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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FEZ ONTEM 16 ANOS QUE MORREU O PADRE FELICIDADE - O cardeal Cerejeira avançou com uma tentativa de o retirar da paróquia logo em Maio, mas seguiu-se todo um processo, recheado de peripécias, que terminou com a referida suspensão das funções sacerdotais.


Com um dia de atraso, e retomando, em parte, um texto que em tempos publiquei, faço questão de recordar que José da Felicidade Alves morreu no dia 14 de Dezembro de 1998, com 73 anos. 

Com uma vida atribuladíssima, foi uma das figuras centrais da oposição dos católicos à ditadura, sobretudo a partir de meados da década de 60. Não se estranhe que continue a chamar-lhe «padre Felicidade»: faço-o unicamente porque foi como ele sempre desejou ser tratado – até ao fim. 

Prior da paróquia de Santa Maria de Belém, em Lisboa, desde 1956, foi sobretudo a partir de 1967 que as suas intervenções começaram a causar incómodo tanto ao poder político como ao eclesiástico (embora já em 1965 tivesse sido enviado por Cerejeira para Paris). 

No início de 68, ausentou­‑se de novo para aquela cidade (continuando, no entanto, como prior titular de Belém) para prosseguir estudos de Teologia Ecuménica. De visita a Lisboa por ocasião da Páscoa, resolveu fazer uma comunicação ao Conselho Paroquial, na presença de oitenta pessoas, comunicação essa que desencadeou um longo e atribulado processo que iria culminar no seu afastamento da paróquia, na suspensão das funções sacerdotais e, já em 1970, na excomunhão (ou seja exclusão da própria comunidade eclesial). A comunicação de 19 de Abril tinha duas partes:Perspectivas de transformação nas estruturas da Igreja e Sentido da responsabilidade pessoal na vida pública do meu país, sendo abordados, nesta última, problemas que iam da necessidade da abolição da censura, ao direito à informação e à discussão da guerra colonial. 

O cardeal Cerejeira avançou com uma tentativa de o retirar da paróquia logo em Maio, mas seguiu-se todo um processo, recheado de peripécias, que terminou com a referida suspensão das funções sacerdotais.

Houve então inúmeras reacções de paroquianos e de centenas de padres e de leigos. A páginas tantas, não me recordo exactamente quando, um grande grupo de pessoas, solidário com o padre Felicidade, dirigiu­‑se de Belém para o Patriarcado, onde se acantonou no átrio e numa pequena área do passeio, protegida por um gradeamento e por isso a salvo da intervenção policial. Foi pedida uma audiência a Cerejeira que não apareceu mas enviou um secretário para dispersar os presentes. Ficará na memória de todos «Esta casa é nossa!», um grito repetidamente lançado nessa tarde, no seu jeito bem peculiar, por Francisco de Sousa Tavares. O cardeal não nos recebeu, mas estava reunido, a essa mesma hora, com alguns paroquianos de Belém muito activos contra o padre Felicidade. Quando esta reunião terminou e os participantes desceram a escada do paço patriarcal, deu­­­‑se uma cena patética: uma dessas pessoas, salazarista ferrenho, viu no meio da multidão que se encontrava no átrio a mulher acompanhada pela filha. Ele gritou mandando­‑as para casa, elas choraram abraçadas, silenciosamente. Inesquecível. 

Uma das principais iniciativas do padre Felicidade depois do afastamento da paróquia de Belém, em Novembro de 1968, foi a publicação de onze números dos Cadernos GEDOC, em 1969 e 1970, dos quais foi o grande impulsionador (juntamente com Nuno Teotónio Pereira e Abílio Tavares Cardoso). Publicação que começou por ser legal, embora à revelia e prontamente condenada pelo cardeal Cerejeira, passou à clandestinidade quando os seus principais responsáveis, incluindo o padre Felicidade, foram presos pela PIDE.

Depois do 25 de Abril, Felicidade Alves aderiu ao PCP, onde se manteve até morrer, embora sem actividade de militância nos últimos anos. Até neste aspecto a sua vida foi atípica, já que foram poucos os chamados «católicos progressistas» que escolheram tal percurso.

Mas verdadeiramente decisiva foi a sua grande influência nos meios católicos, a frontalidade das atitudes e do discurso. Como muito bem definiu Abílio Tavares Cardoso, um dos seus principais compagons de route, os textos do padre Felicidade «não traduzem só um novo paradigma de estar e de lutar na Igreja, mas vão ficar na história como páginas antológicas para uma literatura de indignação».

 Tinha-se casado civilmente em 1970, mas só em 10 de Junho de 1998, seis meses antes de morrer, trinta anos após o início de um longo processo dramático com a Igreja e quando, finalmente, foram resolvidos os problemas a nível do Vaticano, é que o cardeal José Policarpo celebrou o seu casamento canónico – tal como o padre Felicidade sempre desejara. 


P.S. – Este texto resulta, em parte, de transcrição e adaptação de algumas páginas de um livro que publiquei em 2007: Entre as brumas da memória. Os católicos portugueses contra a ditadura, Âmbar, 248 pág.

entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt

FERJO UM PINTOR BAIANO VÍTIMA DE LEONARDO DA VINCI

A essência de um pintor baiano


planeta_brasil_monalisaFerjo é mais uma vítima de Leonardo da Vinci. Artista baiano, ele pinta pastiches deMona Lisa desde o início dos anos 1980. Existem La Giocondas em cima de cavalos, tocando violão, imitando Vênus nas quatro estações, vestida de baiana e tomando água de coco, usando biquíni. Radicado na Philadelphia há mais de 40 anos, quando veio estudar na Pennsylvania Academy of Fine Arts, o pintor brasileiro agrada o gosto norte-americano e o europeu fazendo quadros coloridos, com figuras repetidas e com motivos de outros pintores. Em uma pintura de Ferjo não pode faltar duas cascas de um ovo partido ao meio, um peixe flutuando, um morango semelhante a uma joaninha e um lápis projetando a própria sombra. As referências de seus quadros são, entre outras, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Marc Chagall, cujas obras estão reproduzidas como elementos miniaturas na tela do baiano. Ele possui um ateliê – onde os quadros mais recentes ficam expostos – em um prédio da rua 12, visitado pelo Planeta Brasil na semana passada. Esse edifício de tijolos aparentes, os famosos brownstones, é o mesmo local em que Nelson Shanks oferece aulas de pintura. Surrealistas, os símbolos recorrentes da arte de Ferjo, apelido de Fernando de Jesus Oliveira, falam de vida e de esperança. Para ele, o mundo por si mesmo já nos oferece experiências de tragédias e dores suficientes. O pincel deve criar coisas menos tristes.
planeta_brasil_ferjoFerjo não perde a fé. Nem a terra natal, a Bahia de cores intensas, vibrantes, simbólicas. Ele diz que não pretende sair dos Estados Unidos, onde está o seu mercado. Mas quando pinta e quando fala percebemos que Ferjo tem a Bahia dentro de si, uma referência muito mais forte que qualquer Leonardo da Vinci. Essa essência baiana faz toda a diferença.
programas.tvglobointernacional.com.br















A pintura sensual de Javier Bedoya Bedoya Jimenez































m.artelista.com

MULHERES NA HISTÓRIA DO CRIME MUNDIAL

Idolatrado ou seriamente renegado por grande parte da sociedade, o gangster americano é um dos mais importantes ícones na História, sendo até tema principal em diversos roteiros de filmes produzidos em Hollywood. Embora o crime organizado tenha essa imagem de ser um clube de machos, algumas mulheres deram muito trabalho no mundo da máfia e roubaram a cena de muitos marmanjos por aí. Confira:

1. Bonnie Parker

Sem dúvida, a mulher mais famosa do universo gangster era Bonnie Parker. Afinal, quem não se lembra do ilustre casal Bonnie e Clyde, não é verdade? Virou até filme e seriado. Os dois eram assaltantes de bancos famosos entre os anos 1931 e 1934, se tornando celebridades do mundo do crime organizado.
Parker nasceu em Rowena, Texas, e conheceu Clyde Barrow em 1930, quando ainda era casada. Além de seus roubos mirabolantes e assassinatos, a lenda de Bonnie e Clyde cresceu principalmente por causa de uma sessão de fotos que eles fizeram perto de seu esconderijo em Joplin, Missouri.
Mas nem tudo é sonho, e o final do casal não foi feliz: eles morreram em um tiroteio com polícia em 1934. Ela tinha 23 anos e ele tinha 25.

2. Stephanie St. Clair

Também conhecida como “Queenie” em grande parte de Manhattan, ela era uma imigrante de ascendência francesa e africana e, depois de 10 anos que estava morando nos EUA, Stephanie se tornou a protetora oficial de sua vizinhança, no perigoso e temido Harlem.
Durante muitos anos, ela deixou inúmeros policiais e mafiosos concorrentes fora do poder em qualquer região de seu bairro e dava pulos de alegria ao saber que algum oponente tinha levado um tiro mortal ou algo do tipo. St. Clair foi imortalizada em dois filmes até o momento.

3. Opal “Mack Truck” Long

Long ganhou o apelido de "Mack Truck" no Texas por causa de seu tamanho. Ela era membro da gangue de John Dillinger e esposa de um mafioso bem famoso: Russell Clark. Opal era encarregada de limpar todos os esconderijos dos gangsteres de seu grupo, assim como cozinhar para a turma toda — e ela fazia isso com gosto.
As coisas azedaram quando seu marido foi preso em Tucson, Arizona, em 25 de janeiro de 1934. Na ocasião, ela atacou a polícia que efetuou a prisão, e mais tarde pediu uma grana emprestada para Dillinger, com o intuito de financiar um apelo para o caso de Clark. Contudo, devido as altas despesas, ela foi dispensada da gangue e também foi presa. A grandona “Mack Truck” viveu seus últimos dias em Chicago.

4. Helen Gillis

Aos 16 anos, Helen Wawrzyniak se casou com Lester Gillis, o homem que veio a ser conhecido como “Baby Face Nelson”. Ela tinha dois bebês e uma cadeira cativa no mundo dos gangsteres. Porém, devido às complicações que seu marido enroscava com policiais e outras gangues americanas, ela acabou pagando o preço por ser cúmplice de diversos crimes de que o maridão foi acusado.
Gillis ganhou seu lugar na lista de inimigos públicos por proteger, abrigar e lutar por “Baby Face Nelson” até ele morrer. Ela se rendeu no dia de Ação de Graças e, quando morreu (mais de 50 anos depois), Helen foi enterrada ao lado de seu maridão.

5. Ma Barker

Donnie Barker — também conhecida como Kate Barker — foi considerada uma matriarca totalmente impiedosa. Aos 19 anos, casou-se com George Clark e os dois tiveram quatro filhos: Herman, Lloyd, Arthur e Fred. Mas os Barkers não eram apenas uma família, mas sim uma família nascida no crime organizado, cometendo roubos violentos pelas estradas americanas já em 1910.
Com a crescida do número de assassinatos com a marca registrada dos Barkers, a família toda começou a ser fortemente perseguida. Em 1927, um de seus filhos, Herman, se suicidou para evitar a prisão. Contudo, pouco tempo depois, os outros três filhos também acabaram atrás das grades.
Depois disso, o casal foi à lona e levou um nocaute das autoridades: ambos foram mortos quando o FBI invadiu o esconderijo deles no Lago Weir, Flórida, em 08 de janeiro de 1935. De acordo com algumas opiniões na época, Ma Barker era o cérebro criminoso mais cruel, perigoso e cheio de recursos das últimas décadas. Ela também virou tema de uma série e de um filme.

6. Pearl Elliot

Ela era dona de um bordel em Kokomo, Indiana, que se gabava de proteção policial quando houvesse necessidade. Além disso, ela flertava constantemente com John Dillinger e Harry Pierpont, dois “peixes grandes” do crime organizado. Seu estabelecimento ilegal também serviu como esconderijo para a equipe de Pierpont após um assalto a banco em 1925.
Mais tarde, o papel de Pearl como tesoureira de Dillinger lhe rendeu um lugar na lista dos inimigos públicos em 1933, fazendo com que os policiais tivessem ordem de “atirar para matar”. Apesar de ter participado de diversas operações perigosas e transações ilegais, Elliott não morreu em um tiroteio, muito menos na prisão. Ela faleceu em 10 de agosto de 1935, de câncer, quando tinha 47 anos de idade.

7. The Pretty Pants Bandit

Conhecida como Marie Baker e sempre carregando duas armas, essa morena ganhou as manchetes em 1933 por uma série de assaltos em lojas, em que, além de roubar tudo, ela ainda mandava que as balconistas tirassem as calças.
De acordo com o jornal Miami News, a queda de Baker aconteceu por causa de sua vaidade. Ao verificar a maquiagem durante um assalto a um açougue, o padeiro conseguiu fazer que um refém fugisse e pedisse socorro. Pouco tempo depois, ela foi presa.

8. Virginia Hill

Hill veio de uma família bastante pobre, e ela não tinha um par de sapatos para vestir até seus 17 aos de idade. Contudo, sua vida deu uma reviravolta e Virginia ganhou fama ao namorar um mafioso bem conhecido no Brooklyn: Bugsy Siegel.
Depois de trabalhar como contadora de Al Capone e juntar uma boa grana com outras atividades ilegais, ela resolveu investir em sua carreira de atriz. Porém, as coisas começaram a se complicar depois da morte de seu companheiro, em que ela foi fortemente acusada de tê-lo assassinado e ocultado tudo isso de outras gangues.
Em 1961, Hill foi encontrada morta em um monte de neve na Áustria, vítima de uma aparente overdose de pílulas para dormir. Ela não teve êxito em seu sonho de ser atriz, mas acabou virando tema de um filme em Hollywood.

9. Arlyne Brickman

Nascida em 1933 em uma família de tradição judaica na região de East Harlem, Brickman cresceu idolatrando o glamour e a emoção de Virginia Hill, trabalhando para a máfia como uma traficante de drogas, assim como agiota em alguns momentos, também.
No entanto, sua herança judaica era um forte obstáculo que impedia sua ascensão até as primeiras fileiras do universo do crime organizado. Anos mais tarde, depois de um agiota ameaçar sua filha, Arlyne se tornou informante. Sua espionagem e seu testemunho final levaram à condenação definitiva de Anthony Scarpati por extorsão.
Em 1992, Brickman contou sua história em Mob Girl: A vida da mulher no submundo.

10. Evelyn “Billie” Frechette

Com ascendência francesa e americana nativa através da tribo Menominee, Evelyn frequentou a escola católica e, em seguida, se formou no ensino médio — coisa rara na época. Mesmo com excelente educação, encontrar trabalho era difícil, o que levou Frechette para a cidade de Chicago, que era um verdadeiro reduto da máfia.
Depois que seu primeiro marido foi preso por um roubo aos Correios, “Billie” acabou conhecendo o ícone mafioso John Dillinger, que era muito garanhão e conquistava muitas mulheres na época. Ela viajou com ele para diversos lugares, sempre cometendo assaltos em larga escala e alguns assassinatos — o casal sobreviveu a vários tiroteios.
Mais tarde, ela foi condenada por abrigar um fugitivo e cumpriu dois anos de prisão — durante os quais morreu Dillinger. Após a sua libertação em 1936, Frechette decidiu apagar seu passado e mudar sua vida completamente, resolvendo sair em uma turnê de palestras com o tema “crime não compensa”. Ela morreu de câncer 33 anos depois.

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E você, leitor, conhece outras gangsteres que fizeram sucesso no mundo do lendário crime organizado? Não deixe de compartilhar sua informação com a gente nos comentários abaixo.