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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Maior evento de intercâmbio cultural do país de volta ao Algarve - Depois do sucesso alcançado nas duas primeiras edições o Festival “Obrigado Portugal” está de volta, nos próximos dias 4 e 5 de outubro.

Maior evento de intercâmbio cultural do país de 


volta


ao Algarve

Maior evento de intercâmbio cultural do país de volta ao Algarve

Depois do sucesso alcançado nas duas primeiras edições o Festival “Obrigado Portugal” está de volta, nos próximos dias 4 e 5 de outubro.
 
O recinto está aberto ao público entre as 15h00 e a meia-noite e a entrada é livre. 
 
O festival que teve a sua primeira edição em 2011 nasceu de uma iniciativa da comunidade estrangeira como forma de homenagear os seus anfitriões. “O Festival “Obrigado Portugal” tem por objetivo agradecer aos nossos anfitriões portugueses e dinamizar ainda mais o encontro entre todas as culturas representadas em Portugal, especialmente no Algarve, de forma aberta e amigável, baseada no respeito mútuo, alegria e criatividade”, refere a presidente da direção da organização do festival, Marion Buz.
 
A paisagem natural do Sítio das Fontes (Lagoa) volta a ser o cenário escolhido para o evento. 
 
No festival estarão representados o artesanato, a música, o teatro e a gastronomia. A organização pretende, criar uma atmosfera descontraída onde se respire várias culturas e oferecer um programa cultural atrativo e interativo que agrade aos diferentes tipo de visitantes, independentemente da sua idade e origem. 
 
Vários são os artistas nacionais e internacionais que já confirmaram a sua presença no evento. O cartaz musical “Do Fado ao Rock” conta com a cantora Maja Milinkovic natural da Bósnia que se apaixonou pelo fado e mudou-se para Lisboa onde já participou em muitos eventos e ainda com  artistas como Johnny White, K., Jackie O’Grady, Adelino, The Tasmaniac, Agents of Eternity, Alexandre Costa, André Kropotoff e Samuel Filipe entre outros. 
 
À semelhança dos anos anteriores o festival irá oferecer uma série de atividades para crianças, incluindo teatro de luz negra. A Escola Internacional de Aljezur estará presente com uma performance especialmente concebida para o festival, assim como o Silver Mask Theatre Group, um grupo de teatro com atores de várias nacionalidades. 
 
O Festival oferece a oportunidade a outras associações de estarem presentes e promover o seu trabalho. 
 
A edição deste ano fica ainda marcada pela apresentação do trailer do filme "The Juice Right", que já está em exibição nos cinemas Zon Lusomundo do Algarve. 
 
Recorde-se que a primeira vez que o teaser do filme foi exibido ao público foi precisamente no Festival “Obrigado Portugal" em 2011. 
 
O evento conta mais uma vez com o apoio da Câmara de Lagoa.
 
O Festival é organizado pela associação sem fins lucrativos “A Ponte Colorida – Associação de Intercâmbio Cultural”, cuja missão é unir e reunir pessoas de origens culturais diferentes, em torno da partilha de experiências e vivências. Além do Festival a associação tem em agenda diversas atividades planeadas para dar continuidade ao seu objetivo da promoção do intercâmbio cultural. 

SE COMO EU FOR UM APAIXONADO PELO XADREZ LEIA AQUI ALGUMAS CURIOSIDADES BEM INTERESSANTES



    • Cálculos matemáticos estabelecem que o rei, partindo da sua casa inicial (e1) e seguindo o caminho mais curto, ou seja, em 07 lances, pode atingir a oitava (8ª)casa (e8) de 393 modos diferentes.
    • Um final de partida com o rei e a torre pode formar 216 posições diferentes de mate; um final de rei e dama contra rei: 364.
    • O Xadrez, a Música e a Matemática são os únicos setores da atividade humana em que se conhecem casos de crianças prodígio.
    • O Xadrez é disciplina escolar obrigatória na Romênia e as notas em Matemática dependem
  • em 33% do desempenho no Xadrez.
  • No xadrez existem precisamente 169.518.829.100.544 quatrilhões (15 zeros) de maneiras de jogar apenas os dez primeiros lances. Para os 40 lances seguintes de um jogo inteiro, o número é estimado em 25 x 10 elevado a 115 potência. O número inteiro de átomos em todo o universo é apenas uma pequena fração desse resultado.
  • O campeão nacional absoluto mais jovem de todos os tempos e de todas as modalidades esportivas é um jogador de Xadrez. Trata-se do peruano Júlio Granda Zuñinga, campeão nacional aos 6 anos de idade.
  • Na década de 1980, na ex-URSS, por duas vezes um jogador de Xadrez foi eleito atleta do ano, destacando-se entre praticantes de todas as outras modalidades. Foram eles: Anatoli Karpov (1981) e Garry Kasparov(1985).
  • O Xadrez é o único esporte em que uma mulher conseguiu conquistar um campeonato numa competição mista contra homens. Trata-se da campeã húngara Judit Polgar, considerada a melhor jogadora de todos os tempos.
  • O Xadrez é a única modalidade esportiva que permite a uma pessoa enfrentar grande número de adversários ao mesmo tempo, em condições de aproximada igualdade.
  • Segundo o presidente da FIDE (Fédération Internationale Des Échecs), existem atualmente cerca de 500 milhões de pessoas que jogam Xadrez.

  • Vencendo Capablanca. Nos anos 1920s, o cubano José Raul Capablanca foi considerado uma máquina de jogar xadrez. Seu estilo era quase perfeito. Nenhum outro sofreu tão poucas derrotas quanto ele. Raros mestres puderam vencer Capablanca, e somente uma única e exclusiva vez: Botvinnik, Euwe, Keres, Reshevsky, Réti, Janowsky, Rubinstein... Mais raríssimos ainda foram os jogadores que conseguiram a proeza de triunfar sobre Capablanca mais de uma vez. Na verdade, apenas quatro mestres alcançaram essa glória suprema: Alekhine, Lasker, Spielmann e Marshall.
  • O jogo o mais longo de xadrez de todos os tempos jogados por jogadores top do ranking teve 269 movimentos de Ivan Nikolic e Goran Arsovic em Belgrado em 1989. Durou mais de 20 horas, e resultou em um empate.
  • Diz-se que há mais literatura devotada ao Xadrez do que para todos os outros jogos restantes juntos.
  • A palavra "Xeque-mate" vêm da frase persa "Shah Mat", que significa "o rei está morto".
  • Na série "Star Trek (Jornada nas Estrelas)", capitão Kirk e Sr. Spock jogaram o Xadrez três vezes. Kirk ganhou todos os jogos.
  • O primeiro Campeonato de Xadrez registrado aconteceu em Madrid em 1575. Giulio Polerio e Giovanni Ruy derrotaram Leonardo Lopez e Alfonso Ceron em uma série de jogos organizados pelo rei Filipe II.
  • O ex-campeão do mundo Jose Capablanca começou a jogar Xadrez com 4 anos, e ganhou de seu pai seu primeiro jogo também com 4 anos.
  • O movimento mais lento registrado foi de Francisco R. Torres Trois, levou 2 horas e 20 minutos para fazer um movimento em um jogo contra Luis M.C.P. Santos, em Vigo, Espanha em 1980. Trois tinha somente dois movimentos possíveis a considerar.
  • Judit Polgar da Hungria foi a mulher mais jovem a ganhar o status de mestre internacional em 1989 quando tinha 12, e a mulher mais jovem a ganhar o status internacional de Grande mestre em 1991 na idade 15.
  • A primeira aparição do xadrez em um filme foi em " The Wishing Ring " em 1914.
  • Dois reis podem ocupar no tabuleiro 3612 posições diferentes. Dois reis e duas peças quaisquer podem forma, aproximadamente, 12.000.000 de posições diferentes. Dez peças: 34.254.125.120.000.000.
  • A partida mais longa, terminada em vitória, é a que Wolf ganhou de Duras (Carlsbad, 1907): 168 lances, durando 22 horas e meia.



  • A Sra. J.W. Gilbert, 1879, numa partida por correspondência com G.H. Gossip, anunciou mate em 35 lances! (Steinitz comprovou a sua exatidão) Possivelmente, este é o mate anunciado de maior número de lances.
  • Dia Internacional do Enxadrismo é comemorado todos os anos no dia 19 de novembro, data de nascimento de José Raúl Capablanca, considerado um dos maiores enxadristas de todos os tempos e o único hispano-americano a se sagrar campeão mundial.
  • O mestre pode. Um forte amador pediu ao GM mexicano Carlos Torre que analisasse uma de suas partidas. Torre não queria perder tempo com partidas de capivara, mas o jogador tanto insistiu que Torre concordou, embora sob uma condição: pararia a análise assim que constatasse um erro gravíssimo. Ficou combinado. O sujeito começou a mostrar a partida: 1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Cf6 4.e5 ...Cg8. "Pode parar - disse Torre - esse lance preto é horroroso." O homem replicou: "Não é bem assim, maestro, a ideia do recuo do cavalo é sutil.Nimzowitsch, por exemplo, já experimentou esse lance e venceu!" Ao que Torre respondeu: "Nimzowitsch é um gênio, ele pode jogar isso. Mas você não, você tem que respeitar as regras de desenvolvimento das peças." Ah se todos nós lembrássemos dessa história!
  • Nomes curtos. O jovem Leonid Stein tinha acabado de perder para o veterano GM Salo Flohr. Para consolá-lo, Flohr contou uma piada: "Não fique triste. Olha, em breve os nomes curtos vão ser melhores do que os nomes longos. Veja por exemplo Liliental, um grande jogador no passado. Agora, quem se destaca é Tal. Com você vai ser assim também. Em breve, Bronstein vai ter que ceder o lugar para Stein!". Poucos anos depois, a "profecia" foi cumprida: Stein venceria três campeonatos soviéticos!
  • Com tabuleiro. Richard Réti e Alexander Alekhine encontraram-se no trem e começaram a analisar uma posição às cegas (sem o tabuleiro nem as peças, só de memória). Depois de alguns minutos, Alekhine virou-se para Réti e disse: "Olha, todos sabem que nós dois somos os melhores jogadores às cegas do mundo. Por que então não utilizamos um tabuleiro de verdade?".
  • Assassino de si mesmo. O GM húngaro Geza Maróczy era conhecido pela elegância e polidez com que tratava a todos. O GM letão Aaron Nimzowitsch era famoso exatamente pelo contrário, pelo mau humor e falta de tato com que tratava a quase todos. Certa vez, Nimzowitsch foi tão ofensivo que Maróczy reagiu convocando-o para um duelo no dia seguinte. O irado Nimzowitsch não compareceu ao encontro. Justificou-se assim: "Não vou contribuir para meu próprio assassinato."
  • Grande fígado. O GM inglês Blackburne foi um dos mais fortes jogadores do mundo nas últimas décadas do século XIX. Na lista de suas vítimas, incluem-se Steinitz, Tchigorin, Em. Lasker, Tarrasch, Pillsbury e Alekhine. Suas partidas eram especialmente inspiradas pelas bebidas alcoólicas. Conta-se que ele era capaz de esvaziar duas garrafas inteira de uísque numa sessão de partidas simultâneas. Morreu aos 83, idade bastante avançada para quem viveu, e bebeu, na sua época. Um grande cérebro e, pelo visto, um grande fígado.



  • Melhor para ele. Partida amistosa de uma amador contra um forte jogador. Ao amador dirigiu-se a Emanuel Lasker, que observava o jogo, e perguntou: "Qual o melhor lance nessa posição?". Lasker respondeu: "Jogue g2-g4." O pobre incauto seguiu o conselho e, inesperadamente, seu adversário respondeu com a dama, que deu o mate. Estarrecido, o indivíduo virou para Lasker e perguntou, meio sem acreditar, meio furioso: "Mas o senhor não disse que essa era o melhor lance?". "Sim - respondeu Lasker - o melhor para seu adversário." No fundo, essa era a maneira de jogar xadrez de Lasker: ele encaminhava a partida para posições em que seus adversários, perplexos, se interrogavam: "essa posição é boa, é óbvio, mas para qual de nós dois?"
  • Sumiço da torre. Na União Soviética, havia uma tipo de simultânea dada por dois grandes mestres que jogavam alternativamente. O GM1 fazia o lance contra todos os tabuleiros, que, em seguida, respondiam. Era então a vez do GM2 fazer os lances em cada tabuleiro. Depois das respectivas respostas, o GM1 retornava e assim a partida continuava. Certa vez, Averbach foi jogar um lance quando percebeu que estava com a torre a menos. Mesmo com a posição perdida, ainda fez dois ou três lances. Depois que a exibição acabou foi conversar com Bondarevsky: "Como é que você perdeu aquela torre?". Ao que Bondarevsky replicou: "Ué, eu perguntar exatamente isso!". Os dois se olharam e perceberam que tinham sido roubados pelo esperto amador.
  • Relógio. Conta-se que Garry Kasparov, o "Ogro", como dizem os espanhóis, tem o hábito de retirar o relógio do pulso assim que a partida começa. O relógio fica ali, sobre o tabuleiro. Quando Kasparov sente que a partida está chegando ao fim e que ele será o vencedor, pega o relógio e bota de novo no braço. Uma maneira sutil de dizer pro adversário: "Bom, vamos acabar logo com isso que não tenho tempo a perder." Pressão sobre o adversário? Sem dúvida. Mas já houve adversários que, pelo menos em algumas ocasiões, fizeram Kasparov esquecer do relógio.
  • Comandante Che. Ernesto Che Guevara, o comandante da guerrilha comunista vitoriosa na revolução cubana de 1959, ainda hoje aparece em estampas de camisetas. Ícone dos anos 1960s, talvez seja menos lembrado por suas ideias do que por sua imagem de jovem rebelde. Che Guevara era argentino e como tantos argentinos, um bom amador de xadrez. Existem fotos dele jogando xadrez e partidas anotadas. Jogou numa simultânea contra contra o fortíssimo GM Miguel Najdorf e conseguiu empatar ("tablas", como dizem nuestros hermanos argentinos.)
  • Pontapés. Tigran Petrosian e Victor Korchnnoi eram rivais há muito tempo na URSS. Quando Korchnnoi abandonou a URSS e se radicou na Suíça, a rivalidade parece ter aumentado. Afinal, agora nenhum dois precisava manter as aparências do "homem novo soviético". O vale-tudo da Guerra Fria permitia quase tudo. Então, as partidas entre os dois desenvolviam-se em dois planos. Em cima do tabuleiro, sangrentos combates produzidos pelo entrechoque das peças de madeira. Em baixo do tabuleiro, iradas batalhas de chutes, bicos e pontapés. Dor nas canelas dos mestres e dor na cabeça dos juízes. Como resolver? Os carpinteiros (que também fazem as peças...) construíram uma poderosa divisória de madeira para se colocada embaixo da mesa que isolaram os bicos de sapato dos dois futebolistas, digo, enxadristas.
  • Nomes de aberturas. Os nomes de aberturas podem ter várias origens: grandes jogadores (Defesa Alekhine, variante Lasker, ataque Panov-Botvinnik, sistema Petrosian, variante Polugaevsky, contra-ataque Marshall,contragambito Albin, estrutura Maroczy), países e nações (defesa francesaabertura escocesadefesa eslava,abertura catalã), cidades (variante Scheveningen, variante Leningrado, defesa Cambridge Springsabertura vienense, sistema London), nomes exóticos (variante dragão, gambito elefante, hedgehog - porco espinho, ataque Grande Prix, defesa ortodoxa, variante Stonewall - muro de pedra, ataque baioneta) ou simplesmente termos técnicos ou descritivos (gambito de reiabertura do bispodefesa dos dois cavalos, variante cerrada, variante clássica, variante das trocas). Às vezes, as aberturas recebem mais de um nome. Por exemplo, abertura Ruy López e abertura espanhola, Giuoco Piano e abertura italianadefesa Petroff e defesa russa, defesa escandinava e contra-ataque central, gambito Volga e gambito Benko.
  • Livro bom. Bogoljubow era conhecido pela autossuficiência. Depois de ter escrito um livro muito bom de xadrez, andou perdendo algumas partidas de torneio. Sua conclusão não poderia ser outra: "Agora que todos leram meu excelente livro, fica fácil jogar de modo tão maravilhoso como eu."

  • Ar viciado. Mikhail Botvinnik era capaz das maiores proezas durante a preparação para um torneio. Como todo não-fumante, ele detestava a fumaça do cigarro. O que fez então? Jogou várias partidas de treinamento nas quais seu preparador, o GM Ragosin, propositalmente fumava e dava baforadas bem no rosto de Botvinnik! Isso sim é que é maneira de enfrentar pressão psicológica.
  • Mídia. Um grande mestre soviético ia participar de um programa na tevê de Moscou e estava um tanto nervoso. Pediu que a Mikhail Tal que fizesse uma sugestão: "O que devo falar amanhã, Misha?". Tal, sempre muito bem humorado, respondeu: "Diga para que ouçam o rádio. Estarei dando uma entrevista no mesmo horário!"
  •  Vitória no empate. Na última partida do match pelo campeonato mundial de 1935, o holandês Max Euweprecisava de apenas um empate para conquistar o título do russo Alexander Alekhine. No momento em que estava colocando as peças na posição inicial, Euwe esbarrou e derrubou o próprio rei. Então, dirigiu-se em voz a baixa ao adversário: "Doutor, aceito o empate a qualquer instante da partida." É óbvio que Alekhine não poderia concordar com o empate. Todavia, o desenvolvimento do jogo foi amplamente favorável a Euwe, que conseguiu dois peões a mais em posição totalmente ganha. Nada mais restou a Alekhine do que aceitar o empate e cumprimentar o vencedor do match.
  • Ele "enxerga"!?. O GM alemão Friedrich Sämisch dava uma exibição de simultâneas às cegas (sem ver o tabuleiro, jogando só com a memória). Na platéia, uma linda moça observava tudo com atenção. E Sämisch, claro, não tirava os olhos de cima da dama. No final da simultânea, a jovem não se conteve e protestou: "Isso é uma fraude. Ele não é cego conversa nenhuma. Enxerga tudo perfeitamente!"
  • Tática e futebol. Originalmente, o xadrez é um jogo militar. Não é à toa que utilizamos termos técnicos militares como estratégia e tática. Estratégia tem a ver com planejamentos gerais e profundos. Tática está ligada à execução direta. No futebol, o termo tático tem sido empregado de forma incorreta. Técnicos e jornalistas confundem tática com estratégia. O que chama de tática é na verdade estratégia: colocação dos jogadores em campo, posicionamento do ataque, tipo de marcação, etc são aspectos estratégicos. O drible, o passe em profundidade, a batida de falta é que são aspectos táticos do futebol. Quando o time brasileiro esquece qualquer "esquema de jogo" e parte para tentar resolver a partir da habilidade individual de cada jogador, então podemos dizer que houve um abandono da estratégia em favor dos golpes táticos. Tal como no xadrez, as surpresas táticas podem funcionar no futebol, mas o que normalmente garante a vitória é um bom planejamento estratégico.
  • Sexo e xadrez. Sexo é bom antes de uma partida importante? Sexo é bom, claro, mas será que, mesmo que você termine a performance ainda cedo e então consiga muitas horas de sono, não haveria um desgaste físico excessivo? Há quem diga que a diminuição dos hormônios também reduz a agressividade. Assim, os mais apressadinhos poderão até dizer que o jogador com mais, digamos, vontade, é tático, e os que têm menos, digamos, sede, tenderiam a ser posicionais. Mas há quem replique, alegando estudos freudianos que apontam os jogadores posicionais como masturbadores, ao passo que os táticos sofreriam de ejaculação precoce (não sei bem qual seria o equivalente feminino. Parece que as mulheres são melhores que os homens inclusive em relação a esses assuntos). Outros ainda poderão dizer que jogadores táticos apreciam o sado-masoquismo ao passo que jogadores posicionais preferem sexo oral / anal. Enfim, o assunto é polêmico. Com certeza, o leitor encontrará muitos jogadores que preferem xadrez a sexo.
  • Short e os malucos. Numa entrevista, o GM inglês Nigel Short comparou os tipos de stress que atingem as diferentes modalidades esportivas. No futebol, o jogador se contunde e é tratado por um médico ortopedista e um fisioterapeuta. E no xadrez? O equivalente da contusão é o stress, e, em casos mais graves, os distúrbios mentais. Nestes casos, os profissionais indicados são o psicólogo e o médico psiquiatra. Entretanto, poucos jogadores são capazes de admitir a necessidade de recorrer a esse tipo de profissionais. Existe preconceito ("Psiquiatra é coisa de maluco ou de madame"). Sensato, Short descarta a ideia de que o xadrez produza loucos. É o contrário: o xadrez tem alguma coisa que parece exercer uma grande atração sobre os malucos.
  • Os romanos antigos conheciam o xadrez? No filme Ben-Hur, estrelado por Charlton Heston, aparece rapidamente um tabuleiro de xadrez ricamente marchetado. Os romanos, provavelmente, conheceram o xadrez através dos gregos; preferiam, porém, o jogo de dados.
  • A época áurea do xadrez - Ocorreu durante certo período da idade média quando eram permitidas visitas de cavalheiros aos quartos das damas, desde que fossem para jogar xadrez. O elevado número de nascimentos oriundos deste costume, contudo, chamou a atenção da igreja, que conseguiu a proibição de tal prática.
  • Índios enxadristas –Edward Lasker escreve: “O escritor portugûes do século XVIII, De Barros registra o seguinte fato: Diego López, comandante da primeira expedição portuguesa, ao chegar diante de Málaca em 1509, estava jogando xadrez com um dos seus homens, quando um índio da tribo dos Bataks subiu a bordo. Este reconheceu imediatamente o jogo e discutiu com López a forma das peças de xadrez usadas na sua tribo”!“ Idêntica constatação foi feita por um curador da Universidade de São Petersburgo, que foi ao norte da Sibéria, em 1895, realizar estudos etnológicos e verificou que todas as tribos - Samoyedes, Tungusianas, Yakuts - tinham entusiásticos jogadores de xadrez. Escreveu ele: "uma partida dura horas e muitas vezes não termina senão no dia seguinte. A excitação, não raro, leva os jogadores a aumentarem as suas apostas ao ponto de a derrota no jogo envolver a ruína absoluta do vencido. Para começar, apostam-se as renas; depois os cães; depois as roupas; em seguida, todos os bens de um homem; e no final, até mesmo as mulheres são apostadas…"
  • A proibição do xadrez pelo aiatolá Khomeini - "O jogo de xadrez é contrário à lei islâmica, declarou o imã Khomeini ao governador da província de Teerã, a 18 de dezembro de 1979. Por que? Porque "o xadrez torna o homem mau", "destrói o pensamento" e, "quando se joga muito, provoca desequilíbrio mental". Além disso, "o xadrez estimula o ódio e a agressividade ao adversário". "Quem insistir em jogar xadrez, deve ter os pulsos cortados"!
  • O campeão de maior cultura - Emanuel Lasker, campeão mundial durante 27 anos, doutor em Filosofia, Matemática e Física. Ele argumentou que a teoria de seu amigo Einstein, não seria provada enquanto continuasse impossível demonstrar que a velocidade da luz no vácuo é infinita(ele estava errado). Einstein escreveu um prefácio de um livro seu. Lasker escreveu peças de teatro, projetou reformas sociais em The community of future e, durante a primeira guerra mundial, inventou um tanque. Fez parte da equipe olímpica alemã de bridge. Ele foi forçado a adotar o xadrez como meio de vida depois que constatou que as cátedras das universidades alemãs lhe eram vedadas pelo fato de ser judeu.
  • A proibição do xadrez pela Igreja Católica - Através de uma carta escrita em 1061 por Petrus Damiani, cardeal-bispo de Óstia, ao papa eleito Alexandre II, ficamos sabendo que "a loucura do xadrez" era considerada como uma das "vergonhosas frivolidades" proibidas pelo clero.
  • Yoga. Aaron Nimzowitsch descobriu que a prática de Yoga, a milenar prática física e mental indiana, poderia melhorar seu desempenho nos torneios de xadrez. Experimentava os movimentos do yoga nos próprios torneios. Enquanto o adversário meditava em busca do lance, Nimzowitsch ia para o chão e colocava-se de cabeça para baixo. Acreditava que desta maneira o sangue desceria para o cérebro e ajudaria a pensar melhor. Algumas vezes esse troço funcionou muito bem. Mas desconfio que se você não for Nimzowitsch, não fluirá tanto sangue assim para sua cabeça.
  • Endereço do hotel. Emanuel Lasker era um tanto distraído. Certa vez, hospedou-se num hotel e foi ao clube da cidade. Depois da simultânea e do jantar, oferecem carona de volta para hotel. Neste momento, Lasker percebeu que não sabia nem o nome nem o endereço do hotel onde havia deixado suas bagagens. Tiveram que percorrer a cidade inteira até encontrar o lugar correto.
  • Futebol. Quem joga xadrez é capaz de jogar futebol? O clichê é o jogador frágil, distraído e que derruba os objetos em seu redor. Mas as coisas não são bem assim. O esporte de Ljubojevic era o futebol e foi por causa de uma longa contusão que ele aprendeu a jogar xadrez, com já tinha 16 anos de idade (mais tarde, seria um dos dez melhores do mundo). O GM Peter Leko foi titular de um time juvenil húngaro. O melhor de todos, porém, foi o GM norueguês Agdestein. Forte jogador de xadrez, também foi titular da seleção norueguesa de futebol, autor de um gols importantes. Por exemplo, na vitória contra a Itália na Copa da Europa. Se o nosso leitor jamais fez gol contra a seleção da Itália, talvez possa um dia ostentar o título de Grande Mestre Internacional...
  • Moscou 1959. O torneio internacional em memória de Alekhine em 1959 teve um trio de vencedores: V. Smyslov, D. Bronstein e B. Spassky. Superam vários GMs, entre eles Vasiukov, Portisch, Larssen, Filip e F. Olafsson. Smyslov e Bronstein terminaram invictos. Spassky sofreu uma única derrota, para Smyslov, que venceu o torneio pelo critério SB. Smyslov tinha sido campeão mundial, Spassky conquistaria o título dez anos depois. Bronstein havia empatado o match de 24 partidas pelo título mundial, contra Botvínnik em 1950. Três gigantes da história do xadrez, todos os três ainda vivos (novembro de 2001).
  • Camisa velha. Contam alguns observadores mais atentos (e nós estivemos lá) que durante o interzonal do Rio de Janeiro em 1979, o soviético Tigran Petrosian jogou todas as rodadas exatamente com a mesma camisa. Superstição, falta de cuidado ou confiança na qualidade da lavanderia do Copacabana Palace? Sua esposa, Rona, era conhecida pelo cuidado com que protegia o marido. Bem, talvez Petrosian tivesse vários exemplares do mesmo modelo de camisa. Se a roupa ajudou eu não sei, mas o fato é que no final do interzonal, Petrosian estava entre os três classificados para o torneio de candidatos.
  • Nomes italianos. Nos séculos XVI e XVII e Itália viveu um esplêndido período cultural. Nomes como os de Leonardo da Vinci, Galileu, Michelangelo, Maquiavel e Monteverdi são glórias italianas e da humanidade. Esse florescimento intelectual certamente explica a importância dos jogadores italianos de xadrez naquele período. Alguns dos mestres da época publicaram os primeiros tratados teóricos do xadrez, entre eles o famoso livro de Grecco. Ainda hoje, alguns termos do xadrez italianos são empregados por jogadores de todo o mundo e em todos os idiomas. Por exemplo, fianchetto (pequeno flanco), gambito (perninha), ataque Fegatello ("pequeno fígado", certamente o frágil ponto f7 das pretas), abertura Giuoco Piano ("jogo suave").
www.tabuleirodexadrez.com.br

VEJA E LEIA AQUI COMO COMEÇARAM AS OLIMPÍADAS E UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

Primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos toma Atenas
de assalto, coroa esforços dos organizadores, exibe extraordinárias proezas esportivas e renova a auto-estima dos helênicos
O renascimento da festa dos esportes: os gregos e seus convidados participam da cerimônia de abertura, no último dia 6

Há pouco mais de 15 séculos, no ano de 393, o imperador bizantino Teodósio I, o Grande, varria do mapa a maior competição atlética do planeta, os Jogos Olímpicos. Celebrados desde 776 a.C. às margens do rio Alfeu e dedicados aos deuses gregos, os Jogos, que congregavam cidadãos dos diversos estados do mundo helênico, entraram na temida lista de "cultos pagãos" e tiveram sua realização sumariamente proibida pelo soberano cristão. O infausto decreto foi apenas mais uma das estocadas forasteiras no destino livre da Grécia, berço da civilização e da cultura ocidental. Assolada por guerras, desvirtuada por invasores, molestada por celerados, a nação de Aristóteles, Sócrates e Platão só se desgarraria do jugo estrangeiro neste século, quando a Guerra de Independência de 1821 libertou a Grécia do Império Otomano. Com a liberdade, porém, veio o desafio de recuperar um país quebrado e desmoralizado pela milenar submissão – tarefa hercúlea, como os gregos vêm dolorosamente percebendo ao longo das últimas décadas.
A emocionante prova dos 100 metros rasos: disputa pacífica entre nações
Uma luz, contudo, fez-se notar na escuridão dessa caverna de incertezas neste mês de abril. O fogo que flamejava no altar de Héstia, na Olímpia da Antiguidade, voltou a se acender em uma procissão de tochas no centro de Atenas, celebrando o renascimento dos Jogos Olímpicos, agora internacionais, realizados entre os dias 6 e 15 (25 de março a 3 de abril, pelo calendário juliano adotado pelos gregos). O resgate do evento que reunia a flor da civilização helênica em seu ápice não poderia ter chegado em melhor hora para a nação de seus descendentes, ávida por um renascimento. Agora com as portas abertas para o mundo, a Grécia, superando as desconfianças e os problemas iniciais, logrou realizar um evento acolhedor e brilhante, celebrado por atletas e visitantes, dentro do mais ilibado espírito olímpico. Com isso, o país ganha não só uma injeção de auto-estima, como também um voto de credibilidade aos olhos da comunidade internacional presente aos Jogos.
Vikelas, do Comitê: em menos de 2 anos
Helênicos na bancarrota – Curiosamente, partiu de um estrangeiro, o Barão de Coubertin, a centelha que resultou na ressurreição dos Jogos. O desejo expressado pelo francês – eleito secretário-geral do recém-fundado Comitê Olímpico Internacional, no Congresso de Paris, em 1894 – era de que a primeira edição acontecesse em 1900. Mas o grego Demetrius Vikelas, presidente do comitê, sugeriu e bancou a realização dos Jogos em 1896– um prazo, portanto, inferior a dois anos. A idéia foi recebida de braços abertos pelos helênicos. Havia apenas um empecilho, mas de proporções monumentais: o governo da Grécia declarara estado de bancarrota em 1893. Como devedor de primeira grandeza dos países europeus, não poderia entregar um dracma sequer para o financiamento do evento, que já se avizinhava (o dracma, moeda local, vale pouco mais de dez centavos de dólar americano). Mas o rei Jorge, ciente de que a empreitada era de importância nacional, organizou, com auxílio de Vikelas, um comitê provisório para organização dos Jogos Olímpicos de Atenas. Era o primeiro obstáculo a ser superado pelos gregos.
Jorge, o monarca: 'Vida longa à Grécia!'
O colegiado era encabeçado pelo príncipe herdeiro Constantino, tendo como principais auxiliares seus irmãos, os príncipes Jorge e Nicolas. Usando a influência da família real e recorrendo ao sentimento de patriotismo helênico, o comitê lançou mão – com sucesso – das associações e dos cidadãos gregos espalhados pelo mundo para conseguir polpudas doações. Os organizadores também sugeriram ao governo que emitisse uma série especial de selos e medalhas comemorativas aos Jogos, com a verba revertida para o evento. Tudo isso, somado à mais do que generosa ajuda do magnata George Averoff – que representou quase metade do total arrecadado –, possibilitou às autoridades locais a construção da infra-estrutura para a acomodação das dez modalidades esportivas previstas no programa dos Jogos Olímpicos: atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, tiro, natação, tênis, levantamento de peso e remo (essa última modalidade, entretanto, acabou não sendo disputada devido ao mau tempo). Além da reforma total do estádio Panathinaiko, centro pulsante das competições, foram erguidos o Velódromo de Neo Phaliro, um estande de tiro em Kallitheia e quadras de tênis, entre outras instalações.
Connoly: o primeiro campeão olímpico
Espírito olímpico – "Vida longa à nação. Vida longa à Grécia!" O rei Jorge declarou abertos os Jogos Olímpicos no dia 6 de abril – no calendário juliano, 25 de março, data em que se comemorava o 75º aniversário da independência da Grécia –, em uma concorrida cerimônia no Panathinaiko. Diversas filarmônicas marcaram presença, e reuniram-se para executar o Hino Olímpico, de autoria dos gregos Palamas e Samaras, que evocava o espírito imortal da Antiguidade. Bem ensaiado, o público formou um coro de 70.000 vozes, em um espetáculo tocante. Em seguida, já se iniciaram as provas de atletismo – as três baterias eliminatórias dos 100 metros, classificatórias para a final do dia seguinte, constituíram o primeiro programa. Na seqüência, foi a vez do salto triplo, com dez competidores, em que se coroou o primeiro campeão olímpico: o americano James Connolly, com um pulo de nada menos que 2,70 metros. A bandeira dos Estados Unidos foi colocada no centro da arena pelos homens da Marinha Real e aplaudida com entusiasmo pelos gregos, em uma generosa demonstração de reconhecimento e admiração pelo desempenho do vencedor, cuja rota até Atenas incluiu uma viagem transatlântica em um navio de carga.
A prova de natação, no Mar Mediterrâneo: uma contenda muito equilibrada
Esse cavalheirismo, aliás, foi uma constante no comportamento dos anfitriões, em todas as modalidades. Aproximadamente 240 atletas, de 14 diferentes nacionalidades, participaram dos Jogos Olímpicos. Mas os helênicos, apesar de torcerem apaixonadamente pelos heróis nacionais, congratulavam a todos como se fossem patrícios – o que despertou até a curiosidade de alguns competidores estrangeiros. "Eu não teria conseguido cumprimentar meu oponente se ele tivesse me superado em minha casa, como fez um atleta grego comigo", declarou um desportista americano. "Mas foi uma coisa muito bonita de se fazer." Durante todos os dias do evento, a população de Atenas se juntou aos estrangeiros nas ruas da cidade em fraternais demonstrações de integração. Todavia, a maior festa dos oito dias de disputa aconteceu durante a chegada da maratona, em que milhares de gregos viveram uma catarse coletiva com a vitória de Spiridon Louis (leia reportagem nesta edição). Houve boas disputas também no atletismo (dominado pelos desportistas dos Estados Unidos), na ginástica (modalidade em que os alemães foram soberanos), na esgrima e na natação, em que as nações estiveram mais equilibradas.
Spiridon na premiação: triunfo helênico
Fora do programa – Toda a premiação dos campeões ocorreu no último dia dos Jogos Olímpicos, em cerimônia presidida também pelo rei Jorge, com diversos convidados internacionais. Cada vencedor recebia, pelo seu feito, uma medalha de prata, um diploma e uma coroa de ramos de oliveira; ao segundo lugar era oferecida uma medalha de bronze. Depois da entrega dos lauréis, o atleta mais festejado do dia, o grego Spiridon Louis, deixou seu posto para dar uma volta no estádio – seguido nesse desfile improvisado por todos os outros atletas. Passado e presente voltavam a se unir depois de um hiato de 1.500 anos, enchendo de orgulho os gregos. O Barão de Coubertin celebrava. "Alcançamos nestes Jogos uma grande inovação, que foi a cooperação entre os povos e os esportes. É um enorme passo à frente, que lança as bases para um novo futuro."
O próximo encontro, de acordo com o plano quadrienal do Comitê Olímpico Internacional, acontecerá em Paris, em 1900. Mas o sucesso dos Jogos de Atenas pode trazer uma pequena dor de cabeça a Coubertin, que assumirá como presidente do comitê organizador do evento em solo gaulês. Em seu discurso de encerramento, o rei Jorge, empolgado com o efeito contagiante do evento sobre o moral da população, lançou uma frase que certamente não estava no programa dos homens do Comitê Olímpico. "Que a Grécia esteja destinada a ser o ponto de encontro pacífico de todas as nacionalidades, e que Atenas se torne a sede permanente dos Jogos Olímpicos." A sorte está lançada.


Para o Barão de Coubertin, idealizador da retomada dos Jogos Olímpicos, o importante não é vencer, mas simplesmente competir. Os atletas que triunfaram nas competições de Atenas, contudo, voltaram para casa com algo mais que a satisfação de conquistar uma vitória: foram presenteados com belíssimas medalhas. Os primeiros colocados ganharam medalhas de prata. Os que ficaram em segundo lugar receberam medalhas de bronze. No quadro ao lado, os países que somaram mais medalhas.
 PaísPrataBronze
1Estados Unidos117
2Grécia1017
3Alemanha65
4França54
5Grã-Bretanha23
6Hungria21
7Áustria21
8Austrália20
9Dinamarca12
10Suiça12
11Países mistos11

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Curiosidades das Olimpíadas 

Criado em 1894 pelo francês Pierre de Coubertin, o Comitê Olímpico Internacional (COI, ou IOC, em inglês) passou a organizar todas as edições dos Jogos Olímpicos a partir de então. Desde 1896, durante a Olimpíada de Atenas, atletas do mundo inteiro se reúnem em competições esportivas a cada quatro anos. Mesmo indiretamente, desde o início do século 19 até o início do 21, as edições das Olimpíadas refletiram as mudanças ocorridas no mundo inteiro, em relação à política, cultura e economia, sendo um reflexo histórico dos principais acontecimento de diferentes períodos.

Assim, passando por revoluções políticas, movimentos pela igualdade feminina, guerras mundiais e disputas de poder entre potências mundiais, a importância adquirida pelas Olimpíadas transcende as competições esportivas e a disputa pelas medalhas de ouro, prata e bronze. A seguir, saiba mais sobre a relação entre mudanças sociais e culturais e sua relação com as diversas edições dos Jogos Olímpicos.




Arquitetura, escultura e pintura já foram esportes olímpicos?
Idealizador das edições modernas das Olimpíadas, Pierre de Coubertin incluiu modalidades culturais na programação oficial do evento. Assim, entre os Jogos de Estocolmo 1912 e Londres 1948, foram realizadas competições olímpicas de arquitetura, escultura, pintura, literatura e música. Depois, essas competições foram substituídas por programações culturais em locais separados das atividades olímpicas, como peças de teatro e concertos musicais. O período em que a cultura era esporte olímpico, na primeira metade do século 20, coincidiu com os anos de imperialismo europeu, quando a cultura europeia era considerada superior.

Houve Olimpíada durante as duas Guerras Mundiais?
Apesar de Londres 2012 ser oficialmente a 30ª edição das Olimpíadas, na prática, essa conta é um pouco menor: em função dos conflitos ocorridos durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, as Olimpíadas não foram realizadas durante os dois períodos. Dessa forma, descontados os anos de 1916, 1940 e 1944 – que entram apenas na contagem oficial do COI, sem a realização dos Jogos -, houve de fato 26 edições do evento desde a primeira Olimpíada da era moderna, em 1896, até 2008, em Pequim.

Para o professor de marketing esportivo Nicolas Caballero, do Centro Universitário IESB, em Brasília, a contagem dos Jogos que não ocorreram é uma forma de o COI mostrar que as Olimpíadas não foram interrompidas, simbolicamente, e que o movimento olímpico não teria se submetido a pressões políticas. “Mas, na verdade, quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o Comitê cancelou as Olimpíadas”, ressalta.

Quando as mulheres puderam competir nas Olimpíadas?
Durante os Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, as mulheres não podiam assistir ao evento e nem participar dele, segundo o livro ‘De banquetes y batallas’, do filósofo Javier Ortuño, fez com que Pherenice fosse condenada à morte por se travestir de homem para assistir à luta do filho boxeador Peisidouros. Durante as edições modernas dos Jogos, contudo, aos poucos, as mulheres foram conquistando o direito de participar das competições: em 1900, nos Jogos de Paris, foram aceitas no golfe e no tênis; em 1912, em Estocolmo, na natação; em 1928, em Amsterdã, em algumas competições de atletismo. Em 1964, durante a Olimpíada de Tóquio, por exemplo, na mesma época em que movimentos pela igualdade sexual e de salários para as mulheres ganhavam força, elas participaram, pela primeira vez, das competições olímpicas de vôlei.

Todos os continentes já sediaram as Olimpíadas?
Das 11 cidades-sede das Olimpíadas realizadas antes da Segunda Grande Guerra, apenas duas não foram europeias: as americanas Saint Louis e Los Angeles, em 1904 e 1932, respectivamente. E, se após o conflito, a maior parte dos atletas deixou de pertencer a delegações de países ocidentais, o eurocentrismo em relação às cidades-sede das Olimpíadas não mudou: entre os Jogos de Londres, em 1948, e de Pequim, em 2008, apenas três cidades asiáticas, três americanas e uma latinoamericana sediaram os Jogos, contra oito europeias. Enquanto a primeira Olimpíada realizada na Ásia foi em 1964, em Tóquio, e na América Latina em 1968, na Cidade do México, o continente africano nunca sediou uma edição do evento.

“Esse eurocentrismo é uma questão histórica e econômica, que sempre interferiu na organização dos Jogos: os principais patrocinadores das Olimpíadas sempre se concentraram na Europa, e o interesse deles de realizar os Jogos no continente sempre foi significativo. E como a maior representação de votos dos membros do COI é do continente europeu, ele sempre acabou dominando as sedes das Olimpíadas, principalmente durante as primeiras edições, pela logística da Europa estar mais avançada”, afirma o professor de marketing esportivo Nicolas Caballero, do Centro Universitário IESB.



Como a evolução dos transportes influenciou na organização dos Jogos?
Ao longo das primeiras Olimpíadas, durante o início do século 20, o desenvolvimento industrial gerou veículos mais velozes e populares, que passaram a estar no alcance de um número maior de pessoas. Essa evolução na indústria de transportes permitiu que os atletas percorressem mais rapidamente as distâncias entre os estádios e as vilas olímpicas, evitando a baixa de atletas inscritos nos eventos, além de encurtar as distâncias intercontinentais.

Os Jogos já foram realizados em dois continentes diferentes?
Sim. Os Jogos de 1956 ficaram marcados por duas curiosidades: pela primeira vez, a Olimpíada foi realizada em diferentes continentes. Enquanto quase todas competições ocorreram em Melbourne, na Austrália, as de hipismo foram realizadas separadamente, no mês de junho, em Estocolmo, na Suécia, onde as leis de quarentena não eram tão severas. Outro fato marcante da edição foi que, pela primeira vez, a grande maioria dos 3.178 competidores chegou até a cidade-sede de avião.

O procedimento, adotado em todas as Olimpíadas posteriores, foi fundamental para a organização do evento e para que os Jogos fossem realizados em diferentes partes do mundo. “A tecnologia influenciou muito o rodízio de continentes entre as cidades-sede, pois ela facilitou a questão logística dos Jogos, um dos quesitos que são levados em consideração na escolha do lugar que sediará o evento”, ressalta o professor de marketing esportivo Nicolas Caballero, do Centro Universitário IESB.



Quando ocorreram as primeiras transmissões ao vivo das Olimpíadas pela televisão?
A partir de 1936, os Jogos Olímpicos começaram a ser transmitidos pela televisão, em circuito fechado, mas as primeiras transmissões ao vivo só ocorreriam duas décadas depois, na Itália. A experiência pioneira foi em 1956, nos Jogos de Inverno da cidade italiana de Cortina d’Ampezzo, em pequena escala. Já em 1960, na Olimpíada de Roma, os Jogos foram transmitidos ao vivo para os europeus por emissoras do continente. Oito anos depois, durante a Olimpíada de Inverno de Grenoble, na França, ocorreu a primeira transmissão a cores dos Jogos.

“As Olimpíadas já nasceram como um espetáculo, desde a Grécia Antiga, e a televisão também tem um ponto de contato muito forte com o espetáculo. Pela variedade de Jogos e pelas possibilidades plásticas, os Jogos Olímpicos sempre foram atraentes para a televisão, em termos de audiência e faturamento comercial, mesmo pelas televisões estatais europeias, como a BBC, que foram as primeiras a transmitir os Jogos”, explica o professor de telejornalismo da Universidade de Brasília (UnB), Paulo José Cunha.

De que formas as Olimpíadas foram exploradas politicamente?Ao longo do século 20, além de reunirem atletas do mundo inteiro, os Jogos Olímpicos também foram palco de diversos protestos e movimentos de cunho político, especialmente durante a Guerra Fria, na segunda metade do século 20. Entre eles estão a recusa de alguns países em mandar atletas para a Olimpíada de Melbourne, em 1956, em função da crise no Canal de Suez, no Egito, e a repressão soviética na Hungria, além de protestos de atletas americanos contra a questão racial no país, durante os Jogos da Cidade do México, em 1968. Na década seguinte, o mundo todo assistiu ao sequestro de atletas israelenses por palestinos em 1972, na Alemanha, durante a Olimpíada de Munique.

Qual foi a primeira Olimpíada que deu lucro?
Após a crise mundial do petróleo, na década de 1970, apenas Los Angeles entrou na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 1984, e o resultado foi um modelo de sucesso, seguido em todas as edições posteriores do evento. “O COI montou determinados critérios em que os Jogos deveriam se transformar em uma marca comercial que desse retorno financeiro para as cidades-sede e para o próprio Comitê”, afirma o professor de marketing esportivo Nicolas Caballero, do Centro Universitário IESB.

Consequentemente, a Olimpíada de Los Angeles foi a primeira a ser lucrativa, gerando uma receita de US$ 223 milhões. “Os Jogos de Montreal foram pagos 30 anos depois de sua realização, e os de Los Angeles foram os primeiros que deram lucro. Nesse momento, as Olimpíadas se transformaram numa grande marca”, destaca Caballero.

Quais países fizeram boicotes às Olimpíadas?
Nos últimos anos da Guerra Fria, entre as décadas de 1970 e 1980, as edições dos Jogos Olímpicos foram marcadas por boicotes de delegações de alguns países, por razões políticas. Na Olimpíada de Montreal, em 1976, 22 países africanos não participaram do evento, em protesto a uma viagem do time de rúgbi da Nova Zelândia à África do Sul, que vivia então em um regime de apartheid. Na década seguinte, os Jogos de Moscou (1980) e de Los Angeles (1984) foram marcados por dois boicotes: na hoje capital da Rússia, em protesto à invasão soviética ao Afeganistão, os americanos convocaram delegações do mundo todo a não participarem daquela edição; como consequência, os soviéticos se recusaram a participar da Olimpíada seguinte, em solo americano.

Fonte: Terra
edso.nmachanetdo

CURIOSIDADES SOBRE HITLER - LEIA AQUI COISAS QUE VOCÊ TALVEZ NÃO SAIBA SOBRE O DITADOR

ADOLF HITLER TINHA HÁLITO FEDIDO, UM TESTÍCULO NÃO DESCIDO E MANIA DE LIMPEZA: CURIOSIDADES SOBRE O FÜHRER

Hitler, em seu escritório (imagens da internet)
Ele ainda é mencionado como o maior genocida da história, razão por que seu nome figura entre aqueles que são considerados os maiores inimigos da humanidade. Incontáveis obras já foram lançadas a respeito da história da 2ª Guerra Mundial, bem como a vida do Führer, o que faz dos dois assuntos serem bastantes conhecidos – não só nos círculos acadêmicos.
Tentaremos sintetizar, de acordo com o que temos à disposição, algumas curiosidades (de fato interessantes) que envolvem Adolf Hitler. É o que o(a) leitor(a) poderá acompanhar nas páginas abaixo.

Adolf Hitler tinha estatura mediana, algo incomum em relação aos alemães, que eram considerados de estatura alta – pelo menos em sua grande maioria, o que não o impedia de ser uma celebridade perante os olhares daqueles que o cercavam, seja nos momentos públicos, seja nos momentos privados. Tinha a pele clara e olhos azuis. Seu hálito desagradável (provavelmente decorrente de seus problemas estomacais crônicos) não afastava de si aqueles que o admiravam. Tentava compensar o fedor que exalava de sua boca por meio de constante higiene dental.

Ao passar pelas ruas, a multidão se espremia para vê-lo. Tocá-lo, por exemplo, seria um momento inesquecível para essa legião de fãs que o seguiam na Alemanha dos anos 30 e início dos anos 40. Não era por menos que ele se vestia impecavelmente (gostava de paletós largos, para gesticular muito), pois queria sempre se apresentar bem perante o grande público e aqueles que de si se aproximavam cotidianamente.

Führer desenvolveu um tipo de saudação (não nos referimos àquela de erguer a mão direita) na qual ele apertava, com bastante força, a mão ao cumprimentar os homens (sempre olhando bem dentro dos olhos), acrescentando, inclusive, uma espécie de “balanço” junto à mão de quem era cumprimentado, decerto com a intenção de mostrar segurança, autoridade. Quanto às mulheres, no entanto, limitava-se à gentileza, ao cavalheirismo, o que o fez ser admirado por muitas alemãs de seu tempo.

Sabia agradar e gostava de falar muito. Fazia questão de ser o centro das atenções. Contrariá-lo seria a mesma coisa que não lhe obedecer: ficava rancoroso e não hesitava na hora de dar o troco. Arrogava para si uma inteligência incomum (e de fato era inteligente), achando-se a última moeda do cofre. Chegou a declarar: “Não quero ter filhos. Já observei que descendentes de gênios geralmente sofrem demais”, uma clara demonstração de seu convencimento em matéria de supremacia própria.

Gostava de contar os feitos de quando ainda era jovem, os quais sempre o projetavam para um heroísmo estilo norte-americano dos filmes conhecidos atualmente. Narcisista por natureza. Tinha uma intuição aguçada: dos sete atentados que sofreu, pressentiu que algo lhe estava para acontecer.

Dizia-se corajoso, perspicaz, dando uma impressão de ser imortal, um semideus. De fato, embora não sendo ateu e muito menos adepto de uma religião (chegou a consultar videntes, mas zombava de suas previsões), cria numa providência sobrenatural, tanto que, mesmo quando já havia claros sinais de sua derrota militar, chegou a imaginar que essa mesma providência proporcionaria uma saída milagrosa, revertendo o destino que o selou definitivamente.

Não gostava de se apresentar vulnerável, daí o porquê de ter evitado se mostrar publicamente usando óculos. Chegou, inclusive - tentando compensar eventuais problemas visuais -, a ordenar fossem instaladas na Chancelaria máquinas de escrever com letras maiores do que as normais.

Tinha mania de limpeza. A razão se deve, muito provavelmente, pelo fato de achar que qualquer doença o conduzia à sensação de estar prestes à morte (tinha muito medo de morrer), o que explica a importância que os médicos exerceram em sua vida. Estes, por sinal, desempenharam um papel importante no tratamento de seus problemas de estômago e intestino, os quais incomodavam constantemente o ditador alemão. Consta que, no final da vida, tomava 28 medicamentos, muitos dos quais diariamente.

A partir de julho de 1944 (quando sofreu um atentado que por muito pouco não o matou), aumentou consideravelmente um tremor na mão direita, cujo mal o perseguiu até o dia em que o mesmo cometeu suicídio, em 30 de abril de 1945.

Embora Hitler fosse extremamente cuidadoso em matéria de saúde, ele se negava a fazer exames físicos completos, o que o impedia de se despir na frente de quem quer que fosse. A razão estaria na anormalidade de seus genitais: um testículo não descido. Ele também ainda sofria de outra anomalia: a uretra se abria na parte de baixo do pênis (um problema que atinge também as mulheres). Assim, o ditador que propunha a pureza e a superioridade racial, pregando o desaparecimento de quem apresentasse alguma anomalia genética, não poderia revelar os seus próprios problemas genéticos.

Adolf Hitler tinha uma dieta alimentar controlada. Adorava frutas, verduras e legumes. Não era fã de carne, principalmente depois que presenciou sua sobrinha morta (que cometeu suicídio, muito provavelmente por causa do tio ciumento – Hitler –, com quem manteve um caso amoroso).

Não bebia nem fumava, embora tivesse sido flagrado bebendo cerveja, um típico costume dos alemães. Não abria mão de bolos, principalmente se fossem cremosos e açucarados (ainda hoje é difícil saber se era Hitler que gostava mais de bolos ou se D. João VI de frangos assados). Sendo necessário, ele (o ditador alemão) abria mão dos rigores alimentares só para aumentar seu prestígio com o povo. Quando começou a criar barriga, sua amante Eva Braun (na cama, ele era masoquista e gostava de ser chamado de nenê) o convenceu a fazer caminhadas, alegando que não cabia bem a um chefe de um poderoso império se apresentar em público gordo e com uma barriga aparente.

Tinha hábitos noturnos, tanto que preferia produzir intelectualmente durante as madrugadas. Era hipersensível à luz solar, razão por que não gostava de andar sob o sol forte. Geralmente ia dormir somente depois das 4 da madrugada, e se levantava depois das 11 da manhã.

Era extremamente metódico e não se apartava de sua velha rotina. Só não foi superado pelo filósofo Kant, conhecido por sua rotina quase inabalável. Hitler tomava café da manhã ao meio-dia, e em seguida despachava com seus subordinados mais próximos. Durante o almoço (geralmente acompanhado de dez pessoas), o Führer gostava de falar muito, mostrando seus dotes intelectuais: dissertava sobre os mais variados assuntos: história, arte, política e ciências.

O maior genocida da história era dado à leitura. Gabava-se de ler um livro por dia (o que é provavelmente um exagero – do tempo recorde e não do gosto pelos livros). Sua biblioteca continha mais de 16 mil volumes, muitos dos quais obras raras e consideradas eruditas, dentre as quais as coleções completas de Goethe, Schiller, Kant e Shakespeare, cujos livros se achavam luxuosamente encadernados. Hitler tinha uma paixão especial por dicionários, tanto que entre seus livros foi encontrada uma coleção de 12 volumes. Tinha uma memória invejável, fato este que o levou a reter grande número de informações extraídas das seguidas leituras que fazia.

Não dispensava o famoso cochilo depois do almoço. Gostava de se deitar no sofá, sempre com as mãos sobre os olhos. Quem o despertava era Eva Braun (sua amante), que tinha o hábito de iniciar uma conversa ao pé do ouvido do Führer, em tom mais elevado, numa tentativa de acordá-lo de seu sono vespertino.

O jantar começava costumeiramente por volta das 20 horas. Em seguida todos iam assistir a uma sessão de cinema, cujos filmes preferidos eram King KongBranca de Neve e os Sete Anões e Metropolis. Depois, todos participavam de conversas informais, sempre centralizadas na figura do ditador, que tinha o costume de se prolongar em sua fala, principalmente quando estava preocupado com algo. Era comum a fadiga dos ouvintes, que disfarçavam o inconveniente.

Adolf Hitler tinha também o seu lado cômico: gostava de fazer imitações para seus convidados. Os alvos escolhidos eram os líderes estrangeiros, atentamente observados pelo Führer durante os encontros internacionais. Ele gostava de imitar seus trejeitos e maneira de falar. É de se presumir que Stalin, Mussolini, Charles de Gaulle, Roosevelt e Churchill foram imitados pelo ditador alemão, doutor em dissimulação. Com o primeiro, foi criada inclusive uma caricatura onde os dois, abraçados, firmavam o noivado (Hitler o noivo e Stalin a noiva), uma referência ao pacto de não agressão acordados pelos dois líderes, pouco antes do início da guerra.

Embora dado à arte de imitar, Hitler não gostava de sorrir. Sua secretária pessoal e seu guarda-costas relatam que o viram sorrir com maior intensidade somente em duas ocasiões: uma quando a França se rendeu, em 1940 (ele dançou na frente dos generais, que ficaram bastante surpresos), e a outra quando aconteceu a anexação da Tchecoslováquia. Neste último caso, ao sair da sala de reuniões, o ditador pediu às duas secretárias que o beijassem, uma em cada bochecha: “Minhas queridas, tenho uma boa notícia. Hacha [presidente do país] acaba de assinar. É o maior triunfo da minha vida. Vou entrar para a história como o maior dos alemães”. E deu um sorriso radiante!

Muitas vezes gentil, mas perdia a prudência sempre que era contrariado ou estivesse passando por problemas pessoais, principalmente quando a Alemanha perdia a guerra pouco a pouco. Quando isto acontecia, dava gritos em seus subordinados, cujo som ecoava nos corredores da Chancelaria.

Certa vez, lia, em pé, sob uma árvore, a alguns metros de seu segurança particular, quando uma mosca passou a incomodá-lo copiosamente. Tentou afastá-la, mas sempre sem sucesso. O segurança se conteve para não rir do episódio. Perceptivo, Hitler notou a intenção do soldado, e disparou: “Se não é capaz de manter um bicho desses longe de mim, significa que não preciso de um segurança desses!”. Não deu outra: o rapaz foi demitido de suas funções.

Hitler tinha uma paixão especial por cachorros. Cuidava, com muito carinho, de alguns deles, com quem desfrutava de momentos descontraídos, geralmente quando ele subia a montanha, em sua casa de campo – um dos lugares preferidos do Führer. Chegou a declarar que “Casamento está fora de questão. Se precisar de amor incondicional, sempre poderei contar com Blondi e Prinz [pastores-alemães]”. A frase por si só demonstra quanto carinho ele nutria pelos cães de estimação, sendo a cadela Burly sua preferida, tanto que tinha acesso a seus dossiês secretos (mordia, colocava na boca) e se achava no direito de se deitar nas poltronas da sala de estar do ditador. Hitler costumeiramente fazia carinhos nos animais, mas mudava de comportamento repentinamente quando chegavam visitas, em cujos momentos chegava a despedir os cães com brutalidade, uma forma de camuflar seu lado dócil e vulnerável.

O líder alemão era dissimulado: afirmava uma coisa e fazia outra. Chegou a declarar que jamais anexaria a Tchecoslováquia, escondendo, assim, seu plano maquiavélico. Na invasão à Polônia, ordenou que os soldados agissem brutalmente, com a máxima severidade, não poupando as crianças nem os velhos. Consta que a mãe do Führer era superprotetora, convencendo-o de que ele era o máximo. Seu pai, por sua vez, alimentou o ego do ditador com excesso de patriotismo e de autoestima.

Seus últimos dias de vida lhe foram dolorosos e angustiantes. Suas roupas, antes impecáveis, agora demonstravam o desleixo: era comum encontrar restos de bolos em seus paletós. Sua sobremesa favorita, outrora ingerida comedidamente, era devorada em vários momentos do dia, sempre às pressas, como se alguém fosse roubá-la de suas mãos. Passou a ficar hipertenso e desenvolveu o mal de Parkinson. Dormia cada vez mais tarde e menos. Andava curvado e envelheceu muito nos últimos meses. Passou a culpar seus soldados de traição e não viu outra saída senão o suicídio. Três dias antes, porém, se casou com Eva Braun. No dia 29 de abril de 1945, testou o veneno que tomaria no dia seguinte em uma de suas cadelas. Hitler também não queria que seus cães fossem mortos ou levados pelos russos. No dia 1º de maio, um dia após a morte doFührer, a esposa de Joseph Goebbels dá veneno para os seis filhos do casal e em seguida faz o mesmo.

Assim como aconteceu com o médico nazista Mengele (morto por um derrame e afogamento numa praia brasileira, em fevereiro de 1979), a forma como Hitler morreu é vista como desproporcional em relação às perversidades que ambos praticaram em vida. A dor sofrida pelos dois parece de fato insignificante ante a crueldade em questão, cabendo apenas uma observação: levando em conta o caráter e o modo de ser do líder alemão, suas ideologias e seu desejo incessante de vitória, é prudente afirmar que a partir de 1943 (quando o exército alemão sofre uma decisiva derrota na Rússia), e principalmente nos últimos meses de vida, ele (Hitler) sofreu de uma dor que machuca profundamente (a popular “dor na alma ou emocional”), tanto que seu comportamento e sua estrutura física e psicológica revelaram de forma inequívoca seu pesar, ainda que isto seja incomparavelmente menor do que suas monstruosidades praticadas principalmente nos seus últimos dez anos de vida.
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