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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estónia: prepare-se para se surpreender com este país

Estónia: prepare-se para se surpreender com este país

Bem, a verdade é que todos os lugares do mundo têm seus encantos, e com a Estônia não podia ser diferente, não é mesmo? Assim, caro leitor, que tal se juntar a nós nessa viagem para descobrir os atrativos dessa terra surpreendente?

Um pouco de Geografia

A Estônia está localizada no leste europeu e faz fronteira com a Rússia ao leste e a Letônia ao sul. Seu litoral — ou seja, uma extensão de quase 3,9 mil quilômetros — é banhado pelo Mar Báltico, e um total de 1.520 ilhas também faz parte de seu território que, no total, soma pouco mais de apenas 45 mil quilômetros quadrados, dos quais quase 42,4 mil se encontram no continente.
O país tem uma população total de 1.257.921 habitantes (segundo dados de julho de 2014), e quase 70% se encontra em áreas urbanas. Além disso, etnicamente falando, 67,8% da população são de origem estoniana, 24,8% de origem russa, 1,7% ucraniana, 1% de origem bielorrussa, 0,6% finlandesa e o restante de origem não especificada, portanto, além do idioma oficial estoniano, um bocado de gente também fala russo e ucraniano.
Com respeito ao clima, como você já deve ter imaginado, os invernos de lá não são para os fracos, com temperaturas médias que rondam os – 10 °C. Na primavera e no outono as temperaturas são mais amenas e ocorrem poucas chuvas, e no verão os termômetros sobem um pouco, marcando, em média, 16 °C. Ao longo do ano a temperatura média fica entre 4,3 °C e 6,5 °C, ou seja, o clima não é lá muito cálido, assim, caso você vá para lá, não se esqueça dos agasalhos.
Contudo, existem dois recordes interessantes relacionados com a temperatura: em agosto de 1992, ocorreu o dia mais quente da história do país na cidade de Võru, cujos termômetros marcaram 36,5 °C, enquanto o mais frio aconteceu em janeiro de 1940, quando a temperatura registrada em Jõgeva foi de – 43,5 °C. Bem, com essas informações, fica mais fácil planejar durante quais meses você deve visitar o país!

Agora, um pouquinho de História

Depois de sete séculos de ocupação russa, alemã, sueca, polonesa e dinamarquesa — sem falar das invasões dos vikings antes do século 13 —, a Estônia primeiro se tornou independente em 1918 e, depois de ser anexada à União Soviética em 1940, reconquistou sua independência em 1991, após uma revolução não violenta que derrubou uma ocupação inicialmente agressiva.
Porto de Tallinn por Aleksey Bogolyubov, de 1853
Em 2004, o país se tornou membro da União Europeia e da OTAN e, desde então, uma das nações “ex-comunistas” mais prósperas da Europa, sendo governada através de um sistema liberal e transparente. E, voltando ao passado, evidentemente, todos esses séculos de ocupação contribuíram para enriquecer a cultura e moldar a arquitetura estoniana.
A capital Tallinn, por exemplo, foi construída por cruzados alemães no final da Idade Média, e, apesar de ter crescido bastante ao longo do tempo, as muralhas e torres da antiga cidade continuam praticamente intactas, tornando essa localidade um dos melhores exemplos atuais de cidade medieval na Europa. Além disso, também é possível encontrar muitos vestígios da Era Soviética pelo país, como é o caso da base militar abandonada de Paldiski.

Vamos ao que interessa

Tallinn, além de ser a capital e a cidade mais populosa do país — com 400 mil habitantes —, graças ao seu famoso centro antigo, figura entre os sítios listados pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Nessa área da cidade, os turistas podem passear por ruelas estreitas de pedra enquanto contemplam residências, armazéns, celeiros, igrejas e outros edifícios medievais, sendo que muitos deles foram construídos no século 11.
O mais incrível é que a maioria dessas construções foi mantida em sua forma original. Isso porque, com o objetivo de defender a cidade ao longo da História, boa parte das estruturas foi edificada com o uso de pedras em vez de madeira, o que contribuiu para evitar danos por meio de incêndios e outros incidentes. Além disso, a cidade nunca passou por grandes reformas nem foi reconstruída, portanto, não é à toa que ela é conhecida como “Pérola Medieval da Europa”.
Região onde se encontra o centro antigo de Tallinn
Entre os pontos turísticos imperdíveis de Tallinn estão o edifício gótico da antiga prefeitura — localizado na agitada praça Raekoja, com seus 7 séculos de história —, as 26 torres de observação espalhadas pelas muralhas que envolvem a cidade e algumas igrejas famosas, como a de São Nicolau (ou Niguliste), construída originalmente no século 13, e a de São Olavo (ou Oleviste), edificada entre os séculos 15 e 16, cuja torre mede 159 metros de altura.
Moderno centro financeiro da capital
Além disso, outros locais de interesse são a Catedral Aleksand Nevsky, a maior igreja ortodoxa de Tallinn, e o Castelo Toompea — que hoje funciona como sede do parlamento e oferece vistas incríveis da cidade graças aos seus dois mirantes públicos. E, para que ninguém se canse de tanta coisa antiga, a cidade também conta com um centro pra lá de moderno que oferece inúmeras opções de divertimento, como restaurantes, bares e baladas agitadas.

Outras atrações

Para quem prefere fugir do agito da capital, a pitoresca cidade de Kuressaare, localizada na ilha de Saaremaa — a maior da Estônia —, é uma boa pedida. Além de contar com ruazinhas arborizadas, hotéis charmosos e vários cafés, nela se encontra um extraordinário castelo do século 13. A construção serviu de fortaleza no passado e hoje abriga um museu onde, entre outras coisas, é possível explorar as masmorras e conferir antigos instrumentos de tortura.
Castelo de Kuressaare
Já os amantes da natureza vão curtir uma passada pelo Lahemaa “rahvuspark” (ou parque nacional), o maior do país. Localizado em uma região rural da Estônia, o parque fica a cerca de 70 quilômetros de Tallinn e conta com 475 quilômetros quadrados de área vegetada, além de outros 250 quilômetros quadrados de área marinha. O Laheema abriga 14 lagos, oitos rios e quatro cachoeiras e oferece vistas bem interessantes.
Além do Parque Nacional de Lahemaa, outro muito famoso é o de Mastsalu, localizado na baía de mesmo nome, indicado para quem adora observar pássaros. Confira algumas imagens dos dois parques na galeria a seguir:















Gastronomia

E é claro que não podiam faltar algumas dicas sobre o que comer e beber na Estônia, afinal, “saco vazio não fica em pé”, não é mesmo? O passado conturbado do país também influenciou sua culinária, que incorpora aspectos da cozinha alemã, escandinava e russa. Assim, espere encontrar pão de centeio, carnes e peixes defumados — incluindo embutidos como presuntos e salames — e muitos laticínios, como queijos, iogurte e pudins.
Entre os pratos mais populares estão o sauerkraut — repolho azedo também conhecido como chucrute — e o black pudding, uma espécie de chouriço feito com sangue de porco e cereais. Para quem curte doces, além do marzipã, feito à base de amêndoas, o quitute tradicional estoniano se chama kama e é feito com centeio cozido, cevada e ervilhas, sendo normalmente servido com leite fermentado. Eles também têm por lá uma barrinha chamada kohuke, que consiste em coalhada coberta com chocolate.
Com respeito às bebidas, além da vodka — que é bem popular por lá —, os estonianos e visitantes costumam se empolgar bastante com o forte Vana Tallinn, um licor adocicado com sabor de rum aromatizado com diversas especiarias e teor alcóolico que varia entre os 40 e 50%. Outra bebida local é oKännu Kukk (ou “galo bêbado”), feito a partir de zimbros e cominho. Seu teor alcóolico? Por volta de 40%.

Mais curiosidades:

Castelo Toompea
  • Desde março de 2007, as eleições parlamentares acontecem através de votos que podem ser feitos pela internet;
  • O sistema de transporte público na capital do país é gratuito para todos os residentes da cidade;
  • A Estônia é o país menos religioso do mundo, com apenas 14% da população alegando seguir algum tipo de crença;
  • Quase 50% de todo o território é coberto por florestas;
  • O país apresenta o maior índice de crateras criadas por meteoritos do mundo;
  • A Estônia tem a maior coleção de canções folclóricas do planeta, contando com um total de 133 mil músicas;
  • Os estonianos simplesmente adoram balanços, tanto que inventaram uma espécie de esporte maluco chamado “kiiking”, que permite que as pessoas possam dar voltas de 360° no brinquedo, como você pode ver na imagem abaixo:
  • Reza a lenda que o marzipã, um famoso — e delicioso — doce feito à base de amêndoas, foi criado na Estônia;
  • A primeira árvore de natal da História foi montada na praça Raekoja, no centro antigo de Tallin, no ano de 1441;
  • Os estonianos são responsáveis pela invenção do antigo Kazaa — lembra dele? —, do Hotmail e do Skype;
  • Devido aos longos e escuros invernos, pedestres e ciclistas são obrigados por lei a usar refletores de segurança enquanto caminham ou pedalam pelas ruas do país;
  • Um novo programa estudantil prevê que crianças comecem a aprender noções de programação já durante o primeiro ciclo do ensino fundamental;
  • Todas as escolas do país contam com conexão à internet;
  • A Estônia é o país europeu que venceu mais vezes uma competição maluca que ocorre anualmente, na qual os participantes devem apostar corridas carregando suas esposas ou namoradas.

O ESCROQUE ESCARROU DE NOVO



Desnorte e cinismo no Palácio Ratton


Não sei quanto tempo a instituição Tribunal Constitucional vai levar a recuperar da funesta presidência de Joaquim de Sousa Ribeiro, um homem que verdadeiramente se deleita ao falar de "cortes cegos"


O número de palavras consumidas nas declarações de voto do acórdão do Tribunal Constitucional sobre os cortes salariais na função pública é o dobro das que foram necessárias para escrever a sentença. No acórdão sobre as pensões a proporção é diferente, mas mesmo assim a relação é de pouco mais de três para um, uma proporção mesmo assim muito elevada para um documento emanado do Palácio Ratton.
Se compararmos o peso das declarações de voto dos acórdãos do TC sobre legislação com impacto orçamental em 2014 com, por exemplo, o verificado nos acórdãos de 2013, verificamos que as declarações de voto, se antes eram quase marginais, agora ganharam um peso considerável, num caso sendo mesmo mais longas que a decisão propriamente dita. Os juízes, aparentemente, decidiram mostrar de uma forma muito mais clara as suas divergências, começando a ser tão importante ler as suas declarações de voto como ler as próprias sentenças. Tudo porque são cada vez mais evidentes  e tensões entre os juízes do Ratton.as divisões
Na verdade, lendo mais estes dois acórdãos, notam-se muitos sinais de desnorte que geram decisões dificilmente compreensíveis ou fruto de evidente activismo por parte de alguns do titulares daquele órgão de soberania. Vejamos apenas alguns dos temas controversos que resultam destas recentes deliberações.

A Europa afinal não existe

O primeiro tema relevante, e que seguramente voltará à mesa do TC, é o da relação entre a nossa Constituição, e a interpretação que dela fazem os juízes, e as obrigações que resultam dos tratados internacionais que o nosso país assinou, em especial os tratados europeus, e entre estes o Tratado Orçamental.
Por regra, nas suas já numerosas deliberações sobre questões orçamentais, os juízes têm ignorado, ou feito por ignorar, as nossas obrigações externas e o condicionalismo que marca inevitavelmente as políticas de um Estado com uma autonomia financeira limitada. Desta vez não o puderam fazer, pois isso era expressamente invocado no pedido de fiscalização feito pelo Presidente da República. Também não o poderiam fazer de ânimo leve pois o Governo, na sua argumentação, apelou a que se procurassem soluções que não pusessem em conflito o nosso ordenamento constitucional com o ordenamento da União Europeia.
A solução encontrada pela maioria dos juízes foi cínica: em vez de reconhecerem que o Tratado Orçamental impõe ao país metas exigentes por muitos e bons anos, ficaram-se pelos procedimentos de défice excessivos e pelas imposições do programa de assistência financeira. Depois, concluíram citando princípios gerais que são comuns ao nosso direito constitucional e ao direito europeu – os princípios cujo interpretação muito particular o Tribunal tem invocado para chumbar medidas de corte na despesa atrás de medidas de corte na despesa.
A hipocrisia da maioria dos juízes vai ao ponto de invocarem as metas do Documento de Estratégia Orçamental, quando elas apontam para alguma recuperação da situação económica, para em nome dessa recuperação chumbarem as medidas que permitiriam atingir tais metas. É preciso ler para acreditar.
De facto, como notou a juíza Maria Lúcia Amaral na sua declaração de voto, “fica-se sem saber, afinal, por que motivo invoca agora o Tribunal esse quadro normativo, e qual a relevância jurídico-constitucional que lhe confere. Na verdade, nenhuma conclusão valorativa dele se retira quanto à ponderação própria a fazer no âmbito da “igualdade proporcional”. Por que motivo se não tiveram em conta, no julgamento sobre a questão de constitucionalidade, as constrições externas à República, e que perduram para além de 2015?”
Esta juíza contraria frontalmente a ideia de que os valores invocados pela maioria dos seus pares podem ser avaliados sem deixar de “integrar-se na ponderação o mandato constitucional para com a integração europeia”.
Mais tarde ou mais cedo o Tribunal vai ter de entender essa verdade elementar, que de resto alguns do seus membros (citados numa nota técnica enviada pelo Governo) já subscreveram, apesar de agora parecerem muito esquecidos.

O papel do legislador e o papel do juiz

Se algo tem caracterizado a actuação de uma maioria de juízes deste TC é a sua tendência para um activismo que os leva a ultrapassarem as meras questões jurídicas para entrarem, sem pudor, em áreas de avaliação subjectiva das opções políticas do legislador.
Desde os primeiros chumbos que argumento que o problema quase nunca esteve na Constituição e em normas muito concretas – isso só terá acontecido na avaliação da legislação laboral e pouco mais. O problema sempre esteve em os juízes acharem-se mais competentes do que os legisladores para aferirem efeitos como a “igualdade”, a “proporcionalidade”, a “confiança” ou a “necessidade”. Ora isso são juízos eminentemente políticos que cabem antes do mais a quem é directamente legitimado, ou deslegitimado, pelos eleitores, isto é, aos legisladores.
Este debate é muito antigo noutros países mas não em Portugal. Gonçalo Almeida Ribeiro, um constitucionalista da nova geração, fez no Observador – Um voto de vencido histórico – uma boa síntese do problema. O livro O Tribunal Constitucional e a Crise”, que reúne artigos de nove constitucionalistas críticos da jurisprudência do TC, também ajudou ao debate. Leiam-nos, releiam-nos e discutam-nos. Mas não os ignorem.
O tema está de novo muito presente nestes acórdãos e em algumas das declarações de voto, como as de Maria Lúcia Amaral. Ela insurge-se, por exemplo, contra a decisão sobre a contribuição de solidariedade por considerar que não é aceitável “que um juízo eminentemente moral sobre a justiça de uma tal reforma caiba a uma maioria formada no seio de uma instituição de índole jurisdicional”. Na sua opinião isso não melhora a qualidade da deliberação pública: “pelo contrário, degrada-se essa qualidade, uma vez que se nega aos cidadãos o direito a ter uma palavra a dizer sobre tão delicada matéria”.
Maria Lúcia Amaral concretiza considerando que o TC não pode impor ao legislador a sua visão do que é uma “reforma justa” do sistema de pensões, até porque não está preparado para isso. Exacto: não basta comprar livros de economia para a biblioteca do TC para se passar a ser especialista em economia.
Um dos princípios da democracia é a separação de poderes. Da mesma forma que não gostamos de ver o poder legislativo ou o poder executivo a interferirem com o poder judicial, e indignamo-nos sempre que isso acontece, não devemos tolerar que juízes, mesmo juízes políticos como são os do Palácio Ratton, queiram impor aos legisladores as suas visões e agendas muito próprias. É isso que decorre da separação de poderes, é isso que impõe a necessidade de mantermos um sistema equilibrado de pesos e contrapesos.
Mesmo os que hoje gostam das decisões do TC deviam perceber que a forma perversa como ele tem invadido áreas onde o legislador deve ter latitude para decidir é um abuso de poder judicial que, no futuro, também se pode virar contra eles.

Não existem reformas perfeitas

Se o tribunal não tem competências técnicas, nem tem moral, nem devia ter poder para julgar da maior ou menor bondade de uma reforma, como a reforma do sistema de pensões, a verdade é que a maioria do TC tem encontrado, por regra, uma forma retorcida de se opor a mudanças de fundo. Essa forma retorcida é exigir a reforma perfeita, a reforma que prevê todas as situações, a reforma que não cria nenhuma injustiça relativa. No mundo dos homens e no mundo da política – essa arte do possível – esse tipo de reformas não existe.
Quando, em Dezembro do ano passado, a das pensões sublinhei que as exigência dos jesmiucei e critiquei a decisão do tribunalrelativa à convergênciuízes eram impraticáveis. O Governo resolveu fazer nova tentativa, indo por um caminho que, em termos de reforma, era pior do que o da tentada convergência, mas voltou a esbarrar no activismo dos juízes. Sendo que estes continuam a pedir a tal reforma perfeita, impossível. Sendo que estes chumbarão qualquer reforma onde encontrem qualquer defeito, e todas terão defeitos.
Basta pensar no seguinte. A maior parte dos reformados com pensões elevadas – logo as que são susceptíveis de ser cortadas – são pensionistas do regime dos funcionários públicos. Durante muitos anos este regime não previa que fizessem descontos – o Estado fazia por eles. Logo, não há registo de boa parte da sua carreira contributiva. No entanto o Tribunal veio agora dizer que, para aceitar cortes, só se tiverem em conta as diferentes carreiras contributivas, algo que, como se vê, é materialmente impossível. Até se admite – eu admito – que seria mais justo, mas não é possível.
Assim, em nome daquilo a que chamou “justiça intrageracional”, os juízes prejudicaram gravemente a justiça intergeracional, pois sobrecarregam com impostos e contribuições os que ainda não estão reformados e pagam a reformas dos que já se aposentaram.
Por outro lado, ainda há pouco mais de duas semanas, na decisão sobre a CES, o tribunal escrevera que o nosso sistema de pensões não era baseado apenas no regime contributivo, de autofinanciamento, também exigia o recurso ao dinheiro dos contribuintes. Sendo assim, tolerava que os reformados também fossem chamados a colaborar nesse financiamento. Agora renega, na prática, essa ideia, ao sublinhar a importância do princípio contributivo, e da carreira contributiva, e deixando a possibilidade de existência de uma taxa como a CS para circunstâncias de uma justiça inatingível.
Teria sido mais honesto e mais claro os juízes dizerem apenas que não toleram cortes nas pensões, em vez de fingirem que toleram para depois tornarem impossível qualquer solução. Já há um ano tinham feito algo parecido, quando disseram que até admitiam despedimentos na administração pública, esquecendo de referir que tinham acabado de os proibir para todos os funcionários entrados antes de 2008, ou seja, mais de 85% do universo dos trabalhadores do Estado.
Creio por tudo isto que vamos continuar a ter muitas e variadas declarações de voto. A justiça constitucional está a tornar-se numa disciplina cada vez menos consensual e cada vez menos jurídica.
Não sei quanto tempo a instituição Tribunal Constitucional vai levar a recuperar da funesta presidência de Joaquim de Sousa Ribeiro, um homem a quem os olhos brilham de deleite quando utiliza, frente às câmaras de televisão, figuras jurídicas com a profundidade e espessura de “cortes cegos”…

a galinha - poesia de António Garrochinho


Lista de Crenças - Nem só da sua cultura vive o homem - UMA LISTA DE TODAS AS CRENÇAS DO MUNDO ONDE PODE ESTUDAR COM POUCO TRABALHO DE PESQUISA

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Lista de Crenças - Nem só da sua cultura vive o homem

Opus Dei: o exército do papa - Ela é acusada de ultraconservadora, totalitária e conspiradora.

Opus Dei: o exército do papa



Ela é acusada de ultraconservadora, totalitária e conspiradora.

Imagine sua mente sendo monitorada 24 horas por dia. Você está num lugar onde não é permitido ver televisão ou ir ao cinema. Até o jornal chega editado às suas mãos. Ninguém pode ter amigos do lado de fora e o contato com a família é restrito.
Pelo menos duas horas por dia, você tem de amarrar um cilício na coxa – espécie de instrumento de tortura com pontas metálicas que machucam a pele. Quanto maior for o seu desconforto, melhor: isso significa que a instituição está exercendo mais controle sobre você. Se doer demais, tudo bem, você poderá trocar de coxa na próxima vez. O importante é que a experiência não passe em branco. Tem de machucar, deixar marcas. Caso contrário, não “faz efeito”.



Castidade
Se tudo isso já parece um pesadelo, saiba que ainda não acabou. Uma vez por semana, você terá também de golpear suas nádegas ou suas costas com um chicote. E ainda passará pelo que é chamado de “sinceridade selvagem”: contar aos seus superiores cada pensamento que passa pela sua cabeça, principalmente aqueles segredos mais íntimos, sobre os quais não se comenta nem no banheiro, de porta fechada e luz apagada. Se você não revelar tudo, mas tudinho mesmo, estará mantendo um “segredo com Satanás”.
As situações descritas acima não ocorrem nos porões de uma ditadura ou no ritual de alguma seita satânica, muito pelo contrário. Elas são rotina nas residências do Opus Dei, onde vivem os chamados numerários – membros da organização religiosa que fazem voto de castidade e estão ali por opção, para “santificar” o mundo. A maioria tem profissão e trabalha normalmente, como outra pessoa qualquer. Mas seus salários vão direto para o Opus. Muitos foram recrutados ainda bem jovens.
“O aliciamento acontece na infância ou na juventude, pois é mais fácil doutrinar uma personalidade ainda em formação. Eles começam levando crianças para brincar numa espécie de clube e vão seduzindo aos poucos”, diz um ex-numerário, que só aceitou falar com nossa reportagem mediante o compromisso de não ser identificado. “Eu mesmo convidava colegas de escola para fazer parte do clube. Obedecia ao que o diretor mandava: ‘Não conte que é do Opus. Leve primeiro para conhecer o centro, faça com que a pessoa se envolva’.”
O Opus Dei não é feito só de numerários: há também os supernumerários. Esses podem se casar, ter filhos e viver em suas próprias casas, embora também recorram à penitência física – ou mortificação corporal – como uma forma de controlar instintos pecadores. Uma das funções secretas desses membros, de acordo com os críticos da organização, seria ocupar posições de liderança na sociedade – seja num cargo político, na direção de uma grande empresa, na presidência de um banco, na reitoria de uma universidade ou na chefia de um veículo de comunicação. Do alto desses postos de comando, a capacidade de expansão e o poder de influência do Opus Dei estariam assegurados.



Trabalho
Pode acreditar: numerários e supernumerários estão por toda parte, talvez bem mais perto do que você imagina. Afinal, é justamente essa a proposta do Opus – ser uma legião de homens e mulheres comuns, que se misturam ao mundo real para transformá-lo de dentro para fora. Do motorista de táxi ao ministro de Estado, da dona-de-casa à diretora de uma multinacional, todos devem ser engrenagens e trabalhar silenciosamente pelos objetivos da organização. Como dizia Josemaría Escrivá, fundador do grupo: “Seja santo. Santifique-se em seu trabalho. E santifique os outros com seu trabalho”.
Quem defende a instituição religiosa das acusações de ultraconservadora, totalitária e conspiradora garante que não há nada de errado com suas tradições, muito menos de secreto ou misterioso nas ações de seus integrantes. “Para quem conhece e vivencia o Opus Dei, acima da pirotecnia fica a verdade: ele é uma entidade da Igreja Católica (...) cuja única finalidade é procurar o ideal da vida e de serviço cristão no meio do mundo, mediante a santificação do trabalho profissional, da família e dos deveres cotidianos”, afirma o jurista Ives Gandra Martins, num artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo em 2005. “O Opus Dei tem como membros e trabalha com pessoas de todas as classes sociais. Ama e defende a liberdade de seus fiéis em todas as questões que a Igreja deixa à livre discussão dos católicos.”






Autonomia
O Opus Dei – expressão em latim que significa “Obra de Deus” – foi fundado pelo sacerdote espanhol Josemaría Escrivá em 1928. Trata-se de uma prelazia pessoal, figura jurídica da Igreja Católica que está prevista no Código de Direito Canônico (a constituição da Igreja). Ela dá aos seus membros o direito de seguir ordens do prelado (o líder máximo do Opus, que fica em Roma), em vez de obedecer à autoridade católica regional. Simplificando grosseiramente, é como se o grupo fosse um braço independente da Igreja, que não deve explicações a mais ninguém além do papa.
“A ascensão do Opus Dei à categoria de prelazia pessoal era o grande sonho de seu fundador”, escreve o jornalista espanhol Juan Bedoya em artigo recente no jornal El País. “Homem de grandes ambições, Escrivá queria livrar-se das dependências em relação aos bispos porque sua fundação, então com 70 mil integrantes – a imensa maioria leigos, homens e mulheres, celibatários ou casados –, tinha pouco a ver com os institutos e as congregações tradicionais.”
Os 70 mil seguidores de 25 anos atrás hoje são aproximadamente 87 mil. Na avaliação de Bedoya, esses números demonstram com sobras a situação especial desfrutada pelo Opus Dei dentro da sempre rígida Igreja Romana. “No último meio século, ninguém se destacou tanto quanto a Obra de Escrivá”, afirma o jornalista. “Não se pode dizer a mesma coisa de outras congregações clássicas, como os jesuítas, que hoje são apenas 19 mil no mundo todo.” Ainda assim, e apesar de estar presente em 64 países, o Opus continua sendo fundamentalmente espanhol. Na Espanha estão concentrados mais de 40% de seus membros. Outros 35% estão na América Latina. A organização também tem seus pés muito bem fincados na África e na Ásia. “Agora o objetivo é a conquista dos ex-países comunistas do Leste Europeu.”
Nesses 25 anos de história, o Opus Dei colecionou críticos. Alguns de seus detratores mais radicais chegam a chamá-lo de “máfia santa”. Outros o acusam de ser “uma Igreja dentro da Igreja”, com poderes excepcionais e muito dinheiro sendo colocado a serviço de um conservadorismo atroz. Em parte, essa fama se deve às estreitas relações que a organização cultivou com o regime fascista do ditador espanhol Francisco Franco, de 1939 a 1975. Josemaría Escrivá, o próprio, ouvia as confissões do “generalíssimo”, como Franco era conhecido, e muitos integrantes ou colaboradores do Opus Dei foram nomeados ministros de Estado enquanto durou a ditadura.
A organização chegou ao Brasil na década de 1950. Instalou-se inicialmente em Marília, no interior de São Paulo, e de lá acabou migrando para a capital, onde hoje mantém centros nos bairros do Pacaembu, de Vila Mariana, de Pinheiros e do Itaim, entre outros. Está presente também nas cidades de Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Londrina (PR) e Porto Alegre (RS). Entre numerários, supernumerários e sacerdotes, estima-se que o Opus tenha cerca de 1 700 integrantes por aqui.





Preeminência
A influência que a “Obra de Deus” exerce sobre o Vaticano pode ser medida pelo processo incrivelmente rápido de canonização de Escrivá – o 2º mais breve na história da Igreja Romana, atrás apenas do de madre Teresa de Calcutá (leia mais nas págs. 36 e 37). De acordo com Juan Bedoya, o papa João Paulo 2º chegou ao cargo protegido e impulsionado sobretudo pelo Opus Dei. E o atual sumo pontífice também dá sinais de profunda simpatia pela “Obra”. “A organização não gozou de trato especial com os papas Pio 12, João 23 e Paulo 6º, mas foi o movimento predileto do polonês João Paulo 2º, mais conservador que os anteriores”, diz o jornalista espanhol. “Com o papa Bento 16, a organização mantém a preeminência do passado.”

Mãos à obra


Gente importante supostamente ligada ao Opus Dei


Geraldo Alckmin
Foi governador de São Paulo. Nega fazer parte do Opus Dei, mas é tido como o político brasileiro de relações mais estreitas com a organização.
Ives Gandra Martins
Está entre os mais respeitados juristas do Brasil e freqüentaria reuniões do Opus Dei desde 1963. Admite conhecer “intimamente” o grupo religioso há décadas.
Ruth Kelly
Supernumerária, é integrante do Parlamento britânico pelo Partido Trabalhista e já foi secretária de Educação e de Transportes do Reino Unido.
Paola Binetti
Médica, professora universitária e senadora italiana. É numerária. No senado, defende posições conservadoras – contra o aborto e o casamento gay, por exemplo.
Adolfo Suárez
Primeiro-ministro da Espanha de 1976 a 1981, no primeiro regime democrático do país depois da ditadura de Francisco Franco. É supernumerário.
Jesus Estanislao
Foi ministro das Filipinas durante o governo da presidenta Corazón Aquino, de 1989 a 1992. Numerário, é um dos responsáveis pela chegada do grupo àquele país.
Robert Hanssen
Americano e ex-agente do FBI, trabalhou como espião para a URSS por mais de 20 anos. Foi supernumerário, mas abandonou o Opus Dei depois de ser preso.
Luis Valls
Um dos banqueiros mais importantes da Espanha, foi presidente do Banco Popular – o 3º maior do país – de 1972 a 2004. É numerário do Opus.

Para saber mais

• Opus Dei: Os Bastidores
Marcio F. da Silva, Dario F. Ferreira e Jean Lauand, Verus, 2005.
• Memórias Sexuais no Opus Dei
Antônio Carlos Brolezzi, Panda, 2006.

Por dentro do Opus Dei

MORTIFICAÇÃO CORPORAL
Cilício nas coxas e chicotadas são rotina para os seguidores.
JOSEMARÍA ESCRIVÁ
O fundador que virou santo.
Fundador do Opus Dei, o sacerdote espanhol – falecido em 1975 – hoje é santo. Nascido no ano de 1902, Escrivá teria resolvido dedicar sua vida ao sacerdócio quando, no rigor do inverno europeu, viu um padre caminhando descalço sobre a neve. Segundo a história oficial, o jovem sentiu-se compelido a seguir o exemplo e também oferecer-se a Deus.
Escrivá afirmava ter tido uma visão depois de ordenado, aos 26 anos: homens e mulheres realizando a “Obra de Deus” e mudando os rumos da história. Assim ele teria tido a idéia de criar o Opus Dei. Depois de fundar a ordem em Madri, no ano de 1928, saiu arrebanhando seguidores. Mas logo esbarraria na Guerra Civil Espanhola, em 1936. Escrivá abandonou a cidade e interrompeu a expansão do Opus, retomando-a só em 1939, com o fim da guerra e a manutenção do ditador Francisco Franco no poder.
POLÊMICO
• Virou santo em tempo recorde, em 2002 (só 27 anos depois de sua morte). Segundo seus críticos, era simpático ao regime totalitário de Franco.
• Foi confessor de Franco e de vários ministros durante a ditadura espanhola.
DISCIPLINA
Chicotadas nas próprias costas é uma das modalidades de autoflagelo à qual os seguidores do Opus Dei recorrem pelo menos uma vez por semana. A pequena corda com nós usada para isso, conhecida como “disciplina”, geralmente não deixa marcas.
NA CARNE
O cilício tem pontas de ferro que penetram na carne. Para a maioria dos numerários, esse tipo de penitência física é uma prática corriqueira: eles passam pelo menos duas horas por dia com esse instrumento de tortura amarrado perto da virilha.
LIVROS PROIBIDOS
O Opus Dei tenta controlar o que seus seguidores lêem. A ordem classifica obras literárias numa escala que vai de 1 a 6: no primeiro nível estão os livros permitidos a todos e no último, os totalmente proibidos. Conheça alguns deles:
• O Capital, Karl Marx
• Além do Bem e do Mal, Nietzsche
• Cândido, Voltaire
• O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago
• O Diário de um Mago, Paulo Coelho
• Presente de um Poeta, Pablo Neruda
• Ulisses, James Joyce
• Madame Bovary, Gustav Flaubert
• Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
A CRUZ E O MUNDO
No símbolo oficial do Opus Dei, o círculo representa o mundo e a cruz é a marca do cristianismo inserida nele. Trata-se de uma representação do sonho que Escrivá teria tido aos 26 anos de idade: a “Obra de Deus” alcançando cada canto do planeta, pelas mãos de seus seguidores.
JAVIER ECHEVARRÍA
O atual mandachuva.
Este homem é o atual prelado do Opus Dei – cargo máximo do grupo, vitalício – e não responde a mais ninguém além do papa. Espanhol, nascido em 1932, formou-se advogado, especializando-se em direito civil e direito canônico. Entrou para a organização em 1948, com apenas 16 anos, mas só foi ordenado sacerdote em 1955. Dom Javier, como é chamado, foi secretário de Josemaría Escrivá durante 22 anos. É uma das pessoas que mais conheceu o fundador da organização religiosa na intimidade.
Ao assumir o comando em 1994, nomeado prelado pelo papa João Paulo 2º, Echevarría tornou-se o 3º prelado da ordem desde a sua fundação, em 1928. Ele substituiu Alvaro del Portillo, sucessor direto de Escrivá. Dom Javier é conhecido por viajar o mundo inteiro para divulgar a “Obra” e abrir portas para o diálogo entre crenças e culturas distintas.
MISTERIOSO
• Integra a congregação que controla processos de canonização desde 1981.
• É chanceler da Universidade de Navarra e de outras instituições de ensino.
• Ao contrário de Escrivá, prefere manter sua biografia cercada de mistério.




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