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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

À esquerda, tempo de rever a estratégia

À esquerda, tempo de rever a estratégia


As recentes declarações de António Costa (AC) sobre a dívida pública são um verdadeiro programa de governo: "Não nos distraiamos daquilo que é essencial e que está ao alcance da nossa mão, que é reforçar o investimento através dos recursos que estão disponíveis. É necessário naturalmente fazer o outro debate [sobre reestruturação da dívida] e é necessário que os consensos técnicos alargados se vão estabelecendo ao nível europeu, porque só uma solução ao nível europeu seria possível e admissível."
("Económico"/Lusa, 24 Outubro).

Imagino a decepção dos sectores da esquerda que fixaram como objectivo estratégico para o combate político a reestruturação da dívida, de certo contando com o apoio de AC. O que este lhes disse é claro: não contem com o PS para um braço de ferro com a UE. No PS já se faz contas a uma maioria absoluta, meta que tentará alcançar apresentando uma candidatura inclusiva, aberta a personalidades de diversos quadrantes políticos. AC traçou uma linha vermelha: "Só uma solução ao nível europeu seria possível e admissível." Portanto, a saída da crise em que estamos mergulhados não depende de nós e terá de ser encontrada no plano da UE, num processo negocial algo parecido com o das recentes negociações de Hollande e Renzi que conduziram ao reforço da austeridade nos respectivos orçamentos para 2015.

AC admitiu também que se chegará a um compromisso com a UE que, mesmo sem tocar na dívida, nos permitirá receber os recursos financeiros correspondentes a uma hipotética reestruturação. Tendo presente a agressividade do debate sobre os acertos de contas no orçamento da UE, é preciso ter muita fé para acreditar que os países do centro estão dispostos a contribuir com transferências para a periferia da zona euro, em montantes que dispensem a reestruturação das suas dívidas. Convém não esquecer que o tratamento dado a Portugal seria reivindicado pelos outros países devedores, e que tal acordo generoso teria de ser aprovado pelos parlamentos alemão, austríaco, finlandês e holandês. Não sei de onde veio esta ideia, mas uma coisa é certa: não passa de um sonho.

Aliás, a insistência de AC no potencial de crescimento associado aos fundos comunitários, os do QCA já negociado, é também reveladora de grande optimismo. De facto, a execução do QCA depende da candidatura de projectos de iniciativa privada ou pública. Ora o actual clima de depressão, em Portugal e na zona euro, criou problemas de liquidez que tolhem os promotores privados e geram expectativas pessimistas quanto ao futuro, a curto e a médio prazo. Daí um inevitável arranque lento na componente privada do QCA. Por outro lado, a necessidade de conter o défice dentro dos limites impostos pela CE conduz o investimento público a um nível insuficiente para, mesmo com elevada comparticipação comunitária, produzir efeitos significativos no crescimento económico. Ao contrário do que AC sugere, não há boa administração do QCA que substitua uma política orçamental keynesiana e uma política industrial, ambas proibidas na UE.

Este é o impasse em que nos encontramos: à espera de um milagre orçamental europeu, por bondade da Europa rica; à espera que o BCE salve o euro, imitando a Reserva Federal americana.

Pelo menos os economistas sabem, ou têm obrigação de saber, que mesmo uma política monetária agressiva como a que os EUA têm praticado já não chega para salvar a zona euro da deflação. Vem tarde e terá uma escala limitada porque não pode correr o risco de um veto do Tribunal Constitucional alemão. Por isso, a zona euro está condenada a passar por sucessivos colapsos-relâmpago nos mercados financeiros, como o da semana passada, até que chegue o colapso final. AC e seus assessores têm dado sinais de que não percebem isto e, portanto, acabarão por ir a reboque dos acontecimentos. Quanto às esquerdas, chegou o tempo da reformulação estratégica: a dívida não pode ser um refúgio para evitar reconhecer que o euro já não funciona e acabará um dia destes.


(O meu artigo no jornal i)

ladroesdebicicletas.blogspot.pt

A SENHORA GRACIA NASI - Beatriz de Luna, nome cristão de Grácia Nasi, pertence a uma família originária de Castela que, após o decreto de Expulsão dos Judeus de Espanha em 1492[1], procurou, em Portugal, abrigo para a prática da sua religião, das suas tradições e festas. Abrigo para viver!

A Senhora

Grácia Nasi 

Retrato de Gracia Nasi pintado por Cynthia Von Buhler



Uma abundante literatura permite-nos trazer de volta, envolta em seu mistério, esta Senhora do séc. XVI português.


 Nascida em Lisboa, no ano de 1510, veio a morrer em Istambul em 1569.


    Beatriz de Luna, nome cristão de Grácia Nasi, pertence a uma família originária de Castela que, após o decreto de Expulsão dos Judeus de Espanha em 1492[1], procurou, em Portugal, abrigo para a prática da sua religião, das suas tradições e festas. Abrigo para viver!

    No ano de 1510, data do seu nascimento, já não existem Judeus em Portugal. Chamam-nos agora de Cristãos-Novos. Convertidos no seu coração e na sua vontade, ou feitos Cristãos por aqueles de quem é o poder. Assim se distinguindo daqueles que sempre o haviam sido, os Cristãos-Velhos. Só muito mais tarde, o Marquês de Pombal virá a abolir esta distinção[2]. Da conversão forçada, fala Garcia Resende:


" Os Judeus vi cá tornados

todos num tempo cristãos..." [3]


    Com o nome de Beatriz de Luna, Grácia Nasi casa com Francisco Mendes, natural de Sória, também em Castela, filho da ilustre família Benveniste, chegada a Portugal em 1492. Semeah Benveniste é o seu nome hebraico. Em Lisboa, conhecem-no por Francisco Mendes "o grande marrano". O poderoso comerciante de pedras preciosas e de especiarias. O banqueiro. "Assim à data do seu casamento, Francisco e seu irmão Diogo, que entretanto se estabelecera em Antuérpia, já haviam construído um império que detinha a primazia do comércio em toda a Europa" [4]



Imagens do mundo da Dona Gracia Nasi. De cima: seu médico, Amatus Lusitanus; sua residência em Ferrara, medalha retrato de sua sobrinha; o novo vinho branco Dona Gracia; uma carta anunciando a sua morte (cortesia do Univesity of Zagreb); mapa de sua viagem; sentado com o sobrinho em seu ombro, em Veneza.


Casada aos 18 anos, viúva aos 25, Grácia vê-se pela morte do marido (1535) investida na função de gestora e responsável pelo mundo dos negócios e da finança que compartilha com o seu cunhado, Diogo Mendes, estabelecido em Antuérpia em 1512.

Sem medo, Grácia Mendes organiza os seus negócios e a sua fuga.


A Inquisição tinha sido introduzida em Portugal depois da morte do seu marido, em 1536, pela vontade de D. João III e decisão do Vaticano[2].

Num barco inglês fretado pelo seu cunhado, parte em 1537, deixando Lisboa, levando consigo sua filha Reyna, sua irmã Brianda e dois sobrinhos Bernardo e João Micas, filhos do seu irmão Agostinho Micas, médico da corte, já falecido.


Rumam e desembarcam em Inglaterra onde Grácia se inteira da rede de fuga dos Marranos e onde reafirma a vontade de continuar a obra de proteção iniciada por seu marido. Chega a Antuérpia em 1537.

De parceria com seu cunhado, dirige os negócios e as finanças da sua Casa Comercial e Bancária.

A família parece enraizar-se na Flandres. Brianda Nasi, a irmã de Grácia, casa com Diogo Mendes na catedral de Notre Dame, em Antuérpia, seguindo a tradição – tão frequente entre os Judeus – dos casamentos endogâmicos. Assim preservam a religião, os ritos, a família e o património.

Mas o perigo tece uma teia à volta da família Nasi-Benveniste. À volta da Casa Mendes.
O dote de Reyna, filha de Grácia e de Francisco, faz fervilhar a ambição de muitos que sendo poderosos não são Judeus. A partida de Antuérpia urge. Parte em 1545. Veneza é a cidade escolhida. Lá, onde os Judeus podem assumir a sua pertença religiosa, Grácia prefere continuar a assumir o cristianismo de fachada, guardando o Shabbat dentro das paredes de sua casa. Não habita o ghetto mas escolhe o centro da cidade, o Rialto, zona de comerciantes, viagens e negócios onde fácil é acolher e esconder os Marranos.

Surgem desentendimentos familiares com sua irmã, originados pela gestão do grande empório comercial que possuem, e que, agora por vontade expressa em testamento de Diogo Mendes, Grácia gere sozinha. Numa tentativa de afastar a irmã, Brianda acusa-a de judaizar e Grácia é presa.


Selo comemorativo

Destaca-se então como figura da maior importância dentro da família, João Micas, que se afirma como verdadeiro sucessor de Diogo Mendes, após a morte deste, em 1543, na gestão da Casa Mendes, como braço direito da tia.

É graças às suas estratégias que as duas irmãs são libertadas das masmorras venezianas. Brianda, a denunciante, tinha sido ela própria acusada do mesmo crime por um dos seus agentes que declarou que “também ela judaizava em segredo"[6] e encarcerada.

Uma vez mais Grácia parte. Um outro caminho se abre... Ferrara.

Já em 1538, um ano após a sua chegada a Antuérpia, Hércules II, Duque de Este, lhe havia feito o convite para viver nos seus domínios. Convite agora aceite, no ano de 1549.

Importante nos negócios, na finança, na ajuda solidária, é agora em Ferrara que Grácia Nasi se torna uma figura de vulto no mecenato.




O afeto que a une a Benvenida Abravanel, filha de Samuel Abravanel e sobrinha de Isaac Abravanel, não terá sido estranho a esta nova dimensão da sua vida.



Empenha-se na publicação de obras entre as quais avultam a “Bíblia de Ferrara” e “Consolação às Tribulações de Israel”.


Publicada em Ferrara, em 1533, por dois judeus sefarditas da primeira geração de convertidos – o “espanhol” Jerónimo de Vargas e o português Duarte Pinel, respetivamente Yob Tob Atias e Abraão Usque – a famosa Bíblia de Ferrara apresenta duas versões: uma destinada aos Cristãos, outra aos Judeus. A versão hebraica traz a data de 14 de Adar de 1513. É dedicada " À muito ilustríssima Dama, Dona Grácia Nasi", pelos seus autores.
Bíblia de Ferrara
Foto de Eva Amado Bacelar



A outra publicação tem a assinatura de Samuel Usque: a " Consolação às Tribulações de Israel", impressa na mesma cidade, em 1533, é também ela dedicada à " ilustríssima Senhora Dona Grácia Nas, coração da nação portuguesa...para vos testemunhar a minha gratidão pelos numerosos favores que recebi da vossa mão." Mas não é ainda em Ferrara que param os caminhos desta Senhora do Renascimento. Portuguesa e Judia.



Consolação às Tribulações de Israel

Istambul...

Talvez Francisco Mendes com o aproximar dos tempos que em 1536 trouxeram a Inquisição para Portugal, tivesse concebido o plano de partir para essa cidade, capital do Império Otomano.



O sultão Bejazet II (1492-1512) convidava todos os Judeus Sefarditas [7] a estabelecerem--se em suas terras. São lhe atribuídas as palavras: “Pode considerar-se sábio e inteligente um tal soberano D. Fernando que empobrece o seu país e enriquece o meu?"

O sultão Bejazet II



Parte em 1522. Deixa atrás de si a Europa dos negócios, da alta finança que tão bem conhece. É recebida em Istambul por tantos a quem o seu dinheiro, aliado ao poder de iniciativa, ao sentido de responsabilidade, à firmeza de decisão, tinham permitido deixar o país que para eles não tinha lugar.

Em Istanbul volta declaradamente ao Judaísmo. Retoma, publicamente, o seu nome. Grácia. Grácia Nasi. Aí vive 16 anos de 1553 a 1569, data da sua morte. Anos, enfim, de ser e mostrar quem é.




 Mais tarde, em 1554, chegam a Istambul Bernardo e João Micas, agora Samuel e Joseph Nasi. Através deste último, que rapidamente se torna figura proeminente do Império, amigo pessoal de Solimão II, o Magnífico, e de seu sucessor Selim II, de quem recebe o título de Duque de Naxos, a família conhece a cultura, o fausto, e também as intrigas, da cidade e do Império.

Gravura de Gracia e Joseph Nasi




Novos casamentos ocorrem na família, dentro dos ritos próprios do Judaísmo: Reyna casa com Joseph e Grácia a Jovem com Samuel.

Grácia Nasi morre em 1569 com 59 anos em Istambul. Com Tiberíades no coração. Essa cidade onde Grácia e Joseph tinham sonhado um espaço onde se pudessem fixar os Judeus que de outras terras tivessem sido expulsos.



Tal ambição não veio a concretizar-se, destruindo à esperança que os animava no ano de 1560, depois de haverem negociado e obtido do sultão Solimão I a concessão dessa cidade santa da Galileia.

O sultão Solimão I



Grácia Nasi, a Senhora que nos convida a melhor a estudarmos, para melhor a conhecermos a si e à sua época. A Mulher que suscita em nós muitas perguntas. Poucos dados dela temos. Nascimento e morte. A viagem entre 1510 e 1569 que foi a sua vida. Dos sentimentos da menina nascida em Lisboa, da adolescente, da mulher, não sabemos muito. Conhecemos o seu grande sentido da responsabilidade e da solidariedade. O seu incansável dinamismo. A coragem de decisão. A firmeza.

Nas palavras de Samuel Usque, "era a mão estendida que resgata os cansados. Alimenta os famintos. A fonte de coragem e do estímulo para os pobres e enfraquecidos”.


Biblioteca Geral relativa à mostra sobre Grácia Nasi 1510-1569 
e outros judeus portugueses



Em cada um de nós, Grácia Nasi, escreve a sua própria vida. Em cada leitura que dela fazemos. Em cada sala do seu museu, em Tiberíades, que visitamos... Em cada vez que nela pensamos.



Homenagem a Dona Grácia Nasi em Tiberíades 


[1] Decreto de Alhambra. Decreto régio promulgado pelos Reis Católicos, Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, em 31 de Maio de 1492,em Alhambra, Granada.
[2] Lei de 25 de Maio de 1773
[3] Resende, Garcia, Miscelânea, 1554
[4] Mucznik, Esther, Grácia Nasi, A Judia Portuguesa do século XVI que desafiou o seu próprio destino, Esfera dos Livros,2010
[5]Bula Cum ad nihil magis, publicada em Évora em 22 de Outubro de 1536.
[6]Birnbaum, Marianna, A longa viagem de Grácia Mendes, Lisboa, Edições 70, 2005

[7]Judeus originários da Península Ibérica.

Este artigo foi elaborado e uma cortesia de,
 Dora Caeiro
A quem agradeço o carinho desta partilha. J

Bibliografia consultada:

AZEVEDO, J. Lúcio, História dos Cristãos Novos Portugueses, Lisboa, Clássica Editora, 3ª Edição, 1989.
BIRNBAUM, Marianna, A longa viagem de Gracia Mendes, Lisboa, Edições 70, 2005
BROOKS, André Aelion, The  Woman Who Defied Kings: the life and times of Doña Garcia Nasi.  A Jewish leader during the Rennaissance, St. Paul, Minnesota, Paragon House, 2002.
CLÉMENT, Catherine, A Senhora, Porto, Edições Asa, 1994.
Mercadores e Gente de Trato in Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses, Lisboa, Campo da     Comunicação,2010
Dicionário do Judaísmo Português, Lisboa, Editorial Presença, 2009
FERNAND–HALFEN, Alice, Gracia Mendesia-Nasi, Une Grande Dame Juive de la Rennaissance, Paris 1929.
FERRI, Edgarda, Gracia Nasi, a Judia, Lisboa, Quetzal Editores, 2002
KAYSERLING, Mayer, História dos Judeus em Portugal, São Paulo, Editora Perspectiva S. A, 2009
MARCOCCI, Giuseppe, História da Inquisição Portuguesa desde 1536-1821, Lisboa, A esfera dos Livros, 2013
MARTINS, Oliveira, História de Portugal (Tomo II), Lisboa, Livraria, Bertrand, 1882
MUCZNIK, Esther, Grácia Nasi, A Judia Portuguesa do séc. XVI que desafiou o seu próprio destino, Lisboa , A Esfera dos Livros, 2010
PAMUK, Orhan, Istanbul, Memórias de Uma Cidade, Lisboa, Editorial Presença, 2008
RAGEN, Naomi, O Fantasma de Hannah Mendes (Romance Histórico), Lisboa, Replicação, 2005
REMÉDIOS, J. Mendes dos, Os Judeus de Portugal, Volumes I e II, Edição Fac-Simile,  Lisboa, Alcalá             2005
RESENDE, Garcia de, Miscellnea, Évora, 1554
 SARAIVA, António José, Inquisição e Cristãos Novos, Lisboa, Estampa, 1985.
TAVARES, Maria José Pimenta Ferro, Judaísmo e Inquisição, Lisboa, Editorial Presença, 1987
WILKE, Carsten L., História dos Judeus Portugueses, Lisboa, Edições 70, 2009

Imagens:
zivabdavid.blogspot.pt

OS HARENS - A VIDA ENTRE PRAZERES E INTRIGAS

Como eram os haréns

O harém era um lugar à parte, no palácio do sultão, proibido a todos os homens, exceto o sultão e os eunucos.
a palavra árabe “haram” significa “o que é resguardado, sagrado”.
Sobre uma aparente tranquilidade luxuosa, havia uma organização rigorosa e disciplina severa, dado o grande número de mulheres residentes, centenas delas. Existiu um harém indiano, do grande Mogul Akbar (1556-1605), com mais de 5 mil mulheres. Tão grande número de mulheres para um único homem fazia ferver de fantasias a imaginação dos viajantes ocidentais. Quem detinha a autoridade do harém e a tudo comandava era a “Valide”, a mãe do sultão. Quando um sultão subia ao trono, a sultana-mãe era conduzida ao palácio, com toda a magnificiencia, instalando-se nos melhores e mais luxuosos aposentos do harém. A ela cabia a administração e a decisões referentes a todo o conjunto harêmico. O grande sonho das mulheres do harém era um dia tornar-se sultana “Valide”.
Os eunucos
ainda meninos, eram capturados nas selvas africanas, geralmente no sudão, e vendidos a mercadores de escravos que providenciavam a castração. Essa mutilação era feita de modo bastante rudientar e poucos sobreviviam, tornando-se, por isso, mercadoria valiosa.






os eunucos, assim como as escravas, eram vendidos nos mercados árabes, indo, depois, parar nos haréns dos palácios. A função do eunucos o harém era a de guardião das mulheres.
Sere híbridos, meio homem, meio mulher, serviam os eunucos de ligação entre o harém principesco e o mundo exterior. quando ingressavam no harém, tanto os eunucos como as mulheres, recebiam um novo nome. a vida anterior ficava para trás. outra vida, outro nome.
as escravas do harém eram, geralmente, cristãs de origem européia, visto que para um muçulmano é pecado escravizar outro. algumas advinham de pilhagens de guerras, outras eram capturadas e vendidas nos mercados árabes. embora tivessem algumas obrigações a cumprir, determinadas pela “valide” viviam ociosamente.
assim, dedicavam muitas horas do dia aos rituais dos banhos turcos.
nas piscinas e nos bancos de mármore, ficavam imersas nos vapores quentes, desfrutando horas de conversas, brincadeiras e, como não podia deixar de ser, tecendo intrigas, pois o harém era um lugar de rivalidades e traições. as massagens feitas pelos eunucos ou outras escravas, também faziam parte do seu dia a dia. eram banhadas depois em águas perfumadas com pétalas de rosas e essência raras.
lindas e sedutoras, encaminhavam-se para outras salas onde cuidavam dos cabelos, pintavam as unhas e se maquiavam.
Depois vestiam-se luxuosamente e adornavam-se com inúmeras jóias.
passavam o resto do dia deitadas sobre ricas almofadas, conversando, comendo, tocando instrumentos, jogando, bordando, etc.
outras passeavam pelos jardins, dançavam, fumavam narguilé. eram todas escravas de luxo.
assim transcorriam seus dias, enquanto esperavam pela chamada do sultão. esse era o objetivo. sendo uma delas escolhida, era perfumada, vestida suntuosamente pelas outras mulheres e conduzida pelos eunucos aos aposentos do calefa. e se dela ele se agradasse, tornava-se favorita. se viesse a ter um filho do sexo masculino, tornar-se-ia esposa, e se esse fosse o primeiro filho do sultão, passaria a ser primeira esposa. se, porém, após nove anos, nunca fosse chamada pelo sultão, podia sair e casar-se fora do harém imperial. Chamada que fosse apenas uma vez, tornava-se reclusa perpétua.
Talvez um dos grandes atrativos da época, já que estamos falando de mulheres, seja a dança do ventre, dança sensualíssima:
VÍDEOS

ednene.wordpress.com

século XV, o palácio de Topkapi, construído no século precedente, foi ampliado. Seu harém pôde então abrigar até 1.500 mulheres. Uma cidade proibida, onde o amor e a política conviviam intimamente.

Na história do mundo, poucas instituições intrigaram tanto os ocidentais quanto os haréns dos sultões, que têm nos domínios do imperador otomano, em Istambul, o seu exemplo maior. Ele inspiraria as mais pródigas fantasias do mundo da cristandade, chegando ao carnaval do Brasil do século XXI. Gigantesco lupanar, sede incomparável de desvario sexual, o harém do grão-turco suscitava curiosidade, inveja ou repulsa, mas não deixava ninguém indiferente. Era possível imaginar belas ocidentais arrancadas de suas famílias para se tornarem as prisioneiras de um monarca libidinoso, submetidas a seus caprichos, joguetes de todas as suas fantasias, antes de serem lançadas no Bósforo quando não lhe agradavam mais.





Vinha também ao espírito o clichê dessas mulheres condenadas a uma vida reclusa, ocupando seus dias ociosos a se enfeitar à espera de um simples olhar de seu senhor, ou a tecer intrigas destinadas a se vingar de uma rival. Os  pintores ocidentais, frequentemente, nos mostraram as mulheres do harém despidas – como o fez Ingres com a sua Grande odalisca –, quando o clima de Istambul absolutamente não se harmoniza com uma nudez constante. Os escritores viajantes se dedicaram a descrever a vida cotidiana do harém, ainda que nenhum deles tivesse chegado algum dia a transpor os seus portões, enquanto outros pintaram o gineceu otomano como o teatro de sangrentas tragédias – ou, ao contrário, o jardim do Éden.

O harém era um local secreto. Muitos falaram dele, poucos o conheceram. Além disso, esse lugar misterioso era propício aos voos da imaginação. A palavra vem do árabe haram, que designa um lugar protegido por regras, proibido, sagrado. Em um sentido mais comum, o harém correspondia à parte secreta de uma casa, uma parte na qual mulheres, crianças e empregados domésticos viviam em isolamento completo: um espaço vedado aos homens.







A vocação do harém imperial não se limitava a satisfazer os prazeres carnais do sultão, mesmo quando alguns entre eles – como Murad III (1546-1595), de quem se diz que “rendia homenagens” a duas ou três mulheres a cada noite – se mostravam insaciáveis em seu apetite sexual. Sua função essencial era assegurar a perenidade da dinastia, sua sobrevivência biológica, graças a uma abundante descendência masculina destinada a fazer contraponto à elevada mortalidade infantil e às frequentes mortes violentas. O grande número de parceiras femininas do sultão era a melhor garantia disso.  Assim os “filhos de Osman”, criador no século XIII da dinastia que foi chamada de otomana, reinaram ininterruptamente sobre o império até a supressão do sultanato por Mustafá Kemal, em 1922. Mais ainda, ao contrário das monarquias europeias, a Sublime Porta jamais conheceu uma guerra de sucessão.

A concentração de mulheres devotadas a gerar descendentes não deveria suscitar dificuldades políticas com suas famílias. Para eliminar esse risco, eram escolhidas esposas privadas de laços familiares. Toda ameaça de conspiração e até mesmo de levante ou de revolta, fomentada por parentes excessivamente ambiciosos, era desse modo descartada. Se os primeiros sultões desposaram princesas da Anatólia, bizantinas, búlgaras ou sérvias, seus sucessores, desde o fim do século XV, preferiram as escravas.

Mais ainda, para evitar com certeza os pretendentes externos, as filhas do sultão quase nunca se uniam a príncipes estrangeiros, e sim a notáveis e altos dignitários do império. Onde encontrar, então, concubinas sem família destinadas ao palácio imperial?
www.historia.templodeapolo.net


A VERDADE SOBRE OS HARÉNS EGÍPCIOS


A verdade sobre os haréns egípcios


Harém ... palavra portadora de fantasmas, povoada de sultões libidinosos, de jovens lascivas educadas para satisfazerem os desejos do macho.

A egiptologia teve a infeliz idéias de escolher a palavra "harém" para designar uma importante instituição do Estado faraônico, ritual, educativa e ao mesmo tempo econômica, que nada tem a ver com as prisões de mulheres do mundo muçulmano.

A confusão vem do significado do termo egípcio Kheneret – "lugar fechado", que certos eruditos logo traduziram para "harém", porque ali se encontravam comunidades femininas, que não eram formadas por reclusas, lá celebravam rituais em honra de divindades protetoras do harém: Amon, Min, Hathor Ísis, Bastet.Kheneret significa igualmente – "tocar música, manter o ritmo" , o ensino da música era uma das funções dos haréns egípcios.
XsF
Discípulas da desusa Hathor, as sacerdotisas que lá viviam asseguravam ritualmente a sobrevivência da alma e a irrigação da Terra pela energia celeste. Uma "venerável (Shepset)" está à frente do harém, e a superiora de todos os haréns é a própria rainha. Na sua qualidade de "esposa do deus" e de soberana de todas as sacerdotisas do reino, ela dirigia essas instituições na sua totalidade. Em cada harém, uma encarregada representava a rainha. Personagens de grande estatura como Hapuseneb, o sumo sacerdote de Amon ou os vizires Requermirê ensaiaram lá os seus primeiros ensinamentos. No Novo Império, a direção dos haréns foram confiados a mulheres, na grande maioria para esposas de sumos sacerdotes de Amon.
– Concluio do Harém
Um dos mais sombrios episódio da história egípcia. Visava assassinar o faraó Ramsés III (1184-1153 a.C). O harém régio tinha acolhido inúmeras princesas estrangeiras, e várias delas maquinaram intrigas, muitas foram inofensivas. Mas uma delas assumiu proporção tal que foi registrada nos arquivos reais com pormenores, e graças ao Papiro Jurídico de Turim chegou até nós, a instigadora era uma concubina real, Tiy, que desejava fazer subir ao trono seu filho, o príncipe Pentaur. A manobra fracassou, mas consideraram que atentar contra a vida do faraó, e a prática da magia negra, eram crimes de altíssima gravidade. Pentaur pôs fim a sua própria vida, quanto a sua mãe Tiy, a mentora, desconhecemos o fim.
( Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq )


isiseasdeusasegipcias.blogspot.pt

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