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quinta-feira, 10 de abril de 2014

OLHÓ AVANTE ! - À LOMBADA



OLHÓ AVANTE !


À lombada

Pedro Lomba decidiu fazer prova de vida e afirmou que «o Governo tenta continuar e desenvolver o espírito do 25 de Abril original».

O que entenderá o secretário Lomba por «espírito do 25 de Abril»? E por espírito do 25 de Abril «original»? Sabendo-se que o senhor não existia ou andava de cueiros quando ocorreu o caso, depreende-se com razoável probabilidade de que lado do 25 de Abril o sr. Lomba efectivamente está: o dos mesmos que, em pleno processo revolucionário, reclamavam contra «os exageros» – à falta de coragem para se oporem às medidas revolucionárias –, argumentando depois que «o espírito» do 25 de Abril «estava desvirtuado» e, finalmente, que a Revolução em curso era contra o tal «25 de Abril original», apesar de o Programa das Forças Armadas ser claríssimo na sua matriz de 10 Pontos Programáticos, que foram sendo paulatinamente cumpridos ao longo do processo revolucionário.

Na verdade, o que havia de «original» nestes «25 de Abril» de pacotilha era o fascismo, literalmente dito, que os protestadores tremebundavam ao vê-lo derrubado.

É esta a «originalidade» que o Lomba convoca 40 anos depois, continuando a fugir a sete pés de chamar os bois pelos nomes.

Mas este secretário adjunto, do também adjunto ministro Maduro (por assim dizer, vão-se adjuntando uns aos outros) não constitui novidade na procelosa equipa Passos/Portas. O núcleo duro desta ranchada mergulha raízes na burguesia salazarista e nos valores coloniais, herdando as dores revanchistas dos seus mais velhos e pondo-as «a pagamento» no «Portugal novo» e «com outro paradigma» com que o Governo de Passos Coelho tem vindo selvaticamente a apunhalar o País, acobertado pelas auto-assumidas «exigências da troika».

O Governo de Passos Coelho é um gigantesco embuste de que a História há-de dar conta.

Ele e a sua tropa fandanga assumiram o poder na confluência dramática da expulsão de Sócrates pelo eleitorado, farto que estava da sua política de ataque aos trabalhadores da Função Pública e aos sistemas fulcrais das funções sociais do Estado, em regime democrático – Saúde, Ensino e Segurança Social. Afinal, os fundamentos dos ataques actuais. Passos subiu ao poder montado numa esquelética vitória e sufragado por um conjunto de promessas que não tinha a mínima intenção de cumprir.

Os despautérios e as puras imbecilidades têm abundantemente surgido no «acto governativo» desta gente, desde o primeiro-ministro ao seu «vice» e passando pelo resto da banda. O Lomba, após vários actos hilariantes (os briefings que eram diários e se sumiram vertiginosamente por entre os seus próprios dedos), arriscou dar uma de ideólogo e decretou que o Governo está a continuar e a desenvolver o «espírito do 25 de Abril original».

O País já sabia. Significa fascismo. E a descoberta do Lomba pode dar-lhe uma Lombada.

Henrique Custódio

Gostei de ler: "Acelerar num beco sem saída pensando que é uma autoestrada"

Gostei de ler: "Acelerar num beco sem saída pensando que é uma autoestrada"



«Se a coisa não fosse grave, mais do que isso, muito grave, a vida pública portuguesa seria tão aborrecida como a química do néon. O néon, com uma excepção, permanece solitariamente sem reagir com nada, altaneiro na sua condição de raro e nobre. Hoje, a nossa vida pública parece o néon, nada reage com nada, apesar do absurdo em que vivemos, apesar das malfeitorias quotidianas. E este absurdo vem de que qualquer pessoa que se debruce sobre o que verdadeiramente se passa e não sobre a nuvem de propaganda e retórica, percebe com absoluta clareza que nada está a mudar, enquanto as pessoas e o país pagam um custo enorme em nome de uma mudança inexistente. Pagaram e muito e vão ficar de mãos a abanar.


Quando esta “gente”, como o Primeiro-ministro gosta de chamar aos seus opositores, for varrida do mapa político, o país continuará com os mesmos problemas estruturais de crescimento, a mesma estagnação ou pior, e nenhum adquirido sustentável. Nem no deficit, nem na dívida, nem em nada. Com o tempo, a complacência política da troika, que se seguiu à hostilidade inicial resultado da queda de um Sócrates muito estimado pela senhora Merkel (convém não esquecer), será esquecida, e 4% de deficit será 4% e não os 2 previstos, e 130% da dívida será 130% e não os previstos. Ou seja, no fim do memorando, na “restauração” do 1640 de Portas, nada do previsto foi alcançado. A instabilidade política crescerá, a instabilidade social, idem, e os impasses actuais mostrarão a sua face soturna. E acelerar num beco sem saída, que é a política do governo, conduz-nos a bater violentamente na parede. Seguro fará o papel da espuma que se deita nas pistas para impedir os incêndios, mas a parede está lá, cada vez mais perto. O resto é magia.» – Pacheco Pereira, no Abrupto.


opaisdoburro.blogspot.pt

MERCEDES NOVOS COMPRADOS PELO ESTADO QUE AO FIM DE 6 MESES VÃO PARA A OFICINA PARA MUDAR DE MOTOR ? - FAMÍLIAS DE MINISTROS A ADQUIRIR PRODUTOS E OBJECTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO DO ESTADO ? - O DESPESISMO NÃO DÁ TRÉGUAS E OS IMPOSTOS ESGOTAM-SE

O DESPESISMO NÃO DÁ TRÉGUAS E OS IMPOSTOS ESGOTAM-SE


Agradeço a quem tem disponibilidade psicológica para ler os relatórios do Tribunal de Contas - essa força de bloqueio - que os autarcas, secretários de Estado e ministros toleram.
De facto, essa força de bloqueio proporciona-nos momentos hilariantes, porque justiça não traz nenhuma.. é um tribunal muito pacato, diz apenas que acha mal roubarem tanto, que lamenta, que está mal... mas não passa disso.

-Vejam só que a ARS do Alentejo decidiu adquirir um armário persiana, duas mesas de computador e três cadeiras de costas altas e rodinhas que custaram 97 mil euros... quase cem mil euros. Estas peças devem ser de ouro.
- Em Matosinhos, a empresa municipal de habitação gastou 142 mil euros para reparar uma porta de entrada do edifício. Alguém sabe de que é feita esta porta? O Tribunal de Contas não sabe.
- A Universidade do Algarve gastou numa viagem aérea até Zagreb, capital da Croácia, durante quatro dias, 38 mil eurosA TAP revelou ao Tribunal de Contas que a viagem de ida e volta custa 1700 euros. Em que foram gastos os 32 mil euros? O Tribunal de Contas também não conseguiu perceber.


- A câmara de Ílhavo comprou três computadores, uma impressora, dois leitores ópticos e pagou quase 400 mil euros, trezentos e oitenta mil, mais rigorosamente. O Tribunal de Contas ficou bloqueado.

-Completamente embriagados ficaram os relatores do Tribunal de Contas quando viram que a Câmara de Loures gastou mais de 652 mil euros em vinho tinto e branco. Certamente não era para distribuir nas escolas.
- Mas vá que não vá, porque Loures é uma câmara rica, agora o que se passou na câmara de Sabugal, não dá para entender. O município gastou um milhão e duzentos mil euros para comprar uma viatura ligeira de mercadorias (uma carrinha Renault). Há coisas fantásticas, não há? Ah, pois há.

-A câmara de Sines pagou a mesma quantia - um milhão e duzentos mil euros— pelo aluguer de uma tenda para a inauguração do Museu do Castelo. O Tribunal de Contas ficou embasbacado ao perceber que o aluguer de uma tenda custa mais que a carrinha de Sabugal e uma boa casa.

- Mais caro ficou um toner para impressora «hp p2015» adquirido pela Administração Regional de Saúde do Centro/ Sub-Região de Saúde de Aveiro à ATM por 45 mil euros.

-Finalmente, mas em primeiro lugar: a câmara de Beja abriu um concurso para uma fotocopiadora multifuncional e pagou seis milhões e meio de euros.Repito, seis milhões e meio de euros.
Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra no site do Tribunal de Contas. E ninguém vai preso por obscenidades como esta?

Ainda não recompostos de em 2012 pagarmos  a construção das novas instalações da Faculdade de Farmácia e do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS) que foi prometida como custando a todos nós e ao Ministério da Saúde 27,5 milhões, mas que com as convenientes derrapagens, ficou em 62 milhões. Ao que temos que somar 965.699,52 € de mais despesismo de mobiliário.
149.667,24 € em serviços de segurança! + 171.662,21 € serviço de limpeza! 134.689,44 € para Empreitada de remodelação do pólo de Vairão, que inclui a demolição de estruturas existentes e construção de laboratórios de investigação e gabinetes, quartos e casas de banho, uma sala de aulas e um espaço multi-usos.+ 98.000,00 €  para o fornecimento e Montagem de Serralharias do Canil, Gatil e Museu de Anatomia! + 11.280,65 € em material eléctrico

Nós, limitamo-nos a ser o bobo da corte, sim, esse mesmo que “… divertia o rei e os áulicos. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e animava as festas. De maneira geral era inteligente, atrevido e sagaz. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e zombava da corte”. É o que nos sobra fazer. 



ESTE VIDEO EXPLICA COMO SE GASTAM FORTUNAS EM VIAGENS







apodrecetuga.blogspot.pt

VOCÊS SABEM O QUE ESTÁ POR DE TRÁS DESTAS DECLARAÇÕES....EU SEI !!! - Freitas do Amaral considera que democracia ganhava com um governo PS/PCP “Confesso que antes do 25 de Abril não era democrata”, disse ainda



Freitas do Amaral considera que democracia ganhava com um governo PS/PCP


“Confesso que antes do 25 de Abril não era democrata”, disse ainda

Freitas do Amaral defendeu, em entrevista à Antena 1, que era a bom para a democracia um governo PS/PC. “Eu só espero que o Partido Comunista não fique agarrado à ideia de que só tem que entrar em cena quando for para fazer a revolução e aceite fazer alianças de governo”, disse, acrescentando que “a democracia portuguesa funcionaria muito melhor se a alternância fosse entre governos PSD/CDS e governos PS/PC”, apesar de considerar que um governo entre socialistas e comunistas “não é possível neste momento”.
Freitas do Amaral assumiu, na mesma entrevista, que antes do 25 de Abril não era democrata: “Eu sabia que era liberal, não sabia que era democrata”.
“Não posso dizer que em 72, 73, 74 tivesse falado a favor da democratização do regime, mas falei a favor da liberalização do regime”, acrescentando que “a ideia da democracia, dos partidos políticos, do governo poder mudar de acordo com as eleições, eu não a tinha tão clara no meu espírito”.
Em Portugal, “considerei o partido comunista como um perigo para a democracia portuguesa, não só em 75 mas enquanto existiu União Soviética. A partir do momento em que deixou de haver União Soviética é um partido como os outros e devo fazer aqui um elogio ao Partido Comunista: se é verdade que na minha opinião tentou tomar o poder pela força em 75, a verdade também é que desde o 25 de Novembro de 75 nunca mais infringiu uma única regra da democracia”.
Quanto ao manifesto, Freitas do Amaral diz que “não está nada arrependido” de o ter assinado e defende que não houve aproveitamento político do documento: “Não houve aproveitamento político nenhum. Alguém fez um partido com base no manifesto? Uma lista para o parlamento europeu com base no manifesto?”, considerou, esclarecendo que “apenas houve uma série de cidadãos que se encontraram de acordo quanto àquele tema”.
“É evidente que aquelas pessoas não podiam fazer uma coligação de governo, mas para um problema concreto de Portugal – que é o problema da dívida - quanto mais alargado for o leque de apoiantes melhor é”, disse ainda, considerando que o manifesto “não era um ultimato ao governo, era uma proposta de que aquele tema fosse debatido. E está a ser”.
Sobre a questão do voto obrigatório, Freitas do Amaral disse “as pessoas que normalmente se abstêm são as que estão mais descontentes, com a política, com os partidos… é precisamente esses que temos de levar a votar para que alguma coisa mude. Era uma forma de obrigar o sistema a renovar-se”.

O MACACO - A maior parte da verborreia regurgitada pelos parlamentares na Assembleia da República cheira a lixo e é, de facto, lixo. O debate parlamentar das quintas-feiras é, a meu ver, a mais clara manifestação de que todo o ser humano devia estar no seu devido lugar e isso não acontece.

o macaco

Por Mário Dias Ramos
http://www.ionline.pt/

A maior parte da verborreia regurgitada pelos parlamentares na Assembleia da República cheira a lixo e é, de facto, lixo.

O debate parlamentar das quintas-feiras é, a meu ver, a mais clara manifestação de que todo o ser humano devia estar no seu devido lugar e isso não acontece.

Na sociedade, conforme está organizada no Portugal de hoje, um número enorme de homens e mulheres desempenham funções para as quais não estão preparados – os espectáculos lamentáveis que os debates parlamentares nos oferecem via televisão são, aqui e ali, bons exemplos do que afirmo.

Que todo o ser humano esteja no seu lugar é o ideal do estado aristocrático em total oposição ao do estado democrático – aqui tudo está fora do seu sítio! Realmente na sociedade portuguesa dos últimos 40 anos um número enorme de homens e mulheres estão a desempenhar funções para as quais não foram naturalmente preparados. Tal circunstância reflecte-se no dia-a-dia dos portugueses. O actual governo é um bom exemplo. E algumas oposições também não escapam ao anátema.

De um lado os adaptados, do outro os inadaptados. A consciencialização deste desperdício de forças (pois é disso que se trata) cria descontentamento, azedume e uma espécie de cinismo muito desagradável ao próprio indivíduo, e perigoso para uma sociedade que dia a dia se sente isolada, abandonada, desprezada, socialmente empobrecida.

Os actuais homens do poder atormentam o povo e os seus subordinados tecem uma política astuciosa, agressiva, trapalhona, que constantemente se contradiz sem o mínimo respeito pelos cidadãos. Refiro-me aos inadaptados. E só não vê isto quem não quer, ou a quem não convém ver. Os sintomas são típicos: desemprego, fome, desemprego e mais fome – este é o trabalho obstinado do governo de Passos e Portas. Eles leram, com certeza, a teoria do Sr. Stephen Rose, especialista norte--americano em recursos humanos quando afirma que “não vale a pena perder tempo com os trabalhadores mais velhos. É muito difícil reciclá--los. O futuro está nos jovens”.

O actual governo, tudo o indica e já ninguém duvida, pensa como o Sr. Stephen Rose, para quem a felicidade consiste em viver bem à custa dos sacrifícios dos que vivem mal.

É a política do capitalismo e da direita radical que está a dominar o tempo que vivemos. Todos eles, afinal, o que querem é viver bem. Nem que para isso, em nome do “equilíbrio” económico, o façam à custa dos milhões que, desempregados, só conhecem a fome e a miséria.

Os meus amigos conhecem aquela anedota do macaco que fazia coisas feias à mãe?


ouropel.blogspot.pt

Fotografias de Abril photo 25a_zps1331a372.jpg Para um jovem de 1974 a viver em Vila Real de Santo António ter uma máquina fotográfica seria uma excentricidade, além disso estaria muito longe dos acontecimentos para poder fotografar o 25 de Abril. Aliás, o 25 de Abril levou algumas horas a chegar por ali, uma terra a que o regime tinha posto uma cruz em cima para efeitos políticos. Havia quase um PIDE por metro quadrado,

Fotografias de Abril

 photo 25a_zps1331a372.jpg

Para um jovem de 1974 a viver em Vila Real de Santo António ter uma máquina fotográfica seria uma excentricidade, além disso estaria muito longe dos acontecimentos para poder fotografar o 25 de Abril. Aliás, o 25 de Abril levou algumas horas a chegar por ali, uma terra a que o regime tinha posto uma cruz em cima para efeitos políticos. Havia quase um PIDE por metro quadrado, mas pelo menos era uma terra limpinha, tão limpinha que teria deixado o papá do Pedro Rabbit melhor impressionado com a Metrópole.
  
Nesse tempo as notícias ou chegavam pela TVE ou na carrinha que trazia os jornais lá para as oito horas da noite. Nesse dia o Chavelhita, o ardina local, passou-se e perante tanta gente a querer o jornal pegou no embrulho, foi ao meio da Praça Marquês de Pombal e atirou-o ao ar, cada um serviu-se e deixou o dinheiro na banca. Era uma figura curiosa este Chavelhita, o irmão tinha estado na guerra da África onde a família Rabbit tinha uma vida farta em terras muito limpinhas, mas veio com aquilo a que hoje se chamaria stress de guerra, naquele tempo era louco e repetia incessantemente que “e as catanas era bifes, quem passa por elas é que sabe”.
  
No dia seguinte a sede da PIDE foi cercada e lá se convenceram de que o 25 de Abril era a valer. O chefe era o Baía que deixou alcunha ao pelado onde se jogava à bola e era visita regular do Centro da Juventude, onde jogava xadrez enquanto o Bento vinha para rua gritar Piggy, Miss Piggy, a porquinha dos Marretas que com a pronúncia local além de porco em inglês soava a PIDI.
  
Do 25 de Abril, acontecimento que graças a um irmão que nesse tempo era um jovem oficial da Escola Naval soube com antecedência, quando se deu o 16 de Março avisou em casa que brevemente aconteceria mais alguma coisa. E aconteceu, mas eu não estava lá para fotografar. As máquinas eram um luxo e a revelação de um rolo dava para alimentar uma família durante dois ou três dia.  E paga-se primeiro e via-se o resultado depois, tudo era revelado e focadas ou desfocadas as cópias eram pagas. Cada rolo tinha 12, 24 ou 36 fotografias que com algum jeito ao coloca-lo na máquina conseguiam-se mais duas.
  
Mas um amigo e visitante do Blogue teve mais sorte, idade e dinheiro do que eu, estava no meio dos acontecimentos e tirou algumas imagens são essas as imagens que aqui serão colocadas. Não importa se estão ou não focadas, se são bonitas ou não, são imagens raras de um acontecimento que merece ser revivido. São imagens sem filtro artístico, sem o enquadramento da visão profissional, são imagens genuínas do 25 de Abril.
  
Não vivi o 25 de Abril, soube do que se estava a passar quando estava a caminho da escola, já no fim da avenida, nome pelo qual se conhecia aquela a que era a rua sem trânsito, onde ficam as lojas e as pessoas passeiam, a rua direita. Ao fim dessa rua ficava  a loja do Gravanita, vendia vinhos e outras bebidas e uma vez por ano e por mais que isso irritasse a PIDE na sua montra era exibida uma fotografia de Humberto Delgado e um ramo de flores.
  
Não vivi o 25 de Abril mas tenho orgulho nele, tenho orgulho no meu povo e no meu país, seja ele limpinho ou sujo, até porque anda por aí muita gente suja a falar de saídas limpas.
Um obrigado ao meu amigo A. Moura, o autor das imagens.

jumento.blogspot.pt

MEU PAÍS DESGRAÇADO

«Meu País Desgraçado», conto poético por Sebastião da Gama.


Desocupados, por Antonio Berni

114- «MEU PAÍS DESGRAÇADO»

Meu país desgraçado!…
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas…

Meu país desgraçado!…
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
- olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

Sebastião da Gama

wwwpoetanarquista.blogspot.pt