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segunda-feira, 23 de junho de 2014

ESTE GIFT (IMAGEM ANIMADA) ASSENTA BEM NA PERSONAGEM REPRESENTADA


Passos desafia empresas a criar ofertas de estágio para jovens -Estágios pagos pelo dinheiro do contribuinte para ao fim de seis meses de trabalho terem como saída profissional o olho da rua.



Passos desafia empresas a criar ofertas de estágio para jovens




O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho desafiou esta segunda-feira as empresas a “seguir o exemplo” de uma multinacional que estabeleceu uma aliança com outras companhias para a criação de 500 ofertas de estágios para jovens em Portugal.
O apelo foi lançado na sessão da assinatura da Aliança para a Juventude, promovida pela Nestlé, a que se juntaram outras empresas, incluindo 13 portuguesas, para fomentarem a oferta de estágios para jovens. Com o apoio da Comissão Europeia, o objectivo inicial é de 500 estágios em Portugal e o grupo de empresas compromete-se a criar mais oito mil oportunidades em três anos.
Na sessão, que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, Passos Coelho referiu a melhoria nos níveis de desemprego desde o início do ano passado, mas considerou os números ainda muito negativos. “Continuamos a ter um nível de desemprego intoleravelmente elevado sobretudo numa camada com elevadas qualificações”, afirmou, perante uma plateia de empresários e em que estava o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, além do vice-primeiro-ministro Paulo Portas e do ministro da Solidariedade, Pedro Mota Soares.
Desejando que as “oportunidades” geradas pelos novos fundos comunitários possam ser “mais bem aplicadas do que no passado”, o chefe de Governo lançou o desafio às empresas para “seguirem o exemplo” e que “possam multiplicar esta Aliança para a Juventude”. Depois de referir que a crise económico-financeira “incubou” demasiados anos, Passos Coelho cumprimentou de forma “muito amiga” e “agradecida” o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, sentado na plateia, por ter sido o “motor” para que os países europeus adquirissem mais responsabilidade e mecanismos para actuar de forma “mais precoce” face a uma eventual futura crise.
Durão Barroso agradeceu à Nestlé por “fornecer emprego para jovens” e lembrou que em Portugal há 140 mil jovens que não conseguem encontrar emprego, o que tem “repercussões graves”. O Presidente da Comissão Europeia elogiou a “mobilidade” como uma escolha e não como uma obrigação. “O desejável é que os que queiram continuar no seu país possam encontrar possibilidades de trabalho”, afirmou.
Entre os parceiros nacionais, a Nestlé Portugal assinou protocolos com a BA Vidro, BPI, Eurogroup Consulting, Germen, GraphicsLeader, Jerónimo Martins, Logoplaste, Luis Simões, Portucel, RAR, Saica Pack, Sonae e Vodafone. A nível europeu já há acordos firmados com a Adecco, Axa, Cargill, Chep, DS Smith, Ernst&Young, Facebook, Firmenich, Google, Nielsen, Publicis, Salesforce.com, Twitter e White&Casem.





Estágios pagos pelo dinheiro do contribuinte para ao fim de seis meses de trabalho terem como saída profissional o olho da rua. Que sigam o exemplo de «uma multinacional que estabeleceu uma aliança com outras companhias para a criação de 500 ofertas de estágios para jovens em Portugal»: 3 euros à hora, num máximo de 39 horas e meia semanais, para fintar o vínculo laboral e o pagamento de subsídios vários. Como alternativa restas-lhes sempre a emigração, também ideia do senhor primeiro-ministro, que ainda aproveitou o momento para desejar «que as "oportunidades" geradas pelos novos fundos comunitários possam ser "mais bem aplicadas do que no passado"» que isso do maná fundos comunitários já foi chão que deu uvas e os tempos das Tecnoformas e dos aérodromos em cada esquina já lá vão.


derterrorist.blogs.sapo.pt


CHEGOU O MÉDICO DA EQUIPA

CONHECE A HISTÓRIA DA CIDADE DE LÍDICE ? - 12 de Junho de 1942 - Massacre de Lídice Cidade da Tchecoslováquia que deu origem ao nome foi palco de uma dos mais perversos crimes contra a humanidade - FOTOS E VÍDEOS

Massacre de Lídice 

Cidade da Tchecoslováquia que deu origem ao nome foi palco de uma dos mais perversos crimes contra a humanidade
No dia 10 de junho de 1942, foi cometido um dos maiores crimes contra a humanidade. Com o objetivo de vingar a morte de um único homem, o oficial nazista Reinhard Heydrich, o ditador Adolf Hitler mandou agentes da Gestapo e da SS invadir uma cidade, matar todos os seus homens, arrastar todas as mulheres e crianças para campos de concentração, destruir todas as edificações.
Hitler mandou remover de todos os mapas o nome que seria mais tarde resgatado como símbolo de resistência ao ódio: Lídice deixou de existir enquanto pequeno enclave no coração da antiga Tchecoslováquia e passou a denominar ruas, cidades, monumentos espalhados por todo o mundo. No Brasil um vilarejo do Rio de Janeiro, até então chamado Santo Antônio do Capivari, adotou em 1944 o nome Lídice.
A História – Em 27 de maio de 1942, quando viajava em seu carro para Praga, Reinhard Heydrich foi atacado por agentes tchecos que tinham sido treinados na Inglaterra, num dos mais audaciosos ataques da Segunda Guerra, denominado Operação Antropóide.
Escolhido por Hitler para governador da Tchecoslováquia ocupada (Reichsprotektor), e segundo homem no comando das SS*, Heydrich foi levado vivo para Praga, tratado por médicos alemães, mas morreu de septecemia, face aos ferimentos recebidos, no dia 04 de junho.
Depois de chamá-lo de “o homem com o coração de ferro” em um funeral com honras militares, Hitler ordenou uma pesada vingança iniciada com a caça e o assassinato de agentes tchecos, membros da resistência, e qualquer um suspeito de estar envolvido na morte de Heydrich, totalizando mais de 1000 pessoas. Além disso, 3000 judeus foram deportados do gueto de Theresienstadt para o extermínio. Em Berlim, 500 judeus foram presos, com 152 executados em represália no dia da morte de Heydrich.
No dia 10 de junho, em um dos atos mais infames da Segunda Guerra Mundial, a aldeia de Lídice foi cercada e todos os 172 homens e meninos com idade acima de 16 da aldeia foram mortos. Mulheres e crianças foram presas e levadas para trabalhos forçados e o extermínio nos campos de concentração de Ravensbrück e Gneisenau, onde a grande maioria morreu.
O MASSACRE

A aldeia de Lídice foi então destruída com explosivos, e, em seguida, completamente nivelada. Não sobrou uma parede em pé, não permaneceu nenhum traço da antiga aldeia.
Em 18 de Junho de 1942, os três resistentes tchecos que eliminarm Heydrich foram encurralados na cripta de uma igreja ortodoxa, em Praga, e após um duro combate mortos. A República Tcheca só foi libertada em Maio de 1945, pelo Exército Soviético.
As tropas alemãs chegaram à aldeia pouco depois da meia-noite e cercaram-na. Todos os homens com mais de quinze anos – eram 173 – foram separados das mulheres e das crianças, colocados num celeiro na quinta dos Horák e fuzilados em pequenos grupos nesse mesmo dia. Quando já havia uma pilha de mortos os que se seguiam eram obrigados a subir para cima da pilha para serem fuzilados. Para que não restasse algum sobrevivente, foram aos hospitais à procura de habitantes internados e mataram-nos. E até foram ao requinte de iLidice r à pocura de um homem que, tendo mudado de turno na fábrica, não estava na aldeia. Fuzilaram-no. Não satisfeitos com esta matança, exumaram os cadáveres do cemitério. Lidice não só não poderia ter sobreviventes, como das famílias não poderia haver memória.
Três dia depois as mulheres foram separadas dos seus filhos. Destes, a larga maioria foi assassinada por asfixia no campo polaco de Chelmno, com gas carbónico que emanava de camionetas adaptadas, a primeira forma de extermínio. As mulheres foram enviadas para o campo de Rawensbruck onde a grande maioria viria a morrer de tifo e exaustão.
Mas a vingança perversa, cruel e odiosa não estava consumada. Os nazis tinham decidido riscar Lidice do mapa, no sentido literal e não figurado. Lançaram fogo à aldeia, depois dinamitaram as casas e arrasaram tudo com tractores. Até as árvores, mesmo as queimadas, foram arrancadas pela raíz. Por fim, espalharam grãos pelo chão de toda a área para transformá-lo em pasto. Da aldeia nada ficou e até o seu nome foi riscado dos mapas da Europa. Até ao final da guerra esteve vedado o acesso a toda a área. A pequena aldeia de Lezaky, vizinha de Lidice, também foi destruída e os seus habitantes executados.
A vingança alemã causou perto de 1500 mortes em toda a Checoslováquia.
A maior parte dos acontecimentos de Lidice foram filmados pela tropas nazis, porque, contrariamente ao que sucedeu com outros crimes de guerra que cometeram e que mantiveram em segredo, a propaganda nazi fez questão de propagandear os acontecimentos de Lidice, como uma ameaça e um aviso à população da Europa ocupada. A notícia causou uma onda de terror e indignação mundial e a propaganda britânica aproveitou o facto para difundir os crimes do III Reich.
Lidice tornou-se um símbolo da crueldade nazi e um pouco por todo o mundo cidades e vilas receberam o seu nome, para que jamais fosse esquecida, como era a intenção de Adolf Hitler. Muitas mulheres nascidas no pós-guerra também receberam o nome de Lidice.
Ergue-se hoje no local da primitiva aldeia um imenso Memorial, constituído por um parque verde, um monumento às crianças assassinadas e um Museu onde sobressai um mural com os nomes de todos os habitantes, outro com as fotografias dos homens e, ainda, a porta da igreja, única testemunha deste massacre sem par. A simplicidade do museu e o seu despojamento quase total, a lembrar o vazio de Lidice, esmaga-nos.





VÍDEOS

IMAGEM DO MONUMENTO ÁS CRIANÇAS DE LÍDICE
IMAGENS DE LÍDICE NUM MUSEU DA REPÚBLICA CHECA

OS OVOS DO CZAR - Os ovos preciosos do czar são agora de um oligarca





Os ovos preciosos do czar são agora de um oligarca

 O Palácio Chouvalov, no centro de São Petersburgo, foi agora transformado num museu que entre as suas 4000 obras guarda uma pequena, mas preciosa, colecção – nove ovos do célebre joalheiro russo que trabalhou para a corte imperial dos Romanov, Peter-Karl Fabergé (1846-1920).
O dono do conjunto, que segundo a AFP faz parte de um muito maior que foi levado para fora do país depois da revolução bolchevique, é o oligarca Viktor Vekselberg, que o comprou aos herdeiros do magnata americano Malcom Forbes.
Entre estes nove ovos estão o que o czar Nicolau II ofereceu à mulher, Alexandra, com o seu retrato; o do príncipe Alexei e o outro que festeja a sua coroação, que esconde uma surpresa – uma pequena carruagem.
Fabergé fez cerca de 50 ovos para a família imperial russa, tradição inaugurada em 1885 por Alexandre III que, pela Páscoa, ofereceu à sua czarina um, ricamente decorado com pedras preciosas. Cada um tinha uma prenda no seu interior.
A colecção Fabergé de Vekselberg é uma das mais importantes do mundo e está a ser mostrada ao público desde esta terça-feira, embora o museu do Palácio de Chouvalov só abra em Dezembro.

O ovo conhecido como Laurel Tree


A história dos Ovos Fabergé

Os Ovos Fabergé são obras-primas da joalharia realizadas por Peter Carl Fabergé e os seus assistentes no período de 1885 a 1917 para os czares da Rússia.Os ovos, cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas encomendados e oferecidos na  Páscoa entre os membros da família imperial russa. 
A Páscoa é a mais importante festa do calendário da  Igreja Ortodoxa Russa – a tradição “pede” troca de ovos de galinha decorados (como símbolo de esperança e vida renovada) e três beijos na comemoração. 
Foi na Páscoa de 1885 que o czar Alexander III resolveu inovar. Ele encomendou a Fabergé, joalheiro oficial da corte imperial russa desde 1882, o presente para sua esposa, a czarina Maria Feodorovna.
A partir de então, Fabergé passou a receber a encomenda de um novo presente a cada ano, com a condição de que a peça fosse única e contivesse, no seu interior, uma surpresa inesquecível para a Imperatriz.
Com grande criatividade e talento técnico, Fabergé anualmente superava o desafio, buscando inspiração em factos da vida do casal imperial. Os motivos tornaram-se temáticos: cenas da história da Rússia, a inauguração da estrada de ferro que ligava Moscovo à Sibéria e actos de bravura dos militares.
Assim que um tema era escolhido, uma equipa de artesãos - dentre os quais Michael Perkhin, Henrik Wigström e Erik August Kollin - começava a trabalhar no projecto. Dezenas de clientes particulares apareceram com fama despertada pelos ovos imperiais.
Dos 65 ovos Fabergé grandes conhecidos, existem apenas 57. Dez dos Ovos Imperiais de Páscoa estão expostos no Palácio do Arsenal do Kremlin, em Moscovo.
Após a Revolução de 1917, a ‘’Casa Fabergé’’ foi nacionalizada pelos bolcheviques e a família Fabergé fugiu para a  Suiça onde Peter Carl Fabergé faleceu em 1920. 

VEJA VÍDEO

FACTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Primeira Guerra Mundial foi um dos momentos mais tensos da história da humanidade, com grande parte dos países do globo entrando em batalhas sangrentas e precárias. Essas lutas desesperadas criaram atitudes e invenções loucas, que são para lá de curiosas:

Perdendo, mas ganhando

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A Primeira Guerra Mundial durou pouco mais de quatro anos e teve a participação de 68 milhões de pessoas. Mais de 19 milhões morreram e, no final das contas, os Aliados, que venceram a guerra, foram os que mais tiveram baixas.
A baixa de soldados Aliados ficou na casa dos 5 milhões, enquanto os Impérios Centrais ficaram com 4 milhões de militares mortos. O número de civis que perderam a vida chegou a casa dos 6 milhões do lado vencedor, enquanto os perdedores amargaram “apenas” 4 milhões de mortes de civis.

Informação valiosa

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No início de 1917, antes dos EUA entrar definitivamente na guerra, a Inglaterra tinha em mãos um documento alemão, que foi enviado ao México e interceptado. Essa mensagem pedia que o país latino-americano invadisse os Estados Unidos. A Inglaterra, em vez de mostrar imediatamente ao seu aliado, resolveu guardar a mensagem para usá-la na hora certa e conseguir o apoio dos EUA no final da guerra.

Gases e xixi

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Durante a Primeira Guerra muitas nações começaram a usar gases venenosos contra seus inimigos. Como não haviam máscaras para a proteção, os soldados receberam a ordem de usar toalhas molhadas com xixi para se protegerem. Após o término do conflito, muitos países assinaram um tratado para evitar esse tipo de arma em uma nova guerra.

Racismo na guerra

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Durante os anos 40, os EUA ainda viviam uma grande onda racista em seu país, mesmo assim, uma divisão chamada Fighters Harlem, que tinha apenas negros em suas linhas, foi para a guerra.
Os atos de bravura e coragem desse grupamento chamou a atenção dos Aliados. A França deu a eles a Croix de Guerre, uma condecoração dada a soldados estrangeiros, mas, nos EUA, esse pelotão foi totalmente ignorado, pois eram homens negros.

A grande morte

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A maior baixa de homens em um único dia durante a Primeira Guerra Mundial ficou a cargo da Inglaterra que, durante a batalha de Somme, perdeu 60 mil soldados. Esse número excedeu a todas as perdas americanas durante a guerra.

minilua.com

HERÓIS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Alexander Matrosov, o “escudo”:

Alexander Matrosov
Este rapaz da foto ao lado foi um herói, mas se eu contar o que ele fez e você falar “esse cara foi maluco, doido varrido!” eu não irei recriminá-lo.
Matrosov era um soldado de infantaria soviético que durante a batalha pela vila de Chernushki, em 1943, resolveu pular na frente de uma metralhadora alemã, bloqueando-a e auxiliando no avanço de sua unidade.
Depois de morto – você achava que ele ia sair vivo dessa? – Matrosov foi condecorado com a medalha de Herói da URSS. Tudo bem, foi um ato heróico e, apesar de aceitarmos e até mesmo entendermos o sacrifício do soldado naquela situação, saibam o seguinte: existem relatos de aproximadamente 300 outros soldados soviéticos que fizeram O MESMO que Matrosov fez. Todos os atos heróicos desta espécie – inclusive o de Matrosov – foram contestados, mas a propaganda da antiga URSS aproveitou para usar estes atos de heroísmo para elevar o moral de suas tropas.
Verdade ou não, só as pessoas que presenciaram o ato podem confirmar, e talvez nem estejam mais vivas para isto. Mas este próximo herói da URSS é real… ou pelo menos continuou vivo por um bom tempo para contar sua história.

Vassili Zaitsev, o “caçador”:

Cartaz soviético usando a imagem de Zaitzev
Retratada no filme “Círculo de Fogo” (2001), a trajetória do atirador russo da 284ª Divisão de Fuzileiros que lutou em Stalingrado foi, por vezes, inflada pela propaganda soviética. Mas é impossível negar sua habilidade como franco-atirador.
Zaitzev não usava exatamente um rifle de precisão, mas fixava uma mira telescópica em uma espingarda Mosin-Nagant modelo M91-30 que, convenhamos, tinha umcoice considerável, o que prejudicava um pouco a precisão do disparo.
Mesmo com uma arma não tão perfeita para um franco-atirador, Zaitzev entrou para a história por ser o responsável por abater 225 alemães em Stalingrado – algumas fontes indicam números um pouco maiores -, ajudar a levantar a moral os soldados que lutavam naquele verdadeiro inferno em que se tornou uma das batalhas mais importantes da Segunda Guerra e ainda ensinou alguns deles a atirar, pois quando criança, Zaitzev teria aprendido a atirar com o avô e o pai aos pés dos Montes Urais.
O russo terminou a guerra com 468 inimigos abatidos. Se existe alguém que foi bem sucedido na tarefa de matar nazistas na Segunda Guerra, este alguém foi Vassili Zaitzev, que morreu em 1991, aos 76 anos.

Os irmãos Bielski e os “judeus da floresta”:

Os Judeus da Floresta: mais do que uma simples família...
Em 1941, meses após o início da Operação Barbarossa os irmãos Tuvia, Asael e Zus Bielski escaparam por um triz de um ataque nazista que matou o restante de sua família em Novogrudek, região da antiga URSS que hoje é a Bielorrússia. Os três fugiram para a floresta próxima e organizaram uma aldeia, onde começaram a receber outros judeus que, assim como eles, também estavam sofrendo perseguição dos nazistas.
Os “judeus da floresta”, ou “bielski partisans”, como ficou conhecido este grupo de refugiados, salvou ao todo umas 1200 pessoas e organizou uma boa resistência contra os alemães, lutando ao lado dos soldados soviéticos.
A história dos irmãos Bielski também foi retratada em um filme, chamado “Um ato de liberdade”, estrelado pelo atual 007, Daniel Craig.

Alan Turing, o “decifrador de enigmas”:

Matemático, criptoanalista e, por que não, cientista da computação. O que um britânico com este currículo poderia fazer no meio de uma guerra numa época que a tecnologia ainda dava pouquíssimas cartas em um campo de batalha?
Uma parte do Colossus. Pequenino, não é?
Turing trabalhou em um método de decifrar os códigos enviados pela famosa máquina alemã conhecida como “Enigma”. Antes do trabalho de Turing, os britânicos estavam com medo até de lavar os pés nas águas do Canal da Mancha, tamanha a presença de submarinos alemães na região. A Enigma conseguia transformar um simples “bom dia” entre dois generais nazistas em uma mensagem indecifrável, a não ser que você tivesse outra Enigma para decodificar a mensagem. E os britânicos não tinham qualquer máquina que fizesse este serviço.
Após o trabalho de Turing, todas as mensagens alemãs codificadas interceptadas pelos britânicos eram inseridas no Colossus, o computador projetado sob as orientações do matemático e eram facilmente decifradas. Assim, os britânicos passaram a antecipar os ataques nazistas e o elemento-surpresa alemão foi por água abaixo, literalmente.
Turing não pegou em armas, mas salvou milhares de vidas com sua invenção.

As “águias” da R.A.F.:

Winston Churchill foi, sem dúvida, um grande estadista. Manteve a moral dos seus conterrâneos mesmo sob pesado ataque aéreo alemão e soube valorizar cada soldado que lutou contra a Alemanha nazista. Mas sua frase sobre os aviadores da Royal Air Force (R.A.F.) certamente define o que foi a Batalha pela Inglaterra:
Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.
A estratégia alemã para invadir a Inglaterra era simples: destruir a força aérea britânica, que já era inferior em número com relação à Luftwaffe para depois invadir a ilha por terra, após atravessar o Canal da Mancha, que na época estava tomado por submarinos alemães. Simples, só que esqueceram de avisar aos aviadores da R.A.F. que eles deveriam morrer em batalha, deixando o céu livre.
Para vocês terem idéia da dedicação dos britânicos em defender seu espaço aéreo, em algumas ocasiões os aviadores abatidos que conseguiam ejetar do avião, usar o paraquedas e cair em terra firme corriam ou davam um jeito de chegar o mais rápido possível no campo de decolagem mais próximo, subiam em outro avião e rapidamente levantavam vôo para continuar lutando contra a Luftwaffe.
Na época houve um grande esforço de guerra de toda a população da Inglaterra, que aceitou o racionamento de alimentos e energia elétrica, entre outros… mas tudo seria em vão se os pilotos da R.A.F. não tivessem lutado bravamente contra os nazistas.

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Línguas Malditas - A linguagem utilizada no tempo da escravatura no Brasil e África - Aprender português era uma estratégia contra as dificuldades da escravidão, mas a visão de mundo dos negros sobrevivia nas línguas maternas africanas

Línguas Malditas

Aprender português era uma estratégia contra as dificuldades da escravidão, mas a visão de mundo dos negros sobrevivia nas línguas maternas africanas


Fugiu no dia 26 do passado, um moleque de nome Joaquim, nação Cabinda, estatura alta, fala bem e passa por crioulo, tem uma ferida na canela da perna direita, levou vestido calça de riscado azul, e camisa de algodão americano; quem achar ou der notícias na rua da Misericórdia n. 82, será recompensado.  (Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1845)
Com essas palavras, um proprietário noticiava a fuga de seu escravo, entre menino e jovem, o qual, embora nascido na África, de “nação Cabinda”, falava tão “bem” que podia ser confundido com um crioulo (termo que designa o escravo nascido no Brasil, diferentemente do escravo “de nação”, proveniente da África). Apesar de uma ferida na perna, havia fugido fazia alguns dias. Joaquim pode ter sido recuperado por seu proprietário, como pode também ter encontrado um outro “moleque” africano chamado Tobias, descrito como “Inhambane, estatura regular, corpo fino, retinto, olhos grandes, beiços vermelhos”, que escapara de seu dono poucos dias depois. Caso isso acontecesse, como eles se comunicariam? Teria também Tobias condições de falar como um crioulo e dialogar com Joaquim em português? Se não, poderiam trocar idéias e dicas sobre como sobreviver e gozar a liberdade em uma das línguas que aprenderam com suas mães?



Em meio aos duros limites da escravidão, a comunicação e o desempenho lingüístico foram problemas enfrentados com criatividade e perspicácia pelos escravos. Gaspar, um africano de nação nagô, que fugiu ou foi furtado em Salvador em 1838, era citado como “alto, nariz fino, dentes limados, cara alanhada, idade trinta anos, fala desembaraçado”.  Já o crioulo Antônio, “fala também as línguas de Moçambique”. Esses e inúmeros outros exemplos mostram que as habilidades lingüísticas faziam parte da sabedoria escrava em negociar alguns espaços de liberdade.

O burburinho da cidade do Rio de Janeiro no século XIX era feito de muitas línguas, em virtude da diversidade da população, proveniente de diferentes regiões do Império e de outros continentes. Longe do que se poderia esperar, a língua portuguesa, mesmo na capital do Império, nem sempre era a mais ouvida. Havia o inglês dos homens de negócios e marinheiros, os falares próprios dos ciganos, o francês, língua da moda, muito apreciada pela alta sociedade, além das línguas indígenas e dos idiomas da família banto, trazidos pelos africanos e usados também por escravos nascidos aqui.
Adèle Toussaint, professora francesa, escreveu sobre suas idas ao mercado da cidade: “É lá que se precisa ouvir falar aquela língua africana chamada língua da Costa. Nada de mais estranho: parece que nela não entra nenhuma consoante; não se distinguem absolutamente mais que ohui, y a, ahua, o, y, o. Aprendi algumas dessas palavras, que logo esqueci; é quase impossível reter uma linguagem da qual se ignora inteiramente a ortografia”.
O grande fluxo das línguas africanas acompanhou o tráfico oceânico, que foi muito intenso na primeira metade do século XIX, até seu fim em 1850. De acordo com o Recenseamento de 1849, na parte urbana da Corte, nada menos que um terço dos habitantes eram africanos.




As línguas oriundas da África eram usadas tanto em momentos de trabalho como nas diferentes ocasiões em que africanos e descendentes estivessem reunidos. Muitos africanos que pertenciam a etnias diferentes entravam em contato — e aprendiam a comunicar-se — já nas travessias para os portos de embarque e ao longo da viagem nos navios. Isso era facilitado pelas semelhanças de algumas das línguas da família banto. Além das próprias línguas maternas, eles poderiam ainda usar línguas francas (línguas comuns) para trocar idéias, praguejar contra o senhor ou lembrar-se da terra. Essa comunicação guardava um grande potencial para a autonomia dos escravos, incluindo formas de solidariedade e de resistência ao regime escravista.
O quimbundo, o quicongo e o umbundo são algumas línguas do chamado mundo banto, que incorpora, por exemplo, Angola, Congo e Moçambique, para citar regiões de onde saiu um fluxo importante de africanos para o Brasil. Há hipóteses sobre uma cultura banto muito presente na região Sudeste, especialmente no vale do Paraíba, articulada a revoltas, tentativas de fuga, mas também à formação de famílias e à manutenção de formas de nomear e perceber o mundo.
No Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil, a língua quimbundo constituiu uma língua franca. Em Salvador, para onde a diáspora africana encaminhou pessoas oriundas de outras regiões e culturas, especialmente da África Ocidental, há notícias de uma língua geral baseada no iorubá (também chamado de nagô), que ainda hoje é usada nos rituais do candomblé. O pioneiro nos estudos sobre africanos no Brasil, Raimundo Nina Rodrigues (1862-1906), enumerava uma infinidade de línguas, como o iorubá, o ewe, o fon, o hauçá, trazidas pelos africanos escravizados e algumas delas recriadas e adaptadas.

Conservar as línguas era crucial para aqueles homens e mulheres. Significava manter, em meio à situação adversa e muitas vezes violenta da escravidão, o próprio conhecimento que tinham do mundo, sua forma de olhar e sentir, sua identidade cultural, algo que lhes pertencia.
Não era por acaso que as autoridades ficavam alertas quanto ao uso de línguas próprias pelos africanos e escravos. Vistas como bárbaras, dissonantes, primitivas, inspiravam medo e às vezes eram reprimidas mesmo nos ambientes rurais, o que podemos ver pelos depoimentos de descendentes de escravos. Numa sociedade escravista e hierarquizada, o medo de possíveis revoltas escravas era muito intenso, e os homens da política e proprietários de terra e de escravos jamais esqueceram a famigerada Revolta dos Malês, que sacudiu a cidade de Salvador em 1835.
Outro temor dos dirigentes imperiais (políticos, escritores, jornalistas, autoridades policiais) era a possibilidade de que a nação, há pouco independente, se tornasse africanizada em demasia, o que geraria um retrato dos brasileiros inconveniente à classe senhorial.
Apesar de correntes, as línguas africanas em geral não eram incorporadas às propostas de uma língua nacional que apareceram durante o Romantismo, da mesma forma como as marcas africanas não eram evidenciadas nas imagens da nacionalidade, em que predominavam o tema da natureza e o indianismo.



Entretanto, essas línguas malditas ou pouco desejadas influenciaram fortemente o modo de falar e escrever no Brasil, sobretudo em termos de vocabulário e pronúncia, mas também em termos de sintaxe. Numa sociedade em que as trocas culturais eram intensas, ocorrendo nas práticas religiosas, musicais, nas relações familiares, a comunicação verbal não ficava fora desses entrecruzamentos e sincretismos culturais. Alguns homens de letras da época reconheceram isso, como Gonçalves Dias, que escrevia: “temos uma imensa quantidade de termos indígenas ou sejam africanos, que até nos dicionários se introduziram, mas que na maior parte só aparecem na conversação — nomes de comidas, termos de pesca, de lavoura etc., que não são clássicos, mas indispensáveis”. Em 1853, Brás da Costa Rubim, autor do Vocabulário brasileiro para servir de complemento aos dicionários da língua portuguesa, registrou palavras que “passaram da linguagem dos indígenas da América e da África para o uso comum”.
A mistura entre o português e as línguas africanas, no entanto, começou antes mesmo do desembarque dos africanos no Brasil. Em certos pontos da África, o português foi também utilizado como língua franca nas atividades ligadas ao Império Colonial Português. O aprendizado obedeceria às exigências práticas para o trabalho escravo, interessando a feitores e senhores de escravos, mas carregava todo um sentido simbólico mais amplo, segundo o qual, ao aprender uma língua civilizada, o escravo ganharia uma pátria de forma correlata à sua cristianização.
A maneira como era anunciada a fuga de escravos nos jornais do Império indica situações interessantes sobre a experiência lingüística dos escravos, tal como era vista pelos senhores, mas também deixa pistas de interpretação para suas táticas de enfrentamento, sobrevivência e acomodação.

A identificação dos escravos incluía as características da fala, os sinais físicos e as habilidades profissionais. O modo de falar, o bom ou mau desempenho, além de algumas singularidades, como “brando no falar”, “fala espevitado”, eram sinais identificatórios relevantes:
Ao doutor Figueiredo Neves, morador na rua do Hospício n. 97, fugiu no dia 22 do corrente, um escravo por nome Aureliano, pardo claro de cabelos corridos, natural de São Paulo, o qual terá atualmente vinte a 22 anos de idade: é de estatura ordinária, delgado de corpo, e tem falta de dentes na frente, e no pescoço do lado esquerdo um lobinho ou papo: começa a ter buço agora, e quando fala é com muita pausa, boleia sofrivelmente e cose de alfaiate, sabendo também ler e escrever. O senhor do referido pardo o supõe seduzido por não ter este motivo algum para fugir, e por isso roga às autoridades policiais a apreensão do mesmo pardo, e protesta usar de todo o rigor contra o seu sedutor ou acoitador”. (Diário do Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 1845)



As características da fala e os sinais físicos apareciam ainda colados a um conjunto de valores, de medos, de prevenções na hora de identificar os escravos fujões.

Marcelina, crioula, era apresentada como “fula, rosto comprido e puxado, bexigosa, boca e olhos pequenos, lábios grossos (...), com uma cicatriz no braço direito, muito regrista, branda no falar (...)”. Um crioulo fugiu em Queluz, Minas Gerais, “de cor fula” e “de poucas falas”; outro, de “fala muito macia, pés chatos”. Fugiu também João, “estatura baixa, retinto, pernóstico”. Outro, também crioulo, “baixo, magro, muito conversado, e conversa bem”. Havia também Aureliano, um pardo trigueiro, que procurava passar por homem livre, empregando-se em seu ofício de tocar tropa, e que “fala bem”. O africano José, oficial de pedreiro, tinha “fala macia”. Outro africano é apresentado como alguém que “fala desembaraçado”. O moleque Serafim “fala muito bem; é muito cigano; costuma trazer o chapéu ao lado. Desconfia-se ter acompanhado uns mascates italianos, como camarada. (...).” O mulato João, “fala um pouco compassado e grosso”. Uma “fala em falsete” identificaria José, um “cabra” que estava fugido havia mais de três anos. Manoel tinha a “fala descansada, cor retinta”. O pardo Félix, de Pernambuco, “tem o falar risonho”.
Portanto, saber comunicar-se poderia facilitar a fuga, mas há também muitos exemplos de fugitivos que tinham dificuldade em interagir. O pardo José tinha “de costume falar um pouco baixo e às vezes como que não ouve muito”. Já Antônio Moreira, “de cor parda, baixo, bastante feio, fanhoso no falar, e alguma coisa gago, finge-se ou é idiota (...)”, característica que todavia não o impediu de exercer seu ofício de ferrador (ferragem de animais).
Problemas na fala podiam acompanhar a observação sobre a inteligência e a esperteza, como na descrição de Jacinto: “de idade de dezenove a vinte anos, bem preto, (...) é muito ladino e inteligente, fala muito apressado e gagueja, e algumas vezes custa-lhe soltar a fala, e por isso fala de supetão e com muita rapidez”.

A distinção entre africanos e crioulos, que sempre foi importante para o regime escravista, nem sempre foi vivida como uma fronteira rígida entre os escravos, o que pode ser notado pelas habilidades orais: José, escravo de nação, “mal-encarado e fala como crioulo”. Outro, ao contrário, era crioulo, mas teria um sotaque de africano: “Miguel, preto, de trinta a quarenta anos de idade, estatura do corpo regular, barbado, crioulo do Rio Grande do Sul, fala com sotaque de africano e inculca-se como pedreiro”. Fazia-se freqüentemente referência a escravos como “ladinos” (espertos) ou “boçais” e suas gradações, “um pouco ladino”, “muito ladino”, que significa a incorporação de habilidades à experiência na  sociedade escravista, incluindo o aprendizado da língua senhorial.




Isso tudo pode tornar mais evidente que numa época em que as hierarquias se baseavam na distinção jurídica entre livres e escravos, na propriedade e na cor da pele, a comunicação verbal foi um espaço de trocas inevitáveis, de uma mestiçagem cultural que ocorreu a despeito dos conflitos, violências e agruras do cotidiano. Trata-se de um momento importante da história da língua portuguesa no Brasil, um país multilíngüe, conseqüência da diversidade humana. Defende-se hoje, na África, a idéia de que todas as crianças têm o direito de ir à escola e aprender em suas línguas maternas. Em Angola, no ano que vem, o ensino das línguas nacionais, como o quimbundo e o quicongo, fará parte do currículo escolar, e há um movimento para que se tornem línguas oficiais. É um exemplo a ser invejado.
Ivana Stolze é doutora em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa e do CNPq e professora da PUC-RJ. É autora de Cores, marcas e falas. Sentidos de mestiçagem no Império do Brasil  (Arquivo Nacional, 2003).






CONHEÇA O NOSSO POVO. SEUS HÁBITOS, CULTURA, CANCIONEIRO E O SEU TRAJAR - HOJE A PRIMEIRA PARTE SOBRE O TRAJE

Trajes Tradicionais e Regionais



 
 Introdução
As formas de trajar sempre tiveram uma importância vital na identificação social, cultural e profissional dos povos.
Antes de se chegar à "standartização" dos nossos dias, em que quase toda a gente veste o mesmo tipo de roupa, existia a possibilidade de se conhecerem inúmeras características de uma pessoa pelo trajo que esta envergava. Hoje em dia, embora essa possibilidade ainda se verifique em algumas situações, é muito mais difícil de se conseguir.
Nas classes mais endinheiradas havia grandes preocupações quanto à sumptuosidade e riqueza das roupas.
Trajo Saloio - Mulher
As várias modas que foram surgindo ao longo dos tempos, com maior ou menor ostentação e riqueza, mais ou menos vistosas, espelhavam, sobretudo nas classes altas, a própria evolução social e cultural. E sublinhavam também a maior (ou menor) abastança dos próprios países. Por outro lado lado, há que levar em linha de conta a protecção do corpo contra as alterações climatéricas e ambientais. Terá sido mesmo essa a primeira preocupação do Homem quando começou a cobrir o seu corpo.
As várias alterações estéticas que os homens impuseram nas suas formas de trajar, essas sim, variavam já consoante a sua própria cultura, o que influenciava os gostos e os costumes.
Ressalta pois que da preocupação puramente protectora, o vestuário foi assumindo carácter de diferenciação social e económica e, obrigatoriamente, cultural.
Em Portugal não se pode afirmar que tenha havido grandes diferenças em relação aos restantes países da Europa. Contudo há (e houve) aspectos identificadores de cada país e dentro deste de cada região. Outra vez a cultura e o clima de mãos dadas na definição de modas, costumes e hábitos de trajar.
Na zona da capital portuguesa, os "campónios" têm uma denominação própria, são os saloios.
E podemos afirmar que foi possível, durante muitos anos, distinguir um saloio (rural) de um citadino, através da roupa que envergava.
Não é, decerto, o único traço distintivo destas gentes, mas é, obviamente, aquele que primeiro se nota. Sem se poder distinguir um trajo propriamente saloio, é, no entanto, possível afirmar um conjunto de características que definem a roupa que o saloio mais comummente enverga, que a chamada domingueira - ou de "ir ver a Deus" -, quer a outra que usa diariamente na sua labuta camponesa.
Legenda das fotos (de cima para baixo): Desenho de uma saloio com um cesto à cabeça, trazendo produtos hortícolas para vender em Lisboa | Saloio no seu trajo quotidiano | Saloias passeando num jardim, envergando os seus melhores trajos domingueiros

Retirado de "O Trajo Saloio" - Brochura editada pela Câmara Municipal de Loures / Departamento Sócio-cultural - Texto e selecção de fotos de Francisco Sousa - Novembro de 1995




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Sobre o trajar dos saloios
Não é muito fácil definirmos concreta e definitivamente o trajo saloio. Cremos mesmo não ser muito correcta a afirmação TRAJO SALOIO, mas sim oTRAJAR DOS SALOIOS.
O saloio é, cremos que poucas dúvidas se levantam hoje em dia, o camponês dos arrabaldes de Lisboa, aquele que durante muitos anos forneceu a cidade dos produtos frescos provenientes das hortas destes sítios. Assim o trajar destes homens do campo tinha uma ligação muito estreita com esta sua actividade, não se podendo, no entanto, diferenciar do de outros camponeses que trabalhavam noutras zonas da Estremadura ou mesmo do Ribatejo Alto Alentejo. Não cremos que haja uma característica de indumentária exclusiva dos saloios. Barretes, peça que, de facto, identifica sobremaneira o homem saloio, existem também em vários outros pontos de Portugal; bem assim como as faixas na cintura; bem assim como o varapau. Nas mulheres o uso do lenço e o seu tipo, é muito semelhante, por vezes igual, ao da maior parte das regiões do país. Mas, na indumentária feminina encontramos algo que, ao que pudemos observar até agora, se pode revelar como único, a céle
bre carapuça saloia, a que faremos maior referência no capítulo seguinte. Depois de observarmos muitas gravuras, podemos, para já, concluir pela exclusividade deste elemento, com estas características, como algo retintamente saloio.
Há no trajar dos saloios algumas particularidades e diferenças, que não são estabelecidas em função das várias profissões que existem como até se podia supor. Ou seja, o jornaleiro, o moleiro ou o condutor de carroças, quando trabalham envergam o mesmo tipo de roupa, a grande diferença (e possível diferenciação) está quando chegam os dias de festa ou os dias santos, em que se usam os melhores fatos, aqueles mais novos e onde é então possível vislumbrar quem tem maiores posses, maior poder monetário para compor de forma mais adornada o seu vestuário.
Afirmamos pois que o saloio não possui um trajo que o distinga claramente de outros camponeses seus vizinhos. Mas também não podemos escamotear o facto de os saloios trajarem de forma muito semelhante entre si e que, frequentando mais assiduamente a cidade de Lisboa que os camponeses de outros locais, se tenha fixado um certo tipo de trajar como o trajo saloio e que, aos longo de muitos anos, vários estudiosos, pintores e fotógrafos tenham tentado fixar este homens e estas mulheres com os seus trajos característicos.
É isso que aqui, de forma sucinta, breve (tendo em conta o século XIX e primeira metade do século XX) e o mais completa possível, iremos agora fazer. Dar-lhes o retrato mais fiel do trajo envergado pelo saloio e pela saloia. No final falaremos, ainda que brevemente, do que cremos ser o trajar saloio hoje em dia.
Legenda das fotos (de cima para baixo): Numa galera, estas lavadeiras envergam os seus trajos de trabalho | Grupo de homens saloios numa feira em Bucelas | Desenho estilizado representando num casal de saloios num bailarico.



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A protecção para a cabeça
O barrete saloio é talvez a peça da indumentária masculina mais conhecida. Não é, no entanto, exclusivo destes homens. Os campinos das lezírias ribatejanas também o usam, assim como os pescadores de várias zonas costeiras do país. Mas é, sem dúvida, com os homens saloios que este objecto mais se identifica. É quase sempre negro, mas também se usou vermelho e verde, semelhante ao dos já citados campinos e por vezes com borlas coloridas, consoante o estado civil daquele que o usa. Mas foi o barrete totalmente negro que mais se difundiu e, cremos, que nenhum saloio retinto o tenha, alguma vez, deixado de usar.
Mas não era esta a única protecção para a cabeça que os saloios usavam. O chapéu de abas largas era também muito usado e, por vezes, a cartola surgiu igualmente (chamado chapéu “zabumba”). Nos nossos dias o comum boné substituiu, em larga escala, todos os outros.
Nas mulheres o lenço foi rei e senhor. Houve tempos, até meados do século XIX, em que, em conjunto com o lenço, a mulher saloia cobria a cabeça com uma carapuça, conhecida exacta
mente como carapuça saloia. Curiosa a quadra que J. Leite de Vasconcellosrecolheu no Cancioneiro Popular Português:
«Sou Saloia, trago botas,
e também trago meu mantéu,
Também tiro a carapuça
a quem me tira o chapéu».
Mas enquanto esta carapuça caía em desuso o lenço foi-se mantendo, sendo ainda hpoje muito usado pelas saloias mais idosas.
Legenda das fotos (de cima para baixo): Saloio com duas das suas "imagens de marca": as suíças e o barrete negro | Lenço de cabeça - cachené

»» Trajes - O Trajo Saloio ("O hábito faz o monge?") O Tronco
Consoante a sua função, a estação do ano e, sobretudo, a ocasião, assim o saloio a e saloia vestiam a blusa, a camisa, o colete, o casaco, a casaquinha, o mantéu ou a jaqueta.
Da roupa interior, sempre utilizada, falaremos mais adiante, mas por cima da sua camisola e no que diz respeito ao tronco, o saloio vestia, invariavelmente, uma camisa.
Assim, este homem usava a sua camisola interior, de cor branca e muitas vezes, em situação de trabalho, de outras cores, nomeadamente cores escuras. Por cima desta usava a camisa que era, normalmente, “enfiada” pela cabeça. Estas eram aquelas camisas que tinham apenas uma pequena enfiada de botões na parte superior, no chamado espelho. Havia também outras que tinham duas frentes de botões até ao fundo. Outra característica residia no facto de terem ou colarinho, ou a chamada “gola à padre”. Estas camisas eram, na sua grande maioria de cor branca, mas também as havia de outras cores, sempre sóbrias. Por sobre a camisa vestia, invariavelmente, o colete preto, cinzento ou castanho, quase sempre. Este colete, em situação de trabalho, e por vezes mesmo nas festas, usava-se desabotoado. Quando trabalhava era esta a cobertura do tronco, quando assim não ac0ntecia vestia ainda a jaqueta de cores escuras com maiores ou menores adornos (tais como os alamares) consoante o maior ou menor poder económico do seu proprietário.
À volta da cintura, o saloio usava, frequentemente, a faixa ou cinta de cor preta (mais raramente vermelha), por vezes com um bordado nos dois extremos e franjas nas pontas.
Nos dias invernosos usavam a samarra ou o capote, que vários autores consideraram como “irmão gémeo do capote alentejano”.
A saloia era mais alegre e graciosa nas vestes que cobriam o seu tronco. Assim, e de maneira geral, usava uma blusa cintada, com aba, franzida ou com um machinho, blusas estas que tinham padrões floridos e, não raras vezes, eram de cores alegres e vivas. Por sobre estas usavam as vasquinhas, curtos gibões, ou casaquinhos de chita, ajustados ao busto. Usavam também um xaile pelas costas, sobretudo em casa, predominantemente as mais velhas.
Como roupa interior, a saloia usava igualmente o corpete, servindo para “segurar o seio”; algumas preferiam o espartilho. Era alva esta roupa interior.
Também a saloia usava capote, ou capa, para se proteger do frio e dos dias chuvosos.

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As pernas
O saloio usava, obviamente, calças. Calças que, de forma geral, tinham bolsos direitos, apertavam à frente com botões e atrás ajustavam com uma fivela; eram de talhe direito e folgadas ou, mais comummente, justas à perna alargando em baixo de forma a tapar a parte superior da bota. Eram, usualmente, em cotim, às riscas verticais ou lisas, e também em fazenda ou outros tecidos grossos. No trajar mais “cuidado” usavam calças feitas de “pele de diabo” – bombazina.
A saloia usava, obviamente, saias. A saia era sempre comprida, embora nunca fosse a arrastar pelo chão. Em situações de trabalho usava-a um pouco mais curta, de forma a não atrapalhar os movimentos do seu trabalho.
Para além das saias, a saloia usou durante muito tempo a sobresaia que, muito provavelmente, foi mais tarde substituída pelo avental (também chamado anágua). Este objecto não tinha apenas a função utilitária de evitar sujar a saia, mas era igualmente um adorno utilizado não só nos dias de trabalho mas também em situações festivas, onde era costume estrear um avental novo.
Legenda da foto: Calças de saloio, vistas de frente e saia de saloia com motivos florais
Os pés
Nos pés os saloios usavam quase sempre botas de couro. No trabalho, na festa, na igreja. Só os mais endinheirados usavam, por vezes, o sapato, embora mesmo estes optassem, frequentemente, pela bota ou botim, talvez uma pouco de melhor qualidade e por conseguinte mais caro.
Eram, normalmente, de couro branco, curtido com o passar do tempo e do uso. Eram também ferrados, com o fim de durarem mais tempo e os saltos tanto podiam ser de prateleira com um pequeno tacão. Tanto estas como as de tacão raso tinham sempre as “tacholas”. Podiam ser de cano inteiriço, até meio da perna, mas o mais natural era serem mais baixas, sobretudo as que eram utilizadas no trabalho do campo.
A saloia também usava bota, normalmente de cano curto e com um pequeno salto.
Em dias de festa deixava, por vezes, as botas e calçava sapatos rasos de cordovão de cabedal branco. Também havia aquelas que cobriam os pés com umas grossas botifarras de couro atanado, de cano alto e fechadas verticalmente por meio de uma carreira de botões.
Legenda das fotos: Bota de saloio e sapato de saloia




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