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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

HUMOR - ESTE MAGNÍFICO ÓLEO SOBRE TELA....

HUMOR

ÚLTIMA HORA: este magnifico óleo sobre tela (ou será pastel?), intitulado “BPN”, uma das principais obras de Kavako, corre o risco de ser leiloado hoje pela Christie’s.

O Ministério Público pediu suspensão da venda em Londres, já ouviu testemunhas e a decisão do tribunal é conhecida nas próximas horas.

O autor, que diz gostar de Miró como pintor, e de Cristiano Ronaldo como jogador de futebol, pintou este quadro que afirma ser impressionista, já que tem a impressão de nunca ter conhecido os retratados. 


cris-sheandbobbymcgee.blogspot.pt

A ignorância dos nossos universitários A SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos em Lisboa - Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da 'Casa dos Segredos', que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa.com as respostas mais curiosas.

A ignorância dos nossos universitários

A SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos em Lisboa 



 A ignorância dos nossos universitários (NOVA VERSÃO ALARGADA)
VER O VÍDEO AQUI: http://www.sabado.pt//Multimedia/Videos/Vox-Pop/VoxPop--A-ignorancia-dos-nossos-universitarios.aspx?id=411304

Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da 'Casa dos Segredos', que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa. Veja o vídeo do Vox Pop com as respostas mais curiosas.

Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma. A partir daí, é sempre a cair.

Não sabe quem escreveu 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo', quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.

“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.

– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo'?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).

E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.

Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.

– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...

Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.

Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo DiCaprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show 'Casa dos Segredos 2', autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.

Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.

Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.

Tal como Cátia, da 'Casa dos Segredos 2', Daniela Rosário, de 20 anos, a frequentar o 1.º ano de Geografia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, entusiasma-se quando sabe que há uma câmara de filmar (pode ver algumas das respostas no site da SÁBADO). É a única em 100 entrevistados que não teme ver registados os seus disparates. Mas as coisas começam a correr mal assim que se fala em Capela Sistina: “É melhor nem pensar, nunca me dei bem com História.” Cinema também não é o seu forte. Questionada sobre quem protagonizou o filme 'O Padrinho', só se lembra de John. Já seria mau. Mas agrava-se: “É John qualquer coisa. John... Johnny English!”, diz, a rir-se.

Se Francis Ford Coppola tivesse convidado Rowan Atkinson, o famoso Mr. Bean e protagonista de Johnny English, para interpretar Don Vito Corleone na sua obra--prima de 1972, teria hoje um filme sobre a máfia italiana representado em mímica e com os diálogos resumidos a grunhidos. Ou uma película de acção descontrolada com Keanu Reeves ou Tom Cruise, como respondeu Soraia Correia, 19 anos, do 1.º ano de Psicologia do ISPA.

Ao longo de 100 entrevistas, conclui-se que as aparências iludem e as ideias preconcebidas também: as miúdas de óculos não são mais cultas do que os rapazes de aspecto alternativo, e a cultura geral de futuros engenheiros ou médicos não é mais escassa do que a de potenciais advogados, linguistas ou psicólogos. No fundo, os conhecimentos são idênticos.

Uma aluna do 2.º ano da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, carregada de dossiês, não hesita em responder. Mas, minutos depois de ter terminado o questionário, volta atrás e exige que o seu nome não apareça na SÁBADO e que as suas fotografias sejam apagadas. Tem motivos para isso: não sabe o que é “a Capela Sistina nem o tecto”, nem quem é Maria João Pires; acha que Nova Iorque é a capital dos Estados Unidos; e dá um apelido alentejano à chanceler alemã: “Ai! Eu sei essa, eu sei essa. É qualquer coisa Mércola, Mértola, Mércola. O primeiro nome não sei.”

À porta desta faculdade, no Campo Mártires da Pátria, passa Alexander Weber, estudante alemão de Erasmus na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Depois de vários alunos terem respondido à pergunta “Quando se deu a revolução do 25 de Abril?” com os anos de 1973 e 1975, arriscamos perguntar o mesmo a um estrangeiro, que acerta logo nesta pergunta e em mais cinco.

Esta questão teve aquela que poderia receber o prémio da desculpa mais esfarrapada. António Lopes, no 2.º ano de Economia e Gestão da Universidade Católica, diz logo que não sabe em que ano foi o 25 de Abril. E justifica: “Estudei 15 anos numa escola inglesa.” Mas o facto é que vive em Portugal há 19 anos e não tem sequer ideia da década em que se registou um dos acontecimentos mais marcantes da História recente do país.

Pedro João, 30 anos, aluno do curso de Contabilidade e Auditoria, o mais velho a ser inquirido, alcança o recorde de respostas erradas: oito em 10. Só sabe o símbolo químico da água e quem é o Presidente dos Estados Unidos. Para este estudante, LOL, a sigla de laughing out loud, ou laugh out loud, que todos usam em conversas de mensagens instantâneas ou em SMS, significa “brincadeira”. Mas dá respostas piores:

– Quem é o presidente da Comissão Europeia?
– A francesa? Penso que é belga, a senhora...

Joana Costa, no 4.º ano de Psicologia Social, tem 25 anos. Responde a tudo com simpatia. Mas o inquérito corre-lhe pior do que a muitos alunos de 18 anos. Sobre quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo: “Gabriel García? Não... Tem a ver com a Bíblia. Eu não sou católica, sou ateia.” Quando informada sobre a resposta correcta, revela surpresa total: “Não foi o Saramago! Não foi, pois não?”

Já outra entrevista decorre e ainda Joana continua perto da equipa da SÁBADO a justificar-se: “Eh pá! Que horror! E eu que li quase tudo do Saramago. Li o Ricardo Reis... Pronto, pá, foi terrível.” Corada, continua a tentar explicar porque é que, no nome da chanceler alemã, não conseguiu passar de uma marca de chocolate: “Mars... Mars... Mars qualquer coisa.”

Só por uma vez a SÁBADO conseguiu antecipar que o teste ia correr bem: Miguel Borges, 21 anos, estudante de Psicologia, foi o único que questionou por que raio andava a SÁBADO a testar universitários. “Qual é o objectivo? É para dizerem que os estudantes são todos burros?”

Acertou em todas as perguntas e ainda indagou, com ar de entendido, não fosse haver rasteira: “Quem pintou a Mona Lisa? Ou quem pintou a Gioconda?” É a mesma coisa. Pena não haver pontos para premiar conhecimentos extra.

Igualmente bom foi o desempenho de Luís Pestana, 20 anos, no 2.º ano do mestrado de Relações Internacionais da Universidade Católica. As respostas fluíram--lhe com rapidez e em segundos passou com distinção no teste. Ele e Miguel fazem parte de um grupo de cinco alunos que acertaram em todas as respostas.

Depois, há aquelas questões que se acreditou que todos iriam responder correctamente, mas apareceu alguém que arruinou a percentagem. Miguel, 25 anos, no 3.º ano de Design, quando questionado sobre o nome do homem mais poderoso do mundo, foi peremptório: “É o Bush!”

Aos estudantes, nunca faltaram pistas. Ainda sobre Marlon Brando (a quem alguns chamaram Orlando e Al Capone), a SÁBADO chegou a propor um sinónimo para o apelido: “Ameno.” Não adiantou.

Nenhuma pergunta obteve respostas tão divertidas como a que tenta encontrar o autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo. “Ui, perguntas religiosas é que não dá, embora eu tenha estudado no Sagrado Coração de Maria e no São João de Brito”, tentou Francisco Neto, 19 anos, no 2.º ano de Economia da Universidade Católica.

Teresa Pereira, aluna do 3.º ano de Direito da mesma universidade, responde: “Calma, então temos o São João, São Marcos, São Lucas e São Mateus, agora dos quatro… Foi o São João!”

Inesperada foi também a resposta de Rita Silva, 21 anos, aluna do 3.º ano de Direito da Universidade Católica quando inquirida sobre “quem é o fundador da Microsoft”.

– É o senhor que morreu há pouco tempo... o Gill Bates.


Por André Barbosa Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta eBruno Vaz
conversacomleitores.blogspot.pt

UTAO: CES afectará mais de 500 mil pensionistas Reformulação da contribuição implica que mais 165,5 mil pensionistas verão a sua pensão cortada, elevando o número total de abrangidos para 506 mil, revela a UTAO. A Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) irá afectar 506 mil pensionistas da Segurança Social e da CGA, revela a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) na sua análise final ao orçamento rectificativo que foi aprovado esta quarta-feira, 5 de Fevereiro

UTAO: CES afectará mais
 de 500 mil pensionistas

Reformulação da contribuição implica que mais 165,5 mil pensionistas verão a sua pensão cortada, elevando o número total de abrangidos para 506 mil, revela a UTAO.
A Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) irá afectar 506 mil pensionistas da Segurança Social e da CGA, revela a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) na sua análise final ao orçamento rectificativo que foi aprovado esta quarta-feira, 5 de Fevereiro, na especialidade no Parlamento. As alterações introduzidas no documento orçamental significam que mais 165,5 mil pensionistas verão a sua pensão cortada face aos 340 mil que já seriam afectados pela formulação da CES que estava inscrita no orçamento inicial.

“Com a reformulação prevista no OER/2014, a CES passou a abranger 165.497 novo pensionistas que anteriormente se encontravam isentos”, escreve a UTAO, que continua: “Segundo a informação disponibilizada pelo Ministério das Finanças, a reformulação da CES, para rendimentos a partir dos 1.000 euros, conduziu a que o número de abrangidos por esta medida ascendesse a 505.816 pensionistas e reformados”.


A principal alteração no orçamento rectificativo foi o alargamento da abrangência da CES para passar a incluir os rendimentos entre 1.000 e 1.350 euros brutos, que passarão agora a pagar uma taxa de 3,5%.



Os impactos diferem entre Segurança Social e da CGA. No primeiro caso o número de afectados pela CES aumenta em 85,6 mil para 198,6 mil pensionistas. Já na CGA passam a ser afectados cerca de 307 mil pensionistas, mais 79,8 mil do que estava previsto na configuração inicial da medida para 2014, escreve a UTAO. 


Do total de 505,8 mil “cerca de 198.635 são pensionistas da segurança social, o que representa mais 85.635 pensionistas e reformados que os inicialmente afectados por esta medida. Relativamente à CES que é receita da CGA, esta abrange cerca de 307.181 pensionistas e reformados, mais 79.862 que o número previsto no âmbito do OE/2014 inicial”, lê-se no documento.
Primeiros dois escalões de rendimentos pagam o grosso da CES
Segundo a UTAO, os dois primeiros escalões de rendimentos (entre 1.000 e 1.800 euros e entre 1.800 e 3.750 euros) dá o maior contributo para o total de receita esperada com a medida (um valor que está estimado em 856 milhões de euros), o que resultada da maior concentração de pensionistas com rendimentos até os 3.750 euros brutos.


“Verifica-se uma elevada concentração [de pensionistas] no primeiro intervalo, com um rendimento entre 1.000 e 1.800 euros, o qual inclui cerca de 51,3% e 70,5% do total dos pensionistas cuja contribuição é receita da CGA e da segurança social, respectivamente”, começa por analisar a UTAO, que olha depois para a distribuição em termos de contributo para a receita total: os dois primeiros escalões explicam a quase totalidade do encaixe financeiro da CES.



“Cerca de 82,1% da receita da CES que reverte a favor da CGA concentra-se nos dois primeiros intervalos (…) com particular ênfase para as pensões situadas no intervalo entre os 1800 e os 3750 euros de rendimento mensal, responsáveis por 64,6% do total”, lê-se na nota. Relativamente à Segurança Social, onde os rendimentos médios são mais baixos, “os dois primeiros intervalos são responsáveis por cerca de 77,5% da CES arrecadada”, sendo que 36,6% dizem respeito ao intervalo de rendimento entre 1000 e 1800 euros e 40,9% ao escalão entre 1800 euros e 3750 euros.



CES média dos funcionários públicos é de 106 euros mensais

Os rendimentos médios mais altos dos pensionistas da função pública explicam que paguem também um valor médio de CES mais elevado, calcula ainda a UTAO. “A Contribuição Extraordinária de Solidariedade média, destinada à CGA, é de 106 euros por pensionista, cerca de 30 euros superior à da segurança social (76 euros)”, analisam os técnicos parlamentares, explicando que “a maior diferença ocorre para o intervalo de pensões superior a 7126,7 euros, verificando-se uma contribuição média de 2119 euros no caso dos pensionistas da CGA e de 1303 euros no caso dos aposentados da segurança social”.

* Pondere nas aldrabices que o governo apregoa.


apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

UMA INTERESSANTE REFLEXÃO SOBRE A SITUAÇÃO POLÍTICA DO NOSSO PAÍS -HÁ UMA ALTERNATIVA À ESQUERDA? Nude with calla lilies, de Diego Rivera Nude with Calla Lilies, de Diego Rivera O velho debate sobre a união das Esquerdas está de regresso na sequência dos efeitos devastadores da austeridade e do paulatino desmantelamento do modelo social construído após o 25 de Abril – o resultado da conjugação das maiorias da Direita com o “memorando de entendimento” com a tróica.



HÁ UMA ALTERNATIVA À ESQUERDA?


Nude with calla lilies, de Diego Rivera
Nude with Calla Lilies, de Diego Rivera
O velho debate sobre a união das Esquerdas está de regresso na sequência dos efeitos devastadores da austeridade e do paulatino desmantelamento do modelo social construído após o 25 de Abril – o resultado da conjugação das maiorias da Direita com o “memorando de entendimento” com a tróica.
Repetindo reflexos condicionados que vem pelo menos desde 1976, as esquerdas partidárias tem atravessado o período do “ajustamento” sem esboçarem aquilo porque anseiam muitos dos que se reconhecem na Esquerda e nos seus partidos – a criação de uma alternativa política consistente, susceptivel de defender com eficácia um país mais justo e equilibrado.
Assobiando para ar
A inércia parece vir fazendo o seu caminho. Apesar de todos os ataques soezes ao Portugal de Abril e àquelas que são as próprias bandeiras dessas Esquerdas: o aviltamento da escola pública, a degradação do serviço nacional de saúde e da segurança social, assim rasgando contratos há muito estabelecidos com os cidadãos; desregulamentando as relações laborais em proveito do factor capital e liquidando a contratação coletiva; privatizando e vendendo ao desbarato empresas estratégicas para o interesse do público.
Malgrado o Portugal que protesta nas ruas em manifestações massivas que reúnem gente de todos as condições e sectores, as Esquerdas tem-se revelado incapazes de, pragmaticamente, se constituírem como uma alternativa que possa catalisar o sufrágio dos eleitores. Disso dão conta os também relativamente débeis ou mesmo contraditórios sinais que nos chegam das sondagens.
Chegados que sejamos às eleições legislativas de 2015 (ou antes) teremos provavelmente essas Esquerdas pouco ou nada mais fortalecidas do que estão no presente. Com o jogo político a regressar à velha e conhecida casa de partida – o PS no poder.
As Esquerdas e o PS
O Partido Socialista é, em Portugal, como na maior parte da Europa, um partido centrista fortemente condicionado pelos poderes dominantes na União Europeia. A sua família política é, aliás, corresponsável pelo estado a que as coisas chegaram. E em matéria de governação o PS rapidamente se alia à Direita – tem sido essa a sua história.
Quando e se chegar ao poder, o partido socialista será confrontado com mudanças profundas: o degradado ou mesmo desmantelado Estado Social, o Portugal empobrecido da mão-de-obra barata e com classes médias a definhar. Com um forte desiquilíbrio social, penalizador de quem trabalha. E não será esse PS que fará muito diferente do que se tem visto. Seja por si só, seja aliado à Direita. PS que tem aliás vindo a ser habilmente assediado para compromissos na manutenção de muitas das opções da atual maioria.
Mas há que atender que, como grande partido de eleitores, o partido socialista cobre amplas faixas desse eleitorado que se reconhece na visão solidária e social da Esquerda. A participação de sectores socialistas num projecto alternativo não pode ser excluída.
Eleitores fora da governação
Será que o PCP e o BE, que são hoje os dois principais polos à esquerda, podem criar uma nova e credível alternativa? São eles as Esquerdas que desde há décadas estão excluídas (mas que de certo modo se excluíram) do chamado “arco da governação” – essa curiosa expressão criada para representar o rotativismo.
Representaram nas eleições de 2011 13 por cento dos votos expressos, num total de mais de 730 mil eleitores, então com uma abstenção a rondar os 42 por cento. Nas legislativas de 2009 haviam atingido uma votação superior a um milhão de votos, quase 18%.
Constatamos que há um potencial de cerca de vinte por cento de votos expressos sistematicamente bloqueado e sem perspetivas de contribuír para uma solução de Governo! Um eleitorado de que se não conhece a potencial dimensão, representado em partidos e outros agrupamentos políticos, mas não só. E que dizer dos diversos movimentos sociais oriundos ou dinamizados nas Esquerdas?
A apresentação a sufrágio de uma nova mas consistente plataforma política pode concretizar esse potencial eleitoral. Pelo factor novidade, por representar o encontro de áreas politicas distintas mas em convergência. Enfim, por autorizar uma esperança aos seus eleitores. E que poderá ser um real factor de mudança – seja pela dimensão da sua expressão, seja pela recomposição do equilíbrio de forças no centro e na esquerda do espectro partidário.
Conhecemos a traumática história de dissensões que divide as Esquerdas “à esquerda” do PS. Na sua maior parte sãos velhas e bolorentas questões quando confrontadas com o desastre que se abate sobre o país. O que é notável é que elas nunca tenham sido pragmaticamente ultrapassadas, ou colocadas entre parenteses, para que pudesse ser oferecida ao eleitorado uma alternativa eleitoral credível e com expetativa de poder contribuir para alterar qualitativamente o quadro do poder político em Portugal. Para alterar o também velho e caduco rotativismo que governa o país há quase quatro décadas. Será possível essa reforma?
Reforma e revolução
Estarão essas Esquerdas a “guardar-se” para o post regime se este falhar? Ou para a revolução? É que se o regime falir correm o risco de ir pela “pia abaixo” junto com os restos desse regime de que, de uma ou outra forma, fazem parte e são também corresponsáveis, apesar de todas as diferenças.
Será que basta influenciar e ter um papel central nas estratégias sindicais e dos movimentos de opinião? Ou nas autarquias? Ou na rua? Esta estratégia, que tem virtudes e resultados, tem também limitações.
O PCP é um grande, disciplinado e influente partido, porventura o mais influente partido comunista da Europa. Mas tem parecido não ambicionar a mais que guardar as fortalezas e condicionar a governação a partir de fora. Temerá porventura o “abraço de urso” que resultou da extraordinária experiencia governativa dos seus camaradas franceses por ocasião do Governo do programa comum que PCF e PS levaram à prática no princípio dos anos oitenta no primeiro mandato de F. Mitterand? Mas registe-se também o exemplo recente da Front de Gauche (ver aqui) que os comunistas franceses desta geração propõem actualmente aos eleitores.
Quanto ao BE, o seu futuro é uma incógnita, a acreditar nas sondagens, dadas as cisões e dissidencias. Mas mantém uma reconhecida influência no mainstream.
As dificuldades de um programa
Falta pois o principal: a constatação da existência de uma vontade, a sua expressão e um programa comum. Não será seguramente um debate fácil: como financiar a divida pública; o euro; que nível de federalização para a UE; qual o papel do Estado na economia; como pagar o Estado Social; pacto orçamental europeu…
Há sinais de movimentação. Sinais contraditórios, é certo. Algo se move, mas que carece de expressão pública. Surgiu o Manifesto 3D (Dignidade, Democracia e Desenvolvimento) e mais um partido, o Partido Livre. Mas, em boa verdade, sem o empenho das duas grandes forças da Esquerda, não se anteveem mudanças de fundo. Irá o PL trazer mais votos às Esquerdas? Ou contribuirá para a sua ainda maior repartição e perca de eficácia eleitoral? A pergunta poderá ser respondida nas eleições europeias de Maio.
PCP e BE mantêm um “acordo de cavalheiros” no parlamento. Tem havido diligências comuns. É positivo. E o assunto reentrou com força no debate público. Já se percebeu que são pequenos os passos e que a mudança do status quo não será fácil.
Há muita coisa em jogo e muitas trincheiras do mesmo lado por aproximar. Mas oxalá esses pequenos passos conduzam rapidamente a uma proposta sólida. O tempo escasseia.


pracadobocage.wordpress.com

PROTESTO DOS FERROVIÁRIOS DOCUMENTO E FOTOGALERIA 4 DE FEVEREIRO 2014




















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VAMOS LÁ VER COMO REAGE O PAPA XICO OU ISTO NÃO PASSA DE UMA MANOBRA DE DIVERSÃO ! - ONU exige que Vaticano entregue clérigos pedófilos Numa tomada de posição inédita, as Nações Unidas dizem que o Vaticano tem de acabar com o "código de silêncio" que impediu a punição de clérigos pedófilos, permitindo a continuação de abusos sexuais de crianças.



ONU exige que Vaticano entregue clérigos pedófilos



Numa tomada de posição inédita, as Nações Unidas dizem que o Vaticano tem de acabar com o "código de silêncio" que impediu a punição de clérigos pedófilos, permitindo a continuação de abusos sexuais de crianças. 




As conclusões do comité da ONU surgem após terem ouvidos representantes da Santa Sé sobre o assunto
As Nações Unidas exigiram hoje que o Vaticano "remova imediatamente" e entregue às 
autoridades civis todos os clérigos abusadores sexuais de crianças e os que são suspeitos 
desse tipo de atos.
O relatório do comité das Nações Unidas para os Direitos da Criança toma uma posição inédita
 contra o Vaticano, criticando o "código de silêncio" imposto aos clérigos sobre assunto.
O comité considera que a opção da Igreja Católica de lidar com o assunto apenas internamente,
 nomeadamente com a mudança dos clérigos pedófilos para outras paróquias, impede a sua 
punição e permite que prossigam os abusos sexuais de crianças.
"O comité está extremamente preocupado por a Santa Sé não ter dado conta da amplitude dos crimes cometidos, não tenha tomado as 
medidas necessárias para reportar casos de abusos sexuais de crianças e para as proteger, e tenha adotado políticas e práticas que
 levaram à continuação dos abusos por e com a impunidade dos perpetradores".
O relatório surge após o comité ter obtido no mês passado esclarecimentos de representantes da Santa Sé sobre o assunto.

Vaticano diz que vai "estudar e examinar" o relatório


O Vaticano já reagiu, declarando estar empenhado "na defesa e proteção dos Direitos da Criança" e prometendo que irá "estudar e 
examinar" o relatório.
Uma das exigências feitas pela ONU é que a Santa Sé entregue os seus arquivos com provas de dezenas de milhares de abusos de 
crianças. O Vaticano tem de "remover imediatamente de funções todos os abusadores sexuais de crianças ou suspeitos desse tipo de 
atos e referir o assunto a autoridades civis relevantes para investigações e indiciamentos", refere o documento.
O Papa Francisco denominou os abusos sexuais de crianças como "a vergonha da Igreja", comprometendo-se a dar continuidade aos 
procedimentos iniciados pelo seu antecessor Bento XVI sobre o assunto.
A forma como a hierarquia da Igreja tem lidado com o assunto não foi, contudo, considerada satisfatória pela ONU.

Relatório fala ainda da homossexualidade, contraceção e aborto 


"Devido ao código de silêncio imposto a todos os membros do clérigo sob a pena de excomungação, casos de abusos sexuais de
 crianças quase nunca foram reportados aos agentes da lei nos países onde esses crimes ocorreram", lê-se no documento.
O comité das Nações Unidas diz que a comissão criada pelo Papa Francisco, em dezembro, deve convidar especialistas exteriores e 
as vítimas a participarem na investigação sobre os abusadores e investigar também "a conduta que a hierarquia católica teve no 
assunto".
O relatório critica ainda as atitudes do Vaticano relativamente à homossexualidade, contraceção e o aborto.
Um responsável do Vaticano, que falou à agência Reuters sob anonimato, criticou estas últimas observações por considerar que saem 
fora do âmbito do comité para os Direitos da Criança.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/onu-exige-que-vaticano-entregue-clerigos-pedofilos=f854379#ixzz2sTCyZJEe

LEIA AQUI NO DESENVOLTURAS & DESACATOS O TESTO DE HENRIQUE MONTEIRO E A RESPOSTA DE PEDRO ABRUNHOSA


Abrunhosa, o grande capital, a crise e a democracia 

Do cantor e músico Pedro Abrunhosa cada um terá a ideia que quiser. Mas das ideias de Pedro Abrunhosa sobre a democracia, a crise e o grande capital, já sabemos o que ele pensa. Diz que "o grande capital percebeu que não precisa da democracia para nada".
Esta frase é um programa. Porque significa que, em cabeças como a de Pedro Abrunhosa, cuja preocupação com a democracia não era tão grande quando a sua falta se fazia sentir - e de que forma - no leste e no Sol da Terra, como os comunistas chamavam a União Soviética - em cabeças como a dele, afirmava -, a democracia é apenas uma estratégia dos mercados e não passa disso. Se o "grande capital" (um chavão para designar coisas que vão de crimes a grande negócios lícitos e até filantrópicos e quem sabe se o dinheiro que o próprio ganha com o seu trabalho) - se o "grande capital", dizia -, precisa de democracia, temos democracia, se o grande capital entende que ela é desnecessária a democracia entra em crise. Demasiado básico? Com certeza, mas é o que faz caminho por certa esquerda.
Ora a ideia de democracia, que hoje se funda na necessidade de justiça social, voto popular para todos e possibilidade de alterar os governos de forma pacífica, é uma realidade em boa parte do mundo, ao contrário do que se passava há 20 ou 30 anos. Basta ver que, melhor ou pior, o Leste Europeu, a América Latina, boa parte da Ásia e da África se democratizaram, ao mesmo tempo que a globalização ia tornando o "grande capital" cada vez maior. Na China, onde " o grande capital" ainda é controlado pelo Partido Comunista, começam a existir reivindicações democráticas e o mesmo se passa um pouco por todo o lado onde subsistem ditaduras.
Por isso, ao invés daquele simplismo de Abrunhosa, podemos dizer que a globalização tem trazido três coisas que contrariam o discurso mais velho e relho da esquerda:
1)      Aumento desmesurado da riqueza dos mais ricos; criação de novas fortunas imensas em países considerados emergentes e explorados (México, Turquia, China ou mesmo Angola); 
2)      Diminuição da pobreza dos mais pobres (isto só é contraditório para quem acredita que as quantidades de bens no mundo não se alteram, mas esses já deviam ter refletido no facto haver sete mil milhões de pessoas que continuam a comer, umas melhor e outras pior, contra todas as previsões do malthusianos);
3)     Expansão significativa do modelo democrático em todo o planeta.
Quando as luminárias das Aulas Magnas (a que ontem aqui se referia Ricardo Costa ) e de outros fóruns digerirem a realidade, talvez percebam que a mudança no mundo não corre a favor dos mesmos - de nós, ocidentais e europeus - como vinha a acontecer desde, pelo menos, a revolução industrial. Talvez aprendam a ser humildes e a compreender que o paleio do costume já não cola nem com a realidade, nem com o bom senso, nem sequer com a simples observação. É preciso um maior esforço - já não bastam chavões.
Podem fazer manifestos contra a crise, como podem fazer manifestos contra o vento ou contra o nascer do Sol. Mas esta crise, que não é essencialmente do "grande capital", mas de uma nova arrumação do mundo, está aí para durar.
Twitter:@HenriquMonteirohttps://twitter.com/HenriquMonteiro




Pedro Abrunhosa reage a texto de Henrique Monteiro 


Veja a reação do músico portuense relativamente a um texto publicado por Henrique Monteiro no seu blogue.

Pedro Abrunhosa Jorge Miguel Gonçalves/N Factos Pedro Abrunhosa
Recebemos, de Pedro Abrunhosa, o seguinte texto com pedido de publicação ao abrigo do Direito de Resposta, relativamente a uma crónica publicada a 31 de janeiro passado:

"Não esperaria de Henrique Monteiro, cronista do Expresso, outra reacção à minha intervenção sobre a repercussão nefasta que a falta de investimento público produz na economia em áreas axiomáticas como Saúde, Justiça, Educação, Investigação e Cultura, do que aquela que teve em artigo recente que me dedica, revelando surpreendente desconhecimento no que afirma.

Afirmei que a democracia foi tomada de assalto por interesses financeiros privados, aos quais são alheias as vontades e necessidades básicas das populações. Aleguei que, pelo crescente transvase biunívoco entre governantes e altos dirigentes de grupos ligados à banca, o 'capital' tinha deixado de necessitar do processo democrático para fazer vingar uma agenda não política, não ideológica, mas apenas financeira. Se se apresentassem a votos em vez de partidos, as agências de rating, o BCE,  ou administradores de multinacionais, instituições que efectivamente governam sem este sufrágio, certamente os eleitores europeus pensariam duas vezes antes de os eleger. Ou  aumentaria ainda mais a já assustadora abstenção que decorre deste divórcio entre eleitores e 'coisa eleita', abstenção, em si também, uma séria ameaça ao sistema democrático.

Como no caso de algumas democracias islâmicas, onde há uma total submissão ao poder eclesiástico e religioso, as democracias ocidentais sucumbiram a outras forças maiores que transformaram os avanços civilizacionais do pós-guerra, para todos, em propriedade de muito poucos: o capital, o lucro, a ganância.  A democracia existe, é um facto, mas atropelada por esta selvagem verdade: 'de um homem, um voto, passámos a um dólar, um voto'. Ainda segundo Joseph Stiglitz, no seu livro 'O Preço da Desigualdade': 'A seguir à Segunda Guerra Mundial, o FMI passou a ser o instrumento eleitoral a que os países entregavam na realidade a soberania'. E prossegue: 'Os mercados financeiros conseguem o que querem. Podem existir eleições livres, porém, do modo como são apresentadas aos eleitores, não existe uma verdadeira escolha nas questões que realmente lhes interessam, as questões da economia.'

Também o Nobel e Economista, Paul Krugmam, afirmou, e cito: 'Nos anos 70  iniciou-se o processo de globalização, que em vez de beneficiar todas as nações, tendeu a produzir ganhos para alguns à custa de outros. A visão geral era que a integração dos mercados mundiais produziam 'desenvolvimento desigual', um aumento nos padrões de vida das nações ricas à custa das pobres'.

Já no seu livro, 'O Fim Da Pobreza', o professor Jeffrey Sachs, maior especialista mundial na área, defende que os investimentos prioritários devem ser nas áreas da agricultura, sendo proposto que se subsidiem os preços de fertilizantes e sementes, saúde pública, como a construção de clínicas que permitam a prestação de cuidados médicos e distribuição de medicamentos a baixo custo, educação, através da construção de escolas e do fornecimento de refeições às crianças com o objectivo de promover a assiduidade, combater o abandono escolar e melhorar os resultados dos alunos, água potável, saneamento básico, transportes e comunicações. Não creio que alguma destas realidades esteja na agenda das democracias vigentes da forma que são tuteladas.

HM chama-me simplista. Neste meu 'simplismo', não estou nada mal acompanhado, como se vê. Já o mesmo não posso afirmar das actuais companhias ideológicas de HM, e das antigas tão pouco.

Enquanto Músico, tenho andado pelo mundo, conhecido o chão de muita gente.Mas sobretudo tenho cruzado ano após ano o chão do meu País. Sei da sua frágil situação porque estou na estrada quase ininterruptamente há mais de vinte cinco anos. O País que eu conheço tem fome, tem necessidade de Paz social, de Justiça célere, de um Sistema Nacional de Saúde humano, omnipresente, de um sistema de ensino de qualidade e gratuito, de creches, centros de dia, tem necessidade de Bondade, de não deixar morrer os seus na solidão mais triste. O País que eu conheço não é o país que HM conhece, mas sim aquele que ele, no confortozinho do seu gabinete, desconhece. Portugal precisa de uma democracia a sério, participada e esclarecida, de reformar os seus agentes políticos, as suas políticas, as suas falsas elites,  mas também alguns dos seus arautos, sobretudo os que nunca souberam vencer o complexo maoísta, como HM, que entrou no pequeno livrinho vermelho do qual, lamentavelmente, nao conseguiu ainda sair cabalmente sem ter que afirmar estas banalidades simétricas como se expurgasse de dentro um arrependimento qualquer."

Bragaparques vai pedir em tribunal que Câmara de Lisboa pague 350 milhões O administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, afirmou hoje que vai pedir em tribunal 350 milhões de euros ao município de Lisboa, por prejuízos causados pelo processo judicial que envolve a permuta do Parque Mayer e a Feira Popular.

Bragaparques vai pedir em tribunal que Câmara de Lisboa pague 350 milhões
O administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, afirmou hoje que vai pedir em tribunal 350 milhões de euros ao município de Lisboa, por prejuízos causados pelo processo judicial que envolve a permuta do Parque Mayer e a Feira Popular.Domingos Névoa foi ouvido hoje de manhã nas Varas Criminais de Lisboa como testemunha no caso Bragaparques, relacionado com a permuta do Parque Mayer (que era detido pela empresa) por parte dos terrenos de Entrecampos onde estava a Feira Popular (detidos pela Câmara de Lisboa) e a venda em hasta pública do remanescente.
Em declarações aos jornalistas à saída da audição, o administrador da Bragaparques disse que o acordo com a Câmara de Lisboa - para que ambos os terrenos voltem à posse do município por 100 milhões de euros - ainda não está encerrado.
"O acordo não está fechado, ainda vai a procissão no adro. Cem milhões de euros é um terço daquilo a que temos direito pelo prejuízo direto e indireto que deram à minha empresa", disse.
"Eu vou reivindicar tudo aquilo a que tenho direito, mas sei que o prejuízo causado direto e indireto à nossa empresa é superior a 350 milhões de euros", disse, acrescentando que é isso que "irá pedir em tribunal" à Câmara de Lisboa.
A Câmara de Lisboa aprovou em meados de janeiro um "acordo global" com a Bragaparques para a aquisição dos terrenos da antiga Feira Popular e do Parque Mayer por cerca de 100 milhões de euros e que prevê que ambas as partes desistam das ações judiciais que envolvem os terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer, se bem que as questões que ficaram por resolver serão remetidas para tribunal arbitral.
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, explicou à agência Lusa, na altura, que ficam por resolver questões relacionadas com o valor a pagar pelo Parque Mayer, prejuízos por não se terem desenvolvido projetos. Do lado do município, o autarca socialista entende que a empresa tem de pagar encargos com comerciantes, por exemplo.
A oposição na Câmara de Lisboa tinha já admitido que as questões por resolver podem custar ao erário municipal cerca de 50 milhões de euros.
O processo que decorre nas Varas Criminais de Lisboa, e que fez cair a câmara da capital em 2007, continua pelo menos até abril.
O caso remonta ao início de 2005, quando a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria, com exceção da CDU, a permuta dos terrenos do Parque Mayer, então detidos pela empresa Bragaparques, com parte dos terrenos municipais da antiga Feira Popular, em Entrecampos.
Na ocasião, era presidente da câmara (eleito pelo PSD em 2004) Carmona Rodrigues. Em 2007, o autarca foi constituído arguido por prevaricação para titular de cargo político, tal como Fontão de Carvalho (vice-presidente) e Eduarda Napoleão (vereadora do Urbanismo) e ainda Remédio Pires, dos serviços jurídicos da câmara.
Depois de Carmona Rodrigues ter sido constituído arguido, vereadores do PSD e os eleitos de todos os partidos da oposição renunciaram aos mandatos, precipitando a queda do executivo, por falta de quórum, em maio desse ano.
Os três ex-responsáveis da Câmara de Lisboa podem ser punidos com pena de prisão até oito anos, por prevaricação de titular de cargo político, crime que decorre da infração de normas legais no exercício destas funções e que engloba a chamada participação económica em negócio.
Neste caso são ainda arguidos dois arquitetos da câmara, José Azevedo e Rui Macedo, por abuso de poder.
Lusa/SOL