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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

DAVID E GOLIAS - GIFT


História da Cidade do Porto Há muito, muito tempo, quase nos primórdios da civilização, havia um lugar ao qual chamaram Porto por ser de paragem obrigatória às gentes que viajavam no país. Nesse lugar havia um rio chamado Douro por ter em si muitas e belas riquezas. A terminologia da palavra aponta para portus, a porta, topónimo que traduz a vida comercial e o desejo de um povo pioneiro na descoberta do desconhecido

História da Cidade do Porto

Há muito, muito tempo, quase nos primórdios da civilização, havia um lugar ao qual chamaram Porto por ser de paragem obrigatória às gentes que viajavam no país. Nesse lugar havia um rio chamado Douro por ter em si muitas e belas riquezas.

A terminologia da palavra aponta para portus, a porta, topónimo que traduz a vida comercial e o desejo de um povo pioneiro na descoberta do desconhecido

A constituição das suas origens como cidade data de 417.

Ao longo dos séculos foram vários os seus governantes, citando-se entre outros os Suervos, os Godos, e mesmo os Mouros que por aqui passaram até ao reinado d’El Rei D. Afonso I, de cognome o Católico.

Nas vicissitudes da Reconquista conhece por várias vezes a destruição.




Depois de ter sido nomeada bispado e ter sido entregue a D. Hugo o burgo foi sempre crescendo, quer dentro dos muros, quer nas imediações da cidade. Estendendo-se pela Ribeira até à praia onde desembarcavam e embarcavam mercadorias. Trepando em direcção ao burgo, lá no alto, seguindo os traçados que rumam a Braga, a Guimarães e Trás-os-Montes e ao Olival.

A crescente importância económica do burgo episcopal começa a despertar a cobiça dos poderosos e com eles a dos reis. E as lutas começam. As disputas entre reis e bispos pelo controlo dos recursos da cidade, nomeadamente dos rendimentos da actividade portuária permanecem até ao reinado de D. João I, quando acordou com a Mitra a passagem definitiva do senhorio.

Entretanto a cidade continua a crescer e é no reinado de D. Afonso IV que é mandado edificar uma cinta de muralhas destinadas a proteger o pequeno burgo, esses muros ou muralhas que circundavam e defendiam o velho burgo portucalense existiam ainda no século XVII, da sua constituição faziam parte as portas: a Porta dos Carros, de Santo Elói, do Olival, da Esperança, do Sol e a Porta Nobre . No seu percurso a porta principal era o Arco de Vandoma, situado a nascente do citado burgo e a encostar no largo da Sé e na rua Chã daí inclinava o muro monte abaixo, ladeando as escadas das verdades onde se encontrava a Porta das Mentiras, aqui o muro torneava o Alto do Barredo e angulava o rio da vila que desaguava a descoberto na rua de S. João, que hoje em dia ainda conserva o mesmo nome, rasgando o arco de Sant’Ana das Aldas e o arco de S. Sebastião onde recurvando fechava o circuito do muro, muro este que é mais conhecido por Muralha Fernandina (ver 1ª foto ao lado).

Cedo o Porto demonstrou o seu grande potencial na construção naval, quer a nível industrial, quer comercial. A esse potencial não são alheias as ligações inquebráveis que o Porto possui com o Douro e com o Atlântico.




Assim pelo século XIV adiante foi o Porto o principal centro português de construções navais.

Envolto nos enredos do mar, lançado na imensidão dos oceanos em busca de novas paragens, navios, marinheiros e população integraram interesses e esforços de muitas formas e, logo aquando da expedição à conquista de Ceuta, o infante D. Henrique, nascido na Invicta, ali organiza uma formosa esquadra que levou a juntar-se ao rei que esperava em Lisboa antes de partirem par o Norte de África.

E foi por tal empenhamento que os portuenses receberam a alcunha de Tripeiros, pois segundo contam, o comprometimento do povo levou a que fornecessem as naus e galeras com as carnes ficando apenas as tripas como alimento dos que por cá ficaram.

Como louvores dos feitos prestados, muitos foram os portuenses que inscreveram os seus nomes na história.

Ao longo da história o Porto foi sempre muito cobiçado, pelas riquezas, privilégios, autonomia e tradição que o caracterizavam, mas com o Foral Manuelino (ver 2ª foto ao lado) de 20 de Junho de 1517 o Porto perdeu grande parte dos seus privilégios, sendo D. Manuel considerado o rei inimigo, que deu inicio à mesquinha, absurda e funesta política da centralização dos poderes e serviços. Contudo o povo portuense sempre honrou o seu caracter colectivo, através do seu espirito de independência e o seu amor à liberdade.

Muito marcada pelo desaire do período filipino, é já no século XVIII que de novo atinge as alturas dos pergaminhos de cidade empreendedora. Renovando as industrias correlativas derivadas das velhas actividades mercantis de cabotagem e longo curso.

Mas o engrandecimento da cidade não resplandece apenas nas actividades comerciais, expandindo-se às artes, como é o barroco nasoniano marcado em alguns templos da cidade.

Uma das características deste estilo é o recurso à policromia e à exuberância das formas, bem como a conjugação de revestimentos a ouro com a pintura e o azulejo criando ambientes de rara beleza.

Em 1755 o Porto é marcado por um terramoto que apenas provocou pequenos estragos, na sequência da reconstrução de Lisboa, a influencia inglesa e a acção dos Almadas, trazem para a cidade um surto de engrandecimento admirável.

Sobrecarregada com a crise da tecelagem, mas apoiada no comercio do vinho do Alto Douro, trazido rio abaixo e embarcado no Porto, facto que se traduziu no nome pelo qual esse vinho é conhecido, a cidade vê aumentar ainda mais o seu núcleo populacional com colónias de ingleses e outros europeus que se estabeleceram e radicaram na cidade.

No século XIX o Porto é massivamente modernizado através de novas ideias, riqueza acrescida, força empreendedora, um deslumbrante escol de gente de saber, políticos, capitais e sobretudo a inegável força popular, afeita ao trabalho, resistente e ciosa dos seus pergaminhos de independência e liberdade.

Os portuenses intervêm repetidas vezes nos próprios destinos políticos da Pátria. Sofreram a ocupação dos invasores, não se aquietando na sua expulsão, retendo-lhes as ideias mais benéficas, não admitindo tutelas, defendendo-se com armas, vidas e bens.

Com uma determinação impar, a cidade foi crescendo, organizando-se administrativa, financeira e culturalmente, constituindo-se numa capital regional que ainda hoje é.

Ao longo do século XX o cunho que a caracterizou sempre manteve-se e hoje a cidade está populacionalmente estabilizada.

Dela partiram as primeiras acções republicanas, sendo simultaneamente um dos grandes pilares políticos e económicos do País. E ainda foi o pólo de crescimento industrial significativo quer internamente, quer nas regiões vizinhas.

Assim falar do Porto é começar sem nunca conseguir terminar de relatar todos os seus feitos, tradições, costumes, belezas...

A cidade velha de séculos, contrastante com o fervilhar de actividades e ideias não se pode nunca destituir das gentes que lhe dão vida, caracter e cunho.

Gentes de linguagem marcada, sonora e garrida, trabalhadora e entusiasta, vibrante com seus ídolos desportivos, áspera e livre na crítica e jubilosa nos folguedos.

O Porto congrega, cria, difunde densos cambiantes de contrastes sendo por isto o símbolo portuguesíssimo de um progresso que não se envergonha do passado mas nele sustenta o futuro.

Por tudo isto é considerada a mais imponente cidade do Norte merecendo a justa classificação de Património Mundial.


Um símbolo, uma cidade

Muitas foram as alterações deste marco representativo da cidade, muito embora seja de apontar que a sua estrutura básica se manteve ao longo de diferentes reinados apenas tendo sido acrescentado pormenores artísticos e caracterizadores desta tão bela cidade situada nas margens do Douro que carinhosamente molha os pés dos portuenses.

O original brasão da Invicta representava « uma cidade de prata, em campo azul sobre o mar de ondas verdes e douradas».

Em 1517 sofre a primeira alteração, ao qual foi incluído ao imagem de Nossa Senhora de Vandoma, com o menino Jesus nos braços sobre um fundo azul e entre duas torres.

Em 1813 e aquando da Segunda modificação, a imagem de Nossa Senhora aparece ainda ladeada por duas torres encimadas por um lado por um braço e por outro por uma bandeira.

Em 1834 no reinado de D Pedro IV ao brasão foi introduzido uma inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade».

Este brasão era então constituído por um escudo esquartelado, cercado pelo colar da Ordem da Torre e Espada, tendo nos primeiros e quartos quartéis as armas de Portugal e nos segundos e terceiros as antigas armas da cidade. Encimava o escudo um dragão verde assente numa coroa ducal, sobressaía uma longa faixa com a legenda Invicta.

A ultima alteração, em 1940, do brasão dá-lhe a forma actual conhecida por todos, representado pelas armas. Apresenta-se assim de azul com um castelo de ouro, constituído por um muro ameado e franqueado por duas torres ameadas, aberto e iluminado a vermelho, sobre um mar de cinco faixas ondeadas, sendo três de prata e duas de verde.



Sobre a porta assente numa mesura de ouro a imagem da virgem com diadema na cabeça, segurando um manto azul e com o menino ao colo, ambos vestidos de vermelho, acompanhados lateral e superiormente por um esplendor que se apoia nas ameias do muro.

Em destaque dois escudos de Portugal antigo. No cimo uma coroa mural de prata, de cinco torres e um coral da ordem militar da Torre e Espada, do Valor e do Mérito.

A listel branco a inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade do Porto».




www.portoxxi.com


O Bacalhau na Alimentação e Cultura do Povo Português - Mesmo até no campo da medicina o bacalhau não escapou, pois o bem conhecido óleo de fígado de bacalhau rico em Vitamina A e D foi durante muito tempo apregoado como uma “panaceia universal” para toda a espécie de problemas de saúde. A Histórica "Emulsão de Scott" foi uma das mais famosas marcas de óleo de fígado de bacalhau.

O Bacalhau na Alimentação e Cultura do Povo Português


 Mesmo até no campo da medicina o bacalhau não escapou, pois o bem conhecido óleo de fígado de bacalhau rico em Vitamina A e D foi durante muito tempo apregoado como uma “panaceia universal” para toda a espécie de problemas de saúde. A Histórica "Emulsão de Scott" foi uma das mais famosas marcas de óleo de fígado de bacalhau.





Segundo um estudo efectuado por Jorge Bebiano em 1958, pode-se afirmar que o consumo do bacalhau em Portugal, no que se refere à quantidade não era uniforme por todo o país, sendo um produto de pouco significado nas áreas mais pobres.

Parece que o bacalhau era um produto essencialmente consumido nesta época pelos citadinos e pelo proletariado industrial, enquanto que a população rural adoptava este alimento de forma pouco significativa do ponto de vista da quantidade.

Paradoxalmente, formou-se entre os portugueses um autêntico dicionário de culinária referente ao bacalhau, que não tem igual na história da gastronomia nacional. Se perguntarmos a qualquer dona de casa como preparar este peixe a resposta cairá provavelmente em meia dúzia de receitas como “Bacalhau à Braz”, à “Gomes de Sá”,“Pastéis de Bacalhau”, cozido com legumes, assado ou arroz de bacalhau. No entanto, nas revistas, livros e secções de culinária dos jornais, aparecem sempre centenas de receitas que nunca ninguém come e de que nunca ninguém ouviu falar. Alguns exemplos destas receitas que são autênticas obras da imaginação são o “Bacalhau com Trufas”, o “Bacalhau à Russa” e o “Bacalhau à Maitre D’Hotel com Mariscos”.[1] O facto é que a multiplicação das receitas imaginárias é um fenómeno cuja compreensão nos escapa.




Outro fenómeno difícil de compreender é a forma como a existência e o preço do bacalhau eram tratados na imprensa diária. Se folhearmos revistas e jornais publicados nas décadas de 1950 e 1960, pode-se comprovar com facilidade que durante todo este período apareciam regularmente notícias que focavam a falta deste produto no mercado. O que não se compreende é porque nunca foi dada tanta importância a outros bens alimentares tão ou mais importantes que o bacalhau do ponto de vista nutricional e que muitas vezes também faltavam no mercado, tal é o caso do leite e até mesmo da carne que muitos em Portugal nesta época comiam apenas uma vez por semana.

A distribuição do bacalhau era apresentada com títulos eufóricos e a sua existência ou não no mercado tornou-se um tema de debate que todos os jornais faziam questão de referir. Intimamente ligados ao consumo, encontravam-se também comentários a fazer referência ao preço do bacalhau. Normalmente estas notícias eram dadas em tom humorístico, sob a forma de versos, desenhos ou comentários sarcásticos. Porém, também é possível encontrar um grande número de notícias que tratam o problema do preço e da disponibilidade do bacalhau no mercado de forma séria com análises bastante fundamentadas em alguns casos.[2]




A vida do português, assim como a sua cultura, estão influenciadas pelo uso e abuso que dá ao bacalhau. Esteja onde estiver, o português refere o bacalhau como algo que o liga às suas origens, à terra dos seus antepassados ou a certos e determinados momentos familiares e de confraternização.

Mesmo até no campo da medicina o bacalhau não escapou, pois o bem conhecido óleo de fígado de bacalhau rico em Vitamina A e D foi durante muito tempo apregoado como uma “panaceia universal” para toda a espécie de problemas de saúde, sendo administrado às crianças como um suplemento alimentar até à década de 1980, quando começou a cair em desuso. Uma das mais famosas marcas de óleo de fígado de bacalhau foi a Histórica Emulsão de Scott que prometia curar toda uma série de afecções de saúde. No entanto, nos países nórdicos o óleo de fígado de bacalhau ainda é largamente utilizado como suplemento alimentar.

O bacalhau começou por ser um alimento desprezível destinado apenas aos excluídos, escravos e marginais, porém, o tempo e a história ditaram que o bacalhau acabaria por se transformar numa iguaria apreciada por artistas e literatos de todos os quadrantes que desde o século XIX fazem referências ao mesmo. Estão entre estes o bem conhecido Eça de Queirós e Aquilino Ribeiro.

A cultura portuguesa, principalmente a cultura popular, reflecte o conhecimento e a generalização do bacalhau na sociedade.

A religião e a política instrumentalizaram o bacalhau ao máximo, tentando tirar vantagens deste alimento peculiar. No caso da religião, esta ligou o consumo do bacalhau ao ciclo das festividades e à pesca, sobretudo aos pescadores, aos sortilégios das incertezas das viagens e aos milagres por boas pescarias. A religião utilizou ainda o bacalhau como um donativo a ser distribuído às portas dos conventos e nas sacristias, nas épocas festivas do calendário litúrgico.

Por sua vez, a política utilizou o bacalhau nos demagógicos discursos e comícios de “bacalhau a pataco” para criar climas favoráveis a golpes e contragolpes, fossem durante o período monárquico ou já na república. As políticas de importação, as regras de comercialização, os níveis de preço e a demais legislação histórica existente sobre o bacalhau foram, muitas vezes, utilizadas com objectivos de política interesseira.[3]

Durante muito tempo, não apenas em Portugal, mas em todo o mundo Ibérico, a abstinência às sextas-feiras era geral e por isso o alimento alternativo era o bacalhau. Este excesso de zelo religioso era visto com estranheza por estrangeiros, mesmo até pelos católicos estrangeiros que visitaram Portugal e Espanha durante o século XVIII. No entanto, para os Ingleses, este zelo religioso representava uma excelente oportunidade de fazer negócio vendendo bacalhau a Portugal e pode-se por isso dizer que há aqui um paradoxo, pois, de certa forma o zelo religioso dos católicos Portugueses e Espanhóis alimentava as bolsas de um país protestante como era a Inglaterra.[4]

Sem considerar todas as feiras e romarias onde o bacalhau era normalmente consumido assado nas brasas, a par da gorda sardinha, temos o Ano Novo, os Reis Magos, o Carnaval, a Quaresma e Semana Santa, as Maias, o Corpo de Deus, os Santos Populares, o Dia de Todos-os-Santos e o dos Fiés Defuntos e, por fim, o Natal. Claro que existiam ainda muitas outras festas religiosas e cívicas celebradas um pouco por todo o país, especialmente no Verão, mas julgo ter enumerado as suficientes para que se possa ter uma ideia do tamanho do papel do bacalhau na cultura popular e religiosa portuguesa e a utilização que foi dada ao mesmo. 

O bacalhau surgiu sempre nos ciclos festivos religiosos, como um alimento de recurso dos pobres. Levou bastante tempo para que o bacalhau pudesse ser considerado um prato digno de um rei. Aliás, o médico de D. João V considerava que o bacalhau gerava “humores melancólicos e mal depurados das suas partes excrementícias”.[5]

São ainda muitos os costumes e tradições que sobrevivem por todo o país e nestas o bacalhau tem quase sempre um lugar de honra e destaque, não apenas à mesa, mas nas usanças que de uma maneira ou de outra teimam em considerar o bacalhau como sendo o “fiel amigo”.[6]

Aos domingos era tradição comer um almoço de bacalhau. Comia-se das mais variadas maneiras: ora à “Gomes de Sá”, ora guisado, ora “à Bráz”, ora assado com muito alhinho no azeite quente, ora em arroz, ora pataniscas, ora no forno. No entanto, o grande prato, aquele que merecia mesmo honras de festa era o bacalhau cozido.[7]

As anedotas sobre o bacalhau, com todas as possíveis analogias e subentendidos de significação duvidosa ou as insinuações maldosas a respeito das suas características – cheiro, sabor, composição, etc… - foram e são frequentes no anedotário português.

Basta-nos folhear algumas revistas, jornais, magazines ilustrados e outro tipo de publicações para que se possa encontrar com relativa facilidade anedotas e textos curtos humorísticos em que o “fiel amigo”é envolvido, quer como um protagonista, quer como um parceiro secundário.

A presença do bacalhau nas anedotas é tão profusa que a caricatura não o pode deixar de utilizar, mais numas épocas do que noutras, como um motivo de crítica humorística.

A passagem da anedota oral ou escrita à caricatura foi logo apropriada pela “imprensa de humor” quando esta se generalizou, sobretudo a partir de meados do século passado. O facto de o bacalhau ser um produto de uso popular, conhecido e desejado por uma grande parte da população, transformou-o num objecto e motivo de humor, sobretudo a nível urbano.

As representações que o bacalhau assume são tão diversas que a sua inventariação total se torna impossível de fazer, mas a verdade é que o bacalhau é facilmente reconhecível porque as suas imagens têm uma total identificação com o espécime real.[8]

Determinadas publicações como o “António Maria”, de Rafael Bordalo Pinheiro, o “Papagaio Real” ou a “Paródia”, na monarquia ou no regímen republicano; ou o “Sempre Fixe” e “Os Ridículos”, nas décadas de 1920 e 1930 são exemplos da importância e do lugar que o bacalhau ocupa no anedotário e na caricatura portuguesa.[9]


historiamaximus.blogspot.pt

COMO VIVIAM OS NOSSOS ANTEPASSADOS - O DOMÍNIO DA IGREJA - AS MISSAS - A QUARESMA - O LUTO - O TESTAMENTO - O MÉDICO








Os nossos antepassados viviam mal. Com fome e com pouco dinheiro. Tinham frio e tinham de trabalhar arduamente: Junto um conjunto de fichas sobre alguns temas importantes para os nossos antepassados


Quaresma : « carême » em francês deve o seu nome, ao nome em latim «quadragésima » que significa o 40º dia antes da Pascoa. Importante era também o dia de “mi-carême”, ou dia do meio. A importância era devido aos jejuns que a igreja instituía. Eles eram a sexta-feira, dia da morte de Cristo, o sábado, dia em que ele esteve no seu túmulo, aos quais se juntou a quarta-feira, dia em que ele foi vendido por Judas. Era ainda dia de penitência cada véspera, i e a véspera de cada festa obrigatória, os dias das têmporas, correspondentes aos 3 primeiros dias do início das estações, os 3 dias que precedem a Ascensão, e por último pelo Advento (4 semanas antes do Natal) e durante a Páscoa. Assim os nossos antepassados apertavam o cinto, não somente quando as colheitas eram más, mas igualmente quando eram boas, pois teriam de fazer cerca de 200 anos por ano de jejuns e de penitências.

Mas as penitências ou jejuns eram obrigatórios, mas a Igreja interditava, nesses dias toda a actividade sexual. E tal não era brincadeira as “aproximações” de um marido junto da sua mulher durante os dias de penitência equivalia a condenações a pão e água durante 20 dias, se tal fosse confessado ao pároco.

Ora durante a Páscoa, os 40 dias eram demasiados longos, pelo que se “libertaram” seis dias, que eram os 5 domingos e o dia do meio ou o da “mi-carême”. Este dia era chamado igualmente o da “velha”, e, por isso, nas aldeias e pequenas cidades, os jovens se divertiam, provocando os velhos, lembrando-lhes que poderiam finalmente ter actividades sexuais.

Somente nesses dias se poderiam comer ovos, pois estes foram, durante muito tempo assimilados a “carne” e consequentemente eram interditos naquelas semanas. No dia de Cinzas, a dona de casa, preparava as suas caçarolas para que a família passasse a comer somente legumes e peixe.

Mas havia excepções: podiam-se comprar umas imagens de santos que davam indulgências de vários dias (conforme o preço) para quem rezasse determinadas orações diante da imagem.


A sexta-feira santa, dia da morte de Jesus, era evidentemente o dia do ano em que as penitências eram mais fortes. Tal traduzia-se por uma multitude de interdições, que se juntavam às interdições sexuais e alimentares. Toda a actividade era um sacrilégio! Não se podia trabalhar, forjar o ferro ou cavar a terra, pois tal seria cavar a sua própria sepultura. As interdições eram infinitas: não rir, não cortar os cabelos, não matar qualquer animal, não subir a uma árvore, não concluir um mercado ou contrato, nem fazer uma viagem, não cantar, não utilizar o martelo, etc.

Mas havia alguns bons presságios. Assim os ovos postos nesse dia, deverão ser guardados pois evitaram as quedas quando da colheitas dos frutos; colocados no estábulo afastam os malefícios dos animais; lançados num incêndio, apagam-no. Mas havia ainda uma boa nova: morrer nesse dia era uma felicidade, pois era-se dispensado do purgatório e preservado do inferno, pois as suas portas estavam fechadas nesse dia. No entanto o pão cozido nesse dia apodrecerá, mas em outros sítios afirma-se que durará todo o ano

Mas, no sábado, o padre fazia uma volta pelas casas para as abençoar. Ele aspergia-as, Bebia um pequeno copo de vinho generoso oferecido pelo dono da casa e partia para a visita seguinte. A dona da casa ia à igreja abastecer-se de água benta.
No dia seguinte os sinos repicavam, pois era o grande dia. Os sinos marcavam o tempo. Os nossos antepassados sabiam a hora olhando para o sol ou escutando os sinos. Notemos que não era importante saber a hora exacta pois não tinham que apanhar o comboio ou ver um determinado programa de televisão. Previa-se que tal trabalho fosse feito durante a tarde ou que demorasse o tempo de uma Ave Maria ou de um Pai Nosso, como se previa uma viagem para o domingo antes do dia de Todos-os-Santos ou para a segunda-feira depois do Carnaval.


As missas

O Domingo, consagrado a Deus, era obrigatoriamente um dia em que se não trabalhava. A missa era obrigatória e havias a todas as horas, para que não houvesse desculpas. A missa dura duas horas. Quer se resida longe ou que os caminhos sejam difíceis, a presença na missa dominical é obrigatória. De resto era também uma forma de encontro e para aproveitar para comprar algumas coisas no mercado que decorria perto da igreja. Canta-se em latim, sem se compreender o significado das palavras que se pronunciam. Cada um canta como pode pronunciando as palavras como quer. Outros aproveitam para falar com os seus vizinhos que não vêem há algum tempo. Outros ainda aproveitam para trocar umas palavras com o notário ou o tesoureiro. As crianças choram ou fazem pequenas asneiras chamando uns pelos outros, etc. Enfim, o interior da igreja é um verdadeiro cafarnaum, mas no exterior, a praça ou a feira estão sem ninguém.

Mas o grande momento não é o da comunhão que é pouco praticado pelos fiéis, pois se confessam pouco com medo de serem julgados pelo pároco e muitas vezes “multados” por não terem observado todas as prescrições da igreja. O grande momento era a prédica do pároco. Era um longo momento onde se era informado e aconselhado. Tal momento era tão aguardado como hoje o é um telejornal! O próprio Estado, o Rei, aproveitava a ocasião para passar a informação. De resto era o único momento em que o padre se expressava em português e que os nossos antepassados sabiam de uma vitória ou derrota na guerra, ou da morte ou casamento do rei, da chegada de um cometa, e de meras actividades locais ou nacionais. Lembremos que por volta de 1820, chegava a Leiria somente 3 exemplares de um jornal que tinha 4 folhas! Eram igualmente anunciados os nascimentos, os baptizados e os casamentos, solicitando, neste caso, às pessoas que conheciam impedimentos à sua realização, que se pronunciassem. Estes impedimentos eram, na maioria dos casos, pelos laços de parentesco dos nubentes, coisa normal, pois havendo pouca mobilidade toda a gente se casava com pessoas da mesma aldeia. Muitas vezes o pároco aproveitava a ocasião para dar uma dispensa excepcional para que se pudesse trabalhar em dias de descanso obrigatório para permitir terminar um trabalho agrícola atrasado.



O luto
Os lutos dos nossos antepassados duravam muito tempo e por outro lado estavam ligados a proibições de participar em reuniões e cerimónias “animadas”. Igualmente havia um código muito complexo nos meios burgueses. No século XIX, a viúva, durante os seis primeiros meses não podia usar que vestidos de lã negra, xales negros, chapéus com grandes véus de crepe, luvas e meias negras e ter somente lenços orlados de negro. Nos 3 meses seguintes o “uniforme” era aligeirado. Nos três seguintes, admitiam-se vestidos de seda negra e vestidos em tafetá no verão. Acabado o ano de luto, era ainda necessário que nos seis meses seguintes se fizesse um luto aliviado com vestidos de seda negra ou branca e negra ou violeta ou ainda roxo.

O luto era um culto e o seu cumprimento um dever e com uma clara hierarquia segundo o parentesco. Todos sabiam que os “grandes lutos” eram para os pais, filhos, viúvas ou viúvos e que duravam mais de um ano. Os dos tios ou das tias duravam 3 meses, os dos primos direitos seis semanas e dos primos, filhos destes, 3 semanas. Percebe-se assim que devido à importância numérica das famílias de antigamente, tenhamos conhecido as nossas avós sempre vestidas de negro, pois estavam de luto pelos primos direitos, pais, tios, ou de dezenas de primos mais ou menos afastados. E se houvesse um engano e o luto fosse aliviado quando ainda não era a altura, haveria sempre alguém que os lembrava de forma crítica.

Estes períodos de luto eram pontuados por missas pois havia que acompanhar (encomendar) as almas que durante um período de tempo estiveram no céu á espera da noite de lua cheia, pois as portas do céu só se abriam nessa altura. Havia diversas missas que eram realizadas, como a dos 4º dias depois da sua morte, a “do ano” e ainda aquelas que o defunto no seu testamento ou os seus, encomendaram contra o pagamento de determinadas somas.

O testamento

O testamento, quando era feito, visava menos garantir o destino dos bens temporais que os da alma. Assim em muitos casos encontramos registos paroquiais de óbitos, com a uma indicação das últimas vontades que foram ditadas ao padre. Outras vezes é o padre que no seu registo de óbito refere que deixou testamento.

O testamento, feito junto a notário, começava sempre mencionando o nome de Deus, invocando inúmeros santos e referia a forma como tinha vivido: “temente a Deus”, “respeitando os mandamentos”, etc. Seguiam-se as últimas vontades, mas quase sempre limitadas, ou quase, ao plano religioso. Com ofertas proporcionais à sua fortuna estipulava como queria ser enterrado e encomendava missas, novenas e celebrações (algumas perpétuas) mencionando o valor que deveria ser pago por cada uma. Depois indica os montantes a serem dados ao cura, a diversos estabelecimentos de caridade e a serem distribuídos pelos pobres durante o seu enterro. Por último menciona algumas somas para os seus mais próximos, afilhados e criados da sua casa.

Assim se preparava para o seu “passamento”.


O médico

O pediatra era considerado não necessário, pois não havia clientela para ele pois as crianças eram incapazes de dizer o que sentiam!. Oftomologista? Mas para que serve consultar um oftomologista se em todas as feiras se podiam encontrar vendedores ambulantes que nos proponham uma panóplia de lentes. Os cuidados dentários estavam a cargo do ferreiro da aldeia pois com ajuda das suas pinças e alicates arrancava os dentes que doíam. A escova de dentes era naturalmente desconhecida. Como se comia muita batata, mão e pouca carne (pois esta era cara), não ter dentes não fazia muita diferença.

Antes dos anos 1850-70 o cirurgião ignora a anestesia ou os anticépticos. Deixando os problemas “interiores” ao médico, o cirurgião dedica-se às partes externas como tumores, úlceras, feridas, fracturas, etc., que ele cura lancetando. Durante muito tempo ele era o barbeiro, pois durante muitos anos estas profissões foram confundidas. A única obrigação instituída ao longo dos anos era de ter uma insígnia que indicava que tinha frequentado uma formação. Assim os cirurgiões que tinham passado por uma escola tinham uma bata longa e os vulgares cirugiões-barbeiros uma curta. Para estes, como de resto para os dentistas, não era necessário qualquer diploma ou estudos .

Os farmacêuticos acumulavam as profissões actuais de droguista e de ervanário. Eram eles que preparavam as “cataplasmas” ou ainda forneciam as sanguessugas tão usadas para sangrar um doente com febre.

Por último o veterinário era inexistente. Haviam uns “artistas” que em concorrência com alguns “feiticeiros” faziam tratamentos aos animais e nomeadamente a castração.

Finalmente, era Deus, a natureza e os seus milagres que eram, em última análise os que podiam vir a curar um doente no tempo dos nossos antepassados.







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Fábrica de Loiça de Sacavém A Fábrica de Loiça de Sacavém foi uma célebre unidade industrial de produçãocerâmica situada na freguesia de Sacavém, tendo marcado profundamente o quotidiano da povoação e celebrizado-a, não apenas dentro de Portugal, como também fora dele – de tal forma que a frase «Sacavém é outra loiça!» se tornou o expoente máximo dessa fama

LOIÇA DE SACAVEM

Fábrica de Loiça de Sacavém
Fábrica de Loiça de Sacavém foi uma célebre unidade industrial de produçãocerâmica situada na freguesia de Sacavém, tendo marcado profundamente o quotidiano da povoação e celebrizado-a, não apenas dentro de Portugal, como também fora dele – de tal forma que a frase «Sacavém é outra loiça!» se tornou o expoente máximo dessa fama.
História
A fábrica situava-se na Quinta do Aranha, junto da da actual linha de caminho-de-ferro da Azambuja, tendo chegado a ocupar, na sua época áurea, uma superfície de 70 000 m²; a essa implantação não era alheia a construção do primeiro ramal de comboio em Portugal (ligando Lisboa ao Carregado, com paragem em Sacavém), que viria a ser inaugurado em 1856, permitindo assim uma mais fácil expedição das mercadorias e matérias-primas.
A fábrica teria sido instituída em 1850 (pelo menos, assim o indicava um dos painéis de azulejos colocados à entrada da fábrica, e que foi visível até meados da década de 1990), por Manuel Joaquim Afonso; contudo esta data não se apresenta como consensual, pois parece só ter começado a laborar em 1856.
Nos anos em que esteve à frente da fábrica, Manuel Joaquim Afonso teve que fazer face a diversos problemas financeiros, pelo que entre 1861 e 1863 a fábrica acabou por ser vendida a um inglêsJohn Stott Howorth, que introduziu novas técnicas de produção oriundas do Reino Unido. Em poucos anos, a Fábrica da Loiça tornava-se numa das mais importantes em Portugal no ramo da produção cerâmica, destacado-se pela produção de faiança fina baseada no caulino(uma argila com alto grau de pureza); o sucesso alcançado é tal que o rei D. Luís Iconfere a Howorth título nobiliárquico (Barão de Howorth de Sacavém), e ainda o privilégio de a fábrica se poder intitular Real Fábrica de Loiça de Sacavém. Para além disso, nos últimos anos da sua vida, o rei-consorte D. Fernando II executou e pintou várias peças cerâmicas na Fábrica, dada grande amizade que o unia ao Barão de Sacavém.
  À data da sua morte, em 1893, já a louça de Sacavém se achava fortemente implantada no mercado, rivalizando por exemplo com a Vista Alegre, de Ílhavo; no ano seguinte a baronesa Howorth de Sacavém estabeleceu uma sociedade emcomandita com o antigo guarda-livros da fábrica, James Gilman, a qual assegurará a administração da mesma até à morte da Baronesa, em 1909, altura em que Gilman assume sozinho o governo da empresa. Mantém-se a aposta na ligação estratégica ao mercado inglês, tanto ao nível da exportação do produto final, como da aquisição de novas tecnologias para a fábrica – em 1912, por exemplo, é inaugurado um forno-túnel com 8 metros de altura e 85 metros de comprimento, obra de dimensões colossais, e onde pela primeira vez se utilizoubetão armado em Portugal.
A Fábrica de Loiça tornou-se numa das principais unidades fabris da cintura industrial da zona oriental de Lisboa (compreendida entre o Beato e Vila Franca de Xira), e o seu sucesso foi tal que conduziu ao aumento vertiginoso dapopulação de Sacavém (que, por alturas da fundação da fábrica, teria pouco mais de 350 habitantes, tendo, porém, a partir de então aumentado a população da freguesia de uma forma constante e sustentada), sendo que em 1890, mais de metade dos quase 1890 habitantes da povoação tinham o seu emprego na Fábrica de Loiça. Muitos dos que aí trabalhavam eram oriundos de várias partes do País, que se deslocavam para a capital e zonas suburbanas na busca de melhores condições de vida.
Dessa forma, numa povoação fortemente terciarizada, não é de estranhar que a maior parte dos habitantes fossem adeptos de doutrinas como o socialismo e orepublicanismo, tendo-se desenvolvido fortemente o associativismo (é pelas mãos dos operários que nascem, por exemplo, a Cooperativa de Crédito e Consumo «A Sacavenense», no dia 31 de Janeiro de 1900, na comemoração dos nove anos da fracassada intentona republicana na cidade do Porto). Após o 5 de Outubro de 1910, e com o reconhecimento do direito à greve pelo Governo Provisório da República Portuguesa, sucedem-se as paralisações, tendo vários operários participado, por exemplo, nas greves de 1912, que forçaram o governo à detenção de algumas centenas de grevistas em vários fortes da cintura da capital, entre os quais o Forte de Sacavém. Nesse mesmo ano, formara-se o sindicato dos operários cerâmicos, havendo muitos filiados em Sacavém.
Não obstante, talvez pela sua gerência inglesa, a Fábrica de Loiça de Sacavém foi pioneira em certas medidas que denotam a existência de preocupações sociais da parte do patronato: a criação de uma escola dentro da fábrica, a existência de um caixa de socorros mútuos para os seus trabalhadores, o direito a fériasremuneradas, e a instituição de campos de férias para os filhos dos trabalhadores da fábrica.
Nas primeiras décadas do século XX, o pintor Jorge Colaço executou na fábrica os azulejos para diversas das suas mais significativas obras: a Estação de São Bento, no Porto (1903), o Palace-Hotel do Buçaco, no Luso (1907), o Pavilhão dos Desportos, em Lisboa (1922), ou a Casa do Alentejo, também na capital.
Em 1921, com a morte de James Gilman, sucede-lhe à frente da fábrica o seu filho Raul Gilman, tendo como sócio um outro inglês, Herbert Gilbert.
A povoação continua a crescer, em grande parte devido à fábrica, de tal forma que em 1927, o governo de ditadura militar saída da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 decide atribuir o estatuto de vila à povoação de Sacavém. Ao mesmo tempo, porém, inicia a política de repressão aos trabalhadores, gente de espírito combativo e que não se revê na ditadura.
Dessa forma, não é de admirar as tentativas de paralisação levadas a cabo por operários da fábrica, contra o regime que se viria a estabelecer – o Salazarismo. Destaca-se a famosa «greve dos rapazes», em 1937, em que os aprendizes da Fábrica de Loiça acabaram por ser detidos pela G. N. R., seguindo-se uma vigília das suas mães e/ou esposas, e uma dura repressão por parte daPIDE. Nesta greve destacou-se a figura de António Ferreira, dito «O Compositor», sucessivas vezes preso pela polícia política, e que acabou por se tornar um herói da resistência antifascista.
Entretanto, em 1962 ascendia à administração o filho de Herbert Gilbert, Leland Gilbert, e em 1970, entrava-se na última fase de vida da fábrica, com o derradeiro dono, Clive Gilbert.
Após o 25 de Abril de 1974, a Fábrica de Loiça entra num conturbado período, tanto a nível laboral, como financeiro, acabando a fábrica por encerrar em 1983(em 6 de Outubro do ano anterior, Monteiro Pereira, o administrador da fábrica, fora assassinado à saída da sua casa, em Almada, por uma rajada demetralhadora, num atentado perpetrado pelo grupo terrorista F.P.'s – 25 de Abril); em 23 de Março de 1994, o Tribunal Cível da Comarca de Lisboa declarou a sua falência, fechando definitivamente as portas a 7 de Abril. A isto se seguiu a venda dos seus bens em hasta pública.
No local onde antes se erguera a Fábrica, nasceu uma nova urbanização (o Real Forte), tendo no entanto um pequeno espaço, situado em torno do forno n.º 18, sido destinado à preservação do espólio remanescente da antiga fábrica. Aí se instituiu o Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

SACAVEM

Sacavém foi reguengo, e terra da Coroa, durante alguns séculos, daí a importância económica das actividades agrícola e vinícola na região.
A tradição afirma que durante a Idade Média, uma Albergaria de leprosos e peregrinos desempenhou um papel marcante em Sacavém. Sabe-se que em 1599 a peste devastou a população e como a igreja matriz (já desaparecida) não chegava para enterrar os mortos, o prior mandou sepultá-los junto da Capela de Santo André, onde tinha havido um hospital de leprosos e albergaria de peregrinos. Ao ser aberta a primeira cova surgiu uma imagem gótica. O povo de imediato a levou em procissão até à capela de Santo André, pedindo a Nossa Senhora da Saúde que os livrasse da peste. Desde então o povo de Sacavém venera a Nossa Senhora da Saúde e dedica-lhe uma festa anual, no primeiro domingo de Setembro.
O terramoto de 1755 destruiu quase totalmente esta freguesia, arruinando a igreja matriz, que foi substituída pela Capela da Nossa Senhora da Saúde.
Por esta altura aqui viviam cerca de 1.500 pessoas, em 353 fogos e pouco desenvolvimento houve até ao século XIX. Apesar da forte actividade agrícola e comercial da região (o rio acabou por ter uma importante função como via de escoamento de produtos agrícolas), a população era constituída essencialmente por trabalhadores rurais e pequenos artesãos. A freguesia estava cercada de Quintas pertencentes à nobreza, que durante as lutas liberais foram passando para a burguesia.
No século XIX, importantes obras vêm dar novo impulso à freguesia. A construção do Forte Monte Cintra e da estrada militar, integrados nas linhas de defesa de Lisboa, a ponte de cantaria e ferro sobre o Trancão para a estrada que liga a Capital ao Porto e a fábrica de tinturaria e estamparia na Quinta das Penicheiras são factores que motivam o desenvolvimento da comunidade.
Em 1856, Manuel Joaquim Afonso funda a Fábrica da Loiça que, vinte e cinco anos depois, emprega 400 operários. Ainda em 1856 inaugura-se a linha do caminho-de-ferro, ligando Lisboa ao Porto e passando por Sacavém. Dos arredores e do interior do País começam a chegar pessoas que trocam o campo pela fábrica, na busca de melhores condições de vida.
Entretanto, o aumento e melhoria das vias de comunicação fazem de Sacavém um local privilegiado para a fixação de indústrias e o número destas vai crescendo. Com ele aumenta a população e, consequentemente, a população transforma-se. Já não é uma classe agrícola, mas fabril. Um pouco por toda a freguesia surgem "Vilas Operárias", pequenos núcleos habitacionais que ainda hoje mantêm, na quase totalidade, as suas funções iniciais.
 Pouco a pouco, a fisionomia de Sacavém foi-se alterando: as quintas dão lugar a novas fábricas ou adaptam-se a habitações.
Nos finais do século XIX, a freguesia conta com mais de 2000 habitantes, dos quais cerca de metade são operários da Fábrica de Loiça, indústria de crucial importância económica para a zona.
O movimento associativo começa a ter expressão no início o século XX - em 1900 é fundada a "Sacavenense", Cooperativa de Crédito e Consumo, uma das mais antigas de Portugal. Logo depois surge o Clube Recreativo (1909), o Sport Grupo Sacavenense (1910), o Clube dos Caçadores (1921) e a Academia Recreativa e Musical de Sacavém (1927).
Em 7 de Dezembro de 1927, Sacavém é elevada a Vila . No dia 4 de Junho de 1996, foi elevada à categoria de Cidade.