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domingo, 1 de fevereiro de 2015

TÉCNICAS ANTIGAS UTILIZADAS PARA SABER SE A PESSOA ESTAVA VIVA OU MORTA - O medo de ser enterrado vivo teve seu apogeu durante as epidemias de cólera nos séculos XVIII e XIX, mas muito antes disso já existem histórias registradas de pessoas que foram enterradas prematuramente.

O medo de ser enterrado vivo teve seu apogeu durante as epidemias de cólera nos séculos XVIII e XIX, mas muito antes disso já existem histórias registradas de pessoas que foram enterradas prematuramente. Como a do filósofo John Duns Scotus (1266 - 1308), que foi encontrado fora de seu caixão com suas mãos machucadas e sanguinolentas pelo esforço de tentar escapar.


Técnicas antigas utilizadas para saber se a pessoa estava viva ou mortaO medo geral de ser enterrado vivo conduziu à invenção de muitos dispositivos de segurança que podiam ser incorporados aos caixões. A maioria consistia em algum tipo de artefato de comunicação com o mundo exterior, como uma corda ou corrente ligada a um sino, para que a pessoa sepultada pudesse chamar a atenção dos de fora em caso que revivesse. Foi daí que surgiu a expressão "salvo pelo gongo". Outras variações ao sino incluíam bandeiras e pirotecnia. Alguns desenhos incluíam escadas, escotilhas de fuga e inclusive tubos para passagem de alimentos, mas a maioria esquecia de incluir algo básico e necessário: um método de fornecimento de ar.

Durante séculos, assegurar-se de que alguém estava realmente morto foi um autêntico problema para os médicos. O estetoscópio só foi inventado nos finais do século XIX e os primeiros modelos eram tão precários quanto um auscultador. Se as batidas do coração eram fracas devido a alguma doença, o médico não tinha modo algum de saber se o paciente estava morto; salvo esperar o único sintoma que não deixaria mais dúvidas: a decomposição. Por este motivo criaram-se os necrotérios, para ter um lugar onde poder guardar o suposto cadáver durante um tempo prudencial.

Alguns médicos decidiram solucionar o problema criando métodos de reanimação que pudessem demonstrar que o morto estava morto para valer. A escritora Mary Roach, em "Presuntos, A fascinante vida dos cadáveres", faz uma descrição dos sistemas mais curiosos inventados para este propósito.

Ao que parece, as técnicas dividiam-se em duas categorias: as que tratavam de acordar o paciente de sua perda de consciência lhe causando terríveis dores e as que implicavam verdadeiro grau de humilhação. Cortavam as solas dos pés com navalhas de barbear (ui!) e fincavam alfinetes debaixo das unhas(uiuiui!!!). Tocavam cornetas diretamente no ouvido, "gritos horríveis e ruídos excessivos".

Um padre francês radical recomendava empalar o desfalecido com um ferro em brasa (bota radical nisso). Um outro médico criou um artefato semelhante a uma gaita para controlar uma enema com fumo, com a qual realizou entusiastas demonstrações nos necrotérios de Paris. Jacob Winslow, um anatomista do século XVII, alentava a seus colegas a derramar cera fervente no rosto do paciente e encher-lhe a boca de urina morna. Um folheto sueco sobre o tema propunha introduzir um inseto não voador na orelha do desfalecido. No entanto, por sua simplicidade e originalidade, nenhuma destas técnicas pode ser comparada à de enfiar "um lápis bem afiado" pelo nariz do suposto cadáver.

Em diversas ocasiões não ficava bem claro quem era o mais humilhado, se o paciente ou o doutor. O médico francês Jean Baptiste Vincent Laborde encheu páginas e mais páginas com a descrição de uma nova técnica de reanimação que consistia em esticar pausadamente a língua do paciente durante um mínimo de três horas. Mais tarde inventaria uma máquina estica-línguas, dotada de uma manivela, para tornar a tarefa um pouco mais agradável, ainda que não menos tediosa. Outro médico alemão exortava a seus colegas a enfiar um dedo do paciente no ouvido e tratar de escutar o zumbido produzido pelo movimento dos músculos. Com certeza, é crível afirmar que se o paciente não estivesse morto, entraria em estado de óbito com o uso de muito destas técnicas.


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Como o Syriza chegou ao poder - O editor de Economia do Channel 4 esteve na Grécia e seguiu a campanha do partido. Viu como uma rejuvenescida e plausível mensagem antiausteridade arrebatou uma nação

Como o Syriza chegou ao poder

Paul Mason (Texto) e Miguel Manso (Fotografia)
O editor de Economia do Channel 4 esteve na Grécia e seguiu a campanha do partido. Viu como uma rejuvenescida e plausível mensagem antiausteridade arrebatou uma nação

A vitória do Syriza deixou a esquerda europeia exultante — até mesmo os sociais-democratas moderados, que desde a crise de 2008 se debatem em busca de inspiração e ideias. Agora, fala-se por todo o lado de “fazer um Syriza” — em Espanha, onde o partido de esquerda Podemos arrecada 25% nas sondagens, é mesmo mais do que “falar”.
Mas o caminho que o Syriza fez para se tornar o primeiro Governo da esquerda radical dos tempos modernos não foi nem fácil nem inevitável. Nos últimos 22 dias fiz parte de uma equipa grega de cinema documental que andou a seguir a campanha dos líderes e activistas do Syriza e vi como o conseguiram. Vi-os a dar nova esperança a agricultores na miséria, a arranjar levas de mantimentos para os bancos alimentares. Vi-os a derrubar comunistas da velha escola no sindicato de estivadores, apreensivos por verem os seus postos de trabalho tomados pelos chineses, e a apresentar uma rejuvenescida alternativa a um sistema político que tem servido uma elite corrupta. E vi Alexis Tsipras, o líder, em acção em momentos críticos.
Tsipras é tão carismático que mal precisa da excelente equipa de assessores de imprensa. Mas quando o entrevistei, logo na primeira semana de campanha, percebi que o que não lhe falta são conselheiros. “Temo ter de o proibir”, diz-me o assessor de imprensa Danai Badogianni quando Tsipras se prepara para falar em inglês directamente para a câmara. “É que vai abrir um precedente.”
A campanha de Tsipras arrancou quando já tinha dado provas de uma oposição sólida no Parlamento. A 3 de Janeiro, encheu um estádio com 5 mil membros do partido e o seu círculo mais próximo pôde assistir a como levou os mais à esquerda a retirarem objecções à sua escolha de potenciais futuros deputados. Tsipras transformou o partido e a forma como opera. O comité central, enfiado na sua sede velha e mal amanhada, deixou de ter importância face à equipa política que se movimenta à volta dos ministros-sombra.
Mais de perto, é um homem que fala fluentemente inglês e tem uma gargalhada contagiante. Se alguns dos deputados do Syriza mantêm a discrição e são contidos nas conversas off the record, Tsipras não é um deles. Falámos abertamente sobre o muito controverso briefing dado pela sua equipa de economistas na City e do alegado caso de suborno na alta finança grega que em sua opinião terá torpedeado a estratégia eleitoral da direita. Demora-se em poses com as mulheres gregas com quem estou em filmagens, porque sabe que dali a minutos as selfies vão aparecer no Facebook. Apesar de ter recrutado para a sua equipa ministerial quatro académicos economistas de esquerda, é ele quem segura as rédeas da política económica para o confronto que há-de vir com o Banco Central Europeu. Quando chegarem as decisões mais duras, é ele que lhes vai dar resposta.
Mas, para além de todo o profissionalismo e disciplina, Tsipras mostrou ímpeto. No início de Janeiro, as sondagens davam-no com 2%. Os principais canais privados de televisão gregos e a maioria da imprensa escrita estavam contra ele, e a direita ainda projectava manter-se na dianteira. Foi o Syriza que se impôs.

Tsipras é tão carismático que mal precisa da excelente equipa de assessores de imprensa
A revolta veio do campo
Sob um ainda débil sol de Janeiro, os cumes das montanhas do golfo de Corinto estão cobertos de neve. As encostas estão pontilhadas com vilarejos conhecidos como “castelos políticos”, normalmente tão ligados a um partido ou outro — Pasok ou Nova Democracia — que em tempo de eleições basta seguir os cartazes para se perceber de que lado estão. Mas estas são terras conturbadas: dois terços dos produtores de vinho e de limão estão tecnicamente na bancarrota. Os agricultores foram forçados a contrair empréstimos, os bancos reclamam o que lhes pertence e o suicídio sobe nestas tranquilas e pequenas cidades que vivem da agricultura.
Giannis Tsogkas, um produtor de vinha com 56 anos, diz-nos: “[O Governo] empurrou-nos para o acordo com o FMI e tudo o que faz é obedecer às ordens da direita. Os pequenos vão morrer. Estamos continuamente a ouvir falar de suicídios. Por isso fomos à procura de quem, à esquerda, nos pudesse proteger. Encontrámos o Syriza.”
A noite cai e o café ao pé de Psari enche-se de velhos e crianças — a maioria dos jovens adultos abandonou o campo. Com as faces amarguradas, estes camponeses do infortúnio fixam à cautela o delegado do Syriza que os interpela em estilo bolchevique: “Porque é que o FMI nos quer destruir? É porque aqui o sol brilha? É porque somos um povo hospitaleiro? É porque odeiam o estilo de vida que levamos na Europa do Sul?” Mas não foi a retórica que levou estas pequenas vilas a virar à esquerda. “Estamos aqui para ajudar as pessoas. Ouvimos o que têm para nos dizer. Quando nos pedem ajuda, aqui estamos nós. Nunca se vê o Pasok ou a Nova Democracia.” São estes pequenos encontros, que acontecem a muitos quilómetros das principais cidades, que elevaram o Syriza dos 4% de intenção de voto há dez anos para os 32% na última semana de campanha [36,34%, no final da votação de domingo passado]. “Jornalistas de todo o mundo vieram até aqui para nos entrevistarem. Como vocês, o Syriza foi o único partido a fazer o mesmo. Eles vieram e falaram connosco. Se nós quiséssemos falar com os principais partidos, como é que os teríamos encontrado?”, pergunta um agricultor. Toda esta paisagem severa, com campos cobertos de ramos, é terreno fértil para a mensagem vencedora que o Syriza traz. A austeridade castigou duramente os agricultores: para eles, passou a significar impostos mais elevados e menos subsídios. Mas a corrupção é igualmente um tema significativo. Tsogkas diz-nos que os comerciantes de Assos que habitualmente compram a uva desaparecem sem pagar: “Não nos passam facturas e a lei ainda os protege. Desaparecem, dizem que estão na bancarrota e nós ficamos sem nada. Mas temos de pagar pelos medicamentos, os ordenados dos trabalhadores, os empréstimos, a electricidade, tudo. Estamos feitos. Acabou-se”, suspira. O sistema político grego foi de tal forma inepto, corrupto e oleado por aquilo a que aqui se chama “dinheiro sujo” que, quando o dinheiro acabou, tudo o que o suportava colapsou.
Apesar de o programa do Syriza estar pressionado por uma dívida à Europa de 319 mil milhões de euros, combater a oligarquia não custa nada. Diz-me Tsipras: “Vamos começar uma nova era política. Vamos trazer uma mudança imensa para a governação do Estado. Não temos qualquer responsabilidade pelo estado de clientelismo criado pelos partidos que nos governaram até agora. Precisamos de um Estado que funcione e que zele pelos seus cidadãos. Temos de acabar com este carnaval de fuga aos impostos e evasão fiscal.”
Por todo o país, o Syriza montou bancos alimentares, conhecidos como Clubes de Solidariedade. Quando segui os activistas do Syriza num mercado de rua em Atenas, eles traziam uma espécie de babetes cor de laranja e de forma educada mas assertiva lembravam àqueles agricultores que um saco de batatas ou de laranjas para dar aos pobres faz parte dos seus deveres sociais. Em meia hora tinham os trolleys cheios de comida.
O coordenador diz-me: “Isto é o oposto da caridade. Estamos a sustentar 120 famílias numa só área e a maioria do nosso trabalho é gerir o isolamento, problemas de saúde mental e a vergonha.” Não é possível ter mais micropolítica do que esta de nos sentarmos numa exígua sala repleta de pessoas desesperadas a quem temos de convencer a não se suicidarem. Mudar de ideias torna-se impossível e nada abana a relação de confiança que construíram.
Na última semana de campanha, quando as sondagens já garantiam ao Syriza seis pontos à frente dos restantes, tornou-se muito claro o que iria garantir a vitória. Mesmo que o programa político do Syriza não seja mais do que uma forma de social-democracia à esquerda, está a fazer precisamente o oposto do que fazem os sociais-democratas em tempo de eleições. Está a deixar claras e duras promessas aos ricos. Os seus deputados seniores prometeram publicamente “destruir a oligarquia”, exigir impostos aos grandes armadores e magnatas da construção civil, reforçar a regulação dos canais privados de televisão detidos por esses mesmos oligarcas, que até agora nunca se registaram, nem pagaram, o espectro de rádio que usam. “A esperança começa hoje”, é o mantra de Tsipras. O que, traduzido no novo clima que se vive nos bares e à mesa de jantar das famílias, é “já não temos medo”.

Tsipras conquistou a fidelidade de muitos jovens, cujas vidas orbitam à volta de salários precários e trabalho pouco qualificado
A autodestruição do centro
No último comício do Syriza, os media internacionais acordaram para a possibilidade de uma reviravolta. Vistas de fora, as bandeiras vermelhas e as interpretações contidas do hino comunista, Bandiera Rossa, parecem radicais — mas todos na multidão sabem que o partido está a caminhar na direcção oposta. Não vai confrontar a Europa sobre a redução da dívida — vai simplesmente pedir um novo acordo. Mas está determinado em acabar com a austeridade. Isso, dizem os astutos economistas nos bastidores do comício, lança a bola para o campo do chefe do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Ele pode puxar o gatilho do colapso bancário e da crise provocada por uma saída do euro, mas o Syriza não o fará.
Enquanto Tsipras acena à multidão, Pablo Iglesias, o jornalista que levou o novo partido de esquerda espanhol Podemos a receber 25% de apoio nas sondagens, esfrega as mãos e abana-se como um boxer prestes a entrar no ringue. Ensaia o que irá dizer e sobe os degraus a correr ao som de Leonard Cohen para se juntar a Tsipras. Grita em inglês: “First we take Manhattan, then we take Berlin” (“primeiro conquistamos Manhattan, depois Berlim”). Por outras palavras, o FMI e o BCE irão enfrentar rivais determinados. Os quadros do Syriza que rodeiam os dois homens sabem que a pressão será pesada a partir de agora.
Rena Dourou, que conheci como uma manifestante empoeirada no campo do movimento Occupy na Praça Syntagma, em Atenas, quatro anos antes, não contém o sorriso enquanto distribui acenos ao longo das ruas, apinhadas de apoiantes. “Ninguém nos ouviu durante quatro anos”, diz. “Agora, todos ouvem. E isto não diz só respeito à Grécia, diz respeito à Europa, e especialmente à juventude.”
Dourou ocupa desde há poucas semanas o cargo de presidente da região de Attica, a maior da Grécia. Está a descobrir o que significa na realidade limpar o Estado grego. Tem agora o cabelo arranjado e um blazer com calças como uma política convencional, mas não consegue disfarçar o nervosismo. Há quatro anos, quando fugíamos do gás lacrimogéneo, disse-me: “A Europa precisa de um Chirac ou de um Schroeder, ou até de alguém como Kirchner na Argentina. Um tipo de líder mainstream que consiga deter a loucura da austeridade.” Eu respondi a brincar: “Provavelmente, vão ser vocês”. Hoje ela sabe que isso não é uma brincadeira. Enquanto todo o centro político na Europa aceitava o programa de austeridade que empurrou o continente para a deflação, apenas um partido formado por trotskistas, guerreiros ambientais e protestantes Occupy resistiu.
Na noite das eleições, no último andar do quartel-general do Syriza, onde a equipa de Tsipras estava instalada, a nervoseira dava lugar a um alívio atónito à medida que caíam os resultados. A possibilidade de conseguirem uma maioria absoluta está por um fio, mas minutos depois de as urnas terem fechado já era evidente que tinham ganho. Tsipras chega radiante. Abraça uma pequena mulher de meia-idade, chamando-lhe “meu leitãozinho”. Os assessores estão em lágrimas. “Porque é que estão a chorar?”, brinca. “Quando perdemos em 2012, ficaram a comemorar e, agora, que ganhámos choram?”
O futuro ministro do Interior do Syriza telefona aos chefes do Exército e da Polícia. “Confiamos em vocês”, é o espírito da mensagem. É um grande acto de fé, já que as forças militares e policiais gregas foram formadas desde a Guerra Fria para combater a extrema-esquerda e até receberam formação política sobre os perigos do marxismo.
Desde a queda da junta militar em 1974 que a oligarquia de dois partidos tolera a esquerda, mas foi garantindo que não haveria qualquer hipótese de ela chegar ao poder. Isto criou uma consciência de esquerda ampla, mas dormente.
Tsipras está rodeado por quadros partidários que lutaram no levantamento estudantil que derrubou a junta, mas a geração dos seus pais foi vítima de tortura e prisão durante e depois da guerra civil. Excluídos do poder, a esquerda criou uma contracultura formada por canções contestatárias, música tradicional, um culto por Che Guevara e sindicatos de comércio poderosos como plataforma. Isto é fundamental para entender o que o Syriza tem de replicável e o que não tem. O partido emergiu da cisão eurocomunista com Moscovo na década de 1970, mas assimilou uma cultura de esquerda mais suave e conquistou a fidelidade de muitos jovens, cujas vidas orbitam à volta de salários precários e trabalho pouco qualificado que lhes garante um valor mágico de sobrevivência de 400 euros mensais.
Tsipras transformou uma aliança pouco coesa num partido que é a expressão máxima dos valores deste sector de esquerda alargada. Para isso, só precisou de que o seu partido natural, o Pasok, se tivesse autodestruído.
Na última semana de campanha, os gregos de esquerda viram ruir os muros invisíveis que os rodeavam. As conversas com os seus vizinhos de direita e colegas de trabalho não politizados eram dominadas por uma palavra — “Tsipras”. E nos últimos dias, simplesmente, “ele”. Apesar de todo o escrutínio implacável que fazia, os bancos alimentares, a promoção elegante, o que realmente levou o Syriza ao poder foi, basicamente, a destruição do centro. E isso, por sua vez, foi feito pela União Europeia e o FMI.

Comício eleitoral da Nova Democracia, o partido conservador que governou a Grécia
Partido de Juventude e Normalidade
Na pequena cidade de Assos, depois dos votos contados, 1529 dos 4 mil habitantes tinham votado no Syriza (38%). Os conservadores, que há gerações contavam com esta localidade, tiveram apenas 29% e o Aurora Dourada, neonazi, 7% — uma réplica quase exacta do resultado nacional. O mapa eleitoral mostra que, à parte dos redutos da direita da Macedónia e o Sul de Peloponeso, a Grécia profunda tornou-se vermelha.
Kourembes, que agora é deputado do Syriza por Assos, diz-nos: “Desta vez, as pessoas começaram a pensar de forma diferente. Perceberam que não há saída com este grupo de políticos. Perceberam que, para se manterem à tona, tinham de fazer algo diferente.”
Não houve qualquer táctica mortal que o Syriza tenha empregado durante a campanha. Mas houve qualidades letais: a juventude, a plausibilidade e a normalidade. Muitos dos seus candidatos são jovens e com estilo; vivem e comportam-se como pessoas normais nos seus “vintes” e “trintas”. No comício que arrancou a campanha do ministro conservador do Comércio Marítimo Miltiadis Varvitsiotis, o contraste era notório. Condizendo com um sistema que permite aos armadores não pagar impostos sobre os lucros obtidos em offshores, a multidão aqui era velha, delicadamente entusiasmada e ostensivamente rica.
Apesar de o próprio ministro fazer parte de uma geração de tecnocratas que adere ao conservadorismo moderno, é impossível ser-se moderno quando se está rodeado por um aparato saído da Guerra Fria e que depende dos bilionários para ter apoios.
Só pelo facto de ser normal, não contar com comentários públicos tresloucados de deputados da assembleia e de projectar uma tranquilidade que contrasta com a campanha de medo da direita, o pessoal do Syriza ganhou.
Será difícil voltar a arrasar, depois de anos ou meses de compromisso e trabalho duro terem causado desgaste.
Em Atenas, logo a seguir ao encerramento das urnas, o candidato do Syriza Spiros Rapanakis encosta-se, exausto, às portadas de uma loja. Passou o dia às voltas pelo seu círculo eleitoral, a localidade portuária de Keratsini, num Hyundai amolgado, assobiando a Internacional para ganhar coragem. Fica claro, quando falamos com os eleitores, que até mesmo pessoas de direita votaram no Syriza. Quando ele se apercebe que, em vez de ser um jovem repórter do jornal do partido, é agora deputado, murmura: “O povo grego fez história e eu estou feliz por fazer parte disso. Não consigo descrever como me sinto. Temos o grande dever de continuar. Amanhã vamos criar uma nova Grécia.”

O Syriza não usou armas mortais, mas qualidades letais para vencer as eleições: a juventude, a plausibilidade e a normalidade
Paul Mason é editor de Economia do Channel 4 News. Trabalhou com o autor de documentários Theopi Skarlatos em Greece: The End Of Austerity.
Exclusivo PÚBLICO/The Guardian   

VLADIMIR KUSH - UM DISCÍPULO DE DALI - Vladimir Kush, um discípulo de Dali Vladimir Kush é um pintor russo, nascido em 65 em Moscou, que se identificou com o movimento do realismo metafórico. Ele experimentou vários estilos do impressionismo depois de ver a obra completa de Salvador Dalí nos anos 80. Segundo ele mesmo diz, as pinturas realistas mostram os limites de cada artista e ensinam ao visionário que cada um tem em si que as metáforas das imagens impossíveis exploram as camadas do sentimento.

Vladimir Kush, um discípulo de Dali
Vladimir Kush  é um pintor russo, nascido em 65 em Moscou, que se identificou com o movimento  do realismo metafórico. Ele experimentou vários estilos do impressionismo depois de ver a obra completa de Salvador Dalí nos anos 80. Segundo ele mesmo diz, as pinturas realistas mostram os limites de cada artista e ensinam ao visionário que cada um tem em si que as metáforas das imagens impossíveis exploram as camadas do sentimento.

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