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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

ANIMAIS EXTRAORDINÁRIOS - São animais extraordinários perdidos em algum ponto da evolução.

São animais extraordinários perdidos em algum ponto da evolução. A primeira é a lagarta-serpente, tão estranha quanto horrorosa para quem tem medo de cobra. Já a lagarta-caracol parece um brinquedinho esquisito. Exemplos de como a evolução natural se manifesta distintamente na natureza mesmo em animais da mesma espécie.




www.mdig.com.br/

CGTP Acusa Governo de incentivar austeridade alemã para a Grécia - A CGTP acusou hoje o Governo de estar a incentivar o seu homólogo alemão a continuar com as políticas de austeridade e de empobrecimento na Grécia, ao invés de a apoiar para conseguir melhores condições de assistência financeira.

 CGTP Acusa Governo de incentivar austeridade alemã para a Grécia

A CGTP acusou hoje o Governo de estar a incentivar o seu homólogo alemão a continuar com as políticas de austeridade e de empobrecimento na Grécia, ao invés de a apoiar para conseguir melhores condições de assistência financeira.
PAÍS
CGTP Acusa Governo de incentivar austeridade alemã para a Grécia
Lusa
O sindicalista, que falava em conferência de imprensa após uma reunião da comissão executiva de Intersindical, considerou que o Governo português "está a fazer exatamente o inverso do que devia, que era apoiar a Grécia na renegociação das condições do empréstimo que recebeu da 'troika'" (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).
Arménio Carlos lembrou que Portugal "está mais pobre, mais desigual, mais endividado e mais dependente após a aplicação do memorando da 'troika'".
"A política de direita e a ingerência externa continuam e são responsáveis pela situação dramática em que vive grande parte da população", disse.
O líder da Intersindical salientou a existência de mais de um milhão de desempregados, dos quais 67% (660 mil) sem qualquer prestação social.
Reivindicou, por isso, o alargamento da proteção social no desemprego, nomeadamente o prolongamento do prazo de atribuição de subsídio, "enquanto durar a crise" económica.
Arménio Carlos prometeu para breve a apresentação de um conjunto de propostas para promover o desenvolvimento do país e devolver os direitos laborais e sociais aos portugueses.
Estas propostas serão apresentadas a todos os partidos políticos, para que estes tomem posição sobre as matérias apresentadas antes das eleições legislativas e para que assumam compromissos para cumprirem se forem eleitos, disse o sindicalista.
O dirigente sindical lembrou ainda as ações de reivindicação que estão marcadas para breve, nomeadamente a jornada nacional de luta de 07 de março, que inclui manifestações em todos os distritos do país.

Acção terrorista do Polis destroi o antigo Posto da Guarda Fiscal, na Ilha da Barreta? - Será verdade?

Acção terrorista do Polis destroi o antigo Posto da Guarda Fiscal, na Ilha da Barreta?

Recebemos um e-mail de um dos nossos leitores que nos relata que as máquinas do a ânsia de destruir tudo o que lhe aparece pela frente,os condutores  das máquinas pesadas de lagartas, que além de destruirem toda a Fauna e flora que lhe apareçam pela frente, por ordens do governo de PSD/CDS,  destruiram além  das casas, também o antigo Posto da Guarda Fiscal situado na Ilha da Barreta?Será verdade?
A ser verdade seria o Polis ou seriam os terroristas o E.I.?
Bom tirar de uns e por outros a diferência  é pouca,una decapitam pessoas outros o polis a mando do governo PSD/CDS destroem os  bens das pessoas sem olhar a quem.
A foto que publicamos não temos a certeza de ser do posto da Guarda Fiscal da Ilha da Barreta (também conhecida por Ilha Deserta), se o Posto da Ilha dos Hangares, as pessoas que conhecem um e outro é favor dar a sua opinião pessoalmente só conheço o dos Hangares mas dizem-me que o da Ilha da Barreta a arquitectura  era indêntica.
Vale tudo na Ria Formosa até destruir Património do Estado?
Senhores do Polis e do Governo vejam lá não deêm ordens para jogar o Farol de Santa Maria abaixo!
picture of Antigo posto da Guarda Fiscal

O Algarve há 100 anos -Com o título “Algarve” foi publicada há cerca de 100 anos uma pequena brochura, com 64 páginas, dedicada inteiramente à região.

O Algarve há 100 anos

Lagos VendedeiraCom o título “Algarve” foi publicada há cerca de 100 anos uma pequena brochura, com 64 páginas, dedicada inteiramente à região.
Editada em Lisboa, com o número 12, pela Livraria Profissional “Os Livros do Povo – Noções de Tudo”, faz jus ao subtítulo, constituindo uma verdadeira radiografia do Algarve de então.
Desde a geologia, história, clima, flora, fauna, principais povoações, vestuário, superstições, indústria, viação, até ao turismo, tudo foi enumerado e descrito no pequeno livrinho.
Da autoria do tenente Carlos de Sousa Leal, e sob a direção de Gastão Correia Mendes, era comercializado a 5 centavos, ou 50 réis, como também anunciava.
Apesar de não se encontrar datado, foi seguramente publicado entre 1915 e 1922 (depois do falecimento do monografista Ataíde Oliveira e antes da inauguração do caminho de ferro de Portimão a Lagos).
Façamos então uma viagem no tempo, ao Algarve dos nossos bisavôs.
A região, tal como hoje, tinha 16 concelhos e 67 freguesias, todavia apenas quatro cidades (Silves, Faro, Tavira e Lagos) e doze vilas.
AlgarvePelos censos de 1911, a população cifrava-se em 272 861 habitantes (hoje são 451 005), dos quais apenas 23 768 homens e 2 501 mulheres sabiam ler, ou seja, 63% da população era analfabeta (5,4% em 2011).
A emigração era reduzida, fruto da abundância de trabalho e do baixo custo da alimentação. O distrito era muito seguro, sendo a ordem pública mantida apenas por algumas dezenas de polícias e cerca de 150 militares da Guarda Republicana.
Animais ferozes também não os havia, “excepcionalmente se vê na serra um lobo ou outro, que raro desce ao litoral”, escreviam os autores.
Em termos económicos, destacava-se a agricultura e a pesca, bem como os seus derivados, com notoriedade ainda para a cortiça, tecidos de algodão, telha, louça, tijolos, calçado, marcenaria, construção de carros, artefactos de palma, esparto, linho e queijo, “enceiramento e encaixotamento de figo”.
A indústria de artefactos de palma era generalizada, sendo “raro o algarvio que não sabe fazer a «empreita»”. Produzia-se muito vinho e azeite, contudo, “trigo produz pouco e milho muito mais”.
Vila RealNas acessibilidades, a primazia pertencia ao caminho de ferro, a que se seguia o transporte marítimo, mais económico e grande concorrente do primeiro, todavia mais incerto.
Mas a viagem de comboio também não era fácil, já que, além de demorada (tinha quatro entroncamentos), era muito incómoda.
De entre os portos, destacava-se o de Vila Real, nunca assoreado devido às contínuas dragagens realizadas pela Companhia das Minas de São Domingos, para garantir o escoamento de minério, bem como pela exportação de conservas e outros produtos regionais.
Os de Vila Nova de Portimão (só seria cidade em 1924), Faro e Tavira estavam muito assoreados, pelo “abandono a que têm sido votados e em que provavelmente continuarão”.
Na foz dos rios, também se carregavam barcos, ou ainda nas baías de Lagos e de Albufeira.
Camponesa FaroA rede de estradas, ampla e com piso razoável no litoral e barrocal, não permitia a circulação de automóveis através da serra, de e para o Alentejo, e consequentemente para o resto do país. Na verdade, estes quase não existiam, quanto muito havia carroças. Frequentes eram os burros: “não há camponez que não disponha de um burrico, auxiliar, modesto e paciente, que transporta a água para casa, a mulher ou os filhos às feiras, festas e compras nos povoados, e de parelha com uma vaca, lavra e debulha”.
Descrito como verboso, alegre e comunicativo, o algarvio era também trabalhador, sóbrio, ordeiro e amigo de constituir família, dado ao comércio e a mudanças, pois “aceita facilmente inovações”.
Apresentava estatura regular, com predomínio do tipo moreno, sendo frequentes loiros e de cabelos castanhos. Se o marítimo era mais bulhento, o serrano, por sua vez, mais desconfiado.
Pouco amantes da vida militar, “repugnância que vai contudo desaparecendo”, uma vez “incorporados e em campanha, [os algarvios] batem-se bem”.
Baía AlbufeiraFeito o serviço militar, seguia-se o casamento, e “bem depressa se encontra rodeado de filhos”.
A habitação, para a maioria da população, era simples e muito branca, de rés do chão, telhado de duas águas, com poucas divisões e janelas só numa frente. Quase sempre com varanda e um alpendre ou poial por fora.
Os lavradores de maiores recursos tinham uma casa mais abonada de dois pavimentos. Junto à habitação, quase sempre comunicando com ela, encontrava-se o estábulo dos bois e a cavalariça.
No exterior, localizava-se o forno e a pocilga, onde se criava o porco. Internamente, a casa tinha também muita simplicidade, com paredes caiadas e tetos de telha vã e cana.
O mobiliário, geralmente de castanho, compreendia algumas cadeiras, arcas e cómodas, “sempre cobertas de panos brancos muito engomados”, e em cima dos quais “um Cristo ou um tocador”.
Cozinhava-se à lareira, e, quanto a utensílios de cozinha, “são pouco complicados”, afinal a “família em geral come toda de um mesmo prato, bastante grande”, sendo a louça arrumada numa prateleira muito “sarapintada”, pregada na parede.
Em casa, nunca faltava a pequena mó, destinada a moer o milho para o xerém, bem como a barrica, onde se guardava o figo torrado, “alimento de inverno e que, na falta de peixe, serve de conduto”.
Contra capaNos quartos, usavam-se “correntemente camas de ferro, a que chamam de «leitos»”. A iluminação fazia-se a azeite, em candeias ou candeeiros de folha ou latão (arame), embora em Faro já existisse eletricidade.
Relativamente ao vestuário, este “não tinha nada de particular”. O homem, sempre calçado, usava jaqueta, calça apertada, chapéu de feltro de grandes abas e no trabalho, uma blusa de riscado, sendo que a “cinta preta nunca os abandona”.
A mulher vestia saia não muito rodada, uma blusa, muitas vezes chapéu de feltro, parecido com os dos homens, lenço e xaile. Andavam calçadas e todas procuravam “possuir o seu cordão e argolas”. Nos dias de festa, trajavam melhor, predominando ainda assim as cores escuras.
Os mercados, feiras e romarias tinham afluência assegurada. Nestes dias, as gentes do campo dirigiam-se às sedes de freguesia, participavam na missa e faziam compras, “bebem o seu copo e há grossa confusão, mas sem consequências maiores do que algum tombo”.
Praia da LuzOs homens de idade visitavam-se e os rapazes jogavam à malha, passeavam, conversavam nas vendas, e à noite “vai-se na época própria para os bailes”. Já a população urbana ficava em casa ou dispersava-se pelos campos próximos.
Amantes da dança e de música, os bailes decorriam com entusiasmo, ao som do harmónio ou de gaita e terminavam “quási sempre antes de irem para o trabalho”.
Havia muita falta de entretimentos, a não ser em tabernas, que, em algumas terras, atingiam número elevado. Bebia-se por isso muito álcool, “homens e mulheres tem o hábito de matar o bicho e o pior, é que muitos, quer no litoral quer na costa, fazem-no com aguardente, que se fabrica bastante na província, de figo e medronho, principalmente”.
As gentes do mar tinham uma vida monótona, “o tempo não lhe sobeja para divertimentos, só o mau tempo lhes dá folga participando então em feiras e romarias, tal como as gentes do campo”.
Viviam a maior parte do tempo afastados dos povoados, estabelecidos em cabanas de colmo “que se vêem ao longo da costa, em frente das suas armações”. Os pescadores são arrojados e os de Olhão têm justificada celebridade.
Muito supersticiosos, “a consulta à bruxa é frequente”, procuravam o médico, como segunda opção, a “medicina é exercida por numerosos curandeiros, alguns dos quais, possuindo certa habilidade, fazem uma terrível concorrência aos médicos”.
Praia da Luz PO pequeno guia não esqueceu as praias, classificando-as de esplêndidas, limpas, seguras, reputadas e concorridas, de tal forma que “raras vezes o banhista deixa de tomar banho, por via do estado do mar”.
Estes eram sobretudo algarvios, mas também alentejanos, e, a leste, espanhóis. As mais concorridas eram a Praia da Rocha e Monte Gordo, evidenciando-se ainda a Senhora da Luz, Armação de Pera, Albufeira e Quarteira.
Na Rocha, havia diversas construções, um hotel-casino e estação telegráfica, pelo que o seu desenvolvimento era considerado “seguro”.
A excelência do clima e suavidade da temperatura, bem como a existência de pontos interessantes nas proximidades, levavam Sousa Leal a prognosticar para aquela praia uma “estância invejável e uma óptima estação de inverno e repouso”.
Na verdade, há um século as praias estavam longe de constituir um produto turístico, pelo que foram praticamente excluídas do capítulo “Turismo”.
Este logo vaticinava: “a província merece ser visitada, mas o touriste não vai encontrar que admirar, mais que belos campos e formosas praias”. “Monumentos faltam”, eis o chavão, errado na nossa opinião, que perduraria até hoje.
Figos“Para bem se ver e avaliar a província, necessitam perderem-se uns dias, poucos”. A visita era desaconselhada e considerada “imprópria” no verão, pelo calor excessivo.
A primavera deveria ser a estação eleita, “época em que a temperatura é moderada e em que floresce a amendoeira, o que dá à região um lindo aspecto”.
Quanto a atributos, também eles enredados com aspetos menos positivos, referia: “a vida é barata, os hotéis são modestos e nada caros; deixam bastante a desejar em certas comodidades e exigências modernas, mas a alimentação é boa”.
Eis um retrato fugaz de um pequeno guia que traçou, com rigor e nas diversas vertentes, a realidade de um Algarve de hábitos e costumes há muito desaparecidos.
Uma região que despontava tenuemente para o turismo, que se tornaria o principal motor económico nos nossos dias. Uma outra realidade, um outro modo de vida, hoje tão irreal quanto maravilhoso, todavia um Algarve verídico em que os nossos bisavôs viveram e que tão bem conheceram.

Autor: Aurélio Nuno Cabrita é engenheiro de ambiente e investigador de História Local e Regional


ATENÇÃO ! UMA NOSSA AMIGA E CAMARADA

ATENÇÃO ! UMA NOSSA AMIGA E CAMARADA


A Isabel Lourenço, observadora dos direitos humanos no 

Sahara Ocidental ocupado, acabou de ser sequestrada 

pelas 

autoridades marroquinas no aeroposrto de El Aaiun, 

considerada persona non grata e metida à força dentro de 

um avião para regressar a Casablanca.



Por favor, espalhem a notícia e todos os que tenham 

alguma 

influência junto das autoridades intercedam pela sua 

segurança.


Banco de Portugal: Remessas de emigrantes portugueses em Angola caem mais de metade

Banco de Portugal: Remessas de emigrantes portugueses em Angola caem mais de metade

Banco de Portugal: Remessas de emigrantes portugueses em Angola caem mais de metade


As remessas dos emigrantes portugueses a trabalhar em Angola caíram em dezembro 51,5% face a dezembro do mês anterior, para 16,7 milhões de euros, indicam os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal no boletim estatístico.


Segundo os números, que se referem ao último mês do ano passado, os portugueses a trabalhar em Angola enviaram para Portugal 16,7 milhões de euros, quando em dezembro de 2013 tinham enviado para o seu país cerca de 34,5 milhões de euros.
Os dados hoje avançados pelo Banco de Portugal confirmam as dificuldades que têm vindo a ser noticiadas relativamente ao envio de divisas em moeda estrangeira para fora de Angola, num contexto de forte quebra do preço do petróleo, das receitas fiscais e da escassez de divisas estrangeiras, nomeadamente dólares.
No caso inverso, ou seja, o montante das verbas que os angolanos a trabalhar em Portugal enviaram para o seu país, a variação é também significativa: em dezembro, enviaram 2,27 milhões de euros, face aos 1,81 milhões enviados no mesmo mês de 2013, o que mostra uma variação positiva de 25,4%.
Dinheiro Digital com Lusa

PERNAS : UM BOM CONSELHO


 PERNAS

Aqui vai um bom conselho!
 No ser humano, as pernas correspondem a 20% do peso do corpo.
É onde temos os músculos mais longos (sartorius) e mais fortes (glúteos).
O sangue desce por gravidade mas tem que subir de volta para o tronco.





 O sangue desce por gravidade mas tem que subir de volta para o tronco. 
Entre os músculos e o Tibialis Posterior temos veias e artérias que, por contracção, produzem o efeito de circulação do sangue.
É como se em cada perna existissem pequenas bombas dispersoras e sugadoras.





O par de músculos na barriga da perna - os gémeos -  são activados cada vez que caminhamos e ainda mais intensamente quando subimos escadas ou andamos nas pontas dos pés.


Muitas horas sentados ou em pé, sem activação adequada destes músculos, é muito prejudicial a longo prazo para a nossa saúde.
Pernas enfraquecidas por falta de movimento significam patologias circulatórias, falta de equilíbrio, fraco alinhamento postural que pode também resultar em dores articulares e tensões na parte superior do corpo.
.
Por isso,caminhe …pela sua saúde !!!

Enviado por: HELVÉTICA

Alemanha permite primeira reedição de Mein Kampf desde 1945 - O Instituto de História Contemporânea de Munique (IHCM) tenciona publicar já em Janeiro de 2016 uma monumental edição comentada em dois volumes do livro Mein Kampf (A Minha Luta), de Adolf Hitler, cujos direitos autorais caducam no final deste ano. Será a primeira reedição do livro a ser publicada na Alemanha desde o final da II Guerra.

Alemanha permite primeira reedição de Mein Kampf desde 1945

O Instituto de História Contemporânea de Munique (IHCM) tenciona publicar já em Janeiro de 2016 uma monumental edição comentada em dois volumes do livro Mein Kampf (A Minha Luta), de Adolf Hitler, cujos direitos autorais caducam no final deste ano. Será a primeira reedição do livro a ser publicada na Alemanha desde o final da II Guerra.


O projecto começou a tomar forma em 2010, e o argumento dos académicos envolvidos era o de que uma publicação anotada, que desmontasse as teses de Hitler, atenuaria os efeitos das edições comerciais que poderiam chegar às livrarias quando se cumprissem 70 anos sobre a morte do Führer, em 2015, e a obra entrasse no domínio público.


No final da II Guerra, quando as tropas americanas ocuparam Munique, a editora que publicara Mein Kampf, a Franz Eher, a mais importante editora nazi de jornais e livros, foi desmantelada e os direitos que esta detinha sobre o livro de Hitler transitaram para o governo da Baviera, que nunca permitiu a reedição da obra, autorizando apenas a publicação de alguns excertos para fins pedagógicos.


Após resistências iniciais, o governo da região alemã da Baviera acabou por assumir o projecto do IHCM, tendo-lhe mesmo atribuído um financiamento de 500 mil euros. Mas em 2012, na sequência de uma visita a Israel do líder do governo regional bávaro, o democrata-cristão Horst Seehofer, o executivo acabou por mudar de ideias e bloqueou a edição, afirmando tratar-se de um livro que “levou à morte e perseguição de milhões de pessoas” e esclarecendo que não desejava “ferir os sentimentos das vítimas”.


Mas o Instituto de História Contemporânea de Munique (IHCM) nunca deixou cair a ideia, e a discussão das vantagens e desvantagens de uma reedição comentada da cartilha hitleriana foi evoluindo. A própria organização que federa a maioria das associações judaicas na Alemanha, o Zentralrat der Juden in Deutschland, acabou por se aproximar da posição do instituto, com o seu secretário-geral, Stefan Kramer, a explicar que a proliferação da obra na Internet o levou a rever as suas iniciais reservas a esta reedição comentada: “É muito importante que os jovens vejam a versão crítica quando clicarem em Mein Kampf na Internet”.


Há menos de um ano, o então presidente da mesma organização, Dieter Graumann, actual vice-presidente do Congresso Mundial Judaico, defendera que Mein Kampf “foi e continuará a ser uma obra de ódio irracional puramente anti-semita, que deveria ser proibida para sempre”.

A solução agora encontrada pelo governo da Baviera é uma espécie de compromisso. O seu responsável da Educação e Cultura, Ludwig Spaenle, anunciou há dias que o governo bávaro deliberou retirar o seu veto à edição do IHMC, mas não patrocinará oficialmente o livro, ainda que também não tencione pedir a devolução das verbas que o instituto já recebeu para desenvolver o projecto, que envolve uma equipa de cinco especialistas.

Ambiguidades legais


Embora as antigas edições de Mein Kampf tenham sempre continuado a vender-se na Alemanha, de forma mais ou menos discreta, a reedição do livro foi sendo eficazmente inviabilizada por duas vias: o governo da Baviera, enquanto detentor dos direitos, não a autorizava, e a legislação federal entendia que uma publicação pura e simples do texto de Hitler era um gesto de propaganda nazi, proibido pela legislação contra o incitamento ao ódio racial e à violência.

Daí que não seja claro que, após a extinção dos direitos de autor, qualquer chancela alemã possa avançar com reedições comerciais de Mein Kampf e colocá-las nas livrarias. Prevendo que a questão irá colocar-se, os ministros da Justiça dos vários governos regionais já divulgaram aliás uma decisão conjunta, em meados de 2013, a declarar que mesmo após a extinção dos direitos de autor do manifesto hitleriano, a sua reedição continuará a ser proibida na Alemanha.

Uma interdição que teoricamente poderia também abranger as edições comentadas, que a legislação não refere. Mas o facto de o governo da Baviera ter agora anunciado que não tomará qualquer medida para impedir a publicação da edição de Mein Kampf que o IHCM se propõe lançar no início de 2016 é um sinal de que as versões críticas deverão ser consideradas uma excepção tácita pelas autoridades alemãs.

Apesar da longa luta que travou para convencer os decisores políticos das virtudes desta monumental edição comentada, o Instituto de História Comparada também não ignora que está a lidar com um tema sensível e não está interessado em transformar o lançamento da obra num grande acontecimento mediático. “O livro vai ser editado pelo Instituto para evitar que editoras privadas ganhem dinheiro com ele”, diz a porta-voz do IHCM, Simone Paulmichl, e embora não esteja ainda decidida a tiragem e o preço, parece pouco provável que venha a tornar-se num bestseller. Quer pelo aparato académico – cinco mil notas e comentários, que ocuparão quase dois terços das 2000 páginas do livro –, quer pelos 160 euros que, segundo o jornal alemão Die Zeit, poderá vir a custar cada um dos dois tomos da obra.

Se o primeiro volume pretende retratar o seu percurso biográfico e a sua formação, da infância “na casa paterna” (primeiro capítulo), passando pelos “anos de aprendizagem e sofrimento em Viena” (segundo capítulo), até à criação e período inicial do Partido Nazi, o segundo, expõe as suas doutrinas racistas e anti-semitas e sintetiza a sua visão para o partido e para a Alemanha.

Uma das tarefas em que os investigadores do IHCM mais investiram foi a de rastrear as fontes de Hitler (quase nunca citadas pelo autor), mostrando que uma parte muito substancial de Mein Kampf veio directamente dos livros, jornais e panfletos anti-semitas da época. E procuraram também desmentir de forma sistemáticas as mentiras e meias-verdades que o livro apresenta como supostos factos. 

Num artigo para a revista New Yorker, a jornalista Sally McGrane cita um exemplo adiantado pelo historiador Christian Hartmann, que coordena as notas desta edição. “Hitler queixa-se de que os parlamentares não lutaram na frente durante a primeira guerra”, observa Hartmann, “e é verdade que só dois o fizeram, mas esquece-se de dizer que um deles era judeu e social-democrata, e morreu na frente”.

Um exemplo anódino, tendo em conta algumas das opiniões que Hitler expressa no livro como a de sugerir que a Alemanha devia ter gaseado dez mil judeus na primeira guerra. “Dá-nos arrepios”, diz Hartmann. “Geralmente não temos de dar atenção a lixo deste género, mas este mudou o mundo”.

No ano do seu lançamento, em 1925, Mein Kampf vendeu 9473 exemplares, números que foram descendo gradualmente nos anos seguintes. Em 1928, vendeu apenas 3015, mas a partir de 1929 as vendas começaram outra vez a subir. O grande salto – para um milhão de exemplares – ocorre em 1933, quando Hitler chega a chanceler. Em 1940, o livro, quase obrigatoriamente oferecido em baptizados e casamentos, vendeu seis milhões de exemplares.


Fonte: Público


Após vários avanços e recuos, o governo da Baviera admitiu a publicação, em 2016, de uma edição comentada do manifesto de Hitler


Pink Floyd The Wall (1979) – uma obra contra a podridão da sociedade

VÍDEO







Pink Floyd The Wall (1979) – uma obra contra a podridão da sociedade

O primeiro de uma série de artigos sobre este grito de revolta, esta obra crítica de denúncia da sociedade e auto-reflexão do indivíduo; e que nos mostra a importância de concebermos um mundo melhor, construindo pontes ao invés de muros.

Introdução – música além da música

No final de 1979, o Pink Floyd lança o álbum duplo “The Wall” (“O Muro”). Em pouco tempo, “Another Brick in the Wall, part II” (“Mais um Tijolo no Muro, parte II”) tornaria-se a música mais famosa do álbum, um hino do rock’n’roll e um símbolo de rebeldia – cantado, por exemplo, pelos negros da África do Sul contra o regime deApartheid. Entre os fãs do rock como um todo, “Comfortably Numb” é a canção mais respeitada, com seu solo de guitarra final sendo considerado por muitos o melhor de David Gilmour – com destaque para as versões ao vivo.
Pink Floyd The Wall - show teatral com um muro no palco
Pink Floyd The Wall – show teatral com um muro no palco
Ao se ouvir“The Wall”pela primeira vez, é quase certo que mais algumas músicas se destacarão, como“Mother”,“Young Lust”“Hey You”“Run Like Hell”. Mas percebe-se também algumas faixas que, isoladas, causarão estranheza: “Goodbye Cruel World”, “Bring the Boys Back Home”“Vera”“Stop” e outras. São faixas extremamente curtas ou cuja letra e melodia nunca as fariam figurar nem mesmo em uma coletânea do Pink Floyd. Então… qual o sentido?
A verdade é que “The Wall”, mais que suas melhores canções, mais que uma obra temática como “Dark Side of the Moon” e “Animals”, é também uma estória. Dessa forma, as músicas se encaixam em uma sequência, um enredo que devemos conhecer e pelo qual devemos nos deixar envolver enquanto apreciamos as músicas (sem esquecer das letras). Só então podemos nos dar conta que mesmo essas pequenas faixas estranhas ganharão sentido. E aquelas que já eram boas isoladamente ficarão ainda melhores.
Tanto é verdade que “The Wall” possui um enredo (leia-se ópera-rock) que seus shows transformaram-se LITERALMENTE em uma peça de teatro; e três anos mais tarde foi possível a adaptação para o cinema, o filme “Pink Floyd The Wall”, bastando criar as cenas de acordo com esse mesmo roteiro.

A origem

A ideia do muro surgiu durante a turnê “Animals”. Na verdade, já havia algum tempo que Roger Waters estava incomodado com o que percebia durante os shows da banda. É compreensível. O Pink Floyd surgiu no underground, acostumado a shows em lugares pequenos, com um público cativo, próximo, atento e envolvido pela música e pelo “clima”. Com o sucesso estrondoso de “Dark Side” e “Wish You”, porém, os shows inevitavelmente cresceram. Este não era o problema em si, todo mundo já sabia que o Pink Floyd era destinado a grandiosidade, mas houveram consequências desagradáveis.
Agora com o Pink Floyd tocando para públicos bem maiores, geralmente em grandes estádios, Roger Waters percebeu que muitas pessoas não estavam interessadas na música, mas apenas no “espetáculo pelo espetáculo”. Íam aos shows porque era algum grande evento qualquer, alguma banda famosa qualquer que estava na moda. Para elas, não fazia diferença se era um show de rock, uma final de campeonato de futebol ou uma apresentação do circo de Soleil. Eu já vi relatos de pessoas jogando frescobol durante o show. Para Waters, isso não fazia sentido; era inconcebível que as pessoas gostassem de permanecer amontoadas, de pé, e, o que era pior para ele, sem condições de ver praticamente nada no meio da multidão. Sua reação não poderia ser mais sarcástica:
“um dia construirei um muro na frente do palco e eles saberão do que eu estou falando”
O tempo passava e tanto Roger quanto o público começaram a se comportar cada vez mais irracionalmente. Ficou marcado um caso de um porco inflável, parte do cenário da turnê “Animals”, que foi alcançado pela platéia e feito em pedaços. Em outra ocasião, um fã tentou escalar a grade de proteção que separava a banda do público, e levou uma cusparada do baixista.
Foi a gota d’água. Neste momento, Roger Waters conscientizou-se do absurdo da situação. Pode-se imaginar que ele tenha passado por uma intensa crise existencial, levando-o a uma profunda reflexão sobre si mesmo, as pessoas e a sociedade. E foi assim que o muro começou a ganhar o seu contexto.
The Wall: obra de um homem só
The Wall: obra de um homem só

Obra de um homem só

Tudo bem que, desde “Dark Side of the Moon”, todo álbum viria com a inscrição “All lyrics by Roger Waters”; mas boa parte das faixas eram instrumentais (ou quase totalmente, como“Echoes” e “Shine On”), e nas melodias a criação tinha participação de todos. “The Wall”, todavia, é um caso a parte. Das 26 faixas do álbum duplo, apenas 4 tem os créditos das melodias divididos com outros membros. “The Wall” foi, praticamente, obra de um homem só.
A banda estava longe de exibir o mesmo entrosamento pessoal de outros tempos. David Gilmour gravava e excursionava com seu primeiro projeto solo. Rick Wright enfrentava problemas pessoais e acabou caindo nas drogas. E Waters de repente chega para seus companheiros com os conceitos e as demos das músicas praticamente fechados.
O termômetro Wright: demitido
O termômetro Wright: demitido
Em documentários recentes pode-se ver que os integrantes ainda não se entendem a respeito do que acontecia naquela época. Gilmour e Wright reclamam que Waters não aceitava sugestões. Waters diz que não as cortava, e diz que até mesmo implorava por elas. Wright acabou demitido(?!) por Waters devido a sua improdutividade, mas foi-lhe permitido participar da turnê como músico convidado – digamos que Wright quis, por questão de honra, terminar o seu trabalho antes de partir.

Críticas à sociedade, isolamento e auto-reflexão

Se “The Wall” tem origem em uma crise existencial de Roger Waters, o início da estória tem base autobiográfica. O pai de Roger, sr. Eric Fletcher Waters, foi morto em combate na II Guerra Mundial, e este fato devidamente adaptado à vida do personagem principal. A perda do pai trará consequências na vida de Pink Floyd (o personagem) que servirão para denunciar o absurdo da guerra, e a dirigir pesadas críticas aos governos que as criam.
O personagem passa da infância para a adolescência, e conforme a estória avança, também são contestados o rigido sistema educacional inglês e a família, personificada na superproteção materna. Na idade adulta, a fragilidade e a hipocrisia das relações humanas também se tornam “mais um tijolo no muro”. Nas letras do álbum talvez nem tanto, mas no filme as críticas ao sistema capitalista também surgem aqui e ali. Com o amadurecimento da obra (na releitura para a turnê que passou pelo Brasil em 2012, por exemplo) elas se tornam bem mais explícitas e ácidas.
A verdade é que as bases da felicidade pregada pela sociedade – pátria, família, escola, consumismo, amor – é puro lixo, uma mistura de cegueira, hipocrisia, caos e morte, onde apenas os mais cegos, hipócritas e poderosos vivem as maravilhas do sistema. Para outros como Pink Floyd, resta a decepção, a vontade de isolar-se do mundo, a solidão e a revolta. As bases onde a sociedade moderna se firma, a cada decepção ao percebermos a enganação e sofrermos as consequências, se transformam em tijolos de um muro; que construímos, seja para esconder o que realmente sentimos e pensamos, para nos proteger do sistema da melhor forma que podemos, ou simplesmente porque nos revoltamos e preferimos o isolamento.
O primeiro disco do álbum duplo, como também a primeira parte dos shows e do filme, é sobre esse período onde o muro se ergue e se fecha. A segunda parte é sobre o isolamento de estar nele, a auto-reflexão, tudo isso em meio a muita revolta e depressão. O muro só irá cair com uma intensa auto-terapia, um julgamento muito duro de si mesmo, como li o próprio Waters dizer.
Tudo isso será detalhado nos próximos artigos. Música a música.

Filme e show histórico

“The Wall” é uma obra riquíssima que rendeu muitos frutos. O álbum duplo deu origem:
  • a uma turnê em 80-81 cujo formato teatral dos shows levou o próprio show de rock a um nível superior. A tecnologia necessária para levar a mensagem de Waters aos fãs, com máscaras, vestimentas, pequenos cenários, gigantes bonecos infláveis, um muro sendo construído no palco conforme as músicas são executadas etc. foi um sucesso completo; porém, de um custo tão alto que, financeiramente, deu prejuízo;
  • ao já citado filme “Pink Floyd The Wall”, dirigido por Alan Parker (“Evita”, “A Vida de David Gale”) com Bob Geldof no papel principal: o transtornado astro de rock chamado Pink Floyd. Os gráficos feitos para a capa do álbum ganham vida no cinema, em um tempo em que não existia computação gráfica. O filme tem altas doses de Psicanálise que merecem uma atenção especial na interpretação;
"The Wall", O Filme: Bob Geldof no papel de Pink Floyd
“The Wall”, O Filme: Bob Geldof no papel de Pink Floyd
  • um show histórico em 1990 (com Roger Waters já em carreira solo), na Alemanha, por ocasião da queda do muro de Berlim; reconhecidamente um dos maiores eventos da história da música;
  • o álbum duplo “Is There Anybody Out There?”, com performances ao vivo da turnê original;
  • e a recente (2011/12) turnê “Roger Waters The Wall”, com quatro shows no Brasil (eu fui!). Uma orgia de mensagens e críticas, devidamente atualizadas para o contexto político atual. Também merece interpretações a parte.



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ROBERT MUGABE FEZ NO SÁBADO 91 ANOS E FEZ FESTA NUM CAMPO DE GOLF NAS CATARATAS DE VICTÓRIA

Harare, 21 fev (EFE)




O líder africano mais longevo e atual presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, completa 91 anos neste sábado sem intenções de retirar-se do governo, apesar de sua idade avançada e das recentes suspeitas sobre seu estado de saúde. Embora as celebrações de hoje sejam comedidas - um bolo, uma serenata de sua equipe pessoal e várias páginas de anúncios de felicitações na imprensa estatal -, seus partidários preparam uma luxuosa festa para o próximo sábado, dia 28. 

Membros do partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), pretendem que a festa deste ano seja "a melhor" da história do líder, e será realizada em um campo de golfe nas cataratas Victoria, o destino turístico mais popular do país. 

Esta será também uma "celebração dupla", já que se lembrará um mês desde que Mugabe foi nomeado presidente da União Africana (UA), uma controvertida decisão devido às acusações de violação dos direitos humanos que pesam sobre o líder. 

A imprensa não governamental alega que o custo dos festejos será de cerca de US$ 1 milhão, quantia que não foi confirmada pelo Zanu-PF. Por sua parte, o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, qualificou a festa de " obscena reunião de tribos", e pediu que Mugabe cancele a celebração. "A maioria dos zimbabuanos estão vivendo na miséria e na indigência, e é ofensivo que Robert Mugabe e seus parasitas comemorem, comam e bebam nas cataratas Victoria", declarou o porta-voz do partido opositor Movimento por Mudança Democrática (MDC), Obert Gutu, em comunicado. "Já é hora que o regime do Zanu-PF mostre um pouco de respeito e empatia para as massas trabalhadoras do Zimbábue", acrescentou Gutu. 

Uma recente pesquisa realizada pela Agência de Estatística Estatal aponta que mais de 75% da população adulta do Zimbábue vive com menos de US$ 200 por mês. Por isso, Gutu reivindicou que os fundos já preparados para a celebração sejam enviados a escolas e clínicas na província de Matabele, onde se encontram as cataratas. Empresários locais se viram obrigados a ajudar a pagar a contar da festa, e vários hotéis na cidade tiveram que proporcionar alojamento gratuito aos mais de 100 delegados convidados. 

Um homem de negócios da cidade de Mutar garantiu à Agência Efe que tinha sido pressionado para comparecer a um almoço de arrecadação de fundos onde os clientes tiveram que pagar US$ 200 por um prato que normalmente valeria US$ 6. A festa também não agradou aos ativistas em defesa dos animais, que criticam o sacrifício de elefantes, búfalos e outros animais selvagens para alimentar os convidados. Por outra parte, o porta-voz da oposição fez alusão às renovadas dúvidas sobre a saúde de Mugabe depois que o presidente escorregou e caiu no aeroporto de Harare no início deste mês. 

"Um homem de 91 anos deveria estar em um asilo e não na presidência da nação", criticou. No poder desde 1980, Mugabe é um dos líderes africanos mais criticados por violações de direitos humanos e pela supressão das liberdades políticas em seu Zimbábue. 

EFE rt/rsd

"Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade" - Em novo livro, o filósofo e neurocientista americano Sam Harris propõe a criação de uma 'ciência da moralidade' para acabar de uma vez por todas com a influência da religião

"Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade"

Em novo livro, o filósofo e neurocientista americano Sam Harris propõe a criação de uma 'ciência da moralidade' para acabar de uma vez por todas com a influência da religião

Marco Túlio Pires
"A tolerância à intolerância nada mais é do que covardia"
"Na ciência não existem dogmas. Qualquer afirmação pode ser contestada de maneira sensata e honesta"
"O Papa é culpável pelo escândalo do estupro infantil dentro da Igreja Católica"
—Sam Harris
Quando o filósofo americano Sam Harris soube que o atentado ao World Trade Center em Nova York (Estados Unidos), no dia 11 de setembro de 2001, teve motivações religiosas, a briga passou a ser pessoal. Harris publicou em 2004 o livro A Morte da Fé (Companhia das Letras) — uma brutal investida contra as religiões, segundo ele, responsáveis pelo sofrimento desnecessário de milhões. Para Harris, os únicos anjos que deveríamos invocar são a ‘razão’, a ‘honestidade’ e o ‘amor’.
Ao entrar de cabeça em um assunto tão delicado, o filósofo de 43 anos conquistou uma legião de inimigos e deu início a uma espécie de combate literário. Em resposta à repercussão de seu primeiro livro, que levou à publicação de livros-resposta sob as perspectivas muçulmana, católica e outras, os ataques de Harris à fé religiosa continuaram em 2006, com o lançamento do livro Carta a Uma Nação Cristã(Companhia das Letras).

Criado em um lar secular, que nunca discutiu a existência de Deus e nunca criticou outras religiões, Harris recebeu o título de Doutor em Neurociência em 2009 pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos). A pesquisa de doutorado serviu como base para seu terceiro livro, lançado em outubro de 2010: The Moral Landscape (sem edição brasileira). Nele, Harris conquista novos inimigos, dessa vez cientistas.

Agora, Harris tenta utilizar a razão e a investigação científica para resolver problemas morais, sugerindo a criação do que ele chama de "ciência da moralidade". Ele afirma que o bem-estar humano está relacionado a estados mentais mensuráveis pela neurociência e, por isso, seria possível investigar a felicidade humana sob essa ótica — algo com que a maioria dos cientistas está longe de concordar.
A ciência da moralidade substituiria a religião no papel de dizer o que é bom ou mau. Esse ‘novo ateísmo’ rendeu a Harris e outros três autores proeminentes — Daniel Dennet, Richard Dawkins e Christopher Hitchens — o título de 'Cavaleiros do Apocalipse'.
Divulgação
"A Ciência é capaz de dizer o que é certo e o que é errado", diz Sam Harris
"A Ciência é capaz de dizer o que é certo e o que é errado", diz Sam Harris
Em entrevista ao site de VEJA, Harris explica os pontos mais sensíveis de sua argumentação, e afirma que descrer de Deus é um atalho para a felicidade.

Por que a moralidade e as definições do bem e do mal não deveriam ser deixadas para a religião? O problema com relação à Religião é que ela dissocia as questões do bem e do mal da questão do bem-estar. Por isso, a religião ignora o sofrimento em certas situações, e em outras chega a incentivá-lo. Deixe-me dar um exemplo. Ao se opor aos métodos contraceptivos, a doutrina da Igreja Católica causa sofrimento. É coerente com seus dogmas, embora eles levem crianças a nascerem na pobreza extrema e pessoas a serem infectadas pela aids, por fazerem sexo sem camisinha. Através das eras, os dogmas contribuíram para a miséria humana de maneira tremenda e desnecessária.

Nem toda moralidade é baseada em religião. Existe uma longa tradição de pensamento moral secular por meio da filosofia. O que há de errado com essa tradição? Não há nada de errado com ela a não ser o fato de que a maior parte das discussões filosóficas seculares são confusas e irrelevantes para as questões importantes na vida humana. Deveria ser consenso o apreço ao bem-estar humano. Se alguma coisa é má, é porque ela causa um grande e desnecessário sofrimento ou impede a felicidade das pessoas. Se alguma coisa é boa, é porque ela faz o contrário. Mas existem filósofos seculares batendo cabeça em debates entediantes, dizendo que não podemos falar de verdade moral. Segundo eles, cada cultura deve ser livre para inventar seus ideais morais sem ser perturbado por outros. Isso é loucura. Hoje reconhecemos que a escravidão, que era praticada por muitas culturas, era fonte de sofrimento. Nesse caso, deixamos para trás o relativismo. Por que não podemos fazer o mesmo em outros casos?
Você parece sugerir que a tolerância a outros credos não é uma virtude, como a maioria pensa. Por quê? É um posicionamento inicial muito bom. A tolerância é a inclinação para evitar conflito com outras pessoas. É como queremos que a maioria se comporte a maior parte do tempo quando se depara com diferenças culturais. Mas quando as diferenças se tornam extremas e a disparidade na sabedoria moral se torna incrivelmente óbvia, então, a tolerância não é mais uma opção. A tolerância à intolerância nada mais é do que covardia. Não podemos tolerar uma jihad global. A ideia de que se pode chegar ao paraíso explodindo pessoas inocentes não é um arranjo tolerável. Temos que combater essas coisas por meio da intolerância às pessoas que estão comprometidas com essa ideologia. Não acredito que seria possível sentar à mesa com, por exemplo, Osama Bin Laden e convencê-lo que a forma como ele enxerga o mundo é errada.
Por que a ciência deveria ditar o que é certo e o que é errado? Temos que reconhecer que as questões morais possuem respostas corretas. Se o bem-estar humano surge a partir de certas causas, inclusive neurológicas, quer dizer que existem formas certas e erradas para procurar a felicidade e evitar a infelicidade. E se as respostas corretas existem, elas podem ser investigadas pela ciência. Chamo de ciência o nosso melhor esforço em fazer afirmativas honestas sobre a natureza do mundo, tendo como base a razão e as evidências.
O que é a ciência da moralidade e o que ela quer conquistar? É a ciência da mente humana e das variáveis que afetam a nossa experiência do mundo para o bem ou para o mal. Ela pretende discutir, por exemplo, o que acontece com mulheres e garotas que são forçadas a utilizarem a burca [vestimenta muçulmana que cobre todo o corpo da mulher]. São efeitos neurológicos, psicológicos, sociológicos que afetam o bem-estar dos seres humanos. Com aburca, sabemos que é ruim para as mulheres e para a sociedade. Se metade de uma sociedade é forçada a ser analfabeta e economicamente improdutiva, mas ter quantos filhos conseguir, fica óbvio que essa é uma estratégia ruim para construir uma população que prospera. O objetivo é entender o bem-estar humano. Assim como queremos fazer convergir os princípios do conhecimento, queremos que as pessoas sejam racionais, que avaliem as evidências, que sejam intelectualmente honestas e que não sejam guiadas por ilusões. A Ciência da Moralidade pretende aumentar as possibilidades da felicidade humana.
O senhor afirma que há um muro dividindo a ciência e a moralidade. No que ele consiste? Existem razões boas e ruins para a existência desse muro. A boa é que os cientistas reconhecem que os elementos relevantes ao bem-estar humano são extremamente complicados. Sabemos muito pouco sobre o cérebro, por exemplo, para entender todos os aspectos da mente humana. A ciência espera um dia responder essas questões e isso é muito bom. A razão ruim é que muitos cientistas foram confundidos pela filosofia a pensar que a ciência é um espaço sem valores. E a moralidade está, por definição, na seara dos valores. Esse muro não será destruído enquanto não admitirmos que a moralidade está relacionada à experiência humana, que por sua vez está relacionada com o cérebro e com a forma pela qual o universo se apresenta. Ou seja, por elementos que podem ser investigados pela ciência.

Quais avanços científicos lhe fazem pensar que, agora, a moralidade pode ser tratada a partir do ponto de vista do laboratório? Temos condição de dizer quando uma pessoa está olhando para um rosto, ou uma casa, ou um animal, ou quais palavras ela está pensando dentro de uma lista. Esse nível cru de diferenciação de estados mentais está definitivamente ao alcance da ciência. Sabemos quando uma pessoa está sentindo medo ou amor. Por causa disso podemos, em princípio, pegar uma pessoa que diz não ser racista, colocá-la em um medidor e verificar se ela está falando a verdade. Não apenas isso, podemos descobrir se ela está mentindo para si mesma ou para as outras pessoas. A tecnologia já chegou a esse nível, mas não conseguimos ler a mente das pessoas com detalhes. É possível que futuramente possamos descobrir coisas sobre a nossa subjetividade de que não temos consciência, utilizando experimentos científicos. E isso tudo se relaciona ao bem-estar humano e o modo como as pessoas ficam felizes e como poderemos viver juntos para maximizar a possibilidade de ter vidas que valham a pena.

Por que deveríamos confiar a educação dos nossos filhos aos valores científicos? Os cientistas não se transformariam, com o tempo, em algo como padres, mas com uma ‘batina’ diferente? Cientistas não são padres. Os médicos, por exemplo, agem sob o pensamento da medicina, que, como fonte de autoridade, não se tornou arrogante ou limitou a liberdade das pessoas de maneira assustadora. É uma disciplina que está concentrada em entender a vida humana e minimizar o sofrimento físico. Seu médico nunca vai até você ‘pregar’ sobre os preceitos da ciência, você vai até ele quando precisa. Pais que se deixam guiar por dogmas religiosos não dão remédios aos filhos e os deixam morrer. Na ciência não existem dogmas. Qualquer afirmação pode ser contestada de maneira sensata e honesta.

O que dizer dos experimentos neurológicos que sugerem que a crença religiosa está embutida nos nossos cérebros? Não acho que a crença religiosa esteja embutida no cérebro humano. Mas digamos que esteja. Façamos um paralelo com a bruxaria. Pode ser que a crença em bruxaria estivesse embutida em nossos cérebros. A bruxaria matou muitos seres humanos, assim como a religião. Todas as culturas tradicionais acreditaram em algum momento em bruxas e no poder de magia e, na verdade, a crença na reza possui um conceito semelhante. Algumas pessoas dizem que sempre acreditaremos em bruxas, que a saúde humana será afetada pela 'magia' de vizinhos. Na África, muitas pessoas realmente acreditam em bruxaria e isso é terrível porque causa sofrimento desnecessário. Quando não se entende porque as pessoas ficam doentes, ou porque as crianças morrem antes dos três anos, você está num estado de ignorância que a crença em bruxaria está suprindo uma necessidade de maneira nociva. Superamos isso no mundo desenvolvido por causa do avanço da Ciência. Sabemos como a agricultura é afetada, por exemplo. Entendemos os fenômenos meteorológicos e a biologia das plantas. Não é algo que a religião resolve, e sim a ciência. Mas costumava ser assim. A crença na regência de um deus sobre a lavoura era universal.

As pessoas deveriam parar de acreditar em Deus? Se eu acho que as pessoas deveriam parar de acreditar no Deus da Bíblia? Com certeza. Da mesma forma que as pessoas pararam de acreditar em Zeus, em Thor e milhares de deuses mortos. O Deus da Bíblia tem exatamente o mesmo status desses deuses mortos. É um acidente histórico estarmos falando dele e não de Zeus. Poderíamos estar vivendo num mundo onde os suicidas muçulmanos se explodiriam por causa de ideias dos deuses do Monte Olimpo. A diferença entre xiitas e sunitas muçulmanos é a mesma diferença entre seguidores de Apolo e seguidores de Dionísio.
O senhor sempre foi ateu? Nunca me considerei um ateu, nem mesmo ao escrever meu primeiro livro. Todos somos ateus em relação a Zeus e Thor. Eu era um ateu em relação a eles e ao deus de Abraão. Mas nunca me considerei um ateu, como a maioria das pessoas não se considera pagã em relação aos deuses do Monte Olimpo. Foi no 11 de setembro de 2001, dia do atentado ao World Trade Center em Nova York, que senti que criticar a religião publicamente havia se tornado uma necessidade moral e intelectual. Antes disso eu era apenas um descrente. Eu nunca havia lido livros ateus, ou tivera qualquer conexão com a comunidade ateísta. O ateísmo não é um conceito que considere interessante ou útil. Temos que falar sobre razão, evidências, verdade, honestidade intelectual — todas essas coisas são virtudes que nos deram a ciência e todo tipo de comportamento pacífico e cooperativo. Não é preciso dizer que você é contra algo para advogar em favor da honestidade intelectual. Foi justamente isso que destruiu os dogmas religiosos.

O senhor cresceu em um ambiente religioso? Cresci em um ambiente completamente secular, mas não havia crítica às religiões ou discussões sobre ateísmo, existência de Deus etc. Quando era adolescente, fiquei muito interessado em religiões e experiências religiosas. Coisas como meditação, por exemplo. Aos vinte, comecei a estudar espiritualidade e misticismo. Ainda me interesso por essas coisas, mas acho que, para experimentar, não precisamos acreditar em nada que não possua evidencias suficientes.

Como o senhor se sente em ser rotulado como um dos ‘Quatro Cavaleiros do Apocalipse’? Estou muito feliz com a companhia! É uma honra. A associação não me desagrada de forma alguma. Acho que os quatro lucraram por terem sido reunidos e tratados como uma pessoa de quatro cabeças. Em alguns momentos é um desserviço porque nossos argumentos não são exatamente os mesmos e não acreditamos nas mesmas coisas em todos os pontos. Mas tem sido útil sob o ponto de vista das publicações e admiro muito os outros cavaleiros  — os considero mentores e amigos. A parte do apocalipse tem um efeito cômico.
Se o senhor tivesse a chance de se encontrar com o Papa para um longo e honesto bate-papo, qual seria sua primeira pergunta? Gostaria de falar imediatamente sobre o escândalo do estupro infantil dentro da Igreja Católica. Acho que o Papa é culpável por tudo que aconteceu. A evidência nesse momento sugere que ele estava entre as pessoas que conseguiram fazer prolongar o sofrimento de crianças por muitos anos. Acho que ele trabalhou ativamente para proteger a Igreja do constrangimento e no processo conseguiu garantir que os estupradores tivessem acesso às crianças por décadas além do que deveria ter sido. O Papa deveria ser diretamente desafiado por causa disso. Contudo, é algo que seu status como líder religioso impede que aconteça. Ele nunca seria protegido dessa forma se ele estivesse em qualquer outra posição na sociedade. Imagine o que aconteceria se descobrissem que o reitor da Universidade de Harvard [uma das universidades americanas mais respeitadas do mundo] tivesse permitido que empregados da universidade estuprassem crianças por décadas e ele tivesse mudado essas pessoas de departamento para protegê-las da justiça secular? Ele estaria na cadeia agora. E isso é impensável quando se fala do Papa. Isso acontece por que nos ensinaram a tratar a religião com deferência.