tinha enviado uma parte dos seus exércitos para atacar os Pondos numa expedição punitiva, Dingane e Mhlangane assassinaram Tchaka. Foi Dingane quem sucedeu a Tchaka.

Guerra Anglo-Zulu




A Guerra Anglo-Zulu foi um conflito que aconteceu em 1879 entre o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e os Zulus.

Em 11 de dezembro de 1878, os britânicos entregaram um ultimato aos onze chefes representados por Setshwayo. Os termos incluíam a rendição de seu exército e aceitar a autoridade britânica. Cetshwayo recusou e a guerra começou em 1879.


Batalha de Isandlwana.

Os zulus ganharam em 22 de janeiro a batalha de Isandlwana. A virada dos britânicos veio com a batalha em Rorke's Drift e sua vitória veio com a batalha de Ulundy em 4 de Julho.

Os britânicos venceram a guerra e conquistaram o Império Zulu.

População


Dança Zulu.

A população de zulus na África do Sul foi estimada em 8.778.000 1995, correspondendo a 22.4% da população total do país ("The Economist"). Nos restantes países, o número de zulus é estimado em cerca de 400 mil.

A província sul-africana do KwaZulu-Natal é considerada a sua pátria original.

A língua dos zulus é denominada isiZulu.




Fontes: Macua.org / Wikipédia /
civilizacoesafricanas.blogspot.pt

As fortalezas marroquinas de Ouarzazate - Marrocos é um país exótico por inteiro. Os kasbah, cenário de vários filmes, são alternativas de visita à conturbada Marrakech. Dentro desses imensos fortes de barro, ainda residem famílias. A vida parece ter parado séculos atrás.

As fortalezas marroquinas de Ouarzazate



 Marrocos é um país exótico por inteiro. Os kasbah, cenário de vários filmes, são alternativas de visita à conturbada Marrakech. Dentro desses imensos fortes de barro, ainda residem famílias.
A vida parece ter parado séculos atrás.





Ouarzazate é uma cidade de 60.000 habitantes, situada na confluência da Cordilheira do Atlas com os Vales do Dadés e do Draa a 200km a sul de Marraquexe. Ao longo de sua história foi um importante ponto estratégico por onde passavam as caravanas.

História

Ouarzazate foi construída em 1928 pelos franceses para servir como posto militar avançado da Legião Estrangeira para o deserto.


Berberes

Os Berberes encontram-se na região há quatro mil anos e, apesar da conversão ao islamismo por volta de finais do século VII, a sua cultura e o seu espírito de independência lograram resistir às sucessivas vagas de invasores, dos romanos aos árabes, passando pelos franceses da época do protetorado.


Kasbah Aït Benhaddou


Kasbah Taourirt


Kasbah Tiffoultout

Era dentro das aldeias fortificadas, construídas com tijolos de argila, que os berberes se protegiam dos ataques das tribos nômades e viviam o dia-a-dia, a par dos seus animais.

Em 1919, líderes berberes do Rif chegaram a ameaçar seriamente o poder colonial, lançando uma série de ataques contra fortalezas espanholas do norte do território. A resistência dos Berberes face aos Árabes recém-chegados afirmou-se logo com determinação no século VIII, quando aderiram à heresia kharédjita e tentaram expulsar os invasores dos territórios do Magreb. A cidade de Marraquexe, que viria a dar nome ao país, foi fundada, aliás, na sequência de uma rebelião berbere que alastrou rapidamente pelo sul e centro do território e que abriu as portas à primeira grande dinastia da história de Marrocos, a dos Almorávidas.


Turistas viajando em uma caravana


Tapetes berberes


Especiarias

Hoje em dia Ouarzazate tem se convertido num importante ponto turístico. As ruelas labirínticas escondem produtos únicos e de tudo um pouco (de especiarias a roupas e tapetes). Além disso, é o centro cinematográfico do país, com seus grandes estúdios. Muitas produções foram gravadas nesta região, tais como: "Gladiador", "A Mumia", "A Última Tentação de Cristo", "Asterix", "Babel", entre outros.


Kasbah Taourirt, localizado no centro de Ouarzazate

Os Kasbah, sempre imponentes, são as atrações mais interessantes. Aït Benhaddou, Taourirt e Tiffoultout são os mais belos. Utilizadas para proteger a população das vilas contra invasões, parecem flutuar sobre a cidade. Eram sempre construídos em colinas ou próximos a portos para facilitar a fuga ou impedir as invasões. 




Fontes: Grupo Viagem / Blog O Andarilho / Alma de Viajante

civilizacoesafricanas.blogspot.pt

GUERRAS ESTRANHAS










http://www.laifi.com/l

O Sufismo Islâmico - No mundo ocidental, sobretudo a partir da virada do século XX para o século XXI, construiu-se uma visão um tanto quanto enviesada, para não dizer negativa, da religião islâmica. Isto se deve a vários fatores, mas um dos principais é a questão das práticas terroristas perpetradas por grupos radicais islâmicos, como a Al Qaeda e o Estado Islâmico

O Sufismo Islâmico



Acima, o rosário islâmico (ou wird) usado por místicos sufis
Por Me. Cláudio Fernandes
No mundo ocidental, sobretudo a partir da virada do século XX para o século XXI, construiu-se uma visão um tanto quanto enviesada, para não dizer negativa, da religião islâmica. Isto se deve a vários fatores, mas um dos principais é a questão das práticas terroristas perpetradas por grupos radicais islâmicos, como a Al Qaeda e o Estado Islâmico, geralmente inspirados em Sayyid Qutb, um dos ideólogos da Irmandade Muçulmana. A associação direta entre terrorismo islâmico e religião islâmica decorre também de um profundo desconhecimento da própria estrutura do islamismo. Uma das características menos conhecidas da religião islâmica é sua vertente mística, expressa nosufismo, nome que remete à túnica de lã usada pelos primeiros mestres sufis.
Todo grande sistema religioso produziu santos e místicos. Isto é, pessoas que tentaram elevar-se espiritualmente por meio da excelência do exercício das virtudes e por meio da ascese – prática de abstenção dos prazeres terrenos. O cristianismo (tanto católico e ortodoxo quanto protestante) teve seus místicos, o hinduísmo e o budismo também. Não é diferente com o Islã.
Na verdade, o termo islã é apenas uma das partes da religião que e o leva como nome. Como diz o estudioso de religiões comparadas e da sabedoria perene, William Stoddard, em sua obra Sufismo: Doutrina metafísica e via espiritual no Islã, a prática da religião islâmica “compreende, para o crente, três grandes categorias: islam (submissão à lei revelada), iman (fé na shahada) e ihsan (virtude ou sinceridade).” A prática do sufismo está relacionada a essa última categoria, aihsan, ou prática da virtude.
Sendo assim, sufismo se organiza em torno de uma via (ou caminho) espiritual do islã, um caminho trilhado através do cultivo das virtudes. Para este caminho, os sufis dão o nome de dhirk, isto é, a prece invocatória que veicula a “lembrança de Deus”. Um dos métodos mais praticados para se atingir a dhirk é a recitação do rosário sufi, chamado de wird. Há várias fórmulas de recitação, que podem variar de tariqa para tariqa. As taricas são organizações que comportam os praticantes da mística islâmica – apesar de haver exemplos de muitas taricas ecumênicas. Toda tarica é encabeçada por um shaikh (ou cheike) que orienta os iniciados que querem se aprofundar no cultivo das virtudes e no estudo da religião. O shaikh, grosso modo, é um mestre sufi.
Acima, a imagem de um mestre sufi no mercado da cidade de Isfahan, no Irã *
Acima, a imagem de um mestre sufi no mercado da cidade de Isfahan, no Irã *
Por ser organizar desta maneira, o sufismo possui uma característica iniciática.Isto é, mantém um círculo fechado de orientação entre mestre e discípulo. Este último depende, por tanto, da iniciação do primeiro – precisa ser iniciado na prática sufi. Essa característica diferencia radicalmente misticismo islâmico do cristão, por exemplo, que não possui nada de iniciático ou esotérico.
A prática do sufismo conduziu vários místicos islâmicos à composição de obras magníficas relativas ao conhecimento religioso e interior, que são testemunhos da grandeza da civilização islâmica. A visão que temos do islamismo, distorcida pelo terrorismo – que quer reivindicar para si o monopólio das virtudes do Islã – esconde essa grandeza.

www.historiadomundo.com.br