AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

PCP considera venda dos quadros de Miró "Ilegítima" O PCP considerou, esta terça-feira, que a decisão da leiloeira Chiristie's de cancelar a venda das obras de Joan Miró abre espaço para reavaliar a opção pela alienação do Governo que "é ilegítima" e "contrária ao interesse nacional".

PCP considera venda dos quadros de Miró "Ilegítima"


O PCP considerou, esta terça-feira, que a decisão da leiloeira Chiristie's de cancelar a venda das obras de Joan Miró abre espaço para reavaliar a opção pela alienação do Governo que "é ilegítima" e "contrária ao interesse nacional".
Estas críticas foram feitas pelo deputado comunista Miguel Tiago em conferência de imprensa no parlamento, depois de a leiloeira Christie's ter anunciado o cancelamento da venda dos 85 quadros de Joan Miró provenientes da coleção do ex-Banco Português de Negócios (BPN).
"Este comunicado da leiloeira comprova as questões com que o PCP confrontou o Governo, mas também o PSD e CDS, sobre a legalidade e a moralidade da venda desta coleção de obras. Era uma má decisão, com várias manchas e tomadas num ambiente demasiado opaco", apontou o deputado do PCP.
Segundo Miguel Tiago, "a própria leiloeira percebeu que não estava em condições de assegurar aos seus clientes a transparência no negócios e as garantias necessárias num negócio desta dimensão".
"Esta decisão, apesar de vir da leiloeira e não do Governo, permite reverter uma venda que seria ilegítima, ilegal e contrária ao interesse nacional quer do ponto de vista económico, mas também dos pontos de vista cultural e político. A suspensão ou cancelamento da venda por parte da leiloeira abre espaço ao PCP e a todos os que estão interessados em manter as obras no país à disposição dos portugueses", acrescentou o deputado do PCP.
Confrontado com as críticas do PSD aos obstáculos colocados pelas forças da oposição à venda das obras de Miró, Miguel Tiago deu uma resposta sintética: "A oposição está cá para isso".
"O PSD se calhar preferia que não houvesse oposição", comentou o deputado do PCP.

INCLUI VÍDEO DOS MOVIMENTOS ANARQUISTAS E SINDICALISTAS EM PORTUGAL -OS MOVIMENTOS GREVISTAS NA HISTÓRIA DE PORTUGAL (1872-2013) - PASSADO, PRESENTE E FUTURO A greve traduz, por determinação sindical, uma suspensão do trabalho por decisão dos trabalhadores com vista à satisfação de reivindicações profissionais. Este meio reivindicativo resulta dos direitos fundamentais dos cidadãos que os regimes democráticos consagram, como está, aliás, expresso na atual Constituição da República Portuguesa, datada de 1976.


 


A greve traduz, por determinação sindical, uma suspensão do trabalho por decisão dos trabalhadores com vista à satisfação de reivindicações profissionais. Este meio reivindicativo resulta dos direitos fundamentais dos cidadãos que os regimes democráticos consagram, como está, aliás, expresso na atual Constituição da República Portuguesa, datada de 1976.

Houve grandes movimentos grevistas no fim da Monarquia Constitucional (1872, 1897 e 1904) e no período da 1ª República (1911-1912), onde a carestia de vida tornou exponenciais as ondas grevistas. Contudo, as greves do fim do século XIX e início século XX eram, sobretudo, de âmbito operário, mas com a erupção das classes médias em Portugal no último quartel do século XX surgem greves de outros grupos profissionais.

Na realidade, foi o reconhecimento legal do direito de associação que permitiu a consagração da greve como um direito, na segunda metade do século XIX, em Portugal (1864 e 1891). O tema do desencadear excessivo de greves gerou desde sempre reacções públicas. Contudo, verifica-se que os movimentos grevistas estão mais acesos em momentos de instabilidade política ou económica como foram os casos das múltiplas greves da 1ª República e das greves portuguesas da atualidade, designadamente neste ano de 2013.

Dos movimentos grevistas dos operários sobressai que deve ser utilizado como meio de reivindicação profissional e não como meio de luta político-partidária em contexto de pluralismo ideológico. No entanto, durante a Ditadura Militar e o Estado Novo as greves foram proibidas em diplomas legais de 1927, de 1934 e de 1958, precisamente quando os regimes políticos autoritários pressentiam que estavam a ser alvo de uma contestação social mais aguda.

O direito à greve implica que não há incumprimento dos trabalhadores pelo que não podem ser qualificados de “faltosos”. As greves desencadeadas por motivos profissionais feitas com ponderação e intermediadas por negociações dignificam a ação dos sindicatos. Consta terem sido Antero de Quental e José Fontana[1] os grandes impulsionadores da consciência dos operários para o direito à greve no fim do século XIX.

No período Marcelista, já no fim do Estado Novo, na segunda metade do século XX, desencadeou-se um forte movimento grevista de índole operária que coincidiu com a subida da inflação e a perda de poder de compra dos trabalhadores, a que reagiu o regime com recurso violento à intervenção da polícia de choque. Em junho de 1969, Marcelo Caetano permitiu alguma abertura sindical ao pôr termo à necessidade das direções sindicais serem homologadas pelo Governo.

No entanto, os sindicatos, descontentes com o regime político, alimentaram um ciclo imparável de greves nos anos de 1969 e de 1970 que apenas eram sustidas pela polícia de intervenção. Exemplo emblemático desta fase histórica foi a greve dos operários da Lisnave em novembro de 1969. A intensidade do ciclo grevista voltou a reacender-se em finais de 1973 até ao eclodir da Revolução do 25 de abril de 1974[2].  

Em suma, o recurso à greve como recurso de legitimação de negociações na defesa dos direitos dos trabalhadores e dos cidadãos (de manutenção de postos de trabalho, de segurança salarial e de dignas condições de trabalho, etc) é absolutamente aceitável no plano da consciência Ética.

As atuais greves afirmam-se como legítimas no contexto internacional da “economia de casino”. Porquanto os Estados de Direito são prejudicados nesta conjuntura, com a falta de transparência do sistema financeiro global e a fuga ao fisco por parte dos grandes negócios através de paraísos fiscais, torna imoral grande parte dos défices dos Estados (adquiridos por vias especulativas), respeitadores dos Direitos Humanos, e legitimam, também, no plano da cidadania global as greves de muitos trabalhadores portugueses. Na verdade, as democracias do Ocidente estão em crise, porque não respeitam o pluralismo ideológico e propõem aos cidadãos uma cartilha de ideologia única imposta pela ditadura dos mercados financeiros (teocracia dos mercados).


[1] Maria Manuela Cruzeiro, “Greves” in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Lisboa Publicações Alfa, 1990, p. 299-301.

[2] João Brito Freire, “Greves Operárias”, in Dicionário de História do Estado Novo, vol. I, coord. Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, Venda Nova, Bertrand Editora, 1996, pp. 401-404.
VEJA VÍDEO DOS MOVIMENTOS ANARQUISTAS E SINDICALISTAS EM PORTUGAL

cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

A guerra suja do FBI contra Martin Luther King David Corn Mother Jones Após o histórico discurso de “Eu Tenho um Sonho”, King passou a ser alvo de uma cruzada secreta e sem limites, com o aval das altas esferas do governo dos EUA. O discurso “I have a dream”, de Martin Luther King Jr. feito na Marcha sobre Washington, em 1963, marcou um ponto alto na história norte-americana. Foi um momento de ascensão, no qual a alma do movimento dos direitos civis foi desnudado para o país, enquanto Luther King, bravamente, reconhecia os desafiadores obstáculos ao progresso, ele também expressava um otimismo de que a justiça, no fim de tudo, reinaria.

A guerra suja do FBI contra Martin Luther King

David Corn
Mother Jones

Após o histórico discurso de “Eu Tenho um Sonho”, King passou a ser alvo de uma cruzada secreta e sem limites, com o aval das altas esferas do governo dos EUA.

O discurso “I have a dream”, de Martin Luther King Jr. feito na Marcha sobre Washington, em 1963, marcou um ponto alto na história norte-americana. Foi um momento de ascensão, no qual a alma do movimento dos direitos civis foi desnudado para o país, enquanto Luther King, bravamente, reconhecia os desafiadores obstáculos ao progresso, ele também expressava um otimismo de que a justiça, no fim de tudo, reinaria. Houve, no entanto, um lado sombrio no evento, pois este acionou uma reação suja e brutal, vindo de uma das mais poderosas instituições do planeta. Em resposta ao discurso de Luther King, J. Edgar Hoover, o onipotente diretor do FBI, intensificou a guerra clandestina da polícia federal dos EUA contra o heroico líder dos direitos civis.

Hoover esteve, durante anos, preocupado – ou obcecado – com Luther King, enxergando nele uma profunda ameaça à segurança nacional. O diretor do FBI temia que a “conspiração” comunista, a qual estava comprometido a esmagar (fosse ela real ou não), era a mão invisível por trás do movimento de direitos civis, que estava sendo usado para subverter a sociedade norte-americana. Focando em Stanley Levinson – um assessor de King que esteve anos antes envolvido como Partido Comunista – Edgar Hoover, em 1962, convenceu o procurador geral, Robert F. Kennedy, a autorizar o grampo no telefone e escritório de Levison, que falava regularmente com King. Foi então que Hoover, como Tim Weiner escreveu em Inimigos, sua obra-prima sobre o FBI, passou a “bombardear” o presidente John F. Kennedy, seu vice Lyndon Johnsson, junto de Robert Kennedy e outros líderes dentro do Congresso, com material de espionagem “crua (sem verificação real) sobre King, Levison o movimento dos direitos civis e a subversão comunista”. A prioridade na missão de Hoover era desacreditar King perante os mais altos oficiais do governo dos EUA. Apesar de King ter diminuído seus contatos com Levison – após ambos JFK e RFK terem alertado King de sua associação com comunistas – Hoover continuou disparando memorandos, destaca Weiner, “acusando King de um papel principal na conspiração comunista contra a América”.

A Marcha de agosto de 1963, a que cativou a imaginação de muitos norte-americanos, enlouqueceu ainda mais Hoover e seus assessores mais próximos. No dia seguinte ao discurso, William Sullivan, um alto oficial de Hoover, destacou em um memorando: “À luz da poderosa demagogia do discurso de King, nós devemos marcá-lo agora como o mais perigoso Negro (conotação pejorativa nos EUA) para o futuro dessa nação do ponto de vista do comunismo, dos Negros e da segurança nacional”. Seis semanas depois, pressionado por Hoover, Robert Kennedy autorizou total vigilância eletrônica sobre Luther King. Agentes do FBI colocaram microfones em seus quartos de hotel; grampearam seus telefones e instalaram equipamentos de vigilância em seu apartamento em Atlanta. As informações coletadas através da espionagem foram sobre as estratégias e táticas do movimento dos direitos civis – e também sobre suas atividades sexuais. Hoover ficou furioso com as atividades privadas de King e, em certo ponto, de acordo com o livro de Weiner, enquanto discutia o assunto com um assistente, um injuriado Hoover despedaçou com um soco uma proteção de vidro que havia sobre sua mesa de escritório.

Pouco mais de um ano após a Marcha e depois de King ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, Hoover disse a um grupo de repórteres que King era “o mais notório mentiroso do país”. Mas a guerra do FBI contra ele era mais suja do que xingamentos, Weiner escreve: William Sullivan tinha um pacote de gravações em vídeo de sexo de Luther King, preparado pelos técnicos de laboratório do FBI e, junto com uma carta difamadora, enviou para a casa de King. Sua esposa abriu o pacote. “King, olhe para dentro do seu coração”, dizia a carta. O povo americano descobrirá logo quem você realmente é: “uma besta anormal e diabólica. Só existe uma saída para você. É melhor você toma-lá antes que sua imagem imunda, fraudulenta e anormal seja exposta à nação”.

O presidente Lyndon Johnsson sabia que Hoover havia gravado as atividades sexuais de King. Hoover estava usando essas informações como maneira de desgraçar King junto à Casa Branca, o Congresso e em sua própria casa. Pior, o FBI estava encorajando King a cometer suicídio.

Hoover continuou alimentando Johnson (que se tornou presidente após o assassinato de JFK em 1963) com informações, sugerindo que King era um fantoche comunista. Em 1967, quando o FBI montou uma operação para quebrar, desacreditar e neutralizar os chamados “grupos negros de ódio”, a agência focou na Conferência de Liderança Cristã no Sul, onde Hoover culpou King, publicamente, por incitar afro-americanos a causar tumultos. No ano seguinte, King foi assassinado por James Earl Ray, que subsequentemente escapou de uma caçada humana do FBI, sendo capturado, dois meses depois, pela Scotland Yard, na Inglaterra.

Enquanto a Marcha de Washington é ainda relembrada, cinco décadas depois, deve-se destacar que o sucesso de Luther King ocorreu em face de direta e ilimitável oposição de forças de dentro do governo dos EUA, acima de tudo, de Hoover, que não hesitou em abusar de seus poderes e usa-los de maneira sórdida e legalmente questionável para uma vingança contra Luther King.

Hoje, o quartel-general do FBI, no centro de Washington, é oficialmente chamado de Edifício J. Edgar Hoover, nomeado em homenagem ao paranoico chefe que caçou King e fez todo o possível para frustrar o movimento dos direitos civis. Em anos recentes, críticos propuseram apagar o nome de Hoover, mas o quartel-general ainda não foi “deshooverizado”. No final de 2012, foi reportado que os escritórios do FBI, que passou por reformas, podem ser demolidos para que um novo QG seja construído em outro lugar da cidade. Se assim o for, seria adequado que Hoover fosse levado junto com os escombros. Afinal de contas, há uma boa razão para que os norte-americanos hoje se lembrem – e celebrem - as palavras e ações de King, enquanto a campanha suja e anti-americana contra King, permaneça nas sombras da História.


fmdelacuadra.blogspot.pt

O que está em causa E sabem que mais? Se olharmos para as tendências das sondagens, o cenário medonho é o mais provável.

O que está em causa

E sabem que mais? Se olharmos para as tendências das sondagens, o cenário medonho é o mais provável.
Vou dar-vos o cenário mau, o cenário péssimo e o cenário medonho, para que depois se possa ver o que verdadeiramente está em causa para o futuro próximo em Portugal.
O cenário mau: em 2015 o Partido Socialista ganha as eleições, mas sem maioria absoluta. Para constituir governo precisará do apoio do PSD, ou do CDS, ou de ambos. O Presidente da República, é sabido, tem grande preferência pela solução de Bloco Central para governar o país, no que aliás será apoiado por boa parte da elite económica e da opinião publicada. O problema: para aceitar fazer parte do governo, o PSD porá em cima da mesa a revisão constitucional para diminuir o nível de proteção dos direitos económicos e sociais. António José Seguro já disse que não fará revisões da Constituição antes de eleições, mas não se sabe o que fará depois — e pode ser que não tenha outra hipótese. E mesmo sem alteração da Constituição, as medidas de um tal governo passarão a ter uma aprovação de dois terços do Parlamento — uma maioria “paraconstitucional”, que talvez o Tribunal Constitucional decida valorar como tal: não é tão fácil chumbar uma medida aprovada por uma maioria que poderia mudar a Constituição.
Cenário péssimo: o PSD/CDS ganha as próximas eleições legislativas. Até agora nunca tinha referido aqui esta possibilidade, para não agourar, mas ela é suficientemente plausível para que não possa deixar de ser considerada. A velha tática de Margaret Thatcher durante os anos oitenta funcionava assim: dois anos a apertar, dois anos a aliviar, e uma vitória eleitoral no fim. Com a ajuda do “efeito Draghi” e da sua descida dos juros, e com quase um ano e meio de pós-troika pela frente, não será preciso muito alívio para que Passos Coelho e Paulo Portas tentem convencer o eleitorado de que o pior já passou e que não se deve mudar de comandantes depois da borrasca. Como é natural, já houve eleitorados que se deixaram convencer por estes argumentos.
O cenário medonho: o PSD e o CDS ganham, mas sem maioria absoluta. Para poderem governar, precisam do apoio do PS — mas como parceiro menor. Após alguma pressão e justificando-se pelo receio de atirar o país para novas eleições numa fase em que a posição de Portugal nos mercados continua vulnerável, o PS aceita. Neste cenário, as comportas estão abertas. A própria revisão constitucional pode ser revista — para cima. A privatização parcial da Segurança Social e do Ensino Público podem continuar. A desregulação dos direitos laborais também — e sem oposição de dois terços do parlamento. Mas há mais: a degenerescência da democracia portuguesa acelera-se, os casos de corrupção contam com a solidariedade passiva dos três partidos de governo, o escrutínio parlamentar diminui, e os dois grandes partidos tornam-se indistinguíveis.
E sabem que mais? Se olharmos para as tendências das sondagens, o cenário medonho é o mais provável.
É pois isto que está em causa, muito para lá de questiúnculas partidárias, de processos de intenção e de ataques de caráter e de todas as vicissitudes em que a esquerda é pródiga. Ou queremos fazer tudo para evitar os cenários acima, ou podemos marcar já a Aula Magna para irmos chorar em conjunto a partir de 2015. Não podemos dizer é que não fomos alertados a tempo.
(Crónica publicada no jornal Público em 27 de Janeiro de 2014)
ruitavares.net

Cunhal, Carrillo e a História A vida pessoal de Álvaro Cunhal, durante décadas rodeada de um secretismo não ajustado à sua presença pública, e o seu longo trajeto político, só muito parcialmente conhecido do cidadão comum, têm sido alvo de uma atenção crescente.

Cunhal, Carrillo e a História


A vida pessoal de Álvaro Cunhal, durante décadas rodeada de um secretismo não ajustado à sua presença pública, e o seu longo trajeto político, só muito parcialmente conhecido do cidadão comum, têm sido alvo de uma atenção crescente. A mudança começou em 1999, com o lançamento do primeiro volume da biografia escrita por José Pacheco Pereira (o quarto está prestes a sair). Apesar de olhada com desconfiança, devido às escolhas políticas do autor, por contornar a insistência do PCP em não disponibilizar os seus arquivos e por ter sido iniciada sem a cooperação do biografado, a obra rapidamente se impôs pelo valor documental, abrindo caminho para o desenvolvimento dos três modelos de abordagem da vida de Cunhal que estão em curso. O primeiro é o do estudo biográfico, apontado ao reconhecimento da sua vida e intervenção, sem qualquer valoração ética ou análise sectária; o segundo, de nítida influência partidária, propõe uma perspetiva controlada, associada ao recorte exemplar e heroico da sua personalidade; já o terceiro modelo centra-se nos pormenores da vida privada, explorando a atenção de um público voyeur e de menor exigência. Todavia, este trabalho pode ser ampliado seguindo outras estratégias. Uma delas passa por confrontar o trajeto do antigo secretário-geral do PCP com o de outras figuras do movimento comunista internacional suas contemporâneas, num exercício que enfatiza inevitavelmente a originalidade do seu caminho.
Um relance sobre a biografia de Santiago Carrillo, o líder do PC espanhol entre 1960 e 1982, apenas dois anos mais novo que Cunhal, abre espaço a um balanço comparativo desta natureza. Em Anatomia de um Instante, Javier Cercas traça dele um perfil positivo, em parte devedor do comportamento que manteve no dia 24 de Fevereiro de 1981, quando os golpistas da direita tomaram as Cortes espanholas na tentativa de anular o processo de transição para a democracia. Sabendo-se o mais odiado dos reféns, por tal motivo aquele que maior probabilidade tinha de ser eliminado, revelou então um destemor bem contrário à atitude de cobardia dos outros deputados. Uma atitude indissociável de uma longa experiência de combate contínuo e arriscado. Carrillo, tal como Cunhal, pertencia àquela estirpe de dirigentes comunistas, forjados e testados nas terríveis décadas de 1930-1940, cuja vida se confundiu com a sua missão. Em Cunhal, sabemo-lo bem, a vida pessoal moldou-se sempre à do partido e da causa que fez sua, a um tal ponto que mesmo as derrotas e os recuos tomaram uma dimensão relativamente irrelevante. Principalmente quando comparada com a «motivação ética» associada a uma «vontade organizada» – as expressões dirigem-se-lhe e são do historiador comunista João Arsénio Nunes –, bem como a uma forte confiança no sentido previdente da História, reafirmada em diferentes circunstâncias, que legitimou todos os destemores e sacrifícios. Já Carrillo, apesar de bem menos consistente no plano teórico, e menos fiável no campo das decisões, mostrou também um ímpeto e uma obstinação que o colocaram no patamar dos dirigentes cuja vida se confundiu sempre com as suas certezas. Ainda que, no seu caso, muitas vezes elas tenham sido transitórias.
Existe, porém, uma linha de fronteira que os separa claramente na personalidade e nas escolhas. Desde logo no plano da coerência política. A vida pública de Santiago Carrillo teve fases distintas e contraditórias, como acaba de demonstrar o historiador britânico Paul Preston numa biografia sintomaticamente chamada El Zorro Rojo (A Raposa Vermelha). Na primeira metade, em Espanha ou no exílio, dos meados dos anos trinta até meados dos setenta, foi, do lado da esquerda, contraditoriamente admirado por alguns como um revolucionário e um pilar da luta antifranquista, enquanto outros o consideravam um rígido estalinista. Envolvido, como líder das Juventudes Socialistas, nos acontecimentos revolucionários de 1934, após dezasseis meses de prisão abandonou o PSOE, traindo a fação de Largo Caballero, o «Lenine espanhol», do qual se aproximara, ao levar o movimento juvenil para o Partido Comunista. Esta transferência, tal como a sua incondicional lealdade a Moscovo, foram recompensadas, após a vitória da Frente Popular e durante a Guerra Civil, com uma rápida ascensão nas fileiras comunistas. Aos 21 anos, tornou-se então comandante dos serviços da ordem pública numa Madrid sitiada pelos franquistas, adquirindo triste notoriedade como responsável pela eliminação física de prisioneiros e dissidentes. Após o conflito, revelou-se um empenhado apparatchik, manobrando influências e atritos internos que o projetaram rapidamente para o topo do partido.
Já na segunda metade da carreira política, dos meados dos anos setenta até à morte em 2012, passou a ser visto como uma espécie de tesouro nacional, em boa parte devido ao seu contributo para consolidar o restabelecimento da democracia na companhia dos franquistas moderados. Nada de estranho, se tivermos em linha de conta a sua aproximação às teses, sobre uma «versão democrática da ideologia comunista», que sob a bandeira do «eurocomunismo» então partilhou com o italiano Enrico Berlinguer. A partir do seu regresso a Espanha em 1976 e até 1981, enquanto se batia no interior do partido contra diversas fações internas, foi-se transformando num garante da integração do PCE na nascente democracia, da qual se tornaria uma espécie de pilar. Ultrapassada esta fase, voltou ao seu papel de líder comunista, mas acabou atolado num conflito que conduziu à destruição do partido que ajudara a construir e que havia dirigido, deixando-se ao mesmo tempo envolver em homenagens e panegíricos vindos da classe dirigente espanhola, desde o rei a importantes figuras da direita, para quem era agora o simpático «Don Santiago». Ao mesmo tempo, largos setores da esquerda jamais lhe perdoaram as sucessivas tergiversações e deslealdades, terminando a vida sem o respeito do campo que durante longas décadas fora o seu.
Nada de mais diverso do caminho tomado por Álvaro Cunhal. Independentemente das inevitáveis inflexões táticas que foi assumindo, este conservou-se fiel às convicções e ao modelo de sociedade futura que adquirira na juventude, sem contemporizar mais do que o essencial com as circunstâncias. É verdade que o modelo de transição português para a democracia foi diferente do espanhol, menos sujeito a compromissos precários, menos extremo; mas mesmo nos instantes de maior empenho revolucionário, a sua posição foi sempre a resultante de uma combinação de certezas com um profundo sentido prático e um desejo tenaz de jamais renegar um passado considerado fundador. EmO Partido com Paredes de Vidro, lançado em 1985, em contexto «pós-revolucionário», declara sem equívocos que a transparência que propõe passa por não questionar «experiências com validade já demonstrada», que, justamente por o serem, «não corram o risco de lhes ser atribuído apenas valor conjuntural». No prefácio à 6ª edição da mesma obra, saída em 2002, treze anos depois da Queda do Muro e do vendaval que varreu o mundo do «socialismo realmente existente» no qual em boa parte acreditara, reafirmará que todos os princípios enunciados na edição inicial «mantêm, a nosso ver, significativa atualidade», anunciando, «contra as furiosas falsificações da história a que assistimos», a exemplaridade da revolução russa de 1917 como inauguradora de «uma época grandiosa da história da Humanidade». Nada de comparável, pois, com as completas inflexões assumidas por Carrillo.
Não importa confrontar dois trajetos tão diferentes encarando qualquer deles como mais próximo ou mais distante da perfeição ética, mais ou menos adequado a realidades movediças que, apesar de geograficamente próximas, foram historicamente distintas. Eles foram o que foram e o tempo que ocuparam não anda para trás. Mas a comparação pode fornecer uma chave para compreender melhor o impacto que cada um dos dois homens teve nas suas circunstâncias e a memória que deles herdámos. A diferença é notória: enquanto Cunhal é recordado, no centenário do seu nascimento, como um português cuja vida e cuja sombra, simpatize-se ou não com elas, permanecem presentes, Carrillo já foi arrumado nos grandes depósitos da História. De onde dificilmente alguém sai vivo.
Publicado originalmente na revista LER de Janeiro de 2014.



aterceiranoite.org

QUER ENTENDER OP QUE SE PASSA NA UCRÂNIA !? - Artigo fundamental para entendermos o que se passa de facto na Ucrânia. UCRÂNIA: "A OPÇÃO EUROPEIA SERÁ TAMBÉM A OPÇÃO MILITAR A FAVOR DA NATO" - “Depois, há a ocultação ou minimização de um fenómeno que é conhecido como "nacionalista" e que é, na verdade, neo-fascista ou mesmo claramente nazi. É principalmente (mas não exclusivamente), localizado no partido Svoboda, seu líder Oleg Tiagnibog e a região ocidental que corresponde à antiga "Galicia oriental" polaca. Quantas vezes tenho visto, ouvido, lido na Comunicação Social, citações do partido e seu chefe como "opositores " e sem outra qualificação?” -

Artigo fundamental para entendermos o que se passa de facto na Ucrânia.
UCRÂNIA: "A OPÇÃO EUROPEIA SERÁ TAMBÉM A OPÇÃO MILITAR A FAVOR DA NATO"
- “Depois, há a ocultação ou minimização de um fenómeno que é conhecido como "nacionalista" e que é, na verdade, neo-fascista ou mesmo claramente nazi. É principalmente (mas não exclusivamente), localizado no partido Svoboda, seu líder Oleg Tiagnibog e a r
egião ocidental que corresponde à antiga "Galicia oriental" polaca. Quantas vezes tenho visto, ouvido, lido na Comunicação Social, citações do partido e seu chefe como "opositores " e sem outra qualificação?” -

Quais são os problemas económicos enfrentados pelo povo ucraniano, principalmente os trabalhadores, pequenos agricultores e desempregados?
Jean-Marie Chauvier: Desde o desmembramento da União Soviética em 1991, a Ucrânia passou de 51,4 para 45 milhões de habitantes. Esta diminuição deveu-se a uma baixa da natalidade, um aumento da mortalidade, em parte devido ao desmantelamento dos serviços de saúde. A emigração é muito forte. Cerca de 6,6 milhões de ucranianos vivem hoje no exterior. Muitas pessoas no leste da Ucrânia foram trabalhar para a Rússia, onde os salários são sensivelmente mais elevados, enquanto os do oeste são mais dirigidos para a Europa Ocidental, por exemplo, em estufas de Andaluzia ou no sector da construção em Portugal. A emigração faz entrar por ano na Ucrânia, 3 mil milhões de dólares.
Enquanto o desemprego é oficialmente de 8% na Ucrânia, uma parcela significativa da população vive abaixo da linha de pobreza: 25%, de acordo com o Governo, até 80 % de acordo com outras estimativas. A pobreza extrema, acompanhada de desnutrição é estimada entre 2 e 3 % até 16%. O salário médio é de 332 dólares por mês, um dos mais baixos da Europa. As regiões mais pobres são as áreas rurais no oeste. As ofertas de emprego são baixas e limitadas no tempo.
Os problemas mais prementes são agravados pelos riscos de assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia e a implementação das medidas recomendadas pelo FMI. Existe, portanto, a perspectiva de encerramento de empresas industriais, especialmente no Leste, ou a recuperação, reestruturação e desmantelamento pelas multinacionais. No que diz respeito à terra fértil e à agricultura, está no horizonte a ruína da produção local que é actualmente assegurada pelos pequenos agricultores e sociedades por acções, herdeiros dos colcozes e com a chegada em grande das multinacionais agro-alimentares. A compra massiva de terra rica vai acelerar-se. Assim Landkom, um grupo britânico, comprou 100 mil hectares e o hedge fund russo Renaissance comprou 300 mil hectares.
Para as multinacionais há, portanto, bons nacos a apanhar: algumas indústrias, oleodutos, terra fértil, mão-de-obra qualificada.

Quais são as vantagens e desvantagens de uma aproximação com a União Europeia?

JMC: Os ucranianos – em primeiro lugar a juventude – têm o sonho da UE, a liberdade de viajar, as ilusões de conforto, bons salários, prosperidade, etc. Sonhos com os quais os governos ocidentais contam. Mas, na realidade, não é questão da adesão da Ucrânia à UE. Não é questão de livre circulação de pessoas. A UE oferece poucas coisas, apenas o desenvolvimento do comércio livre, a importação maciça de produtos ocidentais, a imposição de normas europeias nos produtos que podem ser exportados para a UE, o que levanta barreiras formidáveis para a exportação ucraniana. A Rússia, por sua vez – em caso de acordo com a UE – ameaça fechar o seu mercado a produtos ucranianos. Moscovo ofereceu compensações tais como a baixa de um terço dos preços do petróleo, uma ajuda de 15 mil milhões de dólares, a união aduaneira com ela própria, o Cazaquistão, a Arménia... Putin tem um projecto eurasiático que abrange a maior parte do antigo espaço soviético (excepto os países bálticos), fortalecendo os vínculos com um projecto de cooperação industrial com a Ucrânia, a integração de tecnologias que a Ucrânia estava realizando no tempo da URSS: aeronáutica, satélites, armamento, construção naval, etc, modernizando os complexos industriais. É, obviamente, o leste da Ucrânia que está mais interessado nesta perspectiva.

Pode explicar as diferenças regionais na Ucrânia?

JMC: Não há Estado-nação homogéneo na Ucrânia. Há contradições entre as regiões. Há diferenças históricas. A Rússia, Bielorussia e Ucrânia tiveram um berço comum: o Estado dos Eslavos Orientais (século IX a XI ), a capital Kiev, foi chamada de "Rous", "Rússia" ou "Ruthénia". Mais tarde, os seus caminhos diferenciaram-se: línguas, religiões, filiações estatais. O Oeste esteve muito tempo ligado ao Grão-Ducado da Lituânia, aos reinos polacos, ao Império Austro-Húngaro. Após a Revolução de 1917 e a Guerra Civil, nasceu a primeira formação nacional chamada " Ucrânia", co-fundadora, em 1922, da URSS. A parte ocidental anexada, em particular, pela Polónia, foi "recuperada" em 1939 e 1945, em seguida, o actual território da Ucrânia ampliou-se para a Criméia, em 1954.
O leste da Ucrânia é mais industrializado, mais operário, mais russófono, enquanto o oeste é mais rural, de língua ucraniana. O leste é Ortodoxo, ligado ao Patriarcado de Moscovo, enquanto o Ocidente é tanto católico grego ("Uniata") e ortodoxo, ligado ao Patriarcado de Kiev desde a independência em 1991. A Igreja Uniata Católica, em particular no Oeste em Galicia, tem sido tradicionalmente germanófila, muitas vezes em conflito com a Igreja Católica da Polónia. O centro da Ucrânia, com Kiev, é uma mistura de correntes Leste e Oeste. Kiev é esmagadoramente de língua russa, as suas elites são pró-oposição e intimamente ligadas aos ultra-liberais de Moscovo.
A Ucrânia é pois partilhada – histórica, cultural, politicamente – entre o Oriente e o Ocidente, e não faz nenhum sentido lançar uma contra a outra, a não ser para se colocar um cenário do início da guerra civil, o que é, provavelmente, a intenção de alguns. À força de impor a divisão, como estão a fazer os ocidentais e seus pequenos soldados no local, pode vir o tempo em que a UE e a NATO poderão ter o seu "pedaço", mas onde também a Rússia tomará o seu! Não seria o primeiro país que se faria deliberadamente explodir. Todos devem estar cientes de que a opção europeia também será militar: a NATO virá a seguir e em breve se vai levantar a questão da base russa em Sebastopol na Crimeia, maioritariamente da Rússia e estrategicamente crucial para a presença militar no Mar Negro. Pode-se imaginar que Moscovo não vai deixar instalar uma base dos EUA naquele lugar!

O que acha da forma como o actual conflito é apresentado em nossos meios de comunicação?

JMC: É um western! Há os "pró-europeus" bons e os maus "pró-russos". É maniqueísta, parcial, ignorante da realidade da Ucrânia. Na maioria das vezes, os jornalistas vão ter com pessoas que pensam como eles, que dizem o que os ocidentais querem ouvir, que falam Inglês e outras línguas ocidentais. E depois, há as mentiras por omissão.
Logo de inicio há uma notável ausência: o povo ucraniano, os trabalhadores, os camponeses, submetidos a um capitalismo de choque, à destruição sistemática de todas as suas conquistas sociais, aos poderes das máfias de todos os lados.
Depois, há a ocultação ou minimização de um fenómeno que é conhecido como "nacionalista" e que é, na verdade, neo-fascista ou mesmo claramente nazi. É principalmente (mas não exclusivamente), localizado no partido Svoboda, seu líder Oleg Tiagnibog e a região ocidental que corresponde à antiga "Galicia oriental" polaca. Quantas vezes tenho visto, ouvido, lido na Comunicação Social, citações do partido e seu chefe como "opositores " e sem outra qualificação?
Estamos a falar de jovens simpáticos "voluntários de auto-defesa", vindos de Lviv (Lwow, Lemberg) para Kiev, mas trata-se de comandos levados pela extrema-direita para esta região (Galicia), que é o seu bastião. Pesada é a responsabilidade daqueles – políticos, jornalistas – que jogam este jogo, a favor de tendências xenófobas, anti-Rússia, anti-semitas, racistas, celebrando a memória do colaboracionismo nazi e da Waffen SS e de que a Galicia (e não toda a Ucrânia!) foi a terra natal.
Finalmente, os meios de comunicação passam em silêncio as várias redes financiadas pelo Ocidente (EUA, UE, Alemanha) para a desestabilização do país, a intervenção directa de políticos ocidentais. Imagine-se a área neutra de Bruxelas ocupada durante dois meses por dezenas de milhares de manifestantes exigindo a renúncia do rei e do governo, atacando o Palácio Real e aclamando na tribuna ministros russos, chineses ou iranianos! Pode-se imaginar isto em Paris ou Washington? Mas é o que acontece em Kiev.
O meu espanto cresce dia a dia observando a diferença entre "as informações" emitidas pela nossa Comunicação Social e aquelas que posso colher nos meios de comunicação ucranianos e russos. As violências neonazis, as agressões anti-semitas, as tomadas de assalto das administrações regionais: nos nossos meios de comunicação, não há nada disso! Só temos um único ponto de vista: o dos opositores de Maidan (Praça de Kiev, onde os pró-europeus se reúnem (Nota do Editor). Na Comunicação Social, o resto da Ucrânia não existe!

Quais são os principais actores em presença?

JMC: A oligarquia industrial e financeira, beneficiária das privatizações, é compartilhada entre a Rússia e o Ocidente. Viktor Yanukovich e seu Partido das Regiões representam os clãs (e a maior parte da população) no leste e sul. O Partido das Regiões venceu as eleições, tanto presidenciais como parlamentares, no Outono de 2013. Ele também tem bases sólidas a Oeste, na Transcarpácia (também conhecida como Ucrânia sub-carpática), uma região multiétnica que resiste ao nacionalismo. Mas a crise actual, as hesitações e fraquezas do presidente podem custar-lhe muito caro e desacreditar o seu partido...
O poder é largamente responsável pela crise social que beneficia a extrema-direita e as enganosas sereias da UE e da NATO. O poder no terreno é impotente, de facto, e defende uma parte da oligarquia. Ele favoreceu a disseminação da corrupção e das práticas mafiosas.
Perante ele, há três partidos políticos que se baseiam especialmente no Ocidente e também no centro da Ucrânia. Batkivschina ("A Pátria"), cujo líder é Arseniy Yatsenyuk. Ele sucedeu a Yulia Tymoshenko, doente e presa. Em seguida, o partido Oudar (Partido democrático das reformas), cujo líder e fundador é o ex-boxeur Vitali Klitschko. É o querido de Angela Merkel e da UE. Os quadros do seu partido são formados pela Fundação Adenauer. Finalmente, a Svoboda ("Liberdade"), partido neo-fascista liderado por Oleg Tiagnibog.
Svoboda é um filiado directo da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN ) – fascista, sob o modelo de Mussolini – fundada em 1929 no leste da Galicia sob o domínio polaco. Com a chegada de Adolf Hitler em 1933, o contacto é feito com o slogan "vamos usar a Alemanha para avançar com as nossas reivindicações". As relações com os nazis são por vezes tumultuosas – porque Hitler não queria uma Ucrânia independente – mas todos estão firmemente unidos no seu objectivo comum de eliminar comunistas e judeus e escravizar os russos. Os fascistas ucranianos opõem a natureza "europeia" da Ucrânia à "asiática" da Rússia. Em 1939, Andriy Melnik é o chefe da OUN, com Andriy Cheptytskyi, Metropolita (Bispo, Nota do Editor) da Igreja greco-católica (Uniata) germanófila, "líder espiritual" da Galicia, passada em 1939, para o regime soviético. Em 1940, o radical Stepan Bandera cria uma dissidência: o seu OUN-b forma dois batalhões da Wehrmacht, Nachtigall e Roland, para participar na agressão pela Alemanha e seus aliados contra a União Soviética em 22 de Junho de 1941. Imediatamente cria uma onda de progroms.
Após várias eleições, após a "Revolução Laranja" de 2004, a influência de Svoboda cresceu na Galicia e em toda a Ucrânia ocidental, inclusive nas grandes cidades, com 20 a 30% dos votos. No conjunto da Ucrânia, Svoboda tem 10 % dos votos. Svoboda é "dominado" por grupos neo-nazis ainda mais radicais do que ele.
As três formações políticas Batkivschina, Oudar e Svoboda, apoiadas pelo Ocidente, reclamam há dois meses o derrube do governo e do Presidente da República. Eles exigem novas eleições. Svoboda vai ainda mais longe, organizando um golpe de Estado localmente. Lá, onde ele governa com o seu reinado de terror, Svoboda proíbe o Partido das Regiões e o Partido Comunista da Ucrânia.
O PC da Ucrânia apela à razão há várias semanas. Ele recolheu mais de três milhões de assinaturas pedindo um referendo que deve decidir se a Ucrânia quer um acordo de associação com a UE ou uma união aduaneira com a Rússia. A situação insurreccional deve-se, não só aos três partidos da oposição, mas também ao poder, que ofereceu o país e o povo "de bandeja" aos líderes da pseudo oposição, aos grupos de extrema direita neo-nazis, às organizações nacionalistas violentas, aos políticos estrangeiros que apelam às pessoas a "radicalizar os protestos" e "lutar até ao fim". O PC destaca os problemas sociais. Ele tem a posição mais democrática entre os partidos políticos. Mas sua influência é limitada à Ucrânia oriental e meridional.

Qual o jogo das grandes potências (EUA, UE, Rússia) no confronto actual?

JMC: Zbigniew Brzezinski, influente geostratega, cidadão dos EUA de origem polaca, traçou na década de 1990, a estratégia dos EUA para controlar a Eurásia e instalar permanentemente a hegemonia do seu país, com a Ucrânia como elo essencial. Para ele, havia uns "Balcãs mundiais", de um lado a Eurásia, do outro o grande Médio Oriente. Esta estratégia deu os seus frutos na Ucrânia com a "Revolução Laranja" de 2004. Instalou uma rede tentacular de fundações norte-americanas – como Soros e a reaganiana National Endowment for Democracy (NED) – que pagam a milhares de pessoas para "fazer progredir a democracia". Em 2013-2014, a estratégia é diferente. É especialmente a Alemanha de Angela Merkel e a União Europeia que estão no comando, ajudados por políticos americanos como John McCain. Arengam às multidões na Maidan e em outros lugares com grande irresponsabilidade: para atingir facilmente a meta de fazer balançar a Ucrânia para o campo euro-atlântico, incluindo a NATO, eles contam com os elementos mais antidemocráticos da sociedade ucraniana. Mas esse objectivo é inatingível sem partir a Ucrânia entre o Oriente e o Ocidente e com a Crimeia que se tornará a juntar á Rússia como o seu povo deseja. O parlamento da Crimeia declarou: "Nunca viveremos sob um regime fascista". E para Svoboda e os outros fascistas, esta é a vingança de 1945, que eles vivem. De qualquer forma acho que a grande maioria dos ucranianos não quer esta nova guerra civil ou a dissolução do país. Mas a sociedade está em reconstrução...

Política anti-social da oposição revelada por WikiLeaks

Viktor Pynzenyk, ex-ministro das Finanças e, agora, membro do partido da oposição Oudar, de Vitali Klitschko, em 2010 explicou ao embaixador dos EUA o que queria para a Ucrânia:
O aumento da idade de aposentadoria em dois anos a três anos
A eliminação de reforma antecipada
A restrição das pensões para os aposentados que trabalham
A triplicação do preço do gás para as famílias
O aumento dos preços da electricidade em 40%
O cancelamento da Resolução do Governo que exige o consentimento dos sindicatos para elevar os preços do gás
O cancelamento da disposição legal que proíbe os fornecedores municipais de cortar o fornecimento ou multar os consumidores em caso de não pagamento de serviços municipais
A privatização de todas as minas de carvão
O aumento dos preços dos transportes, o cancelamento de todos os benefícios
A abolição de subsídios do governo para nascimentos, refeições gratuitas e livros escolares (está escrito: "As famílias devem pagar ")
Cancelamento de isenções de IVA para produtos farmacêuticos
Aumento dos impostos sobre a gasolina e aumento de 50% nos impostos sobre veículos
O pagamento dos subsídios de desemprego, só após um período mínimo de seis meses de trabalho
O pagamento de benefícios de licença médica só a partir do terceiro dia de folga
O não aumento do ordenado mínimo vital (embora introduzindo opções de pagamento adicionais para os necessitados).


Fonte: 10KYIV278 telegrama diplomático revelado pelo Wikileaks
www.cablegatesearch.net/cable.php?id=10KYIV278&q=elections+ukraine

por Jean -Marie Chauvier [*], entrevistado por Jean Pestieau
[*] Jornalista e ensaísta belga, especialista na Ucrânia e na antiga União Soviética. Conhece estes países e a língua russa, colabora em Le Monde Diplomatique e outros jornais e sítios da internet.
Para mais informações: Jean-Marie Chauvier, Euromaïdan ou a batalha da Ucrânia , 25/Janeiro/2014; Ucrânia: "que posição"? , 13/Dezembro/2013, publicado pela revista Política (Bruxelas) e reproduzido emwww.globalresearch.ca; OUN e a Alemanha nazi: referências, ver Le Monde Diplomatique , Agosto/2007 .

Ver também:
Ukraine and the Rebirth of Fascism in Europe
IMF Sponsored "Democracy" in The Ukraine
Solidarité en Ukraine avec le Parti communiste qui lance un appel aux forces communistes et de gauche du monde entier!

O original encontra-se em www.ptb.be/... . Tradução de GAC.
Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

Hotel 'fetiche' do PSD está fechado e tem salários em atraso Unidade hoteleira em que os sociais-democratas há mais de uma década realizam a sua Universidade de Verão fechou.

Hotel 'fetiche' do PSD está fechado e tem salários em atraso

Unidade hoteleira em que os sociais-democratas há mais de uma década realizam a sua Universidade de Verão fechou.

Miguel Macedo e Duarte Marques (líder da JSD) no encerramento da X Universidade de Verão do PSD, com a presença de Passos Coelho e do eurodeputado e "reitor" Carlos Coelho
Miguel Macedo e Duarte Marques (líder da JSD) no encerramento da X Universidade de Verão do PSD, com a presença de Passos Coelho e do eurodeputado e "reitor" Carlos Coelho
Nuno Fox

É todos os anos palco da Universidade de Verão da Juventude Social-Democrata (JSD) e local de "romaria" anual dos dirigentes do partido. De Luís Marques Mendes a Passos Coelho, de Manuela Ferreira Leite a Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Leonor Beleza ou Marcelo Rebelo de Sousa, todos passaram pelo Hotel Sol e Serra, em Castelo de Vide.
Alguns, como Marcelo ou Passos, já lá estiveram mais do que uma vez. Sinal dos tempos, a unidade hoteleira está agora encerrada e os trabalhadores têm salários em atraso.
"O salário de dezembro está por pagar e a perspetiva dos trabalhadores é que janeiro fique igualmente por liquidar", diz Maria das Dores Gomes, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria do Sul, acrescentando que os nove funcionários foram "mandados para casa" pela administração da empresa, porque o hotel se encontra "em remodelação".
O sindicato refere que 2013 "até correu bem", com taxas de ocupação "bastante razoáveis". O problema estará nas dificuldades financeiras que se têm arrastado no tempo e que mergulharam a empresa num processo de insolvência encerrado a 17 de dezembro de 2013, altura em que cessaram as atribuições do administrador nomeado pelo Tribunal de Comércio de Lisboa. A partir dessa data, todos os credores da insolvência passaram a poder "exercer os seus direitos contra o devedor".
O último relatório de contas apresentada pela empresa, relativo a 2012, revela a existência de um resultado líquido negativo de 66.131,03 euros e de um passivo de 3,8 milhões de euros, dos quais 3,2 milhões se encontram inscritos na rubrica "outras contas por pagar". O documento aponta para uma dívida ao Estado de 325 mil euros. 
A última listagem de dívidas ao Fisco, publicada a 29 de janeiro pela Autoridade Tributária e Aduaneira, coloca o grupo Fernando Barata, detentor da unidade hoteleira, entre as empresas que devem mais de um milhão de euros.
Apresentada pelo PSD como "a mais prestigiada iniciativa regular de formação de jovens quadros políticos em Portugal", a Universidade de Verão começou a realizar-se no Sol e Serra de Castelo de Vide em 2003, quando o presidente do partido era Durão Barroso, à época primeiro-ministro. Desde essa altura que o eurodeputado Carlos Coelho, a quem os alunos fazem questão de chamar "reitor", é o anfitrião de um evento que permite a inscrição de 100 jovens "laranjinhas".
O Grupo Fernando Barata não respondeu ao pedido de esclarecimentos do Expresso sobre a atual situação da unidade hoteleira.
 


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/hotel-fetiche-do-psd-esta-fechado-e-tem-salarios-em-atraso=f854095#ixzz2sMh0JfEO

ENTREVISTA AO CLITÓRIS (EM ESPANHOL) - Entrevista al clítoris: “Guardo todavía muchos secretos” Hablamos con el único órgano humano dedicado única y exclusivamente a dar placer, y que es exclusivo del género femenino.

Entrevista al clítoris: “Guardo todavía muchos secretos”

Hablamos con el único órgano humano dedicado única y exclusivamente a dar placer, y que es exclusivo del género femenino.

clitoris

Foto: Laura Pacheco

A pesar de tener un nombre universal, igual para casi todas las lenguas, esta parte de la anatomía femenina ha sido la gran desconocida y hasta perseguida culturalmente. Al estar parcialmente escondido, su protagonismo ha sido menor que el de su homónimo masculino, el pene. Pero el clítoris parece dispuesto a hacerse oír y conquistar su trono. La industria del juguete erótico empieza a tenerlo en cuenta y, recientemente, la ciencia nos ha permitido visualizarlo en toda su extensión y en 3D. Ahora que el universo catódico nos ha dado una lección de historia sobre la importancia del orgasmo clitoriano (gracias a Virginia Johnson y Bill Masters en Masters of Sex), charlamos con el clítoris para averiguar un poco más sobre este gran desconocido.

Es el único órgano humano encargado única y exclusivamente de dar placer y, sin embargo, no se le ha reconocido como se merece. ¿Es eso una prueba más de la tendencia masoquista del ser humano?
El pene tiene muchos monumentos, una corriente artística, casi un género –el fálico–. A mí me han hecho pocas estatuas y debería ser todo lo contrario. Mi labor es totalmente altruista y desinteresada. Y, sin embargo, soy también el único órgano que debe pedir derecho de asilo. En algunos países nos cortan la cabeza y lo hacen las propias madres a sus hijas. ¿Imagínese un lugar donde se le cercenaran las orejas a los niños al llegar a la pubertad? Sería de locos, pero a nosotros nos sigue ocurriendo.

Lo imagino resentido con la vagina, a lo largo de la historia le ha quitado todo el protagonismo…
¡Qué se puede esperar de una sociedad tradicionalmente machista y puritana! La penetración vaginal tiene una función reproductora y la consigna durante siglos ha sido “creced y multiplicaos”. Sin embargo, yo no traigo hijos al mundo. Todavía mucha gente identifica el órgano sexual masculino con el pene y el femenino con la vagina. Pues no señor, soy yo. La vagina es mucho menos sensible. Cuando oigo todavía la diferencia entre orgasmo vaginal y clitoriano me echo a reír. Todos los orgasmos pasan por mí. Los de la vagina no son sino una estimulación indirecta de mi persona. Se podría decir que soy como un iceberg, solo muestro una parte muy pequeña de mí, la otra se ramifica por toda la pelvis.

¿Y qué me dice del famoso punto G?
Sí, vaya marketing se ha montado, con ese halo de misterio que lo rodea y que fluctúa entre la realidad y la leyenda. Pero cada día nacen más puntos el A, el U. Todo un alfabeto. Yo el punto G lo veo como un plan B. No es sino una estimulación indirecta de mí. La ciencia todavía tiene mucho que descubrir al respecto. Últimamente se empieza a hablar del complejo uretra-clítoris-vagina, una zona de estimulación erótica y sensorial muy potente que todavía está por descubrir.

Los orgasmos que pueden experimentar algunas mujeres manipulando sus pechos, ¿también pasan por usted?
Siempre se ha hablado de una ligazón entre el pezón y el clítoris, un cablecito que une estos dos puntos y que algunas mujeres conocen muy bien. Expertos de la Universidad de Rutgers, en EE UU, crearon en 2011 un mapa cerebral del placer sexual femenino. A través de escáneres, los investigadores pudieron identificar las áreas del cerebro implicadas en la excitación de los genitales femeninos. Los resultados, publicados en elJournal of Sexual Medicine, revelaron que la estimulación del clítoris no es la única que activa la corteza sensorial, como se pensaba, sino que estimular la vagina, el cuello del útero e incluso los pezones, también desencadena respuestas cerebrales. El biólogo Barry Komisaruk, autor principal del estudio, explicaba al diario argentino Perfil: “Lo inesperado fue, además, que la autoestimulación del pezón activa las mismas áreas cerebrales que la región genital”. Lo que explica que algunas mujeres puedan llegar al orgasmo con la sola masturbación de sus pechos.

La ciencia no ha estado muy interesada en usted a lo largo de la historia, de hecho se ha visto su anatomía completa por primera vez en 1998, gracias a los estudios de imagen por resonancia magnética que realizó la uróloga australiana Helen O’Connell.
Y hace tan solo cuatro años que los investigadores franceses Dr. Odile Buisson y Dr. Pierre Foldès crearon el primer sonograma completo en 3D del clítoris estimulado. Ya le digo que nunca ha habido demasiado interés en mí. Freud dijo que yo era un pene inacabado y que la mujer que solo experimentaba placer conmigo es que no había madurado demasiado. Solo en mi parte externa poseo unas 8.000 terminaciones nerviosas, el doble que las del pene, y estas se comunican con otras 15.000 más en la región pélvica.

Sin embargo, los estudios de Masters y Johnson lo dieron a conocer al gran público, incluso contribuyeron a desarrollar un nuevo tipo de feminismo.
Sí, ellos descubrieron una sexualidad femenina independiente del coito con los hombres. Los hallazgos científicos sobre mí, demostraban que se podía prescindir del hombre. “La mujer a menudo no queda satisfecha con una única experiencia orgásmica” dijeron Master y Johnson en su libro La respuesta sexual humana. Las feministas más radicales estaban muy contentas con estos descubrimientos porque demostraban la superioridad sexual de la mujer, ya que además era multiorgásmica. Mientras, los conservadores veían al orgasmo clitoideo como una amenaza para la heterosexualidad. Sin ir tan lejos, ni ser tan apocalíptico, la verdad es que, gracias a estos descubrimientos, muchas mujeres se replantearon sus relaciones sexuales y empezaron a tomar las riendas de su vida erótica. Puedo presumir de mi contribución al feminismo.

¿Se dice que aguanta mejor el paso del tiempo que el pene?
Muchas mujeres experimentan su plenitud sexual en la madurez, a los 40 y tantos, pero no es del todo cierto que aguante el tiempo muy bien. Mi mecanismo es muy similar al del órgano masculino. Tengo erecciones y eyaculo –a veces a la manera masculina– y, como el pene, soy un cuerpo cavernoso y me afectan la hipertensión y la diabetes. Los años no me favorecen, lo que ocurre es que muchas mujeres me descubren tarde, y es entonces cuando me empiezan a disfrutar, a hacerse adictas al sexo y a tratar de recuperar el tiempo perdido.

¿Y qué me dice de su fama de lento, de necesitar más tiempo y que se le dore más la píldora para empezar a ponerse a trabajar?
¿En qué se tarda más: en hacer una pechuga a la villaroy o en meter una pizza precocinada al horno? Las cosas buenas se hacen esperar y lo que llega rápido se va aún más deprisa. De todas formas eso es también un mito. Un estudio realizado por la Universidad McGill, de Quebec, Canadá, dirigido por el Dr. Irv Binik, demostró que no existe diferencia en la cantidad de tiempo que ambos sexos requieren para alcanzar su máximo nivel de excitación. Binik y su equipo se sirvieron de la termografía, midiendo la radiación, en términos de temperatura, que emitían los genitales de los sujetos del estudio mientras contemplaban diferentes imágenes, pornográficas o no. Tanto los hombres como las mujeres comenzaban a sentir excitación en los primeros 30 segundos. Esto demuestra que si a la mujer se la estimula adecuadamente, ésta puede llegar al orgasmo tan rápido como el hombre, pero ¿realmente interesa correr tanto?

El problema parece ser que usted es bastante rarito y dar con lo que le gusta no es tan fácil.
Lo que ha habido es mucha incultura y desconocimiento. Si incluso muchas mujeres no están demasiado familiarizadas conmigo, ¿qué le vamos a pedir a los hombres? Los hay que me ignoran totalmente y se dedican a hacer espeleología vaginal. Los hay que nada más verme arremeten contra mí sin piedad y a lo bruto, esto me asusta y me retraigo, pues soy bastante tímido. Abundan los que se creen expertos con la boca y, en vez de lamerme con cuidado, parece que me estuvieran haciendo una ablación. Y luego están los que saben satisfacerme, aunque no se puede decir que sean legión. Solo pido algo de tacto y delicadeza, pero de nuevo me han creado una fama que no me merezco, la detiquismiquis. Como si el pene no tuviera también sus prontos y sus gatillazos.

¿Cómo hay que tratarlo entonces para que se sienta a gusto?
Como se merece una parte de la anatomía tan delicada y sensible. Para estimular a la mujer hay que empezar por tratar las zonas erógenas secundarias para luego ir a las primarias. Una vez en la zona genital, yo debo ser el último en tocar. Hay que empezar por el monte púbico, labios mayores, menores, espacio entre éstos, para luego comenzar a tocarme, primero indirectamente y luego ya más directo. A veces hay que retirar un poco el capuchón que me cubre. Me gustan los lametones y las succiones, más lentos o rápidos, e intercalando el ritmo. Cada mujer tiene sus preferencias. Algunas veces abordarme por la retaguardia es más placentero que de frente. Y la ducha, bien dirigida puede ser muy estimulante.

Tengo entendido que le gustan mucho los juguetes y que las vibraciones lo estimulan.
Sí son como burbujas de champán y hay que decir que últimamente quien más caso me ha hecho ha sido la industria de la juguetería erótica. Casi todos los vibradores tienen ahora sus estimuladores del clítoris, cada vez más anatómicos y sofisticados. Por no hablar de los diseñados especialmente para nosotros. Mi mánager me está buscando un esponsor y todavía no me está permitido hacer publicidad, pero hay verdaderas maravillas en el mercado. Toda mujer debería tener un pequeño kit de supervivencia para las épocas de vacas flacas y descubrir que, cuando la cosecha ha sido mala, también se puede ser autosuficiente.

¿En su caso el tamaño también importa?
No para mi perfecto funcionamiento. Es más, si soy muy grande, acomplejo a mi dueña, que ve la cosa poco estética. Sin embargo, el hombre que tienen un pene grande está muy orgulloso de él. Existe todavía este doble rasero.

¿Qué me dice de los pubis depilados, está a favor o en contra?
Entre nosotros mismos hay diversos sectores. Algunos prefieren no estar rodeados de pelo, porque argumentan que así se les localiza mejor y que tienen mayor sensibilidad; pero también está la línea pro Mato Grosso, que esgrimen la naturalidad y el papel protector del vello de los genitales, que actúa como barrera para evitar la entrada de virus e infecciones. Tener el pubis como una actriz porno exige la eliminación constante del pelo, causando la inflamación de los folículos pilosos y dejando heridas abiertas microscópicas. Si esto se combina con el calor y el ambiente húmedo de los genitales, se ha creado un caldo de cultivo para los patógenos bacteriales. Es cuestión de modas y, según he leído recientemente, ya hay algunas abanderadas del felpudo. No me extrañaría nada que vuelva la tendencia de los genitales peludos. Muchas que se han hecho la depilación láser deberán recurrir entonces a los postizos.

O jornalista e o advogado. Histórias de pimenta e refresco PDF Versão para impressão Era uma vez, há muitos anos, um advogado e um jornalista. Trabalhavam ambos na mesma cidade grande mas pouco se conheciam. Cada um ocupava-se dos seus afazeres. Não nutriam, um pelo outro, grande amizade. Nas poucas vezes que se encontravam o advogado interrompia sempre a conversa. O pouco que aquele podia contar e que podia ultrapassar as estreitas fronteiras do sigilo era revelado numa linguagem de tal forma cifrada que o jornalista não parecia compreender.

O jornalista e o advogado. Histórias de pimenta e refrescoPDFVersão para impressão


Era uma vez, há muitos anos, um advogado e um jornalista. Trabalhavam ambos na mesma cidade grande mas pouco se conheciam. Cada um ocupava-se dos seus afazeres. Não nutriam, um pelo outro, grande amizade. Nas poucas vezes que se encontravam o advogado interrompia sempre a conversa. O pouco que aquele podia contar e que podia ultrapassar as estreitas fronteiras do sigilo era revelado numa linguagem de tal forma cifrada que o jornalista não parecia compreender. E com isso, fazendo o seu papel, repetia o jornalista as mesmas perguntas utilizando outras formas e outras abordagens. Enfadado e limitado nos seus deveres profissionais o advogado terminava abruptamente a conversa sem que o jornalista compreendesse verdadeiramente o motivo. E mesmo quando o jornalista pretendia ir um pouco mais além, procurando assistir às vivências profissionais do advogado, ou não encontrava motivos de interesse ou perdia-se nas hermenêuticas da tal linguagem cifrada. E durante muito tempo foi assim: o advogado lá ia advogando entre o seu escritório, os tribunais e os seus clientes e o jornalista ia jornalando, recolhendo matérias para a edição do dia seguinte. Um belo dia, porém, os clientes do jornalista – entre os quais o próprio advogado – amanheceram com muita necessidade de informação e ela cresceu de forma exponencial. Foram criados meios de comunicação que não existiam e os que existiam cresceram e multiplicaram-se. Deixou de ser notícia o homem que mordeu o cão porque as pessoas passaram a querer também saber o nome do cão e a conhecer a casa do homem. A sociedade criou e multiplicou regras e o advogado passou a ter mais trabalho. E surgiram mais jornalistas para alimentar os meios, e mais advogados para criar regras e para defender a sua aplicação. Tudo muito. Tudo mais. Da janela do escritório do advogado e do local de trabalho do jornalista passou a ver-se mais mundo. Passou a ver-se o mundo. Era, por isso, inevitável que se reencontrassem mais vezes, que os seus caminhos se cruzassem com mais frequência.

Na primeira vez em que se reencontraram neste novo mundo, os dois profissionais olharam-se com desconfiança. O advogado queria continuar a viver no seu escritório, contemplando a placa com o seu nome que ostentava orgulhosamente a sua profissão. O jornalista, por seu lado, queria saber coisas dos clientes do advogado incluindo os seus segredos e passou a escrever mais sobre o mundo dos advogados e sobre as teias da justiça que o advogado urdia juntamente com os magistrados nos seus encantados tribunais. Outrora lugares frios e desconfortáveis estes locais tornaram-se destinos de romaria e objecto de notícia. Os jornalistas passaram a opinar sobre tudo o que mexia, mesmo que sobre movimento nada soubessem. O advogado passou a dar-se melhor com o jornalista. Aliviou o seu segredo, aliviaram-lhe o seu segredo. Alguns passaram a desconhecer a palavra “segredo”. Antes falava o jornalista e depois o advogado. Fala agora o advogado pelo jornalista, o jornalista pelo juiz, o advogado é jornalista e o jonalista é advogado. Um por todos e todos por um. Não raras vezes ao mesmo tempo. A notícia também mudou. O homem continuou a morder o cão mas o homem tem agora gravata e colarinho branco e o cão passou a chamar-se Estado. E não raras vezes morde também no homem. E isso é também notícia. Criaram-se reguladores do homem e do cão, regulações de reguladores. Supervisões de regulação e reguladores de supervisão. Nomes finos para quem pouco faz. Mas tudo é notícia ou consumido como se tal fosse.

Um dia destes, nos novos tempos, o jonalista encontrou-se com o advogado. Queria mudar-lhe os hábitos, os ritmos e as Leis. Tinha opinião sobre a justiça e sobre a forma como ela devia funcionar. Sobretudo a justiça para os outros. Reclamou resultados com avidez e veemência. Manifestou incompreensão. O advogado deteve-se e depois de uma pequena pausa olhou longamente a paisagem e contou-lhe uma história antiga com pimenta, fundo das costas e refresco.*


Paulo Farinha Alves

A GRANDE LOJA DO CHINÊS ng2970387Gosto de lojas do chinês. Logo que começaram a multiplicar-se como coelhos, tornei-me cliente assíduo e navegante amador dos labirintos de prateleiras repletas de produtos exuberantes, muitos deles de utilidade nula.

A GRANDE LOJA DO CHINÊS

ng2970387Gosto de lojas do chinês. Logo que começaram a multiplicar-se como coelhos, tornei-me cliente assíduo e navegante amador dos labirintos de prateleiras repletas de produtos exuberantes, muitos deles de utilidade nula.
Enfim, há quem goste de ir à pesca, colecionar selos ou até estatuetas de porquinhos de barro. Conheço gente assim. Eu gosto de lojas do chinês.
Perco-me naqueles corredores, estranho o odor químico exalado de inutilidades várias para o lar, surpreendo-me com a capacidade de copiar dos chineses, gente tão inovadora que até no copianço consegue ser diferente. Adoro as traduções para português inscritas nos rótulos e etiquetas das inúmeras chinesices, cheias de erros crassos tremendamente hilariantes; adoro a adulteração dos nomes das marcas dos produtos que nos vendem, como a mudança de Sony para Sonky, porque é a mentira desvendada instantaneamente sem preconceitos e que mais não provoca do que um sorriso amarelo, como o do chinês; adoro os chineses e chinesas que nos atendem, com um vocabulário limitado aos aspetos técnicos das pilhas para rádios e relógios e, com sorte, com competências em matérias de lâmpadas economizadoras.
Gosto de lojas do chinês, pronto.
Gosto principalmente porque naqueles espaços, dos pequenos aos gigantescos, descubro sempre, mas sempre, coisas de que preciso mas que não sabia existirem, e coisas de que não preciso, mas que quero ter. É muito gratificante.
Por tanto gostar das chinesices fico intrigado com a preocupação súbita da Câmara Municipal de Lisboa e da Inspeção Geral das Atividades Culturais, tutelada pela Secretaria de Estado da Cultura, com a transformação do cinema Londres em loja chinesa. Se fosse uma loja de discos, como a que foi instalada no Cinema Éden, em plena Praça dos Restauradores, há muitos anos atrás, pelo distinto cavaleiro de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra, Sir Richard Branson, e talvez o presidente António Costa e o Secretário de Estado Jorge Barreto Xavier achassem que seria uma mais-valia para a cidade, porque os turistas, claro, adoram comprar discos de artistas dos seus próprios países na principal praça da cidade que visitam. Agora, uma loja do chinês num cinema chamado Londres, isso é demais. Sir Branson ficaria ofendido, para já não falar da rainha…
O mais interessante desta história é, porém, perceber a diferença de entendimento e a indignação geradas pela abertura de uma simples loja chinesa, encarada como um atentado à cultura e património da cidade, e a privatização do que restava em mãos públicas do capital da EDP. É da Electricidade de Portugal que falo, empresa estratégica que deveria ser património de todos nós não sujeito ao jogo dos interesses privados e do lucro, transformada, essa sim, em grande loja do chinês pelo atual Governo pela módica quantia de 2.693.186.548 euros, número difícil de descodificar, mas aquele que que os grandes comerciantes chineses da Three Gorges deram por 780.633.782 ações da empresa, correspondentes a 21,35 por cento do capital da EDP. Ou seja, quem lá manda são eles, ainda que por lá andem também uns espanhóis e a família Mello a dar umas dicas, num negócio que o Demétrio Alves antecipou AQUI em dezembro de 2011.
A preocupação com o Cinema Londres é, pois, evidentemente excessiva (claro que queria dizer hipócrita) num país que se está a transformar numa grande Loja do Chinês.
Quando nos devolverem a EDP, que é nossa, prometo que deixarei de ir a Lojas do Chinês. Até lá, não prescindo de tão grande prazer.


pracadobocage.wordpress.com