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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sahara Ocidental Informação - Conferência de Berlim: Partilha de África decidiu-se há 130 anos - Jornalistas que Isabel Lourenço ia apoiar libertados depois da sua expulsão do Sara Ocidental -




Sahara Ocidental Informação


Posted: 26 Feb 2015



Há 130 anos, em 1885, terminava na Alemanha um encontro de líderes europeus que ficou conhecido como Conferência de Berlim. O objetivo era dividir África e definir arbitrariamente fronteiras, que existem até hoje.

Todos os territórios estão hoje livres do colonialismo no Continente Africano? Não. O Sahara Ocidental, ex-possessão ultramarina espanhola do Norte de África — que Espanha abandonou a troco de compensações económicas em 1976 — é a última colónia de África, com grande parte do seu território ocupado por Marrocos.


Berlim, 1885

Tinha cinco metros o mapa que dominou o encontro em Berlim, que teve lugar na Chancelaria do Reich. Mostrava o continente africano, com rios, lagos, nomes de alguns locais e muitas manchas brancas.

Quando a Conferência de Berlim chegou ao fim, a 26 de fevereiro de 1885, depois de mais de três meses de discussões, ainda havia grandes extensões de África onde nenhum europeu tinha posto os pés.

Representantes de 13 países da Europa, dos Estados Unidos da América e do Império Otomano deslocaram-se a Berlim a convite do chanceler alemão Otto von Bismarck para dividirem África entre si, "em conformidade com o direito internacional". Os africanos não foram convidados para a reunião.

À excepção da Etiópia e da Libéria, todos os Estados que hoje compõem África foram divididos entre as potências coloniais poucos anos após o encontro.


Fonte : Deutsche Welle (em Português) e outros
Posted: 26 Feb 2015 




por Sofia Lorena

Isabel Lourenço não conseguiu estar no tribunal de El Aaiún, onde os jornalistas Mahmoud El Haisan, da televisão RASD, e Bouchalga Lekrim iam começar a ser julgados na terça-feira, mas as notícias dos maus-tratos a que foi sujeita e da sua expulsão para Casablanca poderão ter contribuído para a decisão de Marrocos libertar os dois sarauís, que aguardam agora em liberdade condicional o recomeço do processo, marcado para 24 de Março.

A activista portuguesa, membro da organização Adala, sedeada no Reino Unido, viajou para o Sara Ocidental com uma acreditação de observadora internacional da Fundação Sara Ocidental, de Espanha. Não é o primeiro julgamento de sarauís onde está como observadora (processos “sem garantias para os acusados, onde não são apresentadas provas, só confissões conseguidas sob tortura”) nem era a sua primeira viagem ao Sara Ocidental. Desta vez, não passou do aeroporto, onde chegou depois de fazer escala em Casablanca.

“Aterrei na segunda-feira às 17h40. Como habitualmente, fizeram-me ficar para o fim do controlo de passaportes”, conta ao PÚBLICO, já regressada a Portugal. “Quando cheguei, tiraram-me o bilhete de regresso e disseram-me que era persona non grata. Começaram a chegar mais polícias, fardados e à paisana, membros dos serviços secretos. Peguei no telemóvel para ligar à embaixada e eles, agressivos, disseram que não podia ligar para ninguém. Depois, deitaram-me o computador para o chão.”

“Quando me baixei para apanhar o portátil, duas mulheres polícias agarram-me e empurram-me, e levaram-me à força para o avião”, diz. A activista ainda perguntou o que deveria fazer à chegada à Casablanca, uma vez que não tinha bilhete nem hotel marcado. “Não te preocupes, vais ter o mesmo tratamento que tiveste aqui”, responderam-lhes.

As notícias correram depressa – sem que a polícia marroquina se tivesse apercebido, Isabel Lourenço tinha um telefone ligado e a amiga Helena Brandão, em Lisboa, a ouvir o que se passava. Já dentro do avião, conseguiu falar com a embaixada portuguesa em Rabat que lhe disse que entraria em contacto com as autoridades marroquinas. Em Casablanca, deu todas as entrevistas que pôde.

Na terça-feira de manhã, apoiantes e familiares dos jornalistas rodeavam o tribunal de El Aaiún (principal cidade e capital do território ocupado por Marrocos) quando o juiz anunciou que a sessão seria adiada. “Muitas pessoas foram agredidas, há uma prima e uma tia do Mahmoud que ficaram feridas”, diz Isabel Lourenço, que já falou com os jornalistas, presos desde o início de Julho de 2014 por reportagens sobre a repressão de que são alvo os sarauís.

Agora, a activista está sobretudo preocupada com os problemas de saúde de Bouchalga Lekrim, um dos libertados, “que estava muito fraco na prisão, uma das vezes que se apresentou em tribunal nem conseguiu dizer o nome”. E lembra ainda a situação de Lalla al-Mosawi, que estava grávida de cinco meses quando foi espancada e torturada, tendo abortado, antes de ser abandonada no deserto pela polícia, há pouco mais de uma semana. “Era preciso tirá-la dos territórios, ali não há assistência medida para sarauís, o hospital da cidade é conhecido como ‘o talho’.”

O facto de a portuguesa ter integrado a missão da Adala que a 12 e 13 de Fevereiro se deslocou a Genebra para entregar à ONU relatórios sobre a situação dos presos políticos e das crianças no Sara ocupado pode ajudar a explicar a recepção que teve à chegada a El Aaiún.

A imprensa portuguesa, desta vez, deu atenção ao que se passa no Sahara Ocidental sob ocupação...

Ensino para o ódio

A ONG reuniu provas e testemunhos da situação que enfrentam os cerca de 50 presos políticos (o número “flutua muito, eles estão sempre a mudá-los de prisão), detidos “em condições sub-humanas e sem acesso a cuidados de saúde”, assim como de 316 casos de crianças entre os quatro e os 17 anos “vítimas de tortura”. “O que Marrocos tenta fazer é ensinar para o ódio, é normal que crianças torturadas aos quatro anos cresçam a odiar os marroquinos. Os miúdos sarauís são muito pacientes, mas não têm nada a perder. Não têm emprego, não tem liberdade, a ajuda humanitária chega cada vez menos…”

Na última viagem, em Novembro, Isabel Lourenço enfrentou “interrogatórios de horas, ameaças, o passaporte confiscado, perseguições de polícias, um acosso constante”. Estava na cidade para tentar visitar presos políticos, depois de inúmeros pedidos às autoridades marroquinas, que, como sempre, ficaram sem resposta.

Marrocos, que ocupou esta antiga colónia espanhola em 1975, impede regularmente a entrada de observadores internacionais, jornalistas, activistas e eurodeputados, sem quaisquer consequências. Desde o fim da guerra entre a Frente Polisário (que em 1976 proclamou a República Árabe Sarauí Democrática, reconhecida por 80 países) e Rabat, em 1991, há uma missão da ONU, a Minurso, cujo objectivo é organizar um referendo sobre a autodeterminação, que Marrocos recusa.

Com todas as provas que organizações como a sua recolhem e disponibilizam, Isabel Lourenço não entende a inacção das instituições internacionais, nomeadamente da União Europeia que em 2010 deu a Marrocos o Estatuto Avançado, o tipo de parceria mais próximo que um país pode ter antes da adesão. O que a portuguesa de 48 anos sabe é que vai voltar a tentar ir a El Aaiún. Depois de libertado, na terça-feira, “o Mahmoud agradeceu aos jornalistas terem escrito sobre o caso e disse que ele e os seus colegas são a janela dos territórios, podem filmar e denunciar o que se passa, mas é preciso alguém abrir as portadas, ou nada disso sai do Sara Ocidental”.    

Toneladas de Ouro delapidado e ninguém presta contas!?- Em 25 de Abril de 1974 o Banco de Portugal (BdP) tinha 865.936 kg de ouro nas suas reservas. Em 31 de Dezembro de 2010 as reservas de ouro do BdP eram apenas de 382.509,58 kg.

Toneladas de Ouro delapidado e ninguém presta contas!?

   22.2.15   
O Banco de Portugal delapidou 483,5 toneladas de ouro das suas reservas.
Artigo de Sérgio Passos EUACUSO

Em 25 de Abril de 1974 o Banco de Portugal (BdP) tinha 865.936 kg de ouro nas suas reservas.
Em 31 de Dezembro de 2010 as reservas de ouro do BdP eram apenas de 382.509,58 kg.
Ou seja, em 36 anos desapareceram 483.426,42 kg de ouro das reservas do BdP, o que dá uma média consumo de 13.428,5 kg por ano, mais de 13 toneladas de ouro por ano!

Refira-se que desde o 25 de Abril de 1974, este regime político pseudodemocrático e corrupto gastou, em nada que se visse, mais de 483 toneladas de ouro, e só Vítor Constâncio, o penúltimo Governador do Banco de Portugal (BdP), tinha à sua guarda 606 toneladas, tendo vendido em 10 anos, de 2001 a 2009, 224,4 toneladas.

Temos de perguntar quanto valeriam as toneladas de ouro se o se o BdP tivesse preservado as suas reservas de ouro. Esta gente andou a desbaratá-lo quando a sua cotação era baixa e agora que o valor é bem mais alto o BdP tem menos da metade do que dispunha antes.

Veja-se: em 2009, quando Vítor Constâncio parou a sua fúria de vendas do ouro de Portugal a onça (28,3495231 gramas) de ouro valia 373,00 €, mas passados somente 3 anos, no ano de 2012, iria atingir o valor médio de 1.350,00 €.

Ou seja, o ouro chegou a valer 6,5 vezes mais do que no período compreendido de 2001 até 2009, período no qual Vítor Constâncio vendeu ao desbarato o nosso ouro.

Ora seja, e para que se perceba a irresponsabilidade do ex-Presidente do BdP, atual vice-Presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, caso aquelas 224,2 toneladas de ouro tivessem sido mantidas nos cofres de Portugal o seu valor representaria no final de 2012, na atual cotação de 979,00 € a onça de ouro, em números redondos e fazendo as contas, representariam hoje um acréscimo de reservas nacionais portuguesas no montante de aproximadamente de 8.000.000,00 €.

As 483 toneladas de ouro alienadas desde o 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, valeriam aproximadamente 17 mil milhões de Euros!

E ninguém pede contas a Vítor Constâncio e aos anteriores governadores que venderam o nosso ouro, sem que saibamos o que lhe fizeram?


portugalglorioso.blogspot.pt

CIVILIZAÇÕES AFRICANAS (VII) - O REINO KUBA

Reino Kuba



Foi fundado no séc XVII e ocupou parte da atual República Democrática do Congo. Era composto por 20 tribos diferentes; dentro elas os Bushong são os mais poderosos e significativos.




O Reino Kuba ou Federação Kuba existiu entre 1625-1900. Era limitado pelos rios Sankuru, Lulua e Kasai localizado no sudeste do que é hoje a República Democrática do Congo (antigo Zaire). O Reino Kuba foi um conglomerado de vários principados menores de diversas origens étnicas(compreendendo uma coleção de aproximadamente vinte grupos étnicos Bantu). Os primeiros habitantes migraram para Kuba a partir do norte durante o século 16.


Máscara Kuba, datada entre o
final do século 19 e início do 20.

Sua capital era Nsheng, que é agora Mushenge moderno. O nome "Kuba" é derivado do termo usado pelo luba (cujo reino colocado ao sul do Kuba) para a civilização.

A maior parte de Kuba foi poupada do comércio de escravos de Europeus e Afro-arabes.
Em conseqüência, a civilização conseguiu sobreviver por muito tempo.

Os texteis Kuba, os panos Shoowa, o esplendor da arte tribal

Vindos do coração de África, as tribos Kuba do Congo, teçem diversas peças em ráfia, autênticas obras de arte.



Texteis Kuba.

Pequenos tapetes, pequenos panos (Shoowa, as verdadeiras jóias)
A base tecida pelos homens, o design geométrico concebido pelas mulheres e crianças.
O resultado comunal final é ao mesmo tempo de uma complexidade imensa e de uma simplicidade cativante.

Símbolos tribais, geometria assimétrica estes objetos preciosos são uma descoberta relativamente recente no mundo ocidental.
Hoje muito utilizados como peças decorativas, outrora também peças de roupa, foram em tempos moeda de troca e era através deles que as mulheres mostravam a sua destreza para os trabalhos domésticos.




Os desenhos, têm passado de geração em geração, resistindo ao tempo e às influências externas.
Misteriosos, equilibrados e aveludados, a sua originalidade faz dos texteis Kuba verdadeiras obras de arte, expostas em muitos museus de arte em todo mundo.

O povo Kuba é muito criativo e conseque expressar essa criatividade através de padrões de uma força enorme.

Não é coincidência a atração do Ocidente por esta forma de arte tribal. A utilização de formas geométricas e ângulos retos faz com que nos reportemos a toda a civilização e cultura ocidental sempre ícono-grafada através da arte heráldica.
Algo de invisível nos atrai nos texteis Kuba.

Primeiros contatos com o ocidente

O primeiro contato com os texteis Kuba foi feito em 1611, quando os portugueses compraram 50.000 peças a norte de Angola para vestirem os escravos que depois foram para a América.

Os originais, difíceis de encontrar na Europa, quando aparecem atingem preços elevados. No interior de África e com um pouco se sorte eles ainda é possível encontra-los.


Fontes: Blog do Carlos Terenas / Wikipédia

civilizacoesafricanas.blogspot.pt

RELEMBRANDO A MINI SAIA

Ela foi criada pela designer de modas britânica Mary Quant, que teve como inspiração o automóvel Mini em 1965, apesar de que o designer francês André Courrèges jura que o inventor desta prenda tenha sido ele. No início resultou ser mais uma provocação do que uma tendência, no entanto, logo se converteu em uma moda generalizada. Criada em plena revolução sexual dos anos 60. Se popularizou ao aparecer na revista Vogue.

Seu tamanho pode ser variável, mas sempre acima do joelho. A verdadeira minissaia deve deixar ver ao menos a metade do coxa.
Relembrando a minissaia
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RECONSTRUINDO UMA CASA DE ARIANOS PUROS NA SELVA DO PARAGUAI

De todas as grandes aberrações, idiotices e desordens pelos quais sem dúvida o governo do repulsivo George W. Bush passará à história, não são poucos os que devem ser atribuídos a seu também repulsivo vice-presidente Dick Cheney. Nos momentos em que não estava ocupado cuidando dos fabulosos negócios de sua empresa Halliburton, Cheney era capaz de cometer idiotices menores, ainda que não menos espantosas.


Uma delas foi o apoio explícito que seu escritório deu a um projeto de um compositor californiano chamado David Woodard. O músico proclamava as boas intenções de estabelecer laços fraternos entre duas cidades irmãs: Juniper Hills, no sul da Califórnia, confraternizaria com Nova Alemanha, a 250 quilômetros de Assunção no Paraguai.

Entre os patrocinadores do projeto estavam um diretor de cinema norte-americano, um novelista suíço e algumas ONG's. Os juniperianos comprometiam-se a canalizar toda a ajuda do Primeiro Mundo para uma aldeia perdida no monte paraguaio. Com essas contribuições os neoalemães começariam a resgatar a sua cidade da decadência e empreenderiam a construção de um grande teatro wagneriano em terras latino-americanas. Quando Woodard já tinha arrecadado uma considerável quantidade de fundos, recebeu a bênção de Dick Cheney, que não duvidou em rubricar uma moção de apoio ao projeto.

Foi então quando os inoportunos jornalistas fizeram uma superficial e wikipédica investigação sobre a tal Nova Alemanha. Descobriram que se tratava de uma colônia inspirada em um projeto utópico racista, fundada no fim do século XIX por Elisabeth, a irmã de Nietzsche, e seu esposo, o ideólogo anti-semita Bernhard Förster. Ambos receberam de Hitler a honraria como heróis nacionais. Se isso não fosse o bastante, Josef Mengele escondeu-se em Nova Alemanha durante vinte anos.
Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
David Woodard com os irmãos Schweikhart, descendentes dos colonos que chegaram a Nova Alemanha, en 1886.
Quanto ao músico Woodard, era um conhecido supremacista branco especializado em música fúnebre. Tinha composto um hino em homenagem a Timothy McVeigh, o terrorista que explodiu um edifício de Oklahoma e outro com uma letra escrita por Jack Kevorkian (doutor Morte). Também vendia aparelhos psicodélicos chamadosDreammachine e tinha como clientes Kurt Cobain e Iggy Pop. Venerava a memória do ideólogos nazistas e nenhuma de suas confusas explicações conseguiu convencer a ninguém.

Cheney tratou de esconder o tropeção, os juniperianos juraram que não conheciam Woodard, o músico negou que fosse nazista e os neoalemães, com sua híbrida cultura teutônico-guaranítica, seguiram vegetando na miséria.

Essas coisas costumam ocorrer aos servidores públicos quando assinam sem ler todos os papéis que as secretárias lhes entregam, mas sempre fica a dúvida de saber se Cheney não estaria realmente de acordo com os ideais arianos.

O grande cunhado

Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
Bernhard Förster.
A história de Nova Alemanha é digna de um filme de Werner Herzog. Antes de casar com a irmã de Nietzsche, Bernhard Förster era um professor de segundo grau com ativa militância anti-semita. Fogoso orador, era conhecido como o autor de um manifesto que qualificava os judeus de parasitas do corpo alemão. Preocupado pela emigração alemã a América do Norte, Förster dizia que "a cada vez que um alemão se torna ianque, a raça humana empobrece". Seus olhos olhavam com esperança a América do Sul, onde confiava achar um habitat virgem que permitisse desenvolver um experimento de pureza racial tectônica, longe de qualquer suspeita de democracia.

A inspiração ele encontrou no ensaio "Religião e arte" (1880), que Richard Wagner escreveu contra a emancipação dos judeus. Pensava criar uma comunidade de vegetarianos austeros onde todos fossem de pura raça ariana. Mas apesar de que seu cunhado tinha proclamado a morte de Deus, pensava em fazê-los luteranos. Por suposto, a atividade econômica estaria em mãos de sua própria empresa, a Försterhof.
Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
Richard Wagner.
Para levar à prática seus sonhos Förster contava só com um mapa desenhado pelo coronel Morgenstern, que era então o ministro de Imigrações do Paraguai. Guiado por esse mapa, ficou dois anos perambulando por terras paraguaias, em busca de um lugar para construir sua utopia.

Começou a esboçar seu plano em 1885 quando negociou a cessão de terras fiscais com o general Bernardino Caballero, que então presidia o país.

Todos os pais das 14 famílias que chegaram ao Paraguai em 1886 eram formados em universidases, muitos deles músicos. Förster disse a eles que o açúcar crescia em varas no Paraguai e que as condições eram ideais para a agricultura. Mas logo descobriram que os métodos alemães de cultivo não se adaptavam à selva e tiveram que enfrentar os rigores do clima tropical, muitos deles não suportaram e voltaram logo à Alemanha.

Os que ficaram, levantaram uma escola, uma pequena capela e uma mansão que a própria Elisabeth rodeou de laranjeiras e palmeiras. Mas três anos depois Förster já estava falido e optou pelo suicídio. Quatro anos mais tarde Elisabeth também abandonou a colônia para voltar a Europa. Os colonos alemães ficaram perdidos no Paraguai, sem outra perspectiva que uma longa decadência.

Nada das construções originais ficou de pé. Atualmente, não há capela nem escola. O povoado tem 4 mil habitantes e é um dos mais pobres da região. Faltam serviços básicos, a eletricidade chega a poucas casa e não tem telefone. As crianças têm que percorrer léguas a cavalo para ir à escola mais próxima.
Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
Os primitivos colonos foram dizimados pelas doenças, e seus descendentes falam uma mistura de espanhol e guarani. Nos casos em que não existiu miscigenação, o patrimônio genético da "raça pura" empobreceu-se depois de 125 anos de endogamia. Uma das fundações que ingenuamente se interessaram pelo projeto de Woodard tinha proposto estudar as mutações e doenças hereditárias que costumam prosperar em um contexto de isolamento.

O único sucesso de Nova Alemanha foi o colono Federico Neumann em 1901, quando conseguiu cultivar e processar a erva mate, dando origem a uma grande indústria. Não foi uma grande descoberta, porque um século antes os jesuítas já cultivavam e exportavam em proporções industriais, difundindo um costume que ainda perdura em vastas regiões do Mercosul.

A irmã abusiva

Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
A bela e má Elisabeth.
Em 3 de junho de 1889 Bernhard Förster, pressionado pelas dívidas e o fracasso de sua colônia, encerrou-se em uma habitação do Hotel do Lago, em San Bernardino e tomou uma generosa dose de morfina e estriquinina. Em seu testamento, legou parte de Nova Alemanha a Friedrich Nietzsche, apesar da antipatia que o filósofo lhe professava. De toda forma, era tarde, porque em 3 de janeiro desse mesmo ano Nietzsche, depois de abraçar um cavalo nas ruas de Turim, acabava de se afundar para sempre na loucura.

Nietzsche detestou Förster desde o primeiro momento, e nem sequer dignou-se a ir ao casamento de sua irmã. Também detestava que o confundissem com a irmã "canalha anti-semita".

Nada disso significa que não fosse racista. Nem sequer seus devotos atuais são capazes de afirmar que ele era tolerante. Nietzsche não somente desprezava os judeus senão também os alemães e o resto da espécie humana. Sua última conferência pública foi para condenar os males da educação popular usada com fins políticos, mas ironicamente esse acabou por ser seu destino assim que ficou inválido nas mãos da irmã.
Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
Elisabeth em 1861.
Sua ruptura definitiva com Elisabeth ocorreu em 1888, em plena experiência paraguaia. Antes disso, a irmã tinha oferecido várias vezes para que ele investisse algum dinheiro na colônia, mas Nietzsche se negou. Também não quis viajar a América do Sul. Debochava de todas as utopias de volta à natureza, e as qualificava explicitamente de filosofia para o gado.

Em 1893, alguns anos após o suicídio de seu marido, Elisabeth voltou a Alemanha e passou a organizar o Arquivo Nietzsche e a edição dos manuscritos inéditos de seu irmão. Também se encarregou de catapultar a fama de Friedrich até para além de sua morte. Chegou a cobrar entrada para que os devotos pudessem vê-lo, quando estava reduzido à invalidez. Fez mais, falsificou textos do irmão em favor da nascente ideologia nazista.

O Führer e seus amigos

Elisabeth tinha 84 anos quando aderiu ao Partido Nazista. Hitler acabara de chegar ao poder e ela se encarregou de consagrá-lo ao presidir uma cerimônia na qual fez a entrega a Hitler da bengala usada por Nietzsche.
Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
Elisabeth e Hitler.
Hitler mandou enviar terra alemã ao Paraguai, para que fosse depositada na tumba de Förster. Assim falou Zaratustra passou a ser a bíblia da juventude hitleriana, e um exemplar do livro foi depositado no santuário nazista de Tannenberg junto a Minha Luta e O mito do século XX, de Rosenberg.
Reconstruindo uma casa de arianos puros na selva paraguaia
Quando Elisabeth morreu, Hitler mandou celebrar um solene funeral de Estado em sua homenagem. 

As utopias não são em princípio boas nem necessariamente apontam ao bem-estar da humanidade: Bernhard Föster concebeu a semente de delírios raciais dignos do racismo ulterior, mas sua utopia sucumbiu ao clima tropical e transformou os arianos de Nova Alemanha em uma raça frágil, doente e miserável, bastante longe dos sonhos despóticos. O ovo da serpente, enterrado debaixo do Cruzeiro do Sul, gorou.


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