AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

HOJE - "Mentirosos" e "demissão". Passos e Crato recebidos com protestos em Aveiro

"Mentirosos" e "demissão". Passos e Crato recebidos com protestos em Aveiro






Grades de protecção, colocadas pela Polícia, impediram que os manifestantes
 se aproximassem.26-09-2014 16:23

O primeiro-ministro e o ministro da Educação foram apupados por dezenas de pessoas à entrada do Parque de Exposições de Aveiro, onde decorre a mostra Prémio Fundação Ilídio Pinho. 

"Mentirosos" e "demissão" foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes à chegada da viatura de Passos Coelho, enquanto um pequeno grupo de pessoas acenava com lenços brancos.

Pouco antes da passagem do primeiro-ministro, também o ministro da Educação tinha sido alvo das vaias das pessoas, que empunhavam cartazes com frases como "Cabeçudo és tu que asfixias o país" e "Estamos fartos de esquecidos compulsivos. Aldrabões queremos eleições".

À frente dos manifestantes, destacava-se ainda um cartaz de grandes dimensões com a frase "Exigimos respeito" e uma imagem de Passos Coelho a dar um porco à banca com uma mão, enquanto na outra mão segura uma salsicha para dar às escolas.

Os manifestantes não puderam aproximar-se do chefe de Governo, devido às grades de protecção colocadas pela Polícia a delimitar o perímetro da entrada principal do Parque de Feiras e Exposições de Aveiro.

Pedro Passos Coelho e Nuno Crato, que não prestaram declarações aos jornalistas à entrada, participam na cerimónia de entrega de prémios às escolas com projectos distinguidos na 11.º edição do Prémio Fundação Ilídio Pinho "Ciência na Escola".

Cante Alentejano - Hino ao Alentejo - Alentejo Alentejo.

VEJA ESTA ARTE EM TIRAS DE PAPEL (INCLÚI VÍDEO)



Arte em tiras de papel

     A designer e ilustradora Yulia Brodskaya que é 

uma artista e tanto quando se trata de papéis ela 


não desenha no papel, ela desenha COM O PAPEL!


Utilizando tiras de papel com várias cores, cola e 

tesoura ela cria imagens fantásticas que são 

volumosas, chamam a atenção e possuem 

texturas 

e cores diferentes e fortes.













VÍDEO


www.coisasdekarolcomk.blogspot.com.br

os 11 melhores blindados de todos os tempos

 os 11 melhores blindados de todos os tempos

O site American Heroes Channel publicou uma lista dos dez melhores tanques da História. A eles, juntamos um modelo que foi apontado pelos leitores como uma omissão: o moderníssimo blindado alemão Leopard 2 A7+.

Para o site, o melhor tanque de todos os tempos é o soviético T-34, que serviu na Segunda Guerra Mundial. Tem ótimo poder de fogo, mobilidade e proteção, mas sua maior característica é a facilidade de produção.
Os tanques foram introduzidos pela primeira vez pelos franceses no final da Primeira Guerra Mundial. Na Segunda Guerra, foram uma das principais forças nos campos de conflito. A Batalha de Kursk foi o maior confronto registrado entre tanques de guerra.
Acompanhe a lista dos melhores tanques de todos os tempos:

11 - M-4 Sherman (EUA)

Embora tenha pouco poder de fogo e proteção, o tanque americano ganha pontos pela facilidade de produção. Introduzido em 1942, 48 mil unidades foram produzidas em três anos.

10 - Merkava (Israel)

Esse tanque de 1977 tem como principal vantagem a blindagem. Porém, o peso tira pontos da mobilidade. A construção do tanque é complexa, mas seu poder de fogo o torna imponente no campo de batalha.

9 - T-54/55 (União Soviética)

É apenas mediano em poder de fogo, mobilidade e proteção, mas sua facilidade de produção o torna uma ameaça que não pode ser ignorada (95 mil unidades foram fabricadas).

8 - Challenger (Reino Unido)

O tanque inglês ganha pontuação máxima pelo canhão rifle de 120 mm. A blindagem também merece destaque, mas o veículo sai perdendo na mobilidade e facilidade de produção.

7 - Mk IV Panzer (Alemanha)

Foi um demônio nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Tem boa armadura e poder de fogo, mas, como todos os tanques alemães, tinha uma construção complexa.

6 - Centurion (Reino Unido)

Sua blindagem de até 152 mm o coloca como um dos mais protegidos tanques de sua categoria. Também ganha pontos pelo poder de fogo e facilidade de produção, mas a mobilidade é apenas mediana.

5 - WWI Tank (Reino Unido)

Produzido em 1917, foi um dos primeiros tanques introduzidos no campo de batalha. Suas especificações técnicas não impressionam, mas poucos tinham essa máquina de guerra.

4 - Tiger (Alemanha)

Foi um dos tanques mais temidos da Segunda Guerra Mundial por seu poder de fogo e proteção. Seu único problema era a dificuldade de fabricação.

3 - M-1 Abrams (EUA)

De 1983, é um dos mais poderosos tanques já feitos. Tem excelente poder de fogo e blindagem. Mas também é uma máquina complexa e cara.

2 - Leopard 2 A7+ (Alemanha)

É um dos mais modernos do mundo, com boa proteção contra lança-granadas-foguete. Ele oferece precisão maior para tiros de longa distância devido a um sistema avançado de mira. Tem motor de 1.500 HP.

1 - T-34 (União Soviética)

O melhor tanque de todos os tempos é praticamente perfeito em todos os quesitos e considerado o mais efetivo e influente da Segunda Guerra Mundial.

Menção honrosa - EE-T1 Osório

O tanque brasileiro foi considerado o favorito numa concorrência aberta pela Arábia Saudita, vencendo até mesmo o M1 Abrams americano, mas perdeu a disputa por questões políticas e apenas dois protótipos do tanque foram produzidos.
FONTE(S)
IMAGENS
LEITOR COLABORADOR Emmanoel E. S. Scharf, João Vitor

Tiruchirappalli a India que não conhece estrangeiros




Não uma estátua, veja bem, mas um elefante mesmo, animal considerado sagrado na Índia. Se no Brasil eles estão apenas em zoológicos, na Índia é possível vê-los nas ruas, principalmente de cidades turísticas. Mas o encontro com aquele elefante foi surpreendente, já que não é todo dia que você dá de cara com uma animal tão grande num ambiente tão pequeno. E ele não estava ali como atração turística, afinal os estrangeiros são raríssimos por lá. O elefante do Rockfort tinha um papel na fé das pessoas.
Trichy, Índia
Fé. É isso que move Tiruchirappalli, também chamada de Trichy, uma cidade com templos importantíssimos para os hindus. O complexo do Rockfort é menos famoso, mas nem por isso menos interessante. Localizado no topo de um morro, o templo paira sobre a cidade. Usado há 1500 anos para fins militares, com o passar dos séculos as pessoas fizeram a natural relação entre guerra e religião. Visitá-lo é uma oportunidade de entrar em dois templos com séculos de existência, mas também de observar a cidade do alto.

Do alto das escadarias do Rockfort, o prédio que mais se destaca também é um templo, mas de um tipo bem mais familiar para mim: uma igreja católica. Batizada de Our Lady of Lourdes Church, a Igreja fica perto de uma das mais movimentadas ruas de Tiruchirappalli. Mas, assim que descemos do Rockfort e atravessamos a rua e entramos nela, fica claro que o catolicismo não é o mesmo na Índia – A Igreja de Lourdes lembra um templo hindu.
Tiruchirappalli, Rockfort
Não há cadeiras. As pessoas sentam-se no chão e não podem entrar no espaço de sapatos, assim como acontece em todos templos hindus do país. Mas a maior prova do sincretismo religioso está na imagem de Maria, que na Índia usa um colar hindu, assim como os deuses daquela religião. Na Índia, Cristo é visto e representado por olhos indianos.
Mas o grande templo mesmo, aquele que faz de Tiruchirappalli um importante local de peregrinação para os hindus, é o Thiruvanaikaval, dedicado a Shiva. Erguido há 1800 anos, é o maior templo hindu ainda em funcionamento no mundo e o maior complexo religioso da Índia. Durante os meses de dezembro e janeiro, o local recebe cerca de um milhão de visitantes. Quase todos indianos, como o homem que ofereceu para nos guiar pelo local. Nascido no Tâmil Nadu, ele se mudou para Miami, mas nunca deixou de voltar ao país natal, principalmente durante as festividades religiosas.
Tiruchirappalli, Índia
Tiruchirappalli, na Índia
O templo tem sete paredes concêntricas e 21 gopuras, ou torres.  Quem não é hindu pode visitar muitas áreas do templo, mas não as mais sagradas. Estrangeiros convertidos ao hinduísmo costumam poder entrar, mas pode ser preciso provar a fé.
Tiruchirappalli, Índia
Mas a entrada na impressionante Sala dos 1000 pilares é permitida a todos. Os 953 pilares de granito (47 se perderam com o tempo) foram erguidos entre os séculos 14 e 16. Neles, destacam-se esculturas de cavalos, tigres e outros animais. Mas nada se compara aos homens e mulheres que se espalham pelo salão. Gente doente, que está lá em busca de cura. Gente que já está perto da morte. Gente que voltou para agradecer por algo. Gente de todos os tipos.
Sala das mil pilastras

Trichy, Índia

Tiruchirappalli não está preparada para o turista estrangeiro. Gringos são tão incomuns por lá que viram cartão-postal ou propaganda. Num dos poucos restaurantes com comida ocidentalizada, uma pizzaria próxima à rodoviária, um grupo de estrangeiros que passou por lá foi fotografado. A imagem deles passou a ser usada como um enorme banner da pizzaria, numa tentativa de dizer “aqui almoçam os estrangeiros”. Não sei se fomos fotografados, mas quem garante que não fomos e também viramos propaganda do local?
Os hotéis e a comida são pensados para indianos. Além disso, Tiruchirappalli passa longe de ser uma das cidades agradáveis da Índia. Assim que chegamos lá, tivemos vontade de ir embora. Vontade de correr para a próxima cidade do roteiro.
Trichy, Índia
Mas então por que visitar a cidade? Como já cansamos de dizer aqui no blog, a Índia não é um país qualquer. É única. Diferente. Mexe com você de uma forma inacreditável, e isso mesmo quando no roteiro estão apenas lugares muito turísticos, preparados para a presença estrangeira, como Nova Delhi, Agra e o Rajastão. O impacto é ainda mais profundo em estados como o Tâmil Nadu, que ainda não entrou no roteiro dos ocidentais.
E isso é um desafio, ao mesmo tempo que oferece uma visão da Índia completamente diferente. Não é um local que entre no roteiro de quem vai pela primeira vez ao país. Mas para quem está na segunda viagem ou ficará um longo tempo por lá, por que não? Já para quem está em busca de desvendar Índia espiritual, Tiruchirappalli, assim como o restante do Tâmil Nadu, é uma parada interessante.

 http://www.360meridianos.com

5 tecnologias essenciais que um dia foram combatidas tecnologiascombatidas Você já reparou que a humanidade tem o costume milenar de combater todo tipo de inovação tecnológica?

5 tecnologias essenciais que um dia foram combatidas

tecnologiascombatidas
Você já reparou que a humanidade tem o costume milenar de combater todo tipo de inovação tecnológica? Na cultura ocidental esse pessimismo foi imortalizado através de mitos como o rebelde Prometeu, que ousou desafiar Zeus e restaurar o uso do fogo pela humanidade, o destemido Ícaro que voou perto demais do sol, e a maçã proibida do Jardim do Éden. Felizmente a realidade tem o costume de nos mostrar que exagerar no medo da tecnologia é uma grande besteira.
Desde os tempos das cavernas, quando era importante ter medo da novidade (cada barulho poderia ser o desabamento da caverna ou a chegada de um predador), até os dias de hoje, onde é importante ter medo do medo da novidade, quantas tecnologias provocaram uma reação que agora nos parece risível? É isso que eu quero ajudá-los a descobrir nessa lista das 5 tecnologias essenciais que um dia foram combatidas:

1. Sócrates achava que a palavra escrita emburrecia as pessoas


Platão nos conta um diálogo que Sócrates teria tido com seu chamego Fedro, mancebo provocante e instigador. Flerta daqui, xaveca dali, Fedro o convence a discursar sobre diversos assuntos, entre outros a invenção da escrita. Sócrates fala então de quando o deus egípcio Thoth ofereceu diversas artes novas ao rei Thamuz, que morava em Tebas (atual Luxor, onde Napoleão “ganhou de presente” o obelisco da Place de la Concorde), e uma dessas artes era a palavra escrita. Orgulhoso de seus inventos, Thoth afirma entusiasmado que a escrita ajudaria os egípcios pois:
“Esta arte, caro rei, tornará os egípcios mais sábios e lhes fortalecerá a memória; portanto, com a escrita inventei um grande auxiliar para a memória e a sabedoria.”
Ao invés de agradecer, o desgramento do rei responde:
“…tu não inventastes um auxiliar para a memória, mas apenas para a recordação. Transmites para teus alunos uma aparência de sabedoria, e não a verdade, pois eles recebem muitas informações sem instrução e se consideram homens de grande saber, embora sejam ignorantes na maior parte dos assuntos. Em conseqüência, serão desagradáveis companheiros, tornar-se-ão sábios imaginários ao invés de verdadeiros sábios.”

Fedro, a velhice amoleceu minha antiga rigidez intelectual.
Entendeu? Se você aprender algo em um livro, nada terás aprendido jovem gafanhoto, é preciso um professor com uma licença de filósofo falante auferida em três vias de cartório para poder haver REAL ENSINO™. Fora do discurso dialético patenteado pelos gregos, nada funciona como método de busca de conhecimento. Sócrates (e Platão que também defendeu essa tese) erraram o gol por algumas centenas de kilômetros, pois como sabemos a escrita é usada por 84% dos humanos com mais de 15 anos, e foi evoluída até chegar em seu ápice, o MIgUxXxEixXx…….

2. A socialite desprezada porque não queria comer com as mãos

Ainda hoje nos países árabes (e na Índia) é muito comum comer com as mãos, e os costumes se estabeleceram na especialização da mão direita para comer, apertar mãos e escrever. Esta mão deve sempre estar limpa, pois entrará em contato direto com a comida que todos partilharão. A mão esquerda… ela é considerada suja, porque a ela restam todas as outras tarefas. Pobre mão esquerda.
Leia esse livro, sério.
Subitamente o título deste livro ganha uma nova e insalubre conotação.
Hoje sabemos que esse costume não basta, afinal os germes e os vírus estão por toda parte. Mas as pessoas na Europa medieval não sabiam disso, e comiam felizes com as mãos, sem se importar muito com qual, onde e quando.
Todo mundo comia com as mãos, beleza? Era aquela lambança divertida, dedões sendo lambidos e chupados com gosto e as línguas estalando no céu da boca numa sinfonia de glutões. Por volta do ano 1000, schlurps e nhacseram a norma em qualquer mesa na Europa, do nobre ao lacaio. A diferença era na qualidade do pano de limpar as mãos, e se a roupa seria lavada ou não depois de cada orgia alimentícia.
Até a chegada de uma riquinha chamada Maria Argyropoulina, sobrinha do Imperador Basil II de Bizâncio, que se mudou para Veneza ao se casar com Giovanni, filho do Doge (espécie de presidente de cada república italiana) desta cidade, Pietro Orseolo II. De cara, ela não causou boa impressão com seus modos educados e sofisticados, onde já se viu? Mas o que realmente sacramentou a opinião pública contra a socialite foi o par de talheres pontiagudos que ela usava para cutucar a comida e levá-la até sua boca. Ultraje!

Me passa esse treco aqui, esposa!

“Porque não ouvi a vovó, os italianos são uns selvagens invejosos!”
No Oriente Médio e no Império Bizantino, o garfo já vinha sendo usado desde o século VII pela nobreza, e no século X era popular entre as famílias abastadas dessas regiões. Mas na Europa somente a faca tinha lugar na mesa. Portanto podemos imaginar o escândalo que foi chegar aquela metida a besta, quero dizer, aquela pessoa phyna e começar a usar um prolongador para evitar o contato direto com a comida, provavelmente fazendo cara de nojinho.
Apesar da inovação higiênica, Maria morreu contaminada pela praga dois anos depois, ironia fatal. Para alguns padres, foi uma ação direta de Deus reprovando o uso de tais instrumentos do demônio. Deus teria parado de cuidar de seus afazeres atemporais, deixado de lado a administração do universo e de Todas As Coisas Existentes, para dar uma lição nesta agressora de sagrados dogmas. Segundo São Pedro Damião:
“Deus na Sua sabedoria providenciou o homem com garfos naturais – seus dedos. Dessa maneira é um insulto a Ele substituí-los por artificiais garfos metálicos na hora de comer.”

Sapiência e benevolência.

Não deixo essa estrangeira garfar a atenção da glr!
Que sapiência, que elucubração iluminada, deve ser por isso que foi canonizado.
O garfo levou mais alguns séculos para se tornar popular entre os italianos, e somente com a chegada de Maria de Médicis na França, para se tornar a rainha chifruda e se casar com Henrique II, é que ele foi introduzido nas cortes francesas. No século XVII as pessoas levavam garfos e facas consigo para quando precisassem deles na hora de comer, e por isso a cutelaria se tornou um símbolo de status. Luís XIV foi talvez o maior responsável pela tortura que se tornou a etiqueta à mesa, antes da chegada da nossa santa salvadora Danuza Leão. Agora a gente pode comer com o garfo na mão direita, que é chique descontraído.

3. O escriba que odiava a impressão de livros


A luz me incomoda então deixo a cortina fechada.

Malditos livros e seu acesso ao conhecimento e ao iluminismo.
Apesar da escrita ter sobrevivido aos resmungos de Platão Sócrates, não era moleza escrever em lápides de mármore. O papiro vinha do longínquo Egito para a Europa e os pergaminhos de couro eram caros e matavam os animaizinhos bonitinhos. Foi preciso esperar até o século XIII para o papel chegar de caravana da China, através do Oriente Médio, nas Oropa. Ufa!
Nessa época a educação era para poucos (como hoje em dia no trânsito carioca) e 99% da população ativa era condenada diariamente ao pesado trabalho na roça. O poder se concentrava ao redor dos senhores da guerra (os nobres) e os porteiros do paraíso (a igreja), que também eram os únicos com motivação, tempo e dinheiro para acumular os caríssimos e pesados tomos de conhecimento. Assim os monges dos grandes centros cristãos aprendiam a copiar os tratados de filosofia e teologia, garantindo a preservação e a passagem dos clássicos da antiguidade.
Sugiro os omeletes da Mère Poulard e o carneiro do pré-salé.
Biblioteca pública medieval à prova d’água e com sistema anti-ingleses.
Muito obrigado padres, apesar da igreja ter recebido muito bem pelos serviços. Mas não descansem muito tempo sobre seus traseiros! Um ourives alemão, morador da bela cidade de Estrasburgo, no meio do século XV inventou o aparelho mais influente do segundo milênio; não estou falando de nenhum instrumento de tortura medieval, e sim de Johannes Gutenberg e sua prensa de tipos móveis. Engraçado que em inglês fica mais impressionante, printing press, em português parece imprensa e ninguém sabe direito do que se está falando. Enfim, o barangandã que imprime livros idênticos em série e em grandes quantidades.
Os escribas subitamente não tinham mais emprego garantido, e até a igreja passou a imprimir indulgências (os terrenos no céu) nas novas máquinas, então nada mais lógico que algum padre se levantar e mostrar as desvantagens da novidade. Xará contemporâneo e patrício de Gutenberg, o monge escriba Johannes Trithemius escreveu o mimimi “De laude scriptorum manualium” (Elogio aos Escribas), onde lembrava a todos que:
“[O escritor,] enquanto está escrevendo sobre bons assuntos, de algum modo é introduzido através do ato de escrever no conhecimento dos mistérios e grandemente iluminado na sua mais recôndita alma; pois esses assuntos que escrevemos imprimimos mais firmemente na memória… Enquanto ele está ruminando sobre as Escrituras ele é frequentemente inflamado por elas.”
De bouas, ralando aqui pra receber em dobro no céu, kkkkkkkk!
Isso lembra o discurso de algum filósofo grego sentado embaixo de alguma árvore? Ironicamente, tudo isso precisou ser IMPRESSO NUM LIVRO para que outras pessoas lessem sobre a desvantagem da impressão de livros. O monge seguia dizendo que o esforço desumano de copiar livros gigantescos ajudava a construir e endurecer o bom caráter dos monges, que de outra maneira não teriam p. nenhuma para fazer e todos sabem que o ócio é o playground do Tinhoso. Ademais, as letras escritas à mão eram mais bonitas, os livros impressos eram difíceis de achar, blá blá blá, se ferrou capelão, hoje em dia a escrita é apenas uma arte hipster realizada em molesquines ou uma forma de punição para o Bart Simpson.
O LIVRO GANHOU, graças a Deusenberg.
Minha mãe fabricava vinho.
Like a boss.

 4. A revista Nature publicou um artigo contra a eletricidade em 1889

Fique longe!
Risco de Shock de Monstro.
Sabe esse Exemplo de Seriedade que é a revista Nature? Pois é, nada mais vanguardamente iconoclasta do que atacar uma das torres de marfim da ciência sob um ângulo privilegiado: o das previsões que falharam espetacularmente. O homem não é perfeito, nem mesmo os articulistas aprovados pelo conselho editorial da Nature, e o artigo “A Vingança da Natureza contra a Engenhosidade” de  Charles Hallock, na edição de novembro de 1889, prova isso. Não é um artigo apenas contra a eletricidade, é praticamente uma condenação da inovação, uma maldição à engenhosidade humana. Veja por si mesmo(a):
“A natureza sempre foi muito liberal e beneficente com a raça humana. (…) Nada ficava a desejar. (…) Mas, com o aumento do conhecimento que seguiu-se À Queda, surgiram desejos incontroláveis; e esse desejo insaciado é a punição fixada pela desobediência primitiva. (…) Desde o começo o objetivo constante do homem foi o de neutralizar essa punição, e restaurar através de seu próprio esforço aquela condição imaculada e abençoada de quando o contentamento não deixava nada mais a ser desejado.”
Se a punição veio depois do pecado original, o objetivo do homem não seria o pecado, ao invés da neutralização da punição?
Um fundamentalista religioso hoje escreveria de forma menos erudita, mas certamente aplaudiria esses argh-jumentos. Ler isso em uma revista que deveria ESTIMULAR a indagação, que certamente não abriga em seu bojo conceitual o contentamento intelectual, é de lascar. O que acontece se você busca solucionar problemas econômicos através de inovações tecnológicas?
“(…) novas punições e angústias persistentemente e inexoravelmente seguem cada nova invenção (…). Súbitas calamidades e novas doenças não apenas surgem diante dos olhos, mas são originadas pelas novas engenhocas que foram inicialmente vistas como benefícios e maravilhosos aperfeiçoamentos. (…) locomoção rápida envolve fatalidades, inventos mecânicos para diminuir o esforço do trabalho empobrecem multitudes enquanto beneficiam apenas uma pequena parcela; e não somente os inventos econômicos, como também os dispositivos estéticos exercem uma influência reflexiva sobre a saúde e o conforto daqueles que os utilizam. O mundo da moda torna-se o vestíbulo do cemitério.”
Vestíbulo do cemitério? QUE QUE CÊ TÁ FALANDO CARA, poderia ser mais claro?
“De fato, pode ser afirmado como um postulado, em princípios gerais, que a relação é de 100 malefícios para cada benefício conquistado pelas invenções humanas.”
[Sai da sala, faz um café. Observa as montanhas ao longe, pensando no passado e no futuro. Volta para o computador.]

Fala isso não broder.

Quer dizer que foi tudo uma grande ilusão? Adeus, tecnologias.
Errrrrrr. Continuando.
“Mas o trabalho progressivo do homem não está apenas destruindo a si mesmo, mas está acelerando a destruição da Terra, com cujo destino final a humanidade está comumente envolvida, de acordo com as escrituras. (…) assim que o seu esforço for corado com sucesso, a destruição do mundo não é mais uma questão de séculos, mas de anos.”
Destruição demorada essa hein? Faltou aceleração, talvez? Qual é a diferença desse argumento para o atual apocalipse dos gases de efeito estufa? Nenhuma. Faz sentido, afinal a reciclagem é um dos princípios mal utilizados pelo ambientalismo apocalíptico. Carlinhos Mal-Humorado finalmente explica porque está tão preocupado com o futuro da humanidade:
“Atualmente nosso mais perigoso animal de estimação é a eletricidade – no telégrafo, na lâmpada de rua e no telefone. Introduzimos a energia elétrica nas nas mais simples indústrias domésticas (…) como uma teia em volta de nossa moradia, e preenchemos nossa atmosfera com os filamentos da morte.” Bom nome pra banda de trash-punk-metal, FILAMENTOS DA MORTE. “O público declama que a luz elétrica não é essencial ao bem estar social. Não é uma necessidade mas um luxo. Abolindo-a reduzimos consideravelmente o perigo.”
Qual perigo, Carlinhos decidiu não explicar, mas se formos acreditar nele, a eletricidade é uma Shelob que convidamos a morar com a gente.

A rede elétrica me pegou.

Vítima da eletricidade.
“O telefone é o mais perigoso de todos pois entra em cada moradia. Sua interminável rede de fios é uma ameaça perpétua à vida e à propriedade. No seu melhor papel é apenas uma conveniência. Nunca foi uma necessidade.”
O que dizer, já que estou escrevendo em um computador, para publicar na internet?

5. A revista Scientific American publicou em 1859 um artigo contra o jogo de xadrez


Tecnofobia xadrez 4

Mais uma vítima do xadrez desregulamentado.
Eu tento me preparar para todos os tipos de absurdos, mas admito que esse ataque foi inusitado demais. Aparentemente tudo começou com a vitória de um americano chamado Paul Morphy em um torneio disputado com mestres enxadristas europeus. Houve uma turnê de reconhecimento ao feito, e ele foi tratado como hoje são tratados os ganhadores de medalhas olímpicas: recepções, feiras e banquetes. Se o caso parasse por aí não haveria consequências, mas algo sinistro estava acontecendo… Os jovens americanos estavam, segurem-me senão vou desmaiar, ficando viciados em xadrez:
“(…) uma perniciosa excitação de aprender e jogar xadrez se espalhou por todo o país, e numeroso clubes para a prática deste jogo se formaram em cidades e vilas.”OH, QUE HORROR! Até nas pobres vilas??? “Porque deveríamos lamentar isso?”Não sei, me conta!!! “Xadrez é um mero passatempo de caráter deveras inferior, que rouba valioso tempo da mente que poderia de outro modo ser consacrado a mais nobres conquistas, ao mesmo tempo que não oferece nenhum benefício ao corpo.”
Hmmm… Somente isso, um divertimento inútil? Tipo ouvir funk ostentação? Mas e todo aquele papo de ajudar na memória e no pensamento estratégico, Napoleão que o diga?

Você não tem mais peças de roupa para apostar, gatchenha.

STRIP CHESS!!!!
“Essas opiniões são, na nossa opinião, extremamente errôneas. Napoleão o Grande, que tinha uma grande paixão por xadrez, era frequentemente vencido por um rude merceeiro em Santa Helena. Nem Shakspeare (sic), Milton, Newton, nem qualquer outro dos Grandes da terra, adquiriram proficiência no jogo de xadrez. Aqueles que se tornaram os mais renomados jogadores parecem ter sido dotados de uma peculiar faculdade intuitiva de fazer os movimentos certos, ao mesmo tempo que possuem faculdades muito ordinárias para outros propósitos.”
OUCH! Uma pessoal genial então tem que ser horrível em xadrez, estou entendendo a causalidade. Para colocar uns arrebites de platina a mais no caixão desse jogo fedorento, a revista nos avisa as consequências, ou deveríamos dizer, a FALTA de consequências da prática do xadrez:
“Um jogo de xadrez não adiciona um único fato novo à mente; não estimula um único pensamento bonito; não serve a nenhum propósito para polir e aperfeiçoar as nobres faculdades. Pessoas engajadas em ocupações sedentárias não deveriam nunca praticar esse triste jogo; elas requerem exercícios ao ar livre para a recreação – não essa forma de esgrima mental. (…) Melhor deixá-los dançar, cantar, jogar bola, fazer ginástica, vagar pelos bosques ou pela beira do mar, que jogar xadrez.”

Uma metáfora ao comportamento do enxadrista. Que também é burro, se você não entendeu.

Peão é um bicho burro mesmo.
Você quase me convenceu, estou quase desistindo de instalar aquele xadrez animado, onde o rei degola os peões, o cavalo atropela o bispo, etc.
“Um jovem gentil-homem de nosso conhecimento, que veio a adquirir uma certa habilidade como jogador, recentemente empurrou para longe o tabuleiro de xadrez após um jogo, declarando: Já gastei muito tempo nisso; não aguento mais jogar; esse foi a minha última partida. Recomendamos essa resolução a todos que tolamente se deixaram levar pela presente febre do xadrez, pois habilidade neste jogo não é uma conquista nem útil, nem graciosa.”
Pronto, depois de me contar sobre esse caso isolado, anônimo e anedótico, você me convenceu de forma científica e definitiva da necessidade premente de abandonar o vício de tão vil passatempo.

Nego não se decide.

Mais tarde seria o contrário: xadrez: BOM; dançar: RUIM.

spotniks.com