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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Durante quatro horas, o Parlamento pareceu um tribunal americano (tinha que ser americano) - Ana Gomes revelou na comissão de inquérito das contrapartidas que o processo dos submarinos pode prescrever em breve e considerou “fundamental” apurar o papel de Durão Barroso.


Durante quatro horas, o Parlamento pareceu um tribunal americano

Ana Gomes revelou na comissão de inquérito das contrapartidas que o processo dos submarinos pode prescrever em breve e considerou “fundamental” apurar o papel de Durão Barroso.
Ana Gomes foi ouvida esta quinta-feira no Parlamento NUNO FERREIRA SANTOS


Coube a Telmo Correia, presidente da comissão, registar a coincidência: “Por acaso, calha ao CDS-PP iniciar esta audição.” Cecília Meireles ia usar da palavra. Atrás de si, e dos deputados do PSD, sentava-se uma inédita fileira de assessores, seis. A audição de Ana Gomes, eurodeputada do PS, foi encarada com precaução pelos partidos da maioria.A deputada do CDS encarou a depoente como uma advogada de defesa encara a testemunha-chave da acusação, nas batalhas judiciais dos EUA. Nas suas perguntas, Cecília Meireles iria tentar demostrar as “falhas” que impediriam Ana Gomes de ser credível. Levava uma resma de papéis. Alguns com citações do blogue da eurodeputada, escritas há vários anos. Numa delas, Ana Gomes incorreu num erro factual - dizendo que a Escom tinha sido contratada pelo Estado português, quando o foi pelos alemães do German Submarine Consortium. Ana Gomes reconheceu o erro. “Não tenho dificuldade em pedir desculpa, até porque já disse que errei”, assumiu Ana Gomes.
Cecília Meireles considerou o discurso de Ana Gomes sobre este assunto como estando “eivado de meias palavras, insinuações, em alguns casos difamações”. Ana Gomes contra-atacou: “O doutor Paulo Portas ameaçou-me com um processo. E eu fiquei à espera. Até hoje. Já lá vão três anos.”
Mas a verdadeira novidade que Ana Gomes trazia à comissão teve de esperar pela “validação da testemunha” a que Cecília Meireles a submeteu. Foi durante a ronda de perguntas do deputado comunista João Ramos que a eurodeputada considerou “importante” para os trabalhos da comissão “apurar qual é o envolvimento do [ex] primeiro-ministro Durão Barroso” no processo de compra do submarinos. Por duas razões, adiantou. Há várias menções a encontros de Barroso e do seu colaborador próximo Mário David com o ex-cônsul honorário português, em Munique, Jurgen Adolff, condenado por corrupção na Alemanha. “Quem designou o cônsul honorário foi Durão Barroso”, acrescentou Ana Gomes. O PS e o BE mostraram-se disponíveis, tendo os socialistas avançado com a intenção de convocar para depoimento o ex-eurodeputado Mário David. O Bloco já havia requerido a convocação do próprio Barroso.
Ana Gomes continuou, relatando aos deputados que a própria lei de financiamento dos partidos (que pode ter sido violada com “luvas” pagas pelo fabricante alemão dos submarinos) foi aprovada em 2004, mas só entrou em vigor no ano seguinte. “Durão Barroso pediu que a lei de financiamento dos partidos só entrasse em vigor a 1 de Janeiro de 2005”, relatou Gomes, citando a informação que recebeu, na altura, do negociador socialista Alberto Martins.
A frase mais repetida por Ana Gomes foi esta: “Há alemães condenados na Alemanha por corromperem pessoas em Portugal. Em Portugal não se sabe quem são os corrompidos.” Lendo a sentença alemã, que condenou, em dois processos diferentes, o ex-cônsul e a própria Ferrostaal, bem como dois dos seus administradores, por “corrupção de titulares de cargos públicos estrangeiros”, em Portugal e na Grécia, Ana Gomes exortou os deputados portugueses para que fizessem o seu papel, perante o que considerou ser uma “justiça obstruída”.
“Pode não tardar aí um despacho de arquivamento por prescrição”, continuou, referindo-se ao processo principal, o das suspeitas de corrupção, tráfico de influências e financiamentos partidários ilícitos resultantes da aquisição dos dois submarinos, em 2004. Um processo que, lembrou Ana Gomes, foi aberto após terem sido registados depósitos em numerários nas contas do CDS - o célebre caso “Jacinto Leite Capelo Rego”.
Por isso, a eurodeputada admite, “até ser injusta”. Mas o coordenador do PSD, António Prôa, iria seguir a linha do CDS. Para este deputado, as declarações de Ana Gomes apenas serviram para “acusar, injuriar e caluniar”.
Ana Gomes continuou, com uma nota optimista: “A falência do Grupo Espírito Santo pode ser uma grande oportunidade para esta comissão apurar quem são os beneficiários últimos dos fundos que receberam pagamentos da Escom UK.” Por isso, a eurodeputada já contactou os responsáveis de ambos os bancos, o “novo” e o “mau”, para tentar obter informação sobre os dois off-shores que terão recebido dinheiro da filial inglesa da Escom, proveniente das alegadas “luvas” alemãs. E na resposta a essa dúvida, encoberta pelo sigilo bancário e pelo secretismo dos off-shores, pode estar a resposta à dúvida que tomou quatro horas à comissão: o que é verdade, factual, e o que é “insinuação”?

De Irene Pimentel, in "Público" - «Quarenta anos depois, este país está irreconhecível». Estou totalmente de acordo com Teresa de Sousa.


De Irene Pimentel, in "Público"


«Quarenta anos depois, este país está irreconhecível». Estou totalmente de acordo com Teresa de Sousa.
«Quarenta anos depois, este país está irreconhecível». Estou totalmente de acordo com Teresa de Sousa.
Irene Pimentel


Por acaso, também fui entrevistada pelos mesmos jornalistas da Rádio francesa, sobretudo acerca da Ditadura portuguesa, e procurei dar essa mesma ideia, também reflectida por Teresa de Sousa, ontem no jornal Público. Concordo com Teresa de Sousa e digo mesmo que gostaria de ter escrito o excerto que abaixo publico. Sou da mesma geração da Teresa e penso que cabe-nos lembrar o caminho que de facto se percorreu desde 1974, quando tínhamos as duas vinte e tal anos, até hoje. Lembrar o que era Portugal antes do 25 de Abril. É o que faz Teresa de Sousa, neste excerto do seu artigo:

«Veio a Lisboa na semana passada uma equipa da France Culture para fazer uma série de programas sobre os 40 anos do 25 de Abril. A jornalista era jovem, competente, procurou informar-se antes de fazer as perguntas. Creio que fui a última entrevista que fez antes de regressar a Paris. Sabemos que a esquerda francesa sempre teve uma visão “romântica” da revolução portuguesa. Mas foi de uma extrema dificuldade explicar-lhe duas ideias feitas que trazia provavelmente de Paris e que viu confortadas pela maioria das entrevistas que fez.

A primeira era que estávamos hoje pior do que no 25 de Abril, por causa da crise. Para ela, e para muita gente por cá, o país anterior à queda da ditadura é uma projecção que nunca foi vivida e que, portanto, só pode ser feita com os olhos de hoje. Quem tem menos de 50 anos não tem a memória viva das coisas. Não era apenas a falta de liberdade. Portugal era um país muito, muito pobre, pouco escolarizado, sem saneamento básico, onde numa qualquer aldeia do interior as crianças iam para a escola descalças, independentemente do frio ou do calor e as suas barrigas eram anormalmente grandes. Os liceus eram um privilégio para as classes médias mais privilegiadas das cidades. A saúde estava acessível a poucos. E lá tive eu de explicar que o nosso Serviço Nacional de Saúde, com crise ou sem crise, estava ao nível dos melhores sistemas europeus. Os números não deixam mentir. Que a taxa de mortalidade infantil, que era uma das piores da Europa, estava hoje abaixo da média europeia. Que, apesar de todas as dificuldades, a esperança de vida das mulheres aproximava-se a passos largos da recordista França. E que isto não se devia a um milagre de Nossa Senhora de Fátima.

Quarenta anos depois, este país está irreconhecível. A crise está a empobrecer- nos de uma maneira que nunca pensaríamos possível. O Governo não respeita nada nem ninguém, quando se trata de arrecadar. A classe média está a pagar a crise praticamente sozinha e a “compressão” dos seus rendimentos é brutal. Tudo isto é verdade, mas todas as crianças vão para a escola com sapatos.»


lusibero.blogspot.pt

As incríveis pinturas hiper-realistas de mulheres fashion de Anna Halldin Maul - Anna Halldin Maule é uma artista nascida na Suécia, mas que vive atualmente no Havaí (Estados Unidos). A primeira vez que vi uma imagem com a obra de Maule, não achei muito espetacular, apenas uma fotografia interessante. Entretanto, ao ler com atenção o texto que acompanhava a imagem, fiquei estupefato: não se tratava de uma foto, e sim, de uma pintura a óleo.

As incríveis pinturas hiper-realistas de mulheres fashion de Anna Halldin Maul

Anna Halldin Maule é uma artista nascida na Suécia, mas que vive atualmente no Havaí (Estados Unidos). A primeira vez que vi uma imagem com a obra de Maule, não achei muito espetacular, apenas uma fotografia interessante. Entretanto, ao ler com atenção o texto que acompanhava a imagem, fiquei estupefato: não se tratava de uma foto, e sim, de uma pintura a óleo.


Anna Halldin Maule usa tinta a óleo sobre tela para criar impressionantes pinturas retratando, sobretudo, mulheres. São pinturas com um dos estilos hiper-realista mais impressionantes que já vi, a ponto de ter confundido sua obra com uma fotografia.

As pinturas de Maule nos trazem belas mulheres, não raramente em situações que poderiam aparecer em qualquer revista de moda ou ensaio fashion. Há, no entanto, algo mais profundo nas obras da artista. Se a primeira vista o que salta aos olhos é seu estilo hiper-realista, em uma análise mais elaborada podemos ver que ela encerra uma crítica social ao modelo imposto às mulheres, especialmente se tratando de consumismo e estética.


Anna Halldin Maule pinturas hiper-realistas mulheres fashion impressionantes

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www.ocioso.com.br

VEJA COMO UMA LARGADA DE MILHÕES DE BALÕES MATOU DUAS PESSOAS


Em 1986, os organizadores da ONG United Way of Cleveland tiveram uma ideia para gerar um pouco de publicidade, atrair olhares para suas causas e ainda criar um belo espetáculo no céu. Com uma multidão de voluntários que trabalharam por horas, eles encheram 1,5 milhões de balões de gás hélio e soltaram todos no ar ao mesmo tempo. O que eles não sabiam eram as terríveis consequências que esse gesto causaria. O acontecimento provocou a morte de duas pessoas e milhões de dólares em danos por meio de ações judiciais.

Com sede em Cleveland (Ohio, EUA), a United Way teve uma ideia para chamar atenção às suas causas: bater o recorde de balões de ar soltos ao mesmo tempo!

chuva de balões

Voluntários trabalharam por horas para encher todos os balões com gás hélio presos em uma grande rede de fios…

chuva de balões
chuva de balões

Quando os fios foram soltos, os balões surgiram no céu da cidade como uma explosão de cores!

chuva de balões

Era pra gerar uma grande publicidade gratuita, não fosse a terrível reviravolta que aconteceu depois…

chuva de balões

Uma forte tempestade se formou na região da cidade e os ventos empurraram os balões para baixo, por toda a cidade.

chuva de balões

No céu se formou uma grande “nuvem” de balões!

chuva de balões

Tragicamente, duas pessoas morreram quando helicópteros da Guarda Costeira não foram capazes de alcançar seu barco virado. Era impossível voar com 1 milhão e meio de balões no céu.

chuva de balões

A equipe da Guarda Costeira disse que tentar voar naquele céu era como voar no meio de milhares de meteoros!

chuva de balões

Quando eles finalmente puderam sobrevoar a área do acidente as buscas estavam muito difíceis de serem concluídas, pois os balões na água atrapalhavam a visão.

chuva de balões
O evento era pra angariar fundos para caridade, mas acabou custando milhares de dólares e uma cidade poluída por bexigas. Embora o efeito visual causado pelos milhares de balões subindo aos céus fosse realmente bonito de se ver, as consequências do evento foram um desastre lamentável. Duas mortes, milhões em processos judiciais e – segundo as autoridades – um impacto ambiental devastador.
As imagens são belíssimas. Porém, infelizmente deu errado em muita coisa, aliás, ninguém imaginou que isso poderia dar em – desculpe o palavreado – uma grande merda? Não, sério, não tinha como dá tudo como “foi previsto” – não sei por quem.. E se pensarmos um pouco na loucura que é soltar 1 milhão e meio de balões no ar, não dava nem pra achar “bonito” esse gesto… Não foi legal. Essa é a minha opinião. Sujou a cidade inteira, rios e campos ficaram cobertos de balões… Provavelmente muitos animais morreram. Uma trágica lição a ser seguida.
mundopocket.com.br

QUANDO FOR GRANDE QUERO IR PARA JORNALISTA




A DANÇA DO VENTRE ESTÁ ULTRAPASSADA

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O Estado Islâmico e o pavor Quando os celerados cruzados invadiram o Iraque, para abater um ditador laico, nunca pensaram que a mentira, que lhes serviu de pretexto, traria consequências tão trágicas.

O Estado Islâmico e o pavor

Quando os celerados cruzados invadiram o Iraque, para abater um ditador laico, nunca pensaram que a mentira, que lhes serviu de pretexto, traria consequências tão trágicas.

A inteligência de Bush, o maquiavelismo de Blair, a piedade de Aznar e o oportunismo de Barroso levaram a mais trágica sementeira do ódio ao mais fértil terreno da vingança, produzindo a crueldade e o pavor para cuja colheita se oferecem europeus e americanos, caucasianos e cristãos islamizados, numa alucinante sedução assassina.

Depois da destruição do país e da desarticulação das forças que o aglutinavam, persistir na ocupação era agravar o desastre e sair, era apressar a tragédia. Derrubaram a ditadura laica, apoiada por sunitas, que oprimia os xiitas, para criar um estado teocrático onde os xiitas não prescindiram de oprimir todos e, em particular, os sunitas, até que se criaram os sunitas de laboratório, apostados em criarem um sangrento califado.

A lei de Murphy cumpriu-se. Tudo o que podia correr mal, correu efetivamente mal e da pior maneira, sem solução à vista. O pavor, em doses obscenas, com metódica firmeza e insensibilidade de robots, tolhe as democracias e a neutraliza quem devia pará-los.

ponteeuropa.blogspot.pt

A ENTREVISTA EXPLOSIVA DE MIGUEL FREITAS COMPLETA - ISTO NÃO VAI ACABAR BEM

ISTO NÃO VAI ACABAR BEM

Entrevista explosiva do advogado Miguel Reis ao jornal i (conduzida por Margarida Bon de Sousa), sobre o colapso do BES. Miguel Reis representa os pequenos accionistas do BES, que detinham cerca de 80% do capital do banco. Excertos. Sublinhados meus:

«[...] ao longo dos meses, o Banco de Portugal garantiu que o Banco Espírito Santo era uma entidade segura, utilizando nuns momentos a expressão liquidez e noutros, solidez. E fê-lo com tanta veemência que foi reproduzido pelo próprio Presidente da República em Seul. Ora é muito estranho que a entidade a quem incube a fiscalização do sistema financeiro não soubesse o tipo de problemas que foram revelados a 3 de Agosto, da sua gravidade. Na minha opinião, aconteceu uma de duas coisas: ou não sabia e temos de chegar à conclusão que o sistema financeiro português não está regulado, que é uma selva e que o regulador é um irresponsável ao ponto de levar o Presidente da República a dizer expressamente que o banco era sólido e de confiança porque isso lhe foi garantido pelo governador, ou se sabia e tinha indícios de que haviam irregularidades, não podia ter mentido nem ao mundo nem ao chefe de Estado. E se mentiu tem de ser responsabilizado por isso.


Se o governador sabia que a situação no BES justificava uma medida de resolução, temos de concluir que agiu no quadro adequado à prática de um crime de burla [...] É inaceitável que se tenha chegado ao ponto que se chegou sem que houvesse conhecimento dos factos em que se baseou a resolução. [...]


É absolutamente impossível fazer em 24 horas uma operação de cisão de um banco. Teria sido uma operação mais simples se se tratasse apenas da transmissão de activos, passivos e elementos extra patrimoniais de um banco para o outro. Desde 1831 que Portugal tem leis comerciais que estabelecem regras de contabilização dos movimentos entre comerciantes. Qualquer movimento de um crédito, de uma transferência, de um débito ou de um valor de bens do negócio de uma entidade tem de ser contabilizado na escrita da sociedade de onde ele sai e na de onde entra, diariamente. O que desde logo pressupõe o respeito por uma norma de higiene na separação dos livros da escrita. Do mesmo modo que antes da informatização não era lícito a quem recebia um bem tomar conta do livro da escrita de quem o cedia, é absolutamente inaceitável nos nossos dias que a entidade cessionária se aproprie dos computadores da entidade cedente e dos respectivos dados. Não se pode assaltar a escrita. A escrita mercantil goza de protecção especial adequada, de forma a garantir a verdade dos lançamentos contabilísticos e o rigor das relações jurídicas entre os comerciante e terceiros.


[...] É impossível fazer uma contabilização desta natureza em 24 horas. Depois há um outro problema. Veio agora a saber-se que as contas do BES de 2014 não foram aprovadas por ninguém nem assinadas pelo auditor. Quais são os valores pelos quais se fizeram as transferências? Não são coisas que se possam fazer ao molhe. Cada uma é uma relação jurídica que tem de ser lançada individualmente, de acordo com as regras da escrita. E o que vemos, nomeadamente na relação do BES com os clientes, é que mudou o nome mas na realidade continua tudo na mesma. [...]


A ministra das Finanças é responsável pela supervisão não prudencial do sistema financeiro, nos termos do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras. E são responsáveis porque tudo isto é também uma enorme mentira política. O Fundo de Resolução não é do sistema financeiro ou dos bancos. É uma pessoa colectiva de direito público que pertence ao Estado e que é governada por um conselho constituído por um representante do ministro das Finanças e dois do Banco de Portugal. Os bancos não têm nenhuma intervenção e muito menos alguma titularidade deste fundo. Estão obrigados a contribuir com prestações na medida do que está na lei e têm contribuído, mas é uma ninharia em comparação com aquilo que o fundo empenhou neste processo. Que em bom rigor é um processo de nacionalização enviesado, completamente artificial. O fundo não tem dinheiro, quem capitalizou, se é que capitalizou, foram os outros bancos. Mas não se conhece nenhum contrato entre o Fundo de Resolução e o Estado. A que título é que o Estado entrou neste fundo e com que garantias? E também não há nenhuma certeza de que venha a receber o que está a emprestar. Não se sabe de nada. De que conta saiu o dinheiro e para que conta? Onde estava e foi para onde? É um mistério quase tão grande como o local e o destino do ouro do Banco de Portugal. O Banco de Portugal tem uma série de segredos por explicar. Por isso não admira muito que todo este processo do BES esteja no segredo dos deuses. Há uma série de situações que carecem de explicação, mas há uma coisa clara e inequívoca no meio disto tudo: o fundo tinha cerca de 150 milhões de euros nos seus cofres, o que não dá para fazer cantar um cego.


Não se pode pensar na transição de volumes e passivos desta natureza com uma invasão da entidade intervencionada e ocupando-lhe tudo, até os livros. E pressupõe que a administração do banco do qual se retiraram os valores tenha poderes, credibilidade e representatividade para defender os interesses das pessoas a quem são retirados esses valores. No caso do BES, há um primeiro momento em que nem sequer foram dadas explicações convincentes. Foi quando dois dos accionistas de referência propuseram uma alteração aos estatutos do BES e do seu Conselho de Administração. Na sequência dessas propostas, no conselho de administração alargado do BES, houve um grupo de administradores que renunciou para facilitar que fossem cooptados três novos gestores: Vítor Bento, João Moreira Rato e José Honório. O que significa que esta recomposição foi feita pelo BES na base de uma relação de confiança do conselho de administração nestas três pessoas cooptadas. A seguir é adoptada a medida de resolução e todos os administradores foram suspensos. Mas alguns passaram para o Novo Banco, o que é de legalidade mais do que duvidosa. Foram conduzidos a cuspir na sua própria sopa. Há outra coisa ainda mais paradoxal. Decorrente da medida de resolução, que devia determinar com precisão quais os créditos, os débitos e os valores a transferir para a nova instituição, foi nomeada para proceder a essa avaliação a entidade fiscalizadora do Novo Banco, a PwC. Ou seja, é o beneficiado que vai avaliar os valores? Isto não ofende os princípios da ética republicana naquilo que de mais estruturante se quer num regime democrático? Não é chocante?


[...] Quanto é que o Novo Banco está a pagar pela utilização de tudo o que era do BES? As pessoas ou reagem e se preparam para pedir indemnizações ou vão perder tudo.


[...] Há pessoas que investiram 30, 40 anos de poupanças em acções e noutros produtos do BES e que estão desesperadas. Isto é uma coisa de tal dimensão que posso dizer que é uma nacionalização ao contrário. Está-se numa onda política de confisco que não se sabe onde vai acabar. E que eu não acredito que seja facilmente travada. Acho que neste momento é politicamente correcto lesar os outros e tirar a cada um o que é seu. [...]


Não consigo compreender, porque a informação é insuficiente, esta medida de resolução. Se comparar os balanços do BES com os de outras instituições financeiras, e à luz do que se sabe, é tudo incompreensível. O BES tinha 32 mil milhões de euros em depósitos e tinha uma exposição à dívida pública de mais de 3,5 mil milhões. Agora aparecem irregularidades e imparidades das quais não se conhecem os montantes. Não significa que a medida não tenha fundamento, mas não existe até agora informação suficiente para a compreender. [...]


[...] Levantam-se problemas de inconstitucionalidade mas também de direito europeu. [...] É uma coisa imprescindível para as várias sociedades de advogados que estão neste momento a representar os pequenos accionistas.


Há o chamado recurso prejudicial que é suscitado perante o tribunal nacional que obriga este a questionar o Tribunal de Justiça Europeu sobre se uma determinada acção respeita o ordenamento europeu. Isso vai acontecer, quase de certeza.


Está a ser estabelecido um consórcio que envolve várias sociedades e estamos a chegar a um entendimento no que toca a alguns princípios da advocacia militante. Vamos tentar evitar que esses pequenos accionistas fiquem pior do que já estão, apesar de, neste caso, isto já ser tão mau que pior não pode ficar. [...]


Vamos impugnar a medida de resolução nos tribunais administrativos, com um recurso prejudicial para o Tribunal Europeu. Há aqui indícios de crimes que vão desde a burla, a insight trading, à falsificação de documentos, passando por favorecimentos pessoais e de negação de justiça. Vamos pedir que haja uma investigação judicial em queixas-crime colectivas. Depoishá indícios de fraudes de várias naturezas, nomeadamente as que se basearam no engano de que as pessoas foram vítimas. Quando a crise já estava ao rubro, já depois do aumento de capital, houve clientes que foram convencidos, de forma fraudulenta e enganosa, a transformar depósitos em acções, com base nas sucessivas declarações do Presidente da República e do governador do Banco de Portugal. E aí é preciso investigar e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, desde os gerentes, aos dirigentes do banco e das pessoas que deram a cara e garantiram ao país que a instituição era sólida.


E tem de ser investigado com muito rigor. Foi o gerente que agiu com vontade de enganar? Foi o Presidente da República? Foram os administradores? Foi o governador do Banco de Portugal? Não podemos excluir ninguém porque há pessoas que perderam tudo porque lhes garantiram que era seguro. Em paralelo, é essencial que os tribunais investiguem e recolham provas, nomeadamente para efeitos de responsabilidade civil. Que haja uma análise cuidadosa aos lançamentos que foram feitos no BES, no Novo Banco e com as restantes entidades. Essas acções vão ser interpostas junto do Tribunal do Comércio. [...]»

daliteratura.blogspot.pt


Miguel Reis "Separação do BES pode ser uma grande vigarice"

Miguel Reis "Separação do BES pode ser uma grande vigarice"

O advogado Miguel Reis, que integrará a equipa que irá defender os pequenos acionistas do BES, é contundente na análise que faz ao colapso daquela instituição financeira. Em entrevista publicada na edição desta segunda-feira do jornal i, Miguel Reis alerta para “a grande vigarice” de que a divisão entre banco bom e banco mau poderá revestir-se.
ECONOMIA
Separação do BES pode ser uma grande vigarice
A separação do BES "envolve várias ficções e uma enorme mentira. Mais do que uma mentira, é provavelmente uma grande vigarice”. As acusações são feitas pelo advogado Miguel Reis, cujo escritório participará no consórcio que está a ser formado para defender judicialmente os pequenos acionistas do BES, que tudo perderam

.Em entrevista ao i, o antigo jornalista considera que “é inaceitável que o processo de liquidação do BES seja feito à custa dos que investiram de boa-fé”, realçando que “todo este processo peca por uma enorme falta de transparência e uma grande opacidade”. Ao mesmo tempo, destaca, “é inaceitável que o Novo Banco se tenha apropriado da escrita do BES e de todos os seus dados”.
E, além de imputar os responsáveis diretos pela crise que culminou no desmantelamento do BES, Miguel Reis não isenta o Presidente da República de ‘culpas no cartório’.
“Houve clientes que foram convencidos a investir no BES por causa das declarações de Cavaco”, faz sobressair.
Já no que à estratégia para defender os lesados com a crise do BES diz respeito, Miguel Reis adianta que a mesma passará pelo Tribunal de Justiça Europeu, avançando também que é sua intenção interpor várias queixas-crime coletivas.


Coisas da idade

O rapazelho que estava ao meu lado no balcão do bar daquele café de praia olhou para mim, afastando mesmo a cabeça para ganhar perspetiva, quando eu pedi um "Gordon's". A empregada mirou-me como se eu viesse de Marte e repetiu, quase atónita: "Gordon's?' Quer um Gordon's?!"

Pedir um gin, por via da moda em que a bebida entrou, transformou-se, nos últimos anos, numa operação de alta sabedoria e requinte, com uma multiplicidade de marcas, cheias ou não de sabores, mais ou menos exóticos. Há casas dedicadas exclusivamente a essa bebida que, segundo a lenda, conservou na vida muita e distinta gente, até muito tarde, desde logo a sua mais famosa consumidora diária, a raínha-mãe inglesa. Em determinadas condições de estado de espírito e temperatura, sou um consumidor episódico dessa bela bebida de fim da tarde, mas gosto de sentir o álcool, não quero o "gin & tonic" excessivamente diluído em águas mais ou menos adocicadas, com "especiarias" a armar ao moderno. E gosto de "Gordon's", pronto! Embora reconheça que um "Bombay", um "Hendrick's", um "Tanqueray" ou o americano "Leopold's" são excelente gins - e, repito, estou muito longe de ser especialista na matéria. Se quiserem falar de "whiskies" ou "vodkas" (também dos sem "cheirinhos") já é outra história...

A miúda do bar, perplexa mas complacente, lá descortinou uma garrafa de "Gordon's" escondida na miríade de marcas que enchiam as prateleiras. Deduzi que o último consumidor do que eu pedia deveria ser do tempo do "arroz de quinze". 

Sem espanto, vejo-a ir buscar um daqueles copos redondos, tipo bola de andebol, e preparar-se para o atulhar de gelo, e nele colocar uma gotas do "meu Gordon's", sob um mar de água tónica, como agora aprendem a fazer estilosamente, no sonho para imitarem o Tom Cruise no "Cocktail". Não resisti à provocação: "Não, não! O "Gordon's" não se serve nesses copos. Quero um copo alto". A jovem aceitou, com alguma relutância, os meus cabelos brancos como argumento de autoridade, mas continuava a não esconder a sua perplexidade. De certa forma, partilhava, pelo curto olhar trocado, uma surda cumplicidade etária com o puto ao meu lado no balcão, que continuava a sorrir de soslaio.

Como a medida do gin no copo alto lhe era menos familar, a miúda esperou que eu lhe dissesse quando deveria parar de encher. Propositadamente, deixei-a "subir" o líquido no copo, de forma exagerada. Quando lhe disse o "assim!", já esgaseada pela escassez do espaço que sobrava para duas pequenas pedras de gelo e um pouco de água tónica, concluí: "Sabe? O "Gordon's" é um gin especial. Serve-se sempre assim, em doses para homem..." Não dei a confiança ao puto de ver a cara que terá feito.

duas-ou-tres.blogspot.pt

Funcionários do Tribunal de Leiria vão para Alvaiázere de táxi

Funcionários do Tribunal de Leiria vão para Alvaiázere de táxi

 


Funcionários do Tribunal Judicial de Leiria que foram colocados na 1.ª secção de Comércio, transitoriamente a funcionar em Alvaiázere, a cerca de 60 quilómetros, foram de táxi, por não estar autorizada a sua deslocação em carro próprio.
 

Funcionários do Tribunal de Leiria vão para Alvaiázere de táxi
Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça

"Por virtude de não existir oferta de transportes públicos que assegurem o trajeto entre Leiria e Alvaiázere, em princípio, o Ministério da Justiça assegurará o transporte dos oficiais de justiça, mostrando-se, assim, afastada a possibilidade de autorização de deslocação em carro próprio", justificou à agência Lusa a tutela, na sexta-feira.
Pelas 08.30 horas, os 12 funcionários judiciais estavam à porta do Palácio da Justiça de Leiria, onde os aguardavam dois táxis com destino a Alvaiázere. Uma das viaturas partiu por volta dessa hora com oito pessoas; outra, com mais quatro funcionários, vai sair de Leiria depois da tomada de posse dos magistrados judiciais.
Outros oficiais também compareceram no local para manifestarem o seu apoio aos colegas e o desagrado pela decisão da tutela. "Hoje eles, amanhã nós", justificou uma funcionária.
Uma das oficiais de justiça colocada na 1.ª secção de Comércio, Graça Cardoso, afirmou que "ninguém está preparado para fazer esta viagem", com duração de, pelo menos, uma hora.
"Vivo em Leiria. Transferi o meu filho para a escola da área de residência da minha mãe, que é o concelho de Pombal. De segunda a sexta-feira, ele passa a residir com a avó", explicou Graça Cardoso, ao relatar o "transtorno" que a transferência de local de trabalho lhe provoca.
Referindo que "só vai estar ao fim de semana com o filho" e vai deixar de ser bombeira voluntária, a funcionária pública questionou, na eventualidade de ter alguma emergência com o familiar, como se vai deslocar.
Mário Saraiva, de 49 anos, esclareceu que os funcionários deslocados para Alvaiázere "não têm qualquer indicação para utilização de transporte próprio", considerando que o critério que presidiu à transferência foi "a ordenação alfabética".
"Nenhum de nós, de livre vontade, concorreu para Alvaiázere", acrescentou.
O oficial de justiça, que é dirigente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, referiu ainda que estas viagens de táxi podem manter-se durante um ano, desabafando que "esta foi a prenda do mapa judiciário".
Aos jornalistas, o administrador judiciário adiantou que a deslocação em táxi foi uma "decisão tomada pela administração, porque não havia transporte público de forma a transportar os funcionários que ficaram colocados no serviço que foi deslocalizado de Leiria para Alvaiázere".
António Nolasco referiu que estas viagens "custam, diariamente, cerca de 160 euros", esclarecendo que esta solução está prevista durar um ano, o tempo que deverão demorar as obras no antigo liceu Rodrigues Lobo, em Leiria, que será a sede da 1.ª secção de Comércio, trabalhos a iniciar em "breve".
O administrador admitiu que o transtorno pessoal se vai se refletir no trabalho. "O que vai acontecer é que estes 12 funcionários que saem daqui, se viessem para Leiria, chegavam às 08.00, 08.30 horas. Assim, estão sujeitos ao transporte, só vão chegar quando [este] lá chegar. E também trabalham até mais tarde normalmente (...), neste caso não o podem fazer", declarou António Nolasco.

ACÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE O MASSACRE DE GOLFINHOS EM TAIJI – JAPÃO (LISBOA, 31 DE AGOSTO DE 2014) (ACÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE O MASSACRE DE GOLFINHOS EM TAIJI – JAPÃO (LISBOA, 31 DE AGOSTO DE 2014))















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