AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

MARCELO JÁ NADOU NO MEIO DE ALGUNS CAGALHÕES NO TEJO, MARCELO JÁ CONDUZIU UM TAXI, MARCELO ......


ALGARVE - TRADIÇÕES - AS RIFAS ERAM DIVERTIMENTOS ONDE SE JUNTAVAM CASAIS, A A RAPAZIADA SOLTEIRA NA ALTURA DE DEFESO DOS BAILES - esta tradição ainda se mantém em Santa Bárbara de Nexe

foto Helder Sousa (facebook)

AS RIFAS

Até ao final dos anos sessenta, por altura da "Quaresma" vigorava a proibição de realizar bailes e por isso era tempo de se fazerem as "Rifas".

Na Conceição de Faro Estoi, Santa Bárbara de Nexe e por outras aldeias, as rifas eram organizadas por moças, nas suas próprias casas ou ainda em colectividades, para as quais convidavam outras moças e principalmente homens. Naturalmente que para além do jogo em si, os homens eram atraídos pelas moças, para esta espécie de jogo convívio.

As pessoas reuniam-se á volta da mesa para jogar ás cartas, apostando rebuçados que eram vendidos pela dona da casa e organizadora da rifa.

Os rebuçados custavam "meio tostão" ou "um tostão" conforme a qualidade. Os homens compravam rebuçados conforme as "intenções" que tinham em relação á organizadora da rifa, isto é, se pretendiam ou não agradá-la.

As rifas eram realizadas duas ou três vezes por semana normalmente ás Quintas-Feiras, Sábados e Domingos, decorrendo durante o período da "Quaresma".

Pela sua simplicidade os jogos mais populares que se jogavam nas rifas, eram o "sete e meia" e o "montinho".

  • Sete e meia, as cartas têm o valor nominal sendo que as figuras valem meio ponto. O objectivo é fazer sete pontos e meio, ou o mais próximo, caso ultrapasse, "rebenta" e perde o jogo.
  1. A banca distribuí uma carta a cada jogador, ficando também com uma para si próprio
  2. De seguida vai perguntando a cada jogador se quer mais cartas ou se fica como está
  3. Quando todos os jogadores não pedirem mais cartas, a banca depois de pedir ou não mais cartas para si, mandando mostrar o jogo a cada jogador conforme lhe palpitar se o jogador tem ou não bom jogo, podendo em cada caso pedir ou não mais cartas para si próprio. Em caso de rebentar paga a todos os jogadores que ainda estão em jogo.
  • Montinho, a banca faz cinco montinhos de cartas e pede que lhe seja atribuído um dos montinhos, por um dos jogadores. As cartas têm o valor nominal sendo que as "figuras" (dama, valete, rei) serão as mais fracas.
  1. Os jogadores apostam ou "carregam" os rebuçados no montinho que quiserem
  2. Depois das apostas feitas a banca volta o seu montinho mostrando a 1ª. carta de baixo
  3. Depois vai voltando cada montinho verificando igualmente a 1ª. carta debaixo, perdendo ou ganhando conforme a sua carta é mais forte ou mais fraca que a do montinho em causa
Resta dizer que a "banca" era atribuída ou comprada por um jogador mais hábil, caso contrário poderia dar-se a sua falência e teria de ser entregue a outro jogador.

No final da época a rifa rendia uma pequena renda á sua organizadora que normalmente ajudava na compra de alguma peça de vestuário.
  1. José Elias Moreno
    Que Deus me perdoe, mas as Rifas também não eram tão inocentes e isentas de pecaminosas intenções, como se pudesse imaginar, para uma quadra de "defeso" como é a Quaresma. Se o baile proporcionava às costumeiras controladoras o apreciado espectáculo do arrimanço e furtivo beijinho, nas rifas eram elas as próprias a reservar as mesas redondas e os assentos para os casalinhos de pombos mais pretensamente apaixonados, ou mais efusivos no uso de linguagem e piadas brejeiras com alusão á shota (sota ou dama) de ouros, áz de copas,cavalo de pau(s)e outros comentários patèticamente repetidos para seu gozo e divertimento, para além do jogo escondido debaixo da mesa.

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (5) – debate com operacionais da LUAR, BR e ARA-

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (5) – debate com operacionais da LUAR, BR e ARA-

Este debate surge na sequência (e como corolário) de uma série de quatro textos que aqui publiquei sob o título «Luta armada contra a ditadura». Nesses textos, sumarizei os movimentos mais relevantes verificados desde o 28 de Maio de 1926 até ao 25 de Abril de 1974. Numa descrição cronológica (e necessariamente incompleta) englobei os movimentos de natureza militar, os de iniciativa civil, e alguns em que ambas as componentes intervieram. Nos dois últimos textos, tentei sintetizar a acção de organizações clandestinas que, desde o final dos anos 60 e até à Revolução, desenvolveram uma série de acções de sabotagem que constituíram um elemento decisivo no desgaste de um regime fragilizado pela Guerra Colonial, pelas greves, pelas lutas estudantis e por um crescente descontentamento da população.

No arranque deste debate que ficará depois aberto a todos os leitores, vou entrevistar elementos das três organizações que até a 25 de Abril de 1974, moveram essa resistência armada – A LUAR, as BR e a ARA. São eles, por ordem alfabética, Carlos Antunes, comandante operacional das Brigadas Revolucionárias; Fernando Pereira Marques, elemento do comando da LUAR que tentou ocupar a cidade da Covilhã no Verão de 1968 e José Brandão, que integrou a ARA, a organização armada do Partido Comunista Português. Todos eles meus amigos de longa data. É uma conversa entre amigos, portanto, esta que transcrevo da gravação.
Antes de mais, as resenhas biograíficas dos três participantes:
Fernando Pereira Marques
Fernando Alberto Pereira Marques, nasceu em Coruche em 1948. Militante da LUAR, participou na tentativa de tomada da cidade da Covilhã, em Agosto de 1968, chefiada por Hermínio da Palma Inácio, na sequência da qual foi preso pela PIDE. É doutor de Estado em Sociologia pela Universidade de Amiens (França) e professor universitário. Foi dirigente nacional do Partido Socialista e deputado à Assembleia da República. É autor de diversos livros de ensaio e investigação entre os quais se destaca: «Exército e Sociedade em Portugal» (1989), «Do Que Falamos quando Falamos de Cultura» (1994), «Exército, Mudança e Modernização na Primeira Metade do Século XIX» (1999), «A Praia Sob a Calçada – Maio de 68 e a “Geração de 60”», (2005).
José Brandão
José Augusto de Jesus Brandão, nasceu em Lisboa em 1948. Operário metalúrgico, entre 1969 e 1971 esteve na guerra em Moçambique. Ligado à ARA a partir de 1972, participou em diversas operações de reconhecimento de objectivos. Esteve preso pela PIDE em 1973. Após a revolução de Abril, foi empregado na Carris e dirigente sindical. Militante do PS, foi membro da Comissão Nacional entre 1980 e 1988 e, entre 1985 e 1987, pertenceu à Comissão Política.
Historiador, especializado na violência armada no período contemporâneo, tem uma vasta obra publicada, da qual se salienta: «Sidónio – Ele Tornará Feito Qualquer Outro» (1.ª ed. 1983), «Carbonária – O Exército Secreto da República» (1.ª ed. 1984), «100 Anos por 1 Dia», (1987), «.A Noite Sangrenta» (1991),«Suicídios Famosos em Portugal» (2007); «Portugal Trágico – O Regicídio»,(2008), «Cronologia da Guerra Colonial» (2008) e «A Vida Dramática dos Reis de Portugal» ( 2008).
Carlos Antunes
Percurso político iniciado em 1955, no Porto, com a adesão ao Partido Comunista Português (PCP); em 1958, designado responsável pela organização clandestina do PCP na província do Minho; em 1959, passagem à clandestinidade, em Lisboa, tornando-se funcionário clandestino do Secretariado do Comité Central do PCP; em 1963, torna-se membro da direcção da Rádio Portugal Livre, instalada na Roménia. Permanece nesse país até 1966;no final de 1966, torna-se responsável pela organização do PCP no estrangeiro e instala-se clandestinamente em Paris. Álvaro Cunhal, Secretário-geral do PCP instala-se também em Paris, tentando os dois uma reorganização do partido. Em 1968, com o desaparecimento de Salazar e a chegada ao poder de Marcelo Caetano, acentuam-se as divergências entre Carlos Antunes e Álvaro Cunhal, o que dá origem a cisão por parte de Carlos Antunes.
Em 1969, cria-se um núcleo inicial que dará origem às Brigadas Revolucionárias e ao Partido Revolucionário do Proletariado. Regresso a Portugal numa situação de clandestinidade, tornando-se responsável pela criação e orientação das Brigadas Revolucionárias. Entre 1969 e 1974, foi líder das acções das Brigadas Revolucionárias. Em 1973, participa na criação do Partido Revolucionário do Proletariado. Em 1974 publica o «Dossier Brigadas Revolucionárias». Em 1977, foi acusado de autoria moral de várias acções armadas, assim como de movimentos e acções revolucionárias. Entre 1977 e 1982, permanece em prisão preventiva. Cerca de cinco anos após a libertação, é julgado e absolvido.
Organizador e conferencista do Seminário decorrido no Museu da República e Resistência, em Lisboa, sobre a luta armada em Portugal entre 1926 e 1974. Co-autor do livro «Ecosocialismo – Uma alternativa verde para a Europa», editado em vários países da Europa, em 1990.
«Mais do que uma ideologia comum, o que juntou à ARA um bom número de activistas operacionais foi o desejo de passar à acção directa».disse José Brandão, ex-operacional da ARA,
Carlos Loures (Aventar): O Partido Comunista Português, mesmo depois do XX Congresso do PCUS, em que muita coisa mudou nos PCs, considerava a luta armada como uma forma «aventureirista», «divisionista», «guevarista», «castrista», «blanquista», de enfrentar o regime. Que pressupostos ideológicos estavam por detrás da vossa luta das Brigadas, Carlos Antunes?
Carlos Antunes (Brigadas Revolucionárias): O Partido Comunista Português rectificou a linha política saída do V Congresso em que considerava a possibilidade da passagem ao socialismo por via pacifica, que era o resultado mecânico da colagem às teses do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Admitindo que só era possível derrubar o regime fascista português pela violência, começou-se então a falar na via insurreccional.
CL – E que efeitos teve essa decisão na prática?
CA – Pois, uma coisa é falar, outra muito diferente é praticar. Os anos foram passando e a prática neste domínio não aparecia. Houve uma fase de contestação desta situação por todos quantos aderiram ao marxismo-leninismo, digamos, ao maoísmo, mas que foi sol de pouca dura, porque sobre ele se abateu a repressão que os deixou durante anos completamente desorganizados. Entretanto, no interior do partido cada vez se exigia mais a necessidade de acções armadas, sobretudo de sabotagem à guerra colonial. É neste contexto que se dá a nossa cisão com o Partido Comunista e se começa a organizar as primeiras Brigadas Revolucionárias.
CL – Já desenvolveremos mais esse aspecto, Carlos. Fernando, qual era o suporte ideológico da LUAR?
Fernando Pereira Marques (LUAR) - Além do PCP, muitos outros acusaram a LUAR de vários “ismos” dado que, precisamente, a nova organização privilegiava o carácter antifascista, colocando-se fora de disputas teóricas estéreis sobre quem era a verdadeira “vanguarda da classe operária”. Isto não significou que, progressivamente, não se fosse definindo uma orientação claramente socialista não-dogmática e democrática, patente em vários documentos, no jornal “Fronteira” que se editou no estrangeiro e na acção desenvolvida, quer na emigração – em vários países – quer no interior do país, até criando pontes com meios, como o dos chamados “católicos progressistas”.
CL – Qual era, então, o tipo de militantes que a LUAR reuniu no princípio? Que experiência tinham da luta clandestina?
FPM – Estas mesmas razões levaram a que, entre as suas fileiras, não houvesse militantes com experiência de clandestinidade e de organização, como tinha por exemplo quem passara pelo PCP, e, por isso, muitos erros se cometeram e muitos projectos foram falhados. Mas tal não impediu que se tivesse marcado indelevelmente uma nova etapa na luta contra o Estado Novo, quer durante o salazarismo, quer na sua última fase marcelista.
CL – José Brandão, ponho-lhe a mesma questão que coloquei ao Carlos e ao Fernando, ainda que se suponha que os militantes da ARA, seguiam ideologicamente os princípios que norteavam o PCP…
José Brandão (ARA): - Bem, não foi bem assim. Porque, mais do que uma ideologia comum, o que juntou à ARA um bom número de activistas operacionais foi o desejo de passar à acção directa, particularmente por parte de militantes e simpatizantes com preparação e experiência militar na guerra colonial. Onde o PCP era especialmente ideologia, a ARA era sobretudo acção armada. Os actos de sabotagem que praticou não tinham, nem podiam ter, a ilusão de derrubar o regime, tão só de o corroer. Mas a ideologia estava subjacente.


aventar.eu

PORTUGAL AO ESPELHO Os congressos - sobretudo os do PSD - são sempre momentos de suspensão da realidade, encenações montadas para impressionar papalvos e "unir o partido", isto é, dramatizações auto-celebratórias e propagandísticas que contam com o deslumbramento acrítico do media, as televisões encabeçando o desfile mediático com horas e horas de discursos e de comentários que se limitam a repetir o que acabou de ser dito.

PORTUGAL AO ESPELHO Os congressos

PORTUGAL AO ESPELHO

Os congressos - sobretudo os do PSD - são sempre momentos de suspensão da realidade, encenações montadas para impressionar papalvos e "unir o partido", isto é, dramatizações auto-celebratórias e propagandísticas que contam com o deslumbramento acrítico do media, as televisões encabeçando o desfile mediático com horas e horas de discursos e de comentários que se limitam a repetir o que acabou de ser dito. Os partidos organizam estes fins-de-semana alucinatórios para fora, isto é, sabendo que as câmaras estão a registar o acontecimento. Os congressos mostram o instante em que os políticos mais afastados estão da verdade e da realidade, ainda que as encenem com toda a convicção e talento nas artes dramáticas. 
Neste campo, o da montagem da propaganda, este Governo tem sido imbatível. A máquina de manipulação montada pelo CDS e pelo PSD é fenomenal na sua dimensão - são dezenas de assessores e adjuntos no Governo, mais os manobradores dos partidos e as agências de comunicação - e de uma eficácia a toda a prova. Quase três anos de austeridade e de empobrecimento acelerado de milhões de portugueses depois, a verdade é que o Governo pode dar-se ao luxo de agitar a bandeira do sucesso sem que a opinião pública verdadeiramente questione o que está a ser feito. 
Os jornalistas e comentadores vão atrás do brilho das luzes. O congresso do PSD começou com um discurso errático de Passos Coelho que teve o mérito de trazer para o centro do comentário a questão da ideologia. Mas é evidente que o PSD não é, nem nunca foi, um partido que perdesse muito tempo com questões ideológicas - ao contrário do que afirma Pacheco Pereira. Mais do que ser um partido que conjuga várias correntes ideológicas, o PSD é um partido dos interesses, puramente pragmático. A ideologia serve apenas os líderes na medida em que pode ser instrumento de combate partidário antes de se alçarem ao poder. Lá chegados, essa ideologia é rapidamente esquecida e passa a contar o que verdadeiramente interessa: a distribuição de lugares a boys do partido, desde os ministérios até aos organismos públicos, passando pelas empresas públicas e outras dependentes do Estado. Neste Governo tem sido bastante evidente este processo de parasitismo dos lugares no Estado. A maioria dos delegados presentes no Congresso está ali para agradecer a Passos Coelho o que este fez por eles. E contam com Passos, sabendo que, neste momento, ele é a maior garantia de que o PSD se manterá no poder, distribuindo lugares e prebendas. A ida de Marcelo Rebelo de Sousa representou o cúmulo desta visão pragmática da política. Ninguém acredita que ele tenha decidido aparecer por se ter emociando ao ver o acontecimento nas TV's. Ele foi ao Congresso porque quer ser Presidente da República, e o Congresso foi o lugar e altura certos para marcar posição junto das bases, sabendo que Passos Coelho não contava com ele para a candidatura. Marcelo, Marques Mendes, Morais Sarmento, Santana Lopes, podem semanalmente criticar o Governo, mas quando toca a reunir, quando chegamos a eleições e começa a ser premente a perpetuação no poder, eles dizem presente. As excepções - Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio - acabam por ser cilindradas pelo Congresso e também pelos media - os comentadores são bastante mais críticos em relação a quem preserva a sua independência e coerência do que em relação aos oportunistas pragmáticos, os cata-ventos que aparecem apenas em função do seu próprio interesse.
O PSD não é um partido neoliberal, é verdade. Mas também não é social-democrata. É uma amálgama de interesses, um caldeirão de autarcas e de militantes de base que dependem do favor do líder para continuarem a fazer a sua vidinha. O PSD é o partido de Miguel Relvas, que voltou rapidamente pela mão de Passos Coelho para dirigir a agremiação nos próximos desafios eleitorais. O PSD é o partido que, ao mesmo tempo que mantém como militantes Dias Loureiro e Oliveira e Costa, expulsa críticos e ameaça expulsar outros por delito de opinião - como sugeriu ontem Santana Lopes, falando de Pacheco Pereira. É o partido do BPN e da Tecnoforma, de Arnaut e dos milhares de boys que pululam nos ministérios. Podem mudar os líderes, mas a essência permanece inalterada. E é o partido dos portugueses, como não se cansam de afirmar. Os portugueses que aceitam a corrupção e o jogo de interesses passivamente, sem grandes ondas. Um partido que é o espelho dos nossos piores defeitos. 


por Sérgio Lavos

ATENÇÃO ! ADULTOS - O GOLO É VÁLIDO OU NÃO !?

video

O diário de Tanya, as lembranças da guerra Volta e meia assuntos que envolvem conflitos armados fazem parte das páginas do Noite Sinistra, especialmente os que se referem a Segunda Guerra Mundial. O texto de hoje é mais um desses textos, porém ao contrario da maioria deles, que relatam alguma atrocidade ou massacres, o texto de hoje é basicamente triste e comovente. Tatyana Sávicheva, cujo apelido era Tanya, foi uma jovem de 14 anos que relatou em seu diário o desaparecimento de seus familiares durante Cerco a Leningrado, que foi uma das mais sangrentas batalhas terrestres da Segunda Guerra Mundial.

O diário de Tanya, as lembranças da guerra



Volta e meia assuntos que envolvem conflitos armados fazem parte das páginas do Noite Sinistra, especialmente os que se referem a Segunda Guerra Mundial. O texto de hoje é mais um desses textos, porém ao contrario da maioria deles, que relatam alguma atrocidade ou massacres, o texto de hoje é basicamente triste e comovente. Tatyana Sávicheva, cujo apelido era Tanya, foi uma jovem de 14 anos que relatou em seu diário o desaparecimento de seus familiares durante Cerco a Leningrado, que foi uma das mais sangrentas batalhas terrestres da Segunda Guerra Mundial.


Em uma velha agenda Tanya ia apontando com simplicidade, a data e hora da morte de pais e irmãos até ficar completamente sozinha. Se Anne Frank comoveu o mundo com o drama, e a qualidade, de seus textos, Tanya o fez simplesmente pela integridade de um gesto que foi utilizado mais tarde como prova nos julgamentos de Nuremberg.


Tradução das 9 folhas do diário:

  • Zhenia morreu em 28 de dezembro de 1941, às 12:30.
  • A vovó morreu em 25 de janeiro de 1942, às 15:00.
  • Leka morreu em 17 de março de 1942, às 5:00.
  • O tio Vasia morreu em 13 de abril de 1942, às 2:00.
  • O tio Lesha em 10 de maio de 1942 às 16:00.
  • A mamãe em 13 de maio de 1942 as 7:30.
  • Os Sávichev morreram.
  • Morreram todos.
  • Só restou Tanya.

O Cerco a Leningrado

O Cerco de Leningrado obrigou todas as famílias pobres da cidade a trabalhar no exército da União Soviética para poder sobreviver. Tanya, com apenas 10 anos, se encarregava de cavar trincheiras, construir barricadas e permanecer na espreita em telhados e coberturas para desarmar as bombas incendiarias lancadas pelos aviões germânicos.


O bloqueio da cidade pelas tropas alemãs durou 872 dias (1941-1944) durante os quais morreram mais de um milhão de pessoas. Dessas mortes 90% ocorreram por causa da fome. As pessoas não rezavam para viver, suplicavam para morrer rápido em algum dos ataques aéreos da Luftwaffe. A morte rondava a rua misturada com o esgotamento em massa de uma cidade derrotada fisicamente. Os cadáveres eram despojados dos dentes de valor (na época eram comuns os dentes de ouro), seus dedos cortados pelas alianças e até mutilados para justificar um canibalismo de urgência. São tristemente famosas as sopas de pele que alimentaram as crianças esfomeadas 


Tudo isso é história. História contada pelos protagonistas através de seus diários. Documentos que serviram para dar uma oportunidade fiel à memória. Não era anormal presentear os filhos com um caderno para apontar suas lembranças. O que era uma espécie de brincadeira, mais tarde se converteu em uma prova da história. O problema é que a maioria de livros e papéis foram jogados em estufas e fogueiras para poder sobreviver ao duro inverno do cerco nazista. Só os caprichos de alguma criança podiam salvar aqueles preciosos tesouros. Assim ocorreu com os Sávichev.


Depois do desaparecimento de uma das irmãs de Tatyana, sua mãe - Mariya Ignátievna - deu a jovem garota uma pequena agenda para honrar sua memória. Tatyana mal sabia escrever, mas utilizou-a da maneira que pode.

Tatyana "Tanya" Sávicheva e alguns parentes

O conteúdo do diário

1) Zhenia morreu em 28 de dezembro de 1941, às 12:30.
O primeiro registro do diário de Tatyana é de 28 de setembro de 1941. Sua irmã Zhenia não voltou no dia anterior da fábrica onde montava minas para o exército. Estava a sete quilômetros a pé de sua casa e tinha comentado que após seus dois turnos ia doar sangue em troca de alguns centavos. Morreu congelada na manhã seguinte nos braços de sua irmã Nania, que foi procurá-la.

No enterro improvisado de Zhenia, muito próximo do cemitério de Serafímovskoe, a mãe pronunciou algumas palavras que seriam reveladoras:

- "Nós estamos te enterrando, minha filha querida, mas quem nos enterrará?"

2) A vovó morreu em 25 de janeiro de 1942, às 15:00.
Dois dias após o aniversário de Tatyana, em 1942, os mais fracos começaram a cair. A avó faleceu na cama depois de negar-se a ir para o hospital. Um inferno de frio, desamparo e solidão.

3) Leka morreu em 17 de março de 1942, às 5:00.
Leka, o irmão mais velho de Tatyana, não parava em casa, trabalhava e pernoitava em sua fábrica e visitava a sua família só de vez em quando. Uma distrofia causada por uma penosa alimentação acabou com sua vida aos 24 anos.

4) O tio Vasia morreu em 13 de abril de 1942, às 2:00.
A letra de Tatyana torna-se cada vez mais trêmula e desigual apontando uma debilidade física e perda de habilidade, propiciada pela fome, segundo se compara os seus escritos.

5) O tio Lesha em 10 de maio de 1942 às 16:00.
Com a morte de Vasia, a piora de sua coordenação é notória. Tatyana, sozinha, cuida da mãe e seu tio Lesha, muito debilitados pela inanição. Ela desmonta e quebra todos os móveis das duas casas para queimar na estufa até o final do inverno. Com a nota do falecimento de seu tio, Tatyana já omite a palavra "morrer" e passa simplesmente a apontar seu decesso.

6) A mamãe em 13 de maio de 1942 as 7.30.
Tão só restavam sua mãe e ela a graça do tempo. Parece que o caprichoso destino quis que Mariya fosse primeiro para que Tatyana pudesse escrever sua última anotação necrológica.

7) Os Sávichev morreram.
Tatyana foi testemunha do cruel e lento desaparecimento de toda sua família e ficou completamente sozinha. Não sabia que seus irmãos Mijail e Nina, dados por mortos em sua fuga, sobreviveram ao cerco e mais tarde se encarregariam de difundir sua memória. Por isso Tatyana, antes de ser levada para uma creche infantil, escreveu os únicos silogismos de seu breviário.

Mijail e Nina
8) Morreram todos.
A última de suas notas é uma declaração muito cruel de solidão. Entre a vitória de quem chega ao final e a melancolia de sua desgraça permite intuir que Tatyana pressentia o pior. Mas ainda teve força mental para concretizar os fatos e, provavelmente, assinar seu destino.

9) Só restou Tanya.
Tatyana foi resgatada junto com outros 140 crianças em agosto de 1942. Desnutridos e doentes foram levados para um hospital no povoado vizinho de Krasni Bor. Todos conseguiram sobreviver e se recuperar. Todos menos Tatyana que, após perder a visão sem superar o custo de sua desnutrição, morreu de tuberculose intestinal em primeiro de julho de 1944, aos 14 anos de idade.

O diário de sessenta palavras nunca foi publicado e seu original pode ser visto atualmente no Museu de História de Leningrado, e uma cópia no Memorial Tanya Sávicheva.

www.noitesinistra.blogspot.com.br

POLÍTICOS SEM PALAVRA Muitas vezes dizemos que os portugueses são culpados pelas escolhas que fazem quando são chamados a votar, e se isso parece ser verdade, também é verdade que a palavra dos políticos muitas vezes não corresponde aos seus actos.

POLÍTICOS SEM PALAVRA

Muitas vezes dizemos que os portugueses são culpados pelas escolhas que fazem quando são chamados a votar, e se isso parece ser verdade, também é verdade que a palavra dos políticos muitas vezes não corresponde aos seus actos.

Estarão todos lembrados das palavras de Passos Coelho antes das eleições que o levaram ao poder, quanto aos subsídios dos funcionários públicos, aos seus salários, e quanto aos impostos, tudo exactamente ao contrário do que depois veio a fazer.

Depois de ser eleito, o governo fez cortes em salários e pensões garantindo que eram medidas extraordinárias e irrepetíveis, fugindo assim ao chumbo lógico do Tribunal Constitucional, mas não só repetiu o irrepetível como até agravou alguns cortes, preparando-se agora para os tornar em medidas permanentes, mandando para as urtigas os pareceres e recomendações do TC.

Se há algo que terá que mudar na vida política deste país, será certamente a criação de instrumentos penalizadores dos governantes que se comprometem com um determinado programa e depois não o seguem. A política não pode ser um exercício de mentiras e fingimentos sem consequências.


A indiferença e a descrença dos cidadãos pela política nacional resulta da falta de princípios de muita gente que passa pela política sem qualquer preocupação ética e sem sentido de serviço público, que descredibiliza toda a classe. Só é respeitado quem se dá ao respeito e infelizmente muita gente que passou pelos governos não merece qualquer respeito por parte dos cidadãos.  


Jean Limbourg

Botticelli



pinderico.blogspot.pt

MARCO ANTÓNIO O ESTRATEGA DO CONGRESSO LARANJA - Marco António Costa Relvas "faz parte da história", Marcelo pode ser "o que quiser" O coordenador da comissão política do PSD, Marco António Costa, disse hoje que Miguel Relvas, que encabeçará a lista da direção ao Conselho Nacional, "faz parte da historia do partido" e poderá dar o seu contributo neste órgão para a vida e estratégia dos sociais-democratas.

Marco António Costa 


Relvas "faz parte da história", Marcelo pode ser "o que quiser"

O coordenador da comissão política do PSD, Marco António Costa, disse hoje que Miguel Relvas, que encabeçará a lista da direção ao Conselho Nacional, "faz parte da historia do partido" e poderá dar o seu contributo neste órgão para a vida e estratégia dos sociais-democratas.
PAÍS
Relvas faz parte da história, Marcelo pode ser o que quiser
Lusa
Em declarações à comunicação social à entrada para o último dia do XXXV Congresso do PSD, Marco António foi também questionado sobre a possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa, que no sábado fez uma intervenção que arrebatou o Congresso, poder ser o candidato apoiado pelo partido a Belém: "Julgo que ele poderá ser tudo aquilo que quiser".

"O dr. Miguel Relvas foi um militante que esteve sempre empenhado no trabalho do partido, é um militante que tem a sua condição perante o partido plenamente regularizada, é um militante como todos os outros que também quer dar o seu contributo e aquilo que nós esperamos é que ele possa no Conselho Nacional contribuir com a sua opinião", disse.
Questionado se o regresso de Miguel Relvas - que se demitiu há um ano do Governo depois de várias polémicas - aos órgãos nacionais do partido está a causar polémica, Marco António preferiu destacar as qualidades do ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares.

Perante a insistência dos jornalistas, Marco António sublinhou que Relvas "contribuiu para o percurso que o partido fez nos últimos anos e também faz parte da nossa história", preferindo destacar o papel que os ex-líderes desempenharam neste Congresso.
"Julgo que assistimos a um momento inédito na história do nosso partido com a presença de tantos ex-líderes, uns a usarem da palavra outros não, mas acima de tudo a darem uma imagem ao país de que este partido não sendo de unanimismos é um partido coeso", realçou.
Sobre a possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa poder vir a ser o candidato presidencial do partido - depois de a moção do líder Pedro Passos Coelho ter traçado um perfil que o comentador político e ex-líder entendeu que o excluía - Marco António preferiu expressar a sua "grande admiração pessoal" por "uma figura incontornável".
"É uma personalidade incontornável da nossa sociedade, julgo que ele poderá ser tudo aquilo que quiser. Os partidos não fazem escolhas, o que há são manifestação de vontade individual dos cidadãos", sublinhou.

COMO NÃO PODERIA DEIXAR DE SER PORTUGAL APOIA O EXTREMISMO DE DIREITA E A CORRUPTA LULIA TIMOCHENKO

PesquisaUcrânia: Portugal aplaude libertação de Timochenko e pede "espírito de diálogo"



O Presidente e a oposição haviam assinado na sexta-feira um acordo para pôr fim à crise que durava há três meses e que se agravou nos últimos dias
O Governo português congratulou-se hoje com a libertação da líder da oposição ucraniana, Iulia Timochenko, e apelou ao "espírito de diálogo e reconciliação nacional" na Ucrânia.
"O Governo Português congratula-se com a libertação de Iulia Timochenko e espera que os passos que estão a ser dados na Ucrânia sejam consubstanciados na afirmação da democracia do Estado de Direito", escreve o ministério liderado por Rui Machete, num comunicado enviado à comunicação social.
A nota acrescenta que, face à preocupação que suscita o clima de incerteza que se continua a verificar, mais do que nunca deve imperar o espírito de diálogo e reconciliação nacional, fazendo prevalecer a justiça e o regresso a um quadro de segurança e estabilidade".
Iulia Timochenko foi libertada no sábado por decisão do parlamento da Ucrânia, do qual os partidos da oposição tomaram o controlo este fim de semana, depois de numerosos deputados da coligação governamental abandonarem os seus partidos e mudarem de lado.
Timochenko fora condenada a sete anos de prisão por abuso de poder em 2011, cerca de um ano depois da eleição do Presidente Viktor Ianukovich, de quem era a principal adversária política.
Momentos antes da libertação da figura emblemática da Revolução Laranja pró-ocidental de 2004, o parlamento ucraniano destituiu o Presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovich, por "abandono das suas funções constitucionais" e convocou eleições presidenciais antecipadas para o dia 25 de maio.
Anteriormente, Ianukovich disse não ter intenção de se demitir nem de abandonar o país, tendo classificado de "ilegítimas" as recentes leis aprovadas pelo parlamento ucraniano, nas quais se inclui a decisão de libertar Iulia Timochenko.
O Presidente e a oposição haviam assinado na sexta-feira um acordo para pôr fim à crise que durava há três meses e que se agravou nos últimos dias.
O acordo previa a antecipação das eleições presidenciais, a formação de um Governo de coligação e uma reforma constitucional.
A crise política na Ucrânia iniciou-se há três meses, depois de Ianukovitch suspender os preparativos para um acordo com a União Europeia, e agravou-se em finais de janeiro, quando se registaram as primeiras mortes, com a aprovação de leis limitando a liberdade de manifestação.
O balanço oficial da violência dos últimos dias em Kiev é de cerca de 80 mortos, embora a oposição fale em mais de 100.

VEJA AQUI UM TORNADO E UMA TEMPESTADE EM MOVIMENTO









earthspacecircle.blogspot.pt

IMAGENS PARTE III DOS CONFLITOS NA UCRANIA



2
Manifestantes anti-governo acender tochas e dispositivos móveis durante um comício no centro de Praça da Independência, em Kiev, em 21 de fevereiro de 2014. (Reuters / Baz Ratner) # 
3
Pessoas choram perto de um caixão com o corpo de um homem, que foi morto em confrontos recentes entre manifestantes anti-governamentais, membros do Ministério do Interior e policiais, durante uma cerimônia fúnebre em Kiev, em 22 de fevereiro de 2014.(Reuters / Baz Ratner) # 
5
Uma mulher coloca flores e velas em uma barricada em memória de manifestantes anti-governo mortos em confrontos recentes no centro de Kiev, em 22 de fevereiro de 2014. (Reuters / Vasily Fedosenko) # 
6
Um suposto atirador (centro) e membro das forças pró-governo é espancado por manifestantes anti-governo em Kiev, em 22 de fevereiro de 2014. (Bulent Kilic / AFP / Getty Images) # 
7
Um suposto atirador é espancado por manifestantes anti-governo em Kiev, em 22 de fevereiro de 2014.(Bulent Kilic / AFP / Getty Images) # 
8
Um homem (centro) suspeito de ser um franco-atirador e membro das forças pró-governo é forçado por manifestantes anti-governo para pagar seus respeitos em um memorial para vítimas mortas nos recentes confrontos em Kiev, em 22 de fevereiro de 2014.( Bulent Kilic / AFP / Getty Images) # 
9
Um manifestante anti-governo novo olha através de um escudo na Câmara Municipal, no centro de Kiev, em 21 de fevereiro de 2014.(Piero Quaranta / AFP / Getty Images) # 
Manifestantes anti-governo atacar um deputado do Partido das Regiões Vitaly Grushevsky (centro) em frente ao prédio do Parlamento ucraniano, em Kiev, em 22 de fevereiro de 2014. (Reuters / Vasily Fedosenko) # 
Um membro da unidade anti-motim Berkut faz o sinal da vitória enquanto tropas se preparam para deixar seus quartéis em Kiev 22 de fevereiro de 2014. Os chefes de quatro corpos de segurança ucranianos, incluindo Berkut unidades anti-motim da polícia, apareceu no parlamento no sábado e declarou que não iria tomar parte em qualquer conflito com o povo. (Reuters / Yannis Behrakis) # 
O corpo de um manifestante anti-governo mortos em confrontos com a polícia é realizada por manifestantes através Praça da Independência, em Kiev, em 21 de fevereiro de 2014. (AP Photo / Marko Drobnjakovic) # 
Manifestantes anti-governo permanecem na praça da Independência, em 22 de fevereiro de 2014. (Jeff J Mitchell / Getty Images) # 
O líder da oposição ucraniana Yulia Tymoshenko (esquerda) abraça sua filha Yevgenia à chegada ao aeroporto de Kiev, em 22 de fevereiro de 2014. Tymoshenko foi libertado no sábado, durante a queda dramática de seu arqui-inimigo, Viktor Yanukovich, a criação de uma possível candidatura à presidência em maio. (Reuters / Maks Levin) # 
O líder da oposição ucraniana Yulia Tymoshenko fala à imprensa sobre a sua chegada no aeroporto de Kiev, em 22 de fevereiro de 2014.Tymoshenko foi libertado no sábado do hospital onde ela havia sido mantida sob guarda da prisão para a maior parte do tempo desde que foi condenado em 2011. O ex-primeiro-ministro, um rival do presidente Viktor Yanukovich, acenou para os adeptos de um carro como ela foi expulsa do hospital na cidade nordestina se Kharkiv, um fotógrafo da Reuters disse. Tymoshenko, de 53 anos, foi preso em 2011 por abuso de poder sobre um acordo de gás com a Rússia, mas seus partidários e líderes ocidentais dizem que seu julgamento foi politicamente motivado. (Reuters / Vasily Fedosenko) #