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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Médicos e cientistas do Reino Unido e de Itália denunciam a agressão militar israelita em Gaza

Médicos e cientistas do Reino Unido e de Itália denunciam a agressão militar israelita em Gaza

Crianças assassinadas em Gaza devido aos bombardeamentos indiscriminados das forças sionistas


“Somos médicos e cientistas, que passamos a nossa vida a desenvolver meios para cuidar e proteger a saúde e as vidas. Também somos pessoas informadas; ensinamos a ética das nossas profissões, conjuntamente com o conhecimento e a prática. Todos trabalhámos em Gaza e conhecemos há anos a sua situação.


Crianças assassinadas em Gaza devido aos bombardeamentos indiscriminados das forças sionistas


“Somos médicos e cientistas,que passamos a nossa vida a desenvolver meios para cuidar e proteger a saúde e as vidas. Também somos pessoas informadas; ensinamos a ética das nossas profissões, conjuntamente com o conhecimento e a prática. Todos trabalhámos em Gaza e conhecemos há anos a sua situação. 


Baseando-nos na nossa ética e prática, denunciamos o que testemunhamos na agressão a Gaza por Israel. Pedimos aos nossos colegas, velhos e jovens profissionais, que denunciem esta agressão israelita.

 Desafiamos a perversidade de uma propaganda que justifica a criação de uma urgência para mascarar um massacre, uma suposta “agressão defensiva”. Na realidade, trata-se de um ataque implacável de duração, extensão e intensidade ilimitadas. Queremos referir os factos tais como os vemos e as suas implicações nas vidas das pessoas. 


Estamos chocados pelo ataque militar a civis em Gaza sob o pretexto de castigar os terroristas. Este é o terceiro ataque militar em grande escala a Gaza desde 2008. De cada vez, o número de mortes confirmadas refere-se principalmente a pessoas inocentes de Gaza, em particular mulheres e crianças, sob o pretexto inaceitável de Israel erradicar os partidos políticos e a resistência à ocupação e ao cerco que impõe. 


Esta ação também aterroriza aqueles que não são diretamente atingidos e fere a alma, a mente e a resiliência da geração jovem. A nossa condenação e aversão são agravadas ainda mais pela negação e proibição de Gaza receber ajuda externa e suprimentos para aliviar as terríveis circunstâncias. 


O bloqueio a Gaza está mais apertado desde o ano passado e tem um custo mais gravoso para a sua população. Em Gaza, as pessoas sofrem de fome, sede, poluição, escassez de medicamentos, eletricidade e de todos os meios para obter um rendimento, não só por serem alvejadas e bombardeadas. Crise de energia, escassez de gasolina, escassez de água e comida, vazão de esgoto e sempre a diminuição dos recursos são catástrofes provocadas directa e indirectamente pelo cerco. 


O povo da faixa de Gaza está a resistir a esta agressão, porque quer uma vida melhor e normal e, mesmo quando chora de tristeza, dor e terror, rejeita uma trégua temporária que não oferece uma oportunidade real de um futuro melhor. Uma voz no meio dos ataques em Gaza é de Um Al Ramlawi que fala por todos em Gaza: "Eles estão a matar-nos a todos, de toda a maneira — ou uma morte lenta pelo cerco, ou uma rápida pelos ataques militares. Nós não temos nada a perder — devemos lutar pelos nossos direitos, ou morrer ao tentar.” 


Gaza tem sido cercada por mar e terra desde 2006. Qualquer indivíduo de Gaza, incluindo pescadores, que se aventure além de 3 milhas marítimas da costa de Gaza, arrisca-se a ser baleado pela marinha israelita. Ninguém de Gaza pode sair pelos dois únicos check-points, Erez ou Rafah, sem permissão especial dos israelitas e dos egípcios, o que é difícil de obter para muitos, se não impossível. As pessoas de Gaza não podem ir para o estrangeiro para estudar, trabalhar, visitar famílias ou fazer negócios. 


Feridos e doentes não podem sair facilmente para obter tratamento especializado fora de Gaza. Foram restringidas as entradas de alimentos e medicamentos em Gaza e muitos produtos essenciais para a sobrevivência foram proibidos. 


Antes do presente ataque, os produtos médicos armazenados em Gaza já estavam no nível mais baixo de todos os tempos devido ao cerco. Esgotaram-se agora. Da mesma maneira, Gaza é incapaz de exportar os seus produtos. A agricultura tem sido severamente prejudicada pela imposição de uma zona-tampão, e não podem ser exportados produtos agrícolas devido ao bloqueio. 80% da população de Gaza é dependente das rações de comida da ONU. 


Muitos dos edifícios e da infraestrutura de Gaza foram destruídos durante a operação Chumbo Derretido, em 2008-09, e os materiais de construção foram bloqueados, de modo que escolas, casas e instituições não podem ser correctamente reconstruídas. 

As fábricas destruídas pelos bombardeamentos raramente foram reconstruídas, acrescentando o desemprego à miséria.

Apesar das condições difíceis, o povo de Gaza e os seus líderes políticos actuaram recentemente para resolver os seus conflitos "sem braços nem danos" através do processo de reconciliação entre as facções, os seus líderes renunciando a títulos e posições, para que um governo de unidade pudesse ser formado, abolindo a política factional que existe desde 2007. Esta reconciliação, embora aceite por muitos na comunidade internacional, foi rejeitada por Israel. O actual ataque israelita cortou esta oportunidade de unidade política entre Gaza e a Cisjordânia e separou uma parte da sociedade palestiniana, destruindo a vida do povo de Gaza. Sob o pretexto de eliminar o terrorismo, Israel está a tentar destruir a crescente unidade palestiniana. Entre outras mentiras, é afirmado que os civis em Gaza são reféns do Hamas, quando a verdade é que a faixa de Gaza está cercada pelos israelitas e egípcios. 


Gaza tem sido bombardeada continuamente durante os últimos 14 dias, seguindo-se agora a invasão terrestre por tanques e milhares de tropas israelitas. Mais de 60.000 civis do norte de Gaza foram intimados a deixar as suas casas. Estas pessoas deslocadas internas não têm para onde ir uma vez que o centro e o sul de Gaza estão também sujeitos ao bombardeamento de artilharia pesada. Toda Gaza está a ser atacada. Os únicos abrigos em Gaza são as escolas da Agência da ONU para os refugiados (UNRWA), abrigos incertos já alvejados durante a operação Chumbo Derretido, onde muitas pessoas morreram. 


De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza e o escritório da ONU para a coordenação de assuntos humanitários (OCHA), até 21 de julho 149 dos 558 mortos em Gaza e 1.100 dos 3.504 feridos eram crianças. Os que estão enterrados sob os escombros ainda não estão contados. Enquanto escrevemos, a BBC noticia o bombardeamento de um outro hospital, que atingiu a unidade de cuidados intensivos e salas de cirurgia, com mortes de pacientes e funcionários. Há agora receios relativamente ao principal hospital Al Shifa. Além disso, a maioria das pessoas estão psicologicamente traumatizadas em Gaza. Qualquer pessoa com mais de 6 anos já viveu o seu terceiro ataque militar por parte de Israel. 


O massacre em Gaza não poupa ninguém e atinge deficientes e doentes em hospitais, crianças brincando na praia ou em cima do telhado, com uma grande maioria de não-combatentes. Hospitais, clínicas, ambulâncias, mesquitas, escolas e edifícios de imprensa têm sido todos atacados, com milhares de casas particulares bombardeadas, o fogo claramente direcionando para alvejar famílias inteiras e matá-las dentro das suas casas, privando as famílias de suas casas ao mandá-las sair uns minutos antes da destruição. Uma área inteira foi destruída em 20 de julho, deixando milhares de pessoas deslocadas sem tecto, ao lado de centenas de feridos e matando pelo menos 70 — isto é muito além do propósito de encontrar túneis. Nenhum destes são objetivos militares. Estes ataques visam aterrorizar, ferir a alma e o corpo das pessoas e tornar-lhes a vida impossível no futuro, assim como também demolindo as suas casas e proibindo os meios para reconstruir. 

É usado armamento conhecido por causar danos a longo prazo na saúde de toda a população; em particular armamento de não fragmentação e bombas de ponta-dura. Vemos armamento de precisão a ser usado indiscriminadamente em crianças e vemos constantemente que as chamadas armas inteligentes falham a precisão, a menos que elas sejam deliberadamente usadas para destruir vidas inocentes.

Denunciamos o mito propagado por Israel de que a agressão é feita com a preocupação de poupar as vidas de civis e o bem-estar das crianças. 


O comportamento de Israel insultou a nossa humanidade, a nossa inteligência e dignidade, bem como a nossa ética profissional e os nossos esforços. Até mesmo aqueles de nós que querem ir e ajudar são incapazes de chegar a Gaza devido ao bloqueio. 

Esta "agressão defensiva" de duração, extensão e intensidade ilimitadas tem de ser travada.

Além disso, se o uso de gás for confirmado, isto é inequivocamente um crime de guerra, pelo qual, antes de mais nada, sanções graves terão de ser tomadas imediatamente sobre Israel, assim como a ruptura de qualquer comércio e acordos de colaboração com a Europa. 


No momento em que escrevemos, são relatados outros massacres e ameaças sobre o pessoal médico nos serviços de urgência e o impedimento da entrada de comboios de ajuda humanitária internacional. Enquanto cientistas e médicos, não podemos ficar em silêncio enquanto este crime contra a humanidade continua. Instamos os leitores a também não ficarem em silêncio. Gaza presa no cerco está a ser morta por uma das maiores e mais sofisticadas máquinas militares modernas. A terra está envenenada por detritos de armas, com consequências para as gerações futuras. Se aqueles de nós capazes de se exprimir não o fazem e não tomam uma atitude contra este crime de guerra, também somos cúmplices da destruição das vidas e das casas de 1,8 milhão de pessoas em Gaza. Registamos com consternação que apenas 5% dos nossos colegas académicos israelitas assinaram um apelo ao seu governo para parar a operação militar contra Gaza. 


Somos tentados a concluir que, à excepção desses 5%, o resto dos académicos israelitas é cúmplice do massacre e da destruição de Gaza. Vemos também a cumplicidade dos nossos países na Europa e América do Norte neste massacre e a impotência mais uma vez das instituições e organizações internacionais para parar este massacre.” 

A carta aberta foi publicada na The Lancet e reproduzida em SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA


achispavermelha.blogspot.pt

Espada de Simon Bolivar oferecida à Grande Loja da Venuzuela

Espada de Simon Bolivar oferecida à Grande Loja da Venuzuela

Registo com apreço e júbilo que a espada de um dos maçons mais conhecidos da América Latina, Simón Bolívar (iniciado na maçonaria em 1803, na Loja "Lautaro", em Cádis, Espanha), acaba de entrar na posse da Grande Loja da Venezuela. A Sociedade Bolivariana da Venezuela ofereceu o artefato à Loja Estrella Bolívar nº. 118, fundada há 65 anos em 24 de julho. 
Aproveito para deixar aqui alguns apontamentos.
«Na Loja "Lautaro", discutia-se sobre os princípios de "liberdade, igualdade e fraternidade", sobre a dignidade do homem e a possibilidade de converter em Repúblicas às colónias espanholas de América. A verdade é que a Loja "Lautaro", fez germinar na mente de Bolívar, a ideia de acabar com o domínio espanhol na Venezuela, para semear ali a semente da liberdade para o resto da América do Sul.»
«Bolívar recebeu o grau de Companheiro, o segundo na maçonaria simbólica, numa Loja francesa em 11 de Novembro de 1805. Sobre essa cerimónia existe um documento, guardado no arquivo do Supremo Conselho do Grau 33.° para a República de Venezuela. Desde que chegou a Paris, Bolívar frequentava a Loja "Mãe Escocesa de Santo Alexandre da Escócia", onde assistiu ao número regulamentar de sessões para se fazer credor da respectiva ascensão.»
«Em Maio de 1806, quando Bolívar já preparava sua viagem de regresso a Venezuela, foi elevado ao Grau de Mestre, na mesma Loja "Mãe Escocesa Santo Alexandre da Escócia"...»
«Nos últimos anos, apareceram provas da alta hierarquia maçónica do Libertador Bolívar, o qual não se limitou ao Grau de Mestre, antes chegou ao cume do escocismo, que é o Grau 33.°. O Libertador Bolívar, em 1923, tinha conseguido indiscutível prestígio continental.»
« Simón Bolívar, Libertador da América do Sul, Revolucionário e Maçon passou ao Oriente Eterno em 17 de Dezembro de 1830, na Quinta San Pedro Alejandrino, em Santa Marta...»
Estes apontamentos foram retirados do blogue A Partir Pedra, após adaptação e tradução do NMQI Rui Bandeira. AM

aperscrutadora.blogspot.pt

Violinista toca Durante a Cirurgia de Cérebro para ajudar Cirurgiões encontrar exactamente o Que estava causando tremor (Video)

Violinista toca Durante UMA Cirurgia de Cérebro Para ajudar Cirurgiões encontrar exatamente o Que ESTA causando Tremor (Video)

Violinista toca Durante UMA Cirurgia de Cérebro Para ajudar Cirurgiões encontrar exatamente o Que ESTA causando Tremor (Video)

A Carreira de Concerto violinista Roger Frisch estava los Perigo when ELE FOI diagnosticado com tremores Essenciais, EM 2009  , UMA condição leve in that OS Sinais Anormais São enviados a Partir de Seções Fazer Cérebro responsáveis ​​Pelo Movimento.
Demorou alguns años de convencer o Paragrafo Músico Minnesota Orchestra Paragrafo submétrico-se hum zumbido Procedimento experimental conhecida Como Estimulação Cerebral Profunda.
O Procedimento desenvolva de UMA Implementação de hum minúsculo eletrodo SEM Cérebro Paragrafo that Frisch podios Controlar SEUS tremores Pelo Simples toque de hum BOTÃO.
Os Médicos PODEM ver se o tremor ESTA respondendo AO eletrodo em Tempo real, mas oo o Porque a condição de Frisch era tao leve, Seu Cirurgião estava preocupado los Localidade: Não Ser Capaz de DiZer se o Dispositivo FOI Colocado No Ponto Exato los Seu Cérebro.

VEJA O VÍDEO


A Equipe Médica concluiu entao Que a Única Maneira de garantir Que o eletrodo estava Localidade: Não era Certo ter Frisch Tocar Seu violino Durante locais a Cirurgia.
De hum uma com a Acordo o Daily Mail  , um Acelerômetro FOI Colocado na ponta do arco de violino de Frisch, transmitindo SEUS tremores los hum Gráfico los UMA Tela de computador.
Cirurgiões implantados eletrodos, enquanto obser hum Tela, com Frisch Tocando violino Seu Paragrafo Gerar Como Leituras.
A Operação ocorreu na primavera passada e FOI UM SUCESSO Totais.
Frisch  Disse A Imprensa Ovation Cordas Visions  that SEUS tremores Atualmente, Obrigado "inexistentes" à SUA nova capacidade de Desliga-los com hum Dispositivo Portátil.
He Teve hum desempenho de longa-metragem apenas Três Semanas apos UMA Operação e, from entao, retomou SUA posição Como mestre Concert Associado.
H / T:   Daily Mail

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO - POLÉMICO OU NÃO VOU PUBLICAR ! - A farsa da morte de Eduardo Campos

A farsa da morte de Eduardo Campos

  Não foi um avião que caiu neste dia 13 de agosto em Santos

   Um país como o nosso, com a importância que tem e com o sérios problemas que precisa resolver não deveria avançar assim no século com candidatos a presidência tão distantes da realidade do país, tão pouco inteligentes e tão pouco capazes de liderar alguma mudança significativa no Brasil. Mas se estão lá, provam que são os que mais se adequam aos interesses de quem realmente manda no planeta. E se estão lá conquistaram esse direito por estarem de acordo com as maiores mentiras e falcatruas, atitude que é o que exatamente qualifica algum político a disputar qualquer cargo importante, especialmente a presidência de um país.
   
   E hoje mais uma tragédia vem somar a esse mar de lama imunda que é a disputa política. Uma tragédia estranha. Algo muito sério aconteceu no Brasil hoje, não podemos saber ao certo o que foi. Entretanto, seja lá o que aconteceu com Eduardo Campos e os ocupantes do Cessna 560XL eu arrisco afirmar: não foi um avião que caiu em Santos.
  Vamos aos fatos.


- O acidente aconteceu perto das 10:00 da manhã, mas somente por volta das 13:00 horas a notícia da morte do candidato começou a circular. Levou-se 3 horas para se apurar que ele estava na aeronave ou foi esse o tempo necessário para que se pudesse preparar tudo para que o fato tivesse verossimilhança? Continue;

- Todas as testemunhas ouvidas nas primeiras horas do acidente falam que um helicóptero caiu;

- Todas as testemunhas que viram algo caindo dizem ter visto uma bola de fogo, ninguém diz ter visto um avião caindo;


- Marcelo Burnie no Jornal Hoje entrevista um morador do local que teria ajudado nos resgates, que se emociona por duas vezes, e chega mesmo a chorar ao mencionar que reconheceu o corpo de Eduardo Campos entre as vítimas, a quem ele chama de "meu candidato". Entretanto, os relatos oficiais dizem que os corpos estavam despedaçados e que só com o exame de DNA seriam reconhecidos. Mentiu para se aparecer ou foi mal orientado e mentiu errado?;

- Uma aeronave com o tamanho da que teria caído em Santos, 16 metros de comprimento por 5,23 de altura, com mais de 5 toneladas de peso e com a velocidade do impacto não poderia ter causado estragos tão pequenos, são só alguns pedaços de parede destruídos, um bambuzal amaçado e estragos causados pelo impacto e estilhaços da explosão. Clique sobre as fotos deste post para ampliá-las e observar esse indício;

- Uma aeronave com o tamanho da que teria caído em Santos não poderia ter simplesmente desaparecido devido a explosão. Somente destroços bastante pequenos foram encontrados no local, não é possível que algum pedaço maior da fuselagem, como um pedaço da asa, por exemplo, não tenha sido encontrado. É como se tivessem se desintegrado. Em qualquer imagem do acidente isso chama a atenção;

- Se a explosão foi grande o suficiente para "desintegrar" a aeronave e os seus ocupantes, como que documentos dos ocupantes foram encontrados intactos? Como que um livreto ou manual de instruções, (confira aos 8:50 do vídeo abaixo) que na capa permite uma perfeita identificação da aeronave, foi encontrado praticamente intacto? Até os tubos das lentes das câmeras do fotógrafo foram encontradas em relativo bom estado... Como que exatamente itens que permitiriam a identificação do avião e de seus ocupantes são encontrados, mas o avião e seus passageiros e tripulantes "somem"?

- Uma curiosidade que circula pela internet, provavelmente uma bobagem, mas está aqui só para não descartarmos nada: "o acidente se deu no dia 13, a morte de Eduardo Campos foi anunciada pela imprensa às 13 hrs, o nome Eduardo Campos tem 13 letras, Campos tinha 49 anos = 4 + 9 = 13, Santos tem o DDD = 13, o Numero da Dilma é 13", e somando-se a isso temos que o avô de Campos morreu também no dia 13 de agosto há 9 anos atrás.

- O vídeo abaixo trás a conversa dos bombeiros logo após o acidente, "Cara, os corpos explodiram! Tem pedaço de corpo aqui. Tem pedaço de corpo. Tem ossos e carnes". Aos 8:50 vemos como um livreto é encontrado intacto e no decorrer das imagens temos uma dimensão do quanto os estragos foram pequenos e de como o avião "desapareceu".

O estudo acima é um exercício de observação. Porém, me parece sim que faz sentido supor ou mesmo afirmar que não foi um avião que caiu hoje. Não houve ninguém que não tenha achado estranho o que aconteceu. Acompanhemos tudo atentamente. (Vide atualizações abaixo.)
nNÃO CONGUI FAZER A CONVERSÃO DO VÍDEO COM A GRAVAÇÃO DE VOZES DOS BOMBEIROS E IMAGENS

FICA O LINK DA POSTAGEM ORIGINAL - http://www.stevejobszombie.blogspot.com.br/2014/08/a-farsa-da-morte-de-eduardo-campos.html
   Uma atualização extraída do G1: O Corpo de Bombeiros concentra as atividades na tentativa de localizar a cabine da aeronave. Segundo o capitão Marcos Palumbo, o Cessna 560 XL caiu de bico e afundou três metros, ficando embaixo da laje de uma das casas atingidas no acidente. "A princípio, nós imaginávamos que outras partes do avião estivessem em edificações ao redor do local da queda, só que nós não encontramos a cabine, os bancos e os comandos da aeronave, que devem estar em algum lugar, possivelmente, enterrados. Acreditamos que, na hora que ela for removida, podemos ter surpresas em relação aos corpos das vítimas", explicou Palumbo.
   Acompanhemos tudo atentamente!

Atualização de 14/08/2014

 - Com o acidente de quarta, veio a tona a notícia de que Dilma sancionou uma lei em maio desse ano que torna sigilosa a investigação de acidentes aéreos no Brasil. Somente a Aeronáutica terá acesso ao conteúdo das caixas pretas. A polícia e o Ministério Público só terão acesso a esse conteúdo mediante autorização judicial. Uma lei muito conveniente para um governo que pretenda esconder alguma coisa em relação a queda de uma aeronave, não é mesmo?


- As últimas notícias falam da grande cratera escavada pelos bombeiros no local do acidente onde não foi possível encontrar sinais da cabine do avião. Contudo, puderam encontram a carteira com os documentos de Eduardo Campos.
   Sigamos atentos!!


www.stevejobszombie.blogspot.com.br


Cinemas onde vi filmes: Royal Cine - «Explicar às novas gerações o que é um cinema de reprise é quase o mesmo que falar-lhes do paleolítico. Na verdade, as grandes salas do eixo da Avenida da Liberdade (São Jorge, Tivoli, Condes, Éden) e outras da Baixa, que estavam quase sempre esgotadas com grandes estreias em cartaz (o último recurso era conseguir um bilhete na Agência Abep dos Restauradores), coexistiam com os cinemas de bairro,

Cinemas onde vi filmes: Royal Cine


A primeira vez que fui ao Royal Cine devia ter uns 12 ou 13 anos fui ver o filme italiano "Não Sou Digno de Ti" com a supervedeta da altura Gianni Morandi. Mais tarde, na época em que fui várias vezes ao Royal (1971), creio que tinha sessões continuas que começavam ás 14h ou 15h. Não tenho a certeza disso mas se não tinha sessões continuas; tinha sessões todos os dias á tarde e á noite. Recordo que trabalhava na Utilmóvel (máquinas de café FAEMA) na rua Vale de Santo António e íamos almoçar perto do Royal a uma tasca de um galego logo a seguir ao bairro Estrela de Ouro, que tinha uns preços em conta e muitas vezes aproveitando ir fazer algum recado, ia ver a sessão da tarde e lá tinha que arranjar uma boa desculpa para o atraso. uma das vezes a coisa foi demais (talvez o filme fosse muito grande) e o atraso foi demasiado e tive de ouvir os gritos do chefe (Sr. Armando?) a dizer "qual é a desculpa" e "se não for boa vais ser despedido" e eu fui metendo os pés pelas mãos até que mostrando-lhe o bilhete do Royal confessei que tinha ido ver determinado filme. O que valeu é que ele achou graça ao atrevimento e deixou passar. Depois disso sei que voltei lá uma vez em 1976 (creio) mas, não me recordo nem do filme. 
Para os queiram saber pormenores acerca do Royal Cine deixo-vos aí em baixo umas folhas do livro de Manuel Félix Ribeiro; "OS MAIS ANTIGOS CINEMAS DE LISBOA 1896-1939", que traz tudo ou quase tudo sobre a história do Royal Cine.

Royal Cine em 1977, ainda funcionava como cinema. 
Foto do Arquivo Fotográfico da CML.


«Explicar às novas gerações o que é um cinema de reprise é quase o mesmo que falar-lhes do paleolítico. Na verdade, as grandes salas do eixo da Avenida da Liberdade (São Jorge, Tivoli, Condes, Éden) e outras da Baixa, que estavam quase sempre esgotadas com grandes estreias em cartaz (o último recurso era conseguir um bilhete na Agência Abep dos Restauradores), coexistiam com os cinemas de bairro, espalhados por toda a cidade. Eram os templos das memoráveis sessões duplas, das reposições, de filmes com uma vertente popular ou de arte e ensaio, sujeitos por vezes aos cortes da censura: lembram-se do grito: "Ó marreco olha a tesoura!!!"?).» (José Vieira Mendes in, O Público, 07-08-2010)


OS MAIS ANTIGOS CINEMAS DE LISBOA 1896-1939
de Manuel Félix Ribeiro

 páginas referentes á história do Royal Cine. 


Clique para poder ler


Anuncio no Diário de Lisboa em 1929.

O Royal Cine abriu com este filme em 1929


"Um filme de qualidade marcou a estreia a 26-12-1929 do Royal Cine - "O Cadáver Vivo" (Zhivoy trup, 1929) filme de co-produção russo-alemã, dirigido por Fedor Ozep e tendo como protagonista Pudovkine, um dos grandes do cinema da grande época russa que, por momentos, deixaria a direcção cinematográfica para ser o notável interprete da principal figura do romance de que Tolstoi era o autor." (Manuel Félix Ribeiro)

Crónica no Diário de Lisboa em Abril de 1930.

O primeiro filme "sonoro" em Portugal estreou no Royal Cine em 1930

«Em 1926, a produtora Warner Brothers lançou o primeiro sistema sonoro, conhecido como Vitaphone, e, em 1927, produziu O Cantor de Jazz, de Alan Crosland, protagonizado por Al Jolson e que é considerado o primeiro filme sonoro. A transição do cinema mudo para o sonoro foi tão rápida que muitos dos filmes distribuídos entre 1927 e 1929, e que tinham começado seu processo de produção como filmes mudos, foram sonorizados depois para se adequarem a uma procura crescente do público. Foi o que aconteceu com White Shadows in the South Seas (Sombras Brancas nos Mares do Sul, 1928) de W.S. Van Dyke. O filme é conhecido por ser o primeiro filme da MGM (a última das grandes companhias a aderir o sonoro), a ser lançado com som pré-gravado. O som era composto por alguns efeitos sonoros, como o vento uivando, uma tempestade, árvores abanando e uma palavra "Olá". A produção em 1927 começou como um empreendimento conjunto entre o documentarista Robert Flaherty e a MGM com W.S. Van Dyke como segundo director e foi filmado no Tahiti, apesar dos créditos de abertura dizerem que era nas ilhas Marquesas. Flaherty, ao chegar ao Tahiti, começou a filmar o filme a um ritmo que não agradava à MGM e depois de discutir com Van Dyke, deixou a produção, deixando Van Dyke como único director do filme. Van Dyke iria terminar o projecto dentro do prazo. No entanto, Flaherty filmou algumas cenas antes de sair da produção, e algumas cenas suas podem ser visto na cópia existente.» (fontes: da net)

Anuncio no Diário de Lisboa em 1970.

Royal Cine (hoje supermercado), Junho 2010.
Foto de Luís Paiva Boléo in, www.panoramio.

citizengrave.blogspot.pt

MÁRIO HENRIQUE LEIRIA - SURREALISMO E CARBONÁRIA

Mário Henrique Leiria

Escritor: 1923 – 1980
Mário-Henrique Leiria
QUANDO TUDO ACONTECEU...
1923: A 2 de Janeiro Mário-Henrique Leiria nasce em Lisboa. - 1942: É expulso, em Lisboa, da Escola Superior de Belas Artes, talvez por motivos políticos. - 1949/51: Participa nas movimentações surrealistas portuguesas, entre as quais a obra colectiva Afixação Proibida. - 1952/57:Vários empregos: Marinha Mercante, caixeiro viajante, operário metalúrgico, servente de pedreiro, etc... Viaja pela Europa ocidental e central, também pelo norte de África. - 1958: Visita a Inglaterra. - 1959:Casa, em Lisboa, com uma rapariga alemã; dois anos depois o casal irá separar-se. - 1961: “Operação Papagaio” e MHL é detido pela PIDE. Parte para o Brasil. - 1970: Regressa aPortugal. - 1973: Publica Contos do Gin-Tonic. - 1974: Publica Novos Contos do Gin. Revolução do 25 de Abril, em Portugal. - 1975: MHL é o chefe de Redacção de O COISO, suplemento semanal do diário A REPÚBLICA Publica Imagem DevolvidaConto de Natal para Crianças e Casos de Direito Galáctico seguido de O Mundo Inquietante de Josela (fragmentos). - 1976: Adere ao PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) - 1979: Publica Lisboa ao voo do pássaro. - 1980: A 9 de Janeiro morre em Cascais (degenerescência óssea).

SURREALISMO E CARBONÁRIA

Quadro, sem título, de Mário-Henrique Leiria
 
Ó Mário-Henrique: conhecemo-nos em Lisboa, no Café Chiado, em 1951. Tinha eu uns 20 anos e tu eras mais crescidinho, terias uns 28. Lembras-te? Se não te lembras, lembro-me eu, tu sempre agitadinho e a provocar tudo e todos, militância surrealista, as coisas arrancadas do seu lugar habitual, humor negro, a tua rebeldia a oscilar entre as artes plásticas, a prosa e a poesia.
No interior de uma das casas de banho do Café há, na porta, um poema escrito com tinta ácida, impossível de apagar:
cagou
Pio XI,
Rei dos Ciganos.
Negas ser o autor mas desmanchas-te a rir e mais me convenço que o poema é teu.
O que tu adoras é choques em cadeia, dentro ou fora das casas de banho... Também te dá muito gozo atropelar os adeptos do “neo-realismo” (nome que, por causa da PIDE e da Censura, em Portugal se dá ao “realismo socialista” apregoado pelo camarada Zdanov). Aproximas-te da mesa do Manuel Ribeiro Pavia e começas a espicaçá-lo por causa das ceifeiras rechonchudas que não pára de esboçar, desenhar e colorir. O Pavia não te suporta, é trombudo por natureza, leva tudo a sério. Guarda os desenhos, fecha a pasta, levanta-se, vira costas, vai-se embora. Não desistes e começas logo a mordiscar o José Dias Coelho, aquele escultor, teu antigo condiscípulo na Escola de Belas Artes, aquele apóstolo comunista que a PIDE irá matar a tiro numa rua do bairro de Alcântara. Mas não consegues varar as suas naturais defesas, ele desmancha-se a rir com as tuas investidas e acaba por te dar um grande abraço. Saudade tens, saudade temos da fraterna inteireza do Zé Dias...
Andas sempre à porrada. Não só com os neo-realistas mas também com os surrealistas, os outros do teu grupo. Não vos entendo, é a briga do Césariny com o António Pedro, e depois tu para um lado e oALEXANDRE O’NEILL para outro enquanto na primeira sala do Café, sentado a uma mesa, o poeta António Maria Lisboa vai morrendo aos poucos, tuberculose. Apesar de vocês terem feito obras colectivas, como as colagens da Afixação Proibida, os vossos burrinhos estão sempre a puxar cada qual para o seu lado. Porrada, é só porrada... Até que um dia me dizes e passo a entender-te melhor:
- O meu avô é que era um gajo porreiro e muito giro. Pertencia à Carbonária. De segunda a sexta-feira trabalhava mas nos fins de semana fazia a Revolução. Ainda tenho lá em casa o bacamarte que ele usava contra a Monarquia...
Quero ver esse tal de bacamarte e tu convidas-me a ir a tua casa, uma vivenda em Carcavelos, a dois passos de Lisboa, à beira-mar, logo depois da foz do Tejo.
- Mas num domingo à noite, está a ouvir?
- Porquê domingo à noite?
- Tu vais ver...
E vejo. A vivenda onde moras, que foi dos teus pais, que é da tua mãe, fica próximo da estação dos Caminhos de Ferro, mesmo ao lado do cinema. À meia-noite subimos à torrinha e quando os espectadores começam a sair do cinema para a rua, tu empunhas o bacamarte do teu avô e começas aos tiros. Para o ar, mas aos tiros. A malta desata toda a fugir e tu a rir. E eu também, obviamente...
Só agora é que estou realmente a perceber-te: nas horas mais insólitas o teu gene daCarbonária resolve pôr os corninhos ao sol. Até de noite...
"OPERAÇÃO PAPAGAIO"
Mário-Henrique Leiria e mais uns tantos são detidos pela PIDE por causa de uma conspiração “surrealista” contra o Governo. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
 
Em Janeiro de 1954, antes que a PIDE me deite a luva, consigo dar o salto para o Brasil. Nas vésperas ainda tento dar-te um abraço de despedida. Não consigo, estás a viajar pela Europa, irás também ao norte de África, prémio que te concedeste depois de teres trabalhado quer na Marinha Mercante, quer como caixeiro viajante, operário metalúrgico, servente de pedreiro, e não sei que mais...
Já no Brasil saberei que em 1958 arregaçaste as mangas durante a campanha do Humberto Delgado à Presidência da República. E que em 1961 também estavas disposto a arregaçá-las quando da falhada revolta de Beja. Saberei ainda que te apaixonastes pela Dietlinde Hartel, a Fipsy, uma alemã, linda mulher. Com ela casaste, em Lisboa, em 1959.
Contar-me-ão também o que a maioria dos frequentadores do Café A Brasileira em 1961 já sabe, regabofe colectivo: tu, e um grupo de malucos, entre os quais Virgílio Martinho e o poeta António José Forte, estão a programar, de mesa para mesa e em voz alta, a revolucionária “Operação Papagaio”. Numa das próximas noites vocês propõem-se bater à porta do Rádio Clube Português, que fica na Parede, povoação mesmo ao lado de Carcavelos. Lá dentro há apenas um contínuo enquanto roda a bobine com o programa nocturno “Companheiros da Alegria”. A porta é aberta. Vocês apontam um revólver, imobilizam, amarram e metem o contínuo num cacifo que depois fecham por fora, a cadeado. Entram no estúdio e trocam a bobine por uma outra que trazem convosco. Esta contem marchas militares, também o Hino Nacional tocado frequentemente e, a cada cinco minutos, notícias sobre movimentações militares para derrubar o Governo. Termina convidando a população a deslocar-se á Baixa de Lisboa para saudar os militares vitoriosos.
Enquanto gira a nova bobine vocês retiram-se do Rádio Clube Português. Ficarão, pelas esquinas, a aguardar a reacção dos ouvintes que, esperam, seja de entusiasmo...
Quem não aguarda é a PIDE, que vos prende mas fora d’A Brasileira, para não dar nas vistas. Durante o interrogatório os agentes, volta e meia, correm para o corredor a desrolhar as gargalhadas. Vocês ficam detidos uns quatro ou cinco dias, talvez uma semana. Depois levam uns safanões e são postos na rua. O espaço já é curto para arrecadar tantos subversivos, quanto mais uns brincalhões inofensivos...

BRASIL

Mário-Henrique Leiria localiza a sua alemã no Recife, mas não a incomoda. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta aTábua Cronológica. 
Ainda em 1961 a Fipsy fica de lotação esgotada com os teus desatinos e passa-te as palhetas, regressa à Alemanha. Depois, atrás de uma nova paixão, pira-se para o Brasil. Inconformado, vais à sua procura. O curioso é que nas voltas e contravoltas legais do divórcio pedido pela alemãzinha, acabarás por te apaixonar por Isabel Alves da Silva, a advogada portuguesa da tua mulher, ou ex-mulher... A Isabel não resiste ao romance. Mas tu aqui e ela acolá, às vezes o Atlântico pelo meio, acaba a Isabel por se casar com um irlandês. O que não impede que vocês, durante uns 14 anos, troquem cartas de amor, muitas.Dirás tu: “O amor assim é mais barato...”
Em Abril de 1962 estou eu em São Paulo, sentado numa esplanada junto á Biblioteca Municipal, a beberricar uma cerveja. Levanto os olhos e vejo-te a passar, muito apressadinho.
- Mário, ó Mário-Henrique, ó grande sacana!
O grande abraço. Contas-me das tuas traduções de ficção científica para a colecção Argonauta. Sempre a conversar e a recordar os tempos idos, cruzamos a Itapetininga e descemos a Avenida de São João até ao Vale do Anhangabaú. Levo-te para minha casa. Apresento-te a minha mulher. Ela improvisa um jantar para o inesperado convidado. Acabas por felicitá-la pelo excelente caldo Knorr que, num instante, preparara. Gargalhadas e assim irrompe amizade bem-humorada...
Eu e a minha mulher temos três filhos com 7, 5 e 3 anos. Transformas os teus joelhos em cavalinhos e, enquanto os miúdos cavalgam, os teus dedos não se cansam de encharcá-los com cócegas desde o pescoço até aos pés...
Dois anos depois desapareces, perco a tua pista. Porém, por portas e travessas, saberei que localizaste a Fipsy em Recife. Mas não te aproximas, não a perturbas, ficas apenas a mirá-la, de longe, de muito longe...
Por essa época os problemas ósseos começam a atormentar-te. “Fiquei com um joelho (o direito) e um pé (o esquerdo) totalmente desarranjados, coisa que de vez em quando não me permite dar um passo e me chateia incrivelmente com dores”, assim te queixas, em carta de Dezembro de 64, à advogada Isabel, tua paixão fora de esquadria.
Em 74 dir-me-ás que andaste pelo Brasil a preparar standspara exposições, a encenar peças, a dirigir uma editora. Acredito que tudo isso tenha realmente acontecido. Mas quando depois me dizes que também andaste na luta armada contra a ditadura militar brasileira e contra outras ditaduras sul-americanas, tremo todo... Acho que voltaste às colagens surrealistas, “o que gostarias de ter feito” pespegado a cuspo sobre “aquilo que realmente fizeste”. Ai Papagaio Papagaio, ai Carbonária...

GIN-TONIC

CONTOS DO GIN-TONIC; a capa também é de Mário-Henrique Leiria
NOVOS CONTOS DO GIN; a capa também é de Mário-Henrique Leiria.
 
Sei que voltaste a Portugal em 1970. Reencontramo-nos em Lisboa em 74, depois do 25 de Abril. Tu empenado porque, só para te chatear, a tua estrutura óssea começa a desabar...
Eu bem sabia que em 73 lançaras os Contos do Gin-Tonic e nos princípios de 74 os Novos Contos do Gin. Mas só depois da Revolução dos Cravos é que a tua prosa pega como fogo em palheiro, sucessivas edições de um e outro livro. Como é possível a surrealidade converter-se de repente em best seller? Tenho um exemplo à mão que talvez explique o fenómeno: durante a maré-cheia de Abril os meus três filhos navegam da adolescência para a juventude. E é a ti, ó Mário-Henrique, é justamente a ti que eles escolhem para figura emblemática do vendaval. Os teus contos e os novos contos doGin-Tonic, por causa da irreverência e rebeldia, são para eles apetitosas cartas de marear. Está explicado? Faço-me entender?
Já tinhas dado à sola desta vida quando o actor Mário Viegas, no teatro e natv, começou a interpretar os teus Contos do Gin-Tonic. Nós de olhos fixos ora no palco, ora na tela, pontaria, garra e graça, ver e ouvir, ao mesmo tempo fruir dois Mários, o Leiria a escrever, o Viegas a dizer. Pena que não tivesses assistido aos espectáculos, bem sentimos a tua falta. Em 96 o Mário Viegas passou-se para o Além, também ele. Acho que foi à tua procura.
Agora, para recordar os velhos tempos, vou beber, de enfiada, nove dos teus copos de Gin-Tonic. Aí vou eu, aí vens tu:
TORAH
Jeová achou que era altura de pôr as coisas no seu devido lugar. Lá de cima acenou a Moisés.
Moisés foi logo, tropeçando por vezes nas lajes e evitando o mais possível a sarça ardente.
Quando chegou ao cimo, tiveram os dois uma conferência, cimeira, claro. A primeira, se não estou em erro.
No dia seguinte Moisés desceu. Trazia umas tábuas debaixo do braço. Eram a Lei.
Olhou em volta, viu o seu povo aglomerado, atento, e disse para todos os que estavam à espera:
- Está aqui tudo escrito. Tudo. É assim mesmo e não há qualquer dúvida. Quem não quiser, que se vá embora. Já.
Alguns foram.
Então começou o serviço militar obrigatório e fez-se o primeiro discurso patriótico.
Depois disso, é o que se vê.
SEPARATA GRATUITA
O QUE ACONTECERIA
SE O ARCEBISPO DE BEJA
FOSSE AO PORTO
E DISSESSE QUE ERA NAPOLEÃO
Toda a gente acreditava que era. O presidente da Câmara nomeava-o Comendador. Iam buscar a coluna de Nelson, tiravam o Nelson e punham o arcebispo lá em cima. E davam-lhe vinho do Porto.
Então o arcebispo dizia:
- Sou a Josefa de Óbidos.
Ainda acreditavam que era, embora menos. O presidente da Câmara apertava-lhe a mão. Iam buscar o castelo de Óbidos, tiravam os óbidos e punham o arcebispo na Torre de Menagem. Além disso, davam-lhe trouxas d’ovos.
Nessa altura, convicto, o arcebispo de Beja afirmava:
- Sou o arcebispo de Beja.
Não acreditavam. Davam-lhe imediatamente uma carga de porrada. E punham-no no olho da rua. Nu.
CARREIRISMO
Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o.
Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua.
Voltou passados vinte e dois anos, com chofer fardado.
Era Director Geral das Polícias. Seu pai teve o enfarte.
ÚLTIMA TENTAÇÃO
Então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção. Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida.
Ficaram os dois numa desesperante frustração.
Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!
CONTABILIDADE FINAL
Parece mentira, mas ainda não recebi os rublos moscovitas. E esta, ein! Só tenho coisas que me ralem.
RIFÃO QUOTIDIANO
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
EXAGEROS
O Alfredo atirou o jornal ao chão, irritadíssimo, e virou-se para mim:
- Estes jornalistas! Passam a vida a inventar coisas, é o que te digo. Então não afirmam que, no Sardoal, foi encontrado um frango com três pernas! Vê lá tu! É preciso ter descaramento.
Ajeitou-se melhor no sofá e, realmente indignado, coçou a tromba com a pata do meio.
CASAMENTO
“Na riqueza e na pobreza, no melhor e no pior, até que a morte vos separe.”
Perfeitamente.
Sempre cumpri o que assinei.
Portanto estrangulei-a e fui-me embora.
HISTÓRIA EXEMPLAR
Entrei.
- Tire o chapéu – disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
- Sente-se – determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
- O que deseja? – investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.

O COISO

Mário-Henrique Leiria é o chefe de redacção deO COISO, suplemento do diário A REPÚBLICA. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta aTábua Cronológica.
 
Com Rui Lemus, Carlos Barradas, Couto e Santos e uns tantos outros, congeminas e a 7 de Março de 1975 és o chefe de redacção de O COISO, novo suplemento semanal do diário A REPÚBLICA. Provocação e humor negro a acelerar nas curvas, entrevistas apócrifas com Spínola, Kissinger, Hitler, Pinochet, Salazar, Marcelo Caetano, etc. efotomontagens a ilustrá-las; por exemplo, Kissinger a dançar empunhando uma foice e um martelo; ou o Spínola convertido em musculoso “cabo de mar” na praia de Copacabana... Mas a irreverência incomoda muitos dos jornalistas teus colegas. Nem sequer os comunistas a aparam lá muito bem, porque estás sempre a gozar com tudo e com todos, até com os chapéus, os gorros, os bonés, os barretes e as carapuças do camarada Brejnev... Na Redacção, por entre gargalhadas, quem frontalmente te apoia é o Fernando Assis Pacheco, também o Álvaro Belo Marques e poucos mais. Um dia preparas-te para publicar na primeira página de O COISO uma violenta caricatura não só à boina, mas também à cabeça do Raul Rego, o director d’A REPÚBLICA. Caricatura congelada pela direcção do jornal e eis a gota que faz transbordar a hostilidade entre o radicalismo m-l dos operários gráficos e o socialismo bem comportado da administração e da maioria dos redactores. Extremam-se posições. Na rua, frente ao jornal, enfrentam-se piquetes ora aplaudidos, ora vaiados pelo público que, de hora a hora, vai mudando conforme as mobilizações partidárias. A REPÚBLICA acaba por ser suspensa, fechada mesmo em 19 de Maio de 1975. Também O COISO, está-se a ver. Do suplemento lançaste 11 números. O último foi em 16 de Maio de 1975.
A fome começa a rondar-te porque os direitos autorais dos teusContos Novos Contos do Gin chegam sempre tarde e a más horas ao teu bolso.
VODKA & CIA. LDA.
CASOS DE DIREITO GALÁTICO, de Mário-Henrique Leiria; capa e ilustrações de Cruzeiro Seixas.
 
Apesar de cada vez mais empenado, ainda vais escrevendo e publicando:Imagem DevolvidaConto de Natal para Crianças,Casos de Direito Galáctico (de tradutor passas a autor de ficção científica) seguido de O Mundo Inquietante de Josela (fragmentos)Lisboa ao voo do pássaro
Para te ajudar a ultrapassar as dificuldades financeiras, uma jornalista reúne uns tantos amigos para, em conjunto, te comprarem mantimentos. Quando eles batem à tua porta, atiras as provisões pela escada abaixo e tratas de insultá-los. Não aceitas esmolas, de ninguém!
Sim, aquela escada da mesma e velha vivenda em Carcavelos. Ali moras agora com a tua mãe e uma tia, duas velhotas que já rondam os 90 anos. Também com o Vodka, um cão-linguiçatodo preto e encorpado, em cujo pescoço de vez em quando armas um laçarote encarnado, pois os canitos também têm direito à Revolução. Porém o Vodka não está muito interessado em revoluções, prefere abocanhar e fugir com as tuas peúgas. Corres, ou tentas correr atrás dele. Levantas a bengala, erras o alvo e acertas a porrada mas é nos costados da tua tia. Lá vai a velha de charola para o hospital de Cascais. Por cima do cancro que a devora, tem agora uma costela partida... Um sarilho!
DERRADEIRO FAX
 
A 25 de Novembro de 1975 o General Eanes e o Grupo dos Nove dão um golpe militar para travar Abril montado no esquerdismo galopante. Ficas muito preocupado, temes o regresso ao tempo da Outra Senhora, ao fascismo. Tratas logo de aderir ao PRP - Partido Revolucionário do Proletariado - da Isabel do Carmo e do Carlos Antunes, que insistem na acção armada para defender a Revolução.
- Ó Mário-Henrique: mas se nem uma bengala tu consegues segurar como deve de ser, quanto mais uma espingarda ou metralhadora...
Que te importa! O que é preciso é agitar a ideia da acção armada, ai CarbonáriaCarbonária
Muitas vezes vou bater à tua porta a convidar-te a dar uma volta de carro. Aceitas sempre. De Carcavelos vamos à praia do Guincho e depois subimos à Serra de Sintra. Gostas muito de ir até ao Cabo da Roca. Será por causa da paisagem agreste, ou por ser ali a ponta mais ocidental da Europa? Sabe-se lá o que se passa pelos teus miolos...
Em Janeiro de 1980 és internado no hospital de Cascais. Um lampejo, a Fipsy, a Isabel e, sem dares cavaco aos amigos, passas-te. És um chato!
Bem, acho que já acabei a evocação da tua vida e da tua obra, vou botar aqui um ponto final.
Espera, espera aí um instante que está a chegar um fax. Não me surpreende: é o São Pedro a lamentar-se que não desistes de converter o Império do Céu em República Popular do Purgatório.

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