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sexta-feira, 28 de março de 2014

Para que serve um vice-presidente de câmara?.. João Ataíde, o independente reeleito numa lista do PS, tomou posse em 19 de outubro passado. Leva, portanto, cerca de meio ano deste segundo mandato – o primeiro com maioria absoluta. Na tomada de posse, o presidente da Câmara da Figueira da Foz afirmou ter como intenção, nos próximos quatro anos,

Para que serve um vice-presidente de câmara?..

João Ataíde, o independente reeleito numa lista do PS,  tomou posse em 19 de outubro passado. Leva, portanto, cerca de meio ano deste segundo mandato – o primeiro com maioria absoluta.
Na tomada de posse, o presidente da Câmara da Figueira da Foz afirmou ter como intenção, nos próximos quatro anos, “prosseguir a consolidação financeira, manter a eficiência, rapidez e transparência dos serviços municipais, intervir no espaço público e nos equipamentos, melhorar a qualidade de vida no concelho e incrementar o desenvolvimento”.
Começou mal, porém, este segundo mandato do dr. João Ataíde: uma das duas reuniões mensais passou a ser realizada à porta fechada; depois, surgiu o caso do estacionamento pago no Hospital da Figueira da Foz;  a seguir, a polémica no CAE que envolveu directamente o seu vereador de confiança e agora vice-presidente  – o dr. António Tavares. Outras polémicas estão em cima da mesa. Uma,  que envolve  também directamente o seu vereador de confiança  - o dr. António Tavares, pois começou com uma frase do vereador PS no jornal AS BEIRAS:  "...  não conseguimos perceber como pode a Açoreana, empresa proprietária do chamado edifício "O Trabalho", fazer perpetuar e permitir a degradação constante do mamarracho que todos conhecemos, para mais situando-se numa zona nobre da cidade e de grande fluxo de turistas e locais..."; a outra, que vai ter novos capítulos, em breve, tem a ver com o facto de “a Câmara da Figueira da Foz ter chamado a si a gestão do EstádioMunicipal José Bento Pessoa, que era gerido há várias décadas pela Naval 1.º de Maio, no âmbito de um protocolo assinado com o clube”.
Presumo que um  vice-presidente de câmara, sirva talvez para  substituir o presidente, quando este está ausente, e usar a sua magnífica cultura, inteligência e lata visão e experiência política para tentar prevenir e evitar “tiros nos pés”, que causam sempre danos políticos para os protagonistas, como certamente o futuro nos irá demonstrar...
É estranho, ou talvez não, que quem quer dar a imagem que  tudo faz e faz e fará para proteger os cidadãos figueirenses tenha  assistido  e continue a assistir a tudo isto  caladinho, fazendo manobras de diversão no jornal, direccionadas para alvos que nada têm a ver com a forma como é gerida a autarquia figueirense, como, por exemplo, o autor deste blogue e outras pessoas que ousam divergir da maneira como esta maioria absoluta está a governar os destinos do nosso concelho.
Seja como for – e oxalá isso não aconteça - arrisca-se a que um destes dias o presidente, para voltar a mostrar quem manda (as pessoas esquecem-se com frequência), o despromova de vice para vereador  dos cemitérios.
Depois do prometedor salto qualitativo que, como político desta política, deu em meados do ano passado, seria muito mais condizente com a actuação que tem tido nos últimos meses.



outramargem-visor.blogspot.pt

O POPULISMO NOJENTO E A FALTA DE VERGONHA DO PAULINHO IRREVOGÁVEL


ESTE É MESMO DANÇARINO



HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL - 6º PARTE - MANOBRAR AS POPULAÇÕES (PSICO) -A AFRICANIZÇÃO DA GUERRA, MOBILIZAÇÃO DE EFECTIVOS LOCAIS - DANIEL ROXO O DIABO BRANCO, O FANTASMA DA FLORESTA, GUERRILHEIRO ANTI-FRELIMO APOIADO PELA ÁFRICA DO SUL E ACUSADO DE ASSASSINO DE CRIANÇAS, UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

Psico 

A Acção Psicológica destina-se a influenciar as atitudes e o comportamento dos indivíduos. Na guerra subversiva é utilizada para obter o apoio da população, desmoralizar e captar o inimigo e fortalecer o moral das próprias forças, assumindo três aspectos diferentes, embora intimamente relacionados: 

- acção psicológica  
- acção social psicossocial 
- acção de presença. 






Quer as forças portuguesas, quer os movimentos de libertação usaram intensamente a acção psicológica como arma, integrando-a na panóplia de meios disponíveis para a conquista dos seus objectivos, dentro da ideia que as «palavras são os canhões do século XX» e que, como se ensinava aos futuros chefes da guerrilha na escola de estado-maior da China, na guerra revolucionária «deve atacar-se com 70 por cento de propaganda e 30 por cento de esforço militar». 
A acção psicológica exercida sobre a população, o inimigo e as próprias forças foi conduzida através da propaganda, da contrapropaganda e da informação, de acordo com as finalidades de cada uma destas áreas: a primeira, pretendendo impor à opinião pública certas ideias e doutrinas; a segunda, tendo como finalidade neutralizar a propaganda adversa; por último, a informação, fornecendo bases para alicerçar opiniões. Mas, para serem eficazes, os meios de condicionamento psicológico necessitam de encontrar ambiente favorável. 
Quanto às populações, procurou-se criar esse ambiente propício com a acção social, que visava a elevação do seu nível de vida, para as cativar, «conquistando-lhes os corações» e originando condições mais receptivas à acção psicológica. Esta acção foi desenvolvida sob a forma de assistência sanitária, religiosa, educativa e económica. 
Da conjunção da acção psicológica com a acção social surgiu a acção psicossocial, que foi designada por Apsic ou simplesmente por Psico.







 
Relativamente ao adversário, a acção psicológica das forças portuguesas procurou isolar os guerrilheiros das populações, desmoralizá-los e conduzi-los ao descrédito quer na sua acção, quer na dos seus chefes. Para o efeito utilizaram-se panfletos e cartazes lançados de aviões ou colocados nos trilhos de acesso e nas povoações, emissões de rádio, propaganda sonora directamente a partir de meios aéreos, apelando à sua rendição e entrega às forças militares ou administrativas, garantindo-lhes bom tratamento e explicando-lhes que a participação na guerrilha constituía um logro. 
Como toda a acção tem o seu reverso, os movimentos de libertação apelavam aos ideais de paz e de justiça, dirigindo a sua acção a grupos-alvo seleccionados: trabalhadores, intelectuais, estudantes, militares e mulheres, apresentando como ideias-chave a guerra injusta, o direito à independência e autodeterminação, o atraso económico provocado pelas despesas da guerra e os sacrifícios exigidos à juventude e suas famílias. 
De forma geral, a oposição política ao regime completou a actividade dos movimentos de libertação através de acções de mentalização e propaganda, algumas espectaculares, como as que foram dirigidas contra instalações militares pela Acção Revolucionária Armada e as Brigadas Revolucionárias.









 
Para responder a esta actividade adversária, que pretendia «minar o aparelho militar por dentro e retirar-lhe a, vontade de combater», as Forças Armadas exerceram também esforço de acção psicológica sobre os seus elementos, cuja finalidade era manter e fortalecer o moral dos combatentes, procuravam conseguir esse fortalecimento transmitindo a crença na justiça da causa que se defendia e a fé na vitória. As acções destinadas a conseguir esses objectivos revestiam-se quase sempre, de carácter de exaltação patriótica, com o recurso a exemplos de heróis militares.











MOBILIZAÇÃO DE EFECTIVOS LOCAIS

Mobilização de efectivos locais

Todos os países europeus, nos conflitos coloniais, armaram e organizaram elementos das populações locais e constituíram com eles unidades integradas, em grau variável, nas suas forças armadas, para combaterem ao seu serviço e de acordo com os seus interesses. A africanização da guerra a que as Forças Armadas portuguesas recorreram cobre grande leque de objectivos políticos e militares, entre os quais a africanização das baixas teve óbvio interesse, embora não surja como sua principal razão de ser.

Apesar de os processos, intenções e resultados da africanização terem sido diferentes nos três teatros de operações e variado com as concepções dos vários chefes militares e dos governos que a ela recorreram, é possível afirmar que, no seu conjunto, se pretendeu sempre obter comprometimentos de ordem política, promovendo a integração dos africanos na ordem estabelecida pelo regime colonial. A política de africanização procurou o envolvimento físico das populações negras na guerra de modo a criar clivagens e antagonismos que demarcassem campos de actuação e dificultassem o alargamento das bases de apoio dos movimentos de libertação. Para isso, exerceu sobre os africanos ao seu serviço intensa acção psicológica, proporcionando-lhes melhores condições de vida e apresentando-os como exemplo. Em troca, socorreu-se deles para aumentar os efectivos de combatentes, aproveitando o seu conhecimento do terreno e a sua completa adaptação ao meio, formando com eles unidades especiais, expondo-os a maiores perigos e sacrifícios e utilizando-os ainda como fonte de informações e como agentes de contra-informação.

A africanização da guerra proporcionou unidades mais baratas e mais eficazes do que as metropolitanas, as quais compensaram ainda a escassez de efectivos que o alastramento da guerra exigia e que a demografia do país já não conseguia fornecer. As unidades africanas integraram-se na manobra política e militar que os comandantes de cada teatro gizaram, sendo neste campo que se notam as maiores diferenças de emprego.
Na Guiné, com Spínola, foram promovidas a embrião de forças armadas de novo Estado e dotadas de unidades de comando. Em Angola, o seu emprego foi fraccionado em múltiplas organizações, dependentes de organismos distintos, integrando elementos de proveniências diversas, desde refugiados catangueses e zambianos a antigos guerrilheiros, em que apenas o controlo operacional táctico era dos comandantes militares territoriais.
Em Moçambique, foram organizadas como unidades de tipo convencional e empregues em missões clássicas de contra-guerrilha.

A africanização dos efectivos recorreu a três tipos de forças: as unidades do recrutamento da província, que faziam parte do dispositivo militar implantado em cada território, as milícias, que se podem designar por tropas auxiliares, ou de segunda linha, e outros elementos em que se incluíam refugiados estrangeiros e antigos guerrilheiros. As primeiras deram origem, entre outras, às unidades de comandos recrutadas e instruídas em cada um dos teatros, e também aos fuzileiros formados na Guiné, às unidades a cavalo criadas no Leste de Angola e até os grupos especiais de pára-quedistas (GEP) constituídos em Moçambique - todas com a organização, instrução e administração das forças regulares em que se integravam. As milícias e os outros elementos estiveram na origem das unidades mais típicas da africanização da guerra, aquelas que aparecem mais comummente associadas a este conceito.

Na Guiné, as primeiras forças paramilitares foram criadas no final de 1964, designadas por milícias, e desenvolveram-se, particularmente a partir de 1968, por acção do general Spínola, que criou um Comando Geral de Milícias e designou o seu conjunto como «força africana». Um caso à parte na africanização de guerra foram os «comandos africanos», que constituíram um batalhão de estrutura organizativa aparentemente convencional, mas cujos quadros, até ao nível de comandante de companhia, eram já africanos assessorados por militares portugueses, que também garantiam a sua instrução e a administração, participando por vezes em operações, num processo semelhante ao utilizado pelos americanos com os boinas-verdes no Laos e no Víetname

Em Angola, a partir de 1966, começaram a ser organizadas, no Norte, pequenas formações de dezasseis homens designadas por grupos especiais (GE), que em Cabinda receberam o nome de tropas especiais (TE). Os TE, após a apresentação de Alexandre Taty quando rompeu com a FNLA, foram maioritariamente constituídos por ex-guerrilheiros, e com a derrota do projecto de Tchombé de promover a secessão da província do Catanga, no antigo Congo Belga, muitos dos que haviam combatido a seu lado refugiaram-se em Angola, vindo a ser integrados na estrutura das forças auxiliares, onde ficaram conhecidos como catangueses, «fiéis catangueses» ou simplesmente «fiéis». Também uma vaga de refugiados da Zâmbia veio engrossar as fileiras destas forças, tomando o nome de zambianos, «leais zambianos» ou simplesmente «Ieais». Mas se estas unidades e ainda as forças de milícias dependentes da administração e as mantidas pela Organização Provincial de Vigilância e Defesa Civil de Angola, que já vinham de 1962, desempenharam papel muito activo na guerra, são contudo os «Flechas» que viriam a caracterizar o processo de africanização da guerra em Angola. Os «Flechas» foram criados pela DGS segundo o modelo dos «pseudo-gangs» da guerra do Quénia e dos selous scouts da antiga Rodésia. Constituíam forças não convencionais capazes de viver e combater no terreno como os guerrilheiros, em acções prolongadas e com grande autonomia de métodos de combate. Eram excelentes fontes de informação e a sua eficácia operacional resultava em muito da utilização das informações que a DGS lhes fornecia. A organização dos «Flechas» esteve para ser implantada em Moçambique, embora contasse com a oposição de Kaulza de Arriaga.

Em Moçambique, no início de 1970, foram constituídos os primeiros grupos especiais, que vão já ser empregues na Operação Nó Górdio, em Junho do mesmo ano. Os GE de Moçambique, ao contrário dos da Guiné, que tiveram principalmente missões de quadrícula, e dos de Angola, que foram utilizados como unidades irregulares, participaram em missões operacionais de intervenção, como complemento às forças regulares de caçadores, de comandos, de páras ou fuzileiros. Este tipo de emprego motivou críticas de militares e dirigentes sul-africanos e rodesianos, que haviam colaborado na criação destas forças em Angola. Em Moçambique, foram formados ainda os grupos especiais de pára-quedistas, a única experiência de africanização deste tipo de tropas, que raramente executaram operações por lançamento de pára-quedas, sendo empregues, tal como as unidades similares metropolitanas, em acções convencionais de contra-guerrilha.



DANIEL ROXO - O FANTASMA DA FLORESTA - MOÇAMBIQUE

















http://ultramar.terraweb.biz/


Daniel Roxo o Diabo Branco


DANIEL ROXO
 Francisco Daniel Roxo  nasceu a(01 de Fevereiro de 1933 em MogadouroPortugal -morreu a 23 de Agosto de 1976 em Angola) foi um famoso soldado português que lutou na guerra contra a Frelimo.Embora não sendo militar, recebe das autoridades Portuguesas duas Cruzes de Guerra e uma medalha de serviços distintos pelos seus serviços prestados ao seu país.
 Foi para Moçambique em 1951. Aprende a conhecer o território como ninguém, em especial o Niassa, no Norte. Foi caçador profissional até 1962. Com a guerra, irá tornar-se, a partir de 1964, um lendário e temível comandante de um grupo de forças especiais de contra-guerrilha (30 homens da sua confiança), lutando contra a Frelimo, à margem das regras da guerra convencional. É conhecido como o diabo branco.

 Em Setembro de 1974,participou activamente na "revolta" em Lourenço Marques,e esteve na ocupação do Rádio Clube de Moçambique. 
Após a independência de Moçambique em 1975, alista-se no exército da África do Sul fazendo parte de um grupo de Operações Especiais. Notabiliza-se na Operação Savana, no sul de Angola, na luta contra o exército Angolano e os seus aliados Cubanos, em Dezembro de 1975. É o primeiro estrangeiro a receber a Cruz de Honra da África do Sul (a mais alta das condecorações militares). Acabaria por morrer numa emboscada no sul de Angola. Deixou uma viúva e seis filhos.
                          Operação Savana

A sua acção neste combatefoi épica.A ele e a outros poucos Portuguses se deve a grande vitória na ponte 14 (Dezembro de 1975-no Rio Nhia)em que milhares de Cubanos e soldados do MPLA foram clamorosamente derrotados pelo Batalhão 32.Durante essa Batalha os Portugueses tiveram quateo mortos.Os Cubanos e MPLA prderam mais de 400 homens,embora  o número exacto seja difícil de determinar pois,como a BBC mais tarde informou,camions carregados de cadáveres estavam constantemente a sair da área em direcção ao Norte.Entre os Cubanos  mortos estava o comandante da força expedecionária daquele País,Comandante Raúl Diaz Arguelles,grande herói de Cuba de Fidel de Castro.E note-se sem a intervenção de meios aéreos,só com apoio da Artilharia.
aFoi cronologicamente a última grande batalha em que soldados portugueses (no século XX) se bateram.


Daniel Roxo e os seus Homens
 Trata-se de uma batalha que nas nossas Academias Militares não é estudada (nem sequer conhecida), mas que pelas inovações tácticas e emprego de pequeníssimos grupos de comandos deu resultados bem inesperados (para os cubanos, é claro). No entanto esta batalha é estudada (e bem) nas academias russas, britânicas e estadunidenses (algumas).
Poucos meses depois o nosso Daniel Roxo morria em combate. Antes contudo tinha já recebido a maior condecoração sul africana (equivalente à nossa Torre e Espada). Só no primeiro reconhecimento abateu (sozinho) 11 inimigos a tiro.
Durante uma patrulha perto do rio Okavango, o seu Wolf (veículo anti minas semi blindado) rebentou uma mina e foi virado ao contrario, matando um homem e esmagando Roxo debaixo dele. O resto da tripulação tentou levantar o veiculo para o libertar mas era demasiado pesado. Breytenbach, (antigo comandante dos Búfalos, no seu livro (Eles vivem pela Espada - They Live by the Sword, pp. 105) escreveu:
Danny Roxo, mantendo-se com o seu carácter intrépido, decidiu tirar o melhor partido das coisas, acendendo um cigarro e fumando-o calmamente até que este acabou, e então morreu - ainda esmagado debaixo do Wolf. Ele não se tinha queixado uma única vez, não tinha dado um único gemido ou grito, apesar das dores de certeza serem enormes.
Assim morreu o Sargento Danny Roxo, um homem que se tinha tornado numa lenda nas Forças de Segurança Portuguesas em Moçambique, e que rapidamente se tinha tornado noutra lenda nas Forças Especiais Sul Africanas.

bcac1891.blogspot.pt


FOTOS DE DANIEL ROXO


 DANIEL ROXO COM UM DOS SEUS SEIS FILHOS











 FOTO DE FAMÍLIA EM MOGADOURO

riodosbonssinais.blogspot.pt



Moçambique antes e depois da chegada dos Portugueses.(E a guerra).

Alguns dados sobre Moçambique : Moçambique situa-se na costa oriental de África. Com uma superfície de 799.380 quilómetros quadrados,faz fronteira a norte com a Tanzânia, a ocidente com o Malawi, Zâmbia, Zimbabwe e África do Sul, e a Sul com a Suazilândia e a África do Sul. A sua faixa costeira, na zona este do território, é banhada pelo oceano Indico, numa extensão de 2.515 quilómetros.A população de Moçambique é estimada em 15.7 milhões de habitantes (censo 97), sendo 7.5 milhões de homens e 8.3 milhões de mulheres, com uma média de 20 habitantes por quilómetro quadrado, onde a discrepância é extraordinariamente variável. A situação geográfica e a história deste país, marcada por vários processos migratórios, resultou num grupo populacional heterogéneo com características multi culturais e multi étnicas.Moçambique tem uma população predominantemente rural, com uma percentagem de 23% dos seus habitantes em áreas urbanas.Maputo, a capital(ex-Lourenço Marques), no sul do país, e a cidade da Beira, no centro do país, têm os mais elevados índices de concentração de população urbana, representando o imenso mosaico cultural que é Moçambique.A língua oficial é o português embora declarado como língua materna de apenas 5% da população, durante o censo de 1997. Das diversas línguas de origem bantu faladas nos país, as que cobrem um índice mais elevado de populações, enquanto língua materna são: emakua (1/3 da população); xisena,(1/4 da população); xitsonga (1/5 da população) e xitswa (1/8 da população).
Moçambique tornou-se independente em 1975, depois de uma luta armada de libertação nacional. A FRELIMO - Frente de Libertação de Moçambique, que havia conduzido a luta durante 10 anos, formou o primeiro governo, com um programa de trabalho orientado para a construção de uma sociedade socialista.Em 1976 surgiram os primeiros indícios de desestabilização em Moçambique, cujo desenvolvimento atinge a forma de uma guerra civil alargada a todo o país, sobretudo na década de 80, opondo o governo e a RENAMO - Resistência Nacional de Moçambique. A desestabilização provocada por estes conflitos internos é agravada por agressões militares que a Rodésia faz a Moçambique, mais tarde transferidas para o regime de apartheid da África do Sul. Apenas em 1992, com a assinatura do ‘Acordo Geral de Paz’ entre a FRELIMO e a RENAMO, cessam as hostilidades e inicia-se um processo de paz e reconciliação.A década de 80 marca a transição de uma economia centralmente planificada para uma economia aberta, de mercado. Nos anos 90, concretiza-se a transição política anteriormente iniciada, onde se destaca a introdução de uma constituição pluralista e a emergência de um processo de descentralização política e administrativa.A nossa chegada a Moçambique. Entre a chegada do primeiro navegador português a Moçambique (1498) e o controle efectivo do território e a instalação da administração colonial, decorreu um processo difícil de dominação das diversas organizações políticas africanas que detinham o poder no território. A ocupação efectiva ocorreu em finais do século passado, com a dominação do Estado de Gaza no sul do país, embora apenas na década de 20, a administração colonial tenha passado a assumir um real controle do território.O desenvolvimento do colonialismo Português em Moçambique, pode ser grosseiramente dividido em três períodos: com uma economia dominada por grandes plantações exploradas por companhias majestáticas não portuguesas onde se praticava a monocultura de produtos de exportação (sisal, açucar e copra), no centro e norte do país, com base em mão de obra barata. As companhias, por sua vez, também controlavam o mercado da venda de força de trabalho para países como a Rodésia, Malawi (Niassalândia), Tanganhica, Congo Belga e em alguns casos a África do Sul . No sul, predominava a exportação de mão de obra para alimentar o capital mineiro da África do Sul. Os acordos assinados entre Portugal e a África do Sul para a exportação da mão-de-obra, traziam rendimentos específicos ao Estado colonial, quer através de impostos, quer da utilização dos caminhos de ferro que ligavam o porto de Lourenço Marques à África do Sul, quer ainda através da utilização do próprio porto, para o trânsito de mercadorias;: sob influência da construção do nacionalismo económico, este período é marcado por uma intensificação do trabalho forçado e integração crescente da economia de Moçambique numa economia regional dominada pela África do Sul. O princípio do trabalho forçado e da introdução de culturas forçadas marcam este período, como uma forma de proteger a burguesia portuguesa, incapaz de concorrer com o capital mineiro e com as plantações, no acesso à mão de obra.960-1973: As mudanças políticas mundiais e a crise do regime de Salazar durante este período levaram a diversas reformas políticas e económicas, que conduziram, entre outras medidas, à abolição do trabalho e das culturas forçadas e ao traçar de novas estratégias de desenvolvimento para as colónias. Algumas das consequências das reformas políticas levaram à modernização do capital, com a abertura da economia ao investimento estrangeiro. É neste período e neste contexto de modernização do capital que se fazem investimentos na indústria de manufacturação. A economia colonial sobreviveu durante muitos anos na base de uma dependência de dois sistemas, o trabalho migratório e o trabalho e agricultura coercivos, mesmo depois da abolição formal das culturas e do trabalho forçado. O colonialismo português introduziu mecanismos impeditivos do crescimento de uma burguesia negra, agrícola ou comercial. Assim, embora houvesse uma diferenciação de classe e até mesmo alguns ‘koulaks’ e pequenos comerciantes, o sistema de produção agrícola e industrial manteve-se nas mãos da burguesia portuguesa.
 Alguns dados cronológicos da guerra antes, e até ao nosso regresso à Metrópole. (B. Caç.1891)

1964.                                                                                                                                          



Declaração do estado de emergência no Norte do Zambeze, em Moçambique, para onde são enviados 2500 militares portugueses.
15/Ago -Entrada dos primeiros guerrilheiros da FRELIMO em Moçambique, vindos da base de Mtwara, na Tanzânia.

14/Set -Morte do guarda auxiliar da PSP Martins, por um grupo de guerrilheiros armados, na zona de Mueda, em Moçambique.-Primeira acção da FRELIMO no Niassa, com ataque ao posto administrativo do Cobué.

25/Set -Início da luta armada em Moçambique, conduzida pela FRELIMO , com um ataque a Chai (Cabo Delgado)

25/Set -Ataque da guerrilha à lancha Castor da Marinha Portuguesa, no lago Niassa.-Primeiras acções armadas da COREMO, em Tete e Niassa.


Out-Ataque a um posto de sentinela em Mutarara, primeira acção da FRELIMO na zona de Tete.
 16/Nov - Primeiras baixas sofridas pelas tropas portuguesas no Norte de Moçambique, na região de Xilama, Cabo Delgado.
31/Dez - No final do ano de 1964, os efectivos portugueses nos três teatros de operações ultrapassaram os 84.000 homens.

 1965

 Agost- Nomeação do Brigadeiro Costa Gomes para segundo- comandante da Região Militar de Moçambique.

10 de Out- Accionamento da primeira mina anti-carro por forças Portuguesas em Moçambique- Sagal -Mueda.

Outubro - Convocação, pelo exercito português em Moçambique dos oficiais milicianos dos cursos de 1957 a 1962.
1966.
11 de Maio- Chegada a Moçambique de um contingente de 5.000  militares o maior desde o inicio os combates em Moçambique.

1967.

10 de Setembro- inicio das operações regulares da Frelimo na provincia de Tete.

22 de Setembro- violentos e sucessivos ataques da Frelimo à base militar de Mueda.

Outubro - Abate de um avião T-6, com a morte do piloto, por acção das anti-aéreas da Frelimo, na zona do Revia Sector -E.

1968.


Janeiro - Ataque da Frelimo ao posto de Mitumba- Cabo Delgado. Causando 5 mortos e capturando diverso material.

Março - Frelimo atinge  dois aviões T-6 na pista de Mueda.

Março - Coluna militar portuguesa sofre emboscada em Cabo Delgado tendo 4 mortos e 7 feridos.


Abril- Golpe de mão das forças portuguesas a base da Frelimo, no Niassa, com captura de 4 elementos do movimento e vário material no monte Cassero.

Junho-Destruição da Base da Frelimo : Novo Vietname , no Sector de Marrupa, Niassa.

Julho- Forças portuguesas hélio-transportadas destroem base da Frelimo  duas bases  em Mavinga.


Dezembro- Inicio da deslocação de populações da área destinada à construção de Cabora Bassa.


 1968.

Janeiro- Ataque da Frelimo ao posto de Mitumba, Cabo Delgado, causando 5 mortos e capturando material.(a)

Março- Grupo da Frelimo atinge dois aviões T-6 na pista de Mueda

Março- Emboscada da Frelimo a uma coluna militar portuguesa, causando 4 mortos e 7 feridos.


Abril- Golpe de mão das forças portuguesas a uma base da Frelimo no Niassa, com captura de 4 elementos do Movimento, vário material de guerra e a descoberta de grandes áreas cultivadas na encosta do Monte Cassero.

Junho- Destruição, pelas forças portuguesas, da base Novo Vietname da Frelimo, no Sector de Marrupa, Niassa.

Julho- Acção das forças portuguesas hélio- transportadas a sueste de Mavimba , com a destruição de 2 bases da Frelimo.

Agosto- O Batalhão 1891 embarca em Nacala, com 27 meses de Comissão rumo à Metrópole. 

(a)- Em Fevereiro de 1968, foi recebida uma mensagem Zulo, em Miandica fazendo referência a este ataque, já que poderia  estar em perspectiva um ataque semelhante a Miandica. O que veio a acontecer pouco tempo depois. No qual tivemos mais uma baixa.  


Soldado  português e guerrilheiro da Frelimo.

 Armas ligeiras usadas por ambas as forças.
Retirado da Internet e compilado por Alvalade-  1558


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JORGE PEREIRA AMIGO DE SALAZAR - ESCREVEU - MOÇAMBIQUE TERRA QUEIMADA

O Engenheiro Agrónomo Jorge Pereira Jardim, nascido em Lisboa no ano de 1920 e que faleceu em 1978, foi um amigo de Oliveira Salazar, de quem foi Subsecretário de Estado da Agricultura, tinha apenas 26 anos, passando para o mesmo cargo no Comércio e na Indústria aos 28 anos.
A partir de 1952 enveredou pelo empresariato, estabelecendo-se em Moçambique na localidade do Dondo - uma vilazinha próxima da cidade da Beira. Empreendedor, desempenhou alguns papéis de relevo no cruzamento de interesses públicos e privados que o tornaram rapidamente num dos homens mais influentes de Moçambique.
Foi amigo pessoal de Ian Smith, primeiro Ministro da então Rodéia - hoje Zimbabwe-, tal como acontecia com o Presidente do Malawi, Dr. Hastings Kamuzu Banda.
De espírito aventureiro e tendo uma ligação privilegiada com o Governo de Lisboa, foi um activo participante em acções de cariz político e diplomático totalmente à margem dos circuitos oficiais, especialmente quando era necessário intervir para serem libertados Militares os portugueses aprisionados pela União Indiana, após a invasão da Índia
Mas foi no seu Moçambique querido que acabou por desenvolver uma actividade política que veio a interferir com o desenrolar dos acontecimentos relacionados com a política colonial portuguesa e com aquela colónia do Índico. Tentou uma independência pela via diplomática, chegando a apresentar o seu "Plano deLusaka", que previa a independência de Moçambique sem entrega unilateral à FRELIMO, mas o facto de Joaquim Chissano, chefe dos serviços de segurança do Movimento ter sabido do Plano mas estar desconfiado que Jorge Jardim tenha estado envolvido nos "Massacres de Wiriamu, que Jardim visitara apenas para se aperceber da dimensão da tragédia, de que deu conta a Marcelo Caetano, pondo fim à carreira do General Kaúlza de Arriaga, mais o ter acontecido o 25 de Abril, levou a que este plano viesse a ser substituído, posteriormente, pelo Acordo deLusaka e pelas conversações directas entre o Governo de Portugal e a FRELIMO.
Ele foi cérebro e "padrinho" dos mauis que celebrados GE's (Grupos Especiais) e GEP's (Grupos Especiais Pára-quedistas, que eram forças operacionais de élite, com competências normalmente atribuídas às nossas Tropas Especiais Ranger, Comando, Fuso ou Pára. Tinham um pouco de cada uma delas.

Foi ele o cérebro do 7 de Setembro, no Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques. Escreveu o livrio "MOÇAMBIQUE, TERRA QUEIMADA".