AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Itália em greve geral contra as reformas laborais de Matteo Renzi. - Não me custa a admitir que um governo de esquerda enfrente greves, porque entendo o uso da greve como um direito dos trabalhadores. Para usar uma expressão antiga, actualmente os governos de esquerda não são “governos de classe” (embora, frequentemente, os governos de direita sejam “governos de classe”, governos dos “de cima”).


Itália em greve geral contra as reformas laborais de Matteo Renzi.



Não me custa a admitir que um governo de esquerda enfrente greves, porque entendo o uso da greve como um direito dos trabalhadores. Para usar uma expressão antiga, actualmente os governos de esquerda não são “governos de classe” (embora, frequentemente, os governos de direita sejam “governos de classe”, governos dos “de cima”). Mesmo sendo de esquerda, um governo, tendo de governar na procura do interesse comum, pode, num ou noutro momento, desagradar a sectores do mundo do trabalho – e estes respondem, por vezes, com greves. Nem sequer sou tentado por aqueles ataques às greves que as denunciam como causando transtornos e prejuízos – pois, se as greves não causassem transtornos e prejuízos, como poderiam ter efeitos? Também os trabalhadores, perdendo o salário correspondente ao tempo de greve, são penalizados. É claro que uma greve, quando é percepcionada pela generalidade das pessoas como injustificada ou desproporcionada, pode descredibilizar a própria luta – mas cabe aos trabalhadores e suas organizações fazer essas opções, cabendo aos demais cidadãos (e ao Estado) fazer o respectivo juízo.

Contudo, o que se passa em Itália questiona-me. Não é por a actual greve geral reunir centrais sindicais de esquerda, de direita e independentes. Também isso me parece normal - e nem é, por si só, demonstrativo de que lado está a razão. Já me preocupa que o governo de Itália, aparentemente (fiando-me apenas nas notícias), embarque na ideia de resolver o problema do emprego criando mais precariedade. Porque espalhar a precariedade, sendo uma “solução” habitual no instrumentário de uma certa direita, não é nunca uma solução favorável ao trabalho digno – e, a prazo, não contribui para aumentar a qualificação das pessoas, necessária à qualificação das empresas e dos serviços, necessária ao desenvolvimento sustentado. Não conheço adequadamente as reformas que o governo de Itália quer aplicar, mas se elas se inspiram na ideia de responder ao desemprego com precariedade, não posso concordar e só posso achar errada e lamentável essa opção.

No entanto, mais do que tudo isto, preocupa-me o que, aparentemente, é a justificação dada pelos líderes italianos para estas opções. Segundo a notícia, Matteo Renzi está a atacar a concertação social e quer acabar com a tradição de os representantes dos sectores do trabalho serem chamados à discussão das leis. Terá mesmo afirmado: "Se os sindicatos querem negociar, então façam-se eleger para o Parlamento". Francamente, uma tal declaração, parece-me, não apenas absurdamente reaccionária, como francamente contrária às necessidades de renovação da democracia – e, até, prejudicial a uma via de progresso económico aliado ao progresso social.

A história tem demonstrado que a esquerda, quando se agarra dogmaticamente à letra das suas declarações de princípios, arrisca perder a noção da realidade e deixar de cumprir o seu papel na evolução das sociedades. Mas, também, a história tem demonstrado que a esquerda, quando se esquece dos seus valores e princípios mais fundamentais, se torna irrelevante até à auto-anulação. E, também nesse caso, deixa de ser capaz de cumprir o seu papel. O mais triste neste contexto é que nem seria preciso ser muito progressista para perceber o papel da concertação social efectiva e exigente numa sociedade que aspira ao progresso: andam por aí tantos a dizer mal da Alemanha, mas bem poderiam, por exemplo nesta matéria, olhar para esse lado e aprender alguma coisa.

Tudo isto me torna ainda mais convicto de que, por cá, anda bem o PS em apostar em melhor concertação social estratégica, em negociação colectiva sectorial mais efectiva, em compromissos transparentes negociados a prazo de uma década, para que seja mais o que nos une do que o que nos divide.


maquinaespeculativa.blogspot.pt

Cimeira das Nações Unidas termina (outra vez) em clima de frustração - Ao fim de uma semana a debater as bases para um acordo que substitua o Protocolo de Quioto, os líderes mundiais não se conseguiram entender.

Cimeira das Nações Unidas termina 
(outra vez) em clima de frustração

Ao fim de uma semana a debater as bases para um acordo que substitua o Protocolo de Quioto, os líderes mundiais não se conseguiram entender. 

A expectativa era considerável, maior do que costuma ser neste tipo de cimeiras. Mas saiu, mais uma vez, frustrada. A cimeira das Nações Unidas para a energia e o clima termina hoje e, ao fim de dez dias debater um novo acordo climático internacional, os negociadores dos vários países só conseguiram entender-se em relação a um parágrafo.
 .

O acordo climático que os líderes mundiais procuram visa substituir o extinto Protocolo de Quioto, cuja validade expirou em 2012, não havendo desde então nenhuma convenção a nível mundial sobre regras ambientais como, por exemplo, os limites de emissões de gases com efeito de estufa.

Nas semanas anteriores à cimeira, que hoje termina em Lima, no Peru, os líderes mundiais foram alimentando o optimismo, falando de um "ímpeto crescente" para finalmente se atacar o problema das alterações climáticas. Mas o texto que está a ser redigido para a conclusão da cimeira, que servirá de base ao tratado climático que deverá ser assinado em Paris no próximo ano, não reúne consenso dos negociadores. Em 100 páginas, só há acordo num parágrafo.

"O progresso está a ser muito mais lento do que queremos e precisamos", disse o comissário europeu para as Alterações Climáticas, Miguel Arias Cañete, acrescentando que "é difícil os ministros entenderem-se num texto de 100 páginas". Cañete está a negociar em nome da União Europeia, que já definiu o seu próprio tratado interno, a vigorar nos 28 Estados-membros, sobre as metas climáticas - impõe uma meta de redução de 40% das emissões de CO2 até 2030.

* Os políticos internacionais são uma grande decepção, estão demasiado comprometidos com o dinheiro.



apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt



É POSSÍVEL EVITAR A BANCA -ROTA E INVERTER O RUMO DO DESASTRE EM SANTA CRUZ - Documento enviado para a comunicação social,que nada publicou (da página facebook de Dírio Ramos)

documento enviado para a comunicação social,que nada publicou































MENSAGEM DE NATAL ÀS FAMÍLIAS DA PLEBE PORTUGUESA


Hoje é dia dos Beija- cús (e do jornalismo acéfalo) Os deputados da AR chumbaram hoje uma proposta de reconhecimento do Estado da Palestina, apresentada pelo PCP e BE. .

Hoje é dia dos Beija- cús (e do jornalismo acéfalo)

Os deputados da AR chumbaram hoje uma proposta de reconhecimento do Estado da Palestina, apresentada pelo PCP e BE.
A maioria e o PS votaram contra tendo, em alternativa, sido aprovada uma proposta apresentada em conjunto por PSD, CDS e PS que propõe que o reconhecimento do Estado da Palestina seja feito em articulação com Bruxelas.
A intervenção do deputado do PS Sérgio Sousa Pinto, no sentido de instar o governo a reconhecer o Estado da Palestina foi um esforço meritório mas, na prática, inconsequente.  O próprio governo, através de Rui Machete, atirou o assunto para as calendas gregas: 
O governo procurará escolher o momento mais adequado para reconhecer o Estado da Palestina"- disse Rui Machete após a aprovação da recomendação.
Traduzindo: quando ( e se ) Bruxelas decidir reconhecer  o Estado da Palestina, Portugal abanará a cabeça em sinal de concordância. Até lá, fiquem com a satisfação de terem aprovado uma recomendação para a qual o governo se está cagando.
Eu sei que é tempo de a UE ter uma política externa comum, mas o argumento da necessidade de obter o agreement de Bruxelas caiu por terra, no dia em que a Suécia reconheceu o Estado da Palestina. França, Espanha e Inglaterra estão em vias de fazer o mesmo e outros se seguirão, marimbando-se para as decisões que Merkel pretende impor via Bruxelas.
Ficar à espera da luz verde de Berlim Bruxelas é, por isso, apenas um acto de vassalagem perante quem nos trata constantemente abaixo de cão.
Ainda mais descoroçoante do que a aprovação da recomendação, é ler a notícia do DN, instantes depois da votação: Parlamento reconhece Palestina e pressiona governo
Mas que raio de jornalistas são estes que estão no Parlamento? Como é possível noticiar uma coisa exactamente ao contrário do que aconteceu? Se isto acontece quando os jornalistas estão no local a assistir, imagino como será quando escrevem notícias que lhes são ditadas pelas "fontes" via telefone.
Isto pode não ter importância nenhuma, mas é bem revelador do jornalismo que se vai fazendo na  sucursal da S. Caetano à Lapa Av. da Liberdade ( e noutras filiais adjacentes).




cronicasdorochedo.blogspot.pt

O romântico pintor surrealista Cláudio Souza Pinto Cláudio Souza Pinto

O romântico pintor surrealista Cláudio Souza Pinto Cláudio Souza Pinto, nasceu em São Paulo, Brasil, em 1954. Cláudio aos quatro começou a trabalhar em argila, sob a orientação de seu tio, o pintor Bernardo Cid de Souza Pinto. Ele vendia a suas obras para estudar para conseguir um diploma em desenho industrial na Universidade Mackenzie, em São Paulo. 


Em 1990, Alan Aouizerate, o coleccionador de arte francês, apaixonou-se pelo trabalho de Souza e convidou-o para expor na Le Bains na Ópera de Paris. 
Cláudio teve desde então sucesso e começou a exibir internacionalmente por muitos anos. 
Ele viveu em França e agora no Brasil. Para o artista, a vida é um grande jogo.
Todos nós temos máscaras de comportamento, e que surgem dependendo da ocasião ... no teatro da vida!
Pintor, poeta e humorista, a definição dada aos Cláudio Estilo Souza Pinto pela artístico e intelectual comunidades de Paris, precisa traduzir isso do brasileiro belas pinturas de arte, que se transformam em situações quotidianas surreais, imagens românticas e divertidas. Seu trabalho tem sido de encantar brasileiros e europeus há anos e é agora, no limiar de ser descoberto pelos Público americano também. O prazer de Cláudio é pintar pessoas como arquiteto Yves Bayard, que projetou o Museu Nacional de Arte Contemporânea de Nice em Bayard diz, "pinturas de Claudio me impressionar por sua liberdade.
Ele é um grande mestre em serviço de felicidade. "E Jacques Bral, o director do filme premiado no Festival de Cinema de Cannes Festival, comenta, "pinturas de Cláudio tem um fantástico realismo e uma discussão visual sobre melancolia e amar. Tristeza ou alegria está sempre presente em sua pinturas, mesmo que em espírito. "

onossoser.blogspot.pt































SIONISTAS = NAZIS - ESTA NOTÍCIA FOI DIVULGADA EM 2013 MAS CONVÉM NÃO ESQUECER PARA SE CONHECER BEM A POLÍTICA DOS ISRAELITAS - Israel impõe controlo da natalidade a judeus etíopes Pela primeira vez, Israel admitiu que tem estado a administrar contracetivos injetáveis para controlo da natalidade a judias etíopes imigrantes, sem o conhecimento prévio ou consentimento das mulheres.




Israel impõe controlo da natalidade a judeus etíopes

Pela primeira vez, Israel admitiu que tem estado a administrar contracetivos injetáveis para controlo da natalidade a judias etíopes imigrantes, sem o conhecimento prévio ou consentimento das mulheres.




Até 2014, os últimos judeus etíopes que ainda vivem na Etiópia deverão estar em Israel
Até 2014, os últimos judeus etíopes que ainda vivem na Etiópia deverão estar em Israel /  Getty Images
Judeus etíopes em Gondar, Etiópia, vêm a data agendada para serem levados para Israel
Judeus etíopes em Gondar, Etiópia, vêm a data agendada para serem levados para Israel / Getty Images

Depois de ter negado durante anos que 
estivesse a fazer o controlo da natalidade a 
judias etíopes imigrantes, sem o conhecimento 
prévio ou consentimento dessas mulheres, 
o Governo israelita acabou por admitir que 
isso era, de facto, uma prática corrente.
As suspeitas, agora confirmadas, foram 
levantadas há seis meses por uma jornalista,  
Gal Gabbay, que entrevistou 35 mulheres 
vindas da Etiópia, numa reportagem televisiva. 
De acordo com o jornal "The Independent",  
que cita uma reportagem publicada no 
passado sábado pelo "Haaretz" 
(diário israelita), a droga em questão é o Depo-Provera, 
contracetivo hormonal de longa-duração 
considerado muito eficaz, o qual é injetado a 
cada três meses.

Ministério da Saúde manda suspender a prática


O diretor-geral da Saúde israelita, 
Ron Gamzu, já ordenou aos ginecologistas 
que deixassem de aplicar essas drogas 
contracetivas a mulheres falashas, judias que viviam na 
Etiópia e foram levadas para Israel no âmbito 
da Operação Dove's Wings (Asas de Pomba).
Numa carta enviada pelo ministério da saúde 
aos centros de saúde que administram as 
drogas, a que o jornal israelita teve acesso, 
Gamzu orientava os médicos a "não renovar 
as prescrições de Depo-Provera para 
mulheres de origem etíope se, por alguma 
razão, houver indícios de que elas não compreendem 
as consequências do tratamento".
A decisão foi tomada na sequência de um 
pedido da advogada Sharona Eliahu-Chai, 
da Associação de Direitos Civis de Israel, 
em nome das mulheres e dos grupos de imigrantes 
etíopes. Essa ONG defendeu a abertura de 
uma investigação sobre a administração de 
drogas contracetivas sem o conhecimento 
prévio, por parte das mulheres em questão, 
dos seus efeitos.
De acordo com Eliahu-Chai, o caso 
"é extremamente preocupante e levanta 
questões sobre o perigo de políticas de 
saúde com implicações racistas e que violam a ética médica". 
O Governo de Israel está a ser acusado de 
"esterilização forçada" e poderá vir a 
responder por violação de convenções da 
ONU .

Taxas de natalidade dos judeus etíopes 

caíram drasticamente


Segundo o "Haaretz", a jornalista de 
investigação Gal Gabbay entrevistou 35 
mulheres vindas da Etiópia, numa reportagem para a 
televisão, para descobrir por que as taxas de 
natalidade dessa comunidade de imigrantes 
caíram tão drasticamente. 
Gabbay disse que pelo menos 40% das 
judias etíopes receberam Depo-Provera.
De acordo com a reportagem, algumas 
mulheres foram forçadas ou coagidas a 
receber as injeções em campos de 
refugiados paraimigrantes etíopes.
"Diziam-nos (a equipa médica) que eram 
vacinas. Nós fazíamos essa medicação a 
cada três meses, apesar da nossa oposição", 
afirmou uma das entrevistadas.
Desde a década de 80, quase 100 mil etíopes 
mudaram-se para Israel ao abrigo da Lei do 
Retorno, depois de terem sido reconhecidos 
como judeus. O seu judaísmo, porém, tem 
sido questionado por alguns rabinos.
Recorde-se que em 2012 - ano em que o 
Governo israelita começou a Operação 
Dove's Wings, destinada a levar para Israel 
os últimos 2200 falashas que ainda vivem na 
Etiópia - , o primeiro-ministro Benjamin 
Netanyahu afirmou que a entrada de 
imigrantes ilegaisprocedentes de país africanos "muda a 
configuração da população e rouba postos de 
trabalho aos israelitas", pelo que, considera,
"ameaça alterar o carácter judaico e 
democrático do Estado".
"Temos de travar as imigrações ilegais para 
proteger o nosso futuro", concluiu 
Netanyahu durante uma conferência na 
cidade de Eilat,no sul de Israel, depois de visitar a cerca 
que o Exército israelita está a levantar na 
fronteira com o Egito. 
A cerca de arame farpado que está a ser 
levantada entre Israel e o Egito, para evitar 
a entrada de imigrantes e mercadorias ilegais
 procedentes de África, terá 5 metros de 
altura e 230 quilómetros de extensão, 
devendo ficar concluída dentro de dois meses.


http://expresso.sapo.pt/l

SEMPRE A MESMA VERGONHA !O QUE ELES MANOBRAM PARA ALINHAR COM O SIONISMO DE ISRAEL- QUANDO NÃO ANDAMOS PELA ARREATA DA AMÉRICA ANDAMOS PELAS DIRECTRIZES DA UNIÃO EUROPEIA - Machete promete reconhecimento da Palestina "no momento mais adequado"

Machete promete reconhecimento da Palestina "no momento mais adequado"

Parlamento aprovou projecto que “insta o Governo” a reconhecer o Estado palestiniano em “coordenação com a UE”.
A resolução subscrita pelo PS, CDS e PSD que recomenda ao Governo o reconhecimento do Estado da Palestina passou esta sexta-feira no Parlamento com apenas nove votos contra. PCP, BE e Verdes optaram pela abstenção num dos pontos do projecto – o que referia a coordenação com a União Europeia –, tendo visto as suas propostas rejeitadas pela maioria e por quatro deputados do PS.Cinco dos votos contra vieram do PSD (Abreu Amorim, Duarte Pacheco, Carlos Peixoto, Adão e Silva e Jorge Paulo Oliveira), outros dois partiram do CDS (João Rebelo e Michael Seufert) e outros tantos do PS (João Soares e Rosa Albernaz).
Ainda antes das votações, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, congratulou-se  com o “consenso alargado” atingido para depois prometer que o “Governo português procurará escolher o momento adequado” para avançar com o reconhecimento do Estado da Palestina.
Durante os últimos dias, o presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros, Sérgio Sousa Pinto, tentou sem sucesso que PCP, BE e Verdes subscrevessem também a resolução apoiada pelo PSD, PSD e CDS. Lamentou o insucesso mas destacou a “boa vontade e cedências mútuas” alcançadas.
A comunista Carla Cruz explicou que a posição do PCP resultava do facto de a proposta deixar “a posição do Estado português dependente da posição da União Europeia”. A bloquista Helena Pinto destacou o facto de três parlamentos europeus terem já aprovado propostas semelhantes.
O social-democrata António Rodrigues aproveitou para destacar que o verdadeiro momento estava ainda para chegar, que só chegaria quando a paz chegasse à região.

CABO VERDE: O DESESPERO - Em 1995, o vulcão da ilha do Fogo, em Cabo Verde, acordou e manteve-se durante um mês e 24 dias a deitar lava vinda das profundezas da Terra. Agora, passados 19 anos da erupção anterior, voltou a dar sinais de vida — e nos 19 dias em que tem estado a expelir lava já foi mais destrutivo do que em toda a erupção de há quase 20 anos.

In "Público"- CABO VERDE: O DESESPERO!

Esta erupção do vulcão da ilha do Fogo já é mais destrutiva do que a de 1995


TERESA FIRMINO

12/12/2014


Duas povoações estão destruídas. Receia-se que outras no caminho mais provável do rio de lava também sejam apanhadas, até porque o vulcão se mantém em actividade.
Cratera principal do vulcão na noite de 28 de Novembro fotografada a 800 metros de distância
JOSÉ MADEIRA/FCUL/IDL

Em 1995, o vulcão da ilha do Fogo, em Cabo Verde, acordou e manteve-se durante um mês e 24 dias a deitar lava vinda das profundezas da Terra. Agora, passados 19 anos da erupção anterior, voltou a dar sinais de vida — e nos 19 dias em que tem estado a expelir lava já foi mais destrutivo do que em toda a erupção de há quase 20 anos.

A lava já destruiu duas povoações — a Portela e Bangaeira —, enquanto em 1995 atingiu uma meia dúzia de casas. Coladas uma à outra, a Portela e a Bangaeira ficam dentro da caldeira vulcânica da ilha do Fogo, conhecida por Chã das Caldeiras. Até há menos de um mês viviam ali cerca de 1300 pessoas, que tiveram de ser deslocadas para outros locais, a maior parte para o antigo liceu da cidade de Mosteiros. Outra parte foi para centros de acolhimento em Achada Furna e Monte Grande. Vítimas mortais não há.

Chã das Caldeiras, que é uma depressão plana a cerca de 1600 metros de altura, está em grande parte rodeada por uma escarpa, designada por Bordeira, e que na parte mais alta atinge um quilómetro acima do fundo plano. Aberta a leste, zona em que a escarpa já não existe, a caldeira vulcânica tem cerca de nove quilómetros de comprimento e dois de largura. Do fundo da caldeira ergue-se um grande cone — o Pico do Fogo, que é o vulcão e o ponto mais alto da ilha, com 2829 metros. Desde a erupção anterior, Chã das Caldeiras foi-se enchendo de gente.

O cultivo da vinha e a produção de vinho, num dos poucos locais em Cabo Verde onde isso é possível, e o turismo tornaram-se actividades económicas importantes que funcionaram como um chamariz para Chã das Caldeiras. “Desde 1995, a população mais do que duplicou”, refere José Madeira, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e do Instituto Dom Luiz (IDL), regressado há alguns dias a Portugal de uma missão científica ao vulcão. “Houve a cooperação com os italianos para se desenvolver a vinha e a área cultivada aumentou. A procura turística também aumentou. A população jovem da Portela e Bangaeira trabalha como guias — a fazer caminhadas, a ir ao vulcão, a subir a Bordeira.”

Mais gente num local perigoso pela presença de um vulcão activo, ainda que costume estar adormecido durante dezenas de anos, é sinónimo do aumento do risco associado a uma erupção. Esta foi uma das razões por que, desta vez, o derrame de lava chegou às casas e as engoliu. Primeiro à Portela, mais a sul, depois à Bangaeira, mais a norte.

Quando olhamos para fotografias que os jornais cabo-verdianos têm publicado, vemos que o derrame de lava envolveu as casas e prosseguiu caminho. Vista de cima, a crosta escura da lava surge pontilhada, aqui e ali, pelo topo claro das casas, sobressaindo como pepitas de chocolate branco numa bolacha. Além das casas, assim se perderam terras agrícolas, a adega de Chã das Caldeiras, o edifício do Parque Natural da Ilha do Fogo, estradas.

“Destruição muitíssimo maior”
Para José Madeira, tratou-se de um reencontro com o vulcão. A erupção anterior já o tinha levado até lá, agora foi com outro geólogo português, Ricardo Ramalho, da Universidade de Bristol (Reino Unido), revezados depois por outro geólogo da FCUL e dois geofísicos do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. “O nosso principal objectivo era perceber como decorria a erupção, que tipo de produtos produzia, apanhar amostras de rochas e cinzas vulcânicas e documentar as observações em fotografia, vídeo e por escrito.”

Estes cientistas também apoiaram as equipas cabo-verdianas de monitorização sísmica do vulcão, baseada numa rede já instalada, e de protecção civil. Iam-lhes transmitindo informações sobre as suas observações e previsões para as horas seguintes. Ao terreno acorreu ainda outra equipa portuguesa, reunida num consórcio de instituições como o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o Instituto Superior Técnico, a Universidade da Beira Interior ou o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, para monitorização sísmica e geodésica do vulcão. Instalaram estações sísmicas, reforçando a rede existente, e estações geodésicas, para medir as deformações do terreno. Todas estas informações ajudam a perceber como poderá evoluir a erupção.

É pois muito do relato de José Madeira sobre o que conhece do vulcão e o que observou nos seis dias que esteve na ilha e nas oito ou nove vezes que subiu até Chã das Caldeiras, aproximando-se da erupção até a uns 800 metros, que aqui fica.

lusibero.blogspot.pt