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terça-feira, 13 de maio de 2014

EDP distribui 676 milhões em dividendos pelos accionistas A China Three Gorges, o maior accionista, recebe 144 milhões de euros de dividendos.




EDP distribui 676 milhões em dividendos pelos accionistas


A China Three Gorges, o maior accionista, recebe 144 milhões de euros de dividendos.Os accionistas da EDP aprovaram ontem, em vésperas do aval ao novo plano de negócios da eléctrica para o período de 2015-2017, a distribuição de mais de 676,4 milhões de euros em dividendos. Um bolo que garante ao seu maior accionista, a China Three Gorges, uma fatia de 144 milhões de euros.


"Os pontos da assembleia-geral foram aprovados com mais de 99,9% dos votos dos accionistas. Isto demonstra aquilo que é o apoio accionista aos resultados, estratégia e capacidade de entrega do nosso compromisso", disse o presidente da comissão executiva da EDP, António Mexia.

A empresa gerou no último exercício, 2013, lucros de cerca de mil milhões de euros.

Outro dos pontos em cima da mesa foi o congelamento da remuneração da comissão executiva do grupo para o período de 2014.

O gestor conserva assim o salário fixo de 600 mil euros por ano, de que beneficia desde 2006, ao qual acresce uma componente variável em função da performance financeira da empresa anual e plurianual. Um valor que, em 2013, foi de cerca de 250 mil euros. Quanto aos restantes administradores da comissão executivo continuarão a receber 80% do salário de António Mexia, a que acresce também uma parte variável.

Já Eduardo Catroga, presidente do conselho geral e de supervisão, órgão onde estão representados os accionistas de referência da empresa, assegura a manutenção de uma remuneração fixa 490.500 euros anuais.

Uma decisão que, segundo a proposta da Comissão de Vencimentos, que fixa o salário do Conselho Geral e de Supervisão, vai em linha com "as dificuldades que o país atravessa, em consequência da crise económica, financeira e social, e os desafios que o país tem pela frente no processo de saída do resgate em que se encontra".

A China Three Gorges é actualmente o maior accionista do grupo eléctrico português, com uma participação de 21,35%, seguido do fundo de investimento norte-americano Capital Group Companies e do Oppidum Capital, liderado pelo espanhol Masaveu, com 7,19%. Com a saída do grupo Espírito Santo e a redução da José de Mello para 2% da estrutura de capital da EDP, a lista de investidores de referência nacionais passou a contar apenas com os 2,62 do BCP

SÃO ESTAS AS PENAS QUE A "JUSTIÇA" APLICA AOS VÍGAROS QUE AINDA PODEM RECORRER - João Rendeiro condenado por insolvência culposa no caso do BPP

João Rendeiro condenado por insolvência culposa no caso do BPP



Desta decisão, os cinco ex-administradores do BPP podem agora recorrer para o Tribunal da Relação de Lisboa

, avança a "SIC Notícias".
O fundador do banco vai ficar inibido do exercício de qualquer cargo de administração ou gestão de empresas durante oito anos e perde qualquer crédito sobre o BPP.
Também os ex-administradores Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital ficam inibidos durante oito anos. Fernando Lima, durante três, e Paulo Lopes e Vítor Castanheira não poderão exercer qualquer cargo durante durante dois anos, revela a "SIC Notícias".
No julgamento que começou há um ano, e que hoje conheceu a sentença, o Tribunal considerou que considerou provado que os ex-administradores do BPP concederam crédito a empresas do grupo quando não o deviam ter feito e praticaram irregularidades na contabilidade, que impediram a correcta compreensão da situação patrimonial e financeira do banco.
Desta decisão, os cinco ex-administradores do BPP podem agora recorrer para o Tribunal da Relação de Lisboa.

Governo recua nos cortes salariais dos privados

Governo recua nos cortes salariais dos privados

Governo recua nos cortes salariais dos privados


O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social disse, esta terça-feira, que o Governo vai recuar na proposta que abria a porta a reduções salariais no caso da caducidade dos contratos coletivos de trabalho em nome da "boa-fé negocial".
 
"Para conseguirmos manter sempre uma boa-fé negocial com todos os parceiros, em especial a UGT, não vamos avançar com clarificação sobre essa matéria. Para nós, é fundamental que a proteção dos trabalhadores durante esse período da caducidade e da sobrevivência dos contratos coletivos continue a existir, e isso também que estimula que as partes se possam sentar a negociar e, por isso, mesmo não iremos propor qualquer alteração à atual legislação", disse Pedro Mota Soares.
Mota Soares falava no final de uma reunião com os parceiros sociais, durante a qual se iniciou a discussão em relação a três alterações ao Código do Trabalho, com vista ao prolongamento da redução do pagamento do trabalho extraordinário e à redução da vigência das convenções coletivas.
A proposta inicial entregue aos parceiros previa que suplementos remuneratórios como subsídios de turno, de penosidade, de cargas, trabalho suplementar, exclusividade ou isenção de horário, incluídos nas convenções coletivas negociadas entre patrões e sindicatos, pudessem ser cortados sempre que a convenção chegasse ao fim sem que haja renegociação.
Do lado dos sindicatos, Lucinda Dâmaso (da UGT) lembrou, no entanto, que as medidas levadas, esta terça-feira, à Concertação Social têm que ser todas analisadas e que o consenso não se conseguirá "a qualquer preço".
"Estamos até ao último momento em negociação, temos que ir até ao fim do processo", disse a dirigente, alertando contudo que nunca aceitará um processo "apressado" nem que ponha em causa "direitos inalienáveis".
A CGTP vai mais longe e diz que o Governo fez uma "chantagem anti-democrática" com os parceiros sociais, dando a entender que o encerramento da 12.ª avaliação da 'troika' dependeria de um consenso sobre este pacote de medidas.
Para Arménio Carlos, tratam-se de "artifícios" negociais do Governo que quer, com este pacote de medidas, esvaziar a contratação coletiva.
"Finge que dá com uma mão e tira com duas", disse o dirigente sindical afirmando que tanto esta medida como a que prevê a suspensão das convenções ao nível da empresa em situações de crise de mercado, não são mais do que "mecanismos de diversão".
O ministro Pedro Mota Soares, por seu turno, afastou qualquer pressão negocial, referindo que se trata de um compromisso do Governo desde o Memorando de Entendimento, constituído por isso "uma obrigação do Estado português de as poder fazer".
Do lado dos patrões, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, considerou "excessivo" dizer que o Governo recuou nesta matéria, mas sim que mostrou "disponibilidade para flexibilizar essa questão para manter o amplo consenso dos parceiros sociais".
"Não quer dizer que a retire da mesa", disse António Saraiva, considerando que o recuo só ocorrerá se de facto for conseguido o acordo da UGT.
António Saraiva admitiu também que a última tranche da ajuda internacional esteja "dependente" de algumas destas matérias.

Leia a carta - Seguro apela à mobilização de militantes (quais militantes !?) Secretário-geral socialista escreveu aos militantes lembrando que Governo "enfrenta primeira eleição nacional" e que quantos "mais votos no PS, maior será a derrota do Governo".




Seguro apela à mobilização de militantes

Secretário-geral socialista escreveu aos militantes lembrando que Governo "enfrenta primeira eleição nacional" e que quantos "mais votos no PS, maior será a derrota do Governo".

António José Seguro entrou por carta na campanha eleitoral. O secretário-geral socialista enviou uma carta aos militantes socialistas apelando à sua mobilização para as eleições europeias do próximo dia 25, mas de olhos postos na política nacional. "Quantos mais votos no PS, maior será a derrota do Governo", escreve na carta que hoje começou a chegar aos militantes e que aqui pode ler na íntegra.
"Só o voto no PS pode derrotar o Governo", garante Seguro que destaca um ponto novo na história do Governo PSD/CDS - mesmo sendo eleições europeias, estas serão as primeiras eleições nacionais que o Governo enfrenta. E Seguro quer todos, militantes e respectivos "familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho" cientes desse facto. "Pela primeira vez, cada português tem a oportunidade de enviar um recado ao governo: chega de cortes, chega de nos enganarem. Chega de um governo que promete uma coisa e faz outra, que falta à palavra e que negoceia com a 'troika' nas costas dos portugueses."

Em reacção à carta, o candidato da coligação Aliança Portugal às Europeias, Nuno Melo, veio entretanto acusar o Partido Socialista de ter estado na origem da política de austeridade: "António José Seguro diz que o voto no PS é fundamental para acabar com a austeridade. Mas o que representa a austeridade? Sentarmo-nos para chamar a 'troika' ou, como agora, fazer tudo para conseguir que a 'troika' se fosse embora? A austeridade foi negociada em primeiro lugar pelo PS e a 'troika' foi embora graças a esta coligação".

carta aos militantes




De onde vem a sua maquilhagem para os olhos !? de trabalho infantil ? sim a maior parte !

De onde vem a sua maquilhagem para os olhos !?

 Índia ,  a escravidão e o trabalho infantil na indústria de cosméticos.
Você já ouviu falar de mica? É um dos ingredientes mais comumente encontrados em cosméticos. As possibilidades são, você pode ter alguma coisa com o mineral brilhante - como sombra ou blush - em sua bolsa de maquiagem.
Eu aposto que você não sabia que 60 por cento de mica do mundo vem da Índia, onde as crianças são obrigadas a trabalhar em minas perigosas e ilegais. Nossa organização, Made in a Free World, está trabalhando duro para proteger essas crianças trabalhadoras - para que eles possam passar os seus dias dentro das escolas, e não minas. 
Recentemente tivemos a oportunidade de visitar uma mina de mica na Índia - e eu acho que você vai encontrar os nossos resultados e imagens esclarecedoras (sem trocadilhos). Percorra as nossas fotos para saber mais sobre este mineral 
5-Generation-um
Muitas vezes não nos damos conta de que os produtos que usamos diariamente têm um custo humano alto. Muitos dos nossos produtos, incluindo cosméticos, pode vir do, trabalho explorado forçada de homens, mulheres e crianças.
AA0070
Nosso objetivo é encerrar mercados ilícitos e ilegais e trazer liberdade a todas as crianças que trabalham na indústria de cosméticos.
1-Generation-um
A mica é um dos ingredientes mais comuns em produtos cosméticos. 60 por cento da produção mundial de mica ocorre na Índia, onde a mineração criança é generalizada. Assim que as crianças são capazes de andar, eles estão trabalhando nessas minas.
AA0173
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, a mineração é uma das piores formas de trabalho infantil. No entanto, as crianças de Jharkhand, na Índia são forçados a trabalhar em minas de todos os dias.
AA0098
Não deve demorar os brilhos no rosto para ajudar o resto da luminosidade e brilho mundo.
AA0176
Mais de 20 mil crianças são obrigadas a trabalhar em minas de mica na Índia a cada ano.
7-Generation-um
Este é um muito procurado mineral. Algumas indústrias que normalmente usam mica são: cosméticos, cuidados com o cabelo, construção, telhados, ferragens, eletrodomésticos, artes e ofícios, aeroespacial, automotiva e de petróleo. 
9-Generation-um
$ 50 dá para um  ano de educação e assegura às crianças estarem sentadas dentro de salas de aula em vez de trabalhar nas minas.
AA0213
100 dólares fornece a uma criança com uma bicicleta para chegar à escola com segurança .
AA0149

HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL 49ª PARTE - A EMBOSCADA INÉDITA (GUINÉ) - AS EMBOSCADAS - EX-COMBATENTES SEM ABRIGO - GUERRA COLONIAL EM TEMA - AS MENTIRAS DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES


A emboscada 

A emboscada é uma operação realizada de surpresa sobre elementos adversos em movimento, para os aniquilar ou impedir de atingir determinados pontos, colher informações, fazer prisioneiros, apreender armas e documentos, causar danos e criar a instabilidade. 

Consiste na instalação dissimulada de dispositivo adequado em local escolhido, que se designa por zona de morte, onde se detém e se ataca o inimigo. 

Manter o silêncio, a dissimulação, a camuflagem, a imobilidade, a atenção permanente durante longas horas, por vezes dias, em condições climatéricas muito difíceis, com calor ou chuva, de dia ou de noite, sujeito à acção de insectos, com fome e sede, exigia grande disciplina e espírito de sacrifício por parte dos combatentes que montavam uma emboscada. 
A sua realização frequente com resultados infrutíferos conduzia ao desleixo das tropas, tornando-as vulneráveis a golpes de mão e a contra-emboscadas. 
Habitualmente, as emboscadas eram montadas em locais de passagem obrigatória ou provável, como desfiladeiros e passagens a vau de rios, ou junto a lavras e a fontes. 
O dispositivo do grupo de combate resumia-se a uma equipa de vigilância de dois homens, uma de detenção, com metralhadora ou lança-granadas, e um grupo de assalto.





Guerra colonial: a emboscada inédita







Os soldados eram largados no mato para fazerem as patrulhas
A manhã mal tinha nascido quando se deu o ataque. As explosões de morteiro atingiram os primeiros homens da coluna com tanta violência que em milésimos de segundos lhes arrancaram membros e todo o vestuário.
Durante cerca de 15 minutos os militares portugueses combateram um inimigo sempre invisível, escondido no meio do mato. Quando o som dos disparos das G3 portuguesas e das metralhadoras chinesas usadas pelos guerrilheiros do PAIGC finalmente abrandou, foi substituído por outro não menos angustiante. Os gritos de agonia de um dos homens atingidos de morte.
"Ele sentiu a morte e de que maneira. Ainda esteve mais de uma hora vivo, sem uma perna e um braço. Pediu para o matarmos, mas quem é que o matava... era muito difícil fazer isso mas sabíamos que ele estava a sofrer e bem".
Leonel Martins também foi atingido pelas armas dos guerrilheiros do PAIGC, mas teve mais sorte. Sofreu ferimentos graves numa perna, nos rins e no peito, mas sobreviveu.

Um maço de tabaco numa hora






Conta que acendeu cigarro atrás de cigarro enquanto esperava pelo helicóptero de socorro que andou perdido a sobrevoar o mato e levou quase uma hora e meia para encontrar o local.
"São daqueles momentos que nunca mais passam. E eu estava passado da cabeça, pronto. Fumei um maço de tabaco inteiro numa hora e mesmo depois, no helicóptero, já a soro, ainda pedi um cigarro ao piloto".
Esta emboscada aconteceu a 18 de outubro de 1969 na região de Bula, a cerca de 40 quilómetros de Bissau e tudo foi filmado pela câmara de três jornalistas franceses que conseguiram autorização de Spínola e do Governo de Lisboa para acompanhar o teatro de operações. Para os registos oficiais, representou apenas mais um episódio da guerra da Guiné, mais dois homens na lista de baixas, outros dois para a contabilidade dos feridos.
O filme, que poucos conhecem, é um dos registos mais dramáticos da guerra colonial que começou em Angola, a 4 de fevereiro de 1961. E foi visto no programa "Grande Reportagem" da SIC, que foi para exibido domingo à noite.


As Emboscadas...





Estáva no quartel quando de repente se houve bem perto de nós, pelo menos era essa a sensação, muito barulho de tiros e morteiros. De imediato corremos para o rádio na tentativa de saber o que se estava a passar. O poletão que tinha ido escoltar uma coluna a Chicoa estava a ser atacada já no regresso e havia baixas. De imediato se formou um grupo de socorro que partiu para o local.
De facto a situação não podia ser mais grave. Alguns feridos, o Capitão da Companhia, que estava connosco no quartel, ferido com gravidade, era uma situação desoladora. Os pedidos de evacuação já tinham sido emitidos e os helis fizeram tudo com bastante rapidez.

O Comandante da ZOT - Zona Operacional de Tete, esteve presente no local e acompanhou as evacuações conjuntamente com os nossos comandantes, Figueiredo e Vicente.

As DOs faziam também trabalho de evacuação de feridos.
Todos colaboravam na evacuação dos feridos.
A emboscada tinha sido bem montada. O alvo tinha sido assinalado e a basucada fatal não falhou. Tudo foi muito rápido. Podia ter sido muito pior não fosse a rápida percepção do condutor da Berliet, ao ouvir um tiro de pistola a assinalar o inicio da acção atacante. Este travou de imediato e atirou-se para o lado gritando que era ataque. A pouca experiencia dos demais talvez tivesse sido a causadora dos feridos havidos. Podemos ver pela foto o estrago causado na viatura. O Capitão estava sentado na mesma posição que o soldado mostra e em vez de se atirar logo para aquele lado, foi levado pelo instinto e atirou-se para o mesmo lado do condutor, perdendo daquela forma uns segundos preciosos para se salvar.
Infelizmente veio a falecer com hemorregias internas. Este camarada tinha pedido a transferência da Guiné para Moçambique porque a guerra na Guiné era muito severa e ali, pensava ele, a situação era mais calma.

Chegou-me a seguinte imagem acompanhada da carta que a seguir transcrevo na íntegra, do nosso camarada José Abílio Mourato, que fazia parte da C.CAÇ. 4241 que esteve connosco em Chipera.
Caro Companheiro Pessa:
Como a Internet é boa!!!
Recebi o teu mail (permite-me tratar-te por tu) e o endereço do blogue do B.CAÇ 3843. 
Estive na Chipera entre 1972 e 1974. Fazia parte da C.CAÇ 4241.
Esta companhia não pertencia a nenhum batalhão, era independente, dependendo operacionalmente da CCS do B.CAÇ 3843, onde tu estavas. Eu Era o cabo escriturário, havia só um e esse um, era eu. Pelos vistos estivemos juntos na Chipera, pelo menos 2 meses, até que vocês rodaram para a Zambézia, em Outubro de 1972. Hoje quando abri o teu mail e fui ao blogue, chorei à frente do computador como uma Maria Madalena, E explico porquê.

Nós chegámos a Chipera em 9 de Agosto de 1972. Era já noite e eu nunca mais esqueço um camarada teu a perguntar pelo “checa” escriturário. Os das transmissões perguntavam pelos “checas” das transmissões, os da “ferrugem” pelos seus similares e assim por diante. Depois do fartanço das primeiras rações de combate, com salsichas intragáveis made South África, desde a Beira até Chipera, com paragem em Moatize e Estima, confesso que a sopa quentinha e o banho que os colegas escribas da CCS proporcionaram ao checa escriturário acabado de chegar, foi dos maiores confortos que me aconteceram. Também tinham cama para mim, nessa noite, na camarata deles.


No outro dia começámos a arrumar a tenda, até nos integrarmos no espírito da Chipera que incluía umas “visitas” à Isaura no aldeamento. Nunca me arrisquei a isso, por precaução.

O nosso capitão, Celestino da Cunha, miliciano, já quase formado em medicina, era muito meu amigo. Ele também beneficiava em ter um sargento “xico” com quem se desse bem e um bom escriturário, para administrar a logística e desde que formámos a companhia, em Abrantes, mostrou logo simpatia pela dedicação que eu tinha na arrumação da papelada. Quando chegámos à Beira, formou a companhia e disse: “chegámos à guerra e a partir de agora, juizinho para voltarmos todos à Metrópole”. Mal sabia o que lhe estava para acontecer. 

No dia 24 de Agosto de 1972, tinha-me dito: “Ó Mourato, tens que falar com os mainatos para te ajudarem a colocar uma protecção nas entradas do telhado de zinco da secretaria, porque quando há os remoinhos de vento, o pó é mato em cima dos papéis, que nem consigo assinar".

No outro dia, logo de manhã, as transmissões recebem uma mensagem vinda da Chiboeia, dando conta de um violento ataque por volta da meia-noite, ao pelotão da nossa companhia que lá estava aquartelado. Afinal tinha-se concretizado aquilo que já estávamos à espera e que se tinha institucionalizado na estratégia de combate na Frelimo, o chamado “Baptismo de fogo”, normalmente com grande intensidade às companhias checas acabadas de chegar. O ataque foi feroz, arderam as instalações, quase todas feitas de capim, os frigoríficos a petróleo, uma metralhadora, destruída etc., tendo ficado feridos 4 elementos 2 dos quais em estado muito grave. O enfermeiro esteve toda a noite com os feridos mais graves tentando estancar as hemorragias na cara de um que ficou cego de uma vista. Os rádios ficaram sem funcionar e só de manhã é que nos comunicaram o acontecido, servindo-se de um rádio da milícia do aldeamento.

Organizou-se logo uma coluna de auxílio ao pelotão da Chiboeia, comandada pelo nosso capitão Cunha. Ainda parece que estou a ouvir o Major Figueiredo com o seu vozeirão e a sua experiência já de muitos meses de Chipera dizer para o capitão.”Cuidado que eles atacaram o destacamento e agora sabendo que vão lá, têm minas na picada”. A coluna de auxílio lá foi progredindo lentamente com os detectores de metais, mas minas não havia. Havia sim outra coisa bem pior: os guerrilheiros da Frelimo, vindos de outras áreas, seleccionados entre os melhores, para o célebre Baptismo de fogo dos checas acabados de chegar, com apenas 15 dias de mato, fizeram o ataque ao destacamento à meia noite e permaneceram emboscados por ali até às 11 horas da manhã do dia seguinte, à espera da coluna de apoio. Já próximo, apenas a cerca de 3 Kms da Chiboeia, com a coluna sobre a mira, fizeram um ataque brutal, atingindo alguns elementos e em cheio o capitão Cunha que ficou com a perna esfacelada e separada em dois bocados a esvair-se em sangue. Contou-me o enfermeiro Lourinho que foi quem o assistiu até à vinda do helicóptero que ele, conhecedor, pois era médico, lhe pedia para lhe dar a morfina que tivesse em seu poder para lhe aliviar as dores. Nós, os “aramistas”, seguíamos com ansiedade o que se estava a passar naquela maldita picada. O homem do rádio na picada, a tremer de medo, dizia cá para o posto, atabalhoadamente, para o major Figueiredo: “fomos atacados na picada, há não sei quantos feridos, o nosso capitão é o que está pior.” O major em altos berros dizia-lhe “Ó pá levanta-te que o fogo já passou e diz-me quantos feridos e mortos há, para eu saber quantos helicópteros hei-de pedir para a Estima.” Passado umas horas chega o séquito dos helicópteros para a evacuação na picada e também um da “psico” a sobrevoar o aldeamento da Chipera, fazendo a propaganda do costume, para a população se manter calma, porque estávamos ali para manter a paz e não para fazer a guerra.

Depois da evacuação dos feridos para Tete, ficámos ansiosos esperando notícias do capitão. Ao sol-posto, o Sargento Raposo, vinha cabisbaixo, do posto das transmissões, com uma mensagem, dando a triste notícia: “o nosso capitão morreu, não resistiu às hemorragias internas” 

Esse malfadado dia 25 de Agosto de 1972, nunca mais o esqueci, assim como não esqueci as palavras que o enfermeiro Lourinho ouviu quando estava na picada com o capitão, em agonia, à espera da evacuação. Guardei sempre essa imagem como se a estivesse a ver. Já a contei dezenas de vezes.

Hoje quando fui ao blogue e vi em fotografia a perna do capitão separada em duas, preenchendo o imaginário que sempre tivera, apenas por ouvir contar, chorei sozinho em frente ao monitor. É um documento que vou guardar e pelo qual te felicito o teres eleito para colocação na opção “EMBOSCADAS”. Não fazia ideia poder haver registo de tamanha tragédia. Já mandei para alguns companheiros da C.CAÇ 4241.

bcac3843.blogspot.pt

Ex-combatentes sem abrigo - um artigo do alf. Moreira da CART 1690




Com a devida vénia ao jornal Badaladas, publicamos a seguir um artigo do alf. Moreira.
O alf. Moreira é presentemente advogado em Torres Vedras e foi comandante da CART 1690, pertencente ao nosso Batalhão, após a morte em combate do seu Capitão.
Tirou a especialidade juntamente com o alf. Vaz Alves.
Foca neste artigo, mais uma vez, o tema triste dos ex-combatentes sem abrigo e diz que esse numero é actualmente de 2.500 - era há um ano de cerca de 600.
Dá que pensar esta situação, principalmente quando há um só homem, que ganha "apenas" 170.000 € por mês de reforma.
Na verdade algo está mal, neste nosso Portugal...



bart1914.blogspot.pt


Guerra Colonial em Tema


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O QUE SE DIZ DA GUERRA COLONIAL

No plano das narrativas, temos assistido a algumas bacoradas lançadas a público por meia dúzia de indivíduos que pouco fizeram durante a guerra, portanto sem relação com as vivências no terreno. Pela amostragem, aparecem quase sempre os mesmos, gente que esteve longe dos dramas e das angústias vividas no meio das matas e dos trilhos ou picadas onde o perigo das emboscadas e das minas eram o tormento de todos os minutos.
Lamentavelmente, os indícios sobre a tentativa de branquear os erros dos governantes e minimizar o desempenho dos verdadeiros combatentes são evidentes e fazem parte da vergonhosa campanha para justificar o desprezo pelos que sofreram no corpo e na alma os efeitos da guerra e são uma afronta à memória dos “nossos” mortos em combate.
Esses arautos da mentira esquecem-se que houve muitas situações trágicas que causaram a morte a mais de dez mil homens cuja missão era proporcionar segurança e bem-estar aos que trabalhavam na rectaguarda.
Depois, temos uma casta de escritos a difundir a ideia dos desertores ou cobardes proscritos pela Pátria que traíram. São enredos com palavras bonitas e bem colocadas mas vazias de conteúdo perceptível para a maioria dos portugueses que tiveram alguém envolvido numa guerra que marcou a vida duma geração e mexeu com mais de um milhão de famílias portuguesas. Fazem parte de um trabalho dirigido à elite intelectual dos senhores lobistas que vivem nas catacumbas parasitárias da cultura portuguesa; são família do mesmo lóbi que tem contribuído para agravar o definhar da sociedade, especialmente na educação e saber que são o fundamento dum povo a precisar de ideias e acções capazes de salvar o que resta dos valores da cidadania. 
Do que temos visto dos arautos da Guerra Colonial, são poucos os exemplos de patriotas com coragem para defenderem uma imagem digna dos combatentes. Curiosamente, temos dois maus exemplos nas pessoas de Manuel Alegre e António Lobo Antunes cujos textos continuam a estar na estampa, mas as suas acções públicas deixam um rasto de insultos que indignam os verdadeiros combatentes da Guerra Colonial. Destes dois “famosos” não se conhecem tomadas de posição que ajudem a resolver os principais problemas em aberto no contexto da descolonização: assistência e apoio efectivo aos traumatizados e a devolução, às terras de origem, dos restos mortais dos combatentes que ficaram nas terras remotas de África.

Valongo, Maio de 2009

Joaquim Coelho, ex-combatente em Angola e Moçambique




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O QUE FOI NOTICIADO:
A TODOS OS HOMENS QUE ESTIVERAM NO ULTRAMAR (Principalmente em Angola),

E A TODAS AS PESSOAS QUE AINDA ACREDITAM QUE OS ESCRITORES SÓ ESCREVEM COISAS VERDADEIRAS E SÃO IMPUNES NA VIDA E NA HISTÓRIA DO PAÍS...
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António Lobo Antunes e a escrita mentirosa

Custa-me encontrar um título apropriado à escrita de António Lobo Antunes que, podendo ganhar dinheiro com a profissão de médico, prefere a escrita para envergonhar os portugueses. Talvez este início de crónica escandalize quem costume venerá-lo. Eu, por maior benevolência que para com ele queira usar não posso, nem devo. Por várias razões, algumas das quais vou enunciar. Porque não gosto de atirar a pedra e esconder a mão.

Este senhor foi mobilizado como médico, para a guerra do Ultramar. Nunca terá sabido manobrar uma G-3 ou mesmo uma Mauser. Certamente nem sequer chegou a conhecer a estrutura de um pelotão, de uma companhia, de um batalhão. Não era operacional mas bota-se a falar como quem pragueja. Refiro-me ao seu mais recente livro:

João Céu e Silva pode reclamar alguns méritos deste tipo de escrita. Foi o entrevistador e a forma como transpõe as conversas confere-lhe alguma energia e vontade de saber até onde o entrevistado é capaz de levar o leitor. Mas as ideias, as frases, os palavrões, os impropérios, as aldrabices - sim as aldrabices - são de Lobo Antunes. Vejamos o que ele se lembrou de vomitar na página 391:

«Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».

Penso que isto que deixo transcrito da página 391 do seu referido livro, se vivêssemos num país civilizado e culto, com valores básicos a uma sociedade de mente sã e de justiça firme, bastaria para internar este «escriba», porque todo o livro é uma humilhação sistemática e nauseabunda, aos Combatentes Portugueses que prestaram serviço em qualquer palco de operações, além fronteiras.

É um severo ataque à Instituição Militar e uma infâmia aos comandantes de qualquer ramo das Forças Armadas, de qualquer estrutura hierárquica e de qualquer frente de combate. Isto que Lobo Antunes escreve e lhe permite arrecadar «350 contos por mês da editora» (p. 330), deveria ser motivo de uma averiguação pelo Ministério Público. Porque em democracia, não deve poder dizer-se tudo, só porque há liberdade para isso. Essa liberdade que Lobo Antunes usou para enriquecer à custa o marketing que os mass media repercutem, sem remoques, porque se trata de um médico com irmãos influentes na política, ofendeu um milhão de Combatentes, o Ministério da Defesa, uma juventude desprevenida, porque vai ler estes arrotos literários, na convicção de que foi assim que fez a Guerra, entre 1961 e 1974. E ofende, sobretudo, a alma da Portugalidade porque a «aldeia global» a que pertencemos vai pensar que isto se passou na vida real nos finais do século XX.

Fui combatente, em Angola, uns anos antes de Lobo Antunes. Também, como ele fui alferes miliciano (ranger). Estive numa zona muito mais perigosa do que ele: nos Dembos, com operações no Zemba, na Maria Fernanda, em Nuambuangongo, na Mata Sanga, na Pedra Verde, enfim, no coração da guerra. Nunca um militar, qualquer que fosse a sua graduação ou especialidade, atirou a matar. Essa linguagem dos pontos é pura ficção. E essa de fazer cordões com orelhas de preto, nem ao diabo lembraria. E pior do que tudo é a maldade com que escarrou no seu próprio batalhão que tinha seiscentos militares e registou centena e meia de baixas...Como se isto fosse crível.

Se o seu comandante que na altura deveria ser tenente-coronel, mais o segundo comandante, os capitães, os alferes, os sargentos e os soldados em geral, lerem estas aldrabices e não exigirem uma explicação pública, ficarão na história da guerra do Ultramar como protagonistas de um filme que de realidade não teve ponta por onde se lhe pegue.

Em primeiro lugar esta mentira pública atinge esses heróicos combatentes, tão sérios como todos os outros. Porque não há memória de um único Batalhão ter um décimo das baixas que LoboAntunes atribui àquele de que ele próprio fez parte . É preciso ter lata para fazer afirmações tão graves sobre profissionais que para serem diferentes deste relatório patológico, basta terem a seu lado a Bandeira Portuguesa e terem jurado servi-la e servir a Pátria com honra, dignidade e humanismo.

Não conheço nenhum desses seiscentos militares que acolheram António Lobo Antunes no seu seio e até trataram bem a sua mulher que lhes fez companhia, em pleno mato, segundo escreve nas páginas 249 e 250. Mereciam eles outro respeito e outros elogios. Porque insultos destes ouvimos e lemos muitos, no tempo do PREC. Mas falsidades tão obscenas, nem sequer foram ditas por Otelo Saraiva de Carvalho, quando mandou prender inocentes, com mandados de captura, em branco e até quando ameaçou meter-me e a tantos, no Campo Pequeno para a matança da Páscoa. Estas enormidades não matam o corpo, mas ferem de morte a alma da nossa Epopeia Nacional.

Barroso da Fonte

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PS de Cor. Manuel Bernardo
Não li o livro em causa. No entanto, dada a consideração que me merece este Combatente, fundador da Associação dos Combatentes do Ultramar, ousei realçar algumas frases e difundir para maior audiência na net, afim de tentar recolher opiniões de alguns dos 600 militares que este escritor refere... Assim, os "negritos" foram por mim aplicados e são da minha responsabilidade.
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