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terça-feira, 26 de agosto de 2014

AGORA PARA ANIMAR...UMA CANÇÃO EM ALEMÃO

AGORA PARA ANIMAR...UMA CANÇÃO EM ALEMÃO

NÃO SE ESQUEÇA DE OLHAR EM FRENTE - BEM GIRO !

PAÇOS COELHO VAIADO EM VALPAÇOS

ENTRETANTO...NO MUNDO HÁ QUEM POSSUA DISTO !

BEM FIXE ! MATRAQUILHOS HUMANOS

ELES NÃO NASCERAM PARA MEIAS QUANTO MAIS PARA SAPATOS

Porque é que crianças continuam abandonadas, enquanto os cães vivem luxuosamente?

Porque é  que crianças continuam abandonadas, enquanto os cães vivem luxuosamente?

Imagem que não choca.
Vivemos a maior tragédia humana onde seres humanos são tratados como animais e estes vivem como nababos. Sinceramente, eu  apavoro-me de ver petshops e clínicas lotadas de gente gastando somas astronómicas com os seus bichinhos de estimação, enquanto há crianças abandonadas nos semáforos, esquinas e becos mendigando e sendo exploradas de todas as maneiras possíveis.

O paradoxo experimentado pela nossa sociedade desigualitária só pode ser precáriamente explicado pela organização de poder herdada desde os tempos antigos de submisão, ignorância e exploração, aceitamos atavicamente a miséria e até a achamos necessária, para que nos sintamos muito bem na nossa confortável condição de pequenos burgueses.

Assim, o que leva as pessoas a pagarem  por uma consulta veterinária, preços exorbitantes, banhos, manicures, alimentação cara  e roupas para vestir animais.Alguma coisa deve explicar razoavelmente o facto de, enquanto tropeçamos indiferentemente nas crianças em estado de miséria nas ruas, reservamos aos nossos cães e gatos uma vida de reis. 

Crianças vivem muito bem acomodadas em caixinhas de papelão.

Logicamente, as crianças de rua são os filhos dos outros – “ninguém manda esta gente pobre fazer filhos desbragadamente”. Logo, o problema não é meu e sim do Estado, que não investe em planeamento familiar para as periferias.
Eis o discurso mormente ouvido de gente que carrega no colo nas ruas, orgulhosamente, seus cães e gatos travestidos de humanos.

Animal você escolhe.

Adoção de criança; só quando se pode escolher a cor dos olhos.
Muitos alegam que um dos maiores obstáculos é grande complicação que a burrocracia do Estado impõe nos processos de adopção: exigem que você leve um trombadão, ou uma criança deficiente física, ou portadora de AIDS, ou com doença degenerativa, ou deficiente mental e/ou com a cor de pele não compatível com os seu fenótipo familiar. Por isto, existe paradoxalmente no mundo por um lado escassez de oferta e por outro, crianças e adolescentes sobrando, pois a maioria dos candidatos apõem pré-requisitos intransponíveis: idade máxima de 3 anos, saudável e branca.

Animais, você vai numa loja e escolhe tudo, raça, tamanho, cor, pelo, cor dos olhos, etc, ponto para os animais!

Animal você controla.

A lenda reza que quanto maior for a idade da criança/adolescente adoptada, maiores serão os problemas futuros. Animal, você compra em tenra idade e faz dele o seu bebê, controlável para o resto da vida.

Animal você pode descartar facilmente.

As cidades estão cheias de animais abandonados, principalmente os grandes e ferozes, porque as pessoas simplesmente os descartam quando eles crescem e deixam de ser bonitinhos. Crianças são protegidas até os 18 anos pelo Estatuto do Menor e Adolescente.

Falta de solidariedade?
Por que pagamos fortunas com animais e nos comportamos estoicamente diante da visão de crianças entregues ao abandono miserável? Sinceramente, perante o reino dos céus em que os animais vivem e o inferno reservado aos jovens da espécie homo sapiens sapiens, sou obrigado a concluir que há uma espécie de falta de solidariedade ecológica numa sociedade que humaniza aos animais e animaliza a humanidade.


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UM BURACO EM CHICAGO - Um dos maiores arranha céus do mundo virou um buraco que ninguém sabe como tapar.

Um dos maiores arranha céus do mundo virou um buraco que ninguém sabe como tapar.

O mais alto arranha céus dos Estados Unidos de cerca de 610 metros de altura, começou a ser construído na cidade de Chicago em 2007. Seu nome bombástico: Espiral Chicago, ou torre Santiago Calatrava.
Concepção artística do edifício espiral.
No entanto, a construção diminuiu o ritmo ao longo do ano de 2008 e hoje é apenas um buraco de 23 metros que ninguém sabe como tapar. A obra foi mais uma vítima da crise, assim como outras gigantescas construções em andamento ao redor do mundo.
Terreno onde foi iniciada a obra.
Actualmente as interrogações sobre aquilo que está sendo chamado de “Buraco de Chicago” versam sobre a destinação rentável que o troço pode ter, ou sobre as formas de enchê-lo.
3-Espiral Chicago - início da construção
Em 2007 a obra estava a pleno vapor.

Até meados de 2008 havia alguma movimentação.

Estado actual da construção, ou melhor, do buraco.
Enquanto isto, o buraco continua lá no centro de Chicago esperando alguma solução que não implique em gastos de mais milhões de dólares.
Vista geral do maior buraco de Chicago.

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J.S. Bach - Air on the G String

Quebre a cabeça com estes 5 mistérios intrigantes a respeito do tempo - O que é tempo? É o movimento dos ponteiros do relógio? O nascer e o pôr do Sol? É o despertador tocando?

Quebre a cabeça com estes 5 mistérios intrigantes a respeito do tempo


O que é tempo? É o movimento dos ponteiros do relógio? O nascer e o pôr do Sol? É o despertador tocando? A areia que cai na ampulheta ou as estações do ano mudando? São as folhas do calendário? Parece fácil, mas não é, e, na verdade, falar sobre tempo pode ser muito mais complicado do que você imagina. A seguir, confira alguns mistérios sobre o assunto:

1 – O tempo e a meditação

Meditar não é para qualquer um. É verdade que quase todo mundo consegue parar em uma determinada posição e fechar os olhos, assim como é verdade que isso não é meditação. O desafio maior para quem tenta conseguir controlar a própria mente é manter o pensamento focado nos sentimentos do presente.
Técnicas de meditação incluem a busca pela compreensão do próprio corpo, quando a pessoa deve prestar atenção em fatores como a respiração, os batimentos cardíacos e tudo o que sente naquele momento. Aí você, um cidadão normal, tenta fazer isso e depois de um minuto já está se lembrando do fora que levou na semana passada e imaginando a viagem das férias de final de ano.
Por isso é tão difícil meditar: porque nossa mente está condicionada a não viver no momento presente. Pelo contrário: ela gosta de remoer o passado e de planejar o futuro. Aí fica difícil mesmo.
Um dos princípios do budismo, já defendido também por pensadores como William James e por artistas como George Harrison, é insistir nas tentativas de viver o agora. É por não vivermos o agora ou por vivermos um agora sempre da mesma forma que o tempo parece passar tão rápido. Já é comprovado que a meditação, por outro lado, tem o poder de deixar nossa percepção de tempo mais demorada.
A meditação é uma grande ferramenta para pessoas ansiosas e depressivas. Por isso, por mais difícil que pareça ser, tente meditar de vez em quando. Pode ser que no começo você se sinta ridículo, mas é só uma questão de prática. A regra é tentar viver o agora.

2 – Ano bissexto

O filme “Leap Year” fala sobre uma tradição irlandesa que envolve anos bissextos.
A cada quatro anos o mês de fevereiro ganha um dia a mais. Isso acontece porque um ano, ao contrário do que você possa pensar, não tem exatos 365 dias: na verdade, o valor é 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos. Então, para compensar a “sobra”, a cada quatro anos um dia a mais é inserido.
Se esse ajuste não fosse feito, depois de 30 anos, um ano teria uma semana a menos e, depois de alguns séculos, essa diferença seria de meses, o que bagunçaria o esquema das estações do ano, por exemplo.
Anos bissextos são ignorados em vários países. Muitas pessoas não podem renovar suas carteiras de motoristas ou abrir contas em bancos no dia 29 de fevereiro, uma vez que alguns sistemas de computadores simplesmente não reconhecem a data como um dia legítimo. Até mesmo o Google se confunde: há muitos bloggers que não conseguem atualizar seus perfis na data.

3 – Percepção

Já falamos para você que a meditação pode fazer com que a sua percepção de tempo mude. Essa questão de relatividade é tão verdadeira que o apresentador norte-americano Johnny Carson chegou a chamar de “minuto Nova York” o tempo entre a luz do semáforo ficar verde e a pessoa atrás de você buzinar.
A ideia de Carson era justamente chamar a atenção para a velocidade das coisas na Big Apple, onde tudo acontece rápido demais a todo o momento. Por outro lado, em cidades grandes demais e com muita informação, é comum que as pessoas às vezes tenham a sensação de que o tempo para por alguns segundos.
Isso acontece geralmente quando a cabeça faz um movimento brusco – repare. A explicação para isso é que quando a velocidade é grande demais, o cérebro acaba não recebendo todas as informações que deveria, por isso a pessoa tem a sensação de que o tempo demorou mais para passar.

4 – Musicalmente falando

Se quando você ouve aquela sua música favorita, no volume máximo, com fones de ouvido, você tem a sensação de se transportar para outro lugar e de perder a noção de tempo, saiba que você não está sozinho nessa.
Já se sabe, por exemplo, que quando a música provoca uma experiência de grande intensidade, o cérebro humano tem reações diferentes em seu córtex sensorial, causando um sentimento de atemporalidade.
Se você ouvir música clássica – especialmente esta aqui –, seu cérebro não vai conseguir interpretar os batimentos por minuto, até porque eles são propositalmente vagos e se alteram a todo momento. Essa irregularidade promove uma sensação de que o tempo não está passando. O começo da música é lento, depois passa a ser mais rápido e, finalmente, se torna animado e cheio de energia. Se você se concentrar nela, talvez nem repare que quase 30 minutos vão se passar até o final da composição.
Essa capacidade de distorcer nossa noção de tempo faz da música uma manipuladora comportamental. É por isso, por exemplo, que academias de ginástica escolhem músicas eletrônicas, e restaurantes, músicas mais calmas e relaxantes. O mesmo acontece com algumas lojas, que apostam na música para tornar o ambiente mais atrativo e agradável.
Alguns estudos recentes comprovaram que músicas calmas fazem com que os consumidores fiquem mais tempo dentro de algumas lojas, o que nos leva à conclusão de que canções relaxantes nos fazem perder a noção de tempo muitas vezes.

5 – O tempo e a idade

Sabe aquela festa de Ano Novo que parece ter sido ontem, mas foi em 2002? Pois é. À medida que o tempo passa e as pessoas vão envelhecendo, a sensação de que “parece que foi ontem” é cada vez mais comum.
Isso é conhecido também como “efeito telescópico”, e ele é responsável pela ilusão de que os anos passam mais rapidamente quando ficamos mais velhos. Esse “tempo telescópico” é fruto da discrepância entre a medida de tempo tradicional e a noção de tempo de cada indivíduo, algo bastante subjetivo.
Se você não compra essa ideia de subjetividade, que tal pensar na coisa de maneira matemática? Por exemplo: quando você tem 10 anos, um ano da sua vida representa 10% dela. Agora quando você está com 60 anos, um ano passa a representar 1,67% da sua vida. A quantidade de tempo é a mesma, mas a proporção, definitivamente, não é.
Ainda há outra explicação para a sensação de que os anos estão voando: quando caímos em uma rotina adulta sem muitas novidades e aventuras, nossa sensação de tempo passa a ficar mais acelerada. Isso acontece porque nosso cérebro tende a simplesmente pular informações conhecidas e corriqueiras, nos causando a impressão de que o tempo passa rápido e sempre igual.
Já reparou como a viagem de ida parece ser muito mais longa do que a de volta? Isso é justamente porque seu cérebro já conheceu o caminho e, na hora de voltar, você acaba não reparando em tudo, e o tempo parece passar mais rapidamente.
Esse conceito é preocupante, se você pensar bem sobre ele. Significa, basicamente, que fazer sempre as mesmas coisas vai ajudar o tempo a passar mais rápido. Se não é essa a sua intenção, está na hora de viver novas experiências.
E aí, você já tinha pensado a respeito do tempo dessa maneira? Se esse é um assunto do seu interesse, nós recomendamos a leitura do livro Cinefilô, do escritor francês Ollivier Pourriol. A obra trata da relação entre cinema e filosofia e, em determinado ponto, o autor discute as questões de eternidade propostas pelo filósofo Baruch de Espinosa.
No cinema, um dos grandes diretores a explorar a percepção humana do tempo foi o brilhante Tim Burton, que em “Peixe Grande” explica, de forma poética, a noção de tempo para os apaixonados. A cena abaixo fala exatamente sobre isso: “Dizem que o tempo para quando você encontra o amor da sua vida, e isso é verdade; mas o que não nos contam é que quando o tempo começa de novo, ele vai passar muito mais rápido para poder voltar ao normal”. 

VÍDEO

O FUTEBOL É PARA HOMENS !?

O FUTEBOL É PARA HOMENS !?















apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

Enfim, boas notícias? (1) - Nos últimos meses as más notícias quer a nível internacional , quer internamente, têm sido tão más, que uma notícia onde se descortine uma réstea de esperança é recebida com suspiros de alívio.

Enfim, boas notícias? (1)



Nos últimos meses as más notícias quer a nível internacional , quer internamente, têm sido tão más, que uma notícia onde se descortine uma réstea de esperança é recebida com suspiros de alívio. Foi o que aconteceu ontem, com duas notícias que, embora não nos afectem directamente, terão influência no nosso futuro.
A primeira  veio da Alemanha e permite vislumbrar uma solução pacífica para a Ucrânia. Sigmar Gabriel -  social democrata parceiro de Merkel no governo alemão-  deu uma entrevista ao "Die Welt am Sonntag", em que defende que só uma maior autonomia para as zonas do leste da Ucrânia de maioria pró russa, conducente a uma federalização do país, poderá trazer a paz de volta à região. 
O mais curioso é que Merkel- que foi no sábado a Kiev levar um cheque de 500 milhões, cuja provisão tem como exigência que uma parte seja gasta em material de guerra ( comprado à Alemanha, obviamente)-  corroborou ontem a opinião de Sigmar Gabriel, aceitando-a como uma via possível para a paz. Claro que esta mudança de posição da Alemanha, no mesmo dia em que Obama ameaçava Moscovo com mais sanções, se deve ao facto de o governo alemão já ter percebido que o efeito"boomerang" das sanções aplicadas pela UE atingirá em cheio a Alemanha. 
Por isso, antes de mais, interpreto as declarações de Gabriel e de Merkel como um aviso a Obama. Descodificando: a UE não aplicará mais sanções à Rússia e fará os possíveis para aliviar rapidamente as já aplicadas. É que, além dos prejuízos já sentidos, vem aí o Inverno e nunca se sabe o que Putin poderá decidir em relação ao fecho da torneira de gás. 
Não há razão para entrar em grande euforia, mas o facto de a Alemanha ter aberto uma porta para a solução da crise ucraniana ( que a própria Alemanha criou- convém não esquecer...) é uma  notícia que acalenta alguma esperança no desanuviar de um conflito que pode incendiar a Europa.


cronicasdorochedo.blogspot.pt

O SUICIDA E O SUICÍDIO – QUESTÕES «Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder.»

O SUICIDA E O SUICÍDIO – QUESTÕES


«Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder.»

Albert Camus, O Mito de Sísifo


Julgo entender o suicida mas não sei se entendo o suicídio: porque o suicida é aquele que decide matar-se e o suicídio é a morte de si – e eis aqui a grande diferença.
REGINA SARDOEIRA
DR

Ao entender o suicida, vejo com clareza a atitude do homem sitiado e despido de ilusões, entorpecido pela doença, pela neurose, pelo desgosto de viver, pela solidão e pelo abandono, pela recusa do amanhã, pela tristeza ao acordar, pelo desespero e por tantos outros sentimentos que podem obscurecer o vigor da mente e travar a força dos músculos. Vejo-o a recusar a vida, quotidianamente, e no entanto a forçar-se a vivê-la, vejo-o a detestar a relação com o mundo, com os outros, e contudo a ter que sorrir, conversar, estender a mão, vejo-o a ter fome e sede e sono, a sentir o sangue a latejar nas veias e contudo a não desejar mais ter essa aguda certeza de estar vivo e vejo que chega um dia em que tudo nele se agiganta ao ponto de não aguentar o descrédito de si, o cansaço de si, a hipocrisia de si, vivo e contudo fazendo um trajeto privado de sentido num contínuo somar de segundos. Para chegar a efetuar o gesto decisivo e romper de vez a ligação com o mundo, um homem precisa de atingir um inexorável vazio, um despojamento essencial, uma descrença absoluta, e uma coragem incomensurável. E digo coragem, sim, porque aquele que põe fim à vida e anula a sua desgraça consegue realizar aquilo que muitos outros, inúteis e insignificantes, misérrimos espécimes desta misérrima raça a que pertencemos todos, não vão realizar nunca, persistindo em açambarcar o espaço com a sua fútil presença. Ao menos o suicida percebe que tem que ceder o lugar aos outros, percebe que não adianta carpir tristeza aos ouvidos do mundo, percebe que não pode continuar a trair a sua humanidade, sendo um despojo, sentindo-se um banido.

O suicida é um herói, porque dá a si mesmo a glória de cortar a linha que o prende à vida e cumprir o mandamento daquele que um dia pregou, «Morre a tempo!»*, não arrastando a sua sombra inútil pelos caminhos da terra.

O suicídio porém, tal como a morte, escapa, de todo, à minha compreensão.

É uso dizerem: «Que descanse em paz!», e esta frase, de pendor religioso, pode ter uma conotação vazia, pois o que é descansar em paz, para aquele que morre e que, por isso mesmo, não pode sentir seja o que for? Ficar estendido no túmulo, imóvel e frio ou ser incinerado e flutuar ao vento de qualquer lugar terá alguma relação com ‘descanso’ e ‘paz’? Creio que não. O corpo que repousa no esquife, a cinza que se desvanece na flutuação do vento não sentem o descanso ou a paz, ou seja o que for, porque o elo vital foi quebrado e neles nada resta já capaz de sentir.

Agora imaginem que à hora da morte, cessado o movimento neuronal e sanguíneo e reduzido a corpo a um pedaço de matéria sem alento, que em breve irá desintegrar-se, a consciência – que ninguém sabe o que é, ou onde mora – escapa às leis do esvaimento próprio da morte e, habituada ao corpo a que deu sentido, continua a perceber-se a si mesma, como dantes! Imaginem essa consciência, que nos diz o que sentimos e vemos e desejamos, a persistir, atuante, e a perdurar, como parte de nós, desarreigada da corrupção, a poder perceber ainda o mundo de que aparentemente se ausentou! Se assim for – e este é um postulado científico – que faz o suicida quando executa o ato que crê libertador? Não é verdade que, pela perenidade da sua consciência, vai prosseguir percebendo as dores, o vazio, a solidão de que quis ausentar-se, e mais, vai testemunhar a vileza do seu corpo, entregue aos outros, e todo o séquito de cerimónias, louvores e homenagens a que o sujeitarão, ou ao esquecimento da sua memória, em breve mais um desaparecido, entre os milhões de desaparecidos, um nada no tumulto de muitos nadas?

Mas, se a morte for outra realidade qualquer, em que se nos revele um mundo novo ou realidade nenhuma, que, por isso mesmo, nunca existirá, enquanto realidade, escolher a morte, como faz o suicida, que, aparentemente, quer cortar cerce a ligação vital, é escolher, afinal, o quê?

Querer deixar a tortura de uma existência, e logo a seguir entrar noutra, eventualmente mais terrível e de onde eventualmente não logrará sair – poderá morrer-se duas vezes? – ou cair num absoluto negrume e ver esse negrume como imagem do seu mundo, daí em diante, será uma escolha  preferível ao somar quotidiano de minutos, ainda que despojados de valor ou sentido?

Impossível responder. Para lá desse limiar, que o suicida escolhe marcar e a que os outros acedem, mesmo sem querer, não há notícias plausíveis, não há teorias convincentes ou verificações experimentais, não há a certeza de uma existência post mortem ou da sua inexorável inexistência – há somente hipóteses, postulados, crenças.

Aquele que morre, porque assim o determinou a sua vontade ou o que julga ser o seu arbítrio – mesmo podendo não o ser, de facto – escolhe uma terrível incógnita, escolhe a adesão a um estado de que não tem qualquer referência em primeira pessoa, escolhe um absurdo para si, pois retira-se de um palco sem saber os contornos de outro possível.

As notícias de suicídios, perpetrados por aqueles a que chamamos suicidas, atingem-nos de vez em quando. Não somos capazes de compreender, nem adianta ir à procura dos motivos e, mesmo que eles deixem cartas ou indícios, isso não significa que essas cartas  e esses indícios expliquem a razão íntima do ato de escolher a morte. Muitos tratados têm sido escritos sobre o tema. Nenhum esclareceu esse fenómeno que acredito ser recôndito, que acredito acontecer nas zonas mais obscuras da consciência, que acredito ser uma pequena gota indistinta, cedo tornada onda avassaladora, que arrasta o suicida para a morte de si, como opção irreversível de todo o seu ser.



*Friedrich Nietzsche, Assim Falava Zaratustra

centroparoquialgondar.blogspot.pt

Poluição e pobreza matam sete milhões de pessoas por ano

Poluição e pobreza matam sete milhões de pessoas por ano

Poluição e pobreza matam sete milhões de pessoas por ano
Redação Jornal A Verdade


"Os estudos revelaram que dos sete milhões de mortes, 3,7 milhões são resultantes da poluição externa, causadas principalmente por ataques cardíacos (40%) e derrames (40%). Mais uma vez, os pobres são as vítimas. Mesmo com muitos ecologistas não querendo enxergar o problema pela sua raiz, ou seja, pela grande concentração da riqueza gerada por uma classe, a burguesia, em detrimento classe trabalhadora, gerando uma profunda desigualdade social, os números são factuais. Desses óbitos, 88% ocorreram em países de baixa e média renda, que representam 82% da população mundial.
Já nos lares, a poluição interna é oriunda principalmente da combustão na hora de cozinhar com lenha e carvão. Na África Subsaariana, uma das regiões mais pobres do mundo, entre 70% e 90% da energia provém da lenha. Na Ásia, esse número está na faixa de 80% para as populações rurais e 20% em áreas urbanas. No mundo, cerca de 2,4 bilhões de pessoas utilizam a biomassa (energia extraída da lenha). Neste caso, as principais complicações de saúde oriundas dessa poluição são os derrames, que representam 34% das mortes, e os ataques cardíacos (26%)."

"a classe operária, os jovens, camponeses e todos aqueles que estão sob o jugo da exploração capitalista têm uma tarefa histórica: salvar o mundo da barbárie e da destruição. Para isso, nosso dever é a defesa do meio ambiente e da natureza, proibindo a destruição de florestas e ecossistemas e estabelecendo o controle e apropriação popular dos meios de produção (terras, máquinas, ferramentas, transportes etc.). Esta é a via revolucionária, da verdadeira transformação."


Dois anos depois da realização da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro de 13 a 22 de junho de 2012, da qual participaram líderes dos 193 países que fazem parte da ONU), o mundo ainda sofre com os graves problemas ambientais oriundos da ganância dos capitalistas por mais lucros. À época, a grande imprensa burguesa utilizou seus jornais, rádios, TVs e internet para passar a falsa ideia de que a conferência da ONU resolveria o problema ambiental e os Estados chegariam a um consenso sobre a importância e os processos da Economia Verde, garantiriam o desenvolvimento sustentável do planeta e buscariam formas de eliminar a pobreza, entre outros pontos.

Mais uma vez, como de esperar, a Conferência não chegou a um consenso, e um dos motivos para tal situação foi o boicote realizado pelas grandes potências capitalistas (Estados Unidos, China e Alemanha). De fato, a Rio+20 ocorreu num período de forte crise econômica na Europa, e os capitalistas não desejavam frear suas metas de exploração da natureza em prol do bem-estar da humanidade. Como muito bem disse Frei Betto, ao avaliar o encontro, “A Rio +20 propôs aos governos, via G-77 [grupo dos países menos desenvolvidos], criarem um fundo de US$ 30 bilhões para financiar iniciativas de sustentabilidade em seus países. A proposta não foi aprovada. Ninguém mexeu no bolso. Isso uma semana depois de o G-20, no México, destinar US$ 456 bilhões para tentar sanar a crise na Zona do Euro. Não falta dinheiro para salvar bancos. Para salvar a humanidade e a natureza, nem um tostão”.

Agora, no primeiro semestre de 2014, mais um dado veio comprovar que a humanidade caminha a passos largos para um situação de barbárie. A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que cerca de sete milhões de pessoas morrem por ano, no mundo, em virtude da poluição. Conforme essas estatísticas, uma em cada oito mortes ao redor do planeta está relacionada à contaminação do ar, seja dentro ou fora de casa.

Segundo a agência sanitária da ONU, a poluição do ar tornou-se agora o maior risco para a saúde dos seres humanos, causado por pequenas partículas que se infiltram nos pulmões, resultando em irritações, doenças cardiovasculares, problemas crônicos e câncer. Em 2008, o mesmo estudo da OMS apontava 3,5 milhões de mortes, o que significa que, em seis anos, o número de mortes dobrou.

Os estudos revelaram que dos sete milhões de mortes, 3,7 milhões são resultantes da poluição externa, causadas principalmente por ataques cardíacos (40%) e derrames (40%). Mais uma vez, os pobres são as vítimas. Mesmo com muitos ecologistas não querendo enxergar o problema pela sua raiz, ou seja, pela grande concentração da riqueza gerada por uma classe, a burguesia, em detrimento classe trabalhadora, gerando uma profunda desigualdade social, os números são factuais. Desses óbitos, 88% ocorreram em países de baixa e média renda, que representam 82% da população mundial.

Já nos lares, a poluição interna é oriunda principalmente da combustão na hora de cozinhar com lenha e carvão. Na África Subsaariana, uma das regiões mais pobres do mundo, entre 70% e 90% da energia provém da lenha. Na Ásia, esse número está na faixa de 80% para as populações rurais e 20% em áreas urbanas. No mundo, cerca de 2,4 bilhões de pessoas utilizam a biomassa (energia extraída da lenha). Neste caso, as principais complicações de saúde oriundas dessa poluição são os derrames, que representam 34% das mortes, e os ataques cardíacos (26%).

Até mesmo a Nasa (a Agência Nacional do Espaço e da Aeronáutica, dos EUA), que responde pela pesquisa, desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial, apontou, em estudo publicado em março de 2014 no jornal científico norte-americano Elsevier Ecological Economics, que as civilizações, tais como as conhecemos hoje, poderiam desaparecer nas próximas décadas em virtude da má gestão de recursos naturais e de uma má repartição das riquezas, isto é, do alto índice de desigualdade econômica mundial.

Segundo os pesquisadores, há uma necessidade urgente de “reduzir as desigualdades econômicas a fim de garantir uma distribuição mais justa dos recursos, apoiando-se sobre fontes renováveis menos agressivas e diminuindo o crescimento populacional”.

O debate sobre a degradação ambiental promovida pelo sistema capitalista ganha cada vez mais espaço na sociedade. Em setembro de 2013, o filme Elysium, escrito e dirigido por Neill Blomkamp, retratou o mundo no ano de 2159, quando os pobres habitavam a Terra, vivendo em condições desumanas e cercados de doenças, e os ricos morariam em Elysium, desfrutando de uma vida luxuosa, com inúmeras tecnologias ao seu alcance, inclusive para prevenir-se e curar-se de enfermidades.

Esse mundo fictício criado no filme para o ano de 2159, infelizmente já existe. Os ricos vivem em verdadeiros castelos, numa vida confortável, tendo os melhores médicos, hospitais e cientistas à sua disposição, enquanto os pobres morrem nas filas dos hospitais à espera de consultas médicas, sem remédios, vivendo na miséria e reprimidos pelo Estado quando buscam os seus direitos.

Logo, diante dos fatos expostos, a classe operária, os jovens, camponeses e todos aqueles que estão sob o jugo da exploração capitalista têm uma tarefa histórica: salvar o mundo da barbárie e da destruição. Para isso, nosso dever é a defesa do meio ambiente e da natureza, proibindo a destruição de florestas e ecossistemas e estabelecendo o controle e apropriação popular dos meios de produção (terras, máquinas, ferramentas, transportes etc.). Esta é a via revolucionária, da verdadeira transformação.

Redação CE