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quarta-feira, 26 de março de 2014

FARSA - o sindicato da polícia mentiu ! A polícia quando bate, fere e mata agindo com extrema violência sobre os amanifestantes não dá explicações mas agora a polícia espanhola foi à televisão queixar-se que os manifestantes usaram sacos com esferas e muletas com espadas

FOTO: A farsa  "muleta-espada", lançada pelos sindicatos da polícia

A imagem de uma muleta supostamente usada em tumultos subsequentes a 22M pertence a um evento no dia 20
A imagem de um estilingue com bolas de metal lançado pelo CEP pertence a abril 2013
O porta-voz CEP 13TV mostra uma imagem da muleta
O porta-voz CEP 13TV mostra uma imagem da muleta
O porta-voz da Confederação Espanhola de Polícia, Antonio forjou provas,  entre os objetos utilizados durante os confrontos entre a polícia e manifestantes após as marchas no último sábado incluindo uma "muleta-espada" com uma faca e um estilingue com bolas metálicas. O chefe do sindicato da polícia mostrou imagens de ambos os objetos
VEJA VÍDEO







GYARU - ISTO É A MODA QUE ESTÁ NA BERRA NO JAPÃO

Gyaru é a mais nova e bizarra moda jovem no Japão


Agente dos serviços secretos americanos bebe até cair num hotel em Amesterdão Membro de uma unidade de elite da defesa do Presidente norte-americano encontrado inconsciente no corredor de um hotel. Caso reaviva memória do escândalo na Colômbia, há dois anos.

Agente dos serviços secretos americanos bebe até cair num hotel em Amesterdão

Membro de uma unidade de elite da defesa do Presidente norte-americano encontrado inconsciente no corredor de um hotel. Caso reaviva memória do escândalo na Colômbia, há dois anos.
Outros dois agentes da unidade de elite Counter Assault Team foram enviados para casa KEVIN 

Três agentes dos serviços secretos norte-americanos que estavam na Holanda a preparar a visita do Presidente Barack Obama foram enviados para casa, por "motivos disciplinares", depois de um deles se ter embebedado até à inconsciência num hotel em Amesterdão na noite de sábado para domingo.
Foi uma festa mais modesta do que a de há dois anos em Cartagena, na Colômbia, que envolveu agentes dos serviços secretos norte-americanos, militares e mais de 20 prostitutas, mas ainda assim entra directamente para o segundo lugar da lista de escândalos que chegaram a público nos 149 anos de história da agência. 
Os três homens são membros de uma unidade de elite dos serviços secretos, a Counter Assault Team – aqueles agentes que não saem do seu lugar quando um Presidente é alvo de um ataque, e que ficam para trás para combater os atacantes enquanto o chefe de Estado é levado para um sítio seguro. Um deles,avança o The Washington Post, é "líder de equipa", e todos eles estão entre os mais experientes – na tabela de salários dos serviços secretos norte-americanos, que vai da categoria GS1 à categoria GS15, estão incluídos na GS13.
O jornal The Guardian avança que só um deles bebeu de mais, e que os outros dois foram também expulsos da comitiva porque nada fizeram para travar a situação. O caso acabou por ser reportado pela gerência do hotel à embaixada norte-americana em Haia, que encaminhou a queixa para os serviços secretos.
"Não foi uma daquelas festas grandes e loucas", disse ao jornal britânico uma das pessoas que está a par do processo e que só aceitou falar sob a condição de anonimato.
Não foi uma daquelas festas grandes e loucas, mas foi suficiente para voltar a pôr os serviços secretos debaixo de mira, dois anos depois do maior escândalo da história da agência. Em Abril de 2012, 13 agentes e militares da comitiva norte-americana que preparava a chegada do Presidente Barack Obama à Cimeira das Américas, na Colômbia, passaram uma noite com duas dezenas de prostitutas.
Quase todos acabaram por se demitir ou ser demitidos, e o caso serviu para reforçar as regras que os agentes dos serviços secretos têm de cumprir quando estão envolvidos numa operação como a que é necessária para garantir a segurança do Presidente Barack Obama na Holanda, onde chegou na segunda-feira. Uma dessas novas regras estabelece que os agentes não podem ingerir bebidas alcoólicas nas dez horas que antecedem uma missão, o que poderá ter sido desrespeitado neste caso – apesar de o porta-voz dos serviços secretos Ed Donovan dizer apenas que a agência "enviou para casa três funcionários por motivos disciplinares", o The Washington Post avança que todos eles tinham sido convocados para estarem presentes numa reunião de segurança marcada para domingo.
Os agentes fazem parte da Counter Assault Team (CAT), uma unidade de elite dos serviços secretos que é descrita como "a última linha de defesa" do Presidente dos Estados Unidos. Segundo o The Washington Post, que cita dois antigos agentes, a CAT é composta por "atiradores altamente qualificados e muito bem preparados fisicamente, com um programa de treinos muito exigente".
"Eles recebem o melhor treino táctico. É a única equipa que está sempre a treinar – em operações de ataque, evacuações, todo o tipo de cenários. É muito difícil entrar na CAT", cita o jornal norte-americano.
Este novo caso reacende a discussão sobre o comportamento dos agentes dos Serviços Secretos dos Estados Unidos (USSS, na sigla original), em particular sobre se existe uma cultura de indisciplina na agência. Durante as audições no Congresso sobre o escândalo na Colômbia, em 2012, a senadora Susan Collins, do Partido Republicano, declarou que aquele caso não era um "incidente isolado".

O "PAI DO MUNDO" JÁ AVISOU ! - Obama deixa recado à Europa: “todos têm de contribuir para a defesa”

Obama deixa recado à Europa: “todos têm de contribuir para a defesa”





Presidente norte-americano utilizou a crise na Ucrânia para criticar os países membros da NATO que têm cortado nas suas despesas militares.





A anexação da Crimeia pela Rússia prova que os europeus não podem centrar-se apenas nos problemas económicos e que têm de retomar os investimentos na defesa, defendeu esta quarta-feira o presidente norte-americano, Barack Obama, em declarações na conferência de imprensa que fechou a cimeira União Europeia-Estados Unidos, em Bruxelas.

Na sua primeira visita às instituições europeias, Barack Obama utilizou a crise na Ucrânia para criticar os países membros da NATO que têm cortado nas suas despesas militares.

No final da cimeira, e antes de se dirigir para a sede da Aliança Atlântica, em Bruxelas, o presidente norte-americano recordou que a liberdade tem um preço. "Se temos uma defesa colectiva, isso significa que todos têm que contribuir. E tenho tido algumas preocupações com a diminuição do nível dos gastos em defesa de alguns dos nossos parceiros da NATO, não todos, mas muitos”, começou por dizer.

“A tendência é para a diminuição, o que é compreensível quando há uma crise económica e financeira e muitos países estão em consolidação orçamental, mas a situação na Ucrânia recorda-nos que a nossa liberdade não é grátis e que temos que estar disponíveis para pagar o equipamento, o pessoal e o treino necessários para garantir que temos uma força da NATO credível e dissuasora”, frisou o presidente norte-americano.

Na mesma ocasião, o presidente dos Estados Unidos e os representantes da União Europeia reafirmaram que uma escalada da situação na Ucrânia por parte da Rússia conduzirá ao endurecimento das sanções.

Obama fez igualmente questão de deixar claro que a adesão da Ucrânia e da Geórgia à NATO não está em cima da mesa, no que pode ser entendido como um sinal de apaziguamento em relação aos receios de Moscovo. 

ESTE LIXOU-SE (?) MAS DEVE TER-SE PRECAVIDO. ELES, OS PADRINHOS LOGO LHE ARRANJAM NOVO TACHO

Face Oculta acabou com o "sonho de carreira" de Vara



Armando Vara foi forçado a "deixar o sonho de carreira" na banca em Portugal "por uma acusação quer não vale rigorosamente nada". Foi neste tom que a defesa do ex-administrador do BCP iniciou as suas alegações finais, ao princípio da tarde, no tribunal de Aveiro, no âmbito do processo de corrupção e outros crimes económicos conhecido como Face Oculta.
Ao ser envolvido na investigação da teia de influências do sucateiro Manuel Godinho para ganhar negócios de resíduos "viu uma vida desmoronar-se" quando era vice-presidente do maior grupo bancário nacional e "almejava porventura ir mais longe, mas tudo cessou".

"Um brutal disparate que não tem ponta por onde se pegue", insistiu o advogado Tiago Rodrigues Bastos, para quem o antigo ministro do PS acusado de três crimes de tráfico de influência "é a figura do julgamento" que acabou "por ter a dimensão política que inquina todo o processo", ao ponto de apontar indícios de crime atentado contra o Estado de Direito, envolvendo o ex-primeiro-ministro José Sócrates..
"Há uma censurabilidade generalizada do poder político que reinava em 2009 que condiciona a acusação, nomeadamente Armando Vara", disse o defensor para quem "a ideia de combate aos poderosos" percebe-se de recentes entrevistas do ex-diretor da PJ de Aveiro, Teófilo Santiago, que esteve à frente da investigação ou das alegação do procurador Marques Vidal ao citar convenções internacionais de combate à corrupção.

Tiago Rodrigues Bastos assumiu, pelas "decisões e atitudes" aos juízes ao longo do julgamento, que está "intranquilo e apreensivo" com o sentido da decisão final. "Espero que não trate Armando Vara de forma menos positiva porque é um nome sonante", pediu o advogado ao coletivo, afastando em absoluto a troca de alegados favorecimentos por subornos, nomeadamente 10 mil euros.

HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL - 4ª PARTE - EM PLENO ESTADO NOVO SALAZARISTA PORTUGAL PERDE GOA, DAMÃO E DIO - VÍDEOS SOBRE A GUERRA COLONIAL DE RAUL FURTADO -


Guerra Colonial


Após a II Guerra Mundial todos os países europeus com excepção de Portugal foram concedendo a independência aos seus territórios na Ásia e em África, recorrendo por vezes ao uso da força (por exemplo no caso da Argélia). Assim, Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, o chamado "Estado da Índia" (constituído por Goa, Damão e Diu), Macau e Timor eram ainda pertença portuguesa.
Em 1955, com a entrada de Portugal na ONU, foi recomendado ao governo tornar as suas colónias independentes, algo que não foi aceite. Para tentar contornar a situação o regime declarou as colónias como "províncias ultramarinas" e concedeu a cidadania aos seus habitantes. Tal medida foi reprovada internacionalmente pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Goa, Damão e Diu seriam os primeiros territórios que Portugal perderia, após uma guerra de pequena duração com as forças indianas.
Em 1961, um rol de acontecimentos marcam uma viragem no destino das colónias portuguesas. É o caso da rebelião iniciada pelos militantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) em Luanda, a 4 de Fevereiro e, a 15 de Março, a UPA (União das Populações de Angola), posteriormente denominada FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), inicia um conjunto de violentos ataques no norte da colónia. Anos mais tarde, já com a presença da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), começa uma luta de guerrilha.
O conflito na Guiné-Bissau irá iniciar-se em 1963, com apenas uma organização política: o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde), ao passo que a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) irá conduzir Moçambique à guerra no ano de 1964.
No continente africano apenas Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe ficaram imunes à guerra; na Ásia o território macaense sofreu alguns momentos de instabilidade, não tendo no entanto chegado a haver conflito armado; em Timor os movimentos independentistas só surgiram após o 25 de Abril de 1974.
No ano de 1961 Salazar irá proferir a máxima legitimadora da sua posição relativamente às rebeliões que se desencadeavam nas possessões portuguesas: "Para Angola, imediatamente e em força".
As três frentes de guerra provocaram fortes abalos nas finanças do Estado, desgastando simultaneamente as forças armadas, ao mesmo tempo que colocava Portugal cada vez mais isolado no panorama político mundial. A nível humano, as consequências foram trágicas: um milhão e quatrocentos mil homens mobilizados, nove mil mortos e cerca de trinta mil feridos, além de cento e quarenta mil ex-combatentes sofrendo distúrbios pós-guerra. A acrescentar a estes números há ainda que mencionar as não contabilizadas vítimas civis de ambas as partes.
O conflito não terá solução através de meios pacíficos ou militares, mas apenas por meios políticos e diplomáticos empreendidos após 1974.


VÍDEOS - invasão da Índia Portuguesa


FIM DO COLONIALISMO NA ÍNDIA

Invasão de Goa
India Portuguesa

Portuguese conflit India



Em pleno Estado Novo salazarista
Portugal perde Goa, Damão e Diu

Mapa da Ilha de Goa

Fez no passado dia 18 de dezembro 50 anos que Portugal perdeu o seu primeiro território colonial no século XX – o Estado Português da Índia, ou seja um conjunto territorial de 4194 quilómetros quadrados, normalmente designado por Goa, Damão e Diu. Estávamos em pleno Estado Novo, dirigido pelo fundador do regime, António de Oliveira Salazar.
Cerca de dois anos após o termo da 2.ª Guerra Mundial a União Indiana conseguiu a sua independência da coroa britânica e já se esperava que também não quisesse manter a permanência colonial portuguesa (na década de 1950, o primeiro-ministro indiano Nehru já havia reclamado a devolução daquela parcela de território) que durava há 4 séculos e meio, desde que Afonso de Albuquerque a havia conquistado, no dia 25 de novembro de 1510.
Goa tornar-se-ia a capital do importantíssimo Império Português do Oriente. Ao longo destes 451 anos muitas vicissitudes se passaram, milhares de histórias se viveram e hoje a antiga Goa portuguesa é um atrativo centro turístico que recebe milhares de visitantes, que pretendem apreciar o rico património histórico herdado do passado português e que a União Indiana vem recuperando, assim como em Damão e Diu, reconhecendo o seu extraordinário valor cultural.
Como Salazar recusasse a via negocial com a União Indiana, relativamente ao futuro dos territórios administrados por Portugal, aquele país acabou por recorrer à força das armas para anexar o secular Estado Português da Índia. Convém recordar que Portugal foi o primeiro país europeu a chegar à Índia, no reinado de D. Manuel I, graças à bem sucedida viagem de Vasco da Gama (1497-1499).
Depois disso, Portugal criaria em Goa a capital de um império que se caracterizava sobretudo pelo domínio de pontos estratégicos que garantiam aos portugueses o quase exclusivo das rotas marítimas no Índico e no Pacífico, que permitiam a chegada à Europa, via Portugal, de toda a espécie de mercadorias existentes naquelas longínquas paragens.



Mas a história secular da presença portuguesa havia de ter um fim. Na manhã de 17 de dezembro de 1961, uma força estimada em cerca de 50 mil homens, apoiados por equipamento militar de ponta, com capacidade ofensiva por terra, ar e mar dirige-se ao território português com vista à sua imediata conquista. Nos nossos territórios, as forças militares eram exíguas: cerca de 3500 homens e mal armados, com espingardas de fabrico checo (Kropatchek de 1892) que tinham que ser recarregadas após cada tiro, enquanto que do lado indiano já se recorriam a armas automáticas e tinham o apoio da aviação militar e de várias embarcações de guerra, entre as quais um porta-aviões.
Salazar ainda pediu ajuda britânica, no âmbito da velha aliança, só que a Índia era membro da Commonwealth, e a conjuntura internacional era claramente adversa à posição portuguesa, pelo que a ocupação por parte da União Indiana ficou decidida em cera de 36 horas.
De Lisboa, Salazar dava ordens expressas para que as forças portuguesas lutassem até ao último homem. Contudo, os comandantes militares no terreno sabiam que não tinham qualquer hipótese e acabaram por render-se.
É conhecida a carta de rendição, assinada pelo Major Tenreiro, cujo conteúdo aponta para a tentativa de evitar o massacre da população e a destruição da própria cidade: «Cidade de Goa, 18/12/61 / O Comandante Militar da Cidade de Goa declara que deseja parlamentar com o Comandante do exército da União Indiana com respeito à rendição. Nestas condições, as tropas portuguesas devem, imediatamente, cessar fogo e as tropas indianas proceder de igual modo com o fim de evitar a chacina da população e a destruição da cidade. O Comandante; (as.) Acácio Tenreiro (Major)».


 
O Brasão que se usou em Goa, enquanto pertenceu a Portugal

Meio ano mais tarde, um navio português foi buscar os prisioneiros a Goa, mas os mesmos seriam mal recebidos em Lisboa, escoltados pela polícia militar, por serem considerados “traidores” ao não terem lutado até à morte. Alguns dos seus comandantes foram mesmo sujeitos a julgamento militar. O Estado Português da Índia continuou a estar representado na Assembleia Nacional até 1974. Após a Revolução do “25 de Abril”, finalmente, as relações diplomáticas com a Índia foram restabelecidas.

Em Portugal, mesmo algumas personalidades políticas opostas à “situação”, tiveram acções de repúdio relativamente à atitude da União Indiana. Houve registo de várias manifestações contra a atitude de Nehru, adjetivado como «cínico, cobarde, hipócrita e sinistro».

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Goa, Damão e Diu – Outra verdade!


Notícias de Salazar sobre Goa, Damão e Diu


Goa, Damão e Diu – Outra verdade!

Vivíamos quase iludidos. Salazar falava dos ventos da história. Ele conhecia os ventos da história, mas sob a sua ditadura, as notícias que nos chegavam sobre tais ventos eram passados pelo filtro da vontade de Salazar, o “domador de lusos”, que os mantinha controlados no chicote. Porém, o pouco que se sabia era suficiente para sabermos quem tínhamos no poder.

Com Goa como capital do Estado português da Índia desde 1505, esta parte do território português incluía boa parte da costa de Malabar na península de Guzerate, incluindo Damão, Diu, a ilha de Angediva a sul de Goa, Dadrá e Nagar Haveli, Simbor e Gogolá, Bombaim cedida à Inglaterra como bodas de casamento de Catarina de Bragança, de Portugal e o rei Carlos II de Inglaterra. Em 1947 a Inglaterra, por ação do grande Mahatma Gandhi, reconhece a independência da Índia que pede a devolução de todas as possessões portuguesas. Levado o caso ao tribunal de Haia e às Nações Unidas, era evidente que deveria devolvê-los exatamente por aqueles ventos da história a que Salazar se referia. Salazar, domador de lusos, também queria domar estes ventos. Portugal manteve esses territórios até 1954. De 1954 a 1961, Portugal apenas conseguiu manter Goa, Damão e Diu. Nessa oportunidade Portugal tinha o maior exército ativo da Europa, e gastava os recursos da Pátria para combater ventos. Enquanto Portugal tinha cerca de dez milhões de habitantes, a Índia – ou União Indiana como se conhecia em Portugal – contava com cerca de 600 milhões. Era uma luta desigual, um David às avessas lutando contra 100 Golias que nem atacavam armados. Gandhi queria tomar posse do que era seu de forma pacífica tanto quanto possível.






Em 1954 eu tinha nove anos. Não entendia muito bem os acontecimentos, mas sabia o suficiente para me preocupar em crescer rapidamente para lutar ao lado dos meus patrícios. Quando me fui despedir de um primo, o Gabriel André, que partia num transatlântico mobilizado para transporte de tropas no Cais de Sodré, ainda lhe disse que um dia seria eu a entrar num navio daqueles. Eu leria todos os livros de Emílio Salgari, mas até aquele momento só tinha lido – Sandokan conquista um trono e achava a guerra colonial uma aventura a sério onde se podia ser herói vivo. Resolvi que logo que pudesse eu entraria para a marinharia da Mocidade Portuguesa. E um ano depois em 1955, sendo obrigatória a participação nessa Mocidade perdida, entrei, fui promovido a “arvorado em comandante de castelo” e no ano seguinte eu estava na marinharia. Meu primo continuava vivo por lá, na Índia, longe da família. Com onze anos eu já me preocupava em saber como minha prima, a mulher dele, conseguiria passar tanto tempo sem ter relações sexuais, se eu, com onze anos, já não podia passar alguns dias sem me masturbar. Achei que ela deveria fazer o mesmo.

Em 1960 eu já tinha 15 anos. Portugal já não tinha apenas o problema da Índia. Os ventos sopravam também em Angola, Moçambique, Guiné, em todos os territórios coloniais. Nas lanchas da marinha que me levavam aos sábados para a base do Alfeite, do outro lado do Tejo, de frente para Lisboa, a caminho da instrução militar da marinharia, ouvia-se de tudo, víamos fotos que jamais foram para os jornais. Eram atrocidades cometidas por ambos os lados em África: mulheres grávidas com os fetos arrancados e pisados, braços cortados com os seios nas mãos, um sem fim de gônadas cravadas em estacas ao longo das estradas, colares de dedos enfeitando o pescoço de falsos heróis.  

No Liceu Gil Vicente, comentavam os professores de forma velada, que a juventude portuguesa estava sendo enviada para a morte a troco de nada porque era irreversível a independência dessas nações, a exemplo do que estava acontecendo no mundo. Portugal não seria exceção. Um primo que morava em Luanda, Angola, chegou de férias a Lisboa. Contou-me o que era a vida nas “províncias” ultramarinas e como alguns dos donos de terras ou de empresas batiam de chicote nos negros trabalhadores. Quando associei este fato com os hindus que atacavam sem armas, as mulheres com macas percorrendo os campos para recolher os mortos e feridos, percebi qual era o lado errado. Eu estava do lado errado e comecei a lamentar estar na marinharia, pronto para defender não uma nação, mas um louco que subiu ao poder. Um ditador que domava lusos apoiado por bajuladores que sempre esperavam migalhas de sua condescendência.

Meu pai estava no Brasil desde 1951, e eu já começava a acarinhar a idéia de largar o país, largar os amigos, largar tudo, não para fugir por medo, mas para não participar dessa ultrajante “defesa” do território.

Em 1961 passei minhas últimas férias em Portugal, em Sesimbra. Lá comecei um namoro com uma moça, Luísa, que morava no Bairro das colônias em Lisboa, onde moravam também os ministros de Salazar. Contou-me algumas coisas, em Outubro, quando a fui visitar como cortesia. Nosso namoro fora apenas de férias. Antes das férias terminarem, ela já estava na garupa da lambreta de um francês. Eu não tinha lambreta e lá em casa ninguém tinha carro. Uma das coisas que me contou foi sobre a prisão do Ministro da Defesa Botelho Moniz em Abril, numa noite em que chegaram uns carros pretos, o tiraram da cama e o levaram. Nunca mais ela o vira até o final do mês de outubro. Eu já ouvira também sobre presos políticos, sobre a oposição do general Humberto Delgado, e já sabia que a maioria da população já não aprovava o Salazar. A população tinha medo da sua polícia, a PIDE. Eu continuei expondo as minhas opiniões de forma cautelosa.

Por outro lado, eram já bastantes e muitos os sinais de desobediência a Salazar. Uma delas, durante a segunda guerra mundial, foi a realizada por Aristides de Souza Mendes, descendente de judeus - como 40% da população portuguesa - ao conceder vistos desde Bordéus na França a judeus que fugiam de Hitler, contra as ordens expressas de Salazar. Posteriormente várias revoltas, a apreensão do Vera Cruz, a revolta de Beja e outras aconteceriam. Apesar disto, para o qual não tenho explicação, Salazar permitiu que milhares de judeus se refugiassem em Portugal vindos de outras partes da Europa, e não alterou os estatutos de igualdade entre judeus e portugueses. Demitido por Salazar, o ex-cônsul perdeu a pensão e morreu na miséria. Já o motivo da prisão do ministro da defesa teria sido uma tentativa de golpe de estado.
Nunca entendi como pôde Salazar invocar a aliança entre Portugal e Inglaterra contra a Índia, sabendo-se que a Inglaterra reconhecera a independência daquela nação e que estava reconhecendo a independência de suas ex-colônias. Estaria Salazar louco ainda mais com Haia e a ONU reconhecendo as razões da Índia?
Não era à toa que corriam piadas pejorativas pelas ruas de Lisboa sobre Craveiro Lopes e Américo Tomáz, os dois presidentes da república fantoches e sem opinião, colocados no poder por Salazar. Do primeiro, as piadas eram sobre sua esposa. O segundo era conhecido como o “banana”.  Para onde eu fosse, quer no Liceu, no voleibol do Sporting onde joguei, na marinharia, em família, entre amigos, pelas ruas, o povo não gostava de Salazar. A PIDE não escutava nada disso porque tinha outras “particularidades” para resolver. A  FNAT – Fundação Nacional da Alegria no Trabalho – Era conhecida e reconhecida em todos os meios, como Fanantes Nacionais Agarrados ao Tacho. Para brasileiros, Fanantes é sinônimo de ladrões e Tacho é a velha “panela” de amiguinhos. Quem não agüentava ou suportava, e podia, emigrava.
Quando a 19 de dezembro de 1961 as tropas portuguesas saíram às pressas de Goa, Damão e Diu sob fogo da artilharia e da aviação da Índia, estava claro que a paciência de Gandhi se tinha esgotado e que a falácia de Salazar era ridícula. Isso estava claro até mesmo entre a tropa, e nós, povo, nos admirávamos da paciência de Gandhi. Fosse outro e já não estaríamos lá há muito tempo. O tempo do colonialismo estava chegando ao fim. Salazar continuava como sempre fora: vesgo de cérebro. Fiquei feliz por as tropas portuguesas não terem desperdiçado mais vidas numa guerra estúpida.


Com 42% dos votos, em 2007 Salazar foi eleito – não sei como foi feita a votação nem de sua credibilidade – como a personalidade mais proeminente dos “Grandes portugueses”, através de enquête pela RTP – Radio Televisão Portuguesa, fundada por Salazar. Um dos mais votados foi exatamente o ex-cônsul em Bordéus que Salazar demitiu. Aqui de longe, eu afirmo que há muitos salazaristas ainda na RTP e que os resultados foram manobrados. De outra forma, eu que já acho que Salazar tinha seus laivos de loucura, me perguntaria: -O que querem os meus conterrâneos? Outra ditadura, desta vez remando contra os ventos da União Européia? Mas ainda acho que a história da cadeira, embora verídica em todas as versões, incluindo aquela em que não se tratava de uma cadeira, mas de uma banheira, não está completamente contada.
Para não se repetirem erros, Açores e Madeira deveriam fazer parte de uma Confederação portuguesa a exemplo da constituição da Suíça, em absoluta igualdade de condições com as demais províncias, nem mais nem menos.

Rui Rodrigues
onscienciademocrata.no.comunidades.n




Álbum de Memórias: Índia Portuguesa. 1954-62, Lisboa, Padrão dos Descobrimentos


O major general  Gespal (Sikh), primeiro comandante do campo de prisioneiros de Pondá, Goa, tendo à sua esquerda o capitão de fragata José Pinto da Cruz, imediato do avio "Afonso Albuquerque", e comandante dos prisioneiros.



Goa > Campo de prisioneiros do Forte de Aguada > O famigerado  bidão da sopa. Um dos cozinheiros deste ou campo de Pandá  era o meu primo Luís Maçarico, de Ribamar, Lourinhã. (Estava colocado no Hospital Militar de Pangim, aquando da invasão).




Goa > Vasco da Gama >  Campo de prisioneiros de Alparqueiros >  1962 > "Quem passar daqui será alvejado a tiro": título de letreiro afixado, ao fundo... Em  11 de janeiro, tinha havido uma tentativa de fuga de 11 prisioneiros, que procuraram refúgio num navio ancorado no porto, e prontamente denunciados pelo respetivo capitão. 

A 19 de março, no campo de prisioneiros de Pondá, Goa, haverá outra tentativa de fuga: 3 prisioneiros tenta5m esconder-se na camioneta da recolha do lixo, mas são denunciados pelo furriel que os comandava.  Este incidente acabou por dar origem a uma revolta coletiva que, embora prontamente doiminada pelos oficiais e sargentos portugueses, levou à intervenção do brigadeiro indiano, comandante geral dos campos de Goa, que ameaçou fuzilar todos os que persistissem em castigar o furriel... O tenente capelão Joaquim Ferreira da Silva, jesuita, natural de Santo Tirso, teve então um gesto heróico, conseguindo apaziguar os ânimos de um lado e do outro. O capitão Roberto Durão escreveuino seu diário: "Hoje foi o dia do Pai [, 19 de março,], podíamos ter deixado muitos órfãos em Portugal, pois a nossa vida estave por um fio".



Goa > Campo de prisioneiros de Alparqueiros > 1962 > Na hora da despedida, ao fim de 5 meses e meio de cativeiro.



N/T Pátria > 1962 > Repatriamento dos prisioneiros de guerra... Um operação discreta, um regresso humilhante, um momento doloroso da nossa história, um esquecimento coletivo de meio século...






Pequena amostra da exposição Álbum de Memórias: Índia Portuguesa, 1954-62, que tem estado aberta ao público, desde setembro de 2012, em  Lisboa, Padrão dos Descobrimentos. Encerra em  27 de janeiro de 2013. [Imagens e legendas  de L.G,]

A exposição, criada a partir de fotografias, documentação e recordações dos militares portugueses, espólio recolhido por Fernanda Paraíso, com o apoio da Associação Nacional de Prisioneiros de Guerra (ANPG), "retrata a vida dos militares, prisioneiros de guerra na sequência da ocupação indiana dos territórios portugueses na Índia, em  Dezembro de 1961, até ao momento do seu repatriamentO". Tem também o contributo do Observatório Político que "introduz o enquadramento complementar para a compreensão do quadro histórico e político de meados do século XX, no qual se inscrevem os acontecimentos narrados."

Com a presente expsição, a EGEAC (, a empresa do Município de Lisboa, responsável pela Gestão de Equipamentos e Animação Cultura,) assinala os 50 anos do regresso, em 1992,  do último contingente militar da Índia Portuguesa. (**)



A SITUAÇÃO DOS PRISIONEIROS DE GUERRA E O RECONHECIMENTO


JN- Jornal de Notícias, 12/5/2008

É o dia 19 de Março de 1962, pelas 18.30 horas. Campo de prisioneiros de Pondá, Goa, Índia. Três prisioneiros tentaram a fuga. Denunciada por um furriel português, a ousada manobra falhou e o acto de indisciplina iria ser pago com o fuzilamento dos 1750 militares portugueses, prisioneiros, em Pondá, desde 17 de Dezembro de 1961. A coragem e a diplomacia do tenente-capelão Ferreira da Silva haveria de evitar o banho de sangue.


Quarenta e seis anos depois, Fausto Diabinho [, foto à direita, há 50 anos atrás,] ainda não consegue conter as lágrimas ao recordar o fatídico 19 de Março. Viu a morte à frente. Lembra os companheiros a desmaiar, as metralhadoras apontadas, o pelotão de fuzilamento e a voz que gritava "Quem se mexer será abatido". Lembra, sobretudo, o tenente-capelão que, num acto heróico, sai da formatura, arriscando a vida, e consegue negociar com o brigadeiro indiano o perdão dos portugueses, evitando o massacre.

(...) Quarenta e seis anos depois, o Ministério da Defesa reconhece, finalmente, o acto heróico de Joaquim Ferreira da Silva, a quem atribui, a 7 Dezembro do ano passado, a título póstumo, a Medalha Militar de Serviços Distintos, grau ouro.

"Se hoje estamos aqui, devemos-lhe a ele", garante o vice-presidente da Associação Nacional dos Prisioneiros de Guerra (ANPG), que, anteontem, prestou, na Póvoa de Varzim, homenagem a Ferreira da Silva."Se fosse vivo, faria 92 anos", recordou Fausto Diabinho, explicando a escolha do dia para homenagear o tenente-capelão, sepultado no cemitério poveiro.

Foi igualmente em Maio, em 2003, continuou a explicar, que o Governo reconheceu a condição de prisioneiros de guerra, condecorando todos os ex-militares presos na Índia, Timor, Angola, Moçambique e Guiné. Finalmente, foi também em Maio de 1962 que os mais de três mil portugueses presos na Índia começaram a ser libertados.

"O ministro da Defesa, na altura Castro Caldas, teve a ousadia de dizer que não houve prisioneiros de guerra na Índia porque simplesmente estavam à espera de transporte", lembrou Fausto Diabinho, que recorda, com tristeza, os mais de 40 anos necessários para que Portugal reconhecesse que, a defender a pátria, três mil militares portugueses foram feitos prisioneiros, durante seis meses, e 29 perderam a vida. Agora, os ex-prisioneiros na Índia festejam, finalmente, o reconhecimento justo de quem "serviu a pátria e perdeu a vida" em defesa dos territórios portugueses de Goa, Damão e Diu.


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Depoimentos


JOÃO MARQUES DE OLIVEIRA - Índia












Mensagem de João Marques de Oliveira, Soldado, com data de 16 de Dezembro de 2011. Esteve na Índia 1960/62
Assentei praça no dia 6 de Abril de 1959 no batalhão de Engenharia, no Porto, onde fiz a recruta.

Em 3 de Agosto de 1959, ainda no Regimento de Engenharia, fiz a especialidade de guarda-fios.

Em 10 de Novembro de 1959 fui colocado no regimento de Transmissões 719, em Lisboa e aqui recebi a ordem de mobilização para a Índia.

No dia 26 de Abril de 1960 embarquei no navio Niassa, em Lisboa, tendo desembarcado em 12 de Maio no porto de Mormugão.















No dia 18 de Dezembro o Estado Português da Índia - constituído pelos territórios de Goa, Damão e Diu - foi invadido pelos indianos. Da resistência à invasão resultaram 67 mortos - 45 militares e 22 indianos.
No dia 20 de Dezembro de 1961 fui feito prisioneiro (num total de cerca de 4.000 portugueses) e fui libertado no dia 13 de Maio de 1962.
Carderneta militar



O regresso à Metrópole aconteceu ainda em Maio. Embarquei no porto de Carachi no dia 15 de Maio, no navio Moçambique, e desembarquei em Lisboa no dia 30 de Maio de 1962.



Presentemente resido em Avintes, no Lugar de Campos.


VEJA AQUI DIVERSOS VÍDEOS SOBRE A GUERRA COLONIAL

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O Ano Que Marca A História - Joaquim Furtado (vol. VII)
A forma como é cultivado, colhido e vendido o algodão em Angola está na origem dos graves incidentes em Janeiro e Fevereiro de 1961 na Baixa do Cassange. As Forças Armadas intervêm com as 3ª e 4ª Companhias de Caçadores Especiais e com a Força Aérea, causando um número nunca determinado de baixas. 

As trajectórias de diversos líderes dos Movimentos de Libertação antes do início da luta pela independência, sendo destacada a figura de Eduardo Mondlane.

A preparação da luta armada na Guiné, a importância da Republica Popular da China na formação dos quadros do PAIGC.

Dezembro de 1961 a União Indiana invade Goa Damão e Diu, os territórios que constituem o Estado Português da Índia. As forças portuguesas rendem-se face à esmagadora desproporção de forças. Salazar apelara: "soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos "

O Movimento Nacional Feminino as suas características e a sua acção.

Após o início da guerra em Angola alguma turbulência emerge no seio do Estado Novo. Adriano Moreira e Venâncio Deslandes protagonizam alguns episódios que poderão indiciar mudanças na política oficial. Ambos acabam demitidos e Salazar retoma em pleno as rédeas do poder.



Os comentários aos diferentes Documentários foram efectuados em colaboração com a Associação 25 de Abril, e são da responsabilidade de:
Coronel de Infantaria - José Aparício
Coronel de Artilharia – Eduardo Abreu
Coronel Piloto aviador – Villalobos Filipe
Capitão-de-mar-e-guerra – Pedro Lauret
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