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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Ilhas flutuantes dos Uros – Peru As ilhas dos Uros são ilhas flutuantes artificiais construídas com o junco chamado totora, localizadas sobre as águas do Lago Titicaca,

Ilhas flutuantes dos Uros – Peru

As ilhas dos Uros são ilhas flutuantes artificiais construídas com o junco chamado totora,  localizadas sobre as águas do Lago Titicaca, na divisa entre Peru e Bolívia. Há evidências da existência dos Uros já se verifica desde a era pré-colombiana, quando um povo desenvolveu esta forma de habitação tendo em vista maior segurança. 
As ilhas são feitas à base de totoras, sendo necessário um trabalho constante de manutenção para assegurar a flutuabilidade das ilhotas. Nas ilhas flutuantes vivem cerca de 1.800 pessoas, divididas em 70 ilhas familiares que ficam a apenas meia hora de barco, a partir de Puno, Peru.
Totora é uma espécie de junco que cresce nas margens do lago Titicaca , sendo a principal matéria prima para os Uros, tanto para construção de suas ilhas, casas e confecção de artesanato. Além da Totora os Uros vivem da caça, da pesca e do turismo. 
Seus habitantes recebem movimento constante de turistas e aventureiros viajantes que visitam suas ilhas. Hoje existe até uma igreja flutuante, duas escolas e um hotel rústico para quem deseja dormir flutuando no lago e descobrir melhor o estilo de vida deste povo.
A base das ilhas são feitas de blocos com raízes de Totora e depois coberta com ramos. A espessura média é de 2 metros e podem durar até 15 anos.



Fonte: JP
www.vocerealmentesabia.com

Rádio Comercial | Detenção

Caso BPN: O que esconde Cavaco? - VEJA VÍDEO

SERÁ QUE UMA ROULLOTE COM UMAS CERVEJOLAS E DO TINTO À PORTA DO PRESÍDIO DE ÉVORA NÃO DAVA PARA FAZER UMAS NOTAS - António Guterres e Fernando Gomes visitam Sócrates na cadeia

António Guterres e Fernando Gomes visitam Sócrates na cadeia

Antigo presidente da câmara do Porto diz acreditar "profundamente na sua inocência". Guterres limitou-se a dizer que foi "visitar um amigo" e que José Sócrates se encontra "muito bem".Foram mais duas visitas inesperadas mas de muito peso a José Sócrates. António Guterres, antigo primeiro-ministro e antigo líder do PS, e Fernando Gomes, ex-presidente da Câmara do Porto, foram visitar Sócrates à prisão de Évora esta quinta-feira à tarde.O actual Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados esteve na prisão de Évora durante meia hora. Chegou a pé junto do portão e não quis fazer declarações aos jornalistas que ali se encontravam. À saída limitou-se a dizer que foi fazer uma "visita a um amigo" e que encontrou José Sócrates "muito bem".


Questionado pelos jornalistas à saída, Fernando Gomes foi taxativo: “Acredito profundamente na sua inocência.” E acrescentou estar “seguro” que Sócrates vai “provar” que a sua detenção não tem sentido. “Estou convencidíssimo que vai conseguir provar a sua razão e quero crer que depois deste tempo que ele vai passar aqui em prisão preventiva nada mais vai ser igual neste domínio em Portugal.”
O antigo autarca, que liderou o município portuense entre 1989 e 1999, disse ter encontrado José Sócrates "muito determinado". "Determinado em provar a sua inocência mas não só. Determinado em levar por diante uma luta que transcende o seu próprio caso para que a arbitrariedade que ele diz existir no seu caso [na forma como foi detido] não se repita mais em Portugal." E acrescentou: “Vejo-o determinado a lutar para além da sua própria prisão preventiva.”
Uma cruzada pela moralização da justiça que Fernando Gomes acredita que será travada por Sócrates “fora dos muros”, embora o possa continuar a fazer enquanto estiver na prisão. Porque “ele não é das pessoas que se calem. Não é possível silenciar o engenheiro José Sócrates”.
Fernando Gomes afirmou-se "muito emocionado", contou que foi um “encontro com uma emotividade enorme” e que embora um dos propósitos da sua visita fosse para "animar" José Sócrates, acabou, ele próprio, por receber esse ânimo do amigo detido.
Defendendo que a situação do antigo líder socialista não afecta o partido, Fernando Gomes considera que “houve o cuidado de separar as águas a seu tempo. Ele próprio, no primeiro comunicado que fez - e muito bem, o que só demonstra a sua qualidade intelectual e como militante do PS -, fez questão de separar as águas. Não, acho que isso [a detenção] tenha qualquer influência [na vida do partido].”
José Sócrates foi ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território assim como ministro do Equipamento Social do segundo Governo de António Guterres. Fernando Gomes foi ministro Adjunto de Guterres e também seu ministro da Administração Interna durante o primeiro ano dessa legislatura.

Polícia Judiciária fez buscas na Câmara de Paços de Ferreira - Inspetores da Polícia Judiciária estiveram na Câmara de Paços de Ferreira, na quarta-feira, a consultar e recolher documentos para apurar eventuais irregularidades praticadas no anterior mandato

 Polícia Judiciária fez buscas na Câmara de Paços de Ferreira

Inspetores da Polícia Judiciária estiveram na Câmara de Paços de Ferreira, na quarta-feira, a consultar e recolher documentos para apurar eventuais irregularidades praticadas no anterior mandato, confirmou hoje à Lusa fonte autárquica.
PAÍS
Polícia Judiciária fez buscas na Câmara de Paços de Ferreira
Lusa

Os inspetores analisaram documentos contabilísticos e ouviram o presidente da câmara, o vereador das finanças e um técnico do município responsável pela área financeira.
Os socialistas diziam ter dúvidas sobre utilização de fundos comunitários e das cauções prestadas pelos empreiteiros, da alegada responsabilidade da anterior gestão social-democrata de Paços de Ferreira, distrito do Porto, acrescentou a fonte.

Caso Sócrates Autor do primeiro habeas corpus terá de pagar 1.326 euros - Conheça o Jorge o autor do 2º habeas corpus

Caso Sócrates Autor do primeiro habeas corpus terá de pagar 1.326 euros

O cidadão que apresentou o pedido de libertação imediata de José Sócrates hoje indeferido terá de pagar 1.326 euros ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ), correspondentes a 13 Unidade de Conta (UC).
PAÍS
Autor do primeiro habeas corpus terá de pagar 1.326 euros
Lusa
O Supremo Tribunal de Justiça indeferiu hoje um pedido de libertação imediata de José Sócrates, alegando "manifesta falta de fundamento legal".
Além das três Unidades de Conta (UC) de taxa de justiça, Miguel Mota Cardoso foi condenado a pagar mais 10 UC, dado que os juízes consideraram que não existia "fundamento legal" para o pedido de 'habeas corpus'.
Segundo o artigo 223, nº 6 do Código Processo Penal, "se o STJ julgar a petição de 'habeas corpus' manifestamente infundada condena o peticionante ao pagamento de uma soma entre 6 e 30 unidades de conta (UC)".
Na decisão, os juízes conselheiros decidiram que Miguel Mota terá de pagar 13 UC, o que corresponde a um total de 1.326 euros.
Cada Unidade de Conta tem o valor de 102 euros.
O ex-primeiro ministro José Sócrates está detido preventivamente no estabelecimento prisional de Évora por suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

 Conheça 'o Jorge', autor do segundo habeas corpus

Sócrates viu ontem um pedido de habeas corpus pela sua libertação ser indeferido. No mesmo dia soube-se que um segundo pedido tinha sido submetido para apreciação”. O nome já tinha sido divulgado pela agência Lusa: Jorge Domingos Andrade. Hoje, o jornal i adianta que se trata de um professor de Penafiel.
PAÍS
Conheça 'o Jorge', autor do segundo habeas corpus

O novo habeas corpus já foi distribuído à 5.ª Secção e vai ser analisado nos próximos dias. Não há ainda uma data concreta para sabermos se será indeferido ou não, uma decisão que caberá à análise do juiz conselheiro Manuel Braz. Entretanto, Miguel Mota Cardoso, o jurista que fez o primeiro pedido de habeas corpus, terá agora de pagar 1.326 euros devido ao indeferimento. Veremos o que sucede com Jorge Domingos de Andrade, um professor de Penafiel.
No Facebook deste professor, de que o jornal i dá conta, pode ler-se a letras maiúsculas a descrição que faz de si próprio, como homem “autodidacta” e “insubmisso”, defendendo que “a sociedade é instrumento” enquanto o individuo “fim em si mesmo”.
Não sabemos os fundamentos de Jorge Domingos Andrade no seu pedido de habeas corpus. Ainda assim, sobre Direito, na página entretanto ‘abandonada’ em 2012 na rede social, pode ler-se que “o direito violado reconquista-se. Opressor e oprimido ambos urgem emancipar-se, porque desumanizados” e que “as potestades combatem-se na luta pelo Direito, o império do Direito é garantia. A lei é processo no império do Direito”.

Enganados pelo miúdo - Francisco Nicolás, de 20 anos, abalou a sociedade espanhola ao ludibriar diversas personalidades. Da n.º 2 do Governo ao rei, todos caíram.

Enganados pelo miúdo




Francisco Nicolás, de 20 anos, abalou a sociedade espanhola ao ludibriar diversas personalidades. Da n.º 2 do Governo ao rei, todos caíram.
Enganados pelo miúdo
 
Na melhor tradição da literatura picaresca espanhola, 
Francisco Nicolás Gómez Iglesias ultrapassou os limites que 
celebrizaram personagens como "Guzmán de Alfarache" ou 
"Lazarillo de Tormes". O "pequeno" Nicolás é hoje a 
personagem mais famosa de Espanha, o jovem capaz de 
irritar as mais altas instituições do país, o fabulador que 
mostra que, com a dose adequada de descaramento, é 
possível enganar políticos poderosos, empresários influentes 
e representantes da sociedade civil.
À espera que a Procuradoria decida se apresenta queixa 
formal e enquanto decorre a instrução judicial desencadeada 
pela denúncia de um alegado prejudicado pelos seus atos, 
Francisco Nicolás dedica o tempo a enaltecer a sua própria 
figura, a ganhar dinheiro em entrevistas à TV e a alimentar 
um ego descomunal, insuflado pela fama adquirida nas 
últimas semanas. 
Tudo isto quando tem apenas 20 anos. 
A juíza que conduz o processo por alegada fraude, 
instaurado por um cidadão a quem Francisco Nicolás exigiu 
25 mil euros para mediar na adjudicação de um concurso 
público, faz, em papel timbrado, a mesma pergunta que 
milhões de cidadãos: "Esta instrutora não consegue 
compreender como é que um jovem de 20 anos, apenas 
com o seu palavreado, pode aceder às conferências, lugares 
e atos oficiais a que assistiu." Parte da resposta é dada pelo 
psiquiatra forense, que descreve o comportamento do 
impostor como "uma florida idealização delirante de tipo 
megalómano".
"Mas quem é este?"
De repente, toda a gente perguntava o mesmo: 
"Quem é este que me cumprimenta com tanto à-vontade? 
De onde vem?" Francisco Nicolás aparecia em todo o ato 
institucional relevante que se celebrasse em Madrid, 
saudando o ex-chefe do governo espanhol José María Aznar, 
vigiando a mesa eleitoral do vice-presidente da patronal, 
Arturo Fernández, que lhe chamava 'sobrinho', acompanhando 
uma delegação comercial junto ao secretário de Estado do 
Comércio, abrindo caminho para Ana Botella, presidente da 
Câmara de Madrid e mulher de Aznar... 
Sempre impecavelmente vestido, fez-se fotografar a 
cumprimentar os novos reis, Felipe e Letizia, na receção que 
se seguiu à sua coroação, convidado não se sabe por quem. 
Tanto se apresentava na Câmara Municipal de Ribadeo 
(Astúrias), a bordo de um automóvel oficial com escolta 
policial, para anunciar una iminente visita do rei (falsa), como 
ia à sede do sindicato Mãos Limpas com a tarefa - que dizia 
ter sido um pedido do anterior rei, Juan Carlos I - de 
persuadir aquela organização a retirar a queixa contra a 
infanta Cristina por envolvimento nos negócios corruptos do 
marido, Iñaki Urdangarín. Também se fez anunciar como 
membro do Centro Nacional de Informações (CNI, serviço de 
espionagem espanhol) ou enviado especial da 
vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría.
Poucos se atreviam a questionar este prodígio da audácia, 
dada a opacidade das suas influências e o secretismo dos 
seus apoios. Quando a bolha rebentou, o Palácio da Moncloa 
(sede do Governo), o CNI, a Casa do Rei, a Câmara de 
Madrid, ministérios e instituições viram-se forçados a 
desmentir perante 45 milhões de habitantes que 
apadrinhassem aquela personagem. Grande parte dos 
cidadãos duvida, porém, que este rapaz simpático, bem 
apresentado e invejavelmente eloquente, tenha chegado tão 
longe sem "mão amiga" que lhe ampare as costas.
Filho de uma família com escassos recursos, neto de um 
coronel do exército, Nicolás, estudante de Direito, 
ofereceu-se desde muito jovem para quaisquer tarefas na 
Juventude do Partido Popular (direita, no poder). Fez-se 
imprescindível e aparecia em toda a parte, tirando fotos com 
gente famosa e publicando-as no Facebook. Conseguiu que 
todos o conhecessem sem lhe atribuir proveniência, como 
aqueles convidados dos casamentos que ninguém sabe se 
vêm da parte do noivo ou da noiva.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/enganados-pelo-miudo=f901159#ixzz3KwvicbUy

Portas 'afasta-se' de Passos e 'aproxima-se' de Costa - A saúde da coligação continua debilitada. Mesmo que, a olho nu, tudo pareça decorrer com normalidade, as divergências continuam mesmo estando as legislativas à porta.

Partidos Portas 'afasta-se' de Passos e 'aproxima-se' de Costa

A saúde da coligação continua debilitada. Mesmo que, a olho nu, tudo pareça decorrer com normalidade, as divergências continuam mesmo estando as legislativas à porta. Segundo o Diário de Notícias (DN), desta vez são os feriados e a comissão de inquérito ao BES que dividem a maioria PSD/CDS e, por consequência, aproximam Paulo Portas de António Costa.
POLÍTICA
Portas 'afasta-se' de Passos e 'aproxima-se' de Costa
DR
Segundo o Diário de Notícias (DN), Paulo Portas anunciou a intensão de repor o feriado de 1 de dezembro (dia da Restauração da Independência) já em 2015, mas fê-lo sem o consentimento – e aviso prévio – de Pedro Passos Coelho. E é esta questão do feriado que poderá aproximar o líder centrista do novo secretário-geral do PS, ou então distanciar o CDS de qualquer outro partido.
António Costa deu a conhecer as pretensões dos socialistas quanto aos feriados: reposição do 5 de outubro e do 1 de dezembro. Porém, a possibilidade de reposição de qualquer um dos quatro feriados extintos em 2012 – aos quais se juntam mais dois religiosos, a 15 de agosto e 1 de novembro – será chumbada pelo PSD.
Agora, falta saber como irá o CDS descalçar esta bota, uma vez que o PCP e Bloco de Esquerda querem a reintegração no calendário dos quatro feriados e não de apenas dois, com o PS, e de apenas um, como os centristas.
O certo aqui, é que Paulo Portas volta a afastar-se de Passos Coelho e as críticas dentro da coligação entre os dois partidos mantém-se. Algo que acontece também, escreve o DN, devido à comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo (BES).
Se, por um lado, os sociais-democratas querem ‘defender’ o governador do Banco de Portugal (BdP) de responsabilidades no caso BES, os democratas-cristãos acusam Carlos Costa: “falhou no caso BPN, falhou no caso BPP e agora manifestamente falhou no caso BES”, disse Nuno Magalhães.

SADE, O DIVINO MARQUÊS - Sade “era um vanguardista visionário fora do seu tempo –estava para lá de muitos tempos vindouros ao da sua própria existência

SADE, O DIVINO MARQUÊS

sade1
Faz hoje, 2 de Dezembro de 2014, 200 anos sobre a morte de Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade. Em Paris, uma grande exposição temática no Quais Branly,organizada por Annie Le Brun, que se assume como uma sadiana ferrenha, assinala esse duplo centenário. Sade  “era um vanguardista visionário fora do seu tempo –estava para lá de muitos tempos vindouros ao da sua própria existência – ,infernante, sem dúvida, o senhor marquês de Sade vivia à revelia das leis e dos costumes, mais libertário que revolucionário, filósofo e panfletário, escritor ‘vasto’ e polivalente, possuidor de fervilhante imaginário mais do que exclusivo praticante dos sugestivos e radicais quadros que (d)escrevia, jamais oportunista, por excessivas que fossem as suas divagações e os seus conceitos.”escreve António Loja Neves, em Sade Divino,Diabólico, num excelente artigo publicado no Actual do Expresso do passado sábado.
Sade foi vitima de si-próprio acabando por ser maltratado por leituras superficiais, mesmo folclóricas. O que aqui nos Interessa-é o lado,o carácter político da sua obra que Pasolini utilizou com grande saber em Saló ou os 120 Dias de Sodoma, um filme perturbante que dá dimensão política às perversões que Sade designa como paixões, das paixões simples às complexas, desencadeadas pelo perverso como Sade o descreve nos 120 Dias, que afecta sujeitos que são classificados como “criminosos de luxúria” que se entregam à “morte por devassidão”. Bataille, referido por ALN, comenta Os 120 Dias de Sodoma dizendo: “Ninguém, a não ser que seja surdo termina os Cento e Vinte Dias de Sodoma sem estar doente. E o mais doente é certamente aquele a quem esta leitura enerva sensualmente.” Pasolini sublinha até ao limite esse mau estar doentio com cenas de uma intensidade insuportável, que conta a história de um grupo de jovens que, nessa região da Itália , último reduto de Mussolini, durante o outono europeu de 1944 são selecionados por quatro dirigentes fascistas para serem o objeto de uma série de torturas e experimentos sádicos, ao longo de 120 dias. Um filme que é uma leitura intencional do Sade político.
Sade que viveu a Revolução Francesa, primeiro como activo actor depois como vítima acabando por ser condenado á morte de que escapa em última instância, estabelece a tese de que na Revolução há um período de explosão colectiva que desarmadilha todas as transgressões, onde tudo é possível, enquanto as instâncias morais, religiosas e políticas do regime anterior se esvaziam, abrindo caminho para a libertinagem que estava submersa nessa sociedade decadente . A desagregação sobrevive paradoxalmente à desagregação, integrando-se no processo de recomposição social. É aqui que Sade se separa da Revolução, de Marat. Danton e Robespierre que tinha proclamado no processo do rei: “Quando uma nação foi forçada a recorrer ao direito de insurreição reentra no estado natural em relação ao tirano. Como poderia ele invocar o pacto social? Ele aniquilou-o. A nação pode conservá-lo ainda se, no que diz respeito aos cidadãos, o achar proveitoso, mas a tirania e a insurreição têm como consequência o rompimento total com o tirano, têm como consequência constitui-los reciprocamente em estado de guerra. Os tribunais, os processos judiciários são feitos para os membros da cidade.”
Sade demarca-se desse discurso de Robespierre contrapondo o discurso do Cavaleiro Dolmancé, na Filosofia de Alcova (*) num encarte com o título: “Franceses, mais um esforço se quereis ser Republicanos”(**)Sade questiona. Tribunais? Processos judiciários? Vós que vos revoltaste contra a iniquidade porque, para vós a iniquidade era ser excluídos da prática da iniquidade, revoltando-vos contra a iniquidade, haveis renascido através da iniquidade, pois mataste vossos senhores, como vossos senhores haviam matado Deus na sua consciência. Para vós, a justiça, a não ser que reentreis na servidão, só pode consistir na prática comum da iniquidade individual. É essa a tese que Sade quer demonstrar no referido panfleto.
São dois capítulos, um sobre a religião, outro sobre os costumes. No primeiro Sade, dedica-se a socavar a sociedade teocrática do antigo regime, afirmando que o cristianismo deve ser rejeitado porque as suas consequências sociais são imorais, só o ateísmo pode garantir uma base ética à educação nacional, pelo que desenvolve uma curiosa argumentação: “Ensinai-lhes a prezar as virtudes de que mal se falava dantes e que, sem as vossas fábulas religiosas, bastam para a felicidade individual. Fazei-lhes sentir que essa felicidade consiste em tornar os outros tão felizes quanto nós próprios o desejamos ser. Se assentardes estas verdades sobre quimeras cristãs como tivestes a loucura de fazer, mal os vossos alunos tiverem reconhecido a futilidade de tais bases farão desmoronar o edifício e tornar-se celerados, julgando que a religião que derrubaram lhes proibia que o fossem. Fazendo-lhes sentir, pelo contrário, a necessidade da virtude, unicamente porque a sua felicidade depende dela, serão honestos por egoísmo, é essa lei que rege os homens, será sempre a mais segura de todas.”
Princípios de um materialismo positivista que se resolve no livre jogo das paixões, como postula no segundo capítulo. Tornar os outros felizes como nós próprios “não é amar o próximo como a si mesmo” porque isso é contra as leis da natureza e “só ela deve dirigir as nossas leis” Quais são essas leis para Sade? A comunidade das mulheres para os homens e dos homens para as mulheres. Dos filhos para os torna instrumentos da devassidão. Acabar com a família, claro com a excepção que a confirma o incesto. A República, segundo Sade, deveria consagrar esse estado de coisas. A imoralidade da vida na antiga monarquia devia ser consagrada pela República. A calúnia, o roubo, a violação, o incesto, o adultério, a sodomia (prática sexual central para Sade porque indiferencia os sexos) não deviam ser sancionados porque “a insurreição não é um estado moral; deve, portanto, ser o estado permanente duma república. Assim, seria tão absurdo quanto perigoso exigir áqueles que devem manter a perpétua agitação imoral da máquina que fossem seres morais, porque o estado moral de um homem é um estado det ranquilidade e de paz, o seu estado imoral é um estado de movimento perpétuo que o aproxima da insurreição necessária, na qual é preciso que o republicano mantenha o governo de que é membro”.
Sade, com esta visão de uma sociedade em estado de permanente imoralidade apresenta a sociedade como uma utopia do mal, introduzindo na sociedade um movimento perpétuo, num estado de imoralidade permanente, num estado criminal permanente, que a conduz fatalmente para a sua destruição. Ultrapassar Ni Dieu, ni Maitre para perverter o instinto político, o instinto de conservação da colectividade. Essa é a moral do libertino em Sade que caminha para a sua própria destruição, praticando a monstruosidade, a perversão integral que tens os seus mestres que se reconhecem entre si e escolhem os seus discípulos. Moral libertina que em Sade se distingue da imoralidade tradicional da literatura libertina que o é por se encerrar em círculos marginais à sociedade. Sade, no pólo oposto, introduz a licenciosidade no mundo quotidiano, no próprio núcleo das instituições, na vulgaridade do quotidiano, generalizando a libertinagem. A transgressão torna-se num movimento perpétuo que percorre a banda de mobius infinitamente para conservar a sua energia. Há-de corroer a sociedade até a fazer desaparecer num buraco negro que a engole e com ela todas as perversões. Mesmo o ateísmo proclamado por Sade é uma máscara que usa por comodidade acabando por o desacreditar tanto como desacreditou a religião. Essa uma das muitas originalidades de Sade, um iconólatra de si-próprio que daqui a vários séculos continuará a ser discutido. Honra e desonra do Divino Marquês.
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(*) A Filosofia de Alcova / Marquês de Sade, 2ª edição Edições Afrodite, tradução de Manuel João Gomes, capa e ilustrações de Martin Avilez ( a 1ª edição foi apreendida, o editor Fernando Ribeiro de Mello, António Manuel Calado Trindade, Herberto Helder, Luiz Pachecoi e João Martins Rodrigues foram arquidos num processo julgado no Tribunal Criminal de Lisboa)
(**)Págs 183 a 245 da edição mencionada
As ilustrações foram seleccionadas da edição em referência

pracadobocage.wordpress.com

O jurista João Calvão da Silva, Doutor em direito bancário por coimbra meudeus

O jurista João Calvão da Silva, Doutor em direito bancário por coimbra meudeus

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Nos países “de direito”, os cidadãos livres regem-se por leis. Sintéticas, claras, eloquentes.
Em Portugal não. Em Portugal ninguém se rege por leis, mas por “pareceres”. Quanto mais “douto” for o “parecer” maisautoridade terá – mais força “de lei”.
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Neste país as leis são redigidas propositadamente numa língua intrincada e ininteligível até a um português licenciado em direito. É por isso que contratam “especialistas”; professores de direito, para as traduzirem em português que se entenda. Esse serviço, digamos assim - em geral principescamente remunerado - chama-se “parecer”. Uma espécie de “Eu acho que”.
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Os mais considerados “eu acho que” são dados pelos doutos lentes da faculdade de direito da Universidade de Coimbra meudeus, o mais antigo e respeitado dos “achódromos” da nação. 
É aqui que, desde a idade média, é formada (e formatada) a nata dos governantes - os que redigem e aprovam as leis - desta nação valente. É aqui que se lhes ensina a tradição. Nesta, o direito não tem nada que ver com a busca da justiça, mas sim com perpetuação da iniquidade. Esta tradição tão gritantemente medieval continua visívelmente bem viva: tanto nos costumes iniciáticos dos seus estudantes (nas sevícias que alegre e consuetudinariamente impõem uns aos outros) como nos pareceres dos seus doutos professores.
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É o caso do douto jurista de direito bancário João Calvão da Silva, um dos dois eméritos professores de coimbrameudeus que deram um parecer - o “acho que” entregue plo banqueiro salgado ao banco de portugal e lhe garantiu a “idoneidade” - que justificou a oferta de 14 milhões de euros que este recebeu do empresário guilherme
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Ele “achou que”: “É o bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade -, com espírito de entreajuda e solidariedade. De outro modo, ninguém estaria disponível para dar um conselho, uma recomendação ou informação a quem quer que fosse”.
Por isso, tomei a liberdade de lhe fazer um “retrato”.
 Trata-se do meu parecer. Este é grátis..
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Adenda - depois de editar esta posta, fiquei a saber que a luminária de coimbrameudeus em referência também é político. Trata-se do mesmo João Calvão da Silva que foi deputado plo pêpêdê entre 1995 e 1999 e é actualmente presidente doconselho de jurisdição (oláoquiéaquilo) do mesmo partido. É a prova de que sempre é verdade que "les beaux esprits se rencontrent": por vezes, como é notoriamente o caso, até no mesmo corpo - e com o mesmo cérebro.

ositiodosdesenhos.blogspot.pt

AFINAL, A MÃE DE sócrates não é rica... - “Quando o meu avô morreu, a minha mãe herdou uma fortuna, muitos prédios, andares, que ainda hoje ela não sabe o que fazer com eles.” Foi assim que José Sócrates falou pela primeira vez, em Outubro do ano passado

AFINAL, A MÃE DE sócrates não é rica...


Mãe de Sócrates: a história de uma fortuna que não chegou a sê-lo


JOSÉ ANTÓNIO CEREJO 




Um dos mitos que José Sócrates não quis alimentar durante muitos anos foi o da suposta fortuna da mãe. Isso valeu-lhe tantas suspeitas quanto à origem da riqueza que ostentava, que no ano passado resolveu dar gás ao mito. Afirmou que ela nem sabia o que fazer com tantos prédios e andares que herdara. Nessa altura, porém, ela já tinha vendido quase tudo. E não era tanto quanto isso.





Maria Adelaide de Carvalho Monteiro
SÉRGIO LEMOS/CORREIO DA MANHÃ






Ministério da Cultura mudou de opinião sobre projecto para casa de Sócrates

“Quando o meu avô morreu, a minha mãe herdou uma fortuna, muitos prédios, andares, que ainda hoje ela não sabe o que fazer com eles.” Foi assim que José Sócrates falou pela primeira vez, em Outubro do ano passado, numa entrevista ao Expresso, sobre a suposta fortuna da mãe. Na verdade, nesse dia, a senhora já praticamente nada tinha, além do modesto rés-do-chão em que vive em Cascais, de uma arrecadação em Setúbal e de uma terça parte de uma casa na sua aldeia natal, em Trás-os-Montes.

O apartamento de luxo em que morava desde 1998, no Heron Castilho, o prédio da Rua Braamcamp, em Lisboa, onde o filho residia até ser preso, tinha-o vendido um ano antes, em Setembro de 2012. A venda rendeu 600 mil euros e o comprador foi Carlos Santos Silva, o velho amigo de Sócrates igualmente detido pelos mesmos indícios de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais que levaram o ex-primeiro-ministro ao Estabelecimento Prisional de Évora.

Mas Sócrates preferiu não o dizer ao Expresso. Disse apenas que a mãe “conseguiu vender dois andares em Queluz que estavam ocupados.” Omitiu foi que essa venda tinha sido feita há 24 anos, em 1990. E muito menos disse que, há três anos, logo após a sua derrota eleitoral nas legislativas de 2011, vendeu igualmente dois andares no Cacém.

Também neste caso, o comprador foi Carlos Santos Silva, que resolveu pagar 100 mil euros por um deles, que estava e está devoluto, e 75 mil pelo outro, que está arrendado. Num prédio vizinho, também situado na Rua Dr. António José de Almeida, está actualmente à venda um andar igual, também sem inquilinos, pelo qual uma agência imobiliária está a pedir 64.500 euros. Moradores na mesma rua garantem, contudo, que este género de apartamentos, com cerca de 35 anos, se vende ali por valores entre os 40 mil e os 50 mil euros.

A escritura do primeiro daqueles dois andares da mãe de Sócrates, Maria Adelaide de Carvalho Monteiro, foi celebrada a 6 de Junho de 2011, no dia seguinte ao das eleições. A segunda foi assinada um mês depois, a 7 de Julho. Em ambos os casos, Maria Adelaide e Carlos Santos Silva, o comprador, foram representados pelo mesmo procurador: o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, igualmente arguido e indiciado pelos mesmos crimes que Sócrates e o amigo.

De acordo com o que tem sido publicado por vários jornais, mas até agora sem confirmação documental, os 675 mil euros pagos por Santos Silva terão depois sido transferidos por Maria Adelaide, em pequenas parcelas, para a conta do seu único filho vivo e resultariam de vendas simuladas, destinadas a branquear a origem de parte do dinheiro que o ex-primeiro-ministro teria depositado em nome do amigo. Em todo o caso, e do ponto de vista teórico, as duas netas, ainda menores, deixadas por António José Pinto de Sousa, o irmão de Sócrates que faleceu aos 49 anos, no início de Agosto de 2011 (duas semanas depois da morte do pai de ambos), terão sido assim prejudicadas com estas aparentes doações da avó ao tio.

Relativamente aos dois andares do Cacém, Sócrates disse à RTP, numa carta divulgada no princípio desta semana, que a mãe vendeu, com a ajuda do irmão, os dois apartamentos “por um preço total de 100 mil euros”. E acrescentou que se trata de “um preço justo que resultou de uma avaliação”. As escrituras celebradas no cartório da notária Isabel Catarina Portela Guimarães Neto Ferreira, na Av. Almirante Reis, em Lisboa, não deixam, porém dúvidas: a venda foi feita por um preço total de 175 mil euros.

Mas estas vendas, a dos dois andares do Cacém e a do apartamento do Heron Castilho, foram apenas as últimas e quase derradeiras. Ao longo dos últimos 32 anos, o património que Maria Adelaide herdou, e que, afinal, não foi assim tão valioso quanto isso, foi sendo vendido, doado e até expropriado.

Doze andares modestos


No total, chegaram à sua posse — por herança directa do pai, pela dissolução de uma empresa de que ele era sócio, pela morte, sem filhos, de um dos três irmãos e ainda pelo divórcio — 12 apartamentos (em Setúbal, Queluz, Cacém, Cascais e Covilhã), uma arrecadação (Setúbal), um terço de uma casa em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, um sexto de mais três andares (em Queluz e Setúbal), um terreno rústico com 320 m2 (Covilhã), um sexto de um lote de terreno no Barreiro com 300 m2, três doze avos de dois lotes de terreno em Setúbal, um sexto de outro lote de terreno em Setúbal e um sexto de um armazém, também em Setúbal.elaide só por um triz é que não perdeu uma boa parte da sua herança: a segunda mulher de Júlio César, mãe dos dois tios maternos de Sócrates, faleceu em 1981, cinco dias antes do marido.

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