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sexta-feira, 17 de abril de 2015

A HISTÓRIA DO CHOCOLATE - AS FÁBRICAS DE CHOCOLATE EM PORTUGAL

O famoso botânico sueco Lineu, que viveu há cerca de 250 anos, devotou toda a sua vida ao mundo das plantas. Ele introduziu a ordem sistemática de classificar as plantas da terra (as conhecidas naquela época).
História do Chocolate
Em 1729 ele escreveu o primeiro dos seus 180 livros sobre as plantas. No ano seguinte começou suas palestras sobre as maravilhas das plantas e flores, e deu-lhe nomes latinos. Estas denominações permaneceram como nomes científicos para as diversas espécies de árvores e outras plantas.
Quando foi nomear a árvore do cacau que nos dá os grãos com o qual é feito o chocolate , Lineu chamou-a de "Theo-broma" – que em latim significa "Alimento Divino". Parece que Lineu foi inspirado pelas palavras do Tehilim – o Livro dos Salmos – que descrevem o maná com o qual D'us alimentou os Filhos de Israel quando eles vagaram 40 anos no deserto, até chegarem à Terra de Israel.
"O Todo Poderoso ordenou as nuvens do Alto e abriu os Portões do Céu. Enviou maná para eles comerem… o alimento dos anjos o povo comeu" (Tehilim 78:23-25).
Segundo cientistas, o lar original do cacau ficava nas florestas da região do Amazonas no Brasil, ou na região do Orinoco, na Venezuela. Ambos são rios famosos na América do Sul. Colombo, que descobriu a América, teve a oportunidade, durante sua 4ª viagem à América, de conhecer os grãos de cacau, mas não lhes deu atenção.




O crédito por descobrir o cacaueiro para o mundo europeu cabe a outro viajante espanhol, o conquistador do México – Hernando Cortez. Ele chegou ao México em 1519, supostamente com intenções pacíficas de desenvolver o comércio, e foi recebido com honras pelo Imperador Montezuma dos astecas (os índios locais). O Imperador era grande apreciador de uma bebida especial, que ele bebia em copos de ouro, sempre novos. A cada vez que esvaziava um copo, ele o jogava fora, para mostrar que valorizava mais a bebida que o ouro.
O Imperador ofereceu esta bebida ao visitante espanhol, que mais tarde relatou que tinha um sabor forte, agridoce, que ele apreciou muito.
Hernando Cortez mais tarde aprisionou o Imperador e, gradualmente, conquistou o México para o Rei da Espanha. Quando voltou à Espanha em 1528, Cortez levou grãos de cacau para o Rei, apresentando-o no maravilhoso chocolate líquido.
Cortez, que amava o dinheiro mais que a qualquer outra coisa, ficou muito impressionado pelo fato de os grãos de cacau serem usados como dinheiro pelos astecas. Um escravo podia ser comprado por cem grãos de cacau. Vendo que este "dinheiro" literalmente crescia em árvores, ele decidiu plantar esta árvore de dinheiro em diversas ilhas tropicais que tinha capturado: Trinidad e Haiti na América Central, e a ilha Fernando-Po, na costa da África Ocidental. O cacau foi transplantado dessa ilha para o continente africano – em quatro países (Costa do marfim, Gana, Nigéria e Camarões) que atualmente, são os líderes no comércio mundial do cacau.
A Espanha foi o primeiro país na Europa onde o chocolate quente tornou-se uma bebida favorita – primeiro nos círculos aristocratas, depois de forma geral.
Durante cerca de 100 anos a Espanha teve o monopólio do comércio de grãos de cacau, graças às plantações de Cortez.
Nesse meio tempo, porém, esta deliciosa bebida tinha começado a ficar conhecida em outros países da Europa Ocidental. Eles começaram a plantar cacaueiros em suas próprias colônias tropicais onde o clima era favorável.
Os ingleses tinham suas plantações nas Índias Ocidentais, após terem capturados algumas dessas ilhas dos espanhóis, como Trinidad, Jamaica, etc.
Em 1700 as "Casas de Chocolate " começaram a competir com as "Casas de Café" em Londres. Uma xícara de chocolate quente não era mais um luxo somente para os ricos. A revolução Industrial e a invenção de diversas máquinas tornaram possível a produção em massa, além de tornar os produtos mais baratos, e o mesmo aconteceu com a indústria do chocolate.




A produção de chocolate foi então levada da Inglaterra para o "Novo Mundo" onde em 1765, foi fundada a primeira fábrica de chocolate em Massachusets, então colônia inglesa, que ainda hoje é chamada de Nova Inglaterra. Desde então, o chocolate quente se tornou uma bebida preferida também na América do Norte.
Os holandeses plantaram cacau nas suas colônias no Extremo Oriente, nas ilhas das Índias Orientais (atual Indonésia). Com o tempo, Amsterdã se tornou o centro de importação de cacau na Europa. Atualmente, cerca de 15% da produção mundial de cacau passa por Amsterdã. A metade é para a sua própria fabricação de chocolate , e o restante vai para os outros países da Europa.
Em 1828, um fabricante holandês de chocolate, Conrad van Houtten, descobriu um método de extrair a gordura dos grãos de cacau moídos, e transformá-la em manteiga de cacau. Então ele pressionou o líquido até que pedaços duros de cacau permaneciam inteiros. Isso ele moeu e transformou num pó, que se dissolvia facilmente na água quente, criando uma bebida boa, suave e saborosa, que podia ser tornada mais doce com a adição de açúcar. No entanto, comer chocolate em pedaços só se tornou popular 20 anos depois em 1847, quando uma firma inglesa, Fry and Sons (que mais tarde se associou à famosa Cadbury) começou a produzir chocolate doce em barras para comer (e não apenas chocolate em pó para beber), misturando o cacau moído com manteiga de cacau e açúcar.
Em 1875, um fabricante suíço de chocolate criou uma barra de chocolate ao leite, usando leite fresco. Desde então numerosas fábricas de chocolate em diferentes países desenvolveram diversos tipos de chocolate – doce, meio-doce, amargo, com leite ou sem leite, com ou sem nozes, licor e sem licor, e inumeráveis tipos de chocolates para satisfazer a todos os paladares.



Numerosos chocolate s casher também são fabricados – chocolate milchik (ao leite) "Chalav Yisrael" e parve, para que crianças e adultos judeus possam apreciar um pedaço de chocolate de vez em quando, não esquecendo de fazer uma berachá (bênção), agradecendo a Hashem "por cuja palavra tudo veio a existir". E certamente, a bênção – que é "alimento" para a alma – é recitada com a mesma doçura e alegria que a pessoa sente ao apreciar o maravilhoso sabor do chocolate – que afinal, é somente alimento para o corpo.
Fonte: www.chabad.org

Portugal e as fábricas de chocolate  

Portugal e as fábricas de chocolate
Marcas como a Arcádia ou a Avianense jogam com o sentido do palato, mas também com o imaginário colectivo português. No ranking das fábricas de chocolate, a Imperial é rainha, com mais de 4200 toneladas produzidas por ano. Já a Equador alia misturas exóticas a histórias de encantar para cativar os seus clientes.
Da Rua do Almada, no Porto, saem diariamente cerca de 60 mil bombons, que são distribuídos pelas 20 lojas da Arcádia espalhadas pelo país. João Bastos, da 3.ª geração de proprietários desta empresa familiar com 80 anos de existência, sabe que, por detrás destes chocolates, há por vezes bonitas histórias de amor. “Não tão raramente quanto isso ouvimos antigos clientes dizerem que conquistaram as suas esposas com a ajuda dos nossos bombons. Há 80, 70 ou 50 anos não havia a mobilidade que há hoje. Quando alguém de Lisboa, por exemplo, tinha de vir trabalhar para o Porto, levava de presente os nossos bombons e as nossas amêndoas. Sentimos muito esse carinho, principalmente quando começámos a abrir lojas noutros pontos do país”.
A forte vertente humana que se vive diariamente na fábrica da Arcádia é um dos segredos do sucesso da marca, a par de uma constante vontade de fazer sempre melhor. Por isso, os apreciadores da Arcádia vão passando de geração em geração. Os turistas - “nomeadamente espanhóis e brasileiros, que identificam os nossos chocolates como sendo de luxo” - também aderem.
Com 70 tipos de bombons diferentes, o sortido tradicional da Arcádia Casa do Chocolate mantém as formas e os sabores originais desde 1933. Mas a inovação não está esquecida, e traduz-se, por exemplo, na parceria com a Cálem Vinho do Porto para a criação de um bombom de chocolate com vinho do Porto. O casamento revelou-se um verdadeiro sucesso: “Vendemos cerca de 250 mil bombons de vinho do Porto num ano”, revela o proprietário. Outra receita inovadora é a dos bombons Clerigus. “Trata-se de uma parceria que desenvolvemos com o chef Hélio Loureiro, que teve como objectivo homenagear os 250 anos da Torre dos Clérigos”. O bombom, que inclui gengibre e canela, já foi elogiado por Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semanal e pelo cronista Miguel Esteves Cardoso.
O próximo projecto da marca, com abertura prevista para Março, é um espaço nas instalações da Rua do Almada para dar a conhecer a história da casa, desvendar o processo de fabricação e realizar workshops de degustação.
Histórias para trincar
A história da Equador começa em 2008, quando Teresa Almeida e Celestino Fonseca, ambos com formação artística, decidiram criar a marca. “O chocolate surgiu quase por acidente”, começa por explicar Teresa. “Queríamos criar uma marca e trabalhá-la. O chocolate surgiu porque ambos gostamos deste produto. Em Portugal ainda não existia nada no campo do chocolate artesanal e tudo o que havia descurava a comunicação com o cliente”.
Os sabores, que vão dos mais clássicos aos mais exóticos - como caril, pimenta rosa, gengibre, chilli ou goji - resultam de matérias-primas oriunda das mais diferentes proveniências: de Madagáscar ao Equador, passando pelo Brasil, Cuba e Venezuela. Muitos clientes vêm à procura das misturas afrodisíacas. “Ainda existe muito a ideia do romantismo associado à oferta de chocolates, mas também há muita gente que vem cá comprar para consumo próprio”.




Com duas lojas no Porto, uma em Vila Nova de Gaia e outra em Lisboa, os ambientes recriados nas Chocolataria Equador confirmam o cariz criativo da marca. A inspiração para os espaços são os armazéns de cacau de São Tomé. Elementos de carácter industrial combinam com mobiliário original da década de 50 e objectos de design contemporâneo.
A Chocolataria Equador tem bem presente que os olhos e a memória também comem. Acima de tudo, pretende-se “explorar a parte criativa, em termos de história e ilustração. É o que dá coerência ao projecto”, confessa Teresa. Assim, ao chocolate juntaram-se as histórias contadas por Álvaro (o narrador), que enquadram cada novo produto (e que podem ser lidas nas lojas). O escultor Pascal Ferreira dá-lhes forma em representações tridimensionais expostas nas montras.
Nesta casa a realidade alia-se à imaginação. Um chocolate quente pode ser acompanhado de uma história, uma caixa de bombons traz um postal ilustrado, inspirado nos anos 40 e 50, e pronto a receber uma mensagem - seja ela de amor ou não.
Império de chocolate
As 4.280 toneladas de chocolate produzidas por ano, que se traduzem em 48 milhões de tabletes, 160 milhões de pintarolas e 125 milhões de amêndoas recobertas, falam por si. A Imperial é o maior fabricante nacional de chocolates.
A fábrica, situada em Azurara (Vila do Conde), produz para mais de meia centena de países, distribuídos pelos continentes europeu, africano, americano e asiático. “A Imperial nasce em 1932, apesar de a origem remontar aos anos 20, quando um francês, numa farmácia, começou a fazer chocolates com o nome Méteor”, esclarece Manuela Tavares de Sousa, CEO da Imperial. “Quatro décadas após a fundação, mais concretamente em 1973, a Imperial passa a integrar o Grupo RAR, altura em que regista um importante aumento da capacidade produtiva”.
Entre 1978 e 1982 a Imperial lançou alguns produtos que, hoje, fazem parte do imaginário de algumas gerações de portugueses. Entre eles estão as Pintarolas, Fantasias, Allegro, Pantagruel, Jubileu ou as carismáticas Bom-Bokas. “Temos percebido que o consumidor actual, mais voltado para a vertente vintage, procura produtos associados a épocas que lhe trazem recordações positivas, quase sempre relacionadas com a infância. Queremos que reviva bons momentos ao olhar para a prateleira do supermercado e ao ver algo que pertence à memória alimentar colectiva portuguesa”, continua a CEO.
Em 2000, a Imperial adquiriu a Regina. A recuperação da marca histórica teve por base uma estratégia de marketing que passou pelo lançamento de uma nova geração de produtos associado ao restyling da imagem. Mais recentemente, apostaram no relançamento dos produtos históricos. O mais recente, conta Manuela Tavares de Sousa, foi “a máquina de furos da Regina. Foi reeditada para comemorar o 85.º aniversário da marca. Trata-se de um objecto que faz parte da memória de muitos portugueses e que se tem revelado um autêntico sucesso”.
Há 100 anos a fazer chocolates
Quem não se lembra das sombrinhas de chocolate embrulhadas em papel fantasia? O que talvez já nem todos recordam é que esta popular gulodice trazia a assinatura da Avianense. A mais antiga fábrica de chocolate do país comemora este ano o seu centenário.
Mas nem tudo foram rosas neste percurso. Nascida em Viana do Castelo, a falência da sociedade Lima e Limas, que a administrava e empregava 48 pessoas, foi decretada em 2004. Luciano Costa, um empresário que fez fortuna no sector têxtil, viria a arrematar a marca, os equipamentos e a frota da empresa por cerca de 150 mil euros, retomando a produção no espaço de uma antiga fábrica de confecções, em Durrães, no concelho de Barcelos. Os números do volume de negócios com que fechou 2012 mostram que o investimento do empresário foi uma boa aposta: quase um milhão de euros.

O ex-líbris da marca é, sem dúvida, o bombom Imperador, feito com chocolate de leite e amêndoa torrada nacional. Vendido avulso ou em caixa, é o mais popular da marca e não falta nos expositores de mercearias e lojas gourmet. Os mais de 11.000 fãs na sua página do Facebook comprovam a sua popularidade. “Sempre vendemos este bombom, que é apreciado por turistas. Acham muita piada à embalagem. É também comprado por clientes assíduos, que são fiéis a este doce e que, por vezes, o comem acompanhado de um café”, revela Elisa Bessa, proprietária da emblemática confeitaria Primar, no centro do Porto.
Já a antiga fábrica de chocolates Avianense será transformada um hotel temático, com um centro interpretativo dedicado ao chocolate. A ideia tem como finalidade revitalizar o centro histórico de Viana do Castelo e preservar a memória histórica, comercial e industrial da cidade.

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