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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os pecados de Marina Silva - Tal como em 2010, Marina Silva ficou-se pela primeira volta com cerca de 21% dos votos. Há no entanto uma grande diferença: em 2010, Marina saiu como vencedora. Este ano, sai como grande derrotada das eleições brasileiras.

Os pecados de Marina Silva







Tal como  em 2010, Marina Silva ficou-se pela primeira volta com cerca de 21% dos votos. Há no entanto uma grande diferença: em 2010, Marina saiu como vencedora. Este ano, sai como grande derrotada das eleições brasileiras.
Quando  em 2010 abandonou o PT e decidiu candidatar-se, as  sondagens davam a Marina Silva entre  2 a 5 por cento dos votos.  Foi subindo e, no dia das eleições, surpreendeu o Brasil com uma votação inesperada, superior a 20%.
Em 2010, Marina Silva não era ainda uma “política”, mas os brasileiros  reconheceram a sua luta ao lado de Chico Mendes e premiaram a sua acção à frente do ministério do ambiente, que  a guindou a figura de destaque internacional, cumulada de prémios de reconhecimento do seu papel na defesa do desenvolvimento sustentável.  Conquistou  votos à direita e à esquerda e lançou um sério aviso ao PT, que foi obrigado a corrigir alguns desvios  para confirmar a vitória de Dilma Roussef na segunda volta.
O que se passou este ano foi radicalmente diferente.  Marina Silva voltou a ser uma candidata surpresa, mas por motivos muito diferentes.  Era segunda figura do PSB – que aproveitou a sua popularidade para alargar o leque de eleitores em  Eduardo Campos-  e só entrou na corrida, na sequência da trágica morte do candidato do PSB.
As primeiras sondagens apontavam para a possibilidade de vencer Dilma na segunda volta. Marina deslumbrou-se e cometeu uma série de asneiras.
Começou por afastar algumas figuras de topo  próximas do candidato do PSB e rodeou-se de nomes pouco recomendáveis da direita brasileira, nomeadamente na área económica. Os liberais ganharam tal peso na sua equipa, que até o Financial Times a elogiou. Renegar  a  identidade  que lhe permitiu granjear simpatias em vastas franjas do eleitorado, foi o seu primeiro pecado.
O segundo pecado  foi  contrariar as posições do PSB  em matérias delicadas como o aborto  e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ao reescrever o programa de governo, por pressão da Igreja Evangélica, Marina Silva demonstrou que cedia facilmente a pressões e era uma candidata facilmente moldável e  permeável. Como aqui escrevi no dia 1 de setembro, Marina Silva passou de esperança a desilusão. Pagou um preço elevado por isso.
Finalmente, o terceiro pecado, foi a postura que adoptou  durante a campanha.  Segui a campanha e vi dois dos debates. Percebi  que, afinal, Marina Silva não tem ideias. É um conjunto de slogans colados com cuspo. Para tentar esconder as suas incoerências e contradições,  Marina privilegiou o ataque a Dilma, atacando a sua idoneidade, a sua honestidade e pondo em causa programas bandeira do PT. Espalhou-se!
Após as eleições, Marina cometeu mais um pecado que, provavelmente,lhe  terá retirado a possibilidade de um dia chegar ao palácio do Planalto: optou por não manter a neutralidade de 2010 e declarou o seu apoio a Aécio Neves.  É um apoio baseado no ódio a Dilma, que foi cimentando ao longo da campanha. Ou, então, vingança Só uma destas razões explica que Marina apoie o candidato que, pelo menos no discurso, é radicalmente diferente dos princípios que diz defender. 
Ao contrário do que em tempos cheguei a admitir, Marina Silva é demasiado frágil a nível intelectual e politico, não tem capacidade nem estofo para gerir um país com a dimensão do Brasil que se quer afirmar, definitivamente, como grande potência mundial.
Marina derrotou-se a si própria, quando mostrou aos barsileiros que seria uma boneca de trapos nas mãos  dos interesses conservadores da Igreja Evangélica, muitas vezes ligados ao pior do capitalismo e da ideologia ultra liberal. Ainda bem. O Brasil ficou a ganhar.

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Os compromissos de Cavaco

Os compromissos de Cavaco


O compromisso com a honestidade

É um compromisso de uma vida de Cavaco, é por isso que está por nascer um homem que seja mais honesto do que ele. Mais difícil ainda é nascer um que ao mesmo tempo que é mais honesto do que ele consiga ganhar dinheiro com as acções do BPN como nunca ganharão os que acreditaram nas suas palavras e compraram acções do BES.

O compromisso com a democracia

Um compromisso que leva Cavaco a ser um lutador pelos direitos cívicos, opondo-se frontamente aos abusos do poder o que ficou demonstrado quando o Palácio de Belém terá estado sob escuta dos serviços secretos a mando do tenebroso José Sócrates.

O compromisso com a estabilidade

Cavaco sempre foi um defensor de soluções estáveis viabiliza por compromissos políticos, foi por isso que tudo fez para que não houvesse uma ruptura no governo do Bloco Central quando chegou à liderança do PPD. Foi também com base neste compromisso que tudo fez para garantir estabilidade política depois de ser reconduzido nas presidenciais.

O compromisso contra o populismo

Cavaco tem uma vida de provas dadas contra os desvarios populistas, um exemplo disso foi a sua primeira maioria absoluta conseguida com um aumento de pensões cozinhado em total segredo, sem sequer ser do conhecimento de Mira Amaral, então ministro do Trabalho.

O compromisso com os mercados

Ainda que nem sempre os respeite Cavaco tem um compromisso com os mercados, não importa a Constituição ou a vontade dos portugueses, o político que está preocupado com o divórcio dos eleitores aos políticos defende que acima de tudo e todos estão os mercados. Este compromisso tem algumas excepções e uma delas são os seus negócios com acções, sendo um modesto professor que nada sabe dessas coisas em inglês sobre acções Cavaco foge da bolsa e prefere negócios de acções em que o preço de venda e o preço de compra sejam fixados por um amigo que saiba da coisa, como era o caso do Oliveira e Costa.

O compromisso com as instituições

Como muito boa gente diz Cavaco é um institucionalista, um político que respeita os valores e as instituições e um bom exemplo deste comportamento exemplar foi ter designado por forças de obstrução todas as instituições democráticas, desde o Tribunal de Contas à Presidência da República, que de alguma forma o incomodassem enquanto primeiro-ministro.

O compromisso com os amigos

Cavaco não deixa cair os amigos e demonstrou-o ao declarar a inocência de Dias Loureiro, todos os seus amigos tiveram carreiras brilhantes, uns foram banqueiros, outros advogados de sucesso e ainda há por aí quem tenha de carreiras de sucesso em meios pouco prováveis, como é o caso do professor catedrático a tempo parcial 0% que deverá estar em alta no PC Chinês pelo seu desempenho na EDP.

O compromisso com Portugal

O compromisso com Portugal leva a que os seus próprios ódiozinhos e sentimentos mesquinhos o levem a ignorar a morte de José Saramago ou a não dar os parabéns aos portugueses que se distingam internacionalmente quando não gostem dele, como sucedeu ainda recentemente com Carlos do Carmo. Cavaco leva muito a sério o seu compromisso com um Portugal que tem como fronteira a Quinta da Coelha.
O compromisso com a Constituição

O seu compromisso com a Constituição é tal que a invoca sempre que estão em causa as suas competências ou segurança, como o fez ainda recentemente no caso BES. Mas vai ainda mais longe e põe-se ao dispor do governo sempre que este precisa que o TC se pronuncie sonbre medidas que tenciona adoptar para o futuro.


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ASSIM NASCEU TARZAN


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A mais longa batalha da história Uma sucessão de conflitos com mais de um século de existência foi um dos fatores responsáveis pelo término do sistema feudal que já agonizava há muitos anos

A mais longa batalha da história
Uma sucessão de conflitos com mais de um século de existência foi um dos fatores responsáveis pelo término do sistema feudal que já agonizava há muitos anos

Por Rose Mercatelli
Foto: Reprodução
Apesar do nome, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre França e Inglaterra, as duas maiores potências europeias do século 14, durou 116 anos. Segundo os historiadores, começou em 1337 e terminou em 1453. Mas não foi uma luta ininterrupta. Na verdade, aconteceram vários confrontos entre as duas monarquias com vitórias e derrotas para ambos os lados.
De acordo com os dados históricos, o pavio para o início do conflito foi aceso quando, em 1328, o rei francês Carlos IV morreu sem deixar herdeiros. Eduardo III, então rei da Inglaterra, achou-se no direito de reivindicar para si o trono vago. Além de súdito, ele era sobrinho do rei morto, por parte de sua mãe.
Entretanto, nobres franceses também queriam o mesmo. Sob a alegação de que o trono francês só poderia ser herdado por um homem (ou por um pretendente oriundo de uma descendência masculina), a assembleia francesa acabou escolhendo o conde Filipe de Valois, que se tornou Filipe VI (1328 a 1350).
O rei Eduardo não gostou de ser preterido, justo ele que já era dono por herança das regiões da Gasconha (no sudoeste da França, faz divisa com o norte da Espanha), de sua vizinha Guiana (atual território da Aquitânia) e do condado de Ponthieu (ao norte da França). Mas o inglês não discutiu a decisão, reconhecendo Filipe VI como rei da França em 1329 em Amiens e prometendo- lhe obediência.
Foto: Reprodução
Ilustração representando a batalha de Azincourt que aconteceu em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França
Interesses comerciais 
Ainda havia outra zona de atrito entre os dois países. A região de Flandres, a nordeste da França, (atual Bélgica e Países Baixos) era um rico entreposto comercial. Afora seu intenso comércio, Flandres ainda era um importante centro produtor de tecidos, que comprava grande parte da lã produzida na Inglaterra. Ainda que a região fosse politicamente subordinada à França, os produtores flamengos, por interesses comerciais, posicionaram-se a favor dos ingleses, fato que desagradou a Coroa francesa.
Apesar do nome, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre França e Inglaterra, as duas maiores potências europeias do século 14, durou 116 anos: de 1337 até 1453
A situação piorou quando o conde de Nevers, regente de Flandres, prestou juramento de obediência ao recém-coroado Filipe VI. Com medo que a economia da região entrasse em colapso, os flamengos reagiram. O rei francês, em apoio ao Conde Nevers, interveio no território. Em represália, Eduardo III suspendeu as exportações de lãs inglesas. Sem sua principal matéria-prima, os flamengos resolveram apoiar o monarca inglês que, novamente reivindicava o trono francês, repudiando o juramento de obediência que fez em Amiens. A partir desse ato, não havia outra saída entre os dois monarcas a não ser declararem guerra um contra o outro.
Primeiro período (1337 e 1364) 
Vitórias inglesas 
A França tinha uma população quatro vezes maior do que a Inglaterra. Em compensação, a monarquia inglesa era mais forte. Em 1337, Filipe VI começou o conflito ao atacar a Guiana (que pertencia legitimamente a Eduardo III) e exercer um intenso assédio ao litoral inglês até ser derrotado em 1340.
Foto: Reprodução
A cavalaria francesa sofreu em Aljubarrota (1385) outra pesada derrota contra as táticas de infantaria, depois de Crécy e Poitiers
Entre 1346 e 1353, uma epidemia de peste bubônica aniquilou aproximadamente um terço da população europeia. Com os exércitos reduzidos, as batalhas tiveram de ser interrompidas
As Batalhas de Crécy (1346) e de Calais (1347) foram as mais importantes do período. Contando com o apoio financeiro dos mercadores de Flandres, os ingleses levaram a melhor nas duas batalhas, o que permitiu à Inglaterra manter o controle sobre importantes posições ao norte da França, inclusive sobre o Canal da Mancha. O avanço sobre o território inimigo só não foi maior porque os dois países estavam sendo duramente castigados por uma doença mortal.
Foto: Reprodução
Ilustração representando a batalha de Azincourt que aconteceu em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França
Entre 1346 e 1353, uma epidemia de peste bubônica (chamada de peste negra) aniquilou aproximadamente um terço da população europeia. Tantas mortes fizeram com que a produção agrícola e as atividades comerciais tivessem uma queda abrupta. Com os exércitos reduzidos, as batalhas entre os dois países tiveram de ser interrompidas por conta da situação caótica.
Batalha de Poitiers (1356) 
Quando os combates reiniciaram anos depois, Eduardo III pode contar com a inestimável ajuda militar de seu filho Eduardo, o príncipe de Gales. Em agosto de 1356, aos 26 anos, o príncipe Negro, como era conhecido pela cor de sua armadura, mostrou ser um comandante competente ao invadir a região de Aquitânia (Guiana), para preservar suas bases avançadas.
Eduardo não encontrou resistência por parte dos súditos do rei francês João II, o Bom (1350 a 1364). Os ingleses e seus aliados da Gasconha devastaram e queimaram cidades e campos, deixando o inimigo enfrentar não só a escassez de soldados como também a falta de comida.
João II, entretanto, conseguiu reunir um exército de 20 mil homens e ordenou que empurrassem as tropas inimigas em direção ao mar. Em um primeiro momento, os ingleses realmente bateram em retirada em direção ao sul. Porém, próximo à cidade de Poitiers, o Príncipe Negro conseguiu virar o jogo e capturar João II. Conta a lenda que, durante o cerco, o monarca francês tirou suas túnicas reais, anéis e colares, e se misturou à multidão. Entretanto, apesar do disfarce, foi capturado minutos depois até porque João era a única pessoa que estava de coroa no meio da confusão.
Eduardo logo exigiu um resgate de 3 milhões de coroas para libertá-lo, uma soma colossal que deveria ser paga em prestações. Cinco anos depois, João foi solto mediante o pagamento de apenas parte do seu resgate.
Exército atolado 
Na batalha de Poitiers, o rei João mostrou ser um dirigente atrapalhado, titubeante em suas decisões e pouco hábil ao comandar seus exércitos. Além disso, parte de sua derrota também pode ser creditada ao tamanho de seus exércitos, enormes e lentos, com uma grande quantidade de homens armados com bestas (ou balestras) vestindo pesadas armaduras e montando cavalos protegidos por chapas de ferro.
Todo esse arsenal atrapalhava a mobilidade de seus soldados. Como se não bastasse, durante a batalha, João levou seus cavaleiros em direção a um pântano. Com o peso todo, os cavaleiros franceses ficaram presos no atoleiro e acabaram dizimados pelas flechas inglesas.
O Príncipe Negro, pelo contrário, apostava tudo na velocidade e mobilidade de suas tropas. Sem armadura e levando o arco longo no lugar da pesada besta, um soldado inglês conseguia se mover rapidamente, o que se transformou em uma grande vantagem. Apesar de não terem os efeitos devastadores das balestras, as setas disparadas pelos arqueiros tinham um poder de fogo cinco ou seis vezes superior. O resultado foi mais uma vitória para os ingleses.
A donzela de Orleans
Foto: Reprodução
É provável que Joana D'Arc tenha nascido em 1412, em Dómremy, na região de Lorena, na França. Filha mais nova de um casal de camponeses pobres e analfabetos, desde cedo se revelou muito religiosa. Com 13 anos, dizia ouvir vozes de São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida que lhe aconselhavam a rezar muito e ir para Orleans para combater os ingleses.
Aos 16 anos, acompanhada de seis cavaleiros, foi ao encontro do Delfim, atravessando o território dominado pelos partidários do conde de Borgonha, aliado da Inglaterra. Portando roupas masculinas, Joana finalmente se encontrou com Carlos VII. Desconfiado, o Delfim, a princípio, não quis atendê-la. Mas depois, convencido de seu discurso, o Delfim lhe entregou a espada, a bandeira e um exército de 4 mil homens que, comandados por ela, libertaram Orleans em 9 de maio de 1429. Joana ainda venceria mais três batalhas: Jargeau, Meung-sur-Loire e Beaugency, nos dias 16 e 17 de junho do mesmo ano.
Na primavera de 1430, Joana D'Arc, ao tentar libertar a cidade de Compiègne, foi capturada pelos aliados do conde de Borgonha. Depois de interrogada e torturada inúmeras vezes, Joana, com apenas dezenove anos, foi queimada viva em Rouen, no dia 30 de maio de 1431, acusada de heresia e bruxaria. Foi o fim da grande heroína francesa da Guerra dos Cem dias.
 A paz forçada
A Batalha de Poitiers se tornou o momento mais delicado para a França durante a Guerra dos Cem Anos. Sua derrota resultou no Tratado de Brétigny, que impunha pesadas sanções ao país. Derrotada e sem rei, a França não tinha nenhum poder de negociação e acabou abrindo mão de Calais, Aquitânia e Gasconha para a Inglaterra. No total, perdeu cerca de um terço de seu território.
Em troca, Eduardo III, da Inglaterra, desistia do trono da França e os direitos às regiões da Normandia e Bretanha. No dia 24 de outubro de 1360, foi paga a primeira parcela de 600 mil coroas. O restante seria dividido em prestações a serem saldadas a cada seis meses. Como garantia, 40 nobres franceses ficaram reféns dos ingleses para serem libertados, aos poucos, a cada fatura liquidada.
Mas ficava cada vez mais difícil para o governo francês honrar sua dívida. Quase cinco anos se passaram quando João II finalmente conseguiu voltar para casa em 1364 para morrer quatro meses depois, sendo substituído por seu filho Carlos V. Apesar de sua conhecida generosidade para com os pobres, João passou à história como um rei atrapalhado na política e sem nenhuma capacidade para liderança.
Segundo período (1364-1380)
Ordem na casa 
Carlos V se negou a pagar a conta exorbitante aos ingleses e, ao mesmo tempo, resolveu dar um jeito na própria casa. Unificou seus exércitos e graças a um notável cavaleiro francês, Bertrand Du Guesclin, organizou seus homens para combaterem em um sistema de guerrilhas. Assim, conseguiu recuperar parte de seu território perdido.
As vitórias permitiram que o rei centralizasse o poder. Dessa maneira, Carlos V, o Sábio, controlou melhor seus nobres, aumentou a arrecadação tributária e organizou o Estado, colocando homens capazes, vindos da burguesia, em altos cargos de confiança.
Em 1377, na Inglaterra, com um pequeno intervalo de meses, morreram Eduardo III e seu filho, o Príncipe Negro. O sucessor foi o neto do monarca falecido, Ricardo II, com apenas dez anos. A morte de Carlos V, em 1380, esfriou o ânimo dos franceses pela guerra.
Terceiro período (1380-1422) 
Tempos de trégua 
No fim do século 14 e nas décadas seguintes, franceses e ingleses se viram às voltas com revoluções internas que exigiam mais atenção do que a guerra entre eles. Dessa forma, começou uma fase de paz não declarada, rompida de quando em quando.
Os franceses enfrentaram problemas muito mais complexos. Em 1380, com a morte de Carlos V e com a ascensão do herdeiro Carlos VI, de doze anos, houve a cisão da nobreza francesa. Os partidários dos duques de Borgonha, considerando Carlos VI incapaz, tentaram tomar o poder várias vezes, mas perderam. Daí resolveram se aliar aos ingleses.



A Batalha de Poitiers se tornou o momento mais delicado para a França durante a Guerra dos Cem Anos. Sua derrota resultou no Tratado de Brétigny, que impunha pesadas sanções ao país


Por sua vez, Ricardo II, então com 22 anos, enfrentou graves distúrbios sociais e oposição de grande parte da nobreza. Dez anos depois, foi sucedido por Henrique IV em 1399. Anos depois, a loucura do rei Carlos VI mais a guerra civil entre os franceses animou o novo rei inglês Henrique V (1413) a reivindicar de novo o trono francês para a Inglaterra. Em 1415, o monarca desembarcou na Normandia, tomando Harfleur.
Os comandantes 
Quem reinou durante o período da Guerra dos Cem anos:
Foto: ReproduçãoFoto: ReproduçãoFoto: ReproduçãoFoto: ReproduçãoFoto: Reprodução
Filipe VI,
o Afortunado

(r. 1328-1350) *
João II,
o Bom

(r. 1350-1364) *
Carlos V,
o Sábio 

(r. 1364-1380) *
Carlos VI,
o Louco 

(r. 1380-1422) *
Carlos VII,
o Delfim

(r. 1422-1461) *
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Eduardo III
de Inglaterra

(1327-1377) *
Ricardo II
de Inglaterra 

(1377-1399)*
Henrique IV
de Inglaterra 

(1399-1413) *
Henrique V
de Inglaterra

(1413-1422) *
Henrique VI
de Inglaterra 

(1422-1461)*
*Datas de início e fim do reinado
Carlos V unificou seus exércitos e graças a um notável cavaleiro francês, Bertrand Du Guesclin, organizou seus homens em um sistema de guerrilhas: conseguiu recuperar parte de seu território perdido


Batalha de Azincourt 
"Aquele que sobreviver esse dia e chegar à velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: 'Amanhã é São Crispim.' E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: 'Recebi estas feridas no dia de São Crispim.'" (A Vida do Rei Henrique V, ato IV, cena III - Shakespeare)
No dia de São Crispim, a 25 de outubro de 1415, a chuva torrencial transformou o campo de guerra em um atoleiro o que, mais uma vez, foi providencial para os exércitos ingleses. A diferença numérica era gritante: 50 mil franceses contra 15 mil arqueiros ingleses e galeses. Mesmo assim, mais uma vez a orgulhosa cavalaria francesa foi arruinada. Alguns historiadores calculam que na Batalha de Azincourt morreram 10 mil franceses contra apenas 1.600 ingleses.
A nova ascensão inglesa impôs, em 1420, o Tratado de Troyes que garantia à Inglaterra todo o norte da França, inclusive Paris. E mais, forçou Carlos VI a deserdar seu filho, o Delfim Carlos VII do trono. Como se não bastasse, o louco rei francês ainda teve de aceitar o casamento de Henrique V com sua filha, a princesa Catarina. Depois do enlace, Henrique V da Inglaterra finalmente tomou posse do trono francês por direito.
Foto: Reprodução
Pintura francesa do século XV retratando a Batalha de Crécy, de 1346
Quarto período (1422-1453) 
Ajuda vinda dos céus 
Em 1422, Henrique V da Inglaterra e Carlos VI da França morreram e os dois tronos, oficialmente, se destinariam a Henrique VI, um bebê recém-nascido. Seu tio, o Delfim Carlos VII (deserdado anteriormente por seu avô,) finalmente foi coroado em 1429, mas ficou apenas com uns poucos territórios do sul da França, enquanto o norte estava nas mãos de Filipe III, o Bom, um fantoche comandado pelo reino da Inglaterra.
Depois de coroado, o Delfim Carlos se dirigiu ao Vale do Loire para comandar resistência francesa. Foi quando surgiu em sua vida uma camponesa que, disposta a lutar por sua pátria, trouxe à França e ao Delfim uma vitória importante ao vencer a Batalha de Orleans. (veja box na página 42).
A última batalha 
Porém, o fim da guerra ainda teria de esperar mais 24 anos. Nesse meio tempo, ingleses e franceses ainda se enfrentaram em mais três combates em 1429: Jargeau, Meung-sur-Loire e Patay. Em 1450, o campo de luta foi em Formigny.
Até que, em 1453, na Batalha de Castillon, os franceses conseguem recuperar a cidade de Bordeaux, o último reduto inglês. Nenhum tratado foi assinado para declarar oficialmente o fim das hostilidades. No entanto, a rivalidade anglo-francesa ainda perduraria por muito mais tempo.
 

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CRIMES INSOLÚVEIS - Mortes e assassinatos inexplicáveis: conheça a seguir os grandes casos que conseguiram enganar os policiais e transformaram criminosos desconhecidos em lendas, apenas por terem desafiado as autoridades

Crimes insolúveis

Mortes e assassinatos inexplicáveis: conheça a seguir os grandes casos que conseguiram enganar os policiais e transformaram criminosos desconhecidos em lendas, apenas por terem desafiado as autoridades

Porém não se deixe enganar: as vítimas desses assassinos sem nome realmente existiram e até hoje clamam por vingança em relatos que se tornaram atrações turísticas e que fazem a festa de vários turistas que tiveram a oportunidade de conhecer os cenários desses crimes brutais. Convenções de estudiosos dos casos pipocam pela Europa e Estados Unidos e atraem tantas pessoas quanto as similares de ficção científica.
Implacáveis e evasivos. Duas palavras que vêm à mente quando estudamos os grandes crimes sem solução da história. A aura de mistério e suspense que cerca esses casos é tanta que mais parecem roteiros de filmes do que casos da vida real, tanto que a maioria deles foi mesmo adaptada para os cinemas. Também por estarmos longe das cenas destes crimes, seus relatos mais parecem com histórias contadas em acampamentos do que com a violência cotidiana nacional.
Muitos criminologistas, hoje tão populares entre as pessoas graças à fama de seriados como CSI - Crime Scene Investigation, acreditam que a tecnologia moderna é capaz de revelar os segredos desses casos, como atestam os esforços da escritora norte-americana Patricia Cornwell, que gastou uma pequena fortuna pessoal avaliada em mais de quatro milhões de dólares para poder provar sua tese sobre a suposta verdadeira identidade de Jack o Estripador, considerado o primeiro grande serial killer de todos os tempos. O resultado, que se tornou o livro Retrato de um Assassino, é debatido até a exaustão e desacreditado pela maioria dos ripperologistas (nome dado aos pesquisadores do caso Jack o Estripador. A outra alternativa seria estripadorologistas, não muito sonoro).
Mortes sem solução não são uma novidade dos tempos modernos. Com o passar dos séculos muitos casos insolúveis foram registrados (confira três deles nos boxes). Porém, muitos antropólogos e psicólogos afirmam que este tipo de 'assassinato em série' é um produto de nossos dias. Outros já preferem apenas analisar os fatos para tentar deles extrair a causa particular de tais atos hediondos.
Mas o que teria deixado esses casos sem solução? Incompetência da polícia em identificar o assassino? Sorte do criminoso? O nível de elaboração do crime? Para conhecer melhor esses casos, vamos analisar quatro dos mais comentados de todos os tempos. O leitor poderá, desta forma, exercitar seus dotes de detetive e arriscar seu palpite. Quem sabe a verdade esteja bem na nossa cara e simplesmente não podemos ver...


JACK O ESTRIPADOR (WHITECHAPPEL, LONDRES, INGLATERRA, 1888)


O caso mais famoso de todos se passou quase simultaneamente ao lançamento do livro O Médico e o Monstro, do escritor escocês Robert Louis Stevenson, e de sua primeira adaptação para o teatro, o que lhe conferiu uma aura de mistério infindável. É considerado o primeiro grande caso de um assassino em série, e justamente o fato de sua verdadeira identidade ser um mistério é que suscitou uma grande quantidade de teorias, a maior parte delas tão fantasiosas que geraram uma quantidade de suspeitos enorme a ponto dos pesquisadores do caso escolherem seu favorito. Curiosamente não se sabe nem mesmo se o apelido que o tornou notório para as pessoas foi mesmo dado pelo assassino, já que sua origem, como veremos, dá margem a desconfianças.
O Estripador atacava no chamado East End (algo como zona leste) de Londres, num bairro de classe pobre chamado Whitechappel. Tudo começou com a morte de uma prostituta, Maty Ann "Polly" Nichols, encontrada numa ruela localizada a cerca de 180 metros do hospital de Londres. O modo como foi morta, com a garganta rasgada e alguns órgãos retirados, já prenunciava a selvageria de precisão cirúrgica que marcaria as mortes atribuídas oficialmente ao misterioso assassino.
Quando a segunda vítima, Anne Chapman, foi identificada, o medo começou a crescer entre as mulheres daquela região. Chapman é descrita como uma prostituta em fim de carreira, já com a saúde debilitada. Mesmo assim algo atraiu o assassino, que a selecionou para ser sua segunda vítima. As "extrações" foram ainda mais violentas do que as observadas na vítima anterior.
O mito do elusivo matador de Whitechappel, que havia ganhado a alcunha de Avental de Couro, ganhou a forma como conhecemos hoje após um jornal da região receber inúmeras cartas, supostamente do assassino, assinadas como Jack o Estripador. Essas cartas estão hoje nos Arquivos Nacionais, uma espécie de Arquivos Públicos, e podem ser consultadas pelos interessados.
Todos esperavam com um misto de curiosidade e ansiedade para saber quando a Scotland Yard conseguiria por as mãos no criminoso. Os habitantes do bairro até mesmo organizaram patrulhas particulares para ajudar a polícia. Enquanto isso o Estripador preparava seu novo golpe. Numa mesma noite atacou Elizabeth Stride bem em frente a um clube de cavalheiros. Porém a aproximação de uma carroça impediu que o "trabalho" fosse completado e a vítima teve apenas a garganta cortada (um modo de impedir que houvesse gritos). Ela foi encontrada com um cacho de uvas na mão e alguns doces. Alertados, os homens do clube chegaram a sair de seu estabelecimento e ajudar nas buscas. Porém mais uma vez Jack parecia ter simplesmente sumido, um fato que se torna mais tnotável quando sabemos que, na mesma noite, as tais patrulhas particulares estavam em ação também. O fato de Stride não ter nenhum órgão retirado levou muitos ripperologistas a duvidar que ela foi vítima do mesmo assassino.
Apenas 45 minutos depois de descobrirem Stride, na Mitre Square, em plena Londres, o Estripador atacou de novo. Desta vez pegou Catherine Eddowes e fez seu macabro trabalho. O legista deu pela falta de meio rim, que mais tarde apareceria numa carta recebida por George Lusk, presidente do Comitê de Vigilância de Whitechappel. O pedaço de rim foi conservado "nos espíritos do vinho" (uma maneira vitoriana para se referir ao álcool etílico) e muitos acreditam que se trata do mesmo rim roubado da vítima.
Ilustração: Leonardo Conceição
Mesmo que o termo serial killer (assassino serial) tenha sido cunhado na década de 1970, o vitoriano Jack, O Estripador foi o representante mais famoso do gênero psicopata. Matou ao menos 5 prostitutas no miserável bairro londrino de Whitechappel e retirou cirurgicamente partes de seus corpos

O quinto e último crime atribuído ao Estripador foi o de Mary Kelly e foi o único que aconteceu dentro de um quarto e não na rua. O assassino entrou no local pela privacidade do quarto para realizar seu trabalho: grande parte do rosto da vitima foi simplesmente removida, bem como um de seus seios e parte da coxa, além dos intestinos e de seu coração. Um verdadeiro espetáculo que revoltaria os estômagos mais fortes, a julgar pela fotografia da época.


"Minha faca está tão boa e afiada que QUERO VOLTAR AO TRABALHO JÁ, se tiver uma chance"
PRIMEIRA CARTA DO SUPOSTO JACK, O ESTRIPADOR DE 27, DE SETEMBRO DE 1888
MÚLTIPLAS ALTERNATIVAS


Depois deste ataque as mortes atribuídas ao Estripador simplesmente cessaram. Isso levou muitos a crer que ele era mesmo o estranho advogado chamado Montague John Druidd, cujo corpo havia sido resgatado do Tâmisa algum tempo depois da morte de Mary Kelly. Havia uma nota de suicídio, que nunca foi exposta para o público. Druitt, de fato, tinha boas relações com a alta sociedade inglesa e teria freqüentado um colégio de prestígio. Fazia parte de uma sociedade chamada Os Apóstolos, cujos membros vinham das famílias mais tradicionais da época e foram esses mesmos confrades que o acusaram de odiar as mulheres, o que lhe dava um motivo para ser o assassino. A mãe dele havia sido internada com problemas mentais e ele, com medo de que teria o mesmo destino, afogou-se. Para alguns havia uma conspiração em que Os Apóstolos poderiam ter usado sua influência para fazer com que Druitt se matasse, afim de não serem ligados aos assassinatos.


CARTA DO INFERNO: 
Em 16 de outubro de 1888, George Lusk (foto) recebeu metade de um rim junto a uma carta do suposto estripador. "A outra parte eu fritei e 
comi, e estava muito bom", escreveu o remetente
Fora os cinco casos relatados acima, Jack o Estripador foi acusado de pelo menos outras 14 mortes, grande parte delas de prostitutas, seus alvos prediletos. Com o passar do tempo surgiram outros suspeitos, entre eles o Príncipe Alberto Victor, duque de Clarence e neto da rainha Vitória; Lewis Carroll, escritor e matemático inglês, autor de Alice no País das Maravilhas; Walter Sickert, artista alemão de ascendência holandesa e dinamarquesa, personalidade ligada a diversas teorias de conspiração que envolvem a Família Real britânica; o suspeito predileto de Patricia Cornwell e de outro ripperologista, Jean Overton Fuller; Michael Ostrog, um médico considerado louco que conseguiu se livrar de várias condenações; e sir William Gull, médico da família real, o predileto do roteirista e escritor Alan Moore, que escreveu a história em quadrinhos Do Inferno, mais tarde adaptada para o cinema com Johnny Depp.


O bairro de Whitechappel, em Londres, realiza até hoje excursões para os locais dos crimes

Com o tempo, os britânicos passaram a tirar proveito da desgraça que se abateu em Whitechappel. O bairro realiza até hoje excursões noturnas onde guias caracterizados com capas longas e cartolas guiam os interessados em passeios ao ar livre até as cenas dos crimes, com o acréscimo de histórias de fantasmas que contam que muitos já viram vultos de um homem de capa e cartola acompanhado de uma prostituta decrépita que se dirigiam para os locais dos assassinatos. O pub Th e Ten Bells, onde diz-se que era freqüentado por Polly Nichols, Anne Chapman e Mary Kelly, mudou seu nome para Jack Th e Ripper na década de 1960 e só voltou com seu nome original graças a protestos de grupos feministas. Em 2006 a revista BBC History Magazineelegeu Jack o Estripador como o pior britânico de todos os tempos. No mesmo ano os jornais de todo o mundo divulgaram um retrato falado do Estripador, gerado com tecnologia de ponta e baseado nos relatos da época. No texto da notícia os investigadores britânicos admitiram que "a polícia da época devia estar procurando pelo tipo errado de suspeito" e que o verdadeiro Jack "deveria ser assustadoramente normal, embora capaz de uma crueldade extrema". A descrição física do assassino mais famoso de todos os tempos dá conta dele ser um homem entre 25 e 35 anos, media entre 1,65 e 1,70 m de altura e ter um tipo físico corpulento.

O ASSASSINO VAMPIRO


Desde o famoso caso da condessa húngara Elizabeth Bathory (1560-1604), que matava jovens para literalmente se banhar em seu sangue, sempre houve casos de assassinos que festejavam no fluído vital de suas vítimas. Um dos mais recentes foi o norte-americano Richard Trenton Chase (1950-1980), que matou seis pessoas em um mês na Califórnia. Apelidado de Vampiro de Sacramento, ele não só bebeu o sangue de suas vítimas como também praticou o canibalismo. Afirmava que era parte de uma ilusão onde acreditava que tinha de fazer isso porque isso evitaria que nazistas transformassem seu sangue em pó por meio de um veneno que havia em sua saboneteira.
Outro caso que foi bastante divulgado foi o de Marc Sappington, outro "vampiro" norte-americano que foi condenado a quatro sentenças perpétuas no estado do Kansas. Ele diz que escutava vozes em sua cabeça que o mandavam comer carne humana e beber sangue, ou morreria.
Não há nada que chame mais a atenção do que um assassinato de uma prostituta (que o diga Jack o Estripador). Ao longo do tempo, vários outros assassinos em série atacaram mulheres de programa e logo o assunto deixou de chamar tanto a atenção. Há um caso destes que se destaca de maneira peculiar, pois une este fator aos vampiros: as prostitutas foram mortas por mais um assassino não identificado que se comportava como se fosse mesmo uma criatura das trevas.
Em 1932 uma prostituta de 34 anos foi encontrada morta na área de seu apartamento em Atlas, em Estocolmo. Ela estava morta fazia alguns dias, seu crânio fora espatifado e os policiais notaram que a pessoa que a atacou literalmente bebeu seu sangue. Logo a imprensa apelidou o assassino de O Vampiro de Atlas.
Pouco mais se conhece ou foi divulgado a respeito deste caso. Somente sabe-se que as pistas que tinham deram em becos sem saída e a polícia logo viu-se encurralada e incapaz de resolvê-lo. Por mais que se investigasse, as pistas não eram suficientes e logo este estranho caso seria fadado a se tornar mais um mistério forense.

John Druitt, Principe Albert, George Chapman, Walter Sickert e Michael Ostrog: todos suspeitos das mortes de Whitechappel. O tempo só fez aumentar a lista de possíveis assassinos

JACK THE STRIPPER (LONDRES, 1964 A 1965)
Quadrinhos do escritor inglês Alan Moore foram adaptados para o cinema em Do inferno (2001)


Não se deixe levar pelo nome do caso. Não se trata de nenhuma paródia sobre o Estripador nem alguma alusão a uma dançarina chamada Jackie, mas sim um caso que assombrou Londres durante o final da primeira metade da década de 1960. A repercussão foi um tanto abafada pela avalanche de coisas que aconteceram quase ao mesmo tempo nos Estados Unidos, mas o caso ficou tão estranho e sem sentido quanto o caso original.
Jack the Stripper (nome dado às garotas de programas que dançam em boates) foi o codinome dado a outro assassino em série que atacou entre 1964 e 1965. O caso também ficou conhecido como os Assassinatos de Hammersmith, um centro urbano na zona oeste de Londres.
E por que o nome de Jack? Bem, a ligação com os crimes do Estripador torna-se óbvia quando analisamos os detalhes do caso. Foram oficialmente seis prostitutas oficiais (oito na versão alternativa) que foram as vítimas do maníaco. Seus corpos nus foram descobertos em várias localidades da cidade ou no próprio rio Tamisa.
As vítimas oficiais foram reconhecidas como Hannah Tailford, Irene Lockwood, Helene Barthelemy, Mary Flemming, Margaret McGowan e Bridget "Bridie" O'Hara, todas encontradas em condições similares. Os fãs de Alfred Hitchcock devem reconhecer as similaridades do caso que foram exploradas pelo mestre do suspense em seu filme Frenesi, de 1972.
FOTOS: REPRODUÇÃOEis as condições das vítimas: todas foram mortas por asfixia, encontradas nuas, exceto por suas meias. Os corpos foram preservados próximos a fontes intensas de calor e havia pintas de pinta em quatro delas. Acredita-se que as mortes foram provocadas usando uma atadura retirada das roupas das vítimas, algo que leva a crer que as vítimas se sufocaram quando estavam expostas às partes íntimas do assassino. Hoje se sabe que esse último detalhe já faz parte de uma série de boatos que alimentaram o mito do "stripper".
Há dois casos, entretanto, que levantam alguma dúvida, os das prostitutas Elizabeth Figg e Gwyneth Rees, que foram estranguladas manualmente. Porém ambas foram encontradas nuas, usando apenas as meias e com as peças íntimas alojadas nas gargantas.
Há alguns boatos que circulam até hoje de que o Superintendente do caso, John Du Rose, da Scotland Yard, responsável pelo caso, foi de alguma forma o responsável pelo fim dos crimes. Depois de entrevistar cerca de sete mil suspeitos ele anunciou numa coletiva que a policia britânica tinha naquele momento cerca de 20 suspeitos. Depois de um tempo, ele anunciou novamente que havia reduzido o número para apenas 10 suspeitos e, por fim, três. O assassino não atacou novamente depois da coletiva inicial.


"Eu tenho um lado ruim dentro de mim. É UMA COISA FEIA, PERVERSA, que eu NÃO CONSIGO CONTROLAR."
FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA, O MANÍACO DO PARQUE

O CERCO SE FECHA
Pôster de Frenezi (1972) filme inspirado nos casos do stripper


Pesquisador do caso, o escritor britânico Anthony Summers afirma que duas das vítimas, Hannah Tailford e Frances Brown, a terceira e a sétima pela ordem, eram ligadas a um outro caso, o do Profumo, ocorrido em 1963 no Reino Unido, no qual o então Secretário de Estado para a Guerra, John Profumo, teve relação com uma garota de programa chamada Christine Keeler e mentiu sobre o assunto quando foi interrogado na Câmara dos Comuns. O escândalo fez com que Profumo abdicasse do cargo e manchou profundamente a reputação do governo do primeiro-ministro Harold MacMillan. Também contou o fato de que algumas das vítimas eram conhecidas no meio do cinema pornográfico. Vários outros pesquisadores afirmam que as vítimas conheciam umas às outras, o que levou à especulação de que o assassino também seria do mesmo meio.
Da mesma maneira que no caso do Estripador, os crimes do Stripper cessaram por si mesmos, e havia pouquíssimas pistas possíveis de serem investigadas. Embora sua identidade ainda seja desconhecida, há quem faça o mesmo que Patricia Cornwell e se lance em pesquisas para levantar suas próprias teorias. O escritor britânico Donald Rumbelow, também ripperologista, afirma que o Stripper pode ter sido um jovem que cometeu suicídio na parte sul de Londres. Esse suspeito, um dos favoritos de Du Rose, era um guarda de segurança num edifício de uma grande companhia que tinha uma loja de tinta onde, acredita-se, um dos corpos foi oculto após o crime. Embora nunca tenha havido nenhuma evidência sólida que o ligasse aos crimes, sua família não encontrou explicação para seu suicídio. Na nota que ele deixou uma mensagem misteriosa: "não sou capaz de agüentar mais a pressão".
Também há a possibilidade do suicídio deste suspeito ser apenas uma maneira de distrair a atenção do verdadeiro assassino. Da mesma maneira que no caso do Estripador, com o principal suspeito morto e as mortes cessadas, fazia sentido presumir que se tratava da mesma pessoa, o que fez com que a polícia encerrasse suas investigações.


MORTES NATURAIS OU PROVOCADAS?

Há muitos registros de casos onde a vítima parece ter sofrido morte natural e, depois de uma análise detalhada, chega-se à conclusão de que pode ter sido um assassinato. Muitas dessas mortes originaram as teorias de conspiração mais malucas e improváveis, como a do papa João Paulo I ter sido morto por causas desconhecidas ou mesmo o beatle John Lennon ter sido morto por um maluco vítima de um programa de lavagem cerebral, já que o assassino confessou que ouvia vozes. A seguir vamos verificar alguns desses casos em que, quanto mais se investiga, menos se conclui com certeza:

- O último dos reis anglo-saxões da Inglaterra, Haroldo II (1022-1066) teve uma dessas mortes. Não se sabe ao certo a causa de sua morte: uns afirmam que foi por uma flecha que entrou num de seus olhos, enquanto outros dizem que foi assassinado por quatro soldados normandos, ou mesmo por uma combinação das duas maneiras. Os registros históricos são incertos e nem mesmo uma exumação dos restos mortais pôde esclarecer.
- O matemático e astrônomo alemão Regiomontanus (cujo nome verdadeiro Johannes Müller von Königsberg) viveu entre 1436 e 1476. Ele é mais conhecido por ser o inventor dos sinais mais (+) e menos (-), segundo um manuscrito de 1456. Morreu em Roma de maneira misteriosa: uns afirmam que foi vítima de uma peste (talvez a famosa peste negra), enquanto outros afirmam de pé junto que se trata de um assassinato. Foi mais um caso que nunca foi esclarecido.
- Montezuma II, imperador dos astecas, viveu entre 1466 e 1520. Foi ele quem fez o contato com os conquistadores espanhóis quando de sua chegada. Seu destino foi quase tão misterioso quanto sua própria vida: uma versão diz que foi morto por seu próprio povo, talvez num gesto de repúdio por ter negociado com os espanhóis. Outra versão, baseada em relatos astecas, diz que foram os espanhóis que tiraram sua vida.
- Rudolf Diesel, inventor e engenheiro mecânico alemão, viveu entre 1858 e 1913. Por ele ter desaparecido no Canal da Mancha e depois encontrado morto na Bélgica ninguém sabe ao certo onde foi que ele morreu. Várias teorias tentaram, sem sucesso, explicar quem ou o quê causara a morte do cientista.
- Émile Zola, autor francês, viveu entre 1840 e 1902. Foi encontrado morto por envenenamento de monóxido de carbono, causado por uma chaminé entupida. Os mais ativos nas teorias de conspiração juram que foram os inimigos do escritor que o mataram, mas nada foi provado com certeza.
Mesmo assim, ainda hoje surgem novas suspeitas. Um livro lançado recentemente sobre o caso acusa o campeão de peso pesado Freddie Mills como sendo o Stripper, embora não haja provas condenatórias que comprovem. E assim a Scotland Yard segue com a reputação manchada por dois casos que se recusam a revelar seus segredos.

ZODÍACO (NORTE DA CALIFÓRNIA, ESTADOS UNIDOS, 1968 A 1969)


O filme Zodíaco, de David Fincher, trouxe de volta a história de um assassino em série que atacou nos Estados Unidos no final da década de 1960. Suas vítimas (sete oficiais, 37 não-oficiais) possuem pouca ou nenhuma conexão entre si. Não há motivo aparente para ter atacado, além de vários suspeitos sendo que nenhum foi confirmado.

Da mesma maneira que o Estripador, ele mandava cartas para a mídia avisando de seus crimes e provocando as autoridades. Uma dessas cartas, talvez a mais famosa, mostrava uma cifra em três partes, que fora enviada a três jornais: o San Francisco Chronicle, o Vallejo Times- Herald e o San Francisco Examiner. Nessa cifra ele supostamente iria explicar os motivos para seus crimes.
O caso do Zodíaco começou oficialmente quando David Arthur Faraday, de 17 anos, estudante e atleta, saiu num encontro com Betty Lou Jensen, de 16 anos, no dia 20 de setembro de 1968. David pegou Betty Lou com uma caminhonete Rambler 61 na casa da mãe dela e saíram. Após passarem na casa de um amigo o casal dirigiu-se para a estrada do lago Herman, um local muito usados por casais para namorar. Eram mais de 9 horas da noite.
Por volta das 11h15 os corpos dos dois foram encontrados. A porta do carona aberta, David caído de costas numa poça de sangue e Betty Lou a alguns metros da parte traseira, morta com um tiro nas costas. Uma trilha de sangue levava ao local do corpo de Betty Lou. Ela fora baleada cinco vezes nas costas, todas agrupadas no lado esquerdo. David recebera um tiro na cabeça à queima-roupa na parte de trás de sua orelha esquerda. Não havia impressões digitais, marcas de pneus ou sinais de luta.


A MORTE DE UM HERÓI DE TV


Os mais saudosos devem se lembrar de um seriado de guerra que fez a festa dos jovens nos anos 1960 e 1970 por tirar sarro da II Guerra Mundial. Guerra, Sombra e Água Fresca (Hogan´s Heroes) foi ao ar de 1965 a 1971 e teve 168 episódios muito divertidos. A história girava em torno do coronel Robert E. Hogan, interpretado pelo ator Bob Crane, que, juntamente com alguns homens de confiança, posavam de prisioneiros num acampamento controlado pela Luftwaff e alemã. Sua missão: ajudar outros prisioneiros a escaparem para o lado aliado.


O que poucos sabem é que Crane foi protagonista de uma morte estranha. Durante as gravações do seriado ele conheceu John Henry Carpenter, um especialista em eletrônica que vendia videocassetes. Carpenter é acusado de ter levado Crane para uma vida de sexo e filmes pornôs caseiros feitos pela dupla. Embora a família do astro negue, há evidências que confirmam essa informação.

Numa noite de 1978 Crane supostamente ligou para Carpenter e disse que a amizade dos dois tinha terminado. No dia seguinte seu corpo foi encontrado brutalmente espancado com uma arma que nunca foi encontrada, mas que se acredita ter sido um tripé de câmera. 

A cena do crime aconteceu num prédio de apartamentos em Scottsdale, Arizona. Crane estava lá para participar da produção de uma peça de teatro.

Em especiais feitos para TV por assinatura, os policiais que cuidaram do caso afirmam que Carpenter teria entrado em contato com a cena do crime várias vezes por telefone e que não parecia surpreso ao saber que a polícia estava lá. Isso chamou a atenção imediatamente e o carro do suspeito foi confiscado. Lá foram encontradas diversas manchas de sangue que batiam com o tipo de Crane. Porém, como o teste de DNA ainda não existia, não puderam confirmar se era da vítima ou não. 

Devido à falha de conseguir evidências suficientes, o promotor encarregado do caso recusou as acusações e o caso ficou sem solução.
Em 1992, 14 anos após o caso, ele foi reaberto e com tecnologia moderna os promotores tentaram incriminar Carpenter, mas não conseguiram um bom resultado e o motivo do assassinato continuou desconhecido. Carpenter manteve sua versão da inocência até sua morte em 1998.

Na mesma Vallejo vivia Darlene Ferrin, de 22 anos, com o marido e uma filha, ainda pequena. Darlene conhecia Betty Lou por ter feito o secundário a poucos metros da casa da vítima. Havia seis meses desde o assassinato do casal e Darlene, na tarde de 4 de julho daquele ano, ligou para um amigo, Mike Mageau, para sair. Depois de deixar seu bebê com a irmã, foi para a casa de Mike. O casal saiu e logo notou que estavam sendo seguidos por um carro de cor clara. Tentaram se livrar dele e terminaram numa das saídas da cidade. Entraram num campo de golfe e seu carro morreu. Foi quando o suspeito entrou no mesmo campo, ultrapassou-os e voltou, parando atrás deles como faria uma viatura da polícia, com os faróis altos. De repente um barulho de vidros na parte de trás do carro do casal anunciava o novo ataque do assassino. Darlene recebeu nove tiros e caiu sobre a direção, enquanto Mike tentava escapar. Ele não encontrou a maçaneta e conseguiu ter uma visão do assassino: 90 quilos, 1,75 m de altura, cabelo claro e encaracolado, curto. Usava japona como seu fosse da Marinha e calças vincadas que não escondiam a barriga.

"NÃO SOU DOENTE. SOU LOUCO. Mas isso não vai acabar com o jogo (...) Atenção... estou no encalço de suas garotas agora."

CARTA DE ZODÍACO PARA A POLÍCIA E A IMPRENSA DE 29 DE NOVEMBRO DE 1966
Em uma missiva, o assassino serial contava longos pormenores do ataque aos casais

Após alguns minutos, a meia noite e dez, a central da polícia recebe um telefonema e os policiais chegam à cena. As cápsulas encontradas não deixam dúvida de que os dois casos registrados foram feitos pelo mesmo criminoso. Darlene é declarada morta ao chegar ao local, enquanto Mike é submetido a várias cirurgias e escapa por muito pouco da morte. Quarenta minutos após a meia-noite, a central de polícia recebe um telefonema anônimo que conta o que acontecera no local.
WARNER HOME ENTERTEINEMENT
Cena de Zodíaco (2007) filme que conta a história dos assassinatos

Cartas quase idênticas chegam aos três jornais já citados, poucos dias depois. Numa delas o assassino contava longos pormenores dos dois ataques aos casais, incluindo munição usada e posição dos corpos das vítimas. Junto à carta havia uma mensagem cifrada e uma ameaça explícita. Caso esta não fosse publicada até o final da semana, ele passaria o fim-de-semana atirando a matando a esmo. Com a ajuda de um professor de história, Donald Haden, e sua esposa, leitores dos jornais, a mensagem foi decifrada. Embora não revelasse a identidade do assassino, falava que seu objetivo era matar pessoas para que estas "se tornassem meus escravos no outro mundo".


AMEAÇA PELOS JORNAIS


a cifra dos jornais chamou mesmo a atenção das 
autoridades. O chefe de polícia de Vallejo, Jack Stiltz, declarou à imprensa que duvidava que o autor dos criptogramas fosse o verdadeiro assassino. Isso provocou uma reação do maníaco que, sem tardar, mandou uma nova carta, desta vez assinada com o nome que adotara: o Zodíaco.
REPRODUÇÃ
ILUSTRAÇÃO: LEONARDO CONCEIÇÃO
Carta de 8 de novembro de 1969 com os 340 símbolos e cifras supostamente usados
por Zodíaco
Descrição de Zodíaco: 90 quilos, 1,75 m de altura. Apesar ter sido o principal suspeito dos assassinatos, Arthur Leigh Allen (1933-1992) nunca foi acusado formalmente pelo caso


As matanças continuaram e a cada nova carta chegava com uma nova cifra. Desta vez Cecelia Ann Shepard, de 22 anos, e Bryan Hartnell, de 20 anos, estavam a cerca de 56 km ao norte de Vallejo, num parque próximo ao lago Berryessa. Era pouco depois das quatro da tarde e o casal estava sentado na margem. Foi ela quem notou inicialmente um homem que se aproximava do local. Quando ele estava mais próximo ambos notaram que estava armado. Mas vestia um capuz com uma máscara e um símbolo no peito, um círculo com uma cruz no centro, como uma mira. A máscara era achatada em cima, com ângulos salientes e abertura para os olhos.


O assassino passou para o banco da frente, roubou a carteira e rasgou um pedaço da camisa da vítima


O assassino parou para conversar com as vítimas. Disse que havia fugido de uma prisão, em Montana, e que queria ir para o México. Ameaçou Bryan não bancar o herói. Tirou do bolso uma corda e ordenou que Cecelia o amarrasse. 

Chegou a verificar se os nós que ela havia feito estavam firmes. Depois se voltou para ela e disse que ia esfaqueá-los. Bryan levou várias facadas nas costas e Cecelia nas costas, no ventre, no abdome e no peito. Quando terminou, deixou o dinheiro e as chaves do carro no cobertor onde o casal estivera e foi embora. Foi a primeira vez que atacara durante o dia.

Novamente o Zodíaco abusara de sua sorte e telefonara para a polícia de Napa para dizer o que tinha feito. E declarou que era o assassino. A ligação vinha de novo de um local público, um lavacarros. Novamente os testemunhos fazem bater as descrições com os casos anteriores.

A última vítima oficial apareceu em 11 de outubro. Paul Lee Stine estava parado com seu táxi às 9:30 da noite de 11 de outubro, em San Francisco. Um homem aproximou-se do carro e deu um endereço. Como Stine estava preso no tráfego e ia na verdade pegar outro cliente, e o endereço fornecido ficava em seu caminho, pensou em faturar com suas corridas seguidas.

Chegando ao destino do passageiro, o motorista também encontrou seu derradeiro. Um tiro à queima-roupa na face direita selou sua vida. O assassino passou para o banco da frente, roubou a carteira e rasgou um pedaço da camisa da vítima. Saiu do táxi, limpou as portas dianteira e traseira, o painel da frente, bateu a porta e afastou- se, andando.

Uma menina de 14 anos havia visto a cena toda, parada numa festa de aniversário que acontecia no outro lado da rua. Mas quando a telefonista recebeu a denúncia, espalhou erroneamente que o homem procurado seria um homem negro, que na verdade era a vítima. A sorte estava a favor do assassino.

Segundo alguns relatos, inclusive do próprio assassino por carta, uma viatura chegou a pará-lo na rua e perguntar se tinha visto alguém suspeito. Ele teria indicado a direção de um parque e continuado em seu caminho. Como alguém com sangue nas roupas teria conseguido escapar, jamais se saberá.

Muitas outras cartas chegaram após a morte de Stine. Uma delas, inclusive, com o pedaço rasgado da camisa da vítima. 

O Zodíaco, que percebia que a imprensa dava cada vez menos espaço para ele nos jornais, chegou a dizer que iria atacar um ônibus escolar e matar as crianças que lá estivessem. Um esquema forte de segurança foi montado, mas nada aconteceu. Algumas cartas que ele mandava diziam que a contagem de vítimas aumentava e a lenda de seus ataques cresceu em proporções de mito. Algumas dessas cartas pediam ajuda, mas nunca conseguiram entender se ele realmente queria isso ou se tudo não passava de mais uma provocação.

A última comunicação oficial chegou em abril de 1978. E dizia:
"Estou esperando por um bom filme sobre mim. Quem me interpretará?"


DÁLIA NEGRA (LOS ANGELES, ESTADOS UNIDOS, 1947)


O filme de Bryan de Palma de mesmo nome foi inspirado 
neste estranho caso. A vítima em questão era Elizabeth Short, de 22 anos, que atendia pelo apelido de Dália Negra. O crime, por causa de seus requintes e de suas poucas pistas, foi muito divulgado pela imprensa e ganhou os jornais e a simpatia do público na época. Encontrado em 15 de janeiro daquele ano no Leimert Park, o corpo estava terrivelmente mutilado e decapitado.


Short era natural de Hyde Park, no estado norte- americano de Massachussets. Foi criada em Medford, também naquele estado, pela mãe Phoebe, depois que seu pai, Cleo Short, abandonou a ela e as quatro irmãs em 1930. Elisabeth sofria de asma e por isso passava os verões em Medfors e os invernos na Florida. Com 19 anos foi para Vallejo (a mesma cidade dos crimes do Zodíaco anos depois) onde viveu com o pai. 

Os dois foram para Los Angeles em 1943, mas depois de uma discussão, ela decidiu partir e obteve um emprego em Campo Cooke, próximo à cidade de Lompoc. Foi para Santa Bárbara, onde foi presa por beber sem ter idade e foi enviada para as autoridades juvenis de Medford. Ganhava a vida nesse período como garçonete.


Na Flórida ela conheceu o Major Matthew M. Gordon Jr., um oficial que chegou a escrever- lhe durante suas missões. Numa dessas, ele a pediu em casamento e ela aceitou. No entanto, em 1945, antes de voltar aos Estados Unidos, ele morreu num acidente de avião na China. Elisabeth voltou à Califórnia em 1946 para reencontrar um velho namorado que conhecera durante a II Guerra Mundial. Nos seis meses anteriores à sua morte ela permaneceu por lá e ganhava a vida em vários hotéis e casas particulares, onde não ficava mais que algumas semanas.
Filmagens de Dália Negra(2005). Caso chocou os E.U.A por sua brutalidade e aparente falta de sentido
Temos poucos detalhes sobre o destino final de Short. Seu corpo foi encontrado em condições terríveis, dividido ao meio, com todo sangue drenado e completamente mutilado. Seu rosto foi rasgado de orelha a orelha. O caráter horrendo do assassinato e sua aparente falta de sentido chocaram toda Califórnia. Muitas pessoas contataram a polícia dizendo que haviam a visto "perdida" durante a semana de quando ela desapareceu até ser encontrada morta. O nome de Dália Negra teria sido colocado nela para lembrar um filme que então era exibido, Dália Azul, com Alan Ladd e Veronica Lake. 

As investigações do caso foram as maiores já vistas até então, e envolveram milhares de policias emprestados de outros distritos. Por causa da complexidade do caso eles trataram cada pessoa que conhecia Short como suspeito, por isso milhares foram entrevistadas e centenas tratadas como acusados. Nenhuma suspeita, entretanto, levou a uma conclusão segura e o caso permaneceu sem solução até hoje. 

Esperava-se que, com o lançamento do filme de Palma, em 2006, surgisse alguma luz no caso, mas até o presente momento o mistério de quem ou por que teria matado Short permanece..


REFERÊNCIAS

Graysmith. Robert. Zodíaco. Novo Conceito, 2007.
Newton, Michael. Encyclopedia of Unsolved Crimes. Facts on File, 2004.
Marriott, Trevor. Jack the Ripper - The 21st Century Investigation. Trafalgar Square, 2007.
Wilkes, Rogers. The Mammoth Book of Unsolved Crime: The Biggest and Best Collection of
Unsolved Murder and Mystery Cases. Carroll & Graf, 2005.
Wilson, Kirk. Unsolved Crimes: Great True Crimes of the Twentieth Century. Carroll & Graf, 2002.

SÉRGIO PEREIRA COUTO é jornalista formado com passagem por revistas como Discovery Magazine e Ciência Criminal. É autor de vinte títulos, todos enfocando aspectos curiosos da história antiga e medieval universal, entre eles Sociedades Secretas, Investigação Criminal, A História Secreta dos Piratas e 
Renascimento.

Por SÉRGIO PEREIRA COUTO
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