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terça-feira, 22 de julho de 2014

Crianças expostas à religião desde cedo têm dificuldades em distinguir ficção e realidade

Crianças expostas à religião desde
 cedo têm dificuldades em 
distinguir ficção e realidade

As crianças que são expostas a ensinamentos religiosos desde muito novas revelam dificuldades em distinguir ficção e realidade, segundo um novo estudo publicado na edição de julho da revista científica "Cognitive Science".
Os investigadores confrontaram crianças de cinco e seis anos de escolas públicas e paroquiais com três tipos de histórias - religiosas, fantásticas e reais - para perceber até que ponto as crianças conseguiam identificar nas narrativas elementos ficcionais ou impossíveis.

O estudo concluiu que, dos 66 participantes, as crianças que iam à igreja ou frequentavam escolas paroquiais eram significativamente menos capazes de associar elementos sobrenaturais, como animais falantes, à ficção.

Quando relacionavam eventos religiosos impossíveis conseguidos através de intervenção divina, como a transformação por Jesus de vinho em água, com narrativas ficcionais, estas crianças recorriam à religião para os justificar.

"As crianças expostas à religião tinham maiores dificuldades em classificar as personagens das histórias fantásticas como sendo a fingir, e em linha com este equívoco, relacionavam-nas mais com a realidade e menos com a impossibilidade do que as crianças" sem educação religiosa, conclui o estudo.

Recusando hipóteses anteriores que sustentam que as crianças "nascem crentes", os autores sugerem que "o ensino religioso, especialmente a exposição a histórias de milagres, criam nas crianças uma maior e mais genérica recetividade ao impossível".

Ou seja, "uma aceitação mais abrangente de que o impossível pode acontecer e desafiar a ordem comum".

Os resultados do estudo sugerem que a exposição à religião tem um forte impacto na distinção entre realidade e ficção, não apenas em histórias religiosas, mas também quando se trata de histórias fantásticas.

Em todo o mundo, mais de oito em cada 10 pessoas identificam-se com um grupo religioso.
O Pew Research Center, dos Estados Unidos, estima que existam em todo o mundo 5,8 mil milhões de adultos e crianças com filiação religiosa: 2,2 mil milhões de cristãos,1,6 mil milhões de muçulmanos, mil milhões de hindus, 500 milhões de budistas e 14 milhões de judeus.

Cerca de 400 milhões de pessoas têm crenças populares e tradicionais africanas, chinesas ou australianas e 58 milhões pertencem a religiões como a Baha'i, Taoismo, Xintoísmo entre outras.
Uma em cada seis pessoas em todo o mundo (1,1 mil milhões) não tem ligação religiosa.

* Até que enfim alguém tem a coragem de afirmar o que se sabe há muito, não há melhor maneira de manietar um povo do que o dopar com religião.



apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

Académico israelita recomenda violação de palestinianas para impedir atentados Académico israelita recomenda violação de palestinianas para impedir atentados Mordechai Kedar, um professor de Literatura Árabe na Universidade de Bar-Ilan e antigo membro dos serviços secretos israelitas, invocou o seu conhecimento da mentalidade palestiniana

Académico israelita recomenda violação de palestinianas para impedir atentados

Académico israelita recomenda violação de palestinianas para impedir atentados

Mordechai Kedar, um professor de Literatura Árabe na Universidade de Bar-Ilan e antigo membro dos serviços secretos israelitas, invocou o seu conhecimento da mentalidade palestiniana para recomendar, num programa de rádio, a violação de mulheres palestinianas como forma de fazer pensar duas vezes os seus familiares que se sintam tentados a cometer atentados suicidas. O próprio entrevistador distanciou-se imediatamente do que acabava de ouvir.

As palavras exactas de Mordechai Kedar, citadas no site do Alternative Information Center  (AIC), de Jerusalém, são as seguintes: "A única coisa que pode deter um bombista suicida é saber que, em caso de captura [de quem? - a tradução inglesa não é clara], a sua irmã ou a sua mãe serão violadas".

E explicou também que "é a cultura" e que "isto é o Médio Oriente", acrescentando ainda que "não falei do que fazemos ou deixamos de fazer. Falo sobre a realidade: a única coisa que pode travar um bombista suicida é ele saber que, se aperta o gatilho, a sua irmã será violada".

O AIC fornece o link para o programa de rádio, em hebraico no programa diário intitulado Hakol Diburim, da Israel Radio Bet. O entrevistador, Yossi Hadar, reagiu à bombástica afirmação do entrevistado dizendo que "soa mal [...] Claro que não podemos tomar medidas dessas".

Kedar foi, durante 25 anos, um perito dos serviços secretos israelitas para os grupos islamitas. Hoje é investigador no "Centro Begin-Sadat para Estudos Estratégicos" na Universidade de Bar Ilan e director do centro "Israel Academia Monitor", que se dedica a policiar as opiniões menos conformistas de outros académicos. A Universidade de Bar Ilan é também aquela de onde veio Yigal Amir, o jovem de extrema-direita que matou Isaac Rabin.

DEPUTADOS À BULHA NA UCRÂNIA POR CAUSA DA QUEDA DE AVIÃO DA MALÁSIA AIR - VEJA O VÍDEO







Deputados ucranianos envolvem-se em confrontos em debate sobre queda de avião

Pouco depois do Parlamento da Ucrânia aprovar a mobilização de reservistas para combater os rebeldes separatistas no leste do país, vários deputados envolveram-se em confrontos no hemiciclo em Kiev. Isto quando o deputado do partido das regiões, próximo do antigo presidente Viktor Yanukovych, apontou o dedo às autoridades ucranianas pelo falhanço no cessar-fogo e por manter uma guerra contra o povo ucraniano. Um discurso que provocou a ira de vários deputados, em pleno debate sobre o avião que terá sido abatido pelos rebeldes pró-russos em território ucraniano. Uma sessão que começou precisamente com um minuto de silêncio em memória das quase trezentas vítimas do voo da Malasya Airlines e que acabou em violência. A sessão ficou ainda marcada pelas acusações do presidente da Assembleia Ucraniana, que acusou a Rússia de agressão militar contra Kiev e de financiar os rebeldes com homens e armas, enviadas por Moscovo para o leste do país.


O DEPUTADO DO RABO DE CAVALO EM TODOS OS VÍDEOS QUE TENHO PUBLICADO ESTÁ EM TODAS

O ÚLTIMO DIA DA FÁBRICA STEPHENS NA MARINHA GRANDE - A REAL FÁBRICA DE VIDROS DA MARINHA GRANDE

A Fábrica STEPHENS da Marinha Grande


O último dia
Fotos LUIZ CARVALHO
EXPRESSO, 13 de Junho de 1992





A Stephens fechou e houve quem chorasse por ela.
«A Marinha já não o que era»


ISABEL Constâncio desligou a máquina naquela derradeira manhã — a acompanhava no seu dedicado trabalho de operária vidreira da Fábrica Stephens. «Não sei como vou poder ficar em casa a ouvir as sirenes de outras fábricas». As lágrimas caem-lhe pelo rosto, como se esta mulher — de aparência tão forte — representasse o papel de heroína de um filme a preto e branco da fase neo-realista italiana.


O último dia da Fábrica Escola Irmãos Stephens começou como qualquer um dos outros milhares de dias que preencheram os mais de duzentos anos da história da Marinha Grande. Cada operário ocupou o seu posto como se fosse cumprir uma missão superior. O fiscal da linha de fabrico continuava a rejeitar, com um X desenhado a tinta vermelha, as peças imperfeitas; o olhar de cada trabalhador seguia, atento, cada uma delas a desfilar rumo ao armazém. 


No final do dia, todos deixaram a fábrica arrumada, pronta para reabrir no dia seguinte, não obstante cada um deles compreender, com precisão, a inutilidade dos seus últimos gestos, o patético da rotina, a impossibilidade de qualquer esperança. O enorme espaço vazio transformou-se numa espécie de catedral — um monumento ao dia findo e aos milhares de dias que o precederam, até ao tempo em que esta e outras fábricas fizeram nascer a cidade, sem preverem tão injusta recompensa. Envolta já no lusco-fusco da tarde, ela parece, agora, eterna, perene, quase tão mágica como o cristal que fabricava.


ANTÓNIO Loureiro guarda num saco o que lhe resta das recordações daquele mundo que o transformou num especialista do cristal: uma cassete de música avulsa, um totoloto falhado, um comunicado sindical e por fim, quando já atravessava o portão de ferro forjado, a sua ficha de operário dedicado, que um colega lhe passou para as mãos. Em poucas palavras a ficha descreve a sua história e a de muitos outros que, sendo outros, são os mesmos. No primeiro dia de Setembro do ano de 1960, foi admitido. 


Recebia 12 escudos, diariamente. No verso, onde tinham registo as sanções disciplinares, a folha é orgulhosamente branca. António Loureiro é irrepreensível e não foi seguramente por sua culpa que a Fábrica fechou. Olha, uma última vez, para trás. A chaminé ainda fumega, mas já sem o fôlego dos dias felizes. Os fornos começaram a arrefecer há já alguns dias, mas uma morte, nem por ser programada, é menos triste. Nem sequer de eutanásia se trata, que nem todos os que dependiam daquela vida consentiram no seu fim. António caminhou para o largo fronteiro e juntou-se aos seus 200 colegas que, reunidos, se preparavam para prestar uma derradeira homenagem ao «ex-libris» da Vila.





DISCURSOS, flores, lágrimas, e meia dúzia de punhos já erguidos com timidez, quando o orador, sindicalista, ainda grita: «A luta continua.»
Uma operária exclama: «Fomos enganados! Mataram a nossa alma! Esta Marinha Grande já não é o que era». Tem razão — que é feita da vila operária, das tradições da greve geral de 1934? Como pode haver «vanguarda» se as novas fábricas de moldes funcionam com computadores e meia dúzia de operários?


Não foi só a Stephens que morreu, com ela foi-se a alma de muita gente. Ali se formaram gerações daqueles operários que vinham nos livros: com espírito de classe, solidários, firmes como o aço e transparentes como o vidro que fabricavam. Agora restam-lhes as palavras escaldantes que contrastam com o arrefecimento dos fomos que alimentaram a Fábrica e o espírito de luta de quem lá trabalhava. 


Também a luta arrefeceu, dando lugar à resignação. Podem dizer, como disseram, que o encerramento da Stephens é anti cultural, que é uma perda histórica, que é contra os trabalhadores e o povo da Marinha, mas sabem, de antemão, que é impossível voltar atrás. Todos os tempos deixam saudades, mesmo os piores, aqueles de uma jorna de 12 escudos — e todo o presente cria revolta. Pelo passado e pelo presente se gritam, em tom de futuro, as palavras mágicas de quem nada mais pode dizer — «A Luta Continua! A Luta Continua! A Luta Continua!» Uma operária destaca-se do grupo e, de câmara fotográfica em riste, tira o último retrato.
Os tempos mudaram...

EXPRESSO, Sábado, 13 de Junho de 1992



Fotos Luiz Carvalho, copiadas do jornal Expresso




A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande

Foto da gravura encontrada em marcasdasciencias.fc.ul.pt

(...) Após a morte de Guilherme Sephens a fábrica passou a ser administrada pelo seu irmão, João Diogo, que, apesar de algumas dificuldades, nomeadamente durante as invasões francesas, manteve um extraordinário desenvolvimento e progresso. Em 1826, João Diogo faleceu deixou em testamento a Fábrica à “Nação Portuguesa”. Demoraria cerca de dois anos até que o governo decidisse que, não tendo capacidade para administrar a Fábrica, iria abrir concurso para a sua exploração. Entre 1827 e 1919 a Fábrica conheceu vários arrendatários e tempos de prosperidade, realizando grandes projectos que desenvolveram tecnologicamente a Fábrica, produzindo vidro de grande qualidade, e períodos de grandes dificuldades, chegando mesmo a encerrar e os trabalhadores terem de procurar emprego na construção de estradas ou limpezas do pinhal.
Em 1919 o Governo decide iniciar a sua exploração através de Comissões Administrativas. Destaca-se o período (1928-1966) em que a administração esteve a cargo do Engenheiro Acácio Calazans Duarte. Além do grande desenvolvimento tecnológico que deu à Fábrica, passou a ser obrigatório a formação dos aprendizes dos sectores de decoração, pelo menos em desenho e a frequência da escola nocturna da Fábrica, pelos menores analfabetos que ali trabalhavam. 
 A partir de 1954 um novo regulamento reformula a Fábrica, transformando-a num centro de desenvolvimento da indústria vidreira. Passou a designar-se Fábrica Escola Irmãos Stephens. Fabricava cristalaria de qualidade, desenvolveu a vertente artística do vidro, tendo contado com algumas parcerias, entre elas, com a Escola Nacional de Belas Artes. Em 1957 passou a ser superintendida pelo Instituto Nacional de Investigação e em 1977 passaria a Empresa Pública, conhecendo várias administrações até ao seu encerramento em 1992. Em 1993 foi adquirida pelo dinamarquês Jorgen Mortensen e reactivada. Actualmente já não de encontra em laboração.

citizengrave.blogspot.pt

A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande




Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande], ca. 1865?]

SILVA, Francisco Augusto Nogueira da, 1830-1868
[Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande] [Visual gráfico / Nogueira da Silva ; [grav.] Alberto. - [S.l. : s.n., ca. 1865?]. - 1 gravura : madeira, p&b. - Data provável baseada no período de actividade dos autores. - Dim. da comp.: 7,5x25,1 cm (Biblioteca Nacional)

A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande surge na sequência do encerramento da manufactura de Coina. A falta de combustíveis nesta região levou John Beare, seu administrador na altura, a transferir, em 1748, a tecnologia de Coina para a Marinha Grande, dada a abundância de matérias-primas, a areia, e de carburante nesta região, a lenha do Pinhal do Rei.
No dicionário geográfico, um manuscrito de 1758 é referido que “ há dentro desta vila e freguesia de Coina uma fábrica real que foy de vidro, a qual se acha damnificada e sem exercício há dês anos a esta parte por se mudar a mesma para o lugar da Marinha, termo da cidade de Leyria, e por este dezamparo se lhe perdem as madeiras que sam excellentes”.[1]
John Beare terá tido dificuldades em manter a unidade manufactureira em laboração. Em 1762, num relatório datado de 9 de Setembro, são descritos todos os problemas resultantes da instalação da Real Fábrica na Marinha.
Nesse relatório é referido uma Resolução Real de 23 de Agosto de 1749 para que fosse extinta a Real Fábrica devido aos grandes estragos ocasionados no Pinhal. A fábrica é acusada de consumir a melhor madeira, numa época em que toda a madeira de boa qualidade era enviada para a Ribeira das Naus, em Lisboa, para ser utilizada na construção naval. Além disso é acusada de ser responsável pela subida do preço pago aos carreiros. Estes preferem trabalhar para a Fábrica por um salário certo do que para o Estado.
Não conseguimos saber qual a data de encerramento da fábrica de Beare. No entanto, pensamos que em 1762 ainda se encontrava a laborar.
Em 1769 a administração da Fábrica é pertença de Stephens. Num documento dos Juízes do Officio de Vidraceiro é referido que apenas é permitido a Stephens “… a venda do dito vidro attacado, como sempre executara o seu antecessor Duarte Campeão”, pelo que é provável que depois de Beare, a Fábrica tenha tido outro(s) administradores .[2]
De facto, foi no ano de 1769 que o rei D. José I, por iniciativa do ministro Marquês de Pombal, chamou à corte o industrial inglês Guilherme Stephens. Nesse mesmo ano a família Stephens instalava-se na Marinha Grande e iniciava a construção da Real Fábrica de Vidros, segundo projecto do próprio Guilherme Stephens. Foi no ano de 1770 que com a colaboração de operários vidreiros vindos de Génova e alguns portugueses, se iniciou a produção de vidro de embalagem e vidraça.
         Marquês de Pombal concedeu-lhe um “ empréstimo de 32 contos de réis, sem juros nem limite de tempo, podendo fazer os pagamentos parciais em cal para obras do Estado, dos fornos que possuía em Alcântara”[3] D. José deu-lhe permissão para “gastar toda a lenha do pinhal do estado, que lhe fosse precisa para a fábrica, durante 15 anos, privilégio que se tornou, depois, permanente, segundo alvará de 7-VII-1769”[4]. Mais tarde, declarou que a fábrica ficava sob protecção real, sendo considerada como útil ao bem público e ao dos pinhais.
         A actividade de Guilherme Stephens repercutiu-se na formação dos empregados, na criação e manutenção de certas estruturas que foram essenciais ao desenvolvimento da Marinha Grande, principalmente vias de comunicação, tendo tido, também, um papel importante no desenvolvimento agrícola. A Fábrica funcionou como uma “escola”, “permitindo aperfeiçoar e consolidar um saber-fazer que, nessa segunda fase (1889-1930), já constituía um forte atractivo para a instalação de novas unidades vidreiras”[5]. Já em 1776 numa reclamação dirigida à Rainha D. Maria I, Guilherme Stephens se queixa da concorrência que lhe é feita pelos alemães que têm lojas de vidro na cidade de Lisboa e afirma que “Os lapidários e floristas do vidro nacionais, que foram ensinados na Fábrica, me certificam que podem lapidar e abrir flores em quanto vidro desta qualidade o Reino precisar; pelo que (…)seria útil proibir-se o despacho, na Alfândega, de todo o vidro que vier de fora do Reino, lapidado ou com flores, exceptuando-se os espelhos e lustros, para a manufactura dos quais a Fábrica ainda não tem oficiais capazes”.[6]
         A Fábrica marinhense vai procurar dificultar a saída dos vidreiros que habilitou, recorrendo ao poder central para que este tome medidas. José Amado Mendes (1993) cita o provedor da comarca de Leiria que, em 1812, declara:”O administrador da Fábrica dos Vidros, situada na Marinha Grande (…) exige de mim, juiz conservador dela, providências prontas contra a ruína que se lhe vai seguir, da deserção que da mesma fazem operários, que se retiram para algumas das semelhantes fábricas edificadas em Lisboa, em virtude de aliciações que por parte destas lhes são feitas (…)”. Nos finais do XIX continuava a ver-se ameaçada pela concorrência quanto à mão-de-obra, agora pelas fábricas instaladas na própria Marinha Grande.
         Após a morte de Guilherme Sephens a fábrica passou a ser administrada pelo seu irmão, João Diogo, que, apesar de algumas dificuldades, nomeadamente durante as invasões francesas, manteve um extraordinário desenvolvimento e progresso. Em 1826, João Diogo faleceu deixou em testamento a Fábrica à “Nação Portuguesa”.
         Demoraria cerca de dois anos até que o governo decidisse que, não tendo capacidade para administrar a Fábrica, iria abrir concurso para a sua exploração. Entre 1827 e 1919 a Fábrica conheceu vários arrendatários e tempos de prosperidade, realizando grandes projectos que desenvolveram tecnologicamente a Fábrica, produzindo vidro de grande qualidade, e períodos de grandes dificuldades, chegando mesmo a encerrar e os trabalhadores terem de procurar emprego na construção de estradas ou limpezas do pinhal.
         Em 1919 o Governo decide iniciar a sua exploração através de Comissões Administrativas. Destaca-se o período (1928-1966) em que a administração esteve a cargo do Engenheiro Acácio Calazans Duarte. Além do grande desenvolvimento tecnológico que deu à Fábrica, passou a ser obrigatório a formação dos aprendizes dos sectores de decoração, pelo menos em desenho e a frequência da escola nocturna da Fábrica, pelos menores analfabetos que ali trabalhavam. 
         A partir de 1954 um novo regulamento reformula a Fábrica, transformando-a num centro de desenvolvimento da indústria vidreira. Passou a designar-se Fábrica Escola Irmãos Stephens. Fabricava cristalaria de qualidade, desenvolveu a vertente artística do vidro, tendo contado com algumas parcerias, entre elas, com a Escola Nacional de Belas Artes. Em 1957 passou a ser superintendida pelo Instituto Nacional de Investigação e em 1977 passaria a Empresa Pública, conhecendo várias administrações até ao seu encerramento em 1992. Em 1993 foi adquirida pelo dinamarquês Jorgen Mortensen e reactivada. Actualmente já não de encontra em laboração.








       Pátio da Fábrica-Escola Irmãos Stephens (FEIS) – Ao fundo o palacete que foi habitado pelos Stephens. À Direita, o edifício dedicado à administração (construções do século XVIII).

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Kodomoroid e Otonaroid são “quase” humanas e vão trabalhar num museu Robôs hiper-realistas apresentados em Tóquio. Vão ser usadas numa experiências destinada a analisar a reacção dos humanos a máquinas hiper-realistas.

Kodomoroid e Otonaroid são “quase” humanas e vão trabalhar num museu

Robôs hiper-realistas apresentados em Tóquio. Vão ser usadas numa experiências destinada a analisar a reacção dos humanos a máquinas hiper-realistas.

Impressionantes e assustadoras. Estas estão a ser as palavras mais utilizadas para descrever duas das mais recentes criações de andróides apresentadas esta semana no Japão. Impressionantes pela pele que parece verdadeira, pelas bocas que se movem de forma natural, pelas sobrancelhas que exprimem admiração ou entusiasmo como se fossem de humanas. Assustadoras porque Kodomoroid e Otonaroid têm características que podem enganar qualquer um e passar por mulheres, não fosse alguma teatralidade nos seus movimentos.

O Museu Nacional de Ciências e Tecnologia de Tóquio recebeu esta terça-feira a apresentação de Kodomoroid, mistura da palavra japonesa kodomo (criança) e andróide, e de Otonaroid, otona (adulto) mais andróide. Kodomoroid surgiu como apresentadora de televisão e leu duas notícias aos jornalistas presentes. A seu lado, Otonaroid admitiu à audiência que estava “um pouco nervosa”.
As duas robôs funcionam através de ar comprimido e servomotores e por controlo remoto para realizar movimentos e para falar. Na demostração, estiveram sentadas (estes andróides não andam), mexeram a cabeça, tronco e membros superiores. Moveram as sobrancelhas, pestanejaram e acenaram com as cabeças, fizeram intervenções numa linguagem perfeita, sem atropelos, e movimentaram as mãos ao ritmo da conversa. A pele sintética, feita de silício, e os músculos artificiais deram-lhe um aspecto quase humano.


As andróides falaram numa voz feminina, e doce, mas podem rapidamente mudar para um tom masculino e grave. O discurso que fizeram foi criado através de texto introduzido à distância.
As duas robôs, criadas pelo especialista em robótica e professor na Universidade de Osaca, Hiroshi Ishiguro, vão trabalhar no Museu Nacional de Ciências e Tecnologia de Tóquio a partir desta quarta-feira e estar em contacto directo com os visitantes. O objectivo é interagirem com o público e recolher informação sobre as reacções dos humanos à sua presença. Os dados recolhidos serão depois trabalhados por Hiroshi Ishiguro, que pretende analisar a “questão fundamental do que é ser humano”.
Kodomoroid vai estar ligada à Internet e irá ler notícias mais recentes para os visitantes, enquanto Otonaroid poderá ser controlada pelo público permitindo a experiência do que é ter um robô sob controlo.
“Teremos cada vez mais robôs na nossa vida futura”, disse o japonês à AFP, acrescentando que ele próprio criou uma versão andróide sua que o substitui em conferências fora do país. “Isso evita-me muitas viagens”, confessou.


Na apresentação das suas mais recentes criações, Hiroshi Ishiguro explicou que, ao criar estes andróides, explora o que é ser humano e "examina a questão do que é a emoção, a consciência, o pensamento".


O japonês sublinhou a importância do Japão no mundo da robótica, dando como exemplo dos avanços na tecnologia do país a criação, pelo Softbank, o gigante nipónico dos telemóveis, de Pepper, o primeiro robô pessoal que lê emoções, através da análise de gestos, expressões e tons de voz. Com lançamento no mercado previsto para Fevereiro do próximo ano, no Japão, será comercializado por cerca de 198 mil ienes (1400 euros). “Os robôs estão a tornar-se acessíveis, tão acessíveis como um laptop”, observou Ishiguro.

TEODORO NÃO VÁS AO SONORO - 6 de Outubro de 1927: o dia em que o cinema começou a falar

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TEODORO NÃO VÁS AO SONORO


6 de Outubro de 1927: o dia em 
que o cinema começou a falar
“Estes filmes sonoros não levam em conta a linguagem internacional do cinema mudo, e da parte inconsciente de cada espectador na criação do filme, a acção, a trama e o diálogo imaginado por si”. 
Jack L. Warner, fundador da Warner Brothers.


Foto da estreia a 6 de Outubro de 1927 de “The Jazz Singer” (O Cantor de Jazz, 1927), de Alan Crosland, com Al Jolson. É considerado o primeiro filme sonoro da história do cinema. Foto encontrada em screenwritingfromiowa.files.wordpress
O galo da Pathé está para o cãozinho da His Master's Voice como o leão da Metro para o cinema sonoro. Antes, o galo cacarejava em seco e, por detrás da tela do velho Chantecler dos Restauradores, engenhosos "experimentadores" de  som simulavam o ruído do simpático galináceo. Outros , mais sofisticados, punham a girar no gramofone os pesados 78 r.p.m., a uma velocidade tal que o cãozinho ficava com a cabeça a andar à roda e os espectadores-basbaques com os tímpanos a zunir.
O leão da Metro é outra louça: mesmo que o agitar da juba não corresponda ao felino rugir; mesmo que "aquele" som não tenha nada a ver com aquela imagem. A sincronia não foi, decididamente, a primeira das preocupações do cinema quando começou a falar. Num dos mais belos filmes jamais feitos por Hollywood, a "Serenata à Chuva de Gene Kelly e Stanley Donen, conta-se como uma banda sonora, metida a martelo para evitar o fiasco de um grande filme mudo em tempos em que o "falado" já ganhava terreno, sofre tratos de polé e despedaça o já de si periclitante equilíbrio psicológico do atribulado realizador. Percalços deste género ocorreram de facto ao princípio (e não só: o cinema português que o diga…).
Mas, síncrono ou não, a invenção do sonoro, ou seja, da imagem falada, causou reboliço espectacular nos meios cinematográficos. Tudo começou aliás por acaso: em princípios de 1927, Al Jolson participou nas filmagens de um musical de rotina, "The Jazz Singer". Uma história insignificante seria pontuada pelo recentemente inventado sistema de dobragem em disco, desenvolvido pelos Laboratórios Bell e. comprado pela companhia Warner Brothers, uma das mais pequenas companhias de Hollywod. Meia dúzia de canções gravadas, tanto quanto possível sincronizadas com com a movimentação do “jazz- singer", era tudo quanto se pensava poder fazer.
Mas, para o veterano do espectáculo Al Jolson, fazer com que de uma tela saíssem palavras era um desafio mais do que aliciante. Durante as gravações, Jolson proferiu aquilo que viria a ser considerado o "abre-te . Sésamo" dó cinema sonoro. Uma pequena frase, logo após a interpretação de uma canção, anunciava que a outra ainda iria ser melhor: "Esperem aí! Isto não é nada. Ouçam esta!”.
Para os atónitos espectadores de "The Jazz Singer" era mais do que uma revelação: na noite da estreia, em 6 de Outubro de 1927, muitos dos cinéfilos terão reagido quase da mesma forma do que aqueles que num certo fim de tarde dos últimos anos do século XIX fugiram de pânico quando uma parelha de cavalos se pôs em movimento em direcção à câmara dos engenhosos irmãos Lumière.



 Cartaz do filme “The Jazz Singer” (1927) de Alan Crosland, encontrado em movies.zap2it.com e Al Jolson em 1949 dando espectáculo em local desconhecido, com as canções de “The Jazz Singer”. Foto de Cornell Capa e da LIFE Archive.

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A difícil transição
O que é certo é que uma febre de ruídos se apossou de imediato dos grandes produtores. A maior resistência veio, inevitavelmente, dos que, segundo as novas regras do jogo, eram obrigados, para sobreviver, a essa mais-valia cinematográfica: a voz.
Chaplin terá pensado que o sonoro não tinha hipóteses; Abel Gance — tinha a certeza — mas o seu "L'Argent", inteiramente mudo apesar de feito nos anos trinta, acabou por vir a ser sonorizado, para responder às exigências da época; enfim, entre nós, havia quem achasse que o cinema "sendo mudo diz-nos tudo mesmo assim" — pelo menos na opinião de uma cançonetista "à la mode" no início da década de trinta que, angustiada, pedia: "Teodoro, não vás ao sonoro"...
Actores houve que não resistiram à invasão sonora: Jolla Clarence ou Buddy Rogers, o segundo marido de Mary Pickford, que ainda recentemente afirmava peremptório: "No tempo do mudo é que era bom". Compreende-se: a Voz de Rogers não resistiu aos rudimentares aparelhos, de gravação — e tudo indica que o seu talento dramático também não. 
Mesmo os que se aguentaram na crista da onda não deixam de evocar com saudade os "gloriosos tempos" do cinema mudo. Para Frank Capra, cujos maiores sucessos como "Não o Levarás Contigo" e "It's a Wonderful Life" foram feitos já no tempo do sonoro "quando o cinema descobriu a sua própria laringe, toda a gente ficou espantada, fascinada e o mundo do celulóide foi virado de pernas para o ar".
E o legendário Raoul Walsh, herói do antes e do depois, autor de "O Ladrão de Bagdad" e "O Preço da Glória", resume o clima do cinema mudo: "Éramos uma quadrilha selvagem, como os garimpeiros, esses pesquisadores que vieram para o Oeste à procura de ouro”.

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Um boom sensacional
Que teria acontecido a Rudolfo Valentino se, em vez do olhar lânguido e dos lábios finos eternamente debruçados sobre outros lábios, o cinema nos tivesse legado a sua voz recitando os seus poetas favoritos, Byron e Whitman? Ou, ao contrário, o que seria de Humphrey Bogart, se as filmotecas de todo o Mundo não tivessem hoje para nos oferecer mais do que a imagem silenciosa do incorrigível Philip Marlowe, criado por Raymond Chandler e recriado por Howard Hawks?
Valentino não teria resistido provavelmente. Mas Bogart também não porque o que é certo é que a prova de fogo do som nem sempre foi desfavorável aos que a tentaram. Claro que Bogart quase rosnava: Mae West era mais discreta e a voz saia-lhe, felina, como o ronronar de um gato; quanto a Greta Garbo, recorda-se-lhe a dicção ténue; e de Laureen Bacall muitos cinéfilos continuam a admirar, acima de tudo, a voz grave, quente, sensual. Tudo isto e outras coisas mais foi o sonoro que as criou. Grande parte da mitologia de Hollywood construiu-se em torno da voz, dos tiques, da dicção das suas estrelas principais.
Pelo seu lado, os produtores parecem ter compreendido muito cedo que, mais do que uma dicção perfeita, o que o sonoro exigia era um registo peculiar. De facto, em Janeiro de 1928, quatro meses após a estreia do primeiro filme sonoro, 157 salas de projecção tinham já sido renovadas e estavam prontas a exibir filmes "falados" (tradução literal de "talkies", naturalmente...) e nos finais do ano seguinte o número subia a 8741! "Buchas” sonoras, principalmente constituídas por diálogos insignificantes, eram metidas à força em filmes já prontos ou em fase de montagens: o cinema dessa época é uma mistura desajeitada de imagem muda e envergonhada e de som adoptado à pressa, mais para fazer barulho e para seguir as exigências do púbico, de que para figurar como elemento significante. A noção de banda sonora viria mais tarde.
A qualidade dessas primeiras experiências é imaginável. Trabalhando com soluções de recurso (caixas à prova de som dentro das quais era metida a câmara, demasiado barulhenta para poder coexistir com os pesados e ultra sensíveis microfones, capazes de registarem o bater do coração ou o dramático arfar das “stars” hollywoodescas…), os directores pouco mais podiam fazer do que tentar manter-se na onda. E esperar que melhores dias viessem .


 “«A Canção de Lisboa», rodado em 1933 por Cotinelli Telmo foi o primeiro filme sonoro inteiramente feito em Portugal e constitui modelo para a nossa comédia cinematográfica. Em rigor: o primeiro filme sonoro português foi «A Severa» de Leitão de Barros estreado em Paris, em 1931, e que o público português conheceria a partir de Junho daquele ano.” 
Fotos dos cartazes encontrados em www.ernestodesousa.com e www.amordeperdicao.pt
O atraso habitual
Sem excepção, Portugal aderiu ao sonoro, mas com certa relutância e o habitual atraso:  o histórico filme de AI Jolson só viria a ser estreado em Lisboa no Odéon, no início dos ano trinta, mas a primeira apresentação do sonoro data de 1931, (dois erros no texto; "The Jazz Singer" estreou a 27-02-1929, portanto como filme mudo até porque os cinemas não tinham a aparelhagem necessária e o sonoro começou em Portugal no Royal a 05-04-1930 - nota do blog) quando o recém-inaugurado cinema Royal projectou a película de Van Dyke; "As Sombras Brancas''. A produção cinematográfica nacional por seu lado, só mais tarde viria a aderir à nova invenção, sendo a “Canção de Lisboa" (1933), o primeiro filme a utilizar o som incorporado. Uma série de películas rodadas a seguir tratavam já o som com relativa desenvoltura e construíam a narração em função do diálogo. Mais do que isso, quase se pode dizer, que, antes da invenção do sonoro, o cinema português poucos sinais importantes deixou para História e que, apesar de tudo, é na primeira década de utilização do som que a produção nacional atinge melhor nível.


O CINEMA SONORO EM PORTUGAL - Crónica no Diário de Lisboa no dia anterior à estreia do Sonoro no Royal Cine e Página do livro «OS MAIS ANTIGOS CINEMAS DE LISBOA 1896-1939», de Manuel Félix Ribeiro, Edição da então Cinemateca Nacional. Com o anúncio da inauguração do cinema sonoro em Portugal no Royal Cine em 05 de Abril de 1930 e reprodução do convite.
Se o mudo conserva hoje para nós o fascínio de uma época perdida para sempre, se, na nossa memória de cinéfilos, o silêncio está associado a uma mecânica do movimento próxima da dos bonecos articulados e à inevitável improvisação ao piano, é porque som é para nós, um elemento indissociável da imagem. Ninguém concebe hoje a realização de um filme mudo — a não ser, evidentemente, Mel Brooks, cuja "Ultima Loucura", além de não ser loucura nenhuma; parodia os tiques da dramática exaustão do cinema sonoro recorrendo (suprema vingança) à fascinante atmosfera do cinema mudo. O mesmo afinal, em negativo, que, vinte e cinco anos antes; Gene Kelly e Stanley Donen tinham conseguido com a "Serenata à Chuva";  aí, era a agonia do mudo que com a exuberância do sonoro se pretendia retratar. Mas, para a história, fica hoje a memória do dia em que, o cinema começou a falar  —  precisamente numa noite de Outubro; quando um branco com a cara pintada de preto pronunciou as palavras mágicas: "Isto não é nada!"
Al Jolson tinha razão: o melhor veio depois.


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Cenas sensacionais do filme Singin' in the Rain (Serenata à Chuva, 1952) de Stanley Donen e Gene Kelly: A comédia que melhor retrata a passagem do cinema mudo para o sonoro.


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