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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Porto «O portuense é o homem mais dedicado, mais serviçal, mais bom homem. Sòmente há três coisas de que êle não gosta

Porto

«O portuense é o homem mais dedicado, mais serviçal, mais bom homem. Sòmente há três coisas de que êle não gosta – e nesse ponto é maus brincar com êle. Não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiosa bizarria.»

(Ramalho Ortigão, in “As Praias de Portugal”, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1943)


E recebe os lisboetas e os outros todos assim...













(Foto de Francisco Mendes)

(Foto de Francisco Mendes)


(Foto de Francisco Mendes)







picosderoseirabrava.blogspot.pt

DIGA-ME AS HORAS SE FAZ FAVOR !!!!

As Guerras Revolucionárias e Nacionais

As Guerras Revolucionárias e Nacionais


As Guerras Revolucionárias e Nacionais


A Revolução Francesa (1789), fez aparecer, simultaneamente, um dos primeiros Estado-nação e o primeiro exército nacional. A partir de então, os soldados, imbuídos do status de pertencimento a uma nação, não faziam mais as guerras do rei, mas as da pátria. Era a nação em armas, integrada pelos filhos da pátria, que nutriam grandes exércitos, utilizados para manter a ordem e combater os inimigos externos.
Napoleão Bonaparte (1769-1821), soube utilizar como ninguém o exército francês com um novo e mais agressivo sentido de mobilidade – seus soldados diziam que faziam a guerra com cavalos mais do que com as baionetas – e obteve vitórias por toda a Europa, à custa de grandes perdas de vidas humanas (as suas guerras vão matar um de cada cinco franceses nascidos entre 1790 e 1795). Foi derrotado, ao final, por inimigos que haviam aplicado os seus próprios métodos. Conheça um pouco sobre a trajetória de Napoleão através da historiografia.
Documento 1
Guerra, guerra, guerra…: as primeiras grandes vitórias de Napoleão na campanha de Itália (1796): “Soldados! Haveis em 15 dias alcançado seis vitórias, tomando vinte e uma bandeiras, cinqüenta e cinco canhões, várias praças fortes e conquistada a parte mais rica do Piemonte. Haveis feito 15.000 prisioneiros, morto ou ferido mais de 10.000 homens.”
Documento 2
Waterloo: última batalha e grande derrota de Napoleão (1815, Junho): “Eram 8 horas da noite. A fuzilaria extinguia-se pouco a pouco, e as nossas tropas tinham perdido a maior parte das suas posições. Para todos aqueles que sabiam o que era a guerra, a batalha estava perdida… A estrada achava-se já cheia de fugitivos de todas as armas e de todos os graus, que gritavam ‘Estamos traídos! Salve-se quem puder!’, e atropelavam tudo na sua passagem. A desordem chegara ao auge…”
No período entre 1815 e 1850, a França e outras regiões da Europa foram marcadas por movimentos revolucionários. Estes eram apoiados pela burguesia, cujo objetivo principal era conquistar o poder político e fazer valer os princípios liberais propostos pela Revolução Francesa.
Contavam também com o apoio popular, pois a maioria da população, principalmente os trabalhadores, vivia em condições miseráveis, sem direitos, oprimidos e sem liberdade.
Texto 4
O francês Eugène Delacroix (1798-1863) é considerado o pintor romântico por excelência. Delacroix apostou na força e na cor luminosa.
Tinha preferência por cenas de violência e paixão. Tratava os temas de suas obras com audácia, tornando-os eletrizantes pelo brilho e contraste de cores. Sua tela reúne o vigor e o ideal românticos em uma obra que se estrutura em um turbilhão de formas. O tema representa os revolucionários de 1830 guiados pelo espírito da Liberdade (simbolizados aqui por uma mulher carregando a bandeira da França).
Esta é provavelmente a obra romântica mais conhecida e foi o primeiro quadro político na história da pintura moderna.
O Romantismo caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. (
No século XIX, as idéias do nacionalismo e o expansionismo das nações européias articularam-se no mesmo contexto
histórico. A questão do nacionalismo – ideologia de legitimação dos Estados e dos povos em via de unificação – exerceu sua primazia sobre as relações internacionais. Nações orgulhosas de seus valores defenderam a sua identidade ao passo que os líderes políticos estavam cada vez mais ligados ao expansionismo.
Os ideais nacionalistas e expansionistas projetaram rivalidades dando origem a vários conflitos mobilizando parte da população européia em lutas, conflitos e guerras expressivas.
Neste período (séc. XIX), conviviam algumas nações já constituídas (como França, Portugal e Espanha) e impérios que reuniam várias nações, como o Reino Unido, ao qual pertenciam Índia, Escócia e Irlanda, e o Império Austro-Húngaro, do qual faziam parte regiões da Alemanha, Áustria e Hungria. Apenas na segunda metade do século XIX, a Itália se unificou constituindo-se, em 1870, como uma nação. O mesmo aconteceu com a Alemanha em 1871. A Guerra Franco-Prussiana (1870), entre franceses e prussianos fez parte deste contexto. Observe os 
documentos:
Documento 4
A guerra franco-prussiana de 1870, a 1ª. grande derrota capitulação de Metz: “Franceses, levantai vossas resoluções à altura dos terríveis perigos que fundem sobre a pátria… Metz capitulou… O general Bazaiane traiu… entregou, sem mesmo tentar um supremo esforço, 120.000 combatentes, 20.000 feridos, suas espingardas, seus canhões, suas bandeiras e a mais forte cidadela da França… Em menos de dois meses, 200.000 homens foram entregues ao inimigo… É tempo de nos recompormos, cidadãos, e, sob a égide da República, que estamos bem decididos a não deixar capitular, nem dentro nem fora, extrair do fundo das nossas desgraças a radiação da nossa moralidade e da nossa virilidade política e social…”
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Fernando Girão - Cai Neve Em Pleno Verão

Eu so sei viver assim - Fernando Girao

Amélia Muge - Nevoeiro

Eugénia Melo e Castro & Ney Matogrosso - Dança da Lua

BPN custou 2203 milhões aos cofres do Estado até ao final do ano passado





BPN custou 2203 milhões aos cofres do Estado até ao final do ano passado

Relatório do Tribunal de Contas revela o impacto da nacionalização do BPN nas contas públicas até Dezembro de 2013, mas valores finais serão sempre superiores.impacto negativo da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) nas contas públicas estava contabilizado em 2202,5 milhões de euros no final de Dezembro do ano passado. Os cálculos são do Tribunal de Contas, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, e constam do relatório de acompanhamento da execução orçamental da administração central, referente a 2013.
De acordo com este documento, agora divulgado, o despesa do Estado com o BPN, no ano passado, ascendeu a 472,9 milhões de euros, valor a que acrescem 1729,6 milhões de euros de perdas entre 2011 e 2012 (-746,9 milhões e -982,7 milhões, respectivamente). Ao todo, a despesa contabilizada com o BPN, nacionalizado há quase seis anos, ascende a 2543 milhões de euros, mas a este valor há que subtrair algumas receitas obtidas, como a venda de activos, que chegaram aos 340,4 milhões de euros (199,4 milhões em 2012 e outros 141 milhões no ano passado).
A análise do Tribunal de Contas dá conta do que, em termos de contabilidade pública, custou a nacionalização do BPN aos contribuintes até ao final de 2013, mas o número final será inevitavelmente maior. No entanto, só haverá valores definitivos quando já não houver nada para vender ou recuperar, e sejam assumidas todas as perdas, tal como ficou expresso no relatório da comissão parlamentar de 2012, formada para analisar a nacionalização da instituição financeira gerida por Oliveira Costa.
No documento da comissão parlamentar, presidida pelo PSD, estimava-se que o BPN representava até ao final de 2012 um encargo líquido de 3405,2 milhões para os contribuintes portugueses, um valor que inclui responsabilidades que ainda não foram abatidas em termos de contabilidade pública. O relatório dizia que, "no limite", as perdas poderiam "atingir 6509 milhões de euros, mais juros e contingências”. Isto seria, no entanto, se não houvesse qualquer encaixe de receita, o que não acontece, podendo assim o cálculo final rondar os cinco mil milhões.
Para já, o relatório do Tribunal de Contas recorda que, em 2013, “a Parups e a Parvalorem [duas sociedades veículo detidas pelo Tesouro para onde foram activos “tóxicos” e outros potencialmente recuperáveis] haviam orçamentado, em passivos financeiros, para reembolso à CGD, 3685,3 milhões, tendo a execução sido de 397,1 milhões de euros”.  “Da mesma forma”, acrescenta o relatório, “para as duas sociedades foi orçamentado 3739,8 milhões de empréstimos do Estado e concedidos 510,5 milhões”.
Por outro lado, a instituição destaca ainda que a Parparticipadas, outra sociedade veículo criada para lidar com o BPN, “apresentava no final de 2012 capitais próprios negativos de 203,6 milhões, podendo vir a constituir, também, encargos significativos para o Estado”. Isto porque, diz o Tribunal de Contas, poderá ser necessária a sua recapitalização, ou poderá haver perdas indirectas, se, por exemplo, “a empresa não venha a pagar o empréstimo que contraiu junto da CGD, cujo montante em dívida ascendia a 90 milhões de euros no final de 2012”. No final do ano passado, a Parparticipadas tinha diminuído o capital próprio negativo para 176 milhões.
A herança do BPN (comprado pelo BIC) ainda tem vários dossiers por resolver, como a recuperação de créditos e outros encaixes de receita, onde se incluí a polémica venda dos quadros de Miró e a alienação de participações sociais.
A 4 de Julho, as Finanças anunciaram a venda da BPN Crédito à Firmus Investimentos, por 36 milhões de euros. Este activo estava na esfera da Parparticipadas que, no dia anterior, tinha recebido uma injecção de 37,5 milhões de euros por parte do Tesouro.
O caso do BPN voltou à ribalta na sequência da intervenção no BES, com o Governo a garantir que, na actual operação, a história não se irá repetir. Logo após o anúncio da estratégia para o colapso do BES, dividido em “banco bom” (o Novo Banco) e “banco mau”, no actual quadro da união bancária europeia, o Ministério das Finanças enviou logo um comunicado onde sublinhava que “os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com a decisão”.  
No imediato, vão ser emprestados 3900 milhões de euros ao Fundo de Resolução, para ajuda a capitalizar a nova instituição, cabendo aos bancos outros 1000 milhões. Depois, o Estado irá receber no momento da venda do banco. Se o dinheiro não chegar para pagar o valor do empréstimo, o remanescente deverá ser pago em prestações.

Homicida de português morto em Londres condenado a prisão perpétua


Homicida de português morto em Londres condenado a prisão perpétua




O arguido Daniel Palmer foi hoje considerado culpado de agredir até à morte João Esteves, apenas quatro dias após o português ter chegado a Londres, em busca de emprego, e condenado a prisão perpétua. 

A sentença foi determinada hoje pelo juiz Jonathan Scott-Gall, que estabeleceu a prisão perpétua e um mínimo de 15 anos de prisão efetiva, após o júri ter dado um veredicto de culpado por homicídio, noticiou o jornal Crawley News, na sua página eletrónica. 
O júri tivera a alternativa de deliberar um veredicto de homicídio involuntário pois, durante o julgamento, o arguido de 24 anos confessou ter esmurrado várias vezes e estrangulado o português, mas em defesa própria. 
Segundo o relato do britânico, Esteves abordou-o de madrugada, numa rua de Crawley, localidade a cerca de 50 quilómetros a sul de Londres, primeiro para pedir tabaco, tendo depois exigido dinheiro e o telemóvel.
"Eu estava assustado. Para ser sincero, eu sabia bem o que iria acontecer. Como ele disse que tinha uma faca eu tive imediatamente receio pela minha segurança", alegou o arguido, citado pelo jornal Crawley News. 
Palmer afirmou que, após o português pedir desculpa, desistiu de chamar uma ambulância e aceitou ajudá-lo, mas um novo ataque levou-o a defender-se com um fio que usou para apertar o pescoço do agressor. 
Ao ver que João Esteves não se mexia, o arguido disse ter ficado "assustado" e "desesperado", pedindo a dois transeuntes que chamassem os serviços de emergência antes de abandonar o local.
"Eu sei que a coisa certa a fazer seria chamar uma ambulância e terei de viver com isso para o resto da minha vida", lamentou, ao ser confrontado pela acusação. 
O procurador Paul Valder, porém, pôs em causa a veracidade desta narrativa e pediu uma condenação por homicídio, pois foi uma mulher sem-abrigo que encontrou o português inconsciente no chão e pediu ajuda. 
Além de ter cadastro criminal e passado tempo na prisão, Daniel Palmer já tinha agredido nessa noite uma outra pessoa, razão pela qual tinha sido expulso de um "pub" em Crawley.  
Pelo contrário, o português, segundo Valder, foi descrito por outras testemunhas como estranho, mas simpático e bem-educado. 
O procurador questionou, citado pelo mesmo jornal, como é que "o pobre e desalinhado senhor Esteves assustou tanto Palmer que o fez esmurrá-lo, não uma vez mas duas vezes e deitá-lo ao chão". 
Nas alegações finais, lembrou ainda as fotografias e um vídeo, encontrados no telemóvel do arguido, com o português no chão, a tossir e a gemer, e os testemunhos de próximos do britânico. 
Amigos e familiares de Palmer descreveram, durante o julgamento, os telefonemas do arguido durante a madrugada, a pedir petróleo para eliminar o ADN que tivesse ficado no corpo da vítima.
Foi ainda mencionado que Palmer voltou ao local do crime várias vezes e falado com agentes da polícia, mas que recusou prestar declarações quando foi detido posteriormente naquele dia. 
João Esteves, de 45 anos, natural da região de Lisboa, tinha chegado de avião a Londres, apenas quatro dias antes, a 15 de janeiro, para procurar emprego. 
Segundo apurou a polícia do condado de Sussex, voltou ao aeroporto dois dias depois, onde dormiu enquanto procurava uma forma de pagar um bilhete de regresso. 
À segunda noite, agentes da polícia e funcionários de Gatwick encaminharam-no para uma instituição que dá apoio a pessoas sem-abrigo. 
A Crawley Open House, porém, terá recusado guarida, por já não ter camas disponíveis, quando João Esteves chegou, pouco depois das 22:00. 
Os funcionários da organização de solidariedade deram ao português uma bebida quente, comida e agasalhos e aconselharam-no a permanecer do lado de fora do portão até à hora de reabertura do centro, na manhã seguinte. 
O português foi encontrado inconsciente pela polícia pouco tempo mais tarde, às 03:25 horas de domingo, num beco próximo. 
Ainda foi assistido por paramédicos, antes de ser transferido para o Royal Sussex County Hospital em Brighton, mas acabou por morrer. 
A autópsia realizada confirmou que os ferimentos graves na cabeça, junto ao olho e boca, terão sido a causa principal, porém o médico legista Nathaniel Cary admitiu que os níveis elevados de álcool no sangue possam ter contribuído para a morte. 

Portugal 1940 - Fotos de Bernard Hoffman

Portugal 1940 - Fotos de Bernard Hoffman

"O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
E o colégio do ódio é a patriótica organização"
Ruy Belo 


A Mocidade Portuguesa vista por Bernard Hoffman. 1940.


Bernard Hoffman com a sua câmara na Praça do Comércio e em foto da wikipedia.


Bernard Hoffman (1913-1979), foi um fotógrafo americano, que trabalhou para a LIFE durante 18 anos. Ficou conhecido como o primeiro fotógrafo americano em Hiroshima e Nagasaki depois da bomba atómica ter sido lançada em 1945. Já tinha publicado várias fotos suas num post em 2011 (as melhores, em minha opiniãoVER AQUI desta viagem de Bernard Hoffman e da LIFE a Portugal. Em 1940 (entre junho e julho), Bernard Hoffman esteve em Portugal durante cinco semanas fazendo um trabalho fotográfico para a LIFE e era acompanhado por um editor e uma jornalista. 


 Três da nove páginas da reportagem da LIFE. Julho 1940.


Essa reportagem foi publicada em 29 de julho de 1940, e era bastante extensa (9 páginas) e depreende-se que a reportagem foi feita a convite? do governo de Salazar, tendo Bernard Hoffman e os outros, sido acompanhados desde os EUA, pelo Dr. Celestino Soares (que a LIFE diz ser um autor português e conferencista) que estava na América em uma missão para o governo português. 


Vista dos Açores antes de aterrar e policia açoriano olhando o interior do hidroavião (Pan American Clipper). 1940.


Viajaram desde Nova York num hidroavião (seria a inauguração de uma carreira regular?) de que a LIFE fez também uma extensa reportagem. Em Portugal o pessoal da LIFE passeou por onde quis, sem limitações (vê-se pelas fotos), sempre acompanhados pelo tal Celestino Soares e pelo ministro da propaganda (seria o António Ferro?) para todo o lado (é a LIFE quem o diz). 


 Hotel Aviz em Lisboa. Onde é hoje o Hotel Sheraton e o Imaviz. 
E Palácio do Buçaco. 1940.

“a opinião pública é indispensável ao governo dos povos, constitui por vezes um grande estimulante, 
mas nunca se deve perder, a bem da sua própria saúde, o controle da sua formação” (Salazar)

Salazar e Cerejeira: "O Roque e a amiga"; Estes dois mandavam em Portugal. 1940.


Convém não esquecer que estávamos em plena 2ª guerra mundial. O mais certo era que já tinham chegado a acordo sobre a base das Lages e tudo isto fazia parte de uma "limpeza" da imagem do regime de Salazar. Bernard Hoffman disse na LIFE, que gostou de quase tudo, excepto dos condutores de automóveis, que conduzem nas estreitas estradas a alta velocidade e que encontrou nos portugueses as pessoas mais simpáticas e hospitaleiras com quem ele já conviveu, e se ele não tivesse estado muito ocupado, poderia ter aceitado convites para almoço e jantar todos os dias. Mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que Bernard Hoffman esteve em Portugal, fez fotos, mas é pena que não tenha deixado indicações sobre os locais em muitas delas.


 Mosteiro da Batalha e Castelo de Guimarães. 1940.

 Pórtico do Mosteiro dos Jerónimos e barcos no Tejo com vista de Lisboa. 1940.

 Praia de Cascais e Cemitério dos Prazeres. 1940.

 O Elevador da Bica por Bernard Hoffman. 1940. Creio que já a tinha publicado.


Cais no rio Tejo (creio que ficava na zona de Cabo Ruivo), onde o hidroavião ficou ancorado, após o voo de 23 horas desde Nova York até Lisboa (parando nos Açores, para abastecimento). 1940.


 Palácio Marquês de Fronteira. Havia mais fotos destas e da família muito bem que lá vivia? 1940.

Maria Domingas, segundo a LIFE: Top movie star Maria Domingas, smiling. 1940.


(Fotos Bernard Hoffman e LIFE Archive)



citizengrave.blogspot.pt


ARTUR SEMEDO - Os paraísos perdidos de Artur Sem-Medo

Os paraísos perdidos de Artur Sem-Medo


Texto de
Maria José Mauperrin


Fase de Artur Semedo como galã dos anos 50.
Foto encontrada em serbenfiquista.com





Os fantasmas da infância e a paixão de representar de Artur Semedo

“Sou  o último dos marialvas”, afirmava o Barão de Altamira 
aos seus correligionários do Movimento Independentista de Olivença.


«Pode dizer-me as horas?», pergunta, na tarde solarenta, a jovem ao transeunte burguês  de jeans e blusão de cabedal.
«Não uso», responde ele, apontando para o pulso esquerdo com a mão direita, a única enluvada de negro.
«Porquê?» —, pergunto-lhe depois. «Por medo à morte?»
A questão parece surpreendê-lo. A Primavera chegou, o sol já dá um novo brilho às ruas, às pessoas. O Tejo corre lá ao fundo, mais rápido do que o trânsito denso que nos envolve. Volta-se, olha-me, e diz: «Quanto à morte, quando ela vier cá estou. Não a temo. Já estive, muitas vezes, com um pé nela. Quanto ao relógio, não uso porque não gosto.»
Ocorre-me que provavelmente os nomes influenciam os comportamentos. Como o de Semedo que, segundo Artur, é uma aglutinação de Sem-Medo, apelido original da sua família. Quanto ao nome de baptismo, não faz qualquer referência histórica. Não deixa contudo de salientar que, além de não gostar de usar relógio, não gosta, não admite, igualmente, «a traição e a delação», coisas, como diz, «que só se podem resolver com um lavar de honra».

Cartaz do filme Chaimite,de Jorge Brum do Canto, 1953; 
«talvez o maior papel no cinema de Artur Semedo».

«Dêem água ao menino!»

Como conceitos e preconceitos não se transmitem geneticamente, mesmo quando se descende dos Sem-Medo ou até do último dos marialvas, o Barão de Altamira, há que inquirir aonde se foram buscar.
«A minha educação castrense e à família militar», esclarece Artur Semedo.
Quando refere «família militar» estará a pensar mais no Colégio Militar do que na influência do seu pai, militar de carreira. No entanto, parece que a sua passagem pelos «meninos da Luz» não foi muito pacífica.
«Claro que não, embora tenha grandes e boas recordações desse tempo. Fui expulso. Houve um professor, o major Pato, que me acusou de estar a copiar no exame.»
E estava?
«Com certeza. A matéria não me interessava, porque havia de perder tempo a estudá-la? O professor mandou-me levantar e pôr em sentido. Eu respondi-lhe que isso só me iria fazer perder tempo e atrasar a prova. Isto foi considerado um desrespeito ao professor e as consequências foram a minha expulsão.»
Um desaire que esteve longe de frustrá-lo.
«O que eu gostava era de representar. Desde criança. Representava para a família, mas tinham de me pagar. E a assistência era numerosa. As criadas também assistiam. O que eu fazia era uma imitação do que via nos filmes. Uma das cenas que muito os impressionava era quando, em pleno Verão, vestido com um sobretudo de fazenda azul muito espessa (chamava-se fazenda Moscovo), com um cachecol enrolado ao pescoço, me arrastava pelo corredor da casa e entrava na sala a pingar suor, de boca aberta e olhos esbugalhados: Então a minha mãe gritava para a cozinheira, a Baziliza e para a Henriqueta, que era a criada de fora: «Dêem água ao menino, dêem-lhe água!».

Anuncio de uma peça de teatro no cinema Odéon às 18,30h, com Artur Semedo e a grande actriz Maria Lalande e anuncio da estreia de O Dinheiro dos Pobres (1956), o primeiro filme realizado por Artur Semedo.

Um militarão bonito

No entanto, apesar do «jeitinho do pequeno» para a arte de Talma, a escolha de carreira passou mais pela determinação do pai Semedo - «um militarão bonito» - do que pelas manifestas tendências criativas e artísticas do filho. E, assim, a ida para o Colégio Militar.
Embora os desígnios paternos não correspondessem aos desejos do jovem candidato a actor, hoje, à distância de quase seis décadas, Artur Semedo recorda sem amargura:
«Eu adorava o meu pai. Era um homem muito inteligente, e bonito. Arrasava corações. Provocou imensas paixões e uma delas teve um desfecho bem trágico. Uma irmã da minha mãe, divorciada, incapaz de resistir à grande paixão que sentia pelo meu pai, acabou por se suicidar. O encanto dele era o de saber ser terno e simultaneamente dominador.»
Faz uma pausa, como quem procura uma definição mais rigorosa, e diz, a rir: «Havia nele qualquer coisa de farinha 'Lacto-Búlgara' (era a que se dava aos bebés, nesses tempo) e de cheiro a cavalariça.»
A mãe aceitava essas paixões...
«... Mal, como seria de esperar. Por vezes, tinham discussões terríveis. Eu ficava então muito triste, sobretudo porque gostava muito dele», volta a repetir. «Eu usei-o muito, aliás como uso tudo aquilo de que gosto: Era de facto um militarão, mas também um homem de grande “charme”.»
Excerto de Malteses, Burgueses e às vezes, de Artur Semedo, filmado em 1973 e estreado em 11 Abril 1974, 20 anos depois do primeiro filme. Carregado no youtube por paulomfcunha em 28-10-09.

COPIE O LINK ABAIXO COM O RATO E COLE NO YOUTUBE

http://youtu.be/nlCZpGpjsXg


Acumulação de memórias

A tarde ia pelo meio. Acabara de ver o último filme de Artur Semedo. Sentado junto à janela que já foi montra de mercearia, resguardada por uma cortina de «filet», suspensa de um varão de latão doirado, o realizador de O Barão de Altamira, entre plantas e um enorme espelho do século passado, de moldura pintada a oiro, copo cheio de sumo puro de laranja – «não bebo álcool, estou a antibióticos» - ilude perguntas, salta de história para história e fala, fala, sobretudo da sua vida - que ele avalia como «cheia».
Ainda que o requintado ambiente do bar fizesse lembrar alguns dos «climas» de filmes de Visconti, o cinema foi o grande ausente na conversa corn o realizador.
Ou talvez não. Porque não será antes esta forma narrativa de «flash-back» permanente, este saltitar de história para história, de assunto para assunto, numa quase total incapacidade de se fixar apenas numa ideia, e de trabalhá-la, uma das características dos filmes de Artur Semedo?
«Talvez que essa acumulação de memórias, essa sobrecarga de referências que você diz ter sentidono meu filme, tenha a ver com as poucas oportunidades que há, entre nós, de fazer cinema. Eu tenho, em cada filme, uma enorme necessidade de esgotar o que tenho cá dentro», diz.
Quando fala em «esgotar o que tenho cá dentro», e ainda que no decorrer da conversa apenas se tenha referido ao seu pai, lembro-me da «Mãezinha» de O Barão de Altamira. E pergunto-lhe: esta «Mãezinha» é um exorcismo de algum dos seus fantasmas de infância?
«Não, embora esta 'Mãezinha' tenha a ver com a minha infância, nada tem a ver com a minha mãe. A ideia ocorreu--me ao lembrar-me de uma frase que o meu avô, José Francisco, costumava dizer à minha avó, para lhe acalmar os receios da morte: `Deixa não te preocupes. Quando morreres, mando-te embalsamar e ficas aqui em casa'. A ideia ficou-me, e por isso a 'Mãezinha' do Barão é um manequim que recebe um tratamento igual ao das pessoas. Faz parte da família.»
Semedo não esgotara tudo o que tinha para dizer; a voz tem outro registo, mais lento e arrastado, quando volta a falar: «Isto tudo são coisas que estão dentro de mim e que algumas pessoas não entendem. Por isso há quem diga que o meu filme tem cenas que são autênticos 'videoclips'. Talvez tenham razão, mas eu não vejo assim. Tudo isto faz parte da minha pessoa.»
Como cineasta sente-se próximo de algum outro em particular?
«Eu não me sinto um cineasta como os outros. Posso até estar a fazer um cinema diferente, até um anticinema, não sei. A partida não tenho essa preocupação.  Também não me coloco na faixa dos nossos cineastas, ainda que respeite grande parte deles.»





O Rei das Berlengas (filme completo) de Artur Semedo (1978). Com Mário Viegas 
a fazer vários papeis. Carregado por hardb0p em 31-12-09.

Mário Viegas e Artur Semedo em foto sem data nem local. Mas, de certeza na época de O Rei das Berlengas (77/78), ao fundo vê-se umas arcadas que parecem o santuário de fátima, o que pode explicar o "ar de enterro", com que os dois estão. Foto encontrada em cavalinhoselvagem.blogspot

Pretérito e masculino

Corno diz Jorge Luís Borges, «não há paraísos que não sejam paraísos perdidos». É um pouco esta a ideia com que ficamos depois de ouvir Artur Semedo. Um Artur Semedo que abusa dos verbos no pretérito.
«Não tinha dado por isso», diz.
Também é evidente no seu discurso a importância que o elemento masculino tem na sua vida. Da infância refere o pai e o avô. Da juventude fala das «aventuras» que viveu com outros homens. Mesmo no seu filme, o Barão é casado com uma mulher meio tonta, a «Mãezinha» é de pasta de papel, a enfermeira é impudente e a «outra» é bonita mas estúpida. Nem sequer escapa a irmã do «alcaide» de Olivença. Será que O Barão de Altamira não é o último dos marialvas e que a inteligência, a amizade e a dignidade só são possíveis no masculino?
«De facto, eu tive um universo masculino. No meu tempo as mulheres não se misturavam com os homens. Digo, não fui habituado a ver na mulher uma amiga, uma companheira para os copos.»
As mulheres são apenas objectas de desejo?
«De paixão: Tive grandes paixões e fui correspondido. Mas isso acabou há vinte é cinco anos, quando conheci a Pilar, com quem continuo e continuarei casado. Sosseguei desde que a encontrei.»
Se tivesse de escolher entre mulheres, automóveis e cavalos, que escolheria?
«Tudo. Das mulheres já falámos. De cavalos digo-lhe que sempre gostei muito e que fui um óptimo cavaleiro. Melhor do que o meu irmão, que entrava em concursos. Quanto aos automóveis, foi uma paixão que começou na minha infância. Outra influência do meu avô. Ele era um homem todo para a frente. Começou por ter uma moto e depois foram os carros. E eu, miúdo pequeno, sentava-me ao volante e, com o carro parado, fingia que guiava. E também à mesa com os pratos. Brrrumm, brrumm, e lá ia pela mesa fora até derrapar. E a minha mãe a gritar: `Está quieto, Artur, está quieto'.»

O Barão de Altamira (1986) de Artur Semedo; Rosa Lobato Faria, Artur Semedo, Isabel Mota e actor desconhecido. Foto copiada do jornal Se7e.

Uma história de automóveis

paixão pelos carros e pela velocidade levou-o a comprar um «carrão», a meias, com o Manuel da Fonseca. E a história vem a seguir:
«Um dia resolvemos vir a Lisboa, para a farra. Quando chegámos a Setúbal, o  carro começou a falhar. Tivemos de  ir procurar uma garagem e lá fomos dar com uma, onde estava um homem (bem, não sei se lhe hei-de chamar senhor), que reparou avaria. Quando lhe perguntei quanto custava, ele disse que não era nada. Então o Manuel da Fonseca chamou-me á parte e disse: “Temos de lhe dar uma gratificação. Quanto há-de ser?” Dez escudos, digo eu. Agradeci ao homem e estendi-lhe os dez escudos. Com um ar atrapalhado, ele recusou, mas agradecendo. E nós a insistirmos. E ele a recusar. Até que se voltou para nós: Desculpem, não posso aceitar. Guardem o vosso dinheiro, que a mim não me faz falta. Sou um dos homens mais ricos de Setúbal. Três anos depois, estava a bater-lhe à porta para lhe pedir dinheiro emprestado – para fazer uma 'tournée' a África. E ele emprestou. E eu paguei-lhe.»
Artur Semedo gosta de dizer que é homem de boas contas. Porém, ao contrário do que chegou a constar, não usa uma luva preta para pagar uma promessa. Ele explica: «Eu estava a filmar Sofia e a Educação Sexual, do Geada. Na cena, eu segurava um balão de conhaque, daqueles grandes. Talvez pelo nervosismo que há sempre que se começa a filmar, apertei o copo com demasiada força e os vidros cortaram-m os tendões da mão direita. Fui sozinho para o hospital, fui operado e fiquei com menos de 50 por cento de mobilidade na mão, além de uma híper sensibilidade. Foi por isso que comecei a usar luva. Hoje faz parte da minha imagem. Uso-a sempre preta para não desgostar os meus fãs.
Também o Barão de Altamira não dispensa a sua luva negra. Talvez que também ele a use para não desgostar os seus correligionários. Talvez que também ele tenha tido um avô «todo para a frente», um pai «militarão, mas cheio de charme». Só o que ele não consegue ter é a quase irresistível comunicabilidade de Artur Semedo.

Maria José Mauperrin
Jornal Expresso 
12 Abril 1986


O Barão de Altamira: Artur Semedo com Zita Duarte e  com Silvia Rato e Manuel Dias. 
Fotos copiadas de jornais.

Noticias  de O Barão de Altamira: Ante-estreia na Cinemateca; 
participação dos Trovante e critica de José Vaz Pereira.

 O Querido Lilás (1987) e Um Crime de Luxo (1991), os dois últimos 
filmes de Artur Semedo, ficam para outra oportunidade.
Fotos da net.


''O Benfica nunca perde ás vezes é que não ganha''
Artur Semedo



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