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sábado, 19 de abril de 2014

MURAL AO 25 DE ABRIL - FASE CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO (AV. BERNA, LISBOA, ABRIL 2014)

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 ephemerajpp.com

A HISTÓRIA E AS ESTÓRIAS DAS GÔNDOLAS DE VENEZA - TEXTO E FOTOGALERIA


Browning não foi o primeiro nem o último a sonhar com beijos em sua amada a bordo de uma gôndola. Desde que a nobreza começou a flutuar pelos canais da cidade, na Renascença, a gôndola se tornou um símbolo de Veneza e do romance intimamente ligado à cidade. O caso de amor dos escritores do século 19 George Sand e Alfred de Musset se desenrolou em Veneza; há até o registro de uma briga de namorados que incluiu um passeio de gôndola na hora de fazer as pazes. Também a atriz Eleonora Duse e o poeta e dramaturgo Gabriele d'Annunzio tiveram seu caso em Veneza, no fim do século 19.





E Veneza foi o cenário do primeiro encontro da famosa soprano grega Maria Callas com Aristóteles Onassis, que se tornaria seu marido. Callas chegou charmosamente atrasada, a bordo de uma gôndola, ao Palazzo Castelbarco. [fonte: Edwards].
Gôndolas são a última palavra em termos de romance. Para ter papel nesse romance, ou pelo menos ser capaz de discutir o tema apropriadamente, você precisa conhecer a cultura da gôndola. Como e quando ela surgiu? Saiba na próxima página.
A arquitetura cosmopolita e ornamentada de Veneza se espalha sobre 117 pequenas ilhas localizadas numa lagoa de água salgada no nordeste da Itália - bem onde o "tornozelo" da Itália (o país tem a forma de uma bota), atinge o mar Adriático. Cruzadas saíram de Veneza nos séculos 11, 12 e 13, e a cidade foi ponto de entrada na Europa de especiarias e seda trazidas do Oriente.
A história de Veneza se confunde com a história de suas águas. A cidade é construída sobre o oceano, e não em seu litoral. A água flui por Veneza, em vez de em volta dela. E em vez de táxis, Veneza tem as gôndolas.
Gôndolas atracadas em Veneza
Hanquan Chen/istockphoto
Gôndolas atracadas em Veneza
Em 1094, o doge (líder máximo) de Veneza era Vitale Faliero, que tem sua efígie perto do altar principal da Basílica de São Marcos. Faliero deu ao povo de Veneza algumas gôndolas, declaradamente para facilitar o transporte na cidade, mas também porque ele queria evitar uma revolta popular como a que o tinha levado ao poder em 1084. As gôndolas logo foram adotadas, mas não pelos camponeses, que Faliero tinha em mente. Foram os ricos de Veneza que rapidamente passaram a usar as gôndolas.

Gôndolas expressas
Uma vez por ano some a imagem de serenidade e romance das gôndolas. Isso acontece durante a Regatta Storica, no primeiro domingo de setembro. O percurso da corrida de gôndolas tem 32 km.
No final do século 15 e início do século 16 os pintores Gentile Bellini, Vittore Carpaccio e Giovani Mansuetti retrataram gôndolas muito semelhantes às atuais. E no final da Renascença italiana, no século 17, cerca de 9.000 gôndolas singravam pelos canais da cidade, levando seus abastados passageiros em seus afazeres.
Em 1633 o governo de Veneza achou que a extravagância tinha passado do limite e promulgou uma lei suntuária, determinando que todas as gôndolas deveriam ser pretas. Todas menos as pertencentes ao governo. Graças à isenção, elas se destacavam no meio dos barcos privados.








As gôndolas pós-renascentistas eram otimizadas para viagens, com uma cabine baixa para passageiros, chamada de felze, protegendo das intempéries. No século 20, com o turismo prevalecendo sobre o transporte no uso das gôndolas, o felze deu lugar a um toldo - e nos anos 60 do século 20 passou a predominar o barco aberto de hoje, feito para facilitar a visão da paisagem pelos turistas, em vez de dar privacidade aos nobres em trânsito.
Há cerca de 400 gondoleiros licenciados em Veneza, prontos para levar turistas ao passeio de suas vidas.
Na próxima página, conheça os detalhes construtivos das gôndolas.


A construção de uma gôndola, estabelecida por centenas de anos de tradição, é regulamentada por lei.  
A forma da gôndola leva em conta a funcionalidade. Seu fundo chato permite que a gôndola deslize sobre canais com poucos centímetros de profundidade, e o uso de um remo (não uma vara) possibilita aos gondoleiros impelir o barco nas águas mais profundas. Infelizmente, o formato tradicional, chato, do fundo, torna a gôndola um tanto instável. As gôndolas - e seus passageiros - sofrem com a esteira deixada por modernos barcos a motor nas águas do Grande Canal, que cruza Veneza de norte a sul, passando pelo seu centro. Por mais experiente que seja o gondoleiro, o passeio pode ser um tanto cheio de solavancos.
Ilustração mostra as partes de uma gôndola
Chega a 20.000 euros (quase R$ 50.000,00 em outubro de 2011) o preço de uma gôndola nova. A complexidade da construção ajuda a explicar o preço. Segundo os artesãos do estaleiro Domenico Tramontin e Figli, a gôndola tradicionalmente é feita com 8 tipos de madeira. Nas laterais, o sólido carvalho. Leve, o abeto é usado no fundo do barco. Maleável, a cerejeira vai nos bancos. Pela resistência à água, lariço. Na estrutura, nogueira, que é flexível. Para reforço, tília. O acabamento é feito em mogno, e o olmo vai moldado à nogueira [fonte: Tramontingondole.it]. Essas 8 madeiras compõem as 280 partes intertravantes conectadas como um modelo de armar na hora de montar uma gôndola.
Há apenas duas partes de metal. Uma delas, chamada ferro, é a peça curva de metal na proa (frente) da gôndola. Ela funciona como contrapeso ao gondoleiro, que rema da popa (traseira) do barco. O ferro também protege a proa, evitando que a madeira seja lascada. A outra peça metálica, o risso, é decorativa e tem forma inspirada no cavalo-marinho. Fica na popa, perto do gondoleiro.





As gôndolas são assimétricas, com o bombordo (esquerda do barco, olhando da popa para a proa) 23 cm mais largo que o estibordo. A lateral do casco também é ligeiramente mais alta a bombordo [fonte: Britannica]. Essa assimetria compensa o peso do gondoleiro, que fica a estibordo enquanto conduz o barco.
Também tem função importante a forcola (cavilha do remo). Ela não segue o padrão tradicional, de uma forquilha. Instalada na popa, perto do gondoleiro, ela parece um bumeranque estilizado e é feita de nogueira. A peça é entalhada, formando vários locais para apoiar o remo - cada encaixe é usado numa situação diferente durante a condução da gôndola, como veremos na próxima página.
O projeto da gôndola é de extrema eficiência. Um estudo feito na Itália mostra que a energia empregada por um gondoleiro para remar a gôndola com dois passageiros é equivalente à energia gasta por uma pessoa andando à mesma velocidade [fonte: Capelli, et al].

GONDOLEIROS VENEZIANOS


Pela proximidade constante com os nobres que usavam seus barcos, os gondoleiros de Veneza sabiam - é o que se diz - absolutamente tudo o que se passava na cidade antiga - em especial os casos escusos, frequentes durante os passeios capazes de inspirar romances.
Depois da lei suntuária de 1633 os gondoleiros passaram a usar roupas pretas, combinando com as gôndolas pretas. Depois da Segunda Guerra os gondoleiros começaram a vestir as camisas listradas, sua marca registrada. Os gondoleiros precisam ter a licença emitida por uma guilda, que submete os candidatos a uma avaliação abrangente e rígida. Só 3 ou 4 novas licenças são emitidas por ano, e tradicionalmente cabem aos filhos de gondoleiros - os pais trabalham até que seus filhos consigam passar no exame. As mulheres tentaram por muito tempo, até que em 2010 a primeira delas conseguiu da guilda a licença de gondoleira veneziana. A tradição das famílias gondoleiras é tão forte que a profissão criou seu próprio dialeto, que mistura italiano, espanhol e árabe e ainda é falado por muitos gondoleiros [fonte: UNESCO].







Turistas sonham com gondoleiros cantando durante o passeio, mas isso nem sempre acontece. Gene Openshaw, redator especializado em turismo, conta que sua mãe, ao pedir que um gondoleiro cantasse, ouviu esta resposta: "Senhora, há os amantes e os cantores. Eu não canto." [fonte: RickSteves.com]. Para ter trilha sonora, você terá que contratar um cantor, geralmente acompanhado por um acordeonista.
O gondoleiro fica a estibordo na popa enquanto rema e dirige o barco usando um longo remo apoiado na forcola. Dependendo da manobra o gondoleiro posiciona o remo na parte baixa da forcola, quase na borda do casco (para por o barco em movimento), no entalhe mais alto (para a condução normal), no cotovelo da forcola (para ir para trás) ou apoia o remo no corpo da forcola para fazer a gôndola parar.
Barcos com um remo só tendem a se mover em círculos, mas a forma assimétrica da gôndola ajuda a mantê-la em linha reta. E o gondoleiro evita desvios, finalizando cada remada com um movimento do remo em forma de "J" ou de "C".











Garth Sundem

Merkel acusa Barroso e troika de serem os culpados da austeridade - Austeridade é culpa da cegueira de Bruxelas




Merkel acusa Barroso e troika de serem os culpados da austeridade  


Zangam-se as comadres, sabem--se as verdades. Afinal a austeridade sacrossanta que castiga países como Portugal não é culpa de Merkel ou de Schäuble, os maus da fita para mais de metade da Europa. Não. A culpa é de Bruxelas, da Comissão Europeia e do incompetente presidente Durão Barroso. Pela segunda vez em menos de um mês, o verniz voltou a estalar entre a Alemanha e Bruxelas, deste vez em sentido totalmente contrário ao da posição de Berlim quando o presidente da Comissão Europeia disse que já bastava de austeridade. 



Quarta-feira, num encontro informal em Berlim com jornalistas, Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão, afirmou que os programas de ajustamento da troika são demasiado rígidos e com pouca flexibilidade, criticando Durão Barroso por não ter nomeado um comissário europeu para a Grécia. Já Angela Merkel, que também participou na reunião, defendeu que o pacote de 6 mil milhões de euros para promover o emprego jovem na UE deveria antes ser utilizado para pagar reformas, de forma a serem criadas vagas nos empregos já existentes.


As afirmações dos dois dirigentes alemães surgiram no mesmo dia em que foi tornado público que o produto interno bruto (PIB) da zona euro contraiu 0,2% nos primeiros três meses de 2013, o que representa a sexta queda trimestral consecutiva, naquela que é a maior e mais longa recessão desde a criação do euro. Nove destas 17 economias recuaram enquanto o PIB no conjunto dos 27 estados-membros contraiu 0,1%.



Volte-face Os novos dados dão um apoio renovado a todos aqueles que defendem há muito que mais austeridade só vai criar mais recessão, numa espiral sem fim à vista. A própria Alemanha, a maior economia da zona euro, cresceu 0,1% em relação ao trimestre anterior, mas decresceu 0,3% face ao mesmo período do ano passado. Já a França, a segunda maior economia do conjunto de países que utilizam a moeda única, também caiu 0,4% relativamente a período homólogo de 2012, ao mesmo tempo que registou uma nova contracção de 0,2% relativamente ao último trimestre do ano passado.


Foi certamente este quadro que por fim levou Berlim a juntar a sua voz contra a austeridade à de outros países como a Grécia, Espanha e Portugal, demarcando-se da Comissão Europeia, apesar de até agora a senhora Merkel ter sido sistematicamente apontada como a grande incentivadora dos programas impostos pela troika (Comissão, BCE e FMI) a todos os estados-membros que necessitaram de resgates para não entrarem em default (Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre). A este volte-face não será alheio o facto de a chanceler alemã, que ainda mantém um alto índice de popularidade, ter pela frente uma terceira reeleição, pelo que a posição agora assumida pode inserir-se na sua próxima batalha eleitoral, depois de várias derrotas consecutivas da CDU em eleições regionais.

Durão criticado Em Abril, o porta-voz da CDU “convidou” Durão Barroso a precisar o que quis dizer quando afirmou numa conferência de imprensa que os limites à austeridade eram visíveis em alguns aspectos. 

“Apesar de esta política estar fundamentalmente correcta, penso que alcançou os seus limites em muitos aspectos, porque uma política, para ser bem sucedida, não pode ser apenas bem estruturada. Tem de ter um mínimo de apoio político e social”, disse na altura o presidente da Comissão Europeia.
Quarta-feira, e noutro encontro com jornalistas, Durão Barroso, acompanhado do presidente da França, François Hollande, teve um discurso mais politicamente correcto, optando por pôr a tónica das suas declarações na vitória da União Europeia, por, no seu conjunto, ter finalmente atingido o valor mágico de 3% para o défice. Um dado que nem Merkel nem Schäuble valorizaram em Berlim.

Na proximidade dos 40 anos do 25 de ABRIL - Hoje, sabe-se lá porquê, ...

Na proximidade dos 40 anos do 25 de ABRIL

Hoje, sabe-se lá porquê, apeteceu-me dizer algumas palavras sobre o meu partido, o PCP, mas não as encontrei . Queria dizer algo de diferente, que mostrasse quanto este Partido tem sido e será, apesar de um mundo inteiro contra ele, o motor que levará à construção de um futuro de bem estar para todos.
Então ao folhear o livrinho,"Poemas do Avante", no qual Correia da Fonseca recolheu alguns ,poucos mas enormes, poemas de Mário Castrim, encontrei este que traduz exatamente tudo o que eu queria dizer.
Vou transcrevê-lo

 Ser Comunista Hoje

 Esperança
é maneira
como o futuro
fala ao nosso ouvido.
Depois
há que saber
organizá-lo.

Então
os comunistas entram em acção

O elogio cobarde do fascismo Se há palavra que caracteriza os nossos fascistas é cobardia e é isso que explica que depois de 48 anos de regime no dia 26 de Abril de 1974 Portugal era o país do mundo com mais democratas por metro quadrado. A direita organizou os seus partidos e a ala liberal do regime tornou-se num firme apoiante do MFA, depois de uma designação mais populista os nossos fascistas mais envergonhados assumiram-se como social-democratas,

O elogio cobarde do fascismo

Se há palavra que caracteriza os nossos fascistas é cobardia e é isso que explica que depois de 48 anos de regime no dia 26 de Abril de 1974 Portugal era o país do mundo com mais democratas por metro quadrado. A direita organizou os seus partidos e a ala liberal do regime tornou-se num firme apoiante do MFA, depois de uma designação mais populista os nossos fascistas mais envergonhados assumiram-se como social-democratas, mentira absurda que ainda hoje mantêm chegando-se ao ridículo de muitos deles estarem mesmo convencidos de que são social-democratas, os outros são perigosos “socialistas”.
  
Nenhum deles defende publicamente o fascismo, podemos apanhá-los sentados sobre livros dedicados ao salazarismo mas na hora das juras são todos democratas, cada um deles mais democrata do que os outros, um dia destes ainda vão descobrir que era a esquerda que mantinha o antigo regime. Mas se não defendem abertamente o fascismo não conseguem deixar de elogiar o regime ou de exibir tiques de outros tempos.
  
Ficaram famosas as críticas às forças da obstrução, forças que agora voltam a ser um grande incómodo. Alguma direita ainda acha que é poder por obra e graça de Deus, que o normal é o país ser governado pela direita, a esquerda é incompetente e apenas leva o país à bancarrota. Um bom exemplo desta visão messiânica e fascista do papel da direita está presente no discurso do candidato da direita às europeias, candidato que, aliás, lidera um movimento político que herda dos fascistas a mania de fazer seu o nome de Portugal. A designação “Aliança Portugal” não passa de uma manifestação de um tique fascista muito típico da direita portuguesa. A direita representa os valores nacionais, a esquerda queima bandeiras de Portugal, pelo menos era essa a propaganda do antigo regime.
  
Mas se a cobardia os impede de defender o regime de forma frontal, não deixam de ser velhacos não perdendo a oportunidade de elogiar o fascismo. O truque é sempre o mesmo, fazem a sua profissão de fé na democracia, criticam o carácter ditatorial do fascismo mas, de seguida, só encontram virtudes. Naquele tempo havia emprego, o ensino praticava o rigor, era tudo bom. Para além da repressão tudo o resto no regime fascista era virtuoso. E mesmo a repressão era bondosa, apenas perseguia os comunistas e mesmos esses pouco mais levavam do que um puxão de orelhas.
  
O último idiota a usar esta estratégia para elogiar o fascismo foi Durão Barroso, o putativo candidato presidencial da direita e ex-líder do PSD, que se fosse alemão e tivesse elogiado o nazismo estaria neste momento excluído de qualquer carreira política.



jumento.blogspot.pt




Destruição da Calçada Portuguesa gera Revolta e Polémica em Olhão! Obras de retirada da calçada portuguesa colocada há menos de 20 anos por um dos executivos camarários do PS em Olhão, gera revolta e polémica na população nativa da Barreta e do Levante.

Destruição da Calçada Portuguesa gera Revolta e Polémica em Olhão!


Obras de retirada da calçada portuguesa colocada há menos de 20 anos por um dos executivos camarários do PS em Olhão, gera revolta e polémica na população nativa da Barreta e do Levante.
 Um cidadão questionou o executivo camarário na ultima sessão publica da CMOlhão,se se o executivo se revia nas obras engenhocadas,onde impermiabilizaram as ruas com uma camada de betão com cerrca de 20 cm, acabamentos mal feitos fora de esquadrias e sem nexo nenhum, feitas, em lajes de pedra, nada condizentes, nem com a região, nem  com a arquitectura popular da Barreta ,além de serem feitas sem nexo e acabadas com pedra de calçada, a fazer o acabamento; O  vereador Carlos Martins respondeu as obras eram feitas para chocar e colocar a opinião publica a falar da Barreta.
Se a intenção era chocar as pessoas e colocar a opinião publica a falar da Barreta, o executivo camarário está de parabéns pois conseguiu aquilo que pretendia, pois o conhecido e mediático advogado  filho ele de Olhão e primo( afastado do Pina),personalidade que sempre se interessou pelas coisas da nossa terra veio a publico nas sua página do F.B. questionar a obra com fotos da porcaria que a CMO está a fazer na Barreta e aqui deixo, as suas declarações a uma reportagem da Lusa:

Fernando Cabrita é um dos moradores que discordam da intervenção, que classifica como "uma ofensa ao património", afirmando não compreender por que razão se decidiu substituir a calçada por outro material que não apresenta qualquer mais-valia e que se vai degradar, tal como acontece com a calçada, se não for devidamente tratado."

"Não havia razão nenhuma razão para retirar a calçada, é um capricho", resume o advogado, lamentando a sua substituição por lajes, que são "apátridas", por existirem em "todo o lado", e se degradam facilmente, como aconteceu, por exemplo, junto ao auditório municipal e ao parque de estacionamento do Levante, onde há poucos anos foram colocadas lajes.
"Fernando Cabrita defende, por seu turno, que se a ideia era diferenciar aquele caminho, poderiam ter sido usadas as próprias pedras de calçada para criar letras ou inscrições no piso, que indicassem a rota, já que essa é uma das "virtudes" da calçada portuguesa.
"Ter o chão diferenciado não serve de nada, as coisas distinguem-se com sinalética", observa, sublinhando que é mais fácil repor pedras de calçada do que lajes e que esta é permeável, permitindo o escoamento de água, ao contrário das lajes."

Também  o pugilista Bento Algarvio que adptou OLhão como sua terra,diz o seguinte à Lusa nessa reportagem:

"Opinião semelhante tem António João Bento, que vive no concelho de Olhão e é um acérrimo defensor da calçada portuguesa, piso que escolheu para os jardins e parte do interior da sua casa.
O pugilista sugere que havia hipóteses mais baratas para criar uma rota de ligação entre os largos, como, por exemplo, a colocação de pedras de calçada em forma de setas, a indicar o caminho.
"Em vez de preservarem o que é nosso, inventam e vão copiar coisas a outros países", lamenta o pugilista, conhecido como Bento Algarvio, opinando que a operação deve ter como base um negócio, para "servir os interesses de alguém".

Antonio Pina o aprendiz de presidente  da CMolhão, como sua defesa diz o seguinte,também à Lusa na mesma reportagem:

"António Pina nega que a operação esteja a retirar identidade à cidade, sublinhando que apenas em 10% da área daqueles dois bairros foi retirada calçada e que a ideia é associar cada largo a uma lenda de Olhão, tal como a lenda da Floripes e do Menino dos Olhos Grandes.
"Trata-se de um projeto em que o arquiteto entendeu provocar esta diferença, através da diferenciação do piso, para que quem chegue lá perceba o que ali há de novo", argumentou o autarca (PS), acrescentando que originalmente o piso daqueles dois bairros era de terra batida"

Antonio Pina como sempre, e mais uma vez mente com todos os dentes que tem na boca,  pois as ruas da Barreta já nos começos do seculo XX eram calcetadas em Pedra, como se pode ver nessa excelente foto de Artur Pastor, em meados dos anos de 1920, se calhar ainda a Lenda não exististia e já as ruas da Barreta tinham deixado de ser de terra batida,é pena que o aprendiz de presidente não conheça a história da sua tera e se desculpe, com frases facekobianas,editadas por Eduardo Cruz. o vereador do PSD que parece também não conhecer a história de Olhão.
Pena que com tanta ruas esburacadas em Olhão que levam meses esburacadas, o PS destrua as obras que fez com o  nosso dinheiro, há menos de 20 anos, argumenta  que são obras feitas com acesso a fundos comunitários, mas quem paga esses fundos são sempre os mesmos de sempre ou seja o cidadãos espoliados desde a entrada de Portugal para a então C.E.E..
Pastor-1

COSTA MARTINS sócio de mérito da Associação Conquistas da Revolução

COSTA MARTINS sócio de mérito da Associação Conquistas da Revolução

Proposta de Sócio de Mérito                                  [ Costa Martins]

A Direcção da Associação Conquistas da Revolução, na sua reunião de 19 de Março, nos termos do Artigo 7º dos Estatutos, aprovou por unanimidade submeter, à Assembleia-Geral de associados, a proposta de atribuição da qualidade de Sócio de Mérito da ACR a Costa Martins.*

Foi um dos Capitães de Abril, desde o início ligado à conspiração na Força Aérea e fundamental na revolta que devolveu a Liberdade a Portugal. No dia 25 de Abril, teve a seu cargo a ocupação do Aeroporto de Lisboa, o controlo do Aeródromo Base nº 1 e a interdição do espaço aéreo português. Fê-lo sozinho, sem o apoio de ninguém, visto que os reforços só chegaram mais tarde.


Integrou o II, o III, o IV e o V Governos Provisórios, entre 1974 e 1975, como Ministro do Trabalho sob a presidência de Vasco Gonçalves. Combativo e determinado nunca deixou de perseguir os seus ideais o que lhe granjeou obstáculos e um sem número de problemas, como é comum acontecer aos mais audazes e firmes na defesa dos interesses dos trabalhadores e do seu povo. Foi essa a característica dada ao ministério que presidiu por mais de um ano, ouvir e valorizar os que trabalham e o factor trabalho. Não obedecendo à ordem de captura emitida pela contra-revolução, no seguimento do golpe reaccionário de 25 de Novembro, esteve exilado na RPA. Foi alvo de ignominiosa calúnia e, nem depois de apurada a verdade, os inimigos políticos se calaram. Manteve-se firme no lado dos seus princípios e honradez e sempre lutando pelo Portugal sonhado em Abril, até que um acidente brutal, em 6 de Março de 2010,o retirou precocemente da nossa companhia.



Esta proposta, visa homenagear uma vida e acção de exemplar dedicação à defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal que integram um duro combate à ditadura fascista e uma intervenção marcante na defesa e consolidação do 25 de Abril e de intensa participação no processo revolucionário que lhe decorre.

Pelo que ainda hoje e sempre significarão, a vida e acção de Costa Martins, a Direcção da Associação foi unânime em concluir que, como exemplo e estímulo, as mesmas configuram relevantes contributos para a realização dos objectivos da nossa Associação.

Lisboa 19 de Março de 2014
A Direcção
                
*José Inácio Costa Martins (1938-2010).




APROVADA POR UNANIMIDADE E ACLAMAÇÃO


conquistasdarevolucao.blogspot.pt

Começou a Guerra à Loira! A moléstia empedernida que comanda o PSD já arremessa farpas envenenadas entre si!

Começou a Guerra à Loira!


A moléstia empedernida que comanda o PSD já arremessa farpas envenenadas entre si! É tempo de ver quem tem carapaça mais resistente para poder alcançar o estribo do comboio que os levará durante uns tempos para uma cura de oposição, se ainda houver cacos para gatear e alguns senadores laranjas dispostos a não deixarem afundar o barco, como reconhecerei em alguns "senhores(as)" que não foram em cantos de sereia, sem demagogia e, sempre directa ou indirectamente achavam que o láparo da capoeira devia ser caçado, para que a honra do convento não tombasse em mãos populuchas de quem nada se importa com o edifício de um Estado independente, capaz de albergar as suas gentes. Se, eles não saírem a terreiro temo pela saúde do PSD-acredito que sim! Vão aparecer: a democracia faz-se com todos e, os curadores sempre fizeram parte das curas.
Dizia eu: as farpas começaram por ser arremessadas à loira empertigada e de pouca educação, comandante da AR. Foram já tantas as bacoquices atiradas por ela e "per si" personalizadas, que até os "terribles enfants" laranjocas acham que ela é um alvo abater, não tanto por ela, mas também no esforço de meter na lixívia a sua própria roupagem, diminuindo as suas percas. Boa! É o começo ruidoso de novela desastrada. Venham camionetes de farpas: urge para bem dos portugueses que o prédio caia todo, depressa. Vou delirar com esta guerra na capoeira que está no ar!



manuelinhodaire.blogspot.pt

GUERRA COLONIAL PORTUGUESA -29ª PARTE - HOJE UM APANHADO DE TODO O CONFLITO

Guerra Colonial Portuguesa


Este artigo ou secção contém uma ou mais fontes no fim do texto, mas nenhuma é citada no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidadedas informações. (desde maio de 2009)
Por favor, melhore este artigo introduzindo notas de rodapé citando as fontes, inserindo-as no corpo do texto quando necessário.
Guerra Colonial Portuguesa
Parte da(o) Guerra Fria e dos Movimentos de Independência Africanos

Embarque.jpg

Embarque de tropas portuguesas durante a guerra colonial
Combatentes
Portugal
Movimentos de independência
Principais líderes
Angola:
Francisco da Costa Gomes
Guiné-Bissau:
António de Spínola
Moçambique:
António Augusto dos Santos (1964–69),
Kaúlza de Arriaga (1969–74)
Angola:
Holden Roberto
Jonas Savimbi
Agostinho Neto
Mário Pinto de Andrade
Daniel Chipenda
Guiné-Bissau:
Amílcar Cabral
Moçambique:
Eduardo Mondlane (1962–69)
Filipe Samuel Magaia(1964–66)
Samora Moïses Machel(1969–75)
Forças
148.000
65.000 em Angola
32.000 na Guiné-Bissau
51.000 em Moçambique
38.000-53.000 + ? Guerrilha
18.000 em Angola
10.000 na Guiné-Bissau
10-15.000 em Moçambique
Vítimas
8.289
15.507 com deficiência permanente (física ou psicológica)
50.000 em Angola
~6.000 mortos
~4.000 feridos na Guiné-Bissau
>10.000 mortos em Moçambique
Designa-se por Guerra ColonialGuerra do Ultramar (designação oficial portuguesa do conflito até ao 25 de Abril), ou Guerra de Libertação (designação mais utilizada pelos africanos independentistas), o período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de AngolaGuiné-Bissau eMoçambique, entre 1961 e 1974. Na época, era também referida vulgarmente em Portugal como Guerra de África.
O início deste episódio da história militar portuguesa ocorreu em Angola, a 4 de Fevereiro de 1961, na zona que viria a designar-se por Zona Sublevada do Norte, que corresponde aos distritos do ZaireUíje e Quanza-Norte. A Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, determinou o seu fim. Com a mudança do rumo político do país, o empenhamento militar das forças armadas portuguesas deixou de fazer sentido. Os novos dirigentes anunciavam ademocratização do país e predispunham-se a aceitar as reivindicações de independência das colónias — pelo que se passaram a negociar as fases de transição com os movimentos de libertação empenhados na luta armada.
Ao longo do seu desenvolvimento foi necessário aumentar progressivamente a mobilização das forças portuguesas, nos três teatros de operações, de forma proporcional ao alargamento das frentes de combate que, no início da década de 1970, atingiria o seu limite crítico. Pela parte portuguesa, a guerra sustentava-se pelo princípio político da defesa daquilo que considerava território nacional, baseando-se ideologicamente num conceito de nação pluricontinental e multi-racial. Pelo outro lado, os movimentos de libertação justificavam-se com base no princípio inalienável de autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à luta.




Contexto político-social[editar | editar código-fonte]

Nas colónias europeias sempre existiram movimentos de oposição e resistênciaà presença das potências coloniais. Porém, ao longo do século XX, o sentimento nacionalista — fortemente impulsionado pelas primeira e segunda guerras mundiais — era patente em todas as movimentações europeias, pelo que não será surpreendente notar o seu alastramento às colónias, já que também muitos dos seus nativos nelas participaram, expondo o paradoxo da celebração da vitória na luta pela libertação, em território colonial, ainda submetido e dependente.
Por outro lado, também as grandes potências emergentes da II Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética, alimentavam — quer ideologicamente, quer materialmente — a formação de grupos de resistência nacionalistas, durante a sua disputa por zonas de influência. É neste contexto que aConferência de Bandung, em 1955, irá conceder voz própria às colónias, que enfrentavam os mesmos problemas e procuravam uma alternativa ao simples alinhamento no conflito bipolar que confrontava as duas grandes potências. Estas, eram, assim, chamadas a considerar com outra legitimidade as reivindicações do chamado Terceiro Mundo, quer para manter o equilíbrio nas relações internacionais da Guerra Fria, quer para canalizar os sentimentos autonomistas para seu benefício, como zona de influência. A influência externa nas colónias perdia a orientação meramente separatista e desestabilizadora, e caminhava para um efectivo apoio - ou entrave - nas relações com os países colonizadores.





No final da década de 1950, as Forças Armadas Portuguesas viam-se confrontadas com o paradoxo da situação política gerada pelo Estado Novo, que haviam implantado e sustentado desde 1926: por um lado, a política de neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial colocava as Forças Armadas Portuguesas afastadas de um eventual confronto Leste-Oeste, por outro, aumentava, na perspectiva do regime, a responsabilidade na manutenção da soberania sobre os vastos territórios ultramarinos, onde a tensão do pós-guerra avizinhava lutas independentistas nas colónias da Europa Imperial. Contudo, os mesmos dirigentes que afastaram Portugal da luta pela libertação europeia, optaram por integrar o país na estrutura militar da NATO, num subtil desejo de se aliar aos vencedores, em detrimento da preparação para as ameaças nos espaços coloniais, que o próprio regime considerava imprescindíveis para a sobrevivência nacional.
Esta integração de Portugal na Aliança Atlântica iria formar uma elite de militares que se tornaria indispensável para o planeamento e condução dasoperações durante a Guerra do Ultramar. Esta "geração NATO" ascenderia rapidamente aos mais altos cargos políticos e de comando, sem necessidade de dar provas de fidelidade para com o regime. A Guerra Colonial estabelecia, assim, incompatibilidades entre a estrutura militar — fortemente influenciada pelas potências ocidentais, de regime democrático — e o poder político. Alguns analistas consideram que o chamado «golpe Botelho Moniz» marcou o início desta ruptura, bem como a origem de uma certa desconfiança do regime em relação à manutenção de um único centro de comando, perante a ameaça do confronto com a força armada. Esta situação provocaria, como se verificaria mais tarde, a descoordenação entre os três estados-maiores (ExércitoForça Aérea eMarinha).



O regime do Estado Novo nunca reconheceu a existência de uma guerra, considerando que os movimentos independentistas eram apenas terroristas e que os territórios não eram colónias, mas províncias e parte integrante de Portugal. Durante muito tempo, grande parte da população portuguesa, iludida pela censura à imprensa, viveu sob a ilusão de que, em África, não havia uma guerra, mas apenas alguns ataques de terroristas e de potências estrangeiras.

Oposição[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Oposição à ditadura portuguesa
Contrariando o que o estado pretendia transmitir como sendo de consenso geral, isto é, que as colónias faziam parte da unidade nacional, os comunistas foram os primeiros a opor-se aos confrontos. Na verdade, a primeira organização a manifestar-se publicamente foi o PCP, em 1957, durante o seu V Congresso, pedindo a independência imediata, completa e indolor. Porém, a censura do regime obrigava o partido a representar dois papéis: o de partido político e o de força de coesão entre os sectores oposicionistas, com os quais acordava programas que não reflectiam as suas posições anticoloniais; seguindo a mesma linha de orientação, já assim se tinham manifestado, durante as eleições presidenciais celebradas durante o Estado Novo, onde era defendida essa unidade: Norton de Matos (1949), Quintão Meireles (1951), Humberto Delgado(1958), e mesmo os candidatos apoiados pelo PCP: Ruy Luís Gomes e Arlindo Vicente.
Depois da fraude eleitoral de 1958, Humberto Delgado formou o Movimento Nacional Independente (MNI) que, em Outubro de 1960, defendia a necessidade de preparar o povo das colónias, antes de lhe ser concedido o direito à autodeterminação. No entanto, nenhuma data ou metodologia foi sugerida.



Assim, a oposição ia-se assumindo lentamente, começando pelo estalar da luta armada, até se aperceber que o conflito estava a durar tempo demais. Em 1961, o nº 8 da Tribuna Militar tinha como título, "Ponhamos fim à guerra de Angola". Os seus autores estavam ligados às Juntas de Acção Patriótica (JAP), apoiantes de Humberto Delgado, responsáveis pelo ataque ao quartel de Beja. A Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), criada em Dezembro de 1962, contrapunha as posições conciliadoras. O sentimento oficial do estado português, contudo, mantinha-se: Portugal possuía direitos inalienáveis e legítimos sobre as colónias e era isso que era transmitido pelos meios de comunicação e pela propaganda estatal.
Em Abril de 1964, o Directório de Acção Democrata-Social reivindicava uma resolução política e não militar. Em sintonia com esta iniciativa, em 1966Mário Soares sugeria a preparação de um referendo sobre a política ultramarina a seguir por Portugal, e que deveria ser precedido por um debate nacional a realizar durante seis meses.
Nem a morte de Salazar fez com que o panorama político se alterasse. Só com aseleições legislativas de 1969 se viria a verificar uma radicalização da atitude política, nomeadamente entre as camadas mais jovens, que mais se sentiam vitimizadas pela continuação da guerra. As universidades desempenharam um papel fundamental na difusão deste posicionamento. Surgem, assim, as publicações Cadernos CircunstânciaCadernos NecessáriosTempo e Modo, ePolémica. É neste ambiente que a Acção Revolucionária Armada (ARA) e asBrigadas Revolucionárias (BR) se revelam como uma importante forma de resistência contra o sistema colonial português, dirigindo os seus ataques, principalmente, contra o Exército.



A ARA, vinculada ao PCP, iniciou as suas acções militares em Outubro de 1970, mantendo-as até Agosto de 1972. Destacam-se o ataque à Base Aérea de Tancoscontra equipamento da Força Aérea, a 8 de Março de 1971, e o atentado contra as instalações do quartel-general do COMIBERLANT, em Oeiras, em Outubro do mesmo ano. As BR, por sua vez, iniciaram as acções armadas a 7 de Novembrode 1971, com a sabotagem da base da NATO de Pinhal de Ameiro, verificando-se a última a 9 de Abril de 1974, contra o navio Niassa que se preparava para zarpar de Lisboa transportando tropas para a Guiné. As BR chegaram, inclusive, a agir nas colónias, colocando uma bomba no Comando Militar de Bissau, a 22 de Fevereiro de 1974.
Também o alinhamento dos sectores da finança e negócios, classes médias e movimentos operários constituiu um importante ponto de inflexão na contestação à política do regime, em 1973. Apresentavam-se, agora, concordantes quanto à independência das colónias, poucos meses antes do 25 de Abril.

Antecipação casual[editar | editar código-fonte]

A instrução dos quadros e tropas das forças portuguesas, por normalização da estrutura da NATO, concebeu a publicação de um conjunto de manuais intitulados "O Exército na Guerra Subversiva" que serviriam de suporte para a organização das tropas durante a Guerra. Introduziam também a necessidade daguerra psicológica que se revelaria como uma frente de combate sólida para Portugal. Com efeito, a "conquista das populações" foi aplicada a níveis tácticos e estratégicos com sucesso, exceptuando as dificuldades no início e fim da guerra.
Também se revelou fundamental a especialização de grupos armados, como osComandos, único corpo organizado especificamente para esta guerra — desmantelado pouco tempo depois de esta terminar — e adaptação dosFuzileiros e pára-quedistas. Quanto às unidades recrutadas no próprio teatro de operações, as tropas especiais africanas, os TE, GE e GEPFlechas e fuzileiros foram adaptadas às técnicas de combate específicas deste tipo de cenário (guerrilha) e terreno. Porém, a quase sempre deficiente instrução dos efectivos implicaria uma crescente degradação da sua eficácia, a par com o cansaço e esvaziamento dos quadros permanentes.
Com o embargo internacional à venda de armas a Portugal, as forças armadas viram-se, a partir dos anos 70, ultrapassadas tecnologicamente pelos movimentos de libertação, o que foi especialmente notório na Guiné-Bissau. O défice seria provisoriamente suportado pela supremacia aérea, até à introdução dos mísseis anti-aéreos por parte dos guerrilheiros.

Conflito armado[editar | editar código-fonte]

Angola[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra de Independência de Angola
Em Angola, a sublevação da ZSN foi efectuada pela União das Populações de Angola (UPA) — que passou a designar-se como Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) em 1962. A 4 de Fevereiro de 1961, o Movimento Popular de Libertação de Angola reivindicou o ataque à cadeia de Luanda, onde foram mortos sete polícias. A 15 de Março de 1961, a UPA, num ataque tribal, deu origem a um massacre de populações brancas e trabalhadores negros naturais de outras regiões de Angola. Esta região seria reocupada mediante operações militares de grande envergadura que, porém, não conseguiram conter o alastramento das acções de guerrilha a outras regiões de Angola, como Cabinda, o Leste, o Sudeste e planalto central. Ao MPLA, que desempenhou um papel fundamental, há a acrescentar, a partir de 1966, a acção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).



Com motivações essencialmente tribais, e dirigidos de forma autocrática porHolden Roberto, a actividade da UPA caracterizou-se pela guerrilha rural, realizada por pequenos grupos armados, e pelo massacre de populações, como já se previa na sua primeira acção. Com catanas e algumas espingardas, oscanhangulos, procuravam apoderar-se das armas das fazendas e postos administrativos atacados. Não manifestaram interesse em consolidar o domínio territorial, conseguido nos primeiros dias, nem foi apresentado qualquer programa político.
Em Angola, os efectivos militares contavam, no início de 1961, com 5000 militares africanos e 1500 metropolitanos, organizados em dois regimentos deinfantaria — um em Luanda e outro em Nova Lisboa (actual Huambo) — cada um com dois batalhões de instrução e outro de atiradores) e um grupo de cavalaria, sediado em Silva Porto. A densidade média era, portanto, de um soldado para cada 30 km². Imediatamente disponíveis para acorrer à zona afectada estavam apenas mil soldados europeus e 1200 africanos.

Guiné-Bissau[editar | editar código-fonte]

Na Guiné, os confrontos foram iniciados, na perspectiva portuguesa, em Julho de 1961 quando guerrilheiros do Movimento de Libertação da Guiné (MLG) lançaram ataques às povoações de S. Domingos, Suzana e Varela, junto à fronteira noroeste com o Senegal.4 Na perspectiva guineense, os confrontos iniciaram-se em Janeiro de 1963, quando o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), sob a forma de guerrilha, desencadeou um ataque ao quartel de Tite, a Sul de Bissau, junto ao rio Corubal. Com a acção do MLG no noroeste, a partir do Senegal, e do PAIGC no sul, a partir da Guiné-Conacri, os ataques rapidamente se estenderam a quase todo o território, crescendo continuamente de intensidade, e exigindo um empenhamento proporcional por parte dos portugueses.
guerra na Guiné colocou frente a frente dois homens de forte personalidade:Amílcar Cabral e António de Spínola, responsáveis pela modelação do teatro de operações na Guiné. Em 1965 dá-se o alastramento da guerra ao Leste (Pirada,CanquelifáBeli). Nesse mesmo ano, o PAIGC realizou missões no Norte, na região de São Domingos, onde, até ao momento, apenas actuava a FLING, que se via a braços na luta, depois da OUA ter canalizado o seu apoio para o PAIGC. Este, em sequência da sua crescente afirmação internacional, viria a receber apoio militar cubano, que duraria até ao final da guerra.
Pode-se dizer que as forças portuguesas desempenharam, na Guiné, uma força defensiva, mais de manutenção das posições que propriamente de conquista das populações, limitando-se, de uma forma geral, a conter as acções do PAIGC. Por isso, esta época infligiu um grande desgaste para os portugueses, constantemente surpreendidos pelos guerrilheiros e pela influência destes junto da população que, entretanto, era recrutada para o movimento.
Com as decisões de António de Spínola, as forças portuguesas ganhavam um carácter mais ofensivo. Entre 1968 e 1972, sob o comando deste general, conseguiriam manter a situação sob controlo e, por vezes, levar a cabo acções de confirmação das posições estratégicas. Mais: agora lutava-se subversivamente, utilizando a manipulação propagandística que iria afectar os níveis mais altos da hierarquia do PAIGC. Porém, a situação pendeu rapidamente para o lado do PAIGCcarece de fonte que, não obstante o assassínio de Amílcar Cabral, não diminuiu a actividade operacional.
Em Março, o aparecimento dos mísseis anti-aéreos Strela-2 (russo: 9К32 "Cтрела-2"; código NATOSA-7 Grail), de fabrico soviético, obrigaria as tropas portuguesas a reavaliarem o esforço de guerra. Durante algum tempo, o suporte aéreo ficou, assim, indisponível, o que teve graves repercussões nas tropas, mesmo a nível psicológico.
Marcelo Caetano, em conflito com Spínola, dispensou o general do cargo degovernador, que seria ocupado por Bettencourt Rodrigues a 21 de Setembro de1973. Três dias depois, o PAIGC declarava a independência do novo estado, emMadina do Boé. Curiosamente, nem Spínola nem Bettencourt estavam no terreno durante esta ocorrência.

Moçambique[editar | editar código-fonte]

Em Moçambique, o movimento de libertação, denominado Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), efectuou a sua primeira acção nos dias 24 e 25 de Setembro de 1964, num ataque a Chai, na província de Cabo Delgado, estendendo-se posteriormente ao NiassaTete e para o centro do território. Porém, um relatório do Batalhão de Caçadores 558 refere acções violentas a 21 de Agosto de 1964, na região de Cabo Delgado, como indica o relatório do Batalhão de Caçadores 558. O mesmo relatório refere que, três dias depois, um padre da Missão de Nangololo tinha sido ferido mortalmente. Estas acções foram atribuídas a grupos de guerrilheiros MANU e da UDENAMO.
16 de Novembro do mesmo ano, as tropas portuguesas sofriam as primeiras baixas no Norte de Moçambique, região de Xilama. A organização e armamento dos guerrilheiros evoluía rapidamente. Também o acidentado terreno, a baixa densidade das forças portuguesas e a fraca presença de colonos facilitaram a acção da Frelimo, que alargava a sua acção para Sul, na direcção de Meponda eMandimba, mostrando intenção de ligar-se a Tete, atravessando o Malawi, que apoiou, nos primeiros anos, o trânsito e refúgio de guerrilheiros.
Até 1967, a FRELIMO mostrou-se menos interessada pela região de Tete, exercendo o seu esforço nos dois distritos do Norte, onde a utilização de minas terrestres se destacou de forma particular. No Niassa, a intenção da FRELIMO era simultaneamente criar uma zona livre, e uma zona de passagem para Sul, em direcção à Zambézia
Já em Abril de 1970, a actividade militar da Frelimo aumentou de forma significativa, devido à presença de Samora Machel em Cabo Delgado, onde apresentaria os planos de ofensivas a executar em Junho e Julho.
Até 1973/74, as atenções viravam-se para Cabora Bassa. Os últimos tempos de guerra caracterizaram-se pelo avanço da FRELIMO para Sul, registando acções na zona de Chimoio e agitação das populações de origem europeia. O generalKaúlza de Arriaga disponibilizava-se para continuar o comando, mas impunha condições que o Governo de Lisboa não aceitou. Terminada a sua comissão em Agosto de 1973, foi substituído pelo general Basto Machado. A situação continuaria a deteriorar-se até aos designados "acontecimentos da Beira", em Janeiro de 1974, quando as populações brancas de Vila Pery e da Beira se manifestaram contra a incapacidade das forças portuguesas de suster a situação, já esgotada de efectivos e sem possibilidade do reforço dos meios de combate.

Estado Português da Índia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Invasão de Goa
A resistência à dominação portuguesa na Índia manifestou-se no contexto dadescolonização europeia. Após a independência indiana concedida pelosbritânicos, em 1947, Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. A atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia. Em 1954, após a descolonização francesa Pondicherry, a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli, que desde 1779 faziam parte do Estado Português da Índia.
A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa, acabando por anexar formalmente os enclaves em Agosto de 1961, após vários protestos pacíficos, com o governo português liderado por António de Oliveira Salazar a recusar-se a negociar. Em Dezembro de 1961, a União Indiana invadia os territórios de Goa, Damão e Diu. De 18 para 19 de Dezembro de 1961 uma força de 40.000 soldados a Índia independente conquistou Goa, numa acção armada - feita por terra, ar e mar, que durou cerca de 36 horas - acabou com o domínio Português de 451 anos em Goa encontrando pouca resistência, e integrou oEstado Português da Índia no seu território. O último governador do Estado Português da Índia, o general do Exército Português Manuel António Vassalo e Silva caiu, junto com a guarnição portuguesa em Goa, quando da invasão indiana. Vassalo e Silva, com cerca de 3000 homens em armas, teve de se render (e ficaram temporariamente prisioneiros, e em «maus lençóis») perante as forças indianas que contavam com cerca de 40000. Teve no entanto ordem de Oliveira Salazar para que não se rendessem e lutassem até à morte. Como Vassalo e Silva «decidiu» a rendição, face às circunstâncias, foi expulso das Forças Armadas Portuguesas, tendo sido reintegrado após o 25 de Abril.



E no ano seguinte tomava a Ilha de Angediva. À época, o Conselho de Segurança da ONU considerou uma resolução que condenava a invasão, o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A maioria das nações reconheceram a acção da Índia, no entanto, Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios, mantendo-os representados naAssembleia Nacional até 1974, altura em que se deu a Revolução dos Cravos. A partir de então, Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia, começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado Português da Índia. No entanto, aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa.

Acção psicológica e Aldeamentos[editar | editar código-fonte]

Durante o conflito em África, uma das estratégias das forças portuguesas foi a designada Acção Psicológica (baseada na doutrina militar norte-americana efrancesa),5 cujo objectivo era obter o apoio da população; desmoralizar o inimigo, procurando mesmo que este passasse a cooperar com o seu adversário; e manter elevado o moral das próprias tropas.6 Este tipo de acção manteve-se durante todo o conflito, e terá sido crucial para a manutenção das Forças Armadas em África durante o período da guerra.5 7
Os principais meios utilizados para a acção psicológica eram a propaganda, a contra-propaganda e a informação. Em relação às populações, fazia-se o possível para lhes "conquistar o coração" através de programas de educação, ajuda sanitária, económica e religiosa, dando-lhes melhores condições de vida.6 A política de acção social das forças portuguesas materializava-se nos "aldeamentos" e "reordenamento rural", criando, assim, um ordenamento e controlo da população, dificultando o seu contacto com os guerrilheiros.5 Estes "aldeamentos", cercados por arame farpado,8 eram vigiados tanto pelo exército como pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), e também por uma milícia composta por elementos da própria população, que também fazia parte da rede de informação da polícia secreta portuguesa. No entanto, este sistema de concentração da população em aldeias começou a ser posto em causa por volta de 1967, quando alguns oficiais, polícia e funcionários públicos argumentaram sobre a ruptura causada à área rural - abandonada - e ao seu futuro desenvolvimento.9 No início da década de 1970, cerca de um milhão de pessoas tinham sido realojadas em Angola, e outro tanto em Moçambique, no âmbito do programa.8
Já no que concerne ao inimigo, a táctica era criar um fosso entre os guerrilheiros e a população, tentando criar uma má imagem daqueles junto desta; tentava-se, ainda, apelar à sua rendição garantindo-lhes toda a ajuda. Por seu lado, as forças independentistas dirigiam-se às populações com ideais de justiça, paz, independência e auto-determinação.6
Em termos internos, as tropas portuguesas também agiam junto dos seus homens reforçando-lhes o moral transmitindo-lhes a ideia de que o que combatiam era uma causa justa, recorrendo-se da exaltação patriótica.6 No início do conflito, Portugal não estava preparado, ao nível social e legislativo, para dar apoio em caso de morte, ou ferimento, dos militares, nem das suas famílias.10 É aqui que entra o Movimento Nacional Feminino (MNF)11 e a Secção Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). O MNF e a CVP, foram duas organizações que tiveram uma forte influência entre os militares portugueses utilizando a figura da mulher para, moralmente, os fortalecer e suprimir, de algum modo, as ditas falhas sociais e legislativas. Organizavam vários eventos como a festa de Natal, visita de artistas, a angariação das madrinhas de guerra para troca de correspondência entre os soldados, apoio a feridos e envio de lembranças.12 A acção destas duas instituições iria ter um papel importante junto do governo português no que diz respeito a novas leis e normas sobre os feridos em combate, as suas pensões e apoio às famílias dos mortos.10
Em Portugal, a Acção Psicológica, e toda a sua organização, só teve início em 1963, integrada na contra-informação; nos anos seguintes, com o desenrolar da guerra, esta acção passou a fazer parte do Secretariado-Geral da Defesa Nacional, no Serviço de Informação Pública das Forças Armadas.12
A Organização de Unidade Africana[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Organização de Unidade Africana
Formalmente constituída em Adis Abeba em Maio de 1963, a Organização de Unidade Africana (OUA) assentava sobre algumas das bases de cooperação africana estabelecidas pela Conferência de Lagos tanto a nível geral como regional, com a missão de reforçar a unidade e solidariedade dos estados africanos, defender a sua integridade territorial e autonomia, e eliminar, sob todas as formas, o colonialismo em África. Este último tornar-se-ia o principal objectivo da organização, mediante intervenções perante o Conselho de Segurança da ONU, como no caso da reunião urgente deste Conselho para a avaliação da conduta portuguesa para com as colónias africanas.]]),13
A OUA estabeleceu um Comité de Ajuda aos Movimentos de Libertação, com sede em Dar-es-Salam, onde integrava representantes da EtiópiaArgélia,UgandaEgiptoTanzâniaZaireGuiné-ConacriSenegal e Nigéria. Esta ajuda distribuía-se pela criação de infraestruturas, treino militar e na compra dearmamento.
Relativamente à questão colonial portuguesa, a OUA desencadeou acções no sentido do reconhecimento do Governo Revolucionário de Angola no Exílio(GRAE), formado pela FNLA e Holden Roberto, em 1964. Este apoio foi, contudo, transferido para o movimento MPLA de Agostinho Neto, a partir de1967, em detrimento do primeiro, para, em Novembro de 1972, novamente serem reconhecidos ambos os movimentos, tendo em vista a sua união. A legitimação da UNITA como organização anticolonialista pela OUA só se viria a verificar nas vésperas do Acordo de Alvor (1974). Em 1964, a OUA reconheceu oPAIGC como o legítimo representante da Guiné-Bissau e Cabo Verde, bem como a Frelimo para Moçambique, em 1965.
Afora a questão portuguesa, a OUA ainda se esforçou por afastar a intervenção das potências externas durante a guerra da secessão do Catanga (1960-65), adeclaração unilateral da independência da Rodésia (1966-1979) e o conflito de Biafra (1967-1970).

O fim da guerra[editar | editar código-fonte]

25 de Abril de 1974, planeado e executado por militares dos três ramos dasForças Armadas Portuguesas, uma nova geração de oficiais de baixa e média patente, formada e criada na guerra, que aprendera a agir com autonomia, levantaria, sob a direcção do Movimento das Forças Armadas (MFA), um período revolucionário que transformaria radicalmente o Estado e a sociedade. Embora inúmeros factores tenham contribuído para a revolução, a Guerra Colonial foi, desde sempre, apontada como a principal justificação para a queda irrevogável do Estado Novo em Portugal.
O Programa do MFA, da responsabilidade da sua Comissão Coordenadora apresentava, de forma inequívoca, a vontade de possibilitar a independência das colónias. Porém, a remoção desta alínea, negociada durante a noite de 25 para 26 de Abril, levantaria ainda alguns equívocos a respeito, que só seriam esclarecidos pela Lei 7/74 de 27 de Julho. Esta medida levantaria grande parte da cortina que separava o Estado Português de conseguir negociações com os movimentos de libertação. Dava-se assim início ao processo de descolonização.
Porém, a ambiguidade das primeiras posições relativas à nova política colonial gerou situações duvidosas que não puderam ser ultrapassadas sem graves desentendimentos. Cada redefinição do processo representava uma dura luta entre António de Spínola e a Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Os dois projectos apresentados para essa nova política diferiam, sobretudo, nas questões ligadas com as futuras relações de Portugal com as colónias; mesmo os pontos concordantes seriam rapidamente submetidos perante a prova prática da realidade, o que exigiu, na maioria das vezes, a sua revisão. Assim, com o esclarecimento pela Lei 7/74, e posterior comunicado conjunto Portugal-ONU, publicado a 4 de Agosto, eram levantadas as últimas dúvidas, dando início à fase definitiva da descolonização.
Iniciaram-se as negociações com o PAIGC e com a Frelimo, que levaram à assinatura de protocolos de acordo. Em Argel, a 26 de Agosto ficava concluído o processo entre Portugal e o PAIGC, em que a ex-colónia era reconhecida como estado soberano, sob o nome de «República da Guiné-Bissau». O último contingente militar regressou da Guiné em 15 de Outubro.
Relativamente a Moçambique, seria assinado a 7 de Setembro, em Lusakaum acordo conducente à independência moçambicana. Contudo, grupos organizados, num movimento contrário ao acordo, assaltaram as instalações daRádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques e outras cidades, e seus emissores regionais, sugerindo a intervenção da África do Sul. Esta tentativa desestabilizadora do processo de paz viria a fracassar, sob a acção das Forças Armadas Portuguesas.
Relativamente a São Tomé e Príncipe e Guiné Portuguesa, foi assinado o Acordo de Argel em 25 de agosto de 197414 .
Quanto a Cabo Verde, o acordo entre Portugal e o PAIGC já estabelecia o princípio do acesso deste arquipélago à autodeterminação e independência. Em17 de Dezembro seria publicado o Estatuto Constitucional de Cabo Verde, prevendo eleições por sufrágio directo e universal, a 30 de Junho de 1975. A assembleia instituída a partir daí proclamou a independência do território a 5 de Julho de 1975.
Quanto a Angola, a aproximação dos três movimentos de libertação constituía uma dificuldade para o governo português. Com efeito, pairava a possibilidade do alargamento de um confronto entre os países ocidentais, a África do Sul e aUnião Soviética. Spínola reunir-se-ia ainda com Mobutu, com alguma continuidade, mas viria a demitir-se do cargo a 30 de Setembro. Com Costa Gomes na Presidência da República Portuguesa, desenvolveram-se conversações dirigidas especificamente a cada um dos movimentos. Inicialmente, com aFNLA, posteriormente com o MPLA. Porém, as várias tentativas de restabelecer a paz em Angola e minimizar o impacto da descolonização seriam deitadas por terra rapidamente. A guerra civil arruinou a serenidade deste processo, agravando a situação interna, com milhares de vítimas e a fuga dos portugueses.
Também em Timor-Leste se verificou um período dramático, já que as autoridades portuguesas não tinham como dispor de capacidade para normalizar os conflitos, acabando a Indonésia por invadir a ilha.
Em suma, as condições oferecidas pelo novo regime para a descolonização, reconfigurou a situação no continente africano, com a criação de novos países independentes em busca dos seus próprios rumos e afirmação nacional, o que viria contribuir para o desmantelamento do governo branco na Rodésia e doapartheid na África do Sul.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Custos financeiros[editar | editar código-fonte]


Evolução das despesas extraordinárias das Forças Armadas Portuguesas e do Estado.
Orçamento e as contas do Estado Português, ao longo das décadas de 1960 eseguinte reflectiram claramente o esforço financeiro exigido ao país durante a guerra. Obviamente, as despesas com a Defesa Nacional sofreram crescentes aumentos a partir de 1961, com o despoletar dos sucessivos conflitos em África. Estas despesas com as Forças Armadas classificavam-se, para efeito orçamental, como ordinárias (DO), de carácter normal e permanente, e extraordinárias (DE), respeitantes à defesa da ordem pública em circunstâncias excepcionais. A parcela mais importante das DE, os gastos com as províncias ultramarinas, inscrevia-se no Orçamento, na rubrica Forças Militares Extraordinárias no Ultramar (OFMEU). É interessante verificar que as despesas totais do Estado sofrem incremento acentuado a partir de 1967/68, coincidindo com a subida ao poder de Marcelo Caetano.
As dificuldades orçamentais encontradas pelas Forças Armadas Portuguesas levaram o Exército a estudar o custo mínimo para as forças em campanha (OFMEU), concluindo que o custo diário médio de um combatente era, em 1965, de 165 ESC para a Guiné, 115 ESC para Angola e 125 ESC para Moçambique. Por ano, equivalia, portanto, a cerca de 42000 ESC, de onde se derivou a fórmula V=42n (sendo n o número de homens).

Os veteranos de guerra[editar | editar código-fonte]

  • De origem Portuguesa
Foram também vítimas da guerra os soldados que nela participaram, tornando-se uma das faces mais visíveis das consequências do conflito. Não obstante, os hospitais militares tornaram-se simultaneamente, para estes, um refúgio e um depósito onde a sociedade mantinha longe da vista os corpos amputados. Nem oCódigo de Inválidos de 1929, que visava dar um estatuto de reconhecimento e assistência aos feridos na I Guerra Mundial, evitou que ficassem na miséria, sem direito a assistência médica ou quaisquer regalias sociais.
É também neste contexto que o 25 de Abril de 1974 mostra uma luz de esperança, ao ser instituída a Associação dos Deficientes das Forças Armadas(ADFA) que teve como primeiro acto a apresentação à Junta de Salvação Nacional de um conjunto de princípios reivindicativos, que possibilitavam a prestação de serviços de apoio aos associados, desde os processos burocráticos e administrativos, aos cuidados de saúde, reabilitação física e integração social. Esta associação conta com mais de 13 500 associados, ilustrando perfeitamente as necessidades sentidas pelos feridos de guerra. No entanto, alguns levantamentos estatísticos efectuados pela ADFA apontam a marca para os 25 milhares, durante todos os 13 anos de guerra. Em relação ao stress de guerra, a ADFA estima números bastante superiores aos apontados pelas fontes oficiais (560).
  • De origem Guineense
Na ex-Guiné Portuguesa, uma parte dos que combateram pelo lado do governo de Portugal contra o PAIGC, eram soldados ou milícias naturais do próprio território. Após a independência, a grande maioria desses combatentes foram abandonados à sua sorte em consequência de várias circunstâncias entre as quais a falta de definição do seu estatuto nos acordos assinados entre as forças beligerantes e à falta de capacidade de resolução de tantos problemas em simultâneo pelos novos governantes de Portugal durante a Revolução dos Cravos.
A principal consequência desses factos foi a sua perseguição e assassinato pelos seus antigos inimigos. Estima-se que tenham sido assassinados sumariamente milhares de ex-combatentes, havendo quem avance com números na ordem dos onze mil.



O 10 de Junho[editar | editar código-fonte]

O regime aproveitou a data quase esquecida do 10 de Junho, que detinha uma conotação como o Dia da Raça, entretanto desactualizada, para transformá-la num grande evento de apoio à política colonial, sob pretexto de homenagear os heróis que a suportavam na frente de combate. O dia 10 de Junho passaria, assim, a carregar consigo uma identificação próxima com a defesa do regime e das colónias, enquanto as Forças Armadas eram chamadas para a demonstração do poderio militar português.
A primeira das celebrações realizou-se em 1963, no Terreiro do Paço, emLisboa, para condecorar combatentes. Este modelo seguir-se-ia, com ligeiras alterações, até 1973: formatura geral dos três ramos das Forças Armadas, dispondo os alunos do Colégio Militar e do Instituto Militar dos Pupilos do Exército, seguidos dos cadetes da Escola Naval e da Academia Militar. Segundo oDiário de Notícias, edição de 12 de Junho desse primeiro ano, «quatro mil homens descansavam as mãos nas armas de guerra. Em volta, uma multidão silenciosa. A memória dos combatentes do Ultramar impunha respeito».
As cerimónias de condecoração de militares no 10 de Junho celebravam-se também nas regiões militares metropolitanas, no PortoTomarÉvoraFunchalPonta Delgada, presididas pelos respectivos comandantes, bem como nas capitais dos teatros de operações, BissauLuanda e Lourenço Marques, presididas pelos respectivos governadores.
Com a Revolução do 25 de Abril de 1974, o dia passar-se-ia a designar como Dia de Camões, Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Nas artes[editar | editar código-fonte]

No cinema[editar | editar código-fonte]

No cinema português, a Guerra do Ultramar, ao contrário do verificado em outros períodos marcados pelas circunstâncias político-militares, não teve uma incidência direta, quer em atualidades, quer em reportagens, por dois motivos principais: a influência da censura e a posterior importância da televisão. Em contrapartida, o documentarismo mereceu um expressivo incremento nos países africanos envolvidos, especialmente Angola e Moçambique. Na televisão em Portugal o tema esteve pouco presente até ao novo milénio, quando surgiram sólidos contributos entre os quais podem destacar-se As Duas Faces da Guerra, de Diana Andringa e Flora Gomes e, acima de tudo, as três monumentais e rigorosas séries de programas de Joaquim Furtado: A Guerra: Colonial; do Ultramar; de Libertação (em Fevereiro de 2012 a 3ª e última série ainda não foi tornada pública). Por outro lado, a Guerra Colonial reflectiu-se, desde meados da década de 1960, na área ficcional da cinematografia lusitana, explorando sobretudo os conflitos individuais. Destacam-se, a título de exemplo, um documentário longo, em 70 mm, produzido pelo Serviço de Informação Pública das Forças ArmadasAngola na Guerra e no Progresso (1971, Quirino Simões), baseado em Aquelas Longas Horas, de Manuel Barão da Cunha, com uma síntese dos acontecimentos de 1961 e a subversão do Leste a partir de 1967.
Após o 25 de Abril de 1974 e o levantamento da censura política, a produção cinematográfica alterava substancialmente o teor das produções, agora mais voltado para a exposição do pós-guerra. Produzido para a RTPAdeus, até ao Meu Regresso (1974, António-Pedro Vasconcelos) narrava alguns casos significativos entre os milhares de soldados que combatiam na Guiné, a propósito das mensagens de Natal para as famílias; Incompleto ficou O Último Soldado (1979, Jorge Alves da Silva), sobre as dificuldades de readaptaçãoconjugal e social de um oficial pára-quedista (João Perry) de regresso a Portugal;La Vitta e Bella (1979, Grigori Tchoukrai), uma co-produção luso-ítalo-soviética, filmada em Lisboa, sobre um taxista, ex-aviador militar que, durante a guerra de Angola, recusara abrir fogo e afundar um barco com mulheres e crianças; emActos dos Feitos da Guiné (1980), Fernando Matos Silva, argumento comMargarida Gouveia Fernandes, encena, em forma de teatro de crítica, a relação histórica do colonialismo português e seus heróis, com excertos filmados na Guiné, em 1969-70A Culpa (1980, António Vitorino d'Almeida), narra a obsessão de um ex-combatente da guerra da Guiné (Sinde Filipe); Em Gestos & Fragmentos - Ensaios sobre os Militares e o Poder (1982, Alberto Seixas Santos),Otelo Saraiva de Carvalho descreve o percurso, seu e dos seus camaradas doMovimento dos Capitães, que levou o país da Guerra Colonial ao golpe de estadodo 25 de Abril; Um Adeus Português (1985), João Botelho e Leonor Pinhãoevocam um incidente com uma patrulha que se perde no mato, com a morte de um furriel; Era Uma Vez um Alferes (1987, Luís Filipe Rocha), sobre a obra deMário de Carvalho, produzido para a RTP, reconstitui um episódio em África, em que um alferes português pisa uma mina, que rebentará quando ele levantar o pé; Non ou a Vã Glória de Mandar (1990, Manoel de Oliveira), uma reflexão sobre a identidade da pátria por parte de alguns soldados, no final da Guerra, pouco antes do 25 de Abril, ilustrada desde o início de Portugal como nação independente.

Na literatura[editar | editar código-fonte]

Ao contrário da repercussão literária portuguesa em outras ocasiões belicistas, a Guerra Colonial contribuiu significativamente para a produção portuguesa. Com cerca de 60 romances em que é tema, e outros 200 em que é subtema, a literatura sobre os acontecimentos formam a única corrente de fundo centrada sobre a guerra. Também aqui, a dualidade do suporte versus oposição ao impériosó seria manifestada abertamente após a Revolução dos Cravos. Com efeito, as produções tenderam a dramatizar a culpa e assumiram um carácter anti-heróico, antimilitarista e auto-punitivo, como é o caso de Jornada de África de Manuel Alegre, em oposição à produção literária dos africanos lusófonos relativa à sua guerra de libertação. Entre as excepções a estas obras contam-se: A Vida Verdadeira de Domingos Xavier ou Nós, os do Maculusu, de José Luandino Vieira,As Lágrimas e o Vento, de Manuel dos Santos LimaMayombe, de Pepetela (todos romances angolanos), Angola, Angolé, Angolema, de Arlindo Barbeitos, os sete contos compilados em Nós Matámos o Cão Tinhoso, do moçambicano Luís Bernardo Honwana. Um exemplo marcante da literatura imparcial portuguesa foi a obra de António Lobo Antunes, em Os Cus de Judas ou em Fado Alexandrino.
Noutro contexto, a literatura técnica sobre a arte militar conheceu também importantes publicações sobre a experiência de combate por parte de fuzileiros,comandos, desertores e elementos dos corpos auxiliares. Há numerosas publicações que narram a experiência - directa ou indirecta -, da guerra e dos seus efeitos, como, por exemplo, o livro de aerogramas de António Lobo Antunes (D'este Viver aqui neste papel descripto, 2005), os dois volumes do Diário da Guerra, de Mário Beja Santos (2008), O Salazar nunca mais morre, de Manuel Beça Múrias (2009), as Crónicas de Guerra, de Rocha de Sousa (1999), ou os depoimentos de mulheres de militares mobilizados no Ultramar em África no Feminino, de Margarida Calafate Ribeiro (2007).
Na poesiaCouto VianaBação LealAssis Pacheco preenchem a lacuna (todos eles integram a vasta coleção de poemas da Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, de Margarida Calafate Ribeiro - 2011); no drama, Fernando Dacosta, n'Um Jeep em Segunda Mão; nos documentários, o diário Jornal de Campanha de Liberto Cruz; no romancismo, a prosa de Juana Ruas, o romanceMorte em Combate, de António Silveira ou Autópsia de um mar de ruínas, de João de Melo.

Nas artes plásticas[editar | editar código-fonte]

O tema foi pouco tratado no sector de Artes Plásticas, salvo excepções como alguns cartoons de João Abel MantaJaz Morto e Arrefece o Menino de Sua Mãe(1973), de Clara Menéres, ou projectos recentes (Séc. XXI) de Ana Vidigal ouManuel Botelho.

Referências

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  2. Ir para cima ↑ Mia CoutoCarnation revolutionMonde Diplomatique
  3. Ir para cima ↑ (em portuguêshttp://www.guerracolonial.org/index.php?content=324 FNLA - um movimento em permanente letargia, guerracolonial.org
  4. Ir para cima ↑ Hélio Felgas, Guerra na Guiné, Lisboa, 1967, pp. 60-68.
  5. ↑ Ir para: a b c Guerra Colonial 1961-1974: Manobra das Populações-Psico - Doutrina. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  6. ↑ Ir para: a b c d Guerra Colonial 1961-1974: Manobra das Populações-Psico. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  7. Ir para cima ↑ Bender 1978, pp. 157
  8. ↑ Ir para: a b Clarence-Smith 1985, pp. 218
  9. Ir para cima ↑ Bender 1978, pp. 156-164
  10. ↑ Ir para: a b Guerra Colonial 1961-1974: O correio durante a Guerra Colonial - Organizações femininas - Apoio Moral. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  11. Ir para cima ↑ Revista Visão 2011, pp. 92-93
  12. ↑ Ir para: a b Guerra Colonial 1961-1974: Manobra das Populações-Psico - Planos de Acção Psicológica. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  13. Ir para cima ↑ Guerra Colonial 1961-1974: Libertação de África - OUA. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  14. Ir para cima ↑ Presidentes - Democracia - António de Spínola (em português). Museu.presidencia.pt. Página visitada em 11 de setembro de 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]




Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.